Revista Apólice #233

revistaapolice

Ano 23

Número 233

Junho 2018


2


editorial

Ano 23 - nº 233

Junho 2018

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Revista Apólice

O dinheiro tem que

vir de algum lugar

A economia brasileira encontra-se em uma situação já conhecida

pela maioria das pessoas no campo privado. Encontrar uma

fonte de financiamento é um dos maiores desafios em vários campos,

inclusive quando há perdas materiais e humanas inesperadas,

como em casos de sinistros.

Nesta edição abordamos um tipo de seguro que é necessário

para que as empresas e seus executivos tenham segurança para

executar o seu trabalho. Falamos sobre os seguros de Responsabilidade

Civil Profissional e o D&O, fundamentais para que profissionais

liberais e executivos exerçam suas funções com tranqüilidade,

sabendo que o seu patrimônio não será afetado mesmo que o

erro aconteça.

O seguro Garantia vive um momento de impasse, no qual

Governo e iniciativa privada buscam uma alternativa para que seja

possível aumentar a parcela garantida pelas apólices. Por outro

lado, o seguro de Crédito atravessa um período de boas perspectivas,

principalmente no que se refere aos seguros ligados às

exportações.

Mostramos nesta edição também a fuga de capital do setor de

previdência privada, que sofre as conseqüências da crise econômica

e de confiança política. São sempre os mesmos problemas que

afetam toda a cadeia de negócios.

Só há uma forma da sociedade influenciar na mudança desta

triste sina: o voto! Outubro está chegando e, com ele, a possibilidade

de fazer diferente e de renovar a nossa representação. Vamos

ver se aprendemos alguma coisa com a crise.

Boa leitura!

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

3


sumário

6

12

|

|

painel

gente

14

14

18

|

|

riscos financeiros

d&o

Carteira já estava amadurecendo quando foi iniciada a Operação

Lava Jato, em 2014. Com este impulso, aumentou a adesão

ao produto e foram colocadas à prova as apólices comercializadas

no Brasil

crédito

Necessidade de negociar vendas à prazo pode ser determinante

para a manutenção da competitividade. Empresas que

descobrem as virtudes do seguro de crédito não abrem mão

dessa ferramenta

22

|

rc profissional

Modalidades que possuem forte regulação sempre buscaram

o amparo do seguro de Responsabilidade Civil. Agora, a tecnologia

é uma grande aliada para a distribuição dos produtos

22

26

|

garantia

Nova Lei de Licitações e Contratos trará modificações relevantes

para o mercado de seguro garantia, que exigirão grande esforço

e alterações substanciais para o segmento

29

|

internet

Fator Seguradora aposta no Portal do Corretor para dinamizar

o processo de emissão de apólices e atender aos profissionais

com carteira de todos os portes

30

|

seguradora

Em um mercado altamente competitivo, a Excelsior se destaca

pelo investimento em novas ferramentas e tecnologia

34

32

34

|

|

entidade

Sindseg BA/SE/TO festeja bodas de vinho com a presença de

diretores, líderes e autoridades regionais

copa do mundo

Apesar de acontecer a mais de 14 mil km daqui, o mercado local

também surfa na onda do futebol com negócios relacionados

ao evento

40

|

fraude

Quase 12% dos sinistros ocorridos em 2016 estavam sob suspeita

de fraude e foram investigados. Além das quadrilhas, os

pequenos fraudadores formam uma massa considerável

46

46

50

|

|

previdência

Em um cenário de juros baixos, seguradoras adequam produtos

com a retirada de taxas para melhorar a rentabilidade em uma

defensiva para manter e atrair novos clientes

comunicação

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5


painel

• ncomércio eletrônico

Hackers miram em e-commerce

brasileiros

Um estudo feito pela Serasa Experian em parceria com consultoria

BigData Corp analisou 4,3 milhões de sites com final .br no mês

de janeiro de 2018 e apontou que 30% das páginas não estão seguras.

Os sites são invadidos por hackers, que copiam as informações

passadas pelo usuário durante uma transação. Dados pessoais como

nome, endereço e CPF podem ser coletados por terceiros para firmar

negócios sob falsidade ideológica ou obter crédito sem a intenção de

honrar os pagamentos.

De acordo com o Indicador

Serasa Experian de Tentativas de

Fraude, o Brasil encerrou 2017

com 1,964 milhão de tentativas,

alta de 8,2% ante 2016. Segundo

a pesquisa, só no primeiro

bimestre deste ano já foram

registradas 305.480 tentativas,

ou seja, a cada 17 segundos um

criminoso tentou roubar dados

para efetivar uma fraude.

• nimóveis

Proteção para imóveis de contêiner

A SulAmérica lançou um seguro que oferece proteção e serviços

de assistência 24 horas para imóveis de contêiner. O produto pode ser

contratado por proprietários de imóveis que sejam construídos com

mais de 25% de contêiner, instalado de forma fixa e que seja adaptado

para habitação ou utilização comercial. Quem contratar o seguro para

residências de contêiner conta com as mesmas coberturas e serviços

de assistência do produto para imóveis de alvenaria – cobertura contra

incêndios, explosões, danos elétricos, roubo e responsabilidade civil

familiar; e serviços de chaveiro, eletricista, encanador e conserto

de eletrodomésticos. Os responsáveis por abrigar empresas nessas

estruturas podem contratar as mesmas coberturas, além de escolher

garantias específicas de cada tipo de negócio, entre elas contra roubo

de bens e valores de clientes no estabelecimento.

Som.Us é Eleita pela

Reactions Awards a Melhor

Corretora de Resseguros

A Som.us Corretora de Resseguros, foi reconhecida

como a “Corretora de Resseguros do Ano”

pela Reactions Latin America, durante jantar no

Four Seasons Hotel em Miami no último dia 24

de Maio.

A revista britânica publica anualmente uma

edição especial com a relação de companhias de

seguros, resseguros, corretores, fornecedores e

executivos que se destacaram ao longo do ano. Na

edição de 2018 a Som.us foi premiada como a melhor

Corretora de Resseguros de 2017, concorrendo

com grandes players do mercado como a Aon Re

e Capsicum Re.

Francisco Martinez, presidente da Som.us

Mexico, Alejandro Padilla, CEO de Marine/Non-

-Marine para América Latina, Fabio Basilone, CEO

Wholesale América Latina e Mauricio Rodriguez

CEO de Benefícios América Latina, Luis Linares,

Gerente Geral do Equador, e Victor Hugo, CEO do

Paraguai, receberam o prêmio em Miami em nome

de toda equipe Som.us. “Este prêmio é resultado

do trabalho em equipe que vemos desenvolvendo

desde que anunciamos a integração de nossas

operações na América Latina. Fruto do compromisso

e dedicação de todos os colaboradores com

a entrega da melhor solução para nossos clientes”,

afirma Martinez.

“É uma honra sermos reconhecidos. Sentimos

um grande orgulho e satisfação por mais essa conquista.

Um sincero agradecimento a toda equipe,

clientes e parceiros, que contribuíram para esse

reconhecimento”, completa Rodriguez.

Executivos da Som.Us recebem prêmio

de Corretora de Resseguros do ano

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• nsaúde

Solução de saúde para empresas

de todos os tamanhos

Apesar de já possuir um sistema

consolidado em saúde, a Ameplan pode

oferecer ao mercado planos diferentes daqueles

disponibilizados em sua prateleira.

São soluções customizadas, atraentes em

termos de coberturas e preço, mas que

aparecem somente quando solicitadas.

O crescimento da operadora vem justamente

da sua capacidade de adaptação

às necessidades do mercado. Cerca de

80% de sua carteira é formada por planos

coletivos, que abrangem desde micro até

grandes empresas. O grande triunfo da

Ameplan está na sua competência administrativa

e estrutural, que envolve uma

gestão profissional e uma rede referencial

verticalizada.

Ela possui produtos modulares que

podem ser adequados às necessidades

dos seus clientes,

com preços mais

acessíveis ao bolso

dos empresários.

Este fator continua

preponderante no

momento da renovação

do contrato,

episódio que é utilizado

pela operadora

para reafirmar seu

caráter de parceira

de seus clientes.

Uma visita ao

site da Ameplan

permite ao interessado constatar que as

pequenas empresas não sofreram reajustes

que inviabilizam o seu fluxo de caixa,

p r at ica ndo r e ajust es aba i xo do m e r ca do.

Laureci Zeviani, Diretor Comercial e Andreia Silva Gomes,

que acaba de assumir o cargo de Consultora de

Planos Corporativos da Ameplan.

Eis uma vantagem competitiva de

suma importância para os consultores e

corretores ofertarem aos seus clientes ou

futuros clientes.

7


painel

• negócios

Aperfeiçoando a experiência do

corretor

O Grupo Exalt, que reúne 50 corretoras de seguros de 27

cidades do interior de São Paulo, ampliou a parceria com a TEx

Tecnologia, com o intuito de oferecer às corretoras associadas

uma solução para melhorar a experiência

dos clientes e aumentar

o número de contatos para ofertar

seguros. Yuri Neves, coordenador

organizacional do Grupo, conta

que a empresa percebeu a demanda

de uma ferramenta para

intensificar o contato das corretoras

com os clientes via internet

e escolheram a solução Nimble

Leads, desenvolvida pela TEx. A

solução já está disponível para todas as corretoras participantes

do Grupo Exalt, que poderão contratar a solução com condições

especiais. “Todas as corretoras do grupo são potenciais usuárias

para o Nimble”, assegura Neves.

• nsaúde

Boa relação entre hospitais e

pacientes

A Seguros Unimed elaborou o produto Intercorrência

Segura, que cobre despesas decorrentes de problemas que

possam ocorrer após cirurgias eletivas, como plásticas, partos

e outros. Helton Freitas, presidente da seguradora, avalia

que o produto elimina demandas capazes de desgastar o

relacionamento de instituições de saúde e seus pacientes.

“O paciente precisa do atendimento médico e não pode

ficar pensando em como pagar esta conta. Por outro lado,

o hospital não pode simplesmente colocar o paciente na

rua”, afirma. O produto garante a estabilidade operacional

das instituições de saúde

ao assegurar, até o limite

estabelecido em contrato,

o pagamento das despesas

médico-hospitalares

para o tratamento do paciente,

sem comprometer

a segurança financeira do

segurado (hospital ou clínica).

A seguradora espera

comercializar pelos menos

cinco apólices deste seguro

ainda em 2018.

• ninsurtech

Aquisição de startup de saúde

A Stefanini Scala, coligada da Stefanini, realizou

uma nova movimentação, dessa vez na área de saúde.

A empresa adquiriu a Magma, startup multidisciplinar

especializada em tecnologia da informação para o segmento

de saúde, que desenvolve sistemas de gestão e

monitoramento de pacientes e equipes a partir de estudos

do cotidiano dos hospitais e de centros médicos. Com

foco em UTIs, a empresa criou uma ferramenta baseada

em inteligência analítica, que proporciona visão ampla e

sistêmica de toda Unidade de Terapia Intensiva, trazendo

agilidade na tomada de decisões, aprimoramento da

gestão financeira e redução do tempo de internação,

além de garantir melhor performance clínica. José Carlos

Pires, presidente da empresa, acredita no crescimento do

negócio da Magma em dez vezes no período de um ano.

• nparceria

Corretora terceiriza

atendimento

A Regula Sinistros fechou contrato para cuidar dos

processos e atendimentos de sinistros da Mister Líber. A

corretora vai terceirizar para a Regula o atendimento no

seguro de vida, e também no ramo automóvel, que demanda

tempo para resolver sinistros e utilização de assistências. “A

Regula contribuirá com o aumento de nossas vendas, pois,

além de desafogar a equipe, fará com que cada sinistro se

transforme em novas indicações. Acreditamos, em nossa

empresa, que cada sinistro bem atendido se transforma em

12 novas vendas. O atendimento da Regula vai nos ajudar a

multiplicar”, afirma Josusmar Sousa, que comanda a Mister

Líber ao lado de Simone Sousa.

Daniel Bortoletto e Adriana Campos da Regula;

Simone Sousa e Josusmar Sousa da Mister Liber

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• nresultado

Vida, Residencial e Auto crescem no

1º trimestre

Os dados do setor segurador referentes ao mês de março, divulgados

pela Susep, destacaram o crescimento dos ramos de seguro

de Vida Individual (12,8%), Residencial (10,9%), Vida Coletivo (9,8%)

e de Automóveis (8,4%). Ainda assim, na comparação do primeiro

trimestre de 2018 com o de 2017, descontados DPVAT e saúde, a

arrecadação geral do setor caiu 0,4%, impactada pelos planos de

acumulação VGBL e PGBL, que involuíram 8,9%. Estes são alguns

pontos destacados na 18ª edição da Carta do Seguro, da CNseg.

A publicação também destaca que, em março, a arrecadação

em prêmios e contribuições do mercado segurador regulado pela

autarquia foi 25,4% maior que a arrecadação de fevereiro. Entre as

justificativas, o fato de os meses de janeiro e fevereiro serem, tradicionalmente,

de queda na atividade seguradora devido às festas de

fim de ano, às férias de verão e ao Carnaval.

• nautomóvel

Venda de seguro em áreas de

risco

Uma iniciativa do

Clube dos Corretores

de Seguros do Rio de

Janeiro (CCS-RJ) busca

viabilizar a manutenção

dos seguros de

automóveis e angariar

novos nas regiões mais

afetadas pelo roubo de

carros: Baixada Fluminense,

Zona Norte e

Zona Oeste, da região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A ideia surgiu no 1º Encontro de Corretores de Seguros

da Baixada Fluminense, Zona Norte e Zona Oeste, que

reuniu mais de 200 corretores e seguradores. “O debate

culminou na criação de uma comissão composta por

sete corretores, que estão elaborando uma lista de

sugestões a serem apresentadas às seguradoras e ao

Sindicato das Seguradoras do RJ-ES”, explica Jayme

Torres, presidente da entidade.

9


painel

• nautomóvel 2

Da concessionária para a apólice

Veículos zero quilômetro

passaram a ser aceitos

na apólice do Azul Auto

Leve. Além disso, o limite

de aceitação da importância

segurada foi de R$ 60 mil

para R$ 80 mil. “Com as

mudanças, o Azul Auto

Leve oferece soluções ainda

mais simplificadas e,

dessa forma, mais condutores

de todo país podem

ter acesso ao seguro e seus

benefícios”, ressalta Felipe

Milagres, diretor da Azul Seguros. O produto oferece coberturas

para colisão, roubo, furto, incêndio, assistência 24

horas e cobertura adicional a terceiros.

De acordo com a CNseg, 70% dos motoristas não possuem

seguro. Por isso, desenvolver produtos que possam

atingir diferentes perfis é uma forma de aumentar a inclusão

securitária e contribuir para mais segurança e tranquilidade

no trânsito.

• nmenos conflitos

Câmara de Mediação e

Conciliação

Criada para solucionar conflitos de maneira consensual,

a CâmaraSIN – Câmara de Mediação e Conciliação Sincor-

-SP conta com mediadores e conciliadores habilitados na

corretagem de seguros, e associados ao Sindicato. O presidente

do Sincor-SP, Alexandre Camillo, também estará na

presidência da CâmaraSIN. “Este é um centro formado por

especialistas neutros, em que as pessoas poderão levar seus

conflitos comerciais e pessoais, tendo como diferencial a intermediação

de corretores

de seguros e, consequentemente,

a especialização na

área securitária”, garante

Camillo.

Mesmo diante da atuação

nas diversas áreas de

seguros, a Câmara abrange

outras áreas passíveis de

conflitos. Seu funcionamento

é das 8h30 às 17h30,

no centro de São Paulo, e

também nas 30 Regionais

do Sincor-SP.

• nlegislação

• ¢ trânsito

Perdas de R$ 199 bi

em 2017

Um estudo com base nos indicadores do

seguro DPVAT, divulgado pela Escola Nacional

de Seguros, revelou que os acidentes graves

ocorridos no trânsito brasileiro em 2017 provocaram

impacto econômico de R$ 199 bilhões,

ou seja, 3,04% do Produto Interno Bruto (PIB). O

valor equivale ao que seria gerado pelo trabalho

das vítimas, caso os acidentes não tivessem

ocorrido. De acordo com o estudo, os acidentes

no trânsito mataram 41,1 mil pessoas no ano

passado em todo o País e deixaram inválidas

de forma permanente - afastando da atividade

econômica que exerciam - outras 42,3 mil.

O número de pessoas mortas, ou com

alguma sequela permanente, subiu 35,5% de

2016 (61,6 mil vítimas) para 2017 (83,5 mil), o

que significa que a perda produtiva subiu nesse

percentual de um ano para outro. O resultado

se aproxima do total de vítimas fatais e pessoas

com sequelas registrados em 2015 (100,4 mil).

GDPR traz mudanças ao mercado

segurador

A nova regra da General

Data Protection Regulation

(GDPR) entrou em vigor na

União Europeia (UE) no dia 25

de maio. O regulamento, que

deve ser seguido por todas as

empresas que trabalham com

dados de cidadãos europeus,

causará mudança na maneira

como se armazena, fornece e

analisa os dados na internet. “O

impacto do novo GDPR é gigante. A legislação anterior estava

ultrapassada e não era embasada nas redes sociais. Tivemos

grandes ataques recentemente. É nítida a preocupação das companhias

contra a investida de hackers”, afirma Flávio Sá, gerente

de Linhas Financeiras da AIG Brasil. Organizações que violarem

o GDPR podem ser multadas em até 4% do seu rendimento

global anual ou 20 milhões de euros. A empresa ainda pode ser

multada em 2% do rendimento por não ter registros em ordem,

não notificar a autoridade controladora e o objeto dos dados sobre

uma violação ou não realizar avaliações.

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GENTE

Troca de comandos

Delphine Maisonneuve será

nomeada CEO da Axa no Brasil em

julho deste ano. A Axa Partners,

unidade de negócios de inovação

do Grupo Axa dedicada à criação

de seguros e soluções de serviços

de assistência, anuncia Gilbert

Chahine como novo CEO. Antes

desta nomeação, ele foi diretor

executivo da companhia no Egito.

Administração e Finanças

Getúlio Antonio Guidini é o

novo presidente da Comissão de

Administração e Finanças (CAF) da

FenaCap. Ele já atuava como vice-

-presidente da comissão e pretende

dar continuidade ao projeto de

adoção de padrões de contabilidade

internacionais visando à convergência

contábil, processo que visa à

conformidade das normas brasileiras de contabilidade em

relação às normas internacionais.

Novo CEO

Mudança na diretoria executiva

da Mitsui Sumitomo no Brasil.

Masayuki Nagano é o novo presidente

e CEO da companhia, e tem

como objetivo apoiar o plano de

crescimento dos próximos anos. Nagano

faz parte da Mitsui Sumitomo

Insurance Group desde 1989, onde passou por experiências

internacionais em países como Panamá, Estados Unidos e

Alemanha.

Superintendente

de benefícios

A MDS Brasil anunciou Patrícia

Martins como superintendente de

benefícios. Ela vem da APR Corretora

de Seguros e tem passagens pela

Admix Seguros, Allianz Insurance e

Alfa Seguradora. A executiva chega

com a missão de se dedicar integralmente às contas de

pequenas e médias empresas.

Novo mentor

Ednir Fornazzari foi nomeado mentor

do Clube dos Corretores de Seguros

de Osasco e Região (CCSOR). Ele substitui

José Amélio de Souza, que permaneceu

à frente da entidade nos últimos quatro

anos. Fornazzari afirma que irá intensificar

o trabalho pela união dos profissionais da

região e representatividade da entidade no mercado, e agradece

o trabalho de seu antecessor.

De volta

O primeiro vice-presidente da Fenacor,

Robert Bittar, assumiu a presidência

da entidade após o pedido de licença de

Armando Vergilio, candidato a Deputado

Estadual em Goiás nas próximas eleições,

em outubro. Bittar já havia comandado

a Federação em 2010, quando Vergilio

candidatou-se a Deputado Federal.

Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP, será candidato a

Deputado Estadual e seguiu o mesmo caminho de Vergilio. Em

seu lugar, assumiu Boris Ber.

Mandato renovado

CEO para o Brasil

As operações da April no Brasil ganharam

um CEO exclusivo. Luiz Gustavo

da Costa, que já atuava como diretor de

Marketing e Produtos, recebeu o cargo

de Philip Namiech, CEO da companhia

para as Américas. Costa tem como meta

o crescimento de 15% da companhia já

para esse ano e trabalhará focado na aproximação com agências,

enquanto busca novos canais e oportunidades para fazer negócio.

A Aconseg-RJ reelegeu Luiz Philipe Baeta Neves como

presidente para o biênio 2018-2020. Ele

comandará a entidade ao lado dos secretários

Joffre Nolasco e Renato Rocha

e dos tesoureiros Mário Roberto Santos

e Rogério Soucasaux. “Agora, é bola pra

frente, com mais amadurecimento e

conhecimento do nosso caminho e para

descobrirmos novas rotas que potencializem

a Aconseg-RJ na busca por novos

nichos de mercado”, diz Neves.

12


Canais Digitais

A Icatu Seguros reforçou a área de

Experiência Digital com a contratação

de Rafael Rosas como superintendente

de Canais Digitais. O executivo

já trabalhou na Bradesco Seguros, BB

Mafre e Mongeral, antes de criar duas

insurtechs e ter experiências na Singularity

University e no Vale do Silício. Também é palestrante da

Escola Nacional de Seguros.

Diretor comercial

A BR Insurance contratou Mauro

Camillo como diretor comercial de

Seguros de Transportes. O executivo

liderou por 45 anos o departamento

de Transportes da Aon, gerindo uma

carteira de mais de 1 mil clientes. Camillo

é também um dos fundadores do Clube

Internacional de Seguros de Transportes (CIST).

Gestão 2018-2022

Os mantenedores do Ibracor

elegeram, em Assembleia Geral

Ordinária Eleitoral, os membros da

diretoria, ouvidoria e conselho fiscal

para a gestão 2018-2022. A composição

da chapa tem Gumercindo Rocha

Filho como presidente e Juliana

Ribeiro Barreto Paes na diretoria administrativo-financeira,

entre outros nomes.

Gerente de

Negócios

Ana Eliza Aladim é a nova

gerente de Negócios Corporativos

para o Nordeste da Sompo Seguros.

A executiva chegou há cerca de dois

anos na companhia com a missão de

incrementar a área de Riscos Corporativos

na Filial Recife, em Pernambuco.

13


iscos financeiros | d&o

Reflexos da

Lava Jato

O seguro D&O já trilhava o caminho de

um maior amadurecimento, mas foi com

a operação deflagrada pela Polícia Federal

que a adesão ao produto alavancou – e

que as apólices comercializadas no Brasil

foram colocadas à prova

O

D&O, seguro de responsabilidade

de diretores e executivos,

entrou no Brasil na

década de 1990 baseado em

modelos internacionais, prioritariamente

norte-americanos e alemães. Gradualmente,

começou a chamar a atenção de

executivos e empresas que atuam no País.

Um número cada vez maior de profissionais

passou a negociar o produto como

benefício necessário em sua admissão

por companhias, sobretudo aqueles que

trabalham em instituições financeiras e

os que atuam em empresas voltadas à

utilização de captação de recursos via

Bolsa de Valores. O produto manteve

crescimento estável no Brasil, em média

de 15% ao ano, justamente pelo valor que

as companhias passaram a enxergar com

a mitigação do risco e maior proteção dos

seus colaboradores.

“O D&O teve dois picos de indenizações

um pouco acima da curva até 2013.

14

Lívia Sousa

❙❙Mauricio Bandeira, da Aon

Eles foram muito relacionados com as

indenizações de dois grandes sinistros,

pagos em 2010 e 2012, respectivamente,

que mudaram muito o mindset do

mercado, principalmente em relação aos

administradores e suas responsabilidades”,

explica Mauricio Bandeira, gerente

de Produtos Financeiros da Aon Brasil.

A partir de 2014, entretanto, a sinistralidade

se estabeleceu em um patamar

superior ao que vinha sendo observando.

No ano de 2016, por exemplo, foram

registrados R$ 372 milhões em prêmios

emitidos para uma sinistralidade de R$

140 milhões. “Não chega a 50%, mas

é bem superior à média do passado”,

afirma Bandeira. Segundo ele, em 2017

o D&O cresceu 8,7%, chegando a R$

405 milhões em prêmios – valor puxado

preferencialmente pelas empresas que

realizaram a abertura de capital. Foi

também em 2014 (mais precisamente no

mês de março) que a Polícia Federal deu

início à operação Lava Jato, considerada

a maior investigação criminal já realizada

no País. Até o fechamento desta edição,

a Lava Jato somava 51 fases deflagradas.

Especialistas consultados por Apólice

afirmam que o episódio evidenciou ainda

mais a exposição dos executivos em suas

tomadas de decisão, além das punições

que podem sofrer.

“A grande evidência das investigações

despertou as empresas para


❙❙

Guilherme Perondi, da Swiss Re

maneiras de fortalecer seu compliance

e proteger-se de riscos gerados por atos

da gestão de seus executivos”, pontua

Guilherme Perondi, diretor comercial

da Swiss Re Corporate Solutions. Além

disso, ambientes de crise como o dos últimos

anos aumentam o nível de risco das

decisões tomadas pelos gestores de empresas

e, por consequência, a procura por

ferramentas de proteção como o seguro

D&O. “O mercado viu um aumento das

contratações de apólices e acreditamos

que essa tendência se manterá no futuro

próximo”, destaca.

Mudanças na apólice

A Lava Jato colocou as apólices de

D&O até então comercializadas no Brasil

à prova. Seguradoras foram pegas de

surpresa com o grande volume de gastos

incorridos em decorrência dos custos

de defesa cobertos pelo seguro sob a

forma de adiantamento para segurados

investigados e incriminados. Muitas

seguradoras reagiram, implementando

revisões imediatas em seus clausulados

como forma de restringir o escopo das

apólices. Surgiram apólices excluindo

textualmente reclamações relacionadas

à “Operação Lava Jato”, o que gerava

insegurança nos tomados, pois nem

sempre era possível saber se determinado

procedimento teria ou não conexão com a

operação conduzida pela Polícia Federal.

Exclusões de reclamações de atos de corrupção

se tornaram frequentes também

nos clausulados. O mercado se enrijeceu

e a subscrição se tornou mais criteriosa.

Em outubro de 2016, a Superintendência

de Seguros Privados (Susep) publicou

a circular 541, estabelecendo diretrizes

gerais aplicáveis aos seguros D&O.

As regras determinavam, entre outros

pontos, que o produto fosse contratado

diretamente apenas por pessoas jurídicas

e considerava os custos de defesa como

cobertura acessória, Além disso, proibia

qualquer menção à legislação estrangeira,

o que dificultava a oferta pelas seguradoras

brasileiras de cobertura em âmbito

mundial. “Ela não contemplava algumas

situações importantes. O mercado se

reuniu e pediu a revisão para a Susep,

que acatou e relançou a circular 553 em

maio de 2017, atendendo quase que integralmente

as reivindicações do mercado”,

diz o gerente da Aon. Em novembro do

mesmo ano, as novas regras entraram

em vigor e trouxeram a possibilidade de

cobertura em caso de multa e punições

cíveis e administrativas.

“Todas as seguradoras já possuem

clausulados conforme as alterações

exigidas dessa circular. O mercado se

adaptou rapidamente às exigências da

autarquia. O maior impacto tem sido a

cobertura de multas, pela grande procura

dos clientes e avaliação minuciosa das

seguradoras em sua comercialização”,

garante Juliana Casiradzi, gerente de

placement da Marsh Brasil, lembrando

que o seguro de D&O tem sido acionado

em outras operações da Polícia Federal,

tais como Zelotes, Boca Livre, Cui Bono

e Carne Fraca, e ainda em situações para

defesa dos segurados como, por exemplo,

processos administrativos no âmbito do

mercado aberto de capitais, processos

❙❙Felipe Bastos, da Veirano Advogados

❙❙

Juliana Casiradzi, da Marsh Brasil

tributários e responsabilidade ambiental.

Na avaliação do sócio da área de

Seguros e Resseguros da Veirano Advogados,

Felipe Bastos, a circular 553

corrige alguns equívocos do normativo

anterior e, no geral, com pequenas exceções,

instituiu uma disciplina com menos

instrução, refletindo as reclamações

não apenas da indústria, como também

dos próprios segurados (os gestores

nas empresas). Ele acredita que a nova

regulamentação representou um avanço

em alguns campos, como em relação à

possibilidade de cobertura de multas e

penalidades, sugerindo uma mudança de

visão das autoridades de seguros rumo a

um olhar mais privatista do seguro D&O

(reduzindo o campo de aplicação da exceção

de ordem pública). Em contrapartida,

afirma que também houve retrocessos.

Um deles foi a vedação de cobertura de

danos ambientais, que segundo Bastos

costuma ser um dos principais fatores que

despertavam nos executivos o interesse na

contratação do produto.

“Pela lógica da nova regulamentação,

esse tipo de cobertura somente poderia

ser adquirida a partir de então por meio

da contratação de uma outra apólice: o

seguro de Responsabilidade Civil de Riscos

Ambientais, que é um seguro distinto,

pois visa a proteger prioritariamente a

empresa, e não o executivo. Por esse raciocínio,

obriga-se a empresa a contratar

a apólice de RC Riscos Ambientais e, em

seu bojo, contratar cobertura também

para os executivos, isto é, as pessoas

físicas”, declara. Do ponto de vista de

eficiência, ele argumenta que a medida é

15


d&o

questionável, pois obriga a empresa a contratar

dois produtos (D&O e RC Riscos

Ambientais) para conseguir conferir aos

seus executivos uma proteção que anteriormente

poderia ser obtida apenas por

meio do D&O. “Mas, apesar da vedação

à cobertura de danos ambientais por meio

do D&O contida na nova regulamentação,

temos encontrado apólices no mercado

incluindo a cobertura de danos ambientais”,

afirma.

Sobre possíveis alterações nessas

novas regras, Bastos acredita que uma

modificação que seria muito aplaudida

envolveria a retomada, de forma expressa

e clara, a fim de aplacar qualquer dúvida

ou insegurança jurídica, da possibilidade

de cobertura de danos ambientais.

Procura deve ser ainda maior

Antes da Operação Lava Jato, o produto

já se encontrava no caminho de um

maior amadurecimento, porém ainda sem

uma regulamentação clara por parte da

Susep. De acordo com um levantamento

de remuneração da Page Executive, unidade

de negócios dedicada ao recrutamento

para o alto escalão do PageGroup (consultoria

mundial em recrutamento executivo

especializado), feito anualmente com

aproximadamente dois mil executivos, em

2012 51,8% dos executivos com contratos

de estatutários contavam com o seguro

D&O. Com o início da operação, houve

um aumento gradual no número de profissionais

que buscaram ter o D&O como

uma das ferramentas de proteção. Em

2017, 66% dos executivos já contratavam

este tipo de seguro.

“Uma vez que a obrigação de responsabilidade

civil do executivo continuará

existindo sempre, é correto afirmar que

o seguro D&O seja fundamental para

garantir maior segurança na tomada de

riscos por administradores no futuro”,

pontua Túlio Fumis, diretor da Page

Executive.

Como todo produto relativamente

novo, ele alega que há uma evolução natural

na forma de avaliação dos riscos. “Há

claramente um aumento do volume de

reclamações de sinistro. Para se ter ideia

de valores, os sinistros já acumulam mais

de R$ 500 bilhões desde o início da Lava

Jato. Uma vez que estes sinistros podem

16

❙❙

Túlio Fumis, da Page Executive

surgir anos depois da subscrição inicial,

existe uma tendência de que as análises

sejam cada vez mais técnicas e menos

comerciais, com aumento de restrições

de coberturas, antes desconhecidas”, diz.

Vale ressaltar que alguns setores

mais afetados pela Lava Jato, e com

relacionamento com o Governo, irão

sofrer com aumento de prêmios, pois o

valor do seguro aumenta de acordo com

o risco e rigor das exclusões. Mas Fumis

acredita que as mudanças são positivas

para o mercado, já que tornam as regras

mais claras para o contratante e, assim,

protegem melhor os direitos do segurado.

Com a última regulamentação do

produto e maior entendimento do real benefício

do D&O, por exemplo, em casos de

processos trabalhistas e tributários, haverá

uma procura cada vez maior para este tipo

de proteção. “Não temos a percepção de

que haja uma reversão nesta tendência.

Algumas previsões falam em potencial

de crescimento de quase 70% para os

próximos cinco anos”, alega Fumis.

A Swiss Re Corporate Solutions

acompanha a reação do mercado e verifica

que ainda há muita oportunidade de

comercialização de D&O. “Lançamos

esse produto em abril desse ano com

uma forte vantagem competitiva por ser

uma seguradora com alta capacidade de

cobertura. Além disso, através de nossa

joint venture com a Bradesco Seguros,

temos agora uma ampla distribuição,

podendo levar a solução para empresas de

vários portes em todo o Brasil”, declara

Guilherme Perondi, lembrando que a

evolução do D&O tem sido influenciada

pelo ambiente operacional litigioso dos

Estados Unidos. A cobertura expandiu-se

para além da proteção executiva básica,

incluindo também a cobertura indireta

e, às vezes, direta das organizações. “À

medida que as exposições de risco das

organizações e equipes de gerenciamento

se expandem, a cobertura de D&O

continua a evoluir para atender a esses

requisitos”.

Não há cobertura para

corrupção

A Operação Lava Jato contribui para

que executivos fiquem mais atentos a

mecanismos que podem auxiliá-los em

situações sensíveis. Contudo, há cláusulas

específicas de exclusões que não pagam o

sinistro em casos de crime doloso. “Em

qualquer situação onde o dolo é comprovado,

não há cobertura. Se a seguradora,

nesse caso, já adiantou algum custo de

defesa, esse dinheiro terá que ser pago de

volta. No entanto, a seguradora só pode

encerrar o processo e pedir a devolução

de um custo de defesa, caso ela tenha

adiantado, quando houver o trânsito em

julgado e caracterização de dolo”, garante

Mauricio Bandeira, da Aon.

As seguradoras também colocam

nas apólices situações de exclusões

pontuais de cobertura. Por exemplo, a

não cobertura para atos lesivos contra

a administração pública. “Ou seja,

qualquer tipo de alegação de corrupção,

favorecimento de funcionário público,

nada está coberto”, frisa.

Outro ponto é que as seguradoras

restringem cobertura quando entendem

que as empresas têm relacionamento

com o governo. Qualquer empresa que

possuem negócios com o governo acaba

tendo uma exclusão, que pode ser total

para casos de corrupção, pagamento de

propina etc. Ou pode ter uma restrição

parcial, na qual a cobertura existe, mas

apenas em caso de não haver condenação,

os custos advocatícios são reembolsados.

“O mercado trabalhou para separar

as coisas e deixar claro que não se trata

de um seguro para cobrir corrupção.

O D&O sempre foi para questões de

gestão da empresa”, finaliza Mauricio

Bandeira, da Aon.


17


iscos financeiros | crédito

Não há

política de

crédito à

prova de

bala

A necessidade de negociar vendas à prazo

pode ser determinante para a manutenção da

competitividade. Empresas que descobrem as

virtudes do seguro de crédito não abrem mão

dessa ferramenta

Lívia Sousa

Atualmente, 90% das transações

comerciais do mundo

são realizadas com alguma

forma de crédito. Para se protegerem

contra os riscos econômicos, é

essencial que as empresas contratem um

seguro de crédito, que além de cobrir um

dos maiores ativos de seu balanço patrimonial,

o Contas a Receber, funciona

como uma ferramenta de gestão, permitindo

que seus clientes sejam monitorados

constantemente pelas seguradoras.

Popular e consolidado nos Estados

Unidos e na Europa, o produto também

ganha espaço no Brasil, onde é relativamente

novo – a primeira seguradora

de crédito se instalou no país há pouco

mais de duas décadas. A procura cresce

especialmente após as crises que elevaram

o número de companhias que

entraram com pedidos de recuperação

judicial. “Estamos em uma fase em que as

empresas necessitam avaliar melhor sua

carteira de compradores e assumem que

existe certa ineficiência de sua área de

crédito em reconhecer e prever eventuais

riscos de inadimplência. Por este motivo,

buscam soluções especializadas em seguradoras

que detém modelos estatísticos

para identificar cenários que as levem

a ter perdas”, diz Adriano Tomasoni,

CEO e diretor técnico da consultoria

TradeRisk. Além disso, elas se deparam

com a necessidade de aumentar o perfil

de pagamento de seus compradores, tanto

por imposição dos clientes quanto para

se adaptar a um mercado cada vez mais

competitivo, o que eleva seu risco e as

obrigam a assumir maior exposição.

O seguro de crédito é também um

aliado para o mercado exportador, em

que funciona como uma garantia de risco

político, cobrindo riscos específicos que

impedem a transferência de recursos para

pagamento. Grandes operações, como

exportação de bens de capital e commodities

agrícolas, contam com risco político

inerente à transação, o que pode limitar

o apetite de investidores ou restringir o

acesso às linhas de crédito estruturadas.

“Seja em uma exportação ou importação,

há basicamente dois tipos de

cobertura”, explica o superintendente de

Crédito e Riscos Políticos da Lockton

Brasil, Franklin Nogueira. A primeira,

de risco político puro, é utilizada em contratos

diretos ou projetos com garantias

18


❙❙Adriano Tomasoni, da TradeRisk.

de governos (geralmente do Ministério

das Finanças). Para estes casos, o seguro

cobre expropriação, violência política,

inconversibilidade e/ou não transferência

de moeda, além do ressarcimento pelo

não pagamento do comprador/governo.

Já para as companhias que operam

contratos com empresas fora do Brasil,

a cobertura de risco político extensiva à

Frustração de Contrato é a melhor opção.

Ela combina cobertura de risco comercial

e político, indenizando até 90% de perdas

provocadas por falência/não pagamento

do contratante; cancelamento unilateral

do contrato, incluindo qualquer produção

ainda em estoque; e substituição de carta

de crédito, mesmo confirmada. De acordo

com o executivo, as seguradoras têm

diversificado suas ofertas com produtos

modulares mais estruturados, trazendo

soluções mais aderentes a cada negócio.

“Observamos que no primeiro trimestre de

2018 a demanda pelo produto já tinha voltado

aos níveis pré-crise. Mais empresas

têm nos consultado para estruturação de

operações de crédito com seguro”, declara.

Relação com a taxa Selic

Enquanto a Selic (taxa básica de juros

da economia no Brasil) alcança 6,5%,

a taxa média de juros das operações de

crédito para pessoa jurídica apurada pelo

Banco Central no mês de março batia

16,57% ao ano. Como o endividamento

bancário é oneroso, as empresas procuram

tomar crédito com seus fornecedores,

que se vêem pressionados em aumentar

linhas e alongar prazos de pagamento

para financiar a cadeia de valor. Para o

mercado segurador, isso não só é positivo

como gera demanda.

“Claramente há uma necessidade de

crédito por parte do comprador contra

uma limitação da capacidade de oferecer

crédito, natural pela estrutura de capital

do fornecedor. O seguro cobre venda à

prazo até 180 dias, podendo chegar a mais

de um ano em casos específicos (como

prazo safra no agronegócio)”, explica

Nogueira, que observa cada vez mais empresas

buscando financiamento através do

mercado de capitais. “Fundos privados

e Fundo de Investimento em Direitos

Creditórios (FIDC) são alternativas práticas

para um fornecedor financiar seus

compradores pela cessão dos recebíveis.

Desta forma, o risco de crédito fica no

fundo: o fornecedor recebe à vista e o

comprador mantém seu crédito à prazo.

O seguro também tem suportado estas

estruturas”, pontua.

Impactos da alta do dólar

O mercado sofreu com a crise dos

últimos anos. Com a queda da atividade

econômica, empresas sucumbiram à

falência. As que se mantiveram, restringiram

seus orçamentos. Foi um período em

que a inadimplência atingiu os mais altos

níveis, seguida dos pedidos de recuperação

judicial com marcas históricas. Em

2017, no entanto, as seguradoras mostraram

o poder do produto pela capacidade

de recuperação de perdas. Muitos desses

Riscos excluídos

O seguro de crédito, como qualquer

outro seguro, tem algumas exclusões

que devem ser sempre analisadas

pelo segurado - corretor. Uma das

principais é a de Litígio Comercial, ou

seja, o não pagamento pelo devedor

em razão de contestação relativa à

qualidade do produto ou serviço,

como, por exemplo, um defeito de

produto. Vendas à vista, para pessoa física,

para autarquias governamentais e

a coligadas também não são cobertas

pelo produto, assim como omissões

ou fraudes por parte do devedor.

❙❙Franklin Nogueira, da Lockton Brasil

casos foram recuperados e, combinado à

queda da inadimplência, manteve o saldo

do ano positivo com a relação prêmio

versus indenizações em menos de 20%.

“Muitas indústrias dependem da

importação de insumos e o aumento do

dólar prejudica esta equação. Isso pode

estrangular a margem e prejudicar a capacidade

de geração de caixa das empresas

e, por fim, comprometer as obrigações

futuras como pagamento a fornecedores”,

diz o executivo da Lockton. Ele garante

que a recuperação da economia e das

empresas será de forma gradual e lembra

que ainda há incertezas no cenário

atual. Mudanças de governo e demora

nas reformas são fatores que reprimem

investimentos no país. Ao mesmo tempo,

o ambiente econômico internacional se

mostra positivo. Estados Unidos e Europa

crescem. China e alguns países da África

são alguns dos principais destinos das

exportações do Brasil.

“O que preocupa são as questões

geopolíticas que envolvem países desenvolvidos

em guerras comerciais, sanções

e restrições de importações de produtos”,

afirma. Quando o mercado local diminui,

a alternativa para expandir negócios

é pela internacionalização da marca

acessando novos mercados. “Todas as

seguradoras de crédito são multinacionais

que acessam e conhecem os importadores

de cada país. Assim, exportadoras brasileiras

podem consultar importadores potenciais

e obter crédito aprovado mesmo

para o primeiro embarque, o que facilita a

tomada de decisão sobre o investimento”.

19


crédito

❙❙

Amauri Lopes, da Fortress Corretora

Na avaliação de Amauri Lopes,

diretor comercial da Fortress Corretora,

não se pode atribuir aumento ou redução

de calotes olhando exclusivamente

para a volatilidade cambial. “O dólar

alto oferece mais riscos a empresas

importadoras, pois pagam em dólares e

vendem em moeda local. Mas também

oferece mais oportunidades a empresas

exportadoras, que irão receber em dólares

por suas vendas e pagar seus insumos a

fornecedores locais em moeda local”,

alega. O seguro de crédito visa cobrir

grande parte do risco de inadimplência

do exportador somente, atribuindo um

limite individual ao comprador, antes de

ser realizada a venda.

Brasil aprende com a crise

A conscientização sobre a contratação

de apólices de seguro de crédito

cresce a cada recessão. Crise após crise

o empresariado percebe que, internamente,

os estudos creditícios estão cada vez

mais difíceis de serem realizados com

tranquilidade e a necessidade de ofertar

crédito – e automaticamente se expor

mais – torna o cenário cada vez mais

favorável à contratação deste tipo de solução.

Apesar dos avanços, Lopes afirma

que por aqui ainda há pouca conscientização

sobre a importância deste seguro.

“Falta conhecimento das empresas sobre

o produto e seus benefícios. O seguro de

crédito ainda é erroneamente considerado

como ‘custo’ na operação, ao invés de ser

valorizado como um produto sofisticado e

eficaz na diluição da exposição financeira

20

da empresa”, pontua.

Adriano Tomasoni, da TradeRisk,

observa certa comodidade por parte de

exportadores atuando com soluções mais

conservadoras como vendas antecipadas

ou com cartas de crédito confirmadas.

Em um mercado mundial competitivo, a

necessidade de negociar vendas a prazo

pode ser um fator determinante para a

manutenção da competitividade. Existem

linhas de financiamento subsidiadas pelo

Tesouro Nacional, que utilizam apólices

de seguro de crédito com garantidores,

que estão sendo pouco utilizadas.

“O exportador brasileiro precisa estar

atento à tendência de buscar soluções

modernas, usadas com maior frequência

em mercados como o norte americano,

asiático e europeu, onde possivelmente

estão parte de seus concorrentes”, diz

ele, também considerando que existe

pouco interesse dos grandes bancos

privados do Brasil no intuito de utilizar

mecanismos de garantia das apólices de

seguro de crédito para redução de riscos

na antecipação de recebíveis a empresas

de pequeno e médio porte, o que fomentaria

a contratação deste tipo de apólice,

ajudaria as empresas na captação de

recursos de capital de giro a juros mais

baixos e mitigaria as perdas com inadimplência

por parte das instituições financeiras

neste tipo de carteira. “Essas são

as demandas comentadas entre nossos

clientes e que pouco podemos auxiliar

devido à restrição do mercado bancário

em assimilar as condições do seguro de

crédito e compor acordos com o mercado

segurador”, revela.

Outro entrave é a ausência de corretores

especializados nas dinâmicas do

mercado de crédito no Brasil, visto que

este é um seguro que precisa ser bem

Dica de ouro

Procure um corretor especializado

em seguro de crédito. Esse profissional

será capaz de auxiliar tanto no

entendimento global sobre o produto

como na orientação, estruturação e

contratação junto a uma das diversas

seguradoras internacionais presentes

no Brasil.

❙❙

Phillip Krinker, da CredRisk

explicado ao segurado pelo corretor e

pela seguradora. “Ele é muito mais um

produto ‘financeiro’, havendo, portanto,

a necessidade de saber ler, analisar e

interpretar balanços, o que dificulta o entendimento

do produto pelo corretor tradicional.

Além de dominar uma apólice

complexa, repleta de regras operacionais

diferentes daquelas as quais ele está acostumado,

o corretor tem que ter conhecimentos

sobre operações estruturadas

de financiamento de vendas, e o mundo

de cobranças extrajudiciais e judiciais”,

afirma Phillip Krinker, diretor-presidente

da corretora Credrisk Seguros. E alerta:

se o mercado securitário quiser promover

o crescimento do mercado de seguros de

crédito, será necessário que as corretoras

invistam em estruturas adequadas para

que possam prestar um serviço profissional

ao segurado. Manter uma estrutura

mínima para atender o segurado, somente

quando demandado, não será suficiente

para fazer a carteira crescer de acordo

com o seu real potencial.

“Os meus 40 anos de trabalho em

todos os ramos de seguro levam-me a

acreditar que o seguro de crédito é um dos

seguros que mais agrega valor às operações

do dia a dia dos segurados”, sentencia. “O

segurado pode aumentar suas vendas e fazer

crescer sua organização com segurança

total, evitando o erro de crescer sem gerenciar

adequadamente o risco de crédito,

aumentar os índices de insolvência, afetar

negativamente o resultado da empresa, e

desperdiçar o trabalho de desenvolvimento

de vendas”, conclui.


21


iscos financeiros | rc profissional

Para novos riscos,

novos produtos

Modalidades que possuem forte

regulação sempre buscaram o amparo

do seguro de responsabilidade civil.

Agora, tecnologia e atividade digital

se apresentam como instrumentos

relevantes na distribuição dessa

solução

Lívia Sousa

O

seguro de Responsabilidade

Civil Profissional, que indeniza

terceiros em caso de

prejuízos gerados por erros

cometidos por profissionais da empresa

contratante, cresceu 3,29% em prêmio direto

entre 2016 e 2017. De janeiro a abril

de 2018, teve alta de 17,8% em relação

ao mesmo período do ano passado. A

sinistralidade também alcançou índices

mais positivos que a média dos últimos

anos: 29% no primeiro quadrimestre ante

os 77% registrados no mesmo período de

2017, ano em que terminou com 49%. Os

dados, divulgados pela Superintendência

de Seguros Privados (Susep), indicam

que trata-se de uma carteira em franca

expansão e que deve seguir com forte

capacidade de absorção pelo seu mercado

consumidor. Isso porque tem sido muito

22

procurada pelo aumento de demandas

judiciais em face de profissionais por

erros cometidos, já que os tribunais agem

❙❙Sergio Ruy Barroso, da Aida

cada vez mais de forma a punir condutas

equivocadas.

“Vivemos em uma sociedade de risco,

cujo erro é punido pelo judiciário com

indenizações impactantes, capazes de

afetar o patrimônio amealhado durante

toda uma vida de dedicação à atividade”,

atesta Sergio Ruy Barroso, presidente

do Grupo Nacional de Trabalho de

Responsabilidade Civil da Associação

Internacional de Direito de Seguros

(AIDA). Além das demandas judiciais

contra essas categorias crescerem em

razão da facilidade de acesso à justiça,

da atuação das Defensorias Públicas e

dos advogados que se especializaram na

área de responsabilidade civil, a população

está mais informada, a imprensa

dá destaque a casos de erro profissional,

e as redes sociais divulgam esses casos,


o que contribui para que os profissionais

se acautelem com a contratação de algum

tipo de proteção.

Embora o seguro de RC esteja inserido

em todas as vertentes profissionais,

normalmente é mais comercializado para

advogados, contadores, agentes de viagem,

profissionais da área da saúde (como

dentistas, fisioterapeutas, médicos e veterinários),

e para os próprios corretores

de seguros, pois as falhas cometidas por

eles podem acarretar grandes prejuízos

aos negócios, patrimônio, saúde e vida

dos clientes. Entretanto, é cada vez maior

a existência de apresentação de apólices

por parte dos contratantes de serviços,

que passam a pedir de seus contratados

que os mesmos mantenham apólices

de seguro de Responsabilidade Civil

Profissional. “A evolução do mercado e

o surgimento de novas categorias profissionais

impulsionam o segmento, como

por exemplo produtores de eventos e

outras produções artísticas, muitas vezes

por exigência contratual”, destaca Klaus

Barretta, superintendente de Liability

da Berkley.

O que demanda atenção a

partir de agora

Modalidades que possuem forte

regulação sempre buscaram o amparo

do RC Profissional. Nos últimos anos,

porém, o mercado assistiu ao surgimento

de novos produtos de responsabilidade

civil, além do aperfeiçoamento de outros

– situação motivada, por um lado, pela

abertura do mercado de resseguros, que

❙❙Klaus Barretta, da Berkley

proporcionou acesso às novas formas de

contratação e, de outro, à própria exigência

do mercado consumidor, cada vez

mais consciente da utilidade desse tipo de

cobertura securitária. Dentre as soluções

disponíveis estão RC Profissional para

Instituições Financeiras; RC Profissional

para Gestoras de Investimentos; RC para

os riscos de Oferta Pública de Valores

Mobiliários; e RC para as Operações de

Fusões e Aquisições de Empresas.

Agora, a tecnologia se apresenta

como um instrumento relevante na distribuição

dessa solução. Segundo Barretta,

há uma demanda reprimida nessa

modalidade de seguro, principalmente

por profissionais liberais ou pequenos

prestadores de serviços que aderem ao

produto à medida que as seguradoras passam

a oferecer soluções para contratação

através de portais web.

Com novos riscos se tornando mais

frequentes, como os danos decorrentes

de vazamento ou de sequestro de dados,

o mercado brasileiro terá que ser criativo

para apresentar produtos mais adequados

aos tempos atuais, caracterizado por forte

impulso da atividade digital – porém,

nem sempre caracterizado por segurança

compatível.

“A área de captação, arquivamento

e tratamento de dados pessoais, as áreas

financeiras digitais, as empresas de prestação

de serviços digitais e muitas outras

formas de atuação profissional relacionadas

com o mundo digital serão as áreas

em que o seguro de responsabilidade

civil mais crescerá”, garante a advogada

Angélica Carlini. “Temos profissões que

não existiam há cinco anos, como é o caso

dos operadores de drone que atuam para

empresas de segurança, para empresas de

agronegócio ou, ainda, para rastreamento

de containers ou de cargas em áreas de

armazenamento”, lembra.

Essas novas atividades relacionadas

com as possibilidades que a tecnologia

de informação propicia serão responsáveis

por novas coberturas para seguros

de responsabilidade civil profissional,

o que é positivo para o setor. Ainda que

tudo isso seja novidade, é preciso reconhecer

que o seguro executa essa tarefa

há muitos séculos, ou seja, detecta o que

há de novo em termos de possibilidades

❙❙

Angélica Carlini, advogada

de risco e cria produtos que possam dar

conta dos danos decorrentes de riscos

que se materializam. “Essa é a principal

tarefa dos seguradores”, afirma Angélica.

Mais do que novas modalidades,

Sergio Ruy Barroso, da AIDA, acredita

em novas formas de contratação, com

coberturas mais ou menos amplas, dependendo

da análise detalhada do risco,

“pois o maior desafio nesse campo, além

do ajuste do prêmio, muito baixo para

os padrões de risco que se assume, seria

o tratamento altamente especializado e

detalhado do risco proposto”.

É preciso amadurecer

Apesar do desenvolvimento tecnológico

e de todos os riscos decorrentes,

ainda não se tem no Brasil a cultura de

prevenção da perda de patrimônio por

meio da contratação de seguro. Muitos

empresários de pequeno e médio porte,

que podem perder seu patrimônio em um

único momento, não estão sensibilizados

para a necessidade de contratar seguro.

O mesmo acontece com os profissionais

que, embora tenham riscos diários referentes

à sua prestação de serviços, não

contratam seguro por entender que se

trata de custo quando, na verdade, se trata

de prevenção.

“Essa forma de proceder é ruim

para empresários e profissionais liberais.

Precisamos contribuir para o desenvolvimento

de uma cultura de que seguros de

responsabilidade civil não são despesas,

mas custos de proteção patrimonial. E

isso faz toda a diferença”, pondera An-

23


c profissional

❙❙

Rafael Costa Gesswein, da RC Pro

gélica Carlini.

A proliferação de produtos também

carece de uma maior maturidade. Existem

diferenças significativas nos clausulados

dos produtos, que geram confusão e dúvidas

sobre as coberturas aos corretores,

e em especial aos segurados. Rafael Costa

Gesswein, diretor da RC Pro Seguros,

acredita que este seja o maior desafio do

corretor. “É necessário estudar e traçar

comparativos técnicos entre os diferentes

clausulados. Alguns produtos para

determinadas classes simplesmente não

cobrem o risco profissional do segurado

e expõe o corretor a passar um constrangimento

por ocasião de um sinistro”, diz.

Para ele, o grande trabalho do corretor

hoje é estudar a fundo os clausulados

dos produtos, pois existem diferenças

significativas nas condições gerais e cláusulas

particulares. “Muitas vezes existem

exclusões que conflitam com o próprio

objetivo do seguro. O mercado precisa

evoluir neste sentido”, critica.

24

Explorando a conscientização

Na BR Insurance, o seguro de RC

Profissional apresentou, em 2017, um

crescimento de 39,61% nos sinistros. No

mesmo período, os prêmios emitidos aumentaram

cerca de 4%. Superintendente

de Linhas Financeiras da corretora, Fernando

Cirelli alega que a alta de sinistros

se deu através de atividades realizadas

principalmente por advogados e empresas

de engenharia. Ao mesmo tempo, avalia

que o crescimento da carteira foi pequeno

devido aos aspectos culturais e à resistên-

❙❙

Fernando Cirelli, da BR Insurance

cia das empresas ou profissionais de se

protegerem de riscos futuros e incertos.

“No Brasil, o que mais funciona para

o seguro é a obrigatoriedade, seja contratual

ou por legislação. O crescimento

sempre surgiu através destes aspectos

e continua prevalecendo”, atesta. Para

auxiliar no aculturamento de corretores

RC acoplado a

outros riscos

O mercado oferece Responsabilidade

Civil em conjunto com outras

modalidades de seguro, como o Risco

Operacional, o Risco de Engenharia,

entre outros. Contudo, Sergio Ruy Barroso,

da AIDA, alerta que essa prática

traz efeitos perversos tanto para o segurado

quanto para o segurador. “Para

o primeiro, não raro, provoca uma

espécie de sub seguro, onde o risco

de RC é dimensionado muito abaixo

da real exposição, justo porque a sua

subscrição é feita em conjunto com

outros riscos, não de forma isolada e

específica, como se exige nesse tipo

de negócio”, explica.

Para o segurador, o prejuízo em

vender o seguro de RC acoplado a

outros riscos está na dificuldade de

formar um preço justo e adequado

para os riscos que assume, pois a

venda como um “sub produto” desvaloriza

por completo a cobertura

de Responsabilidade Civil, o que é

lamentável e deve ser revisto.

❙❙

Gelásio Souza, da Anubis

e clientes sobre o RC Profissional e facilitar

o entendimento quanto ao produto,

a corretora realiza treinamentos virtuais

e presenciais, além de eventos e parcerias

específicas.

Caminho similar é seguido pela

Anubis Corretora de Seguros. Atenta ao

potencial de conscientização a ser explorado,

principalmente por parte dos corretores,

a empresa produziu, em sua página

no Facebook, a live “Responsabilidade

Civil: a bola da vez”, que contou com a

participação de um professor especialista

no assunto, e publicou no blog da companhia

um artigo esclarecendo os principais

pontos relativos ao seguro principalmente

de RC para Profissionais Liberais e da

Saúde. “É importante chamar a atenção

para o custo-benefício deste seguro, cuja

proteção e coberturas oferecidas podem

ser contratadas por um valor bastante

acessível”, acrescenta Gelásio Souza,

diretor da corretora.

Investir em workshops e na divulgação

de releases foi a maneira que a

Berkley encontrou para compartilhar

suas ações e desenvolvimento de produtos.

Essas ações vêm acompanhadas

de estudo conjunto de facilidades na

contratação digital, através de portais

por meio de interfaces com a webpage

de uma associação de classe da corretora

ou mesmo da própria Berkley, permitindo

que em casos específicos para os profissionais

que necessitam dessa apólice para

atender contratos específicos consigam,

instantaneamente, apresentar uma apólice

para viabilizar sua operação.


25


iscos financeiros | garantia

O caminho para

a consolidação

Nova Lei de Licitações

e Contratos trará

modificações

relevantes para o

mercado de seguro

garantia, que exigirão

grande esforço e

alterações substanciais

para o segmento

Embora o mercado de seguro

garantia tenha avançado 32%

no ano passado, como demonstra

a Carta de Conjuntura de

abril, produzida pelo Sincor-SP, o que

tem mesmo chamado a atenção neste

segmento são as discussões sobre a nova

Lei de Licitações. Aprovado no Senado

e em análise na Câmara dos Deputados,

o projeto que visa atualizar a Lei de

Licitações e Contratos propõe que os

acordos tenham seguro de 30% do valor

de obras de grande vulto, acima de R$

100 milhões. Atualmente, é prevista a

possibilidade de seguro garantia de até

10% do valor de contratos de grande

26

Lívia Sousa

vulto, mas sem obrigatoriedade. Para os

demais casos, é permitida a inclusão de

5% de seguro na licitação.

Luciana Natividade Motta de Sousa,

diretora comercial da Fator Seguradora,

acredita que as mudanças propostas

pela nova lei são positivas, uma vez que

farão com que o produto se torne mais

amplo no tocante à responsabilidade da

seguradora frente aos riscos emitidos.

“As mudanças propostas pela nova lei

certamente terão um impacto enorme

para as seguradoras, segurados e tomadores”,

declara. Aos segurados, o produto

❙❙Luciana Natividade, da Fator

passa a ter maior robustez, pois exigirá

um acompanhamento mais próximo da

seguradora dos riscos emitidos, bem

como a necessidade de estar preparada

para a assunção das responsabilidades

inadimplidas pelos tomadores. Já os tomadores

serão impactados pelo aumento

das importâncias seguradas, e muito

provavelmente por um aumento das taxas,

dado que o produto terá uma cobertura

mais ampla do que atualmente.

Contudo, segundo a executiva, há

algo que precisa ser modificado nessas

novas regras que, por algum motivo, ficou

para trás. “O produto foi remodelado no

que concerne ao seu objetivo frente ao

segurado, no entanto, um aspecto que

ficou para trás neste contexto é a questão

do contrato de contra garantia, que deveria

se tornar um título executivo a fim de

promover uma recuperação mais rápida

dos sinistros pagos”, alega.

Advogado e especialista em seguro

garantia, Danilo Moraes aposta que as

mudanças serão um grande estímulo ao

mercado segurador e abrirão um novo

capítulo na história do produto. “O novo

texto vai ser recebido em um ambiente

diferente, seja pela concorrência de

médias e pequenas construtoras nas

licitações que virão, seja pelo próprio


contorno que o seguro garantia tomou

nos últimos anos”, justifica. As alterações

exigirão mudanças na aceitação dos

riscos, principalmente pelo aumento do

valor das importâncias seguradas, pela

hipótese de step-in (retomada da obra

por parte do garantidor) e outros pontos,

como a emissão de empenhos em favor

do garantidor que assumir a obra, permitindo

a continuidade dos pagamentos

originalmente previstos.

“Desta forma, além do aprimoramento

da análise de crédito, as companhias

seguradoras precisarão de subscrições

mais técnicas, especializadas e mais

dedicadas à engenharia, para, de fato, entender

o projeto e até mesmo participar do

acompanhamento da obra, se necessário”.

As mudanças farão do seguro garantia

uma modalidade mais técnica e ainda

mais multidisciplinar, ao passo que outros

elementos passarão a compor o exame

do risco. Isso resulta em novos custos às

seguradoras, acarretando consequente

aumento nos prêmios.

Ele acredita que uma garantia de

30% seja suficiente para arcar com o

sobrecusto da obra, sem comprometer o

orçamento original do projeto e mantém

a capacidade de contratação sem refrear

os limites das seguradoras. Em contrapartida,

Diogo Rodrigo da Silva, corretor

técnico responsável pela Cena Corretora

de Seguros, não enxerga a nova Lei de

Licitação como o melhor cenário que os

agentes do mercado e cidadãos brasileiros

desejam.

“Em países desenvolvidos, como

Estados Unidos, o percentual mínimo

exigido na maioria dos estados é de 50%

do contrato. Em estados como Flórida,

Georgia, Hawaii, New Jersey, Texas, entre

outros, o percentual é de 100%”, exemplifica.

Contudo, reconhece que é o inicio

para se chegar ao melhor dos cenários,

visto que a nova lei ajudará o Brasil a dar

mais um passo para o desenvolvimento do

país, que depende direta e indiretamente

de obras de infraestrutura como rodovias,

portos, geração de energia, além de

corroborar com a eficiência dos recursos

públicos, diminuindo ainda mais as obras

inacabadas por parte das construtoras.

Diálogo com o mercado

Roque de Holanda Melo, presidente

da Comissão de Crédito e Garantia da

Federação Nacional de Seguros Gerais

(FenSeg), também avalia como positivas

as alterações discutidas, especialmente

porque representam um avanço considerável

ao texto atual, sobretudo no que diz

respeito à desburocratização do processo

de licitação, bem como uma melhor e

mais balanceada divisão dos direitos e

obrigações das partes envolvidas.

“Especificamente no que diz respeito

às garantias contratuais, para além do

aumento nos percentuais de garantia,

entendo que caminha bem o projeto ao

estabelecer um modelo que visa atender

uma real necessidade do Estado, qual

seja, de contar com uma forma de garantia

que possibilite a retomada e conclusão

da obra por parte do agente garantidor,

sem a necessidade de um novo processo

de licitação, bem como sem a necessidade

de aportes adicionais, salvo o quanto

previsto no orçamento original”, pontua.

A Federação, que acompanha de

perto toda proposição envolvendo a Lei

de Licitações, enxerga com bons olhos as

sugestões que visam proporcionar maior

equilíbrio entre os direitos e obrigações

das partes envolvidas, especialmente

quando envolve situações que podem pro-

❙❙

Diogo Rodrigo da Silva, da Cena

porcionar um desequilíbrio econômico

e financeiro para o contrato. Alterações

que visem garantir que os pagamentos

por parte do contratante sejam feitos sem

atraso trarão grande benefício para todos

os envolvidos.

Ainda que a mudança na Lei de

Licitações represente uma oportunidade

para que o legislador traga para as contratações

públicas um instrumento que

pode fazer a diferença na infraestrutura

geral no país, dialogar com o mercado é

fundamental. Todos os pontos precisam

ser debatidos para que o seguro garantia

seja bem aproveitado e para que as inovações

sejam possíveis de serem aplicadas

no cenário brasileiro. “O mercado não

busca promover alteração substancial ao

texto em discussão, mas entende que são

necessárias adequações ao texto aprovado

pelo Senado Federal, as quais são

essenciais para permitir que o mercado

opere o produto”, justifica Melo, que lista

ao menos cinco pontos:

1. O texto prevê a sub rogação da seguradora

nos direitos e obrigações do

contrato. “Entendemos que a expres-

27


garantia

são ‘sub rogação’ é extremamente

abrangente, podendo impossibilitar

a retomada e conclusão da obra, na

medida em que a seguradora poderá

ser responsabilizada, por exemplo,

pelo pagamento de impostos atrasados

ou mesmo indenizações por danos

acusados a terceiros”, diz. Nesse

sentido, faz-se necessário delimitar a

responsabilidade do agente garantidor

à retomada e conclusão da obra.

2. A seguradora não pode assumir a

responsabilidade pela fiscalização da

obra, até porque a própria lei determina

tratar-se de responsabilidade

e dever do Estado. “Igualmente, não

há que se falar em responsabilidade

da seguradora por realizar auditoria

técnica e contábil, as quais devem

ser realizadas por empresas independentes

e especializadas nesse tipo de

avaliação, conforme demanda do contratante

ou da própria contratada. Por

sua vez, não temos dúvidas de que a

seguradora deverá acompanhar a obra

do início ao fim, sendo esta, inclusive,

a obrigação que entendemos que deva

constar no texto de lei”, declara.

3. O texto também prevê a emissão de

empenho em nome da seguradora.

Segundo o presidente da Comissão

de Crédito e Garantia da FenSeg, é

necessária uma pequena adaptação

para que o empenho seja feito em

nome da seguradora ou a quem esta

indicar, exatamente porque, em caso

de retomada da obra, não será a seguradora

que irá efetuar os serviços, mas

sim uma empresa contratada por esta.

4. Já há previsão para cobertura adicional

trabalhista e previdenciária nos

contratos públicos e essa cobertura é

utilizada amplamente. O texto prevê

a necessidade de que os funcionários

das empresas sejam os beneficiários

das apólices. Melo avalia que essa

previsão impossibilita a manutenção

dessa forma de cobertura, pois desvirtua

o produto e traz uma situação

de incompatibilidade de risco, na

medida em que a seguradora poderia

ser compelida a responder por dezenas

de milhares de processos judiciais

trabalhistas, a depender do projeto garantido,

não havendo cálculo atuarial

❙❙Roque de Holanda Melo, da FenSeg

capaz de “calibrar” corretamente esse

risco, na medida em que seria impossível

mensurar os custos decorrentes

do acompanhamento desses processos.

“O mercado entende que o texto deve

exigir a cobertura adicional trabalhista

e previdenciária, porém sem impor que

os funcionários da contratada sejam

beneficiários das apólices”.

Pagamento de multa

A quinta questão é o pagamento

de multa em caso de não retomada, que

também não é vista como possível por

parte do setor. Essa exigência do governo

pode colocar em cheque a utilização do

seguro garantia ou qualquer outra forma

de garantia para obras de grande vulto.

Isso porque, apesar do texto prever a utilização

do seguro garantia com percentual

de 30% e cláusula de retomada para obras

de grande vulto, o governo exige que seja

fixada uma multa de valor igual ao valor

de cobertura da apólice para o caso de a

seguradora não retomar a obra.

“Não bastasse o fato de que há situações

alheias à vontade da seguradora e

que podem impossibilitar a retomada e

conclusão da obra por parte do garantidor,

a exigência pretendida não encontra

amparo em nenhuma outra legislação que

trata o tema. Mesmo nos Estados Unidos,

em que o percentual de cobertura pode

chegar a 100% do valor do contrato, há a

faculdade de a seguradora retomar a obra

ou pagar o efetivo prejuízo suportado

pelo contratante”, diz Roque de Holanda

Melo, da FenSeg.

O mercado de seguros e resseguros

está sensível à necessidade e principal

interesse do governo no sentido ter as

obras concluídas: a entidade, em conjunto

com a Federação Nacional das Empresas

de Resseguros (Fenaber) e a Federação

Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor),

apresentou uma redação alternativa

que estimula a retomada da obra em

detrimento da indenização do prejuízo.

“Mas o governo parece inflexível e dá

sinais de que pretende manter a cláusula

penal de 100% do valor da garantia caso

a obra não seja retomada em caso de

sinistro”, lamenta.

“O mercado discutiu amplamente

o assunto e entende que flexibilizou o

quanto podia a fim de atender os anseios

do Estado e que a sugestão apresentada é

razoável e oferece o estímulo necessário

para que as seguradoras optem, sempre

que possível, pela retomada da obra. Assim,

caso não haja flexibilização por parte

do governo, o mercado não irá operar um

produto com cláusula ‘compulsória’. E,

não havendo apetite por parte do mercado

de seguros para operar o produto conforme

requer o governo, este ficará sem qualquer

alternativa, posto que o atual projeto

em discussão, frise-se, prevê unicamente

o seguro garantia como forma de garantia

para contratos públicos envolvendo obras

de grande vulto”, complementa Melo.

Melo espera que o governo recue e

aceite a proposta de texto apresentada pelo

mercado. Caso contrário, afirma que o Brasil

repetirá o mesmo erro da Itália, que ao

tratar o tema resolveu contrariar a sugestão

do mercado de resseguros internacional,

que havia informado que não iria operar

com uma garantia da ordem de 100% do

valor do contrato. Editada a lei, o mercado

permaneceu inerte e não cedeu à pressão

daquele governo, que se viu compelido a

promover sucessivos ajustes ao texto até

chegar ao percentual aceito pelo mercado

de resseguros internacional que conta com

os mesmos resseguradores que ofertam

capacidade para o mercado brasileiro de

seguros.

“Para todos os casos, e também aqui,

deve haver alternativas de texto, de modo a

satisfazer os anseios do Estado e, ao mesmo

tempo, garantir a operação do produto por

parte do mercado”, finaliza.

28


internet | fator seguradora

Tecnologia a favor dos corretores

Fator Seguradora aposta

no Portal do Corretor para

dinamizar o processo de

emissão de apólices e atender

aos profissionais com carteira

de todos os portes

A

Fator Seguradora lança uma

ferramenta que vai agregar

dinamismo no processo de

emissão de apólices. Agora,

os corretores poderão cotar, aprovar e

emitir suas apólices de Responsabilidade

Civil Profissional (E&O) de forma online.

Com a novidade, a companhia atenderá

100% dos corretores, com carteiras

de todos os portes. “O lançamento do

Portal do Corretor representa a expansão

do nosso mercado. Com a nova versão

‘varejo’, queremos atender todo tamanho

de corretor de seguros e de riscos”,

ressalta a diretora comercial, Luciana

Natividade Motta de Sousa.

O acesso à internet será a única exigência

para que os corretores espalhados

por todo o país possam acessar o site e

fazer suas cotações e emissões na hora.

Para usufruir do portal no dia a dia,

os profissionais deverão se cadastrar

na plataforma. “Um cadastro simples e

rápido que, além de dar acesso ao portal,

permitirá que o corretor fique sempre atualizado

com as novidades da ferramenta

e também do mercado”, afirma Evandro

Luis Resende Leite, gerente de operações

responsável pelo portal.

Roadshow de treinamento

A Fator fará várias ações para

ativar o portal e também investirá em

exposições locais. Serão treinamentos

presenciais com corretores, com início

pelas regiões que dispõem de filiais –

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais,

Espírito Santo e a região Sul. Para esses

eventos, convidará os profissionais por

meio do Sincor e apresentará todas as

etapas e funcionalidades do sistema,

desde a cotação até a emissão da apólice.

“Faremos várias simulações, provare-

mos o quanto é rápido e tiraremos todas

as dúvidas para que os corretores possam

se sentir seguros e prontos para utilizarem

e incorporarem esse recurso como

ferramenta de trabalho”, reforça Luciana.

Para dar maior velocidade na capacitação,

a seguradora adotou a estratégia

de trabalhar também com as assessorias

de seguros que, com o lançamento do

portal, passam a ser foco e funcionarão

como uma extensão da equipe comercial.

Atividades cobertas pelo E&O

❱❱

Administradores imobiliários

❱❱

Agências de publicidade e propaganda

❱❱

Agências de turismo

❱❱

Consultorias

❱❱

Contadores

❱❱

Designers gráficos

❱❱

Editoras e gráficas

❱❱

Empresas de tecnologia

❱❱

Empresas de vídeo e filmagem

❱❱

Empresas de mídia

❱❱

Engenheiros e arquitetos

❱❱

Escritórios de advocacia

❱❱

Farmácias

❱❱

Organizador de conferências

❱❱

Paisagista

❱❱

Pesquisa de mercado e relações públicas

❱❱

Produtoras

❱❱

Recrutamento e seleção

❱❱

Segurança do trabalho

❱❱

Tradutores

❱❱

Riscos médicos (ambulatórios, clínicas

médicas, clínicas odontológicas, centro de

diagnóstico, hospital geral, laboratórios,

maternidades, pronto socorro)

❱❱

Riscos veterinários (clínicas, creches,

centro de diagnóstico, hospitais, hotéis,

laboratórios, lojas, pronto socorro)

Equipe comercial de São Paulo da Fator Seguradora

Produtos disponíveis no

portal

Com o lançamento do portal, a Fator

incorporou novas atividades cobertas

pelo seguro E&O, indo além das profissões

tradicionais oferecidas pelo mercado

(confira o box).

“Desenvolvemos um produto para

inúmeras atividades que estão expostas

a diversos riscos. E com o auxilio do

portal, que significa cotação e emissão

em tempo real, os corretores poderão

capturar muitas oportunidades, que antes

não eram viáveis, e converter em receita”,

detalha Leite, confiante do valor real da

nova proposta.

O portal será um organismo vivo e

novos produtos serão incorporados e disponibilizados

– em breve, seguro fiança

locatícia e seguro garantia; já D&O e

riscos diversos estão previstos para 2019.

Mas a tendência é que todos os produtos

viáveis migrem para o portal, incluindo

o seguro garantia.

Muito mais que garantia

Embora a Fator Seguradora tenha se

consolidado com seguros garantia, hoje

oferece um portfólio relevante com outros

produtos e soluções para os corretores.

Com o portal, a empresa amplia o

seu escopo de atuação e ganha capilaridade.

Se antes estava mais focada em

grandes riscos, atuando com corretores

mais especializados, hoje pode atender

a todos com qualidade, agilidade e de

forma diferenciada.

29


aniversário | seguradora

Aos 75 anos, Excelsior Seguros tem

o desafio de continuar crescendo

Em um mercado

altamente competitivo,

seguradora se destaca

pelo investimento em

novas ferramentas e

tecnologia

A

Excelsior Seguros acaba de

completar ¾ de século de

vida. Em um setor tão competitivo,

a companhia vem se

reinventando e buscando novos nichos no

mercado segurador e obtendo sucesso na

estratégia de consolidação da seguradora.

Na era digital e das novas necessidades,

onde cada vez mais as pessoas

e empresas buscam produtos e serviços

inovadores que as atendam, a seguradora

está investindo em novas ferramentas e

muita tecnologia. Tudo isso sem abrir

mão do valor inestimável de seu capital

humano. Encontrar o equilíbrio entre a

tradição e a inovação vem fazendo da

Excelsior Seguros uma seguradora moderna

e sólida ao longo dos seus 75 anos.

Pernambucana desde 1997, quando

foi adquirida pelo Grupo BrasiTec, do

empresário Luciano Bivar, a Excelsior

Seguros traz em sua trajetória histórias

de sucesso e aprendizado contínuo. Fundada

em 05 de junho de 1943, em São

Paulo, sua matriz também esteve no Rio

de Janeiro, e, por último, foi transferida

para a cidade do Recife.

A Excelsior Seguros é uma seguradora

de nicho e ganhou destaque no

cenário nacional como uma referência

no seguro habitacional, acumulando

diversos prêmios nesta categoria. Ao

longo da sua trajetória, a seguradora se

consolidou também nos ramos RC Profissional,

Patrimoniais e Aeronáuticos. Há

alguns anos ingressou nos Seguros Rurais

e vem crescendo exponencialmente neste

segmento. Outro projeto para o início de

2019 é a retomada da comercialização

dos seguros de Riscos de Engenharia.

Novos objetivos. Nova Marca.

Nova Excelsior

Com o dinamismo do mercado segurador

brasileiro, a Excelsior viu a necessidade

de se reinventar. Os primeiros passos para

essa mudança começaram com os novos

objetivos definidos pelos acionistas e executivos

do grupo, que almejam o crescimento

da sua produção e do seu faturamento em

todo o território nacional. Para viabilizar

esse objetivo, a seguradora pernambucana

trabalhou em cima do seu reposicionamento

no mercado, deslocando duas das

suas principais filiais, Rio de Janeiro e São

Paulo, para complexos empresariais com

localizações estratégicas (Botafogo – RJ e

Av. Paulista – SP). A Excelsior também está

presente fisicamente, através de suas filiais

e assessorias, nos estados do RS, SC, PR,

MG, BA, PE e CE.

Em 2016, sua marca foi modernizada,

recebendo uma tipografia atual

e a inclusão de um conjunto de elos,

representando a inovação, solidez e

equilíbrio da personalidade da empresa.

O resultado é uma marca contemporânea,

com elementos visuais que fortalecem

sua imagem institucional.

“Projetar o futuro da companhia será

o maior legado que podemos deixar para

as próximas gerações. Admitimos novos

diretores com ideias inovadoras que, aos

poucos, estão sendo implantadas em parceria

e com o apoio dos demais diretores

e gestores. Os resultados superaram as

nossas expectativas, dando-nos confiança

e garantia de anos promissores e de resultados

positivos”, explica José Tupinambá,

diretor superintendente da Excelsior.

❙ ❙

Oldemar Fernandes, diretor TI e Relações Susep; Maria Cristina Betencourt, diretora Adj. Técnica; Sérgio Bivar, presidente do

Grupo Excelsior; José Tupinambá Coelho, diretor Superintendente e João Carlos Inojosa, diretor Comercial

30


31


aniversário | sindicato

SindSeg BA/SE/TO

celebra

70 anos

Entidade festeja

bodas de vinho com a

presença de diretores,

líderes e autoridades

regionais

Mais do que um aniversário

de sete décadas, o Sindicato

das Seguradoras da

Bahia, de Sergipe e de

Tocantins – SindSeg BA/SE/TO - celebrou

no dia 26 de maio, um legado de

histórias e ampla representatividade no

mercado de seguros.

A data foi celebrada durante todo

o mês de maio, desde o lançamento

da identidade visual alusiva aos 70

anos. Seguiu com postagens nas redes

sociais e teve a comemoração máxima

no jantar de bodas de vinho, reunindo

diretores anteriores e atuais, bem como líderes, autoridades e

representantes regionais, na noite de 25 de maio, no tradicional

restaurante italiano Alfredo, em Salvador/BA.

Na mensagem de boas-vindas aos convidados, a executiva

do SindSeg BA/SE/TO, Camila Barreto, fez um breve histórico

desde a fundação do Sindicato. Em seguida, foi exibido

um vídeo comemorativo ao aniversário, do qual fizeram parte

ex-diretores, ex-colaboradores, dirigentes atuais, bem como

representantes e parceiros ligados diretamente ao trabalho

do SindSeg.

Em seguida, o presidente João Giuseppe Esmeraldo, fez

um breve discurso, com destaque para o papel do SindSeg

BA/SE/TO nos próximos anos. “Mais do que nunca, 70 anos

Diretoria, líderes e parceiros regionais

prestigiam os 70 anos do SindSeg BA/SE/TO

O presidente João Giuseppe discursa para os convidados

é uma idade de peso, repleta de memórias e significados. É um

trabalho do qual tenho muito orgulho em fazer parte. Temos

um Sindicato em movimento, em sinergia com os acontecimentos

e integrado aos rumos do setor. Estamos preparados

para continuar dando suporte e escrever junto às seguradoras,

profissionais e parceiros, as novas páginas desta história”.

A emoção tomou conta quando ex-dirigentes e ex-colaboradores

presentes receberam da atual Diretoria troféus

especiais, como reconhecimento pelos anos dedicados à entidade.

Agradecimentos também foram direcionados às atuais

seguradoras associadas, que receberam mimo semelhante das

mãos do presidente João Giuseppe Esmeraldo.

Um dos pontos altos da festa foi a surpresa preparada pela

Diretoria para o presidente João Giuseppe Esmeraldo, que está

no último ano da gestão. Um vídeo contando sua trajetória

foi exibido, com a narração de amigos pessoais, de carreira,

além da família.

O Sincor-BA e a Escola Nacional de Seguros, representados,

respectivamente, pelo presidente Wanderson Nascimento

e pela gerente das unidades, Simone Maiello, parabenizaram o

Sindicato, presenteando Giuseppe com placas de homenagem.

O evento foi marcado ainda pelas presenças dos presidentes

Fausto Dórea (CSB-BA), Gelásio Souza (CSP-BA), Érico

Melo (Sincor-SE); da coordenadora da Escola Nacional de

Seguros, Danubia Macêdo; do diretor da FenaPrevi Oriovaldo

Pereira Lima, do diretor do SindSeg NNE, Oldemar Fernandes

e do inspetor da PRF-BA, Marcelo Soares.

32


Sincor-BA homenageia

o SindSeg BA/SE/TO pelos 70 anos

Um pouco de história

Tudo começou em 26 de maio

de 1948. Um ano após a criação

da Associação das Empresas de

Seguros Privados e Capitalização

da Bahia, nascia por meio de Assembleia

Extraordinária, o Sindicato

das Empresas de Seguros Privados e

Capitalização nos Estados da Bahia

e Sergipe ou SESPRIC.

Dos anos 70 a 90 o SindSeg BA/

SE/TO foi a única casa de capacitação

dos profissionais de seguros em

Salvador. Mais precisamente nas dependências

da antiga sede, situada no

bairro do Comércio, eram realizados

cursos, provas, palestras da Escola

Nacional de Seguros. Tornava-se assim,

o principal ponto de integração.

Na mesma época, o Sindicato tem

sua atuação marcada também pela

assessoria jurídica ofertada às seguradoras,

visto que ainda não havia

departamentos especializados dentro

das companhias.

O SindSeg BA/SE/TO ainda

como SESPRIC, esteve diretamente

engajado na realização da 9ª Conferência

Brasileira de Seguros Privados

e Capitalização, ocorrida

na capital soteropolitana em

abril de 1975. A magnitude de

um evento nacional de seguros

no estado, conferiu ainda mais

responsabilidade ao Sindicato

em contribuir para o desenvolvimento

do setor.

Com a reforma estatutária

em 2007, o SESPRIC amplia

sua abrangência territorial, com

Homenagem às seguradoras associadas

ao SindSeg BA/SE/TO

O presidente João Giuseppe e diretores

do SindSeg BA/SE/TO

O presidente João Giuseppe e os colaboradores

do SindSeg BA/SE/TO

João Giuseppe Esmeraldo recebe o presidente

do Sincor SE, Érico Melo e do Sincor BA, Wanderson Nascimento

Homenagem da Escola Nacional

de Seguros pelos 70 anos

a adesão do estado do Tocantins.

Seis anos mais tarde, a fim de se

adequar à nomenclatura padrão dos

demais Sindicatos das Seguradoras

Regionais, é atualizada a sigla para

Sindseg BA/SE/TO.

É também em 2013 que o

SindSeg BA/SE/TO entra numa nova

era. Uma nova Diretoria assume,

sob a liderança do presidente João

Giuseppe Esmeraldo. O grupo adota

um modelo de trabalho focado em

reposicionamento, que vai desde a

identidade visual até a consolidação

de ações integrativas com a

sociedade, parceiros e instituições. A

atuação passa então a ser coordenada

a quatro mãos, em sinergia também

com os Sindicatos co-irmãos.

Atualmente, a entidade patronal

possui 14 seguradoras associadas

que operam nos segmentos de Seguros,

Previdência e Capitalização.

Além do compromisso de representar

os interesses gerais do mercado

segurador, a entidade promove um

trabalho consultivo e educativo

junto à sociedade, voltado à disseminação

da cultura do seguro. São

palestras, workshops, parcerias,

ações online, entre outras frentes.

Para isso, o Sindicato está

conectado com as mudanças,

decisões, novidades que envolvem

o setor de seguros, sempre

em prol do avanço legítimo do

Seguro nas instâncias de alcance

possível.

Fonte: Assessoria SindSeg BA/SE/TO

33


internacional | copa do mundo

Seleção de

“cтрахование”

Apesar de a Copa do Mundo não ser no Brasil

este ano, o mercado local também surfa na

onda do futebol com negócios relacionados ao

evento. A demanda vem de quem participa,

seja como ator principal ou como coadjuvante

do mundial na Rússia, mas também dos que

ficaram por aqui

Manuela Almeida

Difícil de se pronunciar,

cтрахование, segundo o alfabeto

cirílico – o azbuka,

usado na Rússia e em mais

outros cinco países europeus, nada mais

é do que seguro. Para facilitar a leitura de

palavras russas, uma linguagem informal

foi criada, aproveitando-se das letras latinas

para quem não é nativo. Com esse

empurrãozinho da linguagem, seguro em

russo também pode ser lido, com fonética

em inglês, como strakhovaniye. Muito

mais fácil. A Copa do Mundo na Rússia

deve movimentar bilhões de dólares em

cтрахование ou strakhovaniye, garantindo

mais tranquilidade aos milhares

de espectadores que vão prestigiar as 32

34


seleções durante os 32 dias do mundial.

Os riscos são os mais diversos e, portanto,

as coberturas de seguros envolvidas no

torneio abrangem desde a possibilidade

de não realização de jogos até mesmo

ataques cibernéticos e sequestros e extorsões.

Somente a cobertura contra o

cancelamento do torneio, que garante a

indenização para a perda de direitos televisivos

e oportunidades de patrocínio, é

estimada em cerca de US$ 1 bilhão, conforme

projeções divulgadas pela seguradora

Beazley, especializada em seguros

para eventos. Já os riscos de construção

– dos 12 estádios que serão palcos para as

partidas, sete foram construídos – estão

em torno dos US$ 2 bilhões. Todas as co-

berturas somadas, conforme estimativas

da Beazley, resultam em coberturas de

US$ 7 bilhões em resseguros por conta

do mundial na Rússia.

Apesar de a Copa este ano ocorrer a

mais de 14,4 mil quilômetros do Brasil,

equivalente a quase 9 mil milhas ou cerca

de 18 horas de voo, o mercado nacional de

seguros também se beneficia da realização

do evento. Diversos tipos de seguros

são contratados no País não somente por

quem vai participar do mundial de alguma

forma, seja como espectador, atletas e

equipes de redes de comunicação, como

de ações realizadas por aqui e que também

necessitam de seguro.

A cada gol do Brasil, 10% de desconto

na compra de um produto. Quem

adquirir televisão no período pré-Copa

pode receber parte do valor que desembolsou

com o novo aparelho de volta se

a seleção brasileira, única a participar

dos 21 mundiais já realizados até agora,

conquistar o hexa na Rússia. Embora

não apareça, existe um seguro por trás

dessas promoções. O diretor regional

de marine e entretenimento da Allianz

Global Corporate & Specialty Brazil

(AGCS), Gilberto de Espíndola, explica

que há um cálculo estatístico que tem de

ser feito sobre a possibilidade de a oferta

feita na propaganda se concretizar na

prática, o que, se de um lado, beneficia

o consumidor, do outro, pesa no bolso

da empresa, que precisa de caixa para

honrar o prometido. Para se resguardar

de eventuais prejuízos, esses grupos,

majoritariamente varejista, encontram

respaldo no seguro. “É um produto relacionado

à área de eventos. Em uma ação

sobre a possibilidade de uma seleção de

futebol de um determinado País ganhar

a Copa, fazemos o cálculo estatístico em

relação à chance de isso acontecer e esse

porcentual é utilizado para precificar o

seguro para cobrir essa ação”, detalha

Espíndola.

De acordo com ele, o segmento

que mais demanda esse tipo de seguro

é a de venda de eletroeletrônicos, que,

tradicionalmente, recebe um impulso a

mais nas vendas por conta da Copa do

Mundo, com os consumidores renovando

seus aparelhos para assistir aos jogos do

Mundial. No entanto, o produto é similar

às apólices contratadas para premiações

de programas de TV como “Quem quer

ser um milionário”, inspirado em um

concurso de televisão português, e ainda

“The Wall”, ambos realizados no Brasil

no Caldeirão do Huck, exibido pela Rede

Globo. “Esses eventos podem dar muito

certo ou muito errado. Por isso, a cobertura

de seguro se faz necessária para arcar

com os custos que vão além do que o

promotor pode se autossegurar”, destaca

o especialista da AGCS.

Para quem leva a taça

No campo das premiações, há outros

seguros que são movimentados pela Copa

do Mundo. A demanda vem também

das seleções de futebol que prometem

aos jogadores escalados para o mundial

recompensas financeiras a depender do

desempenho em campo. O professor Gustavo

Cunha Mello, sócio da corretora de

seguros Correcta, diz que o mercado de

seguros oferta apólices para as seleções

fazerem frente aos prêmios prometidos

aos seus atletas caso saiam vencedoras.

“O seguro funciona como um derivativo

e permite que o time possa pagar os

jogadores. O prêmio é proporcional ao

risco. É como um bônus numa empresa,

mas recebe o nome de bicho no futebol”,

conta o especialista.

A Alemanha, detentora da última

Copa, prometeu 350 mil euros a cada

jogador. Uma das ofertas mais parrudas,

porém, é da Espanha, que ofereceu 825

mil euros por atleta. A cifra é 37,5%

❙❙Gilberto de Espíndola, da AGCS

35


copa do mundo

❙❙

Gustavo Cunha Mello, da Correcta

superior ao montante de 600 mil euros

pagos a cada atleta que integrou o time

vitorioso na Copa na África do Sul, em

2010. Mas se não chegar nem às quartas

de final, o time espanhol não leva nada

para casa. Nem título nem prêmio. O

Brasil, país do futebol e forte candidato

ao título, também conta com uma cifra

bem generosa, de 800 mil euros para

cada jogador caso a seleção brasileira

leve a taça para casa. Alguns times como

o do Panamá, oferecem recompensas até

mesmo para conquistas mais tímidas durante

o mundial como, por exemplo, para

se o time conseguir ultrapassar a fase de

grupos, antes do famoso mata-mata. A

oferta financeira serve, na prática, como

um empurrãozinho para estimular os

atletas a darem o melhor de si.

Espíndola, da AGCS, conta que

o mercado de seguros e resseguros é

bem criterioso para selecionar os riscos

que aceita. Isso porque uma mesma

companhia não pode ter a apólice de

vários times, já que a chance de um

sinistro é cada vez mais certa. “Imagine

fazer seguro para quatro seleções como

Alemanha, Argentina, Brasil e Espanha

– acrescentando a França. A chance de

ter que pagar o sinistro é muito grande.

Geralmente, consideramos assumir o

risco até de duas seleções porque aceitar

uma terceira já contribuiria para isso.

Tanto é que centralizamos a aprovação

desses contratos em Londres a partir

de um time estatístico responsável por

fazer esses cálculos”, explica o diretor da

AGCS, acrescentando que este seguro é

tradicionalmente contratado em outros

eventos esportivos como, por exemplo, a

Copa Libertadores da América.

O Brasil é o favorito a vencer a

Copa do Mundo da Rússia com 17,89%

de chance, de acordo com pesquisa da

corretora JLT. A Alemanha, detentora do

último título, é a segunda favorita, com

16,55%. Para chegar nesse resultado, a

pesquisa da JLT considerou a probabilidade

de cada seleção levar a taça a partir

de estimativas de 25 casas de apostas.

Uma das conclusões, foi de que as nações

europeias tinham coletivamente dois

terços de chances de ganhar o torneio

enquanto que as da América Latina era de

quase um terço. No caso dos times africanos,

essa proporção é de apenas 1,54%.

As seleções também contam com

seguro para seus atletas. A brasileira assumiu,

desde 2016, o pagamento de seus

membros. Todos os atletas profissionais

com contratos ativos no sistema BID da

Seguros relacionados à

Copa no País do futebol

As apólices movimentadas por conta do mundial

são diversas e vão desde o seguro viagem, tradicionalmente

exigido em viagens internacionais, até mesmo

coberturas de responsabilidade civil para eventos

realizados no Brasil, aproveitando o gancho da Copa

do Mundo na Rússia

Seleção brasileira

Todos os atletas da CBF contam com seguro de vida.

Alguns possuem, inclusive, apólices individuais

Viagem

Obrigatória em diversos países, incluindo a Rússia, a

apólice abrange coberturas para a viagem, seguro saúde,

extravio de malas, eventual assalto, acidente, dentre outras

36


Confederação Brasileira de Futebol têm

direito a coberturas de seguro de vida e de

auxílio funeral, cujos custos são bancados

pela entidade. Inicialmente, o contrato

tinha como parceira a Itaú Seguros. No

entanto, no mesmo ano do fechamento

da apólice, a seguradora vendeu a sua

carteira de vida em grupo para a americana

Prudential que passou a responder

pelo seguro dos jogadores filiados às

federações que compõem a CBF e jogam

no Brasil.. O pagamento de seguro de

vida é obrigação dos clubes, conforme

o artigo 45 da Lei Pelé. Além disso, os

atletas também costumam ter seguros por

conta própria, sendo que não é pequena

a parcela deles que busca apólices para

partes específicas do corpo por conta da

grande exposição de sua atividade.

Segundo estimativas da londrina Beazley,

cada uma das 32 seleções segurou

seus atletas em cerca de US$ 19 milhões

contra o risco de sequestro e extorsão.

Craques de destaque como Lionel Messi,

da Argentina, e Cristiano Ronaldo, da

seleção portuguesa, podem estar segurados

em torno de US$ 150 milhões, com

maiores riscos de segurança rondando as

estrelas do futebol, conforme informações

publicadas na mídia internacional.

Para quem vai

Além dos seguros dos atletas, equipamentos

profissionais que são enviados

para a Rússia a partir do Brasil também

movimentam o mercado local. O foco da

proteção aqui não é exatamente evitar

prejuízos com os aparelhos, mas conter

gastos e facilitar o trânsito aduaneiro

de bens. Batizada de ATA Carnet (Admission

Temporary), a apólice possibilita

a exportação e importação de bens

temporariamente sem a incidência de

impostos. Facilita, assim, a entrada de

equipamentos profissionais em países

sede de eventos e agiliza, de quebra, o

preparo da documentação. Com validade

de 12 meses, esse seguro é aceito em 77

países, dentre eles, Rússia, Alemanha,

China, Estados Unidos, Japão, México,

uma vez que são parceiros comerciais

do Brasil. De acordo com a gerente de

❙❙

Kamila Souza, da BR Insurance

seguro garantia da corretora BR Insurance,

Kamila Souza, a realização da Copa

do Mundo está impulsionando a procura

pelo produto. No Brasil, o ATA Carnet é

emitido desde 2016 após a Confederação

Nacional da Indústria (CNI) firmar um

compromisso junto à Receita Federal. No

primeiro ano, de acordo com a entidade,

foram emitidas mais de 100 apólices,

Eventos

Eventos no Brasil com o gancho da Copa do Mundo

também são alvos do mercado de seguros no âmbito de

contratos relacionados ao torneio

Ata Carnet

Garante a exportação e importação de equipamentos

profissionais temporariamente sem a incidência de

impostos

Promoções

Empresas de diversos segmentos, dentre eles o

de varejo de eletroeletrônicos, contrata apólices para

garantir promoções relacionadas à Copa do Mundo e

que envolvem descontos ou devolução de recursos aos

clientes conforme o resultado dos jogos

Premiações

Seleções de futebol recorrem às seguradoras para

fazer frente aos parrudos bônus oferecidos aos seus jogadores

a depender do desempenho do time no mundial

37


copa do mundo

movimentando US$ 2,6 milhões. No

mundo, esse mercado soma mais de

US$ 30 bilhões em mercadorias por ano,

segundo a CNI.

Atualmente, o ATA Carnet beneficia

segurados tanto pessoas jurídicas quanto

físicas dos estados do Ceará, Minas Gerais,

Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de

Janeiro e São Paulo. Incluído no ramo de

seguro garantia, funciona como um passaporte

da mercadoria e pode ser contratado

por empresas de diversos segmentos

como, por exemplo, de telecomunicações,

indústrias calçadistas que participarão

de exposições, de equipamento eletrônicos,

entretenimento, transporte, equipamentos

esportivos, dentre outras. “O

maior impulso para o produto este ano

é a Copa do Mundo. O desempenho do

ATA Carnet até o começo de junho foi

por conta do mundial”, diz a especialista

da BR Insurance, Kamila Rosa, que não

abre os números das vendas. No Brasil,

a corretora tem exclusividade na venda

do produto juntamente com a seguradora

Porto Seguro.

Do lado da pessoa física, o mercado

aproveita para elevar as vendas de seguro

viagem aos brasileiros que vão assistir à

Copa do Mundo. A proteção é obrigatória

em países da Europa, incluindo a Rússia,

e abrange coberturas para a viagem, seguro

saúde, extravio de malas, eventual

assalto, acidente, dentre outras. A apólice

deve cobrir custos de tratamento da ordem

de 30 mil euros. Conforme a gerente

de vendas e marketing da Bidu, Michele

Alves, a estratégia de aproveitar eventos

globais para comercializar seguro viagem

já entrou no calendário da empresa. O

fato de a Copa do Mundo ser na Rússia,

segundo ela, foi um impulso a mais, uma

vez que o país não é um destino muito

usual dos brasileiros. Para deslanchar as

vendas, a corretora tem parceria com uma

agência de viagens. “Tivemos um aumento

sensível no seguro viagem, mas ainda

está abaixo da nossa expectativa”, diz

Michele que, às vésperas de junho, ainda

esperava um aumento mais expressivo

nas vendas, considerando que a maior

parte dos viajantes deixam a contratação

do seguro para a última hora. Além disso,

outro impulso para as vendas esperado

por ela era dos espectadores que iriam à

38

❙❙Fabio Oliveira, da Aig

❙❙

Michele Alves, da Bidu

Rússia apenas para jogos pontuais e mais

para o fim do torneio.

A menor demanda não afeta apenas

os negócios no Brasil. Dados divulgados

no início de junho pela Fifa dão conta de

que a bilheteria da Copa do Mundo de

2018 estava abaixo da receita do mundial

no Brasil. A expectativa é de que o

montante em ingressos some US$ 495

milhões, sendo 40% vindo dos torcedores

russos. O valor é mais de 4% inferior à

cifra obtida pela Fifa na última Copa, de

US$ 518. Na ocasião, os brasileiros responderam

pela maior parte dos ganhos,

comprando 60% de todos os ingressos

comercializados. Segundo a Fifa, 2,4

milhões de ingressos já foram vendidos

para 2018, mas ainda há outros 120 mil

no mercado. Do total, 871 mil entradas

foram compradas por russos. O Brasil

ocupa a terceira posição, atrás dos Estados

Unidos, respondendo por 75 mil dos

ingressos vendidos.

Para quem fica

A área de seguros para a realização

de eventos no Brasil dentro das seguradoras

locais também é movimentada em

Copa do Mundo, a despeito de o torneio

não ser aqui. A demanda vem de empresas

que utilizam o gancho do mundial

para promoverem ações junto a clientes

e fornecedores. A seguradora americana

AIG, que apostou em um lugar customizado

para seus parceiros assistirem

os jogos, a Casa da Rússia, entretanto,

teve suas expectativas frustradas diante

de um volume de negócios abaixo do esperado

relacionados a eventos por conta

do torneio. O presidente da companhia,

Fabio Oliveira, embora estivesse nos

Estados Unidos na última Copa, esperava

um ambiente mais animado tanto do

ponto de vista de comemorações como

do lado corporativo. Prova disso é que

somente às vésperas da abertura da Copa

do Mundo da Rússia a tradicional decoração

verde e amarela começou a tomar

conta das ruas no Brasil. Nada de 7 a 1.

Pesa, sobretudo, segundo especialistas

ouvidos por Apólice, a recente crise

no País e a instabilidade política ainda

fresca na memória dos brasileiros que,

recentemente, ganhou um agravante

adicional: a greve dos caminhoneiros.

“Apesar de a economia brasileira já estar

em um processo de retomada, a crise

ainda pesa”, confirma Oliveira, para

quem o Brasil vai ganhar o mundial ou,

na pior das hipóteses, perder na final da

Copa, agendada para o dia 15 de julho.

Enquanto ainda não se tem o resultado

desta Copa, a próxima já está

movimentando o mercado de seguros

global. A JLT é a corretora responsável

pelo programa de apólices da construção

de cinco estádios para o mundial de 2022,

que ocorrerá no Qatar, num projeto estimado

em quase US$ 40 bilhões. O seguro

ficou com um grupo de seis seguradoras

locais do Qatar que se uniram para formar

um sindicato, o National Insurance

Consortium (NIC). Do lado do resseguro,

a francesa Scor receberá 20% do risco. Os

80% restantes serão distribuídos entre os

membros do NIC.


39


mercado | fraude

A fraude nossa

de cada dia

Quase 12% dos sinistros ocorridos

em 2016 estavam sob suspeita de

fraude e foram investigados. Além

das quadrilhas que atuam em alguns

setores, os pequenos fraudadores

formam uma massa considerável,

mas mais fácil de ser combatida

Kelly Lubiato

40


Vítima ou cúmplice? Talvez os

dois. O segurado que acaba

envolvido num processo de

fraude, às vezes, não tem a

exata noção que esta é uma ação que

sempre irá prejudicá-lo. Seja pelo agravamento

do seu risco ou pelo aumento da

sinistralidade da carteira que, certamente,

acarretará em um aumento do prêmio no

período seguinte.

Em tempos de crise econômica, é

quase natural que haja um aumento das

tentativas de golpe contra o mercado

de seguros. Sem contar os fraudadores

profissionais, que criam esquemas mais

sofisticados, os cidadãos enxergam no

mercado de seguros uma forma de conseguir

alguma vantagem, às vezes sem

perceber a ilicitude de seu ato.

A advogada Graziela Vellasco lembra

que “o seguro visa garantir e proteger

um bem, nunca oferecer lucro ou vantagem

ao segurado. A natureza do contrato

de seguro é de ressarcimento, ou seja,

repor o bem na mesma forma antes da

ocorrência do sinistro”. Estes pequenos

‘delitos’ são praticados tanto nos seguros

de bens quanto no de pessoas.

Através da legislação e das cláusulas

contratuais o mercado de seguro busca

proteger-se. Entretanto, quando as demandas

chegam à justiça a questão muda

de figura. Por falta de compreensão de

como o setor funciona, as pessoas buscam

a indenização no Poder Judiciário que,

também por pouco conhecimento do

❙❙Graziela Vellasco, advogada

Todos os Ramos 2016 - Série Histórica

CNSeg

>> Por ano

Valor de Sinistro

Em %

16

13,70

14

11,20 11,76

12

10

8

6

4

2,20 2,60

2

1,70 1,80

2,30 1,83

0

2014 2015 2016

Suspeita de Fraude Fraude Detectada Fraude Comprovada

setor e pela eminência de morte, acaba convencional, as seguradoras online estão

assinando liminares.

sujeitas às fraudes dos segurados, que

As pequenas fraudes podem começar acreditam que a aceitação das propostas

já no momento de preencher a proposta. será mais fácil na comercialização digital.

Uma resposta que não seja conivente com São usados muitos recursos de tecnologia

não só para prevenir a fraude

a verdade ou que possa gerar qualquer

tipo de desconto indevido no prêmio do mas, principalmente, para detectá-las.

seguro já sinaliza uma fraude. Ela viola “Usamos muitas informações do segurados,

dados de inteligência artificial para

um dos preceitos que norteiam o mercado

de seguros e seus contratos: a boa-fé. “A reconhecimento de imagens para regular

declaração inexata ou omitida na proposta

de seguro influi na sua aceitação as imagens da colisão dos veículos são

um sinistro de automóveis e verificar se

ou acarreta um desequilíbrio na taxação compatíveis, por exemplo”, afirma Eldes

do prêmio”, enfatiza Graziela.

Mattiuzzo, CEO da Youse.

No seguro prestamista, por exemplo, O executivo confessa que a empresa

está suscetível aos mesmos tipos de

o segurado pode omitir na proposta de seguro

ser portador de doença-preexistente, fraude das seguradoras tradicionais.

como diabetes ou hipertensão, enfermidades

que aumentam o risco do sinistro.

“Precisamos de um arcabouço jurídico,

Segundo a advogada, a punição está

prevista no artigo 766 do Código Civil,

que esclarece que caso haja declarações

inexatas ou omissão de circunstâncias

que possam influir na aceitação da proposta

ou na taxa do prêmio o segurado

perderá a indenização, além de pagar o

prêmio vencido.

“Art. 766. Se o segurado, por si ou

por seu representante, fizer declarações

inexatas ou omitir circunstâncias que

possam influir na aceitação da proposta

ou na taxa do prêmio, perderá o direito

à garantia, além de ficar obrigado ao

prêmio vencido”.

Mattiuzzo, da YouseFonte:

Prevenção

Assim como qualquer seguradora

❙❙Eldes 41


fraude

Conheça

as fraudes

mais

comuns

Automóvel

❱❱

Omitir informação questionada no

formulário da seguradora, quando

da contratação do seguro.

❱❱

Omitir a existência de outro seguro vigente

para o veículo.

❱❱

Omitir ou falsificar boletim de ocorrência, perícia, exame

médico decorrente de atendimento de vitima, nota fiscal

e recibo.

❱❱

Simular furto onde o veículo foi escondido ou desmontado,

pelo próprio ou com o consentimento do responsável.

❱❱

Omitir a existência do causador do acidente.

❱❱

Assumir indevidamente a responsabilidade pelo acidente,

fazendo com que a seguradora, pague os prejuízos ocasionados

no veículo do causador.

❱❱

Colidir intencionalmente com a finalidade de obter

vantagens com o conserto de danos antigos, ou com o

recebimento do valor total do veículo.

❱❱

Substituir peças e componentes em bom estado, por outros

danificados, para simular a ocorrência de um acidente.

❱❱

Simular acidentes com a finalidade de justificar danos

mecânicos, ocasionados pela falta de manutenção preventiva.

❱❱

Falsa declaração de roubo ou furto.

❱❱

Troca do motorista que no momento da ocorrência, não

estava em condições hábeis, proibidas para a condução

de veículos.

Transportes

❱❱

Contratar seguro para a carga,

não informando o valor real das

mercadorias a serem transportadas.

❱❱

Contratar o seguro após a ocorrência

de um acidente, furto ou roubo.

❱❱

Omitir ou falsificar boletim de ocorrência, perícia, exame

médico decorrente do atendimento a vitima.

❱❱

Desvio da carga com conhecimento do responsável, ou

somente com o envolvimento de terceiros contratados para

o transporte.

❱❱

Simular furto ou roubo da carga, para desfazer-se de produtos

fabricados fora da especificação do comprador.

❱❱

Simular furto ou roubo da carga em transito, tendo o evento

ocorrido anteriormente, no interior de depósitos.

❱❱

Simular o tombamento da carga ou do veículo transportador,

com a finalidade de receber por danos preexistentes ou

ocasionados na operação de armazenamento e transporte.

❱❱

Simular o tombamento da carga ou do veículo transportador,

com a finalidade de desfazer-se de produtos fabricados

fora da especificação do comprador.

❱❱

Localizar a carga e não comunicar a seguradora, reavendo

a carga e recebendo indevidamente a indenização.

❱❱

Agravar os danos, ou proporcionar o desaparecimento de

cargas em bom estado que tenham sido localizadas após

o furto ou roubo, ou que não tenham sofrido danos em

decorrência ao acidente.

Saúde

❱❱

Omitir informações na declaração

de saúde ou na proposta de seguro.

❱❱

Fornecer informações falsas na

declaração de saúde ou na proposta

de seguro.

❱❱

Emprestar a Carteira do seguro saúde

para que terceiros a usem.

❱❱

Participar ou conivir na divisão de consultas.

❱❱

Alterar procedimentos médicos.

❱❱

Declarar consultas, exames ou procedimentos que não

ocorreram.

❱❱

Superfaturar remédios e materiais médicos.

Vida

❱❱

Incluir na relação de segurados

pessoa que seja funcionário e não

possua vinculo com a empresa

estipulante (no caso de vida de

grupo).

❱❱

Omitir doença preexistente de

conhecimento do contratante

❱❱

Omitir a preexistência de invalidez do

contratante.

❱❱

Fornecer informações falsas na proposta para contratação

do seguro.

❱❱

Contratar seguro para pessoa com doença terminal.

❱❱

Contratar seguro para pessoa já falecida.

❱❱

Falsificar ou adulterar exame, atestado médico, perícia

medica, atestado de óbito, e outros documentos, com a

42


finalidade de omitir a preexistência de doença, ou caracterizar

uma invalidez ou o falecimento do contratante.

❱❱

Auto-mutilar propositalmente membros do corpo.

❱❱

Suicídio premeditado.

❱❱

Simular a ocorrência de acidente em membros do corpo

que já estava lesionado em decorrência de outra doença

de causa natural.

❱❱

Simular a ocorrência de acidente, para o contratante que

faleceu em decorrência de causa natural, com a finalidade

de receber dupla indenização.

❱❱

Simular o falecimento do contratante, estando o mesmo

vivo.

Ramos

Elementares

❱❱

Omitir a existência de outro seguro

vigente, com as mesmas garantias.

❱❱

Omitir fatos relevantes nas vistorias.

❱❱

Falsificar apólice de outra seguradora,

com a finalidade de receber bonificação indevida.

❱❱

Relacionar bens para o seguro, que não estão no imóvel,

ou não pertencem mais ao contratante.

❱❱

Omitir a verdadeira causa da ocorrência.

❱❱

Omitir ou falsificar boletim de ocorrência, perícia, nota

fiscal ou recibo para reembolso.

❱❱

Simular furto ou roubo de valores dentro ou fora do

estabelecimento.

❱❱

Simular furto ou roubo onde os bens foram escondidos

ou vendidos pelo próprio responsável, ou com o seu

consentimento, com a finalidade de beneficiar-se com a

reposição por bens novos ou de qualidade superior.

❱❱

Ocasionar ou propiciar a ocorrência de incêndio, com a

finalidade de reformar ou reconstruir o imóvel.

❱❱

Montar outros tipos de sinistros (sinistros intencionais).

❱❱

Reclamar bens que não estavam relacionados na apólice.

❱❱

Reclamar após o furto ou roubo, bens que não foram

subtraídos.

❱❱

Reclamar após o incêndio, danos preexistentes do imóvel

e dos bens, que não foram afetados pelo incêndio.

❱❱

Aumentar deliberadamente os danos.

Fonte: Monitor das Fraudes

43


fraude

como em mercado mais maduros, para

que estas pequenas fraudes sejam tratadas

como crimes”. Este é o maior inibidor.

Aqui no Brasil, a indicação de terceiro

em uma batida que não é dele fica por isso

mesmo. Se a seguradora aciona o segurado

na Justiça, ainda corre o risco de ser processada.

Muito mais do que tecnologia, o

que inibe a fraude é um bom ordenamento

jurídico. O problema é o mesmo no meio

digital e no meio tradicional.

Quando é detectada uma fraude mais

crítica, é acionada a polícia e feita a denúncia,

principalmente quando se trata de

quadrilhas. As pequenas fraudes acabam

passando, apenas com uma sinalização. A

pessoa que abriu o sinistro noemalmente

não é responsabilizada por seu ato.

No caso da venda digital, ainda há

o agravante de atrair aquelas pessoas

que têm propostas negadas por outras

empresas. “O fraudador recorrente vai

em várias seguradoras e acaba vindo até

nós também. Mas temos os instrumentos

necessários para barrar este risco, como

estar conectado com bancos de dados

que são consultados e que indicam esta

propensão”, explica o CEO.

Hoje, com a ajuda da tecnologia já é

possível, por exemplo, checar se o veículo

realmente fica estacionado nos CEPs

informados pelo proponente. O acesso ao

Big Data e a correta utilização de suas

informações não só ajuda a prevenir as

fraudes como também podem baratear o

custo do prêmio do seguro.

Quantificação da fraude

A Confederação Nacional de Seguros

Privados desenvolve um relatório do

Sistema de Quantificação de Fraudes baseado

nas informações das seguradoras.

Através do sistema, alimentado

pelas próprias seguradoras, em todos os

ramos de seguro, com exceção de Saúde

Suplementar, Capitalização e Previdência

Complementar, os resultados apontam

que os Sinistros Ocorridos em 2016

somaram aproximadamente R$ 28,5

bilhões. Deste total, R$ 3,35 bilhões

foram resultados de Sinistros Suspeitos,

correspondendo a 11,8% do valor total

dos Sinistros Ocorridos. O valor das fraudes

que puderam ser comprovadas neste

período somou R$ 520,2 milhões, o que

❙❙Gilberto Alonso Junior, advogado

representa 15,5% do valor dos Sinistros

Suspeitos.

Houve uma queda de quase 2% em

relação aos sinistros suspeitos, entretanto,

as fraudes comprovadas foram praticamente

iguais, ficando em 1,83%.

“As fraudes mais caras para o mercado

são aquelas que não são investigadas”,

afirma Felippe Sabatini, gerente do Grupo

Negrini. Ele aponta que sobre essas,

sequer é possível conhecer sua forma e

conteúdo e, como o trabalho de auditoria

é deflagrado após a tentativa de fraude,

o fraudador possui a vantagem de mudar

seu modo de agir assim que é detectado/

mapeado, sendo necessário o trabalho

continuado de acompanhamento para

conhecer novas modalidades, atualizando

a forma de combate.

“A fraude é maleável, face

à facilidade encontrada

em cada carteira”

Felippe Sabatini

Sabatini ressalta que “o efetivo combate

à fraude é um fator determinante

para diminuir a possibilidade de fraude,

que faz com que o fraudador migre de

mercado, buscando a facilidade em outro

ramo e/ou atividade, e deve ser trabalhado

em conjunto com a prevenção, ajustando

a estratégia de contratação”.

O primeiro combate às fraudes, sem

dúvida, se dá através do avanço da tecnologia.

Quando a contratação do seguro

é feita por meio de software que calcula

o risco da contratação e ajusta seus valores

ao perfil, já é uma ação pro-ativa.

Na outra ponta, “de forma contenciosa,

quando os avisos de sinistros são analisados

e a massa de dados transformada

em estatística/informação, com filtros e

pesos automatizados para a varredura dos

avisos de sinistros para encaminhamento

à campo para determinar sua assertividade”,

avalia Sabatini. Depois, uma vez

estabelecida a assertividade, o modus

operandi e os personagens/objetos do

pedido, é possível determinar as quadrilhas

e a melhor estratégia para mapear e

combater a fraude.

A política de compliance das empresas

também pode se mostrar uma forte

aliada para a identificação de problemas,

que podem ser causados pelo público

interno também. Um hospital paulista

identificou a participação de médicos e

fornecedores responsáveis pelo aumento

da quantidade de aplicação de próteses

cardíacas. “Na prática, esta investigação

evoluiu para uma ação na Justiça. Ações

como esta tem caráter pedagógico”, avalia

Gilberto Alonso Junior, advogado.

Em casos como este, as estatísticas

foram capazes de identificar um desvio

do padrão de comportamento e mostram

onde e quando começam os problemas.

Sabatini lamenta que a massa de

fraude apurada e documentada infelizmente

se limita ao não pagamento da

indenização, seja porque a companhia

seguradora não representa criminalmente

ou porque a autoridade policial não

possui estrutura para dar seguimento

ao inquérito policial. “Alguns, como os

crimes de sangue, acabam incapacitando

qualquer outra atividade e fato é que os

poucos processos que são devidamente

tratados na esfera policial, e se transformam

em ações penais, raramente têm a

devida punição a seus autores, seja porque

prescrevem, seja porque as penas são

convertidas em cestas básicas ou prestação

de serviço, dificilmente se consegue

inibir o fraudador”.

Assim, o próprio resultado do crime

acaba por compensar a tentativa, e

o fraudador se estrutura melhor para o

próximo golpe.

44


45


mercado | previdência privada

Apenas uma fotografia

Instabilidade no mercado financeiro exige cautela para quem tem

investimentos de longo prazo. Em um cenário de juros baixos, seguradoras

adequam produtos com a retirada de taxas para melhorar a rentabilidade

em uma defensiva para manter e atrair novos clientes

Manuela Almeida

46


Após encolher o seu faturamento

em mais de R$ 2 bilhões

no primeiro trimestre deste

ano, o setor de previdência

privada tenta evitar que essa performance

se estenda para períodos mais longos,

tornando-se uma tendência para 2018.

O cenário de juros baixos, a despeito da

manutenção da queda da taxa básica, a

Selic, na última reunião do Comitê de

Política Monetária (Copom) do Banco

Central, em maio último, tem forçado as

“Ainda há espaço para

crescermos, tanto entre

os trabalhadores com

carteira assinada, quanto

na base de profissionais

liberais, e outras pessoas

que necessitam de um

planejamento financeiro

de longo prazo, mas

não atuam com vínculo

empregatício”

Edson Franco,

presidente da FenaPrevi

seguradoras a revisarem suas práticas,

adicionando uma dose a mais de competitividade

neste segmento. Iniciado

no final do ano passado, o movimento

de redução de taxas cobradas ganhou

força com players como Bradesco, Itaú

Unibanco e Porto Seguro que, em uma

ação defensiva para reter e atrair clientes,

zeraram a taxa de carregamento de

alguns planos, que é usada para custear

despesas de corretagem e administração

das seguradoras.

A expectativa de executivos ouvidos

por Apólice é de que a maior concorrência

no segmento de previdência privada

permaneça no cenário atual, ainda que os

juros tenham parado de cair no Brasil. O

presidente da Confederação Nacional das

Seguradoras (CNSeg), Marcio Coriolano,

espera que o movimento de readequação

de produtos continue ocorrendo, evitando,

assim, que a fotografia deste mercado,

que no primeiro trimestre encolheu 8,9%

ante um ano, somando R$ 25,3 bilhões,

não se torne um filme do segmento de

acumulação. Em abril, o setor de previdência

privada aberta já reagiu, diminuindo

a queda acumulada para 1,3% ante

idêntico intervalo de 2017. De acordo com

Coriolano, o segmento de previdência

privada era o único que poderia fazer a

Confederação revisar para baixo as suas

projeções de desempenho para o mercado

de seguros neste exercício. A entidade

espera que, num cenário pessimista, o

segmento apresente expansão de 3,7%.

Já com uma visão otimista, a expansão

pode chegar a 6,7% na comparação com

o ano passado. Na contramão do cenário

atual, o desempenho da previdência

privada, de acordo com as projeções da

CNseg, superaria o do mercado como um

todo, com crescimentos de 4,3% e 7,6%,

respectivamente. Vale lembrar, contudo,

que o próprio setor de previdência já fez

o mercado de seguros rever para baixo as

suas expectativas no ano passado. “Essa

situação da previdência privada não é um

filme. É um retrato. Esse mercado já teve

ciclos de crescimento impressionante no

passado e vai voltar a se expandir”, avalia

Coriolano.

Apesar de ainda acumular queda

na arrecadação, o volume de reservas

do setor de previdência privada aberta

segue em expansão. De janeiro a março,

essa cifra encostou nos R$ 780 bilhões,

volume 15,5% superior às reservas de

❙❙Marcio Coriolano, da CNSeg

47


previdência privada

R$ 675,13 bilhões do mesmo período do

ano anterior, segundo dados da FenaPrevi

(Federação Nacional de Previdência Privada

e Vida). “Além da queda dos juros, o

desempenho da economia, com a retração

de 0,13% do PIB no primeiro trimestre,

também impactou o resultado. Assim

como tem ocorrido em outros segmentos,

a previdência privada aberta não está

blindada contra os efeitos do contexto

econômico”, ressalta o presidente da

FenaPrevi, Edson Franco.

Ele lembra, porém, que o segmento

ainda é jovem no País, em fase de acumulação,

e tem muito potencial para avançar,

especialmente, quando comparado a

mercados maduros. O total das reservas

do sistema no País, conforme ele, corresponde

a 11,9% do Produto Interno Bruto

(PIB) brasileiro, contra 96% no Reino

Unido, 84,6% nos Estados Unidos, 74,7%

no Canadá e 68,3% no Chile.

Além disso, conforme destaca o

economista Francisco Galiza, da Rating

de Seguros, o fenômeno de juros baixos

e o impacto na previdência privada não

se restringe ao Brasil. Além de ser um fenômeno

global, pondera ele, a previdência

privada é um investimento de longo prazo

e, para tanto, exige um olhar com a mesma

extensão de tempo. Estudo da Geneva

Association, denominado “The ‘Low for

Long’ Challenge Socio-economic Implications

and the Life Insurance Industry’s

Response” mostra como as empresas ao

redor do mundo estão reagindo ao desafio

de um cenário de juros baixos. Pesa tanto

❙❙Francisco Galiza, da Rating de Seguros

48

❙ ❙

Jorge Nasser, da Bradesco Vida

e Previdência

do lado das companhias, que vem o retorno

dos seus produtos serem impactados,

bem como para as pessoas físicas, cuja

meta de poupança individual se torna

mais desafiadora, em um momento em

que estão vivendo mais e tendo de arcar

com gastos maiores com a saúde. “Os

juros baixos corroem a saúde financeira

das empresas patrocinadoras de regimes

de pensões de benefícios definidos e comprimem

as margens no setor financeiro, o

que, em última instância, poderia minar

a prestação de serviços econômicos

mais amplos dos quais as sociedades

dependiam no passado”, avalia a Geneva

Association, em seu estudo.

Contra-ataque

Na mira das seguradoras está, principalmente,

o público de alta renda, cuja

cobiça da concorrência é maior e o leque

de produtos também é mais sofisticado. A

Bradesco Vida e Previdência começou a

zerar as taxas de carregamento em uma

ação na Black Friday do ano passado,

repetiu o movimento em dezembro, melhor

mês de captação de recursos para o

setor, e não pretende mudar sua estratégia

nesse momento a despeito de o ciclo de

alívio monetário no Brasil ter chegado

ao fim, de acordo com o presidente da

companhia, Jorge Nasser. “Não está no

nosso radar. Continuamos com isenção

de taxa de carregamento de entrada e

seguimos avaliando oportunidades para

o lançamento de portfólios. Mas, mais

do que vender, nosso foco é orientar os

clientes que não resgatem seus planos

de previdência no cenário atual”, diz o

executivo, em entrevista à Apólice.

Mais recentemente, o Itaú Unibanco

decidiu zerar a taxa de carregamento para

o público de alta renda, cujo segmento o

banco batiza de Personnalité. Na mesma

linha, a Porto Seguro Vida e Previdência

eliminou esse custo dos fundos Diamante

e Diamante Plus dos seus planos de previdência

privada, com foco nos clientes

Premium. Também flexibilizou o pedágio

de entrada. No Diamante Plus, a seguradora

diminuiu o valor do aporte inicial

de R$ 500 mil para R$ 100 mil.

O consultor da CMS Invest, Victor

Bentivegna, que defende o investimento

em previdência privada independentemente

do cenário dos juros básicos do

País, lembra que este movimento vem

a reboque da ofensiva das seguradoras

independentes, que já têm adotado a

mesma postura junto ao cliente. “Com o

cenário de juros baixos, a portabilidade

no setor de previdência privada cresceu

muito, com os clientes procurando opções

mais rentáveis para alocar seus recursos

e sem taxa de carregamento, tanto na

entrada como na saída”, destaca ele.

“Faz uma diferença tremenda em termos

de rentabilidade. Às vezes, o cliente até

aceita pagar uma taxa de administração

maior, uma vez que o retorno gerado vale

a pena”, acrescenta.

Ainda assim, os grandes bancos de

varejo no País concentram cerca de 90%

das reservas de previdência privada. É

❙❙Victor Bentivegna, consultor


❙❙

Marcelo Wagner, da Brasilprev

crescente o número de gestores que tem

criado produtos exclusivos para previdência

privada. Nomes como Vinci Partners,

Verde Asset Management, Canvas

Capital, J.P.Morgan Asset Management,

dentre muitos outros, têm cada vez mais

apostado suas fichas neste setor.

O presidente da Bradesco Vida e

Previdência afirma que há um movimento

de portabilidade “indiscriminada” no

mercado que preocupa, uma vez que não

necessariamente a menor taxa é sinônimo

do melhor retorno. O cenário atual,

segundo ele, exige maior proximidade

junto ao cliente diante do aumento da

volatilidade com a disparada do dólar e

a queda da bolsa. É um bom momento,

na visão de Nasser, para revisitar os

planos, movimento este que deveria ser

feito, pelo menos, uma vez por ano. “O

cenário atual representa, sobretudo, uma

boa oportunidade para ingressar em um

plano de previdência. Quem está tem de

ficar. A pior orientação é tirar os recursos

do plano e realizar o prejuízo”, afirma ele.

Alternativa

A queda da Selic tem forçado, conforme

o presidente da FenaPrevi, uma

reorganização no fluxo de investimentos,

com uma busca maior por diversificação

de ativos. “A indústria de previdência privada

está se movimentando para capturar

este novo fluxo, com as novas regras que

vão ampliar os limites para aplicação em

renda variável (até 100% para investidor

qualificado e 70% para os demais investidores)”,

diz Franco.

Uma das modalidades que tem sido

beneficiadas nesse cenário são os fundos

multimercados, que combinam diversas

estratégias de investimentos, tanto do

lado da renda fixa como da variável.

No acumulado deste ano até maio, o

segmento, que tem servido de refúgio

dos investidores de previdência privada,

respondeu pela maior parte da captação

da indústria de fundos, com fluxo positivo

de R$ 44,9 bilhões ante total de R$ 57,4

bilhões, de acordo com a Associação

Brasileira das Entidades dos Mercados

Financeiro e de Capitais (Anbima). “No

primeiro quadrimestre, o desempenho

dos fundos previdenciários, em especial

os Multimercados, foi muito positivo. Já

esperávamos que houvesse aumento de

volatilidade por conta da trajetória de

juros nos EUA e devido à aproximação

do pleito eleitoral aqui no Brasil. É importante

reforçar o fato de que a visão deve

ser de longo prazo e que a volatilidade

é algo inerente ao mercado financeiro”,

avalia o diretor financeiro da Brasilprev,

Marcelo Wagner. “Essa nova condição

que permite ao participante diversificar

o seu asset allocation dentro do próprio

ambiente de previdência demora um tempo

para ser percebida”, explica.

Nas últimas duas décadas, conforme

ele, o Brasil enfrentou turbulências

em 1994, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001,

2002, 2004, 2008, 2013, 2015, 2017 e

agora em 2018. “Muda a dinâmica e a

magnitude da crise, mas quem teve foco

em longo prazo sempre se deparou com

grandes oportunidades. Na indústria

de previdência, fazemos um desserviço

ao participante sempre que deixamos o

foco ficar muito no curto prazo”, alerta

o especialista.

Apesar do lançamento de planos

com maior atratividade de risco e,

consequentemente, com mais retorno,

o diretor da Mongeral Investimentos,

Claudio Pires, acredita que o fim da

trajetória de queda dos juros tende a impactar

esse movimento de diversificação

e maior concorrência no segmento. “Na

verdade, maio foi um divisor de águas no

mercado de previdência privada, com o

Banco Central interrompendo o ciclo de

queda de juros. Há muitas incertezas no

❙❙

Claudio Pires, da Mongeral Investimentos

cenário que contribuem para o aumento

dos juros no País, a disparada do dólar,

e isso pode comprometer o movimento

de diversificação de investimentos na

previdência”, avalia.

Está muito difícil, nesse contexto,

fazer previsões, conforme Galiza, da

Rating de Seguros. O economista recorda

que, no início do ano, as expectativas

estavam bem melhores, mas que após a

greve dos caminhoneiros, a incerteza aumentou,

o que já tem se refletido nos indicadores

de confiança do setor de seguros.

Pondera ainda a perda vista, nos últimos

dois anos, em diversos ativos financeiros,

inclusive, a própria poupança, que chegou

até a afetar o crescimento do crédito

imobiliário, cujo principal funding são

exatamente as cadernetas. Independentemente

disso, ele ressalta a necessidade de

o setor continuar em busca de melhorar

a sua eficiência e ainda com um trabalho

de conscientização junto à sociedade,

levando em conta o fato de o brasileiro

ter pouca tradição de poupança.

Até mesmo porque, o suporte social

para a aposentadoria, que é crítico para

a formação de poupança individual na

maior parte do mundo, conforme o estudo

da Geneva Association, tem sido pressionado

não somente com o aumento da

longevidade bem como com a mudança

da força de trabalho. “Os indivíduos

não podem confiar programas governamentais

para ajudá-los a manter seu

padrão de vida na aposentadoria”, alerta

a instituição.

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comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Conteúdo e Forma

Qualquer tipo de comunicação: comercial, cultural,

sacra, política, pedagógica, literária, poética ou qualquer

que seja a área a que se refira, tem a compô-la apenas

dois fatores:

Conteúdo e Forma.

Conteúdo é o que se tem que dizer. É a essência da

comunicação, a mensagem, enfim.

Em negócios, é a proposta do produto ou serviço

que se quer vender. Em uma aula, é a matéria que deve

ser transmitida aos alunos. Em política, o argumento

com que se pretende obter o apoio, o voto dos eleitores.

Em palestras, a mensagem que o palestrante pretende

fixar na mente e na alma do público a que se dirige.

Forma é a maneira a ser usada para se transmitir

o conteúdo. É a “embalagem verbal” que vai revesti-lo,

de modo a fazer com que seja bem recebido, bem aceito

pelo público.

Nos segmentos de Propaganda, Publicidade e

Marketing, a escolha da embalagem é objeto de sérios

e aprofundados estudos. O título, as cores, a forma, a

apresentação, o texto de chamada, por exemplo, são

cuidadosamente pesquisados, analisados e discutidos.

Entre outras coisas, leva-se em consideração o público-

-alvo do produto. Se destinado ao segmento da assim

chamada “melhor idade”, um formato muito ousado,

inovador e cores berrantes não são recomendáveis. Já

para a ala jovem, evitam-se formas que sejam conservadoras

(“quadradas”), bem como cores de nuance pastel,

pálidas, esmaecidas...

No dia a dia, muitas são as pessoas que – em razão

de sua inteligência, erudição, estudos, vivência acadêmica,

leitura, pesquisas etc. – possuem vasto e rico acervo

intelectual. Não conseguem, entretanto, transmitir

eficazmente esse valioso somatório de conhecimentos!

É comum acontecer isto: conhecemos os livros de

um grande escritor e passamos a admirar seu talento

e inteligência. De repente, ficamos sabendo que vai

haver uma palestra dele, a que podemos assistir. Entusiasmados,

comparecemos para ter a emoção de ouvi-lo

ao vivo... e nos decepcionamos! O autor de obras tão

extraordinárias se expressa mal, tem má colocação

de voz, gagueja, tartamudeia, usa “muletas verbais”

inaceitáveis, como “tá”, “né”, “ok”, “certo”, “entende”;

perde-se na sequência das palavras, deixando imensos

vazios entre uma frase e outra; é repetitivo, pronuncia

mal as palavras, cortando erres e esses; não tem postura

correta, fala em tom monocórdio, cansativo, enfadonho

e sem ênfase...

Chegamos até a pensar: “será que esta é a mesma

pessoa que escreveu aquelas obras tão notáveis? ”

É isso que ocorre quando um bom “produto” não

dispõe de uma boa “embalagem”, de exposição correta!

O oposto também acontece: há verdadeiras mediocridades

no campo do conhecimento, que levam

imensas plateias ao delírio com sua fala, várias vezes

interrompida por palmas e ovações, sendo, ao encerramento,

aplaudidas de pé! Uma simples observação mostrará

que esse orador flexionou sua voz, ora elevando-a

a quase grito, ora trazendo-a próxima de um sussurro –

para traduzir intimidade, coloquialismo, cumplicidade.

Em determinados momentos, falou rapidamente, como

a acompanhar um movimento rápido, fugaz, a que se

referiu. Em outros, sua fala foi compassada, lenta, dividida

si-la-bi-ca-men-te, para enfatizar cada parte do

vocábulo! Terá tido, também, boa presença de palco,

enriquecida por gestos harmoniosos, correta dinâmica

corporal e expressões fisionômicas diversas!

Isso faz toda a diferença.

Pelo que está dito acima, pode-se perceber que

conteúdo e forma trabalham lados distintos do cérebro.

O conteúdo aciona o hemisfério esquerdo, da razão,

da lógica, para que a expressões tenham coerência e

consistência. Afinal, ninguém – nem mesmo na Ceagesp

– está interessado em ouvir “abobrinhas”... Já a

forma se assenta mais no lado direito, da emoção, da

sensibilidade e da criatividade, que agregam leveza

e agradabilidade à mensagem, enriquecendo-a com

metáforas e boas figuras de linguagem.

É evidente que o uso de ambos os recursos é indispensável

às boas falas. Uma fala sem conteúdo é um

discurso sem mensagem, sem consistência. Por sua vez,

uma comunicação sem a forma adequada arrisca o comunicador

a não atrair e manter a atenção dos ouvintes.

Acima de tudo, o equilíbrio entre esses dois fatores

é fundamental para o bom sucesso de toda e qualquer

comunicação.

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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