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REVISTA CUIDADOS PELA VIDA | 17<br />
CUIDADOS E BEM-ESTAR<br />
Marinalva lembra do dia em que<br />
SÍNDROME<br />
DE DOWN:<br />
ACEITAÇÃO E<br />
IGUALDADE<br />
A inclusão de pessoas com síndrome de Down é uma<br />
busca constante e que representa a luta por uma soci<strong>ed</strong>ade<br />
mais justa. Num país que conta com cerca de<br />
270 mil brasileiros portadores da síndrome de Down,<br />
conforme o IBGE, ainda existe muita discriminação<br />
por pessoas que classificam como deficiência.<br />
soube que teria um filho com síndrome<br />
de Down. Aos 8 meses de<br />
gestação, durante uma consulta<br />
com a obstetra, ela descobriu que<br />
o fêmur era mais curto do que o<br />
normal, o que indicaria a possibilidade<br />
da síndrome. “Comecei a<br />
ler informações sobre o assunto<br />
durante a gravidez, e a confirmação<br />
só veio após o nascimento.<br />
POR RAFAEL MUNHOS<br />
Para entender melhor sobre a vida de uma pessoa<br />
com síndrome de Down, a <strong>revista</strong> Cuidados Pela Vida<br />
conversou com Marinalva Silva Oliveira, a mãe do Gabriel,<br />
de 11 anos. Ela conta sobre aceitação, os avanços<br />
do filho e o que espera do futuro para ele. Você também<br />
vai ler uma ent<strong>revista</strong> com a psicóloga Débora<br />
Mascarenhas, que vai abordar sobre o convívio social,<br />
Minha reação inicial foi de tristeza,<br />
não por causa de um filho<br />
com Down, mas pelo m<strong>ed</strong>o de<br />
ser discriminado numa soci<strong>ed</strong>ade<br />
excludente. Meu marido também<br />
passou pelo mesmo processo de<br />
aceitação”, lembra.<br />
“Minha reação foi<br />
de tristeza, pelo<br />
m<strong>ed</strong>o de ele ser<br />
discriminado”<br />
como os pais devem lidar com seus filhos, a hora de<br />
falar sobre sexualidade, e muito mais.<br />
Embora a socialização seja estimulada pelos pais, atitudes<br />
preconceituosas aparecem no meio do caminho e<br />
Gabriel Silva Oliveira é o xodó da família, parceiro dos<br />
entristecem a família. “Liguei para uma escola regular e<br />
dois irmãos mais velhos e grande amigo dos pais. Se-<br />
tinha vaga. Quando fui pessoalmente para matriculá-lo,<br />
gundo a mãe, Marinalva Silva Oliveira, tudo isso se<br />
o levei até a escola, ao entrar na sala da coordenado-<br />
deve ao amor e ao respeito dentro de casa. “Nos ama-<br />
ra p<strong>ed</strong>agógica, a vaga sumiu. Questionei até que ela<br />
mos muito. Ele está numa fase em que os interesses<br />
confessou que a escola não estava preparada para uma<br />
têm se voltado para Andrew, o irmão mais velho. Acho<br />
criança com Down. Essa situação ocorreu diversas ve-<br />
que Andrew se tornou a referência para ele”, conta.<br />
zes. Nos parques de diversões, tentaram imp<strong>ed</strong>i-lo de<br />
entrar porque ele é ‘especial’. O pior é quando estamos<br />
Gabriel tem uma vida bastante ativa. A semana se divide<br />
na rua e as pessoas se dirigem a mim para perguntar<br />
entre sessões de fonoaudiologia, aulas de equoterapia<br />
sobre ele, achando que ele não tem capacidade de<br />
e de circo, estudos à tarde e no final do dia realiza as<br />
responder”, detalha.<br />
tarefas da escola. Segundo a mãe, o aluno do quin-<br />
IMAGENS: THINKSTOCK E ARQUIVO PESSOAL<br />
to período é estudioso e focado nas disciplinas. Para<br />
acompanhá-lo no aprendizado, uma m<strong>ed</strong>iadora o ajuda<br />
nos afazeres diários, e a escola possibilita conteúdos<br />
didáticos adaptados. “A disciplina que ele mais gosta é<br />
matemática. E algo que ele adora é mexer com fotos e<br />
vídeos, acr<strong>ed</strong>ito que ele possa seguir nessa linha futuramente”,<br />
conta, orgulhosa.<br />
Apesar do comportamento discriminatório, Marinalva<br />
acr<strong>ed</strong>ita que a tolerância é uma das chaves para<br />
o aprendizado e o sucesso de qualquer pessoa com<br />
síndrome de Down. “O desenvolvimento acontece<br />
se tiver condições adequadas. A criança com Down<br />
aprende, pode ser num ritmo mais lento, mas tem a<br />
mesma percepção do que qualquer pessoa. A diferença<br />
só existe na cabeça de quem quer”, classifica a mãe.