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REVISTA CUIDADOS PELA VIDA | <strong>11</strong><br />
COMO O FAMILIAR<br />
AUXILIA O PACIENTE?<br />
Ele adquire conhecimentos<br />
para auxiliar no andamento<br />
doméstico do paciente e deve<br />
estar presente nesta relação.<br />
Para Sônia, este é o segr<strong>ed</strong>o de um bom cuidador: ter o<br />
paciente como amigo. “O grande problema é assumir a<br />
responsabilidade dessa pessoinha, a direcionar as tarefas,<br />
o doente deseja participar das próprias decisões”, e ainda<br />
ressalta: “Muitas pessoas chegam a mim sem paciência<br />
para cuidar do pai, do avô ou do tio porque é ranzinza<br />
ou mal humorado, mas isso faz parte da adaptação. O<br />
cuidador tende a ‘estudar’ o paciente, sendo ou não<br />
parente, e a entender seus m<strong>ed</strong>os, limitações, gostos e<br />
desejos. A partir dessa análise, o processo de cuidado<br />
de viverem em grupos. Também existem os que não<br />
gostam de casas de repouso por causa da quantidade<br />
de regras e o receio de viver em um ambiente longe da<br />
família. O importante é respeitar sem que ele se sinta<br />
inútil. Gosto de dizer que precisa ter uma comunhão<br />
de almas”.<br />
Suas experiências a fizeram escrever os bem-suc<strong>ed</strong>idos<br />
livros “O que está acontecendo com o vovô?”,<br />
“Terapias Expressivas” e “Qualidade de Vida e Doença<br />
se torna mais interessante. Pode ser difícil de acr<strong>ed</strong>itar,<br />
de Alzheimer”, todos voltados a orientações sobre pes-<br />
mas os meus pacientes cozinhavam comigo”.<br />
soas que sofrem com a doença incurável.<br />
e conta com a ajuda de acompanhantes no auxílio di-<br />
Com anos de profissão, Sônia relata que as dúvidas<br />
A escolha do cuidador<br />
ário, mesmo assim, mora sozinha por vontade própria.<br />
mais frequentes estão em volta de como lidar com o<br />
A psicóloga a deixa procurá-la quando quiser, e apesar<br />
paciente. “Quando eu ouço ‘Como eu posso lidar com<br />
Para Sônia, um ponto importante para uma boa relação<br />
de estarem a algumas quadras de distância, Sônia não<br />
esse velho com demência’, digo para o cuidador fazer<br />
cuidador-paciente está na seleção correta do profissio-<br />
descuida das limitações da irmã e busca com frequên-<br />
um exame de consciência. Se o profissional ou o fami-<br />
nal. “Os especialistas que acompanham a minha irmã<br />
Cuidadora, irmã e amiga<br />
cia informações sobre o seu estado de saúde. “Quando<br />
ela veio para São Paulo, passei a conviver com seus<br />
liar não está apto, ele deve recusar e não se tornar um<br />
refém infeliz. As casas para idosos são oportunidades<br />
são de confiança, mas já precisei demitir outros porque<br />
não tiveram condições e vontade para lidar com ela.<br />
problemas. Aí comecei a entender como nós,<br />
O pior é que, para muitos, o importante é apenas o di-<br />
Aos 70 anos, a psicóloga carioca Sônia Castelo Bran-<br />
cuidadores, somos responsáveis por esse do-<br />
nheiro. O preconceito com idosos também acontece e<br />
co Fortuna é referência na sua profissão. D<strong>ed</strong>icada ao<br />
ente. Minha irmã era independente, com a do-<br />
tem que ser verificado antes da contratação. Afinal, as<br />
tratamento de família, a especialista se depara com<br />
ença comecei a observá-la de outra ma-<br />
coordenadas devem estar claras entre paciente, famí-<br />
inúmeros casos de clientes que não sabem como pro-<br />
neira. Às vezes, eu ligo perguntando<br />
lia, cuidador e profissionais de saúde”.<br />
c<strong>ed</strong>er com o parente.<br />
Voluntária da Associação Brasileira de Alzheimer<br />
(ABRAz) e presidente do Fórum dos Portadores de Pa-<br />
se quer que eu apareça, ela diz que<br />
não está com vontade, então eu<br />
ob<strong>ed</strong>eço. Algumas horas depois,<br />
ligo novamente para conversarmos<br />
O CUIDADOR<br />
PROFISSIONAL E O<br />
FAMILIAR PRECISAM:<br />
E que tal um joguinho de memória ou de tabuleiro para<br />
estimular o paciente? Sônia aposta em diversos recursos<br />
para a reabilitação, mas cada caso carece avaliação<br />
tologias do Estado de São Paulo (SOBESP), Sônia pres-<br />
e fica tudo resolvido. Isso é displi-<br />
antecipada. “Antes de qualquer decisão, o cuidador<br />
supõe da ideia de que é preciso conhecer o familiar<br />
cência? Não, é saber que o doente<br />
• Manter as mãos e roupas limpas, para evitar<br />
precisa conhecer as habilidades e interesses do pa-<br />
antes de tomar uma atitude precipitada. “Eu trabalho<br />
necessita de liberdade para en-<br />
sujeiras que podem transmitir doenças;<br />
ciente”, garante.<br />
atendendo pacientes com demência usando a m<strong>ed</strong>icina<br />
de família. Todo o processo é realizado com os familiares<br />
porque eles precisam entender a definição de<br />
tender seus problemas e seguir<br />
adiante”, conta ela, que<br />
aprendeu a compreender os<br />
• Manter as unhas curtas, para não machucar<br />
a pele do paciente;<br />
• Manter cabelos limpos e amarrados;<br />
A recompensa<br />
envelhecimento e velhice. Se os adolescentes têm suas<br />
horários da irmã. “O médico<br />
Embora a tarefa do cuidador chegue à exaustão, a gra-<br />
limitações por causa da idade, os mais velhos também<br />
mandava ela almoçar por<br />
• Evitar perfumes e cremes de fortes odores;<br />
tificação vai além da faixa salarial, pois ele enxerga o<br />
têm as suas”, conta.<br />
volta de meio-dia e meia,<br />
mas ela não estava acostu-<br />
• Evitar o uso de óleos por serem, na maioria,<br />
escorregadios;<br />
quão bem pode estar fazendo para o paciente. Não é<br />
mesmo, Sônia? “Para mim, ser cuidadora é uma das<br />
Ao sair do consultório, Sônia se depara com a situação<br />
mada a comer neste horário,<br />
atribuições mais felizes que eu tive na vida. Não tenho<br />
em família. Sua irmã, com 87 anos, sofre de Alzheimer<br />
deixei pela livre escolha”.<br />
do que me arrepender”.