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18<br />

HISTÓRIA DE<br />

SUPERAÇÃO<br />

Uma nova vida com menos TOC<br />

POR RAFAEL MUNHOS<br />

Ao começar a ent<strong>revista</strong>, Ana Carolina estava temerosa<br />

por revelar seus sentimentos, achando que poderia<br />

expor demais sua vida pessoal. Durante a conversa,<br />

sentiu-se gratificada e fortalecida por identificar que<br />

sua trajetória complicada em razão do TOC (Transtorno<br />

Obsessivo Compulsivo) teve solução e hoje<br />

consegue lidar melhor com a doença.<br />

Vamos à história. Durante a juventude, a p<strong>ed</strong>agoga<br />

carioca desenvolveu diversos tipos de TOC, com gravidade<br />

a mania excessiva por limpeza. Ela não saía de<br />

casa antes de verificar, por pelo<br />

menos dez vezes seguidas, se o<br />

gás da cozinha e a torneira estavam<br />

fechados corretamente.<br />

“Meu m<strong>ed</strong>o era gastar a água do<br />

planeta, inundar a casa e perder<br />

tudo. Como ficava sozinha desde<br />

os 10 anos de idade, era uma<br />

responsabilidade minha”.<br />

Aos 18, uma situação inusitada<br />

agravou a doença. Durante uma<br />

conversa com um vend<strong>ed</strong>or de<br />

canetas, Ana Carolina ficou comovida com a história<br />

de vida dele, principalmente por descobrir que ele<br />

é soropositivo. A reação foi de um abraço amigável.<br />

Para ela, uma situação comum e sem consequências,<br />

mas que transformou-se num conflito pessoal.<br />

“Minha mãe colocou terror, dizendo que as pessoas<br />

nem sempre são boas e que ele poderia passar algo<br />

para mim. Desde então, o TOC fez parte da minha<br />

vida com mais força”, conta.<br />

“Estou mais<br />

confiante,<br />

sem crises de<br />

ansi<strong>ed</strong>ade,<br />

não sou<br />

assintomática.”<br />

A partir deste momento, Ana Carolina passou por<br />

uma série de situações das quais não tinha controle.<br />

O incômodo habitual a fez questionar qualquer possibilidade<br />

de intimidade. “Fiquei um ano sem beijar na<br />

boca. Também perdi um namorado por causa desse<br />

pânico. Com o meu atual, no<br />

início do namoro conversamos<br />

sobre o tempo em que cada um<br />

estava sem ter relação sexual e,<br />

para me prevenir, fizemos exames<br />

de sangue”.<br />

Atitudes como lavar as mãos frequentemente<br />

e não se acomodar<br />

aos assentos de transporte<br />

público se tornaram habituais.<br />

Segundo ela, muitos dos seus<br />

problemas estão relacionados<br />

aos pensamentos intrusivos, ou seja, insegurança dos<br />

atos, ter feito algo de errado e não lembrar. “Eu justamente<br />

não bebo pela fobia de fazer algo que não<br />

me sinta bem”.<br />

O começo da mudança<br />

Ana Carolina permanecia isolada e infeliz consigo e<br />

com pessoas à sua volta. Até que a p<strong>ed</strong>agoga percebeu<br />

a importância do auxílio profissional como possibilidade<br />

de recuperação. “No início, eu me tratava<br />

com psiquiatra particular, que me recomendava o<br />

tratamento m<strong>ed</strong>icamentoso, mas tive uma melhora<br />

significativa neste ano quando conheci o Riostoc, é<br />

como se fosse os alcoólatras anônimos. Lá, eles me<br />

falaram do IPUB (Instituto de Psiquiatria da UFRJ) e,<br />

assim, reiniciei um novo tipo de recurso. Já no primeiro<br />

mês, tive melhoras”.<br />

“Fiquei um ano sem<br />

beijar na boca. Perdi<br />

um namorado por<br />

causa desse pânico.”<br />

Os animais, se tornaram o grande remédio para o alívio<br />

da doença. Ana Carolina não mora sozinha, vive<br />

com 7 gatos e, nos finais de semana, o namorado<br />

chega com o seu cãozinho para visitá-la. Com a casa<br />

cheia, ela diz que não se preocupa com os pelos, e<br />

deixa de aviso que vive num ambiente descontaminado.<br />

“Foram gatos que eu resgatei por alguns com necessidades<br />

especiais. Aliás, o felino é bom para quem<br />

tem TOC, pois alivia a tensão. Se você quer animais,<br />

precisa abstrair os pelos, senão não vive”.<br />

“Sou outra pessoa”<br />

Com várias mudanças nos últimos anos, Ana Carolina<br />

só agradece por ter buscado ajuda no momento em<br />

que achava não ter mais solução. Hoje é uma mulher<br />

vitoriosa por superar a doença aos poucos. “Sou outra<br />

pessoa, mais confiante, sem crises de ansi<strong>ed</strong>ade,<br />

não sou assintomática. Vivo em paz, voltei a ler, a ver<br />

mais filmes, a ter mais ânimo para sair”, conta, feliz.<br />

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