007 - O FATO MANDACARU - JULHO 2018 -NÚMERO 07

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Página 6 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! Jornal Comunitário de Maringá | Ano 1 | Edição 7 | Maringá, julho de 2018

O COLETIVO EM

TEMPOS DE CRISES

J. P. Fiorenza

MARINGÁ - Há exatos 10

anos o mundo enfrentava uma nova

crise. Uma das maiores e mais nocivas

já registradas na história da sociedade

pós-industrial. Desde 2008,

como é de se esperar em momentos

com esta peculiaridade, grandes

mudanças e em diversas localidades

passaram a ser registradas. Da

“falência” da Islândia às “Jornadas

de Junho” no Brasil, o longo período

de depressão coletiva deixou de

forma clara e evidente, sobretudo,

o descrédito das instituições.

Dentre as principais “vítimas”

deste rompimento, ao menos por

parcela da população, a mídia foi

uma das mais afetadas, especialmente

grandes conglomerados hegemônicos.

Somado ao fato do

aperfeiçoamento das redes sociais

e disseminação de celulares com redes

móveis, tem-se um terreno fértil

para a substituição, lenta e gradual,

do ato de chegar em casa e ligar

a TV. Na última década, o contato

quase que constante com a internet

ganhou adeptos em virtude

da rapidez das informações.

Com pessoas sedentas por informação

e crise de credibilidade

dos meios tradicionais, os veículos

de comunicação alternativos floresceram

de maneira contundente e, em

diversos casos, passaram a ter mais

espectadores que produtos midiáticos

reconhecidos nacionalmente. O

momento de superação das mídias

convencionais, que monopolizam e

editam a realidade, chegou e será

aprofundado. Para somar a este cenário

de mudanças, anteriormente imaginado

como utópico, nasceu em

2017 o Coletivo Don't Blink.

Uma mídia maringaense alternativa,

contra a normatividade e desenvolvida

por um coletivo, ferramenta

mais do que necessária justamente

em períodos de crise, o

Don't Blink busca, sobretudo, explorar

formas de democratização.

Capaz de alterar culturas e mudar histórias,

o produto final do jornalismo

não pode e não deve, jamais, estar

concentrado na mão de poucas pessoas,

quase sempre mais interessadas

na manutenção dos próprios benefícios

e privilégios do que no cumprimento

de um direito constitucional:

o acesso à informação.

Além do jornalismo feito a vários

cérebros, o Don't Blink atua por

dontblink.com.br

meio da arte e do ativismo social,

também imprescindíveis em momentos

de crise. Diante deste tripé,

iniciativas que variam desde a construção

de movimentos sociais a

shows, para entretenimento ou de

cunho comunitário, foram desenvolvidas

no primeiro ano de atividade.

Em tempos de crises, golpes

e arbitrariedades, mais do que nunca,

que este modelo artístico, midiático,

social e, especialmente, coletivo,

se fortaleça ainda mais.■

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