O Lavrador das Lavras Vazias

VitorCorleoneBH

Livro de poesias escrito em 2006 na cidade mineira de Lavras, retratando as dificuldades intrínsecas a uma nova realidade do serviço público na polícia. A solidão espiritual e a certeza de que muitas vezes na vida o ouro que se procura vem manchado de sangue e sofrimento. Às vezes uma oportunidade não é mais que uma desilusão.

Universo inóspito

Nos braços

Da blasfêmia desesperadora

A alma calva que chora e se perde

Triste, gemedora

No amaríssimo penar

De sua existência onírica

Perde-se no sol de verão que resseca sonhos

Sendo coberta por raios dourados

Raios que alimentam a voracidade das folhas

E como o lírio voraz

Como o livro de paz

Ou como a andorinha que voa

Existe a alma nesse espaço bélico

De guerra, mas que não há inimigos

A extensão dos desejos

De amargurado humano

Que na utopia guarda lucidez

Pois é trágica sua realidade

Onde o intróito de sua existência

É como o rio gárrulo

Como o pranto forçado

Ou como o golfinho que mergulha

Vive, e vive somente

Como se realiza qualquer outro tipo de ação

A alma geme no universo inóspito

O seu pesar ecoa em gritos de desespero

Nos braços da blasfêmia desesperadora

Ela é chorosa

Calva de risos pela carência de tudo

Gemedora e fraca

22/05/2001

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