O Lavrador das Lavras Vazias

VitorCorleoneBH

Livro de poesias escrito em 2006 na cidade mineira de Lavras, retratando as dificuldades intrínsecas a uma nova realidade do serviço público na polícia. A solidão espiritual e a certeza de que muitas vezes na vida o ouro que se procura vem manchado de sangue e sofrimento. Às vezes uma oportunidade não é mais que uma desilusão.

Sabiá

Vai sabiá, canta alto sabiá

Seu canto da mata ecoa no ar

E ressuscita a brisa calma

Seu canto tem vida

Sua vida é cantar

Seu canto da terra viaja no ar

Quase uma chuva

Estragou a aurora

Nesse dia o sabiá se calou

Colheu seu canto e se refugiou

Longe, lá no seu ninho

E um adeus estragou a canção

Sabiá aprisionado

Na gaiola de madeira

Pendurada na porteira

Vai morrer de solidão

E a mata perdeu seu canto

E a vida perdeu a graça

13/04/2001

Quase um barulho

Trovejou na canção

Nesse dia o sabiá voou

No outro dia o sabiá voltou

Cantando bem mais bonito

Ave preferida

Canta alto sabiá

Seu canto da terra ecoa no ar

Mas quase um uivo o levou embora

Quase o inverno o levou

Pra outras matas

Canta sabiá no campo

Canta sabiá na mata

No alto das árvores

Nos telhados nas casas do campo

Eu vou sempre ouvir seu canto

Quase o medo, e a chuva,

E o trovão, e o inverno

Mesmo assim o sabiá voltou

Canta, sabiá do campo

Canta, sabiá da aurora

Vai sabiá, canta alto sabiá

Como seus antepassados

Seu canto da terra ecoa no ar

19

More magazines by this user