O Lavrador das Lavras Vazias

VitorCorleoneBH

Livro de poesias escrito em 2006 na cidade mineira de Lavras, retratando as dificuldades intrínsecas a uma nova realidade do serviço público na polícia. A solidão espiritual e a certeza de que muitas vezes na vida o ouro que se procura vem manchado de sangue e sofrimento. Às vezes uma oportunidade não é mais que uma desilusão.

Momentos de terror

O terror de alguns momentos

Já rasgou minha face

Com lágrimas afiadas

Vi o sol fugir levando o dia

Deixando apenas a escuridão

Momentos que fizeram

O coração parar de bater

E os olhos perderem

O dom da visão

Perdi

A capacidade da coragem

Momentos cruéis

Que levam embora a luz

Dos astros celestes e deixam

As queixas tarimbadas

De quem sofre

Leva o som do oceano

Leva o vento da montanha

Leva a música do campo

O canto do passarinho

O gingado da capoeira

Leva

O sorriso das meninas

Brincando de ciranda

Faz a flor murchar mais cedo

Nessas Lavras desconhecidas

A invernia desabar

Socando meu rosto com o vento

Gelado, seco...rude

Difícil caminhar

Se os pés já não têm força

Os momentos de terror

Prosseguem quando vou dormir

Nos jornais jogados ao chão

Cheio de fome

E a luz no fim do túnel

Ainda está muito longe

Não sei se terei tempo de alcançar

Minha face costurada

Como chão rachando seco

Petrifica pouco a pouco

Nessas Lavras geladas

De pessoas desconhecidas

A luz de uma vela

Ilumina minha presença

Dando ar de importância

Em vão

Sou só eu

E os meus momentos

Terroristas e sem piedade

Batendo em quem não tem defesa

Porém apanha de pé

Sem cair momento algum

Sucumbindo pouco a pouco

Igual ao tronco do ipê

Quando cortam os seus galhos

20/07/2006

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