O Lavrador das Lavras Vazias

VitorCorleoneBH

Livro de poesias escrito em 2006 na cidade mineira de Lavras, retratando as dificuldades intrínsecas a uma nova realidade do serviço público na polícia. A solidão espiritual e a certeza de que muitas vezes na vida o ouro que se procura vem manchado de sangue e sofrimento. Às vezes uma oportunidade não é mais que uma desilusão.

O prisioneiro

Aconteceu ontem quando eu escrevia

Fiquei preso em meu próprio texto

Não sei como sair desse lugar desconhecido

Está frio aqui e tudo é tão diferente

Aqui embaixo não existe sol

Lavras sem pedras preciosas

Preciso encontrar um jeito de sair daqui

Essas palavras não são o meu mundo

Essa prisão me toca, rasgando pedaços da minha pele

Sou a liberdade que faz com que o rio corra

E a tarde morra dócil

Para nascer a noite sob brilho de lua

E depois o dia nascer e se repetir tudo de novo

No esporte da existência

Preciso sair daqui

Esse texto regrado com sabor de fome

E frio em um cobertor cheio de furos

As minhas mãos estão levantadas ao ar esperando

Não há chaves nessa prisão e não há portas

Perecer

Sonhar

Chorar

Preciso sair daqui, mas há furiosos vulcões...

Rachando o sol e levando as pedras das Lavras

As que esperava encontrar

Preciosas, que nesse instante

São o que menos procuro

Só quero sair da prisão e voltar a ser eu

30/01/2006

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