O Lavrador das Lavras Vazias

VitorCorleoneBH

Livro de poesias escrito em 2006 na cidade mineira de Lavras, retratando as dificuldades intrínsecas a uma nova realidade do serviço público na polícia. A solidão espiritual e a certeza de que muitas vezes na vida o ouro que se procura vem manchado de sangue e sofrimento. Às vezes uma oportunidade não é mais que uma desilusão.

Lágrimas

Canto das águas ouvi.

O toque das águas senti.

As quais pareciam pedir

Que as ensinasse a sorrir.

Eram águas tão turvas!

Eram águas tão frias

Que conduziam meu corpo

Ao sereno das noites vazias.

Vi na imensidão das águas

Na contra-mão da vida vagando,

A mãe natureza do mundo

Na imensidão das águas chorando.

Tomei banho nas águas, tomei...

E as ondas levaram-me ao fundo.

O lixo coloriu o mar

Com o capitalismo do mundo.

Eram águas tristes

Da mãe, do pai, do filho insano

E tornaram tristes também

A vida de todo o oceano.

Canto dos cisnes...ouvi.

Cisnes cantam para morrer

O som mais triste da vida,

A vida não pode perder...

Senão transborda ás águas,

Com a pureza destas lágrimas

Um livro manchado de sangue,

Da vida, sofridas páginas.

18/04/2001

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