Soneto - Convite Para Sonhar

VitorCorleoneBH

coleção de sonetos

SONETO, CONVITE PARA SONHAR

1


“No dia em que nós perdermos

A capacidade de sentir prazer

Pela leitura

Seremos como folhas secas

Que o vento leva embora

Sem raízes

Para segurá-las no abrigo

Da terra”

Vitor Corleone Moreira da Silva

2


Introdução

“O soneto é a forma poética que eu mais aprecio.

Admiro a arte que provoca sensações nas pessoas,

isso me comove e me conquista a ponto de despertar em

mim a vontade de escrever mais.

Ao escrever esta obra procurei harmonizar a arte da

realidade com a arte da fantasia, o conceito moderno e

tradicional do homem. Um jogo de lendas e mitos que se

fazem cenário de histórias poéticas deslumbrantes e

profundas, comuns e fantasiosas. Meus personagens são

fiéis no que acreditam e possuem a personalidade única do

‘eu poético’ que transpõe dois mundos: o da cria e o da

criação .

Quem dera amar se o que vivemos é a rotina que

ninguém compreende e qualquer um cria universos de

problema e dor. A arrogância é social.

Nossa sociedade está cada vez mais carente de cultura

e de conhecimento. Criamos através das notícias e

conceitos sociais da existência no ambiente capitalista,

máquinas humanas que perdem a capacidade do raciocínio

e são cada vez mais manipuladas pelo conjunto.

Não escrevo a intelectualidade e não procuro o

submundo do contexto do correto, e sim a afirmação do

ser como ele é, nas suas expectativas mais comuns e nos

seus defeitos mais comuns, e nas suas queixas cômicas. O

erro e o acerto caminhando juntos a todo instante como se

fosse mais uma pessoa, no meio da multidão.

3


Nosso mundo perece, carecendo de maior cuidado

com a arte. Cada dia que se passa uma floresta é cortada

ou queimada, muita água é desperdiçada em atitudes

banais como lavar a calçada em frente das casas, torneiras

ligadas desnecessariamente. A poluição cobre a cada dia

mais o azul do céu, tornando cinzenta a vida. Nos

extingue a cada dia mais a ação do homem, inevitável e

desenfreada. E quando um artista coloca isso numa

pintura moderníssima, todos admiram, e a naturalidade

dos fatos impressiona. Não procuram olhar o interior da

obra, não é arte, é necessidade.

Minha arte reflete não aqueles que falam e fazem a

arte, mas sim aqueles de quem a arte fala.

Pessoas que precisam de arroz com feijão, e não se

permitem ao prazer de ler um livro e adquirir um pouco

mais de cultura e vivenciar os prazeres de uma boa leitura.

Antes de pensar em gostar de algum evento,

logicamente pelo próprio instinto de sobrevivência o

homem pensa em um cobertor pra se aquecer no inverno,

a casa para o abrigar, o prato de comida que vai encher

seu estômago, um emprego que garanta o sustento.

Não espero que a minha arte conquiste exclamações,

se fosse essa a minha intenção eu me prepararia muito

mais para escrever um livro. Minha arte é como um

bombom, que descascamos e apreciamos o sabor

agradável do seu interior, e mesmo depois que acaba

continua nos proporcionando uma sensação de realização.

Me encho de paz ao saber que uma pessoa, mesmo

que uma só, em algum lugar do mundo, possa pensar mais

e fortalecer mais o seu sentimento pelo mundo e o apreço

4


pela busca de conhecimento. Conhecimento este que só

obtém quem o procura, o qual é necessário para que o

indivíduo social tenha capacidade de participar dos

eventos sociais e políticos que transformam o ambiente ao

seu redor.

Se minhas palavras puderam alcançar o mínimo de

preocupação social com o próximo, e um acréscimo de

apreço pelo ser humano, nem é necessário a leitura deste

livro, meu prazer já se consumou e alcançou o ápice, eu

sou realizado.

Obrigado!”

Belo Horizonte, 10 de Abril de 2003

Vitor Corleone Moreira da Silva

5


Confraternização

Ave branca voa aos olhares japoneses

Sob o mesmo céu do africano que bate tambor

O amor não tem rosto, nem cor ou nação

Porque o sangue do índio também é vermelho

Aos amigos, parentes, clã ou tribo

Hoje é o dia da fraternidade

Desejar amor e presentear beijos, guerra não!

Onde a guerra existe não resiste gente

Respeitar os turcos, judeus, muçulmanos

É a paz de Deus o bem que nós buscamos

Deus não pede a guerra, nos ensina a paz!

Vejamos o mundo, vejamos a natureza

Nos doou de graça, mundo de belezas

Confraternizar! Nos amarmos mais

01/01/2003

6


Religião

Não conheço a religião que prega a injustiça

E não sei daquela que deseja o mal

Que religião defende o mau caráter

Que religião apóia o crime, a morte, a dor

Uma religião sem sabedoria não existe

Sejam muçulmanos, cristãos ou judeus

Talvez esse Deus seja um só

Nós é que o sentimos de formas diferentes

É livre o homem para escolher seu culto

Não devemos criticá-lo pela sua prece

E sim fazer o bem sem distinção de crença

Se todas elas existem pra encontrarmos paz

E conforto na proteção de um ser supremo

São prova da própria existência de Deus

21/01/2003

7


A noite é nossa

Hoje vou sair pra badalar com meus amigos

A noite é nossa

Luzes da cidade, discoteca, o som dos carros

A noite é nossa

Cheiro de perfume, frio, sereno

O esporte da existência, adolescência à flor da pele

A noite é nossa

Porque nossos instintos acordam com os morcegos

A noite é nossa

E o batom das mulheres convida pra amar

E o universo tem gosto de um copo de bebida

A noite é nossa

E a extravagância nos realiza

O dia não nasce antes que o sol nos dê sono

31/12/2002

8


Soneto dos sonhos

Os sonhos são o elixir da inspiração pra vida

Nada nele existe para ferir o homem

Um carrossel de esperança, uma aurora de luz

Assim são os sonhos que nós sonhamos

Os sonhos são feitos de vento e de nuvem

E assim como nós são poeira de estrelas

Mas quando se juntam no mesmo espaço

Formam um universo pra se observar

Pra se observar e viajar por seus confins

Ninguém vive uma vida sem sonhos

Porque a realidade às vezes faz doer

Os sonhos são lágrimas, riso e esperança

Quem não tem esperança não entende o sonho

E quem não sabe sonhar certamente não viveu

20/03/2002

9


DNA

Palavra, intenção, poesia

Conteúdo, inspiração, proposta

Estilo, cultura, argumento

Palavra, fato, conteúdo

Esse é o DNA da poesia

Estilo, cultura, intenção

Sensações que provoca

Realização do autor

Amor, realidade, fantasia

Cidade, campo, paraíso

A poesia não tem limite

Não se faz de um só propósito

Mas visam a arte

Palavra, sabedoria, poesia

14/04/2002

10


Liberdade

Liberdade liberdade

Que provoca e conquista

E se casa comigo

Sem direito ao divórcio

Liberdade liberdade

Que acende uma chama

Lá – a luz do fim do túnel

E me pede pra alcançá-la

Dorme e acorda comigo

Diz como escovar os dentes

A roupa, perfume, penteado

Corrige-me a toda hora

Liberdade liberdade

Que me prende, que me prende

15/04/2002

11


Vontades

O seu perfume vem da flor da madrugada

E seus cabelos são como o riacho do campo

De sua boca saem palavras tão malvadas

Que minhas vontades são passarinhos sem asas

Que vou cansar de esperar por seu abraço

E vou viver sem desfrutar do seu encanto

A esperança é que alimenta o meu cansaço

E aquece os quartos dessa fria casa

Eu quero ter sua presença, o seu carinho

E um beijo todo dia a cada aurora

Para encher meus dias de felicidade

Eu quero tanto realizar essas vontades

Quero ser seu grão de amor e de amizade

Que cresce mais e mais e mais a cada hora

24/04/2002

12


Quando acaba o amor

Os meus olhos procuram no vento os sonhos perdidos

E a foto retocada de lágrimas conta histórias de amor

O passado que era repleto de abraços e sorrisos

Ficou na lembrança assim como todos os momentos

Os beijos que minha pobre boca nunca mais sentirá o gosto

As carícias que um dia serão dadas a outro homem

Os sorrisos e sussurros que meus olhos e ouvidos não verão

Ficarão pra sempre na lembrança provando que amei

Amei, sim, com as forças que o meu corpo possuía

Onde o coração batia no ritmo da minha sentimentalidade

Que aflorava na pele, nos olhos e em todo corpo

Sonhei, e fui feliz nos momentos de amor que foram compartilhados

É digno do meu coração sofrer ao fim com honra

Porque o que não é eterno certamente morre um dia

03/08/2009

13


Dê uma chance à paz

Dê uma chance à paz

Vamos parar de brigar

Nós todos nascemos pra amar

Dê uma chance à paz

Dê uma chance à paz

Perdoe seus adversários

Nós não somos mercenários

Dê uma chance à paz

Se alguém um dia errou

Perdoe, já passou

Os enganos são mortais

Essas guerras são cenário

Da extinção de humanitários

Dê uma chance à paz

28/04/2002

14


Figura

Perfeita

Nos traços

Na cor

Na expressão

A tonalidade

Escolhas

A luz

Sombra

Figura

Perante os olhos

Perfeita

Ao espírito

Deslumbrante

Figura

25/04/2002

15


Garçom, quero mais bebida

Garçom, quero mais bebida

Na dose exata pra afogar

Os enganos da minha vida

Que me matam de chorar

Chorar por todos ideais

E pelas almas que amamos

Chorar por não possuir a paz, e

Não realizar o que sonhamos

Se eu cair por causa do porre

Levante-me ao final do expediente

Com minhas mágoas, baba e feridas

Hoje é o dia em que a certeza morre

Que resta na vida pra gente

Garçom, quero mais bebida

04/09/2002

16


Soneto do amante

Eu já namorei garotas muito desvairadas

Umas eram meigas, delicadas como as flores

Às vezes me lembro das primeiras namoradas

Dos antigos casos, novos casos, mil amores

Eu já namorei mulheres muito apaixonadas

E que tinham lábios mais perfeitos do que flor

Eu já namorei mulheres super assanhadas

Que não se contentavam, aumentavam seu calor

Eu já namorei garotas muito recatadas

Eu já namorei muitas mulheres desquitadas

E as que procuravam um cobertor pra se aquecer

Bate uma saudade das mulheres que amei

Mas são folhas mortas, carnavais que eu já passei

Amante é um ser sozinho, sem amor e sem prazer

26/04/2002

17


Soneto de fim de namoro

Se você brigar comigo

Não vou mais gostar de você

Vou me viciar em sofrer

Recordando os bons momentos

E se disser que vai embora

Não vou te pedir pra ficar

Mas confesso: vou chorar

Com você nos pensamentos

Vou sentir tanta saudade

Pelas ruas, na cidade

Mas vá embora se quiser

Eu não ficarei sozinho

Buscarei outro carinho

Nos braços de outra mulher

26/04/2002

18


Caixa de bombons

Abri a caixa de bombons e então

Desfrutei de cada doce

Como se aquela caixa fosse

A última que eu abriria

Brancos, ao leite, recheados

Com castanha, coco e licor

Presenteados pelo meu amor

À pessoa que ela ama

Guardei o bombom mais gostoso

Para abrir na sua presença

E derramar o licor nos seus lábios

Beijá-la e fazer um carinho

Ao passo que os desejos dela

Se escorram em minha boca

14/02/2002

19


Vem ficar perto de mim

Vem ficar perto de mim

Vem passar essa noite comigo

Em minha cama está sobrando espaço

E minha alma quer se encher com suas carícias

Estou querendo me livrar da calmaria

Que ataca as horas nessa madrugada fria

Vem disputar comigo o cobertor

E me fazer dormir com seu afeto

Vem, vem ficar perto de mim

Vamos fazer uma coisa gostosa

O meu quarto está tão frio (e calado)

Só você que me ilumina minha estrela

Vem colar num abraço o seu corpo e o meu

Vamos fazer uma coisa proibida (e alucinante)

23/04/2002

20


Soneto do nosso amor

Nosso amor é lindo

Como a primavera cheia

Como a aurora que clareia

Como o vôo dos pardais

Nossos beijos intensos

Como a chuva desabando

Como a uva se acabando

Nos barris e nos vinhais

Você me ensinou

Uma fórmula de amor

Sem rotina e imprevisível

Espero que seja imortal

Talvez exista um igual

Melhor é impossível

04/08/2002

21


Repete comigo esse verso

A paz tem que ser preservada

Repete comigo esse verso

A paz tem que ser preservada

Se você acredita

A paz é um direito de todos

A paz é a lei da igualdade

Se você acredita

Repete comigo esse verso

Repete comigo esses versos

Para tentarmos convencer

Às pessoas

A paz tem que ser preservada

Se você deseja isso

Repete comigo esse verso

02/05/2002

22


Desprezo

Meus olhos dizem que andei chorando

E minha voz – que eu andei sofrendo

O coração – que eu andei vivendo

Pra ficar magoado e ser feliz jamais

As minhas mágoas quando estão chegando

São anunciadas pelo olhar que chora

A solidão me diz que vou embora

E levar na mala frutos do desprezo

Foi por Ter sonhado que fiquei assim

Os meus olhos dizem que eu andei perdendo

Algo que nunca tive na verdade

Os meus olhos choram porque em vão vivi

A sonhar chorando e ser feliz sofrendo

Cultivei na vida frutos do desprezo

07/06/2002

23


Popularidade suja

Vandalismo tomou conta

Que restou da beleza dos muros

Quebraram a estátua da praça

Rabiscaram as marquises

Eles vieram e sujaram

Deixaram guimbas de cigarro

Escreveram seus recados

E foram embora gritando

Não sobrou beleza alguma

Nos muros brancos das casas

Nem nos amarelos

Não compreendemos direito

Em quê a popularidade

Confunde-se com a sujeira

02/06/2002

24


Bem-te-vi

O bem-te-vi cantou no galho

A canção dos bem-te-vis

Tentando deixar feliz

Alguém que andava entristecido

O bem-te-vi apontou os erros

Cometidos no passado

Replicando que na vida

A felicidade existe

Cantou alto o bem-te-vi

Contou erros dessa vida

Tão carente de sorrir

Um que antes foi feliz

Sua vida em vão viveu

A espantar os bem-te-vis

27/04/2002

25


Soneto de todos nós

Nossos filhos na escola

Nosso emprego, a vida

Liberdade é mantida

E a paz preservada

Nossa casa, a família

Nossa felicidade

Sob Deus conduzida

E por nós conquistada

E a quem amamos

E quem respeitamos

Damos mais valor

Das sementes que plantamos

Colhendo os frutos

Todos frutos do amor

17/02/2002

26


Corcel branco

Se um dia quiser voltar a viver a emoção

Sentir que ainda há juventude em suas veias

Estarei esperando

Em meu Corcel branco

De porta aberta e uma flor na mão

Duas taças, um champanhe e o “Dancing Days”

A noite esperando os astros do prazer

E a vida ressuscitando as sensações da carne

Estou só, contando estrelas no céu escuro

Correndo pelas ruas

Em meu Corcel branco

Quem sabe um dia ele se canse de me acompanhar

E eu caminhe sem ele na madrugada

Nessa rua de subúrbio abandonada

23/04/2002

27


Relato da vida

Nossas vidas são complicadas

Rascunhos incorrigíveis

Os desenganos ao longo dela

Recordamos, mesmo que machuque

Às vezes que nos condenamos

Maldade que nós perdoamos

Que podemos fazer se a vida

É a resposta e o questionário

A vida é o lápis sem a folha

O dedo sem a digital

E a invenção sem nome

A vida é um mar cheio de ondas

Um relógio sem ponteiros

O inexplicável que é entendido

04/05/2002

28


Solidão

Chuva cai

De novo

Saudade

Solidão

Chuva fria

Congela

Meu sonho

Meu corpo

Abro um vinho

Tomo um gole

Adormeço

Sem carinho

Abraço

Não mereço

24/09/2002

29


Soneto pra lua

Ela brilha pros meus olhos

Ela chora de emoção

Ao ouvir nas minhas frases

Palavras do coração

De um mineiro ‘zé-ninguém’

Que ela chama de ‘meu rei’

Ela brilha pros meus olhos

E a razão nem mesmo sei

Influindo nas marés

Quem passando encobrem os pés

Tira o orvalho do capim

Toda noite a vejo – bela

Eu versejo só pra ela

E ela brilha só pra mim

18/09/2002

30


Chuva e lágrima

A névoa se reclina sobre minha cidade

Os ventos sacodem os laranjais

Chove forte como jamais vi

Quando o sonho morre não renasce mais

E o meu, despetalada flor

Tem em cada espinho algo que busquei

O vento levou o amor que eu vivi

Numa lágrima triste que eu derramei

O furor da chuva sopra a essência da alma

Horas vão morrendo e a dor não passa

E o meu pensamento sob a chuva chora

Guardados insanos desejos de ventura

Nasce uma esperança que a alegria aflore

Molhada de chuva, molhada de lágrima

23/04/2002

31


Dia do escritor

Escreve escritor sua trama

Para aquela pessoa que aclama

A arte presente em seu Dom

O ideal da cultura

Escreve escritor seu romance

Sua fábula, seu verso amigo

Escreve, descreve o perigo

Escreve, descreve a gente

Com inspiração e dom e arte

Com a força da cultura literária

Vida em palavras, ações, fábulas

Que dizer sobre o seu dia

Merecido, contemplado

Escreve escritor escreve

25/07/2002

32


Escritor

Ele observava

Com olhos da alma

Lapidava

Escrevia

Raciocinava

Moldava

Ensinava e aprendia

Com a vida

Numa frase, num verso

Numa opinião

O livro

O país, universo

Mechas de cultura

Páginas

25/07/2002

33


Homenagem ao escritor

Ele ficou horas

Corrigindo erros

Melhorando temas

Grafia coloquial

Voz quase rouca

De ler em voz alta

Procurando falhas

‘Aculturando’

Palavras

O necessário e o desnecessário

Ocultos nos rabiscos, rabiscados

Criada a arte da expressão

O público vê o trabalho

Da criação cultural

25/07/2002

34


Dia da saudade

Saudade do meu amor

Que a vida distanciou

Tão longe, tão longe

Quero ver o meu amor

Saudade dos meus pais

Que moram em outro país

Tão longe, tão longe

Quero ver os meus pais

Saudade da escola

Dos pagodes de cavaco

Da casa, da rua, do bairro

Dos meus amigos

Que saudade eu sinto de mim

No dia da saudade

30/01/2002

35


Paternidade

É linda

Como aurora

Como a flora

Do meu país

Pele macia

Olhos pequenos

Lábios serenos

Sorriso feliz

Nasceu pra alegrar

Nosso lar

Encher de paz

Que dia lindo

Sorrisos

Sou pai

24/09/2002

36


Receita de felicidade

Um samba de roda na favela

Cerveja, salgado, moça bela

Domingo de bola sem novela

Domingo de ‘gólo’ e de paquera

Num prato bem fundo põe a canja

Sorvete com gosto de laranja

Olhar de malandro é que te manja

Não bate, não cospe nem esbanja

Amigos (amigos) aos montes

Em busca de novos horizontes

Pra toda a tristeza se acabar

Receita de quem é feliz por inteiro

Feliz (feliz) não é quem tem o dinheiro

Feliz (feliz) é o que sabe amar

11/09/2002

37


Soneto louco

Cinco e cinco é 55

Pé-de-atleta medalha de ouro

Doente de amor na U.T.I.

Dente-de-leite nasce em vaca

Mão-de-vaca tem pé de vaca

Coleira em língua solta

Não quero ser mordido

Três vezes três 333

O novelo na novela

O cigarro e a cigarra

Não ria do rio

Se é loucura quem se importa

Abre a porta e exporta

Raciocínio irracional

09/09/2002

38


Decepção amorosa

Meu desejo ficou

Esperança acabou

Alegria sumiu

Uma luz se apagou

O sorriso morreu

A paixão esfriou

Tempestade caiu

Ilusão faleceu

Triste fim de quem ama

Madrugada sozinho

Só, com o travesseiro

Vai mais cedo pra cama

Mendigando carinho

Quer amor verdadeiro

15/09/2002

39


O coração e a moça

Coração reclinou

Aos olhares da moça

Mergulhou como louça

Pra quebrar no chão frio

Coração desmaiou

Como o fim da seresta

Como o orvalho na floresta

Sob a luz do sol do estio

Desde então, por ela

Derramou os gemidos

Nas cordas de um violão

Porque ela foi embora

Só restando agora

Ouvir chorar coração

20/04/2002

40


Tente outra vez

Não devemos perder a fé

Às vezes nada sái direito

Esse é um péssimo defeito

Desistir de sonhar

Tentar de novo

Sem talvez ou retranquismo

Jogar fora o pessimismo

Pra tristeza acabar

Ouvir a canção do amor

Que o sonho cultivou

Nos olhos pequenos

E se algo deu errado

Deixar a tristeza de lado

Pois errando é que vencemos

23/04/2002

41


Mulher

Mulher, dádiva de Deus

Que nos ama, acompanha

E às vezes nos maltrata

Sem você nada somos

Nada, pois você que adoça

Nossas vidas, nossos dias

Com sua presença

E com tudo que nos faz

Mulher, rainha do amor

Que às vezes pode ser cruel

E nem mesmo assim perde o encanto

Mulher, batalhadora

Vaidosa, dos pés à cabeça

Perfeita, da cabeça aos pés

08/03/2002

42


Por trás das cortinas

Por trás das cortinas

Um homem cheio de problemas

O aluguel do seu trailer

A saudade dos pais

Por trás das cortinas

Um homem deixa cair uma lágrima

E se lamenta por sua fraqueza

Como se chorar fosse defeito

Por trás das cortinas

Um homem olha triste pro espelho

Enquanto passa maquiagem

Abrem-se as cortinas

E surge de trás delas um palhaço

Pra alegrar seu público

01/03/2002

43


Dia do silêncio

Hoje que não quero falar sobre nada

Em homenagem ao dia do silêncio

O silêncio é a certeza

De que não magoaremos ninguém

As palavras nos envenenam

Com elas podemos humilhar

Quem fala menos comete menos erros

Quem ouve mais aprende mais

Alguém sabia

Quem este dia sete de maio

É também o dia do oftalmologista

Hoje eu declaro feriado

Para minhas cordas vocais

Não falarei nada

07/05/2002

44


Namorados

Você é assim tão diferente, seu jeito

Quando olha pra mim com raiva procurando briga

Quando me procura com saudade

Adoro, adoro tudo

Mas há uma linguagem que sempre funciona

E que anula os nossos preconceitos

Em relação aos estilos, a roupa, as idéias

São os nossos beijos

Adoro quando vem me ver denguinho

E seria melhor se os seus carinhos

Não tivessem que ir embora com medo dos pais

Quando estou com você me sinto tão calmo

É como se o mundo parasse para observar

Enquanto namoramos num banco de praça

12/06/2002

45


Soneto do namoro

O namoro é a maior forma de humildade

Temos que viver as mágoas do parceiro

Dois segundos se passam, já bate a saudade

Ficamos ciumentos, tentamos disfarçar

Quando namoramos temos que saber ouvir

E quando dizer, não usar palavras amargas

O namoro é como o sol e como a lua

Não tem força quando uma nuvem os encobre

Mas quando estamos a sós

O tempo pára, os problemas desaparecem

Só conseguimos pensar no amor

As estrelas se derramam sobre nossos corpos

O namoro é como a lava que escorre de um vulcão

Quente, devastador e incontrolável

12/06/2002

46


Amor de mãe

À mãe querida tantas vezes protetora

Que deu carinho, deu afeto e deu amor

Ao filho ingrato que nunca lhe deu valor

Ao filho ingrato que ela ema e que perdoa

Seguiu destino sem dizer adeus nem nada

Único filho, pelo mundo sem porteira

Correndo os riscos das paixões tão passageiras

Provando os beijos dessa vida enganadora

À mãe que tantas vezes perde o sono

À mãe que foi deixada no abandono

Que dá a vida por seu filho aventureiro

Amor de mãe não é de brincadeira

É amor (amor) que dura a vida inteira

Porque amor de mãe, é verdadeiro

26/04/2002

47


Falecido amor

E não há mais diálogo

Não há toque nem querer

O orgulho foi capaz

De ver o amor morrer

Aflito pedindo piedade

Com a face desfigurada

Carregando a saudade

E angústia estampada – nos olhos

Lembranças, perdidas migalhas

Desejos, correção das falhas

Que não podem ocorrer

O amor não é eterno

Amor que morre no inverno

Não retorna a renascer

10/03/2002

48


Superação

Às vezes competimos

Procurando vencer

Perder não é defeito

Desistir é ridículo

Perder com honra

Não tira o mal-estar

Mas revela qualidades

De um competidor

Às vezes perdemos

Por um erro de outro

Que carregamos juntos

Conhecimento que aflora

Reflete nas falhas

Então vencemos

28/06/2002

49


Vento

O vento é como o prazer da poesia

Ambos são agradáveis ao espírito

Só que o vento diferentemente

É o mesmo vento, não muda...

O vento vem e carrega

As folhas secas, furtivamente...

O prazer interno que a poesia alcança

O vento não pode

Não pode porque não possui intenção

O vento vem e refresca

Sem saber o bem que provoca

E mesmo sem saber

Se parece com a poesia no sentido

De nos deixar tão leves como a folha seca

19/12/2002

50


Beijos

Existe o beijo apaixonado

O beijo frio e insípido

Existe o beijo carinhoso

Da mãe, da irmã, da tia

O beijo ardente, devastador...

O beijo quente (que não pára no beijo)

Existe aquele beijo tão sonhado

Que vira sonho na cabeça de um garoto tímido

O beijo da reconciliação, do adeus

Beijo de cinema, beijo falso, beijo de morte

O beijo experiente e o primeiro beijo (inesquecível)

Tantos nomes, tantas formas, tantos beijos

Fórmulas indecifráveis, inatingíveis...

O melhor beijo é o beijo sincero

19/12/2002

51


Bem também se alegrar

Balões coloridos, crianças

Bebida, comida, conversa

E você aí triste

Vem também se alegrar

Música, poesia, teatro

O mundo lá fora, a vida

E você cansado

Vem também se alegrar

Com os eventos que nos fazem bem

Com a guerra pelos ideais

Com a paixão e a conquista

Tanta coisa existe

E você triste – deixa disso

Vem também se alegrar

21/03/2002

52


Os soldados

Toca o sino do quartel

Soldado corre

Aos poucos toda a tropa se aglomera

De fila em fila para o treinamento

Marchem! Vamos à guerra

Fila por fila, armados

Preparados para o combate

Arranca o caminhão

Dois grupos, campo de batalha

Guerra simulada, munição de tinta

Treinamento que esgota

Ao fim o general diz que treinam

Para estarem preparados para o dia

Que as munições forem reais, e o sangue

25/08/2002

53


A importância da arte

Que seria da história sem a arte de se fazer um navio

E sem a arte de contar como ele foi construído?

Que seria da história sem a arte de encarar os fatos?

De entender os fatos e superar os fatos?

Que seria do homem sem a arte de se comunicar

E produzir a arte que agrada sua alma?

Que seria do homem sem a arte de evoluir

No que veste, no que come e no que aprecia?

Que seria, sem a arte que transforma o bárbaro em culto?

Que seria dos campos sem a arte de pacificar?

A vida é verdadeira arte! A arte é vida!

Que seria um país sem a arte da sua bandeira?

Que seria sem a necessidade de se demonstrar

A importância da arte em nossas vidas?

12/08/2002

54


Sem título

O sol nos oferece a luz

Para aquecer e iluminar o dia

Os pássaros o seu canto

Para apreciarmos

A água o frescor

O vinho a embriagues que amacia

A religião a proximidade com deus

O passar do tempo a evolução

A justiça – tenta – oferecer segurança

O amor – tenta – felicidade

A ciência o conhecimento

E o artista? O que oferece

Oferece a cultura

Que se relaciona a tudo isso

14/12/2002

55


Soneto do soneto

O soneto é diamante lapidado

Como estrela que brilha à noite e dorme ao dia

Uma gota de magia em quatorze versos

Um vazio e um preenchimento no universo

O soneto é como a rosa

Que se entrega à mulher amada

Para ela despetalar

Em cada estrofe e em cada verso

E o poeta

Artisticamente borda em um soneto

A vida, o amor, a razão

Fugindo e provocando momentos felizes ou perversos

Com destino aos olhos e ao coração

Composto de quatorze versos

25/09/2002

56


Minha cidade

Árvores, avenidas, belezas

O povo, o céu, a natureza

Na cidade que me viu nascer

Praças, pichações, bar

É o melhor pedaço do mundo

Se eu for embora não me acostumo

Quando lembrar dessas ruas sujas

Com certeza sentirei falta

Sujas, mas não trocaria

Por Veneza, Roma, Assunción

Nem por New York ou Paris

Porque esta é a cidade que eu gosto

É o melhor pedaço do mundo

E aqui eu sou mais feliz

02/02/2002

57


Amigos

Nós sempre seremos amigos

De farra, de matar saudade

Quando a vida nos separa

Só aumenta a amizade

Porque na distância

Desejamos coisas boas

Aos nossos amigos (bons amigos)

Que seguem a vida em busca do ouro

Amigos em qualquer idade

Amigos (amigos) de verdade

De olhar pra trás e respirar bem fundo

Nós sempre seremos amigos

Lutando contra os perigos

Espalhados pelo mundo

26/04/2002

58


Onírico

Adormeci

Sonhei com ela

Minha Cinderela

Deslumbrante, bela

Um sonho bom

De um amor real

Puro e imortal

Doce e sem igual

Um beijo macio

Na beira do rio

Nós dois nos amando

De repente acordo

E percebo que eu

Só estava sonhando

15/03/2002

59


Alma penada

Que saudade daquelas festas na vila

Da seresta, quermesse, quadrilha de outros tempos

Que saudade daquele tempo em que existia vida

E os dedos podiam tocar violão

Que saudade do mangue, do meu rancho

Do pito, do grito das crianças correndo

Do mito, do apito quando o trem passava

Soltando fumaça pelo ar do campo

A vida é como o ribeirão que passa

A vida passa rápida como o pássaro que voa

A vida é como um bom tablete de chocolate

Esse é o erro do qual me arrependo

Só depois que a vida acaba eu compreendo

De fato o quanto é importante viver

30/06/2002

60


Recomeço

Estou só

Verdade

Tão só

De amor

Carente

Vivendo

Volta

Vem me ver

Amar

Beijar

Abraçar

Recomeçar

Nosso amor

Outra vez

24/09/2002

61


A esperteza é do povo

Me engana que eu gosto

Da sua cara de otário

Pensando que pode

Me passar pra trás (malandragem)

Na escola que você aprendeu

Eu fui professor

Para um aluno distraído

Que deu aula pra você (malandragem)

É, o seu diploma de biltre

Não quer dizer que você

É o inventor da esperteza – malandragem

E de fato além disso

A esperteza é do povo

Como o sol é do céu

30/12/2002

62


A orgia dos fungos

Eles surgiram

Eram só dois

Pequenos, indefesos

Mas cresceram

Uma orgia

Uma festa imensa

Se espalham como grama

Ou céu ficando nublado

Virei os olhos

Pisquei

Olhei de novo

Eram só dois

Mas quando fui ver

Eram dois milhões

23/12/2002

63


Sertão rachado

As minhas mãos tão calejadas de plantar

E os pensamentos com vontade de colher

Vida difícil! Qual a razão de viver?

O horizonte dá vontade de chorar

Se vou embora dá vontade de voltar

Sertão rachado que tanto me faz sofrer

Sonhei à noite um sonho de eterno prazer

Eu via a água jorrando da terra ao ar

Eu via a relva verdinha...azulão cantando

Eu via a chuva caindo e os frutos brotando

No riacho seco, um barco de pescador

Esse é o sonho sertanejo que ando sonhando

O corpo sofre e a alma morre esperando

Os dias de rei, pro rei das rosas beija-flor

23/04/2002

64


Carência

Nossa canção tocando

Nossas vidas se passando

A saudade atormentando

E você, por que não vem

Me fazer companhia

Proporcionar alegria

Juntos sob a melodia

Despertar o nosso bem

Supra-sumo do amor alcançar

Sob os beijos o mel se espalhar

Até o dia amanhecer

Melhor do que ficar sozinho

Na esperança de um carinho

Esperando por você

04/09/2002

65


Mar de rosas

Seria bom se tudo

Fosse um mar de rosas

Sem guerra ou covardia

Com paz, com alegria

Quem dera alguém tirasse

Os espinhos do mar

Que são a inveja, a cobiça

A traição, injustiça

Que vida! Que paraíso!

O amor, o prazer e o delírio

Seriam ondas nesse mar

E eu um viajante

Num barco rumo ao horizonte

Num mar de rosas

13/06/2002

66


Fogo

O fogo vem e arrasa

A mata, o pano, o graveto

A floresta se desgasta

Com os estragos que ele faz

Impulsiona um veículo

Acende uma lareira

Acende o cigarro

Só é vencido pela água

O fogo não tem culpa pela destruição

Só reflete o que há no coração

De quem o cria pra queimar

O mesmo fogo serve pra aquecer

No frio do inverno, proteger

Criar avanços, iluminar

13/06/2002

67


Sem título

Quem dera se um dia

A humanidade amasse

Tanto um pobre quando nasce

Quanto um rico que falece

Quem dera a fantasia

Da criança fosse eterna

Tanto à beira da cisterna

Quando ao berço em que adormece

Os homens pensassem não só

Naqueles dos quais precisam

Mas também nos inimigos

O mundo seria melhor

As tristezas sumiriam

E acabavam-se os gemidos

13/06/2002

68


Sem título

Escrevo porque sinto a paz

No significado das minhas palavras

Bonitas ou feias, singelas

Verdadeiras ou falsas...imortais

É bom viver e realizar

Dedicarmos

Escrever é viver em um lápis

O que a realidade proíbe

Uma só palavra

Pode conduzir um povo inteiro

Se for a intenção do que escreve

Eu escrevo por isso

Faço um reino com palavras

E posso no meu reino reinar

05/04/2003

69


Reatar

Cadê você

Pra onde foi

Levando

Sorrisos

Reata

A relação

Volta

Recomeçar

Porque eu gosto

Eu quero

Vem

Tudo em mim

Ainda espera

Você

07/09/2002

70


Homenagem a Guimarães Rosa

Grande pai da arte

Escritor de eternos ideais

Filho ilustre de Cordisburgo

Cidade de Minas Gerais

Sua obra – nos romances

Um regionalismo novo

O retrato da cultura

O retrato desse povo

Grande Guimarães Rosa

Hoje é o dia em que nasceu

Vinte e sete, mês de Junho

Suas idéias são idéias

De uma gente que luta

Com o sangue, a alma e o punho

27/06/2002

71


O ‘escrevedor’ de cartas

Sentado num banquinho

O escrevedor de cartas escreve

Cartas para as pessoas

Na rodoviária

Pessoas que não sabem ler

E do resto sabem tudo

Trabalhar, sonhar, sofrer

Só não sabem ler

Das cartas que ele escreve

Muitas se perdem pelo caminho

Antes de chegarem ao serviço postal

Mas o escrevedor de cartas

Não deixa de ser a voz

Dos mudos no mundo das letras

20/02/2002

72


É sempre assim

É sempre assim

Tem dias que estamos com raiva

E dias quem acalmamos a raiva

De quem está com raiva

É sempre assim

À deriva num lago de vida

E o vento nos leva pra lá

E o vento nos trás pra cá

Tem dias que estamos por baixo

Tem dias que estamos por cima

E dias que estamos no meio

É sempre assim

Não importa como estamos

Estamos, isso é o que importa

27/09/2002

73


Nunca é tarde para aprender

Existem pessoas que dizem

Que não sabem nada

Que não foram nada

Na vida

Mas nunca é tarde

Para dar-se o início

No estudo valioso

Que reclamam a falta

Nunca é tarde porque na vida

Estamos sempre aprendendo

Com experiências novas

Aquilo que menos sabemos

É o que mais aprendemos

Se quisermos

28/09/2002

74


Valor da vida

Se o homem não se valorizar

É sua vida que perde o valor

Não para os que o amam

Mas para ele mesmo

Com o passar do tempo

Até os que o amam

Sentem a desvalorização

Vendo-o se castigar

Amigos consolam e animam

Mas o sopro de vida é individual

Vem de dentro pra fora

E para se valorizar

O homem não pode ser economista

Porque a vida não tem preço

13/05/2002

75


Estrela cadente

Dizem que a estrela cadente

Realiza desejos humanos

Quando ela mergulha

E morre

Como pode a estrela

Fazer isso

Se a sua própria vida acaba

E sua força se esgota

O desejo dela

É ficar no espaço

Brilhando, brilhando

Se a estrela mergulha

Como é que pode

Realizar desejos

12/11/2002

76


Soneto de Natal

O Natal não existe por causa do presente

Nem pela visita do Papai Noel

Mas para que as pessoas provem mais do mel

Do que o gosto amargo do que é feroz

Natal é pra refletirmos no que temos feito

Banir do corpo nossos preconceitos

Percebermos que somos menos que o céu

Porque o céu existe acima de nós

Sem preocupação com a ceia, o presente e o vinho

Satisfaz a alma presentear carinho

Melhor que a matéria, o espiritual

Então é Natal! Que tens? Não liga?

Natal não é ouro, é o prazer pela vida

Amor e paz...’hô hô’ é Natal

20/12/2002

77


Novo ano

Novo ano, esperança

Novo ano, alegria

Muita paz! Que a vida

Dê motivos pra rir

Ano bom! Que bom

Novo ano de amor

O ano que morre

Renasce outra vez

Um abraço amigo

Em seu próximo

Abra o champanhe

O ano renasce

Assim como o sonhos

De todos nós

26/12/2002

78


A estrela fria

Vejo no céu brilhando

Uma estrela solitária e fria

Uma estrela que de tão vazia

Quase se esconde no céu escuro

Toda noite fica procurando

Um tesouro mágico sobre a cidade

Que tem nome de felicidade

Que não posso dar-lhe pois também procuro

A estrela

Não tem voz, não ouve, não me compreende

Mas queria outras estrelas

E fica assim

Fico observando e ela não sabe

Que buscamos uma coisa só

02/06/2002

79


Viver cada momento

A vida já é um motivo pra que a morte

Fique nos esperando...pacientemente

Devemos viver cada momento

Extraindo deles o supra-sumo da realização

Estamos vivos e isso significa inevitavelmente a morte

É necessário aproveitar cada segundo de vida

Viver intensamente

Pra que as páginas estejam cheias de versos

Uma grande festa, que é a juventude

E me canse o bastante pra que na velhice

Não me arrependa, e receba o descanso

Quando os pulmões recusarem o oxigênio

Quando os olhos não puderem mais olhar

E o coração parar de bater

30/12/2002

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