Revista Apólice #235

revistaapolice

Ano 23

Número 235

Agosto 2018


2


editorial

Ano 23 - nº 235

Agosto 2018

Esta revista é uma

publicação independente

da Correcta Editora Ltda

e de público dirigido

Diretora de Redação:

Kelly Lubiato - MTB 25933

klubiato@revistaapolice.com.br

Diretor Executivo:

Francisco Pantoja

francisco@revistaapolice.com.br

Repórter:

Lívia Sousa

livia@revistaapolice.com.br

Colaboradora:

Manuela Almeida

Estagiário:

Maike Silva

maike@revistaapolice.com.br

Executiva de Negócios:

Graciane Pereira

graciane@revistaapolice.com.br

Programação Web:

Denis Oliveira

desenvolve@revistaapolice.com.br

Articulista:

J. B. Oliveira

Tiragem:

15.000 exemplares

Circulação:

Nacional

Periodicidade:

Mensal

CORRECTA EDITORA LTDA

Administração, Redação e

Publicidade:

CNPJ: 00689066/0001-30

Rua Loefgreen, 1291 - cj. 41

V. Clementino - Cep 04040-031

São Paulo/SP

Tel. (11) 5082-1472 / 5082-2158

Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Acesse nosso site

www.revistaapolice.com.br

Siga nosso

twitter.com/revistaapolice

Curta nosso

Revista Apólice

A saúde suplementar

precisa ser reformulada

Perdendo beneficiários desde o ano de 2015, após ter atingido

a marca de 50,43 milhões de vidas em 2014, segundo dados da ANS

(Agência Nacional de Saúde Suplementar), os planos de saúde buscam

alternativas para a sua atuação, enquanto aguardam o antídoto para a

cura: a melhora da economia. A Agência informou que, até junho de

2018, o sistema contava com 47,62 milhões de pessoas cobertas.

Enquanto ela não acontece, medidas paliativas são tomadas para

estancar a sangria de gastos, estimulada pela aclamada “inflação médica”,

pelas fraudes e pelo uso indiscriminado. As operadoras de planos

de saúde querem investir na saúde de seus beneficiários, como uma

forma de diminuir os gastos. Entretanto, enfrentam problemas para dialogar

com estas pessoas. Apesar dos investimentos em tecnologia para

diminuir a distância até o segurado, o caminho ainda é longo. Mas já

existe muita gente trabalhando nisso, como as empresas de healthcare.

Nesta edição, mostramos o esforço para a aprovação dos planos

com coparticipação e franquia. Após os protestos de algumas entidades,

a ANS voltou atrás e revogou a regulamentação. Entretanto, atores

do setor de saúde dizem que estes produtos (que já são comercializados

no mercado corporativo) podem ser uma alternativa para as pessoas

com menor poder aquisitivo e que ficaram à margem do sistema

principalmente em virtude do alto índice de desemprego. Na contramão,

entidades de defesa do consumidor acreditam que este pode se

endividar ao necessitar de tratamentos mais complexos.

Enquanto uma solução institucional não chega para esta questão,

clínicas populares de saúde proliferam pelos grandes centros. Não há

um dado consolidado sobre quantas já existem, mas elas representam

um meio termo entre o SUS e o atendimento dos planos de saúde.

Estas clínicas também não são regulamentadas pela Agência Nacional

de Saúde Suplementar e seguem apenas as orientações do Conselho

Federal de Medicina.

Falamos ainda sobre odontologia, Brasesul, tecnologia e riscos

cibernéticos. Um bom apanhado dos temas relevantes do mercado de

seguros.

Boa leitura!

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

3


sumário

6

12

16

|

|

|

painel

gente

capa

Addvalora reuniu colaboradores, corretores e seguradores

do mundo inteiro na Espanha, com o objetivo

de comemorar seus 15 anos e ampliar o conhecimento

sobre as práticas da regulação de sinistros

16

20

|

especial saúde

coparticipação e franquia

Cercadas de reviravolta, regras para planos de coparticipação

e franquia dividem a opinião dos agentes

do setor. Entenda o que está em jogo na Resolução

Normativa 433

26

|

healthcare

Novas ferramentas geram inteligência e soluções

para melhor utilização dos recursos, redução dos

desperdícios, entrega de melhores resultados e acesso

a assistência mais assertiva

20

30

|

odonto

Mercado de planos odontológicos apresenta resultados

expressivos e deve seguir em expansão, mas

ainda precisa conquistar quem desconhece o serviço

e seu custo-benefício

33

|

odonto empresas

Equilíbrio de benefícios entre todos os agentes da

cadeia de planos odontológicos é o foco da campanha

realizada pela companhia

34

|

clínica popular

Elas conquistam os brasileiros que deixaram de ter

plano de saúde. Novo modelo permite que paciente

escolha quando e onde quer ser tratado, mas apresenta

algumas ressalvas

34

37

|

riscos cibernéticos

Aumento de incidentes cibernéticos e apoio da regulamentação

surgem como molas propulsoras de um

mercado que, embora tenha potencial bilionário, ainda

engatinha no País

40

|

brasesul

Encontro de players do setor proporcionou momentos

de debate e motivação aos profissionais de seguros

do Sul

37

42

46

|

|

insurtech & inovação

Evento mostrou que estamos atingindo um ponto de

maturação das tecnologias o que levará o mercado de

seguros a um novo patamar

comunicação

4


5


painel

• nfraude

15,8% dos sinistros suspeitos

O relatório do Sistema de Quantificação de Fraudes (SQF) referente

a 2017, publicado pela CNseg, indica que os sinistros ocorridos

no período somaram aproximadamente R$ 33 bilhões. Desses, R$

5,2 bilhões (15,8% do valor total) foram resultados de sinistros suspeitos.

O valor das fraudes comprovadas somou aproximadamente

R$ 730,1 milhões (14,1% dos sinistros suspeitos). Ao comparar o

quociente do valor das fraudes comprovadas pelo valor dos sinistros

ocorridos em 2017 (2,2%) com 2016 (1,8%), observa-se um aumento,

em termos relativos, de aproximadamente 22,2%. Contudo, em 2017

houve o retorno da participação da Seguradora Líder, o que pode

ter impactado o resultado da apuração comparativa. Por intermédio

do SQF, que é alimentado pelas próprias seguradoras com dados

referentes aos ramos de seguros Patrimoniais e de Responsabilidades,

são gerados anualmente indicadores de fraude contra o seguro,

compondo-se uma série histórica dessas ocorrências no segmento

de seguros gerais.

• ¢ luto

O adeus à Edna Damasceno

O mercado segurador se despediu de Edna Damasceno. Ela

foi uma das sócias-fundadoras

do Clube de Seguros de Pessoas

de Minas Gerais (CSP-MG)

e integrava o Conselho Consultivo

da entidade. Além do

CSP-MG, Edna ocupou cargos

de destaque no Sincor-MG, no

Conselho Empresarial de Seguros

da ACMinas, no Clubcor-MG

e no Clube da Bolinha de Minas

Gerais. Em 2014, recebeu uma

homenagem do CSP-MG pelos

serviços prestados à classe e

ao setor.

• negócios

Compra aprovada pela Susep

A Zurich teve a aprovação da Susep para a aquisição

das operações da QBE Insurance Group Limited no Brasil.

Desde o dia 2 de julho, a QBE atua como Zurich no

mercado brasileiro. A compra foi anunciada pelo Grupo

Zurich no final de fevereiro e, além do Brasil, incluiu

as operações da QBE

na Argentina, Colômbia,

Equador e México. O

valor total da operação

na região foi de US$ 409

milhões.

Com a aquisição, a

Zurich passa a ter uma

gama de capacidades adicionais

e acesso a novos

canais de distribuição no

Brasil. “Está dentro do

nosso princípio estratégico

com objetivo de somar

mais negócios em afinidades, seguro viagem e seguros

empresariais, bem como aumentar escala e ampliar canais

de distribuição”, reforça Edson Franco, CEO da Zurich

no país.

• negócios 2

Transação finalizada

A AIG finalizou o processo de aquisição da Validus

Holdings Ltd. (Validus), após aprovações regulatórias

e dos acionistas da Validus. Como parte da AIG, a empresa

acrescenta franquias diversificadas ao portfólio da

companhia, incluindo a Validus Re, plataforma líder de

resseguro; AlphaCat, gestor de ativos de títulos ligados

a seguros; Talbot, consórcio do banco Lloyd; Western

World, especialista nos Estados Unidos em riscos comerciais

para pequenas e

médias empresas; e Serviços

de Riscos Agrícolas,

que fornecem acesso ao

mercado norte-americano

de seguros agrícolas. De

acordo com Peter Zaffino,

CEO da área de Seguros Gerais

da AIG, “os negócios da

Validus serão imediatamente

acrescentados à atuação

de Seguros Gerais da AIG,

já que eles já fazem parte da

AIG oficialmente”.

6


• nproduto

Novidades no seguro residencial

O Porto Seguro Residência traz novidades em suas segmentações.

No Seguro Residência Habital e Premium, quem

contrata o Plano Essencial Gratuito conta com caçamba em

caso de sinistro e pode solicitar reparos em linha branca

(congelador, depurador de ar, fogão, micro-ondas, geladeira,

lava e seca, lavadora de roupas, secadora de roupas e

lava-louças). No Plano Conforto, foram inclusos serviço de

desentupimento, reparos em ar-condicionado, atendimento

veterinário e help desk telefônico ou com visita técnica. No

Plano Exclusive, os segurados podem aproveitar os dois

novos serviços: o de conectividade, que inclui suporte para

instalação de aparelhos eletrônicos; e o de mudança de mobiliário,

que disponibiliza mão

de obra para deslocamento de

móveis. Já o seguro Residência

Veraneio passa a oferecer

reparos em linha branca no

plano Essencial e os serviços

do plano Conforto, além de

reversão de fogão e de reparos

em lava-louças.

¢ • produto 2

Novas coberturas

de RC

A Mitsui Sumitomo ampliou

o portfólio no seguro

empresarial com o lançamento

das coberturas de

Responsabilidade Civil para

estabelecimentos de ensino,

estabelecimentos de hospedagem,

restaurantes, bares e boates, pet shops, cabeleireiros,

e drogarias e farmácias. O seguro empresarial da companhia

abrange de micro a médias empresas e oferece coberturas

que garantem indenizações por perdas e danos ao imóvel,

equipamentos, mercadorias, móveis e utensílios. As contratações

poderão ser feitas diretamente no Portal do Corretor para

riscos de até 20 milhões. “Oferecer coberturas específicas para

nichos é um importante diferencial no mercado. Dessa forma,

podemos oferecer proteções que atendam às necessidades dos

nossos clientes de acordo com a atividade que desenvolvem”,

diz Hélio Kinoshita, VP e responsável pela operação da Mitsui

Sumitomo no Brasil.

7


painel

• nacordo

Expansão no ramo de Pessoas

A Asseg Assessoria em Seguros expandiu atuação em Minas

Gerais ao firmar um acordo com a Icatu Seguros, marcando o

lançamento de suas operações no Norte do estado. Segundo o

empresário Jader Pereira de Abreu Filho, o início da atuação na

região é mais uma etapa do projeto de expansão da Asseg, que já

atua com seguros gerais e agora

intensifica os investimentos nos

segmentos de Vida e Previdência.

“Há uma demanda crescente pelos

produtos de proteção pessoal.

Queremos fomentar nos corretores

o desejo de trabalhar com

esse nicho do mercado. Vamos

oferecer todo suporte técnico e

operacional para que eles possam

comercializá-los, obtendo maior

lucratividade em seus negócios”,

explica.

• nacordo 2

Nova identidade de marca

conjunta

Após o anúncio da aquisição do XL Group pela Axa, em

março, as duas empresas apresentaram um novo passo no

processo de operações combinadas, que será a criação de uma

divisão do Grupo Axa dedicada a grandes linhas patrimoniais,

de responsabilidade civil e de riscos especiais. Nomeada como

Axa XL, a nova divisão vai operar sob a marca principal Axa. Seus

serviços serão identificados em três categorias: XL Insurance

(que incluirá a operação de seguros do XL Group e da Axa

Corporate Solutions e também a XL Art & Lifestyle, combinação

da divisão Fine Arts & Specie da XL Catlin e da Axa ART),

XL Reinsurance (que incorporará a operação de resseguros

do XL Group), e XL Risk Consulting (que vai incorporar o Axa

MATRIX e a Divisão de Engenharia de Risco GAPS do XL Group).

O sindicato principal do XL Group no Lloyd’s continuará sendo

conhecido como XL Catlin Syndicate 2003.

• nameplan

Último mês da campanha

#partiuBahia!

A campanha de

vendas lançada em

janeiro de 2018 é a

oitava campanha de

incentivo promovida

pela Ameplan Saúde,

com o propósito de

reconhecer os campeões

de cada modalidade

envolvidos

no processo da venda

de varejo.

Pelo segundo

ano consecutivo, a

operadora faz questão de reconhecer aquele vendedor

que apresenta a melhor qualificação na condução da

venda, desde a prospecção até a entrega do kit do cliente.

De acordo com o regulamento, o vendedor que atingir

os melhores índices de qualidade, inclusive pendências,

desfrutará de uma viagem para a Bahia. Trata-se de um

incentivo às boas práticas de conduta, além de contribuir

na administração dos custos assistenciais, transformando-se

em um exemplo positivo e sendo recompensado

com alguns dias de lazer.

“Como era esperado, este ano está sendo altamente

desafiador para o segmento de serviços, particularmente

para o segmento de saúde. Para obter bons resultados,

não é o momento de subtrair, mas de somar o máximo

de variáveis possíveis para que produto, processos,

tecnologia e pessoas deem o seu melhor para vencer

este período mais difícil. Por esta razão, a Ameplan deu

continuidade à sua campanha de vendas, mantendo

nela os pontos elogiados pelos próprios participantes

e melhorando o que entendeu que agradaria mais as

pessoas envolvidas no processo”, afirma Laureci Zeviani,

diretor comercial da operadora.

Trata-se de uma campanha alinhada com os principais

parceiros comerciais da Ameplan (Affix, Dentalpar,

Corpore, Divicom e Hebrom) que também lançaram

suas próprias campanhas de vendas, demonstrando o

esforço que os agentes envolvidos no processo de vendas

fazem para rodar esta engrenagem, primordial para

o crescimento e fortalecimento de qualquer negócio.

Nos últimos 7 anos, a Ameplan não tem medido

esforços para se relacionar com os seus representantes

comerciais, sejam corretoras, gerentes de vendas, empresários,

assistentes, diretores e vendedores. O apoio e

reconhecimento têm que caminhar juntos.

8


• nproposta

Aperfeiçoamento do DPVAT

A Seguradora Líder, em documento conjunto com a

CNseg e a FenSeg, encaminhou à Susep uma proposta

com 19 temas para o aperfeiçoamento do modelo de

operação do seguro DPVAT. Entre as sugestões está a

atualização das importâncias seguradas – que a indenização

máxima no Brasil passe de R$ 13,5 mil para R$ 25

mil. Os valores das indenizações pagas às vítimas estão

sem reajustes há 11 anos e são inferiores aos 36 países

analisados em um estudo realizado pela seguradora com

o apoio de uma consultoria internacional. O relatório

apontou que o valor

da Importância Segurada

no Brasil está

atrás de países como

Indonésia, Nigéria

e Bolívia. A Rússia

possui indenização

aproximadamente

três vezes superior à

do Brasil, apesar de

o PIB per capita ser

próximo.

• nfusão

Soluções para o mercado segurador

Seis meses após a união

entre a Sistemas Seguros e a

Virtual Softwares para Seguros,

chega ao mercado uma

nova marca que conciliará

os ativos das duas empresas:

a Quiver. A companhia nasce

com um faturamento previsto

de R$ 25 milhões para

2018. Por meio de um portfólio

de produtos diversificados

para atender corretoras de

seguros de todos os portes,

a Quiver conta com sede nas

cidades de São Paulo e Ponta Grossa (PR) e mais de 170 profissionais,

e será responsável pela gestão de um volume total em prêmios de

R$ 21,5 milhões, além de uma carteira de mais de sete mil clientes.

“Estamos focados no desenvolvimento de novos produtos e na

atualização do nosso portfólio para apresentar o que existe de

mais moderno em tecnologia para o mercado de seguros”, explica

Maurício dos Santos, VP de Produtos e Tecnologia da companhia.

9


painel

• naniversário

Seguradora comemora 112 anos

Para comemorar os 112 anos de atuação no mercado, a Previsul

reuniu os colaboradores da matriz, em Porto Alegre (RS),

com transmissão ao vivo para todas as sucursais e escritórios.

“Poucas são as empresas que conseguem se manter por tanto

tempo num mercado tão competitivo. E isso só foi possível

pois, com o passar dos anos, buscamos evoluir constantemente

em nossos produtos, processos internos, tecnologias, e demais

fatores que pudessem entregar as melhores soluções aos nossos

corretores e segurados”, disse o presidente, Renato Pedroso.

A partir da esquerda: João Paulo Morosvick, Fernando Moraes,

Renato Pedroso e Andréia Araujo

• ¢ destaque

Reconhecimento

Pela quinta vez, o Grupo Bradesco Seguros foi campeão

na categoria Seguros do prêmio The Winner, reconhecimento

concedido pela revista Magazine Top International

a líderes empresariais e empresas que contribuem

para o crescimento de seu país nas mais variadas categorias.

O superintendente executivo Luiz Carlos Gomes

recebeu a premiação em nome da seguradora. Os vencedores

foram escolhidos por meio dos seguintes critérios:

reputação empresarial,

reconhecimentos, selos

de qualidade, certificados,

prêmios recebidos,

êxitos em participação

em feiras nacionais e

internacionais, mostras,

congressos, ações em

sustentabilidade no setor

social, responsabilidade

social e ambiental,

além de veiculação de

matérias na mídia.

• ndestaque

Entre as principais marcas

mundiais

A Unimed recebeu,

em Nova York (EUA), o

prêmio World Branding

Awards, que reconhece

as principais marcas do

ano globalmente. A cooperativa

de saúde foi a

única brasileira eleita na

categoria Planos de Saúde

do National Award, destinado

àquelas que foram

julgadas excepcionais em

cada país participante.

“Quando também somos bem avaliados por instituições internacionais,

percebemos que a trajetória construída há mais de

50 anos extrapola as fronteiras do nosso País e tem o poder de

ser referência ao setor de saúde e de prestação de serviços como

um todo, além do movimento cooperativista”, afirmou Orestes

Pullin, presidente da Unimed do Brasil, que representou a

Confederação no evento. O World Branding Awards é realizado

anualmente pelo World Branding Forum (WBF), entidade sem

fins lucrativos que se dedica à avaliação e condecoração das

marcas mais reconhecidas por consumidores de todo o mundo.

• nwebsérie

Dicas para o corretor

Entender melhor as novas tecnologias e de que forma o corretor

pode usá-las ao seu favor no dia a dia. São com base nesses

objetivos que a Argo Seguros lançou a websérie Dicas Digitais,

com oito capítulos e apresentação de Roberto Uhl, gerente de

Canais Digitais da companhia. Os vídeos, de aproximadamente

um minuto, trazem as principais questões relacionadas ao

mercado de seguros e a tecnologia. Entre os temas abordados

estão as terminologias digitais (Big Data, Inteligência Artificial,

Bots e Blockchain), as

diferenças entre o meio

digital e as insurtechs, e

as próximas tendências

do segmento. Essa é a

segunda websérie lançada

pela seguradora. Há

quase um ano, a companhia

abordou técnicas

de marketing digital para

ajudar os corretores a

gerar novos negócios

através da internet.

10


• npme

Desafios na gestão de risco

De 12,2 mil inspeções

realizadas pelo Grupo BB e

Mapfre nos últimos três anos,

apenas para 32% delas foram

emitidas apólices. Os sistemas

de proteção automática foram o

ponto mais negligenciado pelas

pequenas e médias empresas.

“Das 10 coberturas mais contratadas

nos seguros de riscos

industriais, seis correspondem

a aproximadamente 95% dos

valores das indenizações de

sinistros. Medidas preventivas poderiam ser tomadas para

reduzir a sinistralidade e trazer melhores taxas para os produtos

de seguros”, diz Almir Fernandes, diretor de Riscos

Industriais da companhia. Outra questão é o fato da operação

da seguradora ser retroalimentada com os dados e informações

obtidas dos negócios realizados. “Os guias de subscrição de

riscos podem ficar mais ou menos restritivos para aceitações

que apresentam comportamento incompatível com o apetite de

riscos das seguradoras”.

• nmudança

Nome alinhado aos novos

objetivos

O CVG-PR se tornou Instituto Superior de Seguros e Benefícios

Brasil (ISB Brasil). Em Assembleia Geral com aprovação

de 95% dos presentes, a diretoria entendeu que a mudança de

posicionamento da entidade exigiria uma alteração da razão social,

com um nome mais alinhado à adição de novos objetivos. O

Instituto já desenvolve pesquisas internas com corretores, assessorias

e seguradoras para entender quais as dificuldades de cada

um. As próximas atividades programadas irão se concentrar no

hábito de consumo dos produtos de benefícios. O presidente do

Insituto, Cesar Heli Oliveira,

declara que ainda não se sabe

qual será o impacto dessa

mudança nos CVG’s de outros

estados. “O ISB Brasil será

uma entidade acolhedora e focada

no ideal de construção de

conhecimento e precisaremos

muito do apoio de todos os

CVG’s. É importante ressaltar

que o CVG-PR não deixou de

existir e atua em conjunto com

o Instituto”, diz.

• ninternacional

Prêmios crescem nos mercados

emergentes

Nos mercados emergentes, os prêmios de vida e não

vida aumentaram 14% e 6,1% em 2017, respectivamente.

No setor de não vida, o crescimento desacelerou, mas ainda

se manteve robusto. Os dados fazem parte do relatório

Sigma de seguro mundial, do Swiss Re Institute. Ainda de

acordo com o relatório, a China continua a ser a principal

engrenagem de crescimento nos mercados emergentes.

Em comparação com 2016, o crescimento desacelerou

na região, mas ainda foi significativo. O mercado de vida

chinês cresceu 21% em 2017, bem acima da sua média

de dez anos de 14%. Atualmente, a China é o segundo

maior mercado de

vida do mundo, atrás

apenas dos EUA, e

representa mais da

metade dos prêmios

de seguros de vida

dos mercados emergentes,

ou 11% do

total mundial.

• ncompromisso

Princípios para Sustentabilidade

em Seguros

A Aon agora é signatária

dos Princípios para Sustentabilidade

em Seguros (PSI)

das Nações Unidas (ONU). O

compromisso foi assinado por

Eric Andersen, Copresidente

da Aon Global. Coincidentemente,

o Brasil também

assinou o acordo com a ONU,

através da CNSeg e da Susep,

e se tornou o primeiro mercado

segurador do mundo a se comprometer com os Princípios de

Sustentabilidade da ONU. “O papel da Aon como signatária

do PSI trará perspectivas importantes a diversas iniciativas,

que servirão para orientar empresas, globalmente, a gerenciarem

seus riscos e sua governança, e apoiando nas ações

necessárias para obter suporte junto ao mercado segurador

e ressegurador, já que a subscrição de seguros também será

influenciada pelos princípios de sustentabilidade”, pontua

Marcelo Homburger, vice-presidente-Executivo de Riscos

Corporativos da Aon Brasil.

11


GENTE

Líder para a América Latina

Vice-presidente

de P&C

Novo presidente

Marcos Coltri assumiu a

presidência da Federação Nacional

de Capitalização (FenaCap)

no lugar de Marco Antonio da

Silva Barros, que esteve à frente

da entidade por quase sete anos.

A mudança já era esperada desde

que Barros passou a comandar a

Brasilprev, em março de 2018.

A seguradora francesa Coface

elegeu a ex-Swiss Re Carmina

Abad Sanchez para liderar a região

da América Latina. Ela vai integrar

o comitê executivo e reportar a

Xavier Durand, CEO do grupo, no

lugar de Bart Pattyn, que deixou a

companhia.

Fonte: Broadcast, Estadão

Leandro Martinez assumiu a

vice-presidência de Subscrição de

P&C da Chubb Brasil e será responsável

pelo P&L de Global, Middle

Market/SME e Resseguros. O executivo

está na companhia desde janeiro

de 2011 e, em agosto de 2014, passou

a desempenhar o papel de VP Regional de Linhas Financeiras.

Riscos

Corporativos e

Automóvel

A Sompo Seguros contratou

três executivos para a área de Riscos

Corporativos. André Yoshinore,

Fabrício Navarro e Marcos Melo

Guedes ocupam os cargos de gerente

nos setores de Seguro Garantia, Responsabilidade Civil e

Gestão Atuarial e Solvência, respectivamente. Para a diretoria

técnica do Produto Automóvel, o escolhido foi Rogério Santos.

CEO no Brasil

Ariel Couto chegou à MDS

Brasil para ocupar a posição de

CEO. O executivo iniciou carreira

no mercado de seguros em

1995, na gestão de uma corretora

familiar, e desde então passou

por empresas como a corretora

do grupo Brascan (atualmente

Brookfield), RSA Seguros (hoje

Sura) e QBE.

Superintendente

regional

Renato da Silveira Martins é

o novo superintendente regional da

Berkley nos estados do Rio de Janeiro,

Minas Gerais e Espírito Santo,

além das regiões Centro-Oeste, Norte

e Nordeste. Ele assume o cargo

com o compromisso de ampliar o

relacionamento com os corretores de diferentes regiões.

Crescimento, Estratégia e

Parcerias

A Pitzi anunciou duas contratações.

Como diretor de Crescimento

e Estratégia, Thiago Machado

vai identificar oportunidades de

aproveitamento das tecnologias

e infraestrutura da empresa para

solucionar dores importantes para

seguradoras e seus distribuidores. Já

Eduardo di Loreto fica na diretoria de Parcerias, com a missão

de criar valor aos parceiros da Pitzi no varejo e seguradoras.

Novas diretorias

A Marsh criou três diretorias

e nomeou novos executivos para as

posições. Eduarda Tenes fica na

diretoria de Placement para P&C,

Corporate & Energy, enquanto Luis

Guilherme Menezes assume a de

Surety & Credit. Além da diretoria

de Large Industries, Wellington Zanardi continuará a exercer

a Liderança dos Clientes de Energy – Downstream.

12


13


GENTE

Vice-presidente

Silas Kasahaya é o novo

vice-presidente da Samplemed.

No novo cargo, deve levar sua

expertise de mais de 30 anos

trabalhando em grandes seguradoras.

Kasahaya, que também

é presidente do Clube Vida em

Grupo São Paulo (CVG-SP), iniciou

carreira na AGF Brasil Seguros

(hoje Allianz) e atuou na Porto

Seguro, além da Icatu Seguros.

Novos líderes

A Willis Towers Watson reforçou

o time de líderes da empresa

no Brasil. Álvaro Trilho ingressou

como diretor de Novos Negócios na

estrutura de Client Management, enquanto

Raquel Silva ocupa a posição

de head of Affinity Brazil e Danilo

Renaldin a de gerente de Sinistros.

Cláudio Mello atua como gerente de

Novos Negócios para Grandes Contas. Já Mario Luiz Ferreira

ingressa como gerente de Seguros Facultativos.

Executiva Comercial em

Salvador

A JLT Brasil intensificou a atuação

em Salvador. Como parte desse

movimento, Michelly Rosica, que

desde 2015 era executiva de contas

na área de relacionamento da filial

Salvador, passou a ocupar o cargo

de executiva Comercial na capital

baiana.

Reforço em São Paulo

Novo COO

A Som.us Brasil nomeou Luciano

Scatamacchia para o cargo de Chief

Operationg Officer (COO). Ele chega

para contribuir com desenvolvimento

da cultura corporativa, políticas,

eficiência das áreas de middle e back

office, business intelligence, gestão e

estratégias da companhia no Brasil.

Diretor financeiro

André Caldeira foi o escolhido

para ocupar a diretoria financeira da

Prudential do Brasil. O executivo, que

será responsável pelas áreas de Tesouraria,

Planejamento & Investimento e

Finanças de Vida em Grupo, já passou

pela SulAmérica e pelo grupo Axa.

Gerente de Marketing e

Comunicação

A Youse anunciou Érika Mello

como gerente de Marketing, com foco

em liderar as frentes de Comunicação

e Branding. A executiva deve liderar

as equipes internas, além das agências

de comunicação. Érika conta com

mais de oito anos de experiência em

Comunicação e Marketing.

Superintendente comercial

Alexandre de Mattos Malho foi nomeado superintendente

regional responsável pela área de corretores e interior

de São Paulo da Icatu Seguros. Ele assume a função no lugar

de Silas Kasahaya. Malho atua há mais de sete anos na Icatu

e estava à frente da área de parcerias comerciais. Antes disso,

trabalhou por 14 anos no Bradesco.

O ITA Seguro Viagem trouxe

três executivos com experiência comercial

e de relacionamento. Entre

eles está Luci Mota, nova gerente

Nacional da companhia; Gilmar

Abrahão, que chegou para reforçar

a equipe comercial; e Bianca Carolina,

que também vai atuar como

executiva de contas.

14


15


capa | addvalora

Regulação de sinistro

com qualidade garantida

Empresa global

reuniu colaboradores,

corretores e

seguradores do mundo

inteiro na Espanha,

com o objetivo de

comemorar seus

15 anos e ampliar o

conhecimento sobre as

práticas da regulação

de sinistros

A

cada dois anos e meio, o

Grupo Addvalora realiza um

evento técnico sobre regulação

de sinistros de alta complexidade,

incluindo exemplos práticos

vivenciados pela reguladora na Espanha

(onde fica sua sede) e em outros países.

Desta edição participaram mais de 500

técnicos e profissionais da área de seguros,

entre todos os painéis. Ocorrido no

mês de maio, em Madri, o encontro deste

ano contou com participantes corretores

de seguros, seguradores, representantes

de grandes grupos econômicos atuantes

❙❙Visita guiada a Madri com a delegação brasileira

16

❙ ❙

Vicente Hurtado, CEO do Grupo Addvalora; William Fernandez, CEO do Grupo

Addvalora Brasil e Ignacio Lorenzo, CEO GlobalCorporate e Specialities

na Espanha, colaboradores da Addvalora

Espanha e delegações internacionais do

Brasil, EUA, México, Guatemala, Colômbia,

Peru, Chile, Argentina, Inglaterra,

França e Turquia. É importante ressaltar

que participaram também representantes

de segurados nas mesas de discussões

após cada painel do evento.

A Addvalora é uma reguladora referência

no mercado nacional, atuante em

vários tipos de processos – do início à sua

conclusão. Os de natureza mais complexa

exigem atendimento altamente especializado,

como os riscos de engenharia e seguro

garantia. No Brasil, a empresa conta

com 86 colaboradores, distribuídos em

15 escritórios próprios, localizados em

pontos estratégicos (principais capitais

e cidades do Estado de São Paulo), bem

como conta com representantes em todo

o território nacional para atendimento/

vistoria de sinistros de pequeno valor

agregado (massificados/fast track).

Os temas que cercam as atividades

dos clientes da empresa, como telecomunicações,

aeronáutica, petróleo, energias

renováveis, mineração e construção

estiveram presentes nos painéis. “A filial

brasileira sempre marcou sua presença

neste grande evento, desde a primeira

edição. É um momento especial para

reforçarmos nossas parcerias com os

clientes e prospecção de novos negócios

para a Addvalora e demais participantes

do mercado”, explica o CEO da Addvalora

Brasil, William Fernandez. Além

de cinco colaboradores da empresa,

visitaram a Espanha vinte convidados,

entre representantes de seguradoras,

resseguradoras, corretores de seguros e


❙❙

Delegação

segurados com importantes atuações no

cenário mundial e local.

A presença dos clientes em um evento

tão especial quanto este agrega não só

ao trabalho da regulação, mas à subscrição

de apólices que venham a atender

ao seu destinatário. Para a regulação, a

troca de informações com os segurados

enriquece as análises, tornando o trabalho

final fruto de um entendimento entre

as partes envolvidas.

Além do CEO da filial brasileira

foram enviados outros quatro coordenadores:

Engº Mecânico Isidro Maldonado

Zambudio, do escritório de SP para

Grandes Sinistros; Miriam Santato, do

escritório de SP de casos com gestão

centralizada, fast track e pequenos riscos;

Paulo Henriques da Costa, do escritório

de SP para riscos patrimoniais de grande

e médio porte; Advogada Luciana Correia

Hey, do escritório de Curitiba para casos

de seguro garantia, responsabilidade

civil, fiança locatícia e ressarcimento.

brasileira e internacional rumo ao primeiro dia de evento

fast track, responsabilidade civil (geral

e profissional) e seguro garantia. Atualmente,

a filial brasileira é a que tem a

maior representação dentro da operação

internacional da Addvalora, atingindo a

marca de 67% dos trabalhos produzidos

pela empresa em 2017. Para 2018, a perspectiva

é de que este número se mantenha

ou até cresça minimamente.

Após quase oito anos de atuação no

País, a empresa já conquistou a confiança

das companhias de seguro, dos corretores

de seguros e de segurados. Em alguns

casos, a nomeação da participação da

Addvalora nos processos de regulação de

sinistros acontece por registro consignado

na própria apólice de seguros, o que

garante ao segurado o conhecimento prévio

de quem fará o atendimento em caso

de algum infortúnio. “Este fato propicia

à reguladora o maior conhecimento do

segurado e do negócio, facilitando a atuação

em caso de sinistro, simplificando

o trabalho de regulação”, avalia William

Fernandez.

Nos últimos anos a empresa intensificou

a sua expansão geográfica, para

oferecer mais agilidade no primeiro

atendimento de casos urgentes, incluindo

casos de calamidade, bem como na especialização

da equipe técnica, que conta

com profissionais com larga experiência

de mercado que já passaram em outras

reguladoras, corretoras e seguradoras.

“As perspectivas para 2018 na área do

seguro garantia são muito boas, mesmo

considerando o cenário atual econômico

e político do país, pois já estamos per-

Addvalora no Brasil

A operação brasileira da Addvalora

teve início em setembro de 2010, sob a

batuta do sócio brasileiro majoritário

e o único representante estrangeiro no

Conselho Diretivo do Grupo Addvalora,

William Fernandez. Desde então, o

escritório local ganhou bastante importância

com a ampliação dos ramos de

aplicação, iniciando com o property e

depois especializando-se em ramos mais

específicos como os riscos de engenharia,

❙ ❙

Representantes da Addvalora Brasil: Luciana Correia Hey, Paulo Henriques da

Costa, William Fernandez, Isidro Maldonado Zambudio e Miriam Santato

17


addvalora

❙❙O evento contou com a participação de mais de 500 profissionais

cebendo a retomada de algumas linhas

importantes de negócios, principalmente,

em concessões públicas e substituições de

depósitos judiciais por apólices de seguro

garantia, o que tem movimentado novas

emissões e renovações de apólices. Já para

os demais ramos entendo que tudo dependerá

dos rumos do país”, avalia o CEO.

É importante ressaltar que o trabalho

de regulação de sinistro é bastante

minucioso e, muitas vezes, requer conhecimento

técnico da área em questão,

principalmente aqueles que envolvem

grandes obras, engenharia e casos de

muita repercussão na mídia.

Cada regulação é um caso específico

e é feito em etapas que envolvem a vistoria

no local, a entrega dos documentos solicitados,

o trabalho da perícia etc. Todo

este processo pode demorar de um mês

a um ano. “Deve-se considerar também

o ramo específico do seguro contratado,

pois em alguns casos são relacionados a

ações judiciais em curso, o que pode fazer

com que a regulação fique atrelada ao

tempo de conclusão do processo judicial”,

esclarece Fernandez.

Ao final do trabalho de regulação,

a reguladora entrega à seguradora a sua

análise com base nos fatos, investigação

realizada e coberturas da apólice. Com

isso, a companhia obtém um número

bastante grande de informações que a

auxiliam na análise de novos riscos que

tenham as mesmas características, seja

com a exigência de uma vistoria prévia,

a entrega de um número maior de documentos

ou mesmo questionamentos

complementares a serem formalizados no

momento do envio da proposta de emissão.

Além disso, é parte integrante do

processo de regulação apontar eventuais

situações possíveis para o ressarcimento

da indenização, com a identificação do

verdadeiro causador dos danos, nos casos

de riscos patrimoniais, por exemplo.

O Relatório Final de Regulação é

entregue à seguradora, seja pelas vias

eletrônica, física ou mesmo presencial,

dependendo do caso e da política interna

de cada companhia. O segurado e o corretor

de seguros da apólice acompanham

ativamente todo o processo, pois também

faz parte do trabalho da reguladora manter

um bom fluxo de informações entre

as partes interessadas.

Comemoração dos 15 anos

Para comemorar esta data tão importante

– XV Aniversário do Grupo

Addvalora – os colaboradores da empresa

que atuam na Espanha, e também os

convidados de diversos países que participaram

desta jornada, estenderam sua

estada num final de semana na província

El Barco de Ávila, localizada a 155 quilômetros

de Madri.

Foi uma grande oportunidade para

descontrair e participar de eventos esportivos,

passeios e até uma disputa descontraída

da melhor “Paella”, encerrando

a grande festa com um jantar dançante.

Toda esta festa foi realizada no Hotel

Mirador de Gredos, que ficou totalmente

à disposição dos colaboradores da

empresa, propiciando grande integração

entre todos.

❙❙Delegação brasileira (Addvalora e convidados) no encerramento do evento

18


19


especial saúde | regulação

Queda de braço

Cercadas de reviravolta, novas regras

para planos de coparticipação e

franquia dividem a opinião dos

agentes do setor. Entenda o que está

em jogo na Resolução Normativa 433

Lívia Sousa

20


Os planos de coparticipação

e franquia são aplicados no

mercado de saúde suplementar

há pelos menos duas

décadas. Nos últimos anos, tiveram um

exponencial crescimento. Atualmente,

mais de 52% dos consumidores já estão

em planos dessa modalidade, ao passo

que, em 2007, este percentual era de 22%.

Com o salto no número de beneficiários, a

Agência Nacional de Saúde Suplementar

(ANS) entendeu que era preciso editar

um normativo específico para instituir

regras mais claras a esses produtos, o

que resultou na publicação da Resolução

Normativa (RN) 433, em junho deste ano.

“Tais mecanismos estavam previstos

na Resolução do Conselho de Saúde

Suplementar (Consu) 8, de 1998, a qual,

no entanto, continha previsões genéricas

e abertas, sem a definição clara das condições,

dos critérios e dos limites para

aplicação destes mecanismos financeiros

de regulação”, justifica Rodrigo Aguiar,

diretor de Desenvolvimento Setorial

da ANS. Segundo ele, as mudanças suprem

as lacunas existentes na legislação

e garantem maior clareza, segurança

jurídica, previsibilidade e proteção aos

consumidores. Isso porque as regras

em vigor há 20 anos não estabelecem

qualquer previsão de limites de aplicação

em percentual ou valores, não prevêem

elenco de isenções para cobrança e não

estipulam um teto máximo até o qual o

consumidor pode ser cobrado de coparticipação

e franquia.

A RN 433 entraria em vigor no fim

❙❙Rodrigo Aguiar, da ANS

deste ano e seria aplicada aos produtos

registrados após sua vigência. Mas, em

julho, foi suspensa por decisão liminar

proferida pela presidente do Supremo

Tribunal Federal (STF), ministra Cármen

Lúcia, que acatou o pedido do Conselho

Federal da Ordem dos Advogados do

Brasil (CFOAB). Em petição apresentada

no STF, a OAB afirma que “a referida

Resolução institui severa restrição a um

direito constitucionalmente assegurado (o

direito à saúde) por ato reservado à lei em

sentido estrito, não a simples regulamento

expedido por agência reguladora” e chama

de abusivo o porcentual de 40% que

os beneficiários dos planos de assistência

à saúde poderão pagar.

De acordo com a ANS, a decisão do

STF foi tomada sem que a Agência tenha

sido previamente ouvida. A entidade

informa que editou a norma observando

o rito para edição de ato administrativo

normativo, especialmente quanto à oportunidade

de participação da sociedade,

e que a Resolução foi analisada pela

Advocacia Geral da União (AGU) sem

que tenha sido identificada qualquer ilegalidade

ou inconstitucionalidade. Ainda

assim, no dia 30 de julho, a Agência revogou

a resolução normativa “em respeito e

atenção às preocupações demonstradas

pela sociedade desde a publicação da

norma”. As discussões acerca da proposta

serão reabertas e deverão contar com a

participação das instituições públicas que

se manifestaram sobre a matéria.

Pontos em discussão

As mudanças sugeridas determinam

um percentual máximo de 40% a ser

cobrado pelos procedimentos realizados

– que será definido entre as operadoras

e os contratantes do serviço (empresas,

associações ou pessoas físicas). Também

impõem limites para o valor total pago

no mês e no ano pelo consumidor (no

limite mensal, o valor máximo não pode

ultrapassar o valor correspondente à própria

mensalidade; e no anual ao valor de

12 mensalidades) e isenção de cobrança

para quatro consultas anuais, realizadas

em consultório ou em domicílio por um

médico generalista, assim como para

mais de 250 procedimentos e eventos

em saúde, como exames preventivos

(mamografia, colonoscopia, teste da HVI

e glicemia etc), e para tratamentos de

doenças crônicas (hemodiálise, radioterapia,

quimioterapia, entre outros).

Nos atendimentos em pronto-socorro,

somente poderá ser cobrado valor fixo

e único, não importando a quantidade e o

tipo de procedimento realizado. O valor

deverá ser previamente conhecido pelo

beneficiário e não poderá ser superior

a 50% do valor da mensalidade, nem

maior que o valor pago pela operadora ao

prestador. As mesmas condições valem

para as internações – com a diferença de

que o valor não poderá ser superior ao

valor da própria mensalidade (veja mais

detalhes na tabela).

Benefícios

As entidades ligadas aos planos de

saúde defendem que a modernização é

imprescindível para o beneficiário, pois

amplia e diversifica a oferta de produtos

no mercado, e ressaltam que os planos

como conhecemos hoje não mudam e

continuarão disponíveis. “Na verdade,

surgirão novas opções para que o consumidor

tenha maior poder de decisão. Tudo

isso para que o cliente possa escolher o

melhor plano, levando em consideração

o seu perfil e as suas necessidades”,

explica Reinaldo Scheibe, presidente da

Associação Brasileira de Planos de Saúde

(Abramge).

Os mecanismos financeiros de regulação

são reconhecidos por estimular

a participação e a fiscalização do beneficiário

de plano de saúde, que passa a

❙❙Reinaldo Scheibe, da Abramge

21


egulação

participar mais ativamente das tomadas

de decisões junto aos médicos, laboratórios

e hospitais; e por possibilitar o real

entendimento da necessidade de determinados

exames e tratamentos. “Falamos

insistentemente sobre a importância das

pessoas se tornarem conscientes de que

suas atitudes em relação ao uso do plano

de saúde impactam diretamente no custo

da sua mensalidade e também na dos

demais usuários. A regulamentação dos

modelos de franquia e coparticipação é

o pontapé para que isso aconteça”, garante

Scheibe. Apesar de burocrática, ele

alega que com a norma os consumidores

passam a ter controle e acesso sobre a

utilização de seus planos e acredita que

o valor das mensalidades deve cair.

Para a Federação Nacional de Saúde

Suplementar (FenaSaúde), a possibilidade

da contratação de planos de saúde com

franquia ou coparticipação aumentará a

sustentabilidade do setor. “Esses produtos

oferecem incentivo ao beneficiário para

fazer o uso na medida certa – nem mais

nem menos – dos serviços de assistência

médica, sem que isso represente perda da

qualidade assistencial do cuidado à saúde.

As operadoras poderão desenhar novos

produtos e atrair mais consumidores”,

pontua a presidente da entidade, Solange

Beatriz Mendes.

❙❙Solange Beatriz Mendes, da FenaSaúde

22

Consequências

O parecer da ministra Cármen Lúcia

recebeu o apoio de entidades de defesa do

consumidor. “A decisão do STF reconhece

que a ANS está transbordando de sua

competência regulatória e formulando

uma normativa que não atende o interesse

público”, diz a advogada e pesquisadora

em Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa

do Consumidor (Idec), Ana Carolina

Navarrete. Em nota de repúdio assinada

com outras 16 entidades, o Idec afirma

que o normativo expande de maneira

irresponsável os limites de coparticipação,

cria planos em que será possível o

consumidor pagar a mensalidade e ainda

assim custear integralmente o valor do

procedimento (nos casos de franquia

acumulada e coparticipação em pronto

atendimento).

Ana Carolina declara que a normativa

não atendeu às solicitações das entidades

de defesa do consumidor, expandindo

o limite sem base técnica que justifique

a ação, permitiu cobrança em urgências

e emergências e não se preocupou em

dispor sobre regras de publicidade para

esses planos que deixem claro o seu potencial

de endividamento. Além disso,

se queixa de que não foi aberta consulta

pública para discutir com a sociedade os

limites de exposição financeira. Para ela,

essas medidas retrocedem a regulação

hoje em vigor, alterando a finalidade da

norma e descumprindo os deveres de

defesa do interesse público e articulação

com entidades de defesa do consumidor

previstos na lei de criação da Agência.

“O Idec não recomenda a contratação

de planos com esses instrumentos. Eles

são destinados a fazer o usuário utilizar

menos o plano, retardando diagnósticos e

prejudicando a prevenção, o que no longo

prazo é ruim para a saúde como um todo.

É preciso que o consumidor avalie se um

plano um pouco mais barato, mas com

risco de pagar até o dobro da mensalidade,

vale a pena ser adquirido”, frisa.

Maria Lacerda, supervisora do

Procon-SP, avalia que alguns pontos da

Resolução trazem prejuízos aos consumidores,

entre eles a possibilidade do

percentual de coparticipação atingir 60%

nos contratos coletivos empresariais, a

incidência de mecanismos financeiros

nas internações e no atendimento de

urgência e emergência, em que pese o

valor ser fixo; e o limite de exposição

financeira mensal e anual não ser sufi-

❙❙

Ana Carolina Navarrete, do Idec

ciente para evitar o endividamento do

beneficiário. “Tudo isso pode levar o

consumidor a retardar o tratamento de

sua saúde, ou mesmo recorrer ao SUS por

não conseguir arcar com as despesas de

mensalidade somada à coparticipação e

franquia”, declara. Outra preocupação é a

forma como esses planos serão ofertados

aos consumidores, ou seja, se eles serão

suficientemente esclarecidos sobre o tipo

de produto que estarão contratando.

A isenção de procedimentos e o

limite de exposição financeira, que não

existiam na normativa anterior, são

bem-vindos, mas de acordo com Livia

Coelho, advogada da Proteste – Associação

Brasileira de Defesa do Consumidor,

insuficientes para inibir o endividamento

dos consumidores ou para garantir os

tratamentos preventivos de saúde. “Os

planos de saúde estão cobrando valores

tão elevados que pode-se dizer que estão

praticamente impossíveis de serem pagos

pelos consumidores”, alega. Enquanto

os problemas estruturais relacionados

à saúde não forem atacados no Brasil

(como um sistema público que não funciona,

a tributação excessiva e a inflação

médica, que chega a ser quatro ou cinco

vezes superior à inflação oficial), toda a

legislação será insuficiente na resolução

do problema de forma efetiva.

Ao contrário das instituições ligadas

aos planos de saúde, a Proteste acredita

que com a RN 433 há chances de que

o mercado passe a não oferecer planos

sem franquia e coparticipação. “O que

poderia ser uma opção a mais será, nesse


caso, a única opção do usuário”, alega.

Ela afirma que os consumidores que

utilizam muitos procedimentos poderão

dobrar seus gastos com saúde por ano e

que a lista de procedimentos isentos de

cobrança traz algumas falhas como, por

exemplo, a mamografia (isenta somente

a cada dois anos, sendo que em geral os

médicos recomendam que ela seja feita

anualmente). “A lista privilegia médicos

generalistas em detrimento de especialistas

e isso pode levar à descoberta tardia

de doenças mais graves, o que se contrapõe

ao princípio da prevenção”.

Com a palavra, a ANS

A Agência assegura que a RN 433

limita a liberdade de atuação das operadoras,

que terão que formatar seus

produtos conforme os parâmetros da norma,

ao mesmo passo que confere maior

segurança jurídica ao deixar claro quais

são estes parâmetros e reforça o papel

das empresas na gestão mais eficiente

da saúde de seus beneficiários, com foco

em atenção primária e programas de prevenção

de doenças e promoção da saúde.

Menciona ainda que a resolução prevê de

forma expressa a coparticipação positiva

ou concessão de bônus aos beneficiários

como forma de incentivo aos bons hábitos

de saúde dos mesmos e suas rotinas de

prevenção.

Sobre o fato do consumidor ter de

desembolsar a mais pelos produtos, a

Agência afirma que o modelo previsto

para entrar em vigor objetiva justamente

❙❙Maria Lacerda, do Procon-SP

o contrário: ele já saberá, de antemão,

que o máximo que irá pagar – caso use

intensivamente o plano – será o mesmo

valor da mensalidade. “É incorreto dizer

que o consumidor terá aumento de 40%

no seu plano. Ele terá um limite. Hoje, há

planos que cobram 50%, 60% e até 70%

de coparticipação aplicáveis a todos os

procedimentos e sem limite máximo de

cobrança. Ou seja, a realização de muito

procedimento, na vigência da Consu 8,

pode resultar na oneração excessiva do

consumidor”, explica Rodrigo Aguiar.

O percentual estipulado, fundamentado

em diversos estudos, leva em conta

um valor capaz de inibir a utilização do

plano por conveniência, sem resultar em

um valor excessivo ao ponto do beneficiário

deixar de buscar o atendimento

efetivamente necessário. Esse limite

máximo, aliado aos demais limites que

reduzem os riscos aos beneficiários (limite

de exposição financeira, isenção de

cobrança em procedimentos e concessão

de bônus e descontos aos beneficiários

como forma de incentivo aos bons hábitos

de saúde e rotinas de prevenção),

reduzem os impactos financeiros para o

consumidor.

Segundo Aguiar, com os limites de

exposição financeira, por exemplo, o consumidor

somente receberá cobrança de

coparticipação e franquia até o limite do

valor da própria mensalidade nos casos

em que fizer uma utilização muito intensa

do plano de saúde naquele determinado

mês. Caso sua utilização seja eventual,

somente receberá a cobrança relativa à

realização daquele determinado procedimento

ou da utilização de determinado

serviço, estando limitado, no caso da

coparticipação, por percentual, a 40% do

seu valor. “Se ele realizar uma consulta

de R$ 70, pagará, no máximo, R$ 28”,

exemplifica o diretor.

Já a inclusão de mais de 250 procedimentos

e eventos em saúde isentos de

cobrança de coparticipação e franquia

vão beneficiar, por exemplo, os pacientes

crônicos e idosos, que não poderão ter

cobrança em exames preventivos.

Quanto à discussão sobre a regulamentação

desses mecanismos, a ANS

lembra que o tema foi debatido em diversas

oportunidades. “Essa, inclusive, foi

❙❙

Livia Coelho, da Proteste

uma das normas editadas que mais teve

discussões com a participação de representantes

da sociedade”, assegura Aguiar.

O tema “Mecanismos Financeiros de

Regulação” é debatido na agência desde

2005, quando foi aberto um processo

administrativo para revisão da Resolução

Consu 8. Desde então, já foi objeto

de duas Consultas Públicas, em 2006 e

2017; uma Câmara Técnica, em 2012;

e um Grupo de Trabalho, em 2015. Em

2016, os debates ganharam mais vigor,

resultando na constituição de um Grupo

Técnico específico sobre o assunto para

discussão com a sociedade.

Na sequência, o tema passou por

audiência pública, consulta pública, e,

por último, foi realizada pesquisa aberta

à participação de toda a sociedade. “Em

números gerais, a consulta pública sobre

o tema recebeu 1.177 contribuições da sociedade

e a pesquisa pública contou com

645 contribuições”, contabiliza o diretor,

destacando que todos os documentos

relativos às discussões promovidas pela

ANS sobre o tema estão disponíveis no

portal da Agência, a fim de dar transparência

à sociedade e dirimir eventuais

dúvidas.

“Cabe destacar, ainda, que os órgãos

de defesa do consumidor são ouvidos e

possuem assento nas diversas instâncias

de participação social instauradas pela

reguladora. Durante a consulta feita à

sociedade, a ANS recebeu cerca de 140

contribuições de representantes de defesa

do consumidor, das quais 74 foram totalmente

ou parcialmente acatadas”, afirma.

23


egulação

Por fim, a Agência diz que monitorará

a aplicação da norma para confirmar se

serão ofertados aos consumidores tanto

planos com coparticipação e franquia

como planos sem essas condições, na

forma como determina a regulação.

Nada de novo

A participação do beneficiário em

determinados procedimentos e a instituição

de um limite para que a operadora

de planos de saúde seja integralmente

responsabilizada são mecanismos financeiros

de regulação largamente utilizados

pelo mercado de saúde suplementar, diz

Márcio Dainesi, advogado especialista

em saúde suplementar e sócio na Dainesi

& Parré Advogados.

“Mesmo antes de 1998 algumas

operadoras já utilizavam esses fatores

de moderação, pois tais princípios e

conceitos são oriundos do mercado segurador

em geral, que é muito anterior ao

mercado de saúde suplementar”, afirma,

acrescentando que apesar de intensificar

a comercialização e a efetiva operação

de produtos com mecanismos financeiros

de regulação, a RN 433 não altera a

dinâmica do setor.

Sendo assim, a edição da norma

ajudou a difundir o assunto que, embora

já fosse praticado, não era tão conhecido

pela população. Agora, é preciso buscar

a conscientização de todos os agentes do

mercado (operadoras beneficiários/empresas

contratantes, médicos/prestadores de

serviços) de que a utilização de fatores de

moderação resultará na democratização

COPARTICIPAÇÃO E FRANQUIA

PRINCIPAIS REGRAS

❱❱

O valor máximo pago pelo beneficiário não pode ultrapassar

o valor correspondente à mensalidade (limite mensal) ou a 12

mensalidades (limite anual)

»»

Por exemplo, se o beneficiário paga R$ 100 de mensalidade,

o limite mensal não pode ultrapassar R$ 100. Com isso o

beneficiário irá pagar, neste mês, no máximo R$ 200.

❱❱

Isenção de cobrança para mais de 250 procedimentos, como

exames preventivos, tratamento de doenças crônicas e exames

de pré-natal e neonatal.

❱❱

Proibido uso de coparticipação e franquia diferenciado por

doença ou patologia.

❱❱

Para atendimento em pronto socorro ou durante internação,

deve ser aplicado valor monetário fixo e único contemplando

todos os serviços e procedimentos.

❱❱

Informações devem ser detalhadas no contrato.

❱❱

Operadoras deverão divulgar extrato de utilização dos procedimentos

com os valores aplicados em seus sites, na área do Portal

de Informações do Beneficiário da Saúde Suplementar (PIN-SS).

❱❱

Percentual máximo de coparticipação não pode ultrapassar

40% do valor do procedimento.

❙❙Márcio Dainesi, da Dainesi & Parré

24

do plano, uma vez que as pessoas que hoje

não possuem condições de contratá-lo

poderão fazê-lo – desde que coparticipem

financeiramente com uma contribuição

mínima em restritos procedimentos, ficando,

no caso de adversidades, assegurada

sua assistência médico-hospitalar independente

do valor total que o procedimento

ou internação gerará.

“Trata-se de franquear acesso a um

público que hoje se encontra relegado ao

SUS, que, embora se esforce a cumprir

seu munus constitucional, não possui

capilaridade e capacidade assistencial

e financeira para garantir assistência à

saúde a todo o país”, finaliza.


25


especial saúde | tecnologia

Setor em

transformação

Novas ferramentas

geram inteligência

e soluções para

melhor utilização dos

recursos, redução

dos desperdícios,

entrega de melhores

resultados e acesso

a assistência mais

assertiva

Lívia Sousa

O

mercado de produtos para

saúde cresce no mundo todo

e cria oportunidades para

novos players. Esse cenário é

evidenciado com o envolvimento crescente

da indústria da tecnologia da informação

na área da saúde, as parcerias criadas

com empresas do setor e a proliferação de

startups. Surgem novos aplicativos, novas

tecnologias e soluções decisivas para

melhorar a sustentabilidade do sistema e

sua produtividade.

Suíça, Islândia, Suécia, Coréia do

Sul e Itália são referências mundiais em

healthcare, setor que engloba o mercado de

cuidados com a saúde e assistência médica.

Além do uso de recursos tecnológicos

para desenvolvimento de seus sistemas

de saúde, a extensão demográfica desses

países, em sua maioria pequenos em território,

favorece o controle e aplicação de

medidas igualitárias. Ainda fazem parte

da lista Estados Unidos, Canadá, Europa

Ocidental e Japão, por já lidarem com o

envelhecimento da população há algum

tempo e discutirem a saúde pública e privada

– o envelhecimento da população é

um fator fundamental para o planejamento

estratégico dos setores público e privado,

visto que o número de incidência de doenças

crônicas cresce e, consequentemente,

a necessidade de suporte de produtos (medicamentos,

equipamentos médicos etc)

e serviços (atenção farmacêutica, maior

26


acesso aos médicos, entre outros) para a

prevenção de novas doenças ou ganho de

qualidade de vida.

“Cada vez mais os aplicativos e

startups estão sendo aprimorados, modificando

a maneira de se exercer a medicina,

o ensino médico, e a própria relação

médico-paciente, porque possibilitam,

entre inúmeras opções, monitoramento

e atendimento à distância. Essas inovações

conferem maior responsabilidade

ao paciente pela gestão da própria saúde

e, além de beneficiá-lo, geram economia

para as operadoras e para o sistema de

saúde como um todo”, diz Carlos Goulart,

presidente executivo da Associação

Brasileira de Indústria de Alta Tecnologia

de Produtos para Saúde (Abimed).

O sistema de saúde brasileiro também

passa por uma série de transformações.

Tecnologia de ponta já é encontrada em

hospitais de renome que contribuem para

o tratamento mais efetivo do paciente.

Por aqui, há um mercado crescente, com

demandas igualmente crescentes neste

sentido. O setor de healthcare ganhou

maturidade nos últimos anos, apesar da

crise econômica e aumento significativo

de custos que limita a capacidade do

governo para lidar com as necessidades

da população.

“O mercado vem em uma transformação

crescente desde 2014, quando o

capital estrangeiro passou a ser permitido

no Brasil. Antes disso, vivia de modelos

de gestão mais tradicionais. Desde então,

se profissionalizou e eu acredito que há

espaço para consolidação, principalmente

para o setor hospitalar. Isso deve

continuar nos próximos anos”, garante o

sócio-diretor da KPMG, Daniel Greca.

Aplicação e oportunidades

Além de contar com milhares de

produtos e dos mais sofisticados equipamentos

a commodities de uso hospitalar, o

setor vem se transformando com a Internet

das Coisas, a nanotecnologia, a inteligência

artificial e a realidade aumentada, que

são fundamentais para melhorar a sustentabilidade

do sistema de saúde. A difusão

da tecnologia dentro deste mercado gera

inteligência e soluções imprescindíveis,

em médio e longo prazos, para uma melhor

utilização dos recursos e redução dos desperdícios,

o que proporciona diminuição

de custos, entrega de melhores resultados

aos pacientes e maior acesso a uma assistência

mais assertiva.

Entre as ferramentas mais disseminadas

estão os sistemas de Gestão da Saúde

ou de Gestão Hospitalar, mais conhecidos

por Healthcare Information System (HIS),

assim como o Big Data. Por meio dele, o

desenvolvimento de indicadores que podem

ser utilizados para a gestão, definição

do perfil do paciente, interação medicamentos,

estratégias de conduta médica,

entre outros, estão ganhando espaço e se

transformando em tendência.

Além desses, a utilização de ferramentas

com tecnologia móvel, como os

smartphones, para monitorar remotamente

o paciente, cresce rapidamente. Mas, onde

estão as oportunidades no Brasil? “Vejo a

integração entre a saúde pública e a saúde

privada. “Existe um abismo entre as duas

saúdes, embora pelo menos do ponto de

vista teórico isso deveria estar em conjunto.

O país tem uma oportunidade gigante

de fazer essa junção, sempre pensando

no cidadão lá na ponta, que é quem vai

receber o serviço”, aposta Greca.

Contudo, é preciso mitigar ou diminuir

a necessidade de serviço de saúde,

trabalhando de uma forma preventiva e

olhar ampliado para o paciente, de uma

forma mais integrada. “Essa integração

parece simples, mas ela passa por princípios

básicos, como ter acesso a todas

as informações e histórico do paciente.

Passa pelo prontuário eletrônico único,

pela integração das informações e

❙❙Carlos Goulart, da Abimed

❙❙Daniel Greca, da KPMG

27


tecnologia

❙❙Eliane Kihara, da PwC Brasil

compartilhamento entre todos os elos da

cadeia, seja público ou privado, porque

o paciente pode ter um plano privado,

mas tomar uma vacina em um posto

de saúde do município, por exemplo”,

elucida Eliane Kihara, sócia da PwC

Brasil. Passa, ainda, por uma estrutura

de atenção primária em que o paciente

tenha um médico ou um conjunto de profissionais

com familiaridade com o seu

histórico para fazer o acompanhamento

e encaminhá-lo adequadamente para

um atendimento secundário e terciário,

se necessário. “A lógica parece óbvia,

mas existe ainda um gap enorme dentro

do Brasil para se atingir esse nível de

integração para, no final do dia, otimizar

a utilização de recursos”.

Autocuidado atrai as

empresas

Uma pesquisa global feita pela

IQVIA apontou que uma em 20 buscas

❙❙Rodrigo Kurata, da IQVIA

28

no Google são relacionadas à saúde e

que 60% da população tende a tomar um

medicamento isento de prescrição antes

de marcar uma visita ao médico. Ainda

de acordo com o levantamento, 95% das

pessoas concordam que o autocuidado

está fortemente relacionado à responsabilidade

pela própria saúde, 67% procuram

monitorar os problemas de saúde, 59%

usam produtos isentos de prescrição para

gerenciar os sintomas do dia a dia, 83%

dos consumidores acham que os websites

e apps os ajudam na dieta e 81% dos

shoppers pesquisam online antes de fazer

grandes compras.

“Os números refletem o autocuidado,

que vemos hoje como tendência, e

explicam a atratividade de trabalhar tecnologia

no segmento de saúde”, declara

Rodrigo Kurata, diretor da Unidade de

Negócios Consumer Health da IQVIA.

Atualmente são mais de 320 mil aplicativos

de saúde existentes no mundo e

mais de 1 mil wearables e clinical devices

disponíveis para o consumidor, desde

apps no formato gamification para a

gestão de doenças crônicas até aparelhos

transdérmicos para controle de nicotina,

chatbots, inteligência artificial por voz

e Google Assistant, que em breve deve

ir para o caminho de serviços de saúde,

segundo o executivo. “Tudo isso já é realidade

no Brasil e a penetração dessas

ferramentas de saúde está cada vez maior,

o que certamente contribuirá muito com

a eficiência do setor”.

Porém, é preciso disseminar o conceito

de autocuidado, que passa principalmente

pelo conhecimento da população

sobre a gestão da própria saúde. “Infelizmente

o brasileiro é reativo às doenças

e não se previne adequadamente para

melhorar sua saúde física e mental”, diz

Kurata, alegando que muitos dos problemas

poderiam ser evitados se as pessoas

tivessem consciência sobre como se cuidar,

desde um bom sono e alimentação

até o conhecimento sobre o uso de medicamentos

isentos de prescrição para suas

dores do dia a dia (sem precisar recorrer

ao posto de saúde, hospital ou SUS).

Tecnologia na prática

A Amil é uma das empresas de saúde

que investem em tecnologia. Na com-

panhia, o big data é aplicado na análise

avançada de dados que dão suporte às

decisões administrativas e assistenciais.

“Por meio dele, identificamos os beneficiários

com maior potencial de adesão a

iniciativas de gestão de saúde, os clientes

que mais fazem uso do sistema e as razões

que os levam a isso, e o caminho percorrido

por um cliente insatisfeito, entre

outras informações”, explica o diretor

de crescimento e inovação em produtos,

Mario Saddy.

Na área clínica, a aposta é no projeto

de Natural Language Processing (NLP)

que analisa os dados carregados pelos

médicos que usam o sistema da companhia

para atualização do prontuário do

paciente. A ferramenta faz uma leitura

inteligente das anotações, que vão desde

observações clínicas a resultados de

exames, e interpreta os dados, sinalizando

prováveis relações com doenças

❙❙Mario Saddy, da Amil


específicas. Em seguida, essas informações são salvas

em um grande banco de dados Clinical Data Warehouse

(CDW), para posterior atuação dos cientistas de dados.

O objetivo é gerar insights para gestão médica.

Outra ferramenta, o MCG, permite o compartilhamento

das melhores diretrizes clínicas baseadas em

evidências científicas, de forma online, entre médicos que

atuam diretamente em hospitais próprios e credenciados

de nove estados brasileiros. Com a iniciativa, aponta

Saddy, foram registradas, em 2016 e 2017, quedas de

26% e 16% no tempo médio de internação hospitalar e

em unidades de terapia intensiva, respectivamente, e de

3% na mortalidade do grupo de pacientes monitorados.

Já no campo da Gestão de Saúde Populacional,

utilizamos a inteligência artificial para ajudar a prever a

progressão de doenças crônicas em determinados pacientes.

Esse processo envolve a identificação, a estratificação

e a análise de populações de clientes da Amil, além de

subsidiar ações estratégicas de cuidado.

Há ainda o sistema de Gestão Inteligente de Leitos,

por meio do qual é possível otimizar o processo de ocupação

pelos pacientes internados, considerando variáveis

como agendamento, necessidade dos médicos, tipo de

cirurgia, deslocamento até o hospital e até tempo de

higienização e liberação do leito.

Saddy enxerga a necessidade de transformação do

mercado. “Ações de cuidado coordenado, equipamentos

de alta geração, técnicas inovadoras e capacitação profissional

proporcionarão cada vez mais qualidade de vida e

segurança para pacientes e beneficiários. Nesse sentido,

a tecnologia será fundamental para a análise de dados e

o cruzamento de informações de forma rápida e eficiente,

apoiando a tomada de decisões”, acredita, ressaltando

que, atrelado aos resultados que a tecnologia oferece,

está o olhar do profissional. “É por meio das pessoas

que conseguimos oferecer um atendimento qualificado

e acolhedor, tornando a experiência dos beneficiários

ainda melhor dentro da nossa rede”, aponta.

Desafios

Com a globalização,

os profissionais de

saúde no Brasil têm à

disposição a mesma

tecnologia utilizada por

países desenvolvidos.

Contudo, alguns pontos

acabam prejudicando

a aplicação das

ferramentas, como a

desigualdade social e

a falta de investimento

nessas tecnologias,

principalmente na saúde pública.

“Além das dificuldades financeiras, do envelhecimento populacional

e dos problemas de gestão, um dos principais desafios

é a gestão de pessoas. No Brasil, ainda temos dificuldade na

contratação de mão de obra qualificada, dificuldade em alocar

profissionais em regiões distantes dos grandes centros, além da

falta de profissionais em especialidades específicas”, completa

Jocelmo Pablo Mews, diretor de Gestão de Pessoas da Pró-Saúde

Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar.

O sistema de remuneração brasileiro também é um entrave,

pois não é sustentável. É preciso evoluir para um sistema de remuneração

por performance e não por procedimento.

O envelhecimento da população, o aumento de doenças

crônicas, avanços tecnológicos, demanda reprimida, setor público

sobrecarregado, entre outros, são outros fatores que impactam diretamente

no mercado de saúde no Brasil. Para fazer frente a esses

itens, questões importantes devem ser levadas em conta, tais como

reformas na saúde, redução de custos, qualidade, segurança do

paciente e infraestrutura. “Diante da burocracia do setor público e

do dinamismo na saúde, cada vez mais se faz necessário o aumento

das parcerias públicas e privadas para gerir o setor”, diz Mews.

29


especial saúde | odonto

A saúde

começa

pela boca

Mercado de planos odontológicos

apresenta resultados expressivos

e deve seguir em expansão, mas

ainda precisa conquistar quem

desconhece o serviço e seu custobenefício

Lívia Sousa

Os planos exclusivamente

odontológicos superaram,

em maio de 2018, a marca de

23 milhões de beneficiários.

No total, 1,2 milhão de novos vínculos

desse tipo foram firmados nos 12 meses

encerrados no período, o que significa um

incremento de 5,3%. A maior parte dos

vínculos se concentra no Sudeste do país

(13,5 milhões). O montante cresceu 4,8%,

acrescentando 623,1 mil novos vínculos

na região, mais do que todas as outras

regiões somadas.

Há alguns motivos para que isso

aconteça. Os custos do produto são mais

atrativos se comparados aos planos comuns,

o que permite tanto as famílias

acessá-los com mais facilidade quanto às

empresas oferecê-lo como benefício, com

menos impacto nos seus custos – esse

último, aliás, é justamente um dos pilares

do crescimento destes planos. Cada vez

30

mais companhias oferecem o benefício

como uma forma de reter talentos. A

exemplo do que acontece com os planos

médico-hospitalares, os planos coletivos

empresariais respondem pela maior parte

dos vínculos odontológicos: são 16,9

milhões (74,4% do mercado).

“O plano odontológico tem um ticket

médio extremamente acessível, um fator

importante de inclusão social de uma camada

da população que não tem condições

de arcar com os custos de um tratamento

odontológico”, explica Armando Rodrigues

Filho, diretor da Dentalpar Assistência

Odontológica, empresa que conta com

100 mil beneficiários e espera alcançar

maior participação no mercado de saúde.

“Temos uma expectativa de melhorar

nosso desempenho, especialmente quando

fazemos uma comparação com o mercado

de assistência médica. Existe um mercado

de saúde muito grande a ser atingido e o

plano odontológico pode dar ao beneficiário

uma percepção de satisfação muito

grande”, pontua. A garantia da satisfação

já é realidade: uma pesquisa elaborada em

2017 pelo Ibope, e encomendada pelo Instituto

de Estudos em Saúde Suplementar

(IESS), indica que 79% dos beneficiários

estão satisfeitos ou muito satisfeitos com

seus planos e que 81% os recomendariam

para um amigo ou parente.

Margem para crescimento

Os custos reduzidos em comparação

com os planos médico-hospitalares resultam

em mais uma distinção: não é o

acesso, mas a educação, o principal determinante

para que as pessoas mantenham

cuidados adequados com sua higiene

bucal. A conclusão é de Luiz Augusto

Carneiro, superintendente executivo do

IESS. “A escolaridade média dos brasileiros

cresceu 29,6% entre 2001 e 2015,


❙❙

Armando Rodrigues Fº, da Dentalpar

e o crescimento ultrapassou os 50% para

certos grupos. É natural que o cuidado

bucal e a busca e valorização dos planos

exclusivamente odontológicos cresçam

no País”, conclui.

Levando em conta esses fatores, ele

acredita que o segmento deve continuar

apresentando resultados positivos, mas

que também há razões para o mercado

ficar atento. “Como a maior parte dos

planos odontológicos é contratada pela

empresa para seus colaboradores, o avanço

do desemprego puxado pelo mercado

informal, não é um bom sinal”, explica.

Apesar do crescente número de adeptos

ao plano odontológico, o segmento

ainda conta com menos da metade do

total de vínculos médico-hospitalares.

De acordo com a Agência Nacional de

Saúde Suplementar (ANS), só 12% da

população possui o produto. Já os dados

mais recentes divulgados em 2015 pelo

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE) revelam que 55,6% dos

brasileiros não se consultam regularmente

com um dentista.

Muitas pessoas desconhecem o

serviço e, por isso, ficam em dúvida se

o investimento vale à pena. Fazer um

trabalho de conscientização sobre a

importância da saúde bucal é o primeiro

❙❙

Luiz Augusto Carneiro, do IESS

passo para que esse quadro se reverta. “A

maior oportunidade está na conscientização

da população sobre a importância

dos cuidados com a saúde bucal”, afirma

Geraldo Almeida Lima, presidente do

Sindicato Nacional das Empresas de

Odontologia de Grupo (Sinog). A partir

31


odonto

❙❙

Geraldo Almeida Lima, do Sinog

do momento que houver essa percepção,

segundo ele, será possível equiparar

o número de beneficiários de planos

odontológicos aos que possuem planos

médicos. “Essa educação engloba o fato

de possuir o benefício em longo prazo.

Hoje, percebemos uma taxa significativa

de cancelamento de contratos individuas

(2,9% ao mês), que geralmente ocorrem

depois que o indivíduo realiza algum

tipo de tratamento. Nos planos coletivos

empresariais essa taxa é de 2,3%, e 1,9%

nos coletivos por adesão”, acrescenta.

Até o fim deste ano, o Sinog estima

um crescimento de 3,1% na adesão ao

produto, encerrando o período com 23,7

milhões de pessoas cobertas.

32

Novas portas para o corretor

Além do gap gerado por quem

se encontra desprovido de um plano

odontológico, é importante frisar que o

Brasil concentra 19% de toda a população

de cirurgiões-dentistas do mundo,

sendo o destino preferido de indivíduos

que pretendem realizar um tratamento

odontológico, tanto do ponto de vista da

qualidade quanto de custo, condições

que abrem novas portas para o mercado

e também para os corretores.

A Horizonte Corretora de Seguros

iniciou a comercialização no ramo odontológico

em 2009. Aproximadamente

15% da carteira pessoa jurídica da empresa

possui plano odontológico e a meta

é dobrar esse percentual até 2020. “É um

segmento de risco menor, que não sofre a

mesma pressão de custo da área médica,

é mais estável”, garante o sócio-proprietário,

Josué Lolli. Para os corretores,

a vantagem de trabalhar com produtos

na área de benefícios é a fidelização da

empresa, pois uma vez que o profissional

passa a cuidar do bem mais precioso do

cliente, a saúde, consequentemente fica

mais fácil atendê-lo nos demais ramos.

Outro detalhe é que o contrato, uma vez

feito, tem faturas mensais, o que por si

só traz um rendimento mais equilibrado

à corretora, necessitando somente fazer

a gestão sobre a conta.

“Podemos contar com muitas vendas,

aumentando assim a possibilidade de

firmar parceria com novas empresas e

clientes e ofertar outros produtos e benefícios”,

diz Oldair Douglas Freitas, sócio-

-fundador da ConsulMed Consultoria em

Benefícios, que soma aproximadamente

oito mil clientes nessa carteira. Mas, para

se ter vendas em quantidade, é necessário

treinamento, foco e conhecimento para

argumentar e mostrar confiança nas vantagens

do produto, assegura o executivo.

Regulamentação específica

Um dos grandes desafios do setor

é criar uma regulamentação específica

para a odontologia suplementar, que considere

as diferenças e especificidades do

segmento. Na visão de Geraldo Almeida

Lima, do Sinog, isso poderia ampliar o

leque de produtos das operadoras.

“Precisamos tratar a questão da desproporcionalidade

das penalidades aplicadas

pela agência reguladora”, afirma.

Embora possuam capacidade financeira

significativamente menor, ele declara que

as operadoras odontológicas suportam

um peso muito maior do que o suportado

pelos planos de assistência médica. Além

de valores altos das multas, que podem

chegar a centenas de milhares de reais,

há ausência de regras claras, excesso de

79% dos beneficiários dos

planos odontológicos

estão satisfeitos ou

muito satisfeitos com

seus planos e 81% os

recomendariam para um

amigo ou parente

Fonte: Ibope

❙❙

Josué Lolli, da Horizonte

normativos a serem cumpridos e prazos

muito curtos para o atendimento de demandas

assistenciais, que dificultam o

cumprimento da legislação.

“O Sinog enviou um ofício à Agência

Nacional de Saúde Suplementar (ANS),

demonstrando que o valor disponível nas

operadoras exclusivamente odontológicas

para o custeio de despesas não assistenciais

é 5,23 vezes menor do que nas operadoras

de planos médico-hospitalares. Tal fato é

consequência principalmente das mensalidades

cobradas, visto que o ticket médio

dos planos odontológicos é de R$ 14,65 e

dos médicos é de R$ 263,60”, diz Lima,

avaliando que essa disparidade sobrecarrega

a capacidade econômica das operadoras

exclusivamente odontológicas e pode

comprometer a sustentabilidade do setor.

Procurada pela Revista Apólice, a

ANS afirmou, em nota, que toda sua atuação

é pautada em regras claras e de total

conhecimento do mercado regulado. As

normas que balizam a atuação fiscalizatória

da Agência são de 2006 (RN 124, que

trata do valor das multas) e de 2015 (RN

388, que trata do processo sancionador).

“Quanto à solicitação do Sinog, de

fato foi apresentado um ofício que solicitava

a redução das multas aplicadas

nas operadoras odontológicas em função

exclusivamente de seu porte econômico,

sem ponderação sobre o atendimento a

ser prestado a seus consumidores”, informou

a ANS, concluindo que “assim, não

há, até o momento, razão regulatória para

que a Agência considere o segmento de

forma diferenciada ao receber denúncias

de seus consumidores”.


especial saúde | odonto empresas

Nova campanha proporciona

ganhos para toda a cadeia

O equilíbrio de

benefícios entre

todos os agentes

da cadeia de planos

odontológicos é o foco

da campanha realizada

pela Odonto Empresas

A

palavra sustentabilidade agora

faz parte do vocabulário da

maioria das empresas, mas o

discurso precisa fazer jus ao

que é praticado no dia a dia. Assim, a

Odonto Empresas idealizou uma campanha

de incentivo que estimula os corretores

a buscar as melhores condições

para as empresas seguradas.

O início da campanha foi em 1º de

agosto, com duração até 31 de novembro.

Seu objetivo é fomentar a entrada de

renovações de outras operadoras de planos

odontológicos. “Os novos contratos

também serão bem remunerados, mas

há uma premiação mais forte para as

renovações”, explica Julio Cesar Felipe,

diretor executivo da Odonto Empresas.

Apesar de não deixar de lado as

❙❙Julio Cesar Felipe, da Odonto Empresas

empresas de menor porte, para esta

campanha o foco são as companhias com

mais de 400 vidas, com um período determinado

de contrato e tíquete mínimo.

Felipe explica que a premiação funciona

como um quebra-cabeça. À medida que

vai acrescentando condições dentro da

negociação a remuneração do corretor

de seguros aumenta. “Temos que fechar

o negócio quando atingimos um ponto

em que é bom para o cliente, bom para o

corretor de seguros e bom para a empresa”,

aponta Felipe.

A remuneração em dinheiro será

mais robusta para os corretores de

seguros, principalmente para que eles

possam fazer um caixa para enfrentar

o início do ano. O nome da campanha é

Ganha-ganha.

Apesar do ano de 2017 ter sido bastante

difícil para o setor de saúde de forma

geral, o mercado odontológico sofreu

menos. Segundo dados divulgados pela

Agência Nacional de Saúde Suplementar,

o ano terminado em maio de 2018 somou

1,2 milhão de novos consumidores para

o setor de odonto, que bateu a marca de

23 milhões de beneficiários.

O diretor executivo da Caixa Odonto

acredita que este cenário favorável para

o mercado de planos odontológicos

continua porque este é um benefício de

custo mais baixo para ser implantado.

“Algumas empresas fizeram downgrade

em seus planos de saúde. Para compensar,

procuraram um plano odontológico”,

reflete Felipe.

A Odonto Empresas pretende fechar

o ano de 2018 com crescimento de 20%

em seu faturamento. Para tanto pretende

ampliar sua penetração nas regiões em

que atua: Rio Grande do Sul, Paraná,

Santa Catarina, Bahia, Rio de Janeiro

e São Paulo, com a distribuição de produtos

feita por seus dois mil corretores

cadastrados.

Com uma rede de oito mil prestadores

de serviços em todo o País, os planos

da Odonto Empresas contam também

com convênio com farmácias, isenção

de pagamento para beneficiários de 0 a 3

anos e aplicativo inteligente para facilitar

a vida do segurado, que tem todos os

benefícios na palma da sua mão.

33


especial saúde | clínica popular

Um caminho para

escapar da crise

Clínicas populares

conquistam os

brasileiros que deixaram

de ter plano de saúde.

Novo modelo permite

que paciente escolha

quando e onde quer ser

tratado, mas apresenta

algumas ressalvas

Lívia Sousa

O

mercado dos Estados Unidos adota há mais de dez anos

uma solução de atendimento com clínicas médicas de

varejo voltadas a uma população cada vez maior. Localizadas

em centros comerciais e supermercados, as clínicas

contam com atendimento rápido e barato para os padrões americanos:

uma consulta pode custar entre US$ 35 e US$ 60. Estima-se que por

lá 45 milhões de pessoas utilizem esse serviço, seja pelo custo ou pela

carência dos planos de saúde.

No Brasil e em países da América Latina, as clínicas populares

sempre existiram em bairros ou cidades que carecem de atendimento

médico público. Agora, se expandem para os grandes centros e ganham

cada vez mais atenção dos brasileiros. Isso porque muitos trabalhadores

perderam o emprego com a crise econômica e, consequentemente, o

acesso ao convênio médico – a maioria dos planos de saúde contratados

no país é coletivo.

34


❙❙

Lilian Martins, analista

De acordo com a Agência Nacional

de Saúde Suplementar (ANS), entre 2015

e 2017 mais de três milhões de pessoas

deixaram de ter planos de saúde no país

e ficaram com a opção de utilizar os serviços

do Sistema Único de Saúde (SUS),

que embora na teoria seja considerado

um dos modelos de planos de saúde mais

avançados do mundo, na prática enfrenta

muitas dificuldades e queixas por parte

dos usuários. Outros dados, coletados em

uma pesquisa realizada pelo Serviço de

Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela

Confederação Nacional de Dirigentes

Lojistas (CNDL) em parceria com o Ibope,

constataram que 56% dos brasileiros

acreditam que a saúde pública piorou no

último ano.

Como funcionam

O custo de uma consulta em uma clínica

popular é, em média, de R$ 75, valor

que pode variar conforme a especialidade

médica, horário ou localidade do atendimento.

Também são vendidos exames e

terapias de baixo impacto. Emergências

têm prioridade e há ainda a possibilidade

de se realizar exames (como hemograma,

ecocardiograma, endoscopia e teste ergométrico)

no próprio local de atendimento.

A agilidade nos serviços joga a favor de

quem não quer enfrentar a longa espera

dos hospitais públicos.

“Minha mãe esperou por mais de

seis meses para passar no cardiologista

pelo SUS. Cansei e marquei uma consulta

para ela em uma clínica popular”, diz a

analista Lilian Martins, de 28 anos, que

❙❙

Arthur Junqueira, da TPA Saúde

recorreu ao serviço após indicações de

amigos. Ela garante que não teve nenhum

tipo de problema até o momento. “Os

médicos são muito bons e atenciosos. Não

tenho do que reclamar”, afirma.

Mesmo aqueles que possuem um

plano de saúde, em alguns casos, podem

utilizar esses centros médicos, seja pela

proximidade e a existência de convênio

de atendimento ou pelo baixo custo de

aquisição. Contudo, atrair pacientes para

este modelo de atendimento será uma tarefa

de planejamento e comunicação, afirma

Arthur Junqueira, gerente executivo

da TPA Saúde, empresa de administração

e gestão de saúde corporativa.

“Também não podemos esperar que

todos os pacientes do SUS migrem para

um modelo privado de baixo custo, mas

podemos afirmar que parte dos segurados

do Sistema Único de Saúde, com melhores

condições financeiras, poderão ocasionalmente

utilizar um sistema privado

para suprir as carências da saúde estatal.

Os pacientes, quando têm alternativas,

fazem escolhas sobre quando e onde

querem ser tratados”, declara Junqueira.

Se o paciente paga por uma consulta

ou para a realização de exames básicos e

laboratoriais em um local em que chega

Entre 2015 e 2017, mais de

três milhões de pessoas

deixaram de ter planos

de saúde no país

Fonte: ANS

❙❙

Salomão Rodrigues, da CFM

e é atendido no mesmo dia, também

é importante saber que esse sistema

apresenta algumas ressalvas e que nem

sempre poderá resolver o seu problema.

Nenhuma dessas clínicas atende a todas

as especialidades. Elas apenas fazem um

atendimento básico, de clínica médica, e

um atendimento de áreas de especialidades

onde a procura é mais frequente.

Ou seja: nas clínicas populares, o médico

tem condições de resolver problemas de

baixa complexidade. “O paciente pode ser

atendido, achar que vai ter o seu problema

resolvido e, no final da consulta, com

alguns exames básicos feitos, o médico

pode dizer que o problema dele é mais

complexo e pedir para que ele procure

um especialista em outra área”, lembra

Salomão Rodrigues, coordenador da Comissão

Nacional de Saúde Suplementar

do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Regras para um mercado

crescente

Ainda não há números que indiquem

quantos estabelecimentos desse tipo existem

no país. “Elas [clínicas populares]

são registradas como ambulatório. Temos

a separação do que é ambulatório (conjunto

de consultórios sem internação, mas

com alguns pequenos procedimentos), do

que é hospital (maior complexidade) e do

que é consultório (local de atendimento

de um a três médicos). As clínicas populares

estão no grupo de ambulatórios”,

explica Rodrigues. Apesar disso, o surgimento

de novas clínicas e a procura pelo

serviço apontam que seu crescimento é

35


clínica popular

Fique de olho

Antes de recorrer às clínicas populares,

certifique-se o estabelecimento

está registrado no Conselho Regional

de Medicina. No site do CRM também

é possível ver se o médico realmente

possui a especialidade registrada. Isso

dá a segurança de que o paciente terá

atendimento com maior qualidade.

nítido, despertando o interesse não só de

grupos formados por próprios médicos,

mas de grandes empresários que passam

a trabalhar com entusiasmo neste nicho.

Um mercado em ascensão necessita

de regras e, em janeiro deste ano, o

CFM determinou algumas normas para

o funcionamento deste setor. Dentre

as determinações estão o registro no

Conselho Regional de Medicina (CRM)

do estado em que atuam e a obrigatoriedade

de indicação do diretor técnico

médico responsável no CRM. Também

foi vedada a divulgação dos valores de

consultas, procedimentos e exames e

condições de pagamento fora dos estabelecimentos

(inclusive em panfletos e

anúncios publicitários) e o fornecimento

de cartões de descontos, fidelidade ou similares.

O corpo clínico deve contar com

médicos comprovadamente habilitados

para o exercício da medicina no Brasil

e os serviços colocados à disposição

da população devem se limitar a atos e

procedimentos reconhecidos pelo CFM.

Na Resolução, ficou proibida ainda

a instalação das clínicas junto a estabelecimentos

que comercializem órteses,

próteses, implantes, produtos e insumos

❙❙Jorge Sale Darze, da Fenam

36

médicos. Elas não podem estar próximas

a óticas, farmácias, drogarias e comércio

varejista de combustíveis, ou em interação

com estabelecimentos comerciais de

estética e beleza. Entretanto, seu funcionamento

é autorizado em locais de grande

fluxo de pessoas, como shoppings centers.

Para tanto, devem obedecer às normas do

CFM no que diz respeito ao ato médico

e dispositivos para segurança predial e

rotas de fuga para situações de pânico,

de acordo com a legislação específica.

Oportunidade para o médico,

desafio para o setor

Salomão Rodrigues, do CFM, e

Jorge Sale Darze, presidente da Federação

Nacional dos Médicos (Fenam),

afirmam que no SUS o profissional é

mal remunerado e não tem a segurança

necessária para executar o seu trabalho.

Neste cenário, é comum encontrar profissionais

que, em geral, somam mais

de três relações de trabalho para tentar

sobreviver através desses empregos. Eles

revelam ainda que a saúde suplementar

já não é tão atrativa para os médicos em

razão das dificuldades que apresenta e

da impossibilidade dos profissionais de

tentar reverter essa situação.

Também nos planos de saúde tradicionais,

mesmo com o paciente agendando

a consulta com antecedência, os

médicos levam de dois a três meses para

ver seu atendimento se transformar em

pagamento. “Apesar do preço cobrado

por uma consulta ser baixo, as clínicas

populares tem um alto volume de atendimento

e o médico recebe em um dia. Ele

vai passar o dia em uma clínica popular

e, ao final desse mesmo dia, receberá o

fruto do seu trabalho”, explica Rodrigues,

reiterando que esses fatores interferem e

favorecem o surgimento desse mercado.

Na avaliação de Darze, os médicos

adotam um sistema diferente, com valores

mais baixos de consulta, como uma

alternativa de sobrevivência ao mercado

adverso que existe fora de seu consultório,

que apresenta dificuldades tanto no setor

público quanto no privado. Ele lembra

ainda que grande parte da insatisfação da

população com o SUS se dá pela dificuldade

de acesso aos médicos. “Se o problema

está no acesso ao médico, a clínica popular

Princípios

fundamentais

Arthur Junqueira, da TPA Saúde,

lembra que as clínicas devem ser

norteadas por alguns princípios fundamentais

que sintetizam a missão

complementar ao Sistema Único

de Saúde e seu compromisso com

a população, além de respeitar os

princípios fundamentais de qualquer

sistema de saúde, que são:

❱❱

Fornecer serviço de baixa complexidade

a todos baseados nas necessidades

clínicas e não na capacidade

de pagamento;

❱❱

Basear-se nas necessidades e preferências

individuais dos pacientes,

familiares e seus responsáveis;

❱❱

Trabalhar continuamente para prover

serviços de qualidade;

❱❱

Trabalhar com parceiros estratégicos

– laboratórios, farmácias, hospitais

e clínicas especializadas – para

assegurar a continuidade do atendimento

aos pacientes;

❱❱

Ajudar a manter a saúde da população

e reduzir a desigualdade na

saúde;

❱❱

Respeitar a confidencialidade dos

pacientes e prover o livre acesso

a informações sobre os serviços e

tratamentos.

é uma forma de facilitar esse acesso”, diz.

Contudo, as clínicas populares

também farão com que as operadoras

busquem outras alternativas para conviver

com esse sistema – não à toa, o

próprio governo estimula essa medida

com a criação do chamado plano de

saúde popular, um plano de baixo custo,

com coberturas básicas, que oferece aos

usuários menos serviços e atendimentos

do que o estabelecido pelas coberturas

mínimas obrigatórias da Agência Nacional

de Saúde Suplementar (ANS) e que

divide opiniões entre os especialistas.

“Isso é uma aberração. O governo, ao

invés de incentivar a abertura de novos

planos populares de saúde, deveria investir

no SUS e tirá-lo da condição crítica em

que se encontra”, opina Darze.


produto | riscos cibernéticos

Proteção local

Aumento de incidentes

cibernéticos e apoio da

regulamentação surgem como

molas propulsoras de um mercado

que, embora tenha potencial

bilionário, ainda engatinha no País.

Tais perspectivas atraem cada

vez mais um maior número de

seguradoras que, por ora, ainda

disputam uma fatia de um bolo

pequeno no mercado

Manuela Almeida

Embora ainda se assemelhe mais

a um gigante adormecido, o

mercado de riscos cibernéticos

ganha impulsionadores que

podem torná-lo um nicho de negócios

relevante sob a ótica do seguro no Brasil.

Contribuem para que este segmento não

só acorde bem como deslanche no País

o número crescente de incidentes com

gestão de dados por parte de empresas

dos mais variados segmentos bem como

o avanço de regras que disciplinam e

punem quem expõe o seu cliente por mau

uso de suas informações. O potencial

em importância segurada é de bilhões

de reais. Por ora, entretanto, o mercado

brasileiro soma apenas algumas poucas

apólices emitidas que, somadas, representam

algo em torno de R$ 10 milhões

em prêmios de seguros. O maior interesse

das seguradoras em ter em sua prateleira

soluções locais para riscos cibernéticos

sinaliza a importância que o segmento

pode desempenhar nos próximos anos no

País. Do ano passado para cá, o número

de companhias que passou a atuar neste

segmento dobrou e não para de atrair

novos interessados. Além da americana

AIG, que trouxe a apólice de cyber para

o Brasil em 2012, também já ofertam

soluções customizadas no País a Chubb

Seguros (ex-Ace), a XL Catlin, cuja operação

global foi recentemente adquirida

pela francesa Axa, Zurich, Generali e a

Travelers. Quem também avalia entrar

neste segmento é a Porto Seguro. De

acordo com o diretor geral de Relações

com Investidores da companhia, Marcelo

Picanço, a seguradora, que ainda não tem

um produto específico para riscos cibernéticos,

considera explorar o segmento

cyber, mas em parceria com uma empresa

que tenha conhecimento global. Pode ser,

conforme ele, tanto uma outra companhia

de seguros bem como um player do setor

de tecnologia. Na mira da Porto estão,

❙❙Marcelo Picanço, da Porto Seguro

principalmente, as pequenas e médias

empresas, foco de atuação da companhia

e que também estão suscetíveis a incidentes

cibernéticos, pois lidam com informações

de pessoas físicas diariamente. “Os

ataques não vêm somente do Brasil. Por

isso, atuar no segmento de cyber sozinho

é mais difícil. Como se precifica esse

risco? Não é trivial. É diferente de roubo

e furto de veículos”, adverte Picanço, em

entrevista à Apólice.

Além das pequenas e médias empresas,

outro público-alvo das seguradoras

quando o assunto é risco cibernético são

as próprias pessoas físicas. Um executivo

do mercado, que prefere não se identificar,

diz que a cobertura poderia ser

incluída no próprio seguro residencial

como uma cobertura acessória. A Argo

chegou a estudar o lançamento de uma

solução voltada às pessoas físicas no

Brasil, mas não tirou os planos do papel.

Assim sendo, no Brasil, por enquanto,

as apólices focam apenas o setor corporativo,

incluindo empresas de todos

os tamanhos e diferentes segmentos.

O superintendente da Susep, Joaquim

Mendanha, acredita, entretanto, que o

avanço do mercado de riscos cibernéticos

para incluir também as pessoas físicas é

natural nos próximos anos e representa

37


iscos cibernéticos

❙❙

Silvia Gadelha, da XL Catlin

um nicho promissor para o segmento no

País. Ele antecipa ainda que a autarquia

vai repaginar a regulação dos seguros

cyber, cuja matéria deve ser alvo de uma

circular, a 535, que vai alterar os ramos

de responsabilidade civil operacional

(RCO) e o de riscos cibernéticos ainda

neste ano. “Com o avanço da tecnologia,

é necessário atualizarmos a regulação

para adequá-la ao cenário atual”, resume

o superintendente.

“Quanto mais informação, maior

será o dano em caso de algum ataque.

Não há hoje empresa que lide com dados

de pessoas físicas no dia a dia que não

coloque o risco cibernético como uma

prioridade”, destaca Picanço

A ofensiva das seguradoras no setor

cyber ocorre em meio à maior conscientização

das empresas no que tange às

informações com que seus negócios têm

de lidar diariamente que tem, cada vez

mais, se revertido numa maior demanda

por soluções no mercado de seguros. Com

a maior presença da tecnologia no dia a

dia (IoT – Internet das Coisas), novos

tipos de ataques e o pouco conhecimento

de executivos e pessoas sobre o tema, a

preocupação com o vazamento de dados,

inclusive por ação de hackers, é uma

realidade até para grandes companhias

que possuem sistemas mais sofisticados

de segurança de informação. Mas o que

pesa, na prática, de acordo com especialistas

no tema, é o crescente número de

incidentes no segmento, que já fez reféns

globais como a rede social Facebook, que

experimentou o que é passar por uma

verdadeira crise de dados e começa a

receber as multas por ter permitido o uso

38

ilícito de dados pessoais de 87 milhões de

seus usuários pela consultoria Cambridge

Analytica. A cada ano, novos casos são

registrados. Depois de a corretora XP

Investimentos e o Banco do Estado do

Rio Grande do Sul (Banrisul) terem enfrentado

problemas de ordem tecnológica

no ano passado, incidentes envolvendo a

subsidiária brasileira da varejista online

Netshoes e o Banco Inter, instituição

financeira controlada pelos donos do

Grupo MRV, engordam a lista de empresas

que tiveram suas práticas de gestão

e segurança de dados colocadas a prova.

De acordo com o coordenador da

Comissão de Linhas Financeiras da

Federação Nacional de Seguros Gerais

(FenSeg) e Superintendente da Argo,

Gustavo Galrão, os maiores contratantes

de seguros contra riscos cibernéticos

são as empresas de tecnologia e as instituições

financeiras, devido à exposição

que possuem. “Contudo, o interesse das

empresas dos demais setores cresce

consideravelmente e a expectativa é que

o mercado aumente significativamente

nos próximos anos”, acrescenta.

Empurrão regulatório

Em paralelo ao crescente número de

empresas que protagonizam incidentes

cibernéticos, o avanço de regulamentações

específicas sobre proteção de dados

ajuda a difundir a importância da segurança

das informações no cenário atual,

em que as empresas passam a usar cada

vez mais o big data - armazenamento

de elevado volume de informações - e

dados sensíveis na nuvem pública (off-

-premises) no lugar dos on-premises, que

ficam mais restritos a companhias com

espaço físico para manter uma infraestrutura

de data center. O tema

ganhou maior importância no

Brasil com a entrada em vigor

do regulamento europeu sobre

dados pessoais, a General Data

Protection Regulation (GDPR),

há cerca de três meses. Alguns

países da América Latina como

Argentina, Chile, Colômbia,

México, Peru e Uruguai tiveram

suas leis balizadas pelas

novas regras na Europa. No

Brasil, embora empresas com

operação global e em território nacional

também estejam na mira do regulamento,

ainda assim especialistas em gestão de

informação defendiam regras locais para

que a gestão das informações ganhasse

de fato um aliado. A resposta veio na

sequência com a aprovação no Senado,

em julho, após muitos anos de debate, do

projeto de lei que disciplina a proteção de

dados pessoais no Brasil, cuja tramitação

estava parada desde 2016. A criação de lei

específica, sem dúvida, será de extrema

importância não só para o desenvolvimento

da carteira de seguro de cyber no

Brasil como também para a criação de

cultura das pessoas e das empresas com

relação a este assunto no País”, opina a

gerente de linhas financeiras da operação

de seguros da XL Catlin, Silvia Gadelha.

A regulamentação, que depende de

sanção presidencial para vigorar, além de

equiparar o Brasil a outras nações que já

detêm legislação específica sobre o tema,

disciplina como empresas, tanto do setor

público como do privado, devem coletar

e gerir informações de pessoas físicas,

principalmente nos meios digitais. Esses

dados incluem desde registros pessoais de

cadastro até textos e fotos publicados em

redes sociais. Mais do que disciplinar o

uso e proteção de informações, o projeto

de lei prevê multa de até 4% do faturamento

registrado pela empresa, grupo

ou conglomerado responsável, no último

exercício (excluídos tributos), com valor

limitado a R$ 50 milhões.

Para o sócio do escritório Schreiber,

Domingues, Cintra, Lins e Silva Advogados,

Anderson Schreiber, a lei representa

um expressivo avanço no tratamento da

proteção aos dados pessoais, levando em

conta a realidade da sociedade brasileira.

❙❙Anderson Schreiber, advogado


O País conta atualmente, conforme ele,

com 30 leis diferentes que podem reger

direta ou indiretamente casos de vazamento

de dados, o que traz insegurança

jurídica e instabilidade no tratamento

do assunto. “Ainda é muito cedo para

avaliar a reação do mercado. De todo

modo, algumas empresas internacionais

com atuação no Brasil já se adaptaram ao

regramento da União Europeia. Quanto

às demais, certamente será necessária

uma revisão de suas políticas para se

conformar ao novo regramento (quando

e se aprovado)”, avalia Schreiber.

“O Brasil vinha adiando uma tomada

de posição em relação à proteção

de dados pessoais, embora a evolução

tecnológica e social demande, já há algum

tempo, uma disciplina legislativa

mais cuidadosa e protetiva dos direitos

fundamentais dos cidadãos”, esclarece

Schreiber

Se sancionado pelo presidente

Michel Temer, que tinha até o dia 14 de

agosto para assim fazê-lo – a expectativa

era de aprovação no último dia do prazo

com apenas algumas modificações – a

proposta estabelece, conforme o projeto

aprovado no Senado, prazo de 18 meses

para as empresas se adaptarem. Schreiber

acredita que é natural, de certo modo,

que empresas só considerem prioritárias

as mudanças que passarão a ser exigidas

pela lei em breve. “Se o prazo for longo

demais, o tema não se tornará prioridade

até que o fim do prazo se aproxime.

Dezoito meses é um bom meio termo,

mas 12 meses seriam suficientes”, alerta

o especialista.

Dentre as empresas que são alvo das

novas regras, estão, principalmente, os

grupos que armazenam grandes quantidades

de dados pessoais. A lista inclui

players do setor varejista, hospitais, bancos,

prestadores de serviços de centrais

de atendimentos e também aqueles que

atuam com mídia online. Muitas delas,

inclusive, têm ações listadas em bolsa e,

portanto, estão mais expostas em caso

de incidentes cibernéticos. A especialista

em risco cibernético da corretora

JLT Brasil, Marta Helena Schuh, atenta

para a necessidade de as empresas se

prepararem às novas regras uma vez

que, cada vez mais, os custos associados

❙❙

Marta Helena Schuh, da JLT Brasil

a um incidente cibernético passam a ter

grande potencial de perda financeira. Ela

lembra que essa perda não estará atrelada

somente às multas, mas aos custos de defesa,

auditorias, notificação aos clientes e

dano à reputação. “Portanto, certamente

Seguro cyber

As apólices de riscos cibernéticos

no Brasil cobrem danos pessoais e corporativos

provocados pela divulgação

pública de informações privadas próprias

ou de terceiros, tais como:

❱❱

Quebra de confidencialidade de dados

por conta de falha do segurado;

❱❱

Comprometimento da rede de dados

do segurado;

❱❱

Quebra de confidencialidade de

dados por invasão de hackers;

❱❱

Roubo, destruição, remoção ou corrupção

de dados digitais por invasão

de hackers;

❱❱

Contaminação de dados pessoais

ou informações confidenciais por

transmissão de código malicioso;

❱❱

Ações regulatórias

❱❱

Demandas de extorsões;

❱❱

Negação de serviço;

❱❱

Violação de privacidade ou propriedade

intelectual resultante da

publicação de informações na mídia;

❱❱

Custos com perícia técnica, comunicação

ao consumidor e gerenciamento

de imagem;

❱❱

Responsabilidade por empresas

subcontratadas;

❱❱

Interrupção de negócios (lucros

cessantes)

veremos as demandas pelo seguro contra

risco cibernético darem um salto”, acrescenta

Marta Helena.

O gerente de linhas financeiras da

seguradora AIG, Flávio Sá, lembra que a

própria entrada em vigor do regulamento

europeu, no final de maio, já despertou

uma maior procura das empresas no

Brasil por mais informações em torno

do seguro de riscos cibernéticos. Assim,

segundo ele, a implementação de uma

regulação específica no País é um ingrediente

adicional para desenvolver o

segmento que ainda engatinha no Brasil

a despeito de, conforme levantamento da

empresa de segurança Kaspersky, ser o 6º

no ranking das nações mais vulneráveis a

ataques cibernéticos no mundo.

Nos últimos anos, o mercado brasileiro,

conforme Marta Helena, da JLT,

passou por um processo de educação no

tocante aos riscos cibernéticos. Embora

muitos especialistas ainda acreditem que

somente com estragos maiores e impactos

financeiros para as empresas possam

deslanchar com mais vigor o segmento no

País – como ocorreu com o seguro D&O

após a Operação Lava Jato –, ela acredita

que as empresas associavam o risco cibernético

com fraude. Essa visão, conforme

Marta Helena, mudou. Boa parte do setor

corporativo já entende que o seguro cyber

é um instrumento para cobrir a operação

da empresa e, consequentemente,

protegê-la de impactos regulatórios,

para imagem e até mesmo paralisação

da operação. A adesão, entretanto, ainda

é tímida. Levantamento da consultoria

EY mostra que apesar do aumento dos

investimentos na área de segurança cibernética,

57% das companhias não têm

um programa de inteligência de ameaças

ou trabalha informalmente na prevenção

de ataques. O potencial, entretanto, é

gigantesco no Brasil e no mundo. Os

prêmios globais de seguros voltados a

cobrir riscos cibernéticos devem dobrar

de tamanho este ano, galgando o patamar

recorde de US$ 5 bilhões ante US$ 2,5

bilhões em 2014, segundo estimativas da

consultoria PwC. E as projeções indicam

continuidade desse crescimento nos próximos

anos. Até 2020, conforme a PwC,

os riscos cibernéticos devem movimentar

US$ 7,5 bilhões em todo o mundo.

39


evento | brasesul

Os presidentes Ricardo Pansera, Sincor RS; Auri Bertelli,

Sincor SC e José Antonio de Castro, Sincor PR

O corretor como protagonista

Encontro de players do setor proporcionou momentos de debate e

motivação aos profissionais de seguros do Sul

Encontrar novos caminhos, alternativas

e soluções para o

mercado de seguros foi o mote

que guiou a edição 2018 do

Congresso Sul Brasileiro de Corretores

de Seguros - Brasesul, que aconteceu nos

dias 19 e 20 de julho, em Florianópolis, e

que também contou com a Feira de Negócios

realizada paralelamente ao evento.

Os Sindicatos de Corretores de Seguros

dos três estados da região Sul se

uniram nas pessoas de seus presidentes

para abrir o evento, celebrando o fato de

que 16% da produção nacional do setor

de seguros vem da região, de acordo com

dados da Susep. “Acredito muito na continuidade

do crescimento, sobretudo com

a capacidade e criatividade dos nossos

corretores de seguros”, afirmou Ricardo

Pansera, presidente do Sincor-RS.

José Antonio de Castro, presidente

do Sincor-PR, mostrou-se otimista com o

mercado e falou da situação atual do País

afirmando que, mesmo nesse momento no

qual muito se fala em crise, a meta é crescer.

“Estamos aqui, juntos, para construir

40

alguma coisa maior. Precisamos trabalhar

muito para que o mercado não passe o que

vimos nosso País passar”, alertou.

Protagonismo

O principal objetivo do evento, como

colocou o anfitrião Auri Bertelli, presidente

do Sincor-SC, em seu discurso

de abertura, foi dar aos profissionais da

corretagem um lugar de destaque. “Esse

é o momento de vocês mostrarem o grande

potencial que temos e contarem aos

seguradores o que precisam para os seus

negócios”, sublinhou o dirigente.

A mesa de abertura contou com figuras

conhecidas do setor, como o convidado

de honra e presidente licenciado da

Fenacor, Armando Vergílio, o presidente

da Escola Nacional de Seguros e presidente

interino da Fenacor, Robert Bittar,

e o superintendente da Susep, Joaquim

Mendanha que se comprometeu com a

categoria, afirmando que “acontecendo

as inovações ou não elas precisam de

vocês, profissionais preparados para levar

a proteção”.

Antes do começo oficial do evento, as

mulheres foram convidadas a uma palestra

com Maria Helena Monteiro, diretora

de Ensino Técnico da Escola Nacional

de Seguros, sobre o papel da mulher no

setor e, principalmente, como chefes de

família, pois a população feminina já é

responsável por cuidar de 28,9 milhões

de lares no País. No mercado de seguros,

onde elas já são maioria, Maria Helena

acredita que há desafios, mas que o setor

se tornará menos machista à medida que

as profissionais seguradoras crescerem

em seus cargos, que as mulheres corretoras

de seguros assumirem também as

chefias das empresas e quando as seguradas,

por sua vez, receberem produtos que

dialoguem com suas demandas atuais,

como a gestão de tempo e procura por

bem-estar.

Comprometimento

Espaço para fazer o setor crescer parece

não faltar, como afirmou o presidente

licenciado da Fenacor, Armando Vergílio,

em sua palestra sobre perspectivas.


Ele disse acreditar que a penetração do

mercado de seguros na sociedade deverá,

na próxima década, dobrar de tamanho e

deu o recado: “esse crescimento virá das

mãos dos corretores de seguros”.

Se para crescer o corretor precisa de

toda a cadeia securitária, os executivos

do mercado parecem estar dispostos a

colaborar. Um dos painéis mais aguardados

do evento contou com presidentes

de grandes companhias seguradoras do

País em um debate com os congressistas.

A ameaça da proteção veicular foi

o primeiro tema a ser abordado, com a

clara preocupação dos corretores sobre

quais medidas estão sendo tomadas pelos

seguradores para parar essa ameaça. Para

Roberto dos Santos, presidente da Porto

Seguro, o preço é um motivo gritante que

faz os donos de veículos procurarem pelas

cooperativas, que só são competitivas

porque não têm que arcar com questões

como reservas técnicas e impostos, por

exemplo. “Nós pagamos por tudo isso,

por isso perdemos competitividade”. A

certificação de peças de carros usados

foi citada por Gabriel Portella, presidente

da SulAmérica, como uma das formas de

baratear os custos, inibindo a procura por

essas alternativas.

Murilo Riedel, presidente da HDI,

acredita que é preciso “criar produtos

adequados para veículos mais antigos

e também redobrar a atenção com os

consumidores que agora têm renda maior

e carros com mais de cinco anos”. Para

Marco Antônio Gonçalves, diretor geral

da Bradesco Seguros, o setor deve, sim,

tomar medidas nesse combate: “a primeira

é assumir a culpa, pois foi o próprio

mercado segurador que deixou a situação

chegar ao ponto que está hoje no País

todo”, constatou.

O produto de Responsabilidade Civil

veio à tona abordado dentro do ramo de

automóvel, que para Carlos Magnarelli,

presidente da Liberty, deveria ser compulsório.

“Com o seguro obrigatório e

com marcação livre nos preços teríamos

100% dos donos de carros com seguros”,

refletiu sobre a dificuldade de penetração

do produto.

Já sobre os riscos declináveis, que

têm crescido no Brasil, José Adalberto

Ferrara, presidente da Tokio Marine,

citou o resseguro, nacional e internacional,

como uma alternativa para melhorar

esse cenário. “A grande verdade é que

ninguém declina o risco porque quer,

mas porque não tem como bancar aquilo

sozinho”, explicou. Para Francisco Vidigal

Filho, presidente da Sompo Seguros,

não basta apenas que as companhias e

corretores queiram oferecer o produto,

o segurado precisa colaborar. “Durante

as inspeções, vemos riscos que são impossíveis

de aceitar, porque não é risco,

é certeza que haverá sinistro”, lamentou.

Outro destaque foi o sentimento de

que canais alternativos têm melhores

condições de atuação do que os corretores

de seguros. Auri Bertelli, presidente do

Sincor-SC, dirigiu essa questão especificamente

a Luis Gutiérrez, presidente

da Mapfre, companhia que é conhecida

por ter parceria com o Banco do Brasil

e que teve problemas em relação a essa

distribuição bancária em detrimento do

corretor. A resposta do presidente da

companhia foi afirmar que a seguradora

está retirando dos bancos todas as operações

que têm com os corretores, fazendo

destes profissionais seu foco principal

de distribuição. “Vamos constituir uma

companhia Mapfre, nunca mais Grupo

Segurador Banco do Brasil e Mapfre”,

prometeu. (O Cade já aprovou a dissolução

do acordo entre as empresas).

Desenvolvimento

O evento contou ainda com um espaço

para a Escola Nacional de Seguros,

no qual o presidente, Robert Bittar, a

diretora de ensino técnico, Maria Helena

Monteiro, e o diretor de Ensino Superior,

Mário Pinto, puderam apresentar dados e

contar a história da instituição.

Para incentivar os corretores, outros

palestrantes levaram suas famosas apresentações

ao evento. Marcos Scaldelai,

conhecido por ter sido o executivo mais

jovem a ocupar a presidência de uma

grande companhia, quando assumiu a

Bombril aos 36 anos, pediu aos corretores

para sempre terem em mente que 99%

não é 100%, destacando que ter atitude

para vencer e dar o melhor de si é o que

faz uma empresa crescer. Gustavo Sette,

consultor especialista em sucessão, falou

sobre como manter empresas vivas quando

elas precisam passar por mudanças.

Martha Gabriel, palestrante de destaque

na área de tecnologia do País, deu dicas

importantes sobre inovação e Joe Jordan,

destaque internacional, falou diretamente

com o corretor, dando um conselho àqueles

que têm medo das inovações digitais:

“faça aquilo que os robôs não fazem. Há

coisas que robô nenhum poderá proporcionar,

mas você pode”, afirmou.

Estiveram presentes os presidentes de grandes seguradoras do País, demonstrando a importância da região Sul para seus negócios

41


evento | insurtech & inovação

A mudança de

paradigmas já

começou

Gustavo Doria recepciona os congressistas

Evento mostrou que

estamos atingindo um

ponto de maturação

das tecnologias o que

levará o mercado de

seguros a um novo

patamar

42

Kelly Lubiato

Ainda era uma incógnita saber

qual seria o comportamento

do mercado de seguros diante

de um desfile de novas possibilidades.

Porém, Gustavo Doria decidiu

apostar e fazer no Brasil a primeira edição

do CQCS – Insurtech & Inovação, um

evento espelhado ao Insurtech Connect,

que acontece há três anos, em Las Vegas.

A versão brasileira não fez feio. Em

três dias, levou 700 pessoas para a gélida

Zona Sul de São Paulo, dispostas a conhecer

estas propostas inovadoras. Como

uma prévia do que acontece em outubro,

o evento começou com a palestra do

fundador do Insurtech Connect, Caribou

Honig. Para ele, o segmento passa por um

momento de reconstrução das tecnologias

e é preciso enxergar as insurtechs como

parceiras, e não inimigas.

“Estas empresas serão úteis para o

resto do setor, mas temos que ficar de

olhos abertos. Eu sei que entre os CEOs

das companhias o talento e a cultura são

componentes essenciais. Mas, não sei se

estes temas são abordados especificamente

no ambiente das insurtechs”, destacou.

Honig afirmou que, se pudesse dar

uma dica para um segurador ou ressegurador

sobre uma tecnologia útil para os

próximos cinco anos, seria a seguinte:

preste atenção em Inteligência Artificial

(IA), API’s, Blockchain, Cloud e smartphone.

“A Inteligência Artificial não

resolve tudo, apesar de já ter melhorado

muito em alguns tipos de dados. Em tradução,

por exemplo, o Google Translator

já fala como uma criança de 6 anos”,

brincou.

Ele citou dois exemplos de aplicativos

que utilizam inteligência Artificial.

A Lapetus usa uma selfie com dados não

estruturados e os transforma em dados

estruturados capazes de ser utilizados

para análise de aceitação de proposta pelo

mercado de seguros. O Carpe Data usa

informações de sinistro para buscar nas

redes sociais informações complementares

dos segurados. É um Big Brother.

Honig agora tenta catalogar todos os

API’s sobre seguros no mundo. “É um

trabalho que está começando, mas que

estou obcecado por isso”.

“Existe uma coisa a favor das startups:

elas têm cultura do risco, tem pensamento

digital e não estão engessadas

como a indústria tradicional”, ressaltou.

Para inovar, é preciso saber que tudo é

possível.

Entretanto, o processo de inovação

no mercado brasileiro pode esbarrar na

questão da regulamentação. O superintendente

da Susep, Joaquim Mendanha,

disse em sua palestra no CQCS Insurtech

e Inovação que a Superintendência já

tem uma agenda junto às comissões de

inovação para trabalhar de forma atenta

aos avanços da tecnologia do setor de

seguros.

“A Susep está fazendo a sua parte

dentro de suas estruturas. O grande

desafio é buscar o ponto de equilíbrio,

porque não se pode comparar um produto

de seguros com outros produtos. Nós vendemos

confiança e proteção e, por isso, os

cuidados devem ser maiores”.

Ele disse que o setor de tecnologia

em seguros não poderá agir como um

Uber, que chega, atua e depois é regulado.

Segundo o superintendente, a Susep


está adiantada em termos de inovação.

“Precisamos de calma, porque tratamos

de um mercado regulado e que lida com

a vida dos segurados”.

José Figueiredo Almaça, presidente

da Autoridade de Supervisão de Seguros

e Fundos de Pensão de Portugal, disse

que o seu país possui uma arquitetura de

sistema jurídico centrado na Lei do Contrato

do Seguro. “O que tentamos fazer

é que a regulação que existe atualmente

seja através do contrato de seguro e que

se possa abarcar todas as coisas novas.

Na área financeira e de seguros já constituímos

uma entidade, chamada Portugal

Fin Lab. Nós, Banco Central e Comissão

de Valores Mobiliários. O Conselho Nacional

de Supervisores Financeiros irá

tratar dos assuntos transversais aos três

setores. Será feito o protocolo e assinado

no início de setembro”, adiantou.

Mudança efetiva na forma de

fazer seguro

❙❙Jorge Nasser, José Figueiredo Almaça e Joaquim Mendanha

O diretor Global de Inovação da

Mapfre, Josep Celaya, veio para mostrar

que, pela primeira vez, é possível que

haja mudanças no modelo do mercado

de seguros, que é o mesmo há mais de

600 anos. “Estamos no Topping Point.

Se o seguro funcionou da mesma forma

nos últimos seis séculos, agora ele pode

passar por transformações, e de forma

rápida”.

A mudança será significativa porque

há uma combinação de fatores. Em

primeiro lugar, há uma mistura de novas

tecnologias que impactaram diretamente

o setor, como os smartphones, a Inteligên-

❙❙

Caribou Honig, fundador do Insurtech Connect

cia Artificial, o Blockchain e o Machine

Learning. Em Blockchain, por exemplo,

existe na Europa a Iniciativa da Indústria

do Seguro Blockchain, da qual a Mapfre

faz parte - a empresa já tem um produto

de seguro de riscos catastróficos via blockchain

e os distribui para empresas que

têm esta demanda.

O segundo fator indicativo de mudança

é que a tecnologia e o negócio

passaram a ser a mesma coisa. “Os

profissionais precisam entender das duas

realidades unidas. Não podemos esperar

que os CEOs não sejam tecnólogos. E

vice-versa”, sentenciou Celaya.

A transformação na natureza do

negócio é o terceiro ponto indicativo

de uma mudança acentuada. Antes, os

atuários pegavam os dados estatísticos e

tentavam-se predizer o valor do risco a

ser segurado. “A tecnologia deve mudar

isso, porque as seguradoras podem passar

a ser gestoras de risco, atuando na sua

prevenção. O modelo é totalmente novo”,

advertiu o executivo espanhol.

“A quarta razão que nos leva a mudança

transcendental são os ecossistemas

e plataformas digitais. Existe um ator

principal, mas qualquer um que queira

vender um produto para um cliente precisa

ir a uma loja digital (Google Play e

Apple Store)”, lembrou Celaya. O negócio

agora se faz através de um ator principal.

Os grandes players como Apple, Amazon,

AliBaba criaram seus ambientes digitais

e são intermediários de negociações.

A realidade é que as companhias seguradoras

não estão conseguindo criar

ecossistemas como estes, mas precisam

se adequar a eles.

No mercado segurador as mudanças

vão acontecer no nível do empreendedorismo

das startups. Uma coisa importante

das insurtechs é que elas têm uma

proximidade colaborativa com o setor.

“Para este modelo de cooperação temos

que pensar em investimentos e no relacionamento

com instituições de ensino,

pois muitos destes novos empreendedores

saem do espaço acadêmico”, disse

Celaya, citando o exemplo da Mapfre na

Espanha.

O setor vai continuar com a sua

importância, mas é preciso questionar se

os players continuarão sendo os mesmos

daqui a 50 anos.

43


insurtech & inovação

Diversidade de temas

Um dos pontos altos do evento

foi a quantidade de temas discutidos

em palestras simultâneas. Blockchain,

seguro automóvel, inteligência artificial,

mobilidade, facilidades para o corretor

de seguros. Mostramos a seguir apenas

uma mostra do que foi apresentado:

❱❱

Aplicação de IoT: Heitor Ohara,

diretor de planejamento da SegPartners

Brasil, falou da “IoT (Internet of

Things) como ferramenta de mudanças

no seguro de Auto”. Para Ohara,

o que favorece a utilização dessa

ferramenta é a queda do custo de

armazenamento de dados. “No caso

dos automóveis entra a Telemática,

que acelera todo o processo”, comentou.

Outro ponto mencionado são

os fatores de riscos, que mudaram

ao longo dos tempos. “Agora, novos

sensores trazem mais informações

como distância, velocidade, tempo

no trânsito, dados da rota, entre outras

coisas. Tudo vem para somar para

justificar a precificação”, explicou.

❱❱

Tecnologia em prol do usuário:

“A tecnologia não substitui o corretor,

mas agrega valor”. A frase é de Enrico

Ventura, diretor-gerente de Operações

e Sinistro da Bradesco Auto. “O mundo

digital permite que os clientes interajam

mais com seus produtos e serviços

contratados de diversos segmentos,

de forma diária, melhorando o uso e

a percepção com relação ao que estão

comprando”, acredita Ventura. Ele

entende ainda que é preciso estar 24

horas presente em várias plataformas,

inclusive de geolocalização como o

Waze, com o máximo de qualidade

no atendimento.

❱❱

E qual seria o entrave para que

o mercado de seguros esteja

mais inserido digitalmente?

“Cultura”, disse Cristiano

Barbieri, diretor de Inovação, Analytcs

e Tecnologia da SulAmerica. “É preciso

entender que tem de mudar, fazer

plano de mudança e executar. Para

que isso aconteça, ter um time com

diversidade é importante”, completou.

Segundo ele, com um time diversificado,

o pensamento também é diversificado.

“É imprescindível ter gente que

pense ‘fora da caixa’”, enfatizou. Ainda

de acordo com executivo, a SulAmerica

vem obtendo sucesso quando começou

a mudar o seu “mindset”.

❱❱

Wilson Leal, diretor de Tecnologia da

Tokio Marine, ressaltou que “hoje o

usuário é mais exigente, qualificado e

está presente em vários canais. O cliente

é influente e gosta de acompanhar

e compartilhar suas experiências, quer

sempre novidades e respostas rápidas.

O desafio é entender o que eles querem

e fazer os produtos como eles

querem. Temos uma grande jornada

pela frente”, refletiu.

❱❱

Corretora de Seguros digital: O

foco dos prestadores de serviços de

seguros deve ser o cliente. Esta é a

recomendação de Ingo Weber, CEO

e co-fundador do Digital Insurance

Group, eleita a melhor corretora de

seguros da Europa. Para ele, é fundamental

atender à necessidade do

cliente e mudar algumas práticas

do mercado como a de “punir” o

consumidor por comportamentos

ruins. Este modelo se inverteu

para o de “recompensar aqueles

com comportamento positivo”.

Se por um lado a tecnologia promove

maior eficiência, ela certamente

traz também mais concorrentes, de

acordo com Weber. “O cenário hoje

é brutal, todos lutam pelo mesmo

cliente, que apenas quer mais facilidade”,

afirmou. Além de outras

seguradoras e bancos, entram em

cena plataformas de ofertas variadas

de produtos e serviços, como a

chinesa Alibaba, onde o consumidor

encontra várias soluções em um

único endereço.

❱❱

Bankassurance: Heverton Peixoto,

CEO do ZIM, deu um aviso em sua

palestra: “se você atua no mercado

de seguros brasileiro, esse assunto

vai impactar os seus negócios”.

Segundo o executivo, o modelo

bankassurance tem se firmado

como um dos principais canais de

venda de seguros e passará por

uma fase desafiadora no Brasil. Ele

salientou que essa modalidade

conta com uma transação bancária

que absorve seguros; sejam eles

vendidos, comprados ou que substituem

os produtos financeiros. “No

Brasil, grande parte dos seguros

vendidos obedece a essa demanda”.

De acordo com ele, esse modelo

tem 42% do mercado de seguros.

Segundo o executivo, nos últimos 25

anos, o modelo de bankassurance se

tornou um dos principais canais de

venda do mercado de seguros. Para

ele, entre as causas para isso estão: o

sentimento de confiança do cliente

em relação à rede bancária; e o fato

de que a maior parte das vendas em

seguros é feita de forma presencial

(com o cliente dentro de uma agência

bancária, o que propicia a

oferta de um seguro).

44


45


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Porque os Homens não estão

mais amando as Mulheres!

As mulheres mudaram muito, mas muito mesmo,

ao longo do tempo.

Lá atrás, no passado, eram extremamente submissas,

pacíficas, passivas, até.

Imaginem que Sara, mulher do patriarca Abraão,

chamava-o de senhor!

Aqui, no nosso Brasil varonil (varonil mesmo,

no sentido de “varão”, homem), as mulheres tinham

posição de inferioridade registrada em lei! Lei 3071 de

1º de janeiro de 1916 – Código Civil Brasileiro – que

definia a mulher casada como incapaz de realizar certos

atos e previa que ela necessitava da autorização do

marido para exercer diversas atividades, incluindo a de

ter uma profissão ou receber uma herança! Ao se casar,

a mulher perdia sua plena capacidade, tornando-se

relativamente incapaz, à semelhança dos índios, dos

pródigos e dos menores púberes (entre 16 e 18 anos).

Sequer votar elas podiam!

Só em 1932 – mesmo ano de nossa gloriosa

Revolução Constitucionalista – elas adquiriram esse

direito, através do Decreto 21.076, de 24/02/32. “Meio

direito”, na verdade, porque havia restrições: votavam

só as casadas, com autorização do marido; as viúvas e

as solteiras que tivessem renda própria! A Constituição

de 1934 eliminava essas exigências, mas estabelecia

apenas o voto masculino como obrigatório, diferença

finalmente afastada na Carta de 1946.

Entretanto, no Rio Grande do Norte, em 1927, o

artigo 17 da lei eleitoral dizia que, no Estado, poderiam

“votar e ser votados, sem distinção de sexo” todos os

cidadãos. Bastou isso para que despontasse a primeira

eleitora do Brasil: Celina Guimarães Viana! Então,

em 1929, no mesmo estado, Alzira Soriano tornou-se

a primeira prefeita do Brasil e da América do Sul,

vencendo Sérvulo Pires Neto Galvão, recebendo 60%

dos votos!

1962 marca nova conquista feminina: a Lei 4121,

o Estatuto da Mulher Casada que, entre outras coisas,

concede o direito de viajar sem autorização do marido

e de gerenciar seus bens patrimoniais. A Lei do

Divórcio, contida na Emenda Constitucional número

9, de 28/06/1977, regulamentada pela Lei 6.515, amplia

seus direitos e liberdades, e tudo se coroa com a

Constituição de 1988, que equipara homens e mulheres

em direitos e obrigações!

Mas, só para se ter uma ideia do que ocorria nos

anos 1950 e 1960, eis algumas recomendações de

revistas femininas às mulheres de então:

“Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas”

(Jornal da Moças, 1957).

“Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa

deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem

questioná-lo (Cláudia, 1962).

“A mulher deve fazer o marido descansar nas horas

vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada

de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas”

(Jornal das Moças, 1959).

“O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira

o matrimônio. ELE é quem decide – sempre. (Revista

Querida, 1953).

“O lugar da mulher é no lar. O trabalho fora de

casa masculiniza” (Revista Querida, 1955)!

Nos nossos dias, entretanto, tudo, tudo mudou!

Na própria Copa, vimos uma bela e esfuziante

loira distribuindo sorrisos e simpatia. Não era apenas

uma torcedora da surpreendente Croácia. Era sua

Presidente Kolinda Grabar-Kiatrovic!

Cá, no Brasil, além de comandar postos-chave nos

mundos corporativo, político, social e que tais, o Judiciário

está sob sua absoluta chefia: Advocacia-Geral

da União: Grace Mendonça; Procuradoria-Geral da

República: Raquel Dodge; Presidência do Superior

Tribunal e Justiça: Laurinda Vaz e Presidente do

Supremo Tribunal Federal: Cármen Lúcia!

Por tudo isso é que os Homens não estão mais

amando as Mulheres.

Hoje, mais do que nunca, os Homens estão A

MANDO DAS mulheres!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

46

46


47

More magazines by this user
Similar magazines