Hempada #16 - Vida de Inseto

hempadao

Agosto 2018

#16

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A capa dessa edição da Hempada é

uma fotografia que veio direto da Califórnia.

De lá veio também a inspiração para

essa pauta destinada especialmente aos

jardineiros de todo planeta. Nem todo bicho

é mau negócio quando estamos falando

sobre cultivo de cannabis, e isso você

vai entender melhor lendo a matéria Vida

de Inseto.

O editorial é a parte da revista que se

escreve com o coração. E, sendo assim,

não poderia deixar de registrar aqui o meu

mais sincero e profundo agradecimento

por você ser um assinante ou simples leitor

deste periódico mensal. Fazer uma revista

todo mês é um desafio tão grande quanto

ser maconheiro no Brasil, então estamos

juntos nessa trincheira até o dia da legalização,

e além.

Na edição número 16 da Hempada

preparamos um balanço do que mudou

na legislação do Canadá a partir da legalização

total da maconha, promessa de

campanha cumprida pelo atual presidente

Justin Trudeau. Outra pérola preparada

pelo jornalista residente do Hempa, João

Henriques, foi a cobertura do evento mais

enfumaçado do país, o Pot in Rio.

Também colaborou, mais uma vez,

com a fanzine a minha amiga Fernanda

Ballard, com um texto mostrando um pouco

sobre a realidade dos dispensários lá

da Califórnia, a nova meca da cannabis

no mundo.

No recheio dessa Hempada você vai

encontrar uma receita maravilhosa de pipoca

canábica, é isso mesmo. Aproveita

pra experimentar enquanto navega pelas

indicações culturais que sempre batem o

cartão na nossa revista.

Para abrilhantar ainda mais o time, o

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ganja guru brasileiro também deixou sua

marca, em um texto imperdível sobre qual

a melhor fonte de iluminação para o jardim

de maconha: HPS, Led ou o Sol? A resposta

é pessoal, lógico, mas ele vai ajudar

a tirar suas próprias conclusões.

Esse projeto é revolucionário. Ninguém

no Brasil assina uma publicação mensal

sobre maconha, só a gente. Nós e vocês.

Somos loucos. Sem dúvidas. Completamente

alucinados por informação, cultura

e conhecimento sobre essa planta. Obrigado

pela confiança e boa leitura.

índice

Qual Melhor Luz?

Pot in Rio 2018

Strain do Mês

Cozinherva

Vida de Inseto

Canadá Legal

Por dentro dos Dispensários

expediente

Redação: João Henriques, Cadu Oliveira, Kauan

Benthien, Fernanda Ballard, Baco Paez.

Capista: Lissandro Garrido

CannabiComix: Felipe Navarro

Revisão de Texto: Laura Lock

Tiragem: 1000

Contato: hempadao@gmail.com

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assine e receba em casa:

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HEMPADAO

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Qual melhor luz:

HPS, Led ou o Sol?

por Sérgio Vidal

Na natureza existe uma única

grande fonte de energia

para alimentar a vida

na Terra: o sol. Ele emana

radiação que consegue produzir toda

a diversidade de formas de vida existentes

em nosso planeta. Os seres humanos,

buscando reduzir a realidade

para compreende-la, denominaram a

partícula de energia luminosa emanada

pelo sol de fóton. O fóton é a

unidade usada para fazer o recorte

na realidade e entender os fenômenos

relacionados com essas energias.

Essa partícula é capaz de coisas

incríveis. Ela proporciona toda energia

necessária para as plantas realizarem

seus processos metabólicos e,

sem ela, as plantas adoecem e morrem.

Além do sol, existem diferentes

tipos de lâmpadas que podem emitir

energia luminosas com qualidade,

quantidade e intensidade suficientes

para crescer e florir plantas de cannabis.

Hoje, os principais cultivadores

escolhem entre 3 principais fontes de

energia luminosa: o sol, lâmpadas de

vapor em alta pressão e diodos emissores

e luz (LED). E é sobre elas que

vamos falar um pouco neste artigo.

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⠀ 栀 漀 爀 椀 稀 漀 渀 琀 愀 氀 ⤀ ㈀⸀ 준 猀 甀 洀 愀 瀀 氀 愀 渀 琀 愀 アパート⸀ 䔀 瘀 攀 渀 琀 漀 挀 愀 渀 渀 戀 椀 挀 漀 渀 漀 刀 䨀 焀 甀 攀 瘀 漀 挀 瀀 漀 搀 攀 挀 甀 爀 琀 椀 爀 瀀 攀 氀 漀 瀀 愀 挀 漀 琀 攀

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Lâmpada de Vapor

As primeiras lâmpadas usadas

para simular a energia luminosas no

cultivo de plantas eram lâmpadas de

vapor em baixa pressão. No estudo

da energia luminosa nós descobrimos

também que existem diferentes faixas

dessa energia e que em diferentes

épocas do ano alguns tipos de raios

incidem com maior frequência do que

outros na superfície da terra. Em cultivos

usando lâmpadas para simular

o sol é muito importante ficar atento

a esse fator. Durante o crescimento

vegetativo é importante optar por

lâmpadas de cores “frias”, brancas.

Lâmpadas fluorescentes comuns são

as melhores para crescimento de mudas,

desde que elas não ultrapassem

30cm. Então é possível usar lâmpadas

de alta pressão de sódio, que

emite energia luminosa mais “quente”,

as chamadas HPs, para a etapa

da floração. Alguns cultivadores

optam por usar lâmpadas de vapor

metálico, chamadas HQI, para o

crescimento vegetativo, pois são

mais potentes que as de fluorescente

e conseguem crescer mudas maiores

do que 30cm. Porém elas esquentam

demais e se sua sala de floração não

tiver uma HPs de 600w ou 1000w

usar HQI para a estufa de crescimento

é desnecessário. Em projetos que

usem até 400W na estufa de floração

recomendo sempre usar lâmpadas

fluorescentes no vegetativo, pois

esquentam muito menos que as de

vapor metálico.

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LED

Os Diodos Emissores de Luz, ou

LEDs, são ótimas opções também

como fonte de energia luminosa

para plantas. Existem LEDs que emitem

energia luminosa em diferentes

faixas de cor. Os mais usados são

os de cor branca, que são utilizados

também para iluminação doméstica.

Esses podem ser usados na fase de

crescimento vegetativo. São ótimas

opções, assim como as fluorescentes,

para crescer mudas de até 30

a 40cm no máximo, para depois coloca-las

para flor usando lâmpadas

de vapor de sódio (HPs), ou LEds

do tipo especiais para cultivo, chamados

GrowLEDs. Os LEDs têm vida

útil ainda maior que as fluorescentes

e consomem um pouco menos de

energia. Porém, para crescimento

vegetativo LED´s e fluorescentes são

equivalentes. O grande diferencial

dos LEDs são os GrowLEDs específicos

para floração, que são capazes

de emitir energia luminosas em

quantidade, qualidade e intensidade

suficiente para florir plantas com saúde.

A grande vantagem dos Grow-

LEDs também é que eles produzem

energia luminosa de um tipo melhor

absorvível pelas plantas. Existem

também lâmpadas de alto vapor específicas

para cultivo, porém ainda

são muito caras e difíceis de encontrar,

os GrowLEds ainda se tornam

fáceis de encontrar.

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O Rei Sol

Em cultivos em exterior, onde as

plantas recebem muita luz direta,

quase não é necessário pensar sobre

energia luminosa. O sol possui

todas as faixas de cores usadas pela

planta em todos os estágios de crescimento

e seus raios têm intensidade

até demais, a depender da região

do planeta. No norte e nordeste do

Brasil, por exemplo, é recomendado

o uso de malhas especiais que

filtram a luz solar de 30% a 80%,

feitas de material específico que

ajudam a reduzir o calor. Ao filtrar

os raios solares é possível aproveitar

melhor sua energia pois a planta

continuará recebendo tudo que precisa,

mas estará protegida do calor

excessivo. Desse modo elas crescem

melhores e mais saudáveis. É importante

destacar que essa malha não

bloqueia a luz solar, ela promove

um filtro, é diferente de plantas que

crescem à sombra o dia todo ou sem

acesso à luz direta. Cultivar usando

o sol é mais barato e natural, porém

é importante que a planta receba

ao menos 5 horas de luz direta ou

filtrada com manta para que fique

bem até o final da vida. Claro que

existem plantas que vão ficar bem

com menos do que isso de energia

luminosa do sol por dia, mas quanto

mais exposição melhor.

Mas afinal, qual a melhor fonte de

energia luminosa?

Essa pergunta pode ser respondida

de 2 maneiras. Uma simples,

que seria o sol, em sua magnitude

e benevolência nos contemplando

com sua energia natural, gratuita e

quase infinita, tão intensa que as vezes

precisa até ser filtrada. Mas na

vida dos humanos nada é simples.

Então, essa resposta não pode ser

a resposta simples, por enquanto.

Atualmente, por questões políticas,

legais, culturais, dentre outras, grande

parte dos cultivadores opta por

utilizar estufas com 100% fontes

artificiais de energia luminosa. Alguns

fazem um consórcio usando a

energia do sol e lâmpadas para suplementar,

mas em muitos lugares o

uso de lâmpadas é o padrão. A alta

qualidade das flores, tanto com relação

a produção de resina, quanto

de terpenos e cannabinoides pode

ser obtida tanto em cultivos usando

somente energia do sol, como em

cultivos usando somente energia de

fonte artificial. Hoje os profissionais

de cultivo sabem que fatores como

manejo do solo, nutrientes e água,

inoculação ou criação de probióticos,

umidade relativa do ar e clima,

e, principalmente, seleção genética,

são fatores muito mais predominantes

nesse processo do que qual a

fonte de energia luminosa. H

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aperta um aê

- eu não

alto teor de exigência

antes fosse só carburação

sabe como é

“luz, câmera, ação”

vai ficar pra sempre

registrado eternamente

esse teu pastelão

erva doce feito mel

roupa larga feito a minha

mas olha a primeira palavra

da primeira linha

aperta! Eu disse: aperta!

baseado tem que ser justo

não de justiça, mas de justeza

linear, bom aspecto, e lembre-se da piteira

sem essa de botar depois, beleza?!

nada de carro na frente dos bois

sem “ora pois, pois”

se não manja passa a responsa

deixa quem sabe acochar a ganja

blunt ou papper?

perdão, irmão

se não sou bom shapper

mal graduado

na escola dos maconheiros

nota baixa no apertado

ao menos aprovado

entre os jardineiros

sem papel demais

engessado com liquid papper

folha de caderno eu rasgo

beck inimigo – o Darth Veder

lado negro da força é brabo

pior do que mal apertado

é se o recheio ainda for cheio

de prensado

reprovado no teste do beck

finote, note, todo torto

imagina se aperta um desses no coffeeshop

ia sair morto

de vergonha

não sabe apertar fuma tabaco

e não maconha

compra pronto no maço, moço

e não se intimida

ou então pega teus buds e faz comida

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porque é tipo atravessar rima

em cima da batida

se tu pega um green

estica na seda

e o resultado é tipo a capa

de Nossa Senhora de Aparecida

ou coisa parecida

solto, solto - a pitera cai

e fica desaparecida

mas nem é pra tanto

a galera é que faz alarde

já grita antes de ficar pronto:

é de queijo ou carne?!

vai ficar chinês, se o bagulho for bom

mas já ficou chinês, porque não tem o dom

apertou igual pastel de feira

só faltou o caldo

vagabundo gasta e fala alto:

de veeento! Trás o refri que o pastel tá pronto!

Então tá no ponto.

Acende essa vela logo

que ela tá se derretendo

um cone, pre-roled, quem sabe

enquanto sigamos aprendendo

a arte milenar

de bolar um com métrica

porque malandro hoje em dia,

pra fumar,

quer saber até de estética.

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Fotos dos Leitores



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Mande a sua:

HEMPADAO

@GMAIL.COM


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Pot in Rio

Grande feira da Maconha

texto por João Henriques

fotos: Cadu Oliveira

A

legalização da maconha

no Brasil ainda é

um sonho distante. Felizmente,

nesta terra de

erva prensada, os negócios

canábicos finalmente estão prosperando

e empresários de todo canto

apostam em novas marcas de sedas,

bongs, insumos para cultivo e até em

produtos de cânhamo para estimular

novos hábitos de consumo do maconheiro

brasileiro. O Pot in Rio, feira de

maconha que ocorre todos os anos no

Rio de Janeiro, é o grande encontro de

quem aposta na fumaça subindo cada

vez mais alto.

Pela primeira vez o evento ocorreu

em dois dias, juntando 42 expositores e

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29 apoiadores. A sexta edição do Pot

in Rio também teve desfile de moda,

shows e um debate sobre política de

drogas. O Scala, clube localizado no

subsolo de um arranha-céu do centro

do Rio de Janeiro ficou lotado e cheio

de fumaça produzida por baseados,

bongs, canetas para óleo ou qualquer

outra forma inovadora de ficar chapado,

para uso recreativo ou terapêutico.

Por muitos anos, o usuário brasileiro

ficou restrito a fumar apenas com a

seda que o jornaleiro do bairro tinha

para vender. Agora, com a proliferação

de tabacarias (inclusive em pequenas

cidades do interior) e lojas online,

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este usuário descobre novas formas de

apreciar, guardar e cultivar o próprio

baseado.

Além da apresentação dos produtos

para consumidores, o Pot in Rio se

destaca como um ótimo local de encontro

para quem está interessado em

investir no setor e busca parceiros para

o desafio. Era o momento perfeito para

encontrar gente de mente aberta e sem

medo de falar sobre maconha. A equipe

do Hempadão também estava lá,

vendendo nossas revistas e os adesivos

do camarada Felipe Navarro, do CannabiComix.

No primeiro dia evento, nosso stand

lotou, no sagrado horário das 16:20,

para torrar de um respeitável baseado

com 25 gramas de erva. Minutos antes

do início da queima, conheci dois

maconheiros (João Lucas e Ricardo),

que ficaram ao redor do nosso stand

de olho no modesto baseado. Juravam

de pé junto que ia ficar na roda até o

final. No começo pareciam animados,

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mas antes do beck chegar na metade

os dois sumiram na multidão. Muita

gente passou por ali, mas ninguém (inclusive

os membros da nossa equipe)

conseguiu a proeza de queimar até a

última ponta.

Caminhando pelos corredores enfumaçados

conhecemos o trabalho do

Thiago Rodrigues, proprietário da Kaayan.

Trata-se de uma linha de bolsas,

mochilas e até uma irada capa para

violão feita de cânhamo. Thiago, morador

de Curitiba, teve a ideia de criar

a Kaayan após uma visita ao Nepal,

onde conheceu todo ciclo de cultivo

e comercialização do cânhamo “Além

do aspectos positivos que já conhecemos

sobre a durabilidade do cânhamo,

é um produto que gera emprego e

renda para a população de Katmandu

(capital do Nepal),” destacou.

A galera da VapoKings, empresa

estreante no Pot in Rio, apresentou a

cultura da vaporização para o público

presente na feira. A novidade era

o vaporizador VK One, que conta com

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uma câmara com duas superfícies, que

pode ser usada para vaporização de

óleos ou de erva. “Com a vaporização,

experimentamos a erva sem a

interferência da queima. O vaporizador

desidrata a planta com ar quente,”

explicou Luis Carlos, diretor-geral da

VapoKings. Ele também lembrou que

erva vaporizada não deixa o ambiente

marolado.

Além de mercadorias destinados

ao público maconheiro, o Pot in Rio

também abriu espaço para quem está

na militância canábica. A galera do

Movimento Pela Legalização da Maconha

(MLM), movimento social que

atua no Rio de Janeiro, aproveitou o

evento para lançar um jornal com informações,

por exemplo, sobre redução

de danos e os malefícios da guerra às

drogas.

Com direito a chuva de livretos de

sedas RAW arremessadas do palco,

o Pot in Rio 2018 foi uma experiência

fantástica para quem gosta de fumar,

pesquisar e conversar sobre maconha.

Como dito no início deste texto, a legalização

da maconha no Brasil ainda

é um sonho distante e só vai ser

conquistada com muita luta. Com ou

sem CNPJ, o maconheiro brasileiro vai

investindo e inovando neste mercado

que ainda vai enfrentar muita caretice

para se consolidar. H

H

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por Kauan Benthien

Pink

Kush

A marola

veste Rosa!

Por ser uma das minhas strains preferidas, a Pink Kush ia acabar brotando aqui cedo ou tarde! Apesar

de sua origem desconhecida, a suspeita é de que ela seja um fenótipo oriundo da famosa e venerada

OG Kush, mas é difícil ter certeza absoluta da descendência dessa florzinha. Predominante indica, essa

variedade de maconha costuma pegar vários veteranos desprevenidos por conta da brisa ser considerada,

digamos... muito intensa.

Aparência: 4.65

Apesar do tamanho pequeno dos camarões, os

growers fizeram um excelente trabalho. O trim

bem feito acaba trazendo à tona a nuance de

cores característica dessa strain que muitas vezes

chega a ter uma coloração rosada. A quantidade

de tricomas visíveis faz com que você tenha a

impressão de que jogaram açúcar em cima da flor,

um espetáculo para os olhos.

Sabor: 4.7

O gosto dessa strain é sensacional e está entre os

melhores que eu já provei. No deguste dá pra sentir

uma mistura de vanila, terra e flor mas com predominância

bem doce, que se repete no aroma do

camarão. O ideal para sentir bem é vaporizar!

Leveza: 4.9

A suavidade da fumaça na carburação é essencial.

Quando a fumaça desce redondo, o maconheiro

pode aproveitar a brisa melhor. Essa Pink Kush

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proporcionou níveis altíssimos de leveza e merece

uma nota alta!

Custo Benefício: 3.5

Na hora de comprar maconha boa mesmo, ou

você é amigo da pessoa que vende ou você acaba

pagando caro. Essa ficou na média das flores boas

em Toronto!

Onda/Brisa: 4.2

Muitos maconheiros relatam uma brisa extremamente

potente, com muitas gargalhadas e uma larica da

braba. Por conta da potência, a Pink Kush costuma

causar um pouco de ansiedade em pessoas que tem

uma tolerância baixa e até em alguns veteranos. Ao

mesmo tempo, depois dos primeiros 30, 40 minutos

a onda começa a ficar mais relaxante e menos

mental. Recomendada para dor crônica, stress e

depressão, não há dúvidas de que essa strain tem

seu lugar merecido entre as minhas preferidas!

Preço: $7/g

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thien

Fato Curioso:

Na hora do cultivo, a floração pode

demorar até 11 semanas pra chegar, o

que pode causar uma certa ansiedade

no grower. Entretanto, as buds grandes e

uma colheita enorme geralmente recompensam

a paciência e o trabalho

Procedência:

British Columbia -

Direto do grower

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Cozinherva

Pipoca

Doida

Ingredientes:

– 3 colheres de sopa de óleo

– 1/2 xícara de milho para pipoca

– 3,5g (aprox.) de cannabis

Modo de fazer:

Coloque o óleo na panela e depois

a cannabis bem dischavada.

Mexa em fogo baixo até o

óleo ficar verde. Coloque 1 ou

2 grãos de milho e, quando estourarem,

coloque o resto. Agora

faça como uma pipoca normal:

tampe a panela e mexa bem até

que pare de estourar. Depois, é

só adicionar o sal a gosto e manteiga

(que pode ser manteiga de

cannabis também).

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Até quando?

Oriente Médio

Um estudo feito no Reino Unido

estimou o tamanho do mercado canábico

do país, se ele fosse legalizado.

O governo britânico está perdendo,

ao manter a proibição, uma

arrecadação de R$ 3,5 bilhões por

ano em impostos.


A solução para a crise econômica do

Líbano pode ser a maconha, de acordo

com a consultoria norte-americana McKinsey

& Co. A erva, que já é cultivada no

Vale do Beka, pode abastecer mercados

de maconha medicinal pelo mundo.

Que vergonha

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Em Indiana, nos Estados Unidos,

a Primeira Igreja da Cannabis do

estado não conseguiu, por vias judiciais,

uma exceção à lei do estado

para o consumo de maconha de

forma sacramental. Em Indiana o uso

de maconha é permitido apenas com

prescrição médica.

Após provocar polêmica nas redes

sociais, o Senado retirou do ar uma publicação

no Facebook em que divulgava,

citando informações da Polícia Federal,

que a maconha pode levar o usuário à

morte.

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Julho/18

´

O Chá

Aí sim!

A “erva-mate com agregado de

cannabis de uso não psicoativo”, está

disponível para venda no Uruguai desde

o dia 4 de julho. O pacote de um

quilo do produto custará aproximadamente

R$ 25,00. As primeiras marcas a

oferecer a nova variedade são Consentina

e La Abuelita.

Bora, pai

O deputado federal Paulo Teixeira

(PT-SP) apresentou, no dia 10 de julho,

um projeto de lei para regulamentar todo

ciclo da maconha destinada ao uso recreativo

e/ou medicinal. A proposta tem

um longo caminho por diversas comissões

da Câmara dos Deputados até ser

votada no plenário.

Na luta

Em julho o presidente da Colômbia,

Juan Manuel Santos, ganhou um puxão

de orelha virtual de seu filho, Martín Santos,

que repercutiu uma notícia sobre a

legalização da maconha no Canadá.

“Te faltó isso, papá”, disse Martín na

postagem destinada ao pai.

Um evento de jiu-Jitsu, realizado na Califórnia,

promoveu uma disputa com a inédita premiação

de um quilo de maconha para o vencedor.

A notícia causou a maior polêmica nas

redes sociais e mídias tradicionais do Brasil.

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Vida

de Inseto

No filme Vida de Inseto,

a formiga protagonista

Flik vive causando problemas

na sua colônia.

Por acidente, ela acabou

por destruir todos os alimentos que

seriam destinados a pagar o gafanhoto.

Sendo assim, o cobrador, por isso,

passou a exigir o dobro da quantia

combinada. Tentando evitar um fim trágico,

o personagem principal da trama

chama outros insetos combatentes

para ajudar na missão de proteger o

local. O longa infantil ilustra de forma

personificada o duelo entre as espécies

pela dominação territorial, agora

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num jardim

de cannabis

por Cadu Oliveira

imagina se isso acontecesse em um jardim

de maconha.

O método de utilizar insetos benéficos

em um grow é, em essência, deixar

a natureza ser ela mesma. Afinal de

contas, a prática não carece nenhum

tipo de químico, pelo contrário. Os insetos

convocados para proteger o jardim

de maconha são introduzidos para

se alimentar de outros bichos menores

e, assim, ajudam a melhorar a saúde

das plantas. É como se os predadores

fossem convidados para um grande

rodízio de pragas, mas num parque temático

de cannabis. Sem dúvidas, isso

daria um filme.

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Vale lembrar que além de acabar

com os animais indesejados, enquanto

seguem seu ciclo natural de vida,

esses insetos também vão ajudar a

fornecer adubo para o solo. E a troca

é positiva, mais uma vez, pois o

solo também vai ajudar aos insetos a

encontrar alimentos e humidade necessária

a sua melhor condição de

vida. Esse método, já experimentado

por muitos growers de todo o mundo,

é conhecido como “controle biológico

de pestes”, considerada uma técnica

inteligente e eficaz contra os pequenos

invasores.

Pesticidas, sejam eles sintéticos ou

mesmo orgânicos, podem deixar algum

resíduo na planta mesmo quando

o flush é bem feito. De acordo com

os maiores especialistas, esses resíduos

podem sim continuar na planta durante

o processo de secagem e cura,

chegando até o estágio final do bud.

Com o uso de insetos para promover a

patrulha da saúde canábica, esse problema

é eliminado. Afinal, os insetos

defensores não vão estar misturados à

planta, mas sim, e somente, habitando

ela enquanto ainda estiver viva.

Ainda podemos sublinhar o benefício

ao meio ambiente, o que é mais

uma dádiva dessa técnica. Além de

bom para as plantas e fazer a felicidade

dos insetos predadores, o método

promove um jardim livre de venenos.

Mesmo que o produto químico não

fique na planta, ele acaba sendo lançado

na atmosfera ou escoando junto

com a água. Todo ano, uma grande

quantidade de produtos químicos é

despejada nos oceanos e correntes

mundo afora. Esse escoamento, mesmo

com pesticidas orgânicos, pode

criar algas que sufocam a vida selvagem

aquática em diversos habitats.

Mas agora que já entendemos

quais são todos benefícios dessa metodologia

natural de prevenção e

combate às pragas, é preciso saber

que bichos estão convocados para o

esquadrão. Atenção à escalação do

técnico. É claro que talvez você nem

precise disso, caso esteja com o jardim

sob controle, mas serve também para

não se desesperar caso encontre qualquer

dos insetos abaixo em suas queridas

plantas.

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Quais insetos são bons?

Joaninhas – Nem parecem, mas elas

são carnívoras e vão comer qualquer

inseto que tenha um corpo macio. O

prato preferido delas são os pulgões.

Enquanto ainda são pequenas larvas,

elas já têm uma larica de invejar, conseguindo

comer até 400 pulgões por

ano e quando crescidas esse número

chega a cinco mil, no mesmo período

de tempo. Especialistas alertam que a

melhor performance delas acontece no

período de escuridão.

Percevejos – Embora perturbe os

seres humanos com um cheiro desagradável,

eles podem ser bem piores para

os animais menores que eles. Esse predador

com domínio das asas ataca e

se diverte com suas presas. Eles comem

qualquer coisa que passa a sua

frente, incluindo ‘thrips’, pulgões e pupas.

Esse é mais um inseto que, assim

como a joaninha, prefere se alimentar

durante o período escuro do jardim.

Louva-Deus – Além de uma excelente

companhia para suas plantas e cuidadores,

pois é um animal todo charmoso

e engraçado, eles também vão

se alimentar de qualquer inseto menor

que ele. Isso vai incluir moscas, aranhas

e lagartas. Um guardião assim,

com um nome desses, deve mesmo ser

preservado num cultivo saudável de

cannabis.

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Bicho-Lixeiro (Chrysopidae, foto ao

lado) – Também são carnívoros e nada

exigentes quanto ao seu prato principal.

O critério básico é: se eles conseguem

pegar com suas pinças, vão

comer. Mas se forem fazer um senso

entre eles, é bem capaz que a refeição

mais votada seja ´pulgões´, isso

porque a larva do bicho come cerca

de 200 pragas toda semana e ainda

são capazes de se locomover por até

30 metros antes de sentar e pinçar um

novo rango.

Conhecendo o Inimigo

É claro que a combinação e quantidade

de cada inseto vai depender de

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diversos fatores como a necessidade,

disponibilidade e preferência de cada

jardineiro. Mas de qualquer forma,

vale a pena ficar ligado contra quem

estamos lutando, ainda que você não

tenha se deparado com nada disso em

seu quintal.

Pulgões (foto acima) – Presa de

quase todos os insetos benéficos citados

acima, essa praga vai se alojar

nos caules e partes de baixo das folhas

vivendo e proliferando sua vasta

família. O ataque deles “vai ser mais

comum durante o verão”, disse o especialista

Sérgio Vidal, na coluna Cultivo

Vital, de 2014, no blog. No texto, ele

lembra que, pare se manter livre desse

mal é preciso prevenir utilizando óleo

de neem ao menos uma vez por semana.

“Existem diferentes tipos de pulgão

(foto abaixo), alguns parecem um ou

mais carocinhos, como pintas escuras,

mas podem também ser claras, ou brancas.

Parecem não muito prejudiciais,

mas rapidamente podem sugar toda a

energia das plantas e matá-las. Geralmente

iniciam a colonização na base

do tronco, logo partem para os galhos e

folhas. Vivem em mutualismo com alguns

tipos de formigas. Os pulgões produzem

uma secreção que é composta em sua

maior parte de açúcar. É como se ele

defecasse açúcar, a qual popularmente

é conhecido como melada”, o que

acaba interessando as formigas. “ As formigas

criam os pulgões e os protegem

dos predadores naturais e guardam seus

ovos com carinho, para reproduzir mais

pulgões, do mesmo modo que nós humanos

fazemos com os animais que nos

interessam. É uma relação de mutualismo

que faz com que esses pulgões sejam

também conhecidos como vacas-de-formigas.

Assim de nada adianta somente

catar todos os pulgões e matá-los, ou

aplicar azamax ou qualquer outro veneno

contra pulgão. É preciso também

acabar com as formigas que estão nos

vasos e ao redor”, disse ele que, hoje

em dia, é o jardineiro profissional da

ABRACE.

Spider Mites (foto abaixo) – “Conhecida

popularmente como aranhi-

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nhas vermelhas, ou somente mites, seu

apelido carinhoso entre os cultivadores.

Porém, não há nada de carinhoso

no tratamento que esta praga dá

à planta. São bichos muito pequenos,

que são difíceis de ser identificados

a olho nu. Parecem ser apenas uns

pontinhos minúsculos na parte de trás

da folha, porem o estrago que fazem

na vida do vegetal é enorme. Durante

o verão é o período mais arriscado

para contrair este tipo de animal,

pois elas gostam muito do clima seco

e quente para se reproduzirem mais

rapidamente”, explicou Vidal.

As aranhas, quando em grande

quantidade, vão começar a produzir

teias que podem encobrir e derrubar

um top bud. É triste, mas ao mesmo

tempo incrível ver como um bando

de aranhas minúsculas conseguem

dobrar uma planta. Seria como se

um exército de homens conseguisse

produzir corda naturalmente e, ao invés

de apenas subir prédios, como o

Homem-Aranha, pudesse puxar para

baixo o arranha-céu, com a ajuda dos

amigos, claro.

Prevenir é melhor...

Do que ter que sair por aí recrutando

insetos por jardins públicos. Os bons

defensores, habitando o jardim de forma

preventiva, já fazem isso naturalmente. Já

quando usados como tratamento, o resultado

deve demorar semanas para ser

visto, afinal, estamos falando de um processo

natural de enfrentamento da praga.

E por falar em “prevenir é melhor que

remediar”, um ditado do tempo de nossas

avós, vale a pena lembrar que, antigamente,

existiam algumas boas receitas

para se repelir insetos indesejados. Você

sabia que certas plantas podem fazer

essa função? Se você tem um jardim outdoor

quem sabe pode se dar ao luxo de

ter um pé de manjericão, erva-cidreira,

camomila, coentro, lavanda, hortelã, alfafa,

calêndula ou até um girassol, pois

todos esses vão ajudar a afastar insetos

indesejáveis.

O bom combate:

Principalmente se você estiver no período

de alta flora, não é aconselhado

que jogue pesticidas nas flores. Sendo

assim, o que fazer se a praga te acometer

justamente nessa fase final? O jeito

é combater da forma mais limpa possível.

Para isso, existem receitas caseiras

diluindo alho, pimenta ou uma mescla

disso tudo junto, além de plantas que tenham

princípios ativos que atuem como

repelentes de pragas, como o tabaco. A

aplicação seria foliar, preferencialmente

no período da noite, “para evitar que o

sol entre em contato com a folha úmida

pelo defensivo”, alerta nosso guru.

Uma forma de ter êxito no combate

às pragas é perceber logo no início da

infestação, por isso, olhe sempre embaixo

das folhas, buscando sinais como esses,

da foto abaixo. H

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BERALDO

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Maconha

Legalizada

O que muda

no Canadá?

por João Henriques

A

primavera canadense de

2018 jamais será esquecida

pelos maconheiros

que habitam esta bela

parte do planeta. O primeiro-ministro

do país, Justin Trudeau,

cumpriu, no dia 19 de junho, uma das

suas principais promessas de campanha

e legalizou a maconha para uso recreativo.

A vitória histórica deixa o jardim

canábico canadense ainda mais verde,

já que o país já conta com uma política

de drogas bem progressista. A utilização

da cannabis para fins terapêuticos é permitida

desde 2001.

O início de um novo tempo está

agendado. A partir de 19 de outubro

de 2018 qualquer pessoa maior

de 18 anos (inclusive turistas) pode

comprar até 30 gramas de maconha

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por vez. Este também é o limite que

cada usuário poderá portar. A maconha

será vendida em lojas ou sites, que

precisam de uma licença concedida

pelo governo federal para operar o

negócio.

A lei contempla outra questão importante,

que faz parte da etiqueta

dos usuários de maconha: a troca de

baseados. Os maconheiros podem

compartilhar livremente sua erva com

outros adultos, desde que de graça.

Além de uma erva boa disponível

nas lojas, as pessoas também estão

autorizadas a cultivar até quatro pés

de maconha de até um metro cada.

As plantinhas devem ser mantidas em

local reservado e não podem ficar expostas

ao olhar externo. Assim como

ocorre com as regras para o comércio

de erva nas lojas, o cultivo caseiro também

depende da legislação de cada

província do país, que pode até proibir

a prática. Em Ontário, a idade mínima

para comprar maconha é de 19 anos

(a mesma para bebidas alcoólicas) e

não será adotado o controle para o

tamanho máximos das plantas de cultivo

caseiro.

“Teremos um sistema que manterá

a maconha longe dos nossos jovens e

que tomará o lucro do crime organizado”,

disse confiante o primeiro-ministro

do Canadá, Justin Trudeau, ao anunciar

a data da liberação.

As províncias também podem determinar

regras específicas para o funcionamento

deste comércio. Em Ontário,

por exemplo, a venda será controlada

pelo estado, que vai adquirir e vender

a erva cultivada por produtores licenciados.

No geral, esse cultivo é controlado

por grandes empresas que já

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atendem o mercado de maconha medicinal.

São grandes corporações que

contam até com a atuação de lobistas

no meio político.

Nas províncias onde o estado controlar

o comércio da maconha recreativa

(Ontário é um deles) os dispensários

que já atuam no comércio de

maconha destinada ao uso terapêutico

não poderão vender para usuários recreativos.

Já na província da Colúmbia

Britânica, o setor privado vai receber

algumas permissões para vender aos

usuários recreativos.

Explicada a parte das permissões,

é importante fixar também as proibições.

Provavelmente a parte que mais

interessa aos maconheiros diz respeito

ao pequeno comércio entre usuários.

Infelizmente ele está proibido e ancorado

em punições pesadas: multa de

4 mil dólares canadenses ou prisão de

até 14 anos.

Aos motoristas! Pela nova legislação

canadense, dirigir chapado de

maconha é passível de multa de 750

dólares. Em caso de reincidência, o

doidão vai descansar por 30 dias na

cadeia. O azarado que rodar pela

terceira vez entra em retiro forçado

por três meses. E tem mais: se o sujeito

fumar um baseado e se envolver em

acidente com vítima, o BO fica muito

sério. Neste contexto, comprovado o

uso de maconha pelo motorista, a punição

pode ser até de prisão perpétua.

Agora paga imposto!

Olha como o maconheiro é esquisito.

Estamos comemorando que a

galera do Canadá vai poder comprar

maconha pagando imposto. Quem,

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discretamente, também comemora

tudo isso é a equipe financeira do governo

Trudeau. O plano é de arrecadar

um dólar por cada grama vendido.

Ao valor da compra, também será

acrescido uma tributação de 13%. A

divisão do bolo dos tributos canábicos

fica assim: 75% fica na província

onde ocorreu a venda e o restante vai

para o governo federal.

Apenas nos três anos iniciais da era

legalized no Canadá, os negócios canábicos

deve criar um mercado estimado

em 5 bilhões de dólares canadenses.

Desde já, o setor apresenta sinais do

que será controlado por grandes empresas,

como Aurora Cannabis e Canopy

Growth, que inclusive já se capitalizam

operando na Bolsa de Valores. Somado

a isso, o mercado se agita, e acompanha

com um receio nacionalista, a entrada

de investidores dos Estados Unidos

no setor canábico do país.

O pequeno produtor canadense,

que prosperou e ganhou espaço com

o cultivo de cannabis destinado ao uso

medicinal, agora é ameaçado por uma

legislação e política de preços que pode

inviabilizar seu trabalho.

Com a legalização, o grande capital

transnacional agora trata a maconha

como uma interessante opção de investimento.

A regulação de um mercado que

proteja quem já está no setor há muito

tempo, com negócios familiares que

aquecem a economia local, será um dos

desafios do governo canadense para os

próximos anos. H

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Por dentro

dos Dispensários

por Fernanda Ballard

Se você pensa que ao visitar os

dispensários da Califórnia, vai

encontrar somente ervas pra

comprar, saiba que está muito

enganado...

Agora tão famosos, os chamados

“dispensaries” são as lojas especializadas

em venda legal de produtos canábicos

medicinais e recreativos das mais

diversas qualidades e utilidades. Sendo

assim, as ofertas vão desde gel para alívio

de dores até comprimidos estimulantes

sexuais à base de THC e CBD, além

de uma variedade cada vez maior de

edibles, o medicamento comestível que

vem roubando a cena no mundo da maconha,

alavancando cada vez mais a

procura e o consumo, fazendo a alegria

de investidores e, é claro, dos consumidores.

Entrar num dispensário e se deparar

com toda essa variedade e opções já

vai te deixando na onda antes mesmo

de fumar. Dá vontade de passar o dia

todo lá dentro perguntando tudo e gastando

o plantão com os funcionários do

estabelecimento: geralmente uma galera

mega estilosa, que te lembra os teus ami-

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llard

gos de faculdade. Mas eles não deixam

você sequelar por muito tempo na sua

vez: te explicam sobre os produtos que

lhe despertaram interesse de maneira

muito objetiva e, por vezes, demonstram

certa pressa ao efetuar a venda.

A galera que trabalha nos dispensários

é um episódio à parte: Trabalhar no

mercado canábico é o emprego dos sonhos

de 10 entre 10 maconheiros, então

entende-se que o mercado de trabalho

profissional se torna, com isso, concorrido

e bastante exigente. Além de estilo,

tem que ter muito conhecimento de

qualidades dos strains (os tipos de flores)

e estar se atualizando constantemente

para estar preparado em um mercado

no qual praticamente tudo é novidade,

o tempo todo.

Pra entrar num dispensário e fazer

suas compras você terá que apresentar

sua identidade. Caso esteja ‘turistando’

aqui pela Califa, vai usar seu passaporte

como documento de identificação. Alguns

poucos dispensários não autorizam

a entrada de cidadãos que não tenham

documentação de identidade americana.

Mas na maioria das lojas autoriza-

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das para venda recreativa, você pode

adentrar e fazer suas compras tranquilamente

usando o passaporte.

dentro, a diversão é garantida...

qualquer maconheiro, mesmo dos mais

experientes, se emociona ao ver a grande

quantidade de espécies de sativas,

indicas e híbridas, de cores, cheiros e

efeitos diferentes. Grande variedade de

marcas de cigarros eletrônicos e cartuchos

de extratos concentrados com ou

sem THC. E o mesmo vale pros edibles!

São muitas as empresas investindo nessa

área e viabilizando o consumo da medicina

de maneira comestível, evitando

a inalação de fumaça e proporcionado

uma maneira mega discreta de manter

a onda, onde quer que você esteja. Ou

seja, dá vontade de comprar tudo, mas

vai com calma, pois tem uma coisa muito

importante que você precisa saber sobre

os dispensários: os produtos são caros.

Toda essa alta qualidade tem um custo

alto. O preço de 3,544 gramas de maconha

custa em média trinta dólares, ou

seja, cerca de cento e cinco reais. Um

cartucho de extrato chega a custar 70

dólares. Brisa salgada, mas que vale a

pena!

Agora vou compartilhar com vocês

minha impressão pessoal a respeito de

três endereços de dispensários que eu

visitei nessa minha peregrinação aqui

pela Califa:

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Acessórios para Extração

@loucuragreen

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Purple Heart = 4th street, 425,

Oakland: A loja é pequena, mas muito

bem abastecida com grande variedade

de strains. Ponto negativo para o atendimento,

que foi bem rápido, um tanto

quanto apressado.

Barbary Coast= Mission Street, 952,

Sao Francisco: O Barbary Coast tem

uma decoração ímpar, bem luxuosa, e

conta com cerca de quinze atendentes

que trabalham simultaneamente dando

conta da fila organizada no interior

da loja. O atendimento foi muito bom,

o vendedor muito simpático e ofereceu

umas promoções bem em conta. Mas o

melhor de tudo é que por lá eles têm um

lounge onde você pode desfrutar das

suas compras (foto abaixo). H

Two Rivers = 10th street, 315N, Sacramento:

Esse foi o dispensário em que

não foi permitida a entrada de pessoas

sem identificação americana. O espaço

é grande com vitrines por toda a loja.

Os atendentes foram muito solícitos e

apresentaram uma espécie indica de excelente

qualidade e bom preço. Valeu

a visita.

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É muito mais fácil encontrar Raps e Reggaes

sobre maconha do que bons Rocks. Por isso,

a indicação dessa edição é de uma banda de

Heavy Metal criada para

reverenciar a santa kaya.

A Cannabis Corpse é

uma paródia à clássica

banda do gênero do

metal pesado, a Cannibal

Corpse. A banda foi

formada em 2006, no

distrito de Virginia, EUA.

De lá pra cá eles lançaram

cinco LPs, sendo esse

aí ao lado o segundo deles

(2008) e o último, Left

Hand Pass, lançado em

2017.

A arte do vinil é sempre

um espetáculo à parte, e nesse álbum isso foi

levado a sério. O desenho leva em conta a

peculiaridade bizarra do estilo sem abandonar

a referência canábica, com um bong

macabro bem no centro da capa. O encarte

não fica para trás e ilustra

uma verdadeira guerra

no mundo dos buds. Veja

abaixo.

O álbum é preenchido

por explanações ao mundo

da ganja do começo

ao fim. Destaques para

“Every Bud Smoken”,

“Sentenced to Hash in a

Tin” e “Experiment in Hortculture”.

Se você é fã de rock já

deve ter ouvido falar da

banda. Se não conhece,

te convido a um mergulho

em águas escuras de bongadas loucas. Bota

pra torrar, ops, tocar e aumenta o som.

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Filme para Brisar...

As ações de guerra às drogas

passam longe do sistema financeiro.

Mas é nesse meio, por

onde os dólares circulam livremente

em negócios de compra

e venda, ações e fundos de

investimento, que o dinheiro

das drogas entra na economia

formal. Ozark é uma série que

conta a história do consultor

financeiro Marty Byrde, responsável

por fazer a lavagem

de dinheiro de um cartel de

drogas. Ele vai morar com a

família na bela região do Lago

de Ozarks, onde busca novos

investimentos para uma montanha

de dinheiro sujo. Disponível

na Netflix.

livro para Embrasar...

Um aviso: esse livro pode provocar

algumas quedas de lágrimas no canto

do olho se você tem um pouco de sensibilidade

pela questão indígena. “Os

fuzis e as flechas” do jornalista Rubens

Valente apresenta um formidável relato

do abandono e o massacre de indígenas

que ocorreu durante o período

da ditadura militar no Brasil (1964-85).

Ações feitas “em nome do progresso”,

que levaram doenças mortais e a destruição

dos locais de moradia de diversas

tribos. Rubens Valente fez uma

longa investigação, entrevistando indígenas

que sobreviveram às ações do

homem branco, funcionários da Funai e

testemunhas deste covarde extermínio.

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.

..

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seu apoio vai ajudar a escrever a história da legalização no brasil. Obrigado!

Hempada #16

revista n o

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