Olimpicamente #8

jmrmma

Publicação mensal do Comité Olímpico Caboverdeiano

OLIMPICAMENTE

www.coc.cv

AGOSTO 2018

#008

As mãos na bola.

Espada, Florete e Sabre.

Imagem Sul

A marcar pontos. Fazendo acontecer.

O Andebol do país, parte para novos

desafios. A formar novos treinadores, no

segundo curso de Nível 1, e a projectar

mais contactos internacionais, com a apresentação

da candidatura à organização da

Taça dos Clubes Campeões Africanos.

A Senhora Engenheira

Foto Estokada

As novas armas do desporto em Cabo

Verde. Foi “beber” às antigas formas de

combate. A sua evolução tornou a Esgrima,

um desporto altivo e elegante. Forças

Armadas, Comité Olímpico e Associação

Kriol-Itá fizeram-se à pista, e apontaram

para um toque válido. O país já tem Federação

de Esgrima!

Inspiração e Mudança.

Imagem Sul

Um dia será. E esse dia chegará. Para

já Elyane Boal dá corpo a essa vontade.

Na China, para onde voltou após umas

semanas de férias na sua Praia. Onde

foi relembrada e homenageada. Por

tudo. Pela determinação, pelo empenho.

Sobretudo por querer ser feliz. Uma vez

olímpica, olímpica sempre.

3X3. O que o basquete fez!

Foto Maria Andrade

Vive nos Estados Unidos, e enquadrada

num programa a que o COI decidiu chamar

“Share the Dream 2020”, Maria Andrade

está em Tóquio para partilhar junto de

crianças e jovens, a sua experiência como

atleta olímpica, participando em várias

acções como Jovem Inspiradora de Mudança.

A Volta das Ilhas.

Foto COC

Foram à rua, à urbe, aos bairros, às comunidades

negras dos Estados Unidos, trouxeram

a bola, uma tabela e puseram-se a jogar

à volta do mundo. Cabo Verde quer ser uma

referência da variante em África.

É um dos projectos da Federação que aposta

na renovação, formação e crescimento.

Foto COC

É o título do testemunho desta edição,

e é o espelho do périplo que Rodrigo

Bejarano realizou pelo país, com o foco

na criação de novas Associações Regionais

de Judo. No Sal, São Vicente, Santo

Antão e Fogo encontro um eco do tamanho

de uma enorme ambição.


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Agosto 2018

A Volta das Ilhas

por Rodrigo Bejarano

Esta é uma oportunidade única. A de, como

coordenador e secretário-geral do Comité

Paralímpico Cabo-verdiano, poder contribuir

para a fundação da Federação de Judo. E este

périplo que estou fazendo, esta “volta das

lhas”, insere-se neste projecto. A criação de Associações

Regionais.Claro que nesta viagem,

pretendo também, e como é óbvio, ter um

olhar para o desporto adaptado no país.

Foto COC

Já tinha feito duas a três viagens

pelas ilhas, e desta vez

começamos pelo Sal, para criar

a sua associação regional. Para

minha surpresa, e apesar de

haver dois polos bem definidos,

como são Espargos e Santa

Maria, encontrei um enorme

interesse, e pessoas muito disponíveis

para o desafio a que

nos propomos. Vimos gente

muito animada. É interessante

perceber que há muitos parceiros...

é fundamental organizar

e institucionalizar a prática, e a

criação das associações é um

passo fundamental. São precisas

nove pessoas para formar

este grupo de trabalho, e é importante

que elas tenham experiência

e conhecimento do

associativismo desportivo. São

exigências mínimas. No Sal,

descobrimos com muito interesse,

praticantes de karaté e

taekwondo, que olham com

bons olhos para a chegada e

implementação do judo. Aproveito

para agradecer a Daniel

de Pina que é o responsável de

uma, penso que única, escola

de artes marciais da ilha, e que

nos ajudou bastante.

Graças ao seu apoio, conseguimos

reunir dezoito pessoas numa

acção de formação técnica

de judo, de arbitragem e de

associativismo no desporto. Foi

muito gratificante.

O mesmo se passou em outras

ilhas, como São Vicente, onde

conhecemos pessoas que têm

já uma enorme experiência na

prática e desenvolvimento do judo.

É o caso de Mário Camões,

um atleta que já representou o

país a nível internacional, e que

assumiu a responsabilidade de

trabalhar oficialmente a sua

modalidade na sua ilha, onde

temos também a excelente

colaboração da Academia Militar.

Fizemos muitos e bons

contactos com vista ao desenvolvimento

deste desporto em

São Vicente. Demos um salto,

um pulinho até Santo Antão,

um pouco mais complicado,

tendo em conta que são três

concelhos. Conseguimos reunir

gente de Porto Novo e Ribeira

Grande, e identificar doze pessoas

que estarão na génese da

nova associação local de judo.

Foi algo muito positivo.

Ficamos emocionados, ao

perceber que as pessoas querem

fazer parte da história das

suas comunidades, da sua ilha.

Participar. Como membro de

uma nova associação desportiva.

Os jovens estão ansiosos.

Em São Vicente, há como se

sabe a nível universitário, uma

licenciatura em desporto, o que

motiva a descoberta de novas

realidades no mundo desportivo.

Aliás foi uma das confirmações

que registei neste

“scanner” desportivo que temos

estado a fazer pelas ilhas.

A de que existe um enorme

talento entre a juventude cabo-verdiana.

Há jovens que estão

ligados a vários desportos.

Com base neste entusiasmo,

criam-se condições para retomar,

activar, desenvolver actividades,

que à partida parecem

adormecidas. Há uma vontade

muito grande querer de “fazer

acontecer”. Temos que ir buscar

aos jovens, futuros dirigentes

profissionais. E há esses parceiros.

Constatámos em Sal,

São Vicente e Santo Antão.

Desejo, mas também algumas

limitações... especialmente ao

nível da capacidade para gerir

e administrar. Acredito ser

necessária a implementação

de um vasto programa nacional

para gestão e administração

desportiva. E não só para as

artes marciais. Ao nível global.

Todos sabemos que cada ilha,

tem o seu ritmo, não podemos

comparar Praia, São Vicente

ou Sal com Santo Antão, que

tem uma realidade bem diferente.

Até pela forma de ser e

de estar dos seus habitantes.

Estamos a dar passos. Criando

planos, implementando projectos,

fazendo visitas regulares,

dirigindo acções de formação.

É imperioso definir uma estraté-


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gia. Proceder a um acompanhamento

regular e sistemático.

Temos que ter ambição. Uma

das coisas que constato, é a

possibilidade de as escolas, do

ensino primário/secundário por

exemplo, virem a desenvolver

actividades curriculares para

a iniciação desportiva. Temos

exemplos. O futuro passará por

escolas de iniciação desportiva.

Nesta viagem em que tivemos

a companhia de Jorge

Gonçalves, treinador de judo

no Benfica de Lisboa, alguém

que tem uma enorme experiência

no ensino deste desporto,

inclusive junto de uma grande

fatia da comunidade cabo-verdiana

residente na capital de

Portugal, constatamos a excelente

capacidade física, a-

tlética dos jovens desportistas

em Cabo Verde. Jorge, ficou

bem impressionado. Trocas de

experiências, como esta, vão

de encontro ao que pretendemos.

Mais contactos, novas

parcerias. É preciso formar, formar.

E criar uma interessante

e efectiva rede de parceiros e

de “sponsors”. Temos que trazer

toda a gente para projectos

de intervenção social. Como é

o caso. O Estado, os governos,

as câmaras municipais, as organizações

públicas e privadas.

Os comités, Olímpico e

Paralímpico. Colocar os jovens

a fazer desporto. Como forma

de lhes melhorar as perspectivas.

Como um passo para a

redução da pobreza, para a inclusão.

Este meu testemunho, foi partilhado

no momento em que viajo

para o Fogo. Também aqui para

desenvolver contactos, formação

e capacitação com vista

à criação de uma Associação

Regional de Judo.

Foto COC

Condecoração e Recondução

Filomena Fortes - Presidente do COC

Imagem Sul

O reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido em Cabo Verde, no âmbito do Comité

Olímpico, ficou mais uma vez bem demonstrado em dois momentos que tiveram Filomena Fortes

como protagonista. Em primeiro lugar, e em sede da Assembleia Geral da ACNOA, que se realizou

em Argel, a imposição do Colar Olímpico Africano, destinado a premiar o desempenho da presidente

do COC, e como é óbvio de todas as mulheres dirigentes do Movimento Olímpico.

Festejando a meritocracia. Apenas e só. Confirmada na recondução de Filomena Fortes às comissões

que integra no Comité Olímpico Internacional. Na Comissão de Educação, e de Desporto e Sociedade

Activa.


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Agosto 2018

Elyane Boal, “um dia com”.

Imagem Sul

Férias!

Continua a querer ser feliz. E parece. Pelo sorriso... pela forma determinada

como fala da experiência que vive. A futura engenheira

hidráulica voltou à Praia após dois anos de estudo intensivo na

China. É lá que se forma Elyane Boal. Veio “matar” as saudades.

Que são sempre muitas. Aos 20 anos deixou a competição para

trás. Escolheu outro caminho, e não parece arrependida. Bem pelo

contrário. Confiante no novo projecto de vida. Elyane, tal como os

outros quatro atletas que com ela representaram Cabo Verde nos

Jogos do Rio, será protagonista de um documentário em vídeo no

âmbito dos conteúdos produzidos pelo Comité Olímpico Cabo-verdiano.

As gravações decorreram na sua cidade, no seu bairro, e no

gimnodesportivo Vává Duarte, que durante muitos anos, foi uma

extensão de sua casa.

Imagem Sul

E começou quase por obrigação.

Diz Elyane; -” a minha avó obrigou-me

a vir...”, e em boa hora

foi, mesmo que no início tenha

sido tão, mas tão difícil, que

começou por chorar muito, e a

achar que nunca seria capaz.

Foi capaz. A pouco e pouco fez

novos amigos e companheiros

de treino, e acabou como se

sabe. Durante anos, sete dias

por semana. Duas vezes por

dia. A ginástica foi a sua vida.

Parte da sua vida, vamos lá.

Esteve nos jogos olímpicos com

apenas 18 anos de idade. O

que, confessa, foi uma grande

surpresa. Recebeu a notícia de

que estaria no Rio, no dia do seu

aniversário. Uma grande surpresa.

Duplamente. E depois,

foi o que ninguém esquece. E

agora leia, o que Elyane mais

gostou nos Jogos Olímpicos; -”

… o companheirismo, as novas

amizades... o fair-play, o espírito

desportivo que se sente entre

todos na vila olímpica... essa

foi sem dúvida a melhor parte

de ter estado nos jogos”. E pronto.

Poderíamos ficar por aqui.

Não... ainda temos que lhes

contar porque Elyane abandonou

a ginástica.

Por que foi Elyane? -” Naquele

momento, eu tinha que decidir

o meu futuro. Entre continuar

a competir, e os estudos. Foi

um debate interior muito difícil,

bem como com a família, com

a Federação, e claro com Elena

Atmacheva, a minha treinadora

de sempre”.

Para muitos a mãe da ginástica

rítmica em Cabo Verde”. A professora

russa alega que ficou

um pouco triste por perder Elyane,

mas acabou por entender

que a experiência de estudar

noutro país é, só por si, muito

enriquecedor. Foi há dois anos.

Elyane não se diz arrependida,

mas sente muitas saudades

da ginástica. Aqui no Olimpicamente,

havemos de voltar a Elena.

Ela bem merece, e o país

reconhece.

Ora o país, terá num futuro muito

próximo, uma nova engenheira

hidráulica formada no longín-


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quo oriente. Poderia ter optado

pelo mais óbvio. Portugal, Estados

Unidos... escolheu a China,

pela descoberta de novas culturas.

E a língua. O mandarim

está cada vez mais na ordem

das prioridades comunicativas.

Confessa que a primeira abordagem

a esta nova realidade,

foi um choque. Adaptação dura,

difícil. Tudo novo. A comida, os

hábitos, as pessoas... tudo diferente.

Bom... alguém imagina

que uma jovem cabo-verdiana

queira ir para a China, estudar

engenharia hidráulica? Água e

esgotos, Elyane?! -” Bom, sempre

tive algum fascínio pela engenharia,

engenheiros civis há

muitos... fiz uma pesquisa de

mercado, e então percebi que

em Cabo Verde não há engenheiros

hidráulicos... seria uma

mais valia para mim, e quem

sabe para o país, que parece

não perceber a importância

deste ramo da engenharia. Daí

a minha opção”.

Elyane diz estar a adaptar-se

bem, a gostar do curso, e o facto

de estar numa cidade onde

estudam mais jovens cabo-verdianos,

ajuda-a a encurtar distâncias.

Da próxima vez que voltar à

Praia, será muito provavelmente

como engenheira Elyane Boal.

A ginasta olímpica por Cabo

Verde sente que o país continua

a precisar de alguma coisa para

impulsionar o desenvolvimento

social. Só que, ao que parece,

ainda ninguém percebeu que

“coisa” é essa. Em forma de remate,

e de um até à próxima.

Por cá na Praia, Elena Atmacheva

continuará diariamente a

rumar para o gimnodesportivo.

Com um fito apenas. Mais e

melhores ginastas. Um percurso

que merecerá o devido

destaque.

Imagem Sul

Armas Novas

Federação de Esgrima

Foto COC

Espada, florete e sabre. As três armas, para as três disciplinas da Esgrima. O desporto que foi “beber”

às antigas formas de combate, foi evoluindo pelo mundo fora... e acorda em Cabo Verde para um

despertar definitivo.

Foi dado como válido, o “toque” que faltava. Chamadas a reunir, as forças armadas deram um passo

decisivo para a constituição da Federação Cabo-verdiana de Esgrima. Para o projecto iniciado no ano

passado, foi estabelecida com a Esgrima de Itália, uma das melhoras escolas do mundo, uma parceria

efectiva que ajudou a formar instrutores, de suporte técnico, e forneceu materiais.

O COC associou-se desde a primeira hora à fundação deste novo “edifício” desportivo, bem como a

Associação de Amizade Cabo Verde/Itália – Kriol-Itá, que será representada na direcção federativa por

Maria Silva. A presidência ficará a cargo do Tenente Isaías de Brito, oficial do exército de Cabo Verde.


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Agosto 2018

Andebol a mexer.

Pôr as mãos na bola!

Foto COC

É o Andebol a pontuar. Fazendo acontecer.

A Federação como mola para um novo e definitivo

impulso. Como extensão do excelente resultado

conseguido com a selecção feminina nos Jogos

Africanos da Juventude, os dirigentes vão dando

continuidade ao programa previsto.

A formação como base para uma construção

sustentada, e do mesmo modo, querendo acompanhar

o ritmo de “outros andebóis”, por essa

África fora.

Desta forma, avançaram para o segundo Curso

de Treinadores Nível 1. Com candidatos de quase

todo o país, e ministrado pelo especialista argentino

Pablo Greco.

Este Mestre em Ciências do Desporto, tem dedicado

muito da sua vida à investigação no âmbito

dos métodos de ensino, aprendizagem e treino

nos desportos colectivos. E elege o Andebol como

a “sua” modalidade.

Nascido e formado em Buenos Aires, Pablo Greco

reside há muitos anos em Minas Gerais, no

Brasil. Dono de um curriculum impressionante,

esteve uns dias na Praia a partilhar conhecimento

e experiência aos futuros novos treinadores de

andebol. Mais de duas dezenas de candidatos

produziram um aproveitamento de cerca de oitenta

por cento, o que na prática credencia com o

nível 1 neste momento quase 40 treinadores no

país.

Um evento que contou com o apoio do Comité

Olímpico Cabo-verdiano, no âmbito da Solidariedade

Olímpica.

“Estamos muito felizes” - esta a forma como Nelson

Martins, presidente da Federação de Andebol

classificou a acção, o contributo de Greco, e

os resultados obtidos. Acrescentando que a formação

é, como não poderia deixar de ser, um dos

grandes objectivos da sua gestão. Este desporto

tem o seu futuro nas mãos.

Em Cabo Verde parte-se para outros desideratos,

como também fica demonstrado pela vontade

que o Andebol do país tem, em beber outras experiências.

Seja participando em competições no

exterior, seja abalançando-se para a organização

de grandes eventos intra-muros.

Desta forma Nelson Martins recebeu e acompanhou

durante três dias na ilha de Santiago, um

vice-presidente da CAHB.

Pedro Godinho, simultaneamente vice-presidente

do Comité Olímpico de Angola, esteve no nos-


Agosto 2018

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so país para se inteirar das condições logísticas

para a realização de importantes competições

no Andebol.

A Federação Cabo-verdiana apresentou a candidatura

para organizar em Outubro do próximo

ano, a Taça dos Clubes Campeões Africanos, e

pretendia dividir a competição pela Praia, Assomada

e Tarrafal.

E segundo Nelson Martins, devemos estar optimistas.

Para sediar a prova, são necessárias excelentes

condições desportivas, hoteleiras e logísticas.

O andebol de Cabo Verde quer ser olhado pelas

instâncias internacionais com outros olhos.

A Confederação Africana quer fazê-lo e pretende

de algum modo contribuir para uma candidatura

consistente.

O dirigente angolano afirmou ter sentido por

parte do governo e da Câmara da capital muito

interesse na concretização do objectivo, o que

significa nas suas palavras um “engajamento do

estado”. Por outro lado, percebeu que os dirigentes

desportivos estão a fazer um grande esforço

para criarem as condições.

Em causa, dez a doze dias de competição, vinte

clubes, cerca de 500 pessoas.

Pedro Godinho esteve no Estádio Nacional, visitou

infra-estruturas desportivas e hoteleiras na

capital, bem como em outras cidades da ilha de

Santiago.

Foi recebido pela presidente do COC, Filomena

Fortes, também ela uma mulher do Andebol, e

rumou ao continente bem inteirado dos propósitos

da Federação Cabo-verdiana, e da disposição

do país em trabalhar para uma candidatura forte.

Confiança e optimismo não parecem faltar.

Imagem Sul


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Agosto 2018

Triplos, três por três, e encesta mais uma vez.

Basquetebol

Imagem Sul

Agosto foi mês de basquetebol,

e não é por acaso que

“três foi a conta... que se

fez” ... diz-se em numerologia,

que o três é sinónimo de

união e de equilíbrio.

Ao saber e ao sabor popular,

foram buscar o basquetebol

em modelo três por três. Foram

à rua, à urbe, aos bairros,

às comunidades negras

dos Estados Unidos, trouxeram

a bola, uma tabela e

puseram-se a jogar à volta

do mundo.

Foi apadrinhado pela federação

internacional, e tornou-se

num caso sério de

popularidade.

Por cá, idem, idem, aspas.

Cabo Verde quer seguir as

pisadas marcadas no globo

terrestre, e já tem bem

quem o represente. O que é

isso de ser uma federação

“FIBA endorced”? Suely

Ramos Neves, coordenado-

ra do basquetebol três por três

em Cabo Verde, explica que a

FIBA certificou a Federação

Cabo-verdiana de Basquetebol,

como uma organização que está

habilitada a organizar competições

internacionais com o

“selo” FIBA. Foi em Dezembro.

O “3X3” em Cabo Verde, tem

tudo para dar certo, a começar

logo pela presença de duas

equipas no torneio de apuramento

para o Africa Cup. Foi o

que aconteceu em Benim, um

“porto novo” para o basquetebol

cabo-verdiano.

Esta variante do basquetebol, é

muito competitiva.

O jogo tem que ser jogado de

forma bem mais rápida.

É espectacular. Conversamos

com o Joel, com a Alzira, e com

a Nata... lá está... três atletas

que nos confirmaram que o

“três por três” vai crescer rapidamente

no nosso país.

Os resultados no Benim poderiam

ter sido melhores.

Notaram-se algumas diferenças

face às seleccões

adversárias, em especial no

que toca à preparação física.

Houve pouco tempo para

treinar. Estamos no começo do

caminho, e as portas parecem

abrir-se para o desenvolvimento

deste novo modelo competitivo.

Em Cabo Verde, o basquetebol

passa uma época de transição...

perspectivam-se grandes mudanças,

com o fito no futuro.

Aposta na formação, consolidação

do projecto das selecções.

O Basquetebol tradicional

foi também notícia.

A selecção feminina de sub-

18 participou em Moçambique

no Afrobasket, deu nas vistas,

conseguiu boas prestações, e

resultou numa excelente performance

individual de Josiana

Vaz, a capitã de equipa, uma

das melhores marcadoras da

competição, “mvp” em algumas


Agosto 2018

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partidas, e que adorou a sensação de poder “dar tudo” pelo país.

E o mesmo sentimento é partilhado pelos treinadores Aylin, a primeira mulher a orientar uma selecção

feminina e por Cuca, que regista a “boa experiência”.

Apesar de tudo, deu para perceber nos confrontos tidos, que há um longo caminho a percorrer.

Faltam mais contactos internacionais. Mais trabalho, melhor planificação.

É também a convicção de Mário Correia, o presidente federativo, que estabelece duas prioridades no

processo de renovação. As camadas de formação, e os escalões femininos. A ideia é descentralizar,

e massificar o basquetebol em todas as ilhas.

Criar relações a nível internacional, e plantar bases com vista ao desenvolvimento sustentado da

modalidade.

Imagem Sul

Pretas e Brancas

Cooperação no Xadrez

Foto COC

Todo o mundo sabe, como elas se movimentam pelos

tabuleiros dos cabo-verdianos.

Nas associações de recreio e cultura, nos clubes,

nos cafés... em casa de cada um.

Existe um verdadeiro entusiasmo pelo Xadrez, em

Cabo Verde.

Tal como em outras disciplinas, todos os impulsos

não são demais.

Este último teve origem na amizade com os xadrezistas

moçambicanos.

Os bons ares do Índico, chegaram com a vontade de

Domingos Langa presidente da federação de Moçambique,

em ajudar os seus “irmãos” cabo-verdianos.

Desta forma, esteve por cá, quis encontrar-se com o

seu homólogo Francisco Carapinha em São Vicente,

o que acabou por revelar-se impossível.

Visitou o COC, foi recebido por Filomena Fortes, e

nela “depositou” alguns materiais para ajudar a

Federação Cabo-verdiana a fomentar o desenvolvimento

do xadrez nas escolas.


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Agosto 2018

Atletismo Nacional

Todos à Pista!

Atletismo ao mais alto nível vai poder realizar-se no Estádio Nacional. Organismos competentes e

internacionais ultimaram o processo de certificação da pista de atletismo, numa acção coordenada

pelo director da infra-estrutura, Orlandinho Mascarenhas. O pedido de certificação foi feito, a IAAF

enviou uma equipa de inspecção, procedeu-se às devidas alterações, e agora é esperar pelo parecer

positivo. Uma passada gigante, obrigatória e fundamental, para dotar o palco de condições ideais para

competições internacionais. E a primeira está agendada. De facto, a Federação Cabo-verdiana de

Atletismo acaba de anunciar para 15 e 16 de Dezembro, a primeira edição do Meeting Internacional de

Atletismo. Na próxima edição do Olimpicamente destacaremos este novo episódio da vida do Estádio

Nacional de Cabo Verde.

Foto Estádio Nacional

Foto FCA

Open do Mindelo

Bom ténis!

Lá está. Ténis de muito bom nível na capital de São Vicente.

O tenista português Gonçalo Andrade fica para a história como o vencedor da primeira edição do Open

do Mindelo, ao bater na final, o cabo-verdiano Rui Lima por 2-1, com os parciais de 2-6, 6-3 e 6-2.

Ao último lugar do pódio, subiu o mindelense Eduino Oliveira, que derrotou Lourenço Reis por 2-0, com

os parciais de 6-4 e 7-5. Nos “courts” de Castilho e Clube Mindelo, evoluíram 16 tenistas, de Portugal, e

das ilhas de São Vicente, Santo Antão, Sal e Santiago. A organização coube à Federação de Ténis, e o

seu presidente relevou que o sucesso do evento, perspectiva um futuro promissor para a competição.

A segunda edição do Open do Mindelo, deverá contar com mais tenistas de outros países da CPLP.

Foto COC


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Maracanã nos Açores

Pontos na Ponta D´Água

Foto COC

A Escola de Futebol vai marcando pontos. Grão a grão... passo a

passo...

… desta vez, e como corolário do excelente trabalho efectuado na

comunidade, como inestimável desempenho pela formação no futebol...

surgiu aquilo que pode significar o início de uma afirmação

extra-muros. Em forma de convite.

A Associação Cultural e Desportiva Maracanã foi oficialmente convidada

para participar no próximo ano no Torneio Internacional da

União Micaelense, que se realiza nos Açores, Portugal.

O responsável pela organização esteve na Praia para formalizar

o convite para o evento dedicado a equipas de jovens de 11 e 12

anos.

É de facto uma excelente notícia para o magnífico trabalho de

inclusão social que se realiza em Ponta d´Água.

Kofi Anan

Foto COI

Importa uma homenagem a alguém que sempre relevou o poder unificador do desporto.

Que esteve na primeira linha como defensor incondicional do Movimento Olímpico.

O Comité Olímpico Internacional não o esquece, e no momento do desaparecimento físico do Nobel

da Paz, recordou os serviços prestados, e o facto de ter sido agraciado com a Ordem Olímpica.

“Kofi Annan sempre apoiou o COI e sua missão durante todo o seu tempo como Secretário

Geral das Nações Unidas, e até bem recentemente”, disse o presidente do COI, Thomas Bach. “Ele

desempenhou um papel muito importante para ajudar o COI a alcançar o Estatuto de Observador

Permanente nas Nações Unidas e estava sempre pronto para dar conselhos valiosos. O COI e todo

o Movimento Olímpico sempre o homenagearão como um verdadeiro amigo e grande promotor dos

valores olímpicos,” acrescentou o Presidente do COI.

Em Lausanne na sede do Comité Olímpico Internacional, a bandeira do COI, foi colocada a meia-haste

em memória de Kofi Anan


OLIMPICAMENTE

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Publicação mensal. Propriedade do Comité Olímpico Caboverdiano.

Todos os direitos reservados.

Inspiração e Mudança

Maria Andrade em Tóquio

Foto COC

Foto COC

Afinal Tóquio está à porta.

Faltam dois anos para os próximos

Jogos.

E estar a representar o seu país, é o

sonho, o foco de milhares de jovens

atletas por esse mundo fora.

É o caso de Maria Andrade.

Que para já, faz uma primeira abordagem

à “capital do Leste”, nome por

que também é conhecida a mais importante

cidade japonesa.

Não para competir, mas para partilhar

a sua experiência como atleta olímpica,

e o seu caminho para voltar a estar

ao mais alto nível.

Recorde-se que “Zezinha” Andrade,

um dos grandes talentos do taekwondo

nacional, representou Cabo Verde

no Rio 2016.

Vive nos Estados Unidos, e enquadrada

num programa a que o COI decidiu

chamar “Share the Dream 2020”,

estará em Tóquio para participar como

Jovem Inspiradora de Mudança.

A atleta natural de São Vicente beneficia

de uma bolsa atribuída pela Solidariedade

Olímpica, que lhe permite

um trabalho de preparação com vista

à qualificação para os Jogos.

É sobre todos estes eventos da sua

vida desportiva, que Maria Andrade

falará aos alunos das escolas japonesas.

Um momento muito alto para a atleta

e, sem dúvida, uma acção de cariz

elevado para o desporto de Cabo

Verde.

O olímpismo em Porto Novo!

COMITÉ OLÍMPICO

CABO-VERDIANO

Presidente

Filomena Fortes

Secretário-Executivo

Leonardo Cunha

Secretário-Geral

Nelson Martins

Travessa Pierre de Coubertin, Nº1

ASA Praia - Santiago

Foto COPN

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