Revista Apólice #236

revistaapolice

Ano 23 - nº 236

Setembro 2018

Emir Zanatto, COO;

Omar Ajame. CEO e

Bruno Zangari, CFO


2


editorial

Ano 23 - nº 236

Setembro 2018

Esta revista é uma

publicação independente

da Correcta Editora Ltda

e de público dirigido

Diretora de Redação:

Kelly Lubiato - MTB 25933

klubiato@revistaapolice.com.br

Diretor Executivo:

Francisco Pantoja

francisco@revistaapolice.com.br

Repórter:

Lívia Sousa

livia@revistaapolice.com.br

Colaboradora:

Manuela Almeida

Estagiário:

Maike Silva

maike@revistaapolice.com.br

Executiva de Negócios:

Graciane Pereira

graciane@revistaapolice.com.br

Programação Web:

Denis Oliveira

desenvolve@revistaapolice.com.br

Articulista:

J. B. Oliveira

Tiragem:

15.000 exemplares

Circulação:

Nacional

Periodicidade:

Mensal

CORRECTA EDITORA LTDA

Administração, Redação e

Publicidade:

CNPJ: 00689066/0001-30

Rua Loefgreen, 1291 - cj. 41

V. Clementino - Cep 04040-031

São Paulo/SP

Tel. (11) 5082-1472 / 5082-2158

Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Acesse nosso site

www.revistaapolice.com.br

Siga nosso

twitter.com/revistaapolice

Curta nosso

Revista Apólice

Que a intolerância

não triunfe

As eleições majoritárias estão chegando e, como nunca,

vemos o discurso do ódio proliferando-se de lado a lado. Independente

de ser esquerda ou direita, as pessoas deixaram

os argumentos para trás e deram voz ao seu “fígado”, à raiva

de vários anos que passou a ser canalizada para o discurso

político.

O princípio da democracia é justamente a institucionalização

da liberdade humana, o que significa que as pessoas

devem falar e ser ouvidas. A sociedade vive um momento

em que não quer ouvir o outro, não respeita as regras mínimas

de convivência. Aprender a ouvir quem pensa diferente

de nós é uma experiência enriquecedora, porque ratifica nosso

pensamento ou nos faz ver um outro lado. O contraditório

faz parte da vida.

Independentemente de quem serão os eleitos, em qualquer

esfera governamental, as outras partes devem aceitar,

ou partiremos para a barbárie. A única arma que podemos, e

devemos, usar é o voto. Este é o momento.

Momento muito especial vive também o mercado de

seguros. Nosso delicado estágio econômico nos mostra que

as empresas definitivamente precisam descobrir novos meios

de conseguir manter os padrões de faturamento aos quais

estavam acostumadas. Por isso, neste mês fizemos um especial

de seguros pelo mundo, para mostrar as experiências internacionais

em termos de produtos e serviços. Os mercados

tradicionais e saturados procuram identificar as tendências

do mundo digital para criar novos produtos. Os mercados

emergentes tentam pulverizar a distribuição dos produtos já

existentes, além de identificar novas formas de distribuição.

Boa leitura!

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

3


sumário

4

22

42

14

34

6

12

14

18

22

30

36

34

40

42

47

48

50

52

54

|

|

|

|

|

|

|

|

|

|

|

|

|

|

|

painel

gente

capa

TEx continua firme em seu propósito de prestar serviços para corretores de

seguros de diversos portes, aumentando a capacidade de tomada de decisão

dos players do setor

seguros pelo mundo

características

Especialistas mostram como funcionam a regulamentação do segmento e a

distribuição de seguros no Japão e nos Estados Unidos, além das tendências

de mercado nos dois países

produtos

Carteiras de Vida e Saúde despontam na contratação, enquanto RC e cyber

risks são grandes oportunidades a serem exploradas pela indústria

microsseguro

Seguradoras globais miram as necessidades da população de baixa renda

para que as famílias desenvolvam resiliência contra os riscos cotidianos e

sigam em frente

brics

Os emergentes Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul seguem com capacidade

de crescimento elevada para o setor e como imã de players mundiais

de seguros

seguradora

Com mais de 140 opções de produtos para pessoas físicas e jurídicas, Zurich

aposta no segmento de massificados, como auto, residencial e empresariais

operação

Saúde Concierge desenvolveu método de gestão de saúde através de tecnologia

que utiliza Inteligência Artificial e Big Data para diminuir o índice de

sinistralidade das carteiras

economia

Seguradoras cortam projeção de desempenho para 2018 pela metade em um

movimento que visa inserir a realidade da previdência privada nos números

serviço

Classic Seguros aposta em plataforma digital de vendas através de parceria

com empresa de tecnologia, para ter a robustez necessária ao comércio online

bike

Bicicletas e ciclistas também necessitam de proteção. Argo Seguros aposta

neste mercado e apresenta novo produto para bikes elétricas, com contratação

ágil e 100% digital

regulação

McLarens expande negócios na América Latina e vê no Brasil uma oportunidade

para colocar sua expertise em prática: regular sinistros com qualidade

legislação

Haüptli Advogados & Associados reúne especialistas para debater assuntos

relevantes ao mercado de seguros

comunicação


5


painel

• ndecisão

Companhia suspende RC

Profissional para área da saúde

A operação internacional da AIG decidiu descontinuar sua

linha de seguros de Responsabilidade Civil Profissional para a

área da Saúde e deixará de oferecer esta modalidade de seguro

em todos os países onde a opera, fora dos Estados Unidos.

Trata-se de uma decisão estratégica que faz parte do processo

de realinhamento dos negócios da companhia. A suspensão é

válida também para o Brasil, país em que a AIG segue atuando

com mais de 40 categorias de apólices de responsabilidade civil

profissional, como para advogados, contadores, corretores de

seguros, cartórios, entre outros.

“O Brasil é um país estratégico para a expansão de parcerias

estratégicas com parceiros de negócios para o fortalecimento

da marca no mercado de grandes riscos, pequenas e médias

empresas e viagem”, afirmou a seguradora, em nota.

• ntecnologia 2

Startups apresentam propostas ao

setor

O SindSeg Insurtech Connection encerrou suas atividades

com a realização do demoday, na capital mineira. Representantes

de 12 startups apresentaram as propostas desenvolvidas durante o

processo de aceleração, ocorrido entre 2 de julho e 7 de agosto. Os

trabalhos foram intermediados pela aceleradora Tropos Lab, que

em parceria com o SindSeg MG/GO/MT/DF promoveu as conexões

entre as seguradoras e as startups. Ao final da apresentação, foram

entregues certificados de participação às 12 startups. Os representantes

das seguradoras também elegeram a ideia vencedora. Cada

um deles recebeu 10 fichas, onde cada uma representava o montante

fictício de R$ 1 milhão. A startup que mais recebeu investimentos

foi a O2OBots, de Florianópolis (SC). A proposta apresentada pela

empresa, que também foi premiada com R$ 5 mil, consiste na utilização

de um robô com inteligência artificial para vender seguros.

Paulo Renato Cabral, Angelo Vargas, Abel Dias, Leonardo

Rochadel, Leandro Godinho e Augusto Matos

• ntecnologia

Ferramenta permite auto

inspeção pelo celular

Os clientes da Mitsui Sumitomo agora podem fazer

a auto inspeção pelo celular para seguros residencial e

empresarial, comércio e serviços.

A ferramenta online permite

que o próprio segurado realize

a inspeção de sua casa e de seu

negócio, sem visitas de terceiros

e sem necessidade de downloads

de aplicativos. Através de um link

via SMS, ele é direcionado para

a ferramenta, que realiza todo

o processo em menos de cinco

minutos e trabalha em tempo real, com envio de fotos e

geolocalização. “Investimos em novas tecnologias com

o objetivo de facilitar o processo de contratações para o

corretor e melhorias de produtos e serviços para os segurados.

A auto inspeção é um exemplo simples e inovador,

que garante agilidade, segurança e comodidade aos nossos

clientes”, ressalta Eliane Caetano, diretora de Produtos.

• nrisco

Empresas estão despreparadas

para enfrentar ciberataques

As restrições no orçamento para prevenção de ataques

cibernéticos é um dos principais problemas nas empresas

e muitas delas atuam sem um programa estruturado de

combate a ameaças digitais. Isso faz com que apenas 4%

das empresas se sintam preparadas para enfrentar ataques

cibernéticos, segundo resultados do estudo anual realizado

pela Ernst & Young com 1200 executivos da área de segurança

da informação e TI em todo o mundo.

A pesquisa aponta que aumentar os investimentos nesta

área é um pedido de 70% dos executivos entrevistados,

que dizem requerer 25% ou mais financiamento para o

trabalho. De 2016 para 2017, houve uma alta orçamentária

para 59% das companhias, mas apenas 12% acreditam que

terão valores pelo menos 25% maiores. No Brasil, o número

de empresas que registraram aumento no orçamento para

cibersegurança é menor: 52% ante os 59% globais.

6


• nproduto 2

Seguro Carta Verde adicionado ao

portfólio

A Zurich passou a oferecer o Seguro Carta Verde. O produto

garante o reembolso de danos materiais e corporais causados por

terceiros em acidentes com veículos nos países do Mercosul (Argentina,

Paraguai e Uruguai). A cobertura é obrigatória nesses países

e deve ser adquirida antes do início da viagem. O veículo segurado

deve necessariamente ser de passeio particular ou de aluguel, não

licenciado no país de ingresso.

A cobertura está disponível através do CotaZ para veículos

da categoria passeio, pick-up e utilitário, e também pode ser adicionada

a apólice vigente

através de endosso, até o

fim da vigência e mediante

a cobrança do prêmio

devido; ou no momento de

renovação 1Click, quando

o cliente deverá utilizar a

opção “modificar a cotação”

para realizar a alteração

desejada.

• ninternacional

Mercado cresce na América

Latina

Um levantamento da área de Serviço de Estudos

da Mapfre sobre o mercado de seguros na América

Latina revelou que, em 2017, o setor cresceu 9,3%

nessa região – ou seja, os 25 maiores grupos seguradores

incluídos no ranking de 2017 registraram US$

8,9 milhões a mais em prêmios que no ano anterior.

Segundo o documento, o incremento no faturamento

das seguradoras deu-se por meio da valorização de

algumas moedas em relação ao dólar. No total, o setor

atingiu US$ 158,5 milhões em prêmios no período.

Entre os produtos de maior abrangência na região,

o segmento Não Vida obteve aproximadamente

US$ 86,2 bilhões em prêmios, aproximadamente 9,6%

mais que em 2016. Com isso, o Brasil é considerado

o principal mercado da América Latina ao alcançar

receitas que apresentaram bom desempenho graças

à valorização da moeda local.

7


painel

• nmudança

Agência revisa perspectiva do

setor no Brasil

A agência americana de classificação de risco de crédito

Moody’s mudou a perspectiva para a indústria de seguros

brasileira para os próximos 12 a 18 meses de negativa para

estável, uma vez que espera um aumento no volume de prêmios

e rentabilidade estável na esteira de um melhor ritmo de

contratações apesar do crescimento econômico lento.

O setor também pode se beneficiar do debate vigente sobre

a reforma da previdência, que custa mais de 10% do PIB ao

Brasil. A implementação de uma reforma criaria novas oportunidades

de crescimento para a indústria de seguros, já que os

pensionistas teriam de buscar produtos de vida e previdência

para complementar ou substituir benefícios futuros menores.

A recente criação do seguro vida universal é outra fonte de

potenciais oportunidades de crescimento para o segmento,

avaliou a Moody’s.

• nprocesso

Fonte: Investing.com

Multinacionais querem

centralizar seguros na matriz

Uma pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral revelou

que o índice médio de internacionalização das multinacionais

brasileiras saltou de 23,2% para 27,7% entre 2014 e 2016,

e que Estados Unidos e Argentina constituem o principal

destino da internacionalização das empresas brasileiras.

“Essa solução, que concede mais agilidade às operações,

já é adotada por grande parte das corporações globais

de origem norte-americana e europeia”, diz Flávio Bauer,

vice-presidente para divisão de Global Account da Chubb

América Latina.

Conforme o executivo, a adoção de um só programa

de seguros centralizado na matriz permite melhor

controle, custos geralmente mais adequados e evita a

ocorrência de “surpresas”

decorrentes de leis locais,

temas regulatórios, assuntos

fiscais, estabilidade política,

riscos de responsabilização,

costumes e exposição a

catástrofes. “A administração

dos riscos cobertos pelos

seguros se torna cada vez

mais complexa, na medida

em que a organização se

internacionaliza”, ressalta.

• nprograma

Certificação em planejamento

financeiro

A Porto Seguro Vida

e Previdência e o Ibmec

lançaram o Programa Especialistas

em Planejamento

Financeiro, desenvolvido

exclusivamente para corretores.

A iniciativa prepara os

profissionais para oferecer

a solução financeira e de

proteção de renda mais adequada

à necessidade de cada

cliente. Através de processo

seletivo, foram selecionados 80 corretores, que serão divididos

em duas turmas. Fernanda Pasquarelli, diretora de Vida,

Previdência e Investimentos da Porto Seguro, enfatizou a

importância do programa para o mercado que se apresenta.

“É fundamental entender que estamos passando por mudanças

demográficas. As pessoas vivem mais. O corretor precisa

entender esse novo cenário e ter autoridade para argumentar

sobre as oportunidades que surgem no ramo”.

• ninternacional 2

Seguro e gerenciamento

de risco para cannabis

A corretora norte-americana

Hub International lançou

um serviço de seguro e

gerenciamento de risco para

cannabis, dentro de sua prática

de agroindústria e especialidades

agrícolas. Os produtores,

distribuidores e varejistas

de maconha para uso médico e

recreativo poderão comprar coberturas,

incluindo seguro de responsabilidade geral e de produtos,

responsabilidade de práticas de funcionários e diretores e

executivos, seguro de safras e seguro de transporte e gerenciamento

de segurança de frota, bem como gerenciamento

de risco e conformidade regulatória. Os serviços serão

administrados pela TJ Frost e pela Phaedra Andrusiak,

líderes do segmento de cannabis nos EUA e no Canadá,

respectivamente. Embora a maconha ainda seja ilegal sob

a lei federal dos EUA, 29 estados e o Distrito de Colúmbia,

Guam e Porto Rico legalizaram-na para fins medicinais,

e oito estados a permitem para uso recreativo. O Canadá

legalizou a maconha recreativa e a maconha medicinal e

tem quase 100 produtores de cannabis.

8


• ninternacional 3

Equador passa a exigir

seguro saúde dos

turistas

A partir deste mês, o seguro saúde se

torna obrigatório para os turistas que quiserem

visitar o Equador. A obrigatoriedade

foi estabelecida em fevereiro deste ano, de

acordo com a Lei Orgânica da Mobilidade

Humana. Agora, qualquer pessoa que entre no

país precisa ter um seguro saúde público ou

privado durante a estadia. Com a nova norma,

o Equador não estabelece um valor mínimo

para a apólice, mas exige que o viajante tenha

um seguro saúde que cubra acidentes ou

doenças e que valha para todos os dias da viagem.

A decisão do governo equatoriano não

é inédita e está se tornando uma tendência

no mundo. A medida havia sido adotada em

1985 pela Europa com o Tratado de Schengen.

Na América Latina, Venezuela e Cuba também

exigem o seguro saúde para entrar no país.

• neleição

Nova diretoria do CCS-SP

Liderada pelo atual secretário Evaldir Barboza de Paula, a chapa única

foi eleita por aclamação para comandar o CCS-SP na gestão 2018/2020.

Compõem a diretoria o ex-mentor Nilson Arello Barbosa (secretário), Jorge

Teixeira Barbosa (tesoureiro) e na Junta Fiscalizadora Ivone Elise Gonoretske,

Nilson Moraes e Raquel A. Mangue Gomes. Entre as propostas da

nova gestão estão a modernização e a adequação da atuação da entidade

às novas demandas da categoria, a valorização da marca do CCS-SP (que

completou 45 anos de atuação) e a reformulação do estatuto, que passou por

apenas duas alterações nesse período. Também está nos planos da diretoria

eleita criar novos

canais para

manifestações,

opiniões e sugestões

dos associados

e estimular

a produção

intelectual

dos associados,

abrindo espaço

para a publicação

de artigos e

trabalhos.

Nilson Moraes, Ivone Gonoretske, Evaldir Barboza de

Paula, Raquel Gomes, Jorge Teixeira e Nilson Arello

9


painel

• ¢ joint venture

Proteção para clientes

empresariais

• ndestaque

Homenagem na Câmara

Municipal do Rio

O presidente do CVG-RJ, Carlos Ivo Gonçalves, recebeu

uma Moção de Reconhecimento e Aplausos na Câmara

Municipal do Rio de Janeiro. A iniciativa foi do vereador

Marcelino D’Almeida. “Fico lisonjeado em receber esta

honrosa moção. Como atual líder do CVG-RJ, é um reconhecimento

também da importância do trabalho que realizamos

na instituição”, agradeceu o homenageado. A cerimônia foi

realizada no Plenário Teotônio Villela, no Palácio Pedro

Ernesto, no centro da cidade.

Luciano Calabró Calheiros e Marco Antonio Gonçalves

A Swiss Re Corporate Solutions Brazil, que nasceu da

joint venture entre a empresa suíça e a Bradesco Seguros,

enfatiza os negócios com os corretores para que estes

ofereçam proteção completa aos clientes corporativos. “A

razão desta união foi ter acesso ao canal corretor, pois nosso

foco era nos grandes contratos”, destacou Luciano Calabró

Calheiros, CEO da Swiss Re Corporate Solutions. “Queremos

acesso regional para distribuir produtos de nossa carteira,

que está mais completa”, disse.

Antes da joint venture, a empresa dispunha de seguros

agrícola e garantia. O leque foi ampliado para outros produtos

de property, transportes e demais ramos. Agora, a companhia

tem o desafio de acelerar as práticas, os processos

e o conhecimento dos corretores sobre as coberturas e os

produtos desenvolvidos. “Esta aceleração da capacitação

dos corretores é para aproveitar oportunidades da demanda

já existente entre o público atendido pela Bradesco Seguros”,

pontuou Marco Antonio Gonçalves, diretor geral de

Organização de Vendas da seguradora.

• nbolsa

Marcelino D’Almeida e Carlos Ivo Gonçalves

Boas práticas de sustentabilidade

A SulAmérica foi confirmada novamente no índice internacional

de sustentabilidade FTSE4Good. Composto por

empresas com práticas dos fatores ASG (ambiental, social e

de governança), mais conhecida pela sigla em inglês ESG, a

listagem se vale de

dados de domínio

público como relatórios

financeiros e

de sustentabilidade,

atendendo aos

critérios de seleção

que analisam 300

indicadores diversos.

Com base nessa pontuação

a companhia

elevou o score de 3,7 para 3,9 (sendo 5 o máximo), com destaque

para dimensão da governança e melhora na dimensão

social. O FTSE4Good é aferido pela Financial Times Stock

Exchange Rusell, uma divisão da bolsa de valores de Londres,

que norteia investidores na identificação de empresas que

zelam pelas boas práticas de mercado.

10


• naniversário

50 anos de atuação do Sincor MG

Durante a confraternização, realizada em Belo Horizonte,

a presidente da entidade, Maria Filomena Branquinho,

lembrou de quem ajudou a fundar e a construir a história do

Sindicato, além de ressaltar a inclusão da categoria no Simples

como a maior conquista da instituição até o momento. “Essa

conquista comprovadamente teve impacto positivo na saúde

financeira de muitas corretoras de seguros”, comemorou.

Maria Filomena também destacou a luta da entidade contra o

seguro pirata e expôs sua opinião acerca da reforma trabalhista,

que “embora necessária,

deixou comprometida

a subsistência das entidades

sindicais”. “Peço

para a classe que, junto

a todo este orgulho de

completar meio século de

existência, tenha também

a consciência e a responsabilidade

com a continuidade

do Sindicato”.

• ncomemoração

Entidade celebra 94 anos

Um almoço realizado

em Curitiba (PR) marcou

a comemoração dos 94

anos do Sindseg – PR/MS.

O evento contou com a

diretoria, Conselho Fiscal,

Comissão Interna de Seguros

Gerais e funcionários

da entidade, além do

presidente João Gilberto

Possiede. A entidade, que

iniciou as atividades como

Comitê Local Paranaense

de Seguros, recebeu a Carta Sindical em 1952. Chegou a

funcionar como um comitê misto abrangendo os estados do

Paraná e de Santa Catarina, mas foi desmembrada e permaneceu

a maior parte de sua história como representante da

atividade seguradora paranaense. Em 2006, passou a representar

também o Mato Grosso do Sul, tendo inclusive uma

sede em cada estado.

11


GENTE

Líderes para a Ásia

Diretora de Recursos Humanos

Patrícia da Silva Granizo

Rodrigues é a nova diretora de

Recursos Humanos da HDI Seguros.

Ela tem como missão contribuir

com o momento de transformação

e inovação da companhia.

A executiva acumula passagens

por empresas como Johnson &

Johnson, Natura, Arcor e L’Oréal.

Superintendente de

Agronegócio

Executivo de

Vendas para a

Bahia

A MetLife nomeou Kishore

Ponnavolu como presidente da

empresa na região da Ásia. Baseado

em Hong Kong, ele passa para

membro do Grupo Executivo da

companhia. Já Rebecca Tadikonda

ocupa a diretoria de Mercados

de Crescimento Estratégico e trabalha

no escritório de Singapura.

A Sompo Seguros nomeou

Marcio Martinati como superintendente

de Agronegócio. O executivo

deve estruturar uma área

para atendimento dos produtores

rurais brasileiros e desenvolver

produtos de fácil compreensão

para quem não tem conhecimento

ou afinidade com essa categoria de

serviços financeiros.

Pedro Gonçalves é o novo

executivo de vendas para a Bahia

da April Brasil. Com 13 anos de

experiência no setor de turismo,

ele aceitou o desafio de se dedicar ao mercado baiano, onde

a companhia cresceu 10%, no Estado, no primeiro semestre

deste ano.

Diretoria de RH e Operações

A MDS Brasil contratou Marcelo

Lopes para a diretoria de

Recursos Humanos e Operações,

que engloba as áreas de TI, Administrativo,

Compras, Jurídico

e Auditoria. Com a chegada do

executivo ao quadro diretivo,

Beatriz Cabral passa a diretora de

Marketing e Inovação.

Equipe sênior de advogados

Diretor comercial de

Massificados

A Seguros Sura anunciou

Pedro Gutemberg como diretor

Comercial de Massificados, que

responde pelas frentes de Afinidades

(com foco em Varejo, Utilities e

Cartões), Licitações e Novos Canais.

Ele tem 13 anos de experiência no

setor de seguros e já passou pela

QBE Brasil, comprada pela Zurich.

Dois advogados seniores especializados

em seguros, resseguros

e previdência privada

foram contratados pelo escritório

Mattos Filho. Úrsula Santos de

Ávila Goulart e Fabio Jun Gobara

atuarão na assessoria para sinistros

de grandes riscos e consultoria

regulatória.

Reestruturação de Comitê

Executivo

A Axa finalizou a nova

composição de seu Comitê

Executivo, liderado pela

CEO da companhia, Delphine

Maisonneuve. Entre as

promoções está a de Erika

Medici, que assumiu a vice-

-presidência Comercial e Marketing com o desafio de aproximar

a companhia de corretores de médio e pequeno portes.

12


Novo integrante

em Comitê

Executivo

Diretor de

Produtos

Fomento à área de

Seguros Rurais

Leonardo Dale passou a integrar

o Comitê Executivo Brasileiro

da JLT, que visa traçar e definir toda

a estratégia da empresa. Dale é líder

do time Internacional da JLT Specialty

Brasil e, neste ano, assumiu também

a vice-presidência internacional da

JLT Benefícios.

Edson Souza foi nomeado diretor

de Produtos da AIG. Na nova

posição, será responsável por integrar

as estratégias de produtos, promover

a capacidade e experiência da companhia

em subscrição e liderar iniciativas

chave para o crescimento e fortalecimento

da seguradora no Brasil.

Joaquim Neto, VP da Comissão

Técnica de Seguros Rurais da FenSeg,

assumiu a gerência de Produto Safras

da Tokio Marine. A empresa opera

com seguros para safras de soja, milho,

milho safrinha e trigo. A ideia é ampliar

as coberturas para outras culturas

e expandir a atuação para frutas e

hortaliças.

13


capa | tex tecnologia

Inovação e tecnologia

ao alcance de todos

TEx se concentra

agora em levar

o Teleport para

todos os corretores

do mercado e a

apoiar Seguradoras

e corretoras na

tomada de decisão

14

Em 2008, há exatos 10 anos, a

TEx lançou o Teleport no Conec.

Naquela edição, a empresa participou

com um pequeno estande

na área de tecnologia. De lá para cá, a

empresa aumentou significativamente a

sua participação de mercado. Neste ano, a

empresa mostra um retrato da sua expansão

ao longo da última década ocupando

no evento um estande de 140 metros

quadrados, junto às grandes seguradoras.

Quem também evoluiu na mesma

proporção nesse período foi o Teleport.

Além do multicálculo, integra toda a gestão

de clientes e apólices, sistema financeiro,

CRM e gerenciamento eletrônico

de documentos. Uma grande novidade

é que, a partir de outubro deste ano, a

quantidade mínima de usuários deixará

de existir. Inicialmente, o Teleport era

comercializado para corretoras com mais

de 30 usuários, mas este patamar foi

sendo gradualmente reduzido ao longo

dos últimos anos, estando atualmente

em 10 usuários. Omar Ajame, CEO da

TEx, diz que o foco da empresa é democratizar

o acesso ao Teleport. “Com a

evolução natural do mercado e também


a da própria TEx, conseguimos agora

eliminar o número mínimo de usuários,

tornando o produto acessível para 100%

dos corretores. Estamos lançando no

Conec uma nova versão completa, que

inclui as principais funcionalidades do

Teleport, inclusive multicálculo, a partir

de apenas 1 usuário”.

Isso está sendo possível graças a uma

transformação na mentalidade do mercado.

“Mais corretores estão utilizando sistemas

de multicálculo, inclusive aqueles

do tipo ‘robô’, que não são autorizados pelas

seguradoras e não garantem precisão

ou confiabilidade. O Teleport oferece ao

corretor uma alternativa segura, precisa,

homologada pelas seguradoras e mantida

sempre atualizada. E também as seguradoras

hoje entendem a importância da

ferramenta para os corretores e também

para si”, avalia.

O CFO da TEx, Bruno Zangari, explica

que a evolução da plataforma e do

ecossistema permite ganhos de escala e

custos menores. “A evolução natural do

mercado de tecnologia é que os produtos

se tornem cada vez mais completos, rápidos

e também mais acessíveis. No nosso

caso isso significa que cada vez mais

corretores poderão utilizar o Teleport,

inclusive os menores, que ainda hoje

ainda têm processos muito dependentes

de trabalho manual”.

Um dos principais objetivos

da TEx é acelerar

o processo de transformação

digital dos corretores,

permitindo que atendam

seus clientes de forma

mais ágil e, ao mesmo

tempo, proporcionar custos

operacionais menores.

Um dos grandes inconvenientes

em multicálculos

que não são autorizados

pelas seguradoras é a frequente

interrupção do

funcionamento de algumas

seguradoras, quando

ocorrem atualizações.

Por trabalhar sempre em

colaboração com as seguradoras,

a TEx é informada

de antemão sobre as

alterações nos produtos e

sistemas de cálculo das companhias. “Assim,

conseguimos sempre estar preparados

e nunca deixar o Teleport desatualizado

em relação aos sistemas das próprias seguradoras.

Quando se utiliza um serviço

do tipo robô, pelo menos uma vez por mês

para cada seguradora, o cálculo deixa de

funcionar. Além de perda de tempo, isso

também significa perdas de negócios para

as corretoras”, aponta Ajame.

O Teleport foi construído com visão

de “missão crítica”, o que significa que

uma operação não pode parar nunca.

A empresa entende que isso se aplica a

corretores de todos os portes e não apenas

aos maiores. “Todo corretor é missão

crítica, pois ele cuida dos bens de seus

segurados. Nada é mais crítico do que a

proteção do patrimônio de seus clientes”,

pontua Emir Zanatto, COO da TEx.

Hoje, o Teleport é utilizado por mais

de 600 corretoras de seguros, principalmente

de médio e grande portes, que

transmitem mais de R$ 3 bilhões em

prêmios de seguro por ano. Entretanto, a

empresa tem feito grandes investimentos

para ampliar essa base e democratizar o

acesso às suas soluções. Assim, com uma

amostra ainda mais considerável do mercado

de seguros sendo transmitida por

meio dos softwares da TEx, a empresa

iniciou o trabalho em novas e inovadoras

frentes, como a inteligência de mercado.

Inteligência de mercado

Desde que a transformação digital

virou tema obrigatório em todas as rodas

de conversa no mercado de seguros,

alguns entraves para tornar isso realidade

vieram à tona. Com um enorme

fluxo de informações correndo por seus

sistemas, a maioria das empresas ainda

encontra dificuldades para analisar e dar

significado a estes dados. No mercado de

seguros isso não é diferente. Por isso, a

TEx desenvolveu o TEx Analytics, um

produto que nasceu a partir da demanda

de seguradoras, corretoras de seguros e

montadoras, que necessitam entender o

perfil de seus clientes e a sua competitividade

no mercado nas diversas regiões

do país.

O TEx Analytics é um produto de

inteligência de mercado destinado para

estas empresas, ajudando-as a entender

o cenário atual de forma detalhada e a

criar condições para aumento de produção

e melhoria de resultados. “É um

produto voltado para a tomada de decisão

e aumento da assertividade, com papel

decisivo para o aumento das vendas e rentabilidade”,

explica o CEO, Omar Ajame.

Cerca de 20% das seguradoras

habilitadas a comercializar o seguro de

automóvel no país já utilizam a ferramenta.

“Havia algumas perguntas a serem

respondidas: a minha corretora ou segu-

15


tex tecnologia

radora é competitiva em

determinada cidade ou

região? A sinistralidade

nesta região está de

acordo com o mercado?

Qual o meu perfil de

clientes? Onde tenho

melhores resultados?”

explica Bruno Zangari,

CFO da TEx.

Os dados do TEx

Analytics são conjuntos,

anônimos e indistintos.

“Isso significa que não

há nenhum dado pessoal

(como nome, CPF,

RG) de clientes, assim

como nenhum dado confidencial

ou estratégico

das corretoras ou das

seguradoras. O produto

trabalha e exibe apenas

informações agregadas. Por exemplo, o

produto mostra qual é o preço médio de

determinados perfis e veículos em cada

região, sem entretanto exibir prêmios por

seguradora”, explica Ajame.

O TEx Analytics é comercializado

há apenas seis meses e seu sucesso é comemorado

pelos executivos da insurtech.

Apesar de ser essencialmente uma única

ferramenta, ele possui versões especiais

para seguradoras, corretoras de seguros

16

e montadoras de veículos, dando foco às

informações relevantes para cada tipo

de empresa.

Nos últimos dois anos o setor de seguros

também foi pressionado por diversos

fatores econômicos e sociais, que fizeram

com que as companhias buscassem alternativas

para manter a competitivade e

lucratividade de suas carteiras. “O produto

final é fruto de um grande investimento,

da montagem de uma equipe especializada

Bruno Zangari, CFO da TEx

de altíssimo nível e da filosofia da TEx de

sempre criar valor para todos os players

do mercado, respeitando sempre o caráter

confidencial de informações estratégicas”,

avalia Zangari.

O futuro da insurtech

Antes mesmo deste termo estar em

voga no mundo dos seguros, a TEx já

se enquadrava neste perfil. O objetivo

das insurtechs é usar a tecnologia para

modernizar e dinamizar as relações entre

todos os players do mercado, sobretudo

seguradoras, corretores e segurados, atendendo

aos anseios dos consumidores modernos

que são cada vez mais exigentes.

O foco é tornar os produtos de seguros

cada vez mais simples de serem entendidos

e contratados, gerando crescimento

para todo o mercado segurador.

Desde o seu início, a empresa não

recebeu nenhum investimento externo.

Zangari conta que o termo startup sequer

era utilizado no Brasil em 2008 e que

não havia a cultura de venture capital ou

de investimentos em pequenas empresas.

“Começamos com investimentos dos

próprios sócios. Desde então, administramos

estes recursos e reinvestimos

grande parte dos nossos resultados, pois

uma empresa de tecnologia, para ser bem

sucedida, deve inovar constantemente”,

conta o executivo, que complementa:


“sempre estivemos preparados para um

cenário econômico mais difícil, dada

a imprevisibilidade do País. Quando

a crise no Brasil se iniciou, não foi

necessário cortarmos projetos ou investimentos,

pelo contrário, fizemos

um movimento anticíclico. Investimos

consideravelmente em pessoas, aumentando

a equipe em mais de 60% desde

o início da crise, ultrapassando mais de

100 colaboradores. Criamos diversos novos

produtos e agora vamos dar o nosso

passo mais importante levando nosso

principal produto, o Teleport, a todas as

corretoras do país”, comemora Zangari.

“Estamos à frente das nossas metas e

em um momento bastante positivo, de

grande maturidade da empresa, das

nossas plataformas e de nossa equipe.

Acreditamos que 2019 será o melhor ano

pós-crise para corretoras e seguradoras

e, consequentemente, também para a

TEx”, complementa.

Esta confiança vem da constatação

de que os clientes de médio e grande porte

já voltaram a realizar investimentos.

Ajame conta que a TEx atende diversos

bancos, montadoras de veículos, grupos

de concessionárias, corretoras multinacionais

e seguradoras e afirma que todos

estão voltando a pisar no acelerador.

Como as pequenas empresas têm um

fôlego financeiro menor, esta retomada

demora um pouco mais. “Queremos ajudar

os corretores menores a retomarem

seu crescimento e a se tornarem mais

competitivos”, anuncia o executivo.

Nimble

O Nimble é um produto que nasceu

pensando no cliente final, o segurado.

Ele foi concebido para realizar vendas de

seguros diretamente pela internet e esta

continua sendo sua principal capacidade.

“Porém, nossos clientes passaram a

utilizar o produto de formas que sequer

havíamos imaginado, com vendas em

worksites, operações de afinidades,

sistemas de financiamento de veículos e

em diversos outros canais onde o cliente

final pode iniciar sua cotação e, até mesmo,

finalizar a contratação diretamente

na plataforma. Todos conseguem usar a

ferramenta com facilidade”, argumenta o

COO da TEx, Emir Zanatto. O Nimble

é integrado ao Teleport, o que permite

não apenas um processo de vendas mais

moderno, mas também toda a gestão em

tempo real sobre os canais digitais.

Os executivos acreditam que chegou

o momento de todas as empresas do mercado

de seguros concentrarem esforços

para ampliar a cultura do seguro junto

aos consumidores finais, sobretudo pois

o mercado de seguros no Brasil ainda

tem muito espaço para crescer. Por aqui,

o mercado representa cerca de 3,5% do

PIB, enquanto nos Estados Unidos este

patamar é superior a 7%, por exemplo.

Emir Zanatto, COO da TEx

Além disso, a penetração do seguro de

automóvel ainda é bastante baixa, com

menos de 30% dos veículos fabricados

nos últimos 10 anos segurados.

“Os produtos devem ser mais simples

de entender, utilizar linguagem e comunicação

mais claras e serem mais fáceis

de contratar. O mercado de tecnologia

ensina que, tornando o entendimento e

a contratação mais simples, milhões de

novos consumidores serão atendidos e

com custos operacionais menores. Criar

este futuro é nossa principal missão”,

finaliza Omar.

17


seguros pelo mundo | características

As peculiaridades do setor

Especialistas mostram como funcionam a

regulamentação do segmento e a distribuição de

seguros no Japão e nos Estados Unidos, além das

tendências de mercado nos dois países

Lívia Sousa

O

mercado global de seguros

assiste a constantes evoluções

e transformações, tanto

na sociedade quanto nas

empresas, que impactam o modelo de

negócio e, consequentemente, os riscos

das companhias. Alguns riscos, inclusive,

eram inexistentes até bem pouco tempo.

Neste cenário, um dos desafios do setor é

acompanhar e adequar seus clausulados,

precificações e até criar novos produtos,

na velocidade em que estes riscos se

transformam.

A Revista Apólice conversou com

especialistas do setor para saber como

18

o mercado segurador opera nos Estados

Unidos e também no Japão.

EUA: desenvolvimento e

consolidação da cultura do

seguro

Diferentemente do Brasil, o mercado

norte-americano é regulado na esfera

estadual. Há uma integração entre os

entes da federação, mas é necessário que

a seguradora esteja registrada estado a

estado, caso queira operar naquela localidade.

“Os Estados Unidos são um país

formado por 50 estados e cada um possui

uma legislação específica. O mesmo se

❙❙

Javier Duran, da Marsh Brasil

aplica ao mercado de seguros, no qual a

localização do cliente pode implicar em

uma particularidade específica que deve

ser tratada nas apólices para atender uma

questão regulatória do estado em que esti-


ver atuante”, explica Javier Duran, diretor

de Risk Management da Marsh Brasil.

Outra particularidade é que o risco

de acidentes do trabalho é transferido ao

mercado segurador. Este seguro se chama

Worker’s Compensation (WC) e representa

uma fatia importante do budget de

seguros das empresas. De acordo com o

executivo, as mudanças que estão sendo

promovidas no ambiente de trabalho,

como robótica, impactam diretamente

nas análises de clientes e mercado segurador

sobre potenciais agravos na exposição

de risco a seus funcionários e medidas

de prevenção que devem ser adotadas de

maneira proativa.

Já a distribuição é multicanal, sendo

possível a venda por meio de profissionais

consultores especializados e diretamente,

por telefone ou online. Além da figura do

corretor e das plataformas digitais (websites,

aplicativos), o consultor financeiro de

investimentos também é um profissional

preparado para auxiliar as pessoas na

contratação de seguros, o que reforça a visão

de que o seguro é um complemento no

planejamento financeiro, como proteção

do patrimônio adquirido e preservando

as pessoas frente à responsabilidade por

eventuais danos causados a terceiros.

A principal característica do setor é o

amplo desenvolvimento e consolidação da

cultura do seguro, sendo considerado uma

ferramenta de gestão e transferência de

risco entre as empresas e parte integrante

do planejamento financeiro das pessoas.

Para se ter ideia da difusão do seguro, pelo

menos 85% dos domicílios afirmam ter o

seguro residencial, por exemplo, enquanto

no Brasil o índice é abaixo dos 15%.

Entre os principais avanços no

mercado americano estão a inovação em

produtos diferenciados para acompanhar

os novos riscos que surgem, a exemplo

dos crescentes ataques cibernéticos, e o

uso da tecnologia a favor da agilidade nos

processos de contratação, acompanhamento

da apólice, contato entre os públicos

(clientes, corretores e seguradoras) e

na gestão e solução dos sinistros.

“O surgimento de novos riscos e a

tecnologia como motor de propulsão da

indústria são tendências importantes. No

caso do primeiro, vemos que empresas,

independente de seu tamanho e ramo

de atuação, assim como pessoas e seus

lares, estão mais suscetíveis a ataques

cibernéticos. Como consequência, vemos

um aumento da legislação visando à

proteção de dados, a exemplo da GDPR,

na União Europeia, e da recente sanção

da Lei de Proteção de Dados Pessoais,

neste mês no Brasil”, diz Paride Della

Rosa, CEO Regional América Latina e

Caribe da AIG.

Outra tendência, de acordo com

o executivo, indica um aumento da

frequência e intensidade dos desastres

naturais ao redor do mundo. Isso tem

um impacto direto na relação de oferta e

demanda, principalmente nas áreas mais

expostas a catástrofes naturais.

19


características

Para Della Rosa, a forma de fazer

negócio dentro do mercado segurador

pode se valer muito da tecnologia. Não

somente com aplicativos e portais web

para facilitar a comunicação entre as

partes no momento da contratação e

gestão do sinistro, mas para transformar

seus processos. “Já vemos a aplicação

de blockchain, inteligência artificial e

automação para reduzir ineficiências e

tornar os processos mais ágeis e eficazes”,

afirma.

Por ser um mercado desenvolvido,

o setor de seguros nos Estados Unidos é

altamente competitivo. As baixas taxas

de juros dos últimos anos atraíram capital

alternativo para a indústria de seguros em

busca de maior retorno. Consequentemente,

a capacidade do mercado – entendida

pelo capital disponível para assumir

riscos – é muito superior à demanda. Com

isso, as taxas cobradas por esses riscos

vêm reduzindo ano após ano.

Japão: mercado doméstico de

seguros deve encolher

20

❙❙

Paride Della Rosa, da AIG

mação empresarial, considerando esta

tendência inevitável. E para fortalecer os

links com seguros, visamos o mercado

sênior como um setor chave”, declara Kenichi

Umeki, diretor executivo da Sompo

Seguros e representante-chefe da Sompo

Japan Nipponkoa Insurance Inc.

A presença do corretor em grandes

contratos corporativos e o número de

contratos online estão aumentando gradualmente,

o que, no entanto, não afeta

muito o mecanismo de mercado como

um todo. Os agentes são responsáveis

por 93,1% da distribuição do mercado

japonês. Já a distribuição online responde

por 6,7% e os corretores ficam com 0,3%

do mercado.

Por fim, uma característica do mercado

de seguros japonês é a existência

❙❙Kenichi Umeki, da Sompo

Com a concorrência após a desregulamentação

iniciada na década de 1990,

o mercado de seguros não-vida sofreu

um aumento contínuo de sinistralidade,

o qual era mais comum ao seguro de

automóveis, devido principalmente ao

aumento da frequência de acidentes de

trânsito. No entanto, em 2010, cada seguradora

japonesa trabalhou duro para

superar a situação, como o esforço contínuo

para reduzir os custos e, juntamente

com as revisões das tarifas e do sistema

Bonus-Malus (que considera valores de

prêmios maiores para quem tem alta

taxa de sinistralidade), a sinistralidade

no Japão foi mantida estável.

Enquanto a economia japonesa vai

bem, o Japão como um todo está vivenciando

um período de rápido declínio da

taxa de natalidade. Há uma projeção de

que a população será reduzida em cerca

de 30% e deve passar de 125,2 milhões,

em 2015, para 86,7 milhões em 2060.

Como resultado, o mercado doméstico

de seguros deve inevitavelmente encolher

a médio e longo prazo.

“Embora tenhamos confiado muito

no mercado doméstico de seguros não-

-vida, a Sompo está agora sob transforde

um mecanismo de forte proteção dos

consumidores. Umeki apresenta dois

exemplos: Corporação de Proteção aos

Acionistas do Japão (PPC - Policyholders’

Protection Corporation of Japan) e

ADR (Alternative Dispute Resolution).

No PPC, os detentores de apólices

de seguradoras insolventes são indenizados

pela Corporação, estabelecida em

1º de dezembro de 1998, nos termos da

Lei de Reforma do Sistema Financeiro.

No caso de falha de uma seguradora, a

Corporação desempenha suas funções

para proteger os segurados, assegurando

assim a confiabilidade do mercado de

seguros. A função da Corporação é dar

ajuda financeira a qualquer companhia de

seguros que assuma uma seguradora falida.

A companhia de seguros que assumir

a sua congênere falida, assume também

os contratos de seguro e paga os sinistros.

“Este esquema é raramente usado

na indústria de seguros em geral, mas

quando acontece, geralmente aparece

uma companhia de seguros disposta a

assumir a situação”, diz Umeki.

Após os ataques terroristas de 11 de

setembro de 2001, uma seguradora japonesa

faliu. Como seguradora, a Sompo

Japan interveio e tudo terminou bem.

Já os Centros ADR (Alternative Dispute

Resolution) da Sompo servem como

janelas de atendimento ao cliente e operam

em 11 locais em todo o país. Neles,

são respondidas consultas sobre seguros

gerais e realizados procedimentos para

reclamações e resolução de disputas relativas

a problemas entre clientes e companhias

de seguros de um ponto de vista

neutro e justo como uma organização de

resolução de disputas designada sob a Lei

de Negócios de Seguros.

“Quando os consumidores e as

seguradoras disputam no tribunal, é preciso

muito dinheiro e tempo. Por meio

deste esquema, os consumidores recebem

aconselhamento e têm à disposição

uma maneira alternativa de resolver os

problemas, em vez de entrar numa disputa

no tribunal para resolver os pedidos de

seguro”, explica o executivo.

Este sistema foi estabelecido com

base na “Lei relativa à Revisão Parcial

dos Instrumentos Financeiros e Lei

Cambial”, anunciada em 2009.


21


seguros pelo mundo | produtos

O seguro sempre

presente

A população mundial começa

a entender a importância de

estar protegida. Carteiras de

Vida e Saúde despontam na

contratação; RC e cyber risks

são grandes oportunidades

a serem exploradas pela

indústria

Lívia Sousa

Cada país tem as suas peculiaridades,

principalmente quando

se trata de um segmento com

regulação diferente em cada

parte do mundo, como o de seguros. Existem

diversos fatores que podem definir

comportamentos sociais, como cultura,

acesso à informação e, até certo ponto,

poder aquisitivo. No caso da relação da

população com seguros, existe um outro

ponto que também deve ser levado em

conta: a questão histórica. Em países cuja

trajetória recente inclui catástrofes naturais

(furacões, terremotos, tsunamis) e sociais

(guerras e colapsos econômicos), há

uma tendência maior de contratação deste

tipo de produto, que se torna essencial

para a retomada da vida em sociedade e

22

atividades econômicas.

Mesmo com todas as diferenças, a

população, aos poucos, começa a entender

a importância de estar protegida,

ainda que em alguns locais a presença do

seguro ainda seja menor do que a esperada.

O fato é que o seguro se faz presente

em cada canto do planeta.

Catástrofes naturais alertam

os japoneses

Localizado entre três placas tectônicas,

o Japão é um dos países mais

sujeitos a grandes catástrofes naturais,

como os terremotos de 1995, em Kobe, e

o de 2011, seguido de tsunami, na zona

leste. A história de desastres faz com que

as pessoas fiquem mais atentas a estes

riscos e procurem medidas efetivas para

mitigá-los. Na outra ponta, estimulam

as seguradoras locais a promover uma

série de campanhas de conscientização

a respeito da importância de se contratar

uma proteção apropriada.

Além da característica cultural de

mitigação de riscos, há uma consciência

coletiva sobre como o contrato de seguro

faz a diferença na hora de reconstruir a

vida.

“Os japoneses evitam se expor ao

risco e por isso contratam seguro, isso

faz parte da natureza deste povo”, afirma

Kunihiko Higashi, diretor executivo de

Controladoria da Tokio Marine no Brasil,

acrescentando que há uma valorização

do papel da corretora como consultora


❙❙Kunihiko Higashi, da Tokio Marine

do cliente quanto às necessidades de

aquisição de seguros de forma adequada.

Embora Automóvel e Vida despontem

como os produtos pessoa física

mais comercializados no país, existe

uma grande preocupação sobre riscos

cibernéticos, especialmente em relação

às pessoas jurídicas. Com o desenvolvimento

tecnológico do Japão, os riscos

emergentes despertam bastante interesse.

Segundo Higashi, também estão sendo

analisadas questões sobre os seguros de

veículos autônomos, especialmente quanto

à responsabilidade das montadoras

e motoristas em caso de sinistros – até

2030, a previsão dos japoneses é que os

veículos autônomos representem mais de

30% das vendas de veículos novos.

Americanos contratam mais

seguros de Vida

Os Estados Unidos somam uma

quantidade enorme de ações judiciais, o

que praticamente obriga as empresas a

terem uma proteção. Em nenhum outro

país, a proporção de seguros como Responsabilidade

Civil, D&O e E&O é tão

alta como no mercado norte-americano.

No entanto, assim como no Japão, a carteira

de Vida se destaca. Nos últimos 50

anos, o número de americanos com este

tipo de cobertura cresceu de maneira

significativa. O cenário foi impulsionado

pelo crescimento populacional, pelo aumento

de trabalhadores e pelas melhores

condições de trabalho, de acordo com o

levantamento Employment-Based Life

Insurance Ownership Trends, publicado

em 2017 pela organização mundial de

pesquisa LIMRA. O percentual de pessoas

cobertas com o seguro de vida por

meio dos seus empregadores aumentou

68%, chegando a 57 milhões, ao passo

que o número de pessoas com cobertura

de vida (tanto adultos como crianças)

quase dobrou, saltando de 55 milhões

para 108 milhões. Pela primeira vez na

história, mais americanos estão cobertos

pelo seguro de vida baseado em emprego

do que pelo seguro de vida individual.

Muitas vezes esses seguros são

oferecidos como benefício para reter os

melhores talentos do mercado de trabalho.

Segundo o Estudo de Tendências de

Benefícios para Funcionários, realizado

pela operação americana da MetLife em

2018, 70% dos funcionários afirmam que

a capacidade de customizar benefícios

para atender as suas necessidades é um

fator que concede alta fidelidade aos seus

empregadores. O documento revela ainda

que 60% dos colaboradores (frente 52%

em 2017) estão dispostos a contribuírem

financeiramente para ter mais opções de

benefícios, adaptando seus seguros às

suas necessidades. A afirmação cresce

para 69% entre os funcionários millennials.

Produtos como o seguro de Vida e

Dental, assim como as coberturas para

invalidez permanente, são os mais comuns

na MetLife dos Estados Unidos,

por exemplo. No entanto, a companhia

vê um maior crescimento nas carteiras

de seguros voluntários como acidentes

pessoais, saúde e doenças críticas.

Auto, Vida e Previdência se

destacam na França

Alguns países europeus tratam os

seguros como obrigatórios e estes são

direcionados pelo governo. As seguradoras

foram aos poucos incluindo

serviços, o que aumentou o interesse e o

conhecimento dos clientes, criando uma

cultura mais aberta para a aquisição de

seguros. França, seguida da Alemanha, é

o segundo país mais relevante em termos

de contribuições, ficando atrás apenas

do Reino Unido. Em 2017, o mercado

segurador francês teve um crescimento

moderado de 1,4%. As linhas que mais

cresceram foram as de seguros de bens

e responsabilidade (+2,3%) e seguros de

pessoas (+1,1%).

As carteiras mais significativas são

as de Automóvel, seguro mandatório e

que já está na cultura dos franceses; e

seguros de Vida e Previdência, para preparar

o futuro e a aposentadoria – frentes

que podem ser ainda mais exploradas,

considerando que os franceses acreditam

na proteção do estado e ainda não

enxergam que precisam complementar

com uma iniciativa individual. Proteção

das empresas integra a lista. “A maioria

das empresas, pequenas ou grandes,

estão asseguradas. Não necessariamente

com a melhor proteção, mas estão. Elas

entendem a necessidade do seguro para

23


produtos

❙❙Delphine Maisonneuve, da Axa

preservação e continuidade de seus negócios”,

destaca Delphine Maisonneuve,

CEO da Axa no Brasil.

Na visão da executiva, as oportunidades

estão nas mudanças de estilo de

vida das pessoas. “Estamos fomentando

essas transformações por meio do seguro”,

pontua. Na França, por exemplo,

observa-se o aumento de profissionais

liberais e empreendedores. Em parceria

com a Malt, plataforma que conecta empresas

e freelancers, a Axa oferece uma

solução de seguro de responsabilidade

civil para profissionais liberais. Seguindo

uma tendência do mercado de trabalho

francês, a iniciativa agregou valor para a

plataforma, para os profissionais e para

os clientes que os contrataram. “Conseguimos

levar a cultura de seguro para

três públicos diferentes”, avalia Delphine.

Latino-americanos miram em

Vida, Saúde e P&C

Os segmentos Life & Health (Vida

e Saúde) e Property & Casualty (Bens e

Acidentes) responderam, respectivamente,

por 53% e 47% do total de prêmios

de seguro comercializados na América

Latina no ano passado. No Chile e no

Brasil, especificamente, os prêmios de

vida são a maioria considerável devido ao

sistema de previdência privada e à compra

obrigatória de seguro de vida pelos

administradores de fundos de pensão. Na

Argentina, a parcela de prêmios de acidentes

é substancialmente mais alta que

as outras linhas em razão do programa

obrigatório de seguro de compensação

24

dos trabalhadores.

Estimativas baseadas na relação

entre o PIB per capita e a penetração de

seguros sugerem que América Latina e

Brasil podem se beneficiar fortemente

do desenvolvimento econômico, fazendo

com que a demanda – principalmente

por seguros de vida – cresça mais rápido

do que a atividade econômica geral nos

próximos anos. As linhas empresariais,

que têm níveis de penetração mais baixos

em comparação aos países com o mesmo

PIB per capita ou lacuna de proteção, oferecem

potencial significativo e grandes

oportunidades para desenvolvimento e

comercialização de novos produtos.

“Existe uma oportunidade para as

seguradoras entenderem melhor o comportamento

dos consumidores e usar esse

conhecimento para ajudar a adequar os

produtos de seguro à vida e ao orçamento

das pessoas”, diz a economista do Swiss

Re Institute, Caroline de Souza Rodrigues

Cabral. Melhorar a comunicação

para esclarecer os diferentes papéis dos

produtos de seguro e como eles diferem

da assistência patrocinada pelo governo

também pode ajudar a transmitir sua

proposta de valor de forma eficaz.

Ainda nos países latino-americanos,

a distribuição digital e móvel é uma

alternativa para promover a inclusão

financeira e de seguros em áreas onde

não existem sistemas tradicionais de

distribuição. Canais alternativos, como

empresas de serviços públicos, redes de

telefonia celular e cooperativas e instituições

financeiras, podem contribuir para

o acesso a mercados mal servidos. Para

Caroline, o microsseguro (saiba mais na

página 30) é uma maneira de tornar os

produtos de seguro mais acessíveis.

Suíça: Vida, Saúde, Incêndio

e P&C

Em termos de volume de prêmios no

negócio de seguro direto, os produtos de

Vida, Saúde, Incêndio e P&C aparecem

como as carteiras mais comercializadas

na Suíça, país que conta com uma ampla

gama de produtos. Por lá, a indústria de

seguros também assume uma posição

pública sobre tópicos específicos. Existem

três pilares que compõe o sistema

previdenciário suíço e formam a base da

❙❙

Caroline Cabral, do Swiss Re Institute

previdência social: planos de previdência

oferecidos pelo estado, planos de pensão

ocupacionais e poupança. Em saúde, o

seguro é dividido em básico e suplementar,

sendo que o primeiro, obrigatório,

também é coberto por seguradoras privadas.

As mudanças legislativas podem

impactar neste mercado, já que uma reforma

previdenciária e a revisão da Lei de

Seguro de Acidentes levariam um longo

período no processo legislativo.

Na Suíça, quatro pontos são considerados

grandes desafios pelas seguradoras.

Primeiro, a questão do financiamento

a longo prazo do sistema de pensões,

devido à mudança demográfica. “Por

conta disso, as reformas são necessárias

neste país, especialmente nos planos de

pensões estatais financiados pelo sistema

pay-as-you-go”, explica Claudia Dill,

CEO Latin America da Zurich. Segundo

ela, é importante considerar também as

mudanças climáticas, que aumentam os

riscos ambientais e afetam diretamente o

setor de seguros de propriedade. “É preciso

estar comprometido em proteger o

meio ambiente a longo prazo e manter os

riscos ambientais no mínimo”, sentencia.

Outras barreiras são a digitalização,

que mudará os negócios de seguros criando

oportunidades, mas também fará com

que alguns aspectos dos seguros sejam,

significativamente, menos importantes; e

os grandes requisitos de capital no Swiss

Solvency Test (usado para avaliar a força

do capital de uma companhia de seguros),

que leva a distorções da concorrência e

gera consequências econômicas, espe-


❙❙

Claudia Dill, da Zurich

cialmente no setor de seguro de vida.

Em contrapartida, o desenvolvimento

e as mudanças da sociedade e do

mercado de trabalho aparecem como

grandes combustíveis para novas oportunidades.

“O universo digital permite

criar produtos em termos de canais de

distribuição e processamento, além de

abrir um novo mercado (valores digitas

ou riscos cibernéticos)”, diz Claudia.

As mudanças sociais também oferecem

novas oportunidades, como as novas maneiras

de convivência e os novos formatos

de trabalho (startups). Outro influenciador

são as mudanças demográficas e a

individualização da poupança previdenciária,

que ajuda a criar necessidades e

demandas.

Brasil: sem complexo de viralata

A consciência sobre a importância da

contratação de um seguro está atrelada

a dois fatores: maturidade da economia

e educação financeira da população.

Em países com ciclos financeiros mais

estáveis, o nível de consciência sobre os

benefícios do seguro, incluindo sua função

social, é naturalmente maior.

O Brasil é tipicamente um país de

renda per capita média e tem uma das

maiores taxas de desigualdade entre

aqueles em desenvolvimento. Estruturas

de distribuição de riqueza e renda impactam

a demanda de seguro e, por isso, a

procura pelo produto também é mediana.

Outro fator se deve à razão cultural relacionada

com as raízes latinas do país

(e da América Latina em geral) e com o

nível médio de escolaridade.

“Nesses países, a família tem papel

muito mais forte como provedora de um

colchão de proteção em eventos de risco

em comparação, por exemplo, com os países

de tradição anglo-saxônica e nórdica,

onde o individualismo é também maior.

Há ainda nos países latinos, em geral,

menor ênfase em educação que, como

já foi aferido em diversos estudos, tem

papel relevante no incentivo ao seguro”,

explica o diretor geral da Escola Nacional

de Seguros, Renato Campos.

Com relação às origens, enquanto as

primeiras regulamentações sobre seguros

deram-se lá fora, por volta de 1.500, por

25


produtos

❙❙

Renato Campos, da ENS

aqui a atividade chegou há “apenas” 210

anos. Mas isso não significa que o seguro

seja um completo desconhecido entre nós.

Prova disso é o aumento da participação

do mercado segurador no PIB, que saltou

de cerca de 1% no início dos anos 1990

para os atuais 6,5%. “O crescimento

está ligado à maior compreensão da população

quanto à sua relevância social,

em diversos aspectos. O aumento da

expectativa de vida, a precariedade da

previdência social e a insuficiência do

sistema público de saúde abrem espaço

para os seguros de vida, de previdência

complementar e de saúde”, avalia Luis

Gutiérrez, presidente do Grupo BB e

Mapfre nas áreas de Auto, Seguros Gerais

e Affinities.

Com a expansão contínua da frota

de veículos e urbanização, é previsível

uma maior ocorrência de acidentes,

alavancando os seguros automotivo e

residencial. Igualmente, existem diversos

seguros que preveem indenização para

infortúnios do dia a dia, patrimoniais

ou pessoais, como rupturas contratuais,

desastres naturais, mortes, perdas patrimoniais,

doenças e acidentes pessoais.

“Portanto, é correto dizer que o crescimento

do setor de seguros está ligado a

uma maior preocupação da sociedade

com seu planejamento financeiro, de

vida e proteção para o futuro, o que já

está ocorrendo aqui”, afirma o executivo.

A mesma opinião é compartilhada

por Delphine Maisonneuve, da Axa,

que em pouco tempo de convivência no

Brasil já percebeu que a população está

26

buscando conhecimento para organizar

suas finanças da melhor forma. “Isso

inclui atitudes como a contratação de

seguros para proteger o patrimônio, a

família ou a empresa”, declara ela, que

assumiu a operação brasileira da empresa

recentemente.

Se as nações mais pobres concentram

seus recursos no atendimento às necessidades

básicas, e em grande parte, não têm

bens para proteger; e as mais ricas tendem

a repor o bem com recursos próprios, o

Brasil se localiza entre esses dois extremos

e apresenta uma grande oportunidade para

expansão do mercado segurador. A instabilidade

econômica fomenta a comercialização

de outras modalidades de apólices

com a finalidade de proteção financeira,

a exemplo dos seguros educacional (para

pagamento de mensalidade escolar), prestamista

(para a cobertura de dívidas, em

caso de inadimplência), funeral e viagem.

O desafio, no entanto, será inovar com

serviços e produtos diferentes dos tradicionalmente

conhecidos, de maneira a

atender as exigências do novo consumidor,

que muda o tempo todo.

D&O, cyber risk e seguro garantia

são os riscos cujo mercado deve crescer

nos próximos anos, aponta Gutiérrez,

assim como as inovações em seguro de

automóveis e em produtos customizados.

O uso de tecnologia embarcada, que já

tem grande força na Europa, aparece

como tendência e vai permitir que as

seguradoras que aqui operam monitorem

o perfil de condução do motorista e

ajustem o preço do seguro de acordo com

as informações capturadas. “Além disso,

o Brasil conta com diversos projetos de

infraestrutura em andamento, os quais

necessitarão de seguros patrimoniais e

de engenharia”, complementa.

Renato Campos, da Escola Nacional

de Seguros, lembra que houve também

uma notável diversificação de produtos

e melhora da comercialização, de modo

que o mercado atual é muito mais sofisticado

do que aquele de 30 anos atrás.

Várias outras carteiras devem crescer nos

próximos anos: em ramos elementares,

os seguros empresariais, hoje ainda mais

restritos às grandes empresas e, portanto,

com ampla margem de crescimento nas

PMEs; os seguros de responsabilidade

❙❙

Luis Gutiérrez, da Mapfre

civil, que aumentam com a judicialização

evidente dos conflitos na sociedade;

e os seguros rurais e habitacionais, com

grande potencial de desenvolvimento

em função da expansão do agronegócio

e da necessidade de redução do déficit

habitacional. “No segmento de seguros de

pessoas, há espaço para mais seguros que

cubram riscos de sobrevivência, como

seguros dotais, anuidades e seguros de

cuidados de longo prazo, na medida em

que aumenta a percentagem de pessoas

idosas no total da população”, aposta.

E aos que sofrem do “complexo de

vira-lata”, um aviso: os entraves enfrentados

pelas companhias de seguros brasileiras

não são particulares do nosso país.

“Alguns desafios das seguradoras francesas

são similares aos que são encontrados

no mercado brasileiro: transformação

digital, riscos cibernéticos e mudanças

climáticas. A tecnologia permeia esses

três fatores, uma vez que transformou

nossas vidas e o mundo dos negócios

em muitos aspectos”, afirma Delphine

Maisonneuve.

No mercado de seguros, a tecnologia

é cada vez mais usada para mitigar riscos,

monitorando veículos, residências, ou

ainda fazendo a previsão de mudanças

drásticas de clima, que podem afetar tanto

uma grande plantação segurada ou uma

área com grande concentração de civis.

“Assim como acontece no Brasil, há o desafio

de tornar o nosso negócio mais simples

aos olhos do cliente, fazendo com que ele

perceba mais facilmente o valor agregado

que o seguro oferece”, conclui.


27


28


29


seguros pelo mundo | microsseguro

Cumprindo o papel

da inclusão social

30


Seguradoras globais

miram as necessidades

da população de baixa

renda para que as

famílias desenvolvam

resiliência contra os

riscos cotidianos e sigam

em frente

Lívia Sousa

A

desigualdade social e a instabilidade

política sempre

foram companheiros e o seguro,

baseado no princípio da

solidariedade, é projetado para superar

essa ameaça. Estruturados para servir

as pessoas de baixa renda, os microsseguros

alavancaram nos últimos anos e

foram fundamentais para que famílias de

menor poder aquisitivo desenvolvessem

resiliência contra os riscos cotidianos e

seguissem em frente.

Ao lado dos produtos de Crédito, os

produtos de Vida aparecem como os mais

comuns nessa modalidade e se mostram

um bom negócio para as companhias que

operam no setor. “Eles são ‘mais antigos’,

permitem uma carga administrativa limitada

e tendem a ser significativamente

lucrativos para as microsseguradoras de

Vida”, pontua Michael J. McCord, diretor

geral da MicroInsurance Centre at Milliman,

empresa de consultoria dedicada a

gerar acesso a produtos de microsseguro

❙ ❙

Michael J. McCord, da MicroInsurance

Centre at Milliman

para três bilhões de pessoas de baixa

renda em todo o mundo.

Hoje, as seguradoras oferecem proteções

de Vida e Saúde integradas ou

cobertura de vida, acidente pessoal e propriedade,

por exemplo, e devem expandir

essa gama para outros riscos, como tufão

e incêndio e dinheiro em trânsito pessoal.

Soluções para agricultura e pecuária e

coberturas voltadas à propriedade já são

projetadas especificamente para esse

mercado.

Para uma operação adequada, entretanto,

os reguladores devem adotar

uma abordagem proporcional às regras

e regulamentos das seguradoras que

trabalham com o microsseguro. A ampliação

de distribuidores – como bancos

e Fundos Monetários Internacionais, lojas

de varejo, operadoras de telefonia móvel

e fornecedores de insumos agrícolas – é

necessária para levar as soluções a esses

mercados. “Os microsseguros não são

simplesmente produtos tradicionais com

prêmios mais baixos e menores quantias

asseguradas, e oferecê-los exige uma

mudança de paradigma das seguradoras,

embora eles possam alavancar e beneficiar

os negócios das companhias”, diz o executivo,

destacando que as organizações de

apoio, como associações de seguros e atuários,

precisam entender o microsseguro

e fornecer assistência específica para que

as seguradoras realizem essa mudança.

Em meio a tudo isso, o mais importante

é que os clientes enxerguem valor

no que é ofertado pelas seguradoras.

“Ninguém entende o valor de um produto

melhor do que as pessoas pobres,

que tem de observar cada centavo”,

afirma Katharine Pulvermacher, diretora

executiva da Microinsurance Network,

plataforma global voltada para profissionais

da indústria de microsseguro e

organizações comprometidas em tornar

o seguro inclusivo.

China, Índia e África detêm o

maior número de segurados

Uma gama mais ampla de riscos e

segurados já é coberta com sucesso em

muitos países. Os reguladores liberaram

a distribuição para que praticamente

qualquer agregador de clientes de baixa

renda possa vender microsseguro. Muitas

❙ ❙

Katharine Pulvermacher,

da Microinsurance Network

associações, incluindo a Confederação

Nacional das Seguradoras (CNSeg) no

Brasil, têm subgrupos sobre este assunto

e, com cada vez mais expertise, os atuários

melhoram a capacidade de precificação

do produto.

Os potenciais clientes também experimentaram

melhores produtos e serviços.

A segmentação de mercado surgiu

com soluções projetadas especificamente

para mulheres e para pescadores (a exemplo

da Green Delta Insurance, em Bangladesh;

e da Star Insurance, em Gana).

Estima-se que hoje até 400 milhões

de pessoas em todo o mundo recebam o

amparo dessa modalidade de proteção.

Destaque para a Índia, país com o maior

número de segurados – mais de 125

milhões. “A Índia foi o primeiro país do

mundo a produzir regulamentações de

microsseguro e a introduzir um sistema

de cotas, em 2002, que obrigava muitas

seguradoras a fornecer essencialmente o

microsseguro”, explica Katharine.

O sistema de cotas foi implementado

pela Agência de Desenvolvimento Regulatório

de Seguros do país logo após

a abertura do mercado a seguradoras

privadas. Esta cota exige que até 15% dos

Estima-se que até 400

milhões de pessoas

em todo o mundo

recebam o amparo

dessa modalidade de

proteção

31


microsseguro

segurados e 15% dos prêmios não vida sejam

provenientes do setor social (pobres)

ou rurais (definidos geograficamente).

Isso força cada seguradora a desenvolver

produtos e mercados para esses setores. O

não cumprimento das cotas pode resultar

na perda de licença para operação como

empresa de seguros na Índia.

O Governo local também fornece

subsídios em produtos de microsseguro,

permitindo que as seguradoras vendam

o produto a um preço substancialmente

menor do que um prêmio derivado atuarialmente.

Semelhante à Índia em termos de

volume populacional e subsídios está

a China. Já a África, como continente,

tem um índice de cobertura entre 3%

e 4%. Alguns países, como Filipinas e

Gana, relatam que mais de 30% de suas

populações estão cobertas pelo microsseguro,

resultado de uma combinação

de fatores que incluem regulamentações

facilitadoras e proporcionais, e um modelo

de distribuição desenvolvido através

de telefones celulares, alcançando quase

todos os usuários de smartphones. A

África do Sul, por sua vez, tem uma das

maiores taxas de penetração de seguros,

principalmente devido à sua cultura de

funerais. “Um funeral é importante mesmo

para os sul-africanos de baixa renda,

o que impulsiona a venda de seguros

funerários”, declara McCord.

Aprendendo com os outros

Alguns fatores impulsionaram o

desenvolvimento do setor, entre eles a

crescente percepção, particularmente

entre as seguradoras globais, de que a

base de clientes emergentes é enorme

para ser ignorada em um contexto em

que os mercados de seguros nos países

da Organização para a Cooperação e

Desenvolvimento Econômico (OCDE)

podem estar saturados. Contudo, o progresso

não é uniforme em todo o mundo

e, mesmo em locais onde o crescimento

é mais rápido, ainda há um amplo espaço

a ser desbravado.

No Brasil, especificamente, os microsseguros

geraram R$ 311,17 milhões

em prêmios entre janeiro e novembro de

2017. Divulgados pela Superintendência

de Seguros Privados (Susep), os dados

32

No Brasil, o mercado

potencial do

microsseguro é de 40

milhões a 50 milhões

de pessoas cobertas

e até US$ 2 bilhões

em prêmios

indicam um salto de 57,7% em relação

aos números obtidos um ano antes. Apesar

disso, seu mercado potencial é de 40

milhões a 50 milhões de pessoas cobertas

e até US$ 2 bilhões em prêmios, garante

Michael J. McCord. Então, por que até

agora não “pegou” por aqui?

“O Brasil, como grande parte da

América Latina, é muito diferente da

África e da Ásia em termos de microsseguro.

O microsseguro africano foi

substancialmente iniciado com fundos

de doadores, e o crescimento da Ásia

foi impulsionado significativamente

por regulamentações (tanto coercitivas

quanto na Índia, e facilitadoras como

nas Filipinas). Na América Latina, o

microsseguro era uma característica do

setor comercial”, explica ele.

Enquanto as seguradoras realizavam

grandes esforços no microsseguro, as lojas

de varejo, com grandes volumes de clientela

de baixa renda, promoviam garantias

consideradas pela Susep como conflitante

com as proteções aceitas pelo consumidor.

Como resposta, a autarquia reforçou os

requisitos às companhias que oferecessem

produtos para esse mercado, criando uma

pesada carga regulatória e aumentando os

custos administrativos dessas seguradoras.

Regulamentações foram promulgadas

para esclarecer as regras do microsseguro

e do seguro “em massa”.

“Por volta de 2015, quando visitei

várias seguradoras no Brasil, perguntei

a cada uma sobre seus produtos de

microsseguro. Nenhuma delas oferecia

microsseguro, e sim seguro em massa”,

diz o diretor geral da MicroInsurance

Centre at Milliman.

Vendido com baixo prêmio e baixa

cobertura, mas agnóstico em relação a

qualquer nível econômico dos segurados,

os executivos fazem um alerta: os seguros

de massa podem não atender às necessi-

❙❙

Robert Bittar, da Fenacor

dades reais das pessoas da mesma forma

que o microsseguro.

Presidente em exercício da Federação

Nacional dos Corretores de Seguros

(Fenacor), Robert Bittar confirma que os

produtos comercializados no País são, na

prática, seguros populares, e defende a

necessidade de ajustes. “O microsseguro

ainda não decolou porque há sérios gargalos,

principalmente na questão tributária.

É um produto muito específico e deve

ser visto dessa forma pelas autoridades.

Não adianta pensar em ganhos na arrecadação

de tributos, quando o foco deve

ser essencialmente na extrema relevância

social desse produto”, sentencia.

Bittar lembra que muitos modelos

internacionais podem ser adaptados

à realidade brasileira e espera que o

microsseguro cumpra, no Brasil, a sua

missão social de inserção das classes

menos favorecidas em uma ampla rede

de proteção e amparo social.

A boa notícia é que a Susep é uma

das poucas reguladoras que estão trabalhando

em uma sandbox regulatória,

permitindo que as seguradoras testem

componentes de produtos e procedimentos

de microsseguro que possam ampliar

os requisitos atuais, o que poderia ajudar

a promover um ambiente facilitador para

o microsseguro.

Os benefícios do seguro para a população

estão mais do que provados. Sem

bons produtos de seguro que forneçam

valor apropriado às populações de baixa

renda não há desenvolvimento sustentado

em qualquer país.


33


seguradora | zurich

Seguradora avança com estratégia

multicanal e multiproduto

Com mais de 140 opções

de produtos para pessoas

físicas e jurídicas, Zurich

aposta no segmento de

massificados, como auto,

residencial e empresariais

A

Zurich está desenvolvendo

uma nova estratégia para

balizar os produtos que disponibiliza

ao mercado. A

estratégia tem como base um crescimento

sustentável focado nas necessidades do

cliente e do parceiro de negócios, oferecendo

coberturas mais completas e maior

flexibilidade nas opções de contratação,

que garantem uma avaliação mais precisa

do risco e um atendimento cada vez mais

personalizado. Uma das apostas da Zurich

é reforçar sua presença no segmento

de linhas pessoais, com destaque para

os seguros Automóvel, Residencial e

Empresarial (PMEs).

A companhia acredita que o parceiro

de negócios de seguros, estratégico e principal

interface com os segurados, é peça

fundamental para desenvolver este modelo

de negócio. O parceiro pode encontrar

muitas oportunidades para explorar neste

segmento, pois os benefícios são bem mais

amplos do que aparentam. São poucos os

clientes que conhecem a grande variedade

de coberturas e limites, adaptáveis de acordo

com o perfil de cada segurado.

“A estratégia da companhia é seguir

ampliando, revisando e melhorando

nosso portfólio de produtos, adaptando

nossas ofertas às necessidades dos nossos

clientes, promovendo a cultura do seguro

para que o mercado possa conhecer

os riscos e se proteger deles. A oferta

competitiva e a ampla diversidade de

produtos são os pontos fortes da Zurich.

Programa Experiência Zurich fortalece

relação com parceiros de negócios

Adotado como um modelo de negócio pela área comercial da Zurich, o

Programa de Relacionamento Experiência Zurich vem atingindo resultados muito

positivos com o objetivo de fortalecer a relação com os parceiros de negócios.

O modelo utilizado no programa é inovador por reunir todos os benefícios de

forma simplificada, oferecendo vantagens e incentivos aos parceiros de negócios.

A iniciativa revela as vantagens em ser um parceiro Zurich, oferece a possibilidade

de upgrade de categoria mensalmente e aumenta a competitividade em relação

aos concorrentes.

Dentre os benefícios oferecidos estão os programas de treinamentos, contratos

de comissão adicional, campanhas de incentivo, chat de sinistros VIP para Infinite

Blue e Premium, acesso ao TeZoura (desconto na cotação dos seguros de automóvel),

o Ganha Mais (campanha para funcionários de corretoras) e a participação

na campanha Vou com a Zurich, que premia parceiros com viagens.

E seguiremos neste sentido, sempre com

foco no longo prazo”, comenta Edson

Franco, CEO da Zurich no Brasil.

Em linha com o processo global de

expansão de seus negócios, a seguradora

fortalece sua atuação no mercado brasileiro

com uma estratégia multicanal de

distribuição e multilinha de produtos,

com mais de 140 opções para clientes

individuais e empresariais.

A companhia opera desde varejo até

grandes riscos, com uma estrutura robusta

para atender de indivíduos a grandes

corporações, passando pelas pequenas e

médias empresas. Tem como destaques a

área de Afinidades, com Garantia Estendida

e Roubo e Furto, em que é líder de

mercado; Linhas Financeiras, com D&O,

E&O, Riscos de Engenharia (Construção)

e Riscos Cibernéticos; e Linhas Pessoais,

com Automóvel, Residência e Vida, entre

outros.

“O papel do parceiro de negócios é

primordial para que nossas ofertas cheguem

na ponta, ou seja, no consumidor

final. Oferecemos todo apoio necessário,

como canal direto de atendimento, treinamento

para a equipe da corretora, apoio de

marketing, expertise global no segmento,

além de amplo portfólio de produtos”,

afirma Marcio Benevides, vice-presidente

Comercial da Zurich.

34


35


Virtudes e riscos

Há uma concorrência em nível

internacional entre os países do Brics

e cada um deles apresenta vantagens e

riscos para as seguradoras que ali investem.

Atualmente, o mercado chinês é o

mais atrativo, com um forte crescimento

neste segmento – só em 2017, o seguro

de vida alavancou por volta de 20%. Em

contrapartida, a China se mostra fechada

às empresas estrangeiras. “Lá, é preciso

fazer uma joint venture com um parceiro

local”, explica o sócio de consultoria em

serviços financeiros da EY, Nuno Vieira.

Em comparação com a Rússia e a

África do Sul, os ambientes econômico

e político são percebidos como mais

benéficos no Brasil, visto que sanções

ocidentais existentes e a ameaça de novas

imposições e restrições regulatórias podem

continuar a influenciar a economia

russa negativamente; e as incertezas políticas

que antecedem as eleições de 2019,

investimento fixo estagnado, exportações

de produtos manufaturados fracas e a fraseguros

pelo mundo | brics

O destino dos grandes

Os emergentes Brasil,

China, Rússia, Índia e

África do Sul seguem

com capacidade de

crescimento elevada

para o setor e como imã

de players mundiais de

seguros

Os mercados de seguros do

Brasil, China, Rússia, Índia

e África do Sul mostram-se

atraentes pelo seu pouco

grau de desenvolvimento e baixo grau

de penetração do setor em relação

ao potencial econômico, financeiro e

populacional. São países que, teoricamente,

ainda possuem capacidade de

crescimento bastante elevada para essa

indústria quando comparados a países

desenvolvidos. É o cenário ideal para

que seguradoras estrangeiras atuantes em

mercados já maduros e consolidados, que

não apresentam grandes possibilidades

de crescimento, invistam nesses locais.

Não é de hoje que se comenta sobre

as boas perspectivas. Em 2013, um estudo

publicado pela Munich Re apontava que o

Brics, sob a liderança da China, seguida

do Brasil, apareceriam mais vistosos no

ranking do mercado segurador mundial

36

Lívia Sousa

❙❙Simon Sachs, da Munich Re

em 2020. Chegamos a 2018 e, de acordo

com Simon Sachs, chefe de Soluções Estruturadas

da Munich Re, os prognósticos

feitos naquela época ainda seguem.

“Os países do Brics continuam entre

os mercados seguradores com o maior

potencial de crescimento do mundo”,

declara o executivo. Dentre os cinco, ele

aponta China e Índia como mercados

com dinâmica de crescimento mais forte,

enquanto Brasil, Rússia e África do Sul,

embora em crescimento, apresentem isso

de maneira menos expressiva. “Temos

convicção de que o setor continuará a

crescer, pois a penetração dos seguros

continua sendo inferior à dos países desenvolvidos”,

afirma ele, que vê potencial

para novos produtos (seguro cibernético),

novos canais de distribuição (plataformas

digitais e distribuição baseadas em

telefones celulares) e novas coberturas

(paramétricos).

Até 2030, as expectativas da companhia

com relação às taxas médias anuais

de crescimento e prêmios subscritos são

de 7,4% para o Brasil, 10% para a China,

7,8% para a Índia, 6% para a Rússia e 4%

para a África do Sul.


gilidade da situação dos cofres públicos

são fatores de risco para as perspectivas

econômicas sul-africanas. No quesito

economia, porém, o Brasil aparece em

desvantagem pelo seu rigor. “Nesse momento,

não somos tão apetecíveis como

os outros países do Brics. A nossa vantagem

é que, institucionalmente, temos um

ambiente mais favorável ao investimento

que muitos deles, onde existe um controle

de fundo estatal mais forte”, avalia Vieira.

Além disso, as incertezas políticas ainda

continuarão, pelo menos, até outubro de

2018, quando serão realizadas as eleições.

Ao lado da China, a Índia é vista

como mais atrativa por investidores estrangeiros,

dado seu tamanho e relativa

estabilidade política e flexibilização

das regras regulatórias. As dificuldades

estruturais restringirão ainda mais o crescimento

no médio prazo. Ainda assim, o

país continua sendo uma das economias

com maior potencial de crescimento para

os próximos cinco anos.

❙❙

Nuno Vieira, da EY

O que nos diferencia

Há quatro anos, um estudo feito pela

EY (antiga Ernst & Young) apontou o

Brasil como o país mais acessível para

companhias estrangeiras de seguros,

apesar de seu crescimento em ritmo mais

lento. No levantamento, figurávamos na

terceira posição com maior previsão

de crescimento em prêmios de seguros

dentre 21 países emergentes. A tendência

continua, embora este ano o Brasil não

tenha tido um crescimento tão forte como

em 2017, quando o mercado segurador

avançou uma média de 7% – considerando

também o ramo Saúde.

“Observamos crescimentos negativos

em algumas zonas da Europa e nos

Estados Unidos. Então, basicamente, continuamos

em uma agenda de crescimento

bastante interessante”, diz o executivo da

EY. “Perante as condicionantes econômicas,

o Brasil continua crescendo mais do

que a maioria das regiões do mundo, mas

isso não significa que não temos coisas

para fazer”, ressalta.

O Brasil também se destaca na distribuição

dos produtos, com os corretores

respondendo por mais de 85% da produção

do setor. Esses profissionais são a forma

mais utilizada em diversos países por

seguradoras que desejam ampliar sua co-

37


ics

bertura geográfica, introduzir novos produtos

e serviços, melhorar sua eficiência

operacional, reduzir custos, aumentar sua

margem de contribuição ou mesmo ganhar

espaço frente aos concorrentes, chegando

melhor e mais rapidamente a seus clientes.

Enquanto a Índia ainda apresenta problemas

relativos aos seus canais de distribuição,

com uma quantidade muito reduzida

de corretores de seguros, no Brasil esse

canal já bastante consolidado.

“Caso a Índia não investa no canal

corretor, continuará tendo um entrave

ao desenvolvimento do seu mercado

segurador. Canais diretos como a venda

pelas seguradoras via internet não devem

resolver isso”, frisa Miro Cequinel, professor

da Escola Nacional de Seguros.

Além disso, o país já passou pela

fase de realizar a abertura da indústria

de seguros e de resseguro e permitir a

atuação de seguradoras estrangeiras, o

que dinamizou o mercado. Com isso,

ocorreu o processo de modernização

do setor o qual está inserido hoje em

um mercado globalizado. A grande internacionalização

ocorrida no mercado

de seguros brasileiro de 1994 a 2002 foi

❙❙

Miro Cequinel, da ENS

responsável por várias coisas, como a forte

pressão pela quebra do monopólio do

IRB que veio a ocorrer posteriormente,

explica Cequinel. Os mercados de seguros

chinês, russo e indiano encontram-se

ainda atrasados em relação a esta abertura,

quando comparados às mudanças e

transformações que tivemos no Brasil nas

últimas décadas (ainda que na Rússia as

resseguradoras internacionais já atuem e

a China já conta com uma presença das

seguradoras estrangeiras).

Para Maria Filomena Branquinho,

“Ticks”: um novo motor

de crescimento mundial?

Alguns analistas econômicos estão

deixando de se referir aos Brics como

possíveis motores do crescimento mundial

e referindo-se aos “Ticks” (Taiwan, Índia,

China e Coreia do Sul), sugerindo que o

desenvolvimento tecnológico de Taiwan

e Coreia do Sul prometem um crescimento

acelerado para os próximos anos, que

economias mais focadas em commodities

como Brasil e Rússia poderiam não atingir.

Miro Cequinel, porém, acredito que esta

seja apenas uma questão de momento,

levando-se em conta que o próprio crescimento

da China também arrefeceu nos

últimos anos.

“Assim que Rússia e Brasil acentuem

o ritmo de recuperação econômica, claramente

os analistas voltarão a dar destaque

aos Brics e talvez possamos ver estes países

fazendo algo mais tangível em nível de

parcerias e cooperação”, afirma.

❙❙

Maria Filomena Branquinho, do Sincor MG

presidente do Sindicato dos Corretores

de Seguros de Minas Gerais (Sincor-MG)

e vice-presidente da Federação Nacional

dos Corretores de Seguros (Fenacor), o

Brasil é, de fato, entre os países do Brics,

aquele onde o mercado de seguros tem

maior potencial para crescer nos próximos

anos. Primeiro porque o consumidor

mudou e hoje tem uma percepção melhor

da importância do seguro, que era sentida

apenas no momento da reposição do bem

na ocorrência de um sinistro e, agora, já

é percebido como um instrumento indispensável

de prevenção.

“Vários fatores contribuíram para

isso. O mercado investe mais em divulgação.

Embora possa avançar bastante nessa

questão, há uma disseminação maior de

produtos e serviços diferenciados, até pela

entrada de vários grupos estrangeiros no

mercado local; e há uma conscientização

dos consumidores, sobretudo os mais

jovens, de que tão importante quanto

resguardar o patrimônio é proteger a si

mesmo e o futuro da família com a contratação

de seguros de vida ou saúde e de

planos de previdência privada” justifica.

São justamente os mais jovens que

irão conduzir o crescimento do ramo de

Pessoas, que no primeiro semestre deste

ano gerou um volume de prêmios maior

que os riscos patrimoniais, alcançando

um fato inédito no mercado. “Os jovens

têm mais acesso à informação, principalmente

pela internet, e percebem o quanto

é importante investir na prevenção e na

proteção do seu futuro. A educação financeira

vem se disseminando aos poucos, o

que é uma excelente notícia”, comemora

Maria Filomena.

38


39


saúde | operação

Sistema de gestão ajuda

seguradoras e operadoras a

reduzir custos dos planos

Saúde Concierge

desenvolveu método

de gestão de saúde

através de tecnologia

que utiliza Inteligência

Artificial e Big Data

para diminuir o índice

de sinistralidade das

carteiras

Uma das maiores questões do

mercado de saúde suplementar

atualmente é a equalização

dos custos. Se de um lado os

usuários não conseguem bancar os sucessivos

aumentos, sejam eles nas carteiras

de produtos individuais ou corporativos,

de outro, as operadoras veem seus custos

operacionais aumentando e a impossibilidade

de total repasse destes valores, sob

pena de perda dos clientes.

Para trabalhar a mediação desta relação,

a Saúde Concierge atua no segmento

corporativo como um parceiro estratégico

das operadoras e seguradoras de saúde e

do RH das empresas. Seu foco é o uso

consciente dos recursos do benefício de

saúde. Por meio de um sistema tecnológico

simples de usar, a empresa é capaz

de dar suporte a processos complexos que

visam cuidar da saúde dos indivíduos.

Como consequência, os custos com o

benefício de saúde das cinco mil vidas

que a empresa administra atualmente

apresentaram redução de até 30% às

operadoras.

Para atingir este resultado, a Saúde

Concierge atua sob os pilares de tecnologia,

profissionais especializados e

método de gestão. A tecnologia integra

dados coletados e armazenados via APP,

40

web e no sistema operacional

da empresa para análise e

monitoramento da condição

de saúde dos pacientes em

tempo real. Além disso, uma

equipe multidisciplinar capacitada

acompanha o indivíduo

durante todo o processo de

melhoria dos seus indicadores

clínicos. O método de gestão

baseado em processos qualitativos

aperfeiçoa o atendimento

de maneira contínua e,

com o auxílio da inteligência

artificial, pode prever e agir

antecipadamente a alterações clínicas.

“Nossa atuação acontece por meio

de multicanais, seja via visitas presenciais

de profissionais credenciados, tais como

médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos,

enfermeiros, ou pelo atendimento

humanizado da nossa equipe própria

que interage remotamente via central

de atendimento”, explica Tatiana Giatti,

❙ ❙

Tatiana Giatti, diretora executiva

da Saúde Concierge

diretora executiva da Saúde Concierge.

A empresa possui mais de 20 mil

profissionais de saúde espalhados pelo

País. Somando a atuação desses ao trabalho

via central telefônica, a empresa realiza,

em média, 600 atendimentos diários.

Isso garante uma visão geral da carteira

de saúde para os clientes corporativos.

A estrutura de atenção primária e

analítica, combinada com as informações

e tecnologias de análise, permitem a indicação

de cenários preditivos. “Temos

um grande banco de dados gerado por

meio do monitoramento do dia a dia

do paciente, que inclui tudo que ele fez

durante um período, como consultas,

exames, casos de atendimento em prontos-socorros,

internações. Este sistema

nos permite extrair uma série de dados

preditivos que, por sua vez, nos ajudarão

a saber antes de aplicar qual a melhor

conduta ou tratamento a ser seguido em

um universo de pessoas que apresentam

sintomas semelhantes, que efeitos surtiu o

tratamento aplicado ou se não deu efeito”,

diz Tatiana.

Para desenvolver a healthtech foi

investido R$ 1,5 milhão em recursos

próprios dos fundadores e mais R$ 1,5

milhão de investidor anjo. A expectativa

da empresa é nos próximos 24 meses

crescer uma média de 30% ao ano.


41


seguros | economia

Resiliência à prova

Seguradoras

cortam projeção de

desempenho para 2018

pela metade, em um

movimento que visa

a inserir a realidade

da previdência

privada nos números.

Com a redução dos

juros e a volatilidade

nos mercados, a

rentabilidade dos

planos foi ladeira abaixo

e levou consigo a

arrecadação dos planos

no semestre, enquanto

a economia segue sem

forças para engrenar

um ritmo de retomada

do crescimento mais

parrudo

42

Manuela Almeida

O

baque no setor de previdência

privada associado a uma

economia ainda frágil e que

demora a engrenar foram

capazes de postergar novamente a expectativa

do mercado de seguros voltar

a encostar nos sonhados dois dígitos de

crescimento. Ficou para 2019, considerando

um olhar otimista. Executivos não

esperavam um primeiro semestre fácil,

levando em conta o ritmo de atividade do

País. A economia não vinga. As empresas

e famílias já estão com orçamentos

enxutos e, portanto, itens até então preservados

como, por exemplo, o seguro,

passam a estar na mira dos ajustes fiscais

domésticos. O índice de desemprego

demonstra sinais de trégua. Mas, ainda

assim, são 13 milhões de pessoas sem

trabalho no País. Do lado corporativo, a

instabilidade política em meio às eleições

presidenciais mais fragmentadas da história

brasileira posterga os investimentos

e adiciona uma dose a mais de cautela nas

empresas, que seguem em compasso de

espera em busca de mais clareza no cenário

atual. “Muitos segurados que ainda

priorizam o seguro, e que antes pagavam

à vista, estão parcelando a renovação de

suas apólices em dez ou 12 vezes. Já as

empresas têm reduzido as coberturas de

frotas, contratando somente para terceiros”,

conta o corretor de seguros Leandro

Moriya, da Moriseg Seguros.

O cenário tem como ator principal

um Produto Interno Bruto (PIB) que não

reage. O segundo trimestre veio acompanhado

de uma expansão tímida de 0,2%

em relação aos três meses anteriores,

segundo dados do Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística (IBGE). Não

bastasse isso, com o impacto negativo

da greve dos caminhoneiros, em maio,

o crescimento de janeiro a março deste

ano foi revisado de avanço de 0,4% para

apenas 0,1%. Assim, o PIB brasileiro

caminha para repetir mais um ano de

“Os seguros de vida e

de viagem têm crescido

neste ano. O último

muito motivado pela

variação do dólar – em

meio à volatilidade com

as eleições e fatores

externos – que motiva os

prêmios para cima”

Leandro Moriya, da Moriseg Seguros


produto | riscos cibernéticos

baixo crescimento como já ocorreu no

ano passado a despeito de dois anos

consecutivos de recessão. As projeções de

economistas apontam para um intervalo

de expansão de 1,0% a 1,5% em 2017

contra uma expectativa que chegava a

3% no início do ano.

Com o pano de fundo nada favorável

da economia brasileira no primeiro semestre,

o mercado de seguros teve suas

expectativas frustradas no período. De

janeiro a junho, o setor entregou tímido

crescimento de 1,6% em termos de faturamento

(sem saúde e DPVAT) comparado

com o mesmo período do ano passado,

totalizando quase R$ 116 bilhões

em prêmios de seguros no período, de

acordo com dados da Susep compilados

pela CNseg. Foi menor, inclusive, que a

taxa de expansão registrada na primeira

metade de 2014, quando o segmento

apresentou avanço de 3,0%, patamar esse

que já tinha sido recorde de baixa desta

indústria. Pelos dados da consultoria

Siscorp, que considera o conceito seguro,

incluindo o VGBL, mas sem previdência,

capitalização e saúde, a alta nominal no

primeiro semestre do ano foi ainda mais

sútil, de apenas 0,3%, também a menor

taxa desde 2014, quando o setor sentia

reflexos do mercado de previdência por

conta da mudança nas regras de alocação

de recursos. Não bastasse um “guinness”

às avessas nos mais variados recortes do

segmento na primeira metade do ano, o

desempenho consolidado do setor desencadeou

uma revisão geral nas perspectivas

para o ano. As seguradoras esperam

que, na melhor das hipóteses, o mercado

cresça até 6,2% em 2018. No cenário

pessimista, entretanto, a expansão não

passa dos 3,4%, praticamente metade da

taxa de expansão vista no ano passado,

de 6,6%, segundo a CNseg.

Apesar disso, o presidente da Confederação,

Marcio Coriolano, tem defendido

que esta é apenas uma fotografia do

mercado de seguros e que é preciso, antes

de tudo, avaliar o filme do segmento,

principalmente, sob a ótica individual

de cada ramo. “O mercado de seguros

está crescendo abaixo da inflação, mas

não dá para olhá-lo como uma coisa só”,

atenta ele. Chama atenção, por exemplo,

para o desempenho do mercado de seguro

❙❙

Marcio Coriolano, da CNSeg

de automóveis que no primeiro semestre

cresceu 7,5%, variação essa que pode chegar

aos 9,0%, conforme o cenário otimista

projetado pela CNseg para 2018. O crescimento,

garante Coriolano, não tem como

mola mestra apenas os movimentos de

reprecificação que as seguradoras fizeram

para compensar os juros baixos e também

o ambiente de riscos mais agravado. De

fato, a base de veículos segurados aumentou.

Aqui, também, vale uma ressalva.

Boa parte do crescimento do setor neste

ano, de acordo com o presidente da alemã

HDI, Murilo Riedel, tem sido puxado por

locadoras de veículos. Ou seja, ainda que

a indústria automobilística já estimule

ventos mais favoráveis para o setor de

seguros, o segmento ainda não recuperou

todo o seu vigor no Brasil.

Tanto é que a Porto Seguro, líder

do seguro de automóvel no Brasil, tem

como seu principal “calcanhar de aquiles”

voltar a expandir a sua frota, que

encerrou junho com queda de 0,7% ante

um ano. Impactada principalmente pela

marca premium da companhia, a base

de veículos segurados não voltará a se

expandir, contudo, conforme o diretor

geral de Relações com Investidores da

Porto Seguro, Marcelo Picanço, caso

inverter a chave signifique sacrificar a

rentabilidade da companhia. “Fazer a frota

de veículos segurados voltar a crescer

é o nosso principal calcanhar de aquiles.

Precisamos entender como o mercado

vai se comportar. Se for mais agressivo,

vamos perder frota, mas se a competição

for racional podemos recuperar”, diz o

diretor da Porto Seguro.

Os guidances

Quem também adicionou uma disciplina

a mais em precificação e subscrição

de risco foi a Bradesco Seguros. Como

consequência, os prêmios de seguro

de automóvel tiveram pequena queda

no semestre. No entanto, pesou, principalmente,

na decisão da companhia

de revisar para baixo a sua projeção de

faturamento em 2018, de acordo com o

novo diretor presidente da companhia,

Vinicius Albernaz, o desempenho do

setor de previdência. A Bradesco Seguros

espera elevar seus prêmios neste ano entre

2% e 6%, contra intervalo anterior que

indicava para crescimento de 4% a 8%.

Albernaz explica que foi uma pequena

revisão que buscou reconhecer uma realidade

de mercado. No primeiro semestre,

“Crescer no mercado

de risco é fácil. Crescer

com rentabilidade, com

resultado sustentável é

o jogo que queremos

jogar. A revisão do

guidance é também

reconhecer que o

mercado como um todo

está um pouquinho

mais desafiador”

Vinicius Albernaz, presidente da

Bradesco Seguros

43


economia

❙❙

Werner Süffert, da BB Seguridade

a captação líquida da previdência privada

aberta despencou em cerca de 30% ante

um ano, para próximo de R$ 17 bilhões,

conforme a Federação Nacional de Previdência

Privada e Vida (FenaPrevi). Com

a queda dos juros e a volatilidade nos

mercados futuros, a rentabilidade dos fundos

tem sido impactada, o que assusta os

detentores de planos que procuram outros

investimentos de maior retorno. “O segundo

semestre costuma ser melhor. Temos

uma sazonalidade favorável. É um pouco

por isso que fizemos esse ajuste pequeno

(no guidance), porque está embutida uma

previsão de crescimento para o período”,

explica o presidente da Bradesco.

Outra companhia que também foi

obrigada a revisar para baixo a sua projeção

de desempenho (guidance) para

o ano foi a BB Seguridade, holding de

seguros do Banco do Brasil. A companhia

espera que seu lucro líquido ajustado

caia até 6,0% e, na melhor das hipóteses,

diminua até 4% neste ano ante faixa que

indicava queda de no máximo 2% a alta

de até 2%. Segundo o diretor de Gestão

Corporativa e Relações com Investidores

da BB Seguridade, Werner Romera

Süffert, os resultados da holding, que

recentemente anunciou um novo acordo

com a espanhola Mapfre, foram afetados

por uma atividade econômica um pouco

mais fraca do que o previsto.

Aqui também um desafio

Essa postura mais racional das seguradoras

também tem por trás a falta

de um resultado financeiro mais robusto

para servir de suporte para tropeços do

44

lado operacional. Com a queda dos juros

básicos do País, a Selic, que segue em

6,5% ao ano – até a reunião de agosto,

os resultados financeiros das seguradoras

continuaram minguando. Na primeira

metade do ano, a linha encolheu em mais

de 13% ante um ano, para R$ 17,3 bilhões,

segundo a Susep. A queda foi ainda

maior que a vista na primeira metade de

2017 frente a 2016, quando o resultado

financeiro combinado das seguradoras

se reduziu em 9,95%, uma vez que a

Selic média neste ano está menor que no

exercício passado.

Mas essa é uma realidade que atravessa

as fronteiras do mercado brasileiro.

Em sua 50ª edição, o estudo Sigma, do

Swiss Re Institute, atenta para o fato de a

rentabilidade das seguradoras ao redor do

mundo continuarem sob pressão devido

às taxas de juros baixas, ao aumento da

concorrência e também às alterações

regulatórias. “O ambiente contínuo de

taxas de juros baixas permanece sendo

uma grande preocupação para a rentabilidade”,

ressalta o economista-chefe do

Swiss Re Group, Jérôme Haegeli.

Com a pressão do financeiro, as

seguradoras estão tentando compensar

com resultado operacional e, portanto,

debruçadas no aumento dos prêmios.

“O resultado operacional vai ser a maior

alavanca do resultado para o futuro”, diz

Süffert, da BB Seguridade.

Apesar da pressão por rentabilidade,

de acordo com a diretora executiva da

corretora de seguros Marsh, Paula Lopes,

o mercado continua com bastante capacidade,

o que gera muita competitividade e

❙❙Jérôme Haegeli, do Swiss Re Group

❙❙

Paula Lopes, da Marsh

queda dos preços. “A tendência era que

isto seria revertido ao longo deste ano por

conta da queda da taxa de juros e sinistros

ocorridos no ano passado, mas não houve

mudança e as seguradoras permanecem

com muita capacidade e bem agressivas”,

observa ela.

De negativa para estável

A segunda metade do ano, porém,

tende a ser aquecida, conforme tradicionalmente

ocorre no setor de seguros. Cálculos

do economista Francisco Galiza, da

Rating de Seguros, mostra que na última

década, o faturamento do segundo semestre

superou o do primeiro. Apesar de ter

conseguido superar a inflação no período,

o crescimento no comparativo semestral

do mercado vem perdendo força. Em 2018,

porém, a segunda metade do ano pode

ser mais aquecida não só pela fraca base

de comparação bem como a definição no

campo político e as perspectivas de dias

melhores do lado econômico.

Tanto é que a agência de classificação

de risco Moody’s alterou a perspectiva

para a indústria de seguros brasileira para

os próximos 12 a 18 meses para estável

de negativa. A decisão, explica a classificadora,

está respaldada no aumento no

volume de prêmios e rentabilidade estável

na esteira de uma melhor disciplina

de subscrição, apesar do crescimento

econômico lento. “Embora o atual ambiente

econômico no Brasil limite as

perspectivas de crescimento para as

seguradoras, o setor, de um modo geral,

tem crescido a um ritmo mais rápido que

o da economia”, lembra o vice-presidente


45


economia

O ciclo

Mercado de seguros revisa projeções após desempenho abaixo do esperado

na primeira metade do ano e instabilidade no segmento de previdência privada.

Além das condições específicas de cada ramo, falta o combustível essencial para

motivar o setor: emprego e renda

Faturamento engatinha

Primeiro semestre foi o de menor crescimento semestral desde 2014, quando

já havia quebrado o recorde de 2009, momento em que o mundo sofria os reflexos

da crise financeira global

Arrecadação (em bilhões R$)

1º Semestre 2014 2015 2016 2017 2018

Mercado (s/Saúde e s/ DPVAT)* 88,79 101,56 108,16 113,93 115,79

% 3,0% 14,4% 6,5% 5,3% 1,6%

Período

Prêmio Emitido Líquido (PEL)

R$ mil Variação

Jan a Jun 2014 76.055.146 3,5%

Jan a Jun 2015 88.159.042 15,9%

Jan a Jun 2016 95.516.351 8,3%

Jan a Jun 2017 100.328.985 5,0%

Jan a Jun 2018 100.637.260 0,3%

Financeiro não ajuda

Com a queda dos juros, aos 6,5% ao ano, o resultado foi junto

2018 2017 2016

janeiro 950.921.505 1.177.381.611 1.041.914.915

fevereiro 1.605.842.487 2.048.051.405 2.076.150.342

março 2.551.304.542 3.091.815.532 3.130.188.209

abril 3.445.018.228 3.733.572.651 4.174.779.452

maio 3.881.455.130 4.536.856.605 5.254.974.549

junho 4.870.091.133 5.314.560.509 6.440.007.270

17.304.633.025 19.902.238.313 22.118.014.737

CNSeg

Siscorp

❙❙

Diego Kashiwakura, da Moody’s

da Moody’s, Diego Kashiwakura.

Além disso, os mercados emergentes

tendem a continuar, de acordo com o

estudo Sigma, como molas propulsores

do crescimento dos prêmios globais. No

ano passado, o faturamento global do

mercado de seguros foi de quase US$ 5

trilhões, com desaceleração no crescimento,

para 1,5% ante 2,2% em 2016. Com

dois dígitos, a China é um dos destaques

e, economista-chefe do Swiss Re Group,

Jérôme Haegeli, deve continuar a ter forte

peso nos prêmios globais devido às obras

de infraestrutura em andamento. É possível,

conforme o especialista, inclusive, que

a região supere as expectativas na próxima

década. “Nas décadas seguintes, outros

mercados como Índia, Indonésia, Brasil,

México, Paquistão, Nigéria e Quênia podem

se tornar mais importantes”, conclui

o especialista.

Ao longo do tempo, a penetração

(prêmios/PIB) tem aumentado, segundo

o estudo da Swiss Re, consistentemente

em economias emergentes. Com a crise

no Brasil, o peso do mercado de seguros

segue ao redor dos 6% do PIB. Se de um

lado mostra um mercado resiliente, mas

no mesmo patamar, do outro representa

um mar de oportunidades para as seguradoras

por aqui instaladas, tão logo as

condições macroeconômicas bem como

melhora do emprego e renda permitam.

“O setor de seguros tem muito potencial

no longo prazo, uma vez que representa

cerca de 6% do Produto Interno Bruto

(PIB)”, avalia a diretora da agência Fitch

Ratings, Esin Celasun, que acrescenta:

“É muito pequeno”.

46


serviço | classic

Corretora investe na

experiência do cliente

Classic Seguros aposta

em plataforma digital

de vendas através de

parceria com empresa

de tecnologia, para ter a

robustez necessária ao

comércio online

Hoje, mais do que em nenhum

outro período desde a Revolução

Industrial, é essencial

que a experiência do cliente

e o processo de realização de compra

seja rápido, prático e seguro. Por essa

razão, a Classic Seguros lançará, ainda

em 2018, sua plataforma de e-commerce,

cuja infraestrutura arrojada e processos

otimizados têm como objetivo melhorar

a experiência de navegação e suporte ao

consumidor final.

Para a estruturação dessa plataforma,

a Classic Seguros fechou um joint

venture com a Ifaro Soluções Tecnológicas,

empresa paulista especializada

em tecnologia da informação e desenvolvimento

de plataformas projetadas

com tecnologia de ponta. Hélio Loreno,

CEO da Classic Seguros, acredita que um

setor tecnológico bem estruturado tem a

capacidade de potencializar a operação

de sua plataforma digital, pois processos

automatizados e mais ágeis facilitam e

estreitam o relacionamento com o cliente.

Novas práticas

Nos últimos anos, a empresa passou

por um processo de transformação, apresentando

sua nova marca, site e posicionamento

sem deixar de lado a manutenção

dos bons relacionamentos e parcerias

estratégicas. Seus principais diferenciais

em relação à concorrência continuam os

mesmos: agilidade, desempenho, proximidade

do cliente e experiência.

Novos públicos

O novo consumidor é exigente,

criterioso e possui acesso ilimitado às

informações sobre qualquer produto e

serviço. O objetivo da Classic Seguros

é atender as necessidades particulares

desses novos perfis através da realização

de venda consultiva, assertiva e mais

humana, mesmo que ela se dê de forma

❙❙Hélio Loreno, CEO da Classic Seguros

digital, seja por meio da plataforma e-

-commerce, site, blog ou redes sociais.

“Eu acredito que o maior de todos os

desafios seja o fato de que o brasileiro, diferente

do japonês, americano e europeu,

ainda não descobriu o real valor de se ter

uma previdência privada e um seguro

de vida, mas é apenas uma questão de

tempo até que ele tome conhecimento da

importância desse investimento. Em relação

ao mercado, a Classic Seguros tem

uma posição de vanguarda e está sempre

atenta aos momentos e às oportunidades

que se apresentam”, avisa Loreno.

“Por isso, reformulamos toda a estrutura

da empresa, criando um plano que

inovou processos, produtos e serviços.

Entendemos que com uma empresa bem

estruturada, uma equipe capacitada e

com seguradoras parceiras que também

trilham o caminho da inovação, o

consumidor, sobretudo o jovem de hoje,

se sentirá mais motivado a investir na

proteção de sua vida, sua família, seus

sonhos e seu futuro. Quando ele estiver

pronto para comprar, buscará por uma

consultoria que lhe proporcione, além

de uma transação rápida e acessível,

uma experiência fantástica de compra”,

garante o executivo da Classic.

47


produto | bike

Proteção sobre duas rodas

Bicicletas e ciclistas também necessitam de

proteção. Argo Seguros aposta neste mercado e

apresenta novo produto para bikes elétricas, com

contratação ágil e 100% digital

Lívia Sousa

Trocar o carro pela bicicleta se

tornou uma prática comum

entre as pessoas que moram nos

grandes centros, especialmente

depois que as ciclovias foram expandidas.

Um estudo feito pelo Portal G1 e Globo-

News junto a prefeituras de 26 cidades

brasileiras e o governo do Distrito Federal

revela que, nos últimos quatro anos,

a malha cicloviária das capitais saltou

133%, passando de 1.414 quilômetros

de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas em

2014, para 3.291 quilômetros em julho de

2018. A prefeitura da maior metrópole do

País, São Paulo, já apresentou um novo

plano cicloviário para a criação de mais

1.420 quilômetros de ciclovias até 2028.

Embora sejam uma alterativa mais

sustentável dentro da mobilidade urbana,

as “magrelas”, assim como os automóveis,

necessitam de proteção. Isso porque o

padrão das bicicletas evoluiu e muitas

delas não saem por menos de R$ 5 mil.

Alguns modelos, inclusive, chegam a custar

tanto quanto um automóvel popular

zero quilômetro.

Atenta aos movimentos deste mercado,

a Argo Seguros ampliou a gama

de ofertas e lançou recentemente uma

proteção para bicicletas elétricas com

acelerador, com potência nominal abaixo

de 800 watts. O produto cobre roubo e

furto qualificado ocorrido dentro ou fora

da residência do segurado, além de danos

ocasionados durante viagens aéreas em

território nacional. “O dono pode estar

passeando, treinando, em competição,

viajando pelo Brasil com a sua bicicleta,

ou até mesmo dentro de casa. Não

importa onde ele esteja, a apólice cobre

todas essas situações. Funciona como um

seguro pessoal da bike”, garante Janete

Tani, gerente de Riscos Patrimoniais da

48

companhia. O seguro destina ainda 100%

do valor da bike exclusivamente para

danos materiais e corporais causados a

terceiros (Responsabilidade Civil). “Se

a bicicleta custa R$ 10 mil, o segurado

terá mais R$ 10 mil para cobrir o terceiro.

O limite da apólice será de R$ 20 mil”,

reforça.

Crescem os sinistros

relacionados a acidentes

Para os ciclistas que contratam um

seguro, a maior preocupação é com os

roubos e furtos. E não é para menos. De

acordo com o Cadastro Nacional de Bicicletas

Roubadas, uma bicicleta é roubada

a cada 30 minutos na capital paulista. Por

outro lado, quem opta por este modal fica

ainda mais suscetível a acidentes – também

cobertos pela apólice.

“O ciclista profissional pedala em

uma velocidade maior, passa por percursos

acidentados, está exposto a mais

riscos. Mas os acidentes também tomam

um espaço grande no dia a dia do ciclista

amador”, lembra Janete, revelando

que em março deste ano esses eventos

atingiram entre 55% e 57% da mesa de

sinistros analisados pela empresa. “É

importante que o corretor utilize esse

argumento como apelo de venda, pois a

importância de estar protegido geralmente

só é considerada depois que acontece

alguma coisa”.

Ainda não há uma cobertura somente

para acidentes que possa ser contratada

separadamente pelos ciclistas tradicionais,

mas isso deve acontecer em breve.

A Argo já ensaia um produto similar

em competições do segmento das quais

patrocina. Desenhado para os competidores

que não tiveram acesso ao seguro

convencional, o Bike 24 Horas garante

❙❙

Janete Tani, da Argo Seguros

ao segurado a cobertura apenas durante

o percurso que será realizado nas provas.

Para isso, a seguradora fechou uma parceria

com os corretores para que os ciclistas

adquiram o produto no evento ou antes

da competição. “Estamos observando

essa fatia de mercado e como isso se

comporta. Até o momento, o produto foi

muito bem aceito”, afirma Janete.

Agilidade na contratação

As proteções voltadas para bikes

comercializadas pela Argo Seguros podem

ser contratadas com poucos cliques,

por meio do Protector Bikes, plataforma

digital desenvolvida com o propósito de

trazer uma melhor experiência para segurados

e corretores. Neste espaço, também

é possível fazer uma simulação do seguro

e conferir as condições contratuais e as

coberturas oferecidas por cada produto.

Em fevereiro deste ano, uma nova

funcionalidade foi adicionada à plataforma:

o endosso online. Segundo a gerente,

98% dos ciclistas trocam os acessórios

da bicicleta após a compra. “O sistema

fornece uma relação de aproximadamente

15 itens em que o cliente indica as peças

que foram trocadas. Automaticamente é

gerado um endosso, que vai para a nossa

análise. Nós devolvemos o seguro com

o novo valor da bicicleta, visto que as

trocas podem incrementar o preço da

bike”, conclui Janete.


49


produto | regulação

Qualidade para regular sinistros

Multinacional americana expande negócios na

América Latina e vê no Brasil uma oportunidade

para colocar sua expertise em prática: regular

sinistros com qualidade

LINHA DO TEMPO

McLarens é

fundada na Escócia

1931

1982

Maxson Young é

criada nos EUA

McLarens & Maxson

Young se unem na

McLarens Young

International (MYI)

2004

A

McLarens começou sua

história há mais de 80 anos.

Ela é conhecida por entregar

as melhores práticas na

regulação de sinistros, com presença

global e conhecimento local sobre os

vários mercados em que atua, ou seja,

40 diferentes países.

Isso é possível porque a empresa já

conta com mais de 1,2 mil funcionários

com distintas especializações, como os

sinistros de linhas especiais (construção

e engenharia, recursos naturais e gestão

de crise, marítimo, FAJ & Specie (perdas

de obras de arte, joalheria e valores).

Aqui no Brasil, a empresa iniciou

suas atividades em janeiro de 2011, no

Rio de Janeiro, prestando serviços para

resseguradores internacionais. A estratégia

para o País faz parte de um planejamento

para a América Latina, região

na qual a empresa atua há 30 anos. Os

escritórios estão estrategicamente localizados

na Argentina, Chile, Colômbia,

México, Panamá e Brasil, cujo escritório

paulista foi inaugurado no ano passado e

já há presença também em Porto Alegre.

50

Já são mais de 70 reguladores de

sinistros atendendo a região. Para se ter

uma ideia, a experiência de regulação da

McLarens inclui o terremoto de 2010, no

Chile, o furacão Odile, no México em

2014 e, recentemente, o furacão Maria,

em Porto Rico e Ilhas Virgens.

De acordo com Clodoaldo Azevedo,

gerente regional da McLarens no Brasil

, como a empresa é formada por reguladores

independentes, ela propõe um

trabalho justo, fazendo valer o contrato

de seguros firmado entre a seguradora

e o segurado. “Apuramos e recomendamos

o pagamento exato do prejuízo

sofrido, no menor tempo possível”,

ressalta Azevedo.

Na carteira de clientes da McLarens

já aparece um lista com todas as grandes

companhias de seguros do mercado

brasileiro. Para realizar um trabalho

com alta qualidade, a reguladora utiliza

um sistema global de sinistros, com a

consolidação de dados em relatórios customizados,

relatórios diários de perdas,

rastreamento e monitoramento agregados.

Tudo disposto em nuvem.

2011

2012

MYI adquire

Norcross

Fusão da

McLarens/Agrical

Fusão da

MYI/Airclaims

2011

MYI muda sua marca

para McLarens

2013


51


evento | legislação

O direito do seguro

Haüptli Advogados

& Associados reúne

especialistas para

debater assuntos

relevantes ao mercado

de seguros

Lívia Sousa

O

ramo de Responsabilidade

Civil fechou o ano de 2017

com uma produção de R$

806 milhões. O D&O alcançou

R$ 405 milhões no mesmo período.

As cifras milionárias, divulgadas pela

Superintendência de Seguros Privados

(Susep), evidenciam a força do segmento

dentro do mercado segurador. Ao mesmo

tempo, mostram que faltam discussões

mais aprofundadas sobre o direito do

seguro nesta carteira. “O seguro de RC é

muito ligado ao livre arbítrio e ainda não

está padronizado em termos de risco. Se

três subscritores se reunirem para olhar

um risco, prever uma cláusula e colocar

um preço, garanto que cada um vai estabelecer

uma cláusula diferente, com preços

e franquias diferentes”, afirmou Márcio

Guerrero, superintendente de Responsabilidade

Civil da HDI Global Seguros.

Se é preciso debater essas questões

com mais afinco, a Haüptli Advogados

& Associados, mais uma vez, fez sua

parte. Pelo segundo ano consecutivo, o

escritório realizou, na capital paulista,

o Seminário de Seguros. Como representante

da área de subscrição de risco e

um dos palestrantes do evento, Guerrero

enfatizou a dinamicidade do segmento.

“Quem está na subscrição não vê o detalhe

todo, porque o seguro de RC não é

uma foto. É uma espécie de filme, ele vai

se movimentando. São vários os cenários,

os personagens e as oportunidades”,

disse, alertando que o mercado precisa

se especializar. “A legislação é severa,

mas nosso principal problema é a falta

de punição. Temos que estar preparados

para atender um sinistro ou até mesmo

para nos defendermos judicialmente”.

Ao lidar com situações novas a

cada dia, a carteira de Responsabilidade

Civil se reinventa. A questão é em qual

patamar se encontra a gestão do risco

de um seguro tão dinâmico. Segurado

e seguradora estão nesse mesmo dinamismo,

gerindo seu próprio risco? Com

uma visão otimista sobre o assunto,

o executivo já nota a consolidação de

parcerias entre seguradoras e empresas

especializadas em determinados ramos

– engenharia ambiental ou área medica,

por exemplo – na busca por apoio tanto na

“O seguro de RC é

muito ligado ao livre

arbítrio, ainda não está

padronizado em termos

de risco”

Márcio Guerrero, da HDI Global Seguros

subscrição como na regulação do sinistro.

O recado de Guerrero é simples: ao fazer

sua própria gestão de risco, a seguradora

torna-se mais ousada e evita até mesmo

o fechamento de carteiras. “Ao estabelecer

parcerias e utilizar informações

relevantes, a seguradora consegue, além

de gerir seu próprio risco, se manter por

“Não estamos

questionando

a Decisão de

Repercussão Geral,

mas sim os efeitos

catastróficos que

uma interpretação

equivocada e

extensiva pode

gerar”

Fabio Spínola, da Haüptli

Advogados & Associados

Fabio Spinola, da Haüptli e Bruna Fonseca, da Chubb

52


“Praticamente

todos os países

reprovaram ou

editaram a lei [do

Contrato de Seguro].

Nós empacamos,

mais por conflitos

entre lideranças do

que problemáticas

propriamente ditas”

Ernesto Tzirulnik, do IBDS

Compõem a mesa Bruno Lacerda Gusmão, Daniel Bellini, Hilton Gomes dos Santos e Ernesto Tzirulnik

mais tempo ou se manter mais saudável

no mercado”, garantiu.

Decisão do STF preocupa

seguradoras brasileiras

Em maio de 2017, o Supremo Tribunal

Federal (STF) bateu o martelo:

conflitos que envolvem extravios de bagagem

e prazos prescricionais ligados à

relação de consumo em transporte aéreo

internacional de passageiros passariam a

ser resolvidos pelas regras estabelecidas

pela Convenção de Montreal, e não pelo

Código de Defesa do Consumidor. As

mudanças devem impactar o mercado de

ressarcimento de seguros de transportes

internacionais e acendem o sinal de alerta

do mercado segurador brasileiro. “Em

alguns aspectos, elas conflitam com as

normas já existentes”, afirmou a advogada

responsável pela área de ressarcimento da

Chubb Seguros, Bruna Fonseca.

Com as modificações, o prazo prescricional

para ressarcimento passou de cinco

para dois anos a partir da data da chegada

ao destino. A Convenção estabelece ainda

um teto de 1000 Direitos Especiais de

Saque (o equivalente a R$ 4.519,12) como

limite total de indenização em caso de

danos às bagagens, sem vinculação com

o peso. A limitação tarifária não se aplica

a eventuais danos morais suportados pelos

passageiros pelas incidências ocorridas em

transportes internacionais.

“A Convenção não é aplicável ao

transporte de cargas, em que há especificidades

incomparáveis a bagagens de

passageiros. É importante afirmar isso

para evitar algum tipo de entendimento

diferente por parte do Supremo, causando

outra problemática, outros conflitos

e delongas processuais”, complementou

Bruna. Segundo ela, o ideal é que as companhias

seguradoras criem fóruns e grupos

de discussão junto a resseguradoras

e advogados para entendimento do tema

e antecipação a eventual manifestação,

ampliando essa aplicabilidade. “Esperamos

alguma manifestação do Supremo

Tribunal de Justiça (STJ) e do STF nos

próximos dois ou três anos, uma vez que a

decisão da limitação é recente”, declarou.

Membro da Haüptli Advogados &

Associados, Fabio Spínola confirma a

apreensão do mercado. “É comum nos

depararmos com decisões em que o STF

julga procedente a ação, mas deve ao

portador indenizar a transportadora com

base na Convenção”, pontuou, alegando

que essas decisões são rasas e necessitam

de postura combativa dos advogados que

atuam na área de ressarcimento. “Não

estamos questionando Decisão de Repercussão

Geral, e sim os efeitos catastróficos

que uma interpretação equivocada

e extensiva pode gerar”, esclareceu. A

expectativa é boa na medida em que é

plenamente defensável a tese de que a

decisão não vai prejudicar os interesses

das seguradoras, de importadores e

exportadores. Se assim for, os prejuízos

financeiros serão milionários.

Lei do Contrato de Seguro

Há quase 15 anos, tramita no Brasil

o projeto de lei que busca regulamentar

os contratos de seguros privados firmados

no país. A proposta avançou no Congresso

e, após passar por alguns ajustes,

se encontra em discussão no Senado. “É

um projeto bastante maduro. Acho até

que passou do tempo, de tão maduro

que está”, declarou Ernesto Tzirulnik,

advogado especialista em Direito do Seguro

e presidente do Instituto Brasileiro

de Direito de Seguro (IBDS), instituição

responsável por elaborar o texto original,

apresentado em 2004.

Em terceiro painel no evento, foram

tratados assuntos polêmicos do projeto

relacionados aos processos de regulação

de sinistro, com a participação de Daniel

Bellini, superintendente comercial da

Pottencial Seguradora; e Hilton Gomes dos

Santos, diretor de Sinistros da Swiss Re.

As sugestões foram alvo de polêmica,

principalmente no que diz respeito às

arbitragens e mediações. A alegação é de

que a proposta seria incompatível com a

legislação processual que dá prioridade

aos métodos alternativos de solução de

conflitos. Por outro lado, o IBDS defende

que as normas vão proteger o consumidor

e diminuir os conflitos judiciais.

Para Tzirulnik, considerado o pai

da proposta, “houve muita polêmica por

nada”. “O Brasil ainda está com isso

passível. Praticamente todos os países

reprovaram ou editaram a lei. Portugal já

tem uma lei e a Alemanha está em sua segunda

lei, por exemplo, e nós empacamos

mais por conflitos entre lideranças do

que problemáticas propriamente ditas”,

sentenciou Tzirulnik, que não se arrisca

a dizer se a proposta será aprovada em

breve. “Pode ser rápido como pode levar

mais 15 anos”, concluiu.

53


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Esclarecendo um

mal-entendido...

Meu artigo anterior, “Porque os homens não

estão amando mais as mulheres”, suscitou um

tremendo mal-entendido entre algumas leitoras!

Uma disse: “Que triste ler esse tipo de

conteúdo”.

Então vamos explicar. Além de escritor,

mestre de cerimônias, jornalista e advogado, sou

professor de oratória.

No curso, ensino que o início de uma comunicação

deve ser original, chocante até, para provocar

impacto! Esse recurso chama-se exórdio,

e foi definido pelo notável orador Cícero como

“a parte do discurso que motiva a ouvir a mensagem”.

Deve, portanto, instigar a curiosidade!

Foi o caso do título de meu artigo... só

que o CONTEÚDO era exatamente o oposto:

mostrava como a mulher - lutando contra tudo

e contra todos - superou as barreiras e travas

colocadas pelo homem e passou gradativamente

a ocupar postos de comando em todas as áreas

da atividade humana! Mostro como estão elas

comandando totalmente um dos poderes da

nação: o Judiciário, presidindo o Supremo Tribunal

Federal (até o mês de setembro); o Superior

Tribunal de Justiça; a Advocacia-Geral da União

e a Procuradoria-Geral da República! Isso é

sensacional! A conclusão é esta chave de ouro:

“Por tudo isso é que os homens não estão

mais AMANDO AS mulheres. Hoje, mais

do nunca, os Homens estão A MANDO DAS

mulheres!”

O que meu artigo demonstrou foi que o

empoderamento da mulher foi tão notável que

os Homens estão sob seu MANDO!

Entendo que a leitura de um texto sempre

passa pelo filtro das experiências das pessoas.

Cada um tem sua própria forma de interpretação,

que pode ser influenciada por fatores

externos, como as informações que recebe

diariamente, cenário político e social daquele

instante.

Por sua vez, o escritor também é moldado

de acordo com aquilo que viveu e o conhecimento

que adquiriu. Nesta comunicação direta

com o leitor, é difícil garantir que a mensagem

chegue exatamente como ele criou, pois vários

ruídos podem interferir neste ato e alterar a

compreensão.

De qualquer forma, ressalto que sempre

me pautei pelo respeito às mulheres e às suas

conquistas, por isso mesmo sempre disse

que homens e mulheres devem caminhar

juntos, com apoio mútuo. Porque as pessoas,

independentemente de gênero, credo ou raça,

devem andar unidas, contribuindo umas com

as outras para que o mundo seja um espaço

melhor para todos.

Nota da Editora: É importante ressaltar

que o autor é constantemente convidado para

participar de eventos estritamente femininos,

como os do Conselho da Mulher Empresária

(Associação Comercial de São Paulo); Encontro

da Mulher Securitária (do Sindicato dos

Securitários de São Paulo); da Comissão da

Mulher Advogada (OAB); BPW – Associação

das Mulheres de Negócios e Profissionais etc.

Ele também já recebeu o Diploma de Amigo

do Batalhão Feminino da Polícia Militar de

São Paulo.

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

54

54


55

More magazines by this user
Similar magazines