24.09.2018 Views

Final - Site

You also want an ePaper? Increase the reach of your titles

YUMPU automatically turns print PDFs into web optimized ePapers that Google loves.

A Revista Mariana Histórica e Cultural é uma publicação eletrônica criada pelo professor

Cristiano Casimiro dos Santos em parceria com Associação Memória, Artes, Comunicação e

Cultura – AMACULT de Mariana. O periódico mensal tem por objetivo divulgar matérias, artigos,

ensaios, entrevistas e resenhas sobre a cultura e história da cidade de Mariana.

A Revista mostra a cultura de uma forma leve e traz histórias e curiosidades que marcam estes

322 anos da cidade de Mariana. A revista é um passo importante para a divulgação e pesquisa de

conteúdos sobre a cidade. Esperamos que as matérias publicadas possam contribuir para a

formação de uma consciência de preservação e que incentivem pesquisas. Neste mês de julho, a

Revista Mariana Histórica e Cultural em parceria com a MASTERIX Sistemas está disponibilizando

na rede mundial de computadores o site: www.marianahistoricaecultural.com.br. A finalidade

desta plataforma é permitir ao público o acesso virtual e gratuito às informações sobre cultura,

história e turismo de Mariana.

A revista eletrônica, a edição especial de Julho (impressa) e a plataforma de pesquisa (site) não

receberam nenhum recurso ou apoio dos governos municipal, estadual ou federal.

Assim, agradeço, imensamente, a todos que colaboram com esta publicação. A revista impressa

do mês de julho destinará o lucro das vendas para a Associação de Pais e Amigos dos

Excepcionais - APAE Mariana.

Cristiano Casimiro dos Santos

Revista Mariana histórica e Cultural

ORGANIZAÇÃO PESQUISA AGRADECIMENTOS

Antônio Carlos de Oliveira

Bruna Santos

Cássio Sales

César do Carmo

Deyvson Ribeiro

Eliete da Silva Lopes

Fábio Júlio

Felipe Avelar

Fernando Marques de Souza

Flávio Brigoline Neme

Arquivo Casa Setecentistas de Mariana

Arquivo do Museu da Música de Mariana

Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Mariana

Arquivo Eclesiástico – Arquidiocese de Mariana

Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal

Livro Termo de Mariana I /ICHS UFOP

Livro Casa de Câmara e Cadeia de Mariana /UFMG

George César da Silva

Gislaine Padula

José Eduardo Liboreiro

Josinéia Godinho

Luciano Laje Torres Alves

Márcio Eustáquio de Souza Lima

Rhelman Urzedo de Queiroz

Sandra Aparecida dos Reis

Sinésio Silva Cunha

Vitor Gomes

Diagramação e Arte: Cristiano Casimiro dos Santos

Revisão: Thália Gonçalves e Sandra Aparecida dos Reis

Fotografias: Photocarmo : César do Carmo, Fábio Júlio, Vitor Gomes

Arquivo Márcio Lima, Avelarsports, Márcio Eustáquio de Souza

Lima e Cristiano Casimiro dos Santos.

Capa: Cristiano Casimiro dos Santos

Tiragem: 1.000 exemplares

Gráfica: Gráfica Ed Del Rey Ind. comércio Eireli

Rua Geraldo Antonio de Oliveira, 88

Bairro Inconfidentes - Contagem/MG


Índice:

MARIANA: ENTRE O PASSADO E O FUTURO 02

Antônio Carlos de Oliveira

MARIANA 322 ANOS 06

Cristiano Casimiro dos Santos

307 ANOS DA CÂMARA DE MARIANA 28

Deyvson Ribeiro

PRIMEIRA ELEIÇÃO EM MINAS 32

Cristiano Casimiro dos Santos

UMA ESCUTA GUIADA PELO MUSEU DA MÚSICA DE MARIANA 34

Vitor Gomes

16 ANOS DA 16 DE JULHO 44

Acervo: Márcio Lima


MARIANA: ENTRE O PASSADO E O FUTURO

Antônio Carlos de Oliveira

Promotor de Justiça Aposentado

Em uma sociedade denominada

líquida, porquanto permeada por

valores que se volatilizam muito

repentinamente, uma questão que deve ser

pautada o quanto antes, tanto pelos nossos

governantes quanto pelas comunidades é a da

preservação do patrimônio histórico.

Esse termo – patrimônio histórico – nos remete

tanto a uma instituição quanto a uma mentalidade.

Designa-se “patrimônio histórico” como bens

destinados ao usufruto de uma sociedade

constituída pela cumulação continua de uma

diversidade de objetos matérias e imateriais

que se aglutinam por seu passado comum

sejam eles obras, edifícios, lugares, objetos e

trabalhos de todos os saberes.

Desde logo o problema que se apresenta é o

financeiro. Por que se investir nessa causa

diante de um quadro de tantas carência sem

outras searas públicas tão sensíveis como a

saúde, a segurança pública, a educação, os

esportes, etc.

Diante da mediocridade dos serviços públicos

em geral – por escassez mesmo ou, muitas

vezes, pela malversação dos recursos públicos

-porque se preocupar com velhos prédios que

se desmancham em ruínas ou com tradições

locais?

Num mundo pontuado pelos valores econômicos

tal questão é preponderante nessa discussão.

Mas, além dessa questão prática há, ainda, a

ausência de compreensão por parte da imensa

maioria das pessoas da comunidade da importância

mesma da preservação como forma de

identificação social e provocação de discussão

dos valores sociais arraigados e materializados

simbolicamente nesse patrimônio.

E são esses dois pontos que instauram a

problemática do patrimônio histórico: para que

se preservar o patrimônio sem, muitas vezes,

não encontrar respaldo na coletividade? Seria

mesmo possível se estabelecer uma efetiva

proteção desse patrimônio sem o aval e a

participação das pessoas das comunidades em

que se estabelecem ?

02

Qual seria a razão última de uma proteção com

reduzida legitimidade social ?

Hoje, mais do que nunca, é preciso refletir sobre

tais questões.

Penso que a resposta a esses questionamentos

deva perpassar dois pontos de vista: o

filosófico e o econômico.

Sob o ponto de vista filosófico os questionamentos

sobre o patrimônio histórico acabam

por revelar as condições intrínsecas de uma

sociedade que se apresenta deteriorada e

esgarçada em seus valores e que é, portanto,

incapaz de estabelecer um itinerário seguro

entre o seu passado e o seu futuro.Não me

parece possível que osindivíduos e a sociedade

consigam desenvolver e aprimorar a sua

identidade senão pela duração e pela memória.

Com efeito, uma comunidade alheia à sua

história próxima ou remota, aos valores que

fundaram a vida de seus antepassados, sem

identidade originária, é incapaz de criar estruturas

discursivas que permitam questionar

valores éticos e morais que se perpetuam no

tempo e espaço, por vezes rompendo com os

mesmos, num movimento dialético que assuma

e ultrapasse seu sentido histórico original.

Ou, na boca do poeta:“Quando eu penso no

futuro, não esqueço o meu passado.”

O patrimônio histórico pode servir, assim, como

uma alegoria destinada ao aprendizado desse

novo paradigma: perceber além daquilo que se

vê.

Pois, sim, um prédio, um sítio arqueológico,

uma atividade religiosa, carregam em si mesmos

conteúdos valorativos e afetivos inimagináveis

aos olhos despreparados. E aprender a

ver e a sentir precisamos todos, todos os dias.

E a educação patrimonial pode ser uma maneira

efetiva de se criar uma mentalidade voltada

para a internalização de valores que se desejam

em uma comunidade.

Refiro-me, aqui, a uma educação verdadeira e

não à meramente formal. A “paidéia” dos

nossos antepassados gregos.


Uma abertura de consciência para uma nova

visão de mundo em que se estabeleçam

premissas que se pretendam consolidadas em

nosso futuro: o cuidado para com as coisas e

para com os outros; à escuta do diferente; a

atenção e o respeito à história em geral e, em

decorrência, às histórias de cada um.

A internalização constante desse novo paradigma

deve ser concretizada na efetiva participação

das pessoas no cuidado diário e constante

do patrimônio cultural que lhes pertence porque,

mais do que prédios e tradições, há, agora,

histórias povoadas de valores ali simbolizadas.

A legitimação desse cuidado passará, ainda,

por um envolvimento na causa, através da

utilização desse patrimônio no dia-adia,permitindo-se

uma adequação de uma

história a um presente, vívido e interessante.

Exemplo dessa utilização pode-se encontrar

mundo afora. Veja-se, por exemplo, o que se fez

em Buenos Aires, transformando-se um antigo

e abandonado porto num local aprazível e

destinado a encontros a participação social:

Puerto Madero.

Mas além do discurso teórico, a questão é:

como se avançar nesse desiderato?

A intervenção do Poder Público é fundamental,

por meio de adequação dos currículos escolares,

com o fomento de palestras e atividades

culturais específicas, audiências públicas de

debates, criação de grupos de estudos, e,

convênios com a UFOP que sedia nesta cidade

um curso de história e, por meio de extensão

universitária pode desenvolver projetos nesse

sentido envolvendo não só os jovens escolares

como também as comunidades em diversos

rincões.

Veja-se que são atividades que demandam

muito mais visão e vontade política do que

recursos propriamente ditos.

Também a comunidade, por meio de lideranças

comunitárias, pode se envolver em projetos.

Numa cidade como esta de tantos bens patrimoniais

não se tem uma organização social

ativa em defesa do patrimônio histórico!

Não creio que não haja pessoas preocupadas

com esse assunto. A mim me parece que

carecem de uma liderança que as uma num

propósito efetivo de concretização de uma

política protecionista baseada na legitimação

popular.

Talvez o Conselho do Patrimônio de Mariana

possa servir de catalizador nesse sentido,

estimulando lideranças nesse propósito,

03

auxiliando-o, inclusive.

Sob o ponto de vista econômico a relevância é

inconteste. Mariana vive às custas de uma

atividade econômica minerária que, à par de

discussões éticas e ambientais, impertinentes

para esta oportunidade, lhe rende recursos de

monta, e oferece oportunidades de trabalho.

História recente, todavia, mostrou que se trata

de atividade precária e que pode deixar a

cidade em situação de extrema dificuldade.

Além da possibilidade de desastres ambientais

ou quedas nos comodities internacionais, há,

ainda, o inexorável exaurimento das reservas,

cedo ou tarde.

Ainda assim não se vêm atitudes no sentido de

preservar, valorizar e estimular fortemente o

turismo na região, seja ele histórico, religioso ou

ecológico.

Sabidamente o turismo vem sendo em muitos

países a mola propulsora da economia, gerando

riquezas de forma limpa e altamente capilar

– hotéis, restaurantes, etc.etc.

As cidades históricas podem ser transformadas

em produto de consumo cultural, desde que

passem, por óbvio, por estudos criteriosos,

unindo-se a sua preservação e participação da

comunidade local a uma fonte de renda, num

círculo virtuoso.

Ora, a preservação patrimonial tem, assim,

residualmente, um papel importante no futuro

de Mariana, aglutinando ao mesmo tempo uma

forte fonte econômica a valores de sensibilidade,

especialmente estéticos.

E não se vê atitude concreta quer seja por parte

dos governantes, quer seja por parte do empresariado

local, no sentido de se estimular essa

atividade. Incompreensível essa cegueira.

Quando se perceber essa importância talvez

seja tarde demais e somente restarão ruínas,

pouco atrativas aos turistas.

Mariana se encontra numa encruzilhada entre

o seu passado e o seu futuro e decisões precisam

ser tomadas urgentemente.

Qual cidade desejaremos viver daqui a vinte,

trinta anos ? Qual civilização estamos criando ?

Quais valores sociais e culturais estamos

cultivando ?

Essa é uma dentre tantas questões importantes

que se apresentam em nossa cidade.

Editorial


Foto: AvelarSports


Ela é mãe de toda Minas

Ela é Maria e Ana.

É a primeira...

Na suas brumas a história de Minas foi tecida.

Nas suas montanhas as ideias de liberdade

foram lançadas.

Em teu ribeirão-ventre, Minas nasceu.

Mariana, onde Minas Mostra seus Segredos.

Cristiano Casimiro


Mariana 322 Anos


EEm 16 de julho será celebrado o aniversário de 322

anos de Mariana, a primeira cidade de Minas

Gerais. Conhecer e orgulhar da nossa história é,

também, um exercício de reflexão para o futuro.

A história de Mariana começa assim:

As notícias da descoberta de ouro na região do Sertão

dos Cataguases, atual Minas Gerais, se espalharam

pelo Brasil e chegaram a Portugal, motivando milhares

de pessoas a acorreram à região em busca de riqueza.

Entre as pessoas que foram para a região estavam os

bandeirantes paulistas, liderados por Salvador

Fernandes Furtado de Mendonça, que encontraram

ouro em um rio que batizaram de Ribeirão Nossa

Senhora do Carmo em homenagem à virgem do monte

Carmo. O capelão da comitiva, Padre Francisco

Gonçalves Lopes, ergueu o primeiro altar da terra

mineira, em uma tarde de Domingo, no dia 16 de julho

de 1696.

Às suas margens, nasceu o arraial de Nossa Senhora

do Carmo que logo assumiria uma função estratégica

no jogo de poder determinado pelo ouro. O local se

transformou em um dos principais fornecedores desse

minério para Portugal.

Entre 1708 e 1710, ocorreram vários conflitos armados

na zona aurífera, envolvendo de um lado paulistas e do

outro portugueses e sujeitos vindos de diversas regiões

do Brasil. Esses conflitos ficaram conhecidos como

Guerra do Emboabas. Os episódios deste conflito

levaram a Metrópole (Portugal) a desmembrar do Rio de

Janeiro a capitania constituída por São Paulo e Minas

Gerais, a fim de melhor policiar a região, enviando para

o primeiro povoamento em 1709, o Arraial do Ribeirão

do Carmo, o governador Antônio de Albuquerque

Coelho de Carvalho, que ali fixou residência,

conseguindo, em pouco tempo, serenar os espíritos e

estabelecer a ordem.

Em 1711, sendo já considerável o desenvolvimento do

arraial, um ato do citado governador, de 8 de abril,

elevou-o à categoria de vila, sob a denominação de Vila

de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo de

Albuquerque. O nome foi modificado por dom João V,

em 14 de abril de 1712, para Vila Leal de Nossa

Senhora do Ribeirão do Carmo. Esse acontecimento

exigiu a implantação, segundo as determinações

metropolitanas, de uma estrutura administrativa e

judiciária. Assim, em 04 de julho de 1711, foi criada a

primeira Casa de Câmara das Minas do Ouro na Vila do

Carmo, tendo o mesmo status da Câmara da cidade do

Porto em Portugal.

07


Mapa da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro

Detalhe: Vila de Nossa Senhora do carmo


A vila, em pouco tempo, transformou-se em principal centro de

comércio das Minas Gerais. O sucessor de Albuquerque, Dom

Brás Baltazar, encontrou várias dificuldades em solucionar a

cobrança do quinto por bateia utilizada na exploração do ouro.

Temendo uma guerra civil, comunicou-se o governo metropolitano,

que ordenou fosse o imposto cobrado sobre o montante

do metal extraído e sobre as indústrias e profissões. Essa

providência acalmou momentaneamente os ânimos.

Retirando-se Dom Baltazar e tendo assumido o governo Dom

Pedro de Almeida Portugal, Conde de Assumar, rompeu-se o

equilíbrio penosamente mantido pelos seus antecessores,

lavrando nos espíritos o incêndio da revolta. Assumar pede ao

Rei de Portugal tropas para conter o grande fluxo de pessoas e

a instabilidade da região. Em 1719, chegam a Minas Gerais

duas companhias de dragões enviadas de Lisboa, que constituíram

os famosos Dragões Reais de Minas ou Tropa de

Dragões do Conde de Assumar. Os soldados “Dragões”

tiveram um papel importante na revolta de Vila Rica, motim

chefiado por Filipe dos Santos. Como decorrência desse

acontecimento foi criada, em 2 de dezembro do mesmo ano, a

capitania Independente de Minas Gerais.

No dia 29 de outubro de 1730, João Lopes de Lima estabeleceu

uma linha de Correio Ambulante entre Rio de Janeiro-São

Paulo-Minas do Ouro, a fim de que, dada a extensão do

crescimento demográfico da nova terra descoberta: o eldorado

mineiro que atraía numerosas caravanas de aventureiros à

cata de ouro, pudesse ter melhores e mais rápidos meios de

comunicação, sendo, então, a Vila do Carmo o ponto convergente

de todo o movimento extrativo do ouro.

Em 1745, por ordem do rei de Portugal D. João V, a Vila de

Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo foi elevada à cidade

com o nome de Mariana – uma homenagem à rainha Maria

Ana D'Austria, sua esposa. No mesmo ano, pela bula Candor

lucisaeternae, o Papa Bento XIV criou a diocese de Mariana,

desmembrada do Rio de Janeiro, juntamente, com a diocese

de São Paulo e as prelazias de Goiás e Cuiabá. A criação

dessa diocese marca um novo momento na geopolítica da

colonização do sertão mineiro. Com sua instalação, modificam-se

as relações entre as diversas esferas do poder. Tornase

mais complexo o quadro de forças políticas configurado

pela atuação das irmandades, câmaras locais, clero e autoridades.

A igreja matriz dedicada à Nossa Senhora da Conceição foi

elevada à categoria de catedral de Nossa Senhora da

Assunção. Transformando-se no centro religioso da capitania

das Minas do Ouro, nessa mesma época, a cidade passou a

ser sede do primeiro bispado mineiro.

09


“Mapa da Cidade de Mariana” que se encontra na Mapoteca do Itamaraty, Rio de Janeiro.

José Fernandes Pinto Alpoim - Nasceu em Viana do Castelo (Portugal) a 14 de julho de

1700. Foi um militar português e um dos principais nomes da arquitetura do século XVIII no

Brasil colonial.

Estudoou na Academia de Viana do Minho, e posteriormente aprofundou seus estudos na

Academia Militar em Lisboa. Nos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo encontra-se a carta

patente de Alpoim como sargento-mor de Artilharia, datada de 19 de agosto de 1738.

Chegou ao Rio de Janeiro em 1738, passando a trabalhar em estreita colaboração com o

governador Gomes Freire de Andrade. Trabalhou no Rio, em Minas Gerais e no Rio Grande

do Sul. Em 1760, foi promovido a brigadeiro.

Entre suas obras no Rio de Janeiro contam-se a reforma do Aqueduto da Carioca e a

edificação do convento de santa Teresa, do convento da Ajuda, da Casa dos Governadores

(Paço Imperial), a igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, entre muitas outras

obras.

Em Minas Gerais, desenhou a planta da Cidade de Mariana (antiga Vila do Ribeirão do

Carmo) e o Palácio dos Governadores de Ouro Preto. Morreu em 1765 no Rio de Janeiro.


Para isso, foi enviado, do Maranhão, o

bispo D. Frei Manoel da Cruz. Sua jornada

entre São Luis do Maranhão até a

Mariana, realizada por terra, durou um

ano e dois meses e foi considerada uma

epopeia. A chegada do bispo as terras

mineiras foi celebrada com a maior festa

do período colonial: O Áureo Trono

Episcopal – festa ocorrida em Mariana

para homenagear o primeiro bispo de

Minas.

Um projeto urbanístico se fez necessário

para a Primeira Capital das Minas Gerais,

sendo elaborado pelo engenheiro militar

José Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas

em linha reta e praças retangulares são

características da primeira cidade planejada

de Minas e uma das primeiras do

Brasil. O livro, Temo de Mariana I, publicado

pelo departamento de história da

Universidade Federal de Ouro Preto

(UFOP), descreve o espaço urbano da

nova cidade:

“Nesta época alguns preceitos e procedimentos

da “escola” de engenharia militar

portuguesa são incorporados às cartas

régias, como normas a serem seguidas

na fundação de cidades. Os documentos

mencionam a determinação de um local

para uma praça e para os principais

edifícios públicos e faz-se exigências

quanto a abertura de ruas, que deveriam

ser “largas e direitas”, e quanto ao aspecto

das moradias, “...sempre fabricadas na

mesma figura uniforme pela parte

exterior, ainda que na outra parte interior

as faça cada um conforme lhes parecer

para que desta sorte se conserve sempre

a mesma formosura da Villa e nas ruas

della a mesma largura ”. Dom João V não

fez grandes exigências em relação à

forma que deveriam ter as habitações em

Mariana. A ideia da época era que todas

as casas fossem iguais, apesar do plano

em Mariana não ser tão detalhado como

em outros locais, os quais chegavam a

metrificar a fachada dos edifícios.”

Em Mariana, há uma exceção à regra

geral das fachadas mineiras: a Rua

Direita. O antigo “caminho de cima” só

recebeu sua feição atual a partir de 1745,

quando foi “arruado” (regularizado)

segundo o plano de Alpoim. Havia um

documento, um acórdão da Câmara, o

qual determinava que todos os pretendentes

a edificações do lado esquerdo da

rua as fizessem “de maior nobreza” dando

os fundos para o Palácio de Assumar, que

se tornou mais tarde residência episcopal.

Assim, até hoje, podemos perceber

que desse lado da rua as casas têm, em

geral, dois andares e sacadas, enquanto

do lado oposto, são em geral, casas mais

baixas, de um só pavimento.

Com a instalação da Diocese de Mariana

as preocupações do Clero em formar

padres e a carência de um estabelecimento

para ensino levaram o Bispo Dom

Frei Manoel da Cruz, em 20 de dezembro

de 1750, a criar em Mariana o Seminário

Nossa Senhora da Boa Morte, primeira

instituição formal de ensino da capitania

das Minas do Ouro.

O Seminário Menor de Mariana prestou

relevantes serviços à educação, tanto na

época da colônia como em todo o século

XIX. O edifício apresenta a elegante

disposição em dois blocos enquadrando a

capela, formando um E. Sua construção é

de grande simplicidade, com as numerosas

janelas de guilhotinas com vãos de

vergas retas. Possui uma pequena

escada de entrada, no ângulo das alas do

Seminário coberto por alpendre. O

Seminário Menor de Mariana prestou

relevantes serviços à educação, tanto na

época da colônia como em todo o século

XIX. O edifício apresenta a elegante

disposição em dois blocos enquadrando a

capela, formando um E. Sua construção é

de grande simplicidade, com as numerosas

janelas de guilhotinas com vãos de

vergas retas.

11


Barão de Eschewege

Ludwig von Eschwege, conhecido entre os mineiros como o Barão de

Eschwege. Eschwege nasceu em Hessen, na Alemanha, formou-se nas

universidades de Gottingen, de Marburg, e na Academia de Minas de Clausthal.

Em 1802, foi contratado pelo governo português, tendo trabalhado sob a

direção de José Bonifácio, então Intendente Geral das Minas e Metais do Reino.

No início de 1810 embarcou para o Rio de Janeiro, aonde chegou em 29 de

março, recebendo a patente de Sargento Mor do Real Corpo de Engenheiros.


Quando os depósitos de ouro aluvinoar

(ouro retirado do rio) começaram a escasseara,

no final do século XVIII, a situação

econômica da região se deteriora, iniciando

um período de estagnação, com predominância

da economia agrícola de subsistência,

em solo revolto de terras ferrosas,

montanhosas e pouco produtivas, por mãos

i n á b e i s a o c u l t i v o d o s o l o .

Consequentemente houve, o enfraquecimento

dos governos, o empobrecimento e a

miséria da população o abandono parcial da

cidade de Mariana.

A abundância do metal, antes farto no leito

dos rios, passou a ser rarefeito nos filões

incrustados na rocha dura das serras íngremes,

tornando difícil a extração, à luz da

pouca tecnologia lusitana na colônia.

A presença da Corte Portuguesa no Brasil, a

partir de 1808, e as políticas adotadas por D.

João VI introduziram profundas transformações

no Sistema Colonial como a tecnologia

na mineração. Em 1811, buscando uma

alternativa para a mineração de ouro que se

encontrava em decadência, convidou a se

instalar no Brasil o engenheiro alemão

Willein Von Eschewege, que veio com o

propósito de estabelecer uma indústria

siderúrgica na região central de Minas

Gerais.

Em 1817 é editada a Carta Régia escrita

com a colaboração de Eschewege, que

dispõe sobre os procedimentos legais para

formação e funcionamento das sociedades

de mineração no Brasil.

O Barão de Eschewege, estabeleceu-se em

Mariana em 1819 e aproveitando dos dados

coletados por seus sócios ingleses da

Geological Royal Society, adquiriu diversas

frentes de lavra mineral na região. Até

meados de 1821, lavrou ouro a céu aberto e

iniciou a lavra de subsolo no antigo arraial de

São Vicente, hoje, atual distrito de

Passagem de Mariana, tendo fundado ali a

primeira empresa de mineração do Brasil – a

Sociedade Mineralógica de Passagem.

Em 1859, Eschewege cedeu os direitos da

Sociedade Mineralógica de Passagem, ao

sócio inglês Thomas Bawden. Bawden,

identificado historicamente como Senador

Bawden, por sua passagem no Senado da

Câmara de Mariana no final do século XIX,

dedicou-se à formação do povoado de

Passagem de Mariana, rompendo com a

ocupação do morro de São Vicente e trazendo

o núcleo urbano para mais próximo da

jazida de ouro.

Neste período a mineração de ouro estava

em pleno vapor e a região começou a prosperar

novamente. Assim, ocorreu uma

modificação significativa na educação em

Mariana com o início das atividades do

Colégio Providência, em 10 de março de

1850, sendo o primeiro Estabelecimento de

Ensino Secundário para a juventude feminina

de Minas Gerais. O Colégio Providência é

parte da obra de doze irmãs Filhas da

Caridade, enviadas como missionárias para

o Brasil, a pedido do Bispo de Mariana D.

Viçoso.

Mariana - Primeiro descobrimento, primeira

vila, primeira cidade, primeiro Bispado e

Arcebispado, primeira Comarca Judiciária,

primeira Câmara Municipal, primeira cidade

na instalação da escola primária e normal,

primeira Capital de Minas e a pioneira no

setor das comunicações, em Minas Gerais,

ao receber a instalação do Correio

Ambulante.

A Cata do ouro em águas cristalinas no

Ribeirão do Carmo fez surgir os primeiros

povoamentos das Minas Gerais. A fé do

povo e a riqueza do ouro criaram um dos

mais importantes cenários da religião,

cultura e arte.

Professor Cristiano Casimiro

Termo de Mariana I

Arquivo Eclesiástico de Mariana

Arquivo Histórico da Câmara Municipal

de Mariana

13


01 04

02

03

Primeiro Povoamento de Minas Em 16 de

julho de 1696, bandeirantes paulistas,

liderados por Salvador Fernandes Furtado

de Mendonça, encontraram ouro em um rio

que batizam de Ribeirão Nossa Senhora

do Carmo. Às suas margens, nasceu o

arraial de Nossa Senhora do Carmo que

logo assumiria uma função estratégica no

jogo de poder determinado pelo ouro. O

local se transformou em um dos principais

fornecedores deste minério para Portugal.

Primeira Vila Entre 1707 e 1709, ocorreram

vários conflitos armados na zona aurífera,

envolvendo de um lado paulistas e de outro

portugueses e sujeitos vindos de vários

pontos do Brasil. Esses conflitos ficaram

conhecidos como Guerra do Emboabas.

Sendo já considerável o desenvolvimento

do Arraial do Ribeirão do Carmo, o governador

Antônio de Albuquerque Coelho de

Carvalho, em 8 de abril de 1711, elevou-o à

categoria de vila, sob a denominação de

Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do

Carmo de Albuquerque.

Primeira Câmara Esse acontecimento

exigiu a implantação, segundo as determinações

metropolitanas, de uma estrutura

administrativa e judiciária representada

pela Casa Câmara e Cadeia na Vila de

Nossa Sra. do Ribeirão do Carmo. Assim,

em 04 de julho de 1711, foi criada na Vila de

Nossa senhora do Carmo a primeira

Câmara de Minas Gerais com mesmo

status da Câmara da cidade do Porto em

Portugal.

05

06

07

Primeira Eleição nas Minas Gerais Na

eleição da Câmara da Vila do Carmo, em

1711, foram eleitos: O capitão Mor Pedro

Frazão de Brito, para juiz mais velho,

Joseph Rebello Perdigão, para juiz mais

moço, Manoel Ferreyra de Sá, para vereador

mais velho, Francisco Pinto de

Almendra, para segundo vereador, Jacinto

Barboza Lopez, para terceiro vereador e

Torquato Teyxeira de Carvalho, para

procurador.

Primeira Comarca judiciária nas Minas

Com a eleição da Câmara da Vila do

Carmo foi também estabelecido o poder

judiciário em Minas, sendo o quadro de

camaristas eleitos membros da primeira

comarca judiciária da capitania.

Primeira Sede de Governo da Capitania

Os episódios da Guerra dos Emboabas

levaram a Metrópole (Portugal) a desmembrar

do Rio de Janeiro a capitania constituída

por São Paulo e Minas Gerais, a fim de

melhor policiar a região, enviando para ao

1º povoamento de minas , em 1709, o

governador Antônio de Albuquerque

Coelho de Carvalho, que ali fixou residência,

conseguindo, em pouco tempo, serenar

os espíritos e estabelecer a ordem

Primeiro Quartel Militar Em 20 de junho de

1719, por Carta Régia do Dom João V

mesmo ano, cria-se na Vila de Nossa

Senhora do Carmo, duas Companhias de

Cavalaria criadas e o Primeiro Quartel de

Dragões da Capitania de Minas Gerais

para abrigar as referidas Companhias de

Cavalaria.


08

09

10

11

12

Primeira linha de Correios Em 29 de outubro

de 1730, João Lopes de Lima, morador

em Atibaia - SP,de comum acordo com o

Governador Arthur de Sá Menezes, estabeleceu

a primeira linha de Correio Ambulante

entre Rio- São Paulo-Mariana

Primeira Cidade de Minas A Carta Régia

de 23 de abril de 1745, expedida por dom

João V, elevou a vila à categoria de cidade,

com o nome de Mariana, em homenagem à

rainha dona Maria Ana d'Áustria. Mariana

foi a primeira vila de Minas Gerais e a

primeira localidade da capitania a receber

foros de cidade.

Primeira Cidade Planejada de Minas Um

projeto urbanístico se fez necessário para a

Primeira Capital das Minas Gerais, sendo

elaborado pelo engenheiro militar José

Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas em linha

reta e praças retangulares são características

da primeira cidade planejada de Minas.

Primeiro Bispado Em 6 de dezembro de

1745, foi criado o primeiro bispado das

Minas Gerais, mediante bula do papa Bento

XIV, sendo seu primeiro titular Dom Frei

Manuel da Cruz. Foi ele o responsável pela

conclusão da Sé, a fundação do seminário e

o lançamento da pedra fundamental da

igreja de São Francisco.

Primeira Escola Superior Em 20 de

dezembro de 1750, foi criada em Mariana a

primeira Escola Superior em Minas Gerais.

O Seminário de Mariana foi instituído pelo

seu primeiro bispo, dom Frei Manoel da

Cruz, no auge do ciclo do ouro, sob a proteção

de Nossa Senhora da Boa Morte.

Inicialmente foi confiado à direção da

Companhia de Jesus, no entanto, com a

perseguição do Marquês de Pombal e a

consequente expulsão dos jesuítas, o

Seminário foi entregue aos cuidados do

próprio clero local.

13

14

15

16

Primeira Empresa de Mineração do Brasil

Por sugestão do Barão Eschwege, o Rei

Dom João VI publica, em 12 de agosto de

1817, Carta Régia que apresenta os estatutos

das sociedades de mineração, que

estabeleciam as bases para a fundação da

primeira companhia mineira do Brasil. Em

1819, foi criada a primeira companhia de

mineração, pelo Barão Eschwege - a

Sociedade Mineralógica - para explorar o

ouro da mina de Passagem em Mariana.

Primeiro Arcebispado de Minas Pelo

decreto Sempiternumhumani generis da

então Congregação Consistorial, datado de

1º de maio de 1906, a diocese de Mariana

foi elevada à categoria de arquidiocese,

tendo como sufragâneas as dioceses de

Goiás, Diamantina e Pouso Alegre, e Dom

Silvério constituído seu primeiro arcebispo

Primeira Escola para Mulheres em Minas

Colégio Providência iniciou suas atividades

no dia 10 de março de 1850. É o primeiro

Estabelecimento de Ensino Secundário

para a juventude feminina de Minas Gerais.

O Colégio é parte da obra de doze irmãs

Filhas da Caridade, enviadas como missionárias

para o Brasil, a pedido do Bispo de

Mariana D. Viçoso. Estas Irmãs ministravam

as aulas curriculares, bem como aulas

de piano, pintura, desenho e outros.

Dia do Estado de Minas Na constituição do

Estado de Minas Gerais, no artigo 256 –

considera magna do Estado – Dia de Minas

o dia 16 de julho;

§ 1º - As semanas em que recaírem os dias

16 de julho é denominadas Semana de

Minas e constituirão períodos de celebrações

cívicas em todo o território do Estado.

§ 2º - A Capital do Estado será transferida

simbolicamente para a cidade de Mariana

no dia 16 de julho.


Águas Claras


Foto: AvelarSports

Pico do Itacolomi


As Terras do Ribeirão Carmo

Foto: Márcio Lima

A ocupação das Terras do Ribeirão do

Carmo se deu a partir de 1696 quando

houve a divisão das terras descobertas,

assim os homens que lideram as bandeiras

e os primeiros camaristas apossaram

das novas terras e criando pequenos

povoados destinados à mineração e

agricultura.

Tomando posse da região do Ribeirão do

Carmo e nele iniciando a mineração,

Salvador Fernandes levantar as primeiras

cabanas ao longo da praia, no Matacavalos

(bairro Santo Antônio), assim a

capela que foi dedicada inicialmente ao

Menino Jesus, sendo mudada a invocação

sucessivamente para Nossa Senhora

do Bom Sucesso e Nossa Senhora da

Conceição, nela oficiando a primeira

missa o Capelão da comitiva, padre

Francisco Lopes Gonçalves. Salvador

Fernandes regressou depois disso a São

Paulo , de onde retornou, em 1699, em

companhia do guarda-mor Garcia

Rodrigues, para a medição e distribuição

dos descobertos, o que foi feito, começando-se

pelo de Miguel Garcia, no

ribeirão que antes já havia encontrado e

no qual fundou o arraial da Vargem do

Itacolimi, e seguindo-se no ribeirão do

Carmo, onde feita a meditação em nome

de Manoel Garcia de Almeida.

Outros povoados vieram depois, e novos

arraiais foram surgindo, tais como o de

Camargos, fundado por Tomaz Lopes de

Camargo e seus irmãos, Cachoeira do

Brumado, por João Pedroso; São

Sebastião, por Sebastião Fagundes

Varela; Furquim, e Bento Pires, que

recebeu o nome do seu próprio fundador.

Alastrou-se em pouco tempo por toda a

área do ribeirão do Carmo uma grande

área de mineração.

A coroa Portuguesa voltou assim a suas

atenções para as Minas e resolveu criar a

nova Capitania de São Paulo e Minas de

Ouro, separada do Rio de Janeiro, sendo

nomeado primeiro governador o capitãogeneral

Antônio Albuquerque Coelho de

Carvalho, que logo promoveu a criação

das três primeiras vilas em Minas Gerais,

a saber, a Vila de Nossa Senhora do

Carmo de Albuquerque, a vila Rica, e a

vila de Sabará, esta última na região do rio

das Velhas, onde o ouro já havia sido

também descoberto.

Ocorreu isto em 1711: E o governador

Antônio Albuquerque, assim como os

seus sucessores, D. Braz Baltazar da

Silveira e D. Pedro de Almeida Conde de

Assumar, apesar de ser em São Paulo a

sede da Capitania, tiveram de fixar

residência em ribeirão do Carmo, pois a

mineração do ouro havia deslocado

quase por completo o centro de interesse

da Coroa Portuguesa para as Minas

Gerais. Não tardaram a surgir as lutas e

os conflitos na residência oposta aos

rigorosos métodos adotados na fiscalização

da saída do ouro, para a cobrança

dos pesados tributos exigidos pelo Rei de

Portugal.


Foto: Márcio Lima

Igreja Nossa Senhora da Conceição - Camargos

Cristiano Casimiro


Ÿ

Ÿ

Ÿ

Ÿ

.Formação Administrativa de Mariana

Elevado à categoria de vila com a

denominação de Albuquerque, em 08-

04-1711. Instalada em 05-08-1711 ou

22-01-1712.

Pela carta régia de 14-04-1712, a vila

de Albuquerque tomou o nome de

Ribeirão do Carmo.

Pela lei provisão de 16-02-1718 e

também 1740, foram criados os

distritos de Barra Longa, Furquim,

Piranga, Nossa Senhora de Nazaré do

Inficionado, Santa Rita Durão e

Sumidouro e anexados ao município

d e R i b e i r ã o d o C a r m o ( e x -

Albuquerque).

Elevada à condição de cidade com a

denominação de Mariana, pela carta

Régia de 23-04- 1745.

Ÿ Pela lei provincial nº 50, de 08-04-

1836, e lei estadual nº 2, de 14-09-

1891, foram criados os distritos de

Camargos e São Caetano do Ribeirão

Abaixo e anexados ao município de

Mariana.

Ÿ Pela lei provincial nº 209, de 07-04-

1841, e lei estadual nº 2, de 14-09-

1891, é criado o · d i s t r i t o d e S ã o

Sebastião e anexado ao município de

Mariana.

Ÿ Pela lei provincial nº 471, de 01-06-

1850, e lei estadual nº 2, de 14-09-

1891, é criado odistrito de Cachoeira

do Brumado e anexado ao município

de Mariana.

Ÿ Pela lei provincial nº 1262, de 19-12-

1865, e lei estadual nº 2, de 14-09-

1891, é criado o distrito de Conceição

do Turvo e anexado ao município de

Mariana

Ÿ Pela lei provincial nº 1537, de 20-07-

1868, desmembra do município de

Mariana osdistritos de Piranga e

Conceição do Turvo, para constituir a

nova vila de Piranga

Ÿ Pela lei provincial nº 2085, de 24-12-

1874, e lei estadual nº 2, de 14-09-

1891, é criado o distrito de São

Gonçalo do Ubá e anexado ao

município de Mariana.

Ÿ Pela lei provincial nº 2762, de 12-12-

1881, e pela lei estadual nº 2, de 14-

09-1891, foram criados os distritos de

São Domingos e Vargem Alegre e

anexado ao município de Mariana.

Ÿ Pela lei provincial nº 3798, de 16-08-

1889, e lei estadual nº 2, de 14-09-

1891, é criado o distrito de Boa Vista e

anexado ao município de Mariana.

Ÿ Pelo decreto estadual nº 23, de 01-03-

1890, desmembra do município de

Mariana o distrito de Vargem Alegre,

para constituir a nova vila de São

Domingos do Prata.

Ÿ Pelo decreto estadual nº 155, de 26-

07-1890, e lei estadual nº 2, de 14-09-

1891, é criado o distrito de Passagem

e anexado ao município.

Ÿ

Pela lei municipal de 22-06-1895, o

distrito de Nossa Senhora de Nazaré

do Inficionado tomou o nome de Santa

Rita Durão.

Em divisão administrativa referente ao

ano de 1911, o município é constituído de

13 distritos: Mariana, Barra Longa, Boa

V i s t a , C a c h o e i r a d o B r u m a d o ,

Camargos, Furquim, Passagem, Santa

Rita Durão, São Caetano do Ribeirão

Abaixo, São Domingos, São Gonçalo do

Ubá, São Sebastião e Sumidouro.

N o s q u a d r o s d e a p u r a ç ã o d o

recenseamento geral de 01-09-1920, o

município é constituído de 13 distritos:

Mariana, Barra Longa, Boa Vista,

Cachoeira do Brumado, Camargos,

Furquim, Passagem, Santa Rita Durão,

São Caetano (ex-São Caetano do

Ribeirão Abaixo), São Domingos, São

Gonçalo do Ubá, São Sebastião e

Sumidouro.

21


Foto: Cristiano Casimiro

Igreja de São Caetano - Monsenhor Horta


Ÿ Pela lei estadual nº 843, de 07-09-1923,

o município de Mariana sofreu as

seguintes modificações: o distrito de

Barra Longa foi transferido de Mariana

para o município de Ponte Nova; os

distrito de Boa Vista, São Domingos e

São Gonçalo do Ubá. Em divisão

administrativa referente ao ano de 1911,

o município é constituído de 13 distritos:

Mariana, Barra Longa, Boa Vista,

Cachoeira do Brumado, Camargos,

Furquim, Passagem, Santa Rita Durão,

São Caetano do Ribeirão Abaixo, São

Domingos, São Gonçalo do Ubá, São

Sebastião e Sumidouro.

N o s q u a d r o s d e a p u r a ç ã o d o

recenseamento geral de 01-09-1920, o

município é constituído de 13 distritos:

Mariana, Barra Longa, Boa Vista, Cachoeira

do Brumado, Camargos, Furquim,

Passagem, Santa Rita Durão, São Caetano

(ex-São Caetano do Ribeirão Abaixo), São

Domingos, São Gonçalo do Ubá, São

Sebastião e Sumidouro.

Ÿ Pela lei estadual nº 843, de 07-09-1923,

o município de Mariana sofreu as

seguintes modificações: o distrito de

Barra Longa foi transferido de Mariana

para o município de Ponte Nova; os

distrito de Boa Vista, São Domingos, São

Gonçalo do Ubá e São Sebastião tiveram

seus nomes mudados para Cláudio

Manuel, Vasconcelos, Acaiaca e

Bandeirantes, Respectivamente.

Ÿ Pela lei estadual nº 1048, de 25-09-1928,

o distrito de Vanconcelos (ex-São

Domingos) recebeu a denominação de

Diogo de Vanconcelos.

Ÿ Em 1933, o município é constituído de 12

distritos: Mariana, Acaiaca (ex-São

Gonçalo do Ubá), Bandeirante (ex-São

Sebastião), Cachoeira do Brumado,

Camargos, Cláudio Manuel (ex-Boa

Vista), Diogo de Vasconcelos (ex- São

Domingos),Furquim, Passagem, Santa

Rita Durão, São Caetano (ex-São

C a e t a n o d o R i b e i r ã o A b a i x o ) e

Sumidouro.

Ÿ

23

Ÿ Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17-

12-1938, é criado o distrito de Mainart e

anexado ao município de Mariana o

distrito de Passagem tomou o nome de

Passagem de Mariana e o distrito de

Sumidouro foi extinto por este mesmo

decreto-lei, sendo sua área anexada ao

distrito sede do município de Mariana.

No quadro fixado para vigorar no período de

1939-1943, o município é constituído de 12

distritos: Mariana, Acaiaca, Bandeirante,

Cachoeira do Brumado, Camargos, Cláudio

Manuel, Diogo de Vasconcelos, Furquim,

Mainart, Passagem de Mariana (ex-

Passagem), Santa Rita Durão e São

Caetano,

Ÿ Pelo decreto-lei estadual nº 1058, de 31-

12-1943, o distrito de São Caetano

passou a denominar-se Monsenhor

Horta.

Ÿ No quadro fixado para vigorar no período

de 1944-1948, o município é constituído

de 12 distritos: Mariana, Acaiaca,

Bandeirante, Cachoeira do Brumado,

Camargos, Cláudio Manuel, Diogo de

Vasconcelos, Furquim, Mainart,

Monsenhor Horta (ex-São Caetano),

Passagem de Mariana e Santa Rita

Ÿ

Durão.

Pela lei nº 336, de 27-12-1948, o distrito

de Mainart tomou a denominação de

Padre Viegas e cria o Sub-distrito de

Mainart.

Ÿ Em divisão territorial datada de 01-07-

1950, o município é constituído de 12

distritos:

Mariana, Acaiaca, Bandeirante, Cachoeira

do Brumado, Camargos, Cláudio Manuel,

D i o g o d e Va s c o n c e l o s , F u r q u i m ,

Monsenhor Horta, Padre Viegas (ex-

Mainart), Passagem de Mariana e Santa

Rita Durão.

Assim permanecendo em divisão territorial

datada de 01-07-1960.

Ÿ Pela lei estadual nº 2764, de 30-12-1962,

desmembra do município de Mariana os

distritos de Acaiaca e Diogo de

Vasconcelos. Elevados á categoria de

município.


Igreja Nossa Senhora de Nazaré - Santa Rita Durão

Foto: Márcio Lima


Assim permanecendo em divisão territorial

datada de 01-07-1960.

Ÿ Pela lei estadual nº 2764, de 30-12-1962,

desmembra do município de Mariana os

distritos de Acaiaca e Diogo de

Vasconcelos. Elevados á categoria de

município.

Em divisão territorial datada de 31-12-1963,

o município é constituído de 10 distritos:

Mariana, Bandeirante, Cachoeira do

Brumado, Camargos, Cláudio Manuel,

Furquim, Monsenhor Horta, Padre Viegas

(ex-Mainart), Passagem de Mariana e Santa

Rita Durão.

Ÿ Em 2016 o sub-distrito de Águas Claras

foi elevada a categoria de Distrito pela

C â m a r a M u n i c i p a l d e M a r i a n a .

Esperando a outorga do Estado de Minas

Gerais

Arquivo Público Mineiro

Livro: Termo de Mariana I (ICHS -UFOP)

Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Mariana

Enciclopédia dos Municípios Brasileiros

Foto: César do Carmo


05 Casa Lugares de Câmara para e visitar Cadeia em Julho

Praça Minas Gerais

É reconhecida como um dos conjuntos arquitetônicos mais notáveis do Brasil por reunir em um só espaço

construções singulares: a Casa de Câmara e Cadeia (1768), as igrejas da ordem terceira de São

Francisco de Assis (1763) e Nossa Senhora do Carmo (1784) e também um pelourinho. Com a construção

dos três monumentos, a praça passou a congregar os símbolos de justiça e dos poderes civil e religioso,

apontando assim as elites que compunham a sociedade da época.

Cristiano Casimiro

Mina da Passagem

A Casa Capitular, onde está instalado o Museu

Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana, é um dos mais

belos edifícios em estilo Rococó do Brasil.

O Museu de Arte Sacra se encontra na Categoria de

Acervo Histórico e Artístico, tendo como temática a Arte

Sacra criada em Minas Gerais no período áureo do

Barroco Mineiro; formado por peças oriundas das Igrejas,

Capelas, Seminários e Palácio Episcopal, bem como

doações e legados.

3

Rua Frei Durão, 49 | Centro |Mariana

Telefone: (31) 3557-2581

Terça a Domingo, de 9h às 12h e de 13h às

17h

Há taxa de entrada.

Maior mina de ouro aberta a visitação do mundo,

a Mina da Passagem guarda segredos e

mistérios que encantam a todos. A descida para

as galerias subterrâneas se faz de modo

incomum, através de um trolley. O percurso tem

315 metros de extensão e chega a 120 metros

de profundidade, onde se vê um maravilhoso

lago de águas cristalinas

2

Aberto : todos os dias

Verificar taxa de visitação

https://mariana.minasdapassagem.com.br/

Museu Arquidiocesano de Mariana

Márcio Lima

Cristiano Casimiro Cristiano Casimiro


Museu da Música de Mariana

De importância ímpar para música brasileira,

seu acervo de manuscritos musicais, o Museu

da Música de Mariana recebeu, do Programa

Memória do Mundo da UNESCO, o Diploma

do Registro Regional para a América Latina e

o Caribe (MOWLAC) denominado Memória

do Mundo, tornando-se, assim, a primeira

instituição brasileira do gênero com esse tipo

de distinção.

4

Vitor Gomes

O Museu da Música está aberto para visitação:

Terça a Sexta-feira: 8:30h às 12:00h /

13:30h às 17:00h

Sábados: 8:30h às 12:00h

Entrada: Gratuita

http://www.mmmariana.com.br/

Estação de Mariana e Trem Turístico Mariana - Ouro Preto

Fábio Júlio

5

A imponente estação ferroviária de Mariana em estilo

eclético é o local de embarque para o passeio de uma

hora conta com uma vista exuberante das paisagens

do trecho, bem como narrativas sobre a história do

trem, da ferrovia e das duas cidades que juntas

constituem um dos pontos turísticos mais

expressivos da estrada real: Mariana primeira capital

mineira cujo centro histórico de majestosa

arquitetura e Ouro Preto, tombada pela UNESCO

como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O trem passou por reformas para receber um sistema

de áudio moderno e melhorias infraestruturais, mas

ainda conta com sua ambientação clássica de

móveis compostos por bancos, piso, maleiro e

janelas de madeira mantidos desde a década de 30.

Uma novidade recente é a presença de uma cafeteria

nos passeios, que trouxe a sofisticação de poder

saborear um café, capuchino, chás ou uma cerveja

artesanal a bordo dos vagões panorâmico ou

convencionais, adquirindo-se o bilhete tanto pela

internet quanto pessoalmente na bilheteria.

Tarifa Comunidade Aplicável somente na classe

Convencional - Os naturais de Ouro Preto e Mariana

que apresentarem comprovante de residência, em

nome da pessoa que está solicitando o bilhete e

documento de identificação com foto terão descontos

nas passagens:

Ida: R$ 20,00 Ida e volta: R$ 29,00

http://www.vale.com/brasil/PT/business/logistics/rail

w a y s / t r e m - t u r i s t i c o - o u r o - p r e t o -

mariana/Paginas/default.aspx


Foto: AvelarSports

307 anos da Câmara de Mariana


As Câmaras Municipais, também conhecidas como “Domus Municipalis”, eram

a sede da administração e da justiça, sempre construída em um local nobre da

cidade, na praça central ou do mercado.

Em geral, seus traços marcantes são os pórticos destinados às feiras e

mercados; as escadarias na entrada do edifício e as varandas para pregões. Ao

centro do edifício, geralmente, colocava-se a torre de sinos. Sinos estes que

controlavam a vida da cidade, com o toque de recolher, o anúncio de mortes, de

celebrações, dentre outros acontecimentos.


Cristiano Casimiro

A Primeira Câmara de Minas

E

Em 1711, com o fim da Guerra dos

E m b o a b a s , D o m A n t ô n i o d e

Albuquerque, com o intuito de

conseguir um maior controle da região

mineradora, criou as primeiras vilas. Nessa

época, o arraial do Carmo contava com uma

numerosa população, o que justificava a

ascensão a um novo patamar: o de vila.

Assim, em abril daquele ano, o povoado

passou a Vila de Nossa Senhora do

Ribeirão do Carmo de Albuquerque.

A primeira providência a ser tomada quando

da criação de uma vila era a determinação

do seu termo, ou seja, as fronteiras do novo

município, e a delimitação do rossio, terreno

público administrado pela Câmara,

segundo as Ordenações do Reino. Outras

premissas para criação de uma Vila eram a

construção de uma casa para abrigar a

Câmara e a Cadeia, a edificação de um

pelourinho, símbolo da justiça e da

autonomia do município, e a adequada

conservação da Igreja Matriz.

Deyvson Ribeiro

Vice-presidente da Câmara de Mariana

A Câmara Municipal de Mariana foi fundada

em 1711 sendo, portanto, a mais antiga de

Minas Gerais. No dia 4 de abril de 1711,

convocou-se a junta para se preparar a

eleição da nova Câmara de Vila do Carmo.

Exatamente três meses depois, dia 4 de

julho, ocorreu, no Palácio em que morava o

Governador e Capitão Geral Antônio de

Albuquerque Coelho de Carvalho, a

primeira eleição livre do Estado de Minas

Gerais e, no dia seguinte, tomaram posse

os eleitos: o Capitão-Mor Pedro Frazão de

Brito para juiz mais velho, Joseph Rebello

Perdigão para juiz mais moço, Manoel

Ferreyra de Sá, para vereador mais velho,

Francisco Pinto de Almendra, para segundo

vereador, Jacinto Barboza Lopez, para

terceiro vereador e Torcato Teyxeira de

Carvalho, para procurador. As eleições dos

membros da Câmara no Reino e nas

colônias seguiam as Ordenações do Reino.

A Câmara de Mariana, a primeira de Minas

Gerais, tinha o mesmo “status” da Câmara

do Porto de Portugal, e foi uma das mais

importantes Câmaras do período colonial .

Acervo: Márcio Lima


O Prédio da Casa de Câmara e Cadeia de

Mariana na Praça Minas Gerais, projetado

por José pereira dos Santos e construído

por José Pereira Arouca completa neste ano

250 anos do início da construção ( 1768 –

2018). É um modelo das prisões brasileiras

existentes do período colonial. A Cadeia

Pública dividia o mesmo prédio com a

Câmara Municipal, possuindo dois

pavimentos, sendo o primeiro ocupado pela

cadeia e o segundo pela Câmara.

O interior das prisões possuía alguns

compartimentos, como as enxovias, salas e

celas onde ficavam os presos. Para

penetrar no seu interior, era necessário

descer por escadas de mão móveis. Havia

as salas-livres, indicadas pela Justiça para o

cumprimento de prisão fora do cárcere, e as

salas fechadas ou salas fortes para

guardarem presos. Ainda existia uma sala

denominada de segredo ou moxinga, onde

eram realizados interrogatórios - podendo

ser aplicado torturas -, de presos que

tivessem cometidos crimes graves.

Planta baixa do prédio de Casa de Câmara e Cadeia de Mariana

Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro

31 21


Primeira Eleição em Minas

EEm

04 de julho de 1711, ocorreu na Vila

de Nossa Senhora do Ribeirão do

Carmo a primeira eleição livre em

Minas Gerais, sendo que os eleitos tomaram

posse para Câmara da Vila do Carmo.

As Câmaras eram formadas por seis integrantes:

o "mais velho" e o "mais moço"

eram os juízes, que dividiam a presidência

da Casa, três vereadores e um procurador.

A eleição era feita no sistema Chamado

Ordenação de Pelouro, um sistema eleitoral

estabelecido em Portugal por Dom João I,

em 1391, considerado o mais antigo e

clássico sistema eleitoral.

A Ordenação dos pelouros normatizava a

eleição do corpo político camarário (juízes,

vereadores e procuradores) que presidia e

representava a comunidade. A Lei dos

Pelouros determinava que em cada vila ou

cidade se organizassem, permanentemente,

listas de pessoas idôneas ao exercício

dos referidos cargos, chamados “homens

bons”. Cada nome aí recenseado seria

escrito em papel, recolhido numa bola de

cera e guardadas numa arca dos pelouros,

onde se fazia o sorteio.

A eleição era indireta, competia ao corregedor

chamar à Câmara juízes, vereadores,

procurador e homens bons para escolher

seis pessoas, que duas a duas, separadamente,

indicariam pessoas idôneas para o

exercício dos cargos, em rol distinto para

cada um deles. Ao corregedor régio, mas

também ao ouvidor, em terras de donatário

ou ao juiz mais velho na falta de magistrado

régio letrado na terra, competia, associando

os votos, selecionar os mais votados, apurando

uma lista "pauta" dos eleitos. Cada um

dos nomes da pauta era encerrado num

pelouro, guardado em uma arca, para

oportuno sorteio por uma criança de até 7

anos de idade. (O nome pelouro advém do

formato das bolas de cera que eram similares

ao feitio de projéteis usados em certas

armas de artilharia.).

Símbolo da primeira eleição em Minas

Gerais, a urna de madeira utilizada na

votação de 1711 é uma das relíquias preservadas

pelo Museu Arquidiocesano de Arte

Sacra em Mariana. O objeto, segundo a

entidade, foi esculpido em cedro com detalhes

em ouro, é de origem portuguesa.

(Foto)

Foto: Cristiano Casimiro


Inspiradas na organização política que

existia em Portugal na época, as antigas

Câmaras concentravam funções dos atuais

Três Poderes: Executivo (executar obras e

administração da localidade), Legislativo

(fazer leis)e Judiciário (julgar sentenças).

Assim, era a Câmara quem punia, fiscalizava,

criava as leis e ainda administrava a vila,

como também, o camarista, senador ou juiz

(nomes dados aos integrantes das Câmaras

do período colonial até o início do século XX)

tinham poderes bem amplos.

Em uma época em que ainda não havia a

separação dos poderes, as câmaras

possuíam amplas funções: cuidavam das

leis gerais e das posturas do Município, dos

abastecimentos de gêneros alimentícios, da

higiene e da saúde local, da segurança, das

obras e construções de necessidade, da

assistência social e fiscalização e cobrança

de taxas.

As atas de reuniões da Câmara de Mariana

que estão no Arquivo Histórico da Câmara

Municipal de Mariana (AHCMM) revelam

detalhes curiosos sobre as funções dos

vereadores, que se reuniam às quartasfeiras

e sábados e trabalhavam de graça.

Era um trabalho voluntário, exercido

geralmente por pessoas mais velhas e que

usufruíam de “certo” respeito na vila.

Ata da primeira eleição da

Casa de Câmara da Vila de

Nossa senhora do Carmo

04de julho de 1711

Termo eleição da Câmara da Vila de Nossa Senhora do Monte Carmo

Aos quatro dias do mês de mil e setecentos e onze nesta Vila de Nossa Senhora do Carmo de Albuquerque,

novamente erigida neste Arraial do distrito do Ribeirão de Nossa Senhora do Monte Carmo. No Palácio em que

mora o Senhor Governador e Capitão Geral Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho , sendo ali convocado o

povo e principal nobreza deste distrito, foi por ele dito Senhor Governador dito geralmente a todos se devia fazer

eleição para a governança e oficiais da Câmara da dita Vila, pois se achava levantada na forma das ordens de Sua

Majestade que deus guarde, assim lhe recomendava votassem e chegassem a seis sujeitos capazes para eleitores

, e se fazer a dita eleição na forma e como dispõe a ordenação do Reino, e sendo por todos a mais votos eleitos

o Capitão-Mor Pedro Frazão de Brito, Manoel de Campo, Domingos Fernando Pinto, José Rebelo Perdigão, José

de Campos, Paulo da Costa e Rafael da Silva. (as) os quais o dito Senhor Governador e Capitão Geral lhe (s) deu

logo o juramento na forma do estilo, e divididos na mesma casa dois a dois, fizeram seus róis que, digo, assinados

que apresentaram ao dito Senhor Governador, o qual conferindo-os , conformando –se com os votos, melhor

conhecimento dos sujeitos, e atendendo ao mais conveniente( como constados mesmos róis) ficaram eleitos para

servirem n Câmara o presente ano: para Juiz mais Velho Pedro Frazão de Brito, e mais moço José rebelo

Perdigão, vereador mais velho Manuel Ferreira de Sá, 2º francisco Pinto de Almeida, 3º Jacinto Barbosa lopes, e

procurador Torquarto Teixeira de Carvalho, e de como assim fez, e finda a dita eleição, mandou o senhor

Governador e Capitão Geral fazer aqui neste termo, que assinou, ordenando-me remetesse logo a cópia dele para

registrar nos livros da Câmara assim que os oficiais dela procurarem: e eu Manuel Pegado, secretário deste

governo o escrevi – Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho.

Transcrição: Revista do Arquivo Público Mineiro, 1897- Ano 2

atualização: Gustavo Campos Vieira- Revisão Ronald Polito

33

Referência:

Arquivo Público Mineiro

Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Mariana


ESCUTA GUIADA

Museu da Música de Mariana

Foto:Vitor Gomes


Uma Escuta Guiada pelo

Museu da Música de Mariana

Vitor Gomes

Músico - Mestre em Educação

Ofazer musical na cultura brasileira

tem grande importância, basta

notarmos como seu uso se capilariza

por diversas instâncias das nossas

interações. É possível compreender a

música como produto da convivência e

explicar aspectos importantes do desenvolvimento

humano ao observar o costume

musical dos indivíduos. Há lugares, espaços

físicos que definem as categorias das

quais a música faz parte. Embora não seja

simples, é possível perceber que cada

espaço de encontro possui sua sonoridade,

parâmetros de intensidade, duração e uma

ou mais músicas que lhe são recorrentes.

A relação com o trabalho musical, dinâmica

nos espaços em que a música soa, demanda

sujeitos que se ocupem do seu preparo e

execução. A obra, determinada pela linguagem

que concerne à música enquanto arte,

desencadeia sentidos subjetivos nos integrantes

da cadeia, ouvinte, intérprete,

compositor dentre outros, pelos quais o som

é intencionalmente dirigido. Muito é tematizado

no conteúdo dessas obras musicais,

fala-se do próprio homem, sobre o bem, o

mal, a vida, a morte, o amor, o encontro, a

separação, Deus, deuses e tudo que é

desencadeado pela sua existência. Por isso

a música é pré-histórica no que diz respeito

aos sujeitos, suas invocações e inspirações,

seja pela textualidade verbal ou essencialmente

musical.

No Museu da Música de Mariana é possível

vivenciar, por meio de fontes documentais,

experiências musicais muito atípicas. É

como transitar em meio a uma prática

musical que não coexiste em nosso tempo.

Percebe-se a força de um antigo meio de

transmissão das obras que, sobretudo com

36

a simplicidade do acesso ao registro eletrônico

digital, se tornou específico e sinônimo

da alta erudição no tempo presente: a

cultura manuscrita musical.

O Museu da Música de Mariana é uma

instituição fundada em 06 de julho de 1973,

por Dom Oscar de Oliveira, terceiro

Arcebispo de Mariana. Por isso, há uma

prévia vocação ao recolhimento de documentos

musicais, partituras e instrumentos

do contexto da Igreja Católica, que tiveram

lugar no ciclo do ouro. Estima-se que a

primeira coleção de fontes musicais do

contexto colonial recolhidas ao Arquivo

Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, de

onde se desmembrou o Museu da Música,

foi proveniente da Catedral de Mariana.

O início da história da instituição é marcado

pela série de 13 artigos intitulados “música

sacra e liturgia” publicados por Dom Oscar

de Oliveira no jornal marianense “O

Arquidiocesano”, pela qual tornou-se

amplamente conhecida na região arquidiocesana

a iniciativa deste Museu. Tal divulgação,

associada às visitas pastorais do

Arcebispo às mais de 180 paróquias da

Arquidiocese na década de 1970, possibilitou

a integração de fundos documentais

provenientes de outras 29 localidades da

região mineradora central do estado, tornando

a Coleção Dom Oscar de Oliveira

uma das mais importantes seções documentais

sobre a produção da música sacra

dos séculos XVIII e XIX.

Dada a condição singular das fontes que

compõem tal acervo, a Unesco atribuiu-lhe,

em 2010, o importante Registro Regional da

América Latina e o Caribe.


Foto:Vitor Gomes


Após quase 50 anos sucessivos de sistemática

organização e da passagem de inúmeros

especialistas, cruciais à organização do

Acervo do Museu da Música, a Coleção

Dom Oscar de Oliveira, bem como outras

seções integradas a posteriori, chegaram

ao século XXI sob devido tratamento arquivístico-musical,

contando com a publicação

de 10 livros, 09 álbuns musicais, a abertura

e expansão de módulos expositivos destinados

mediação das fontes documentais,

onde o visitante pode ter impressões sonoras

e visuais adjacentes ao conteúdo musical

que ora se apresentaria apenas manuscrito

ou impresso no documento.

Quando um lote de manuscritos chega ao

Museu da Música, vem ainda envolvido pelo

trato de seu arconte primário, conduzido

pela essência arquivística do mesmo. Na

apreensão desse sentido também se

estende o ato educativo: discutimos, para

além do valor estético destas fontes musicais,

seu teor educativo na atualidade.

O conceito de exposição adotado pelo

Museu da Música possibilita atualmente

que os visitantes percorram quatro salas,

sendo apresentados, na primeira, a antigos

livros que serviram à organização musical

do calendário litúrgico. Trata-se de livros

vindos de Portugal a partir de 1745 que,

datados entre o século XVI e o século XX,

contêm a mais elaborada prática de notação

musical do Canto Gregoriano.

O canto Gregoriano é o canto próprio da

Igreja Católica, composto sobre textos

bíblicos, orações e salmos. Originalmente,

tem a função de aumentar o decoro das

ações litúrgicas convocando a atenção dos

fiéis aos textos sagrados. É um gênero de

música vocal monofônica, monódica, tem

ritmo livre e não medido, seguindo o ritual

litúrgico católico romano. Um dos aspectos

que tornam tão singular o vislumbrar dos

livros de canto, missais e graduais está no

fato de serem muitos deles manuscritos,

apresentando neumas correntes desde a

idade média.

Desde 1711, a edificação que viria ser a Sé

marianense, recebeu o título de Matriz

37

c o n s a g r a d a a N o s s a S e n h o r a d a

Conceição. Em 1745, com a criação da

Diocese de Mariana, a matriz foi elevada a

Catedral tendo como orago Nossa Senhora

da Assunção. Não é possível um entendimento

claro sobre o patrimônio históricomusical

brasileiro, sem abordarmos nossa

história eclesiástica já contada a partir de

pesquisas realizadas e textos já escritos.

Dom Frei Manoel da Cruz, o primeiro bispo

de Mariana, ainda no ano de sua chegada,

passou à constituição do cabido: quatro

dignidades (arcediago, arcipreste, chantre e

tesoureiro mor); dez cônegos; doze capelães;

um mestre de cerimônias do bispo; um

mestre de cerimônias do cabido; quatro

moços de coro, um sacristão, dois mestres

de capela, um organista, dois sacristãos e

um porteiro de massa. A esse Cabido, o

agrupamento de cônegos e outros sacerdotes,

instituído para assegurar o serviço

religioso e colaborar no governo da diocese,

serviram os livros que ora estão em exposição.

O canto gregoriano, no contexto teórico

musical, é também usado para a análise da

condução e abertura das vozes, o exercício

do contraponto e o desenvolvimento da

polifonia que, na música chamada ocidental,

após uma extensa transformação,

acarreta práticas específicas de afinação e

harmonização, cuja normatização ainda

vigora até o presente. Dada sua conformação

litúrgica, tais livros serviram de fonte

primária aos compositores que de alguma

maneira se vincularam ao contexto eclesiástico

catedralício de Mariana e seu

entorno, para criar e adaptar as belíssimas

obras polifônicas da música colonial.

Na segunda sala, onde é possível ver de

perto e ouvir a música grafada nos manuscritos

dos séculos XVIII e XIX, hoje soam

como inéditos. Vê-se o texto musical gregoriano,

seus neumas e melismas, vigentes na

Europa no século XVIII, lado a lado a exemplos

de seu respectivo uso na polifonia

transcrita pelos músicos mineiros.


Foto:Vitor Gomes


Nesta sala, figura a continuidade de uma

incrível trajetória, a da cultura do escrito

musical que, em terras mineiras, tem aspectos

próprios a começar pelos sujeitos que se

ocuparam, exclusivamente, desta forma de

fazer circular a música, fazendo-a educativa

e alcançando seu letramento, sua alfabetização,

seu repertório.

Na terceira sala, ouve-se o conteúdo relacionado

às práticas musicais mineiras já

descontinuadas. Compõe-se de repertório

de peças que problematizam aspectos

identitários vigentes nas representações

culturais feitas nas instâncias domésticas,

nas quermesses, nas danças de salão e,

finalmente, nos coretos das praças. O uso

da música para a educação da mulher no

final do século XIX, a cultura impressa que

relativiza a moda por meio das capas das

peças para piano, uma história da educação

musical pouco explorada, que descortina

outros pontos de partida para a música

popular de hoje.

Na quarta sala, em clássica expografia

desenhada em 2007, é possível conhecer o

maior projeto desenvolvido até os dias hoje

no contexto musicológico brasileiro, pela

qual soa a música de compositores que

atuaram profissionalmente compondo

música para coro e orquestra. Apontam-se

aspectos da sua biografia e do labor para

que fosse composta a sua obra. Ressaltase,

na sua trajetória, o fato de serem negros

e pardos e ascenderem socialmente por

meio do fazer musical, usando elementos

que caracterizam a música mineira pela

sonoridade e pelos traços de quem a faz.

A seguir é possível ainda visitar uma pequena

mostra tridimensional onde estão exibidos

instrumentos de teclado, de uso característico

na região, ver partes do incrível

órgão da Sé, instalado no começo da

segunda metade do século XVIII; e instrumentos

descontinuados, oriundos de

corporações musicais centenárias de

Mariana e do entorno.

Os projetos sociais do Museu da Música, ao

completar 45 anos de sua instituição, tem

como eixo principal ações educativas que

visam mediar as fontes documentais,

situando o público sobre as condições em

que foram produzidas. O resultado almejado

é que o público possa ressignificar esse

espaço e as fontes, criando novos significados

no tempo presente.

Foto:Vitor Gomes


Foto:Vitor Gomes


Foto: Márcio Lima


Órgão Arp Schnitger da Catedral de Mariana

43

A catedral da Sé de Mariana guarda um

precioso tesouro musical – um órgão

construído em 1701, em Hamburgo

(Alemanha), por Arp Schnitger (1648-

1719), um dos maiores construtores de

órgãos de todos os tempos. Enviado

inicialmente a uma Igreja Franciscana em

Portugal, o órgão chegou ao Brasil em

1753, como presente da coroa portuguesa

ao primeiro Bispo de Mariana.

É um instrumento de grande importância,

tanto pela sua antiguidade e comprovada

autoria, quanto por ter sido objeto de um

amplo trabalho de restauração. Entre os

órgãos da manufatura Schnitger que

sobreviveram até hoje, esse é um dos

exemplares mais bem conservados e o

único que se encontra fora da Europa. O

instrumento está sendo estudado, a fim

de fazer parte do tombamento internacional

de órgãos da manufatura Arp

Schnitger pela Unesco.

Construído na Alemanha, provavelmente

em 1701, esse órgão passou um período

em Portugal e, tendo sido colocado à

venda em 1747, foi adquirido das mãos do

organeiro João da Cunha pelo Rei D.

João V que pretendeu enviá-lo à Mariana,

mas que faleceu antes disso acontecer.

Assim, seu filho D. José I fez do órgão um

presente à récem criada Diocese de

Mariana que, já em 1748, mantinha, em

sua Sé, um organista: Pe. Manuel da

Costa Dantas e um mestre de capela: Pe.

Gregório dos Reis Melo.

Desde sua instalação, em 1753, o órgão

Arp Schnitger foi o centro de uma intensa

atividade musical na Sé de Mariana, cuja

memória escrita é o acervo de partituras

do Museu da Música, que abriga obras de

compositores do período colonial. São

compositores de várias cidades do

Estado e do país. Após muitos anos de

funcionamento ininterrupto, nos quais por

algumas vezes recebeu algumas modificações

visando adaptá-lo ao gosto

vigente na época, por volta da década de

30 o órgão da Sé parou de funcionar.

Somente na década de 70, após pesquisas

sobre a sua procedência e do reconhecimento

de sua importância para o

acervo de instrumentos musicais não só

brasileiro, mas também mundial, foi feito

um esforço concentrado para a restauração

do instrumento.

Na década de 1970 o organista alemão

Karl Richter esteve em Mariana a convite

do Arcebispo D. Oscar de Oliveira para

fazer uma avaliação do instrumento que

continha, no interior de sua caixa, um

grande número de peças originais preservadas

e considerou esse instrumento um

órgão muito importante, saído provavelmente

da manufatura de Arp Schnitger.

Após essa visita, os elementos musicais

do órgão foram enviados a Hamburgo,

Alemanha, onde foram reformados.

Reinaugurado em 1984 o Órgão Arp

Schnitger voltou a ser centro da vida

musical de Mariana, acompanhando

missas e celebrações litúrgicas, além de

ser apresentado em concertos regulares.

No ano de 1997, ocorreu a outra restauração.

A afinação foi mudada para um

sistema mais condizente com a época de

construção do instrumento e alguns

r e g i s t r o s f o r a m r e c o n s t r u í d o s

Juntamente com a restauração foi refeita

a pesquisa histórica do instrumento,

visando o levantamento de mais dados

desde a sua construção até a chegada em

Minas, assim como suas diferentes

funções ao longo de sua história.

É um instrumento de grande importância,

tanto pela sua antiguidade e comprovada

autoria, quanto por ter sido objeto de um

amplo trabalho de restauração. Entre os

órgãos da manufatura Schnitger que

sobreviveram até hoje, esse é um dos

exemplares mais bem conservados e o

único que se encontra fora da Europa.

Nos últimos anos foi alvo de estudos, a fim

de fazer parte do tombamento internacional

de órgãos da manufatura Arp

Schnitger pela Unesco.

Referência:

www.orgaodase.com.br


16 anos da 16 de Julho

Mariana é a cidade mineira com maior

número de corporações musicas (bandas

sinfônicas) são onze: Três das bandas civis

de Mariana estão localizadas na sede e oito

estão nos distritos.

A aniversariante do mês de julho é a

Sociedade Musical 16 de Julho. Fundada

no dia 16 de julho de 2002, por Nely Gomes

de Freitas, Geraldo Magela Reis, Iraci

Ramos Reis e Magaly do Reis de Freitas,

Parabéns

passou a ter expressiva participação nas

festividades da comunidade.

É uma instituição sem fins lucrativos que

teve como princípio base para sua fundação

o resgate da cultura da banda e um meio de

alegrar e abrilhantar as festividades da

comunidade, é a banda mais nova do

município.

Sociedade Musical 16 de Julho !

Arquivo da Corporação Musical


A Revista Mariana Histórica e Cultural disponibiliza gratuitamente, em parceria com a

MASTERIX Sistemas, o mais completo site sobre a cultura e a história de Mariana na

rede mundial de computadores. A empresa MASTERIX é referência em sistemas

e soluções inteligentes para web há mais de doze anos.

www.marianahistoricaecultural.com.br

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!