Revista SECOVIRIO - 107
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REVISTA<br />
JULHO/AGOSTO 2017 - venda proibida<br />
nº<strong>107</strong><br />
CURTINHAS<br />
pág. 5 » 7<br />
ENTREVISTA<br />
pág. 8 » 18<br />
JURÍDICO<br />
pág. 22 » 26<br />
CAPA<br />
pág. 27 » 36<br />
Fugindo dos tradicionais prédios corporativos,<br />
novos negócios ocupam edifícios históricos
Garanta o funcionamento<br />
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de gás 365 dias do ano<br />
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1. Oferta válida para as unidades conectadas à rede de gás natural canalizado da Distribuidora local. A oferta de serviços/equipamentos pela GNS não possui qualquer relação com as atividades da Concessionária de distribuição de gás local, não sendo esta<br />
responsável por qualquer problema referente a equipamentos ou quanto à instalação/obras realizadas. Consulte os modelos de equipamentos que são cobertos pelo Plano. 2. No ano em que a distribuidora de gás local notificá-lo quanto à necessidade<br />
de realização da Inspeção Periódica de Gás (IPG), prevista em Lei (nº 6.890/2014), a Gas Natural Serviços priorizará a IPG em sua residência e não realizará a Revisão Preventiva Anual (RPA) naquele ano de Contrato.
SUMÁRIO<br />
DIRETORIA/EXPEDIENTE<br />
ENTREVISTA<br />
CONSULTAS JURÍDICAS<br />
2<br />
8<br />
PALAVRA DO PRESIDENTE<br />
CONDOMÍNIOS<br />
VERDES<br />
CAPA<br />
4<br />
19<br />
CURTINHAS<br />
JURÍDICO<br />
NOSSOS LUGARES<br />
5<br />
22<br />
JULHO•AGOSTO 2017 / nº <strong>107</strong><br />
24<br />
27<br />
38<br />
OUTROS OLHARES<br />
INDICADORES<br />
HABITACIONAIS<br />
MATÉRIA ESPECIAL<br />
50<br />
54<br />
58<br />
ANTIGO SIM, OBSOLETO JAMAIS<br />
Um imóvel pode ser um amontoado de argamassa, ferro e tijolos, estruturado à luz de um<br />
projeto arquitetônico. Mas um imóvel também pode ser um lar, desde que haja uma história que<br />
dê sentido a ele. Uma reflexão similar foi feita há mais de 50 anos em uma canção escrita pelos<br />
americanos Burt Bacharach e Hal David.<br />
"Uma cadeira é uma cadeira, mesmo quando não há ninguém sentado nela. Mas uma cadeira<br />
não é uma casa, e uma casa não é um lar quando não há ninguém para abraçá-lo forte", anuncia<br />
a intérprete Dionne Warwick nos versos de "A House Is Not a Home". A mensagem é clara, mas,<br />
para além do amor romântico, também é possível pensar a cidade a partir desse conceito<br />
poético. No fim das contas, o que faz uma casa, um condomínio, um bairro, uma cidade?<br />
Um prédio pode ser um retrato congelado de outra época ou um ambiente de reconexão com<br />
nosso processo de desenvolvimento. Nesse sentido, que tal aprender com a história, fugindo de<br />
anacronismos, e, quem sabe, perceber o que podemos resgatar dela? Essa é uma das reflexões e<br />
provocações que lançamos ao leitor na edição que você tem em mãos.<br />
Em nossa matéria principal, você vai conhecer histórias de jovens empreendedores que se<br />
propõem a desenvolver seus negócios, muitas vezes altamente conectados à modernidade, em<br />
prédios históricos. Ao transformar por dentro, dando um novo significado a casarões que<br />
poderiam simplesmente se deteriorar ou, quando muito, se tornar espaços para visitação guiada,<br />
essas iniciativas revelam o quanto aquilo que vivemos em outros tempos ainda pode fazer a<br />
diferença hoje. Afinal, um lugar cheio de História também pode ser um lugar cheio de (novas)<br />
histórias.<br />
EQUIPE SECOVI RIO
DIRETORIA/EXPEDIENTE<br />
DIRETORIA SECOVI RIO<br />
Efetivos<br />
Presidente: Pedro José Maria Fernandes Wähmann<br />
Vice-Presidente: Leonardo Conde Villar Schneider<br />
Vice-Presidente Financeira e de Desenvolvimento: Maria Teresa Mendonça Dias<br />
Vice-Presidente Administrativo: Ronaldo Coelho Netto<br />
Vice-Presidente de Marketing: João Augusto Pessôa<br />
Vice-Presidente Jurídico: Rômulo Cavalcante Mota<br />
Vice-Presidente de Assuntos Condominiais: Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa<br />
Vice-Presidente de Locações: Antonio Paulo de Garcia Monnerat<br />
Vice-Presidente de Relações do Trabalho: Dennys Abdalla Muniz Teles<br />
Suplentes<br />
Aldo Fernando Villar Hecht da Fonte; Antonio Carlos Ferreira; Antonio Henrique Lopes da Cunha; Frederico Honorato Rodrigues Moreira; Germana<br />
Aragão de Mesquita Aguiar; Luiz Alberto Queiroz Conceição; Luis Carlos Bulhões Carvalho da Fonseca Filho; Pedro Carlos Carsalade<br />
CONSELHO FISCAL<br />
Efetivos<br />
Dorzila Irigon Tavares; Marco Antonio Moreira Barbosa<br />
Suplentes<br />
Antonio José Fernandes Costa Neto; Marco Antonio Valente Tibúrcio; Marco Antonio Vieira de Mello<br />
DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO À FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO<br />
Efetivos<br />
Pedro José Maria Fernandes Wähmann; Manoel da Silveira Maia<br />
Suplentes<br />
João Augusto Pessôa; Ronaldo Coelho Netto<br />
CONSELHO DE RELAÇÕES DO TRABALHO<br />
Dennys Abdalla Muniz Teles (presidente); Alexandre Hermes Rodrigues Corrêa; Fernando Schneider; Maria Teresa Mendonça Dias<br />
REGIONAIS SECOVI RIO<br />
Regional Baixada Fluminense<br />
Av. Governador Roberto Silveira, 470, sala 412, Centro, Nova Iguaçu - RJ<br />
(Edifício Top Commerce)<br />
CEP: 26210-210<br />
Telefone: (21) 2667-3397<br />
E-mail: baixadafluminense@secovirio.com.br<br />
Regional Lagos<br />
Avenida Júlia Kubitschek, 16, loja 19, Bloco B, Parque Rivera, Cabo Frio - RJ<br />
(Edifício Premier Center)<br />
CEP: 28905-000<br />
Telefone: (22) 2647-6807<br />
E-mail: lagos@secovirio.com.br<br />
Regional Litorânea<br />
Av. Ernani do Amaral Peixoto, 334, sala 1.009, Centro, Niterói - RJ<br />
CEP: 24009-900<br />
Telefone: (21) 2637-1633<br />
E-mail: litoranea@secovirio.com.br<br />
Regional Noroeste Fluminense<br />
Praça São Salvador, 21, sala 904, Centro, Campos dos Goytacazes - RJ<br />
CEP: 28010-000<br />
Telefone: (22) 2738-1046<br />
E-mail: noroestefluminense@secovirio.com.br<br />
Regional Norte Fluminense<br />
Avenida Rui Barbosa, 1.043, sala 201, Centro, Macaé - RJ<br />
CEP: 27910-362<br />
Telefone: (21) 2772-3714<br />
E-mail: nortefluminense@secovirio.com.br<br />
Regional Serra Imperial<br />
Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95, sala 406, Centro, Petrópolis - RJ<br />
CEP: 25680-195<br />
Telefone: (24) 2237-5413<br />
E-mail: serraimperial@secovirio.com.br<br />
Representante: José Roberto Bittencourt Sauer<br />
Regional Serra Norte<br />
Rua Doutor Ernesto Brasílio, 45, sala 205, Centro, Nova Friburgo - RJ<br />
CEP: 28610-120<br />
Telefone: (22) 2523-7513<br />
E-mail: serranorte@secovirio.com.br<br />
Representante: Gabriel de Freitas Ruiz<br />
Regional Serra Verde<br />
Av. Feliciano Sodré, 460, loja 3, Várzea, Teresópolis - RJ<br />
CEP: 25963-082<br />
Telefone: (21) 2742-2102<br />
E-mail: serraverde@secovirio.com.br<br />
Representante: Henrique Luiz Rodrigues<br />
Regional Sul Fluminense<br />
Rua Dezesseis, 109, sala 1.101/A3-cobertura, Vila Sta. Cecília, Volta Redonda - RJ<br />
(Edifício Vila Shopping)<br />
CEP: 27260-110<br />
Telefone: (24) 3339-2272<br />
E-mail: sulfluminense@secovirio.com.br<br />
Representante: Vanisi de Oliveira Ferreira<br />
SEDE<br />
Av. Almirante Barroso, 52/9º andar, Centro, Rio de Janeiro - RJ<br />
CEP: 20031-918<br />
Telefone: (21) 2272-8000 - Fax: (21) 2272-8001<br />
E-mail: secovi@secovirio.com.br<br />
A <strong>Revista</strong> Secovi Rio é uma publicação institucional, bimestral, do<br />
Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração<br />
de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais em todo o<br />
Estado do Rio de Janeiro.<br />
EXPEDIENTE<br />
Conselho Editorial: Pedro Wähmann e João Augusto Pessôa<br />
Gerente de Marketing e Comunicação: Marcos Mantovan<br />
REDAÇÃO<br />
imprensa@secovirio.com.br<br />
Jornalistas responsáveis: Gustavo Monteiro (25.140 MTE/RJ)<br />
e Igor Augusto Pereira (2.629 MTE/GO)<br />
Redação: Amanda Gama, Carla Neiva, Gustavo Monteiro e Igor<br />
Augusto Pereira<br />
Projeto gráfico e diagramação: Henrique Vasconcellos<br />
Revisão: Sandra Paiva<br />
Colaboraram nesta edição: Daniel Santos de Abreu e Natália Fuly<br />
Foto de capa: Alexandre Macieira/RioTur<br />
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Elcias Teodoro (21) 2272-8009 - (21) 99789-6454<br />
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A revista reserva-se o direito de não aceitar publicidade sem<br />
fundamentar motivação de recusa.<br />
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Tiragem: 22.000 exemplares. Distribuição gratuita.<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 2
PALAVRA DO PRESIDENTE<br />
Julho é mês de férias para muitas famílias, principalmente as que<br />
têm crianças e jovens em idade escolar. Mas, para o Secovi Rio,<br />
não tem descanso. Um de nossos trabalhos permanentes é<br />
acompanhar de perto a atuação legislativa nos âmbitos<br />
municipal, estadual e federal, levando sugestões, propondo<br />
alterações em leis, se necessário, e intervindo quando considerar<br />
que uma determinada proposição relacionada à atividade imobiliária mereça apreciação.<br />
Recentemente, por exemplo, o Sindicato se mobilizou contra o Projeto de Lei Municipal<br />
nº 1.978/2016, que prevê que os condomínios que oferecem moradia para seus<br />
empregados ficarão impedidos de solicitar a desocupação do imóvel caso o funcionário<br />
tenha dependente menor de idade em período letivo. Nossa equipe de Coordenação de<br />
Relações Político-Institucionais entrou em ação e enviou um parecer considerando a<br />
proposição inconstitucional, já que assuntos ligados a Direito do Trabalho são de<br />
competência da União. É nosso dever apontar aos legisladores quando estão<br />
ultrapassando seu limite e competência de legislar.<br />
Este é apenas um exemplo, entre tantos outros, de projetos de lei que podem<br />
comprometer a tranquilidade e o equilíbrio financeiro dos condomínios fluminenses. Ao<br />
longo de todo o ano, atuamos também junto ao Executivo, participando de conselhos,<br />
debatendo e propondo ações para desenvolvimento do segmento imobiliário e da<br />
cidade como um todo. Isso sem falar nos entendimentos frequentes com entidades<br />
como a Light, a CEG, a Comlurb e o Sindistal (Sindicato da Indústria de Instalações<br />
Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Rio de Janeiro), que têm como objetivo pensar<br />
em soluções que gerem economia e facilidades aos moradores de condomínio.<br />
Outro assunto que merece a atenção de todos é a pretensão do Executivo municipal de<br />
aumentar a arrecadação com o IPTU no Rio, o que deverá ser analisado e votado em<br />
breve na Câmara de Vereadores. Há rumores de que o prefeito poderia alterar<br />
substancialmente o imposto para os imóveis residenciais, em alguns casos até dobrar, o<br />
que comprometeria seriamente a capacidade contributiva da população, mais ainda<br />
num momento em que todos sofrem com a crise econômica. O<br />
papel do Secovi Rio, como de toda a sociedade civil organizada, é<br />
exigir dos poderes constituídos mais austeridade e racionalidade<br />
nos gastos públicos. Ninguém aguenta mais aumento de impostos<br />
sem contrapartida de serviços públicos eficientes. Convocamos a<br />
todos os leitores que fiquem atentos a esta questão. Nós, do Secovi<br />
Rio, estamos atentos e participaremos dos debates.<br />
Pedro Wähmann<br />
Presidente do SECOVI RIO<br />
Sua opinião é muito importante<br />
Quer mandar um comentário sobre esta edição<br />
ou sugerir uma pauta?<br />
Envie um e-mail para imprensa@secovirio.com.br<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 4
CURTINHAS<br />
Bom vizinho<br />
Nem todo mundo se dá bem com o vizinho. Muita<br />
gente tem uma relação apenas protocolar com quem<br />
mora ao lado, limitando-se a cumprimentar quando<br />
passa pelo corredor ou naqueles segundos em que<br />
compartilha o elevador. Outros só dirigem a palavra<br />
para reclamar do barulho. Quer um bom pretexto para<br />
mudar esse cenário? Que tal se juntar para celebrar o<br />
Dia do Vizinho?<br />
A data foi criada pela poetisa goiana Cora Coralina.<br />
Segundo o cineasta Lázaro Ribeiro de Lima, a ideia<br />
surgiu quando um grupo de pessoas próximas tentou<br />
organizar uma festa de aniversário para a escritora.<br />
Ela não aceitou e disse que preferia aproveitar a data<br />
para realizar uma celebração aberta, com a<br />
participação de quem morava nos arredores. Assim, o<br />
dia 20 de agosto, aniversário de Cora, virou o Dia do<br />
Vizinho.<br />
Dá para aproveitar esse dia para enviar um mimo ou<br />
bilhete ao vizinho, dizendo que está ali para o que ele<br />
precisar. Outra opção é organizar um pequeno jantar,<br />
em que cada um contribua com um prato. Em alguns<br />
estados, o Dia do Vizinho é comemorado em 23 de<br />
dezembro. Na dúvida, você pode celebrar nos dois<br />
dias. A pessoa homenageada vai estar na porta ao<br />
lado.<br />
Rio smart<br />
Já ouviu falar em smart cities, as cidades<br />
inteligentes? São locais em que a<br />
tecnologia é utilizada no processo de<br />
gestão, conectando cidadãos e o poder<br />
público. O Rio de Janeiro será o primeiro<br />
município brasileiro a ganhar um<br />
laboratório focado especificamente nesse<br />
estudo, graças a uma parceria entre a<br />
Agência Brasileira de Desenvolvimento<br />
Industrial e o Inmetro. A ideia é<br />
desenvolver soluções que ajudem a<br />
garantir a qualidade dos serviços urbanos,<br />
como luz e esgoto, a prevenir desastres,<br />
entre outros objetivos.<br />
Horta fácil<br />
Gostaria de cultivar uma pequena horta em casa,<br />
mas não sabe por onde começar? O ponto de<br />
partida pode estar nos alimentos que você já<br />
tem. Basta utilizar alguns conhecimentos<br />
básicos em hidroponia, a técnica de plantar na<br />
água. O alecrim, a hortelã e o manjericão, por<br />
exemplo, podem ser cultivados em um copo<br />
d’água. Basta colocar as ramas da hortaliça no<br />
recipiente e trocar o líquido a cada dois dias.<br />
Quando as raízes tiverem começado a crescer, é<br />
só transferir a muda para um vasinho com terra.<br />
Shutterstock<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 5
Descarte adequado<br />
Jogar remédios vencidos no lixo comum não é a<br />
melhor maneira de se livrar deles. Se descartados<br />
no aterro sanitário, eles podem contaminar o solo e<br />
o lençol freático. A solução pode ser entregá-los a<br />
drogarias que os recebem e encaminham para o<br />
incineramento. Estima-se que 1kg de<br />
medicamentos fora da validade pode contaminar<br />
até 450 mil litros de água. Por isso, na hora de jogar<br />
fora aquela cartela de comprimidos, verifique se há<br />
algum posto de coleta perto de casa. Consulte uma<br />
lista de locais de descarte no endereço eletrônico<br />
roche.ecycle.com.br.<br />
Flor antidengue<br />
Todo mundo sabe a regra de ouro<br />
do combate ao Aedes aegypti:<br />
evitar a proliferação do mosquito,<br />
identificando focos de água<br />
parada que sirvam como<br />
criadouros. O que nem todo<br />
mundo sabe é que há, ainda, uma<br />
forma de complementar a guerra<br />
ao transmissor da dengue, zika e<br />
chikungunya. Um grupo de<br />
voluntários ligados à ONG Active<br />
Citizens decidiu plantar a flor<br />
crotalária (Crotalaria juncea) em<br />
canteiros do bairro Trindade, em<br />
São Gonçalo. A planta costuma<br />
atrair libélulas que são predadoras<br />
do mosquito em sua forma de<br />
larva, diminuindo a incidência do<br />
inseto. É importante dizer que o<br />
plantio não substitui os cuidados<br />
básicos na luta contra o Aedes<br />
aegypti.<br />
Intruso digital<br />
A conexão de internet da sua casa está muito lenta, você já<br />
realizou todos os procedimentos-padrão, entrou em contato<br />
com a operadora e o serviço continua ruim? A razão pode ser<br />
uma sobrecarga em sua rede doméstica, causada pelo uso<br />
indevido de algum desconhecido. O app Wifi Inspector,<br />
disponível para os sistemas Android, ajuda a detectar intrusos.<br />
Basta fazer o download e verificar que dispositivos estão<br />
conectados à sua rede. Caso desconheça algum aparelho,<br />
altere a senha do roteador e observe se a velocidade da<br />
conexão melhora.<br />
Shutterstock<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 6
De volta à ativa<br />
Hotel, cassino e sede de emissora de TV. Um<br />
clássico do Rio de Janeiro voltará à vida. O Istituto<br />
Europeo di Design (IED) anunciou que, a partir de<br />
outubro, iniciará as obras de revitalização do prédio<br />
onde funcionava o Cassino da Urca. O lugar passará<br />
a abrigar o Centro Latino-Americano de Inovação em<br />
Design e deverá ser o primeiro prédio sustentável<br />
tombado do Brasil.<br />
Rodrigo_Soldon/Flickr<br />
Por dentro<br />
Um sensor bem simples de usar promete fazer<br />
um verdadeiro raio X em paredes, identificando<br />
tubulações, fios e outras estruturas internas. A<br />
expectativa é que a ferramenta ajude na hora de<br />
realizar pequenas obras e reformas domésticas,<br />
mostrando os pontos em que é seguro quebrar<br />
ou fazer um furo. Para funcionar, o Walabot DIY<br />
deve ser acoplado a um celular, que exibirá tudo<br />
na tela. O aparelho é importado e custa em<br />
média 299 dólares.<br />
Na confiança<br />
Já ouviu falar sobre aqueles negócios feitos “no fio do<br />
bigode”, isto é, baseados na confiança mútua? Para<br />
um grupo de estudantes da Unirio, isso não está no<br />
passado. Os alunos criaram na universidade o<br />
“murinho da honestidade”, uma espécie de<br />
lanchonete a céu aberto, em que cada um<br />
disponibiliza brownies, brigadeiros e outros quitutes,<br />
e... vai embora. Quem se interessar pode pegar o que<br />
quiser e deixar o pagamento em uma caixinha ao lado,<br />
sem supervisão alguma. Os estudantes dizem que a<br />
iniciativa está dando certo e ninguém nunca saiu no<br />
prejuízo.<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 7
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
Amanda Gama<br />
Divulgação/ Agência Zero<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 8<br />
“Não é um show. Nunca foi só um show.”<br />
É assim que a produtora Roberta Medina explica o<br />
Rock in Rio, um projeto que cresceu, ganhou o<br />
mundo – com edições em Lisboa, Madri e Las<br />
Vegas – e cada vez mais se aproxima de tornar<br />
palpável o sonho do seu criador: um parque<br />
temático da música. A dias de retornar à sua<br />
cidade natal, o festival se prepara para fazer o<br />
carioca sonhar e cantar.<br />
Por isso mesmo, encontrar um tempinho na<br />
agenda da vice-presidente do Rock in Rio não é<br />
uma missão fácil. Mas, no meio da correria, ela<br />
abriu espaço para falar com a <strong>Revista</strong> Secovi Rio<br />
sobre sua trajetória, carreira, o evento e as<br />
expectativas para a sua 18ª edição (a 7ª no Rio),<br />
que está de casa nova: o Parque Olímpico.<br />
Aos 39 anos, ela trilha um caminho paralelo ao do<br />
pai, Roberto Medina (fundador do festival), já foi<br />
chamada de “prefeita da Cidade do Rock” e é uma<br />
das mentes por trás da megaestrutura. Não por<br />
acaso, chega a mais uma edição do Rock in Rio<br />
deixando mais que comprovado que tem talento e<br />
habilidade de sobra para superar o peso do<br />
sobrenome.
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
Fale um pouquinho sobre como foi a sua trajetória até chegar aonde você está hoje.<br />
Na verdade, começou dentro de casa. Tenho um pai muito inspirador, e a conversa dentro de casa<br />
não era exatamente sobre o que eu gostava de fazer, o que eu queria fazer... Era sempre sobre<br />
comunicação, realização de sonhos – a parte com a qual o Roberto se encanta muito. Tínhamos uma<br />
tradição de jantar juntos todos os dias, e cresci ouvindo muitas histórias. Mas, por mais que as<br />
pessoas possam se surpreender, não cresci com a realidade do Rock in Rio. Quando o primeiro<br />
aconteceu, eu tinha 6, quase 7 anos, e, no segundo, eu ia fazer 12. Então não tinha noção do que<br />
era esse mundo.<br />
Roberta<br />
Quando é que você começou a trabalhar de fato?<br />
Andre Luiz Moreira/Shutterstock<br />
Quando eu já estava com 17 anos, tinha vontade de trabalhar – meus pais começaram a trabalhar<br />
cedo, então minha referência sempre foi essa –, e a Artplan (agência de publicidade e eventos)<br />
estava fazendo uma promoção de Natal para o BarraShopping. Era um show de fim de ano da<br />
Disney, para o qual as pessoas podiam trocar as notas fiscais pelo ingresso. Por uma coincidência,<br />
passeando no shopping com meu pai, encontramos o gerente de marketing – na época, o Luís<br />
Roberto Marinho –, e eu comecei a participar da conversa. Então ele me convidou para estagiar na<br />
área de marketing. É óbvio que estava querendo agradar ao meu pai, então não levei aquilo a sério.<br />
Só que uma semana depois ele ligou e perguntou: “Vem ou não vem?” Não fazia ideia do que ia<br />
fazer, mas era fascinada pela Disney, então, para mim, qualquer coisa era boa.<br />
Roberta<br />
Não cresci com a realidade do<br />
Rock in Rio. Quando o primeiro<br />
aconteceu, tinha 6, quase 7 anos.<br />
Não tinha noção desse mundo<br />
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Av. Presidente Vargas, 583 / Sala 401 - Centro / RJ - CEP: 20.071-003<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 9
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
O que você fazia lá?<br />
Curiosamente, me botaram para fazer a ligação entre a equipe de marketing e a equipe de produção<br />
do show, que era externa, e foi aí que passei a conhecer a parte de produção de evento. Comecei a<br />
acompanhar planejamento de acesso de público, de organização de palco, som e luz... Eu me<br />
apaixonei completamente e não quis mais fazer outra coisa. Dali para a frente, surgiram outros<br />
projetos. Participei do primeiro ano da Árvore de Natal da Lagoa. Depois fui convidada para fazer<br />
essa coordenação do evento de dentro da agência. Isso foi em 1996, e nunca mais parei.<br />
Roberta<br />
A.RICARDO/Shutterstock<br />
E o Rock in Rio, como surgiu na sua vida?<br />
Em 2000, meu irmão e meu pai estavam trabalhando na venda do patrocínio para o Rock in Rio<br />
voltar a acontecer, e eu não estava participando desse processo. Quando o patrocínio foi fechado,<br />
entrei para ajudar na produção. Aí o Roberto pediu que eu fizesse a coordenação de produção do<br />
Rock in Rio, e eu, obviamente, disse “não”. Não fazia a menor ideia do que aquilo significava. Ele<br />
insistiu. Na terceira insistência, eu disse “tá bom”. O Rock in Rio 2001 foi minha grande faculdade,<br />
mestrado, doutorado... Com o privilégio de trabalhar, certamente, com os melhores profissionais do<br />
Brasil.<br />
Roberta<br />
PUBLICIDADE<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 10
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
Isso não gerava certa apreensão?<br />
Nikola Spasenoski/Shutterstock<br />
Eu tinha papel de coordenação, de aprovação de orçamento. Mas, claramente, estava mais<br />
aprendendo do que coordenando de verdade. Eu não tinha experiência para fazer aquele evento de<br />
forma alguma. Tenho certeza absoluta de que contribuí bastante, mas cada um no seu quadrado...<br />
Não tenho a menor ilusão de que era peça central naquele momento. Ali aprendi muitas coisas<br />
importantes sobre cuidado com as pessoas, sobre a humildade para aprender e ouvir. Foi muito<br />
enriquecedor. Passado isso, abrimos a Dream Factory, e, dois anos depois, o Roberto fecha o Rock in<br />
Rio Portugal. Eu fui produzir, e em 2005 decidimos que o evento ficaria lá, acontecendo de dois em<br />
dois anos. Então, nesse ano eu decidi me mudar para Portugal, deixar a Dream Factory e ficar focada<br />
nisso. Teve Rock in Rio também na Espanha e nos Estados Unidos. Outros projetos apareceram pelo<br />
caminho, mas prioritariamente a atenção é voltada para o Rock in Rio.<br />
Roberta<br />
Aliás, hoje você vive em Portugal. Por que tomou essa decisão?<br />
Aí foi uma questão muito pessoal mesmo. Descobri que a nossa personalidade pode se identificar<br />
com o estilo de uma cidade. Eu me identifiquei com a personalidade de Lisboa, com a frequência de<br />
uma cidade menor do que a nossa. Lá tem uma coisa muito construtiva: as pessoas não estão lá para<br />
atrapalhar. Infelizmente, no Brasil, a gente está sempre tendo que resolver coisas que aparecem<br />
para atrapalhar e não necessariamente ajudar a construir o que você está fazendo. Mas essa<br />
característica de lá é muito estimulante porque aumenta a possibilidade e a vontade de fazer. E,<br />
para mim, algo importante é o sentimento de que é possível fazer as coisas mudarem para melhor.<br />
Eu me identifiquei muito com isso. Mas enfim, com muito trabalho para ser feito, o Rock in Rio<br />
sendo realizado lá, as coisas acabaram contribuindo para eu ficar mais por lá.<br />
Roberta<br />
(Ser filha do Roberto Medina)<br />
facilitou muito meu acesso ao<br />
mercado, mas também trouxe<br />
expectativa e um nível de<br />
exigência bastante elevado<br />
De que maneira ser filha de quem você é interferiu nesse processo?<br />
Interferiu 100%. Acho que, obviamente, ele foi um grande cartão de visitas, abriu as portas mais<br />
facilmente, facilitou muito meu acesso ao mercado. Ele trouxe uma credibilidade que fez com que as<br />
pessoas me dessem atenção. É diferente de chegar lá completamente desconhecida. Mas também<br />
trouxe expectativa e um nível de exigência bastante elevado. E o meu próprio nível de exigência<br />
também se elevou muito para corresponder a essa facilidade e dar conta do recado.<br />
Roberta<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 11
ENTREVISTA • PEPE ROBERTA GUTIERREZ MEDINA<br />
Como é trabalhar com o pai?<br />
Matteo Chinellato/Shutterstock<br />
O Roberto é muito exigente. É um homem que não aceita “não”, para quem nada é impossível. Então<br />
nosso nível de dedicação é máximo. Tem que ser capaz de realizar. (Ser filha dele) foi, sem dúvida<br />
alguma, uma abertura de portas, mas trouxe também o outro lado. Nada é só bonito ou leve. Tem<br />
um preço a pagar de exigência e responsabilidade. Mas isso me levou a começar a fazer projetos<br />
próprios muito cedo. Eu tinha 22 anos quando a Dream Factory abriu. Ali eu estava gerindo uma<br />
empresa. Isso tem um peso.<br />
Roberta<br />
De que forma isso afetou seu amadurecimento profissional?<br />
Ocorre um processo de muita dúvida sobre se você tem valor ou se as pessoas estão lhe dando<br />
atenção só porque é filha dele, e isso foi uma das alavancas que me fez ter esse nível de exigência<br />
elevado. A gente precisa se provar de uma forma diferente. As pessoas que não têm essa<br />
expectativa, essa chancela, essa sombra, vão se construindo, se provando sem dever nada a<br />
ninguém. Mas, quando você chega com esse cartão de visitas assim, da família, alguém que tem<br />
visibilidade, já chega devendo.<br />
Roberta<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 12
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
Notei que você se refere a ele como Roberto...<br />
Sempre que eu falo de trabalho, é Roberto. Tem que<br />
ser! É muita responsabilidade para a mesma pessoa.<br />
Tem que tratar em parte como pai, em parte como<br />
presidente.<br />
Roberta<br />
Qual foi a maior diferença entre realizar o evento aqui e em Lisboa?<br />
O que acaba fazendo a maior diferença é a cultura. Você chega a um país, apesar de ser um projeto<br />
de linguagem internacional, e tem que se adaptar ao gosto local. Quando chegamos a Portugal, a<br />
história do Rock in Rio era importante para dar credibilidade. Mas tivemos que dar uma cara nova<br />
para o público português. Ali você começa uma nova história, uma relação de cativar público, e no<br />
processo se aprende muito. Você está chegando na casa dos outros. Então a troca é fundamental. A<br />
parte mais enriquecedora de um projeto fora (do Brasil) é o crescimento. Você deixa de ser uma<br />
cultura só e se torna uma cultura mista, não fica só com as suas verdades nem com as deles.<br />
Criam-se novas verdades, novas formas de fazer.<br />
Roberta<br />
(Quando trabalha fora do país de<br />
origem) você deixa de ser uma<br />
cultura só e se torna uma cultura<br />
mista. Não fica só com as suas<br />
verdades nem com as deles<br />
E quanto ao comportamento do público?<br />
Na hora em que começa o<br />
show, há uma coisa na qual o<br />
Brasil, de fato, é imbatível<br />
O público português é muito ordeiro e educado. Por exemplo, você não vê a quantidade de lixo que<br />
vê aqui. As pessoas são muito comportadas na utilização daquele espaço. Aqui a coisa é mais<br />
bagunçada, o que não quer dizer necessariamente mais feliz ou animada. Cada um tem o seu tom de<br />
animação. Obviamente, o tom de animação aqui é um pouco acima. Na hora em que começa o<br />
show, há uma coisa na qual o Brasil, de fato, é imbatível – e olha que o público português é<br />
absolutamente espetacular e extremamente caloroso... Me refiro à vibração. É bárbara.<br />
Roberta<br />
O que fez com que o Rock in Rio desse tão certo?<br />
Divulgação<br />
Acho que existem algumas questões. Uma delas é que ele é um projeto de comunicação, não é um<br />
show. Não é uma coisa que acontece – vende ingresso, abre as portas, faz o show e vai embora.<br />
Construímos uma relação com o consumidor um ano antes. Ficamos um ano conversando com as<br />
pessoas, sabendo do que elas gostam, contando o que pretendemos fazer, criando expectativa do<br />
dia da festa... Em “O Pequeno Príncipe” há uma frase que é qualquer coisa dizendo: “Você diz que<br />
vem às quatro, às três eu começo a te esperar.” Então você antecipa a alegria daquele momento, vai<br />
sonhando com eles e construindo esse sonho junto.<br />
Roberta
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
Como esse relacionamento muda a experiência?<br />
Se você tem um nível de entrega, de qualidade do projeto bem elevado, consegue se relacionar não<br />
apenas com o público tradicional que vai a shows, mas com o público mais velho, o mais novo... Isso<br />
é fruto de uma constante exigência, de evolução e de melhora. É uma coisa que o próprio Roberto<br />
tem. Sai do evento sempre falando sobre o que pode melhorar.<br />
Roberta<br />
Como isso se traduz nas escolhas administrativas?<br />
Andre Luiz Moreira/Shutterstock<br />
Lembro que, em 2011, estávamos muito felizes com o evento. O nível de aprovação, de 1 a 10, era<br />
9,3, enorme para um evento dessa dimensão. Quando terminou, ele falou que ia diminuir de 100 mil<br />
para 85 mil pessoas. Ninguém acreditou! A gente ficou tipo: “O quê?” E ele: “Porque eu acho que<br />
não ficou confortável.” E ponto. E, de fato, ele tinha razão. Ou seja, não existe só um olhar<br />
financeiro, e sim um empresário muito comprometido com a qualidade do que oferece para o seu<br />
público. Isso, obviamente, o consumidor reconhece.<br />
Roberta<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 14
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
Mesmo em um momento econômico delicado, as vendas foram<br />
bem-sucedidas, os ingressos se esgotaram rapidamente...<br />
O que acontece em um momento de crise – e isso tem também a ver com as marcas, que são<br />
parceiras e garantem 50% dos investimentos musicais totais do evento – é que, quando você tem<br />
um nível de entrega tão elevado, na hora em que possui menos recursos disponíveis, escolhe o que<br />
é seguro. É natural que, na crise, os projetos mais consolidados ganhem na hora da decisão.<br />
É natural que, na crise, os projetos mais consolidados<br />
ganhem na hora da decisão. Quando possui menos recursos<br />
disponíveis, você escolhe o que é seguro<br />
Roberta<br />
Shutterstock<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 15
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
Qual foi o momento mais marcante do Rock in Rio para você?<br />
Ih, foram muitos! Sem dúvida alguma, a primeira edição (1985) é a mais marcante de todas. Não foi<br />
um evento, foi um fato histórico. Quando ele aconteceu, tinha uma bandeira muito forte que era<br />
mostrar a juventude, a luta contra a ditadura, pela eleição por voto direto... Era um momento<br />
relevante para o país, e aquela geração levantou essa bandeira. A partir dali, foi ultrapassada<br />
qualquer dimensão de construção de um produto ou marca. Tanto que as pessoas têm o Rock in Rio<br />
como delas. Quando fomos para Portugal, o que mais ouvíamos era: “Seus traidores, estão levando<br />
o Rock in Rio embora!” Só conseguimos unificar a conversa depois que voltamos para o Brasil. Mas,<br />
realmente, a primeira edição é o que nos move até hoje.<br />
Roberta<br />
O que mudou de mais importante de lá para cá?<br />
Houve um momento muito forte em 2001, quando o Rock in Rio se torna uma plataforma de<br />
comunicação para causas sociais e ambientais. Passa a ser “Rock in Rio por um mundo melhor”. Ali<br />
fizemos um movimento de comunicação muito impactante. Foi uma ocasião relevante que<br />
materializou a crença e as ambições do evento. Depois tem um passo importante na ida para Lisboa,<br />
que é começar a conversa internacionalmente. O evento começa a evoluir para o que estamos cada<br />
vez mais próximos, que é ser um grande parque temático da música. Não é show. Nunca foi só<br />
show.<br />
Roberta<br />
O que é?<br />
A proposta do primeiro já era unir pessoas por meio da música, mostrando que era possível um<br />
ambiente de paz com pessoas diferentes, com gostos diferentes. Nunca foi só um estilo musical. Na<br />
primeira edição teve samba, MPB, frevo, pop... Isso era para mostrar que essa diversidade é<br />
possível. Em 2004, começamos a extrapolar essa proposta, mostrando que a festa é o que<br />
realmente importa, e não o show. A volta para o Brasil pode pontuar o regresso em 2011, mas, em<br />
2015, a celebração de 30 anos foi muito bonita. Contamos com alguns artistas mais velhos, alguns<br />
que tocaram na primeira edição, e o público foi absolutamente espetacular. Muita gente que<br />
participou da primeira edição voltou com seus filhos e seus netos para ver o que era o Rock in Rio.<br />
Roberta<br />
E, durante a gestão do evento, qual foi a sua maior realização?<br />
Shutterstock<br />
É difícil dizer, porque acho que o resultado de um projeto como o Rock in Rio não é só de um, é de<br />
todos. Eu tenho muito orgulho das equipes que fomos reunindo ao longo da história, nesses anos de<br />
evento. É muito difícil pontuar alguma coisa dessa forma porque a nossa grande realização é a cada<br />
abertura de portas. A abertura e o fechamento. Quando você abre, está materializando aquela<br />
conversa, entregando aquilo que prometeu. Tem toda a responsabilidade de estar gerindo. E,<br />
quando acaba, é um alívio enorme de as coisas terem corrido bem, de ver as pessoas felizes. Eu acho<br />
que a maior alegria está no brilho dos olhos das pessoas, e isso acontece a cada evento.<br />
Roberta
ENTREVISTA • ROBERTA MEDINA<br />
O que as pessoas podem esperar desse<br />
Rock in Rio que se aproxima?<br />
Jack Fordyce/Shutterstock<br />
Vai ser muito interessante porque será a nossa maior e melhor Cidade do Rock. Vai se aproximar<br />
cada vez mais daquele conceito de parque temático da música. Estamos realmente muito animados<br />
com a possibilidade de as pessoas viverem uma Cidade do Rock com mais espaço, mais conforto,<br />
mais banheiros, mais áreas sombreadas, espaço para circular, menos aglomeração... É óbvio que, na<br />
frente do palco, tem aglomeração. Não tem solução, é para isso mesmo, né? Mas vai ser muito<br />
gostoso passear, vivenciar as atividades todas. Há muita novidade. Depois da primeira edição, esse,<br />
seguramente, é o conjunto de artistas mais fortes que já tivemos. Acho que a expectativa das<br />
pessoas está bem alta.<br />
Roberta<br />
Você falou sobre o lema “Por um mundo melhor”. O que vocês fazem<br />
e ainda pretendem fazer para que isso se torne uma realidade?<br />
Desde que nasceu o projeto “Por um mundo melhor”, já investimos, com nossos parceiros, cerca de<br />
R$ 70 milhões em causas diversas. Nunca tivemos a mesma causa de edição para edição.<br />
Entendemos que deveríamos abraçar o que parecesse com potencial de acordo com a necessidade<br />
de cada país. No ano passado, pela primeira vez, unificamos a mensagem do projeto socioambiental<br />
do Rock in Rio em todos os países onde estamos e por mais de uma edição. Desde então estamos<br />
trabalhando com o projeto Amazonia Live. Começamos com o compromisso de plantar 1 milhão de<br />
árvores. Desde então, já devemos estar com cerca de 3 milhões.<br />
Roberta<br />
Depois da primeira edição,<br />
esse, seguramente, é o<br />
conjunto de artistas mais<br />
fortes que já tivemos<br />
É um número bastante expressivo.<br />
E com potencial (de aumentar). Esse projeto ainda vai até, pelo menos, 2019. Mas não se trata só de<br />
plantar árvores. Na verdade, trata-se de construirmos um país mais saudável para a humanidade. E<br />
existem muitas vertentes dessa conversa. A ambiental, seguramente; tem a do respeito, da<br />
tolerância, da igualdade... Então há muitas bandeiras que abraçaremos ao longo desse caminho, mas<br />
por meio dessa conversa de um mundo mais sustentável para vivermos. Acima de tudo, buscamos<br />
uma mudança de comportamento para que as pessoas se conectem com o problema olhando para a<br />
solução e pensem: “Mesmo sem grande esforço, o que eu posso fazer para construir esse mundo<br />
melhor que queremos?”<br />
Roberta<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 18
CONDOMÍNIOS VERDES<br />
FALE DE SUSTENTABILIDADE<br />
NO CONDOMÍNIO<br />
Carla Neiva<br />
izem que uma andorinha só não faz verão. No<br />
entanto, se esse ditado fosse aplicado à<br />
sustentabilidade, ele seria uma grande mentira.<br />
Isso porque cada atitude individual, por menor<br />
que seja, faz a diferença para um mundo mais<br />
sustentável. Mas, assim como as andorinhas que,<br />
juntas, fazem um lindo verão, ao juntarmos várias<br />
pequenas atitudes sustentáveis, teremos um<br />
resultado ainda maior.<br />
Por essa razão é muito importante plantar a<br />
sementinha da sustentabilidade diariamente no<br />
cotidiano das pessoas. A informação está<br />
presente na TV, nos jornais, na internet, mas<br />
concentrar ideias e divulgá-las pode ser<br />
determinante para que mais pessoas deem o<br />
pontapé inicial. E sabe um ótimo lugar para<br />
compartilhar tal tipo de informação? O seu<br />
condomínio! Por isso separamos algumas dicas<br />
que vão ajudá-lo a disseminar a cultura da<br />
sustentabilidade onde você mora:<br />
Reserve um espaço no mural de avisos do<br />
condomínio para dar dicas sustentáveis<br />
Que tal, toda semana, apresentar uma dica nova no mural? É<br />
possível abordar temas como economia de energia, consumo<br />
consciente de água, descarte correto de materiais, entre<br />
outros.<br />
Nas reuniões da assembleia, separe um tempinho<br />
para falar sobre sustentabilidade<br />
Para começar, apenas cinco minutinhos podem ser suficientes<br />
para a troca de dicas e informações. Aproveite este tempo<br />
para ouvir as sugestões dos demais condôminos.<br />
Crie “listinhas verdes”<br />
Crie listinhas de ecopontos, ou seja, aqueles lugares que<br />
recebem materiais para serem posteriormente reciclados ou<br />
descartados corretamente. Você pode fixar a lista no mural de<br />
avisos ou entregá-la para os condôminos na reunião de<br />
condomínio. Você pode listar os lugares que fazem coleta de<br />
óleo de cozinha, recebem remédios vencidos, aparelhos de<br />
celular inutilizados, lâmpadas fluorescentes etc.<br />
Estimule as crianças a adotar hábitos sustentáveis<br />
desde cedo<br />
Se o seu condomínio possui jardim, que tal reunir a criançada<br />
para ajudar a cuidar das plantas? Escolha um sábado ou<br />
domingo e mostre à molecada a importância das plantas para<br />
a nossa vida e os cuidados que elas precisam para crescerem<br />
saudáveis e bonitas.<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 19
Viu como disseminar a cultura da<br />
sustentabilidade em seu condomínio é mais<br />
fácil do que você imaginava? Se você tem<br />
interesse pelo tema e acredita que é possível<br />
viver em um mundo mais sustentável,<br />
compartilhe seu conhecimento com os<br />
vizinhos e amigos e fique sempre ligado nos<br />
posts do Blog Condomínios Verdes!<br />
Nós acreditamos no poder da informação,<br />
por isso buscamos levar até você conteúdos<br />
relevantes sobre sustentabilidade, que<br />
provoquem reflexão e contribuam para uma<br />
mudança de atitude. E então, você está<br />
pronto para se juntar ao bando de andorinhas<br />
que lutam por um mundo mais verde?<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 20
JURÍDICO • ARTIGO<br />
LOJAS EM CONDOMÍNIOS,<br />
UM CASO DE AMOR OU ÓDIO<br />
Corina Maria da Costa • advogada do Departamento Jurídico do Secovi Rio<br />
U<br />
ma realidade crescente, principalmente nas grandes<br />
cidades, são os condomínios mistos ou mixed-use, que<br />
conjugam unidades habitacionais e comerciais na mesma<br />
edificação. Este tipo de empreendimento tem seus prós e<br />
contras e alimenta grandes paixões.<br />
De um lado, aqueles que convivem pacificamente e<br />
consideram uma vantagem estar perto de serviços como<br />
restaurante, padaria, salão de beleza, cinema, teatro, lojas<br />
de departamento, bastando um toque para chamar o<br />
elevador. De outro, aqueles que não enxergam com bons<br />
olhos essa vizinhança, em razão de transtornos como<br />
maior movimentação de indivíduos, barulho em função da<br />
circulação ou frequência das pessoas, música, odores,<br />
maior gasto de água, forma de divisão<br />
de despesas etc.<br />
Abordaremos neste artigo<br />
basicamente a forma de contribuição<br />
das lojas para atendimento das<br />
despesas condominiais.<br />
A questão relativa à forma de<br />
contribuição das lojas é sempre<br />
destaque, pois, como bem acentuado<br />
por Antônio Delfim Neto, “a parte<br />
mais sensível do corpo humano é o<br />
bolso”. Assim, na hora de dividir as<br />
despesas, ouvimos argumentos variados. Um dos mais<br />
polêmicos é que as lojas não fazem parte do condomínio<br />
nem usam seus serviços, portanto não devem contribuir<br />
para suas despesas ou, pelo menos, não com todas elas.<br />
Mas como solucionar esse impasse? O que a lei disciplina<br />
sobre o assunto?<br />
Se a loja integra a estrutura da edificação, ela faz parte<br />
do condomínio e, como tal, se submete às regras<br />
Na hora de dividir as<br />
despesas, um dos<br />
argumentos é que as<br />
lojas não fazem<br />
parte do<br />
condomínio nem<br />
usam seus<br />
serviços<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 22<br />
relativas ao condomínio edilício, inclusive quanto à<br />
necessidade de contribuir para sua manutenção e<br />
conservação. Não é à toa que a cota condominial tem<br />
natureza propter rem, sendo devida por todos que possuem<br />
uma propriedade em condomínio, tendo como objetivo<br />
principal a manutenção e conservação<br />
do bem.<br />
Assim, se a Convenção não libera<br />
qualquer dos condôminos do<br />
pagamento, todos devem contribuir<br />
na forma prevista. É isso que dispõe o<br />
inciso I do art. 1.336 do Código Civil.<br />
Entretanto, é perfeitamente legal,<br />
desde que previsto na Convenção,<br />
que haja uma obrigação das lojas no<br />
custeio de somente algumas<br />
despesas, considerando o seu<br />
posicionamento na edificação.<br />
Desse modo, se a loja se localiza dentro do condomínio,<br />
utilizando todos os serviços, paga a cota condominial cheia;<br />
se está no térreo, sem utilizar elevadores, empregados etc.,<br />
arca com algumas despesas somente. Já as lojas de frente<br />
para a rua, sem contato interno com o condomínio,<br />
participam, como todas as demais unidades, dos gastos<br />
estruturais, como pintura, reformas de fachada,
autovistoria, seguros, ou outras despesas que lhes digam<br />
respeito.<br />
Costuma ocorrer um grande desgaste quando a<br />
Convenção não dispõe de modo claro sobre a forma de<br />
contribuição das lojas, estabelecendo, muitas das vezes, de<br />
maneira genérica, as despesas que ficariam sob a<br />
responsabilidade do lojista. Até mesmo o síndico pode ter<br />
dúvidas na hora de emitir a cota.<br />
Em situações assim, consideramos que a melhor opção<br />
será alterar a Convenção para disciplinar de forma mais<br />
específica as despesas e isenções referentes às lojas,<br />
observando as características de cada edificação. É preciso<br />
avaliar, entre outros aspectos, se as lojas são voltadas para<br />
dentro do condomínio (envolvendo o trabalho de<br />
empregados, energia, elevador etc.) ou para a rua, onde não<br />
há uso de qualquer dos serviços do condomínio.<br />
Ressalte-se, contudo, que nas duas situações as lojas<br />
integram a estrutura física do condomínio e, por esse<br />
motivo, serão devidas as despesas a elas relacionadas.<br />
É importante destacar que o simples fato de a loja ser<br />
localizada de frente para a rua não lhe garante isenção da<br />
cota condominial. Nos Tribunais de Justiça do Rio de<br />
Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, e no Superior<br />
Tribunal de Justiça, há decisões favoráveis à isenção de loja,<br />
mas especificamente quando há disposição na Convenção.<br />
ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, no Agravo Regimental<br />
no Agravo em Recurso Especial nº 2014/0076196:<br />
“Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM<br />
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA.<br />
CONVENÇÃO CONDOMINIAL. LOJA TÉRREA.<br />
AUTÔNOMA. CRITÉRIO DE RATEIO EXPRESSO.<br />
VALIDADE. 1. A loja térrea, com acesso próprio à via<br />
pública, não concorre com gastos relacionados a serviços<br />
que não lhe sejam úteis, salvo disposição condominial em<br />
contrário. Soberania da Convenção do condomínio.<br />
Precedentes. 2. Agravo regimental não provido.”<br />
De todo o exposto, consideramos que o assunto deve ser<br />
tratado com muito bom senso, tanto da parte do síndico<br />
quanto da parte do proprietário das lojas, uma vez que o<br />
direito do condomínio deve ser harmônico com o interesse<br />
dos lojistas. Afinal, a convivência é para ser duradoura e,<br />
quanto mais pacífica, melhor.<br />
Shutterstock<br />
O fato de a loja ficar de frente<br />
para a rua não isenta o pagamento<br />
da cota condominial<br />
Fora dessa hipótese, os tribunais não costumam excluir as<br />
lojas do rateio, reduzindo a sua participação, em alguns<br />
casos, quando demonstrada a sua independência em<br />
relação ao prédio ou mesmo o uso parcial do serviço. E,<br />
como forma de evitar o enriquecimento sem causa,<br />
determinam o pagamento proporcional ao uso das coisas<br />
comuns pelas lojas.<br />
A título de ilustração, segue a ementa da decisão do STJ<br />
proferida em 15 de dezembro de 2015, sob a relatoria do<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 23
JURÍDICO • CONSULTAS<br />
Dívida<br />
As cotas de condomínio prescrevem em cinco anos?<br />
Até setembro de 2011, o entendimento nos tribunais<br />
era pacífico quanto ao prazo de dez anos para<br />
prescrever o direito de ação de cobrança de cotas<br />
condominiais em atraso. A partir daquela data, com a<br />
decisão de uma das turmas do Superior Tribunal de<br />
Justiça, a prescrição passou a ser de cinco anos, e<br />
desde então o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro<br />
passou a adotar este prazo. Em dezembro de 2016, o<br />
STJ novamente se manifestou sobre o tema, desta<br />
vez em um recurso gravado como de “efeito<br />
repetitivo”, decidindo pela prescrição quinquenal.<br />
Até o fechamento desta edição, o processo estava<br />
em tramitação, aguardando julgamento de outros<br />
recursos que foram apresentados.<br />
Locação<br />
A locadora do imóvel faleceu, e o contrato,<br />
inicialmente celebrado com prazo de 30 meses,<br />
perdura até hoje. Detalhe: sem atualização no valor<br />
do aluguel. Quem assume a locação com o<br />
falecimento da locadora? Como proceder para<br />
atualizar o valor do aluguel?<br />
A Lei nº 8.245/1991, que trata das locações urbanas,<br />
estabelece em seu artigo 10 que, na morte do<br />
locador, a locação será transmitida aos herdeiros.<br />
Assim, até que haja o procedimento formal de<br />
partilha, é o inventariante quem responde pela<br />
locação. Em relação ao valor do aluguel, desde a<br />
entrada em vigor da Lei nº 9.069/1995 (Plano Real),<br />
os reajustes são, obrigatoriamente, anuais. O índice a<br />
ser utilizado é aquele disposto no contrato de<br />
locação. Independentemente desse reajuste, é<br />
possível, por acordo entre as partes, atualizar o valor<br />
do aluguel ao preço de mercado. Se não houver<br />
acordo e já se passarem mais de três anos de vigência<br />
do contrato ou do acordo anteriormente realizado,<br />
poderá ser proposta ação revisional de aluguel, como<br />
forma de atualizá-lo ao valor de mercado.<br />
Bichos<br />
O condomínio pode exigir do morador a<br />
apresentação da carteira de vacinação do animal<br />
que mantém em sua unidade?<br />
No município do Rio de Janeiro, está em vigor a Lei<br />
Municipal nº 4.785/2008, que prevê o “Direito de<br />
Habitação” de animais em condomínio,<br />
estabelecendo regras para viabilizar a convivência<br />
entre os condôminos. Entre elas está a necessidade<br />
de cadastro dos animais no condomínio, que prevê a<br />
apresentação do registro oficial expedido por<br />
veterinário competente ou pelo Centro de Controle<br />
de Zoonoses. Outros deveres são que o animal seja<br />
conduzido por pessoa maior de 18 anos e que o pet<br />
tenha identificação por coleira ou placa. Quando<br />
solicitado, o dono do animal também deve<br />
apresentar certificado de vacinação em dia contra<br />
raiva, cinomose, tratamento de verminoses e, no<br />
caso de aves, vacinação contra psitacose. Assim, é<br />
dever do condômino manter a caderneta de<br />
vacinação do seu animal em dia e apresentá-la<br />
quando exigida, podendo ser punido por eventual<br />
infração, com aplicação de multa prevista na<br />
Convenção.<br />
Contas<br />
Estando o imóvel alugado, de quem é a dívida com a<br />
concessionária de água e esgoto?<br />
Via de regra, quando o imóvel é alugado, as contas de<br />
consumo são transferidas para o nome do locatário,<br />
que passa a ser o responsável por sua quitação. As<br />
dívidas de consumo são consideradas pessoais,<br />
portanto atreladas ao CPF do devedor. O Judiciário já<br />
solidificou o posicionamento de que as dívidas<br />
referentes às contas de água, luz e gás são<br />
relacionadas ao direito do consumidor. Portanto, a<br />
pessoa que consumiu o serviço – isto é, o locatário –<br />
é quem responde pela dívida.<br />
Shutterstock<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 24
JURÍDICO • CONSULTAS<br />
Hora extra<br />
Havendo trabalho em jornada suplementar, quando<br />
da substituição do porteiro pelo auxiliar de serviços<br />
gerais, a base de cálculo da hora extraordinária será<br />
o salário de substituição ou o salário do auxiliar?<br />
A convenção coletiva dos empregados em<br />
condomínios estabelece o pagamento do salário do<br />
substituído ao substituto, excluídas as vantagens<br />
pessoais, entendidas estas como aquelas próprias do<br />
empregado, como adicional por tempo de serviço,<br />
gratificações, nas substituições por período superior<br />
a 20 dias. Assim, a hora extra, porventura, realizada<br />
pelo auxiliar de serviços gerais quando da<br />
substituição do porteiro, deve ser paga com base no<br />
salário deste último, já que prorrogada a jornada de<br />
trabalho na função de portaria.<br />
Rescisão<br />
Com a aposentadoria do empregado, o condomínio<br />
resolveu demiti-lo sem justa causa. Como deve ser<br />
calculada a multa sobre o FGTS?<br />
Em 2006, uma decisão do STF julgou inconstitucional<br />
o parágrafo 2º do artigo 453 da CLT, que considerava<br />
o instantâneo desfazimento da relação laboral pela<br />
aposentadoria voluntária. Assim, o contrato de<br />
trabalho permanece preservado e, no caso de uma<br />
dispensa feita pelo empregador, devem ser pagas<br />
todas as verbas rescisórias decorrentes de uma<br />
rescisão imotivada. Especificamente em relação à<br />
multa sobre o FGTS, o TST vem consolidando na<br />
forma da Orientação Jurisprudencial nº 361,<br />
afirmando que, “por ocasião da sua dispensa<br />
imotivada, o empregado tem direito à multa de 40%<br />
do FGTS sobre a totalidade dos depósitos efetuados<br />
no curso do pacto laboral”. Desse modo, a base de<br />
cálculo da multa pela rescisão imotivada deverá ser o<br />
saldo do FGTS, não se deduzindo eventuais saques,<br />
conforme, aliás, já consta da Instrução Normativa<br />
SRT/MTE nº 15/2010.<br />
Tem alguma pergunta?<br />
Envie sua dúvida sobre gestão condominial,<br />
locação, entre outros assuntos do universo<br />
imobiliário, para imprensa@secovirio.com.br.<br />
As questões serão respondidas pelo<br />
Departamento Jurídico do Secovi Rio e<br />
publicadas nesta seção.<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 26
CAPA<br />
Eduardo Macarios<br />
NOVIDADES<br />
QUE REVISITAM<br />
O PASSADO<br />
Espaços de trabalho compartilhado<br />
trazem modernidade a<br />
prédios históricos<br />
Igor Augusto Pereira<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 27
Eduardo Macarios<br />
A<br />
motivação oficial era sempre uma visita à<br />
Igreja de Nossa Senhora da Glória do<br />
Outeiro, no alto de uma colina, mas dizem<br />
que o verdadeiro objetivo das idas<br />
frequentes de D. Pedro I à Ladeira da Glória, no<br />
charmoso bairro carioca, era encontrar uma de suas<br />
amantes. Em pleno século XIX, Maria Benedita de<br />
Canto e Melo, a baronesa de Sorocaba, vivia em um<br />
casarão nos arredores do templo e dividia as<br />
escapadas conjugais do “Demonão” com a irmã,<br />
Domitila, a marquesa de Santos – a “outra” mais<br />
célebre.<br />
Após a morte da nobre moradora e o fim do Império,<br />
ergueu-se ali um conjunto de dez casarões<br />
geminados, que ganhou o nome de Villa Aymoré. A<br />
construção acabou abandonada e quase ficou em<br />
ruínas até 2010, quando uma incorporadora adquiriu<br />
os imóveis e iniciou um trabalho de revitalização. O<br />
sucesso do projeto levou o quarteirão de casas<br />
amarelas em estilo eclético a uma nova fase: de<br />
ninho de amor da monarquia a um centro de novos<br />
negócios de alto padrão.<br />
Por trás das fachadas que remetem ao século<br />
passado, funcionam escritórios de arquitetura,<br />
empresas de comunicação, um café, uma galeria de<br />
arte, entre outros negócios que têm na economia<br />
criativa sua principal base. Ao lado, ainda no terreno<br />
da Villa Aymoré, um edifício em estilo<br />
contemporâneo abriga espaços de coworking.<br />
Fundador do Nex Rio, André Pegorer acredita que<br />
trabalhar em um ambiente tão cheio de história<br />
acaba estimulando os empreendedores que<br />
convivem naquele ambiente.<br />
“Tem um significado muito emblemático não só para<br />
nós, como para a sociedade. Esse processo (de<br />
revitalização) fez com que a Villa Aymoré fosse<br />
devolvida às pessoas, porque elas podem entrar e<br />
visitar quando quiserem”, conta o empresário.<br />
Inaugurado há menos de um ano, o coworking tomou<br />
por base a experiência da própria empresa em um<br />
imóvel histórico na capital paranaense.<br />
“Nossa primeira unidade está em um prédio de 1,7<br />
mil m² em um bairro nobre de Curitiba, onde<br />
funcionava um clube social de operários. Hoje em<br />
dia, a gente recebe visitas de pessoas idosas dizendo<br />
que frequentavam bailes de Carnaval ali, trazem<br />
fotos e contam muitas histórias. Poder reconfigurar<br />
esse espaço como ambiente de reconexão é muito<br />
importante”, avalia.<br />
André Pegorer fundou espaço de coworking na<br />
Villa Aymoré, Glória: portas abertas para visitantes<br />
Embora se instalem em prédios<br />
históricos, é a inovação que guia<br />
os negócios de muitas empresas
As negociações para levar o coworking para a Villa<br />
Aymoré começaram no início de 2015, e meses<br />
depois a Casa Cor realizou ali uma edição de sua<br />
mostra arquitetônica. Em meados de 2016, o<br />
empreendimento abriu as portas de fato. Para<br />
Pegorer, o grande diferencial do ambiente não está<br />
na beleza física ou no hype de trabalhar no local, mas<br />
na capacidade de unir aspectos tão aparentemente<br />
opostos como história e inovação.<br />
“Temos uma série de empresas extremamente<br />
disruptivas e outras mais tradicionais que são<br />
vizinhas. Esse é um espaço em que a gravata e o tênis<br />
convivem bem”, conta. A estratégia parece ter dado<br />
certo: embora não esteja localizado em um bairro<br />
corporativo, o local conta com 70% de ocupação<br />
após menos de um ano de abertura. O modelo<br />
também tem crescido no resto do país, onde,<br />
segundo o Censo Coworking Brasil, o número de<br />
espaços dedicados ao trabalho compartilhado<br />
aumentou cerca de 52% no último ano.<br />
As explicações para esse acréscimo podem estar<br />
tanto na redução de custos quanto na necessidade<br />
de focar nas questões relativas ao próprio trabalho.<br />
“Ninguém vai mais se preocupar em comprar um<br />
limpador multiuso”, brinca André. “Você recebe uma<br />
fatura única e não vai ter que gastar tempo gerindo<br />
as questões administrativas de um escritório, como<br />
pagamento de aluguel, taxa condominial, energia,<br />
água, limpeza, manutenção... Em vez disso, vai chegar<br />
e gerenciar seu negócio. Mas o mais importante, na<br />
minha opinião, é a cultura de comunidade”,<br />
acrescenta.
O Templo, um dos mais bem-sucedidos escritórios de<br />
coworking do Rio de Janeiro, reúne dezenas de<br />
empreendedores interessados justamente nessa<br />
cultura de comunidade. Descrito como um<br />
“laboratório criativo”, funciona em dois endereços.<br />
Em Botafogo, conta com 80 estações de trabalho,<br />
entre salas privativas, áreas compartilhadas e um<br />
salão. Na Gávea, são 120 postos.<br />
Em ambos os espaços – também montados em<br />
casarões antigos – há áreas a céu aberto, locais para<br />
guardar bicicleta e uma programação desenvolvida<br />
pela própria casa, por residentes e por parceiros.<br />
Com o sucesso do empreendimento, o grupo se uniu<br />
a marcas cariocas para criar um espaço de coworking<br />
temático na área de moda, a Malha.<br />
Além de buscar um nicho específico, a diferença mais<br />
expressiva está logo na fachada: no lugar de uma<br />
antiga construção residencial na Zona Sul, um galpão<br />
de 3 mil m² no bairro de São Cristóvão. Do lado de<br />
dentro dos escritórios das empresas que têm<br />
residência fixa, o visitante se depara com uma<br />
abordagem que é ao mesmo tempo funcional e<br />
lúdica: as estações estão instaladas dentro de<br />
contêineres de verdade. Mais industrial, impossível.<br />
A cerca de 5km da Malha, três casarões (também<br />
geminados) na Rua Senador Pompeu, Zona Portuária<br />
do Rio de Janeiro, abrigam dezenas de empresas e<br />
empreendedores interessados em assuntos como<br />
design, comunicação e desenvolvimento sustentável.<br />
Ocupando três casarões geminados na Zona Portuária, a Goma<br />
integra dezenas de empreendedores<br />
Divulgação<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 30
É a Goma, concebida não como uma empresa, mas<br />
uma associação que, desde 2013, tem levantado a<br />
bandeira da economia criativa.<br />
A administração funciona de maneira similar à de um<br />
condomínio: há um estatuto, reuniões sobre<br />
assuntos comuns do espaço são promovidas<br />
periodicamente, todos são convidados a dar<br />
sugestões e os residentes têm direito a voto em<br />
decisões relacionadas ao futuro da associação. Além<br />
de integrar o que os participantes chamam de<br />
“empreendedorismo em rede”, a Goma ainda busca<br />
investir no entorno. No fim do último ano, a<br />
associação viabilizou a instalação de um parklet<br />
autossustentável em sua porta.<br />
A gestão do espaço é colaborativa e a maior parte dos negócios se<br />
estrutura a partir da economia criativa<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 31
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CENTRIMÓVEIS LTDA<br />
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CINOCRED IMÓVEIS LTDA<br />
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Segundo o arquiteto Manoel Vieira, especialista em<br />
Patrimônio Cultural, o uso corporativo de edifícios<br />
mais antigos tem se mostrado uma vocação entre os<br />
pequenos negócios. “Compartilhar é a palavra da vez,<br />
e o coworking é uma forma de organização social do<br />
trabalho alinhada com essa tendência mundial. Os<br />
edifícios históricos costumam ter características<br />
arquitetônicas compatíveis com ela”, explica.<br />
Além dos espaços amplos, que permitem<br />
modificações funcionais, esses imóveis geralmente<br />
estão localizados em áreas centrais, de de fácil fácil acesso. “A<br />
ocupação “A de de espaços históricos está relacionada a<br />
uma nova lógica de reutilização ambiental e urbana,<br />
na medida em que esses espaços, em grande parte<br />
das vezes, estão subaproveitados, desocupados ou<br />
mesmo abandonados”, completa o especialista.<br />
“Edifícios históricos<br />
costumam ter<br />
características<br />
arquitetônicas<br />
compatíveis com o<br />
coworking”, avalia<br />
especialista<br />
Shutterstock<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 34
Divulgação<br />
Mais do que a requalificação do próprio imóvel,<br />
esse processo também pode ajudar a melhorar<br />
a vida urbana no entorno por ampliar a<br />
circulação de pessoas e potencializar o<br />
comércio local. Mas alguns cuidados devem ser<br />
tomados por quem deseja montar um ambiente<br />
de negócios em um prédio construído no século<br />
passado. O primeiro passo é buscar um<br />
profissional que tenha experiência nesse tipo<br />
de projeto e se inteirar sobre possíveis<br />
tombamentos ou outros tipos de proteção<br />
cultural.<br />
Em seguida, é preciso verificar a integridade<br />
física do imóvel. A cobertura costuma ser um<br />
dos pontos mais frágeis, mas também é<br />
necessário ficar de olho na estrutura e no<br />
sistema elétrico. “Por possuir, na maioria das<br />
vezes, alvenarias portantes, o risco de colapso é<br />
menor. Por outro lado, as argamassas de<br />
sacrifício costumam sofrer mais facilmente com<br />
intempéries ou infiltrações, visto que têm cal e<br />
areia em sua composição”, alerta Vieira.<br />
Nenhuma dessas questões, porém, deve limitar<br />
o sucesso de tais espaços, que têm em seu<br />
DNA o espírito despojado e o amor pela<br />
história do Rio de Janeiro. “(Um edifício<br />
histórico) é um exemplar de um estilo artístico,<br />
de uma forma de construir que não existe mais,<br />
de materiais que muitas vezes não estão mais<br />
disponíveis no mercado. Não dá para<br />
desrespeitar sua arquitetura, ignorar que<br />
aquela edificação conta a história de uma<br />
época.”<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 35
4 dicas para aderir (ou não) ao coworking<br />
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A ideia de compartilhar um escritório tem<br />
chamado a atenção de muitos empreendedores,<br />
de olho nas possíveis vantagens de tal modelo.<br />
No Brasil, os primeiros espaços desse tipo<br />
surgiram há cerca de dez anos, sendo buscados<br />
principalmente por micro e pequenas empresas,<br />
mas hoje o coworking já vem atraindo<br />
multinacionais de diversos setores.<br />
No ano passado, a Google inaugurou um prédio<br />
em São Paulo que abriga diversas startups em<br />
três de seus seis andares. A Coca-Cola e o serviço<br />
de streaming Spotify também têm parte de suas<br />
operações em escritórios compartilhados. Se<br />
você tem ou pretende ter um negócio, fique de<br />
olho nos prós e contras de se instalar em um<br />
espaço de coworking.<br />
1. Os custos podem ser menores<br />
O coworking é uma alternativa para quem busca<br />
reduzir o valor pago para manter uma estação de<br />
trabalho. Segundo Fernando Bottura, presidente<br />
da Gowork, a economia pode chegar a 38%,<br />
considerando locação, móveis, energia, telefone,<br />
internet, manutenção e insumos.<br />
2. Os contatos podem fazer a diferença<br />
Para muita gente que está começando o próprio<br />
negócio, a grande vantagem de trabalhar em um<br />
escritório compartilhado é a possibilidade de<br />
fazer uma rede de contatos profissionais bastante<br />
dinâmica. Segundo um levantamento da empresa<br />
Regus, 80% daqueles que aderiram ao coworking<br />
consideram esse o maior benefício.<br />
3. Privacidade? Nem sempre...<br />
Se você precisa de silêncio para focar em suas<br />
atividades ou precisa falar ao telefone sobre<br />
assuntos sigilosos, talvez seja necessário pensar<br />
duas vezes antes de abraçar o coworking. Como as<br />
estações de trabalho funcionam no estilo open<br />
office, isto é, com mesas dividindo o mesmo<br />
espaço, quem está ao lado pode ter acesso a tudo<br />
que você está dizendo.<br />
4. Salas de reuniões devem ser agendadas<br />
Para quem realiza muitas reuniões com clientes, a<br />
dica é buscar espaços que disponibilizem salas<br />
privativas. Em muitos casos, a reserva deve ser<br />
feita com antecedência, mediante o pagamento<br />
de uma taxa, o que pode encarecer o valor final da<br />
operação.<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 36
NOSSOS LUGARES<br />
MUITO MAIS QUE<br />
UM ALVO CELESTIAL<br />
Unindo paisagens naturais e construções históricas,<br />
Teresópolis tem atrativos que vão muito além do<br />
célebre Dedo de Deus<br />
Texto e fotos: Amanda Gama<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 38
Subindo a Rodovia Rio-Teresópolis, quase<br />
chegando à cidade serrana, vários carros<br />
parados no acostamento e câmeras<br />
apontadas na mesma direção dão noção de que<br />
algo importante ficou para trás. Basta virar a<br />
cabeça e lá está o Dedo de Deus, a famosa<br />
montanha que se assemelha a uma mão<br />
apontando em direção ao céu.<br />
Quando muita gente pensa em Teresópolis,<br />
lembra-se do Dedo de Deus, que, inclusive, está<br />
representado no brasão da cidade. Mas o que<br />
muitos não sabem é que, na verdade, a atração<br />
está localizada em Guapimirim, mais<br />
precisamente no Parque Nacional da Serra dos<br />
Órgãos.<br />
A questão é que o parque fica entre os dois<br />
municípios, e a sua entrada principal está em<br />
Teresópolis, logo pertinho da entrada da cidade,<br />
para quem chega da direção da capital. De<br />
qualquer maneira, o resultado disso é um grande<br />
número de visitantes que buscam turismo de<br />
aventura.<br />
Logo ali perto, outro ponto famoso: a Feirinha de<br />
Teresópolis. Localizada no bairro do Alto, de tão<br />
procurada, chega a causar uma confusão entre<br />
os turistas. “Tem muita gente que acha que ali é<br />
o centro da cidade”, explica a auxiliar regional do<br />
Secovi Rio Jessica Costa.<br />
Mas o fato é que, além desses pontos tão<br />
famosos entre os turistas, cidade adentro,<br />
Teresópolis conta com opções de lazer para<br />
todos os gostos que são de fácil acesso e valem<br />
a pena ser exploradas. Por isso a <strong>Revista</strong> Secovi<br />
Rio vai mostrar para você um roteiro que prova<br />
que a cidade serrana é muito mais que só uma<br />
montanha.<br />
Granja Comary<br />
A entrada do Centro de Treinamento da CBF; a partir daí, o acesso é restrito<br />
Perto da entrada da cidade pela Rodovia<br />
Rio-Teresópolis está o já célebre Centro de<br />
Treinamento da Confederação Brasileira de<br />
Futebol. Mas não é preciso ser dia de<br />
concentração da Seleção para fazer valer a visita.<br />
Se de um lado é possível ver através das grades<br />
os campos onde os jogadores treinam, do outro<br />
está o belo Lago Comary, que tem como pano de<br />
fundo as montanhas da Serra dos Órgãos.<br />
Apesar da presença de uma cancela e uma<br />
guarita, o acesso à Avenida Hercílio Ferreira dos<br />
Santos é livre até o seu trecho final, onde está<br />
localizada a entrada do Centro de Treinamento.<br />
O lugar é lar de um grande grupo de gansos, mas,<br />
com delicadeza e cuidado para não tomar uma<br />
bicada, é possível fazer belas fotos dos amigos de<br />
penas.
Fonte Judith<br />
A aproximadamente 2km da granja, em um<br />
cantinho bucólico, no fim da Rua Dona Olga de<br />
Oliveira, pode-se ter a chance de matar a sede à<br />
moda antiga e observar que, entre os<br />
teresopolitanos, alguns hábitos resistem ao<br />
tempo. A Fonte Judith (ou Judite, como escrito<br />
na construção) é a mais famosa entre as 13 que<br />
existem na cidade, principalmente por sua<br />
grande construção em azulejos e suas cinco<br />
torneiras.<br />
E é por essa razão que o pedreiro Lúcio Mauro<br />
Fonseca, de 38 anos, se desloca em torno de<br />
10km para encher as suas garrafas. Mineiro de<br />
Muriaé, mas morador de Teresópolis há cerca de<br />
17 anos, ele conta que há outras fontes perto de<br />
sua casa, mas acabou passando a preferir a Fonte<br />
Judith por ali não precisar enfrentar filas.<br />
Pelo caminho também é possível ver outras<br />
pessoas com garrafas ou até mesmo turistas que<br />
fazem uma pausa na caminhada para se<br />
refrescar. Mas o pedreiro lembra que já houve<br />
ocasiões em que a água estava imprópria para<br />
consumo, e por isso é necessário ficar atento: “A<br />
Prefeitura avisa. Eles cuidam muito bem das<br />
águas.”<br />
Endereço: Rua Dona Olga de Oliveira, 90 – Alto<br />
O pedreiro Lúcio Mauro Fonseca chega a se deslocar cerca de<br />
10km para pegar água na Fonte Judith<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 40
Igreja Matriz<br />
de Santo Antônio de Paquequer<br />
Deixando a fonte, o caminho natural é passar<br />
pela Avenida Oliveira Botelho, uma das principais<br />
vias da cidade. E é por ali mesmo, seguindo em<br />
direção ao centro, que se encontra o maior<br />
conjunto de construções antigas de Teresópolis.<br />
Entre elas, está a Igreja Matriz de Santo Antônio<br />
de Paquequer, erguida em 1855, antes mesmo<br />
da fundação da cidade.<br />
Não é preciso ser católico para apreciar o<br />
complexo, que, além da pequena igreja, conta<br />
com um templo maior, construído do seu lado<br />
esquerdo, e com a pastoral inaugurada este ano,<br />
onde os moradores têm acesso gratuito a<br />
serviços médicos e odontológicos e a diversas<br />
outras atividades.<br />
Endereço: Avenida Oliveira Botelho, 620 – Alto<br />
O altar dedicado a Santo Antônio<br />
O novo templo, construído ao lado da igrejinha
Casa de Cultura<br />
Adolpho Bloch<br />
Obras expostas no centro cultural<br />
Um pouco afastado da agitação turística da<br />
cidade, está um cantinho dedicado a quem quer<br />
se abastecer de arte. Sob a administração da<br />
Secretaria de Cultura de Teresópolis, o espaço<br />
oferece atividades gratuitas para os moradores,<br />
como balé, pintura, teatro, entre outras. Mas,<br />
para quem está a passeio, o bom mesmo é dar<br />
uma olhadinha nas exposições que também são<br />
gratuitas. São temas e artistas variados. Além<br />
disso, a casa realiza eventos, oficinas e recebe<br />
grupos teatrais.<br />
Curiosidade: O prédio também abriga as sedes<br />
da Academia Teresopolitana de Letras e da<br />
Sociedade dos Artistas de Teresópolis (Soarte),<br />
ambas fundadas pelo pintor, escritor, político e<br />
médico (!), Arthur Dalmasso.<br />
Endereço: Praça Juscelino Kubitschek – Araras<br />
Telefone: (21) 2644-4092<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 43
Igreja Matriz<br />
de Santa Teresa<br />
A Praça Baltazar da Silveira, no bairro da Várzea<br />
(região central), é onde os teresopolitanos se<br />
reúnem. São jovens batendo papo, crianças<br />
brincando e idosos jogando... Tudo acontece nos<br />
arredores de uma construção que está ali desde<br />
1940: a Igreja Matriz de Santa Teresa.<br />
O templo substituiu uma capela de 1855<br />
dedicada a Santa Claudiana e depois a Santa<br />
Teresa d’Ávila, padroeira da cidade de<br />
Teresópolis. Em 1927, o prédio foi demolido,<br />
dando lugar à construção em estilo gótico que<br />
hoje está lá.<br />
Curiosidade: A atual matriz teve sua construção<br />
iniciada sob os cuidados do cônego Bento<br />
Humberto Guilherme Maussem, que faleceu<br />
antes da inauguração. Seu corpo foi sepultado na<br />
igreja, atrás do altar-mor.<br />
Endereço: Praça Baltazar da Silveira – Várzea<br />
O altar dedicado à padroeira da cidade<br />
A igreja destaca-se na Praça Baltazar da Silveira
Casa da Memória<br />
Arthur Dalmasso<br />
Ao lado da praça, uma casa colorida chama<br />
atenção pela arquitetura, que mistura os estilos<br />
normando e neoclássico, além de adornos<br />
inspirados pela art nouveau. Mas, como se a<br />
beleza da construção do começo da década de<br />
1920 não bastasse, dentro do espaço funciona<br />
um centro dedicado a preservar a memória de<br />
Teresópolis.<br />
Levantada sobre onde já haviam funcionado uma<br />
oficina gráfica e a primeira agência de Correios<br />
da cidade, a obra ocorreu por ordem do então<br />
prefeito, José Lino de Oliveira Leite, que, em<br />
homenagem à esposa, chamou a casa de “Vila<br />
Cecília”.<br />
Além de lar, o espaço chegou a servir para abrigar<br />
um educandário, um hotel, o Corpo de<br />
Bombeiros e ainda uma oficina de consertos<br />
eletrônicos, até ser tombado em 1988 pelo<br />
Instituto Nacional do Patrimônio Estadual<br />
(Inepac). Entre 1992 e 2001 funcionou como<br />
Biblioteca Municipal. Mas foi apenas em 2009<br />
que passou à sua função atual.<br />
Hoje o espaço é dedicado a divulgar um pouco<br />
da história de Teresópolis, que muitos não<br />
conhecem, prestando homenagens às<br />
personalidades da cidade e contando com um<br />
acervo de quase 30 mil fotografias, cerca de 350<br />
revistas e 200 livros digitalizados, além de<br />
diversas mobílias. “Cerca de 90% dos objetos<br />
que temos são doações feitas por pessoas<br />
apaixonadas por História e que querem dar<br />
continuidade a isso”, explica Rafael Corrêa,<br />
diretor da Casa da Memória.<br />
Endereço: Praça Baltazar da Silveira, 91 – Várzea<br />
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às<br />
17h (entrada gratuita)<br />
Cerca de 90% dos objetos que compõem o acervo da Casa<br />
da Memória são doações<br />
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA<br />
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Baseado no livro de mesmo título, do professor Paulo<br />
Roberto Xavier<br />
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Carga horária: 10h<br />
Obs.: O aluno terá até 15 dias para cumprir a carga horária do curso.<br />
SECOVI RIO RIO / 2017 2017 / nº nº <strong>107</strong> 106 / 45 42
Castelo<br />
Montebello Medieval<br />
Ainda no bairro da Várzea, com uma caminhada de cerca de 10<br />
minutos, é possível fazer uma viagem ao passado. Ou pelo menos<br />
esse é o sentimento quando se chega ao Castelo Montebello.<br />
Segundo Alexis Vieira, responsável pela parte turística e cultural do<br />
lugar, a construção, iniciada em 1917, surgiu para atender a um mimo<br />
do embaixador Frederico Feitosa. Depois que foi radicado na<br />
Inglaterra, ele acabou vendendo o imóvel.<br />
Com o passar dos anos, o local teve diversas funções. Também trocou<br />
algumas vezes de proprietário, chegando a passar por uma reforma na<br />
década de 1950, que lhe adicionou uma capela externa, com direito a<br />
belos vitrais húngaros. Tempo depois foi aberto ao público para<br />
visitação, abrigou festas e festivais, mas passou cerca de 30 anos<br />
fechado até finalmente começar a ter vida de novo. “Agora é que<br />
vamos começar a fazer história”, afirma Alexis.<br />
O espaço ainda mantém o mobiliário e recebe visitação, mas,<br />
segundo o responsável cultural, esse é um “plus”. Ele explica que a<br />
função do Montebello é ser um espaço para eventos e que existem<br />
planos para a realização de festas em datas comemorativas. Para<br />
Alexis, além de estar localizado em um ponto-âncora do turismo<br />
em Teresópolis, outro grande atrativo do local são os 10 mil<br />
metros quadrados de Mata Atlântica que se estendem pelos<br />
fundos do terreno. “É o maior tesouro do castelo”, avalia.<br />
Endereço: Rua Heitor de Moura Estevão, 339 – Várzea<br />
Agendamento de visitas: (21) 99638-7271 ou<br />
98864-9701. É preciso um mínimo de cinco<br />
pessoas, e as visitas devem ser<br />
agendadas com pelo menos<br />
um dia de antecedência.<br />
Ingressos para moradores<br />
de Teresópolis: R$ 20<br />
Crianças e idosos<br />
pagam meia<br />
entrada.<br />
Fachada do castelo<br />
Um dos cômodos do castelo. Mobiliário dos<br />
últimos moradores foi mantido<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 46
Gatto Macchiato<br />
Depois de um dia de passeio, que tal finalizar<br />
recuperando as energias? Aliás, nesse lugar é<br />
possível abastecer não apenas o corpo, mas também<br />
o coração com muito carinho. Como? Por meio de<br />
uma verdadeira gatoterapia oferecida pelo Gatto<br />
Macchiato, um dos pouquíssimos cat cafés existentes<br />
no Brasil.<br />
A ideia de adotar por aqui o modelo de negócio<br />
criado na Ásia foi um desafio encarado de frente<br />
pelos sócios. Mário Lima, Christiane Jost e Karine<br />
Jost esbarraram nas normas da vigilância sanitária<br />
brasileira, que proíbe animais e alimentos no mesmo<br />
lugar.<br />
Como a proposta era permitir a interação entre<br />
gatos e humanos, a solução, inspirada por uma visita<br />
a um cat café em Toronto, no Canadá, foi criar uma<br />
área reservada só para os bichinhos, separada por<br />
vidros, onde eles vivem confortavelmente, só<br />
esperando os visitantes. São cerca de 70m² só para<br />
os reis do pedaço.<br />
O lugar também tem a proposta de abrigar gatinhos<br />
que aguardam a adoção. Exceto pelas três<br />
moradoras, La Chica, Joy e Morgan, todos os outros<br />
bichanos estão disponíveis para serem adotados.<br />
Eles chegam até lá por meio de parcerias com ONGs<br />
de apoio aos animais.<br />
Os gatinhos que são levados para o café passam<br />
antes por um período de quarentena,<br />
acompanhados por veterinários, e já chegam<br />
castrados, vacinados e vermifugados. Desde a<br />
abertura da casa, em outubro do ano passado, até<br />
maio eles já haviam conseguido lares amorosos para<br />
mais de 20 gatinhos, um número animador,<br />
principalmente se for considerado o fato de que<br />
todos os bichinhos que vivem lá são adultos.<br />
Além das fofíssimas atrações principais, o café<br />
também tem música ao vivo. E lá nada foge do clima<br />
felino. Há gatos na decoração, em produtos<br />
comercializados, como camisetas e bolsas, e até no<br />
cardápio, que tem docinhos com nomes como “gatto<br />
felpudo” e “língua do gatto”. “Somos novatos na área<br />
de alimentação, mas amantes de gato há muito<br />
tempo”, garante Mário.<br />
Endereço: Rua Nilza Chiapeta Fadigas, 35 – Várzea<br />
Funcionamento: domingo a quinta (exceto quarta),<br />
das 14h às 22h; sexta e sábado, das 14h à<br />
meia-noite.<br />
Espaço dos bichanos<br />
Christiane Jost e Mário Lima<br />
toparam o desafio de inaugurar um dos primeiros cat cafés do país<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 47
OUTROS OLHARES<br />
Os leitores da <strong>Revista</strong> Secovi Rio responderam ao nosso chamado e enviaram dicas de livros, séries e filmes.<br />
Confira!<br />
Crônicas do Bizarro Mundinho Corporativo,<br />
de Vania Ferrari (Texto & Textura)<br />
O livro destaca métodos antigos aplicados em<br />
empresas, que, na verdade, precisam de pessoas<br />
que estão reinventando o jeito de fazer negócio.<br />
Precisamos gerar a cultura da colaboração dentro<br />
das organizações para que haja menos regras<br />
impedindo a criatividade.<br />
Renata Rezende, supervisora de RH<br />
House of Cards<br />
(Netflix/2013)<br />
É uma série que narra a<br />
trajetória de um político<br />
inescrupuloso e os meandros<br />
do poder nos Estados Unidos.<br />
Allan Thompson, empresário<br />
Gi & Kim - Os Bem Casados,<br />
de Marcos Noel (Aquário Editorial)<br />
São tirinhas que retratam situações cotidianas de<br />
um casal comum, mas muito engraçado. Eu e meu<br />
filho Lucas morremos de rir com este livro.<br />
Leila Milhazes, diretora da Cema Imobiliária<br />
Administradora<br />
Rita Lee: Uma Autobiografia<br />
(Globo Livros)<br />
Sou fã da Rita e vou fazer um projeto<br />
cantando suas músicas, por isso<br />
queria conhecer mais da sua vida.<br />
Giovanna de Moura, cantora e<br />
coordenadora de Inteligência<br />
Corporativa do Secovi Rio<br />
Desafiando Gigantes<br />
(Alex Kendrick/2006)<br />
É um filme que me deixou muito motivada. Trazendo para nossa realidade<br />
profissional, entendi que precisamos sempre procurar motivação para<br />
ultrapassar obstáculos, que muitas das vezes nos amedrontam. A mensagem<br />
principal é que, quando não olhamos as circunstâncias, esquecemos o tamanho<br />
da adversidade e conseguimos vencer.<br />
Andreza Dutra, diretora da Creditotal Consultoria<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 50
Os Olhos Amarelos dos Crocodilos,<br />
de Katherine Pancol (Suma de Letras)<br />
Essa é uma história de amores,<br />
amizades, traições, dinheiro e sonhos.<br />
Cada personagem do livro busca o<br />
sucesso, uns são movidos por si<br />
próprios, outros são movidos por<br />
outras pessoas. O importante é que<br />
todos têm ambições: ambição de<br />
mudar de vida, de ficar rico, de se<br />
tornar feliz, de ser reconhecido, de<br />
formar uma família, de crescer e ainda<br />
do prazer.<br />
Thauany Mesquita, estagiária do CIEE<br />
O Andar do Bêbado,<br />
de Leonard Mlodinow (Zahar)<br />
O autor conta, de modo fluente,<br />
interessante e irreverente, inúmeras<br />
histórias de cinema, mercado<br />
financeiro, esportes e do nosso<br />
cotidiano, para mostrar,<br />
arrebatadoramente, como a nossa<br />
intuição e nossa mania por<br />
encontrar padrões em tudo nos leva<br />
a decisões muitas vezes<br />
equivocadas.<br />
André Abelha, advogado do<br />
escritório Castier/Abelha<br />
Nenhum a Menos<br />
(Zhang Yimou/1999)<br />
É um daqueles filmes que dá um nó na<br />
garganta. Conta a história de uma<br />
professora substituta de apenas 11<br />
anos no interior da China e sua luta<br />
para que seus jovens alunos não<br />
abandonem a escola migrando para as<br />
cidades maiores em busca da<br />
trabalho.<br />
Tatiane Romana, consultora tributária<br />
da BKR<br />
Próximo desafio:<br />
curtindo a cidade<br />
Sabe aquele lugar na cidade em que dá para curtir um dia de folga ou mesmo algumas<br />
horinhas? Compartilhe com a gente! Sua dica de passeio pode estar na nossa próxima<br />
edição. Para participar, basta publicar uma imagem em modo público nas redes sociais,<br />
utilizando as hashtags #secovirio e #outrosolhares. Se preferir, envie um e-mail para<br />
imprensa@secovirio.com.br ou uma mensagem no WhatsApp do Secovi Rio:<br />
(21) 98547-2812.<br />
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SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 51
nas inscrições pagas até 10 dias antes do início do curso<br />
CONTRATOS IMOBILIÁRIOS<br />
Compreenda como lidar eficazmente com as questões rotineiras dos contratos imobiliários tomando por base as normas do atual<br />
Código Civil.<br />
Dias: 24, 25 e 26 de julho, das 18h às 21h<br />
O NOVO CPC E O MERCADO IMOBILIÁRIO<br />
Conheça as modificações trazidas pelo novo Código de Processo Civil e os profundos reflexos no direito imobiliário.<br />
Dias: 1º e 2 de agosto, das 9h30 às 12h30<br />
CIPA - PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DOENÇAS DECORRENTES DO TRABALHO<br />
Conheça, nos moldes da legislação vigente, técnicas para a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho e desenvolva<br />
habilidades e atitudes necessárias.<br />
Dias: 17 a 21 de julho, das 9h30 às 13h30<br />
QUALIDADE NOS SERVIÇOS DE PORTARIA<br />
Compreenda a importância da função do porteiro, suas responsabilidades e atitudes necessárias para realizar as suas atividades de<br />
maneira correta.<br />
Dias: 24, 25, 27 e 28 de julho, das 9h30 às 13h15<br />
SEGURANÇA EM CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS E COMERCIAIS- TÉCNICAS E ATITUDES<br />
Conheça as ações para a redução das vulnerabilidades na segurança dos condomínios residenciais e comerciais e atitudes de prevenção.<br />
Dias: 1º, 2 e 3 de agosto, das 18h30 às 21h30<br />
FÓRUM DE SÍNDICOS: ANIMAIS EM CONDOMÍNIOS<br />
Palestrante: Dr. Sérgio Simões<br />
Dia: 27 de julho, das 18h30 às 20h30<br />
EXCEL BÁSICO – WORKSHOP<br />
Saiba como aplicar as funções fundamentais do Microsoft Excel, para utilizá-lo com eficácia, tornando-o uma ferramenta indispensável<br />
no desenvolvimento de tarefas, tais como relatórios, gráficos, operações matemáticas e outras.<br />
Dias: 17, 18 e 19 de julho, das 18h às 21h<br />
CURSOS DE EXTENSÃO<br />
ADMINISTRAÇÃO DE CONDOMÍNIOS<br />
Compreenda as questões administrativas, financeiras e jurídicas que envolvem a gestão condominial e aprenda a desenvolver as<br />
habilidades necessárias para administrar um condomínio de maneira eficiente.<br />
**Possibilidade de obter a Certificação Internacional de Gestão de Propriedades do ARM do IREM (Institute of Real Estate Management)<br />
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C<br />
abo Frio sempre chamou a atenção pelas<br />
belas praias, mas também vem se<br />
destacando pelos excelentes índices no<br />
mercado imobiliário: o preço médio do metro<br />
quadrado de venda de apartamentos na<br />
cidade, no último ano, subiu 2%, ao passo que<br />
no Rio se apurou queda de 3%. Alguns bairros<br />
tiveram valorização superior a 7%. Para as<br />
casas cabo-frienses, a valorização foi ainda<br />
maior, de 5% (ante 0,02% no Rio). No<br />
segmento de locação, o metro quadrado subiu<br />
de R$ 16,84 para R$ 19,07, de maio de 2016<br />
a maio de 2017, uma variação de 13% ante<br />
uma queda de 7% no Rio.<br />
É o reflexo de um momento em que<br />
moradores de grandes centros urbanos vêm<br />
demonstrando insatisfação com problemas<br />
como violência, poluição e engarrafamentos,<br />
buscando por isso adquirir imóveis em cidades<br />
mais pacatas e baratas. Outros procuram<br />
investir no segmento de locação por<br />
temporada, que se mantém estável apesar da<br />
crise. Basta comparar os preços para perceber<br />
a vantagem: o preço médio do metro<br />
quadrado de apartamentos em Cabo Frio é de<br />
R$ 6,1 mil, 52% menos que o praticado no Rio<br />
(R$ 9,3 mil).<br />
Com 212 mil habitantes e cerca de 1 mil<br />
condomínios, de acordo com o IBGE, Cabo<br />
Frio orgulha-se da vocação turística, uma das<br />
principais fontes de receita do município, mas<br />
também enfrenta problemas por conta da<br />
população flutuante, que no verão chega a<br />
450 mil pessoas. A cidade, também afetada<br />
pela crise – a arrecadação de royalties vem<br />
caindo mês a mês desde 2014 –, enxerga na<br />
aquisição de imóveis um meio de driblar a<br />
fase delicada.<br />
Para apresentar os dados do mercado<br />
imobiliário cabo-friense, o Sindicato da<br />
Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio)<br />
apresentou em junho, em Cabo Frio, a terceira<br />
edição consecutiva de uma pesquisa<br />
intitulada “Cenário do Mercado Imobiliário de<br />
Cabo Frio 2017”, que traz informações sobre<br />
preços de imóveis para venda e locação no<br />
período de maio de 2016 a maio de 2017.<br />
Para ver a pesquisa, acesse o portal do Secovi<br />
Rio na seção Publicações.<br />
Shutterstock<br />
Shutterstock<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 54
INSTITUCIONAL<br />
Agenda legislativa<br />
T<br />
emas relevantes para o setor de<br />
comércio e serviços imobiliários – a<br />
elevada carga tributária; os distratos na<br />
comercialização de imóveis; a segurança<br />
jurídica na locação; os terrenos de<br />
marinha; a atuação dos corretores de<br />
imóveis; loteamentos com acesso<br />
controlado e contribuição sindical – foram<br />
selecionados para compor a “Agenda<br />
Legislativa & Projetos Prioritários – Setor<br />
de Comércio e Serviços Imobiliários<br />
2017-2018”. Em sua segunda edição, a<br />
publicação foi divulgada pelo Secovi Rio<br />
em maio na Câmara dos Deputados, em<br />
Brasília (DF).<br />
Resultado de um trabalho do Secovi Rio<br />
em conjunto com 22 Sindicatos da<br />
Habitação de outros estados do país e<br />
com associações setoriais, o documento<br />
selecionou 14 projetos de lei em<br />
andamento na Câmara dos Deputados e<br />
no Senado Federal que possam causar<br />
impacto, positivo ou não, na atividade<br />
imobiliária. Em 2017, juntam-se a este<br />
documento dados estatísticos sobre<br />
condomínios e a atividade de<br />
administração imobiliária, que pretendem<br />
mostrar a relevância econômica de um<br />
setor que representa 95 mil empresas e<br />
180 mil condomínios edilícios, gerando<br />
mais de 500 mil empregos diretos e cerca<br />
de 1,75 milhão indiretos para a economia<br />
do país.<br />
Mercado em Campos<br />
Em junho, o Secovi Rio publicou pela terceira vez<br />
consecutiva o “Cenário do Mercado Imobiliário de Cabo<br />
Frio”, com informações sobre preços de imóveis para venda e<br />
locação no período de maio de 2016 a maio de 2017. Agora<br />
é a vez da cidade de Campos dos Goytacazes ser analisada.<br />
A primeira edição do “Cenário do Mercado Imobiliário do<br />
Noroeste Fluminense” vai ser lançada no próximo dia 26 de<br />
julho, na Associação Comercial e Industrial de Campos. Na<br />
ocasião, será ministrada uma palestra sobre Segurança em<br />
Condomínios com Leandro Silva, diretor administrativo da<br />
empresa Segtec Tecnologia e Segurança.<br />
Para participar do evento, basta levar 2kg de alimentos não<br />
perecíveis, a serem doados para o Abrigo João Viana. As<br />
inscrições podem ser feitas pelo site do Secovi Rio,<br />
www.secovirio.com.br, ou por meio dos contatos da Regional<br />
Noroeste Fluminense:<br />
(22) 2738-1046 e noroestefluminense@secovirio.com.br.<br />
Google Earth<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 55
Grafite<br />
Do Instagram para as nossas páginas: @secovirio.<br />
Olha só o novo mural da Casa Maria de Nazaré, na<br />
Rocinha! A ONG realiza um trabalho muito<br />
importante com mais de 500 pessoas por mês e é<br />
apoiada pelo Secovi Rio nos projetos Estudo<br />
Dirigido e Oficina do Sucesso. Ficamos muito felizes<br />
com a homenagem da Casa e do artista Pedro Neres!<br />
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anos<br />
presente na<br />
Cidade Maravilhosa<br />
Uma história de compromisso e qualidade<br />
com a segurança dos cariocas<br />
SerTelRJ<br />
http://ser-tel.com.br<br />
21 2102-4000 / 21 2501-4000<br />
Controle de Acesso – Sistemas de Alarmes – CFTV – Monitoramento 24h – Automatização de Portões<br />
Interfonia e Telefonia – Cabeamento Estruturado – Locação – Manutenção – Projetos de Segurança Eletrônica<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 56
IPTU mais alto<br />
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella pretende aumentar a<br />
arrecadação municipal adotando uma série de medidas fiscais.<br />
Entre elas, mudanças na cobrança de IPTU, extinguindo as<br />
isenções e reajustando a planta de valores de imóveis residenciais<br />
e não residenciais. O aumento, que até o fechamento desta<br />
edição não havia sido definido, deverá ser apresentado na Câmara<br />
de Vereadores em breve para valer a partir de 2018. Segundo a<br />
fórmula para estimar o valor do IPTU de 2018, divulgada pelo<br />
Jornal O Globo, o impacto no bolso de quem paga o imposto<br />
poderá ser, na maioria dos casos, superior a 100%.<br />
Quer saber qual seria o valor de mercado do seu imóvel e qual<br />
seria o novo IPTU? Acesse a seção “Pesquisas e indicadores” no<br />
site www.secovirio.com.br e envie o número de inscrição do seu<br />
carnê.<br />
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Mudanças na vistoria do gás<br />
As comissões de Defesa do Consumidor e de Defesa Civil da Assembleia<br />
Legislativa do Estado do Rio de Janeiro anunciaram a apresentação de um<br />
novo projeto de lei sobre vistoria de serviços de gás. A decisão foi<br />
anunciada durante audiência pública promovida pelas comissões, na qual<br />
o Secovi Rio esteve presente, representado por sua Coordenação de<br />
Relações Político-Institucionais.<br />
A proposta visa evitar diferentes interpretações da Lei nº 6.890, que desde<br />
2014 determina a realização de uma vistoria quinquenal dos serviços de<br />
gás em unidades comerciais e residenciais de todo o estado. O projeto de<br />
lei deverá esclarecer quem realizará os serviços de vistoria, quais serão as<br />
sanções aplicadas, entre outros. Além disso, afastará conflitos com a Lei nº<br />
6.400/2013, que dispõe, de maneira geral, sobre vistorias prediais,<br />
atribuindo como responsabilidade dos condomínios e proprietários a<br />
contratação de empresas para vistoriar o sistema de gás.<br />
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MATÉRIA ESPECIAL<br />
FaCa vocE mesmo:<br />
vaso de concreto em 10 passos<br />
Quer dar um upgrade no jardim do seu<br />
condomínio? Que tal fazer um charmoso e<br />
personalizado vaso de concreto para as<br />
flores? Uma dica é organizar uma atividade com as<br />
crianças, tomando apenas os cuidados devidos no<br />
manuseio do cimento e das peças secas. O passo a<br />
passo é simples e o resultado é único. Confira:<br />
Você vai precisar de:<br />
- Moldes para o concreto<br />
(Para cada vaso vai precisar de um par, sendo um<br />
maior que o outro. Você pode usar baldes, caixas de<br />
papelão grosso ou até potes de plástico)<br />
- Pedrinhas ou qualquer objeto que faça peso e<br />
caiba no molde menor<br />
- Lixa grossa<br />
- Luvas<br />
- Vaselina ou óleo de cozinha<br />
- Areia<br />
- Cimento comum<br />
(Se preferir, utilize multimassa. Nesse caso, não é<br />
necessário acrescentar areia)<br />
- Balde ou qualquer recipiente para a massa<br />
- Água<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 58
Como fazer:<br />
1 Coloque luvas para evitar o contato do material<br />
com as mãos. Misture a mesma medida cimento e a<br />
areia em um balde. Em seguida, vá acrescentando<br />
água aos poucos até ficar uma massa pastosa;<br />
2 Passe óleo ou vaselina no interior do molde<br />
maior e no exterior do molde menor;<br />
3 Coloque a quantidade de massa necessária no<br />
molde maior (para começar, cerca de 2/3 do<br />
recipiente);<br />
4 Posicione o molde menor no centro do outro.<br />
Quando o meio estiver na forma que você deseja,<br />
acrescente algumas pedrinhas para dar peso ao<br />
molde menor;<br />
5 Dê algumas batidinhas para que o ar saia e o<br />
vaso não fique com furinhos;<br />
6 Espere de 24 a 48 horas para secar. O processo<br />
deve ser feito preferencialmente na sombra, pois a<br />
exposição direta ao sol pode deixar as bordas<br />
quebradiças;<br />
7 Na hora de desenformar, retire os moldes<br />
cuidadosamente para não rachar;<br />
8 Lixe os topos e cantinhos do vaso;<br />
9 Com uma furadeira, abra um buraco na parte<br />
inferior do vaso - apenas o tamanho necessário<br />
para que a água da planta escoe;<br />
10 Coloque pedrinhas no fundo do vaso, uma<br />
camada de terra e em seguida a planta escolhida.<br />
E aí, curtiu a ideia? Se preferir, comece com um<br />
vasinho menor, para suculentas e, à medida que<br />
ganhar técnica, vá testando tamanhos e formas<br />
diferentes. É importante lembrar que o concreto não<br />
retém muita umidade e a terra pode ficar mais seca<br />
que em vasos de cerâmica. Por isso, uma dica é<br />
escolher plantas que tenham maior tolerância a<br />
solos secos ou utilizar um impermeabilizante no<br />
interior do vaso.<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 59
SERVIÇOS E PRODUTOS<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 62
SERVIÇOS E PRODUTOS<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 63
SERVIÇOS E PRODUTOS<br />
SECOVI RIO / 2017 / nº <strong>107</strong> / 64