*Outubro/2018 - Revista Biomais 29

jota.2016

Entrevista: Pesquisador Fabrízio Mancini, fala sobre o biogás no Brasil

revista biomassa energia

PLANEJAR PARA CRESCER

EMPRESA APOSTA EM TECNOLOGIA

EM PROL DA EFICIÊNCIA

ANOS

OLHOS PARA O SOL

CIDADE INVESTE EM

ENERGIA RENOVÁVEL

SENTINDO NO BOLSO

MÉXICO REDUZ PREÇO DA ENERGIA


55 ANOS

DE EXPERIÊNCIA NA

INDÚSTRIA MADEIREIRA

agilidade

tecnologia

Produtividade

Transporte e movimentação

de produtos

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SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Somos movidos à

energia limpa

06 | CARTAS

08 | NOTAS

12 | ENTREVISTA

16 | PRINCIPAL

22| PELO MUNDO

Fontes renováveis

28| FEIRA

Cibio 2018

34| TECNOLOGIA

Energia fotovoltaica em navios

40 | ESPECIAL

46 | CASE

52 | ECONOMIA

Energia no Brasil

Carros elétricos

58 | ARTIGO

64 | AGENDA

66| OPINIÃO

Por que os países com maiores reservas renováveis

se tornarão superpotências do amanhã?

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

03


EDITORIAL

O sistema para secagem de biomassa do

Grupo Madec ilustra a capa da edição

SOMOS MOVIDOS À

ENERGIA LIMPA

O

setor de energias renováveis é, historicamente, um dos mais criativos: todas as fontes de energia

são intermitentes, em maior ou menor grau. Mas, por sua natureza, a produção pensando

na sustentabilidade é uma alternativa natural para aqueles que miram o uso responsável

dos recursos do planeta – e, claro, a Revista BIOMAIS busca, a cada nova edição, fomentar e

desenvolver o setor. Nesta edição o Leitor confere reportagem sobre como a inclusão de energia solar

fotovoltaica na matriz nacional pode impactar, de forma positiva, diretamente no seu bolso. Além disso,

falamos sobre a eletrovia Foz do Iguaçu-Paranaguá, primeira do Paraná e que vai ligar a região Oeste do

Estado ao litoral paranaense para abastecer carros elétricos ao longo de 700 Km (quilômetros). Uma ótima

leitura a todos!

EXPEDIENTE

ANO V - EDIÇÃO 29 - OUTUBRO 2018

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para geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa, estudantes universitários,

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didáticos.

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CARTAS

OPORTUNIDADE

Interessante reportagem que mostra que, mesmo com crescimento acentuado no mercado

energético da última década, ainda há potencial de expansão para as renováveis.

Heloísa Fratelli – Florianópolis (SC)

Foto: divulgação

BATE PAPO

Excelente entrevista com a pesquisadora Claudia Freitas Maia, responsável por levar energia para comunidades carentes

na África. Que iniciativas assim sejam replicadas.

Márcio Veneri – Londrina (PR)

IDEIA

Aproveito este espaço para sugerir uma reportagem sobre o futuro do setor de energias renováveis com o novo

presidente. Parabéns para toda a equipe da Revista BIOMAIS!

Davi Ortiz – Brasília (DF)

MODELO

Excelente iniciativa Air Liquide: o hidrogênio é uma alternativa para os desafios do

transporte limpo e contribui para melhorar a qualidade do ar.

Ana Goethe – Santos (SP)

Foto: divulgação

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

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NOTAS

FUTURO SOB RODAS

A Volvo pretende vender um milhão de veículos

híbridos ou totalmente elétricos nos próximos sete

anos. A informação foi confirmada pela fabricante

suíça, que vai lançar somente veículos com algum tipo

de eletrificação. Atualmente, o país que mais vende

carros elétricos é a China, representando 57% da frota

mundial. No Brasil, mais de 3.200 veículos híbridos

foram comercializados no ano passado. A expectativa

é que esse número cresça, mas com avanço gradativo.

Para se desenvolver na América do Sul, o mercado

de veículos elétricos terá alguns desafios pela frente:

investimento em infraestrutura, redução do preço dos

veículos e convencimento do consumidor.

Foto: divulgação

CAPACIDADE AMPLIADA

A JBS Biolins está ampliando a sua capacidade de geração

de energia limpa. Atualmente, a unidade utiliza 100% da matéria-prima

de fontes renováveis, como bagaço de cana e cavaco

de reflorestamento. Usina termoelétrica da JBS, a Biolins tem a

capacidade de geração de energia de fontes renováveis de 45

MW (megawatts) de potência instalada, suficiente para abastecer

um município de 300 mil habitantes. Nos últimos dois anos

houve aumento na capacidade de produção, com investimentos

superiores a R$ 50 milhões. A planta abastece o complexo

industrial de Lins (SP) e seu excedente de energia é distribuído

no sistema elétrico e utilizado em outras unidades da JBS.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

BIOENERGIA

O setor de bioenergia aguarda portaria para produzir até 30% a

mais no ano que vem. A informação é do Ministério de Minas e Energia,

que tem expectativa de publicá-la até o final de 2018. A novidade

também é aguardada pela indústria de produção de energia elétrica

a partir de biomassa. A portaria vai autorizar a expansão em até 30%

das garantias físicas do setor em 2019. Os acertos foram feitos em reunião

com lideranças do setor na semana passada. A pasta soltou uma

portaria ordinária revisando a garantia física de 116 usinas de biomassa.

Destas, 73 apresentaram aumento de garantia física, enquanto 43

apresentaram redução. Além disso, sete empreendimentos tiveram

sua garantia física definida. O setor teve um aumento, em geral, de 3%

das garantias físicas para 2019. Segundo levantamento da Unica (Associação

Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar), o volume considerado

é muito aquém do potencial de produção do segmento.

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ALTERNATIVAS SUSTENTÁVEIS

A energia solar fotovoltaica está proporcionando alternativas para enfrentar

a estiagem no semiárido do Piauí. Agricultores do Povoado Canto da Vereda,

a 50 km (quilômetros) do Centro de Oeiras, têm utilizado placas solares para

bombear água do poço para irrigação, animais e consumo próprio. A novidade

chegou na comunidade há um ano. Desde então, segundo os trabalhadores

rurais da localidade, a irrigração não falha: a água sai na hora e na quantidade

certa, deixando a horta viva. A transformação que as placas solares trariam para

o campo é motivo de alegria dos agricultores da região. Eles contam que os

painéis receptores estão instalados em uma área de terra infértil, mas agora a

energia solar está ajudando a resgatar a agricultura e pecuária do povoado.

Foto: divulgação

DISPOSITIVO

TRANSFORMA

VIBRAÇÃO DE

HELICÓPTEROS EM

ELETRICIDADE

Dispositivo desenvolvido pelos pesquisadores

da Eesc (Escola de Engenharia de

São Carlos) da USP (Universidade de São

Paulo) transforma vibração de helicópteros

em eletricidade. A energia pode ser reaproveitada

na aeronave, que também ganha em

vida útil, velocidade, segurança e conforto.

A patente do equipamento é intermediada

pela Auspin (Agência USP de Inovação).

Chamado de Sappl (Smart Piezoelectric Pitch

Link), o equipamento utiliza materiais que

convertem vibrações em energia elétrica

conectados a circuitos eletrônicos. O dispositivo

também coleta a energia de vibração

durante o voo, que pode ser usada em outros

sistemas de baixa potência do helicóptero.

Segundo a equipe do projeto, as aeronaves

de asas rotativas apresentam, em vários casos,

níveis elevados de vibração e ruído que

acarretam desconforto e até danos à saúde

de seus usuários frequentes. Uma das fontes

de vibração mais expressivas neste tipo de

aeronave é a interação entre as pás elásticas

de seu rotor principal e o ar.

COMERCIALIZADORA DE ENERGIA

O Banco Santander criou uma comercializadora de energia no Brasil. A

intenção é atuar mais ativamente no mercado livre de energia elétrica no país.

Até meados de novembro, o banco espera conseguir as autorizações necessárias

para começar a operar. O Santander é o primeiro banco de varejo a entrar nesse

mercado. Atualemente, o mercado de energia conta com instituições financeiras

com perfil de investimento como o BTG Pactual. Segundo o head office

da Comercializadora Santander, Rafael Thomaz, o banco está entrando nesse

negócio para oferecer algo novo ao mercado livre. A expectativa da instituição é

conseguir, até meados de novembro, as autorizações necessárias para começar

a operar. “Dado a característica de banco de varejo, a gente deve ter um foco

nos clientes, seja do ponto de vista de geração como de consumidores finais”,

contou Thomaz em um evento realizado em São Paulo (SP).

Foto: divulgação

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

09


NOTAS

SOB AVALIAÇÃO DO CONGRESSO

Estão traminatando no Congresso Nacional pelo menos 25 projetos sobre

energia eólica. É o que aponta um levantamento feito pelo consultor legislativo

Maurício Schneider. As propostas têm o objetivo de desenvolver o setor.

Atualmente, a energia eólica corresponde a menos de 10% do total da energia

produzida no Brasil. Os textos no Congresso são no sentido de regular ou incentivar

o mercado de energia eólica. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC

97/15), por exemplo, prevê que estados e municípios recebam royalties pela

exploração desse tipo de energia, o que elevaria o custo. O setor vem crescendo

rapidamente no Brasil. Em 2012, a energia eólica era responsável pela geração

de 5 mil gigawatts. Em 2016, passou para 33,5 mil GW (gigawatts). Isso correspondia

a apenas 5,8% do total da energia produzida no país; a energia hidrelétrica

representava 65,8%. O Brasil está na oitava posição munidal na geração de

energia eólica. Atualmente, mais de 1/3 dessa energia é gerada na China.

Foto: divulgação

PARCERIA

PROMISSORA

A biomassa está a serviço do setor farmacêutico:

segundo o presidente da Embrapii

(Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação

Industrial), Jorge Guimarães, a química renovável

é considerada uma área muito promissora.

Para ele, a biomassa gerada por cadeias

produtivas da agropecuária pode mover uma

indústria que, no futuro, pode vir a substituir

vários produtos da petroquímica. De acordo

com Guimarães, a Embrapii tem atualmente

20 empresas na área de indústria química

trabalhando em projetos conjuntos. Nesses

projetos, estão envolvidas instituições de pesquisa

e tecnologia públicas e privadas credenciadas.

“São empresas que estão operando no

modelo Embrapii, com química propriamente

dita”, explicou. Guimarães destacou ainda

que a química verde tem grande potencial.

Um exemplo, segundo ele, é contribuir com

o equilíbrio na balança de pagamentos da

indústria farmacêutica.

REDUÇÃO DE TAXAS

O Sicredi apresentou a redução de taxas para financiamento de energia

solar fotovoltaica. A linha de crédito é destinado para a aquisição de

tecnologia de energia solar para empresas e associados. A taxa mínima foi

reduzida em 43,20%. Também chamado de sistema fotovoltaico, o sistema

de energia solar é capaz de gerar energia elétrica a partir da radiação do

sol. A opção pelos sistemas de energia renovável é a forma de produção

de energia que mais cresce no mundo. Atualmente, vem sendo utilizada

tanto pelos benefícios voltados para a responsabilidade ambiental, quanto

pela economia no valor da conta de luz.

Foto: divulgação Foto: divulgação

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PRODUÇÃO DE

BIOELETRICIDADE POR

BIOMASSA CRESCE 11%

ATÉ AGOSTO DE 2018

A produção de bioeletricidade por biomassa cresceu

11% de janeiro a agosto de 2018. É o que aponta um

levantamento da Unica (União da Indústria de Cana-de-

-Açúcar), feito a partir de dados preliminares da Ccee

(Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Nos

primeiros oito meses do ano, foram ofertados 17.356 GW/h

(gigawatts/hora) para o SIN (Sistema Interligado Nacional),

um crescimento de 11% em relação ao volume produzido

no mesmo período no ano passado. O volume é suficiente

para iluminar mais de nove milhões de residências durante

um ano. O levantamento sustenta que a oferta de bioeletricidade

entre janeiro e agosto deste ano representou 4,7%

do consumo nacional de energia elétrica. O percentual

pode atingir até 8% de março a outubro, período de alta na

colheita de cana no centro-sul.

Foto: divulgação

ESPANHA COMEÇA A

PRODUÇÃO DE MAIOR

USINA DE BIOMASSA

A maior usina de energia renovável na Espanha começou a

ser construída. Com investimento de US$ 113,7 milhões, a usina

localizada no município de Curtis terá capacidade de produção

de 375,7 GW/h (gigawatts/hora) de energia. O empreendimento

ainda não tem data para ser concluído. De acordo com informações

divulgadas pela Greenalia, empresa responsável pela

construção da usina, a principal matéria-prima utilizada para

geração de energia será a biomassa florestal. Para isso, a usina

deverá queimar vários tipos de detritos florestais, como os restos

de eucalipto. A energia gerada será vendida para o sistema

elétrico nacional. Além disso, a companhia também pretende

participar dos leilões de energia renovável organizados pelo

Ministério de Energia da Espanha.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

NOVOS PARQUES EÓLICOS

NO RIO GRANDE DO NORTE

GERARÃO QUASE 313 MW

Treze parques eólicos serão construídos no Rio Grande do Norte

nos próximos anos. Instalados nos municípios de Pedra Grande e São

Bento do Norte, os empreendimentos serão financiados pelo Bndes

(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Com investimento

de R$ 619,4 milhões, serão instalados cerca de 149 aerogeradores

com capacidade total de 312,9 MW (megawhatts) – suficiente

para abastecer cerca de 570 mil residências. Os empreendimentos,

chamados de Complexo Eólico Cutia e Complexo Eólico Bento Miguel,

aquecerão a economia da região com a geração de 710 vagas de empregos

diretos. O primeiro deles, Complexo Eólico Cutia, deverá entrar

em operação até janeiro de 2019.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

11


ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

FABRÍZIO

NICOLAI MANCINI

Formação: mestre em Desenvolvimento

de Tecnologia, doutorando em Tecnologia

e Sociedade

Cargo: pesquisador e professor dos cursos

de Engenharia de Energia e Engenharia

Elétrica da Universidade Positivo

ALTERNATIVA

VIÁVEL

E

studos recentes apontam que o Brasil desperdiça por ano mais de uma Itaipu e meia em

energia que poderia ser obtida com biogás: hoje o país deixa de gerar 115 mil GW/h (gigawatts-hora)

com o não aproveitamento dos rejeitos urbanos, da pecuária e da agroindústria.

Com isso, a necessidade de se pensar em alternativas e políticas públicas que

fomentem o uso do biogás se torna cada vez mais urgente. Em entrevista à Revista BIOMAIS, Fabrízio

Nicolai Mancini, pesquisador e professor dos cursos de Engenharia de Energia e Engenharia

Elétrica da Universidade Positivo fala sobre o potencial do Biogás no Paraná e no Brasil. Confira:

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

13


ENTREVISTA

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eferência nacional

na linha de secagem

A Madec projeta e fabrica sistemas completos para secagem de

biomassa, destinadas a queima em fornalhas e caldeiras como

também na produção de briquetes e pellets. Dentre as biomassas

podemos destacar: serragem (pó de serra), maravalha, bagaço de

cana, capim elefante, cavaco e demais produtos sob consulta técnica.

• Secador rotativo

• Lavadores de gases

• Sistema para captação de pó

• Filtros manga

• Transportadores de corrente (redler)

• Esteiras transportadoras

• Elevadores de caneca

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de biomassa

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PRINCIPAL

ATENDIMENTO

DIFERENCIADO

FOTOS DIVULGAÇÃO

MESMO DURANTE UMA

FASE DELICADA DA

ECONOMIA NACIONAL,

EMPRESA GAÚCHA

FABRICANTE

DE EQUIPAMENTOS,

MANTEM O FOCO

NA QUALIDADE

E ATENDIMENTO

DIFERENCIADO AOS

CLIENTES, COM

OBJETIVO

DE SOLIDIFICAR-SE

NO MERCADO DA

BIOMASSA

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

17


PRINCIPAL

O

Grupo Madec, fundado em abril de 2004

na cidade de Erechim, norte do Rio

Grande do Sul, é um bom exemplo do

sucesso e empreendedorismo brasileiro. A

empresa, com forte atuação no setor metal mecânico,

atende as indústrias de biomassa, maravalha, erva-

-mate, sub produtos de frigoríficos e compostagem

orgânica.

Hoje, após quase quinze anos de atuação no Brasil

e em outros países, a Madec possui uma estrutura

eficaz, pronta para atender os setores nos quais atua,

contando com um corpo de profissionais experientes

que buscam constantemente novas tecnologias, bem

como, o aprimoramento das tecnologias já existentes.

ORIGENS

“Iniciamos com quatro sócios. Conforme montamos

a empresa, os consumidores foram sentindo

confiança em nossos produtos e potencial em nossos

projetos. Muitos se tornaram nossos parceiros,

comprando a matéria-prima para fabricarmos os

equipamentos, já que não tínhamos capital de giro na

época. Montamos a empresa sem um real no bolso.

Começamos com equipamentos para secagem e

processamento da erva-mate, na sequência foram surgindo

outras demandas na área de secagem e fomos

investindo em inovação, nos especializando na secagem

para produtos variados, incluindo a maravalha e

a biomassa”, relembra um dos sócios-administradores

da empresa, Clair Vilson Breitkreitz.

O reconhecimento da indústria fez com que o Grupo

Madec conquistasse uma importante fatia do mercado

gaúcho, partindo então para as demais regiões

do Brasil e mercado externo. “Tudo foi tomando forma

e entre 2008 e 2009, quando já atuávamos fortemente

no setor ervateiro, maravalha e biomassa, tivemos o

ingresso de mais um sócio, que trabalha diretamente

com a parte de frigoríficos e seus subprodutos. A partir

daí, foi um salto considerável com nossos produtos,

sendo reconhecidos no Brasil e também no exterior”,

enaltece Clair.

“Os consumidores foram

sentindo confiança

em nossos produtos e

potencial em nossos

projetos. Muitos se

tornaram nossos

parceiros”

Clair Vilson Breitkreitz,

Sócio-administrador

do grupo Madec

18

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PRINCIPAL

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PELO MUNDO

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MÉXICO PODE

REDUZIR PREÇO

DE ENERGIA

COM FONTES

RENOVÁVEIS

ESTUDO APONTA

QUE QUEDA

NO CUSTO

DA GERAÇÃO

DE ENERGIA

CHEGARIA A 40%

COM A ADOÇÃO

DE COMBUSTÍVEIS

LIMPOS

FOTOS DIVULGAÇÃO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

23


PELO MUNDO

O

México pode ver os preços da eletricidade

caírem em até 40% com a implantação

de mais capacidade de geração de

energia renovável. A constatação foi feita

por um estudo realizado pelo Conselho Mexicano de

Coordenação Empresarial, maior grupo empresarial do

país, com coautoria de representantes das associações

mexicanas de energia eólica e solar.

De acordo com o diretor da Amdee (Associação

Mexicana de Energia Eólica), Leopoldo Rodriguez, o

estudo mostra que a energia renovável poderia transformar

o México em um participante mais competitivo

no mercado de energia.

"Os dados mostraram que a geração renovável

no México ultrapassou todas as nossas expectativas",

revela Leopoldo Rodriguez.

Planos de longo prazo

preveem ampliar a

participação das energias

de fontes renováveis na

matriz energética do país

para 50% até 2050

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25


PELO MUNDO

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FEIRA

Fotos: Matheus Vasques/ Grupo FRG e REFERÊNCIA

BIOMASSA NO

CENTRO DAS

ATENÇÕES

CONGRESSO E FEIRA MOSTRAM

AS TENDÊNCIAS DO MERCADO

DE ENERGIA VERDE E AS

TECNOLOGIAS MAIS RECENTES

PARA A INDÚSTRIA

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O

Cibio 2018 (Congresso Internacional

de Biomassa), que reuniu especialistas,

empresários, pesquisadores e universidades

em prol da produção de Biomassa e

Energia, contou com a presença de aproximadamente

quatro mil visitantes, segundo os organizadores. Além

das palestras, o evento, que ocorreu nos dias 4 a 6

de setembro em Curitiba (PR), também recebeu a III

edição do Expobiomassa com mais de 50 empresas

ligadas ao setor.

Este ano, os debates foram centralizados em temas

como a baixa contratação de usinas de biomassa

em leilões de energia, a importância do programa

RenovaBio para a produção de biocombustíveis, assim

como o potencial gigantesco do Brasil para a produção

de Biomassa Florestal. A novidade foi o primeiro

Forest Biomass Day, que levou participantes para

uma fazenda energética e mostrou na prática como a

ciência funciona.

De acordo com a organização do evento, as parcerias

fechadas movimentarão mais de R$ 50 milhões

em negócios. “Este é disparado o maior evento de biomassa

e energia já realizado no Brasil e na América do

De acordo com a

organização do evento,

as parcerias fechadas

movimentarão mais

de R$ 50 milhões em

negócios

Sul, mostrando que o setor ainda tem muito mais para

alcançar e que os próximos anos certamente serão de

colheita farta”, garante Tiago Fraga, CEO do Grupo FRG

Mídias & Eventos.

Enquanto os participantes do congresso debatiam

as tendências para o setor, no espaço para a feira os

expositores tiveram a oportunidade de apresentar

aos visitantes tecnologias e serviços voltados para a

produção, processamento e utilização da biomassa.

CONFIRA OS DESTAQUES DA III EXPOBIOMASSA:

PLANALTO PICADORES

A empresa que possui uma vasta linha de

equipamentos para picar, transportar e armazenar

resíduos, anunciou a parceria com a Tmsa,

representante exclusiva no Brasil da fabricante

alemã Amandus Kahl. Agora a Planaltou passa a

oferecer soluções integradas em projetos e construção

de fábricas de biomassa turn key (chave

na mão). Luís Carlos Mecabô, diretor comercial

da Planalto, afirma que houve gente interessada

em visitar à feira e é positivo com relação ao mercado.

“Acredito que o mercado só tem a crescer”.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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FEIRA

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FEIRA

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

33


TECNOLOGIA

BRASIL PODE

AVANÇAR NO

USO DA

ENERGIA

FOTOVOLTAICA

EM NAVIOS

ENERGIA SOLAR

EM MOTORES DE

EMBARCAÇÕES PODE

INOVAR TRANSPORTE

MARÍTIMO BRASILEIRO

NOS PRÓXIMOS

CINCO ANOS

FOTOS DIVULGAÇÃO

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TECNOLOGIA

A

adoção de motores elétricos de propulsão,

alimentados por baterias carregadas

por painéis solares, em embarcações,

pretende colocar o Brasil na liderança da

sustentabilidade em transporte marítimo. A estimativa

feira pelo professor do Coppe-Ufrj (Departamento de

Engenharia Elétrica do Instituto Alberto Luiz Coimbra

de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da

Universidade Federal do Rio de Janeiro), Walter Issamu

Suemitsu, aponta que nos próximos cinco anos, o

Brasil pode chegar ao patamar de países como França

e Suíça, líderes no desenvolvimento deste tipo de

embarcações.

A inovação pode ser uma janela de oportunidade

tanto para o setor de armazenamento fotovoltaico

quanto de energia solar: o setor de transporte marítimo

é responsável por cerca de 90% do transporte

internacional de cargas, graças à possibilidade de

transportar um volume maior de cargas com custos

reduzidos, quando comparado ao transporte aéreo.

PONTOS POSITIVOS

As vantagens ambientais são diversas: com o uso

de energia renovável nos motores de embarcações, é

possível reduzir tanto as emissões de gases do efeito

estufa quanto a poluição das águas.

“Na Europa, por exemplo, tem países que proíbem

barcos de propulsão a sistema de combustão porque,

às vezes, tem escape de combustível e polui a água

dos lagos e rios”, alerta Suemitsu em entrevista à

Agência Brasil. As restrições são as mesmas de outras

tecnologias baseadas em energia solar: o abastecimento

depende das condições climáticas; por isso, a

autonomia e velocidade das embarcações ainda está

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TECNOLOGIA

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ESPECIAL

MORADORES DE CIDADE

NO PARANÁ PODERÃO

PRODUZIR ENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

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EM SISTEMA INOVADOR NO

BRASIL, INICIATIVA PRIVADA E

MORADORES DE PALMEIRA (PR)

PODERÃO PRODUZIR PRÓPRIA

ENERGIA E RECEBER CRÉDITOS

DO GOVERNO ESTADUAL

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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ESPECIAL

A

cidade de Palmeira (PR), será o primeiro

município do Brasil a abrigar o modelo de

consórcio de empresas e Mini Geração Distribuída

de energia, em que cada pessoa

ou empresa pode produzir sua própria eletricidade.

Com uma população estimada em 35 mil habitantes

e distante 90 km (quilômetros) da capital Curitiba,

a cidade construirá nos próximos meses a primeira

usina fotovoltaica privada com esse sistema compartilhado.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o

governo do Estado e empresas nacionais e estrangeiras

– o investimento privado inicial para a implantação

do estabelecimento será de US$ 8 milhões, com a

geração de 200 empregos diretos.

A Conerge, como foi chamado o projeto, adquiriu

em abril a licença ambiental fornecida pelo IAP

(Instituto Ambiental do Paraná), certificou-se de que

a primeira usina instalada na região utilizará a luz

solar para converter em energia elétrica a ser comercializada

com empresas interessadas. A distribuição

poderá ser feita pela Copel (Companhia Paranaense de

Energia) ou por empresários parceiros interessados, de

países como Holanda, Alemanha, China, Coreia do Sul

e África do Sul.

Será um case para outros projetos futuros no Brasil”,

completa Edir.

A representante da Companhia Aeroespacial

Chinesa, Flora Wei, outra investidora da Conerge, destacou

a relevante parceria com a Faad e com o Estado,

para esse primeiro projeto no Paraná. “Essa parceria

PRIMEIROS PASSOS

De acordo com o presidente do IAP, Luiz Tarcísio

Mossato Pinto, o licenciamento ambiental foi feito de

acordo com as especificidades técnicas para um empreendimento

desse porte. “No Paraná não havia um

empreendimento semelhante, o que exigiu dos técnicos

estudos e pesquisas para atuar da melhor maneira

possível, sempre respeitando as normas já existentes

e as referências em demais empreendimentos que

envolvessem a captação e geração de energia”, conta.

Durante os encontros que definiram as tratativas

da construção da usina em Palmeira, o prefeito Edir

Havrechaki, afirmou que a instalação de uma empresa

desse porte na região também significa avanço para

a economia do município. “Palmeira será um modelo

da energia fotovoltaica do Brasil. Essa renda que vai

ser gerada fará uma diferença muito grande na cidade,

elevando os índices de desenvolvimento humano e

da qualidade de vida”, explica. “Tanto para Palmeira

quanto para o Paraná esse é um projeto-piloto, e

pioneiro, que vai trazer notoriedade para todo o país.

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ESPECIAL

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CASE

CARROS

ELÉTRICOS

FOTOS DIVULGAÇÃO

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PROJETO INCLUI UMA ELETROVIA COM

11 ELETROPOSTOS INSTALADOS AO

LONGO DE 700 QUILÔMETROS

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CASE

A

eletrovia Foz do Iguaçu-Paranaguá, primeira

do Paraná e que vai ligar a região Oeste

do Estado ao litoral paranaense, ganhou

uma nova estação de recarga rápida de

veículos elétricos em Foz do Iguaçu. O eletroposto,

inaugurado pela a Itaipu Binacional e Copel, foi instalado

na calçada em frente ao Centro de Recepção de

Visitantes de Itaipu, ao lado da barreira de controle da

usina.

A eletrovia já tem outras duas estações em operação,

uma em Paranaguá e outra em Curitiba. O objetivo

é ter, até o final 2018, 11 eletropostos instalados ao

longo de 700 km (quilômetros) da BR-277.

A inauguração do novo eletroposto contou com

a presença do diretor técnico executivo de Itaipu,

Mauro Corbellini – que representou o diretor-geral

brasileiro, Marcos Stamm, que visitou a estação em

seguida – e do diretor da Copel Distribuição, Antonio

Sergio Guetter.

“O mercado de veículos

elétricos é uma

condição que se impõe

no mundo. Não tem

como se distanciar”

Marcos Stamm, diretor-geral

brasileiro da Itaipu Binacional

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CASE

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ECONOMIA

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ENERGIA

NO BRASIL

FOTOS DIVULGAÇÃO

ESTUDO DA ABSOLAR IDENTIFICOU

POTENCIAL DE REDUÇÃO ENTRE R$ 2

E 7 BILHÕES NA CONTA DE LUZ DOS

BRASILEIROS COM O USO DE ENERGIA

FOTOVOLTAICA NA MATRIZ NACIONAL

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ECONOMIA

A

conta de luz dos brasileiros poderá ficar

mais barata: a Absolar (Associação Brasileira

de Energia Solar Fotovoltaica) identificou

oportunidade de redução por meio

da contratação da fonte solar fotovoltaica em novos

leilões de energia do Governo Federal. O objetivo é

aliviar a pressão sobre os recursos hídricos no país, reduzir

os recorrentes despachos de usinas termelétricas

fósseis e reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

De acordo com o levantamento da entidade, os

consumidores brasileiros podem ter uma redução de

entre R$ 2 e 7 bilhões nas contas de luz em menos de

cinco anos por meio complementação da matriz elétrica

brasileira com energia solar fotovoltaica.

A contratação de energia solar também pretende

trazer benefícios ambientais: a medida evitaria a liberação

de entre 15,4 e 17,9 milhões de t (toneladas) de

CO2 (Gás Carbônico) na atmosfera nos próximos cinco

anos, contribuindo para o cumprimento dos compromissos

brasileiros de redução de emissões de gases de

efeito estufa, assumidos junto ao Acordo de Paris.

Segundo o estudo, o maior impacto aconteceria

no subsistema elétrico do nordeste do país, região

mais afetada pela seca, que afeta a disponibilidade de

recursos hídricos para operação das usinas hidrelétricas

da região.

Proposta recente do Ministério de Minas e Energia

visa contratar novas termelétricas fósseis a gás natural

para o atendimento da região nordeste. De acordo

com o presidente do Conselho de Administração da

Absolar, Ronaldo Koloszuk, é necessário um debate

aprofundado sobre a proposta.

"Porque trocar termelétricas antigas por outras

termelétricas, quando poderíamos estar substituindo

as termelétricas fósseis por usinas baseadas em renováveis,

a preços menores? Temos um imenso potencial

renovável subutilizado e que reduziria não apenas os

custos financeiros, mas também os custos ambientais,

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ECONOMIA

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ARTIGO

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AVALIAÇÃO DO POTENCIAL

ENERGÉTICO DE BAMBUSA VULGARIS

EM FUNÇÃO DA IDADE

FOTOS DIVULGAÇÃO

AILTON TEIXEIRA DO VALE

Universidade de Brasília

ALESSANDRO CEZAR DE

OLIVEIRA MOREIRA

Serviço Florestal Brasileiro

ILDEU S. MARTINS

Universidade de Brasília

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ARTIGO

RESUMO

E

ste trabalho teve como objetivo a avaliação

energética de Bambusa vulgaris ex J.C. Wendl. var.

vulgaris com idades de 1, 2 e 3 anos. As amostras,

provenientes de três posições ao longo do colmo

(base, meio e topo), foram coletadas no plantio comercial,

manejado para produção de energia, tendo os teores de

material volátil, cinzas e carbono fixo; o poder calorífico

superior, a densidade básica e a densidade energética; os

teores de extrativos, holocelulose e lignina total determinadas.

Os resultados indicam que para as idades de 1 a 3 anos

houve aumento do teor de cinzas, densidade básica e energética,

diminuição do teor de material volátil, de carbono

fixo e de poder calorífico. Também indicam que da base

para o topo houve aumento do teor de cinzas, densidade

básica e energética, diminuição do teor de material volátil,

de carbono fixo e do poder calorífico.

Elegendo a densidade energética como a melhor

variável, é possível afirmar que a qualidade da biomassa de

Bambusa vulgaris como insumo energético melhora com

o aumento da idade e nas porções superiores dos colmos,

produzindo maior quantidade de energia por unidade de

volume.

INTRODUÇÃO

Segundo a Agência Internacional de Energia, o

consumo mundial de insumos energéticos crescerá 40%

até 2035. Goldemberg (2010) afirma que a atual rota de

desenvolvimento com base no consumo de combustíveis

fósseis não é sustentável em função da exaustão das reservas,

segurança de abastecimento e impactos ambientais

e indica, entre outras soluções, a utilização crescente de

energias renováveis. Nesse sentido, o Brasil é privilegiado,

pois é considerado, segundo o Programa das Nações

Unidas para o Meio Ambiente, o maior mercado mundial

de energia renovável.

A biomassa convertida em biocombustíveis se enquadra

no conceito de desenvolvimento sustentável e o

bambu, como fonte de biomassa, é uma alternativa por

ser, entre outros fatores, uma gramínea perene, com boa

produtividade, sem necessidade de replantio (Guarnetti,

2013).

No mundo existem 1.439 espécies de bambus, distribuídas

em 116 gêneros (Bamboo Phylogeny Group, 2012),

com mais de 4 mil utilidades (Inbar, 2012), e o Brasil possui

a maior diversidade na América Latina (Grombone-Guaratini

et al., 2011). A utilização do bambu ao longo do tempo

tem beneficiado o homem em várias gerações, como fonte

de trabalho e renda (Almeida, 2010). No leste da Ásia, é

utilizado na fabricação de casas, ferramentas agrícolas,

artesanato e móveis. Mas, atualmente, outras frentes têm

sido pesquisadas, como o uso como carvão ativado.

Mesmo possuindo um grande potencial industrial, o

bambu ainda é pouco explorado no Brasil, por escassez

de informações a seu respeito (Marinho et al., 2012). Neste

sentido e com o intuito de incentivar seu cultivo no Brasil,

em 8 de setembro de 2011, foi sancionada a Lei no 12.484,

que institui a Pnmcb (Política Nacional de Incentivo ao

Manejo Sustentado e ao Cultivo do Bambu), que tem por

objetivo o desenvolvimento da cultura do bambu no país

por meio de ações governamentais e de empreendimentos

privados.

Essa lei ainda não está clara no que se refere ao uso do

bambu como fonte de geração de energia, mas coloca essa

gramínea como uma cultura importante para o desenvolvimento

econômico e social do país.

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ARTIGO

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AGENDA

NOVEMBRO 2018

MERCOPAR 2018

Data: 2 a 4

Local: Caxias do Sul (RS)

Informações: www.mercopar.com.br

DESTAQUE

WINDABA

Data: 6 e 7

Local: Cidade do Cabo (África do Sul)

Informações: www.windaba.co.za

EMART ENERGY

Data: 6 a 8

Local: Viena (Áustria)

Informações: www.emart-energy.com

ENERGY PLUS

Data: 16 a 18

Local: Marche-en-Famenne (Bélgica)

Informações: www.energiesplus.be

AUSTRALIAN UTILITY WEEK

Data: 21 e 22

Local: Melbourne (Austrália)

Informações: www.australian-utility-week.com/#

EXPO ELECTRICITY

Data: 21 a 24

Local: Argel (Argélia)

Informações: http://enaexpo.net/

POWER EUROPE 2018

Data: 28 a 30

Local: Amsterdã (Holanda)

Informações: www.europeanpowergeneration.eu

SENDI

Data: 20 a 23 de novembro

Local: Fortaleza (Ceará)

Informações:

http://sendi.org.br/sendi2018.html

Com o intuito de promover a troca de experiências

entre as empresas distribuidoras de energia

elétrica, fomentando ideias para a manutenção e

desenvolvimento da qualidade dos serviços prestados,

a Abradee realiza, a cada dois anos, o Sendi

(Seminário Nacional de Distribuição de Energia

Elétrica). Em 2018, durante os dias 20 e 23 de novembro,

o evento será realizado, pela primeira vez,

em Fortaleza, sob a coordenação da Enel Distribuição

Ceará. O evento será uma oportunidade para

discutir tendências do segmento, como a digitalização,

e-mobility, relação com os clientes e modelo

regulatório.

Imagem: divulgação

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REVISTA REFERÊNCIA,

HÁ VINTE ANOS

CRESCENDO JUNTO COM

O SETOR MADEIREIRO

E FLORESTAL

edição 01 edição 200


OPINIÃO

Foto: divulgação

POR QUE OS PAÍSES COM

MAIORES RESERVAS

RENOVÁVEIS SE TORNARÃO

SUPERPOTÊNCIAS DO

AMANHÃ?

O

século XX foi dominado pelo carvão, petróleo e

gás natural, mas uma mudança para a geração

de energia com emissão zero e transporte

significa que um novo conjunto de elementos se

tornará fundamental. Ao considerar este futuro, é necessário

entender quem ganha e perde mudando de carbono para

silício, cobre e lítio.

A lista de países que se tornariam as novas “superpotências

de renováveis” contêm alguns nomes familiares, mas

também alguns novatos. As maiores reservas de quartzito

(para produção de silício) são encontradas na China, nos EUA

(Estados Unidos da América) e na Rússia - mas também no

Brasil e na Noruega. Os EUA e a China também são importantes

fontes de cobre, embora suas reservas estejam diminuindo,

o que levou o Chile, o Peru, o Congo e a Indonésia à frente

na disputa. De todos os países produtores de combustíveis

fósseis, são os EUA, a China, a Rússia e o Canadá que poderiam

facilmente transitar para os recursos de energia verde. Na verdade,

é irônico que os EUA, talvez o país mais politicamente

resistente à mudança, possa ser o menos afetado no que diz

respeito às matérias-primas. Mas é importante notar que um

conjunto completamente novo de países também encontrará

alta demanda por seus recursos naturais.

A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)

é um grupo de 14 nações que juntas contêm quase

metade da produção mundial de petróleo e a maior parte

de suas reservas. É possível que um grupo semelhante possa

ser criado para os principais produtores de matérias-primas

de energia renovável, transferindo o poder do Oriente Médio

para a África Central e, especialmente, a América do Sul.

É improvável que isso aconteça pacificamente. O controle

dos campos de petróleo foi um fator determinante de

muitos conflitos do século XX e, voltando ainda mais longe, a

colonização europeia foi impulsionada pelo desejo de novas

fontes de alimentos, matérias-primas, minerais e, mais tarde,

petróleo. A mudança para energia renovável pode causar algo

semelhante.

Diante desse cenário, duas versões do futuro podem ser

consideradas. A primeira possibilidade é a evolução de uma

nova organização da Opep com o poder de controlar recursos

vitais, incluindo silício, cobre, lítio e lantanídeos. A segunda

possibilidade envolve a colonização do século XXI nos países

em desenvolvimento, criando supereconomias. Nos dois cenários

há a possibilidade de que nações rivais possam cortar

o acesso a recursos vitais de energia renovável, assim como os

grandes produtores de petróleo e gás fizeram no passado.

Do lado positivo, há uma diferença significativa entre os

combustíveis fósseis e os elementos químicos necessários

para a energia verde. Petróleo e gás são commodities consumíveis.

Uma vez que uma usina de gás natural é construída,

ela deve ter um fornecimento contínuo de gás ou para de

gerá-lo.

Em contrapartida, uma vez que um parque eólico é

construído, a geração de eletricidade é apenas dependente

do vento e não há necessidade contínua de neodímio para

os ímãs ou cobre para os rolamentos do gerador. Em outras

palavras, energia solar, eólica e de ondas exigem uma compra

única para garantir a geração segura de energia a longo prazo.

Um país que cria infraestrutura de energia verde garantirá

que seja menos suscetível a ser refém do mercado. Já os adotantes

tardios descobrirão que sua estratégia tem um preço

alto. Desta forma, será importante que os países com recursos

não se vendam a baixo custo para o primeiro licitante, na esperança

de ganhar dinheiro rápido - porque, como os grandes

produtores de petróleo descobrirão nas próximas décadas,

nada dura para sempre.

Por Andrew Barron

Fundador e diretor do Instituto de Pesquisa em Segurança

Energética da Inglaterra e professor da Swansea University

Foto: divulgação

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