Revista Apólice #238

revistaapolice

Ano 23 - nº 238

Novembro 2018


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editorial

Ano 23 - nº 238

Novembro 2018

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Revista Apólice

Depois da

tempestade

Outubro foi um mês muito intenso para o Brasil e para o mercado

de seguros também. A expectativa dos executivos, agora,

é que os ânimos deste ente conhecido como “mercado” se acalmem

e que, aos poucos, a vida volte ao normal.

Apesar de a economia esboçar ainda apenas um arremedo

de recuperação, a esperança é de que os investimentos privados

voltem a acontecer, principalmente depois de se conhecer quem

comandará o país pelos próximos quatro anos. Assim, novos negócios

podem avançar, mesmo que lentamente.

Mesmo em um ano difícil, o mercado de seguros buscou

soluções para diminuir os efeitos da crise. O investimento em produtos

para nichos mostra que ainda existe um largo espaço para

ser ocupado. Os brasileiros ainda possuem uma grande lacuna

de proteção, que pode ser parcialmente ocupado por produtos

desenhados de forma personalizada para cada setor.

Nesta edição vamos conhecer um pouco mais sobre proteção

para equipamentos, RC Profissional, seguros empresariais e até

para objetos pessoais. As pessoas sentem a necessidade de proteger

seu patrimônio e estão dispostas a pagar, desde que, por

outro lado, disponham de renda também.

Os grandes riscos, que foram tão importantes para o setor há

cerca de cinco anos, agora esperam por uma retomada, impulsionada

por obras de infraestrutura que demoram a acontecer. É

possível que com a troca do Governo Federal esta carteira possa

receber novos negócios. Vamos aguardar!

Boa leitura

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

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sumário

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painel

gente

capa

SaúdeBank oferece liquidez imediata para os prestadores de

serviço de saúde em relação ao movimentado com o plano de

saúde credenciado

especial nichos

equipamentos

Instrumentos de trabalho dos mercados audiovisual, odontológico

e de medicina diagnóstica devem estar protegidos para que

a continuidade da jornada não seja comprometida

empresarial

Setor desenvolve produtos com coberturas mais amplas e proteção contra

riscos específicos, mas precisa atrair os empresários que ainda deixam o

seguro em segundo plano

objetos pessoais

As pessoas estão cada vez mais dependentes de seus bens pessoais e muitas

delas se preocupam com a possibilidade de perdê-los em função de roubo

ou furto

rc profissional

Com a crescente judicialização, os profissionais procuram cada vez mais por

uma proteção contra reclamações relacionadas a alegações de falhas no

exercício de sua atividade

transportes

Carteira emitiu aproximadamente R$ 1,3 bilhões em prêmios ao mercado de

seguros no primeiro semestre de 2018. Executivos traçam a evolução do setor

e apontam boas projeções para o próximo ano

grandes riscos

Troca de governo anima mercado de seguros e resseguros que aguarda ansiosamente

a retomada dos grandes projetos de infraestrutura represados com a

crise no País. Apenas reativar o que ficou pelo caminho ajudaria o segmento

voltar, ao menos, ao porte de quatro anos atrás, quando movimentava R$

600 milhões em prêmios

itc 2018

Se em 2017 havia um ponto pacífico de que os corretores de seguros continuariam

sendo os grandes intermediários do mercado, para 2018 a única

certeza é de que tudo será diferente

contribuição sindical

Fim do imposto sindical encolhe fontes de receita dos Sincor’s, que reestruturam

serviços e buscam novos motivos para que corretores se associem

enconseg

Corretores e representantes das principais entidades do setor marcaram

presença no VII Encontro de Corretores de Seguros, que reuniu mais de 1.500

pessoas no Rio de Janeiro

fenasaúde

Mercado de saúde suplementar atravessa uma crise que reflete a situação

econômica do País. O desafio é torná-lo mais eficiente para as operadoras e

mais justo para os consumidores

| comunicação

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painel

• ncampanha

E os campeões da Ameplan

redescobrem a Bahia...

No último dia 24 de outubro, a Ameplan Saúde finalizou

sua 7ª campanha de vendas intitulada #PartiuBahia, com a

viagem de comemoração para aqueles que se destacaram em

2018 na representação de seus produtos.

Juntamente com os seus principais parceiros comerciais,

Affix, Corpore, Divicom e Hebron, Administradoras de Benefícios

e a Dentalpar Odontologia, 40 (quarenta) profissionais que

se destacaram nos quesitos da campanha puderam desfrutar,

juntamente com seus acompanhantes, das belezas naturais

oferecidas pelo Eco Resort Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro.

Foram 5 dias de atividades e eventos.

Seguindo uma tradição de 7 anos, a Ameplan acolhe

e reconhece os profissionais que se destacam na venda de

seus produtos. As premiações, com base em confirmações

de contratos e vidas, reconhecem o vendedor, o supervisor, o

gerente e a plataforma campeã, esta última representada por

seu empresário e seu melhor funcionário administrativo.

Além da viagem, a Ameplan Saúde oferece, no transcorrer

do período da campanha, outras premiações que vão sendo

conquistadas por quase a totalidade de seus representantes,

culminando no grande prêmio, como diferencial para os

Campeões.

Desta vez, o local escolhido foi a terra de Tomé de Souza

e dos primeiros jesuítas que lá chegaram em 1549 com suas

primeiras 3 naus: Conceição, Salvador e Ajuda.

• nassociação

Metas mais ambiciosas para as

mulheres do setor

Um talk show realizado

durante a edição

brasileira do Dive In –

The Festival for Diversity

& Inclusion in Insurance

marcou a apresentação da

Associação de Mulheres

do Mercado de Seguros

(AMMS), que sucederá

metas e planos mais ambiciosos

do Clube das Luluzinhas

Executivas de

Seguros. O Clube foi criado

há 20 anos diante da constatação do baixo número de mulheres

atuando em funções executivas no mercado segurador. A

AMMS tem como referência uma associação norte-americana

que aceita “todos os gêneros” e traz Margo Black como

primeira presidente. A Associação quer ser reconhecida por

propagar e ajudar as boas práticas de inclusão e, para isso,

atuará junto às empresas para que as mulheres sejam valorizadas

no ambiente de trabalho.

• ndecisão

Companhia deixa

segmento de

telefonia móvel

A Porto Seguro deixará de atuar

no segmento de telefonia móvel. A

empresa estabeleceu um compromisso

de cooperação para migração

de clientes de voz e dados da Porto

Seguro Conecta com a TIM. “O nosso

objetivo com essa transação é concentrar

esforços em negócios que

alcancem diferenciais competitivos”,

afirmou a companhia, em comunicado.

A transição será realizada aos

poucos e os clientes da Porto Seguro

Conecta continuarão sendo atendidos

normalmente. A conclusão da

operação está sujeita à aprovação

do Cade e, somente depois desse

processo, a migração de clientes

será iniciada.

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• negócios

Solução para consultorias e corretoras

de benefícios

A Quiver adquiriu 100% da EBS, solução para o segmento de corretoras

e consultorias de benefícios. “Já estamos desenvolvendo os módulos

de integração das soluções

adquiridas com o Quiver PRO. As

soluções estarão integradas até

o final de 2018. Desta forma, os

clientes que adquirirem as novas

soluções poderão contar com esta

integração”, salienta Fernando

Rodrigues, VP Financeiro e de

Operações da Quiver. As soluções

serão voltadas a todos os corretores

de seguros, independente do seu

porte e segmento de atuação. A

medida está em linha com o plano

desenvolvido há dois anos.

Com isso, Ciro Jacob, então

sócio-diretor da EBS, ocupará a

diretoria de benefícios na Quiver.

• ¢ aquisição

Impulso à carteira de

planos odontológicos

A SulAmérica assinou, através de sua

controlada indireta Sul América Odontológico

S.A., um contrato para a aquisição da Prodent

Assistência Odontológica Ltda. A transação,

no valor de R$ 145,7 milhões (sujeito a ajuste

de preço), acrescentará mais de 400 mil beneficiários

à carteira de planos odontológicos da

seguradora, ultrapassando a marca de 1,5 milhão

de clientes neste segmento. Fundada em

1989, a Prodent é a oitava maior operadora de

planos odontológicos do país e apresentou, em

2017, receita operacional de aproximadamente

R$ 100 milhões, índice de sinistralidade de

cerca de 30% e margem bruta de 45%. A

aquisição está condicionada ao cumprimento

de determinadas condições precedentes,

previstas no contrato, incluindo a aprovação

de autoridades regulatórias.

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painel

• nposse

Diretoria para o biênio 2018/2020

Foi empossada a

diretoria do CCS-SP

eleita para o biênio

2018/2020. Evaldir

Barboza de Paula, secretário

nas duas últimas

gestões, assumiu

a mentoria da entidade

junto com o novo secretário

Nilson Arello

Barbosa e com o tesoureiro

Jorge Teixeira

Barbosa. Ivone Elise

Evaldir B. de Paula e Adevaldo Calegari Gonoretske permanece

na Junta Fiscalizadora ao lado de dois novos membros: Raquel

Gomes e Nilson Moraes. Adevaldo Calegari, que encerrou sua

segunda gestão à frente do Clube, passa a compor o Conselho

de Mentores. “Somos operários trabalhadores, guerreiros de

uma causa”, disse Calegari ao transmitir o timão (símbolo de

comando da entidade) a Barboza, que prometeu fazer todo o

esforço para que na nova gestão o Clube tenha a transformação

que merece. “Mas, espero contar com o apoio de todos”, afirmou.

• ndiversidade

Entidade busca diminuir o impacto

do preconceito no mercado

No mês de dezembro será lançado o Instituto para a Diversidade

e Inclusão no Setor de Seguros (IDIS), entidade que tem

como propósito aumentar a conscientização do mercado sobre

o tema. O Instituto deverá promover ações que auxiliem o setor

a trabalhar melhor estes temas. Serão elaborados treinamentos

e consultoria na implementação de programas internos para

o desenvolvimento da diversidade, na publicação de artigos

acadêmicos e outras iniciativas

relevantes. O Instituto

também deve se aliar a outros

congêneres para potencializar

as ações. “Inicialmente, trabalharemos

três pilares: gênero

(mulher), LGBT+ e raça/etnia.

Consideramos que essas são

as áreas mais urgentes às quais

devemos nos dedicar, mas

vamos, no futuro, trabalhar

os pilares de PCDs, gerações

e outros”, adianta Valeria

Schmitke, presidente do IDIS.

• nposse 2

Mudanças para os próximos anos

O CVG-RS empossou sua nova diretoria para o biênio

2018/2020. A presidência da entidade, até então ocupada por

Éder Oliveira, passou para Andreia Araújo. A executiva faz

parte do corpo diretivo do Clube há seis anos e também é

diretora de Negócios e Marketing da Previsul Seguradora.

Clodomiro Dorneles fica na vice-presidência da entidade.

Entre os presentes na cerimônia de posse estavam Joaquim

Mendanha, superintendente da Susep; Ricardo Pansera,

presidente do Sincor-RS; além de Guacir Bueno, presidente

do SindsegRS.

• ¢ levantamento

Andreia Araújo e Joaquim Mendanha

O desafio das empresas

na era digital

A transformação digital ainda não é uma

unanimidade entre as companhias. Para entender

melhor o cenário, a Avaya encomendou

junto à International Data Corporation

(IDC) um estudo sobre o tema com 800

empresas de 15 países, incluindo o Brasil. Mais

de 35% das organizações ouvidas apontaram

os custos como a maior barreira para que

consigam adotar soluções de atendimento

ao cliente que integrem tecnologia e contato

humano. Outro fator preponderante é a falta

de capacitação dos usuários que buscam

assistência, situação relatada por 32% das

empresas. O levantamento também atestou

que apenas 19% das organizações consideram

que estão no caminho correto rumo à

digitalização dos processos e serviços. Em

contrapartida, 69% afirmaram que não veem

os esforços de transformação digital como

totalmente bem-sucedidos.

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• nevento

50 anos de fundação

A Fenacor promoveu, no Rio de Janeiro,

um evento para comemorar os 50 anos de sua

fundação. Estiveram presentes presidentes

e executivos de seguradoras, de entidades

do setor e da Susep, além de dirigentes dos

Sincor’s. Paulo Gynner, Roberto Barbosa e

Octávio Milliet, ex-presidentes da federação,

foram homenageados e subiram ao palco

para receber placas especiais. Além deles,

foram homenageadas as empresas e entidades

que têm relação histórica com a Fenacor.

Presidente licenciado da instituição, Armando

Vergilio acentuou que a história da entidade “é

um registro de uma verdadeira crônica positiva de dedicação

ao país, ao longo de sua própria existência”. Ele também conclamou

os atores e instituições do mercado a unirem forças

visando ajudar o Brasil a enfrentar as dificuldades que surgirão

no processo de retomada do crescimento econômico e de

busca do equilíbrio social e da redução das desigualdades.

• nevento 2

Como vender seguros de pessoas

O primeiro MDRT Day Brazil debateu o papel do corretor para o desenvolvimento

dos ramos de Vida, Previdência e Investimentos. Promovido pelo

Million Dollar Round Table (MDRT) e com organização do CVG-SP, o evento

aconteceu em São Paulo. “Integramos mais de 66 mil profissionais em todo o

mundo e, a cada ano, mais corretores se capacitam para complementar nosso

grupo”, disse Ross Wanderwolf, presidente da entidade. Ele explicou que uma

das coisas mais importantes para se tornar um profissional bem-sucedido são as

métricas. “Quem registra tudo o que faz aumenta seu desempenho em 60% em

um período de até seis meses”, pontuou. “Os dados mostram que, se você medir

e estipular metas para si mesmo, esse número pode chegar a 80%”.

• nevento 3

Serviço de atendimento a sinistros

A Regula Sinistros foi a convidada da 45ª edição da Tribuna

Livre, evento realizado pela Camaracor-SP. Na oportunidade,

Daniel Bortoletto, CEO da empresa; e Donizetti Ferreira,

diretor Comercial da companhia, comentaram sobre a atuação

da startup que oferece a corretores serviço de atendimento a

sinistros em diversos ramos, deixando-os livres para fazerem

novos negócios, e terceirizando a área de sinistros para profissionais

especializados. “Usamos a tecnologia para decisões

inteligentes. O corretor de seguros não tem tanto tempo para

estar com o cliente e, com a Regula, consegue dar o mesmo

nível de atendimento e talvez até com um pouco mais de propriedade,

pois somos focados nisso”, disse Bortoletto.

Pedro Barbato Filho, presidente da Camaracor-SP, e Daniel Bortoletto

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painel

• nlevantamento

Os seguros mais adquiridos

pelos brasileiros

Dados levantados pelo Sincor-SP mostram que 53% de toda

aquisição de seguros no Brasil estão nas áreas de saúde e automóveis.

Reunindo as principais estatísticas do setor, o estudo apontou

que as áreas de saúde e auto correspondem, respectivamente,

a 26% e 27% de

todo faturamento

do mercado, que

alcançou cifras de

R$ 267 bilhões em

2017. Os faturamentos

chegaram

a R$ 39 milhões

no ramo da saúde,

enquanto os números

no mercado de

automóvel se aproximaram

dos R$ 35 milhões em prêmios. Segundo as estatísticas

compiladas pela entidade, cerca de 17 milhões de veículos brasileiros

estão segurados. Os beneficiários de planos de assistência

médica e planos odontológicos são, respectivamente, 47 milhões

e 23 milhões de segurados.

• ntrânsito

Mais de 560 mil acidentes

em dois anos

Nos últimos dois anos, mais de 560 mil acidentes ocorreram

no Brasil e foram indenizados pelo seguro DPVAT. Os dados são

da Seguradora Líder. Os jovens de 18 a 34 anos aparecem como as

maiores vítimas, representando 49% das ocorrências registradas

no período. Apenas em 2017, mais de 245 mil acidentes foram

registrados no país. Em 68% dos casos, as vítimas ficaram com

algum tipo de sequela permanente. Já os pedestres respondem

por 22% dos acidentes fatais. Em relação ao tipo de veículo, seguindo

a mesma tendência dos anos anteriores, a motocicleta foi

a responsável pela maior

parte das ocorrências

(76%), apesar de representar

27% da frota nacional.

As regiões Nordeste

e Sudeste lideram

o ranking dos acidentes.

São Paulo, Fortaleza,

Goiânia e Rio de Janeiro

são as capitais que mais

registraram ocorrências

e apresentam o trânsito

mais violento no país.

• ¢ supervisão

Empresas são autuadas por

operar sem aval do setor

A Susep passou a divulgar em seu site uma listagem

de empresas e entidades, nacionais e estrangeiras,

identificadas e autuadas por não possuírem autorização

da autarquia para operar com produtos de seguro. A

lista será atualizada periodicamente e abrange o chamado

“mercado marginal” como um todo, não apenas

a intitulada “proteção veicular”, pois foram identificadas

também operações indevidas em relação aos ramos de

seguros de vida, funeral, entre outros. A lista de empresas

e entidades nacionais e internacionais divulgada

pela Susep leva em consideração os processos administrativos

sancionadores julgados em primeira instância

no âmbito da autarquia, tendo caráter informativo e

não exaustivo. Em relação às empresas estrangeiras, a

autarquia alerta que há denúncias sobre a comercialização

de produtos de seguro de forma irregular no Brasil,

e que tal prática vai de encontro à legislação brasileira.

• nproduto

Novos planos de previdência

privada

A Bradesco Vida e Previdência lançou uma nova geração

de fundos de previdência, composta por dois produtos.

O primeiro, Portfólio Multiestratégia, permite que o participante

contrate um único plano de previdência e, por meio

dele, acesse diversas classes de ativos. A gestão dos recursos

é realizada de forma dinâmica e contempla três perfis de

risco (moderado, dinâmico e arrojado). Periodicamente, as

carteiras recomendadas para cada perfil de participante são

rebalanceadas automaticamente. Já o Bradesco Multigestores

permite a aplicação em fundos de vários gestores em

um único plano. Além dos fundos da companhia, o cliente

pode acessar produtos

disponibilizados por

gestores selecionados

pela Bradesco Asset

Management (BRAM).

A alocação dos recursos

é feita de forma

automática e as movimentações

entre os

fundos investidos não

sofrem incidência de

Imposto de Renda.

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GENTE

CEO para as operações

no México

A Swiss Re Corporate Solutions

México nomeou Newton Queiroz

como CEO. O executivo atuou como

head de vendas para a América Latina

na Swiss Re Corporate Solutions e é

veterano de mercado, com mais de 15

anos de experiência em seguros.

CMO para a

América Latina

A MetLife anunciou Federico

Acunã para o cargo de Chief Marketing

Officer (CMO) na América Latina.

O executivo irá liderar e gerir a estrutura

de Marketing da região a partir

da sede da companhia, em Nova York.

Antes da MetLife, Acunã passou pelas

empresas Twitter, América Express, Philip Morris e Unilever.

VP de

Desenvolvimento

de Negócios

Juan Ignacio de Lorenzo assumiu

a vice-presidência de Desenvolvimento

de Negócios da Chubb na

América Latina. A iniciativa engloba

todos os produtos da companhia na

região, incluindo acidentes, saúde,

vida, residencial, proteção online e equipamentos móveis.

Nova CPO

Sheynna Hakim Rossignol,

ex Head of Product do Itaú, agora

é CPO (Produto e Marketing) da

Pitzi. Com a chegada da executiva, a

insurtech fortalece a área de inovação

e desenvolvimento de soluções

para seus parceiros e clientes.

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capa | saúdebank

Solução financeira inovadora

para o mercado de saúde

Empresa oferece liquidez imediata para os prestadores de serviço de

saúde em relação ao movimentado com o plano de saúde credenciado

Kelly Lubiato

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❙❙Allan Assumpção, CEO

“O mercado de saúde

no Brasil já é muito

sólido e promissor,

mas ainda há muito o

que fazer por todos os

agentes deste mercado”

Allan Assumpção,

CEO do SaúdeBank

A

onda de novos serviços para o

mercado de saúde traz agora

a segurança de saber que o

trabalho realizado em um mês

pode ser rapidamente transformado em

dinheiro. Anualmente, os planos de saúde

pagam mais de R$ 200 bilhões em sinistros

de todos os tipos, desde consultas e

exames simples até atendimentos de alta

complexidade.

Entretanto, os valores a serem pagos

pelas operadoras de planos de saúde só

chegam, efetivamente, aos bolsos dos

prestadores com um significativo delay

após o atendimento do beneficiário.

Normalmente, o prestador entrega a fatura

para a operadora com todos os seus

atendimentos. A operadora leva cerca de

30 dias para analisar o que realmente será

pago, obedecendo aos seus critérios de

avaliação e protocolos acordados. Após

saber o valor que vai receber, o prestador

de serviços pode aguardar ainda mais de

45 dias para ver o dinheiro entrar em sua

conta corrente.

Da dificuldade dos prestadores de

serviços em relação a este fluxo financeiro

e do desejo das operadoras em

potencializar seu relacionamento com sua

rede de prestadores, nasceu o SaúdeBank,

uma empresa de serviços financeiros

focada no setor de saúde no Brasil, com

forte base em soluções tecnológicas e

inovação. “O mercado de saúde no Brasil

já é muito sólido e promissor, mas ainda

há muito o que fazer por todos os agentes

deste mercado”, revela Allan Assumpção,

CEO da companhia.

O SaúdeBank fornece aos prestadores

de serviços (hospitais, laboratórios,

clínicas e consultórios) a possibilidade

de antecipar os seus valores a receber

das operadoras de saúde com taxa competitiva.

O serviço funciona da seguinte

maneira: após entregar a sua prestação

de contas aprovada pela operadora, o

prestador já pode solicitar o valor ao SaúdeBank.

Depois de confirmar, de forma

eletrônica, a autenticidade da informação,

o dinheiro já estará disponível para uso.

Assumpção destaca que a atuação do

SaúdeBank está concentrada no fomento

e financiamento dos prestadores de

serviços, pois a empresa possui grande

conhecimento tanto na área financeira

quanto na de saúde, contando com

profissionais experientes em ambos os

mercados. “Nosso DNA é de construir

relações fortes e duradouras”, declara.

Para a implantação do SaúdeBank

foi feito um trabalho aprofundado com as

administradoras e operadoras de planos

de autogestão. Este segmento é um dos

mais afetados pelo crescente aumento

dos custos dos serviços de saúde e pela

inflação médica, por conta de sua natureza

de negócios. Os prestadores estão sob

constante pressão em relação ao custo

dos procedimentos. Por conta disso, o

mercado já vem buscando modelos alternativos

de remuneração com o intuito

de melhorar a relação entre os players.

Por exemplo, remunerar o prestador por

resultado do tratamento, o chamado value

based, em detrimento do modelo atual

que é o fee for service, no qual quanto

mais o prestador tem receita, mais a

operadora tem despesa.

Possuir um meio viável e de custo

financeiro acessível é uma grande oportunidade

de potencializar resultados para

todos e é neste ponto que o serviço do

SaúdeBank auxilia, gerando alívio no

fluxo de caixa.

A operadora faz a análise da conta

médica enviada pelo prestador e, em

média, paga 85% do que é apresentado,

dependendo da categoria de serviço prestado

e da forma que o prestador entrega

a cobrança para análise, o que gera um

desencaixe de caixa. “Identificamos a necessidade

de antecipação do pagamento,

porque em média demora mais de um

mês para que ele receba o valor devido”,

explica Assumpção.

O prestador de serviços tem uma

cadeia de financiamento muito longa.

Quando o SaúdeBank antecipa um valor,

além de aliviar a pressão imediata de

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saúdebank

❙❙Joel La Banca Neto, CFO

fluxo de caixa, o prestador tem a oportunidade

de avaliar o uso deste serviço

como uma via de ampliação de linha de

crédito em outras fontes que ele utiliza,

principalmente em bancos, podendo

potencializar seus negócios.

Normalmente as instituições financeiras

tradicionais estabelecem um

limite de exposição de crédito para um

prestador. Se ele utiliza estas linhas em

operações de curto prazo, pode haver

restrição ao acesso para linhas de longo

prazo, que são as que potencializam

sua operação, como a compra de equipamentos

ou expansão das instalações,

e possuem taxas mais atraentes. Ainda

não é raro que estas operações tradicionais

sejam lastreadas por garantias

que muitas vezes também consomem o

capital de giro.

Operacionalização

Quando o prestador emitir a nota

fiscal para a operadora de planos de

saúde, a equipe do SaúdeBank irá validar

a operação com a operadora, que apenas

confirmará que o prestador faz parte de

sua rede credenciada e que a nota fiscal

é devida. Em seguida, o FIDC do Saúde-

Bank disponibilizará o crédito na conta

corrente do prestador de serviço.

No pagamento, a operadora repassa

o valor que seria pago ao prestador diretamente

para o FIDC do SaúdeBank,

quitando assim a operação. “É uma

operação rápida e que pode ser muito

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❙❙Humberto Vallone, CCO

vantajosa para todos os envolvidos.

Queremos aplicar a verdadeira relação

ganha-ganha neste o mercado”, empolga-

-se Assumpção.

“Toda esta operação será feita com

sistemas de apoio que automatizam os

processos de solicitação, aprovação e

pagamento com garantia de segurança”

comenta o CIO Sabino Suzuki. Além

disso, “as taxas serão altamente competitivas,

buscando sempre uma eficiência

em relação aos produtos tradicionais”, diz

Joel La Banca Neto, CFO do SaúdeBank.

Precificar o risco deste prestador é

mais fácil, porque o seu crédito já está

disponível, apenas aguardando a liberação

da operadora. Desta forma é possível

conseguir as melhores taxas.

Vantagens para a operadora

de planos de saúde

“O prestador de serviço ganhou no

custo financeiro e na expansão do seu

crédito. Na outra ponta, a operadora deve

“Toda esta operação será

feita com sistemas de

apoio que automatizam

os processos de

solicitação, aprovação e

pagamento com garantia

de segurança”

Sabino Suzuki, CIO

❙❙Sabino S. Suzuki, CIO

ser reconhecida por facilitar o acesso ao

crédito mais competitivo por sua rede de

prestadores”, destaca o CCO Humberto

Vallone. Além disso, há ganho de tempo

para a operadora e uma melhora significativa

na relação com o prestador, uma vez

que o atendimento e pagamento passam

a ser mais ágeis.

“Nós conhecemos o mercado de

saúde suficientemente bem para sabermos

que nossa atuação pode ser, e é, diferente.

E não estou falando apenas em taxas. A

diferença está na atitude e no apetite que

é diferente daquele do banco, e entendemos

que a relação ganha-ganha faz

todo sentido, pois constrói ganhos para

todos,” pontua Assumpção. “Nós queremos

nos posicionar de forma diferente

no mercado”.

O SaúdeBank poderá atender toda

a rede credenciada das operadoras de

saúde, desde os grandes hospitais e laboratórios,

até as clínicas ou consultórios

médicos. Basta ser credenciado de uma

das operadoras parceiras.

A nova empresa, que levou dois

anos para consolidar o seu modelo de

negócios, irá atuar em todo o Brasil e

quer atingir todas as operadoras de saúde

do mercado. Vai começar pelas 120 operadoras

de autogestão, que representam

15% dos gastos com sinistros de saúde.

“Não estamos com pressa, porque

viemos para ficar. A operadora é nossa

parceira, e o prestador, nosso cliente”,

conclui Assumpção.


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especial nichos | equipamentos

Investimento inteligente

Instrumentos de trabalho dos mercados audiovisual,

odontológico e de medicina diagnóstica devem estar protegidos

para que a continuidade da jornada não seja comprometida

Lívia Sousa

O

mercado audiovisual está

mais consciente da importância

do seguro para produções

não só de grandes

projetos como longas-metragens e reality

shows, mas de documentários e filmes

publicitários que, mesmo com períodos

menores de produção, estão expostos

a riscos. De olho no crescimento das

produções deste setor, as seguradoras

buscam aprimorar a análise dos riscos

e aperfeiçoar os produtos já disponíveis

nas prateleiras.

“O seguro para produção audiovisual

não é mais uma despesa dentro do projeto.

É um investimento, pois a produtora está

exposta a diversos riscos e imprevistos

16

que podem causar prejuízos”, garante Ricardo

Sevecenco, da Sensulini Seguros.

O produto representa algo em torno

de 1% a 2% do custo total da produção e

é passível de captação pública. Trata-se

de um seguro amplo, com coberturas que

visam minimizar eventuais custos, como,

por exemplo, as despesas adicionais caso

pessoas essenciais nomeadas pela produtora

fiquem impossibilitadas de comparecer

as filmagens, comprometendo

o andamento do projeto. Equipamentos

próprios ou alugados, objetos cenográficos

e veículos em cena também estão

cobertos. Há a possibilidade de estruturar

uma apólice de seguro sob medida para

cada projeto, entendendo a necessidade

da produtora e desenhando um seguro

com as coberturas que atendam demandas

específicas.

Sevecenco destaca que a cobertura

para equipamentos é apenas uma dentre

as mais de dez oferecidas pelo produto.

Por isso, é importante investir no seguro

da produção como um todo, inclusive

os equipamentos, que muitas vezes são

locados e com alto custo de reposição em

caso de roubo ou dano. “Tivemos alguns

sinistros com roubo de objetos de cena,

equipamentos e acidentes com equipe,

sinistros esses que causam despesas adicionais

não previstas no orçamento e que

o seguro pode minimizar”, exemplifica.

Embora os seguros voltados ao

mercado audiovisual já existam há mais

de duas décadas, Analúcia Araújo, da

FotoSeg Corretora, revela que o produto

ainda é visto com cautela devido ao risco

real de alta sinistralidade. “A procura

é modesta, pois falta conscientização


❙❙

Ricardo Sevecenco, da Sensulini

sobre sua importância, sendo necessário

um trabalhado de médio a longo prazo

nesse segmento. As taxas são consideradas

elevadas por boa parte do público

profissional e amador”, diz. Seja um

equipamento de baixo ou alto custo, vale

analisar a tranquilidade na hora de sair

com os bens. Mas, para profissionais da

área, a executiva é categórica: “o seguro

é essencial. Eles podem simplesmente

perder tudo de um dia para o outro e,

muitas vezes, acabam até mudando de

profissão, pois fica difícil adquirir outros

itens de qualidade em pouco tempo para

honrarem seus compromissos”.

Atualmente são poucas as seguradoras

que detém efetivamente esse mercado,

com foco maior em corretoras parceiras

especializadas no segmento. Uma delas é

a Porto Seguro, que nos últimos dois anos

registrou um aumento médio de 15% na

contratação do seguro. A empresa oferece

cobertura básica para danos físicos

ao aparelho e disponibiliza coberturas

opcionais que cobrem subtração do

bem, danos elétricos, danos por água e

a garantia internacional, que estende as

garantias contratadas para ocorrências

fora do Brasil.

“Esse tipo de seguro é essencial para

os fotógrafos amadores e profissionais,

visto que os equipamentos fazem parte

do seu negócio e possui coberturas que

vão ajudar os profissionais e empresas a

protegerem seus equipamentos, sem que

a continuidade do trabalho seja comprometida.

No entanto, existe o interesse

de muitas pessoas que vão viajar, ou até

depois que elas adquirem equipamentos

no exterior, a fim de segurar além dos

equipamentos, os seus acessórios, que

chegam a custar até mais que a própria

câmera fotográfica”, pontua Jarbas

Medeiros, superintendente de Ramos

Elementares da companhia.

A empresa trabalha ainda com uma

cobertura exclusiva para câmeras digitais

e filmadoras, que garante a perda ou o

pagamento dos aluguéis desses equipamentos

caso sofram danos devidamente

cobertos. O seguro foi desenvolvido para

equipamentos com valores acima de R$

500 e com até cinco anos, mas também

há cobertura para seus acessórios com

valores acima de R$ 100.

“Muitas pessoas conhecem apenas

o seguro para celular [saiba mais na

página 22]. A partir do momento que

o seguro para câmera fotográfica e de

vídeo for mais divulgado e chegar ao

conhecimento das pessoas, a tendência

é que o número desse serviço aumente”,

acrescenta Medeiros.

Para que o mercado segurador

avance neste nicho, o caminho é, principalmente,

a especialização por parte de

quem comercializa o produto. “Infelizmente

nos deparamos com clientes que

já tiveram sinistro anteriormente e não

foram indenizados porque a contratação

não foi feita corretamente. Isso cria um

clima de insegurança entre os profissionais

do ramo, além de inconveniências ao

corretor e à seguradora”, avalia Analúcia,

que apesar de acreditar que o setor já esteja

próximo do seu ponto de completude,

afirma que é possível construir uma boa

❙❙Jarbas ❙❙

Analúcia Araújo, da FotoSeg

carteira com alta especialização, muito

trabalho e atendimento personalizado.

Equipamentos odontológicos

Todos os segmentos de saúde evoluíram

nos últimos anos. O que também

mudou muito foram os equipamentos

para quem atua na área odontológica,

considerando a entrada de startups de

aluguéis de equipamentos, franqueadoras

de consultórios e clínicas, além da própria

conscientização dos profissionais da área

para a necessidade dos riscos envolvidos

na sua profissão.

O seguro para equipamentos odontológicos

oferece coberturas como incêndio,

queda de raio e outros danos de causa

externa. Além disso, existe a cobertura

de roubo e furto qualificado e danos

elétricos. Caso o cliente opte, é possível

estender a cobertura para os equipamentos

enquanto estiverem arrendados e/

ou cedidos a terceiros. Os itens a serem

avaliados para contratação são similares

aos seguros tradicionais. O cliente deve

ter atenção principalmente aos valores a

serem segurados e às franquias que são

adotadas pelas seguradoras. Também

precisa levar em conta os riscos a que

os equipamentos estão sujeitos, como,

por exemplo, se eles irão sair ou não do

consultório ou se possui notas fiscais de

aquisição.

A Argo Seguros registrou um aumento

na procura desse tipo de seguro e,

enxergando a oportunidade de ofertar do

produto de forma simples e rápida, passou

a comercializá-lo através da plataforma

digital Protector. “O segmento está em

Medeiros, da Porto Seguro

17


equipamentos

❙❙

Janete Tani, da Argo

franca expansão e poucas seguradoras

oferecem coberturas completas. Ofertamos

coberturas com a possibilidade de

incluir garantia a equipamentos portáteis

e no interior do consultório na mesma

apólice, o que atualmente não é comum

no mercado”, afirma a gerente de Riscos

Patrimoniais, Janete Tani.

A executiva acredita que ainda existem

muitas oportunidades que podem ser

melhor exploradas, como distribuição do

seguro diretamente através dos fabricantes

e importadores, utilizar-se de canais

como franqueadores deste segmento,

como por exemplo clínicas odontológicas;

além de fazer cross-selling com

os segurados de Responsabilidade Civil

Profissional.

Medicina diagnóstica

Apesar da desaceleração da economia

do país, o ano de 2017 registrou um

aumento de 15% no volume de equipamentos

e dispositivos médicos importados

para o Brasil. Consequentemente, a

procura por seguros deste tipo também

acelerou, fazendo com que as seguradoras

adaptassem sua linha de produtos para

atender a demanda. Na Bradesco Auto/

RE, o crescimento no volume de vendas

para esses equipamentos foi da ordem de

18% nos últimos 12 meses. “Neste segmento,

o segurado tem a necessidade de

translado de seus equipamentos devido a

necessidade de prestação de serviços em

clínicas e hospitais, gerando uma procura

maior em virtude da exposição do risco

diante do cenário atual em que o país

18

se encontra”, explica o diretor técnico,

Saint’Clair Pereira Lima.

Há boas oportunidades a serem exploradas,

embora o seguro ainda seja uma

questão cultural. Infelizmente, muitos

segurados não o visualizam como algo

necessário para a garantia de seus bens.

“Ao contrário do mercado nacional, o

mercado exterior está mais evoluído”,

compara. Neste caso, não se trata de um

risco comum ao segurado e ao segurador.

Diferentemente do segmento agrícola, o

segmento médico possui, em sua maioria,

um valor em risco menor, porém com

uma exposição maior ao roubo e danos

elétricos. Além disso, os equipamentos

têm vida útil inferior aos demais segmentos

face a grande utilização e necessidade

de adaptação – cada vez mais inovador,

o mercado cria novas máquinas para

atender novas necessidades das pessoas.

Gerente de Marketing da Safer Corretora,

Aylson Santos frisa que a tecnologia

voa e o setor apenas segue seu rastro,

cenário que também pode interferir na

evolução do seguro para equipamentos

médicos. “Temos disponível na ponta

de diversas companhias as ferramentas

de cálculos para itens mais conhecidos,

mas a tecnologia não para e todos os dias

surgem solicitações de cotações para um

novo tipo de equipamento que não está

disponível no rol e precisamos solicitar

uma análise específica de aceitação. São

itens que vão deixando de ser utilizados

como estacionários e passam a ser portáteis,

como ultrassons, equipamentos

estimuladores musculares que antes eram

❙❙Aylson Santos, da Safer Corretora

❙❙Saint’Clair Pereira Lima, da Bradesco

utilizados em ambiente como clínicas

estéticas e agora se tornaram febre em atividades

físicas nas academias, deixando

confusas as próprias companhias quanto

ao enquadramento e/ou os muitos novos

equipamentos desconhecidos até mesmo

pela classe médica”, pontua.

Tudo isso demanda um esforço

maior das companhias para prever riscos

sobre os quais, muitas vezes, não

possuem dados estatísticos suficientes

para geração de preços e regras de

comercialização, e ainda dificultam o

desenvolvimento na ponta. Para Santos,

há uma responsabilidade ainda maior do

profissional de seguros neste segmento,

principalmente em relação ao enquadramento

desses itens, que não está claro

nem mesmo para as seguradoras. “O

equipamento pode ter o mesmo modelo

e o uso ser totalmente diferente. Sua

descrição incorreta pode ser percebida

apenas em um eventual sinistro, gerando

assim prejuízos ao segurado. Isso o torna

ainda mais dependente da orientação e

auxílio do corretor”.

Por ser um nicho estritamente profissional,

o custo do seguro é ainda mais

baixo. Por influenciar diretamente na

geração de renda do profissional ou da

empresa, não há sentido em arriscar a

estabilidade financeira por tão pouco. As

seguradoras que atuam neste segmento já

gozam de alta credibilidade e confiança

do mercado. “Portanto, é uma questão

elementar principalmente para a classe

médica, que é muito bem instruída”,

conclui Santos.


19


especial nichos | empresarial

Solução econômica

para eventuais perdas

Setor desenvolve produtos com coberturas mais

amplas e proteção contra riscos específicos, mas

precisa atrair pequenos e médios empresários

que ainda deixam o seguro em segundo plano

Lívia Sousa

As pequenas e médias empresas

são responsáveis por manter

a engrenagem da economia

brasileira em funcionamento.

Sendo assim, o seguro é importante para

que elas sigam com suas atividades, pois

um sinistro de maior valor pode resultar

na interrupção e fechamento do negócio.

O mercado evolui para suprir uma demanda

crescente, com campanhas de proteção

de patrimônio, e ainda com o advento das

novas tecnologias e a internet, com mais

informações sobre os produtos e com

seguros específicos para determinadas

atividades, onde se protege exatamente

o que é preciso.

Na Tokio Marine, os segmentos de

salões de beleza e academias mostram

um aumento significativo na participação

de mercado. Nos últimos 12 meses, o

crescimento destes nichos na companhia

foi de cerca de 20%. “Nossos esforços

são direcionados para deixar claro ao

pequeno e médio empreendedor que a

contratação do seguro para sua empresa

não é um processo caro e complexo. A

contratação é simples, feita por meio de

corretores especializados”, assegura Sid-

20

ney Cezarino, diretor de Property, Riscos

de Engenharia, Riscos Diversos e Energy.

A segmentação é importante para

atender às necessidades específicas dessas

companhias. Assim, as seguradoras

podem oferecer aos empreendedores

produtos customizados direcionados para

cada linha de atuação, o que torna o seguro

mais atrativo para um público que ainda

não está coberto. “Também trabalhamos

com o aumento de coberturas colocadas

nos kits, o que nos permite agilizar o processo

de cotação”, acrescenta.

É preciso investir fortemente para oferecer

seguros específicos a cada segmento,

desenvolvendo soluções de maneira personalizada.

Cada segmento econômico

tem um grupo de colaboradores dedicado

a desenvolver os melhores seguros para

clínicas, escolas, academias e estética. “Ao

ouvir corretores e clientes, podemos oferecer

coberturas específicas que atendem às

reais necessidades do empreendedor. Para

o seguro de clínicas, por exemplo, ouvimos

médicos e dentistas para saber por que

eles não contratavam seguros e que tipo

de cobertura seria importante incluir no

produto”, explica Cezarino.

Evolução dos produtos

Boa parte das seguradoras resolveram

apostar nesse nicho e lançaram

novas soluções com coberturas mais

amplas e em uma linguagem mais simples.

Os produtos comercializados hoje

incluem coberturas básicas de proteção

patrimonial, como incêndio, queda de

raio, danos elétricos aos equipamentos

e maquinários, roubo ou furto, entre

❙❙Sidney Cezarino, da Tokio Marine


outras. Além disso, existe a cobertura de

responsabilidade civil, que garante os

danos causados a terceiros, e uma oferta

ampla de serviços como seguro de vida,

orientação jurídica e gestão de imagem.

Há também proteção contra riscos

específicos de cada ramo. É o caso da

cobertura de equipamentos de consultórios

médicos, cobertura de home office e

do seguro de responsabilidade civil para

escolas, o que pode incluir passeios e

viagens de alunos. Assim, os segurados

podem escolher as coberturas mais adequadas

às suas necessidades. Atualmente,

é possível encontrar seguros específicos

para academias, clínicas e consultórios,

escolas, escritórios, salões de beleza

e estética, hotéis e pousadas, bares e

lanchonetes, restaurantes, comércio e

serviços automotivos, postos de combustíveis,

comércio e indústria de metais,

lojas de roupas e calçados, empórios e

minimercados.

“Temos notícias que muitas outras

seguradoras já estão com seus produtos

‘no forno’ e, em 2019, teremos certamente

o lançamento de novos produtos, acirrando

a concorrência e com um aumento das

opções para os clientes”, avisa o sócio-

-diretor da Baroli Corretora, Emerson

Barbosa.

Trabalho alinhado

Com a crise econômica no Brasil

e a necessidade de manter-se em um

mercado em constante transformação,

muitas empresas estabelecem uma série

de prioridades e direcionamentos para o

❙❙Emerson Barbosa, da Baroli

❙❙

Gabriel Bugallo, da Seguros Sura

desenvolvimento de seus negócios, mas

acabam, equivocadamente, deixando a

contratação do seguro em segundo plano.

Com este cenário, embora o mercado de

PME tenha crescido nos últimos anos e

o interesse pelo seguro empresarial também,

esse último não avançou na mesma

proporção, deixando um espaço ainda

significativo para evolução.

De um modo geral, as pessoas ainda

não sabem que o valor deste tipo de proteção

é acessível e pode até ser mais barato

que um seguro automotivo, dependendo

do porte do negócio. “A crença de valores

altos, ou de corte de custos, ainda existe

pelo pequeno e médio empreendedor ao

pensar em seguro para o seu negócio. Isso

precisa ser ressignificado. Além de possuírem

ótimo custo x benefício, os seguros

de PME são a garantia da sustentabilidade

do negócio, de poder dar o próximo

passo, de avanço e desenvolvimento sem

percalços pelo caminho. Num momento

de crise, eles se fazem ainda mais

importantes”, destaca Gabriel Bugallo,

vice-presidente de Soluções e Resseguros

da Seguros Sura, que oferece proteções

customizadas para segmentos como bares

e restaurantes, hotéis e pousadas, escolas,

escritórios e consultórios.

Nos últimos anos, o surgimento

de pequenas e médias empresas trouxe

oportunidades para o setor de seguros,

que equilibrou sua oferta para Grandes

Riscos para esse mercado crescente. Se

a área conta com um grande potencial,

no entanto, a tarefa de explorar esse mercado

deve ser uma ação coordenada não

❙❙

Felipe Wichmann, da Bidon

somente pelas companhias de seguros,

mas também pelos canais de distribuição

que, juntos, somam forças para ampliar a

atuação no segmento.

Para que o setor cresça, é necessário

que os próprios corretores façam mais

campanhas destinadas aos empresários,

sendo literalmente consultores e mostrando

o quão é importante o empresário

se proteger em futuras eventualidades.

“Dessa forma, as empresas irão se

proteger mais”, garante o diretor da

Bidon Corretora, Felipe Wichmann, que

atendeu, com sucesso, sinistros dessa

natureza. “Um dos nossos clientes teve

um sinistro de grandes proporções, que

danificou toda sua empresa. Ele obteve

uma indenização significativa, com a qual

pode reestruturar a companhia. Sem contar

que, junto do seguro, havia contratado

a cobertura de Lucros Cessantes, que o

indenizou pelos 40 dias que ficou parado

e o ajudou a dar continuidade nos seus

compromissos com fornecedores”.

Os corretores ainda enfrentam muitos

desafios ao levar a mensagem aos clientes

sobre as ofertas, mas as redes sociais e as

próprias companhias seguradoras já falam

sobre o assunto. “Se em 2019 tivermos, de

fato, um ambiente econômico mais favorável,

podemos tem um avanço significativo

nas vendas [do produto]”, projeta Emerson

Barbosa, da Baroli Corretora, que investe

em campanhas nas redes sociais, internet

e em cross-selling, ofertando produtos

para clientes que consomem outros itens

de seguro e que tenham algum tipo de

comércio.

21


especial nichos | objetos pessoais

Atento aos detalhes

As pessoas estão

cada vez mais

dependentes de

seus bens pessoais,

principalmente os

relacionados com o

trabalho diário. Com

artigos sofisticados,

muitas delas se

preocupam com

a possibilidade de

perdê-los em função

de roubo ou furto

22

Lívia Sousa

Seguros de carro, casa e vida já

são comuns e, embora atraiam

um número crescente de adeptos,

a aposta do setor agora é

outra: o seguro para nichos. Atento às

necessidades específicas, o mercado investe

fortemente neste tipo de proteção,

que promete ser um grande filão para

os próximos anos, considerando que o

segmento de Ramos Elementares cresceu

R$ 10 bilhões nos últimos cinco anos e

chegou a R$ 70,8 bilhões em 2017, de

acordo com a Confederação Nacional das

Seguradoras (CNseg).

Entre eles estão os seguros para bens

pessoais, ainda pouco difundidos no

Brasil, mas que ganham impulso com a

aquisição de eletroeletrônicos como notebooks,

tablets e, principalmente, celulares.

Para se ter ideia, em maio deste ano a

Agência Nacional de Telecomunicações

(Anatel) registrou no país cerca de 235

milhões de celulares ativos, quantidade

superior aos 207 milhões de habitantes

estimados pelo Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística (IBGE).

Tecnológicos e modernos, esses

aparelhos estão cada dia mais sofisticados

e exigem alto investimento. Alguns

smartphones podem custar mais de R$ 6

mil, o equivalente a três vezes o preço de

um notebook, por exemplo. Consequentemente,

seu valor atrai os criminosos. No

Brasil, 49% dos usuários já tiveram um

smartphone roubado uma vez na vida, de

acordo com pesquisa realizada pela Mobile

Time em parceria com Opinion Box.

Os roubos e furtos acontecem sobretudo

nos grandes centros urbanos, onde o uso

do aparelho para atividades profissionais

é ainda maior. Dados obtidos via Lei de

Acesso à Informação indicam que na

Avenida Paulista, centro da maior cidade

da América Latina, 15 celulares são

furtados ou roubados por hora. Entre os

brasilienses, esse número cai para cinco,

aponta a Secretaria de Segurança Pública

(SSP). Os índices podem ser ainda

maiores, visto que nem todas as vítimas

❙❙Guilherme Menezes, da Axa


egistram Boletim de Ocorrência.

“As pessoas estão cada vez mais

dependentes do aparelho e não estão

dispostas a ficar sem ele. Além disso, para

muitos consumidores, o celular está relacionado

a um determinado status social,

o que torna mais aguda a dependência”,

lembra Guilherme Menezes, diretor Comercial

de Vida e Afinidades da Axa no

Brasil. Por isso, ainda que os celulares

tenham vida útil limitada, há quem opte

por contratar um seguro para se precaver

desse risco.

Seguro para celular é um dos ramos

que mais cresce. Sua evolução no mercado

começa pela variedade em coberturas.

Os primeiros seguros comercializados

traziam apenas proteção contra roubo

e furto qualificado. Agora, há diversos

produtos à disposição do consumidor,

com proteções também para quebra de

tela acidental e danos contra oxidação por

contato com líquidos, além de coberturas

para acessórios eletrônicos como smart

watchs (relógios inteligentes, na tradução).

O custo fica entre 20% e 25% do

valor do aparelho novo.

“O seguro sempre vale a pena, sobretudo

se levarmos em consideração o

serviço para reparos”, avalia Menezes.

Em caso de quebra, o reparo de um equipamento

como este pode custar mais de

60% do valor do bem e é neste momento

que o seguro se revela atrativo e necessário.

O mercado também disponibiliza

cobertura para aparelhos eletrônicos

de menor investimento, com proteção

apenas para roubo ou quebra acidental,

que é ajustável de acordo o perfil do

consumidor.

O que também evoluiu foi a forma

de pagamento. Antes, a contratação era

anual e apenas para aparelhos novos.

Hoje, é possível encontrar coberturas

para equipamentos usados com até 18

meses e o pagamento pode ser mensal ou

parcelado em até 12 vezes, o que se torna

um grande atrativo.

Antes de contratá-lo, porém, é importante

que o cliente busque empresas

já estabelecidas no mercado brasileiro

e que estejam de acordo as normas da

Superintendência de Seguros Privados

(Susep). “A escolha por um determinado

produto/empresa deve ser bem pesqui-

❙❙

Rogério Guandalini, da Assurant

sada e avaliada, pois atualmente os aparelhos

celulares são itens fundamentais

tanto para lazer, quanto para o trabalho,

e o tempo de reposição em caso de roubo

ou reparos – que será o menor possível

se a companhia for séria e comprometida

Seguro para bolsa não deve

ser deixado de lado

Assim como o aparelho celular,

a bolsa (principalmente a feminina,

que geralmente carrega um número

maior de objetos) chama atenção dos

bandidos que circulam pelas ruas. Os

semáforos fechados para os carros são

um chamariz para que muitos deles

subtraiam até mesmo as bolsas que

ficam dentro dos automóveis. Neste

caso, a tática de muitos motoristas é

ter uma bolsa falsa à mão. Mas, quando

isso não acontece, o prejuízo é grande.

A Chubb oferece seguro para

bolsa, pasta, mochila e respectivo

conteúdo em caso de roubo, além de

seguro para celulares novos e usados

em caso de roubo ou quebra acidental

total ou parcial, e seguro para roubo ou

furto do conteúdo do automóvel tais

como notebooks, carrinho ou cadeira

de criança, bolsa, carteira, mala de viagem,

roupas, óculos, artigos esportivos

e instrumentos musicais. Junta-se a lista

o seguro em caso de perda ou roubo,

além de saques ou compras sob coação

para cartões de crédito e débito.

– é um fator decisório no momento de

contratar”, aconselha Rogério Guandalini,

diretor de Produtos e Marketing da

Assurant, que investe em pesquisas com

consumidores para entender a demanda

de um novo modelo de contratação por

assinatura, que é uma possibilidade de

personalização das proteções. “Outro

produto que está no radar do segmento

por ser interessante para os clientes é o

serviço de backup e expansão da memória

do aparelho através de Cloud, que pode

entrar como benefício extra no contrato

da proteção. É fundamental buscar novidades

para nossos clientes e estamos

comprometidos com esse desafio”, argumenta

o executivo.

O mercado de seguro para celular

evolui muito rápido e, ao que tudo indica,

deve evoluir mais. Nos próximos anos,

crescerá o volume de compra e venda de

celulares usados – o que também pode

ser explorado.

“Esses seguros são considerados

como proteção urbana, pois garantem

indenização em caso de eventos de

roubo ou furto muito comuns em centros

urbanos”, lembra o vice-presidente

da empresa, Paulo Pereira. “As pessoas

estão cada vez mais dependentes de

seus bens pessoais, principalmente

os relacionados com o trabalho diário

tais como notebooks, celulares, óculos,

mochilas e outros. Muitos desses artigos

tornaram-se mais sofisticados nos

últimos anos, elevando a preocupação

de seus consumidores com a possibilidade

de perdê-los em função de roubo

ou furto. Assim, vale a pena apresentar

essa forma de seguro para os clientes

mais expostos aos riscos”, acrescenta.

23


especial nichos | rc profissional

Trabalho garantido

Com a crescente

judicialização, os

profissionais procuram

cada vez mais

por uma proteção

contra reclamações

relacionadas a

alegações de falhas

no exercício de sua

atividade

Lívia Sousa

O

seguro de Responsabilidade

Civil evolui em função da sociedade,

que com o apoio do

Código de Defesa do Consumidor

e do judiciário busca seus direitos.

Novas modalidades do produto surgem

para amparar diretores e gerentes, mas

são as soluções voltadas aos profissionais

liberais que ganham destaque. Cirurgiões-dentistas,

contadores, engenheiros,

urbanistas, arquitetos, advogados, agentes

de viagens, profissionais da área de

tecnologia e corretores (até mesmo os

de seguros) buscam se proteger contra

reclamações relacionadas a alegações

de falhas no exercício de sua atividade.

Conhecido como E&O (Erros e

Omissões), o seguro de Responsabilidade

Civil Profissional também atende

a empresa prestadora de serviço contra

perdas resultantes de danos causados a

terceiros, em razão da falha ou omissão

cometida durante sua atividade. As

coberturas passam pelos custos que o

segurado possa ter na condução de sua

defesa, em razão de reclamações formulada

por terceiros, assim como possíveis

indenizações ou acordos que sejam de

sua responsabilidade.

Na prática, o seguro de RC voltado

aos profissionais liberais não apresenta

24

distinção, exceto pela particularidade a

quem a apólice de seguro irá amparar. O

clausulado segue o padrão internacional de

all risk, que não nomeia ou cria nomenclaturas

específicas para cada cobertura,

mas cita as exclusões e considera o que não

estiver especificado nas exclusões como

coberto. Neste sentido, cada companhia

detém sua estratégia, mas entre as mais

comuns são exclusão para reclamações

em detrimento de erros na fabricação, comercialização

ou distribuição de produtos,

danos consequentes de inadimplemento

de obrigações contratuais ou situações

comprovadas de dolo e fraude. Algumas

exclusões justificam-se pela necessidade

de evitar a sobreposição de coberturas

existentes através de outras modalidades

de seguros, como o RC Produtos, RC Geral,

D&O e Garantia, por exemplo.

“É um seguro que ainda tem um

grande potencial de crescimento. Temos

milhares de profissionais liberais e empresas

prestadoras de serviços que ainda

não possuem essa proteção, apesar da procura

constante”, revela o Head de Linhas

Financeiras da Zurich, Fernando Saccon.

Contudo, este tipo de solução sofre os

impactado das adversidades econômicas

enfrentadas pelo país. Como se trata de

um produto relacionado à atividade do

profissional, na medida em que as receitas

ou o volume de serviços das empresas ou

desses profissionais diminuem, o volume

de contratação é afetado. “Apesar disso,

verificamos um crescimento do mercado,

ainda que mais tímido que em anos anteriores”,

diz o executivo.

As apólices podem ser individuais

ou coletivas – esta última contratada com

maior frequência. A prática não é uma

regra, e sim uma condição de mercado.

Em contrapartida, o fator cultural, o conhecimento

dos riscos e, principalmente,

o desenvolvimento de novos canais de

❙❙Fernando Saccon, da Zurich


❙❙

Ajax Herbert, da Segpro Seguros

distribuição tornam o seguro de Responsabilidade

Profissional mais acessível

para segurados de menor porte. Outro

fator que impulsiona a contratação individual

é a reorganização dos meios de trabalho,

através da maior flexibilização na

terceirização dos serviços profissionais

e o aumento dos profissionais liberais.

Muitas vezes a contratação de um seguro

torna-se uma exigência contratual para a

prestação do serviço.

Maior demanda vem da área

da saúde

Há um crescimento na diversificação

de categorias profissionais buscando a

contratação dessa modalidade, que ainda

é liderada pelos segmentos inseridos em

uma regulação mais rígida e estruturada.

Os profissionais da área da saúde são os

que mais procuram a contratação de cobertura

e os mais envolvidos em demandas

por reparação de danos. A crescente

judicialização na medicina e em outras

áreas de atividade, aliada ao surgimento

de novos procedimentos médicos e

ao crescente aumento nos seus custos,

impulsionam a adesão nessa área. “Um

incentivo à contratação é a cobertura para

os custos advocatícios do processo, pois

mesmo se o médico vencer um processo

de reclamação movido por um paciente,

ele terá de arcar com o custo de sua defesa,

que são cobertos pela seguradora”,

explica Ajax Herbert, diretor Comercial

da Segpro Seguros Profissionais.

As maiores demandas são do chamado

erro médico, segundo o executivo, que

também assiste ao surgimento de casos

❙❙

Carlos Cures, da Global Risk

de insatisfação com o resultado, quando o

paciente alega não ter gostado da situação

final de um procedimento. “Neste caso,

como não há erro profissional, fica difícil

a caracterização da culpa do profissional

envolvido e a consequente cobertura do

seguro não existe”, acrescenta.

Normalmente, as apólices contratadas

por eles são individuais. Os médicos-

-cirurgiões procuram contratar a cobertura

também para os danos causados por

sua equipe. Apólices coletivas envolvem

empresas, como hospitais, escritórios

de advocacia e laboratórios, e cobrem

os danos causados a terceiros por seus

colaboradores.

Perspectivas seguem

favoráveis

Comparando os dados apresentados

pela Superintendência de Seguros

Privados (Susep) em prêmio de seguros

publicados de janeiro a agosto, de 2011

até agora o segmento apresentou crescimento

anual, a uma taxa média acima de

20%, maior que o crescimento do Produto

Interno Bruto (PIB). Sendo assim, as

perspectivas seguem favoráveis para os

próximos anos.

“Temos convicção que o país responderá

de forma positiva às adversidades

em todos os cenários, com destaque ao

ambiente econômico. Assim, ao retomarem

a atividade econômica e aumentarem

a confiança no país, as empresas e

profissionais voltarão a crescer e a busca

pelo produto continuará em alta”, prevê

Fernando Saccon, da Zurich.

Sócio-diretor da Global Risk Cor-

❙❙

Klaus Barretta, da Berkley

retora de Seguros, Carlos Cures lembra

que este mercado ainda é pequeno no

Brasil. “Hoje, pouquíssimas seguradoras

oferecem esse seguro para profissionais

da área médica e odontológica, o que é

uma pena, pois é o segmento com mais

potencial de demanda”, alega ele, que

também destaca seu crescimento e a

possibilidade de expansão.

A grande questão, no entanto, será

manter um equilíbrio técnico atuarial na

carteira, por se tratar de um seguro long

tail – a materialização das reclamações

e das indenizações podem durar anos até

que se concretizem, e a área de subscrição

precisa contabilizar essas reservas na

sua precificação para que não ocorra um

descolamento do prêmio arrecadado e os

sinistros pagos no futuro, prejudicando a

solvência da operação.

“É um desafio grande e complexo

diante da necessidade de todos os players

manterem seus crescimentos sem afetar

seu resultado em um segmento extremamente

competitivo”, avalia Klaus Barretta,

superintendente de Liability da Berkley.

Dada a sua característica de atuação em

seguros de Garantias e Riscos de Engenharia,

a companhia tem um posicionamento

natural voltado para os arquitetos e engenheiros,

tanto em apólices abertas com

vigência anual, como também desenhadas

para um projeto específico. “Em termos de

oportunidades, acreditamos que muitas novas

categorias profissionais surgirão diante

de um mundo em plena transformação,

principalmente em categorias destinadas

ao desenvolvimento de soluções tecnológicas”,

completa Barretta.

25


panorama | transportes

Um cenário promissor

Carteira emitiu aproximadamente R$ 1,3 bilhões

em prêmios ao mercado de seguros no

primeiro semestre de 2018. Executivos traçam

a evolução do setor e apontam boas projeções

para o próximo ano

Lívia Sousa

O

seguro de transporte foi uma

das primeiras modalidades a

ser implementada no Brasil.

O segmento faz parte da economia

local desde a abertura dos portos

às nações estrangeiras, em 1808, ano em

que também foi fundada a Companhia

de Seguros Boa-Fé, primeira seguradora

brasileira. Inicialmente, a grande escala

dos seguros era a dos transportes marítimos.

Mas, desde que o Brasil investiu

fortemente na indústria automobilística,

nas décadas de 1960 e 1970, houve uma

migração dos transportes de cargas dos

modais marítimos para o rodoviário, e

o seguro acompanhou este movimento.

Atualmente, uma parcela considerável

do segmento de seguros de transporte

vem das proteções contratadas pelos

transportadores rodoviários. “Chega a

ser uma ironia sabermos que 70% da

população brasileira está muito perto da

costa marítima, ou mesmo de algum rio

navegável, e que 58% das cargas transportadas

são rodoviárias, enquanto as

marítimas representam somente 13%”,

26

observa Emanuel Baltis, diretor técnico

da Swiss Re Corporate Solutions Brasil.

Dados divulgados pela Superintendência

de Seguros Privados (Susep)

indicam que no primeiro semestre de

2018 o seguro de transportes no Brasil

emitiu o montante aproximado de R$

1,3 bilhões em prêmios, divididos nas

carteiras de seguro internacional (16,5%),

seguro nacional (31%), seguro RCTR-C –

Responsabilidade Civil do Transportador

Rodoviário de Carga (34%), e seguro

RCFD-C –Responsabilidade Civil Facultativa

do Transportador Rodoviário

por Desaparecimento de Carga (18,5%).

O ramo é relevante e representativo

para o mercado securitário: desconsiderando

os seguros de pessoas, saúde,

capitalização e DPVAT, o segmento é o

terceiro maior em arrecadação de prêmio.

O mercado se aperfeiçoa, com o aumento

da concorrência, com empresas seguradoras

mais especializadas e focadas nas

necessidades do cliente e também com

novas tecnologias. Investir em tecnologia

visando aprimorar as operações,

com foco na mitigação de riscos, é um

exemplo de prática do setor a ser seguida,

cujos resultados podem ser colhidos no

curto prazo. Cada vez mais se observa

que a gestão de riscos reduz as perdas,

podendo até evitá-las. Um bom programa

de gerenciamento pode minimizar os

sinistros no seguro de transportes de uma

forma efetiva.

❙ ❙

Emanuel Baltis,

da Swiss Re Corporate Solutions Brasil


“As empresas especializadas aprimoram

suas tecnologias na busca da

redução das perdas, principalmente as

relacionadas a roubo, furto e extravio.

Hoje nos beneficiamos das tecnologias

de rastreamento e monitoramento, fundamentais

para recuperação de cargas,

contamos com veículos mais seguros,

o georreferenciamento já é uma prática

utilizada para mapear as rotas e os riscos

dos segurados, o que permite ofertarmos

produtos mais adequados e customizados

para o modal rodoviário”, resume o gerente

de Riscos de Transportes, Marítimo

e Aviação do IRB, Flavio Hasenclever.

A inovação tecnológica aplicada ao

transporte de bens e mercadorias poderá

criar uma disruptura positiva no setor,

possibilitando a utilização de drones na

vigilância, além de transporte por veículos

não tripulados com elevado grau de

segurança.

Por outro lado, alguns pontos ainda

devem ser aperfeiçoados. Embora neste

modal haja conscientização na questão

de prevenção em perdas, tanto no evento

acidentes ou na inteligência para os

melhores investimentos para mitigação

dos riscos (com planejamento adequado,

foco nos processos e acompanhamento

contínuo para assegurar as melhores

práticas para evitar o desvio das cargas),

ainda existe uma cultura burocrática e

de obrigações que deve dar lugar a real

necessidade do consumidor de contratar

uma boa cobertura. “Estamos vivendo

uma revolução cultural e de costumes

muito forte, principalmente com o advento

de celulares, que em breve também

farão parte da dinâmica da contratação e

gerenciamento dos seguros de transporte”,

alega Baltis.

O saldo de 2018

O ano de 2018 não tem sido fácil

para o ramo de transportes, que além de

lidar com o já conhecido roubo de cargas

sofreu com a greve dos caminhoneiros,

realizada em pelo menos 23 estados

do país, em maio. A paralisação durou

duas semanas e acarretou em prejuízos

como a deterioração de cargas, o não

cumprimento de prazos de entrega e a

impossibilidade de dar continuidade a

certas atividades. Também resultou em

uma queda de 30% nas exportações,

segundo o Ministério da Indústria, Comércio

Exterior e Serviços.

Na análise de Baltis, houve, na verdade,

uma paralisação geral da economia.

“O transportador parou e o embarcador

não pôde cumprir com suas obrigações

logísticas. Este fato impactou significativamente

no fluxo financeiro dos prêmios

esperados, pois muitas cargas não foram

transportadas no período”, diz. De um

modo geral, e seguindo a lógica em que

o seguro está acoplado à economia que

se move no Brasil, este segmento também

sentiu os efeitos da paralisação – embora

os prejuízos decorrentes de greve não

sejam cobertos pelo seguro de Responsabilidade

Civil do Transportador Rodoviário,

produto que garante a indenização

relativa aos danos decorrentes de acidentes

ocorridos durante o transporte, tendo

em suas condições gerais a exclusão de

quaisquer prejuízos decorrentes de greves.

As eventuais indenizações poderiam

ocorrer no seguro do embarcador, mas

apenas aos segurados que contrataram

❙❙

Flavio Hasenclever, do IRB Brasil Re

cobertura adicional específica para garantia

dos prejuízos decorrentes de greve.

Há também a possibilidade de

ocorrerem indenizações em outros ramos,

acionando-se eventuais coberturas

adicionais contratadas de Interrupção de

Negócios e de Lucros Cessantes, desde

que comprovado o nexo de causalidade

direto entre a greve e a interrupção ou

perturbação dos negócios do segurado

– porém, nesse caso, sem impacto para

a carteira de transportes.

Presidente da Transbroker, corretora

de seguros de cargas, Fernando Ferreira

faz uma ressalva ao avaliar 2018 como um

ano “atípico”, em que o roubo de cargas

vem sendo controlado e não disparou

como nos dois anos anteriores. A questão

mais crítica, no entanto, é que o Estado

do Rio de Janeiro chegou a marca recorde

de mais de 10 mil roubos de carga em

2017. “Esse ano tem demonstrando um

controle maior, sendo que durante o mês

de setembro houve uma redução de 50%

em comparação ao ano anterior”, salienta,

avaliando ainda que a greve dos caminhoneiros

não demonstrou efetivamente

uma queda considerável na movimentação

de carga nos meses subsequentes,

mantendo-se os patamares normais em

consideração ao ano anterior.

Boas perspectivas para o

próximo ano

Existe uma correlação direta da

economia com o setor de transportes

e com a performance da carteira. Esse

impacto no setor de seguros se dá não

27


transportes

❙❙

Paulo Robson Alves, da Axa XL

só pela variação na emissão de prêmio,

mas também no índice de sinistralidade,

que em momentos de crise crescem em

função do aumento dos roubos de carga.

“Se há uma recessão, menos cargas

são transportadas e, portanto, menos seguros

são contratados. Houve crescimento

dos prêmios de seguros de transportes,

mas esse crescimento foi causado muito

mais por causa dos reajustes de tarifas,

devido ao aumento de sinistros, do que

pela elevação de movimento e transporte

de carga, uma vez que 2018 tem seguido

a tendência de mercado que vem desde

2017”, opina Paulo Robson Alves, Head

of Marine – Brazil da Axa XL.

A Tokio Marine, por sua vez, registra

neste ano uma recuperação no

desempenho da carteira de transportes,

fato que segundo o diretor executivo de

Produtos Pessoa Jurídica, Felipe Smith,

Novo marco regulatório e Certificação

Fernando Ferreira, da Transbroker,

acredita que o novo Marco Regulatório

do Transporte Rodoviário de Cargas,

que se encontra para aprovação junto

ao Senado Federal, irá trazer os benéficos

perdidos na questão dos seguros.

Um dos pleitos dos caminhoneiros

grevistas para o fim da paralisação, o

marco regulatório estabelece regras

de segurança nas estradas, infrações e

condições de contratação de transportadores,

como pagamento, seguros e

vale-pedágio. As determinações valem

para caminhoneiros autônomos, empresas

de operação logística, transportadores

de carga própria, cooperativas

e empresas transportadoras de cargas

e de valores, que ficam divididos de

acordo com o número de veículos de

carga e a capacidade de transporte em

toneladas.

“Acredito que foi a maior perda

financeira do setor nas últimas décadas,

além dos aumentos das ações judiciais

feitas pelas seguradoras e embarcadores

em sinistros envolvendo a responsabilidade

dos transportadores”, declara.

Para o executivo, a aprovação da Lei

passará a colocar cada qual em seu

devido lugar, ou seja, com suas responsabilidades

definidas nas contratações

de seus seguros para as mercadorias

em trânsito, seja pelo embarcador ou

transportador.

Outro ponto que merece destaque

é a questão do Programa Brasileiro

de Operador Econômico Autorizado

(OEA), certificação da Receita Federal

para aumentar a segurança e a confiabilidade

brasileira nos processos de

exportação e importação. As empresas

certificadas cumprem voluntariamente

os critérios de segurança aplicados

à cadeia logística ou das obrigações

tributárias e aduaneiras, de acordo

com a modalidade de certificação e

demonstram atendimento aos níveis de

conformidade e confiabilidade exigidos

pelo Programa. A organização com certificação

de OAE é considerada de baixo

risco, confiável e conta com benefícios

oferecidos pela Aduana, relacionados

à maior agilidade e previsibilidade nos

fluxos do comércio internacional.

A OEA pode ser concedida à importadores,

exportadores, transportadores

e agentes de carga e visa trazer alguns

benefícios, como proporcionar maior

agilidade e previsibilidade no fluxo do

comércio internacional.

❙❙Felipe Smith, da Tokio Marine

28

está relacionado a uma melhora nos índices

de sinistralidade. Na companhia, a

sinistralidade na carteira de transporte

rodoviários em 2017 foi de 68,3%. Este

ano, considerando os dados de janeiro

até agora, esse número caiu para 56,5%.

“Atribuímos essa queda a uma maior

conscientização dos clientes sobre a

importância da contratação da proteção

adequada e ao intenso trabalho de gerenciamento

de riscos que realizamos junto

aos corretores e segurados”, afirma.. “O

desempenho da Tokio Marine nos deixa

muito otimistas quanto aos resultados

de 2018 e nos motiva a trabalhar para

oferecer soluções cada vez melhores para

corretores e clientes”.

O cenário é promissor em todos os

aspectos: a sociedade brasileira sentiu

na pele a necessidade de modernizar os

meios de transporte, e hoje conta meios

ferroviários, aquaviários, de cabotagem

e até mesmo estradas melhor pavimentadas.

O próximo governo deverá investir

fortemente nestas obras de infraestrutura,

independentemente do viés ideológico.


serviço | seguro auto

Gentileza gera gentileza

Aplicativo

Trânsito+gentil,

lançado pelo

Porto Seguro Auto,

incentiva as pessoas

a adotarem atitudes

positivas de

convivência no trânsito

Ser um motorista mais “gentil”

pode trazer muitos benefícios

para o condutor, e para a sociedade

em geral. Aproveitando

este fato e o mês de novembro, em que

se comemora o dia mundial da Gentileza,

o Porto Seguro Auto criou o aplicativo

Trânsito+gentil, que mostra o comportamento

do motorista ao longo de seus

trajetos e pode proporcionar descontos na

renovação do seguro automóvel e ainda

oferecer prêmios mensais.

O app propõe uma jornada aos motoristas,

que são orientados e incentivados

a melhorar o desempenho no trânsito a

cada viagem percorrida. Ele conseguirá

saber como dirigiu, onde ficou com baixa

pontuação e como pode melhorar. O bom

desempenho é traduzido em moedas e a

soma dessas moedas determina a posição

do usuário no ranking mensal.

São consideradas cinco variáveis

para composição da nota, que determina

o desempenho do usuário: aceleração,

frenagem, curvas, velocidade e uso do

celular enquanto dirige.

Ao baixar o aplicativo e se cadastrar,

todos os usuários já garantem 3% de

desconto na contratação ou renovação

do Porto Seguro Auto. Nos estados de

São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio

Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia, os

motoristas com zero ponto na habilitação

somam mais 7%, podendo chegar a 10%

de desconto no total.

Além disso, os 10 motoristas mais

gentis no trânsito, que tiveram a melhor

colocação no ranking mensal, ganham

prêmios de R$ 200 a R$ 4 mil, com a

possibilidade de trocá-los por viagens,

TVs, celulares, entre outros.

De acordo com Jaime Soares, diretor

do Porto Seguro Auto, é difícil mudar um

hábito se as pessoas não conhecem aquilo

que fazem de errado. O app mostra o

❙❙Jaime Soares, do Porto Seguro Auto

desempenho do motorista naqueles cinco

critérios. “O condutor passa a ter consciência

de como dirige, principalmente

sobre o uso do celular ao volante”.

O app ainda apresenta uma possibilidade

exclusiva para os jovens de 18 a 24

anos ganharem até 35% no seguro auto.

Com base nos critérios da ferramenta

que mostram o desempenho no trânsito,

os condutores ganham notas que podem

virar desconto de até 15%. E ao realizarem

os cursos online Direção Segura e

Emocional garantem mais 10%, podendo

chegar a 35% no total.

Como pode ser utilizado por segurados

e não segurados, ele é uma excelente

ferramenta para os corretores de seguros

apresentarem vantagens competitivas do

seguro auto aos seus clientes. “O primeiro

desconto para quem baixar e se cadastrar,

por exemplo, é de 3% na contratação ou

renovação do Porto Seguro Auto, independente

do desempenho do motorista

ou se ele é ou não cliente Porto Seguro”,

reforça Soares.

No ar desde junho de 2018, o app

está disponível nas lojas da Apple Store

e Google Play.

29


seguros | grandes riscos

Fim ao canteiro de obras?

Troca de governo anima mercado de seguros

e resseguros que aguarda ansiosamente a

retomada dos grandes projetos de infraestrutura

represados com a crise no País. Apenas reativar

o que ficou pelo caminho ajudaria o segmento

voltar, ao menos, ao porte de quatro anos atrás,

quando movimentava R$ 600 milhões em

prêmios

Manuela Almeida

Depois de sentir os reflexos da

crise no País com a queda dos

investimentos em grandes

obras e projetos de infraestrutura,

o mercado de seguros de grandes

riscos tem, em meio à troca de governo

a partir de 2019, a esperança de uma

nova alavanca para voltar à trajetória de

crescimento no Brasil. As expectativas de

seguradores e resseguradores estão calcadas,

principalmente, no projeto da futura

administração de concluir as construções

que ficaram paradas por falta de recursos

e problemas de corrupção. O novo governo

tem prometido impulsionar, principalmente,

o investimento privado com a

renovação antecipada de contratos já em

curso e ainda a relicitação de projetos

problemáticos. Na mira, estão os setores

de ferrovias, rodovias e aeroportos. Se

cumprir as promessas ventiladas durante

a campanha, o governo de Jair Bolsonaro,

candidato eleito pelo PSL, pode reverter

o desenho do setor de infraestrutura visto

nos últimos anos e que transformou

o Brasil em um verdadeiro canteiro de

obras inacabado. De 2010 para cá, o investimento

privado minguou. Passou de

US$ 142 bilhões para US$ 49,3 bilhões

no ano passado, conforme levantamento

da Sociedade Brasileira de Estudos de

Empresas Transnacionais e da Globalização

Econômica (Sobeet) com base nos

investimentos privados anunciados para

30

o setor de infraestrutura e compilados

pelo Ministério da Indústria, Comércio

Exterior e Serviços (MDIC).

No mercado de seguros, não foi

diferente. Um dos segmentos que melhor

demonstra o impacto da queda dos

investimentos em infraestrutura no País

é a carteira de riscos de engenharia. Após

atingir seu ápice em 2011, ao movimentar

mais de R$ 900 milhões em prêmios no

ano seguinte do maior crescimento do

Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro,

de 7,5%, o segmento caminhou ladeira

abaixo. Manteve um patamar de R$

600 milhões até 2014, mas desde então

encolhe ano após ano. No acumulado de

2018 até setembro, a carteira de riscos

de engenharia soma R$ 243 milhões em

prêmios diretos, cifra praticamente estável

à vista em todo o exercício passado,

segundo dados da Superintendência de

Seguros Privados (Susep), sem correção

inflacionária. “Se aplicarmos a inflação, a

queda do mercado é ainda maior e exemplifica

o quanto o mercado de grandes

riscos foi penalizado com a recessão no

País. Além de não termos obras novas,

ainda tivemos o cancelamento de projetos

em andamento”, lembra o presidente da

resseguradora Allianz Global Corporate

& Specialty (AGCS), Angelo Colombo.

Em São Paulo, as obras do Metrô, que

eram para terem sido entregues ainda no

primeiro mandato da ex-presidente Dilma

Rousseff, estão paradas em diversos pontos

tanto na linha 6-Laranja, que ligará a

já existente estação São Joaquim à Linha

1-Azul, e a Linha 15-Prata, de monotrilho.

Exemplos não faltam. Estudo recente da

Confederação Nacional da Indústria (CNI)

indica um total de 2.796 obras paralisadas

no Brasil, sendo que 517, equivalente a

18,5%, são do setor de infraestrutura. Somente

reativar as obras paradas, conforme

Colombo, da AGCS, ajudaria ao seguro de

risco de engenharia voltar, ao menos, ao

patamar dos R$ 600 milhões de prêmios,

visto há quatro anos, antes da eclosão da

Operação Lava Jato, maior esquema de

corrupção da história do País.

Após um 2018 praticamente parado

para o setor de infraestrutura, o analista

Lucas Marquiori, do banco Safra, prevê,

em relatório ao mercado, um reaquecimento

do segmento já no próximo ano,

o primeiro do governo de Bolsonaro. Sua

expectativa está ancorada na sinalização

da futura administração de que vai aprimorar

marcos regulatórios para estimular

investimentos. Ainda que as previsões do

especialista se concretizem, o impacto

no mercado de seguros, no entanto, não

será imediato. Seguradores e resseguradores

lembram que há uma sequência de

acontecimentos até que o setor comece a

sentir ventos mais favoráveis sob o ponto

de vista de aumento de negócios. Uma

retomada é esperada a partir do do segun-


do semestre do ano que vem, conforme

executivos entrevistados por Apólice,

mostrando mais vigor, na prática, somente

em 2020. Ainda assim, depois da

euforia frustrada com os investimentos

em torno dos grandes eventos como a

Copa do Mundo e as Olímpiadas, o sentimento

de otimismo é maior. “Vamos

começar a ver um efeito maior a partir

de 2020, mas em 2019 já começaremos a

ter alguns sinais mais positivos por conta

do próprio crescimento econômico. Sem

dúvida, até que projetos e grandes obras

virem demanda para seguros leva tempo,

mas tem um efeito multiplicador na cadeia

econômica atual, que certamente vai

gerar um maior movimento no mercado

de seguros”, explica o vice-presidente

executivo de Riscos Comerciais da Aon

Brasil, Marcelo Homburger.

Embora a volta do crescimento do

mercado de grandes riscos deva ser sustentada

pelo investimento no País, o especialista

acrescenta que indicações de maior

otimismo, principalmente, no setor corporativo

no País mesmo após a polarização

nas eleições com o eleitorado bastante

dividido entre candidatos que passaram

para a reta final da corrida presidencial,

também contribui para o setor de seguros

de grandes riscos deslanchar no País. E,

de fato, o sentimento, ao menos no setor de

seguros e resseguros, já está mais positivo.

Um executivo de um ressegurador local,

que vinha mantendo uma postura negativa

com o mercado de grandes riscos, admite

que mudou sua visão. Contribuiu para

que olhasse o futuro governo com outros

olhos a oportunidade que o segmento de

❙❙Angelo Colombo, da AGCS

grandes riscos no País terá com o projeto

de Bolsonaro de focar na retomada das

obras paradas, com 70% a 80% da execução

feita. “Além de demandarem pouco

investimento para serem concluídos,

quando esses empreendimentos tiverem

de comprar seguro de risco de engenharia

e garantia de performance será para o

valor total do empreendimento, elevando,

assim, o prêmio emitido”, observa ele, na

condição de anonimato.

Promissores

A retomada do mercado de seguros

de grandes riscos no Brasil tende a puxar

para cima diversos ramos do setor.

Incluem essa lista o risco de engenharia,

as diversas modalidades de seguro

garantia, responsabilidade civil, tanto o

D&O – para executivos – como o E&O

– voltado a profissionais, corporativos,

property, dentre outros. Na parte de

riscos de engenharia, lembra uma fonte,

a demanda tende a crescer impulsionada,

principalmente, pelo investimento

privado em plantas industriais, prédios

comerciais e residenciais com a retomada

que estava “empossado” por causa das

eleições presidenciais no Brasil. Quando

avaliado sob o ponto de vista dos segmentos

potenciais, o setor de óleo e gás, que

já está avançando como fruto dos últimos

leilões da Agência Nacional de Petróleo

(ANP) e da alta do preço do petróleo, é

um dos tidos como promissores. Uma

fonte ouvida por Apólice lembra que os

players estrangeiros tais como Shell e

ExxonMobil, que têm se destacado nos

últimos leilões, compram lucros cessantes

– cobertura para prejuízos causados

pela interrupção de atividades de uma

empresa. Como base de comparação, a

Petrobras não adquire este tipo de seguro.

Ou seja, o prêmio pago por essas companhias

pelo seguro de um mesmo campo é

bem maior que o da estatal, que acaba de

renovar o pacote de seguro e resseguro

dos seus ativos no exterior.

Outro empurrão que ajudaria a

contribuir para a retomada do mercado

de grandes riscos é a aprovação da ampliação

do seguro garantia para contratos

públicos, uma das 22 propostas que o

mercado de seguros entregou pessoalmente

à equipe de Bolsonaro. Por meio

❙❙

Marcelo Homburger, da Aon Brasil

da Confederação Nacional das Seguradoras

(CNseg), o setor defende – já há

bastante tempo – a aprovação da nova

lei de contratações públicas (1292/1995),

em discussão na Câmara dos Deputados.

Uma das questões abordadas é a ampliação

do seguro garantia para obras

públicas, atualmente em 5% do valor do

empreendimento. Cogitou-se no passado

elevá-lo para 30% para obras de grande

vulto, ou seja, com valor de mais de R$

100 milhões, mas o assunto não avançou.

A atual Lei de Licitações permite a contratação

de seguros para obras públicas

de 5% a 10% do valor da obra. A maioria,

contudo, fica no piso do intervalo. As

seguradoras defendem elevar o seguro

garantia para 30% do valor de grandes

obras como uma saída para melhorar a

qualidade, a transparência e a execução

mais acelerada de projetos governamentais

de infraestrutura, necessários para

a retomada do crescimento econômico.

Redesenho

Como pano de fundo, a retomada do

mercado de seguros de grandes riscos

no Brasil terá uma nova configuração

do segmento no Brasil, com os players

estrangeiros na linha de frente. Nos

últimos anos, as seguradoras locais deixaram

o setor. Além de ter se retraído em

meio à crise no País, o setor se mostrou

um negócio especializado e de elevado

risco. Como exige consumo de capital

para pouco retorno, principalmente, em

um cenário de juros baixos – atualmente

a Selic está em 6,5% ao ano, que limita

o resultado financeiro das seguradoras e

31


grandes riscos

resseguradoras, os grandes bancos decidiram

literalmente tirar o pé do negócio,

vontando-se mais aos negócios de varejo,

o famoso bancassurance. Enquanto o Itaú

Unibanco vendeu sua carteira de grandes

riscos para a Ace, atual Chubb, o Bradesco

optou por fazer uma joint venture

com a Swiss Re Corporate Solutions para

explorar o setor no Brasil. A SulAmérica,

cuja exposição já era menor, negociou sua

operação para a francesa Axa. O movimento

mais recente, e que ainda não foi

concluído, é a recompra da carteira de

grandes riscos pela espanhola Mapfre no

âmbito da reestruturação da sociedade

com o Banco do Brasil. O negócio deve

trocar de mãos, voltando para as mãos

da seguradora, após o aval definitivo da

Superintendência de Seguros Privados

(Susep). O acordo já passou pelo crivo

do Banco Central (BC), da Secretaria

de Coordenação e Governança das Empresas

Estatais (Sest) e, anteriormente,

pelo Conselho Administrativo de Defesa

Econômica (CADE). O diretor de Riscos

Industriais e Financeiros do Grupo Segurador

Banco do Brasil e Mapfre, Almir

Fernandes, diz que do ponto de vista

de crescimento da carteira não haverá

grande impacto com a volta da operação

para a espanhola uma vez que a maior

parte da produção já era originada pelo

canal corretor, que fica sob os cuidados

da companhia. “O que nos permite

agora é um pouco mais de flexibilidade

nas negociações e o banco segue como

apoiador dos nossos projetos”, antecipa o

executivo, em entrevista à Apólice.

❙❙Almir Fernandes, do Grupo BB Mapfre

32

De acordo com ele, o BB vai continuar

distribuindo apólices de seguros de

grandes riscos da Mapfre em seus canais,

nos quais a seguradora segue com exclusividade,

principalmente, por meio do seu

banco de atacado. Ao trazer a operação

para dentro de casa, a seguradora, conforme

ele, deve ter avanços operacionais

à medida que poderá ter mais agilidade

nas negociações com os segurados e corretores

sem perder o apoio comercial do

banco público. O Grupo Segurador Banco

do Brasil e Mapfre detém a liderança do

mercado de grandes riscos no Brasil. Na

sequência, estão a americana Chubb e

ainda a japonesa Tokio Marine. O clã dos

pesos pesados do segmento inclui ainda

nomes como a Swiss Re, que tem joint

venture com Bradesco, Zurich, Allianz,

Sompo e Axa. Segundo Fernandes, do

BB Mapfre, além de manter a liderança,

o grupo está focado em crescer também

junto a pequenas e médias empresas que

tendem a ter mais espaço no novo momento

do mercado de grandes riscos após

o verdadeiro desmonte que a Operação

Lava Jato provocou no setor de construção

civil. “O Brasil vai lançar olhos para

as pequenas e médias empresas”, afirma o

executivo, lembrando que não somente a

Mapfre, mas também outras concorrentes

têm pouca presença junto a esses grupos.

Mercado externo

Com fraca demanda e excesso de capital

no País, os grandes riscos no Brasil

devem voltar ao holofote em um momento

que o mercado ainda navega no modo soft,

ou seja, com taxas baixas e competitivas.

A despeito do impacto dos furacões nos

mercados internacionais, o Brasil segue

praticamente ileso uma vez que não está na

rota das catástrofes naturais. Não bastasse

o excesso de capital para os riscos locais

por parte dos mais de 100 resseguradores

que desembarcaram no País desde a abertura

do segmento, há pouco mais de dez

anos, uma fonte de recursos tem avançado

nos mercados internacionais e já começa a

beneficiar o Brasil a partir da transferência

de riscos de seguradores e resseguradores

para o mercado de capitais. O mecanismo

é feito por meio da emissão de títulos, os

chamados de insurance-linked securities

(ILS), similares a títulos de dívida cor-

❙❙

Lucas Lopes, da Munich Re

porativa. Por ora, somente a Terra Brasis,

controlada pelo Brasil Plural, experimentou

a estrutura, mas, segundo especialistas,

o potencial no Brasil é bilionário e pode

ajudar a viabilizar o setor de infraestrutura

local, principalmente neste cenário de retomada.

“Embora o mercado de ILS não

esteja ocorrendo diretamente no Brasil, já

provém capacidade ao País uma vez que os

resseguradores que atuam aqui se utilizam

da estrutura para reforçar seu capital”, explica

Colombo, da AGCS, lembrando que

os investidores que compram esses títulos

têm resiliência maior a perdas uma vez que

precisam buscar retorno em ativos não correlacionados

para diversificarem portfólios

já bastante tomados em moedas e juros.

Na prática, isso aumenta a capacidade de

seguradores e resseguradores à medida que

injeta mais recursos no sistema e impede

que as taxas subam.

Outra tônica quando se olha para o

mercado internacional é o momento atual

do mercado de riscos de engenharia. O

diretor de riscos facultivos da Munich Re,

Lucas Lopes, lembra que a linha tem cada

vez gerado menos lucro para seguradores

e resseguradores e, em muitos casos, prejuízo,

o que tem esvaziado o segmento

em várias localidades como resultado de

um ambiente de sinistros vultosos e taxas

baixas. No Lloyd’s of London, cinco sindicatos

já deixaram de atuar com riscos

de engenharia. “As taxas vêm caindo na

última década em média 15% ao ano. O

desafio da carteira de riscos de engenharia

não é só crescer, mas se sustentar no longo

prazo, gerando retorno aos acionistas”,

avalia Lopes, da Munich Re.


33


evento | itc 2018

Fotos: Insuretech Connect 2018

O mundo será

muito diferente

Se em 2017 havia um

ponto pacífico de

que os corretores de

seguros continuariam

sendo os grandes

intermediários do

mercado, para 2018 a

única certeza é de que

tudo será diferente

34

Kelly Lubiato, de Las Vegas

Os brasileiros estão atentos aos

movimentos ligados à tecnologia

e às oportunidades

que se abrem a partir dela.

O mercado de seguros já tem consciência

de que precisa avançar no relacionamento

com o seu consumidor (seja ele o corretor

ou o final) e que precisa ter ferramentas

para garantir sua eficiência e controle de

seus processos. Estima-se que existam

mais de mil e quinhentas insurtechs no

mundo, com investimentos na casa dos

US$ 19 bilhões.

A Insuretech Connect 2018 recebeu

mais de sete mil pessoas, durante dois

dias e meio, em Las Vegas. Elas queriam

conhecer pessoas e trocar informações.

Muitas vezes, negócios foram fechados

nos corredores do centro de eventos do

MGM Grand. O Brasil não ficou de fora

e, apenas levado pelo CQCS ITC Experience,

foram cerca de 70 pessoas.

O evento não é um simples congresso,

onde alguns falam e muitos escutam.

Sua principal virtude é a possibilidade

de conhecer muitas experiências e trocar

outras tantas. Além dos quatro auditórios

simultâneos - sempre lotados, com pessoas

sentando-se no chão, em alguns casos

- a feira (cujos estandes não são suntuosos

ou enormes, apenas com banners, mesas

e cadeiras) recebe pessoas interessadas

na aplicação de cada tecnologia, em

como elas podem fazer a diferença no

seu negócio.

As palestras

O sócio da Oliver Wyman, Robert

Rudy, mostrou que as barreiras para a

entrada de novas empresas no setor são

bem menores agora, com a possibilidade

de criação de uma companhia na nuvem.

“É claro que, no caso das seguradoras,

isso depende da permissão do regulador,


“O Brasil é o “ponta de

lança” do seguro na

América Latina e, por

isso, a presença dos

congressistas brasileiros

é tão valorizada. Temos

que deixar um legado

para as próximas

gerações e este é o

momento de construir

um novo mercado de

seguros”

Gustavo Doria, CQCS ITC Experience

mas as empresas de prestação de serviços

para o setor nascem com mais rapidez”,

lembrou.

Neste universo de tecnologia em

seguros, há empresas de seguros, resseguros,

empresas de venture capital e

prestadoras de serviços. Na cadeia de

valores dos riscos de propriedade estão

os clientes, distribuidores, subscritores e

reguladores de sinistros. “Existe a possibilidade

de fazer negócios em qualquer

elo desta cadeia”, avaliou Rudy. Para os

produtos de vida e pensões, as novas

ideias devem ser baseadas na experiência

do cliente para a distribuição, produtos,

análise de dados, subscrição e serviços.

Rudy destacou que a disrupção de

qualquer setor é guiada pelos hábitos dos

novos consumidores e suas demandas. O

desafio é adaptar a experiência do cliente

e entendê-la, para

criar novos produtos

e serviços capazes de

mudar o mercado. “O

cliente deseja transparência,

segurança,

simplicidade e preços

justos, de acordo

com seu uso. Os novos

produtos devem ser

mais diretos”, definiu.

Para isso, os produtos

devem ser digitais de

ponta a ponta, com

baixo custo e controle

de performance e de

sinistros. “A excelência

operacional muda a percepção e a experiência

do cliente”, apontou Rudy.

Nir Perry, CEO da Cyberwrite,

mostrou como as pequenas e médias empresas

estão expostas a riscos. No Brasil,

há 9 milhões de empresas sujeitas a um

ciberataque e quase a totalidade delas

não consegue proteger seus dados ou as

informações de seus clientes.

Os problemas que as seguradoras

enfrentam com os seguros de ciber estão

relacionados à venda. A subscrição é

difícil porque é baseada em dados inconsistentes

e os riscos agregados encontram

barreiras regulatórias.

Caribou Honig mostrou aos brasileiros

como o ecossistema das Insuretechs

depende de investimento, seja das seguradoras

ou de venture capital. Outro

ponto destacado por ele é que a tecnologia

deve ser exposta e de uso aberto para as

pessoas utilizarem.

Cada um deve fazer

aquilo que sabe e

conhece. Porém é

preciso ter sabedoria

para deixar para outros

os serviços que

não fazem parte do

seu core business,

mas que podem melhorar

a experiência

do consumidor.

Outro exemplo

citado por Honig

é que um pequeno

corretor não tem escala

para fazer mais

❙❙Robert Rudy, da Oliver Wyman

“É importante para uma

sociedade que não tem

mais tempo a perder

que as empresas de

seguros encontrem

prestadores que possam

fornecer serviços que

colaborem para melhorar

o produto entregue para

o consumidor”

Caribou Honig, co-fundador do

Insuretech Connect

vendas. Ele acredita que é preciso estar

posicionado para seguir plataformas de

negócio que sejam mais eficientes na busca

de novos clientes. “Corretores serão

mais eficientes por conta de plataformas

tecnológicas desenvolvidas especificamente

para ele”.

Com a tecnologia, o corretor será

muito mais produtivo, principalmente na

medida em que ela vai se aprimorando.

Quanto mais pessoas utilizarem, talvez

sejam necessários menos corretores.

Os primeiros entrantes serão os mais

lucrativos e mais eficientes, e aqueles

que oferecerão melhores serviços”, sentenciou

Honig.

Ingo Weber, CEO do Digital Insurance

Group, reafirmou que o Brasil é muito

interessante para o mundo do seguro

porque a penetração dos produtos ainda

é muito baixa. Os desafios são similares

ao de outros mercados emergentes, com

35


itc 2018

“Nem sempre

resolvemos o problema

do consumidor com uma

insuretech. Descobrimos

as melhores taxas de

crédito e o consumidor

tem a oportunidade de

escolher”

Ken Lin, CEO da Credit Karma

a resistência dos players em adotar novas

tecnologias.

Novas empresas

Nos Estados Unidos, empresas

gigantes de algumas áreas estão começando

a mudar o foco para o mercado de

seguros. Foi o que aconteceu com a Credit

Karma, uma empresa que faz score de

crédito pessoal de forma gratuita.

Hoje, ela conta com 80 milhões de

clientes em sua base de dados, sendo

que destes, 50% são da geração milênio.

Ken Lin, CEO da Credit Karma, mostrou

alguns números: 28% dos consumidores

não possuem nenhum tipo de dinheiro

sobrando; 29% têm vergonha da sua situação

financeira e 36% não dormem por

conta dos problemas financeiros.

O primeiro produto da empresa foi

a criação de dados financeiros para que

36

as pessoas elaborassem sua declaração

de imposto de renda. Como membro, o

cliente pode ver suas contas, seus últimos

saldos registrados e o que está afetando

sua pontuação de crédito. Com estas informações

em mãos, o consumidor tem

maior poder para procurar as melhores

taxas bancárias.

No evento, o CEO anunciou o lançamento

de um produto de seguro, mostrando

o custo dos produtos de acordo

com os dados dos clientes, os registros

públicos e os algoritmos da empresa. “A

ideia é educar o consumidor sobre como

o seu perfil modifica o valor do seguro. A

mudança do score pessoal mostra como

as alterações financeiras mexem na sua

classificação”.

A venda baseada na experiência do

consumidor parece ser um dos poucos

consensos das palestras de representantes

de pontos opostos. Por um lado, o CEO e

co-cofundador da Lemonade Inc, Daniel

Schreiber, apontou que os líderes do mercado

de seguros usarão bots para substituir

corretores de seguros e a Inteligência

Artificial, para os atuários.

Ele apresentou como as ciências

sociais e tecnologia foram fundamentais

para a criação de produtos que mudam

a vida das pessoas. Schreiber acredita

que a comercialização de produtos de

seguros envolve uma questão social muito

importante. Por isso, a Lemonade optou

por direcionar parte da sua arrecadação

para instituições sociais. A Lemonade é

uma empresa que comercializa seguros

residenciais com modelo peer to peer. O

segurado paga uma taxa fixa por mês. O

valor arrecadado vai para o pagamento

do sinistro. Se há sobra de capital, parte

é destinada para causas sociais. O índice

combinado da empresa ainda está na casa

de 600%, mas este número faz parte do

seu planejamento.

O CEO explicou que a maior parte

das atividades da empresa são conduzidas

por bots, desde a compra até a regulação.

Para se ter uma ideia do nível de robotização

da empresa, cada funcionário cuida

de 2500 clientes. Ele explicou que com o

uso de Machine Learning e IA, é possível

destrinchar os hábitos e as características

dos consumidores, de forma muito

mais personalizada. “A forma como

quantificamos o risco hoje vai parecer

medieval no futuro, porque utilizaremos

muito mais a Inteligência Artificial. Com

o desdobramento dos dados é possível

identificar as diferenças entre as pessoas,

o que as torna únicas”.

Por outro lado, a máquina só aprende

se tiver a inteligência humana para

prepará-la. Tony Kuczinski, CEO e

presidente da Munich Re América, destacou

que a parceria é fundamental para

proteger os riscos que existem, e aqueles

que ainda virão.

O setor só existe porque há pessoas

que entendem os riscos. Elas é que estão

ensinando as máquinas como tratar os

riscos, até no momento de um sinistro.

“A experiência do cliente é o nosso maior

desafio. O seguro precisa ser fácil e colaborativo”,

sentenciou, acrescentando que

o momento é de construir uma parceria de

longo prazo para mudar a forma de lidar

com os riscos, as pessoas e as empresas.

O presidente da Marsh & McLennan,

Dan Glaser, afirmou que a tecnologia será

determinante para realizar a integração

da nova empresa, após a compra da JLT.

Ele foi enfático ao sentenciar que a figura

do corretor de seguros continuará sendo

fundamental, mesmo com a presença de

bots e outras tecnologias.

Novamente, a experiência do cliente

foi citada como fundamental, principalmente

para alguns produtos para novos


37


itc 2018

❙ ❙ Daniel Schreiber, da Lemonade Inc,

riscos, como os cibernéticos, transacionais

e para energia renovável. “Temos

que utilizar a tecnologia para tornar o

setor mais rápido, mas reafirmo que a

necessidade de intermediação aumentou”.

Quanto mais nos distanciamos do

cliente através da infraestrutura, mais

o atendimento precisa ser horizontal.

Se antes a tecnologia era vista como

custo, hoje é uma vantagem competitiva

e estratégica.

Preocupada justamente com a estratégia

de novos produtos, Inga Beale,

CEO do Lloyd’s of London, um mercado

de seguros com mais de 300 anos, está

promovendo uma modernização interna.

“Quando percebi que estávamos mais

preocupados em mostrar o que não

cobrimos no contrato, vi que tínhamos

ultrapassado todos os limites. Nossa operação

precisa ser mais simples, intuitiva”.

Quando o mais antigo mercado de

seguros do mundo demonstra esta preocupação

é porque realmente estamos no

ponto de maturação das tecnologias para

um movimento de transformação.

Experiências

Heitor Ohara e Samy Hazan foram

os curadores do evento para a delegação

38

brasileira do CQCS ITC Experience. Ao

final do dia, os membros se reuniam para

trocar experiências sobre o que haviam

visto nas palestras.

Alguns pontos que mereceram

destaque:

❱❱

Seguro de vida e saúde: vão coletar

muitas informações de vários dos

dispositivos já disponíveis para os

usuários, como smartphones e mídias

sociais; mas apenas isso não basta,

porque os dispositivos precisam encontrar

formas de motivar o usuário.

O indiano Vishal Gondal citou o

exemplo do jogo Pokemon Go, que

faz as pessoas se movimentarem para

jogar. É uma indicação de gameficação

da saúde;

❱❱

Ciber risks: é a carteira que mais vai

crescer, principalmente com o envolvimento

de toda a cadeia, sejam corretores,

avaliadores de risco ou underwriters.

O segmento de property será o

mais atingido e não se deve esquecer

dos pequenos negócios que trabalham

com muitos dados. A principal lição

é que a subscrição é feita olhando os

dados para frente, com análise preditiva

a partir de informações disponíveis

de Inteligência Artificial e Big Data;

❱❱

Blockchain: já está se fazendo alguma

coisa, mas o caminho ainda é

muito longo;

❱❱

Mobilidade como serviço analisou

como o negócio de compartilhamento

está baixando as taxas, e uma experiência

interessante é como os espelhos

retrovisores estão sendo programados

para mostrar o que acontece no carro,

verificando como o movimento dos

seus olhos demonstra sua distração,

seja olhando no celular ou por sonolência,

por exemplo;

❱❱

Produtos mais simples devem ser

comercializados pela internet. Haverá

uma transformação para o corretor,

mas ele terá que se reinventar. Não é a

eliminação do corretor, mas a integração

com uma plataforma para fazer a

seleção entre as seguradoras.

❱❱

As seguradoras estão mudando o protagonismo.

Nos EUA elas não fazem

questão de estar na linha de frente. No

Brasil elas querem, assim que descobrem

algo interessante, internalizar e

serem protagonistas.

❱❱

MGA e MGU: Manager General Agent

e Manager General Underwriter, figuras

que não existem no Brasil, mas que

estão tomando risco nos Estados Unidos.

É um intermediário que desenha

os produtos, comercializa e coloca nas

seguradoras que oferecem as melhores

condições.


39


corretor | contribuição sindical

Instituições

mais eficientes

Fim do imposto sindical

encolhe fontes de

receita dos Sincor’s, que

reestruturam serviços e

buscam novos motivos

para que os corretores de

seguros se unam em torno

de um mesmo ideal

Lívia Sousa

40


Foi em 2007 que o Ministério do

Trabalho e Emprego (MTE) deu

início à contagem oficial da arrecadação

dos sindicatos, federações

e confederações de classes laborais

e patronais. Naquele ano, as entidades

arrecadaram, sem considerar a inflação

do período, R$ 1,25 bilhão. Nove anos

depois, em 2016, o valor praticamente

triplicou, saltando para R$ 3,5 bilhões.

Os números seguiram em um patamar

positivo até novembro de 2017, quando

foi sancionada a Reforma Trabalhista,

que entre outras medidas determinou o

fim do imposto sindical.

Não demorou muito para que os

reflexos começassem a aparecer. Após

quatro meses em vigor, a arrecadação

das instituições já tinha despencado 88%.

O mesmo aconteceu com os Sindicatos

dos Corretores de Seguros (Sincor’s). “A

contribuição sindical é uma importante

receita para nós e sua facultatividade

causa um impacto enorme nas contas da

instituição, dificultando a sua manutenção”,

diz o presidente do Sincor RO/AC,

José Luiz de Souza.

No Sincor-PR, a arrecadação encolheu

29% até o momento. A nova lei,

somada ao cancelamento do convênio

com a Seguradora Líder (responsável pela

administração do DPVAT), também obrigou

o Sincor-ES a buscar novas formas de

financiamento e se reinventar. Presidente

da entidade, José Romulo da Silva é contra

a Reforma Trabalhista e se queixa que

os sindicatos sequer foram consultados

❙❙Boris Ber, do Sincor SP

“As instituições

precisam se reinventar

para atender este novo

desafio junto com seus

associados”

José Antonio de Castro,

do Sincor-PR

sobre o assunto, principalmente quanto

ao imposto. “Não levaram em conta a

forma de atuação de cada um. Ou seja, os

bons pagaram pelos pecadores”, lamenta.

Se antecipando às mudanças

A princípio, o Sincor-PE esperava

sofrer um grande impacto em suas receitas

com o fim do imposto sindical, mas

aos poucos percebeu uma recuperação do

pagamento das contribuições. “Isso nos

surpreendeu”, admite o presidente Carlos

Alberto Valle. O corretor pernambucano

paga não só a contribuição sindical como

a contribuição associativa, que sempre

foi facultativa. “Ele sabe como é importante

ser bem representado, porque quem

tem representatividade pode reclamar,

brigar e estar junto para conquistar as

coisas”.

Se o fim do imposto sindical fez

a receita das entidades despencar, por

outro lado as obrigou a dar o seu melhor.

“Não se paga por obrigação, e sim por

retribuição, atenção e eficiência. Nosso

valor é pela nossa competência, pelo que

a gente pode servir. Ninguém vai pagar

ninguém se for inservível”, lembra ele,

avaliando que os sindicatos seguem com

as antigas tarefas neste novo cenário, que

exige mais eficiência das instituições.

Entidade representativa dos corretores

de seguros que atuam no estado

mais populoso do País, o Sincor-SP também

teve uma grande perda de receita.

Entretanto, o presidente em exercício,

Boris Ber, se mostra favorável ao fim da

obrigatoriedade da contribuição sindical.

“Somos muito mais uma entidade

representativa do patronato do que do

funcionário. Então, nós concordamos

com essa medida”, justifica.

Já estudando a possibilidade disso

acontecer, a entidade antecipou a reestruturação

de seu quadro funcional, que

sofreu uma redução de 30%. Departamentos

foram agregados e a finalidade

de cada atividade foi discutida, assim

como a capacidade e a modernização

do atendimento aos associados. Com

isso, passou a oferecer um serviço mais

unificado e inteligente. Em todos os

departamentos, a ordem é rentabilizar

e buscar ações que deixem resultado.

“Tudo foi planejado, não foi feito do dia

para a noite. E estamos de olhos bem

abertos para outras prováveis situações

que possam trazer efetividade. Temos

o compromisso de reduzir o custo sem

prejudicar o atendimento”, diz.

O Sincor-SP busca agora oferecer

benefícios para que o corretor se interesse

em ser sócio da instituição. Mas, segundo

Ber, existe uma questão nessa estrutura

que ainda precisa ser resolvida. “Quando

discutimos o reajuste salarial com o

❙❙José Romulo da Silva, do Sincor ES

41


contribuição sindical

42

“Nosso valor é pela

nossa competência,

pelo que a gente pode

servir. Ninguém vai

pagar ninguém se for

inservível”

Carlos Alberto Valle, do Sincor-PE

Sindicato dos Securitários, atendemos

todo mundo, mesmo aqueles que não são

nossos sócios. Então, precisamos achar

benefícios exclusivos aos sócios. Falta

um complemento na lei para separar isso.

O corretor precisaria ser sócio. Talvez

não o sócio plus, com direito a tudo, mas

ele teria que pagar uma taxa anual para

usufruir dos benefícios gerais. É um

negócio que eu não vejo muita saída de

imediato”, explica.

Outra instituição que se antecipou

às mudanças foi o Sincor-PR. A diretoria

criou, em 2012, o projeto Sincor-PR 2022.

Junto com o Serviço Brasileiro de Apoio

às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae),

a iniciativa visa preparar a instituição

aos novos tempos. “Um dos pontos

mais importantes foi a organização da

estrutura e funcionamento da entidade,

profissionalizando e capacitando os colaboradores,

fato que nos ajudou a enfrentar

este momento de redução de pessoal e

readequações em andamento”, afirma o

presidente José Antonio de Castro.

Além disso, a entidade lançou o

Selo Corretor Legal, que entrará em uso

em janeiro de 2019 e será exclusivo aos

associados. Os sócios que o tiverem estarão

legalizados, o que será informado à

sociedade. As cinco estrelas do selo destacarão

a situação legal da corretora: se

está em ordem junto à Superintendência

de Seguros Privados (Susep), se aderiu

ao Código de Ética e à autorreguladora, e

se ela se mantém atualizada participando

de cursos e eventos do setor. “Isso nos

ajudará a manter associados interessados

em ter o Sincor-PR forte e atuante, cientes

que somos um sindicato patronal que luta

e defende a categoria”, declara Castro.

Para a instituição que atua em defesa

dos corretores paranaenses, está claro

que os sindicatos, além de sua representatividade

institucional, terão que

ser agentes atuantes no fortalecimento e

desenvolvimento da categoria, auxiliando

diretamente os associados a se desenvolverem

e com apoio, principalmente, nas

inovações e tecnologias que irão romper

o novo cenário. “As instituições precisam

se reinventar para atender este novo desafio

junto com seus associados”.

Ninguém resolve suas

demandas sozinho

Embora o micro, pequeno e médio

corretor necessite mais dos benefícios

oferecidos pelos Sincor’s, os grandes

corretores também precisam de amparo.

As instituições estão prontas para atender

a todos e, por isso, os presidentes

são unânimes: o profissional precisa de

alguém que seja seu interlocutor frente às

ameaças do mercado, como o surgimento

crescente das associações de proteção

veicular e das vendas diretas. Os profis-

❙❙José Luiz de Souza, do Sincor RO/AC

Débitos podem

interferir no

recadastramento

Não houve isenção para os corretores

que tiverem débitos com a contribuição

sindical no período em que ela

era obrigatória. Sendo assim, o corretor

que tiver débitos anteriores ao fim do

imposto sindical pode ter dificuldades

ao fazer o recadastramento, visto que

uma das exigências é a apresentação

das contribuições dos últimos cinco

anos devidamente quitadas. O profissional

que estiver inadimplente deve

procurar o seu Sincor para a devida

regularização.

sionais devem entender que a principal

ação dos Sindicatos dos Corretores de

Seguros é lutar pela categoria, a exemplo

da conquista na tabela III do Simples e

da batalha contra a Lei Geral do Seguro

na forma que estava, prejudicando o

corretor.

“Seja mensalidades, contribuição

sindical ou confederativa, a importância

dessas taxas para os Sindicatos é vital.

Elas são hoje a nossa única fonte de

renda e que nos permite agir em defesa

da categoria. Infelizmente, a maioria não

enxerga os Sindicatos como instituições

necessárias para dar tranquilidade aos

seus representados”, desabafa José Romulo

da Silva, do Sincor-ES, que perdeu

fonte de receita que garantiria manter

parte de suas atividades no próximo

ano. “Há um horizonte de incertezas a

rondar 2019”.

Para os corretores, José Luiz de

Souza, do Sincor RO/AC, deixa o recado:

“quando uma única pessoa ou empresa

busca resolver suas demandas sozinha,

acaba por não conseguir. Quando representada

por sua entidade, tem muito

mais chance de sucesso”, reflete. Aos

demais Sincor’s, ele lembra que é preciso

se reinventar e buscar meios de receitas

alternativas para a sobrevivência.


43


Foto: Dalvino Santino

evento | enconseg

Um mercado forte e resiliente

“Só através do

conhecimento, da sala de

aula, da informação e do

bom uso da tecnologia que

o sindicato propõe para

a categoria é que haverá

possibilidade de fazer a

diferença no futuro e no

presente”

Henrique Brandão,

presidente do Sincor-RJ

Corretores e

representantes das

principais entidades do

setor marcaram presença

no VII Encontro de

Corretores de Seguros,

que reuniu mais de

1.500 pessoas no

Rio de Janeiro

Promovido pelo Sincor-RJ, o

VII Encontro de Corretores

de Seguros (Enconseg) contou

com os representantes das principais

entidades do mercado. Mais de

1.500 participantes lotaram a plenária,

acompanhando os debates realizados no

decorrer do evento, que teve como tema

“Distribuição, essa força é nossa”.

O presidente da entidade, Henrique

Brandão, mencionou a importância do

saber para a categoria. “A sociedade está

empoderada. Só através do conhecimento,

da sala de aula, da informação e do

bom uso da tecnologia que o sindicato

propõe para a categoria é que haverá possibilidade

de fazer a diferença no futuro

e no presente”, declarou.

Se hoje o corretor obtém êxito

tendo competência e sabendo usar a

tecnologia a seu favor, também é preciso

se preocupar em informar a sociedade.

44

“Se fizermos isso bem, vamos ter nosso

espaço não como obrigatório, mas pela

necessidade”, garantiu Brandão.

Como líder de classe, ele afirmou que

seu papel é fazer com que os profissionais

entendam a importância do corretor de

seguros – desde que o próprio corretor se

faça importante pelo seu conhecimento e

pela sua força agregadora na relação com

a seguradora e, principalmente, com os

clientes.

A importância do seguro para

o desenvolvimento do país

O seguro terá uma crescente importância

nas políticas públicas nos próximos

anos, a despeito do resultado da eleição

presidencial e da nova composição do

Congresso Nacional. Também estará cada

vez mais presente nas ações empresariais,

por ser estratégico para os negócios e para

o desenvolvimento do Brasil. As declarações

foram feitas por Marcio Coriolano,

presidente da CNseg, durante o painel “O

Rio de Janeiro”. Ele traçou um histórico

da resiliência dos seguros nos últimos dez

anos e lembrou que o seu crescimento

permaneceu em trajetória positiva, mesmo

durante a recessão econômica. Entre

2008 e 2010, época ainda de aceleração

da economia – com crescimento médio

de 4,1% do PIB –, o setor avançou 7,8%

ao ano; e, no momento mais crítico da

economia, com taxa negativa de 2% do

PIB, cresceu 2,5%.

Coriolano destacou ainda a participação

do Estado do Rio de Janeiro no

mercado segurador e lembrou que a CNseg

integra, na Federação das Indústrias

do Estado do Rio de Janeiro (Firjan),

um elenco de empresas e organizações

que aderiram à Agenda Rio Seguro, que

pretende apoiar ações públicas para a

redução da violência no Estado. Ao final,

enumerou algumas das 22 iniciativas que

constam do documento “Propostas do

setor de seguros brasileiro aos Presidenciáveis”

como capazes de contribuir para

a retomada de um ciclo de crescimento

em bases sustentáveis. Como exemplo,

apontou o avanço do seguro rural para

amparar as atividades agrícolas; os seguros

patrimoniais inclusivos para mitigar

as perdas de empresas ou pessoas de

rendas médias, e o seguro de garantia de

obras, que será indispensável na retomada

das obras de infraestrutura.

Também participaram do debate o

vice-presidente do Sincor-RJ, Ricardo

Garrido; o diretor da Susep, Carlos

Alberto de Paula; e o presidente da

SulAmérica, Gabriel Portella; além de

Ivan Gontijo, diretor-geral do Grupo

Bradesco Seguros; e Cesar Brenha

Rocha, diretor da ANS.

O VII Enconseg contou ainda com

as palestras do economista Ricardo

Amorim, do professor Rafael Baltresca;

do presidente do Instituto de Pesquisa

Locomotiva, Renato Meirelles; e do poeta

de Literatura de Cordel e declamador

Braulio Bessa.


45


evento | fenasaúde

Crise da saúde ainda

demora a ser resolvida

O mercado de saúde

suplementar atravessa

uma crise que reflete a

situação econômica do

País. Sozinho, este

setor arrecadou

R$ 180 bilhões de reais

e pagou cerca de

R$ 150 bilhões em

sinistros no mesmo

período. O desafio

agora é torná-lo mais

eficiente para as

operadoras e mais justo

para os consumidores

46

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro

Um debate inclusivo. Certamente

este é o caminho para

discutir os problemas da saúde

suplementar, que sofre com

a queda do número de usuários desde

2014, quando atingiu seu ápice com 50

milhões de usuários. Hoje, este número

está na casa dos 47 milhões de pessoas,

o que ainda representa cerca de 25% da

população brasileira. Preocupada com

esta situação, a Fenasaúde reuniu especialistas

para discutirem o tema no 4º

Fórum Nacional de Saúde Suplementar.

Na abertura, a presidente da Fenasaúde,

Solange Beatriz Palheiro Mendes,

disse que a missão da Federação é a disseminação

da informação, fundamental

para que os consumidores tomem decisões

acertadas. “Um bom debate político

deve contemplar os dois lados. Nossos

recursos intelectuais são o que são, e não

o que gostaríamos que fosse”.

Ela afirmou que quem não mudar

será mudado. “Seremos protagonistas

ou vítimas das circunstâncias? Precisamos

de mais diálogos. Sem eles não será

possível enfrentar os desafios do setor.

O propósito é fomentar a troca de ideias

apoiadas em bases sólidas. Temos que ter

a certeza de que enfrentamos um novo

tempo”, sentenciou Solange.

Marcio Coriolano, presidente da

CNseg, informou que a retomada do

Conselho Nacional de Saúde Suplementar

(Consu) servirá para retomar uma

instância governamental cuja função é

integrar políticas públicas, econômica e

do consumidor. “Para exemplificar a sua

importância, as 23 resoluções de 1993 a

1999 foram seminais para o atual marco

regulatório da saúde suplementar. Todos

que participam da cadeia econômica da

saúde suplementar já falaram sobre a sua

sustentabilidade econômica e maior participação

dos usuários. Estes são pontos

fundamentais, atentando para os pontos

de cuidado da saúde, protagonismo do

usuário e sustentabilidade financeira”.


O diretor-presidente da Agência Nacional

de Saúde Suplementar (ANS),

Leandro Fonseca, ressaltou que é preciso

discutir a sustentabilidade do sistema, o

financiamento da saúde pública e privada,

de forma técnica e serena. “Todos os temas

são de suma importância, mas temos que

saber como e o que fazer para reformar o

sistema. O cuidado em saúde deve trazer

valor para as pessoas. Temos que inverter a

lógica perversa do pagamento pelo serviço”.

O fim do pagamento pelos serviços

prestados foi um dos pontos comuns entre

os participantes do evento. A criação

de novas formas de pagamento pode

ser uma das soluções para o dilema do

financiamento da saúde suplementar. A

criação do prontuário médico eletrônico

também pode ser um fator importante

para a integração da saúde e a diminuição

dos custos assistenciais.

Gilberto Occhi, ministro de Estado

da Saúde, disse que o setor precisa evoluir

para ter transparência e a possibilidade de

ter planos que possam cumprir grandes

objetivos de atender a população. “Temos

o maior programa de imunização do

mundo e programas de sucesso, como o

de transplantes. Temos que enfrentar o

envelhecimento da população, que terá

mais de 41 milhões de brasileiros acima

dos 65 anos daqui a 10 anos. Teremos que

enfrentar as doenças crônicas, a questão

do açúcar, do sódio. O desafio do trânsito,

do saneamento, do tabaco, do álcool e as

drogas. Temos que melhorar a informação

e a informatização da saúde”.

“Diálogo, transparência, recursos

finitos”. Estas palavras, segundo Torquato

Jardim, ministro de Estado da Justiça, vão

permear as próximas discussões sobre

saúde. É como se a própria constituição

já soubesse que o Estado não seria capaz

de prover toda a saúde necessária ao cidadão.

“Temos que buscar uma política

social que contemple o equilíbrio. Todos

pagamos impostos para financiar o SUS.

Mas 50 milhões de pessoas pagam a mais,

para bancar o sistema privado. Há ainda a

terceira categoria, os servidores públicos

que engolem um fatia generosa para o seu

atendimento”.

Jardim destacou o aumento significativo

da quantidade de processos judiciais

ligados à saúde, que saltaram 70% de

❙❙

Gilberto Occhi, ministro de Estado da Saúde

2016 para 2017, chegando à marca de

1.346.000. Não há Justiça que dê conta

de tamanha demanda.

Os caminhos para equilibrar

os custos

As mudanças do setor de saúde

devem partir do ganho de eficiência das

operadoras de saúde, em conjunto com

os beneficiários, principalmente aqueles

do setor corporativo. Os problemas do

mercado brasileiro são semelhantes ao

americano, conforme mostrou o diretor

executivo e CEO do The Performance

Medical Group, Robert Pearl. Ele apresentou

os dilemas da assistência à saúde

no mundo e disse que as formas de resolução,

ou mitigação, destes problemas

passa por quatro pilares.

❙❙Torquato Jardim, ministro de Estado da Justiça

O primeiro é a integração entre

prestadores de serviços, para que eles

atuem em sintonia, principalmente médicos

e hospitais. “No mundo inteiro

estas informações estão fragmentadas,

com pagamentos pelos serviços”. Ele

acredita que as disciplinas semelhantes

devem atuar de forma conjunta, com a

mudança da forma de remuneração para

um sistema que contemple o pagamento

pela performance e resultados.

O segundo pilar é a integração entre

médicos da mesma especialidade e

pacientes que sofrem das mesmas enfermidades.

“Devemos deixar de enxergar

o outro como concorrente para focar na

resolução do problema do paciente”. O

terceiro pilar é o da tecnologia, que deve

investir no prontuário médico eletrônico,

47


fenasaúde

❙❙

Robert Pearl, do The Performance Medical Group

principalmente porque as informações do sistema através de um olhar global”,

já estão disponíveis no consultório médico,

mas não são compartilhadas. “De “O desperdício está em todos os

finalizou Pearl.

posse destas informações é muito mais níveis: pelo usuário que pede todos os

fácil investir em prevenção de doenças exames, várias vezes por ano; pelo médico,

que pede os exames mais modernos,

e os diagnósticos são mais rápidos. Se

aumentarmos o acesso às informações, sem nenhum critério, apenas para não

conseguimos controlar melhor a saúde”, correr risco de processos; passa pelas

prevê Pearl.

práticas dos planos que querem descredenciar

alguns prestadores que abusam

Por último, o professor acredita que

deve haver maior intercâmbio entre médicos

e administradores, com mais diálogo Domingues, presidente do Conselho do

do seu poder”, afirmou Romeu Cortez

entre os líderes do planejamento em Grupo Dasa. Para ele, o usuário tem que

sáude. “Precisamos de líderes médicos saber que saúde tem custo, e o médico

para desenvolver equipes e grupos que precisa ser cobrado por resultado, para

pensem não só na doença e no tratamento se tornar um parceiro, assim como o

específico, ma sim no paciente, na gestão prestador de serviço.

❙❙Lewis Sandy, do United Health Group

APS, uma realidade que

começa a ser aplicada ao

mercado

A Atenção Primária à Saúde é um dos

fatores que podem contribuir para um redesenho

do mercado de saúde suplementar

no Brasil. Sem ela, o foco do atendimento

é na doença do cliente. A APS é uma nova

forma de entrada do paciente no sistema,

que passa a ter um médico generalista que

o atende, assim como acontece no sistema

britânico de saúde.

No Brasil, é comum que as pessoas

procurem um Pronto Socorro assim que

apresentam um problema de saúde. Isso

encarece bastante o atendimento. Lewis

Sandy, vice-presidente e Clinical Avancement

do United Health Group, explicou

que, nos EUA, o paciente vai primeiro ao

seu médico de atendimento primário para

verificar seus problemas e não utiliza o

pronto atendimento para isso. “Observei

que no Brasil, a população procura primeiro

o pronto socorro, muitas vezes sem

necessidade”, afirmou.

Porém, foi necessário um investimento

da sociedade americana ao longo

do tempo para apresentar o valor da atenção

primária que é o primeiro contato do

paciente com uma análise e coordenação

do indivíduo com foco na família e na

comunidade. O processo ainda é debatido

na sociedade americana que questiona o

atendimento básico contra o especializado.

Segundo o vice-presidente da UnitedHealth

Group, a abrangência é o oposto

da fragmentação. “Muitos especialistas

envolvem mais custos, mais exames,

mais medicações e intervenções. Além

disso, o benefício do cuidado primário é

maior para pessoas com mais doenças ou

doenças complexas. Precisamos garantir

que os cuidados especializados sejam

adequados à população”, explicou.

Quando há um acompanhamento mais

próximo da saúde do paciente, o mercado

ganha em resultados. Algumas experiências

deste tipo já estão sendo aplicadas

no Brasil. Helton Freitas, presidente da

Seguros Unimed, disse que sua operadora

já possui experiência de atendimento com

médico de família em sua operação em

Belo Horizonte/MG. “É um produto que

está crescendo, com as pessoas começando

a utilizar o médico de família”.

48


Durante o 4º Fórum de Saúde Suplementar, a Fenasaúde

mostrou alguns itens que foram apresentados ao presidente

eleito do Brasil, além dos outros presidenciáveis. Solange Beatriz

Palheiro Mendes apresentou os detalhes desta proposta:

1. Atenção Primária à Saúde (APS)

Baseado no livre acesso a especialistas, o modelo atual de

atenção à saúde – predominante na Saúde Suplementar – é

caro, ineficiente, gerador de desperdícios e não promove a

saúde, operando apenas como um meio de tratamento de

doenças.

2. Regulação dos prestadores e fornecedores

A principal falha no setor é a assimetria de regulação

entre os segmentos envolvidos. A regulação atual atinge

apenas as operadoras. Esse fato desequilibra o poder negocial

entre operadoras (reguladas) e prestadores (não regulados).

Os prestadores de serviços que atendem aos beneficiários da

Saúde Suplementar devem ter o dever da transparência, da

prestação de informações financeiras, de padrões de atendimento

e de qualidade assistencial.

3. Novas regras de reajuste dos planos individuais

A FenaSaúde propõe um modelo de reajuste baseado

em teto-de-preço, ficando aberta a possibilidade de reajustes

acima desse teto para um conjunto de operadoras

que justifiquem tal exceção com base em avaliação técnica,

considerando-se critérios financeiros e atuariais. Portanto,

a entidade sugere uma síntese entre a proposta feita pela

ANS e o modelo de regulação adotado em alguns estados

norte-americanos para seguros de saúde, que permitem

a variação de preços acima do patamar estabelecido pelo

órgão regulador, desde que esses reajustes sejam justificados.

4. Mudanças das regras para a incorporação de

novas tecnologias

Nem toda nova tecnologia é custo-eficiente ou mesmo

eficaz. A FenaSaúde propõe a realização de uma avaliação sistemática

de tecnologias em saúde prévia à sua incorporação,

considerando-se a eficácia, o custo-efetividade e a capacidade

orçamentária da população, além da disponibilidade das

novas tecnologias.

5. Combate às fraudes – tipificação de crimes

A FenaSaúde defende que um novo marco legal para

o setor deva tratar detalhadamente dos casos de fraudes e

abusos em contratos de prestação de serviços de saúde, vide

a Máfia das Próteses. A proposta é a de se tipificar como crime

a prática de fraude contra o sistema de saúde. Dentre as ações,

a elaboração de medida legislativa para vedar a obtenção de

qualquer forma de lucro e vantagem financeira por profissionais

de saúde em razão da comercialização, prescrição ou uso

de dispositivos médicos.

6. Mudança do modelo de remuneração

O risco da gestão de assistência médica deve ser assumido

pelo prestador de serviço, que tem a responsabilidade

indelegável pela indicação e realização do procedimento. Ao

realizar um atendimento hospitalar, todos os custos associados

à internação – inclusive aqueles resultantes da prestação

Propostas da Fenasaúde

de um mau serviço, imperícia ou negligência – são assumidos

pelas operadoras, o que gera aumento dos custos assistenciais

e que, por fim, impacta no aumento das mensalidades dos

planos de saúde.

7. Análise de Impacto Regulatório (AIR) e de revisões

sistemáticas de regras (ex-posts)

É fundamental que seja instituída a Análise de Impacto

Regulatório (AIR) nos moldes previstos no Projeto de Lei

6.621/2016, a chamada Lei das Agências, atualmente em debate

no Congresso Nacional. Esse projeto prevê a obrigação de se

realizar AIR, a fim de subsidiar a tomada de decisão antes da

publicação de uma nova norma regulatória. A realização da AIR

é um passo fundamental para tornar mais eficaz a regulação

do setor, pois subsidia o agente público com informações para

que ele faça uma melhor decisão.

8. Governança regulatória (Consu)

É muito importante reforçar a atuação do CONSU – Conselho

de Saúde Suplementar - para aperfeiçoar a política

regulatória do setor de Saúde Suplementar, direcionando seu

foco ao aprimoramento da eficiência e qualidade do setor.

9. Admissão de hospitais públicos na rede

credenciada

É possível pensar em iniciativas conjuntas entre os sistemas

público e privado para reduzir o vazio assistencial na área da

saúde. O resultado seria o aumento da eficiência no uso dos

recursos e da infraestrutura, por meio do compartilhamento

de instalações e capacidades para que um mesmo prestador

de serviço de saúde possa atender tanto pacientes do SUS

quanto pacientes da Saúde Suplementar.

10. Novos produtos de Previdência e Poupança

vinculados à saúde

Com o aumento da longevidade da sociedade brasileira é

preciso buscar fontes alternativas de financiamento, por isso a

FenaSaúde sugere propostas de planos de caráter acumulativo

ou por capitalização como uma alternativa e complemento

aos modelos atuais: um plano previdenciário estruturado em

regime de capitalização, em contas individuais, voltado para

o financiamento das despesas futuras do beneficiário com o

plano de saúde.

11. Mecanismos financeiros de regulação –

coparticipação e franquia

Os mecanismos de coparticipação e de franquia tornam o

beneficiário um participante interessado e ativo na utilização

dos serviços de assistência à saúde, essencialmente pelos

estímulos ao uso racional dos serviços e ao desestímulo à sobreutilização

caso ele não tenha nenhum custo no ponto de

serviço. O aperfeiçoamento da regulamentação dos mecanismos

financeiros de regulação vai ao encontro das necessidades

do setor de Saúde Suplementar: encoraja a utilização desses

mecanismos, protege o consumidor ao estabelecer limites

claros de exposição financeira, além de isentar da incidência

de coparticipação e franquia procedimentos preventivos e

alguns tratamentos crônicos.

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comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Será que fui claro?

Essa pergunta deveria ser frequentemente feita por quem

se comunica. Escrevendo ou falando...

Há três “Ces” que são imprescindíveis em qualquer tipo

de comunicação: Concisão, Coerência e Clareza.

Concisão é a arte de “falar pouco e dizer muito”. É a

virtude que algumas pessoas possuem de escolher e aplicar

tão bem as palavras que, com umas poucas, consegue fazer-se

compreender. Para isso, basta usar o vocábulo certo, o termo

unívoco, isto é, que tem um só significado, não se confundindo

com outros.

No curso de Oratória que ministrei recentemente em

Palmas, no Tocantins, disse aos alunos que eu queria que me

fornecessem um objeto metálico, que tem uma extremidade

oblonga ou obovoide, corpo afilado e a outra extremidade serrilhada

ou denteada. De imediato, alguém ofereceu um serrote.

Como disse que não era o que eu queria, outros objetos vieram

à baila: garfo, faca, tesoura, chave de fenda...

Esgotadas – sem sucesso – as tentativas, fiz na lousa o

desenho da peça, seguindo os termos da descrição: um objeto

metálico, que tem uma extremidade oblonga ou obovoide,

corpo afilado e a outra extremidade serrilhada ou denteada.

A reação unânime foi:

– “Por que você não disse apenas que o que queria era uma

chave?” Teria sido muito mais fácil!

– “Porque não me lembrei dessa palavra”, foi a desculpa

esfarrapada que dei. Claro que não foi. Foi apenas uma ilustração

para gravar o ensinamento.

O que transpareceu claramente é que o desconhecimento

da palavra unívoca leva à necessidade do emprego de palavras

equívocas, ou seja, que não têm sentido único e admitem

variações e interpretações. Leva também ao alongamento da

frase, gerando o que se chama circunlóquio, caracterizado

pelo excesso de palavras. Outro detalhe para o qual chamei a

atenção: os termos raros, de uso não frequente, aumentam a

dificuldade de assimilação da mensagem. Quem é que usa normalmente

palavras como “oblongo”, “obovoide” e “afilado”?

O episódio lembra o caso do senhorzinho calvo, nariz

adunco, suportando óculos de aros pesados, que chega ao

balcão da farmácia e pede:

– “Por favor, eu quero um comprimido de ácido acetilsalicílico”!

– “Ah! Melhoral?!” Responde prontamente o balconista.

– “Isso, isso! Não consigo lembrar esse nome!”

Coerência, por sua vez, resume-se a falar “coisa com

coisa”, a não misturar “alhos com bugalhos”, como muitas

pessoas fazem, mudando frequentemente, em sua conversa,

de “pato pra ganso”. É o que se chama desconexão verbal:

quem está falando não mantém sequência lógica e encadeada

de assuntos e com isso não só cria confusão na mente de quem

supostamente a está ouvindo, como o consequente desinteresse

do interlocutor ou do público. Para consertar esse mal, basta

lembrar que toda expressão – curta ou longa – deve ter: início,

meio e fim! Nessa ordem! Começou um assunto? Leve-o até

o fim, antes de dar início a outro. Faça a “amarração” entre os

pontos sobre os quais está discorrendo!

Clareza, por fim, nada mais é do que “falar e ser entendido”!

Pode parecer incrível, mas não faltam por aí aquelas

pessoas que falam e ninguém as entende.

“Necessária e indispensável, clareza demanda alguns

cuidados nas áreas física, fisiológica, fonética, vocabular e

cultural. De início, é importante que se fale com boa postura

física, com o corpo ereto, de modo a deixar o diafragma livre

e sem tensão. A seguir, desenvolver respiração correta, inspirando

profundamente – pelo nariz – para manter os pulmões

abastecidos de ar, o que permitirá manter boa tonalidade da voz

até o fim da frase, evitando que o som venha a cair, a “morrer”

(tonalidade descendente), tornando-se inaudível.

Outro cuidado elementar é abrir bem a boca para falar.

Há pessoas que falam de boca semicerrada, dificultando o

entendimento de suas palavras, ou então não as pronunciam

por inteiro, suprimindo fonemas e sílabas”. (J. B. Oliveira, em

“Boas Dicas para Boas Falas”, Editora JBO).

Para concluir, devemos agregar o cuidado singelo de

prestar atenção à própria fala! Será que estou sendo coerente?

Estou usando os termos certos? Estou falando no tom, timbre

e ritmo corretos? Enfim: será que estou sendo claro?

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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