Revista Mais Sebrae nov-Futurismo

sebrae.digital.rs

Novembro 2018

Ano 4 | Nº 12

A REVISTA DO EMPREENDEDOR GAÚCHO

Futurismo

Conceito que engloba a investigação do que será inovação nos

próximos anos vem se popularizando e pode ser incorporado às

micro e pequenas empresas. Pág. 34

Cadeia produtiva da moda: novos hábitos

de consumo, mudanças no varejo, desafios e

tendências para a indústria. Pág. 18

Para além das vendas: como a presença

digital pode otimizar o relacionamento com

clientes e potencializar os negócios. Pág. 24

1


A PLATAFORMA DIGITAL

QUE REÚNE DADOS DO

AMBIENTE DE NEGÓCIOS.

Na hora de planejar, toda informação é muito

importante. É por isso que agora nós temos uma

página no DataSebrae, um lugar que reúne dados

socioeconômicos para tomadas de decisões

estratégicas, além de pesquisas sobre os

municípios, empreendedorismo e muito mais.

Assim, fica mais fácil para empreendedores,

pesquisadores e gestores públicos saberem tudo

sobre o mundo dos negócios no nosso estado.

Futurismo

para MPEs

A 12ª edição da revista Mais Sebrae marca o encerramento

de um ciclo. É a última edição em que

estou como Presidente do Conselho Deliberativo do

Sebrae RS, função que assumi em 2018, dando sequência

à administração do presidente Carlos Rivaci

Sperotto, que esteve à frente da organização por

três anos, representando a Farsul, além de outras

duas gestões. Foi um grande privilégio continuar

um trabalho tão bem orquestrado nesta organização

junto às instituições que compõem o Conselho

e também dar continuidade a esta publicação, que

mantém a proposta de disseminar conteúdos relevantes

sobre o cenário empresarial e o mundo dos

negócios para os empreendedores gaúchos.

Desta vez, escolhemos como tema central da revista

o futurismo – conceito que surgiu nas universidades

e começou a ser aplicado por grandes

corporações no final do século XX, e que cada vez

mais vem se popularizando e tornando-se acessível

também para os micro e pequenos negócios.

A matéria instiga a pensar sobre as tendências, projeções

e hipóteses sobre os rumos da humanidade

e das empresas, trazendo a visão dos especialistas

Bruno Macedo, que atua com futurismo empresarial;

e Lala Deheinzelin, futurista e especialista em

economia criativa.

Entre outros conteúdos, a publicação destaca a

comunicação digital, mostrando como utilizá-la

para potencializar empreendimentos por meio de

relacionamento com clientes. Para aprofundar esse

tema, temos uma entrevista com Camila Porto, especialista

em Marketing Digital e ministrante de treinamentos

sobre redes sociais.

E para inspirar iniciativas no cenário empresarial,

contamos algumas histórias de empreendedores

que estão obtendo sucesso nos negócios, como

é o caso da Sumá – startup de impacto social que

desenvolveu uma plataforma para facilitar o comércio

direto entre pequenos produtores rurais e

empresas, promovendo o comércio justo e o consumo

consciente.

Boa leitura!

Foto: Divulgação

Acesse: datasebrae.com.br/rs

Além de explicar o conceito e de que forma ele pode

ser incorporado pelas MPEs, apresentamos algumas

previsões para o futuro e informações sobre o

ecossistema gaúcho de inovação, com iniciativas e

projetos do Sebrae RS.

GEDEÃO SILVEIRA PEREIRA

Presidente do Conselho Deliberativo

Estadual (CDE) do Sebrae RS

2 3


CONSELHO DELIBERATIVO

Presidente Conselho Deliberativo: Gedeão Silveira Pereira

• Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A – BANRISUL

Titular: Luiz Gonzaga Veras Mota

Suplente: Irany de Oliveira Sant’Anna Júnior

• Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul – FIERGS

Titular: Gilberto Porcello Petry

Suplente: Marco Aurélio Paradeda

• CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Titular: Edilson Zanatta

Suplente: Fábio Müller

• Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul – CIERGS

Titular: André Vanoni de Godoy

Suplente: Marlos Davi Schmidt

• Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia-SDECT

Titular: Susana Kakuta

Suplente: Adriano Boff

• BANCO DO BRASIL S/A

Titular: Edson Bündchen

Suplente: Gustavo Henriques da Rosa

• Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul –

FEDERASUL

Titular: Simone Diefenthaeler Leite

Suplente: Olmiro Cavazzola

• Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul – FARSUL

Titular: Gedeão Silveira Pereira

Suplente: Fábio Avancini Rodrigues

• Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande

do Sul – FECOMÉRCIO

Titular: Luiz Carlos Bohn

Suplente: Zildo De Marchi

• Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE

Titular: George Teixeira Pinheiro

Suplente: Pio Cortizo Vidal Filho

• Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI/RS

Titular: Alexandre De Carli

Suplente: Ricardo Coelho Michelon

• Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul – FAPERGS

Titular: Odir Antônio Dellagostin

Suplente: Patrícia Maria Seger de Camargo

• SENAR - RS - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural

Titular: Gilmar Tietböhl Rodrigues

Suplente: Valmir Antônio Susin

• FCDL- Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul

Titular: Vitor Augusto Koch

Suplente: Moacir Paulo Lodi

• BADESUL Desenvolvimento S/A - Agência de Fomento/RS

Titular: José Claudio Silva dos Santos

Suplente: Jeanette Halmenschlager Lontra

CONSELHO FISCAL

Presidente Conselho Fiscal: José Benedicto Ledur

Titulares

• FEDERASUL: José Benedicto Ledur (Presidente);

• FIERGS: Gilberto Brocco;

• FCDL/RS: Jorge Claudimir Prestes Lopes.

Suplentes

• FECOMÉRCIO: Ivanir Antonio Gasparin;

• Caixa Econômica Federal: Pedro Amar Ribeiro de Lacerda.

DIRETORIA EXECUTIVA

Diretor-Superintendente: Derly Cunha Fialho

Diretor Técnico: Ayrton Pinto Ramos

Diretor de Administração e Finanças: Carlos Alberto Schütz

EXPEDIENTE

A revista Mais Sebrae é uma publicação

do Sebrae RS desenvolvida pela Gerência

de Marketing.

Coordenação Geral:

Ana Finkler

Produção Executiva:

Renata Cerini e Ivana Gehlen

Produção, conteúdo e execução:

Caetano Teles e Raphaela Donaduce

Flores – Dona Flor Comunicação

Edição:

Raphaela Donaduce Flores

Reportagem:

Thaís Bueno Seganfredo

Revisão:

Flávio Dotti Cesa

Design Gráfico e Editoração:

Woz Brand

Foto de Capa:

iStock Fotos

Tiragem:

5 mil exemplares. Disponível no site do

Sebrae RS.

FALE COM A REDAÇÃO:

ivanag@sebraers.com.br e

renatac@sebraers.com.br

CONTATOS COM O SEBRAE:

• 0800 570 0800 - atendimento gratuito

de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h.

• www.sebraers.com.br

O visitante pode fazer download de

publicações e no link “Agência Sebrae de

Notícias” ficar sabendo das novidades da

organização.

• www.sebrae.com.br

Sebrae Nacional

• Espaço Pesquisa Sebrae RS

O acervo de livros, revistas, vídeos e

dicas de oportunidades de negócios

enfocando gestão empresarial podem ser

consultados em todas as unidades regionais

do Sebrae RS. Encontre a unidade

ou consulte o site sebraers.com.br.

SUMÁRIO

6

10

12

18

24

AGRONEGÓCIO

Produtividade do leite em alta no Rio Grande

do Sul

INOVAÇÃO

Insight: evento inédito promovido pelo Sebrae

RS atrairá comunidade empreendedora

INDÚSTRIA

Alimentos e bebidas premium atraem cada

vez mais consumidores

INDÚSTRIA E COMÉRCIO

Desafios e tendências para a cadeia produtiva

da moda

INDÚSTRIA, COMÉRCIO E

SERVIÇOS

Presença digital para otimizar relacionamento

com clientes e potencializar negócios

Entenda como as atitudes empreendedoras são capazes de

Conceito que engloba a investigação do que será inovação nos

próximos anos vem transformar se popularizando o cenário e pode econômico ser incorporado e social às do Brasil, gerando

micro e pequenas empregos, empresas. trazendo Pág. 34 inovação e melhorias na vida das pessoas.

Pág. 22

Novembro Agosto 2018

Ano 4 | Nº 11 12

A REVISTA DO EMPREENDEDOR GAÚCHO

Futurismo

EMPREENDEDORISMO

Rumo a internacionalização: pequenas

Cadeia empresas produtiva visualizam da moda: a oportunidade novos hábitos de

de conquistar consumo, clientes mudanças para no além varejo, das fronteiras desafios e

tendências nacionais. para Pág. indústria. 12 Pág. 18

E-commerce em expansão: como melhorar

a Para performance além das nas vendas: vendas como online a presença e aumentar

o digital faturamento pode otimizar em um relacionamento mercado cada vez com mais

aquecido. clientes e potencializar Pág. 34 os negócios. Pág. 24

30

42

46

50

56

58

34

ENTREVISTA

Camila Porto, especialista em Marketing

Digital e ministrante de treinamentos sobre

redes sociais

POLÍTICAS PÚBLICAS

Programa do Sebrae RS reúne iniciativas

pública, privada e terceiro setor para

otimizar ambiente de negócios

CASE DE SUCESSO

Sumá desenvolve tecnologia para facilitar o

comércio direto entre pequenos produtores

rurais e empresas

SIGA O EXEMPLO

Relatos de empresários que obtiveram grandes

resultados com o apoio do Sebrae RS

FATOS E FOTOS

Principais fatos envolvendo o Sebrae RS

FRASES EM DESTAQUE

Frases de líderes e empresários que merecem

destaque

CAPA

Futurismo para MPEs e o

ecossistema gaúcho de

inovação

4 5


AGRONEGÓCIO

Produtividade

do leite em alta

no Rio Grande do Sul

Criadores de vaca leiteira investem em

gestão, qualificam processos e elevam

a média produtiva do Estado

Item básico da alimentação dos brasileiros, o leite

de vaca passa por um aprimoramento na produção

gaúcha. A atividade é tão tradicional que está presente

em 98,8% dos municípios do Estado e movimenta,

por ano, mais de R$ 4 bilhões com a venda

do produto para cooperativas e agroindústrias,

segundo dados do Relatório Socioeconômico da

Cadeia Produtiva do Leite no RS, da Emater/RS.

De acordo com o IBGE, o Rio Grande do Sul é o

segundo maior produtor de leite do País, com um

total de 4,5 bilhões de litros por ano. Índice que

pode aumentar devido ao ritmo de crescimento da

produtividade gaúcha. O Estado está atrás de Minas

Gerais, com quase 9 bilhões de litros produzidos.

Ainda que a grande maioria da produção seja voltada

ao consumo familiar, os 65 mil fabricantes

gaúchos que comercializam o leite formalmente

têm buscado cada vez mais profissionalizar a

atividade, vislumbrando o alimento como um

negócio e investindo em recursos mais tecnológicos

de manejo. É o que destaca Marco Bender,

gerente de Agronegócio do Sebrae RS: “O leite é

uma tendência do agronegócio. Quem não investe

em gestão e na melhoria da sua capacidade

produtiva acaba saindo do mercado”. Isso vem

ocorrendo no Estado, segundo um estudo da

Emater/RS. Embora 20 mil produtores tenham

abandonado a atividade entre 2015 e 2017, o número

de propriedades com geração diária maior

Foto: Fagner Almeida

6 7


AGRONEGÓCIO

que 100 litros aumentou, enquanto os que produziam

abaixo dessa quantidade, por dia, diminuiu.

“As propriedades que deixaram a atividade são

aquelas que tinham rendimento menor. Essa faixa

remete a uma produção pouco rentável e com

baixo uso de tecnologia. No geral, aqueles que seguem

no ramo possuem um nível técnico melhor

e estão elevando as médias produtivas do Estado”,

explica Bender.

Otávio Eckstein, de Lagoa dos Três Cantos, está

entre os 8% de criadores gaúchos que produzem

mais de 500 litros de leite por dia. Ele investiu na

atividade contratando um funcionário para os dias

da semana; enquanto aos sábados e domingos

divide as tarefas com a esposa. Um dos fatores

decisivos para a escolha pela atividade foi a alta

rentabilidade por hectare. “Nossa propriedade é

pequena, então só trabalhar com grãos não basta

para se manter, e o leite ajuda bastante. A cada

ano que passa, desde 2015, estamos com 15% de

aumento por ano na produção”, comemora.

A profissionalização da fabricação de leite passa

por melhorias nos sistemas tecnológicos e pelo

uso de técnicas básicas de gestão. Desde 2015,

de acordo com o relatório da Emater/RS, os siste-

FIQUE LIGADO

(fonte - Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no RS - Emater/RS)

98,8% dos municípios gaúchos têm produtores de leite

mas menos tecnológicos de ordenha registraram

queda, enquanto a utilização de ferramentas mais

modernas vem crescendo. A mesma tendência é

observada nos tipos de resfriamento. “Nós fazemos

um trabalho para que os produtores reduzam

os custos o máximo que puderem, com a escala de

produção, para, assim, estarem mais resguardados

perante as oscilações do mercado. Uma hora

estão ganhando mais, outras menos, mas não podem

estar perdendo no todo”, avalia o gerente.

Outro elemento básico dessa gestão mais especializada

é o conhecimento das características

do rebanho e a aplicação de recursos conforme

essas informações. Uma dessas técnicas é a suplementação

de ração proporcional à produção

das vacas, além da inseminação artificial e do

sistema de pastoreio rotatínuo. Nesse sistema,

os animais têm liberdade para selecionar o que

querem comer e sempre têm à disposição pastagem

de alto valor nutritivo. O uso dessas técnicas

registrou alta em relação a 2015, como mostra

a pesquisa. “Isso é gestão. O produtor precisa

observar e conhecer a genética do seu rebanho.

O Rio Grande do Sul tem um enorme potencial

genético, mas ainda não atingimos o máximo”,

finaliza Bender.

173.706 propriedades possuem alguma produção de leite

O RS é o segundo maior produtor do País, com 4.473.485.610 litros/ano

As vendas para cooperativas e agroindústrias representam mais de

R$ 4 bilhões de reais por ano

O sistema de produção à base de pasto representa 95,6% do total

Estratificação das propriedades por volume de produção (%)*

*Contando somente as que entregam o leite para indústrias e cooperativas e as que processam em agroindústria própria

Mais de 2.500 litros por dia

Entre 1.001 e 2.500 litros por dia

501 e 1.000 litros por dia

Entre 301 e 500 litros por dia

Entre 201 e 300 litros por dia

Entre 151 a 200 litros por dia

Entre 101 e 150 litros por dia

Entre 51 e 100 litros por dia

Até 50 litros por dia

0% 5% 10%

2016 2017

Propriedades que vendem para indústrias e cooperativas

por região do Estado (%)

8%

6%

9%

5%

4%

3%

2% 1%

13%

18%

15%

15% 20% 25% 30%

16%

Santa Rosa

Ijuí

Passo Fundo

Fred. Westphalen

Lajeado

Erechim

Caxias do Sul

Pelotas

Soledade

Bagé

Santa Maria

Porto Alegre

8

9


INSIGHT

Inspiração para a

comunidade

empreendedora

Insight

Data: 12 e 13 de novembro

Local: ParkShopping Canoas (Avenida Farroupilha, 4545 –

bairro Marechal Rondon – Canoas/RS)

Público: jovens empreendedores, possíveis empreendedores

e empresários em busca de conhecimento e inovação

Insight, evento voltado para o empreendedorismo,

inovação e geração de negócios, ocorre em

novembro no ParkShopping Canoas

Um espaço para fomentar o ecossistema de inovação

do Rio Grande do Sul. Esse é o Insight, uma realização

do Sebrae RS que ocorre nos dias 12 e 13 de novembro,

com a participação de empresas, investidores,

incubadoras e parques tecnológicos. Inédita, a iniciativa

quer mobilizar a comunidade empreendedora, em

especial o público jovem, trazendo conteúdo relevante

e aproximando empresários e potenciais empresários

de oportunidades reais de aprendizado e conexão.

A expectativa é de que mil pessoas participem dos

dois dias de programação, no ParkShopping Canoas.

O Insight é o evento âncora da Semana Global do

Empreendedorismo no Rio Grande do Sul, iniciativa

mundial que ocorre anualmente em novembro,

em mais de 170 países, com o objetivo de inspirar,

capacitar e conectar jovens interessados no empreendedorismo.

“Queremos promover o intercâmbio

entre diferentes atores do ecossistema de inovação,

empreendedorismo e negócios, possibilitando que

todos atuem de forma conjunta em ações que desenvolvam

e aprimorem produtos, processos e projetos,

em diferentes setores da economia”, conta Gustavo

Moreira, gestor de projetos de Inovação, Mercado e

Serviços do Sebrae RS.

Com uma proposta disruptiva e descolada, com várias

atividades acontecendo simultaneamente, o

Insight traz um palco principal que receberá nomes

de destaque no empreendedorismo nacional, como

Tiago Mattos (Aerolito e Perestroika), Tito Gusmão

(Warren), Camila Achutti (MasterTech) e Israel

Salmen (Meliuz). Outros espaços trarão oficinas,

hackathons e o desafio Sebrae Like a Boss. Atividades

planejadas para inspirar os jovens empreendedores a

criarem iniciativas, negócios, soluções e encontros,

com foco em eixos temáticos como moda, agronegócio,

economia criativa e startups.

Um lounge para networking integrará a área da conexão,

com a ideia de aproximar investidores de startups,

MPEs de grandes empresas – que cada vez mais

buscam parceiros capazes de resolver soluções –,

além de promover encontros entre os diferentes atores

do ecossistema de inovação.

O mês todo de novembro é dedicado ao

empreendedorismo, e na semana de 12

a 18, o Sebrae RS vai promover uma série

de eventos no Rio Grande do Sul. Eles

representam um marco no fortalecimento

do ecossistema de empreendedorismo

e inovação do estado. Serão realizadas

ações em dez regionais durante o período,

capazes de transformar negócios e potenciais

empresários.

Fique atento à programação da Semana

Global do Empreendedorismo pelo site

www.empreendedorismo.org.br

10 11


INDÚSTRIA

O investimento em qualidade está

em alta no mercado de alimentos

e bebidas, e as MPEs gaúchas

vêm se destacando no mercado

Foi nos diretórios acadêmicos da Universidade Federal do Rio

Grande do Sul que uma ideia despretensiosa acabou gerando

inovação no nicho de cervejas artesanais gaúchas. Em 2011,

um grupo de amigos começou a fabricar a bebida e vender na

faculdade. Anos mais tarde, visualizando o potencial do setor,

eles uniram interesses e o conhecimento em Biologia para criar

a Zapata – cervejaria rural, um modelo antigo de produção que

surgiu no norte da França e é pouco disseminado no Brasil.

Produtos

premium

conquistam

o consumidor

Como diferencial, a empresa traz o conceito de terroir para a

fabricação de cerveja, expressão utilizada na vinicultura para designar

o conjunto de elementos do clima, vegetação e solo de

uma determinada região, e como esses elementos determinam

as características da uva. Na Zapata, esses fatores são percebidos

na cerveja, já que a empresa planta uma boa parte dos

insumos utilizados. “Nós tentamos olhar a cerveja como veículo

dessa transformação que é uma tendência mundial de pensar

criticamente sobre o que nós estamos consumindo”, conta o sócio-fundador

Filipe de Paula. Todo o processo é realizado no sítio

adquirido na zona rural de Viamão (RS), com base nos princípios

da agroecologia.

A iniciativa integra os chamados produtos premium, mercado

que atrai consumidores interessados em alimentos de alto valor

agregado, com ingredientes selecionados, embalagens diferenciadas

e um maior cuidado na produção. “É um movimento que

está acontecendo no mundo todo. As pequenas empresas estão

ocupando espaço em nichos específicos do mercado, são lacunas

deixadas por grandes empresas, que produzem alimentos e

bebidas em grande escala, buscando atingir o mercado de massa”,

avalia Roger Klafke, coordenador estadual de alimentos e

bebidas do Sebrae RS. No caso da Zapata, as embalagens, que

homenageiam lideranças de diferentes áreas acadêmicas, como

Frida Kahlo e Malcom X, entre outras, são fundamentais para

agregar valor ao produto.

A tendência dos produtos premium teve início há alguns anos

e, no Rio Grande do Sul, tornou-se conhecida do grande público

pela fabricação de cervejas artesanais. Hoje, o movimento se

12 13


INDÚSTRIA

ALFAJORES ODARA,

produzido inicialmente de forma artesanal, aposta no

doce de leite da Serra gaúcha como principal ingrediente

FIQUE LIGADO

Exemplos de produtos premium gaúchos, com potencial de mercado

Bebidas alcoólicas Chocolate

Carnes e embutidos Queijo artesanal

Azeite de oliva Produtos orgânicos

Foto: Eduardo Bussolin

expandiu, e o Estado já apresenta nichos com alto

potencial, como vinho, carnes e embutidos, azeite

de oliva, chocolate, queijo artesanal e os orgânicos.

“Esses produtos são fabricados em menor escala e

possuem um preço um pouco mais alto, pois a ideia

não é concorrer por preço, e sim por diferenciação.

Em geral, são processos mais artesanais, ingredientes

mais frescos, receitas especiais ou insumos selecionados

de alguma região”, explica Klafke.

É o caso dos Alfajores Odara, que aposta no doce

de leite da Serra gaúcha como principal ingrediente.

“O doce de leite é 60% do nosso produto. Nós fizemos

vários testes com fornecedores de outras regiões,

mas nosso público preferiu esse da Serra”, conta

Jeison Scheid, sócio-fundador da empresa.

A praia de Garopaba, em Santa Catarina, foi o primeiro

mercado da Odara, quando os alfajores ainda eram

produzidos de forma artesanal, com a receita de uma

amiga. “Começamos em 2013, fazendo na panelinha

e vendendo na beira da praia. Depois de um ano de

testes, resolvemos investir, automatizar os processos

e fabricar em uma escala maior”, relembra o empresário.

A demanda cresceu, e hoje a empresa de

Porto Alegre já está em cidades do sudeste do País.

Escolhendo um nicho de mercado

Os alimentos e bebidas selecionados abrangem um

leque de opções para os empreendedores que se

interessam nesse mercado. Produtos sem glúten

e sem lactose, veganos e saudáveis fazem parte

desse grupo. Ainda que esses alimentos sejam

voltados geralmente a consumidores específicos,

acabam atraindo também o público em geral, que

compra por curiosidade.

nos ingredientes artificiais listados – com nomes que

a maioria das pessoas não sabe identificar do que se

trata –, como os sucos naturais sem aditivos e conservantes,

por exemplo. “As pessoas estão mais atentas a

isso, mais exigentes, não querem ser enganadas e consumir

comida que não é de verdade”, ressalta Klafke.

Neste sentido, a FeelJoy é um exemplo. Há três

anos, Carla Bazotti e o marido, Nelmo Ricalde, visualizaram

uma lacuna no mercado de refeições congeladas,

quando tiveram dificuldade em encontrar

produtos desse tipo que fossem fabricados com

alimentos naturais e tivessem alto valor nutricional.

“Já estávamos pensando em empreender nessa

época, então fizemos uma pesquisa de mercado e

vimos que essa necessidade na alimentação não era

só nossa. Avaliamos nossas competências e decidimos

criar a empresa”, relembra Carla.

Uma boa estratégia para agregar valor às marcas são

os selos de qualidade, como o selo de Orgânico, no

qual o Rio Grande do Sul se destaca pelo volume de

Outro conceito que vem cada vez mais se fortalecendo

é o do “clean e clear label”, traduzido para Português

como “rótulo limpo e claro”. São produtos com meprodutos

certificados, segundo Klafke. No caso da

FeelJoy, as certificações do Programa Alimento Seguro

(PAS) e do Conselho Regional de Nutricionistas

são destaques. A empresa tem o cuidado também

na divulgação e apresentação das refeições, que são

vendidas por e-commerce. Já a Zapata investe na

análise laboratorial do nível de leveduras na cerveja

para um maior controle de qualidade.

Carla acredita que a escolha de público é fundamental

para o empreendedor que está pensando em investir

na área. “Minha dica é fazer uma boa pesquisa

de mercado que avalie os segmentos e, a partir disso,

oferecer um produto inovador, que faça a diferença.”

O especialista do Sebrae destaca que, além

do planejamento e desenvolvimento do alimento ou

bebida, é preciso ter cuidado com a estratégia de

venda e distribuição. “Às vezes, o empresário tem

um bom produto, mas não consegue colocar à venda

de forma tão eficiente, por isso é importante fazer

uma avaliação.”

14 15


INDÚSTRIA

5 PASSOS PARA INVESTIR EM

PRODUTOS PREMIUM

1. Planejamento:

Para começar, é preciso entender quais são

as tendências do consumo e o que o mercado

está demandando, para então avaliar

como a sua empresa pode atuar. O Sebrae

RS oferece consultoria para auxiliar o empreendedor

nessa etapa.

2. Produto ou linha de produto:

O próximo passo é escolher o nicho de mercado,

se aprofundar nesse produto a ser

desenvolvido e nas técnicas de produção.

Universidades e centros de pesquisa podem

ajudar no processo de inovação, pesquisa e

desenvolvimento de produtos.

3. Teste:

Fazer testes em menor escala é outra etapa

fundamental para perceber se o produto vai

ser aceito no mercado. Isso pode ser feito

com distribuição dos protótipos para amigos,

por exemplo.

4. Desenvolvimento da embalagem:

A marca e demais elementos da embalagem

também caracterizam o produto premium.

É preciso estar atento para forma de exposição,

reposição e durabilidade do alimento

na prateleira.

5. Definição do canal de distribuição:

O produto vai ser vendido pela internet ou

revendido a restaurantes e supermercados?

Planejar a logística é um dos maiores desafios

e merece atenção do empreendedor antes

de lançar o produto.

CERVEJARIA ZAPATA

planta boa parte dos insumos utilizados

na fabricação do produto e investe nas

embalagens, que homenageiam lideranças

acadêmicas e sociais, como Frida Kahlo e

Malcom X, entre outras

Foto: Departamento de arte Zapata

16 17


INDÚSTRIA E COMÉRCIO

Novos hábitos de consumo têm provocado mudanças

no varejo, que busca aliar variedade e dinamismo ao

ponto de venda. Indústrias precisam acompanhar a

tendência indicada pelo comportamento do consumidor

Desafios para a cadeia

A cadeia produtiva de moda no Rio Grande do Sul

tem desafios pela frente. Cada vez mais conectado,

o consumidor procura variedade e dinamismo

quando vai em busca de roupas e calçados, uma

vez que a tendência mundial é de coleções mais

passageiras. Enquanto o varejo gaúcho acompanha

essa mudança de hábito e realiza compras

mensais, poucas indústrias do Estado caminham

neste ritmo, preferindo ainda lançar duas coleções

por ano, inverno e verão. É o que mostra a

pesquisa “Estudo das características de ofertas e

demandas da moda no RS”, realizada pelo Sebrae

RS com 128 indústrias e 164 varejistas do ramo,

em 2018.

A Unique, de Porto Alegre, é uma das indústrias

de confecção que têm se atualizado nesta questão.

Marca de alfaiataria feminina, a empresa lança

quatro coleções por ano e também minicoleções

nos intervalos. “Nós sentimos essa necessidade do

mercado por peças de alfaiataria, então temos um

showroom, onde fica o atacado, e a cada 14 dias temos

peças novas. Os nossos clientes não compram

de uma vez só, eles querem comprar de acordo com

as vendas”, conta a sócia-fundadora Cristiane Boaretto.

O coordenador estadual da Moda do Sebrae RS,

Fabiano Zortéa, explica que o desencontro entre

oferta e demanda provoca um “gap de competitividade”

na cadeia produtiva. “O varejista gaúcho acaba

optando por comprar em outros lugares, como

São Paulo. Isso acontece também porque ele não

tem como realizar uma grande compra, como as

produtiva da moda

18 19


INDÚSTRIA E COMÉRCIO

grandes empresas fazem”, diz. A ideia é que cada

vez mais indústrias tenham interesse em adaptar a

produção aos clientes, assim como os varejistas estão

se adaptando aos novos hábitos de consumo. “O

empresário deverá produzir mais coleções durante o

ano, em tamanho menor, adaptando sua capacidade

produtiva a partir do comportamento do consumidor”,

avalia Zortéa.

Outros fatores ajudam a desequilibrar o setor,

como aponta a pesquisa do Sebrae RS. Um deles

é a falta de conhecimento, por parte dos lojistas,

das indústrias locais, que preferem manter

fornecedores de fora do Estado, com quem

têm, geralmente, um longo relacionamento. Localizada

em São Jerônimo, a empresa varejista

Energy tem apenas 20% de indústrias gaúchas na

cartela de fornecedores. “Nós não conhecemos e

não temos tempo para conhecer esses fornecedores.

Então procuramos as marcas que os clientes

pedem, realizando pedidos menores para que toda

hora chegue novidade na loja”, aponta a proprietária,

Jamila Vergara. Já a empreendedora da Unique

reclama da falta de interesse do varejo. “Aqui onde

fica nosso atacado, tem muitas lojas que não nos

conhecem”, diz.

Um desafio essencial com relação à prospecção

está no posicionamento de marca das empresas

de confecção, que podem melhorar o seu

marketing, explica Zortéa. A atuação nesta área pode

fortalecer também os principais pontos fortes da indústria

de moda gaúcha, que é reconhecida pela sua

qualidade e por ser pontual nos prazos de entrega.

Já a comunicação na internet é uma ferramenta considerada

imprescindível na prospecção de clientes.

Atualmente, as redes sociais, com destaque para o

Instagram, funcionam como um showroom virtual.

Por isso, é fundamental ter uma comunicação de

marca consistente, mostrando os produtos com

boas fotos, contando histórias relevantes e se conectando

emocionalmente com os compradores.

“Uma presença digital qualificada faz parte da condição

de ter um negócio de moda”, explica Zortéa.

ENCONTROS COM VAREJISTAS

Embora muitas marcas invistam nos showrooms e em

representantes comerciais para prospectar clientes,

o maior ponto de encontro com os varejistas acontece

nas feiras do setor. O Rio Grande do Sul tem três

eventos realizados ou apoiados pelo Sebrae RS, voltados

a atualizar o mercado acerca das tendências e

também gerar negócios: RS Moda, na Feira Brasileira

do Varejo, que ocorre anualmente em Porto Alegre; o

Integramoda, realizado duas vezes por ano na Serra

gaúcha, e ainda o Erechim Moda Show, no mês de

novembro. “Este ano, estamos ampliando para além

da região norte, trazendo varejistas de todo o Estado

e realizando palestras sobre desafios e oportunidades

dessa conexão”, relata Gladistom Deliberali, gestor de

projetos da Indústria do Sebrae em Erechim.

Foto: Luis Carlos Chaves

FIQUE LIGADO

Tendências em alta no mercado da moda nas quais as indústrias gaúchas podem

investir

Produção dinâmica

Mais coleções ao ano ou minicoleções movimentam o setor, trazendo novidades em menos tempo,

tendência cada vez mais procurada pelos consumidores

Posicionamento de marca

Importante para agregar valor ao produto e fortalecer a imagem da empresa

Comunicação online

O Instagram, rede social adequada para publicar imagens, é bastante visitado pelos varejistas na hora de

buscar novas marcas. Publique fotos de qualidade e se comunique também com o público-alvo

20 21


INDÚSTRIA E COMÉRCIO

Panorama das indústrias

e lojas gaúchas de moda

A pesquisa Estudo das Características de Ofertas e

Demandas da Moda no RS, do Sebrae RS, mapeou

129 indústrias e 164 varejistas de moda no Estado,

com o objetivo de identificar características, demandas,

oportunidades e problemas.

INDÚSTRIA

Do total de indústrias gaúchas mapeadas, 117 vendem

na região Sul e 69 vendem para lojas na região

Sudeste. O Centro-Oeste aparece em terceiro lugar no

número de clientes, com 42 indústrias fornecedoras

VAREJO

Principais itens decisivos na escolha

de fornecedores

11% – Acabamento

10% – Preço

10% – Redução de impostos

9% – Prazo

8% – Design

Periodicidade de compras

Periodicidade de lançamentos

17%

1%

5%

5%

7%

8%

21%

53%

2 coleções por ano

4 coleções por ano

6 coleções por ano

Semanalmente

Mensalmente

Anualmente

Outros

20%

53%

56%

75%

Todos os meses

Verão

Inverno

A cada 15 dias

Outros

Principais dificuldades das indústrias

Falta de acesso/dificuldade em ser recebido

Falta de representantes qualificados

Inexistência de uma ferramenta de aproximação

entre indústria e varejo

Falta de posicionamento da indústria no mercado

Resistência dos lojistas em investir em novos produtos

e marcas

O que o varejista busca?

Novidades

Comprar pequenas quantidades

Produto de qualidade

Boa modelagem

Bom acabamento

Preço é fator determinante, sendo considerada a

expectativa de giro do produto.

22 23


INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS

Com o avanço da tecnologia, as ferramentas da

internet podem otimizar o relacionamento com

o cliente e facilitar a decisão pela compra ou

contratação de serviços

Presença digital

Esse avanço tecnológico influencia diretamente as

tendências de consumo, como a busca por um atendimento

rápido e a valorização do conteúdo divulgado

pela empresa, processos potencializados por uma

presença digital eficiente. “Com as mudanças no

comportamento de consumo, acompanhadas pelos

avanços tecnológicos, aspectos como o atendimento

personalizado e a valorização do produto/serviço

possibilitam a competição por diferenciação nas pepara

potencializar

os negócios

Muito além dos grupos no WhatsApp e dos posts

no Facebook, as redes sociais englobam um conjunto

de ferramentas que podem alavancar os negócios

das micro e pequenas empresas. Na internet, o

cliente pode conhecer melhor o produto ou o serviço

oferecido, se identificar com a história e os valores

da marca e, até mesmo, realizar transações online.

A pesquisa Transformação Digital nas MPEs, realizada

em 2018 pelo Sebrae com 6 mil empreendedores

no País, identificou como os pequenos negócios

se relacionam com as ferramentas da internet. Os

resultados mostram que, embora 82% utilizem a

internet, a comunicação corporativa não é prioridade.

O uso do e-mail (75%), pesquisas de preço e

de fornecedores (63%), acesso a serviços bancários

(58%) e compra de insumos (54%) são mais aplicados

em relação à divulgação institucional, citada por

49% dos entrevistados.

Com o desenvolvimento das tecnologias de informação,

que vêm transformando a relação de

empresas com seus públicos, estar presente nos

meios digitais é cada vez mais fundamental para as

marcas. “Assim como antigamente a gente investia

em mídia offline, na panfletagem e também no

ponto de venda, hoje a gente precisa investir muito

no digital, devido às mudanças no comportamento

das pessoas, que é multitelar”, diz a especialista em

marketing digital e sócia-fundadora da agência Hi,

Ana Paula Zandoná, lembrando das facilidades que

o consumidor tem de estar conectado constantemente

em mais de um dispositivo, como computadores,

smartphones ou tablets.

24 25


INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS

quenas empresas. Não apenas pelo tratamento mais

próximo e humano com o cliente, mas também pela

possibilidade de demonstrar que seu produto tem

características singulares frente ao mercado, sendo

uma das formas de competir no comércio a distância”,

avalia Túlio Pinheiro, coordenador estadual de

Franquias, Redes de Cooperação e E-Commerce do

Sebrae RS.

Foto: Joelma dos Santos Farias

JOELMA FARIAS,

sócia da ColorJoy, empresa de

decoração e presentes criativos

que atua exclusivamente com

e-commerce. Para ela, as redes sociais

são fundamentais para atrair clientes

Para a Color Joy, loja de decoração e presentes criativos

de Cachoeirinha, o online é tudo. A empresa,

que atua apenas com e-commerce, tem nas redes

sociais uma ferramenta fundamental para tornar

a marca conhecida e atrair clientes, além de ser o

principal meio de atendimento e relacionamento.

“Principalmente no nosso segmento, as redes, com

destaque para o Instagram, são essenciais. É preciso

ter sempre cuidado com as postagens, colocar

a informação correta e descrever os produtos de

forma que nosso cliente entenda”, ressalta Joelma

Farias, sócia-fundadora.

Na Lojas Pompéia, a digitalização é um conceito que

integra todo o processo de vendas, na medida em

que vai além da internet. “Nós temos que nos adequar

ao novo consumidor e estar presentes onde

eles estão. Por conta disso, digitalizamos também

as lojas, com a ideia de que os vendedores saibam

das preferências dos clientes e características

Foto: Joelma dos Santos Farias

como o tamanho das peças assim que eles entrarem

na loja”, relata Christopher Neiverth, gerente de

E-commerce da empresa, destacando que essa modernização,

baseada no cadastro dos consumidores,

deve ser feita de forma integrada. “O cliente deve

conseguir resolver problemas de uma compra online

na loja física, por exemplo. Essa integração é imprescindível”,

completa.

Atuação especializada

Os passos iniciais para as micro e pequenas empresas

ingressarem no ambiente digital são, geralmente,

acessíveis, com a criação de um site e um perfil

nas redes sociais. Contudo, é preciso que o empreendedor

esteja atento na gestão desses meios, que

passam a ser canais diretos de atendimento e relacionamento

com o cliente. “Quando o consumidor

busca um produto ou uma solução, ele tem uma

jornada que vai desde a busca nas redes sociais e

em sites até decidir ou não pela compra. As empresas

têm que estar presentes em toda essa jornada”,

pontua Zandoná.

A presença digital não se refere apenas à frequência

de atualização nas redes, como explica a gestora

de projetos do Sebrae RS Katia Boeira Santana. “É

a forma como a marca se posiciona e utiliza o digital

para ser relevante e estimular o relacionamento

com os potenciais consumidores. Ela precisa criar o

desejo de consumo. Esse é um trabalho contínuo e

persistente, deve ser planejado, ter objetivo claro e,

principalmente ser mensurado e continuamente aprimorado”,

observa. Para essa construção, diversos

fatores são importantes, como o conteúdo produzido,

o branding (discurso da empresa), os valores da

marca e o relacionamento com os clientes.

Por isso, é preciso ter atenção diária, com a atualização

de novos conteúdos e também com as respostas

aos clientes que enviam mensagens, sejam elas dúvi-

das, elogios ou até mesmo críticas. Um passo seguro

é contratar um profissional ou uma empresa especializada

para gerir as redes sociais e o site da empresa.

Dessa forma, é possível garantir que o trabalho

seja realizado com conhecimento técnico e estratégia

voltados não apenas para a venda ou contratação de

serviço, mas também para o posicionamento e relacionamento

da marca junto aos seus públicos de

interesse. “Em termos de marketing, o conteúdo é

muito importante; e o empresário acaba focando

muito no produto e não tanto no conteúdo de marca.

É fundamental montar um plano de comunicação,

porque a rede social não é um catálogo, e sim um

meio de se conectar com o cliente”, diz a especialista.

Outra opção é o investimento em um site. Ainda que

apenas 27% das organizações participantes da pesquisa

realizada pelo Sebrae possuam um site próprio,

Zandoná explica que esse meio é o “endereço oficial”

da empresa na internet. As informações sobre a marca

não devem estar exclusivamente nas redes sociais,

já que faz parte da jornada do cliente no processo de

decisão procurar também em mecanismos de busca,

como o Google. “O site pode ser um cartão de visitas

antes de o cliente conhecer a loja física”, observa

Neiverth. Pinheiro complementa: “E ainda pode ampliar

a presença de marca e converter em vendas”.

Gestão de crise

É impossível agradar a todos, por isso as empresas

precisam estar preparadas para os comentários

negativos que podem aparecer nas redes sociais

eventualmente. “É recomendável que a empresa tenha

um plano de prevenção para a gestão de crises,

pensando com antecedência nos possíveis pontos

que podem surgir de reclamação ou causar divergência”,

aconselha Ana Paula. Caso a reclamação

surja, o indicado é responder rapidamente. “A resposta

deve ser de forma cortês, para que a pessoa

saiba que a empresa dá valor a ela. Apagar o comentário

é a pior opção”, diz.

26 27


INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS

FIQUE LIGADO

PARA INVESTIR EM REDES SOCIAIS

Canal eficiente de atendimento e relacionamento com o cliente, as redes sociais também podem impulsionar

as vendas e atingir novos públicos. Para maximizar esse potencial, vale apostar em aplicativos e

sites nem tão óbvios quanto o Facebook. Listamos algumas ferramentas, todas gratuitas. Confira como

utilizar cada uma:

Transformação digital

A pesquisa Transformação Digital nas MPEs, realizada

pelo Sebrae em 2018, apresenta um panorama

das preferências das empresas brasileiras com relação

às várias ferramentas disponíveis na internet.

O estudo mostra que a divulgação institucional é a

quinta prioridade no ambiente virtual, sedo realizada

por 49% dos empreendedores. Já a exposição de

produtos e a venda online são objetivos de 43% e

23%, respectivamente, dos empresários que usam

a rede.

Os resultados também mostram que o WhatsApp é

a rede mais popular, utilizada por 72% das empresas.

Já o Facebook e o site oficial apresentam índices

menores de preferência, sendo utilizados por

40% e 27% das empresas, respectivamente.

Facebook

É a principal ferramenta para divulgar produtos e serviços, devido à facilidade de gerar conteúdo mais

informativo, como fotos, pequenos textos e até vídeos mais profissionais. A publicação de links também

possibilita atrair clientes para o site da empresa, tanto para a página inicial quanto para produtos específicos.

Fique atento para responder às dúvidas que chegam por mensagem e comentários no perfil.

Principais razões para uso da internet

Uso do e-mail

Pesquisas de preço/fornecedores

63%

75%

Instagram

Em alta, é a rede social que oferece atualmente as maiores tendências em termos de inovação no

marketing digital. Ideal para produtos e serviços com apelo de imagem, na área de gastronomia, moda

e turismo, por exemplo. O ideal, segundo a especialista Ana Paula Zandoná, é dar preferência para os

vídeos de poucos segundos (os chamados stories), que têm potencial de serem visualizados por mais

pessoas do que a postagem de fotos. Uma novidade é a venda direta pela plataforma, que pode funcionar

como mais um canal virtual de vendas.

Acesso a serviços bancários

58%

Compra de insumos

54%

Divulgação institucional

Acesso a serviços do governo

Exposição de produtos

49%

46%

43%

Venda online

23%

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80%

Twitter

A criatividade característica dos usuários permite que a marca possa ser mais espontânea nessa rede,

sempre com cuidado para não parecer um posicionamento forçado. Pode se tornar, a médio e longo

prazos, a próxima ferramenta mais utilizada, por oportunizar que as empresas respondam rapidamente

às dúvidas. Além disso, conteúdos chamativos geram retweets e likes, que acabam fazendo com que

mais clientes conheçam a marca.

WhatsApp

Ferramenta bastante utilizada pelas micro e pequenas empresas para o comércio

online, é boa também para responder a dúvidas e agendar serviços.

Uma novidade é que, atualmente, já é possível programar mensagens para

agilizar o atendimento. Cuidado para não encher a caixa de mensagens do

cliente com notificações em excesso.

Confira mais dicas

na entrevista com

a especialista em

Marketing Digital

Camila Porto, na

página 30

Possuem página

na internet

80%

70%

60%

50%

40%

30%

20%

10%

0%

22%

33%

28%

Possuem página

no Facebook

80%

70%

60%

50%

40%

30%

20%

10%

0%

39%

42%

37%

Se comunicam com

clientes pelo WhatsApp

71%

Comércio Serviço Indústria

80%

70%

60%

50%

40%

30%

20%

10%

0%

79%

73%

28 29


ENTREVISTA

Foto: Junior Ehlke

É um erro achar que

as redes sociais só

servem para vender

Entrevista com CAMILA PORTO,

especialista em Marketing Digital

e ministrante de treinamentos

sobre redes sociais

Autodidata, Camila Porto aprendeu sozinha

a fazer uso eficiente das redes sociais no seu

emprego em Curitiba (PR), em uma época na

qual o marketing nessas plataformas ainda era

muito incipiente no Brasil. Ainda em 2011, ela

se destacou compartilhando experiências em

um blog, até começar a dar cursos por conta

própria. Graduada em Comunicação Institucional

na Universidade Federal Tecnológica do

Paraná, Camila já deu aula para mais de 6 mil

pessoas e é autora do livro “Facebook Marketing:

Como gerar negócios na maior rede social

do mundo”. Nesta entrevista, ela fala sobre as

melhores estratégias online para as micro e pequenas

empresas, comenta os principais erros

na gestão das redes e compartilha um pouco

de suas experiências no marketing online.

Em que momento, na sua trajetória, você se

deu conta de que havia essa demanda por

parte dos empreendedores de compreender

melhor as redes sociais?

Camila Porto: Isso surgiu quando eu precisei dessa informação

para colocar em prática no emprego em que

trabalhava como analista de mídias sociais, em 2011.

Comecei a pesquisar e ver o que poderíamos fazer,

30 31


ENTREVISTA

principalmente porque havia pouca verba para investir.

Passei a estudar sobre isso e, como era um mercado

muito novo, tinha pouca gente no Brasil, eu comecei a

ficar muito boa nisso. Comecei a escrever sobre isso

no blog, compartilhar um pouco do meu aprendizado.

As pessoas passaram a perguntar se eu dava curso

sobre o assunto e, a partir dessa demanda, comecei

o processo de realizar treinamentos. As pessoas me

perguntavam, do interior da Bahia, quando eu iria pra

lá. Então comecei a trabalhar mais com treinamento

online e basicamente esse é o modelo que seguimos

desde 2011.

Como as pequenas e médias empresas

podem se diferenciar no marketing online

em relação às empresas maiores?

Camila Porto: As grandes empresas normalmente

têm muita verba para marketing; e as pequenas

empresas não têm como competir com igualdade

nesse sentido. Eu falo um pouco por mim, eu não

sou uma grande empresa, e a minha estratégia

parte muito do princípio do conteúdo, ou seja, das

informações que você compartilha com as pessoas

nas redes sociais, de como você usa esse conteúdo

para se relacionar com a sua audiência e gerar

o famoso valor para as pessoas que te acompanham.

As empresas que têm sucesso hoje têm

três pontos em comum. Primeiro, conhecer o seu

público, saber com quem está falando e quais são

as dificuldades e objeções que eles têm em relação

ao seu produto. Em segundo lugar, pensar que tipo

de conteúdo eu preciso produzir para ajudar o meu

cliente nesses problemas. E, por último, acho interessante

também usar os anúncios nas redes para

fazer as informações chegarem nas pessoas certas.

Por exemplo, tem uma padaria aqui perto que usa

as redes sociais para compartilhar fotos bonitas

dos produtos, então tudo isso vai agregando. As

pessoas, às vezes, nem sabem que a padaria tem

aquele tipo de comida; e elas descobrem a partir

dali. Conseguimos nos diferenciar, justamente, tendo

essa proximidade e conhecendo as pessoas que

se relacionam com nosso negócio.

Quais os principais erros de quem lida com

as redes sociais e como resolvê-los?

Camila Porto: Erro é achar que redes sociais servem

para fazer panfletagem, só querer vender,

vender e vender. As pessoas não entram nas redes

sociais só para comprar. As redes existem como

uma ferramenta de descoberta, então é tudo uma

questão de abordagem. Erro é esquecer do processo

de relacionamento e engajamento com a

audiência. Também é não ter a mentalidade de que

é preciso investir financeiramente em anúncios,

que é algo barato se considerarmos a capacidade

de segmentação e mensuração das redes. As pessoas

não entenderam que, assim como uma faixa

ou um carro de som, as mídias sociais são uma

ferramenta de marketing, e, como qualquer outra,

é preciso investir.

Um dos principais desafios é lidar com

as críticas públicas. Como resolver essas

crises?

Camila Porto: É preciso ter bom senso e noção de

que as redes sociais são públicas. Então, uma coisa

é você falar o que quiser; e outra é entender que

isso tem consequências. Ainda mais um empreendedor,

ele tem que tomar muito cuidado nesse

sentido, em relação ao posicionamento. Como diz

aquela famosa frase, “quem fala o que quer, ouve

o que não quer”. Mas existem dois tipos de crise.

Uma que eu chamo de barulho, e outra que é um

indício de crise. Esse barulho, que é o que mais

assusta os empreendedores, vem de pessoas que

normalmente não conhecem a marca e, talvez, nunca

vão comprar dela, mas acham que a internet é

um território aberto e podem falar o que quiserem,

só querem tumultuar. Você pode ocultar esses comentários

ou simplesmente apagar, porque, infelizmente,

a internet é um território fértil desse tipo de

gente. Já quando há o indício de uma crise, clientes

que realmente identificaram um problema, é preciso

entender que não dá para evitar esse tipo de

coisa. O segundo passo é procurar trazer a pessoa

para um canal fechado, não ficar discutindo publicamente.

Se você tem um trabalho sério e honesto,

isso não tem problema nenhum, pode ser até bom

para identificar dificuldades e oportunidades para

sua empresa.

Que outras ferramentas podem ser aliadas

do empreendedor? Site e e-mail marketing

são opções?

Camila Porto: Para mim, são as melhores opções.

Hoje, as mídias sociais resolvem esse problema da

presença online, mas eu sempre recomendo aos

meus alunos que, na medida do possível, tenham um

site, mesmo que seja uma página com as informações

básicas e o contato. Quando nós construímos

um espaço nas redes sociais, não temos um lugar

nosso e corremos risco de ter a página apagada, por

exemplo. Outra coisa importante é construir a nossa

lista, a partir da nossa própria base de dados dos

clientes, e aí entra o e-mail. Quando nós queremos

fazer alguma oferta ou direcionar a informação para

um público específico, usamos o e-mail, que é importante

porque não podemos depender do alcance

orgânico das redes.

Como aliar as características de cada rede

social com a estratégia do conteúdo?

Camila Porto: Isso depende muito da estrutura que

o empreendedor tem. O que eu defendo é que se comece

pelas redes mais populares, usando o Facebook

e o Instagram para atrair clientes para sua lista no

WhatsApp e no e-mail. Cada canal desses tem uma

particularidade. No meu negócio, eu uso o Facebook

mais com uma plataforma para atrair pessoas, apresentar

a marca para novos públicos. O Instagram eu

uso para trabalhar no processo de conexão com meus

clientes. Uma padaria, por exemplo, pode usar essa

rede para mostrar bastidores, a equipe, como é feito o

pão. Já o WhatsApp serve mais como uma ferramenta

de atendimento mesmo, esclarecer dúvidas relacionadas

ao produto.

O Facebook, o Instagram e o WhatsApp

são marcas de um mesma empresa e já

estão consolidadas. Que inovações devem

ocorrer nos próximos anos? Acredita

que possa surgir alguma nova ferramenta,

uma nova rede?

Camila Porto: Particularmente, eu acho muito difícil

surgir uma rede forte como o da família Facebook.

Eu vejo isso como ocorre com o Google. Existem

outros buscadores, mas dificilmente um novo buscador

vai tirar a hegemonia do Google. Dificilmente

outras redes vão tirar a hegemonia do Facebook. Um

exemplo é o Snapchat, que começou a crescer, o

Facebook tentou comprar mas não conseguiu, então

o grupo colocou os mesmos recursos que o Snapchat

tem no Instagram. Hoje, o Facebook tem esse poder.

Sobre novos recursos, eu vejo muito que os vídeos,

gravados e ao vivo, são incentivados pelo Facebook.

Recentemente, estive em um evento na Califórnia, organizado

por eles, e lá falaram muito sobre o assunto.

Também tem se falado de automação e de realidade

aumentada, que são recursos que acredito que vão se

popularizar com o passar do tempo.

Foto: Junior Ehlke

32 33


CAPA

Futurismo,

a ciência do amanhã

Conceito que engloba a

investigação do que será

inovação nos próximos anos e

décadas vem se popularizando

e pode ser incorporado

também às micro e pequenas

empresas

Quando você pensa no futuro, em termos de inovação

e tecnologia, que cenários consegue visualizar? Carros

voadores, robôs inteligentes, realidade virtual? Tudo isso

é pesquisado pelo futurismo, conceito que foi desenvolvido

por universidades e grandes empresas a partir do

final do século XX e que começa a aparecer de forma

mais acessível no mercado e na sociedade.

Embora muitas projeções pareçam inacreditáveis, o futurismo

é um conjunto de ferramentas ou metodologias

tangíveis que ajudam a investigar tendências e caminhos

que a humanidade – ou um empreendimento – pode seguir.

Cada vez mais profissionais começam a se especializar

na atividade, como Bruno Macedo, que é futurista e

sócio-fundador da Rito, empresa voltada a desenvolver

um conjunto de ferramentas e experiências de futurismo

para empresas. “O futurista é um detetive que investiga

a mudança, a partir de sinais fracos. Quando coletamos

e agrupamos as pistas que temos hoje sobre o futuro,

começamos a entender uma tendência”, diz.

Em termos de comparação, o futurista é como um especulador.

Ele não faz adivinhações, mas sim pensa nos

vários futuros que podem surgir para determinada situação

a partir do que visualiza e imagina no presente.

Especialistas na área enxergam o futurismo como um

cone, capaz de dar forma a cenários possíveis (mesmo

que alguns sejam improváveis de acontecer), cenários

plausíveis (que já têm tecnologia disponível, mas dependem

de regulamentações da sociedade) e os prováveis,

como os carros autônomos, por exemplo, já incipientes

no mercado. O conceito vale para qualquer área, desde a

gestão de negócios à engenharia espacial.

34 35


CAPA

“O trabalho do

futurista é antecipar

as consequências que

podem surgir antes

de essas tecnologias

estarem nas

prateleiras.”

BRUNO MACEDO,

futurista e sócio fundador

da Rito

Foto: Paulo Renan

Macedo explica que, geralmente, as mudanças são

detectadas pelos especialistas décadas antes de

se popularizarem no mercado. Para a internet, por

exemplo, quando surgiu nos anos 1990, as apostas

do mercado eram que seria uma supertevê a cabo

com 500 canais, quando na verdade ela se tornou

veículo de uma nova mentalidade digital. “Os sinais

de mudança estão falando com a gente o tempo

todo, mas precisamos escutá-los.”

Assim como realidade virtual e a inteligência artificial,

que são tão faladas no mercado hoje como vetores

de disrupção, mas o seu desenvolvimento vem

acontecendo há décadas nos laboratórios e grandes

centros de pesquisa, indo para a massa apenas

quando já estão mais maduras. “O trabalho do futurista

é antecipar as consequências que podem surgir

antes de essas tecnologias estarem nas prateleiras.”

Nomes reconhecidos entre seus pares e pelo mercado,

como Ray Kurzweil, Anne Lise Kjaer e Michio

Kaku, são responsáveis por algumas das previsões

futuristas mais debatidas entre os especialistas, até

mesmo com datas prováveis para os acontecimentos.

De acordo com as especulações, o homem po-

derá chegar a Marte em 2024. No ano seguinte, as

impressoras 3D, por meio do compartilhamento de

código aberto, poderão imprimir uma série ampla

de objetos, inclusive do cotidiano. Com relação ao

mercado de trabalho, acredita-se que o futuro será

composto de freelancers, e as pessoas deverão trabalhar

conforme projetos, com a possibilidade de

voltarem-se para áreas variadas.

No entanto, Macedo lembra que existe uma outra

linha do futurismo, na qual ele está mais próximo,

que especula quais alternativas de futuros podemos

criar. Futuristas reconhecidos como Jim Dator,

Sohail Innayatulah e Frank Spencer acreditam que,

em um mundo acelerado e complexo, o importante

não é acertar, mas especular e experimentar futuros

possíveis.

O futuro nas empresas

Futurista e especialista em economia criativa desde

1996, Lala Deheinzelin acredita que será cada vez

mais necessário pensar sobre o futuro nos empreendimentos.

“Não é possível para o planeta e mesmo

para a longevidade das iniciativas darem conta do

“Nos negócios, nós fomos

ensinados a pensar somente

o passado. Compreendendo

o futuro, no entanto,

podemos fazer melhores

escolhas no presente para os

nossos empreendimentos,

agregando valor e utilidade

para a sociedade.”

LALA DEHEINZELIN,

futurista e especialista em economia

criativa

Foto: Mika Amato

36 37


CAPA

3 PREVISÕES DOS FUTURISTAS

O futuro é freelancer

Cada vez mais, as pessoas vão buscar mais projetos

e menos empregos, com jornadas mais curtas

de trabalho, segundo o futurista Thomas Frey.

Já Ray Kurzweil destaca que espaços físicos também

vão deixar de ser importantes. Com a ajuda

da realidade virtual, que estará mais imersiva, o

home office vai se popularizar.

recado com modelos atuais, baseados em recursos

tangíveis e materiais, que se esgotam com o uso e

garantem apenas resultados lineares”, diz. A futurista

defende que, cada vez mais, matérias-primas

intangíveis, como a criatividade, o conhecimento e

as experiências, sejam o centro da produção, criando

novos modelos de gestão. Essa transição passa

pela valorização do capital social, trazendo soluções

para a sociedade; do capital ambiental, com um uso

sustentável de recursos; e do capital cultural, gerando

mais inovação e criatividade. Um exemplo dessa

tendência é a economia criativa, que abrange áreas

como o Design e a Arquitetura.

Desde o início, na década de 1970, o futurismo

vem sendo incorporado ao planejamento estratégico

em grandes corporações. A multinacional

Shell é pioneira em incluir a construção de cenários

para explorar diferentes versões de futuro,

mas gigantes como a PepsiCo e a Ford já incorporaram

núcleos formados por futuristas nas suas

estruturas organizacionais.

Uma das técnicas mais difundidas é o “E se?”, utilizada

pela Shell, que consiste em imaginar cenários

plausíveis e possíveis a partir de decisões não

lineares na área de gestão. “E se eu optasse por

outro caminho em vez de seguir o mais seguro?”

Para Macedo, pode ser um ponto de partida para as

micro e pequenas empresas começarem a trazer o

futurismo para seus negócios. “Hoje, na área de planejamento

estratégico, pensando na inovação, se a

empresa tem só uma rota, ela está indo de forma linear

em um mundo que é complexo, cheio de crises

econômicas. Essa forma linear de pensamento faz

com que potencialmente não se antecipem riscos,

e as empresas não estejam preparadas para serem

surpreendidas”, diz.

Para Deheinzelin, “nos negócios, nós fomos ensinados

a pensar somente o passado. Compreendendo

o futuro, no entanto, podemos fazer melhores escolhas

no presente para os nossos empreendimentos,

agregando valor e utilidade para a sociedade”. Desse

modo, o futurismo pode ser um aliado, perpassando

todos os setores da empresa, do transporte

ao marketing. “O futurismo não pode ficar só nas

elites, nas universidades e nas grandes empresas.

O grande potencial, principalmente nesse mundo

de crises constantes, é olhar os cenários futuros de

forma qualitativa e ter cada vez mais pensamento

crítico”, avalia Macedo.

Robôs inteligentes

Na década de 1950, Alan Turing afirmou que

até o ano 2000 as máquinas conseguiriam

enganar os humanos, que não saberiam mais

se estavam interagindo com um artefato artificial

ou com outra pessoa. Na prática, ultrapassariam

os humanos em inteligência. Até

hoje, se espera que alguma máquina passe no

que ficou conhecido como “Teste de Turing”.

Recentemente, Ray Kurzweil cravou um novo

ano para o acontecimento: 2029.

Economia colaborativa

Futuristas mais otimistas, como o economista

Jeremy Rifkin, acreditam que cada vez mais a

humanidade caminhará para um futuro sustentável.

Segundo ele, estamos chegando a uma

“Terceira Revolução Industrial”, na qual as pessoas

vão produzir a própria energia de suas casas

e compartilhar o excedente em uma espécie

de “internet”, assim como já compartilhamos

músicas e filmes. Impressoras 3D também vão

se popularizar, e as pessoas vão poder imprimir

objetos e roupas na sua própria casa, a partir de

dados abertos.

38 39


CAPA

O ECOSSISTEMA

GAÚCHO DE INOVAÇÃO

A inovação é uma das principais consequências de

se pensar o futuro, o que pode acarretar mudanças

transformadoras para a empresa e seus consumidores.

“Inovação é invenção que gera negócios, é o

desenvolvimento de alguma tecnologia ou de modelo

de negócios que gere efetivamente resultado”, observa

Gustavo Moreira, gestor de projetos de Inovação,

Mercado e Serviços do Sebrae RS. Muitas vezes, a

inovação é identificada pelo futurismo porque já está

há anos sendo trabalhada nos laboratórios, universidades,

startups e comunidades hackers, como destaca

Bruno Macedo. “O primeiro carro autônomo, por

exemplo, foi desenvolvido em 2004, e estamos vendo

esses carros no mercado só agora”, relembra.

Um ambiente cada vez mais propício para a inovação

na economia gaúcha vem sendo formado com a articulação

de iniciativas públicas e privadas. Um passo

considerado marcante nessa direção é a Aliança Pela

Inovação, programa lançado no início de 2018 em conjunto

pela Ufrgs, PUC e Unisinos. O objetivo é compor

uma agenda estratégica para incentivar o desenvolvivação

é um diferencial”, afirma. Um indício é o Edital

Sebrae de Inovação, no qual os gaúchos foram os

empreendedores que mais submeteram projetos.

O Estado também foi o primeiro em número de empresas

premiadas, com 52 projetos. A organização

realiza programas na área, com o envolvimento de

setores como saúde, moda e agronegócio. Entre os

destaques, está o trabalho com corporate ventures,

formados por grandes empresas que têm buscado

soluções em startups de base tecnológica.

É justamente nas startups que se encontra boa parte

do potencial de inovação do Estado. “O Rio Grande do

Sul está entre os cinco Estados brasileiros com maior

número de startups. Por meio do Sebrae RS, 150 startups

já foram atendidas por nós com acompanhamento

continuado para validação de negócios e escala de

vendas nos últimos três anos”, relata a coordenadora

dos Programas de TI e Startups da organização, Débora

Chagas, destacando o Startup RS como maior

programa de pré-aceleração de startups do Estado.

O Rio Grande do Sul vem acelerando o ritmo nessa

questão, como destaca Moreira. “Via de regra, ainda

estamos atrás de Estados como Santa Catarina,

mas estamos trilhando o caminho. Temos empresas

cada vez mais interessadas em entender que a inosistema.

Segundo o estudo, há uma tendência de

a maioria dessas empresas estarem voltadas para

o desenvolvimento de sistemas de gestão de negócios.

Varejo, e-commerce, saúde e educação

também foram setores de destaque. Entre as principais

características do perfil dos idealizadores,

está um grande conhecimento técnico sobre a solução

e posterior desenvolvimento de habilidades

comerciais e também uma capacidade de acompanhar

tendências.

Aliança pela inovação

Em 2016, o Sebrae RS mapeou as startups do Estado

com o objetivo de compreender esse ecosmento

de Porto Alegre e região metropolitana como

um novo polo de empreendimentos de base tecnológica

e startups. A próxima etapa é um pacto pela inovação,

com a composição de uma mesa que deve reunir

em torno de 60 representantes de órgãos públicos e

de empresas. A partir desta articulação, a proposta é

criar, em conjunto, projetos focados em áreas como

saúde, educação e economia criativa, oferecendo soluções

para a cidade pautadas de modo colaborativo.

Pesquisas em conjunto, encontros formativos e uso

compartilhado dos parques tecnológicos estão entre

as ideias que devem ser colocadas em prática nos próximos

anos. O Rio Grande do Sul vem se destacando

ainda pela presença de aceleradoras como a WOW,

Ventiur e Grow, que contribuem para o crescimento

de pequenas empresas a partir de mentorias e outras

atividades. Além disso, segundo o Governo do RS, o

estado já conta com 21 parques tecnológicos, complexos

onde se concentram universidades, aceleradoras e

empresas da área de tecnologia e startups.

Startup RS

Programa de pré-aceleração de startups do Sebrae RS realizado em parceria com os principais atores

do ecossistema de startups do RS. Já selecionou e atendeu mais de 150 empresas, que tiveram acesso

a workshops, consultorias e mentorias e conexão com o mercado. O programa é dividido em cinco

focos de atuação:

Digital – validação de novos modelos de negócios e preparação para vendas para startups digitais

Scale – escala de vendas para startups operacionais em estágio de crescimento

Makers – desenvolvimento de produtos inovadores para startups de hardware

Health - validação de novos modelos de negócios e escala de vendas para startups da área da saúde

Agrotech - destinado a startups que desenvolvam soluções, em software ou hardware, que

resolvam problemas reais na cadeia do agronegócio

MAPEAMENTO DE

STARTUPS DIGITAIS NO RS

Fonte: Sebrae RS/2016

75% dos empreendedores possuem

menos de 35 anos

67% dos participantes da pesquisa

estão na região metropolitana (incluindo

Vale do Sinos) (Pelotas, Santa Maria e

Caxias do Sul também se destacam)

MODELO DE NEGÓCIO

43% - SaaS:

Software vendido como serviço;

21% - Marketplace:

Plataforma que une compradores e vendedores;

15% - E-commerce:

Vendas online de produtos ou serviços;

9% - Aplicativo:

Soluções mobile (celular, tablet, etc.);

12% - Outros:

Adbased; Games; Software; Serviços; IaaS.

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POLÍTICAS PÚBLICAS

Programa do Sebrae RS

reúne iniciativas pública,

privada e terceiro

setor de 22 municípios

gaúchos, com o objetivo

de otimizar o ambiente

de negócios

Quando se trata de desenvolvimento econômico,

a união dos atores locais faz grande diferença.

Em conjunto com os setores público, privado

e o terceiro setor de 22 cidades gaúchas, o

Sebrae RS vem realizando um trabalho de formação

de governança municipal, com o objetivo

de integrar lideranças para promover a melhoria

do ambiente de negócios, visando assegurar

condições mais favoráveis ao empreendedorismo

e, consequentemente, ao desenvolvimento.

Com a realização de três encontros, a iniciativa

parte da análise dos dados socioeconômicos

dos municípios, capacitação de lideranças, planejamento

e definição das demandas a serem

desenvolvidas para propor ações de desenvolvimento

municipal.

Todos pelo

empreendedorismo

A estratégia pressupõe, principalmente, a criação

ou fortalecimento de uma governança local,

ou seja, um grupo com caráter suprapartidário,

formado por representantes de diversas entidades,

para que pense, planeje e execute ações a

partir dos recursos e potencialidades do território,

contribuindo para o seu desenvolvimento.

“Melhorando o ambiente de negócios, é possível

gerar transformações que estimulem iniciativas

empreendedoras na cidade. A ideia é que

se consiga otimizar os recursos existentes de

modo compartilhado buscando a convergência

de ações que promovam o desenvolvimento da

cidade”, destaca Roselaine Moraes, gestora de

Políticas Públicas do Sebrae RS.

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POLÍTICAS PÚBLICAS

O trabalho tem início com o mapeamento das

eventuais iniciativas existentes, em termos de governança

no município. Segue com a sensibilização

das lideranças para o fortalecimento ou construção

do comitê, visando criar uma atmosfera de

cooperação e coesão para o grupo. “Procuramos

desenvolver um trabalho em que o grupo construa

sua identidade, respeitando as diferenças

individuais, mas definindo esforços em torno de

interesses comuns”, relata Roselaine.

A partir da análise de dados socioeconômicos

do município, informações sobre inovação e

educação, entre outros, o grupo analisa forças

e fraquezas, oportunidades e ameaças daquele

território na busca por oportunidades de atuação.

A desburocratização e as relações comerciais entre

iniciativa privada e poder público estão entre

os temas estudados.

A gestora destaca que um dos potenciais está

em, por exemplo, direcionar as compras públicas

Assinatura do termo de institucionalização e

posse do Comitê de Governança com Foco

no Empreendedorismo em Rio Grande (RS):

Artur Gibbon, vice-presidente da Governança;

Ciro Vives, do Sebrae RS; Fábio Cunha,

Presidente da Governança

para as micro e pequenas empresas dos próprios

territórios. “Sabemos que em alguns municípios

mais de 70% dessas compras não são realizadas

por micro e pequenas empresas, e, por vezes, as

compras locais são feitas por empresas de fora

do município, acarretando evasão de divisas”,

explica. “O propósito é que as empresas locais

possam atuar de forma mais profissional e competitiva,

buscando exportar seus produtos e serviços

para outras regiões e mercados, visando

atrair divisas para a economia local e fortalecer

o município.”

Rio Grande foi a primeira cidade a desenvolver

seu Comitê de Governança com Foco no Empreendedorismo,

do qual participam entidades de

associações de classe, micro e pequenas empresas

e prefeitura municipal. O comitê definiu cinco

eixos a serem desenvolvidos, com base nas demandas

identificadas: desburocratização, educação

empreendedora, inovação, indústria e logística,

e turismo. O trabalho envolve a participação

de pelo menos cinco pessoas em cada eixo, que

propõem ações para otimizar as respectivas áreas

e propor soluções.

O propósito é que cada um dos 22 municípios

gaúchos envolvidos no programa tenha protagonismo

na definição de suas metas e prioridades e

possa seguir os planos de ação com autonomia,

contando com o apoio do Sebrae RS. “Cada eixo

tem seu plano de ação e prazos de cada atividade.

Queremos promover o desenvolvimento de Rio

Grande com proatividade”, destaca Fabio Cunha,

presidente do comitê da cidade.

AVANÇOS NA LEGISLAÇÃO

As bases legais que garantem o incentivo do poder público ao

empreendedor estão na Lei Complementar nº 123/2006, que

institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de

Pequeno Porte. Um dos avanços diz respeito às compras públicas,

com o objetivo de fazer com que os recursos do Fundo

de Participação dos Municípios e a arrecadação do ICMS

movimentem a economia local. Desse modo, a lei estabelece

que, em compras de até R$ 80 mil, as MPEs devem ter prioridade.

No caso de aquisição de bens de natureza divisível – ou

seja, quando a licitação determina compra item por item –, a

medida prevê cota de até 25% para a contratação de MPEs.

Já o artigo 85-A determina que cabe ao poder público designar

um Agente de Desenvolvimento (AD), responsável pela

articulação das políticas que integrem as entidades locais

com o objetivo de promover o desenvolvimento local. Além

disso, o AD deve fiscalizar a aplicação da lei no território no

qual foi designado.

Foto: Marcos Jatahy

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CASE DE SUCESSO

Foto: Luisa Pianella

Tecnologia que une

o campo à cidade

A Sumá, startup de impacto social,

vem facilitando o comércio direto entre

pequenas propriedades rurais e empresas,

promovendo a inclusão digital, o comércio

justo e o consumo consciente

Estreitar a ligação entre trabalhadores rurais e empresas

faz parte do trabalho de Daiana e Alexandre

Leripio há mais de 15 anos. Ambos atuavam como

consultores na área, até que decidiram juntar forças

para empreender e, ao mesmo tempo, gerar

impacto social. Há dois anos, eles criaram a Sumá

– nomeada em homenagem à deusa tupi-guarani da

agricultura –, plataforma online que facilita trocas

comerciais entre as propriedades rurais de pequeno

porte e empresas que compram alimentos regularmente.

Com dois anos de atuação, a startup tem

uma base de 1.600 agricultores cadastrados e mais

de cem compradores, em cidades de Santa Catarina

e do Rio Grande do Sul.

A ideia original era integrar o nicho de merendas escolares,

fazendo a intermediação entre agricultores

e escolas públicas, mas o sistema não foi adiante

devido à dificuldade de integrar o ciclo de vendas

dos órgãos públicos. A história mudou depois que

os sócios procuraram o Sebrae do Rio Grande do

Sul e de Santa Catarina. “Participar dos programas

do Sebrae foi fundamental para a gente mudar a

percepção do cliente público para o privado e avançar

nas questões de mercado, de desenvolvimento

e validação do produto e outros aprendizados que

nós tivemos”, relembra Daiana. No Sebrae RS, a

Sumá integra o módulo avançado do programa

AGIR – Aceleração e Geração de Impacto Social no

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CASE DE SUCESSO

RS, projeto que realiza workshops e consultorias

individuais voltados para iniciativas de empreendedorismo

social.

A capacitação contribuiu para que os sócios visualizassem

a lacuna que existia nesse mercado, uma

vez que hotéis, restaurantes e cozinhas industriais

também demandavam insumos da agricultura familiar.

“O que acontece é que os gestores de suprimento

não conhecem esses produtores e não têm tempo

para ir ao campo”, explica.

Lançada em 2016, a startup atuava inicialmente com

um modelo de negócio no qual o comprador negociava

diretamente de forma online com o produtor.

Esse sistema, no entanto, não gerava o impacto social

pretendido pela Sumá, já que as vendas eram

pontuais e a rentabilidade para os agricultores não

era a ideal.

Os sócios não tiveram medo de mudar novamente o

modelo, dessa vez intermediando contratos a longo

prazo, a partir da análise das demandas e do cardápio

dos compradores. Dessa forma, os pagamentos

são anuais, mas as entregas são feitas de forma

fracionada. “Para o agricultor, isso é muito bom,

FELIPE AMARAL,

coordenador operacional da Sumá

porque gera previsibilidade. Ele sabe quanto vai ganhar

e pode planejar investimentos. Já a empresa

consegue um preço estável no produto e qualidade

garantida”, conta Daiana.

Outro ponto estratégico foi a expansão para o Rio

Grande do Sul, aprimorada pela participação no

programa AGIR, do Sebrae RS. A região de Pelotas

foi a escolhida para a entrada no mercado gaúcho,

pelo potencial agrícola, tendo como base também a

cidade de Canguçu, capital nacional da agricultura

familiar. Foi nesse município que ocorreu o lançamento

da plataforma em terras gaúchas, em 2017,

em evento que angariou 400 novos produtores para

a base da plataforma. Atualmente, a empresa atua

nos municípios da região, como Morro Redondo,

Rio Grande e São Lourenço, e também na cidade de

Campo Bom. Em Santa Catarina, a atuação ocorre

em dezenas de cidades no norte, sul, litoral e serra.

Fortalecendo laços

Hoje, a empresa é formada por uma equipe de dez

pessoas, que prospectam novos clientes, atuam

auxiliando os fornecedores e ainda organizam a

logística. A monetização é garantida com uma taxa

Foto: Luisa Pianella

“Hoje, nosso maior investimento é em tecnologia.

Queremos que a nossa plataforma

seja cada vez mais fácil de usar, para que os

jovens rurais se engajem.”

DAIANA LERIPIO,

empresária e criadora da Sumá

de 15% por transação, paga pelos compradores. Já

os produtores contribuem com um valor de R$ 50

mensais, apenas quando conseguem transacionar

R$ 2.000 ou mais, valor próximo ao sugerido pelo

Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada),

que considera que a remuneração justa para o trabalhador

rural fica em torno de R$ 1.800 por mês.

Além de facilitar as trocas comerciais, a startup atua

juntamente aos agricultores, com o objetivo de contribuir

para uma gestão otimizada da produção. A equipe

realiza consultorias e capacitações para ajudar, por

exemplo, na formação de preço e na embalagem do

produto. “Nossa plataforma é baseada nos princípios

do comércio justo, e nós sabemos que muitos agricultores

não calculam o custo da produção, acabam de-

cidindo com base no produtor vizinho.

Nós apoiamos para garantir que eles

não estejam perdendo dinheiro”, afirma

Daiana. Outro objetivo é estreitar a ligação

com os compradores. Com base no

consumo consciente, hotéis e restaurantes

têm acesso a relatórios de origem do produto

e à história da família que o produziu, informação que

pode ser utilizada no marketing da empresa.

Com apenas dois anos de história, a Sumá já coleciona

prêmios nacionais e internacionais. O mais

recente foi concedido pelo MIT – Instituto de Tecnologia

de Massachusetts, dos Estados Unidos,

devido ao trabalho da empresa na inclusão digital

dos agricultores. Os próximos planos são otimizar

ainda mais os processos e aprofundar a atuação

no campo. “Hoje, nosso maior investimento é em

tecnologia. Queremos que a nossa plataforma seja

cada vez mais fácil de usar, para que os jovens rurais

se engajem”, relata a empresária.

Foto: Luisa Pianella

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SIGA O EXEMPLO

ROCHESTER GANASSINI,

Produtor rural, Sarandi

Qualificação para

desenvolver

negócios

Com apoio de programas do Sebrae RS,

empreendedores otimizam gestão e processos nas

áreas da saúde, horticultura, startups e agronegócio

No sítio da família Ganassini, em Sarandi, norte do Estado, a produção de morango

passou por desafios. Há alguns anos, investiram um valor alto em estufas para o

cultivo. Contavam com o apoio do vendedor para a assistência técnica, que não veio.

A produção, então, ficou um ano paralisada, em função de fungos nas plantas. Em

2017, o rumo do cultivo mudou. A família recebeu a consultoria, em parceria com

o Sebrae RS, por meio do projeto Horticultura, que atende agricultores familiares

visando ao aumento da competitividade na economia gaúcha. “A produção mudou

da água para o vinho, nunca produzimos tanto quanto hoje”, comemora o agricultor

Rochester Ganassini. Com a ajuda dos técnicos, eles identificaram o problema que

acometia as plantas e realizaram mudanças simples, que fizeram toda a diferença,

principalmente com relação a técnicas de cultivo e adubação. O investimento financeiro

na melhoria foi nulo, conta Ganassini, mas os resultados indicam crescimento

de 100% na produção,

como avaliou

o produtor. Atualmente,

as duas

estufas, de 250

metros quadrados

cada, produzem

cerca de 50 kg

de morangos por

semana. Agora, a

família já prepara

o investimento no

cultivo de melão,

melancia e uva.

QUALIFICAR PRODUTORES RURAIS

DO SEGMENTO DE HORTICULTURA

O projeto tem como base consultorias

técnicas, com o objetivo de otimizar a gestão

dos pequenos negócios rurais e aprimorar

os processos e produtos para melhor

posicionamento no mercado. Integra o

Juntos para Competir, programa realizado em

parceria pelo Farsul, Senar-RS e Sebrae RS,

composto por uma série de atividades para

qualificar a agricultura gaúcha.

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SIGA O EXEMPLO

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Eduardo Lopes

ÉDER MEDEIROS,

Melhor Envio, Pelotas

Com experiência de anos atuando em e-commerce, o empreendedor Éder Medeiros teve uma

ideia para solucionar uma das maiores demandas das micro e pequenas lojas virtuais: o preço

do frete. A ideia era agrupar milhares de lojas para negociarem em conjunto fretes mais baratos

com as transportadoras. No começo de 2015, o pensamento saiu do papel com a Melhor Envio,

empresa voltada para o serviço de intermediação logística. “Logo no início, os valores das vendas

foram mais do que dobrando mês a mês, até que, em outubro de 2015, estávamos transacionando

mais de 130 mil reais por mês”, conta o empreendedor. No ano seguinte, ele participou do programa

Startup RS, do Sebrae RS, por meio do qual recebeu consultorias, workshops e conheceu

investidores. Com um ritmo

de crescimento acelerado,

hoje a startup tem uma equipe

de 26 pessoas, 3.500 lojas

no catálogo de clientes, já

transacionou 450 mil fretes

e 11 milhões de reais, tudo

isso atendendo as pequenas

empresas de e-commerce

e fazendo a mediação com

transportadoras privadas e

os Correios. Recentemente, a

empresa também integrou o

Startup RS Scale, voltado para

startups que querem investir

em vendas em escala. “Nossa

meta é estar transacionando 6

milhões de reais por mês em

dezembro”, afirma.

PROGRAMA STARTUP RS

Maior programa de aceleração de startups do

Rio Grande do Sul. É voltado para ajudar os

iniciantes a criarem um modelo de negócio e

estruturar uma startup.

STARTUP RS SCALE

Desdobramento do Startup RS e voltado para

negócios digitais que já começaram a operar

como empresa e registram faturamento. O

objetivo é preparar startups de alto potencial

para o desenvolvimento comercial de vendas em

escala, voltada a um maior número de produtos.

Localizada em Pelotas, a Clínica do Rim Artificial atende 140 pacientes renais

crônicos em programa regular de hemodiálise. Há quase dois anos, a empresa

vem realizando uma série de mudanças para otimizar a gestão, por meio de

consultorias com o Sebrae RS dentro do projeto Encadear, voltado para a Cadeia

Produtiva da Saúde na Região Sul do Estado. “O Sebrae tem nos ajudado

bastante a enxergar questões que poderíamos adequar no ambiente de trabalho

visando a essa qualidade e um melhor desempenho”, conta Larissa Ribeiro, enfermeira

e responsável técnica pela clínica. Um dos eixos dessa transformação é

a filosofia Lean, que encurta os processos de gestão, diminuindo a burocracia e

trazendo o foco para as necessidades dos pacientes. “Estamos treinando todos

os colaboradores, conscientizando

para a importância dessas melhorias.

Para nós, é algo novo, mas que está

em ascensão”, afirma Larissa. Com as

consultorias, a equipe incluiu otimizações

na estrutura física, na parte de

informática e no programa de qualidade,

e já vem visualizando resultados

no atendimento aos clientes. “Além

de um retorno financeiro, o principal

é uma melhoria na qualidade assistencial

para o paciente que tem um tempo

de permanência longo na clínica”, avalia

a enfermeira.

LARISSA RIBEIRO,

Clínica do Rim Artificial, Pelotas

PROJETO ENCADEAR

Voltado a contribuir para a

melhoria de gestão de micro

e pequenas empresas que

atuem como fornecedoras da

cadeia de valor do segmento de

serviços de saúde, visando ao

desenvolvimento de competências

para o atendimento dos requisitos

de mercado.

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SIGA O EXEMPLO

Após 20 anos trabalhando em hospital entre a área assistencial, gestão da educação

e na gestão e serviços, há dois anos Laura decidiu que era hora de empreender.

Com o sócio Leandro Giacometti, instrutor internacional de um método de

reabilitação, ela refletiu sobre as dificuldades que vivenciou na gestão em saúde

e as transformou em oportunidade, criando a Luthier - Inovações em Saúde. Foi

a partir do Atendimento Especializado do Sebrae RS que o empreendimento se

posicionou no mercado. “Nós mudamos nossos produtos com a ajuda do Sebrae.

Antes de começarmos a empresa, pensávamos em oferecer outro tipo de produto,

mas o Sebrae nos mostrou que os que lançamos vendem melhor”, destaca Laura.

Hoje, a Luthier atua na transição do cuidado realizando consultorias para profissionais

da saúde e para hospitais, além do atendimento direto a pacientes, acompanhando-os

em todos os níveis

de atenção, especialmente na

transição do hospital para o

domicílio, conta a empresária.

O trabalho é inovador na

área, uma vez que o objetivo

é evitar a internação, quando

possível, e reduzir o tempo

de permanência hospitalar,

garantindo os cuidados de reabilitação

física na dose e no

tempo necessários. A Luthier

também realiza cursos para

profissionais da saúde.

Foto: Luciane Leonenko

LAURA SEVERO DA CUNHA,

Luthier - Inovações em

Reabilitação, Porto Alegre

ATENDIMENTO ESPECIALIZADO

O Sebrae RS oferece atendimento

especializado para empreendedores.

Trata-se de uma orientação para

melhorar o desempenho dos

negócios. Os técnicos do Sebrae RS

conhecem a empresa, identificam

oportunidades de desenvolvimento e

orientam sobre os próximos passos

para elevar resultados.

Especializada em carne e embutidos

derivados de suínos, a Bestsui Alimentos

vem aperfeiçoando seus processos

de gestão. O frigorífico, que

está localizado em Engenho Velho, no

norte do Rio Grande do Sul, tem como

diferencial suas linhas com foco artesanal

e colonial. “Nós fabricamos um

salame colonial, com defumação natural,

com lenha selecionada e sala de

cura com temperatura e umidade do

ar controladas. Também temos a linha

frescal com pegada artesanal, linguiças

com provolone e ervas finas”, descreve

o sócio-fundador José Bataiolli.

A empresa participa do programa Juntos

para Competir e vem recebendo consultorias especializadas em temas como

marketing, formação de preço e aprofundamento do controle de qualidade. “Os

resultados são bem animadores. Os consultores têm uma metodologia assertiva

e nos fazem entender o que realmente precisamos. Existe esse profissionalismo

de cumprir a metodologia, mas também uma flexibilidade de adequar para o que

precisamos”, relata Bataiolli. Entre as novidades previstas para este ano está a

conquista de novos clientes em Chapecó, Santa Catarina, e o lançamento de uma

linha de charcutaria, processo tradicional de conservação de carne.

JUNTOS PARA COMPETIR

Parceria entre Farsul, Senar-RS e Sebrae RS, tem como objetivo

o desenvolvimento das principais cadeias produtivas do

agronegócio do Estado, por meio da capacitação, integração e

organização dos diferentes segmentos agropecuários. As ações

compreendem consultorias, cursos presenciais e palestras

que aperfeiçoam aspectos de gestão empresarial, tecnologia,

agregação de valor ao produto e posicionamentos para a

competitividade.

Foto: Arquivo pessoal

JOSÉ BATAIOLLI,

Bestsui Alimentos, Engenho Velho

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FATOS E FOTOS

Uma parceria para incentivar a produção e a cultura do

azeite gaúcho foi firmada entre Senac RS, Sebrae RS e

IBRAOLIVA (Instituto Brasileiro da Olivicultura), durante

o Salão do Empreendedor 2018.

Em agosto, produtores rurais participantes dos projetos

PISA (Produção Integrada em Sistemas Agropecuários)

e ILP (Integração Lavoura-Pecuária), desenvolvidos na

região Noroeste por Farsul, Senar e Sebrae RS, por meio

do Programa Juntos para Competir, reuniram-se no Salão

do Empreendedor para falar da importância dos sistemas

integrados de produção para a sustentabilidade das propriedades

rurais.

No início do semestre, o Sebrae RS realizou reunião

de trabalho com secretários de turismo, universidades,

associações, lideranças e empresários da Região

Campanha e Fronteira Oeste para mobilizar e sensibilizar

sobre a importância de estimular o crescimento

do turismo em um território com grande potencial para

receber visitantes de todo o país.

O diretor-superintendente do Sebrae RS, Derly Fialho,

foi o primeiro convidado a participar da Sessão Plenária

da Junta Comercial, Indústria e Serviços do Rio Grande

do Sul (Jucis RS), em julho, no Palácio do Comércio,

em Porto Alegre. Ele relembrou a entrega do acervo de

documentos da Junta totalmente digitalizado, no Palácio

Piratini.

Um espaço moderno, colaborativo e dinâmico. Este é

o novo conceito que o Sebrae RS está implementando

para receber empresários e futuros empreendedores

que precisam de atendimento e orientação presencial.

A inauguração da nova sede física da organização em

Santana do Livramento ocorreu em agosto e contou

com a participação de representantes do setor público,

privado e do Terceiro Setor da região.

O Sebrae RS e a Unimed Porto Alegre firmaram parceria

inédita e inovadora para beneficiar empreendedores

da Capital e região metropolitana. Juntas, as organizações

estão desenvolvendo um programa específico

para qualificação da gestão, visando ao desenvolvimento

de micro e pequenas empresas prestadoras de

serviços no segmento de clínicas e laboratórios.

Interatividade e tecnologia foram os pontos fortes do

Salão do Empreendedor em agosto, durante a Expointer

2018, sob o conceito do Campo à Mesa. Visitantes

do campo e da cidade receberam atendimento e foram

estimulados a vivenciar experiências que reforçam o

aprendizado e promovem a aproximação do consumidor

final ao processo de cadeia produtiva.

Uma comissão executiva do Sebrae RS formada pelo

diretor-superintendente, Derly Fialho, o diretor Técnico,

Airton Ramos, e o diretor de Administração e Finanças,

Carlos Alberto Schütz, foi recebida, no início

do semestre, pela diretoria da ADVB. Na ocasião, Sebrae

RS e ADVB estreitaram relações e trocaram ideias

sobre estratégias de marketing e empreendedorismo.

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FRASES EM DESTAQUE

“A gente pode tomar vinho em qualquer

lugar, a qualquer hora e utilizando, até

mesmo, copo plástico. Taça de cristal é

glamour, mas o vinho é simples.”

ARLINDO MENONCIM, somelier do Ibravin

durante os workshops de degustação,

na Expointer 2018.

“Até então pensávamos que o suporte necessário

seria apenas com relação aos alimentos,

mas recebemos consultoria do Sebrae

RS em gestão, finanças, prospecção de clientes,

indicadores, participação em eventos e

desenvolvimento de novos produtos.”

IRMÃOS JONAS E VIVIANI HEITLING,

empresa Dodani Líder.

A qualidade de um produto que chega à nossa mesa

é de responsabilidade de toda a cadeia produtiva,

por isso, mais uma vez, Farsul, Senar-RS e Sebrae

RS, por meio do Programa Juntos para Competir,

uniram forças com Fecomércio/Senac-RS, Fiergs/

Senai e Embrapa, trazendo para a Expointer a importância

da sinergia entre as cadeias produtivas desde

o plantio, no campo; a transformação, na indústria;

até a entrega diferenciada ao consumidor final, no

comércio e serviços

“Impossível pensar em desenvolvimento

de forma isolada, pois precisamos cooperar

e não competir entre as entidades e

organizações que representamos. É a soma

de nossas competências que gera valor e

competitividade para nossa sociedade.”

DERLY FIALHO, diretor-superintendente do Sebrae RS,

durante inauguração do Espaço de Negócios em

Santana do Livramento.

GEDEÃO PEREIRA, presidente do Sistema Farsul e do

Conselho Deliberativo do Sebrae RS sobre a parceria

das organizações no Salão do Empreendedor.

“O mercado de games movimenta

137 bilhões de dólares/ano em

nível mundial, mais que cinema e

música juntos.”

CARLOS IDIART, presidente da Associação

de Desenvolvedores de jogos digitais do RS,

durante o lançamento da Dash Games.

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Porque a vontade de empreender pode chegar

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