Revista ComTempo, edição nº 2 - de novembro de 2018 a janeiro de 2019

f.y4sz5q2a
  • No tags were found...

Sua revista digital com jeitinho de impressa.

Não é

velharia, é

história viva

Os primeiros registros de um museu

histórico em Bebedouro, interior de São

Paulo, são do final da década de 1980, na

Casa da Cultura, localizada na Avenida Pedro

Paschoal. Tempos depois, o acervo é levado

a um casarão no centro da cidade, na

rua Coronel Conrado Caldeira, lugar onde

cresceu e recebeu curadoria de diversas

autoridades, como a professora Léa Pitelli.

Em 2006, o casarão foi demolido, grande

parte do acervo foi encaixotado e guardado

no porão da Biblioteca Municipal e uma

pequena amostra, ficou exposta na própria

biblioteca.

Depois de 10 anos, o museu ressurge

em outro casarão, à rua Tobias Lima,

centro, como Casa da Cultura “Professor

Waldemar Antônio de Mello” e Museu de

Artes e História “Professora Léa Pitelli”, sob

o comando do recém assumido coordenador

de Museus, Teatro e Bibliotecas, Rogério

Carlos Fábio; que organizou o museu

conforme assunto e época: a primeira sala,

com mobília da década de 20, cadeiras do

legislativo, chapeleiros e telefones antigos.

Ao lado, objetos sacros, bíblias e imagens.

Em outro cômodo, utensílios domésticos

como enceradeiras, máquina de costura,

ferros de passar, objetos de porcelana e um

filtro de água. Uma das salas é dedicada à

música e às rádios: aparelhos de diversas

épocas, amplificadores, microfones, instrumentos

musicais, discos e fitas. Em outra

sala, objetos marcam a era da ferrovia, artigos

da Revolução de 1932 e um rico acervo

da revista Manchete, com edições de 1950

a 1990.

O coordenador afirma que o importante

é sempre buscar novos itens para

compor o acervo, e surpreender o visitante:

“valorizar a história local através do museu

é preservar a identidade do município. Sempre

pensamos como vamos expor o acervo,

mantendo um visual mais limpo e uma mudança

constante com a chegada de objetos

significativos. O museu nunca vai estar

pronto, nunca é o lugar de coisas velhas, o

museu é o lugar da história viva”, finaliza.

Dos reis do café à

preservação da história

Há 100km de Bebedouro, Ribeirão Preto

também possui museus, um deles, referência para

a ComTempo citar nesta reportagem, possui uma

curiosidade: Não é um, mas dois museus dentro

de uma só história.

O Museu Histórico e de Ordem Geral e o

Museu do Café estão localizados onde foi à sede

da antiga Fazenda Monte Alegre, adquirida em

1890 por Francisco Schmidt, barão do café, onde

residiu até 1918.

Em 1952 foram doados à Universidade de

São Paulo (USP) cerca de 240.000 alqueires da

Fazenda Monte Alegre, para a instalação da Faculdade

de Medicina e, desta área, aproximadamente

17.000 m², que correspondem às construções

e arredores da casa-sede, não foram incluídas e

foram concedidas à administração municipal.

Com o objetivo de criar um museu na cidade,

Plínio Travassos dos Santos começou a recolher

objetos para o acervo, sua maioria, doações.

Quando o acervo chegou a um número considerável,

foi transferido para o Bosque Municipal onde

permaneceu de 1948 a 1949. Em 28 de março de

1951, já instalado na Fazenda Monte Alegre, o museu

foi inaugurado com as seções de Artes, Etnologia

Indígena, Zoologia, Geologia, História e, mais

tarde, Biologia. A criação do Museu foi oficializada

através da Lei Municipal n.º 97, de 1 de julho de

1949. Em virtude de seu valor histórico o local foi

tombado junto de seu acervo.

“O Museu Municipal foi por mim organizado

mediante doações de materiais que obtive desde

Janeiro de 1948, e somente em 1951 foi conseguido

o prédio em que está instalado.” Trecho

extraído de carta do Plínio Travassos dos Santos

para o Dep. Dr. Cunha Bueno de 1953.

Para contar a história do Ciclo do Café em

Foto: ComTempo

Ribeirão Preto e no Brasil, Plínio Travassos dos

Santos começou a recolher e colecionar objetos

da cultura cafeeira. Elas foram guardadas no Museu

Histórico e em 1955, foi inaugurado o Museu

do Café de Ribeirão Preto, instalado provisoriamente

em três salas e nas varandas que circundam

o edifício.

O prédio do Museu do Café Cel. Francisco

Schmidt foi construído próximo ao Museu Histórico,

por iniciativa da Prefeitura e contou com apoio

do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e do Comendador

Geremia Lunardelli. O espaço inaugurado

oficialmente em 26 de Janeiro de 1957.

Atualmente os museus estão fechados devido

a danos estruturais pela falta de manutenção,

mas segundo o diretor José Venancio de Souza

Junior, o museu passará por obras emergenciais

em breve.

“Fizemos um convênio com o curso de Arquitetura

e Engenharia da Universidade Moura Lacerda,

que fará um estudo geral de todo o complexo,

solo e edificações para nos entregar um estudo

completo e um projeto de restauro” diz o diretor

sobre sua primeira providência à frente do museus.

Com um acervo estimado em mais de seis

mil peças dentre obras de arte e peças históricas, o

patrimônio do Museu do Café Cel. Francisco Schmidt

contém objetos de uso na zona rural como

arados, veículos próprios de fazendas, arreios,

carro de boi, uma coleção de moinhos para o processamento

manual dos grãos de café, pilão e máquinas

destinadas a descascar e ventilar o café.

O acervo também tem obras de arte como

esculturas representando os imigrantes italianos

e alemães e uma série de bustos de personalidades

relacionadas ao café como Dr. Henrique Dumont,

o primeiro rei do café, Francisco Schmidt,

segundo rei do café e Geremia Lunardelli, terceiro

rei do café.

More magazines by this user
Similar magazines