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Revista Luna

Revista elabora nas disciplinas de Produção Editorial para Revistas e Planejamento e Produção Gráfica do curso de Comunicação Social - Produção Editorial pelas acadêmicas Fernanda Redin, Flavia Monteiro, Isabela Escandiel, Maria Tereza Dias Tassinari e Mariana Weege.

Revista elabora nas disciplinas de Produção Editorial para Revistas e Planejamento e Produção Gráfica do curso de Comunicação Social - Produção Editorial pelas acadêmicas Fernanda Redin, Flavia Monteiro, Isabela Escandiel, Maria Tereza Dias Tassinari e Mariana Weege.

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<strong>Luna</strong><br />

ano 1 - nº 1 - nov 2018<br />

CLICK FEMININO<br />

ensaios fotográficos<br />

empoderando mulheres<br />

PROTEÇÃO NO<br />

SEXO LÉSBICO<br />

dicas para se cuidar<br />

ENTREVISTA<br />

o dia a dia da<br />

mulher gorda<br />

COLETIVO<br />

DANDARAS<br />

eventos por e para<br />

mulheres negras


Carta das Editoras<br />

Queridas Leitoras,<br />

A <strong>Revista</strong> <strong>Luna</strong> foi idealizada por cinco Produtoras<br />

Editoriais que perceberam a falta de uma<br />

revista inteiramente feminina no mercado, nós<br />

acreditamos que todas as mulheres são incríveis e<br />

precisam de um espaço onde possam compartilhar<br />

suas experiências, realizações e projetos que<br />

muitas vezes não possuem um espaço para<br />

serem divulgados. Seguindo a ideia do<br />

empoderamento feminino, a revista surge<br />

como uma forma de união entre nós mulheres,<br />

um espaço onde estamos livres para ser tudo o<br />

que quisermos ser.<br />

Nosso projeto gráfico foi feito pensando exatamente<br />

em transmitir essa sensação de liberdade e o que<br />

melhor que a natureza para representar isso não é<br />

mesmo?<br />

Além disso, todo o conteúdo foi feito exclusivamente<br />

por mulheres, sendo que a revista sempre irá trazer conteúdos<br />

que se relacionam diretamente com nós mulheres e<br />

busquem desconstruir padrões e estereótipos em relação ao<br />

feminino.<br />

A revista cresceu dentro de nós, como uma semente<br />

que germinou a cada encontro, a cada etapa<br />

realizada. Por isso estamos muito felizes em poder<br />

compartilhá-la com vocês, esperamos que tenham uma<br />

ótima leitura e assim como nós sintam-se inspiradas por<br />

todas as mulheres extraordinárias que contribuíram com<br />

a construção dessa nossa primeira edição.<br />

- As Editoras:<br />

Fernanda Redin, Flavia Monteiro,<br />

Isabela Escandiel, Maria Tereza e<br />

Mariana Weege<br />

<strong>Luna</strong> 3


Sumário<br />

06 ESPAÇO DA LEITORA<br />

As mulheres que participaram da edição, falam sobre a<br />

revista<br />

07 CIÊNCIA<br />

Como é a ciência por traz das calcinhas menstruais da<br />

Herself<br />

08 ENTREVISTA<br />

Lívia conta sobre o dia a dia da mulher gorda, dificuldades,<br />

desrespeito, onde encontrar apoio e muito mais<br />

10 DOSSIÊ<br />

O CLICK FEMININO<br />

Ensaios fotográficos fortes feitos<br />

por mulheres, para mulheres e com<br />

mulheres


14 SAÚDE<br />

Dicas para a proteção durante o sexo lésbico<br />

15 EVENTO<br />

Coletivo Dandara - Katiele Soares, uma das criadoras, conta sobre<br />

o 3º Encontro Dandaras que o coletivo produziu<br />

16 ENTRETENIMENTO<br />

Livros, filmes e séries que tratam de assuntos relevantes<br />

para a mulher de hoje<br />

EXPEDIENTE<br />

Universidade Federal de Santa Maria<br />

<strong>Revista</strong> feita nas disciplinas de<br />

Produção Editorial para <strong>Revista</strong>s e<br />

Produção e Planejamento Gráfico,<br />

que compõe o currículo do curso<br />

de Comunicação Social - Produção<br />

Editorial.<br />

O projeto foi orientado pelas<br />

professoras doutoras Liliane Brignol e<br />

Sandra Depexe.<br />

Projeto editorial e gráfico<br />

Fernanda Redin, Flavia Monteiro,<br />

Isabela Escandiel, Maria Tereza Dias<br />

Tassinari e Mariana Weege.<br />

Editoras<br />

Fernanda Redin, Flavia Monteiro,<br />

Isabela Escandiel, Maria Tereza Dias<br />

Tassinari e Mariana Weege.<br />

Matérias<br />

Fernanda Redin, Flavia Monteiro,<br />

Isabela Escandiel, Katieli Soares,<br />

Maria Tereza Dias Tassinari e Mariana<br />

Weege.<br />

Diagramação<br />

Fernanda Redin, Flavia Monteiro,<br />

Isabela Escandiel, Maria Tereza Dias<br />

Tassinari e Mariana Weege.<br />

Revisão<br />

Fernanda Redin, Flavia Monteiro,<br />

Isabela Escandiel, Maria Tereza Dias<br />

Tassinari e Mariana Weege.<br />

PROJETO GRÁFICO<br />

Tipologia<br />

Montserrat, Rasa, Courgette e KG<br />

All of Me<br />

Papel<br />

Miolo: couchê 90g/m²<br />

Capa: couchê 150g/m²<br />

Impressão<br />

Laser colorida<br />

18 POLÍTICA<br />

#EleNão - Das redes às ruas: a hashtag que entrou para a<br />

história do Brasil


ESPAÇO DA LEITORA<br />

Aqui é o espaço destinado para nossas queridas leitoras. Se você quer comentar,<br />

elogiar ou reclamar esse é o momento, querida.<br />

Como estamos na primeira edição, pedimos para que algumas das nossas colaboradoras<br />

contarem o que acharam de participar do processo de criação da <strong>Luna</strong>. Então boa leitura!!!<br />

Me senti muito feliz de saber que tinha a oportunidade<br />

de participar de um projeto tão empoderado, e que apoia<br />

a visibilidade dos trabalhos desenvolvidos por mulheres,<br />

porque só nós sabemos como é difícil ser mulher em<br />

qualquer aspecto da vida, e ver que temos outras de nós<br />

mesmas para ter o apoio traz uma sensação de esperança<br />

e força muito grande, fiquei lisonjeada de verdade.<br />

—Thais Kaori<br />

Foi muito interessane participar da revista,<br />

a proposta que ela traz é super importantena vida<br />

de várias meninas e mulheres. Queria agradecer as<br />

editoras pelo espaço dado na revista para falar sobre<br />

o Encontro Dandaras e espero que as leitoras gostem<br />

da revista. Desejo muita força, resistência e união<br />

para as minas pretas que lerem a revista<br />

<strong>Luna</strong>.<br />

—Katieli Soares<br />

Eu amei poder compartilhar experiências minhas<br />

com outras mulheres. Por isso quero agradecer as<br />

redatoras da revista por essa oportunidade. Respondi as<br />

perguntas com todo amor e sinceridade. Muito obrigada<br />


MENSTRUAÇÃO SEM LIXO<br />

Ciência para os dias sangrentos<br />

por Isabela Escandiel<br />

As calcinhas menstruais Herself surgiram durante um curso de capacitação em negócios socioambientais,<br />

onde as estudantes de Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Raíssa<br />

Kist, Francieli Bittencourt e Nicole Zagonel decidiram produzí-las pela dificuldade, relatada por algumas<br />

mulheres, na adaptação de outros produtos reutilizáveis, como os coletores menstruais. “Entramos em<br />

contato com algumas mulheres para entender incômodos e como elas vivem a menstruação no dia a dia, e<br />

percebemos que havia uma busca por novas soluções nessa área. As mulheres não estavam satisfeitas com<br />

os absorventes, mas por comodismo e falta de opções, acabavam recorrendo a eles”, contou Raíssa em entrevista<br />

à BBC Brasil.<br />

Além de transformarem a maneira com que vivemos nossos ciclos, tratando isso com muita naturalidade,<br />

a ideia das meninas ainda nos permite reduzir o impacto ambiental que os absorventes descartáveis<br />

provocam. Para ter uma ideia, uma mulher tem cerca de 450 ciclos menstruais durante a vida,<br />

imagina-se que ela gasta 10.000 absorventes durante toda a vida fértil. Isso gera um lixo de cerca de 160kg<br />

por pessoa, e uma despesa de 7000 reais em descartáveis. Imagine só o bem que as calcinhas reutilizáveis<br />

fazem para o seu bolso e para o planeta!<br />

Além disso, a Herself prioriza a utilização de tecnologia, conhecimento, matéria-prima e mão de<br />

obra 100% nacional, “a cadeia produtiva e logística tem tudo super pertinho - a fim de que tenhamos o<br />

maior controle sobre nossos processos e possamos garantir o menor impacto ambiental possível.”, sendo ela<br />

a primeira calcinha menstrual inteiramente brasileira.<br />

Composta por camadas de tecidos tecnológicos, é fininha e parecida com a calcinha que você já está<br />

acostumada, e ainda te permite usar somente ela por até 12 horas (dependendo do seu fluxo). E o melhor:<br />

SEM ODORES, te deixando ainda mais confiante e confortável. Para melhor se adaptar às diversas silhuetas<br />

da mulher brasileira, as meninas criaram 3 modelos:<br />

Ceci Frida Zuzu<br />

Ciência<br />

Fluxo fraco/moderado Fluxo intenso Fluxo intenso<br />

Equivale a 1 absorventes Equivale a 3 absorventes Equivale a 3 absorventes<br />

TECNOLOGIA<br />

A primeira camada é de algodão e possui toque seco, para evitar a sensação<br />

de umidade. A do meio consiste em um tecido tecnológico ultra<br />

absorvente, com ação antimicrobiana e antifúngica, e é ele que retém a menstruação.<br />

A camada externa é impermeável, para evitar que ocorra vazamentos.<br />

LAVAGEM<br />

Pode ser feita à mão, usando sabão neutro e deixando a calcinha de molho em água morna por aproximadamente<br />

5 minutos, ou na máquina (dentro de um saquinho) cuidando para não usar amaciantes e<br />

alvejantes. A secagem pode ser feita na sombra, no sol e até na secadora, sem influenciar na durabilidade<br />

e qualidade da calcinha. São, no mínimo, 48 lavagens sem diminuir seu poder de absorção.<br />

<strong>Luna</strong> 7


A GORDOFOBIA NO DIA A DIA<br />

DA MULHER<br />

por Flavia Monteiro<br />

Dentre os movimentos sociais que vêm ganhando protagonismo nos últimos anos está o “body positive”.<br />

O movimento, que na tradução literal do inglês significa imagem corporal positiva, busca fortalecer<br />

o amor próprio e promover a pluralidade da beleza. Ele luta contra o preconceito ao peso corporal e pela<br />

desconstrução da padronização estética imposta pela sociedade (principalmente entre nós, mulheres).<br />

ENTREVISTADA:<br />

LÍVIA MARIA OLIVEIRA<br />

É estudante de Comunicação Social - Produção<br />

Editorial na Universidade Federal de Santa Maria, carioca,<br />

canceriana, fotógrafa e gorda.<br />

COMO VOCÊ DEFINE GORDOFOBIA?<br />

A gordofobia é o preconceito contra pessoas gordas e, muitas<br />

vezes, esse preconceito é velado. É através dela que a sociedade<br />

nos reduz a pessoas incapazes, mal sucedidas - seja no amor ou no<br />

trabalho, deprimidas e preguiçosas. Ser gorda vai além do tamanho<br />

e forma do seu corpo, é, praticamente, assinar uma sentença<br />

de vida infeliz. Ela também está presente no tamanho das roupas,<br />

nos assentos de transportes públicos, nas catracas dos ônibus.<br />

QUAL FOI A PRIMEIRA VEZ QUE VOCÊ PERCEBEU QUE SOFRIA COM ELA?<br />

Para ser sincera, eu não faço ideia. Eu sempre fui gorda, desde criança, então para mim era algo natural.<br />

Mas foi na escola, lá pelos meus sete anos, que eu percebi que ser gorda era não ser aceita e não ser<br />

bonita. Nessa época eu conheci minha melhor amiga, que também é gorda. Estudávamos na mesma sala,<br />

mas ela fazia parte do grupo da bagunça e eu dos certinhos. Ela, quando zuada, batia e eu ficava calada. Então<br />

eu cresci assim, fingindo que as pessoas ao meu redor não praticavam bullying comigo. Além disso, eu<br />

cresci indo a médicos para emagrecer. Era sim por saúde, eu não estava com tudo em perfeita ordem, mas<br />

na minha cabeça de criança, eu achava que ninguém me amava por eu ser gorda. E é algo que não some da<br />

noite pro dia. Então é algo que sempre esteve presente e eu meio que naturalizei sofrer esse preconceito.<br />

QUANDO VOCÊ COMEÇOU A PESQUISAR MAIS SOBRE O ASSUNTO E A SE<br />

EMPODERAR?<br />

Foi ano passado, em 2017, quando entrei na faculdade. Para ser mais precisa no segundo semestre em<br />

uma disciplina chamada Leitura e Produção Textual. O engraçado é que o processo de empoderamento não<br />

é simples e fácil, e me surpreendi ao ler alguns textos que escrevi sobre esse assunto no ensino médio. Na<br />

minha cabeça, parecia que uma chave só tinha virado ano passado, mas olhando para trás meu processo já<br />

havia começado em 2016, eu só não sabia.<br />

8 <strong>Luna</strong>


Entrevista<br />

NO SEU DIA A DIA VOCÊ PERCEBE<br />

DIFICULDADE NA ACESSIBILIDADE<br />

PARA PESSOAS GORDAS?<br />

Sim, o tempo todo. E eu até gosto de falar<br />

sobre isso, acho necessário. Aqui na faculdade,<br />

por exemplo, temos um ônibus circular que não é<br />

nada inclusivo, se assim podemos dizer. O espaço<br />

é insuficiente até para uma pessoa considerada<br />

no padrão, imagina para pessoas gordas. É muito<br />

desconfortável e humilhante. Eu tento relevar e<br />

levar na esportiva, mas é algo que só passei a me<br />

atentar e criticar após minhas pesquisas. Além<br />

disso, tem algumas coisas que já me deixam ansiosa<br />

e que acredito que outras pessoas não pensariam<br />

em detalhes como esses na hora de sair<br />

de casa. Por exemplo, cintos de avião/ ônibus,<br />

cadeiras que tenham braço, catraca de ônibus. É<br />

uma ansiedade constante de ficar presa em algum<br />

lugar.<br />

O QUE VOCÊ FAZ (SE FAZ)<br />

DIARIAMENTE PARA SE SENTIR BEM<br />

COM O PRÓPRIO CORPO?<br />

Diariamente eu não tenho uma rotina específica,<br />

mas geralmente eu uso roupas que eu<br />

curto muito e acessórios. Isso já me deixa com<br />

outro humor e autoconfiança. Mas eu sou muito<br />

de fases, então tem dias que não estou na vibe<br />

de me arrumar. O que eu sempre procuro fazer<br />

com o máximo de frequência possível é aquela<br />

hidratação no cabelo, na pele, aquele típico dia<br />

de spa em casa. E água, se eu consigo atingir minha<br />

meta de água do dia eu não quero guerra com<br />

ninguém.<br />

NÓS SABEMOS QUE A REPRESEN-<br />

TATIVIDADE NA MÍDIA VEM CRES-<br />

CENDO COM O MOVIMENTO “BODY<br />

POSITIVE”. O QUE VOCÊ ACHA DO<br />

MOVIMENTO E QUAL A RELEVÂNCIA<br />

DESSE ATIVISMO VIRTUAL?<br />

Eu tenho uma carinho muito grande pelo<br />

movimento, pois foi através dele que consegui<br />

começar meu processo de empoderamento. Foi<br />

através dele que percebi atitudes, que são óbvias<br />

para quem está “de fora”, mas pra quem está do<br />

lado de dentro e vivendo isso na pele muitas vezes<br />

não percebe. O movimento me fez sentir que<br />

eu não estava sozinha, que tudo que eu acreditei<br />

ser, apenas por ser gorda, está errado. Que meu<br />

peso não define quem eu sou. Então, pra mim, o<br />

movimento é incrível.<br />

O ativismo é muito importante. É necessário<br />

que as pessoas falem sobre isso para desmistificar<br />

atitudes e padrões. O movimento não é apenas<br />

sobre corpos gordos. É sobre abraçar, aceitar e<br />

empoderar todos os tipos de formas, tamanhos e<br />

cores do corpo.<br />

VOCÊ PODE NOS INDICAR LIVROS,<br />

INFLUENCIADORAS DIGITAIS E/OU<br />

CANAIS NO YOUTUBE SOBRE A MILI-<br />

TÂNCIA GORDA QUE TE INSPIRAM?<br />

O canal da Luiza Junqueira, o Tá Querida, a<br />

Tess Holiday, uma plus size americana e minha<br />

série favorita com uma protagonista gorda My<br />

Mad Fat Diary. Essa série, além de retratar a vida<br />

de uma menina obesa de dezesseis anos, fala sobre<br />

problemas reais, e delicados como distúrbios<br />

alimentares e problemas psicológicos. É uma série<br />

que me identifiquei muito, mas não recomendo<br />

vê-la quando estiver para baixo.<br />

POR ÚLTIMO, QUE MENSAGEM VOCÊ<br />

GOSTARIA DE DEIXAR PARA AS MU-<br />

LHERES QUE TAMBÉM PASSAM POR<br />

ESSA LUTA DIÁRIA?<br />

Que elas continuem e não desistam. Independente<br />

se ela escolheu se aceitar ou tentar<br />

emagrecer, nenhum caminho é fácil e possui seus<br />

altos e baixos. O importante é, se cair, levantar.<br />

Sempre. Ah, eu sei que é difícil, mas não se deixem<br />

desanimar por comentários de terceiros.<br />

Busquem o que é melhor para vocês.<br />

<strong>Luna</strong> 9


O click<br />

feminino<br />

por Mariana Weege e Fernanda Redin<br />

As mulheres são diariamente testadas no ambiente em que vivem, trabalham ou se relacionam, seja<br />

pela cor da sua pele, sua orientação sexual, seu peso ou, até mesmo, pelo modo que se vestem. A batalha<br />

pelos seus direitos na sociedade atravessa anos na história e, mesmo com grandes desenvolvimentos e a<br />

tentativas de igualdade de gênero, ainda há um abismo entre o que é real e o que é idealizado.<br />

Elas são subjugadas por convenções históricas, sociais e culturais como sexo frágil, submissas e sem<br />

intelecto. Essas convenções são baseadas, infelizmente, na cultura machista e patriarcal proposta pela<br />

sociedade que acaba, cada vez mais, evoluindo na direção da desigualdade de gênero e da violência contra a<br />

mulher. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil, a taxa de feminicídio é a quinta<br />

maior do mundo, sendo as mulheres negras as principais vítimas (54%).<br />

Esse dossiê traz, como forma de dar voz a essas mulheres vítimas de preconceitos, ensaios fotográficos<br />

realizados por mulheres e para mulheres, retratando, de diversos modos, a beleza feminina e o amor<br />

próprio. Sem fins lucrativos, essas fotografias se inspiraram na luta contra a discriminação e resolveram,<br />

como forma de protesto, evidenciar a feminilidade das variadas formas existentes e com isso quebrar paradigmas,<br />

tabus e estereótipos.<br />

À COR DA PELE<br />

Fotógrafa: Thais Kaori Oyakawa.<br />

Conceito: O projeto visava abordar, através<br />

dos retratos, dois aspectos: a diversidade de<br />

corpos femininos, buscando desconstruir a ideia<br />

de beleza padrão imposta de forma massiva que<br />

acarreta na falta de auto-confiança e amor próprio<br />

por grande parte das mulheres, e a ausência<br />

de visibilidade de artistas mulheres no mercado<br />

das artes visuais. O maior intuito de fato era alertar<br />

principalmente o fator artístico pois, além de<br />

ser menos abordado socialmente, as pessoas tem<br />

muito mais contato com pinturas assinadas por<br />

homens, entretanto, por ironia ou contradição,<br />

os retratos são frequentemente de mulheres.<br />

Isto é, o foco é enaltecer o trabalho das artistas<br />

e expor que as mulheres não estão no mundo<br />

artístico apenas como musas. O projeto<br />

também buscou entender como as meninas<br />

fotografadas se sentiam oprimidas em um mundo<br />

predominantemente machista e, através de seus<br />

relatos, criamos um paralelo entre o depoimento<br />

da modelo e algum momento que a respectiva<br />

autora da pintura viveu.<br />

10 <strong>Luna</strong>


Dossiê<br />

Modelo: Beatriz Della Méa<br />

Artista: Mariana Degani<br />

Obra: Canto às Vadias<br />

Modelo: Lívia Biruel<br />

Artista: Georgia O’keeffe<br />

Obra: From the Faraway, Nearby<br />

<strong>Luna</strong> 11


FAT POWER: a fotografia<br />

a favor da mulher<br />

gorda<br />

Fotógrafa: Carine da Silva<br />

Modelo e Produtora: Leandra Cohen<br />

Conceito: A mulher gorda é a maior vítima da<br />

gordofobia, pois já traz o peso da opressão estética<br />

por viver em uma sociedade patriarcal. Devido a toda<br />

a mulher sofrer com pressão estética, o transtorno<br />

com a própria imagem e o ódio e vergonha ao próprio<br />

corpo passam a ser as questões mais evidentes da<br />

gordofobia para a sociedade.<br />

Esse transtorno se dá de forma naturalizada<br />

devido à representação da mulher gorda na mídia,<br />

em geral oposta ao padrão de beleza estético<br />

representado pelo status quo, e pela reprodução<br />

continuada de conceitos gordofóbicos no dia-adia<br />

(ideias associando comida e desleixo à pessoa<br />

gorda, ou ainda, comentários de que é melhor estar<br />

doente do que ter um corpo gordo, entre outros).<br />

NATUREZA E MITO<br />

Fotógrafa: Liandra Rodrigues<br />

Modelo: Rafaele Flores<br />

Conceito: O projeto tem como<br />

referência a estética e a narrativa de<br />

pinturas renascentistas e pré-rafaelitas,<br />

que apresentavam elementos da natureza<br />

e personagens da mitologia grega, como<br />

a pintura a “Hylas e as Ninfas” de John<br />

William Waterhouse. Além disso buscou-se<br />

a desbanalização do corpo através da sua<br />

exposição, explorando a beleza e a relação<br />

entre corpo e natureza.<br />

12 <strong>Luna</strong>


Dossiê<br />

NUANCES<br />

Fotógrafa: Natasha Kuffner<br />

Modelos: Eduarda Victória e Renata Freitas<br />

Conceito: Não lembro ao certo quando isso aconteceu, quando<br />

percebi, a fotografia já existia em mim, ela me encontrou no dia a<br />

dia, nos momentos mais simples. Tudo ao meu redor passou a ser<br />

“fotografável”. É gostoso quando a gente redescobre o mundo, vê<br />

beleza onde antes era só mais uma coisa entre tantas outras que<br />

na maioria das vezes nem são notadas - formas, cores, texturas.<br />

Quando a fotografia me encontrou e me mostrou que resignificar<br />

as coisas que existem é um dos nossos maiores poderes, eu só me<br />

entreguei e comecei a viver um dos melhores momentos da minha<br />

vida - meu redescobrimento.<br />

Em 2013, percebi que, além de resignificar coisas, poderia<br />

ME resignificar, pra mim mesma. Foi a primeira experiência de me<br />

auto fotografar e me ver. O resultado foi intenso, eu conseguir me<br />

ver naquelas fotos, em essência e em carne. Hoje, eu sei o quanto<br />

isso é importante.<br />

Quase 5 anos depois, descobri que tudo aquilo que eu<br />

conseguia sentir ao viver minhas experiências fotográficas, eu<br />

poderia fazer outras mulheres sentirem. Eu já conhecia as inseguranças,<br />

já entendia os impactos das cobranças que existem<br />

em relação aos padrões de beleza e que o mundo sexualiza o<br />

nosso corpo, mas que a gente é muito mais que isso.<br />

<strong>Luna</strong> 13


Saúde<br />

PROTEÇÃO NO SEXO LÉSBICO<br />

Como se prevenir de doenças sexualmente transmissíveis no sexo das sapatas.<br />

Não é um assunto que se vê muito por aí, né? Por isso que achamos<br />

importantíssimo falar sobre ele.<br />

por Fernanda Redin<br />

Muitas mulheres fazem sexo com outras mulheres, mas, diferentemente da penetração com pênis,<br />

a gente não vê divulgação de métodos de proteção contra doenças sexualmente transmissíveis para o sexo<br />

lésbico. Você sabe e eu sei que o maior problema é a sociedade machista e heteronormativa em que vivemos,<br />

mas a <strong>Luna</strong> tá aqui pra tentar acabar com o sofrimento das moças (o máximo que pudermos, não dá para<br />

nos fazer deusas de novo, assim, do nada).<br />

As dicas são:<br />

Dedo na vulva? Camisinha no dedo.<br />

Quando você ou a sua parceira for usar o<br />

dedo para dar prazer, coloque camisinha nele!<br />

Pode parecer estranho, mas para a contaminação<br />

de HIV basta um cortezinho no dedo e um<br />

machucadinho na vulva, mas você não quer<br />

correr o risco, né?<br />

Exames: vamos fazer, todos eles, sempre.<br />

É isso ai, meninas! Ter os exames em dia é<br />

essencial. Não é difícil achar lugar para fazer, no<br />

posto de saúde, mesmo, tem e, às vezes, aparece<br />

um pessoal em campanha fazendo os exames.<br />

Não tenham medo de pedir se a sua parceira,<br />

ou peguete da noite, fez os exames, saúde em<br />

primeiro lugar.<br />

Sexo oraaaaal<br />

É aquela hora?? A proteção é válida,<br />

também! Apesar de, infelizmente, não haver<br />

um produto para a proteção no sexo oral, a<br />

gente dá uma dica pra contornar essa falha<br />

do mercado: CAMISINHA! Dá pra usar a<br />

masculina ou a feminina, é só rasgar e cobrir<br />

a vulva durante o sexo. Engana-se quem<br />

acha que sexo oral não transmite doenças, o<br />

contato entre as mucosas oral e genital pode<br />

transmitir herpes, sífilis e HPV.<br />

E essas são as dicas de hoje. Cuidem-se e sintam prazer e<br />

divirtam-se! E fica aquele pedido, a quem se interessar, para criar um<br />

produto especialmente voltado a esses sexos, seria uma honra poder<br />

publicá-lo na seção de ciência um dia!<br />

14 <strong>Luna</strong>


Eventos<br />

Foto: Carolina Ambrós<br />

Empoderamento das negras no<br />

3º Encontro Dandaras<br />

por: Katieli Soares<br />

edição: Isabela Escandiel<br />

Oi gente! Meu nome é Katieli Soares, sou<br />

estudante de Comunicação Social - Produção Editorial<br />

da Universidade Federal de Santa Maria e vim<br />

contar pra vocês, leitoras da <strong>Luna</strong>, um pouquinho<br />

sobre o 3º Encontro Dandaras, realizado na UFSM e<br />

organizado pelo Coletivo de mulheres negras Dandaras,<br />

o qual participo desde julho de 2018.<br />

Bom, primeiramente vou falar um pouquinho<br />

sobre o Coletivo. Ele é uma ferramenta autônoma de<br />

luta e organização das mulheres negras, uma forma<br />

de estarmos nos fortalecendo, nos empoderando,<br />

resistindo e lutando contra o racismo e o<br />

machismo, dentro e fora da universidade. Conheci<br />

algumas meninas que participavam de militâncias<br />

negras em uma ocupação antirracista que ocorreu<br />

na UFSM em novembro de 2017, e nos tornamos<br />

amigas desde então. Comecei a participar depois<br />

da minha irmã, que participou do 1º Encontro no<br />

ano passado e me contou sobre como foi e sobre o<br />

que as meninas abordavem, Achei a proposta muito<br />

legal e me interessei bastante. O 2º Encontro foi no<br />

início de 2018, só para as meninas que participavam<br />

de militâncias e as meninas mais próximas delas,<br />

fui convidada e foi aí que comecei a participar de<br />

verdade.<br />

Já era férias de julho quando decidimos realizar<br />

e começar a organizar o 3º Encontro Dandaras no<br />

dia 11 de agosto, dentro da UFSM também. Este foi<br />

planejado para ser algo grande, estendemos o convite<br />

para todas as mulheres negras de Santa Maria,<br />

fizemos uma super divulgação e chamamos várias<br />

mulheres maravilhosas pra participar, ministrando<br />

oficinas de turbante e make afro, chamamos ainda<br />

o Coletivo Negressencia, também de Santa Maria,<br />

para mostrar um pouco da dança afro, realizamos<br />

uma roda de conversa falando sobre a realidade da<br />

mulher negra no mercado de trabalho, uma feira<br />

afro com venda de bonecas, roupas e comida para<br />

arrecadar dinheiro para o coletivo.<br />

Por termos tantos espaços negados para<br />

a gente e nos sentirmos mais confortáveis,<br />

convidamos apenas meninas negras, fizemos algo<br />

para acolher a nós mesmas e agradar a todas que<br />

fossem, esse é o nosso objetivo com esses encontros.<br />

Eram umas 50 mulheres presentes, de várias idades:<br />

desde crianças e estudantes do ensino médio até<br />

mulheres mais velhas. Isto é muito pra gente, vimos<br />

como é importante ter esse espaço paras as negras<br />

descontrair e elevar suas auto-estimas. Me senti<br />

muito bem, grata e confortável, pois nós éramos a<br />

maioria no espaço, o que é difícil de acontecer em<br />

espaços como o da Universidade.<br />

O evento deu tão certo, nos demos tão bem<br />

na organização que decidimos transformar o Grupo<br />

Dandaras em um Coletivo. Começamos em 7 meninas<br />

e agora somos em 6, e pretendemos continuar<br />

e agir cada vez mais. O 3º Encontro foi, além de o<br />

mais importante, o mais significativo para a gente,<br />

pois percebemos como é importante ter um coletivo<br />

de mulheres negras, para nos fortalecer cada<br />

vez mais, desabafar e fazer o bem a nossa saúde<br />

mental. Percebo que a companhia das meninas me<br />

traz tudo isso e, além de fazer bem a nós mesmas,<br />

estamos fazendo algo pra outras mulheres negras<br />

também.<br />

Esses eventos que fazemos é muito compensador,<br />

é legal que as vezes encontramos<br />

mulheres que foram em eventos e elas relatam<br />

que nós Dandaras somos uma inspiração<br />

para elas, por ocuparmos espaços<br />

negados pra gente, nossa luta<br />

e força de andar com a cabeça<br />

erguida. É muito bom compartilhar<br />

da nossa força com elas também.<br />

Como contamos em uma<br />

rede social, a criação do coletivo<br />

Dandaras não é só por nós, é<br />

por aquelas que já se foram e<br />

por todas as que virão e que<br />

continuarão a luta depois de<br />

nós.<br />

<strong>Luna</strong> 15


Entretenimento<br />

Documentário:<br />

Mulheres na Pesquisa<br />

O documentário traz relatos de pesquisadoras da<br />

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) sobre sua<br />

trajetória e as dificuldades encontradas sendo mulheres na<br />

pesquisa. É um documentário poético e busca mostrar a força<br />

e determinação que é preciso ter para ser pesquisadora, uma<br />

área que não há muito tempo era exclusiva dos homens.<br />

De forma muito emocionante e inspiradora os<br />

depoimentos de mulheres de diferentes áreas de conhecimento<br />

mostram que só o fato de ser mulher já é um fator que dificulta<br />

a atuação na pesquisa. Junto a isso, há aquelas mulheres que<br />

desejam se tornar mães e devem dividir sua atenção entre o<br />

trabalho e a família.<br />

Entre os depoimentos está o da enfermeira Dra. Eline<br />

que conta que foi muito difícil deixar seu filho no Brasil<br />

quando precisou ir ao Canadá fazer seu Doutorado, mas isso<br />

não a impediu de ir, pois era seu sonho, e não poderia deixar de<br />

realiza-lo. E é essa mensagem que ela deixa a todas as meninas<br />

que sonham com a área acadêmica hoje: “Nunca desita daquilo<br />

que sempre sonhou, é possível ter tudo, ser mãe e pesquisadora”.<br />

Felicidade por um fio (2018)<br />

Direção de Haifaa al-Mansour.<br />

Uma comédia romântica, estrelada<br />

pela atriz Sanaa Lathan, mostra a trajetória<br />

de Violet, uma publicitária que sua vida<br />

inteira sofreu com os padrões de estética<br />

negra principalmente em relação ao cabelo.<br />

Durante o filme ela vai quebrando os estereótipos<br />

e preconceitos ao se redescobrir<br />

como mulher e perceber que a beleza está<br />

dentro de cada um e que devemos ser o que<br />

queremos e não o que os outros esperam de<br />

nós.<br />

16 <strong>Luna</strong>


Para salvar o planeta é necessário que mudemos alguns<br />

hábitos de consumo, reduzir a produção de lixo é um deles.<br />

Pensando nisso, Cristal Muniz, que já possui um blog sobre o<br />

assunto, lança o livro Uma vida sem Lixo, nele dá dicas de como<br />

mudar pequenas coisas do dia a dia, atitudes que contribuem<br />

para a preservação do meio ambiente. Cada página apresenta<br />

uma “receita” ou produto que pode substituir aqueles que<br />

causam mal, como por exemplo trocar a escova de dente de<br />

plástico pela de Bambu. Tanto neste livro, como em seu Blog,<br />

ela mostra que com atitudes simples é possível fazer uma<br />

grande diferença.<br />

Com o objetivo de estimular o amor próprio e a aceitação<br />

do próprio corpo entre as jovens, a Youtuber Alexandra Gurgel<br />

lança seu primeiro livro Pare de se odiar. Ela é muito conhecida<br />

por tratar questões sobre gordofobia em seu canal no Youtube,<br />

Alexandrismos, logo neste livro não seria diferente. O livro está<br />

inspirando milhares de mulheres a se sentirem bem consigo<br />

mesmas e darem o primeiro passo em direção a aceitação do<br />

próprio corpo. Isso é muito importante na sociedade em que<br />

vivemos, onde somos ensinadas que existe um padrão de “corpo<br />

perfeito”, pois como coloca a autora “amar o próprio corpo é<br />

um ato revolucionário”.<br />

The Handmaid’s Tale (2017)<br />

Ao apresentar um futuro distópico,<br />

The Handmaid’s Tale mostra um regime<br />

ditatorial totalitário, onde o poder está<br />

centrado nas mãos dos homens. Em uma<br />

sociedade onde a natalidade se torna muito<br />

baixa, a solução encontrada foi escravizar<br />

as mulheres férteis. A série é centrada na<br />

personagem Offred que sonha em rencontar<br />

sua filha, a qual foi retirada dela ao se tornar<br />

uma Aia (denominação dada às mulheres<br />

féteis, consideradas propriedade do estado).<br />

por Maria Tereza<br />

<strong>Luna</strong> 17


Política<br />

Das Redes às Ruas<br />

A Hashtag que entrou para a história do Brasil<br />

por Maria Tereza Dias Tassinari<br />

Outubro foi um mês muito<br />

importante para a democracia brasileira,<br />

em pleno século XXI, ocorreu uma<br />

eleição na qual não estávamos votando<br />

apenas por um presidente, mas também<br />

para assegurar nossos direitos.<br />

Ao realizar declarações onde<br />

atacava as minorias o então candidato à<br />

presidência Jair Bolsonaro fez com que<br />

surgissem uma série de manifestações<br />

online em oposição à ele e sua<br />

candidatura, entre estas manifestações<br />

estava a #elenão.<br />

Reprodução / Facebook<br />

Essa hashtag começou com um grupo de mulheres ao criarem um grupo no Facebook em oposição ao<br />

candidato e seus ideais fascistas, porém realmente ganhou força, após as idealizadoras sofrerem ataques<br />

online por sua posição política. Muitas pessoas se identificaram com a causa o que fez a hashtag sair do<br />

ambiente digital.<br />

No dia 29 de setembro em diversas cidades brasileiras (e em alguns outros países, como Alemanha,<br />

Itália, França...) milhares de mulheres foram às ruas para se manifestar e assegurar que seus direitos não<br />

seriam retirados. O ato foi apoiado por diversas personalidades famosas brasileiras e internacionais, o que<br />

fez com que o movimento ganhasse ainda mais destaque e popularidade.<br />

Foi incrível perceber neste movinento a força que a união das mulheres possui, e devemos levar essa<br />

lição para a vida, mesmo com todas as dificuldades que é ser mulher ainda hoje, não podemos desistir,<br />

porque se apoiarmos umas as outras tudo é possível.<br />

Reprodução / Facebook<br />

18 <strong>Luna</strong>

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