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Gestão Hospitalar N.º 15 2018 + Suplemento (Rumo ao Norte Hospitalar)

Entrevista a Gerry O'Dwyer, Presidente da European Association of Hospital Managers

Entrevista a Gerry O'Dwyer, Presidente da European Association of Hospital Managers

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OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 2018

Edição Trimestral

Nº 15

GESTÃO

HOSPITALAR

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA aSSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ADMINISTRADORES HOSPITALARES

SNS

Desafios do Financiamento

da Saúde em Portugal

SAÚDE É UMA PRIORIDADE?

3F – Financiamento,

Fórmula para o Futuro

INICIATIVAS APAH

Prémio Healthcare

Excellence 2018

10.ª Edição do Fórum

do Medicamento

VIA VERDE REANIMAÇÃO - INEM

Unir Esforços para Salvar Vidas

PORTUGAL ACOLHE

27 th EAHM Congress

ENTREVISTA

Gerry

O'Dwyer

1


GH SUMÁRIO

outubro novembro dezembro 2018

GESTÃO

HOSPITALAR

PROPRIEDADE

APAH − Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares

Parque de Saúde de Lisboa Edíficio, 11 - 1.º Andar

Av. do Brasil 53

1749-002 Lisboa

secretariado@apah.pt

www.apah.pt

DIRETOR

Alexandre Lourenço

DIRETORA-ADJUNTA

Bárbara Sofia de Carvalho

COORDENADORES

Emanuel Magalhães de Barros, Miguel Lopes

EDIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO

Bleed - Sociedade Editorial e Organização

de Eventos, Ltda.

Av. das Forças Armadas 4 – 8B

1600-082 Lisboa

Tel.: 217 957 045

info@bleed.pt

www.bleed.pt

PROJETO GRÁFICO

Sara Henriques

DISTRIBUIÇÃO

Gratuita

PERIODICIDADE

Trimestral

DEPÓSITO LEGAL N.º

16288/97

ISSN N.º

0871–0767

TIRAGEM

2.000 exemplares

IMPRESSÃO

Grafisol, lda

Rua das Maçarocas

Abrunheira Business Center Nº3

2710-056 Sintra

Esta revista foi escrita segundo as novas regras

do Acordo Ortográfico

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62

Editorial

A GH de 2018 em revista

Alexandre Lourenço

Estatuto Editorial

SNS

Desafios do financiamento da saúde em Portugal

António Correia de Campos

Financiamento

3F – Financiamento, Fórmula para o Futuro

Iniciativa APAH

Prémio Healthcare Excellence 2018 distinguiu projetos inovadores em saúde

Via Verde Reanimação - INEM

Unir esforços para salvar vidas

Raquel Ramos, Filipa Barros

Iniciativa APAH

Fórum do Medicamento: Financiamento e equidade para um SNS sustentável

Workshop

Estratégias para a cooperação em saúde

Delfim Neto Rodrigues, Francisco Pavão

Entrevista

Gerry O’Dwyer: Trabalhamos para assegurar bons modelos de saúde

na Europa

Melhor comunicação oral EAHM 2018

A imagiologia médica como agente de mudança na prestação

de cuidados de saúde

Tiago Ruas

Melhor poster EAHM 2018

Necessidades dos utilizadores muito frequentes de um serviço de urgência:

estudo das suas características clínicas e sociais

Sandra Afonso, Sílvia Lopes

Espaço ENSP

Participação da ENSP-NOVA no 27 th EAHM Congress

Rui Santana, Sílvia Lopes

Opinião

Do Hospital medieval ao Hospital empresa.

Que futuro para o Hospital Público?

José António Menezes Correia

Reflexões de Direito Biomédico

Aspetos ético-jurídicos da prática da telessaúde

Ana Elisabete Ferreira, André Dias Pereira

CSP

Cuidados de Saúde Primários - Equipa Comunitária de Suporte

em Cuidados Paliativos

Fátima Teixeira

A APAH marca a agenda

3


GH editorial

GH ESTATUTO EDITORIAL

REVISTA “GESTÃO HOSPITALAR”

Alexandre Lourenço

Presidente da APAH

A GH de 2018 em revista

Este foi um ano especial para a Gestão

Hospitalar. Ficará para a memória, a

edição GH especial dos 35 anos dedicada

à memória do seu fundador

João Santos Cardoso. No primeiro

número do ano entrevistámos Xavier Corbella, Secretário

Geral da Federação Europeia de Medicina

Interna (EFIM), estreitando as ligações entre a administração

hospitalar e a medicina interna, de forma a

promovermos a ambulatorização médica e a integração

de cuidados. No último número, Usman Khan,

Diretor Executivo da Associação Europeia de Gestão

em Saúde (EHMA), falou-nos de gestão da mudança,

formação e envolvimento de todos os atores.

Em 1981, os estatutos da APAH estabeleceram explicitamente

a importância da GH para os administradores

hospitalares. Desde então, a dinâmica da

profissão foi sendo em parte avaliada pela qualidade

e regularidade da GH. Este número foi pequeno

para acolher a qualidade e quantidade de artigos

que nos chegaram.

Nesta edição permitam destacar os artigos de duas figuras

maiores da Gestão de Serviços de Saúde em Portugal:

“Desafios do financiamento da saúde em Portugal”,

por António Correia de Campos, e “Do Hospital medieval

ao Hospital empresa. Que futuro para o Hospital

Público?”, por José António Menezes Correia.

tembro. A terminar o seu mandato, passa em revista

o trabalho desenvolvido e aborda os desafios que se

colocam aos serviços de saúde e aos seus gestores.

Do prémio Healthcare Excellence, atribuído em 2018

ao INEM, fica o artigo “Via Verde da Reanimação, unir

esforços para salvar vidas” de Raquel Ramos e Filipa

Barros. Do Congresso Europeu de Gestores Hospitalares

extraem-se os artigos: “A imagiologia médica

como agente de mudança na prestação de cuidados

de saúde”, como melhor comunicação oral, de

Tiago Ruas e “Necessidades dos utilizadores muito

frequentes de um serviço de urgência: estudo das

suas características clínicas e sociais”, como melhor

poster, de Sandra Afonso e Sílvia Lopes.

No contexto da cooperação para o desenvolvimento

e da saúde, Delfim Rodrigues e Francisco Pavão

trazem “Estratégias para a cooperação em saúde”,

uma área de afirmação da administração de serviços

de saúde portuguesa. No setor dos cuidados na comunidade,

Fátima Teixeira escreve sobre o papel da

equipa comunitária de cuidados paliativos.

Com os relatos do 27.º Congresso Europeu de Gestores

Hospitalares, do projeto “3F - Financiamento,

Fórmula para o Futuro”, do 5.º Prémio Healthcare

Excellence e do 10.º Fórum do Medicamento, encerramos

este percurso pelos últimos meses de 2018.

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” é uma publicação institucional

e é a Revista oficial da APAH - Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” assume uma importância

crucial na disseminação de conhecimento e como fator

de agregação e motivação associativa;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” tem como principais

objetivos a divulgação das melhores práticas e conhecimentos

de gestão em saúde, de novos projetos, de opiniões e debate

das grandes questões do setor, bem como difundir atividades

relevantes junto da comunidade profissional e académica;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” visa manter vivo o valor

da Administração Hospitalar e divulgar o trabalho continuado

de diferentes gerações de Administradores Hospitalares

que se empenham em inovar e demonstrar capacidades e

competências, bem como a sua profunda vontade em adicionar

valor às políticas públicas, ao ensino e formação, à investigação

e à gestão das unidades de saúde;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR”, sendo a revista dos

Administradores Hospitalares portugueses, deseja ser um espaço

aberto à colaboração de todos os profissionais nos vários

níveis da organização dos serviços de saúde, pretendendo,

deste modo, atingir uma audiência alargada e heterogénea, interessada

na dinâmica hospitalar e sensibilizada para a impor-

tância dos problemas de administração na área da saúde;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” pauta a sua conduta

editorial pelo rigor da informação e pela liberdade de opinião

dos artigos que publica, sendo a seleção dos conteúdos técnicos

e científicos da exclusiva responsabilidade da Direção e

Coordenação Editorial;

• A revista “GESTÃO HOSPITALAR” integra publicidade,

organizada por espaços de páginas e/ou frações, desde que

aprovada pela Direção e Coordenação Editorial;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” garante que a publicidade,

reimpressão ou outras receitas comerciais não têm qualquer

impacto ou influência sobre as decisões editoriais;

• A revista “GESTÃO HOSPITALAR” é independente do

poder político, económico ou religioso;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” zela pelo cumprimento

rigoroso das normas éticas e deontológicas do jornalismo;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” reconhece que o processo

de revisão por pares é o cerne do sucesso da publicação,

pelo que assume o compromisso de melhoria do processo em

todos os aspetos da ética da publicação, especialmente nos casos

de suspeita de submissão duplicada ou plágio;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” tem uma periodicidade

trimestral;

• A Revista “GESTÃO HOSPITALAR” tem distribuição gratuita.

Entrevistámos Gerry O’Dwyer, na qualidade de Presidente

da Associação Europeia de Gestores Hospitalares

(EAHM), durante o 27º Congresso da Associação,

que decorreu no Estoril no passado mês de se-

De toda a equipa da GH, resta-nos desejar os votos

de um Feliz Natal e um Excelente Ano Novo. Em

2019, traremos novas leituras e novos formatos da

sua GH. Ã

4


GH sns

DESAFIOS DO

FINANCIAMENTO DA

SAÚDE EM PORTUGAL 1

António Correia de Campos

Presidente do Conselho Económico e Social

e Sócio Honorário da APAH

Um pouco de história

Como era o sistema público de saúde

na década de setenta, quando o

SNS surgiu?

Em 1970 apenas 56% dos cidadãos

dispunham de cobertura de saúde, os restantes pagavam

do seu bolso a totalidade ou uma porção da

conta hospitalar, estando isentos (“gratuitos”) se demonstrassem

a sua indigência em inquérito assistencial;

52% da população, trabalhadores por conta de

outrem e seus familiares, tinham uma cobertura hospitalar

completa e gratuita, com medicamentos, consultas

e exames prestados em postos das Caixas ou

por elas convencionados com farmácias e prestadores

privados; a ADSE cobria apenas 2% dos Portugueses

e outros subsistemas públicos e privados outros 2%.

Ao longo dos anos setenta o progresso foi brutal:

em 1974 já estavam cobertos pela Previdência 69%

das pessoas e 4% pela ADSE. Mas foi após o 25 de

Abril que mais depressa se avançou para a universalidade

do acesso: em 1978 a Previdência cobria 86%

dos cidadãos e a ADSE 11% 2 . Em maio desse ano,

um discreto despacho do Ministro António Arnaut

garantia o livre acesso de toda a população residente

aos postos médicos das Caixas e aos hospitais públicos.

Foi esse o ato decisivo.

A partir das reformas de 1971 3 , mas sobretudo a partir

de 1974, o papel do Estado mudou radicalmente:

de comprador de serviços passou a prestador direto:

se em 1968 o Estado respondia apenas por 19% dos

encargos de funcionamento dos hospitais distritais e

62% nos hospitais centrais, em 1980 os valores correspondentes

ascendiam, respetivamente, a 93 e 94%. Em

sentido inverso, se a Previdência Social, até ao 25 de

Abril tendia a aumentar as suas responsabilidades pelos

encargos com a saúde de beneficiários e familiares, ao

longo dos anos seguintes veio a reduzir cada vez mais

a sua função financiadora: de 55% dos encargos com

a Saúde em 1970, passou a 14% em 1978 e a 0% em

1980. Os seus recursos esgotavam-se nas pensões e

nos restantes benefícios sociais. Em menos de dez anos

o Estado viu-se na contingência de passar de responsável

supletivo em sexto lugar na ordem legal de prioridades,

a principal responsável pela saúde dos Portugueses.

O SNS foi gerado de parto natural, por não haver

melhor alternativa: uma rede pública de serviços, o

estatuto de funcionário para todos os trabalhadores,

a decisão da universalidade de acesso, uma malha de

serviços, mesmo que dispersa e irregular, o financiamento

totalmente a cargo do Estado haviam criado

uma fatalidade: não podia haver melhor modelo que o

de um SNS universal, geral e tendencialmente gratuito.

Acresce a pletora de formação de médicos em quantidade

mais do que suficiente para as necessidades e a

quase imperiosidade de lhes dar uma saída profissional,

a par da carência de enfermeiros e técnicos de saúde,

muito abaixo dos valores necessários. Intervenções

que só o Estado poderia facultar; o ambiente social

exigente que considerava o SNS, já proposto em 1974

pelos líderes do movimento militar, como um desiderato

irreprimível; a imediata adesão dos profissionais

que viram no SNS a possibilidade de realização profissional

plena 4 e na função pública o tranquilizante das

suas carreiras e futuras pensões. E, finalmente, mas

não menos importante, o Serviço Médico à Periferia

(SMP) 5 , constituído por um ano de serviço obrigatório

em concelhos do interior, sob a forma de equipas de

jovens médicos disponíveis e interessados em facultar

cuidados de saúde a populações de regiões medicamente

rarefeitas, sofrendo de escassa acessibilidade

aos cuidados de saúde curativos.

Quem paga a saúde dos Portugueses?

A prioridade que os Portugueses, coletivamente organizados,

estiveram dispostos a atribuir à Saúde foi sempre

muito elevada. Não se conhecem protestos pelo

muito que se gasta na Saúde, mesmo quando o dinheiro

não tenha sido bem utilizado, e são frequentes as

queixas sobre o subfinanciamento do SNS. Desde 1978,

os encargos com a saúde são pagos quer pelo Estado,

cobrando impostos aos contribuintes, quer através

de pagamentos antecipados ou posteriores ao serviço

prestado, no caso dos seguros e subsistemas. Os

seguros hoje existentes são todos cumulativos com

o SNS, isto é, o segurado não perde o acesso ao SNS

pelo facto de subscrever um seguro privado; os subsistemas,

na maioria públicos, foram historicamente

concebidos como complementos sociais para funcionários,

sendo estes também chamados a contribuir parcialmente.

O maior destes subsistemas, o da ADSE,

exclusivo de funcionários, familiares e pensionistas do

Estado, é hoje inteiramente coberto pela contribuição

dos beneficiários na proporção de 3,5% do vencimento

ou pensão 6 . Todavia, qualquer que seja o sistema

ou subsistema, de acordo com o princípio da universalidade,

todos os cidadãos beneficiam de comparticipação

do SNS nos medicamentos adquiridos

em farmácias.

A despesa corrente privada, toda a que não é paga pelo

Estado, tradicionalmente muito elevada em Portugal, flutua

ligeiramente em função das decisões governamentais

de financiar mais ou menos generosamente o SNS.

Quando o Estado restringe o gasto público com a saúde

quase sempre os cidadãos têm que pagar a diferença. }

6 7


GH sns


O COMPORTAMENTO

DA DESPESA PÚBLICA

APÓS A CRISE, DE 2015

PARA 2016, REVELA

AUMENTO DA DESPESA

CORRENTE DO SNS+SRS

EM +3,9%.


Ao longo deste século observaram-se atitudes diferentes

no Estado financiador. Independentemente da

boa ou má utilização dos recursos públicos, de 2000

a 2009 a despesa corrente total (pública e privada)

com a saúde cresceu sempre mais do que o PIB, de

8,4% até 9,9% do PIB, excetuando os anos de 2006 a

2008 em que o gasto público foi controlado, levando

o gasto total a reduzir-se para 9,1% do PIB em 2007.

O ano eleitoral de 2009 foi até hoje o ano de mais

elevado gasto corrente total (9,9%). A partir de então

e até aos anos mais recentes, o gasto total em saúde

no PIB baixou, atingindo 9,0% em 2017 7 .

Em 2016 a despesa corrente em saúde foi financiada,

fundamentalmente, pelo SNS e Serviços Regionais de

Saúde (57,0%), e pelas famílias (27,8%). Os subsistemas

de saúde públicos representaram 4,2%, as outras

unidades da administração pública 3,9% e as sociedades

de seguros 3,7%.

É anormalmente elevada a nossa proporção de gastos

privados com a Saúde. Portugal ocupava, nesse ano, o

5º lugar entre os Estados-Membros da União Europeia

com o menor financiamento da Saúde pelas administrações

públicas; ao invés, a importância relativa das despesas

privadas foi, no mesmo ano, a 7ª mais elevada.

A partir de 2000 passa a ser possível isolar na componente

não-SNS os encargos diretos dos cidadãos

(out of pocket), o que permite identificar o real esforço

das famílias no pagamento dos encargos com a saúde.

Este tem permanecido proporcionalmente estável

8

em relação ao gasto total: 27,5% em 2000, 27,0% em

2005 (tendo baixado de 28,1 em 2004) encontrandose

em 27,8%, em 2016. É possível que entre 2015 e

2017 a parte a cargo das famílias tenha baixado ligeiramente,

uma vez que a parte pública (SNS+SRS) tem

aumentado também ligeiramente: 66,2% em 2015,

66,4% em 2016 e 66,6% em 2017.

Quem presta os cuidados de saúde, em Portugal?

Em 2016, no conjunto do SNS e SRS, 53,1% destinavam-se

a hospitalização, 12,2% a cuidados em ambulatório,

13,1% a farmácias, 21,6% a outras despesas

(incluindo convenções). Regista-se ao longo dos

últimos quarenta anos, o aumento da importância

relativa da hospitalização, fruto da evolução das tecnologias

e do custo cada vez mais elevado dos novos

medicamentos e de bens médicos, de aplicação quase

exclusiva nos hospitais; a redução do peso relativo dos

medicamentos vendidos em farmácias, fruto do maior

controlo na prescrição, nos preços e do aparecimento

dos genéricos 8 .

O comportamento da despesa pública após a crise,

de 2015 para 2016, revela aumento da despesa corrente

do SNS+SRS em +3,9%, aumento de +5,2%

do financiamento de hospitais públicos e de +4,2%

a prestadores públicos em ambulatório, tendo a despesa

com farmácias aumentado +0,6%. Para 2017 estima-se

que a despesa do SNS e SRS continue a crescer,

agora 4,1% 9 .

Quanto à forma como as famílias gastam os recursos

que dedicam à saúde, em 2016, elas concentraram

a sua despesa nos prestadores privados (40,8% em

cuidados de ambulatório e 14,3% em hospitais), em

farmácias (24,0%) e bens médicos (10,3%).

Nos últimos anos a despesa corrente das famílias tem

vindo sempre a aumentar, pelo menos desde 2014:

+3,6% de aumento nesse ano, +3,4% em 2015 e

+4,5% em 2016. As causas desse aumento são atribuídas

a encargos com prestadores privados em ambulatório

(+6,5%) a dispositivos médicos (+4,2%) e a

gastos nas farmácias (+3,0%). Todavia, as estimativas

preliminares para 2017 dão sinal de uma desaceleração

da despesa corrente das famílias com a saúde

(+1,1%).

Terá sido o SNS público sempre bem gerido?

O SNS tem passado por períodos de boa e de menos

boa gestão. É natural que os primeiros anos a seguir

ao 25 de Abril sofressem do descontrolo dominante.

Os serviços foram tomados por coletivos de autogestão.

Com a oficialização dos hospitais das Misericórdias,

as camas hospitalares públicas passaram de

Novartis Portugal

Pharmaceuticals

45 para 83%. Dinamizar a política pública de saúde

passava pela existência de unidades hospitalares com

controlo estatal 10 .

Logo após o 25 de Abril, perante o agravamento das

dívidas da Segurança Social que de repente viu esfumada

a sua capitalização, o Estado viu-se obrigado a

canalizar recursos para cobertura das situações deficitárias,

embora sem anular os débitos da Segurança

Social. Segundo a opinião autorizada de Augusto Mantas

11 , ao verem-se em situações económicas ótimas,

sem perderem inteiramente de vista a possibilidade

de cobrança de dívidas à Segurança Social, as administrações

hospitalares entraram em alguma euforia 12 .

Os trabalhadores haviam sido aumentados logo em

maio de 1974 para o salário mínimo nacional e com a

entrada em regime de instalação de todos os serviços

com autonomia, as admissões de pessoal foram liberalizadas,

as obras e aquisições mais consentidas e o

controlo financeiro menos apertado e sempre tardio.

A primeira intervenção do Fundo Monetário Internacional,

decidida no segundo governo constitucional

(Mário Soares) viria a criar mecanismos de controlo

financeiro na despesa pública e a fazer baixar em 0,5%

o crescimento da despesa pública em saúde em relação

ao crescimento do PIB, entre 1976 e 1978 13 .

Fruto da dificuldade de planear a despesa corrente e

por maioria de razão o próprio investimento, os serviços

de saúde tornam-se extremamente vulneráveis à

indução da procura pela oferta. O que se revela particularmente

visível na tecnologia de diagnóstico, nos

modernos dispositivos médicos e nos medicamentos

alegadamente inovadores. Mas não só a tecnologia insuficientemente

avaliada impele o gasto. A evolução

do crescimento da despesa depende mais de fatores

externos aos serviços prestadores do que de fatores

endógenos resultantes de adequado planeamento. Os

hospitais estão expostos à pressão da despesa, induzida

por regimes remuneratórios que não controlam,

carreiras geridas a nível central, enorme marketing de

consumíveis e de serviços crescentemente adquiridos

ao exterior, ritmos de formação de profissionais especializados

e até à pressão das autarquias e demais

poderes locais para investimentos desenquadrados do

planeamento desejável. }

Alterar a prática da medicina

Na Novartis aproveitamos o poder inovativo da ciência para resolver alguns dos mais

desafiadores problemas de saúde na nossa sociedade. Os nossos investigadores trabalham

para ultrapassar as fronteiras da ciência, ampliar a nossa compreensão das doenças

e desenvolver novas terapêuticas em áreas cujas necessidades médicas ainda não foram

resolvidas. Temos paixão em descobrir continuamente novas formas de prolongar

e melhorar a vida dos doentes.

www.novartis.pt

NOV184/11/2017


GH sns


NÃO HÁ DINHEIRO A TEMPO

E HORAS PARA UMA GESTÃO

DINÂMICA E CAPACIDADE

NEGOCIAL E PODE HAVER

DINHEIRO MAL GASTO.


Quase nunca é possível basear a despesa em programas,

metas e resultados esperados, pois a política da

despesa é quase sempre decidida fora dos loci institucional

e até governamental 14 .

Acresce que, de forma crónica, a decisão política orçamental

sobre a Saúde é fragmentada no tempo 15 .

O momento essencial de decisão raramente coincide

com a discussão e aprovação do Orçamento na

Assembleia da República. O orçamento inicial pouco

tem a ver com o orçamento final e quase nunca coincide

com o gasto real. Orçamentos retificativos, regularizações

do défice e ampliações do capital social dos

hospitais EPE ocorrem em fase adiantada da execução

orçamental. O método tem-se revelado desastroso

para a boa gestão dos hospitais públicos. Não há dinheiro

a tempo e horas para uma gestão dinâmica e

competente capacidade negocial e porventura pode

até haver dinheiro mal gasto ou injustamente atribuído

aos que menos se esforçaram na contenção, penalizando

os mais disciplinados.

Nos tempos mais recentes, a reputação do SNS tem

sido abalada por notícias, reais, exageradas ou ficcionadas,

sobre carências de equipamentos, de pessoal

especializado, de condições para intervenção indispensável.

O clamor contra o que se considera suborçamentação

pública tem vindo a ser explorado até ao

infinito, por razões nem sempre descontaminadas do

interesse material. Mas não é normal, nem sustentável

por muito tempo, que os reforços pós-orçamento de

2016 tenham atingido quase 1500 milhões e as dívidas

a mais de 60 dias 300 milhões de euros, o que não

se dissipou em 2017, com reforços pós-orçamento

de 1150 milhões e cerca de 800 milhões de euros de

dívidas por liquidar.

Por que cresceu tanto e tão depressa o setor privado

em Portugal?

O setor privado cresceu sobretudo desde o início do

século. Constituíram-se grandes grupos que construíram

estabelecimentos hospitalares na faixa litoral, em

Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve, estando agora a verificar-se

o avanço desse investimento para o interior

(Viseu) e Regiões Autónomas (Funchal). Estas grandes

unidades caracterizam-se por um setor de internamento

relativamente limitado, um número muito elevado

de gabinetes de consulta externa, meios de diagnóstico

e terapêutica modernos e funcionais, e boas condições

para a prática de cirurgia programada ou eletiva (27%

de todas as cirurgias são hoje realizadas no setor privado).

E sobretudo condições hoteleiras em média

superiores às do setor público. No último decénio

disponibilizaram serviços de urgência que passaram a

acolher um grande número de situações correntes,

ainda que de reduzida gravidade. Dispõem de pessoal

médico privativo, pago por salários de nível superior

aos do setor público. Estas unidades celebram acordos

de tratamento com seguradoras e subsistemas, sendo

a ADSE um dos seus grandes clientes.

Em dez anos, entre 2006 e 2016, o número de leitos

privados subiu de 25 para 33% dos leitos totais,

atingindo agora 11.281. Em compensação, os hospitais

públicos (EPE e PPP) reduziram a sua lotação total de

27.531 para 24.056, em declínio constante, à exceção

de uma ligeira subida de 2015 para 2016 16 . As razões

desta redução são várias: encerramento de grandes

unidades públicas de psiquiatria, devido ao movimento

de desinstitucionalização 17 ; continuada redução das

demoras médias de internamento nos hospitais públicos,

fruto do crescimento da cirurgia de ambulatório;

alteração de práticas clínicas; aumento das altas de fim

de semana; e receio de doentes e pessoal perante a

infeção hospitalar.

O crescimento mais visível do setor privado deu-se nas

consultas externas, sobretudo de especialidade e nas

urgências. O setor privado passou de 20,6% para 34%

do total das consultas, ou seja, de 2.591 para 6.597 mil.

Nas urgências, o setor privado em dez anos aumentou

o atendimento de 600 mil a 1,2 milhões, duplicando

a sua produção. Claro que o setor público também

aumentou a sua produção no período, de 10 para 12,8

milhões de consultas e realiza ainda 6,5 milhões de urgências.

Mas sem acompanhar o ritmo do privado.

Nos meios complementares de diagnóstico e tratamento,

o setor público, de produção minoritária há

trinta anos, hoje realiza 90,4% dos exames de patologia

clínica e 76% dos de anatomia patológica; executa 73%

de todos os exames de imagem; na oferta de equipamentos

de diálise, tendo sido minoritário durante anos,

o setor público é hoje dominante (82%); quanto a endoscopias,

realiza apenas 48,5% do total de exames,

sendo a maioria (51,5%) realizada no setor privado.

Esta evolução de um setor público estagnante ou declinante

em importância relativa e de um setor privado

em crescimento sustentado desde há quase vinte anos

tem como reflexo uma lenta modificação dos padrões

de financiamento: tem vindo a ser reduzida a responsabilidade

do Estado, de 58,1% na média dos anos 2000

a 2003, a 57,2% em 2016. Em contrapartida, a responsabilidade

direta das famílias aumentou no mesmo

período, de 23,8 para 27,4%. As explicações para este

processo são certamente várias, mas podem concentrar-se

em duas categorias: deterioração da atratividade

do setor público e maior propensão para as famílias

despenderem do seu bolso recursos que antes não votavam

à saúde e que agora a ela têm que destinar.

Ao longo dos anos da crise e das restrições financeiras

que ela impôs ao setor público, muitos profissionais

experientes passaram para o setor privado, outros

reformaram-se antecipadamente e muitos jovens

plenos de energia emigraram para países onde foram

acolhidos com retribuições compensadoras. A crónica

suborçamentação dos hospitais públicos e o seu crescente

endividamento terão deteriorado a qualidade

da gestão, desmoralizado o pessoal, erodindo lentamente

o prestígio do SNS.

Por parte das famílias, as dificuldades de acesso ao

serviço público e talvez alguma melhoria do rendimento

disponível, a par do aumento da oferta

privada - que passou a praticar preços acessíveis a

segurados e beneficiários de subsistemas - determinaram

um movimento das classes média e média

alta de crescente procura de consultas e serviços

de ambulatório, cirurgia eletiva e até consultas de

urgência não grave, dirigida a unidades de hospitalização

privada.

Qual a razão por que todos desejam manter o SNS?

Os defeitos do SNS não impedem a sua elevada popularidade.

Tanto entre os seus defensores ideológicos

como entre os que de início contra ele se manifestaram.

Os profissionais, mesmo os que de início se opuseram,

como boa parte dos médicos, são hoje seus defensores

declarados. A estabilidade das carreiras, as regras

de relativa objetividade nas progressões, a aprendizagem

e experiência que o serviço público oferece, a

relativa liberdade de escolha de prática ao longo da

vida, oscilando entre a dedicação exclusiva e o tempo

parcial, permite-lhes combinar o que de bom tem o

serviço público, com retribuição privada sempre superior

e proporcional ao desempenho.

Para os fornecedores de bens e prestadores de serviços

contratados ao setor privado, o risco do pagamento

tardio é bem suprido pela estabilidade e garantia da

segurança do crédito. As convenções são acessíveis,

escassamente controladas na qualidade e na faturação.

Os investidores privados têm campo aberto. Não são

limitados por regras de densidade e as que existem

são facilmente ultrapassáveis. O pessoal treinado e

com experiência abunda no SNS, desmotivado pelos

baixos salários e ineficiente gestão. Atrair este pessoal

para o setor privado é tarefa fácil. Motivá-lo com retribuição

superior à do Estado e com incentivos por

desempenho torna-se trivial. Legislação contemporizadora

de conflitos de interesse foi sendo produzida

ao longo dos tempos, facilitando migrações.

O SNS tornou-se deste modo um enorme e inesgotável

armazém de recursos, de portas abertas, impossibilitado

pela estreiteza das regras de gestão pública

de competir com um setor privado progressivamente

inteligente, flexível, capaz de oferecer, em muitas áreas

clínicas cuidados de razoável qualidade, e certamente }

dispondo de organização que propicia acolhimento

ameno e reconfortante. }

10 11


GH sns


NA ALTERNATIVA REFORMISTA

O SNS É A PEÇA MESTRA

QUE GARANTE OS VALORES

E PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

DA UNIVERSALIDADE,

GENERALIDADE E TENDENCIAL

GRATUITIDADE.


Alternativas nas políticas públicas da saúde

Identificamos esquematicamente quatro alternativas

para o futuro do SNS e a sua relação com o setor privado:

a primeira, a que chamaremos mercantil, com

base na suposta capacidade de o mercado poder

fundamentar um sistema de livre escolha; a segunda,

a que chamaremos radical, consistiria em tentar tornar

público todo o sistema; a terceira chamemos-lhe

complacente, consiste em deixar correr tudo como

até aqui, nada fazendo, entregando o futuro do SNS

à tendência de lenta deterioração; a quarta, a alternativa

reformista, consiste em realizar um esforço para

evitar o declínio do SNS, reforçando-o de modo a

recuperar o seu prestígio e consolidar a segurança

que os Portugueses nele reconhecem.

Na alternativa reformista o SNS é a peça mestra

que garante os valores e princípios constitucionais

da universalidade, generalidade e tendencial gratuitidade.

O papel do Estado é simultaneamente o de

principal prestador e exigente regulador do privado

e do social, setores que devem ser vistos como integrando

o sistema público de saúde, ao lado do SNS

e complementando-o, como refere a Constituição,

devendo afastar-se qualquer forma de competição

entre os três setores. O SNS deverá ser planeado

através de uma carta de equipamentos de saúde e

não deixado às forças do mercado, pelo que o Estado

terá que simultaneamente planear o investimento

público e o privado, segundo regras de densidade de

cobertura compatíveis com uma distribuição equitativa

do investimento. Não deveria ser aceite investimento

privado que não se baseasse em certificação

de necessidades e não apenas no mercado, dado reconhecer-se

que este tende a induzir procura desigual

e desnecessária. Os certificados de necessidade

seriam propostos pelas autoridades municipais, sob

coordenação regional e decididos pelas autoridades

de saúde. O financiamento da despesa corrente em

saúde será misto, entre o Estado (SNS e SRS), restante

setor público, ADSE, seguros e subsistemas

privados e as famílias, devendo tender sempre para a

redução da excessiva carga que hoje impende sobre

as famílias. Algumas unidades privadas poderão receber

transitoriamente financiamento público pelos

serviços que prestam ao SNS, enquanto este não tiver

completado a sua malha de serviços e meios técnicos

especializados. A gestão do SNS está a cargo

de pessoal com estatuto de função pública, a gestão

das unidades privadas obedece às regras próprias de

cada empresa. Todavia, nas parcerias público-privadas,

enquanto se mantiver a gestão clínica privada,

a responsabilidade de gestão das unidades é inteiramente

privada, ainda que contratualizada anualmente

e controlada localmente pelo SNS. O SNS tem de

reunir capacidades para, terminados os períodos de

gestão clínica inicial das parcerias, a substituir por gestão

pública. A terciarização de serviços clínicos deve

ser progressivamente substituída por pessoal recrutado

em regime de contrato de trabalho sem termo.

O pessoal do setor privado manterá o seu regime

contratual próprio. O SNS terá de garantir a todo o

seu pessoal um mínimo legal de formação. O setor

privado manterá total liberdade de recrutar colaboradores

em idade ativa, com experiência e prestígio

profissional adquiridos no setor público, desde que

indemnize o SNS pelos encargos com a formação

pública. O SNS está obrigado a ceder terrenos de

estágio e condições para investigação a cargo das

instituições de ensino superior e laboratórios do Estado,

o setor privado passará a ter idêntica obrigação

pública. O setor privado passará a ter obrigações de

serviço público para abrir e manter serviços de atendimento

permanente e especialidades dispendiosas,

cumprindo regras de densidade de profissionais para

a prática organizada da medicina, enfermagem e outras

profissões de saúde, em condições correspondentes

aos estabelecimentos públicos de dimensão

e funções equiparadas.

Conclusão

O debate sobre o futuro do SNS é um dos mais interessantes

temas de políticas públicas, neste momento.

Muita vida ocorreu nestes quarenta anos. Razões demográficas,

sanitárias, científicas, económicas, culturais

e sociais foram registadas e influenciaram as determinantes

da saúde e naturalmente o sistema construído

para a defender e promover. O SNS de 2020 não

será certamente o de 1980. Muita coisa mudou.

Os especialistas recomendam que as reformas em

setores que tão perto tocam nas pessoas, como é o

caso da Saúde, devam ser realizadas com imenso cuidado.

Não há reformas radicais bem sucedidas, nem

tão pouco se deve deixar passar o tempo das reformas

sem atuar. As boas reformas, aquelas que perduram,

tendem a ser feitas “na margem”, isto é, no

aproveitamento de cada ocasião, insignificante que

seja, para orientar o sistema na direção que maior

sufrágio recolha a prazo. E sobre isso não há dúvidas:

o SNS está bem sufragado quer pelos Portugueses,

quer pelos partidos e forças sociais em que a sociedade

se organiza.

Na alternativa reformista que defendemos, o sistema

pode ser modernizado sem trauma, os seus princípios

e valores, os da Constituição, reforçados e mais bem

garantidos. As reformas propostas não são exclusivas

mas inclusivas, Não destroem os parceiros do SNS,

não corroem o setor público, não rompem com os

sucessos passados. Pelo contrário, elas permitem de

forma transparente e anunciada corrigir o que está

mal e promover as condições que levaram ao sucesso

do SNS. São propostas equilibradas, modernas, respeitam

princípios e valores e direitos dos cidadãos

sem esquecer os que dedicaram a sua vida ao SNS

e à saúde dos Portugueses. O mercado não é hostilizado,

mas regulado. O Estado não é endeusado,

mas utilizado nas funções estratégicas e reguladoras

que lhe incumbem num estado de direito. Os cidadãos

deverão dispor de voz ativa e poderosa. Aos

profissionais devem ser oferecidas condições que lhes

permitam garantir o respeito da comunidade sempre

que coloquem ao serviço dela o seu saber e talento,

o que lhes grangeia uma realização cívica devidamente

recompensada por pagamento ajustado ao desempenho.

Se o SNS até hoje sobreviveu e conquistou a

simpatia dos que nele trabalham, se na sua própria génese

os profissionais tiveram um papel de grande relevo,

com o Relatório das Carreiras Médicas de 1966 e

muitas outras decisões exemplares, qualquer reforma

do SNS terá de honrar os que a ele se dedicaram,

facultando condições para melhor e mais qualificado

exercício profissional. Ã

1. Intervenção na Conferência “Financiamento, fórmula para o futuro”,

organizada pela QVIA, ROCHE e APAH, em Lisboa, na Fundação Calouste

Gulbenkian, em 10 de outubro de 2018.

2. Campos, A. Correia de, Giraldes, M. do Rosário, Theias, M. Margarida

M., e Almeida, M. Odete, Gastos públicos com a saúde em Portugal

(1970-78), Análise Social, vol. XVII (65), 67-104.

3. Sendo Baltazar Rebelo de Sousa ministro das Corporações e da Saúde.

4. Foi assinalável o contributo da profissão médica organizada na respetiva

Ordem para a disseminação do conceito de uma organização integral

da saúde, de natureza pública que explicitamente referiram como

um serviço nacional de saúde (SNS). O movimento que deu origem ao

Relatório das Carreiras Médicas, aprovado em 1961 mas só divulgado

em 1966, constituiu um fator essencial de divulgação e acolhimento, por

parte da classe médica, dos atributos da universalidade, generalidade e

gratuitidade do SNS.

5. O SMP foi criado em 1975 pela Direção Geral de Saúde, sendo em

grande parte administrado ao nível distrital e local, tendo os sucessivos

cursos médicos em autogestão, um papel importante na distribuição

dos clínicos pelo País. Ao longo de meia dúzia de anos, o efeito do SMP

foi duplo: prestou cuidados modernos a uma população negligenciada

e familiarizou os futuros clínicos com a realidade social e económica do

País interior, tendo efeitos visíveis no aumento imediato da procurautilização

de cuidados e na melhoria dos indicadores mais relevantes de

ganhos em saúde.

6. As perspetivas de sustentabilidade financeira da ADSE são muito

reduzidas. À data em que escrevemos, outono de 2018, admite-se a

possibilidade de o auto-financiamento da ADSE ser insuficiente para o

ritmo de acréscimo de despesa, já a partir de 2019.

7. INE, Conta Satélite da Saúde, 28.06.2018.

8. A redução do peso relativo do ambulatório terá a ver com a separação

contabilística dos encargos com convenções, antes incluídas em

“outras despesas”.

9. INE, Conta Satélite da Saúde, 26.06.2018.

10. Campos, A. Correia de, Saúde, o custo de um valor sem preço, Ed. Port.

Liv. Técnicos e Científicos, Lisboa, 1983.

11. Campos, A. C. e Simões, J., (coord.), 40 anos de Abril na Saúde, Almedina,

p. 38. Augusto Mantas foi ao longo de quase duas décadas o gestor

financeiro do sistema público de saúde em Portugal, tendo ocupado os

cargos de inspetor superior de gestão hospitalar, diretor-geral dos hospitais

e presidente do Instituto de Gestão Financeira da Saúde.

12. Campos, A. Correia de, Saúde, o custo de um valor sem preço, Ed. Port.

Liv. Técnicos e Científicos, Lisboa, 1983.

13. Campos, A. Correia de, La Santé et les Politiques Economiques.

Le cas récent du Portugal, Journal d’Economie Médicale, 1984, T.2, nº2

– 107-124.

14. Campos, A. Correia de e Ramos, F., Contas e Ganhos na Saúde em

Portugal. Dez anos de percurso, Desafios para Portugal: Seminários da

Presidência da República: Casa das Letras, 2005, (159-223).

15. Campos, A. Correia de e Ramos, F., Contas e Ganhos na Saúde em

Portugal. Dez anos de percurso, Desafios para Portugal: Seminários da

Presidência da República: Casa das Letras, 2005, (159-223).

16. V. para toda esta seção, INE Destaque, Dia Mundial da Saúde, 7 de

Abril, 2018.

17. Em compensação, os doentes crónicos são acolhidos no setor privado,

em congregações religiosas de há muito para tal vocacionadas, praticado

demoras médias de internamento muito mais longas (182 dias) que

as do setor público (24,1 dias).

12 13


GH FINANCIAMENTO

3F FINANCIAMENTO,

FÓRMULA PARA

O FUTURO

'

sença em entidades governamentais, instituições

hospitalares, universidades, indústria farmacêutica,

ordens profissionais e associações de doentes foram

convidados a participar nesta discussão.

Destas sessões de trabalho resultaram 10 recomendações

essenciais para a melhoria do modelo de organização

e de financiamento do Serviço Nacional de Saúde. Resultaram

igualmente 90 iniciativas que possuem diferentes

âmbitos de intervenção como a gestão integrada

da doença, a educação para a saúde, a informatização,

os registos e resultados, os profissionais de saúde,

a gestão hospitalar e o sistema de saúde, que por

sua vez podem ser agrupadas em quatro dimensões:

Resultados em Saúde, Integração de Cuidados, Gestão

da Doença e Prevenção e Promoção da Saúde.

Os últimos anos têm sido marcados

por uma forte diminuição da despesa

em saúde. A redução da despesa

corrente, apoiada num decréscimo

das verbas provenientes

do orçamento de estado e em parte amenizada pelo

aumento das contribuições das famílias, resultou num

sistema de saúde suborçamentado.

Estas medidas de restrição económica limitaram a gestão

das unidades de prestação de cuidados de saúde

em Portugal, o que, cumulativamente com as ineficiências

de organização da rede de cuidados, revelam

uma assimetria no acesso aos cuidados de saúde e

colocam em causa a qualidade da prestação e a sustentabilidade

do sistema. Dada a evolução demográfica

da população e o custo com as novas tecnologias

e inovação, a despesa em saúde será progressivamente

maior, pelo que se torna premente identificar

soluções que permitam responder aos desafios do

presente com os olhos postos no futuro.

O Projeto 3F - Financiamento, Fórmula para o Futuro

é uma iniciativa da Associação Portuguesa de

Administradores Hospitalares que nasce da necessidade

de repensar o modelo de financiamento enquanto

ferramenta fundamental na modelação do

sistema de saúde.

Esta iniciativa desenvolveu-se em três fases sequenciais,

com início em junho de 2017, e contou com

a participação de diferentes especialistas na área da

saúde. O objetivo passou por reconhecer os principais

obstáculos que afetam o financiamento dos

hospitais do Serviço Nacional de Saúde, identificar

ineficiências na rede de prestação de cuidados e desenvolver

possíveis soluções que permitam a melho-

ria e evolução do modelo de prestação de cuidados

de saúde em Portugal.

Análise do sistema de saúde português

Numa primeira fase foi realizada uma análise do sistema

de saúde português, com foco no seu modelo

de organização e financiamento.

De seguida, e após uma análise quantitativa e qualitativa

dos países europeus, foram selecionados onze

países para um estudo mais detalhado, tendo por base

a organização do seu sistema de saúde e o seu modelo

de financiamento.

Este estudo relevou-se de essencial importância na identificação

de boas práticas que pudessem constituir soluções

aos problemas atuais do sistema de saúde português

e que foram transportados para as sessões de trabalho

de discussão do modelo de financiamento.

Discussão do modelo de financiamento

A análise ao sistema de saúde português e a sua

comparação com o modelo de organização e financiamento

dos demais países europeus permitiu a

identificação de três pilares fundamentais que constituíram

a base da discussão.

O Acesso, os Resultados em Saúde e a Sustentabilidade

foram então os temas que deram o mote

às sessões de trabalho, realizadas num formato que

incentivasse a partilha de opiniões e experiências e a

construção de possíveis soluções.

Diferentes especialistas do setor da saúde com pre-

Resultados em Saúde

Integração de Cuidados

Gestão da Doença

Prevenção e Promoção

da Saúde

Desenvolvimento dos projetos-piloto

As iniciativas resultantes da fase anterior permitiram a

estruturação de dois projetos-piloto que foram posteriormente

discutidos em sessões de trabalho e se encontram

agora na sua fase de implementação.

Projeto-piloto FAROL: Implementação de um modelo

de financiamento baseado na medição de indicadores

clínicos e não clínicos e na gestão integrada da

doença no tratamento do cancro do pulmão no

IPO Porto.

O projeto-piloto FAROL, com foco nos Resultados

em Saúde e na Gestão Integrada da Doença, consiste

no desenvolvimento de um modelo de financiamento

centrado na medição de resultados com

incentivos associados à qualidade.

Este projeto-piloto está a ser desenvolvido no IPO

Porto no âmbito da patologia do cancro do pulmão

e permitirá medir os resultados em saúde (clínicos

e relativos à experiência do doente) ao longo de

todo o percurso do doente e determinar o custo

real de tratamento. Com este projeto-piloto serão

dados os primeiros passos para a implementação do

modelo de Value-Based Healthcare em Portugal.

Com o projeto-piloto FAROL será possível determinar

a qualidade assistencial, comparar o custo real de

tratamento do doente com Cancro do Pulmão com }

14 15


GH FINANCIAMENTO

Quadro1: Projeto-piloto FAROL: Implementação de um modelo de financiamento baseado na avaliação do custo real de tratamento com incentivos associados à qualidade assistencial.

Quadro 2: Projeto-piloto POLARIS: Implementação de um modelo de financiamento baseado na capitação com o desenvolvimento de iniciativas destinadas à prevenção da doença

e à promoção da saúde na área de influência do CHTMAD.

o preço compreensivo atribuído pela ACSS e testar

diferentes modelos de incentivos que premeiem as

instituições que apresentem melhores resultados.

Projeto-piloto POLARIS: implementação de um modelo

de financiamento de base populacional focado na

integração de cuidados e na prevenção da doença e

promoção da saúde.

O projeto-piloto POLARIS foca-se na Integração

de Cuidados e na Prevenção da Doença e Promoção

da Saúde no Centro Hospitalar de Trás-os-

Montes e Alto Douro (CHTMAD). Serão desenvolvidas

quatro iniciativas essenciais para a gestão

coordenada entre Cuidados de Saúde Primários e

Secundários, com impacto ao nível do acesso aos

serviços de saúde, na governação das instituições e

na proximidade ao cidadão.

Através do POLARIS será possível testar um modelo

de financiamento de base populacional, que

será comparado com os atuais orçamentos (baseados

em capitação e em atividade) das unidades

de Cuidados de Saúde Primários e Secundários na

área de influência do CHTMAD. Neste âmbito

serão identificados os custos de estrutura do

CHMAD, de modo a discriminar os custos fixos

dos custos relativos à atividde e determinar o valor

de capitação adequado tendo em conta o contexto

da instituição.

Próximos passos

Os projetos-pilotos estruturados encontram-se

agora na sua fase de implementação. Estes materializam

o objetivo primordial do Projeto 3F – Financiamento,

Fórmula para o Futuro: o desenvolvimento,

implementação e avaliação de diferentes modelos

de organização e de financiamento com valor para

o doente, para os profissionais e para o sistema de

saúde com possível replicação nos restantes hospitais

portugueses.

O 3F é uma iniciativa da APAH, Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares, com o apoio

da Roche e desenvolvimento da IQVIA.

10 recomendações do Projeto 3F:

1. Reforço do Papel dos Cuidados de Saúde Primários

O desenvolvimento de novas competências ao nível

dos Cuidados de Saúde Primários é preponderante

para reforçar o seu papel como primeira linha de

resposta do Serviço Nacional de Saúde e contribuirá

para uma utilização mais racional dos serviços e

um melhor acompanhamento do doente.

2. Interligação dos Cuidados de Saúde Primários, Cuidados

de Saúde Secundários e Cuidados Continuados

A definição de estratégias e objetivos transversais

a todos os níveis de prestação de cuidados, privilegiando

uma colaboração ativa, uma decisão conjunta

e uma partilha adequada de recursos são fundamentais

para tornar o doente a unidade-resultado

do sistema de saúde.

3. Desenvolver a Rede de Suporte ao Doente

A existência de uma estrutura de suporte ao doente

na comunidade que consagre em si uma intervenção

clínica e não clínica é fundamental para garantir

a adequada gestão da doença e a eficiência do sistema

de saúde.

4. Promover o Papel dos Cidadãos no Sistema de Saúde

O cidadão é o elemento central da prestação de

cuidados. Enquanto beneficiário de cuidados de

saúde, deve estar capacitado a gerir a sua própria

doença; enquanto contribuinte deve possuir o conhecimento

necessário para desempenhar um papel

ativo como agente da mudança na melhoria do

sistema de saúde.

5. Sistemas de Informação como Suporte à Gestão

e à Prática Clínica

A interoperabilidade entre os sistemas de informação

é essencial para garantir a centralização da


informação e tornar possível a comparação entre

instituições e a melhoria da prática clínica.

6. Medição de Resultados como Motor da Melhoria

dos Cuidados Prestados

A introdução da medição de resultados, centrados e

valorizados pelo doente, com a participação de todos

os intervenientes da cadeia de valor das instituições

de saúde revela-se indispensável para compreender

É O RESULTADO DA

a qualidade e eficiência dos serviços prestados.

7. Transparência & Benchmarking entre Instituições

A disponibilização de informação relativa ao desempenho

das instituições e à qualidade dos serviços

COLABORAÇÃO

prestados é indispensável para a responsável e consciente

decisão do cidadão na escolha por determinada

instituição hospitalar.

8. Autonomia e Responsabilização da Gestão Hospitalar

A adoção de uma gestão hospitalar e uma prestação

de cuidados de saúde menos dependente de

processos administrativos é imperativa, privilegiando

a autonomia e a responsabilização dos gestores hospitalares

pelos resultados obtidos. Estas medidas são

vitais para garantir a qualidade e eficiência da rede

de cuidados de saúde.

9. Um Novo Modelo de Alocação de Recursos Financeiros

para a Saúde

O desenvolvimento de um modelo de financiamento

vertical e integrado, com definição de objetivos

comuns aos diferentes níveis de prestação de cuidados,

assente na medição de resultados, com a va-

A TORNAR A SAÚDE

lorização da participação do cidadão e o incentivo UMA PRIORIDADE.

às melhores práticas em saúde é fundamental para


responder aos desafios da saúde.

10. Confiança no Sistema de Saúde

É fundamental implementar o diálogo e a confiança

entre os diferentes ministérios e organizações associadas

à saúde. Apenas com um trabalho conjunto https://apah.pt/

Mais informações em:

de todos os parceiros políticos, sociais e económicos

Reportagem Fotográfica:

será possível tornar a saúde uma prioridade. Ã https://justnews.pt/

3F – FINANCIAMENTO,

FÓRMULA PARA O FUTURO

DE DIFERENTES ESPECIALISTAS

E ENTIDADES DO SETOR,

ACREDITANDO QUE APENAS

COM UM OLHAR ATENTO

SOBRE A SAÚDE E UM FORTE

COMPROMISSO ENTRE TODAS

AS PARTES SE VOLTARÁ

16 17


GH iniciativa apah

PRÉMIO HEALTHCARE

EXCELLENCE 2018

DISTINGUIU PROJETOS

INOVADORES EM SAÚDE

Margarida França

Presidente do Júri do Prémio

Healthcare Excellence

A

iniciativa Healthcare Excellence, que

a Associação Portuguesa de Administradores

Hospitalares (APAH)

promove desde 2014 em parceria

com a biofarmacêutica AbbVie, visa

premiar as iniciativas e as boas práticas de gestão de

serviços de saúde implementadas durante o ano anterior.

Ao longo destes anos a adesão ao Prémio tem

sido crescente, com um grande número de projetos

candidatos que evidenciam claramente a dinâmica e a

qualidade do trabalho que todos os dias é desenvolvido

nas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Projetos que procuram superar limites, que revelam ser

verdadeiros casos de sucesso com ganhos relevantes

para os doentes. São, muitas vezes, ideias aparentemente

simples, fáceis de implementar, que exigem pouco ou

nenhum investimento financeiro, mas que geram um

elevado retorno quer para a sustentabilidade do SNS,

quer para o bem-estar dos doentes e das suas famílias.

Falamos, por exemplo, de práticas implementadas nas

unidades de saúde que possibilitaram diminuir o tempo

médio de internamento após cirurgias, acelerar o

processo de reabilitação de doentes vítimas de AVC

e EAM ou facilitar o acesso aos serviços de saúde dos

utentes através das plataformas digitais. Temos consciência

de que frequentemente os problemas são

comuns às várias unidades de saúde o que concorre

também para um dos objetivos do Healthcare Excellence,

designadamente reconhecer, premiar e replicar

boas práticas. Este é o desafio que queremos fazer a

todos os gestores de serviços de saúde: que olhem

para os bons exemplos que temos em Portugal e

promovam a sua adoção e adaptação nas suas instituições.

O Healthcare Excellence assume-se assim como

um ponto de partida para a criação de um verdadeiro

network das várias instituições do SNS para a partilha de

boas práticas e das suas estratégias de implementação.

A edição 2018 do Prémio Healthcare Excellence recebeu

um total de 16 candidaturas, provenientes de instituições

de saúde de norte a sul do país, de entre as quais foram

selecionadas pelo Júri 6 candidaturas para apresentação

pública na Reunião Final do Prémio Healthcare Excellence

2018, que decorreu no passado dia 19 de outubro,

na Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos

no Porto. Entre os finalistas estiveram projetos do Centro

Hospitalar de Lisboa Central + Agrupamento de

Centros de Saúde (ACeS) Lisboa Central, do Hospital

Garcia de Orta + ACeS Almada Seixal, do Instituto

Português de Oncologia do Porto, do Centro Hospitalar

da Cova da Beira, da Unidade Local de Saúde do

Norte Alentejano e do Instituto Nacional de Emergência

Médica (INEM).

A avaliação dos projetos, que teve como critérios a

inovação e a replicabilidade, esteve a cargo do Júri presidido

por mim e constituído por Delfim Rodrigues (administrador

hospitalar do Hospital Senhora da Oliveira

Guimarães, E.P.E.), Sofia Mariz (administradora hospitalar

da Administração Central do Sistema de Saúde,

I.P.) e Dulce Salzedas (jornalista da SIC).

INEM, IP vence Prémio Healthcare Excellence 2018

com Projeto “Via Verde Reanimação”

O projeto “Via Verde Reanimação” apresentado pelo

INEM, foi o grande vencedor da 5ª edição do Prémio

Healthcare Excellence. A “Via Verde Reanimação” começou

como projeto-piloto em 2016, no Centro

Hospitalar de São João, no Porto, e tem como principal

objetivo aumentar o número de vidas salvas em

situações de paragem cardiorrespiratória. Não sendo

possível recuperar a vida, o projeto possibilita a preservação

de órgãos para transplante.

Coube ao INEM participar na definição dos circuitos,

nomeadamente na referenciação dos doentes em paragem

cardiorrespiratória, disponibilizar compressores

cardíacos externos nas viaturas médicas de reanimação

(VMER) e garantir a formação dos profissionais

médicos e enfermeiros que tripulam as VMER e dos

médicos dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes

(CODU).

Num ano de projeto-piloto, de 36 casos de paragem

cardiorrespiratória encaminhadas pelo INEM, foram

recuperadas 4 vidas, feitas 44 doações e realizados 33

transplantes renais. Números que superaram largamente

a expectativa inicial do projeto.

Depois do sucesso do projeto-piloto, foi já aplicada a

mesma metodologia na região da grande Lisboa, envolvendo

dois centros hospitalares e está prevista a

implementação do projeto no Centro Hospitalar

Universitário de Coimbra. Em 2018, tendo em mente

a expansão nacional da “Via Verde Reanimação”, o

INEM investiu igualmente na aquisição de compressores

para a totalidade dos meios SAV em Portugal Continental

(42 VMER e 4 helicópteros) e na formação dos

operacionais das VMER, SHEM e médicos do CODU.

Devido à elevada qualidade dos trabalhos finalistas

da 5.ª edição do Prémio Healthcare Excellence, o Júri

decidiu ainda atribuir duas menções honrosas.

A primeira menção honrosa foi para o projeto “Utilizadores

Frequentes do Serviço de Urgência do Hospital

Garcia de Orta” da autoria do Hospital Garcia

de Orta e do ACeS Almada-Seixal. Este projeto baseia-se

na implementação de um plano de intervenção

integrado e articulado entre instituições para redução

do número de episódios de utilizadores muito

Vencedor Prémio Healthcare

Excellence 2018

“Via Verde Reanimação”

Instituto Nacional de Emergência Médica, I.P. (INEM)

1.ª Menção Honrosa

“Utilizadores Frequentes do Serviço de Urgência do

Hospital Garcia de Orta”

Hospital Garcia de Orta, E.P.E. e Agrupamento

Centros de Saúde Almada-Seixal

2.ª Menção Honrosa

“Telemonitorização de doentes com insuficiência

cardíaca crónica”

Centro Hospitalar da Cova da Beira, E.P.E.

frequentes das urgências hospitalares (utentes que

realizam mais de 10 episódios em 12 meses).

Houve ainda lugar à atribuição de uma segunda menção

honrosa para o Centro Hospitalar da Cova da Beira,

pelo projeto desenvolvido de “Telemonitorização de

doentes com insuficiência cardíaca crónica (ICC)”. Este

projeto consiste num sistema inovador de acompanhamento

remoto de utentes com suporte a tecnologia de

comunicação digital e a dispositivos de medição de parâmetros

vitais, com o objetivo principal de monitorizar

e melhorar a qualidade de vida dos doentes com ICC.

Com a implementação deste projeto tem sido possível

contribuir para a deteção precoce de episódios de descompensação,

diminuir e prevenir hospitalizações, bem

como reduzir custos através da diminuição de episódios

de urgência, internamentos e consultas presenciais.

Por último, cumpre realçar a elevada adesão à iniciativa

Healthcare Excellence e a qualidade dos projetos

apresentados, demonstrativos da dinâmica e

da enorme capacidade das instituições do SNS se

reinventarem, procurando soluções alternativas de

organização do trabalho e respostas inovadoras para

melhoria da qualidade dos serviços prestados.

Esperamos que as iniciativas apresentadas sirvam de

inspiração e que motivem outras instituições de saúde

a replicar os projetos premiados. A excelência, a

qualidade e a inovação na gestão da saúde em Portugal

existem e o Prémio Healthcare Excellence constitui

um excelente meio de as evidenciar e divulgar. Ã

Mais informações em:

http://apah.pt/eventos/premio-healthcare-excellence/

18 19


'

GH VIA VERDE REAnImAÇÃO INEM

UNIR ESFORÇOS

PARA SALVAR VIDAS

Raquel Ramos

Anestesista do Hospital de Cascais,

Responsável do Departamento de Emergência Médica do INEM

Filipa Barros

Internista, Intensivista do Hospital de Cascais,

Departamento de Emergência Médica do INEM

A

paragem cardiorrespiratória (PCR)

afeta milhões de pessoas em todo

o mundo. Em Portugal, só em

2017, foram registadas 15.700 destas

emergências médicas. Pela sua

gravidade e imprevisibilidade, trata-se de um evento

que tem um forte impacto clínico. Dado que a

maioria das PCR ocorre fora do hospital, a resposta

envolve vários atores em torno de um objetivo comum:

salvar vidas.

Em resposta às situações de PCR o INEM tem investido

em várias frentes, como por exemplo na

formação em suporte básico de vida, dinamizando

a formação nas escolas e em eventos de masstraining

e promovendo a existência de desfibrilhadores

automáticos externos (DAE) em locais de

acesso público. Tem promovido também a formação

em suporte avançado de vida das equipas de

emergência, equipando os meios Suporte Imediato

de Vida (SIV) e Suporte Avançado de Vida (SAV)

com recursos equiparáveis aos que existem numa

sala de emergência hospitalar.

Ao longo dos anos têm-se igualmente acompanhado a

evolução do conhecimento em ressuscitação cardiorrespiratória.

Nesse sentido tem-se adaptado toda a

formação e a prática às atualizações internacionais.

Em 2015 o European Ressuscitation Council1 1 e a

American Heart Association 2 publicaram orientações

sobre a utilização de ECMO-VA (Extracorporeal

Membrane Oxygenation Veno-Arterial) na PCR, com

resultados favoráveis em situações especificas 3 . Este

procedimento é denominado como E-CPR (Extracorporeal

cardiopulmonar ressuscitation) traduzível

para português como ressuscitação cardiopulmonar

extracorpórea e tem sido defendido em múltiplas

publicações internacionais 4, 5 .

Foi neste contexto que o INEM, assumindo o compromisso

de salvar vidas, se aliou ao Ministério da

Saúde (MS), Instituto Português do Sangue e da

Transplantação (IPST) e Unidades de Saúde para

realizar melhor ressuscitação cardiopulmonar. O

objetivo é possibilitar a sobrevivência de alguns dos

candidatos a E-CPR 6 e dignificar a morte dos restantes

7 , na continuidade da vida através do aumento

de órgãos disponíveis à doação.

No entanto, a Via Verde Reanimação, só pôde ser

desenvolvida em Portugal após a publicação do

despacho nº 14341/2013, de 6 de novembro, que

permitiu a colheita de órgãos em dadores em paragem

cardiocirculatória. Foi assim criado o ambiente

legislativo nacional que permitiu o desenvolvimento

deste projeto 8 .

Na impossibilidade de ter um médico junto a cada

cidadão, o INEM tem investido esforços para garantir

uma resposta imediata (SBV, DAE), sequencial

(SIV e SAV) até um patamar de excelência (encaminhamento

para ECMO-VA potenciais candidatos),

salvando vidas.

Nesta sequência e face à vontade de introduzir o

E-CPR em Portugal, foi definido um plano de implementação

não descurando a otimização do binómio

custo/benefício envolvendo o INEM, Centro Hospitalar

de São João (CHSJ), MS e o IPST. O INEM assumiu

neste projeto um importante papel na definição

dos circuitos, na disponibilização dos compressores

mecânicos, garantindo a formação dos operacionais,

monitorizando e avaliando resultados.

Este plano incluía também a realização de um projetopiloto

que permitisse analisar a capacidade das diferentes

entidades de responder adequadamente ao

solicitado, auditar e otimizar circuitos. Tal foi fundamental

para a validade e sustentabilidade do projeto.

Utilizando uma metodologia de melhoria contínua,

foram definidas as seguintes etapas:

1. Após o despacho nº 14341/2013 publicado em

Diário da República, de 6 de novembro de 2013 9 ,

que versa sobre colheita de órgãos e transplantação,

ocorreram reuniões com o MS e o IPST para

definição de procedimentos e circuitos. Este trabalho

ficou vertido no documento “Operacionalização

do Programa de Colheita de Órgão em Paragem

Cardiocirculatória” 10 a 23 de dezembro de

2014 no qual o INEM I.P. assume papel de relevo no

âmbito das suas competências.

2. Definição do projeto-piloto com a elaboração e

aprovação de documento enquadrador de melhoria

de resposta a PCR e maximização de colheita

de órgãos em dador em paragem cardiocirculatória

- Documento de consenso “Paragem Cardiorespiratória

refratária e colheita em dador em paragem

Cardiocirculatória não controlada” 11 , datado de 26

de agosto de 2016. }

20 21


'

GH VIA VERDE REAnImAÇÃO INEM

Ciclo PDCA Atividade Entidade Responsável Datas

PLAN

Elaboração e aprovação de documento enquadrador

IPST

31/08/2016

de melhoria de resposta a PCR e de maxi-

mização de colheita de órgãos em DPCC

CHSJ

INEM

Ministério da Saúde

(SEAS)

PLAN

Aquisição de dispositivos médicos de compressão

cardíaca mecânica

INEM 15/09/2016

PLAN

Formação sobre fluxograma de atuação e utilização

de dispositivos médicos de compressão cardíaca

mecânica das equipas de emergência médica

pré-hospitalar

3. Aquisição de dispositivos médicos de compressão

cardíaca mecânica pelo INEM.

4. Formação sobre fluxograma de atuação e utilização

de dispositivos médicos de compressão cardíaca

mecânica das equipas de emergência médica

pré-hospitalar.

5. Inicio de atividade de projeto-piloto envolvendo

o INEM, IPST e o CHSJ.

6. Reunião de monitorização de atividade/indicadores

entre o INEM, IPST e o CHSJ.

7. Expansão da atividade a nível nacional, sustentada

no despacho nº 6669/2017 nº1 alínea e) 12 em que

são reconhecidos pelo Ministério da Saúde os centros

de referência em ECMO.

O projeto-piloto Região Norte

Sabendo que a maioria das PCR potencialmente elegíveis

para E-CPR ocorrem fora das unidades hospitalares,

o papel do INEM é preponderante na identificação

das mesmas. Sequencialmente é necessário

manter estes doentes sob compressões torácicas

mecânicas até à sala de reanimação hospitalar.

Assim, o projeto-piloto iniciado na região Norte foi

desenvolvido em torno do centro de ECMO do

Hospital de São João, dado o CHSJ dispor de programa

de ECMO e suporte circulatório mecânico

CHSJ

INEM

DO Inicio de atividade do projeto-piloto CHSJ

INEM

IPST

CHECK Reunião de monitorização de atividade/indicadores CHSJ

INEM

IPST

ACT Expansão da atividade a nível nacional Ministério da Saúde

(SEAS)

INEM

IPST

CHSJ

4/10/2016

7/10/2016

3/10/2017

Inicio a 13/10/2017

de curta duração. Desde 2015 que este Hospital

tem uma equipa dedicada para implementação

emergente e resgate com ECMO 24 horas por dia,

sete dias na semana.

Identificado o CHSJ como capacitado para rececionar

os doentes potencialmente elegíveis para

E-CPR, foram identificadas quatro Viaturas Médicas

de Emergência e Reanimação (VMER), cuja área de

atuação se encontra enquadrada no critério tempo/

distância relativamente à sala de emergência do CHSJ,

nomeadamente VMER do CHSJ, do Centro Hospitalar

do Porto, do Centro Hospitalar de Vila Nova

de Gaia/Espinho (CHVNGE) e da Unidade Local de

Saúde de Matosinhos. Este processo requereu a aquisição

de dispositivos de compressão torácica mecânica

pelo INEM, a sua introdução nos meios selecionados

para este projeto-piloto, a respetiva formação

na utilização do dispositivo às equipas supracitadas.

Foi igualmente necessária a operacionalização do

circuito desde a chamada, à identificação da situação

de PCR, acionamento da equipa, identificação

de situação potencialmente elegível para E-CPR

(Via Verde Reanimação) pela equipa no local, informação

transmitida ao Centro de Orientação de

Doentes Urgentes (CODU) e consequente aviso

do Hospital com capacidade de ECMO-VA do tempo

de chegada à sala de reanimação. Verificou-se

ainda a necessidade de articulação entre os centros

de ECMO e o IPST no referente ao circuito despoletado

pela não elegibilidade dos candidatos para

ECPR, sendo nessa altura identificados outros procedimentos

no âmbito da doação.

No documento de consenso ficaram definidos indicadores

de monitorização da atividade e foram

identificados objetivos:

• Aumento (variação percentual) do número de

doentes em paragem cardiocirculatória refrataria

encaminhados pelas VMER para o CHSJ, de acordo

com o algoritmo definido: o resultado expectável

será de oito casos/ano, o que significa um aumento

de 100% relativamente a 2016.

• Aumento do número de órgãos colhidos em dador

em paragem cardiocirculatória: o resultado-alvo

será de 16 órgãos colhidos/ano; uma vez que

foram colhidos quatro órgãos em nove meses, o

aumento expectável é de 166%.

• Aumento (variação percentual) do número de

transplantes com recurso a órgãos de dadores em

paragem cardiocirculatória: o resultado alvo será de

13 transplantes/ano; uma vez que foram realizados

quatro transplantes em nove meses, o aumento expectável

é de 116%.

Foi feita a avaliação dos resultados após um ano

de implementação do projeto-piloto - Região Norte,

tendo-se verificado, no período de outubro de

2016 a outubro de 2017, 36 PCR no pré-hospitalar,

potencialmente elegíveis para E-CPR. Destas paragens

cardiorrespiratórias transportas à sala de reanimação

do CHSJ, 10 foram colocadas em ECMO

VA em programa de E-CPR.

Verificaram-se um total de nove recuperações de circulação

espontânea, mas apenas quatro evoluíram

favoravelmente, das quais três com scores funcionais

favoráveis.

Os 27 candidatos que não foram elegíveis para E-

CPR na admissão hospitalar, foram referenciados

para programa de DPCC (dador em paragem cardiocirculatória).

Tal permitiu a disponibilização de 44

rins para doação, dos quais 33 foram transplantados.

Assim:

• Foram encaminhadas pelo INEM 36 PCR refratárias.

• Salvaram-se quatro vidas.

• Foi largamente ultrapassada a expectativa de doações.

DE COMPRESSORES.


Tabela1: Plano de implementação do projeto.

Segunda fase do projeto – Extensão Nacional

A análise de resultados do projeto-piloto permitiu

prosseguir com a replicação noutros centros, promovendo

a acessibilidade e equidade nacionais. A


NA CONVICÇÃO QUE

O PROJETO VIA VERDE

REANIMAÇÃO AINDA TEM

MARGEM DE CRESCIMENTO,

EM 2018 O INEM INVESTIU

NA AQUISIÇÃO

expansão da atividade a nível nacional, foi sustentada

no despacho nº 6669/2017 nº1 alínea e) em que

são reconhecidos pelo MS os centros de referência

em ECMO em Portugal Continental.

Após discussão dos resultados do projeto-piloto foi

aplicada a mesma metodologia para a implementação

do projeto na região da grande Lisboa. Dadas

as características desta região o projeto envolveu

o Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Hospital de

Santa Maria) e o Centro Hospitalar de Lisboa Central

(Hospital de São José) e cinco VMER.

Em outubro de 2017 foi iniciada a atividade em

Lisboa e até à data foram encaminhados para EC-

MO-VA pelo CHLC (H. São José) 44 doentes com

sobrevivência de cinco doentes. Os resultados do

Hospital de Santa Maria ainda não são conhecidos.

O segundo ano de atividade do CHSJ mostrou uma

curva ascendente tanto na inclusão de doentes como

nos resultados, o que nos permite acreditar no

potencial em crescendo da Via Verde PCR.

Na convicção que o projeto Via Verde Reanimação

ainda tem margem de crescimento, em 2018 o

INEM investiu na aquisição de compressores para

a totalidade dos meios de SAV a nível de Portugal

Continental (42 VMER e quatro helicópteros) e na

formação dos operacionais de VMER, Serviço de }

22 23


'

GH VIA VERDE REAnImAÇÃO INEM

CHSJ 2016-2018

(2 Anos)

CHLC 2017-2018

(1 Ano)

Encaminhamento Sobrevivência Potenciais Dadores Falecidos

INEM - ECMO

108 20 (18%) 44 (41%) 44 (41%)

44 5 (11,4%) 12 (27,2%) 27 (61,4%)

Tabela 2: Resultados dos centros de ECMO 2016 a 2018.

Helicópteros de Emergência Médica e médicos de

CODU. Esta cobertura equivale a um investimento

de 374.092 euros, que contou com o contributo da

EDP Solidária, através da atribuição de um apoio de

280.000 euros.

O INEM perspetiva a médio prazo, em função dos resultados

obtidos, vir a equipar os outros níveis de resposta

com estes dispositivos e fazer a correspondente formação

aos profissionais. Tal meta acarretará um investimento

de 420.000 euros para SIV e 560.000 euros

para ambulâncias de emergência médica.

Para o sucesso deste projeto é fundamental monitorizar

indicadores. Bem como a sua divulgação, nomeadamente

aos profissionais envolvidos, para que

tenham consciência do seu contributo mantendo a

motivação e uma curva de resultados ascendente.

Deste esforço organizacional envolvendo várias entidades,

do empenho dos profissionais no terreno,


INEM FOI O VENCEDOR

DO PRÉMIO HEALTHCARE

EXCELLENCE 2018 COM

O PROJETO “VIA VERDE

REANIMAÇÃOˮ.


resultou um indiscutível benefício social, traduzido

num número significativo de vidas salvas. Elevouse

assim o funcionamento do sistema de saúde de

Portugal para o mesmo patamar do que de melhor

se faz noutros países do mundo, algo que deve ser

assinalado e que mereceu, para já, a atribuição do

prémio Healthcare Excellence 2018 da Associação

Portuguesa de Administradores Hospitalares. Ã

1. European Resuscitation Council Guidelines for Resuscitation 2015

Section 3. Adult advanced life support. Jasmeet S, Noland J, Böttiger

B, Perkins G, Lott C, Carli P, Pellis T, Sandroni C, Skrifvars M, Smith

G, Sunde K, Deakino C, on behalf of the Adult advanced life support

section Collaborators.

2. 2015 American Heart Association Guidelines Update for Cardiopulmonary

Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Link M,

Berkow L, Kudenchuk P, Halperin H, Hess E, Vivek K. Moitra V, Neumar

R, O’Neil B, Paxton J, Silvers S, White R, Yannopoulos D, Donnino M.

Circulation. 2015;132: S444-S464, originally published October 14, 2015.

3. Refractory cardiac arrest treated with mechanical CPR, hypothermia,

ECMO and early reperfusion (the CHEER trial). Stub D, Bernard S, Pellegrino

V, Smith K, Walker T, Sheldrake J, Hockings L, Shaw J, Duffy S, Burrell

A, Cameron P, De Villiers Smit, Kaye D. Resuscitation 86 (2015) 88–94.

4. Extracorporeal life support during cardiac arrest and cardiogenic shock:

a systematic review and meta-analysis. Ouweneel D, Schotborgh J,

Limpens J, Sjauw K, Engström A, Lagrand W, Cherpanath T, Driessen A,

Mol B, Henriques J. Systematic Review. Volume 42, Issue 12 / December,

2016. Pages 1922 – 1934.

5. A Pre-Hospital Extracorporeal Cardio Pulmonary Resuscitation (ECPR)

strategy for treatment of refractory out hospital cardiac arrest: An observational

study and propensity analysis. Resuscitation 117, April 2017.

6. Mechanical CPR: Who? When? How? Kurtis Poole,Keith Couper, Michael

A. SmythJoyce Yeung and Gavin D. Perkins. Critical Care 201822:140.

7. The role of extracorporeal membrane oxygenation in donation after circulatory

death. Lazzeri C, Bonizzoli M, Valente S, Cianchi G, Migliaccio ML,

Gensini GF, Peris A. Minerva Anestesiol. 2014 Nov; 80 (11): 1217-27. Epub

2014 Jan 15.

8. New classification of donation after circulatory death donors definitions

and terminology. Thuong M, Ruiz A, Evrard P, Kuiper M, Boffa C,

Akhtar MZ, Neuberger J, Ploeg R. Transpl Int. 2016 Jul; 29 (7): 749-59.

doi: 10.1111/tri.12776. Epub 2016 May 4.

9. Despacho 14341/2013 publicado em Diário da República, 2ª série de

6 de novembro 2013.

10. Documento “Operacionalização do Programa de Colheita de Órgão

em Paragem Cardiocirculatória” a 23 de dezembro de 2014.

11. Documento de consenso “Paragem Cardiorespiratória refratária e

colheita em dador em paragem Cardiocirculatória não controlada”, datado

de 26 de agosto de 2016.

12. Despacho 6669/2017 nº1 alínea e).

24


GH iniciativa apah

FINANCIAMENTO

E EQUIDADE PARA

UM SNS SUSTENTÁVEL

No passado dia 16 de novembro realizou-se

a 10ª Edição do Fórum do Medicamento.

Todos os anos, ao longo da

última década, a APAH tem procurado

marcar a agenda da Saúde, aproximando

os vários atores e setores, para uma discussão e avaliação,

franca e realista, das políticas e práticas na área

do medicamento.

Em Portugal, assim como em todos os países desenvolvidos,

o setor da saúde enfrenta desafios relacionados

com o progressivo envelhecimento da população e a

evolução tecnológica, nomeadamente o desenvolvimento

de novos medicamentos e de meios de diagnóstico

mais eficazes que, a par com as expectativas e exigências

dos cidadãos, pressionam um sistema descapitalizado

para aumentar o investimento público na área da Saúde.

Este ponto fraturante reitera a urgente necessidade de

se repensar os atuais modelos de financiamento, conduzindo

à redução da incerteza causada pela introdução

da inovação tecnológica e o seu impacto na sustentabilidade

económica e financeira, a médio prazo.

Com esse objetivo, a edição deste ano que contou

com o apoio da Astra Zeneca, relançou o tema “Financiamento

e equidade para um SNS sustentável” e colocou

em discussão modelos inovadores de financiamento

e a liberdade de escolha do utente, a par com o debate

da equidade no acesso e da necessidade de serem encontradas

respostas diferenciadoras face aos novos desafios

que pressionam o Sistema de Saúde, culminando

com a apresentação de dois projetos hospitalares de melhoria

de acesso aos cuidados de saúde na área oncológica,

relativos ao Hospital Beatriz Ângelo e ao IPO-Porto,

seguido de debate sobre o desenvolvimento de vias verdes

na oncologia.

Uma vez mais, esta iniciativa trouxe até nós o estado da

arte na Europa sobre estas temáticas, sendo igualmente

dada voz aos diversos atores nacionais para perspetivar

quer as implicações quer as alternativas para Portugal.

Assim, contámos com a presença, no primeiro painel da

manhã, de Antoine-Georges Picot, Ricardo Mestre, Sofia

Crisóstomo, Maria do Céu Machado, João Almeida

Lopes, João Marques, Ricardo Baptista Leite e, no

segundo painel, Rui Maio, Francisco Rocha Gonçalves,

Eunice Carrapiço, Margarida Ornelas e António Araújo.

Este ano, tivemos ainda a presença do jornalista Carlos

Raleiras (TSF) como moderador da sessão.

Na discussão gerada foi unânime a asserção que a inovação

terapêutica tem vindo a contribuir significativamente

para aumentar o tempo de vida dos doentes e

a melhoria da qualidade de vida, mas que o preço tem

um impacto muito grande no orçamento dos hospitais

e do próprio SNS. Concretizando, o preço global da

inovação terapêutica, nos últimos anos, aumentou em

média 25 a 50%, e enquanto sociedade, a pergunta que

temos de responder é quanto estamos dispostos a pagar

pelo medicamento.

Foi reconhecido que, até à data, a aprovação dos medicamentos

tem sido mais submetida aos interesses

comerciais da Indústria Farmacêutica do que às necessidades

em saúde, e é emergente que o medicamento

seja enquadrado nas políticas do Sistema de Saúde,

de forma a minimizar o desperdício na sua utilização.

O recurso a modelos de financiamento com partilha

de risco e que implicam a submissão da inovação com

maior solidez e com mais e melhor informação, são

estratégias mais eficientes para assegurar a sustentabilidade

do sistema.

Devido à acentuada redução do investimento público

em Saúde, os hospitais atravessam constrangimentos

diários de natureza variada (estrutural, técnica, listas de

espera e recursos humanos) que colocam em causa o

acesso dos doentes e a própria prestação de cuidados

de saúde, e cuja resolução não pode ser dissociada da

utilização do medicamento. Atualmente, parece ser

mais fácil autorizar a utilização de medicamentos inovadores

do que contratar os recursos humanos necessários

à prestação de cuidados de saúde.

“A matéria da autonomia da gestão hospitalar é, em última

instância, também ela, uma questão de desperdício”,

afirmou Alexandre Lourenço, Presidente da APAH.

Na área oncológica, a implementação de vias verdes

parece ser um caminho possível para responder aos

atuais tempos de espera alargados e dificuldades no

acesso, uma vez que o seu estabelecimento preconiza

a identificação de constrangimentos, a aproximação entre

profissionais de saúde e a necessária reorganização

hospitalar para que o doente possa fazer o seu circuito

de forma rápida, eficaz e eficiente.

Discutir liberdade de escolha é reforçar a crucial importância

em fomentar mecanismos que promovam a

participação do cidadão e garantir que os cuidados de

saúde são desenhados com e à medida das necessidades

dos doentes e das suas famílias.

No encerramento da sessão esteve presente o Secretário

de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, dando

nota que foram aprovadas dezenas de novos medicamentos

inovadores para o mercado português em

2016 e 2017, e também já este ano, cerca de 40 novos

fármacos foram aprovados até final de outubro.

O governante adiantou ainda que o INFARMED está a

trabalhar para “antecipar em dois anos as intenções das

companhias apresentarem os ‘dossiers’ (de aprovação

e introdução de um fármaco) para que o ritmo de apreciação

não seja o de entrada, ditado pelos interesses comerciais

das companhias, mas um ritmo de interesse para

as prioridades da saúde em Portugal”, adiantou afirmando

que o objetivo é, por exemplo, poder apressar a

aprovação de um “medicamento mais importante” ou

atrasar outro “numa área onde haja já muita oferta”.

“Há muito trabalho que pode ser feito para melhorar

o acesso aos medicamentos inovadores num quadro

de cada vez mais rigor, quer em termos de metodologia,

quer em termos de chamar a atenção para

todos os atores de que é muito importante acolhermos

toda a inovação que faz a diferença, mas que

isso tem de ser feito a níveis económicos que sejam

comportados pelas economias dos países”, sublinhou

Francisco Ramos.

No final da sua intervenção, o Secretário de Estado Adjunto

e da Saúde informou que o Governo se prepara,

no próximo ano, para dar autonomia aos hospitais, uma

medida que tem sido defendida pela APAH. Ã

Mais informações em:

https://apah.pt/iniciativas-projetos/forum-do-medicamento/

Reportagem Fotográfica:

https://justnews.pt/galeria/album/x-forum-do-medicamento/1

26 27


GH WORKSHOP

ESTRATÉGIAS

PARA A COOPERAÇÃO

EM SAÚDE

Delfim Neto Rodrigues

Administrador Hospitalar

Membro da Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares

Francisco Pavão

Médico especialista em Saúde Pública

Coordenador do Conselho dos jovens médicos

da Comunidade Médica de Língua Portuguesa

No atual panorama mundial, em que a

área da saúde apresenta problemas

transversais a todo o planeta, e onde o

desenvolvimento e a investigação só pode

ser verdadeiramente eficaz em colaboração,

é fundamental que Portugal tenha um papel

cimeiro, afirmando-se no contexto da cooperação para

o desenvolvimento e da saúde.

Apoiar e reforçar os sistemas de saúde dos Países Africanos

de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) é uma oportunidade

estratégica e passa, necessariamente, pela cooperação

com os parceiros internacionais. Para tal, é necessária

a estrita colaboração dos Serviços do Ministério

dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Saúde.

A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)

no âmbito do Plano Estratégico da Cooperação em Saúde

(PECS) 2018-2021, instrumento estruturante de reflexão

e da cooperação em saúde entre os Estados membros,

define alguns eixos para a definição de projetos prioritários,

dos quais destacamos 1) Formação e Desenvolvimento

da Força de Trabalho em Saúde, 2) Informação

e Comunicação em Saúde e 3) Investigação em Saúde.

No que respeita ao reforço dos sistemas de saúde, de

acordo com as prioridades identificadas no PECS, de

forma a contribuir não só para a solução de problemas

pontuais, mas para a estruturação, construção contínua

de instituições e formação de recursos humanos, cria-

ram-se redes de instituições como a RINSP – Rede de

Institutos de Saúde, a RETS – Rede de Escolas Técnicas

de Saúde, a Rede de Educação Médica e a RIDES – Redes

de Investigação e Desenvolvimentos sobre malária,

tuberculose e SIDA. Todavia, alguns destes projetos não

encontraram o seu modelo adequado e não evoluíram,

e outros continuam à procura de um modelo relevante.

Relativamente a Portugal, cumpre à Direção Geral da Saúde

(DGS), enquanto órgão coordenador das Relações

Internacionais e da Cooperação do Ministério da Saúde,

alinhada com a estratégia da Cooperação para a Saúde

e das orientações do Instituto Camões, promover o fortalecimento

institucional, apoiar o desenvolvimento de

instituições de referência no âmbito dos sistemas públicos

de saúde dos países em desenvolvimento, em particular

dos PALOP.

Porém, há entre nós, especialistas, académicos e membros

de organizações, um sentimento coletivo de pouca

organização, articulação e coordenação no que diz respeito

à cooperação e às oportunidades perdidas ao longo

dos últimos anos. São múltiplos os exemplos de associações,

ONG’s, fundações, equipas de serviços hospitalares

públicos e privados, que promovem programas

e projetos de saúde, de partilha de experiências e

até de formação em Portugal de profissionais de saúde,

sem que seja do conhecimento da causa pública, sem

o devido cumprimento do registo formal nas Ordens

Profissionais ou ao abrigo de despachos ou protocolos

que não se fazem cumprir.

Neste contexto, a decisão e resolução aprovada, no passado

dia 19 de abril, em Conselho de Ministros que designa

um Alto-comissário para a Saúde Global, José Martins

Nunes, e a criação de um Grupo de Trabalho interministerial

e multidisciplinar para a elaboração de um

‘Plano de Ação para a Saúde Global 2018-2019’, é motivadora

e reveladora de ambição, razão bastante para a

organização do primeiro Fórum Diplomacia da Saúde

que ocorreu no dia 26 de novembro (www.forumdiplomaciasaude.pt).

Tal como são as atividades e diálogos

promovidos entre as Ordens dos Médicos, no âmbito da

Comunidade Médica de Língua Portuguesa, e o projeto

de formação e educação de gestão em saúde promovido

pela Associação Portuguesa de Administradores

Hospitalares (APAH) de que é mais recente exemplo o

1º workshop dedicado à “Gestão em Saúde nos Países de

Língua Portuguesa”, realizado no passado dia 26 de setembro,

em Portugal, integrado no 27º Congresso da

EAHM (European Association of Hospital Managers).

Esta iniciativa foi organizada em parceria com o Instituto

de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), e contou com

o apoio Institucional da Comunidade dos Países de Língua

Portuguesa (CPLP), do Ministério da Saúde e da

Agência para o Investimento e Comércio Externo de

Portugal (AICEP), na qual estiveram envolvidos mais de

70 altos dirigentes e governantes da CPLP (à exceção

da Guiné Equatorial), diretamente ligados à gestão de

unidades de saúde.

O workshop foi presidido pelo administrador hospitalar

Delfim Rodrigues, com a participação inicial de Alexandre

Lourenço, Presidente da APAH; Manuel Lapão, Diretor

da Cooperação da CPLP; Marta Temido, à data

subdiretora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical;

e Luís Miguel Fontoura, diretor comercial da AICEP.

Em redor da temática dos desafios e oportunidades na

gestão da saúde, os palestrantes foram Francisco Balestrin,

presidente da Federação Internacional dos Hospitais;

Constantina Furtado, ex-secretária de Estado da Saúde

de Angola; e Fernando Regateiro, presidente do Conselho

de Administração do Centro Hospitalar e Universitário

de Coimbra.

O resultado desta manhã de trabalho embutido no espírito

da cooperação, da partilha e da aprendizagem mútua,

foi a proposta de criação de uma plataforma comum

para que se estabeleçam sinergias futuras, entre

os vários países lusófonos, no que respeita a gestão em

saúde. Esta plataforma irá possibilitar: alicerçar as competências

dos gestores em saúde, com o desenvolvimento

de conteúdos educativos, formativos e de capacitação

(e.g., iniciativas como programas de estágios,

webinars ou sessões de e-learning); partilhar as experiências

e consolidar as boas práticas (e.g., conferências,

workshops e visitas técnicas); e, por último, desenvolver

atividades multilaterais de consultoria para a gestão dos

serviços de saúde.

Seja pela partilha do espaço comum Europeu ou pela

integração e âmbito na CPLP, Portugal deve absorver

iniciativas e boas práticas existentes e criar o seu gabinete

de Saúde Global (Global Health Office). Com o

apoio de especialistas e dedicados colaboradores, este

gabinete, contribuirá para uma estratégia de posicionamento

de diplomacia em saúde que beneficiará a cooperação

técnica, institucional e operacional nas diferentes

comunidades. Ã

Mais informações em:

https://apah.pt/

Reportagem Fotográfica:

https://justnews.pt/

28 29


EAHM2018

em números

1200 Delegados presentes

45 Países participantes

5 Temas:

Cuidados centrados no cidadão

Integração de Cuidados

Modelos inovadores de cuidados

Sustentabilidade

Gestão e Liderança

+ 150 Oradores convidados

+ 50 Sessões Científicas e Workshops

7 Visitas Técnicas

8 Simpósios da Indústria

+ 70 Abstracts apresentados

+ 90 Parceiros institucionais e patrocinadores

30 Expositores

• eHealth Roadshow

• Hospital Innovation Brokerage Event


GH entrevista

GERRY O'DWYER

PRESIDENTE DA EUROPEAN ASSOCIATION OF HOSPITAL MANAGERS

TRABALHAMOS

PARA ASSEGURAR

BONS MODELOS

DE SAÚDE NA EUROPA

Foi na qualidade de Presidente da European Association of Hospital Managers

(EAHM) que Gerry O'Dwyer participou no 27º Congresso da Associação,

que decorreu no Estoril no passado mês de setembro. A terminar o seu mandato,

o responsável passa em revista o trabalho desenvolvido na EAHM e aborda

os desafios que se colocam aos serviços de saúde e aos seus gestores.

Agora que está a terminar o seu

mandato na European Association

of Hospital Managers (EAHM),

como descreve o âmbito de atuação

da Associação?

O âmbito de atuação da EAHM consiste no esforço

permanente para a implementação de melhores práticas

em todos os nossos membros e em assegurar

um sistema de tratamento integrado para os doentes

e comunidades, garantindo que os nossos serviços se

centram constantemente no doente. Para esse efeito,

temos de observar as melhores práticas em Portugal

ou na Alemanha e depois ver se serão adequadas para

implementar noutros países.

Observamos as inovações que vão surgindo nos países,

verificamos como funcionam e qual o seu impacto

nas doenças crónicas e na prevenção, com o objetivo

de saber como evitar que as pessoas se desloquem

ao hospital.

Face à diversidade de doenças crónicas que existem

atualmente, “o que podemos fazer, através da educação,

para garantir que menos pessoas se desloquem

aos hospitais, consultando preferencialmente o seu médico

de família.” No meu caso, o meu médico de família

sabe mais sobre mim do que qualquer outra pessoa no

mundo. Tem todos os meus processos desde o dia em

que nasci e é ele que me vai dizer: “Você está a beber

muito ou não está a fazer exercício suficiente.”

Mas não é só o médico de família que tem esta responsabilidade.

São também os pais e os cuidadores

que têm de chamar a atenção para a necessidade de,

por exemplo, fazer exercício, não fumar e não beber

em excesso. Depois, os governos também têm

de assegurar a disponibilização de boas ciclovias e

de criar alternativas à utilização do automóvel, promovendo

os transportes públicos, tomando medidas

ambientais e encorajando as pessoas a dar atenção à

promoção da saúde, à prevenção das doenças e à alimentação,

que é um grande problema. Temos também

de fazer chegar as mensagens certas às escolas

e promover bons programas de saúde nas escolas.

Partilhamos tudo isto pela Europa com o fim de assegurar

que estão a ser desenvolvidos bons modelos de saúde,

porque todos os nossos países têm os seus orçamentos

de saúde sob pressão. E temos de cuidar das pessoas

que realmente necessitam de cuidados de saúde, quer

tenham sofrido um acidente de viação ou qualquer outra

adversidade, mas também temos de ver o que podemos

fazer por pessoas que vão para um hospital e

que, por uma série de razões, já não estão aptas a viver

de forma independente em casa. Temos de garantir

que existem apoios adequados para essas pessoas.

Nesse contexto, como vê a prestação dos cuidados

de saúde no futuro?

Sempre vi os cuidados de saúde como um ciclo: saímos

de casa, e passamos por uma série de desafios, vamos

ao nosso médico, fazemos exames, vamos ao hospital

e queremos voltar para casa. Por isso quero ter o

maior apoio possível em casa. É muito mais barato e o

doente está no seu próprio ambiente. Mas há que ser

realista: há pessoas que, devido a várias condicionantes,

não podem voltar para casa. Por isso, temos de criar

um ambiente adequado, onde doentes e familiares se

sintam apoiados e possam lidar com o desafio, que em

sua casa não seria possível.

E é a partilha deste conhecimento e de dados na Europa

que faz a diferença para os gestores, que depois

estão aptos a testar as boas práticas em todo o sistema.

Ao vermos as inovações que tiveram lugar em várias

unidades de toda a Europa, perguntamos: “Por que não

podemos fazer isto em Portugal ou na Alemanha?” Podemos

desenvolver partilhas à escala europeia, porque

temos muita em coisa em comum.

Depois, temos de olhar para a experiência americana

ou australiana e perguntar: “Será que eles fizeram outras

coisas que podemos aplicar nos nossos países específicos?”

Claro que há fatores ambientais e climáticos

que temos de levar em conta, mas o objetivo é partilhar

conhecimentos e garantir que os gestores dispõem das }

32 33


GH entrevista

Por outro lado, uma das questões com que os serviços

de saúde se deparam agora é que, por vezes, as

pessoas culpam o sistema. Somos humanos e todos

cometemos erros. Por isso, se algo de errado acontece

temos de o reconhecer e explicar o que deveria ter

acontecido e o que de facto aconteceu. Não vale a pena

enganar as pessoas, temos de ser honestos e de se-guir

os protocolos. Em termos de diagnóstico, existe sempre

uma margem de erro de dois ou três por cento. É

por isso que estou muito interessado em duas coisas:

resultados e financiamento com base na atividade realizada,

ou seja, devemos analisar a relação qualidade-

-preço, a duração do internamento e os processos que

melhoram a qualidade de vida.


AS PESSOAS TÊM DE SAIR

DO HOSPITAL A SENTIR

QUE TIVERAM UMA BOA

EXPERIÊNCIA E QUE

ferramentas necessárias para desempenhar o seu trabalho

e de que têm a formação adequada para saber

quais são os desafios que têm de enfrentar.

Quando isto não existe, não é possível gerir grande coisa.

São necessários dados corretos e exatos porque, para

gerir, é preciso medir. Nunca olhei para indicadores,

mas sim para resultados (“outcomes”). Os indicadores

podem ser muito falaciosos. É a interação entre os doentes

e o sistema de saúde que é importante. Em vez de

apurar se um doente entrou e saiu dez vezes, tenho de

me perguntar o que fizemos de errado para isso ter acontecido.

Temos de prestar o serviço que o doente necessita,

dar-lhe alta e depois analisar o resultado. Já não vemos

um doente há seis meses ou um ano, ótimo então

está tudo bem. Não queremos uma porta giratória.

A componente da educação tem de ser incrementada.

Lamento dizê-lo, mas neste momento na Europa o

abuso de álcool e a obesidade são um problema. Ambos

provocam todo o tipo de doenças renais, diabetes

e outras. Se conseguirmos pôr um travão através da

educação, evitaremos um volume significativo de algumas

doenças crónicas que nos custam muito tempo e

dinheiro e podemos libertar recursos para ajudar outras

pessoas em áreas como a saúde mental e o apoio psicológico,

por exemplo, contra a depressão.

Concorda que a monitorização dos resultados de

forma global na Europa será o futuro?

Sim, claro que os resultados têm de ser monitorizados,

mas, como profissionais de saúde, temos também

de pensar no que podemos fazer para manter as pessoas

fora do hospital. Não queremos que estejam

constantemente a entrar, mas que se mantenham

longe dos hospitais.

O controlo das infeções é um grande desafio, pelo que

é mais seguro tratar as pessoas nas suas comunidades,

no seu próprio ambiente e com os apoios necessários.

Precisaremos sempre dos hospitais, pois, infelizmente,

todos os dias acontecem os mais diversos tipos de

acidentes e os hospitais têm de estar disponíveis para

tratar as pessoas e proceder à sua reabilitação, prestando-lhes

todos os serviços necessários.

Nas últimas décadas, qual foi a maior evolução que os

hospitais europeus tiveram em resposta aos desafios

que atravessaram?

Os hospitais têm dado resposta aos desafios que vão

surgindo. Veja-se o caso dos AVC: agora encaramos

a trombectomia como uma intervenção que tem um

efeito fantástico em muitas pessoas que sofreram AVC

e conseguimos que saiam do hospital a andar em quatro

ou cinco dias, tendo também evoluído significativamente

a forma de fazer fisioterapia. São estes processos

inovadores que têm de ser trabalhados e divulgados.

Considera que a satisfação dos doentes e a sua perceção

em relação às doenças e à sua cura é importante?

Certamente. É por esse motivo que tem de haver uma

comunicação muito clara com o doente, que tem de

ter noção das expetativas que existem e do caminho

que tem de seguir quando vai para casa. Se teve um

problema respiratório e continuar a fumar, há que dizer-

-lhe que tem de deixar. Se teve um problema no fígado,

há que dizer-lhe que não pode beber em excesso. Tem

de haver uma certa responsabilidade pessoal, que não

pode ser toda do governo ou do serviço de saúde. As

pessoas têm de garantir, tanto quanto possível, que irão

gerir os seus cuidados de saúde de determinada forma.

Veja-se o nível de obesidade que, por vezes, é assustador.

Há crianças pequenas com elevado nível de excesso

de peso que vão ter problemas musculoesqueléticos

e esta é uma situação que pode ser evitada com boas

práticas de dieta. E há pessoas que têm certas doenças

de que não têm conhecimento, como, por exemplo, a

intolerância ao glúten. Temos de disponibilizar uma série

de testes que as pessoas possam realizar e é por esse

motivo que é importante trabalharmos com a indústria

das novas tecnologias e com a indústria farmacêutica.

Depois, os nossos hospitais têm de ter uma abordagem

humanista e compreensiva, pois as pessoas têm de sair

do hospital a sentir que tiveram uma boa experiência e

que foram bem cuidadas. No hospital as pessoas estão

preocupadas, agitadas e não sabem o que os espera.

Temos de responder às perguntas do doente, mantê-lo

concentrado e informado ao máximo e garantir que

existem os apoios necessários. Há que ter em conta que

a European Association of Hospital Managers é uma

associação pan-europeia, sem fins lucrativos, apolítica e

que reúne hospitais públicos e privados que aprendem

entre si. O que interessa é o doente. “Se um resultado

é bom para o doente, quer num hospital privado,

quer público, por que não partilhá-lo?” O que queremos

FORAM BEM CUIDADAS.


é o bem da comunidade e dos doentes. É isso que a

EAHM e esta conferência oferecem.

Esta conferência oferece diversidade, com um número

significativo de mesas-redondas, sessões plenárias e

sessões paralelas. É fantástico estarem aqui mil pessoas,

que têm um amplo leque de escolha entre workshops

ou sessões relevantes para o seu conjunto de competências.

É por isso que esta conferência é tão boa e tão

diferente; não é só o facto de ter sido tão bem organizada,

é a diversidade, a aprendizagem que retiramos. É

isso que os doentes e que os gestores querem: olhar

para pessoas que foram inspiradas, que aprenderam e

que irão beneficiar outras pessoas. “Não é fantástico?”

É como digo: “Tragam-no para casa, façam-no local e

façam-no bem”.

Considera que temos de preparar os gestores de saúde

de hoje para responderem aos desafios de amanhã?

Estamos a fazê-lo neste momento?

Penso que, neste momento, estamos a olhar para o

futuro de forma sensata porque as pessoas presentes

nesta conferência irão criar o futuro, se quiserem. O

futuro é nosso. O futuro é vosso.

Os gestores de saúde têm de ter competências especiais

para dar respostas aos desafios a fim de tornar

a gestão hospitalar mais centrada no doente? }

34 35


GH entrevista

Têm de ter uma função de liderança?

Sim, temos de ter bons líderes, bons gestores e pessoas

que aprendem de uma forma consistente. Agora há

doentes que vão à Internet e que esperam que o médico

saiba mais do que a Internet. Existe o risco de me

perguntarem algo a que tenho de responder: “Não sei,

onde viu isso?” Temos de ser honestos e dizer que não

conhecemos, mas que estamos dispostos a aprender

porque pode ser uma coisa boa para o doente. Tem

de haver honestidade. Não penso que seja um pecado

ou uma omissão dizermos que não conhecemos algo

porque não somos super-homens, somos simplesmente

pessoas normais, a tentar desempenhar um trabalho

normal da melhor forma que conseguimos. Mas eu

quero fazer o que é bom para os doentes porque os

meus familiares são doentes, eu posso ser um doente.

Temos de estar em aprendizagem constante e é por

isso que um evento destes é tão importante, nomeadamente

na diversidade do seu programa.

Atendendo ao tema do 27.º Congresso da EAHM: “Redefining

the Role of Hospitals – Innovating in Population

Health”, para si qual é o papel da inovação e da tecnologia

no hospital do futuro e no modo como os cuidados

de saúde são prestados nos nossos hospitais?

Há sempre um ponto em que temos de executar

aquilo que estamos a ponderar. Quando fazemos

uma mudança, temos de nos certificar de que é bem

informada e de ter em conta as inovações que existem

noutros locais, para garantir a transferência dessa

aprendizagem para a equipa clínica e permitir a integração

das melhores práticas.

É verdade que muitos dos nossos médicos já o fazem,

mas existe um processo de aprendizagem envolvido.

E isto significa estar constantemente atento, porque,

quando olhamos para os resultados, os dados dizem-

-nos em que áreas conseguimos um bom desempenho

e aquelas em que não estamos a atingi-lo, quando

fazemos comparações com outros hospitais e com

outros países.

Mas temos de ter cuidado quando fazemos comparações

por dois motivos: os fatores económicos e o clima.

Por exemplo, em países que atravessam uma seca

e não têm água disponível, muita gente fica doente por

beber água não adequada para consumo. Temos sempre

de levar em conta os fatores ambientais porque,

por vezes, é impossível transpor cuidados que vemos

sem considerá-los. E temos também de levar em conta

e respeitar as diferentes culturas que existem.

Redefinir as regras do hospital é muito importante se

conseguirmos manter os doentes e as comunidades

seguros, com uma dose adequada de cuidados na comunidade.

“As pessoas não têm de ir para o hospital a

menos que tal seja absolutamente necessário, certo?”

Por vezes temos de pensar se podemos “levar o hospital

até à comunidade”. Por outras palavras, “a partir da

minha área geográfica conseguirei dirigir clínicas a 40 ou

50 quilómetros do hospital?” Em vez de trazer pessoas

para o hospital, será que, dirigindo mais clínicas, “conseguirei

manter as pessoas em casa ou encaminhá-las para

a vida ativa com maior rapidez do que se as mantiver

no hospital perturbando toda a sua rotina?” Por isso,

penso que a redefinição das regras do hospital é muito

importante porque coloca um ponto de interrogação

na integração. Se conseguirmos transmitir para a comunidade

mensagens como a importância de deixar de fumar

para não ter problemas respiratórios ou AVC, por

exemplo, isso é redefinir os hospitais porque sabemos

por que é que as pessoas estão lá, o que temos de fazer

é levar a comunidade a ouvir as nossas mensagens.

Se conseguirmos que todos os anos menos mil pessoas

vão parar ao hospital, são mil pessoas mais felizes

na sua comunidade. Temos também de encorajar o

exercício, a caminhada, a corrida e a prevenção. Temos

de passar a mensagem porque o nosso sistema

de saúde não conseguirá lidar com as pressões dos

próximos dez a quinze anos. Eu e todos os meus

gestores estamos atentos ao número de idosos com

casos de demência, idosos que não podem estar sozinhos

em casa. O sistema de saúde terá de pagar por

isso e vai ser um peso no orçamento. Se conseguirmos

fazer um grande trabalho de prevenção e manter as

pessoas fora dos hospitais e felizes nas suas comunidades,

é aí que a redefinição das regras dos hospitais é

realmente muito importante.

No que respeita precisamente aos gestores, a EAHM

já ponderou certificar os profissionais, como acontece,

por exemplo, com a certificação dos médicos?

A questão que se coloca é que esse assunto não está

muito bem regulado nas diferentes zonas do mundo.


UM PROGRAMA NÃO SERVE

PARA TODOS, TEMOS

DE LEVAR EM CONTA

A DIVERSIDADE, A CULTURA

E O AMBIENTE EM TODA

A EUROPA.

Por exemplo, na política americana de saúde existe

uma certificação.

Existe sim. Mas há programas de formação melhores,

como em França, por exemplo. Sempre considerei que

não é necessariamente porque se é um contabilista

que se será um bom gestor ou porque se é um bom

médico que se será um bom gestor. Há determinadas

competências de liderança que se têm ou não. Depois

há alguns riscos que se correm diariamente e é necessário

estar à vontade nesse aspeto. Quem agradece é

o doente. Mas existem todo o tipo de lideranças no

mundo. Há líderes muito bons em Portugal que talvez

já não tivessem tão bom desempenho se estivessem na

Alemanha, porque estariam num ambiente e cultura diferentes.

No que respeita à regulação e ao registo, sim,

penso que os gestores deveriam realizar um curso es-


pecífico e obter uma certificação, mas não se trata necessariamente

de cinco ou seis anos numa universidade.

Quando se tem um curso, depois é necessário diversificar

e depende de qual a formação da pessoa. Se a

pessoa tem formação em tecnologias de informação,

poderá ter determinadas competências, se tem formação

clínica poderá não ter as competências financeiras

ou as competências de dados que são necessárias em

certas especialidades. Há quem tenha competências de

liderança mas não a experiência, por isso temos de ver

como podemos ajudar as pessoas, no interior do nosso

sistema, e depois apoiá-las e orientá-las para chegarem

a um lugar melhor. Mas, mais uma vez, não existe um

tamanho único, um programa não serve para todos

porque temos de levar em conta a diversidade, a cultura

e o ambiente em toda a Europa.

Por curiosidade, o Presidente da EAHM usa, em e-

ventos públicos e solenes, uma insígnia, que é um colar

de elos de metal dourado. Pode explicar-nos o significado

desse símbolo?

Claro. Está em três línguas. É a corrente do Presidente

e está em francês, inglês e alemão. De acordo com

os nossos estatutos e regulamento, tudo tem de estar

impresso em três línguas e assim é desde que a Associação

foi fundada. Se está a haver uma conferência em

Portugal, as pessoas podem ouvi-la em português, mas

também em inglês, alemão e francês. Ã

36 37


GH MELHOR COMUNICAÇÃO ORAL EAHM 2018

A IMAGIOLOGIA MÉDICA

COMO AGENTE DE

MUDANÇA NA PRESTAÇÃO

DE CUIDADOS DE SAÚDE

Tiago Rua

Administrador Hospitalar

no Guy's and St Thoma's NHS Trust

Economista de Saúde

O

aumento da despesa em saúde decorre

de múltiplos fatores, em particular

da evolução geodemográfica e da

integração de desenvolvimentos tecnológicos

na prestação de cuidados 1 .

De modo a contribuir para a sustentabilidade financeira

dos diversos sistemas de saúde é necessário atuar sobre

estas taxas de crescimento da despesa, atenuando o seu

impacto no médio e longo prazo (cenário 2 da figura

1). Estas iniciativas devem ser estruturais, sustentadas

em evidência científica e não meramente resultado de

políticas conjunturais (por exemplo, cortes salariais temporários

conforme ilustrado no cenário 1 da figura 1).

No presente contexto de escassez de recursos, o National

Health Service (NHS), à semelhança do Serviço

Nacional de Saúde (SNS), tem sido alvo de diversas

reformas. Estas focaram-se sobretudo na integração

(vertical e horizontal) e transformação de cuidados de

saúde. Destaca-se em 2015 o lançamento do programa

piloto Vanguard. Este programa visou consolidar novos

modelos de provisão de cuidados de saúde, dotando

de financiamento adicional (£226 milhões em 2015-

17) 50 iniciativas inovadoras e integradoras entre prestadores

de cuidados de saúde e entre estes e o setor

social 2 . No seguimento deste programa piloto, surgiu

a iniciativa Sustainability and Transformation Partnerships

(STPs) 3 . As STPs contemplam uma abordagem estratégica

do NHS para a integração mediante o estabelecimento

de parcerias loco-regionais entre entidades

prestadoras (de cuidados primários a terciários), pagadoras

(Clinical Commissioner Groups) e os próprios cidadãos.

Apesar das configurações e dimensões variadas

(cobertura desde 300 mil a 3 milhões de habitantes),

as STPs apresentam como denominador comum a estreita

colaboração entre entidades, contrastando com

iniciativas prévias de competição entre prestadores.

Foi precisamente neste enquadramento reformador

que o Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust, um

centro hospitalar de referência em Londres, desenvolveu

o programa TOHETI (Transforming Outcomes and

Health Economics Through Imaging) 4 . Esta iniciativa, que

totalizou um investimento de £20 milhões em quatro

anos (2014-18), visou a transformação de cuidados de

saúde usando como agente de mudança a utilização

diferenciada de imagiologia médica no contexto de pathways

clínicas específicas. Por outras palavras, procurou-se

redefinir o modelo de prestação de cuidados de

saúde apostando na utilização inovadora de imagiologia

médica. Tradicionalmente, em virtude do seu custo e

acessibilidade, o uso de imagiologia médica avançada

[por exemplo, Tomografia Computorizada (TC) ou

Ressonância Magnética (RM)] encontra-se reservada

para a fase final do algoritmo de diagnóstico médico.

O programa TOHETI visa a disrupção deste racional,

apostando na utilização antecipada de imagiologia avançada.

A hipótese subjacente é a de que a melhoria da

componente de diagnóstico da pathway clínica potencia

Figura 2: Quatro dimensões de análise incluídas na avaliação do

impacto das intervenções consideradas no programa TOHETI.

a efetividade dos cuidados de saúde prestados numa

fase posterior. Em última instância, o programa visa criar

um impacto positivo sobre quatro dimensões de análise

(figura 2).

O programa TOHETI regeu-se por cinco vetores críticos

de sucesso (figura 3). Primeiro, apesar da natureza

da intervenção, o seu impacto não se circunscreve

à área da imagiologia, promovendo uma verdadeira

transformação holística de toda a pathway clínica. Segundo,

a motivação intrínseca à mudança decorre da

própria liderança clínica, com o objetivo explícito de

melhorar a qualidade e/ou acesso a cuidados de saúde.

Não obstante esta motivação, o recurso a metodologias

científicas de avaliação económica permite analisar

o impacto financeiro das diversas intervenções sob a }

Figura 1: Ilustração do impacto de reformas conjunturais vs estruturais na evolução da curva da despesa em saúde.

Figura 3: Cinco vetores críticos de sucesso considerados na transformação de cuidados.

38 39


GH MELHOR COMUNICAÇÃO ORAL EAHM 2018

Figura 4: Intervenções consideradas nas sete pathways clínicas integrantes do programa TOHETI.

perspetiva da unidade hospitalar e do próprio NHS. Da

mesma forma, a existência de uma matriz e pensamento

analítico estruturado é essencial para promover o

apoio de diversas equipas multidisciplinares. Por último,

a criação e desenvolvimento de uma verdadeira cultura

de melhoria contínua é indispensável para maximizar

a probabilidade de sucesso de programas disruptivos

e transversais a organizações tão complexas como as

unidades hospitalares.

A primeira fase do programa TOHETI contemplou a

escolha de sete pathways clínicas (figura 4).

Cada intervenção apresenta um racional e objetivos específicos,

descritos sumariamente de seguida:

• Cancro colorretal: utilização da TC como substituto

da colonoscopia convencional em doentes com reduzida

probabilidade de cancro colorretal. Tendo por

base o aumento progressivo das taxas de utilização de

colonoscopia e a evidência clínica de equivalência diagnóstica

entre a TC e a colonoscopia, esta abordagem

visa simultaneamente: (a) libertar recursos, escassos

e dispendiosos, de colonoscopia para doentes com

maior probabilidade de requererem biópsia e/ou tratamento

de pólipos; (b) reduzir o impacto no doente

decorrente de procedimentos de diagnóstico invasivos;

e (c) melhorar a acessibilidade para todos os doentes

com suspeita de cancro colorretal.

• Cancro do pulmão: utilização da TC de baixa dose

de radiação em utentes assintomáticos mas com elevada

probabilidade de apresentarem cancro de pulmão

(programa de rastreio). Esta iniciativa visa fomentar a

deteção precoce do cancro do pulmão, em particular

junto de comunidades desfavorecidas. Procura-se melhorar

indicadores de: (a) acessibilidade e (b) qualidade

dos cuidados prestados (por exemplo taxas de deteção

precoce de cancro de pulmão, taxas de sobrevivência).

• Cancro da próstata e da mama: utilização da RM

como adjuvante da primeira consulta hospitalar para

doentes referenciados com suspeita de cancro da

próstata ou da mama – conceito de one-stop clinic. Esta

abordagem visa acelerar o acesso a meios de diagnóstico

conclusivos, permitindo, na larga maioria de casos,

a exclusão imediata do diagnóstico de cancro. Isto traduz-se

numa melhoria da: (a) acessibilidade; e de (b)

indicadores de satisfação dos doentes e profissionais.

• Dor de cabeça (cefaleia): utilização da RM na exclusão

de um potencial problema de índole oncológica como

elemento causador da dor de cabeça crónica (efeito

de reassurance). A gestão clínica desta patologia representa

um dos problemas médicos mais prevalentes nos

cuidados de saúde primários. A hipótese intrínseca é a

de que a referenciação direta dos cuidados primários

para uma RM da cabeça, por contraste com a gestão

convencional de referenciação para o serviço de neurologia,

traduz-se na: (a) melhoria no acesso a cuidados

de saúde; (b) aumento da satisfação dos doentes; e (c)

na redução dos custos para o NHS.

• Dor aguda no peito: utilização da TC na gestão de

doentes admitidos no serviço de urgência com dor

aguda no peito. A introdução imediata da TC no algoritmo

de decisão médico em doentes com dor aguda

no peito sem alterações no eletrocardiograma permite:

(a) melhorar indicadores clínicos; (b) maximizar o

Figura 5: Ilustração da metodologia implementada na estimativa dos recursos do NHS consumidos na gestão do episódio de suspeita de fratura do escafoide.

acesso para doentes que efetivamente necessitam de

acompanhamento cardiológico; e (c) reduzir os custos

na perspetiva do NHS.

Por último, no âmbito do serviço de urgência, considerou-se

a utilização da RM durante o episódio de gestão

aguda de doentes com suspeita de fratura do osso

escafoide. A gestão desta condição clínica é particularmente

complexa devido a três fatores: (i) a reduzida

incidência de fraturas entre doentes com suspeita de

fratura; (ii) a utilização exclusiva de radiografia convencional

no serviço de urgência, caracterizada por reduzidos

níveis de precisão no diagnóstico desta fratura; e

(iii) o potencial impacto negativo do não tratamento de

fraturas do escafoide 5 . Posto isto, a gestão clínica destes

doentes tende a ser conservadora, com o recorrente

uso de técnicas imobilizadoras em doentes sem evidência

radiológica de fratura. Esta situação acarreta importantes

custos para o NHS e para a sociedade em geral 6 .

O objetivo primário do estudo foi avaliar o impacto da

intervenção nos custos totais para o NHS durante os

primeiros 6 meses pós-recrutamento. Apesar de apa-

rentemente contraproducente, a hipótese do estudo é

que a utilização imediata de imagiologia avançada, no

caso RM, permite excluir com precisão a existência de

fraturas ainda durante o episódio de urgência, o que se

traduz numa redução da necessidade de consumo de

recursos de follow-up, em particular ao nível das consultas

externas de ortopedia e imagiologia. Com vista a confirmar/refutar

esta hipótese, realizou-se um ensaio clínico

pragmático e aleatório que envolveu o recrutamento

de 136 doentes (68 em cada grupo) comparando a utilização

imediata da RM no contexto do serviço de urgência

com a prática clínica convencional, sem o uso imediato

da RM. Como objetivos secundários do estudo,

procedeu-se à avaliação do impacto da intervenção ao

nível da qualidade e acessibilidade dos cuidados prestados

e dos índices de satisfação dos doentes. O racional

e desenho do ensaio clínico foi previamente publicado 5 .

Para estimar o impacto da intervenção ao nível dos cuidados

primários e hospitalares, a metodologia de identificação

de recursos de saúde consumidos na gestão da

condição clínica em estudo compreendeu a análise e }

40 41


GH MELHOR COMUNICAÇÃO ORAL EAHM 2018

interligação de diversas bases de dados (figura 5), designadamente

do domínio: (a) hospitalar; (b) dos cuidados

primários; e (c) de informação prestada pelos próprios

doentes (via uma aplicação móvel).

Resultados clínicos

Foram considerados diversos indicadores na avaliação

do impacto da intervenção sobre as dimensões: (i) qualidade;

e (ii) acessibilidade dos cuidados prestados. A

utilização imediata, como parte do episódio urgente,

da RM na gestão clínica destes participantes permitiu

aumentar a precisão da componente de diagnóstico

da pathway clínica, tanto no diagnóstico de fraturas

do escafoide, como de outros ossos (por exemplo,

do rádio). O grupo de controlo, cuja componente de

diagnóstico no serviço de urgência se baseia apenas na

radiografia convencional, apresentou um nível de precisão

no diagnóstico de fraturas de escafoide estimado

em 93,8%. Este valor contrasta com os 100% apresentado

pela intervenção com RM, que não apresentou

qualquer resultado de falso negativo ou falso positivo.

Quando qualquer outro osso do pulso é incluído, as estimativas

de precisão do grupo de controlo e de intervenção

desceram para 84,6% e 98,5%, respetivamente.

Por outro lado, a intervenção permitiu a deteção de um

maior número de fraturas (do escafoide ou de outros

ossos), permitindo o seu tratamento precoce com recurso

a técnicas de imobilização completa com gesso.

Esta abordagem traduz-se na melhoria de indicadores

clínicos, como a probabilidade de fratura corretamente

curada. Em termos de acessibilidade, a intervenção permitiu

uma maior celeridade na obtenção do diagnóstico

correto (média de 10,2 dias vs 1,7 dias), aumentando a

efetividade dos cuidados de saúde prestados.

Avaliação económica

A curva de distribuição dos custos em saúde apresenta

tipicamente uma assimetria positiva, onde poucos

doentes são responsáveis por uma grande porção dos

custos. Deste modo, a análise estatística do custo aos 6

meses pós-recrutamento considerou o uso do modelo

linear generalizado (regressão gama). A análise de custo-efetividade

baseou-se na utilização de anos de vida

ajustados por qualidade (custo-utilidade), tendo por

Custos totais aos 6 meses

média (desvio padrão)

Grupo de

controlo

(n=65)

£661

(£1.189)

Grupo de

intervenção: RM

(n=67)

Tabela 1: Resultados do modelo generalizado linear para a variável custos totais aos 6 meses.

Diferença

(Controlo-RM)

£395 (£345) £266 £3,3 a

£528

95% IC Valor-p

0.047

Figura 6: Plano de custo-efetividade da intervenção no mês 6 pós-recrutamento.

base as orientações publicadas pelo National Institute

for Health and Care Excellence (NICE). Para a representação

da intervenção no plano de custo-efetividade,

considerou-se a realização de análises de bootstrap com

um total de 1.000 réplicas.

O custo médio (desvio padrão) por participante nos

6 meses pós-recrutamento no grupo de controlo e

de intervenção foram, respetivamente, £661 (£1,189)

e £395 (£345). A diferença de custo por participante

de £266 foi estatisticamente significativa (p=0.047),

conforme sumarizado na Tabela 1. Assim, no contexto

da dimensão eficiência, a intervenção contribui para a

sustentabilidade financeira do NHS.

A análise de custo-efetividade avaliou o custo incremental

por ano de vida ajustado por qualidade, estimado

em -£4,687. O valor negativo indica que a intervenção,

ou seja, a utilização imediata da RM, é dominante

face ao grupo de controlo. Este resultado deriva sobretudo

do custo incremental negativo associado com

a intervenção, ou seja, a intervenção gera poupanças

para o NHS.

Tendo em consideração a análise de bootstrap, aos 6

meses pós-recrutamento, a intervenção com RM apresenta

uma probabilidade de ser dominante de 98,3%

e 0,0% de ser dominada (figura 6). As restantes 1,7%

réplicas encontram-se nos quadrantes de custo-efetividade,

onde a probabilidade de ser custo-efetivo depende

do limiar de willingness-to-pay, isto é, de quanto

o próprio sistema de saúde está disposto a pagar por

cada ano de vida ajustado por qualidade. Assumindo

o limiar tradicionalmente considerado pelo NICE

(£20.000-£30.000 por ano de vida ajustado por qualidade),

a intervenção apresenta uma probabilidade de

ser custo-efetiva de 100%.

Em suma, o ensaio clínico confirmou a hipótese de

que o uso imediato de imagiologia avançada permite,

não obstante o seu custo unitário superior quando

comparado com modalidades de imagiologia básicas,

gerar poupanças para o NHS. Isto decorre da

confluência de três fatores, a saber: (i) a redução do

número de consultas externas de ortopedia no grupo

de intervenção (110 vs 55); (ii) uma proporção superior

de utentes que necessitam de cirurgia no grupo

de controlo (3 vs 1); e (iii) cerca de metade dos participantes

no grupo de controlo acabam por necessitar

de imagiologia avançada (CT ou RM) durante o

período de follow-up.

Provado que está o impacto positivo da intervenção

sobre diferentes dimensões de análise, é necessário

garantir a sua integração no contexto da prática clínica

diária (translational research). Este processo, embora

complexo visto a articulação de múltiplos stakeholders

internos e externos à organização, é essencial pa-

1. Barros, Pedro P. Economia da Saúde, 3a edição. Almedina, 2013.

2. NHS, “New Care Models: Vanguards - developing a blueprint for the future

of NHS and care services,” p. 64, 2016.

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integrated-care/sustainability-transformation-plans-explained. [Acedido em: 08-

Nov-2018].

4. TOHETI. [Online]. Disponível em: http://toheti.org/. [Acedido em: 08-Nov-

2018].

5. Rua, Tiago; Vijayanathan, Sanjay; Parkin, David; Goh, Vicky; McCrone, Paul e

Gidwani, Sam. “Rationale and design of the SMaRT trial: A randomised, prospective,

parallel, non-blinded, one-centre trial to evaluate the use of magnetic

resonance imaging in acute setting in patients presenting with suspected

scaphoid fracture,” Clin. Trials Lond. Engl., vol. 15, no. 2, pp. 120–129, Apr. 2018.

6. Rua, Tiago; Parkin, David; Goh, Vicky; McCrone, Paul e Gidwani, Sam.

“The economic evidence for advanced imaging in the diagnosis of suspected

scaphoid fractures: systematic review of evidence,” J. Hand Surg. Eur. Vol., p.

1753193417742553, Nov. 2017.

ra garantir a sustentabilidade operacional e financeira

intrínseca à implementação da intervenção. Os dois

fatores críticos de sucesso da fase de implementação

são: (i) a qualidade da evidência prestada como driver

motivacional da mudança; e (ii) o envolvimento de

profissionais seniores do hospital, em particular do

conselho de administração, transmitindo a urgência e

importância de incluir a intervenção na prática clínica

diária (business as usual). Ã

Siglas:

IC - Intervalo de Confiança

NHS - National Health Service

NICE - National Institute for Health and Care

Excellence

RM - Ressonância Magnética

SNS - Serviço Nacional de Saúde

STP - Sustainability and Transformation Partnerships

TC - Tomografia Computorizada

TOHETI - Transforming Outcomes and Health

Economics Through Imaging

42 43


GH MELHOR POSTER EAHM 2018

Necessidades dos

utilizadores muito

frequentes de um

serviço de urgência:

estudo das suas características

clínicas e sociais

Sandra Afonso

Escola Nacional de Saúde Pública,

Universidade Nova de Lisboa

Sílvia Lopes

Escola Nacional de Saúde Pública,

Universidade Nova de Lisboa,

Centro de Investigação em Saúde Pública

Os serviços de urgência (SU) são a

porta de entrada para o Serviço

Nacional de Saúde (SNS) e assumem

o difícil papel de garantir uma

resposta eficiente e de qualidade

para os utentes em situações de stress e risco de vida.

O overcrowding, as longas esperas dos utentes para

atendimento e o aumento do número de macas, consequência

do aumento do número de doentes, são

uma realidade internacional 1,2 que atrai a atenção da

comunicação social 3 . É posto em causa o êxito da

prestação de cuidados de saúde aos utentes neste

cenário e publicada a tensão e carga de trabalho

sentidas pelos profissionais de saúde 3 .

Das diversas razões apresentadas para o aumento

da utilização dos SU, destaca-se a utilização destes

por queixas não urgentes ou para a satisfação de

necessidades de saúde rotineiras, o que resulta num

aumento de custos para os sistemas de saúde e para

a sociedade em geral, produz efeitos negativos

sobre a qualidade dos serviços de emergência 2,4 ,

põe em causa o acesso aos cuidados de utentes em

situações realmente urgentes e reduz a prontidão

na prestação de cuidados 4 .

De acordo com as estimativas internacionais, a utilização

"evitável", "inapropriada" ou não urgente dos

SU representa aproximadamente 31% do total dos

episódios de urgência em Portugal 1 . Segundo diversos

estudos, muitos desses episódios têm como protagonistas

os utilizadores frequentes destes serviços

e são estes que mais contribuem para o overcrowding

vivenciado 2 , uma vez que sendo um grupo limitado

de utentes (5% a 8% do total) 2,5 , representam uma

parcela desproporcional dos episódios de urgência

(21% a 28%) 5 .

Perante os factos apresentados, é imperativo identificar

as características dos utilizadores frequentes dos SU no

sentido de desenvolver políticas capazes de reduzir os

custos a eles associados e encontrar no sistema de saúde

as respostas apropriadas às suas necessidades 2,4 .

Objetivo

Este trabalho de investigação foi desenvolvido com

o objetivo de caracterizar do ponto de vista clínico

e social os utilizadores muito frequentes que recorreram

a um Serviço de Urgência Geral (SUG)

Polivalente no ano 2016, de forma a obter informação

relevante para o desenvolvimento de respostas

alternativas seguras e com qualidade.

Métodos

Foi realizado um estudo observacional descritivo

de coorte através da análise retrospetiva de dados

referentes à utilização de um SUG no período de

1 de janeiro a 31 de dezembro de 2016. Após a

aprovação da comissão de ética hospitalar, foram

identificados os utilizadores muito frequentes (número

de episódios de urgência >10). Por não poderem

beneficiar de qualquer intervenção futura,

os utilizadores que à data de consulta do processo

clínico tinham informação de óbito foram excluídos

(n=35) obtendo-se uma taxa de mortalidade dos

utilizadores muito frequentes no ano de 2016 de

20,7%. Foi criado um instrumento de recolha de

dados propositadamente para esse efeito, preenchido

através do levantamento de informação dos

processos clínicos eletrónicos e Plataforma de Dados

da Saúde (PDS; apenas para aferir a atribuição

de médico de família).

Este instrumento implicou a recolha das características

demográficas (sexo e idade), características

sociais (condições habitacionais, com quem vive,

empregabilidade, pagamento de taxas moderadoras,

problemas familiares, problemas económicos,

problemas de solidão/isolamento, necessidade de

saciação da fome e/ou falta de abrigo, referenciação

a assistente social hospitalar ou usufruto de apoio

Número de episódios de urgência

3000

2500

2000

1500

1000

500

0

521

691

social atual ou anterior), características clínicas

(grau de dependência para realização das atividades

de vida diárias (AVD), doenças crónicas, doença

mental, dependência de álcool e/ou drogas, seguimento

em consultas de desintoxicação de álcool

e/ou drogas, data do óbito, atribuição de médico

de família e número de episódios de urgência em

2012-2015) e características dos seus episódios de

urgência (proveniência, atribuição de prioridade de

acordo com o protocolo de triagem de Manchester

e encaminhamento após alta).

Foram apuradas as percentagens que os utilizadores

muito frequentes representavam do total de

utentes e episódios de urgência. Em seguida, foi feita

uma análise descritiva das características demográficas,

sociais e clínicas dos utentes. Na terceira

parte, caracterizou-se a utilização da urgência, em

termos de evolução temporal (2012-16), de proveniência

e prioridade (sendo também combinadas as

duas) e, finalmente, de destino após alta.

Resultados

Foram identificados 134 utilizadores muito frequentes,

responsáveis por 2401 episódios de urgência,

representando 0,2% dos utentes e 2,5% dos episódios

de urgência. Observou-se uma média de 17,9

episódios de urgência (mínimo: 11, máximo: 40). São

na sua maioria do sexo masculino (53,0%) e apresentam

uma média de idades de 60 anos (DP:18,2).

Estes utilizadores vivem maioritariamente em habitação

própria (75,4%), sendo que 75 (56,7%) vivem

com outros familiares e 25 (18,7%) sozinhos. Ainda

entre estes, 5 (3,7%) estão institucionalizados e outros

5 (3,7%) estão identificados como sem-abrigo,

sendo que 19,4% estão desempregados e 37,3% reformados.

Em 28,3% dos seus processos clínicos fo- }

778

1285

2401

2012 2013 2014 2015 2016

Ano

Figura 1: Número de episódios de urgência dos utilizadores muito frequentes incluídos no estudo, por ano.

44 45


GH MELHOR POSTER EAHM 2018

ram identificados problemas familiares e em 14,2%

dos mesmos são descritos problemas económicos,

sendo que 57,9% não são isentos do pagamento de

taxas moderadoras. De referir ainda que em 17

(12,7%) destes utilizadores também foram reconhecidos

problemas de solidão/isolamento. Entre os processos

clínicos destes utilizadores, encontram-se em

29,1% o registo de referenciação à assistente social

por necessidades sociais insatisfeitas. Destes, 21,6%

tiveram apoio social em 2016.

Relativamente às suas características clínicas, estes utilizadores

são na sua maioria independentes nas AVD

(75,4%), apesar de apresentarem uma média de 4 doenças

crónicas por utilizador (DP: 2,5). Têm na sua

maioria médico de família atribuído (63,9%). Em 37

(27,6%) estão diagnosticadas doenças mentais, em 23

(17,2%) está diagnosticada a dependência de substâncias

alcoólicas e em 7 (5,2%) de drogas (3 com acompanhamento

clínico de desintoxicação alcoólica; 1 com

acompanhamento clínico de desintoxicação de drogas).

Em 26,9% dos utilizadores muito frequentes foi

encontrada referência apenas às suas doenças agudas

e crónicas, sem menção a qualquer problema

psicossocial.

A frequência de utilização da urgência por este grupo

de 134 utilizadores assume uma tendência crescente

ao longo dos anos (Figura 1), sendo que quadruplicou

entre 2012 e 2016, de 521 episódios para 2401.

Dos 2401 episódios registados, em 60,3% deles os

utilizadores recorreram ao SUG sem qualquer encaminhamento,

em 33,5% chegaram transportados

por viaturas do INEM (o que não implica necessariamente

o acompanhamento pela VMER). O encaminhamento

pela Linha Saúde 24 e unidades dos

Prioridade da triagem de Manchester

Branco

Azul

Verde

Amarelo

Laranja

Vermelho

0,2%

2,7%

6,8%

cuidados de saúde primários eram residuais (2,5% e

2,0%, respetivamente).

Relativamente à prioridade atribuída aos seus episódios

de acordo com o protocolo de Triagem

de Manchester, como se pode ver na Figura 2, as

prioridades que se destacam são a pouco urgente

(verde, 37,7%) e a urgente (amarela, 35,1%), apesar

de a prioridade muito urgente (laranja) representar

17,5% destes episódios.

Os episódios sem referenciação constituem a maior

parte dos episódios em todas as cores, com exceção

da vermelha (50,0%) (Quadro 1). A maior

parte dos episódios não referenciados foi triado

com a cor verde (41,5%), seguidos pela cor amarela

(31,1%). Para os episódios transportados por

viaturas do INEM, a maioria foram triados com a

cor amarela (40,2%), seguida da cor verde (31,9%).

No que se refere ao destino após alta, na maioria

dos episódios não houve qualquer encaminhamento

para outras unidades de prestação de cuidados

ou consultas de especialidade (47,1%), sendo que

em 11,9% dos episódios, estes utilizadores abandonaram

o SUG sem serem observados por médico

ou sem obterem alta clínica após observação.

Discussão

No nosso estudo, os utilizadores muito frequentes

(>10 episódios) representam 0,2% dos utilizadores

do SUG e 2,5% da totalidade dos seus episódios.

Estas percentagens são inferiores a alguns estudos

divulgados (1,1% dos utilizadores e 6,8% dos episódios)

2 mas tal pode dever-se à definição de utilizador

muito frequente assumida pelos mesmos implicar

um número de episódios inferior ( >6 ou ≥6).

17,5%

35,1%

37,7%

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40%

Percentagem do total de episódios de urgência

Figura 2: Distribuição dos episódios de urgência por prioridade da triagem de Manchester.

Cores

Triagem de

Manchester

Número

de episódios

de urgência

A idade média (60 anos), vai ao encontro de uma das

causas de comportamento de utilização frequente

defendida por outros autores, o envelhecimento populacional

1 . A elevada taxa de mortalidade (20,7%)

e uma média de 4 doenças crónicas por utilizador,

corroboram outras teses que afirmam que estes

têm elevadas taxas de mortalidade 6 e um pior estado

de saúde, com múltiplas doenças crónicas 1,2,7 .

Na consulta dos seus processos clínicos foram identificados

problemas familiares (28,3%), problemas

de solidão/isolamento (12,7%) e problemas económicos

(14,2%), problemas estes maioritariamente

já referidos em outros estudos, nomeados como

situações familiares problemáticas 2 , falta de família

7 , ausência de rede de apoio familiar 8 , isolamento

social 7 e pobreza 1,7,9,10 . Apesar dos problemas

económicos relatados em 14,2% dos utilizadores

muito frequentes, a verdade é que na sua grande

maioria (57,9%) não preenchem os critérios para

serem isentos das taxas moderadoras. Parece que

esse facto não inibe a procura dos SU hospitalar em

Portugal, sendo que as populações de baixos rendimentos

desvalorizaram os CSP a favor dos SU pois

os hospitais são mais propensos a renunciar aos

co-pagamentos do que as unidades funcionais da

comunidade 10 . Detetou-se que 7,5% dos utilizadores

referenciados à Assistente Social não obtiveram

qualquer resposta, o que segundo He et al. (2011) 11 ,

pode motivar a sua maior afluência ao SUG.

Relativamente à sua condição clínica, estes utilizadores

são classificados pelos profissionais de saúde

como maioritariamente independentes nas suas

AVD (75,4%), apesar de em 27,6% estarem diagnosticadas

doenças mentais e em 22,4% algum tipo

de dependência (álcool ou drogas). Estas características

são comuns a muitos dos estudos dedicados

aos utilizadores frequentes dos SU 2,5,7,9,12 mas,

Não referenciado INEM Total

Em % da

proveniência

Em %

da cor

Número

de episódios

de urgência

Em %

da proveniência

Em %

da cor

Vermelho 3 0,2 50 3 0,4 50 6

Laranja 214 14,8 50,1 180 22,4 42,9 420

Amarelo 451 31,1 53,5 324 40,2 38,4 843

Verde 601 41,5 66,4 257 31,9 28,4 905

Azul 123 8,5 75 37 4,6 4,6 164

Branco 56 3,9 88,9 4 0,5 6,3 63

TOTAL 1448 100,0 60,3 805 100,0 33,5 2401

Quadro1: Distribuição de cores atribuídas pela triagem de Manchester, de acordo com a proveniência dos utilizadores muito frequentes.


A REPRESENTATIVIDADE

CONSIDERÁVEL DO ABANDONO

DO SUG... PODE ESTAR

RELACIONADO COM

O TEMPO DE ESPERA...


apesar disso, ainda não existe sucesso nas respostas

direcionadas a estes problemas. Relativamente à

doença mental, no caso específico do SUG em análise,

o doente psiquiátrico segue o circuito de qualquer

outro doente, correndo o risco de agudizar

o seu estado clínico quando exposto aos múltiplos

estímulos de stress característicos de um SU hospitalar.

Seria importante pensar-se numa solução

para estes utilizadores, de forma a definir-se um

local de atendimento mais adequado e seguro para

os mesmos, a nível hospitalar ou da comunidade,

contribuindo consequentemente para um melhor

funcionamento do SUG.

Quanto à dependência de álcool ou drogas, dos 30

utilizadores diagnosticados, apenas 4 tiveram algum

acompanhamento de desintoxicação, concluindo-se

que ainda existe uma grande lacuna no acompanhamento

destes utilizadores.

É no grupo de 26,9% utilizadores muito frequentes

que não foi identificado qualquer problema social

que se encontram aqueles que no ano em estudo }

46 47


“GH MELHOR POSTER EAHM 2018

MELHORAR A COMUNICAÇÃO

ENTRE O SU, OS CSP E OUTRAS

UNIDADES É FUNDAMENTAL.


tiveram alguma doença aguda ou agravamento de

doença crónica que os levou a adotar o comportamento

de utilização muito frequente do SUG. Seria

disponíveis

pertinente identificar estes casos precocemente

quando o seu comportamento de utilização atingisse

o considerado frequente (4 episódios/ano) 13 , encaminhando-os

para os profissionais e contextos de

prestação de cuidados mais adequados. Sugestão

que se torna mais pertinente quando constatada a

tendência crescente de episódios destes utilizadores

ao longo dos anos.

As prioridades atribuídas a estes utilizadores pela triagem

de Manchester vão ao encontro dos dados do

Relatório Anual sobre o Acesso a Cuidados de Saúde

2015 13 , no sentido em que muitos dos episódios

destes utilizadores não requerem cuidados de saúde

sofisticados, podendo ser prestados a nível dos CSP.

A percentagem de episódios pouco ou não urgentes

encaminhados pelo INEM torna evidente a necessidade

de melhorar e adequar a utilização dos recursos

do sistema de saúde.

O facto de a maioria dos episódios destes utilizadores

(47,1%) não ser encaminhada para outras unidades

de prestação de cuidados, revela a necessidade

de uma ligação mais estreita entre este SUG e os

CSP, até porque a grande maioria destes tem médico

de família atribuído (63,9%). A representatividade

considerável do abandono do SUG sem alta

clínica e/ou observação médica (11%), pode estar

relacionado com o tempo de espera para atendimento

médico 14 ou por estes utilizadores terem

outro objetivo na sua recorrência ao SUG que não

a observação clínica (obter alimentos, abrigo ou fármacos)

e ao alcançá-lo abandonam o serviço.

De referir que, devido ao facto de muita informação

ser obtida através de texto livre, escrito por diferentes

profissionais de saúde, deve considerar-se o risco

de viés de informação na recolha de dados dos processos

clínicos dos utilizadores muito frequentes.

Conclusão

Com a informação obtida percebe-se que apesar

da utilização dos serviços de urgência hospitalar

por utilizadores muito frequentes ser um problema

reconhecido do nosso SNS, há ainda um longo caminho

a percorrer. Criar respostas direcionadas às

suas necessidades, acompanhá-los na gestão do seu

comportamento de procura de cuidados de saúde,

efetuar reformas na organização/gestão dos SU

hospitalares, nos procedimentos de referenciação

de outras unidades para os SU e melhorar a comunicação

entre o SU, os CSP e outras unidades de

prestação de cuidados ou acompanhamento social

na comunidade, é fundamental. Ã

1. Berchet C. Manage the Demand. OECD Heal Work Pap. 2015;(83):49.

2. Leporatti L, Ameri M, Trinchero C, Orcamo P, Montefiori M. Targeting

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factors associated with inappropriate use. BMC Health Serv Res. 2007;7:131.

5. Soril LJJ, Leggett LE, Lorenzetti DL, Noseworthy TW, Clement FM.

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general adult population: A systematic review of international healthcare

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9. Hardin L, Kilian A, Muller L, Callison K, Olgren M. Cross-Continuum

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13. (Ministério da Saúde). Relatório Anual sobre o Acesso a Cuidados

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14. Orientada A, Acesso AO, Fonseca DF. Auditoria Orientada ao Acesso

ao Serviço de Urgência Geral do Hospital Professor Doutor Fernando

Fonseca, EPE. Trib Contas. 2015;Relatório:1–87.

48


GH Espaço ENSP

ENSP NOVA no 27 th

'

Rui Santana

Subdiretor Escola Nacional de Saúde Pública,

Universidade NOVA de Lisboa

EAHM Congress

Sílvia Lopes

Professora e Coordenadora do Curso de Especialização

em Administração Hospitalar (CEAH)

Escola Nacional de Saúde Pública,

Universidade NOVA de Lisboa

Decorreu nos dias 26 a 28 do passado

mês de setembro o Congresso da

European Association of Hospital Managers

(EAHM), que nesta sua 27ª

edição teve Portugal como o país

anfitrião e a Associação Portuguesa de Administradores

Hospitalares como entidade organizadora. No

âmbito da estratégia de internacionalização da Escola

Nacional de Saúde Pública (ENSP-NOVA), e que

abordámos no número anterior, foi para nós uma

oportunidade de darmos a conhecer a um público internacional

o trabalho que temos vindo a realizar. Mas

não só, procurámos igualmente que os participantes

nacionais nos ficassem a conhecer melhor, incluindo

aqueles que nos últimos anos nos escolheram como o

local para a sua formação. Subordinado ao tema Redefining

the Role of Hospitals – Innovating in Population

Health, o programa deste congresso permitiu uma discussão

de questões prementes que actualmente afetam

os hospitais e a sua finalidade, daí a relevância do

enfoque à saúde da população no seu mote.

Pela importância do evento, a participação da ENSP-

-NOVA envolveu um conjunto alargado de pessoas,

que se empenharam neste projeto e às quais renovamos

aqui o nosso reconhecimento. Através desta

equipa foi possível levar a cabo um conjunto de ações

que se traduziram numa participação rica e diversificada

em diversos momentos do congresso, com o

empenho também do Gabinete de Comunicação e

Imagem (Lígia Franco e Marta Salavisa), Gabinete de

Informática (João Tiago Iglésias e Nuno Bento) e Portuguese

Journal of Public Health (Isabel Andrade).

Na fase inicial da preparação, foi feito um trabalho de

divulgação, apelando à submissão de trabalhos e inscrição

no congresso dos nossos docentes, investigadores,

antigos e atuais alunos. Também durante a fase inicial,

docentes da ENSP-NOVA (Paulo Boto, Rui Santana e

Sílvia Lopes) colaboraram na revisão dos resumos submetidos

(71 resumos), em conjunto com revisores de

outras instituições nacionais e internacionais. Ao todo,

registou-se um total de 29 participantes da instituição

e foram aceites 12 trabalhos afiliados com a ENSP-

NOVA (4 apresentações; 8 posters). Foi com humildade

e regozijo que assistimos ao reconhecimento do

trabalho de antigos e atuais alunos da ENSP-NOVA

na atribuição dos prémios de melhor apresentação e

melhor poster aos trabalhos Redesigning care to improve

cost-effectiveness: Transforming healthcare using medical

imaging as the driver for change (Tiago Rua, Sanjay

Vijayanathan, Vicky Goh, James Shearer, Paul Mccrone,

Sam Gidwani) e Can we know the needs of emergency

department very frequent users by looking at

their clinical and social characteristics? (Sandra Afonso,

Sílvia Lopes), respetivamente.

Foram oferecidos três cursos pré-congresso assegurados

por docentes da nossa instituição: Hospital

readmissions (Sílvia Lopes), Avoidable hospital admissions

and ambulatory care sensitive conditions (Rui Santana,

com João Sarmento) e Monitoring the quality of

care in Portuguese hospitals (Paulo Boto), os quais contaram

com cerca de 20-30 participantes cada.

Nas sessões plenárias, participámos como oradores

ou comentadores (Teresa Magalhães e Paulo Boto,

respectivamente), além de termos assegurado a moderação

das 8 sessões de comunicações orais do congresso

(Cláudia Furtado, Joana Alves, João Cordeiro, Paulo

Boto, Patrícia Marques, Rui Santana, Sílvia Lopes e Teresa

Magalhães).

Pudemos ainda acolher a visita de 5 participantes do congresso

nas nossas instalações, onde ficaram a conhecer

melhor a nossa atividade e o sistema de saúde português,

que puderam comparar com os sistemas dos

seus países.

A ENSP-NOVA marcou presença também na área

institucional de expositores, onde durante os 3 dias do

congresso foram apresentadas as nossas atividades no

ensino e investigação, entre as quais o workshop "Utilização

da codificação clínica na gestão em saúde".

O 27th EAHM Congress foi ainda uma oportunidade

de contactar com antigos alunos, de partilhar as suas

visões sobre o CEAH e o desenvolvimento das suas

atividades profissionais e de renovar os meios de contacto

com estes. Além disso, permitiu também contactar

profissionais e investigadores de Portugal e ou-tros

países, procurando áreas de interesse comuns. Por estas

razões, constituiu uma oportunidade de networking

para os nossos participantes, consolidando e desenvolvendo

redes de nível nacional e internacional.

No sentido de divulgar o evento junto daqueles que

não puderam participar e prolongar os seus efeitos no

tempo, a nossa participação no congresso foi objeto

de notícias na nossa página e redes sociais. Além disso,

os resumos dos trabalhos submetidos foram publicados

no Portuguese Journal of Public Health. Esta revista

veio substituir a Revista Portuguesa de Saúde Pública

e alargá-la a novos públicos, não falantes de Português.

Assim, é ainda possível consultar online os resumos

submetidos e foram também distribuídos exemplares

deste número especial da revista no local.

Nestes dias revivemos memórias do CEAH através

dos nossos antigos alunos, que tivemos o gosto de reencontrar.

Mas foi igualmente bom perspectivar o futuro

da ENSP-NOVA e sentirmo-nos confiantes para

os desafios que (felizmente) o futuro nos reservará. Ã

50


GH OPinião

DO HOSPITAL MEDIEVAL

AO HOSPITAL EMPRESA:

Que futuro para

o Hospital Público?

José António Meneses Correia

Sócio de Mérito da APAH

Criação original das sociedades medievais

do Ocidente cristão, o hospital

evoluiu ao longo da história, modelado

pela resultante de cinco grandes

fatores sociais:

• As ideias, princípios e valores sociais,

• A política,

• A economia,

• O desenvolvimento científico e tecnológico,

• A demografia.

O hospital medieval cuida mais da alma que do corpo.

Sendo os pobres a imagem de Cristo, recolhê-los

permitiria ganhar a vida eterna. É essa a função do

hospital. Que se manteve inalterável durante séculos.

No final da idade média os hospitais deixam de ter

condições para responder aos novos problemas sociais

resultantes das mudanças demográficas, económicas,

políticas e culturais no Ocidente.

Com o movimento da Reforma e o início do Estado

Absolutista aumentam as vozes que reclamam a organização

dum sistema de assistência pública e a unificação

e concentração dos hospitais sob a égide do

poder real e dos municípios.

Mas é com a Revolução Francesa que se dá a verdadeira

rutura em relação às ideias dominantes no pe-

ríodo medieval. Os ideais revolucionários substituem

a noção de dever religioso pela noção de obrigação

social e atribuem ao Estado a responsabilidade da assistência

no plano nacional.

A verdade é que, no final da Convenção, a situação

dos hospitais era pior do que no início da revolução. A

economia falou mais alto do que a política.

Vitoriosa na revolução, a burguesia vai fazer mover o

pêndulo da história. Ao período revolucionário segue-

-se um período reacionário, marcado por três princípios

fundamentais:

• Neutralismo do Estado,

• Primado da beneficência, designação burguesa de

caridade,

• Livre jogo do mercado.

Os resultados estiveram longe de ser brilhantes. A receita

liberal também não constituiu terapêutica adequada.

Os sistemas organizados de saúde surgiram no final do

Século XIX, com a revolução industrial. Se a Grã-Bretanha

foi o primeiro país a industrializar-se, foi na Alemanha,

do ultraconservador Bismark, que foram publicadas

as primeiras leis que deram início à construção

do Estado-providência. Por pragmatismo político,

o Chanceler de Ferro entendeu que seria necessária a

intervenção do Estado para fazer frente ao crescente

movimento social democrata e, por isso, fez publicar

leis sobre os seguros sociais obrigatórios de doença,

de acidentes de trabalho, de velhice e legislação sobre

condições de trabalho.

Acresce que às razões políticas se somavam também

motivações económicas; era necessário fornecer aos

trabalhadores cuidados de saúde de uma forma integrada,

para combater o decréscimo da produtividade

laboral, associada à doença.

O pioneirismo de Bismark, em matéria de proteção

social, foi depois seguido pela Inglaterra, países Escandinavos

e só mais tarde pelos Estados Unidos da

América, com o New Deal de F.D. Roosevelt e em

França com o Governo de Frente Popular.

A extensão da proteção social vai ter implicações no

exercício da Medicina e na modernização tecnológica

e organizacional do sistema hospitalar, fomentada pelo

desenvolvimento técnico-científico.

O hospital público abandona, progressivamente, as

suas funções de acolhimento e de controlo social, para

se afirmar como instituição de saúde e produtor de

cuidados tecnicamente diferenciados.

Após a Segunda Guerra Mundial o Estado Moderno

assume-se como claramente intervencionista e generalizam-se

os modernos sistemas de segurança social.

Em Inglaterra é apresentado em 1942, durante o Governo

de coligação de Winston Churchill, o Relatório

Beveridge. Com a vitória dos trabalhistas em 45 é

este plano que vai estar na origem do Welfare State

no âmbito do qual nasceria o National Health Service

(HHS) um sistema financiado pelos impostos, com

características de compreensividade, universalidade,

igualdade e autonomia profissional.

O hospital moderno nasce da interação positiva entre

os cinco fatores anteriormente apontados e é uma das

notáveis realizações da civilização industrial.

O industrialismo, diz Toffler na sua obra “A Terceira

Vaga”, “foi mais do que chaminés e linhas de montagem:

foi um sistema social rico e multifacetado que tocou

todos os aspetos da vida humana e atacou todas as

características do passado da primeira vaga.”

A civilização industrial substituiu a família multigeracional

da civilização agrária pela família nuclear, criou o ensino

de massas necessário à preparação de mão-de-

-obra para o trabalho industrial e inventou a “corporação”.

A grande corporação construiu a sua organização à volta

de meia dúzia de princípios – estandardização, espe-

cialização, sincronização, concentração, maximização e

centralização - que se reforçavam mutuamente e produziram

algumas das mais rígidas e mais poderosas organizações

burocráticas.

Escolas, hospitais, prisões, departamentos governamentais,

organizações profissionais, sindicatos… organizaram-se

também à volta destes princípios, tornando-se,

também elas, estruturas burocráticas.

Algumas das grandes corporações americanas foram,

entretanto, capazes de fugir à burocracia e criar o que

Gelinier chamou o management moderno.

Alfred Sloan (General Motors), Chandler (MIT), o

Professor Ernest Dale, mas sobretudo Peter Drucker,

por muitos considerado o “pai do management”, reinventaram

a gestão.

As viagens à Meca da gestão dos gestores europeus

tornam-se obrigatórias.

Gelinier refere as “missões de produtividade” que levaram

às universidade americanas muitos quadros e

dirigentes franceses e constata o sucesso económico

que daí adveio.

Mas faz notar que, se o aumento da produtividade

poderia resultar dum certo número de modalidades

de ação, fáceis de transpor, a “sua fonte se encontrava

num sistema, englobando o conjunto da estrutura,

dos conceitos e dos valores”.

Para descobrir o segredo das estruturas competitivas

analisa, então, a fisiologia de várias empresas americanas

e europeias, a partir duma classificação em quatro

modelos estruturais.

As diferenças entre os dois modelos, que particularmente

nos interessam, estão resumidas no quadro

abaixo.

No que respeita às regras de funcionamento interno

as duas estruturas são semelhantes: ambas se apoiam

no direito escrito, constituído pela formalização das

políticas, das funções, tarefas e processos.

Contudo, mesmo naquilo que têm de comum, di- }

Fator Burocracia Gestão empresarial

Relação com o público Indiferença pelo público

Princípio da concorrência, estudo das necessidades

Tendência monopolista

do cliente, inovação

Representação do pessoal Muito forte Normal

Método de direção Telecomando, por regulamentação detalhada Direção participativa por objetivos

Responsabilidade Respeito pelo regulamento Objetivos a atingir

Avaliação Formal e apriorística Objetiva, pelos resultados

Fator maximizado Independência dos agentes Eficácia e racionalidade

Adaptado de Gelinier: “Management ou Bureaucratie? Le secret des structures competitives.”

52 53


GH OPinião


sam a que qualquer programa seja abolido.

corresponderia a toda a riqueza estar concentrada numa

única pessoa) registam-se os seguintes valores, na um estatuto jurídico que os abrangesse e uma taxa

desenvolvimento e utilização de robôs, a criação de

Finalmente, “uma instituição de serviços públicos existe

para fazer o bem, pelo que a sua existência tende a ser

base de dados da OCDE: Finlândia e Dinamarca 0,26, sobre a utilização de robôs que compensasse a perda

encarada como um imperativo moral e não como um facto

económico, sujeito a critérios de custo benefício”.

e nos Estados Unidos o coeficiente de Gini era de Infelizmente o Parlamento Europeu deixou cair a últi-

Noruega 0,27, Suécia 0,28, enquanto no Reino Unido de emprego resultante do aumento da sua utilização.

A GESTÃO EMPRESARIAL TEVE

Todas estas razões concorrem para tornar as instituições

de serviço público mais empenhadas em maximi-

de 2015 para a Dinamarca e Noruega e ao ano de pelo setor da indústria robótica, sob o pretexto de

0,35 e 0,39, respetivamente (valores relativos ao ano ma parte da proposta, decisão que foi muito aplaudida

DIFICULDADE EM PENETRAR

NOS SERVIÇOS PÚBLICOS.

zar do que em otimizar os seus serviços.

2016 para todos os outros).

que esta travaria os avanços da inovação.

Enquanto a expansão económica o permitiu, os sistemas

Um sistema fiscal equitativo é um fator de eficiência Dada a interdependência entre os problemas de saú-

de proteção social maximizaram a sua ação.

económica e por isso os Países Nórdicos são, a seguir de e os problemas sociais, o futuro do hospital públi-


Os choques petrolíferos de 73 e 79 puseram fim à energia

à Alemanha, os países da União Europeia a 28 que co está intimamente ligado à sobrevivência do Estado-providência.

barata e diminuíram drasticamente o ritmo de crescimento.

têm um PIB per capita mais elevado.

Foi, também, o fim do critério do crescimento, como

Como é evidente, cada país tem um Estado-providência

que os seus recursos económicos permitem. Os trada dos grupos privados nas áreas tradicionais da

Uma política neoliberal promoverá a progressiva en-

medida de performance dos serviços públicos.

A eleição de Thatcher em 1979 e de Reagan, dois anos

modelos atuais nasceram com a Revolução Industrial provisão pública que caracterizam o Estado-providência

(saúde, educação e segurança social) e será o fim

vergem num ponto fundamental: enquanto na burocracia

dos serviços públicos as regras são definidas centra a sua crítica no Estado Social, responsabilizan-

Guerra Mundial. Vivemos hoje o que alguns autores do hospital público.

depois, marca o início do pensamento neoliberal que

e desenvolveram-se extraordinariamente depois da II

por uma autoridade exterior e longínqua, na gestão do-o por ser a causa maior dos problemas sociais e

chamam a 4ª revolução Industrial. As mudanças tecnológicas

O desmantelamento do Estado Social, não tem sido,

empresarial são definidas por órgãos internos que económicos. Por razões ideológicas, ou necessidade

a que assistimos são de natureza distinta das felizmente, uma tarefa fácil. Filipe Carreira da Silva faz

as modificam quando a necessidade se faz sentir. económica, a maior parte dos países da União Europeia

ocorridas na civilização industrial. O ritmo da mudan-

notar, na obra já citada, que na Inglaterra e nos EUA,

Na empresa privada são, por isso, frequentes as mudanças

impôs um controlo financeiro apertado sobre os

ça é muito mais rápido e o impacto na sociedade sem “a despesa social, no início da década de 80, antes de os

de estrutura e organização, permitindo uma sistemas de saúde, designadamente sobre os hospitais.

precedentes. Se é verdade que as inovações tecnológicas

governos Thatcher e Reagan porem em prática os seus

adaptação contínua, através de pequenas mudanças. Envelopes financeiros, restrições à oferta de novos

destroem empregos, mas, em sua substituição programas de austeridade e desmantelamento do Esta-

Na burocracia estatal as mudanças são muito menos serviços, diminuição de camas de agudos, controlo

criam outros de maior valor acrescentado, a verdade do Social, e no final dessa década, era, em percentagem

frequentes: as decisões são centralizadas, os circuitos de efetivos e do volume das prestações, foram instrumentos

é que a globalização, a crise económica e as mudanças do PIB, sensivelmente a mesma”.

a percorrer são longos e sinuosos, os obstáculos a

de utilização generalizada, com resultados

estruturais do mercado de trabalho criaram novos ris-

Como é evidente, qualquer tentativa de desman-

remover tão pesados que as mudanças acabam por visíveis no abrandamento do crescimento dos custos.

cos, nomeadamente os relacionados com a precariedade

telamento do Estado-providência, encontrará uma

acontecer sob pressão e conduzir a uma perturbação

O controlo dos custos teve como contrapartida o au-

e desvalorização do trabalho e as adversidades enorme resistência popular e constituirá um potencial

do serviço.

mento de ineficiências microeconómicas, traduzidas

macroeconómicas e financeiras.

desastre eleitoral, sem contar já com o putativo poder

Sendo o hospital uma organização extremamente em longas listas de espera, cuidados despersonalizados,

A quarta revolução industrial está a aumentar as de-

de veto dos órgãos de soberania, a algumas das mu-

complexa e com custos progressivamente elevados,

insensibilidade perante as preferências dos cidasigualdades

de tal modo que o economista francês danças pretendidas pelos governos.

natural seria que procurasse também adotar, com as dãos, subaproveitamento de recursos.

Thomas Piketty afirmou, porventura com algum exagero,

Os governos europeus têm, por isso, toda a vantagem

devidas adaptações, os princípios e as técnicas do management

Se na sua forma inicial o modelo se focou na produti-

que, a continuar este caminho, daremos por nós em se esforçar por dar continuidade à tradição huma-

moderno.

vidade – Doing more with less -, posteriormente aco-

na sociedade de rendas do final de Oitocentos.

nista e solidária, inscrita na história da Europa. O que

A gestão empresarial teve dificuldade em penetrar modou outros conceitos: descentralização, melhoria

É necessária uma alteração profunda do sistema fiscal, não parece possível sem a conceção arrojada de um

nos serviços públicos. Em 1985, Drucker (Innovation contínua da qualidade, avaliação dos serviços públicos

que não tem apenas a ver com uma economia mais novo modelo social, adequado à nova ordem nascida

and Entrepneurship) apontava três razões para isso: pelos consumidores/cidadãos.

regulada e com mecanismos que impeçam a evasão da revolução tecnológica. Ã

“Em primeiro lugar, uma instituição de serviços públicos Nos países com uma economia de mercado coordenada,

fiscal. Bill Gates, compreendendo essa necessidade,

singularizada pelo predomínio da prática de

defende que as empresas que substituam pessoas por

é baseada num orçamento, em vez de ser paga pelos


resultados.” O êxito define-se, a priori, pelo volume concertação entre diferentes atores sociais (de que

máquinas devem ser chamadas a pagar uma taxa que

do orçamento, mais do que pelos resultados obtidos. são exemplo os Países Nórdicos e o Japão) não se

permita compensar fiscalmente os trabalhadores que

Qualquer tentativa para reduzir a atividade diminuirá registou diminuição significativa de apoio ao Estado

substituíram. Este sistema permitiria, por um lado, garantir

um abrandamento dos efeitos da automação no

a imagem da instituição e será rejeitada.

Providência. Isto porque, diz Filipe Carreira da Silva (O

“Em segundo lugar, uma instituição de serviços públicos Futuro do Estado Social), nestes países o consenso “se

mercado de trabalho e, por outro, impulsionar, através É NECESSÁRIA UMA

depende duma imensidão de elementos.” Uma empresa

que coloca no mercado determinados pro- coesão social a que as instituições do Estado Providência

de a tecnologia não substitui a vertente humana: pro-

ALTERAÇÃO PROFUNDA

funda em valores culturais arreigados de solidariedade e

do financiamento, a criação de emprego em áreas on-

dutos ou serviços precisa de, antes de tudo, cativar dão expressão”.

fissões de cariz mais social, nomeadamente, cuidados

os seus clientes e, depois, satisfazer os acionistas. Os sistemas fiscais dos Países Nórdicos são dos mais

a idosos e crianças.

DO SISTEMA FISCAL.

Uma instituição pública tem de agradar a toda a equitativos do Mundo. Medida a equidade pelo coeficiente

de Gini (recorde-se que este indicador varia en-

fevereiro de 2017 a eurodeputada socialista Mady Del-

Esta ideia já foi debatida no Parlamento Europeu. Em


gente e não é certo que em primeiro lugar esteja o

público que serve. Quando inicia uma atividade, o tre 0 e 1, correspondendo o 0 a uma total equidade na

vaux-Stehres, redigiu um documento em que pedia à

serviço público cria “clientelas” que, então, se recu-

distribuição de rendimento e o 1 a uma situação que

Comissão Europeia um enquadramento ético para o

54 55


GH Reflexões de direito biomédico

ASPETOS ÉTICO

JURÍDICOS

DA PRÁTICA

DA TELESSAÚDE

'

'

Ana Elisabete Ferreira

Advogada e Investigadora

do Centro de Direito Biomédico

André Gonçalo Dias Pereira

Professor da Faculdade de Direito

da Universidade de Coimbra

e Diretor do Centro de Direito Biomédico

Os Serviços partilhados do Ministério

da Saúde criaram recentemente

uma Academia, com o objetivo de

valorizar as competências dos profissionais

na área da saúde, assegurando

a sua formação contínua.

No final do mês de outubro iniciou a primeira formação

na área dos aspetos jurídicos relevantes na área

da telessaúde, tema prioritário no contexto atual.

Envidando compreender os principais conceitos legais

associados à telessaúde, e-health e m-health, bem como

os aspetos éticos e deontológicos relacionados com a

prática da telessaúde, foram convidados para assumir a

formação Alexandre Dias Pereira e Ana Elisabete Ferreira,

ambos investigadores do Centro de Direito

Biomédico da Faculdade de Direito da Universidade

de Coimbra.

Alexandre Dias Pereira, também Professor da Universidade

de Coimbra e com vasta experiência neste campo,

ocupou-se do mercado digital da saúde, da compreensão

dos conceitos de telessaúde, de e-health e

de m-health no contexto jurídico e das boas práticas

médicas nestas áreas, bem como da problemática da

proteção de dados, face ao Regulamento Europeu entrado

em vigor em maio deste ano.

Ana Elisabete Ferreira, Advogada especializada em

Direito da Medicina, ocupou-se especificamente

dos aspetos ético-jurídicos da utilização de robôs

na saúde, em função da sua progressiva automação,

e tendo em vista as respostas jurídicas no âmbito

nacional e internacional para as situações em que

os robôs causem danos a equipamentos e pessoas.

A prática da telemedicina e os desafios jurídicos que

coloca são estudados pelo corpo de investigadores

do Centro de Direito Biomédico há mais de 15 anos,

e é hoje temática protagonista de diversos cursos

breves e workshops. Trata-se de um âmbito específico

da telessaúde que é – na definição da Associação

Médica Mundial – “o exercício da medicina à distância,

cujas intervenções, diagnósticos, decisões de

tratamentos e recomendações estão baseadas em

dados, documentos e outra informação transmitida

através de sistemas de telecomunicação”. A telemedicina

combina áreas tão aliciantes como a medicina,

a informática e as telecomunicações, o que se

reflete no plano jurídico, já que esta matéria cruza

dois ramos jurídicos pouco tradicionais: o direito da

medicina e o direito da informática e dos dados.

Têm surgido, quer a nível internacional, quer a nível

nacional, um corpo de normas jurídicas que pretende

regular a telessaúde e, em particular, a prática de determinados

atos médicos à distância. Além disso, os

diversos atores da discussão ética e jurídica têm vindo

a produzir alguns documentos que permitem orientar

o debate e encontrar linhas discursivas em ordem à

resolução dos problemas que esta atividade levanta.

As vantagens da telemedicina, para o doente, consistem

no facto de ser mais cómoda, com custos

mais baixos e tratamentos mais rápidos. Por sua

vez, do lado do prestador de saúde, há maior possibilidade

de evolução técnica aproveitando os equipamentos

disponíveis; a informação recolhida pode

ser útil no futuro para formação dos profissionais e

obviamente facilitada a obtenção de uma segunda

opinião, designadamente nos casos urgentes. Como

desvantagens para o doente, a doutrina identifica a

maior probabilidade de erro no diagnóstico e maior

risco de quebra da confidencialidade dos dados do

doente. Por seu turno, para o prestador de cuidados,

refere-se a ausência do contacto direto especialista-doente,

bem como os custos inerentes aos

equipamentos e infraestruturas de comunicações,

que podem representar maiores obstáculos à sua

utilização (PEREIRA, André Dias: 2004).

A telemedicina pode, pois, solucionar problemas

geográficos e económicos de doentes isolados, oferecendo

uma forma de obter serviços médicos que

de outro modo não seriam acessíveis. Todavia, acarreta

alguns aspetos negativos, nomeadamente, na

medida em que afeta a relação médico-doente.

Importa, não obstante, esclarecer que a relação entre

médico e doente nem sempre está pressuposta

neste âmbito: a teleassistência, a televigilância, a teleconsulta,

a telecirurgia e a interação entre dois }

56 57


GH Reflexões de direito biomédico


O MÉDICO QUE USA OS MEIOS

DA TELEMEDICINA E NÃO

OBSERVA PRESENCIALMENTE

O DOENTE, DEVE AVALIAR

CUIDADOSAMENTE

A INFORMAÇÃO RECEBIDA.


médicos são distintas possibilidades de telessaúde.

A teleassistência refere-se a uma interação entre o

médico e o doente geograficamente isolado ou que

se encontre num tipo de meio a que não tem acesso

a um médico local (por exemplo, no caso de calamidades

e situações de urgência). A televigilância, por

outro lado, utiliza-se com mais frequência em doentes

com enfermidades crónicas, como a diabetes,

hipertensão, deficiências físicas ou gravidezes difíceis,

que exigem um acompanhamento e monitorização

reiterados ou mesmo permanentes. Na televigilância

há frequentemente transmissão de informação

médica, como resultados de exames, análises

ou prescrições médicas, que permitem vigiar o

estado do doente.

Uma interação onde o doente consulta diretamente

o médico, utilizando qualquer forma de telecomunicação,

como a internet, é denominada de teleconsulta.

Neste caso há certos riscos ligados à incerteza

e à confiança, confidencialidade e segurança

da informação transmitida, assim como relativa à

identidade e credenciais do médico.

Telecirurgia é o termo utilizado para designar diferentes

práticas adjuvantes ao tratamento cirúrgico:

podemos estar perante a mera troca de imagens

vídeo, para efeitos de ensino ou de consulta, ou ainda

a obtenção de assistência de um colega durante

uma operação (telemonitoring). No segundo nível,

para além da consulta e assistência à distância, pode

haver telemanipulação, ou seja, um cirurgião pode

assistir um colega à distância usando ferramentas

técnicas complexas como robôs. Finalmente, há a

“verdadeira” telecirurgia: o cirurgião não se encontra

fisicamente presente junto do doente durante a

operação, apenas o sistema robótico (e algum pessoal

auxiliar) e o telecirurgião controla o robô com

um joystick ou outro instrumento técnico (robotic

surgery).

Por outro lado, a telemedicina também serve a interação

entre médicos: um fisicamente presente com

o doente e outro que coadjuva, à distância, avaliando

exames e sintomas.

O Regulamento n.º 707/2016 da Ordem dos Médicos,

que veio definir os arrimos da Deontologia Médica

em Portugal, ocupou-se largamente do exercício

da telemedicina: define, desde logo, que telemedicina

deve respeitar a relação médico-doente,

mantendo a confiança mútua, a independência de

opinião do médico, a autonomia do doente e a confidencialidade

das suas informações e dados. Quando

o doente pede ou se submete a uma consulta

por telemedicina, esta não deve substituir a relação

médico-doente e deve realizar-se em condições sobreponíveis

a uma consulta presencial, e só deve ser

dada quando o médico tenha uma ideia clara e justificável

da situação clínica.

Ao mesmo passo, o referido Regulamento define

que o médico que usa os meios da telemedicina

e não observa presencialmente o doente, deve

avaliar cuidadosamente a informação recebida, só

podendo dar opiniões, recomendações ou tomar

decisões médicas, se a qualidade da informação recebida

for suficiente e relevante. Já no caso da utilização

da telemedicina em situações de urgência,

pode a opinião do médico teleconsultado ser baseada

numa informação incompleta, mas nesta situação

excecional o médico assistente é responsável

pela decisão a tomar.

Há ainda aspetos relevantes a salientar acerca da

responsabilidade profissional do médico nos atos

praticados no âmbito da telessaúde. Como é evi-

dente, o médico tem liberdade e completa independência

de decidir se utiliza ou recusa a telemedicina,

e pode sempre recusar emitir a sua opinião

sobre um caso relativamente ao qual considere não

dispor de toda a informação necessária.

O médico só deve utilizar a telemedicina depois de

se certificar que a equipa encarregue da sua realização

garante um nível de qualidade suficientemente

alto, funciona de forma adequada e cumpre com as

normas estipuladas. Deve dispor de sistemas de suporte

e utilizar controlos de qualidade e procedimentos

de avaliação para vigiar a precisão e a qualidade

da informação recebida e transmitida. Deve também

certificar-se de que o sistema utilizado e os seus utilizadores

garantem o segredo médico, nomeadamente

através da encriptação de nomes e outros dados

identificadores, assim assegurando a estrita confidencialidade

da informação permutada e registada.

A partir do momento em que utiliza estes expedientes,

deve estar ciente de que, quando envolve

outros colegas, passa a ser responsável pelo tratamento

e pelas decisões e recomendações por ele

dadas ao seu doente. Quanto aos colaboradores

não médicos participantes na transmissão ou receção

de dados, o médico deve assegurar-se de que a

sua formação e competência sejam adequadas, de

modo a poder garantir uma utilização apropriada

da telemedicina e a salvaguarda do segredo médico.

Tendo em conta o desenvolvimento tecnológico

e médico e a proliferação dos modos de comunicação,

bem como a globalização da prestação de

cuidados de saúde e a permanente circulação de

pessoas e bens pelo mundo, é muito natural que

as várias práticas de telessaúde e, em particular, a

telemedicina em sentido estrito, venham a incrementar-se

e a alargar o seu espetro. São, pois, de

louvar as iniciativas que promovem o estudo das

balizas legais e éticas desta prática, antecipando o

alargamento futuro e os desafios que se colocam à

saúde globalizada. Ã

58


GH csp

CUIDADOS DE

SAÚDE PRIMÁRIOS:

EQUIPA COMUNITÁRIA

DE SUPORTE EM

CUIDADOS PALIATIVOS

Fátima Teixeira

Coordenadora Regional da Rede Nacional

de Cuidados Paliativos- ARS Algarve

Membro da Comissão Nacional da Rede Nacional

de Cuidados Paliativos- ACSS

Segundo a Lei de Bases, os “cuidados

paliativos são os cuidados ativos, coordenados

e globais, prestados por unidades

e equipas específicas, em internamento

ou no domicílio, a doentes

em situação de sofrimento decorrente de doença

incurável ou grave, em fase avançada e progressiva,

assim como às suas famílias (…) através da prevenção

e alívio do sofrimento físico, psicológico, social

e espiritual, com base na identificação precoce e

do tratamento rigoroso da dor e outros problemas

físicos, mas também psicossociais e espirituais”.

São, pois, uma filosofia humanitária que cuida sobretudo

de doentes com doenças que ameaçam

a vida, aliviando, não apenas, mas principalmente,

o sofrimento nas suas diferentes dimensões. São

prestados por uma equipa interdisciplinar onde

cada profissional reconhece a especificidade e a

importância complementar do seu trabalho. O trabalho

em equipa é a única forma de assegurar a

qualidade e a eficácia do serviço que possa assegurar

a dignidade da vida do doente até ao fim.

Esta equipa integra-se na Rede Nacional de Cuidados

Paliativos e cumpre os requisitos e as orientações

presentes no Plano Estratégico Para o Desenvolvimento

dos Cuidados Paliativos, Biénio 2017-2018.

A Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos

do Algarve (ECSCP) foi criada em 2007 por

iniciativa da Administração Regional de Saúde (ARS)

como uma iniciativa pioneira nos Cuidados de Saúde

Primários (CSP).

Em 2008, após a reestruturação dos Cuidados de

Saúde Primários com a criação dos ACES (Agrupamentos

dos Centros de Saúde), a equipa ficou a

pertencer ao ACES Sotavento.

Desde então esta equipa abrange todos os concelhos

do ACES: Alcoutim, Castro Marim, Tavira e Vila

Real de Santo António, com uma área de 1544,4

km 2 e 53.600 habitantes (INE, 2011).

A ECSCP do ACES Sotavento é constituída por 4

médicos (Dra. Fatima Teixeira, Dra. Elsa Santos, Dr.

Arménio Ramos e Dra. Ana de Jesus) e 3 enfermeiros

(Enfº Nuno Oliveira, Enfª Lina Mota e Enfº Porfírio

Custodio) e 1 psicóloga (Dra. Rosália Fonseca).

Presta serviço em três frentes: acompanha diretamente,

no domicílio, doentes de complexidade

elevada com sofrimento persistente e doentes em

fim de vida; tem uma Consulta de Medicina Paliativa

na sua sede, no Centro de Saúde de Tavira,

para acompanhamento de doentes (média comple-


Antoine

AQUELES QUE PASSAM POR NÓS, NÃO VÃO SÓS,

NÃO NOS DEIXAM SÓS. DEIXAM UM POUCO DE SI,

LEVAM UM POUCO DE NÓS.

xidade ou complexidade intermitente) de todo o

agrupamento e ainda consultadoria especializada

em cuidados paliativos aos médicos de família, Unidades

e Equipas da Rede Nacional de Continuados

Integrados, assim como às Estruturas Residenciais

de Idosos (ERPIs).

Durante os 10 anos de existência a equipa seguiu

cerca de 500 doentes com doenças crónicas avançadas

e progressivas, mas também doentes com

doenças ameaçadoras da vida. Seguiu doentes com

cancro (adultos e crianças), doenças neurodegenerativas

(esclerose lateral amiotrófica e esclerose

múltipla) e com insuficiência de órgãos (insuficiência

cardíaca e respiratória, entre outras).

Cerca de 54% destes doentes faleceram no domicílio

apesar da elevada carga de cuidados médicos

e de enfermagem de que necessitavam (doentes

complexos), mostrando que a sua atividade fez a diferença

ao permitir aos doentes falecerem em casa

quando foi esse o seu desejo.


de Saint-Exupéry

Estudos demonstram que doentes seguidos no último

mês de vida por Equipas Comunitárias de Suporte

em Cuidados Paliativos, representam cerca

de metade do custo dos doentes que não possuem

acesso a estes cuidados e confirmam a vantagem

económica na perspetiva da utilização racional dos

recursos do Serviço Nacional de Saúde. 1

Ao longo dos anos a equipa recebeu frequentemente

o agradecimento dos doentes e das suas famílias. A

equipa agradece a colaboração dos cuidadores e reconhece

o seu esforço incansável abdicando muitas vezes

da sua vida para dar o melhor aos seus familiares.

Hoje a equipa continua a acreditar e a bater-se para

que ninguém que necessite de cuidados paliativos

diferenciados fique para trás e para que todos os

doentes tenham uma resposta competente e humana

ao seu sofrimento. Ã

1. Teixeira F. Cuidados Paliativos no Domicílio: Poupança ou Desperdício?

Tese de Mestrado, 2011.

60


MARCA A AGENDA

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) promoveu as seguintes iniciativas (outubro - dezembro 2018):

EVENTOS +

Deixamos aqui algumas sugestões de eventos futuros em 2019:

3F: Financiamento, Fórmula para o Futuro – “Saúde,

uma prioridade” | Apresentação publica das conclusões

e recomendações

10 de outubro, Fundação Caloustre Gulbenkian, Lisboa

As conclusões e recomendações do Projeto “3F: Financiamento, Fórmula

para o Futuro” assim como dos projetos-piloto em curso, foram

apresentadas publicamente a 10 de outubro, na Fundação Caloustre

Gulbenkian em Lisboa. O 3F é uma iniciativa da APAH, com o apoio

da Roche que visa promover a discussão de potenciais soluções de

financiamento com vista à criação de valor para os utentes, assim

como o desenvolvimento de projetos-piloto em hospitais do SNS,

por forma a testar a exequibilidade das soluções encontradas e a

sua aplicabilidade e disseminação. Ver artigo na presente edição. Para

mais informações consulte: https://www.saudeumaprioridade.pt

Prémio Healthcare Excellence | Reunião Final e eleição do

Vencedor 2018

19 de outubro, Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos

(SRNOM), Porto

A APAH e a AbbVie promoveram a 5.ª edição do Prémio Healthcare

Excellence com o objetivo de distinguir a excelência na gestão

de unidades de saúde, reconhecendo as boas práticas no domínio

da melhoria do serviço aos utentes, promovendo a sua partilha e

incentivando a sua consolidação. O Vencedor da edição de 2018

foi o projeto “Via Verde Reanimação” apresentado pelo INEM. Ver

reportagem na presente edição.

Ciclo Conferências Rumo ao Norte Hospitalar | “Segurança

em meio hospitalar”

22 de outubro, Grande Auditório João Lobo Antunes, Edifício Egas

Moniz em Lisboa

A APAH coorganizou com o Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa

Norte (CHULN) a 3.ª Conferência inserida no Ciclo de Conferências

Rumo ao Norte Hospitalar” dedicada ao tema “Segurança em

Meio Hospitalar”. No decurso desta conferência foram analisadas as

medidas de autoproteção em edifícios hospitalares, os Planos de emergência,

os simulacros e a segurança contra incêndios.

C-Health Congress 2018

24 de outubro, Lagoas Park Hotel, Porto Salvo

A APAH participou no C-Health Congress 2018, uma iniciativa da IFE

by Abilways dedicado à temática Saúde “Out of the box”. O tema

desta 3.ª edição esteve centrado no debate sobre os cuidados de

saúde para além do ambiente hospitalar.

Ciclo Luso-Brasileiro de Webinares de Gestão de Serviços

de Saúde | “A adopção do Lean em saúde no Brasil

e em Portugal”

05 de novembro, Webconferência

O 3.º Webinar do Ciclo Luso-Brasileiro foi dedicado à discussão do tema

“A adopção do Lean em saúde no Brasil e em Portugal” a cargo de

Rui Cortes da Lean Health Portugal e Ederson Pereira do Brasil. De

registar mais uma vez a elevada adesão de um publico misto entre Brasil

e Portugal e o dinamismo do espaço de perguntas e respostas.

Ciclo Luso-Brasileiro de Webinares de Gestão de Serviços

de Saúde | “Sistema de Saúde Brasileiro”

06 de novembro, Webconferência

O Ciclo Luso-Brasileiro de “Webinars de Gestão de Serviços de Saúde”

é uma iniciativa, da APAH e do Colégio Brasileiro de Executivos da

Saúde (CBEXs), com o objetivo de estreitar relações e promover a excelência

na gestão da saúde através da discussão de temas relevantes

para os gestores de saúde que exercem funções no Brasil e em Portugal.

X Fórum do Medicamento | “Financiamento e Equidade

para um SNS sustentável”

16 de novembro, Centro Cultural de Belém, Lisboa

O Fórum do Medicamento é uma iniciativa anual da Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares (APAH) com o apoio da Astra

Zeneca que visa contribuir para o conhecimento e partilha de boas

práticas na área da gestão da tecnologia medicamento. A 10.ª edição

do Fórum do Medicamento foi dedicada ao “Financiamento e Equidade

para um SNS sustentável”. Ver reportagem na presente edição.

Fórum da Diplomacia da Saúde

26 de novembro, Reitoria da Universidade do Porto (UP) e Faculdade

de Medicina UP, Porto

A APAH apoiou o FÓRUM DIPLOMACIA DA SAÚDE. Esta iniciativa

contou com a presença do Alto-Comissário para a Saúde Global,

os Embaixadores da República Checa e da Guiné-Bissau em Portugal,

os assessores para a saúde e para as relações internacionais da Presidência

da República, o Presidente da APAH entre outros nomes de

relevo na área.

TOP 5 - A Excelência dos Hospitais

27 de novembro, Museu Fundação Oriente, Lisboa

O “TOP 5 - A Excelência dos Hospitais” 2018 teve o apoio institucional

da APAH. Esta iniciativa pretende premiar anualmente os hospitais

do SNS que apresentaram os melhores níveis de desempenho global.

O processo de valoração objetiva do trabalho realizado tem como

base uma metodologia rigorosa que identifica os melhores resultados

mediante um conjunto de indicadores consolidados na avaliação de hospitais.

Esta iniciativa é realizada em Portugal desde 2014 pela IASIST.

Portugal Value Meeting for Health and Care 2018 | NO-

VAsaúde

29 de novembro, Reitoria da Universidade Nova de Lisboa - Campus

de Campolide, Lisboa

A APAH apoiou institucionalmente o “Portugal Value Meeting for

Health and Care 2018” promovido pela platafoma estratégica

“NOVAsaúde - Value Improvment in Health and Care” e foi coorganizado

pela Nova School of Business & Economics e pela Nova

Medical School.

Conferência “Investir em Saúde, Financiar anos de vida”

| Jornal de Negócios + Janssen

4 de dezembro, Pavilhão do Conhecimento, Lisboa

A APAH apoiou institucionalmente a 3.ª Conferência “Investir em

Saúde”, organizada pela Janssen e pelo Jornal de Negócios. A conferência

deste ano contou com um painel de oradores composto por

vários especialistas nacionais e internacionais.

16.º Caminho dos Hospitais | Centro Hospitalar Barreiro

Montijo

07 de dezembro, Hospital Nossa Sra. do Rosário, Barreiro

A APAH e o Centro Hospitalar Barreiro Montijo organizaram mais

uma Conferência/debate inserida na iniciativa “Caminho dos Hospitais”,

desta feita dedicada ao tema “Plano Diretor | que desafios?”. Ver

reportagem na próxima edição.

Medicina e Administração de Sistemas de Saúde | “Cooperação

inter-hospitalar”

14 de dezembro, Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos

(SRNOM), Porto

No âmbito do protocolo assinado entre a SRNOM e a APAH, realizou-se

a 2.ª sessão do Ciclo de Conferências | Medicina e Administração

de Serviços de Saúde. A conferência, intitulada “Cooperação

inter-hospitalarˮ, contou com as participações de Eurico Castro Alves,

Presidente da Comissão Organizadora da Convenção Nacional da

Saúde e de Delfim Rodrigues, Coordenador Nacional para a implementação

e dinamização das Unidades de Hospitalização Domiciliária

nos estabelecimentos hospitalares do SNS.

ORGANIZAÇÃO APAH

Prémio Healthcare Excellence | 6.ª Edição - Abertura das

Candidaturas 2019

Data: 1 de abril a 30 de maio

Mais informações em: https://apah.pt/iniciativas-projetos/premio-

-healthcare-excellence/

6ª Conferência VALOR APAH | Modelos de gestão da qualidade

e melhoria continua

Data: 5 a 6 de abril de 2019

Local: Hotel MH, Peniche

Mais informações em: http://www.apah.pt

À Terça-feira com… | Webinars APAH

Data: 1.ª terça-feira de cada mês

Local: Webconferência

Mais informações em: https://apah.pt/iniciativas-projetos/a-tercafeira-com/

7ª Conferência VALOR APAH | Modelos de gestão centrados

no cidadão e na comunidade

Data: 18 e 19 de outubro de 2019

Local: Hotel Vila Galé, Braga

Mais informações em: http://www.apah.pt

XI Fórum do Medicamento

Data: 15 de novembro de 2019

Local: Centro Cultural de Belém, Lisboa

Mais informações em: https://apah.pt/iniciativas-projetos/forum-domedicamento/

CO-ORGANIZAÇÃO APAH

Caminho dos Hospitais – Conferências debate

Organização: APAH em parceria com Hospitais do SNS e Serviços

Regionais de Saúde

Data: Periodicidade mensal

Mais informações em: https://apah.pt/iniciativas-projetos/caminhodos-hospitais/

Ciclo Luso-Brasileiro | Webinars de Gestão de Serviços

de Saúde

Organização: Parceria APAH + CBEXs

Data: Periodicidade mensal

Local: Webconferência

Mais informações em: www.apah.pt

Liga Portuguesa da Gestão em Saúde (LEGOS)

Organização: Parceria APAH + NOVA IMS destinada a promover a

mudança efetiva na gestão em saúde, assente numa cultura de liderança

e motivação para a inovação organizacional através da aplicação de

metodologias pedagógicas de pensamento criativo e de simuladores

avançados de projetos de mudança.

Mais informações em: www.apah.pt

Medicina e Administração de Sistemas de Saúde – Ciclo

Conferências 2019

Organização: Parceria APAH e Secção Regional Norte da Ordem

dos Médicos (SRNOM)

Mais informações em: https://apah.pt/iniciativas-projetos/medicina-eadministracao-de-servicos-de-saude/

APAH RECOMENDA em 2019

Webinars – Integrated Care Matters Series 3

Esta série de webinars terá um foco particular no envelhecimento ativo

e saudável e na prevenção e gestão da fragilidade. Cada webinar contará

com profissionais de saúde e cuidadores com experiência na im-

plementação de cuidados integrados centrados nas pessoas idosas.

Organização: The International Foundation for Integrated Care

(IFIC) in collaboration with IFIC Scotland and IFIC Ireland

Local: Webconferência

Mais informações em: https://integratedcarefoundation.org/events/

webinar-integrated-care-matters-series-3-3#1540194957625-

c20d3dc8-c1cd

EHMA 2019 Winter School

Organização: European Health Management Association (EHMA)

Programme Directors’ Group

Data: 5 a 7 de fevereiro de 2019

Local: Kloster Eberbach, Alemanha

Mais informações em: https://ehma.org/members/programme-directors/ehma-winter-school/

Forum Annual Lecture on Artificial intelligence | European

Biomedical Policy Forum

Organização: Federation of European Academies of Medicine

(FEAM)

Data: 18 de março de 2019

Local: Bruxelas, Belgica

Mais informações em: https://www.feam.eu

19th International Conference on Integrated Care | Evaluating

and implement models of integrated peoplecentred

services

Organização: International Foundation for Integrated Care (IFIC)

Data: 1 a 3 de abril de 2019

Local: San Sebastian, País Basco – Espanha

Mais informações em: https://integratedcarefoundation.org/events/

icic19-19th-international-conference-on-integrated-care-san-sebastian-basque-country

The HOPE Exchange Programme 2019

Organização: HOPE European Hospital and Health Care Federation

Data: 6 maio a 4 Junho de 2019

Local: Estágio de formação.

Mais informações em: http://www.hope.be/national-coordinators/

The HOPE Agora | Evidence-informed decision-making

in healthcare management

Organização: HOPE European Hospital and Health Care Federation

Data: 2 a 4 junho de 2019

Local: Ljubljana, Eslovénia

Mais informações em: http://www.hope.be/programme-2019/

EHMA 2019 Annual Conference | HEALTH MANAGE-

MENT 2.0

Organização: European Health Management Association (EHMA)

Data: 17 a 19 de junho de 2019

Local: Eespo, Finlandia

Mais informações em: https://ehma.org/events/annual-conference/

EAHM 2019 | 6 Hospitals 6 Themes

Organização: European Association of Hospital Managers (EAHM) e

Belgian Association of Hospital Managers (BVZD/ABDH)

Data: 12 e 13 de setembro de 2019

Local: Ghent, Bélgica

Mais informações em: http://eahm2019.eu/venue/ghent-belgium

22th European Health Forum

Organização: European Health Forum Gastein (EHFG)

Data: 2 e 4 Outubro de 2019

Local: Bad Hofgastein, Austria

Mais informações em: http://www.ehfg.org/

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63


Cuidados de Saúde

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CICLO DE CONFERÊNCIAS 2018

RUMO

AO NORTE

HOSPITALAR

19 DE MARÇO

DESAFIOS DA INOVAÇÃO

E SEGURANÇA DE INFORMAÇÃO

17 DE SETEMBRO

SANTA MARIA GREEN HOSPITAL:

O FUTURO É HOJE

22 DE OUTUBRO

SEGURANÇA EM MEIO HOSPITALAR

UMA PARCERIA CHULN | APAH


EDITORIAL CHuLn

EDITORIAL APAH

Dr. Carlos das Neves Martins

Presidente do Conselho de Administração

Ciclo

de conferências

inovador

Alexandre Lourenço

Presidente da APAH

somos #apah

Normalmente o dia de trabalho numa instituição de

saúde, sobretudo com a missão e casuística como é

o nosso caso, absorve a sua administração, e outros

dirigentes intermédios, na procura constante da resolução ou,

às vezes, na minimização dos problemas que, diariamente, surgem

inopinadamente e obrigam toda a estrutura dirigente a

actuar muitas vezes por reação e não, como procuramos, por

antecipação. Este consumo de horas de trabalho, ao qual não

se consegue escapar, sobrevive debaixo das múltiplas e complexas

variáveis da exigente gestão, sobretudo numa instituição

hospitalar universitária e com enormes responsabilidades

também externas.

Na minha responsabilidade de Presidente do Conselho de

Administração do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa

Norte (CHULN), procuro, e felizmente tenho conseguido,

ter tempo para motivar e envolver os dirigentes e os profissionais,

em temas de pertinência atual, intrínsecos a esta

instituição, levando-os à sua divulgação intra e extramuros e

permitindo o seu debate, consciente da sua enorme importância,

mérito e inovação.

O desafio que fizemos no início deste ano à Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares (APAH), desde logo

pela sintonia de inconformismo e ambição permanente de fazer

mais e melhor pelo SNS, mas também pelo papel determinante

que esta prestigiada associação, com maior enfoque

para a área hospitalar, executa no desenvolvimento do seu trabalho

sinérgico com os múltiplos conselhos de administração

hospitalares, em geral e nos seus objetivos de cumprimento,

se possível, de superação, dos programas de contratualização

externo e interno.

A anuência imediata da APAH ao nosso desafio, criou uma parceria

intitulada “Ciclo de Conferências CHULN/APAH 2018:

Rumo ao Norte Hospitalar”. Três Conferências e três temas

cruciais foram, então, decididos abordar: (1) Desafios da Inovação

e Segurança da Informação, (2) Santa Maria Green Hospital:

O Futuro é Hoje e (3) Segurança em Meio Hospitalar.

Convido-vos agora a ler com maior pormenor os conteúdos

resumidos destas três Conferências, que estão nesta brochura

devidamente tratados, permitindo-me, apenas, realçar de

cada uma daquelas e sob o meu critério de apreciação, pontos

marcantes de grande mudança, clara inovação e prospetiva

estratégica de gestão.

Na primeira Conferência “Desafios da Inovação e Segurança

da Informação”, realço a ameaça dos ciberataques nos sistemas

informáticos de saúde de todo o mundo, o seu impac-

to e recomendações. Com o avanço da tecnologia no meio

hospitalar é imprescindível adotar medidas técnicas defensivas,

mas também consciencializar e capacitar colaboradores

e cidadãos com competências de cibersegurança. E noutra

perspetiva a telesaúde em diferentes vertentes, a telemonitorização

de doentes e a telereabilitação de pacientes, onde

estamos a apostar em parcerias externas e inovadoras ao serviço

do doente e sua família.

Na segunda Conferência “Santa Maria Green Hospital: O

Futuro é Hoje”, sublinho o pilar da inovação e da liderança

nacional ao nível das boas práticas em meio hospitalar de

economia de escala, recurso a energias limpas e renováveis, a

sustentabilidade ambiental. Tendo sido relevante ouvir de um

membro do Governo que este projeto global do Hospital

de Santa Maria vem reforçar o apoio e o compromisso do

Governo, por parte de uma das maiores instituições do país

e que vai ao encontro do cumprimento das ambiciosas metas

assumidas pelo Estado Português com a sua adesão ao Acordo

de Paris para as Alterações Climáticas.

Por último, a terceira Conferência “Segurança em Meio Hospitalar”,

centrou-se na segurança, enquanto preocupação dos

responsáveis da instituição, pelo que a sua organização teve

como propósito a sensibilização e o reforço da necessidade

de profissionalismo no planeamento, condução e avaliação da

segurança global da instituição, dos seus profissionais e doentes

e da população geral que a frequenta e serve. A exibição

desses planos internos e externos de segurança e relato dos

respetivos simulacros de treino e de aprimoramento da experiência

perante a catástrofe culminaram com a justificação

e mérito do tema, também na preservação da vida humana,

do meio ambiente e do património.

Orgulho-me pois pela realização deste inovador Ciclo de

Conferências CHULN/APAH: Rumo ao Norte Hospitalar,

assim como de todos os profissionais desta instituição que se

envolveram na sua organização e a quem, na impossibilidade

de me dirigir a cada um deles, me sinto credor de uma palavra

de forte agradecimento pelo êxito daquele mesmo.

Por fim, a merecida palavra pública de agradecimento à Associação

Portuguesa de Administradores Hospitalares, na

pessoa do seu Presidente, Dr. Alexandre Lourenço, pela fantástica

parceria e por ter aceite este desafio, reconhecimento

que lhe renovo e que gostaria de ver continuado no tempo

futuro, noutro ciclo de ímpares momentos de partilha de

saber e de reflexão aberta, recebendo o CHULN de novo

todo o prestígio e experiência da APAH. Ã

A

evolução demográfica, o consequente envelhecimento

da população, a transformação digital da sociedade,

as fortes restrições orçamentais dos últimos

anos… Estes são apenas alguns exemplos de uma longa lista

de desafios com os quais o sistema de saúde se depara atualmente.

Desafios que exigem respostas diferentes, inovadoras

e focadas em dois pontos fundamentais: a sustentabilidade e a

prestação de cuidados de qualidade.

A gestão de serviços de saúde encontra-se em constante evolução

e é preciso reconhecer que as Instituições de Saúde em

Portugal têm revelado uma extraordinária capacidade de se

reinventarem e de se adaptarem, inovando na prestação de

melhores cuidados de saúde aos utentes, da forma mais eficiente

possível.

Temos consciência de que frequentemente os desafios são comuns

às várias unidades de saúde e que existem boas práticas

com resultados comprovados. Projetos que procuram superar

limites, que revelam ser verdadeiros casos de sucesso com

ganhos relevantes para os doentes. São, muitas vezes, ideias

aparentemente simples, fáceis de adaptar, que exigem pouco

ou nenhum investimento financeiro, mas que geram um elevado

retorno quer para a sustentabilidade do SNS, quer para o

bem-estar dos doentes e das suas famílias.

No reconhecimento desta realidade, aceitámos o desafio do

Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, na pessoa do

Presidente do Conselho de Administração, Dr. Carlos Martins,

para sermos parceiros de um ciclo de conferências cujo objetivo

maior foi promover a discussão de temas atuais da gestão

hospitalar com vista a apontar caminhos para o desenvolvimento

das unidades de saúde. Em 2018, e “Rumo ao Norte

Hospitalar” debatemos em conjunto boas práticas e projetos

pioneiros relacionados com os sistemas de informação e telemonitorização

de doentes, com a importância da preservação

do meio ambiente e da gestão energética, e com a gestão do

risco e segurança do doente.

Está no DNA da Associação Portuguesa de Administradores

Hospitalares contribuir como agente ativo para a excelência na

prestação de cuidados de saúde ao cidadão, pelo que iniciativas

como esta, dinamizadoras de um rumo de mudança, serão

sempre merecedoras do nosso apoio, a bem do lema: Melhor

gestão, mais SNS. Ã

2 3


CONFERÊNCIAS CHuLN APAH

Ciclo de Conferências

"Rumo ao Norte Hospitalar"

14H00

Abertura

Dr. Carlos das Neves Martins | Presidente do Conselho de Administração do CHLN

Dr. Alexandre Lourenço | Presidente da Direção da APAH

14H15

Conferência inaugural “Os desafios da cibersegurança no meio hospitalar”

Isabel Batista | Centro Nacional de Cibersegurança

14H45

Casos CHLN “A inovação ao serviço da qualidade e da segurança”

Moderadora: Teresa Magalhães | CHLN)

Comentadora: Isabel Baptista | Centro Nacional de Cibersegurança

Avaliação de satisfação de utilizadores - Celeste Barreto | CHLN

Telemonitorização do doente com ICC - Dulce Brito | CHLN

Telereabilitação no doente com DPOC - Cristina Bárbara | CHLN

Teleconsulta e Processo Clínico Paper Free - Luís Salavisa | CHLN

16H00

Intervalo para Café

16H15

Conferência “A inovação nos dispositivos médicos e os desafios da Segurança de dados”

José Tribolet | IST/INESC

16H45

17H30

Moderador: Fausto Pinto | FMUL

Comentadores: José Tribolet | IST/INESC

Pedro Almeida | IBEB/FC/UL

Paulo Borges | SeguraTI

João Valente Cordeiro | ENSP/UNL

Sessão de Encerramento

Adalberto Campos Fernandes

O

Centro Hospitalar Universitário de Lisboa

Norte, EPE (CHULN), e a Associação Portuguesa

de Administradores Hospitalares

(APAH), em parceria, promoveram um ciclo de conferências

com o lema Rumo ao Norte Hospitalar.

Tendo como objetivo a discussão de temas atuais

da gestão hospitalar, no âmbito dos sistemas de

informação, da gestão energética e ambiente, e da

segurança do doente, e visando a promoção do

envolvimento e, consequente, desenvolvimento das

unidades de saúde.

A 1ª Conferência “Desafios da Inovação e Segurança

da Informação” teve lugar no dia 19 de Março de

2018 e contou com a presença de diversas individualidades

que apresentaram um conteúdo enriquecedor

e esclarecedor da crescente utilização de

meios tecnológicos na área da saúde.

A conferência iniciou-se com os discursos dos Senhores

Presidentes do CHLN e da APAH, Dr. Carlos

Martins e Dr. Alexandre Lourenço, nos quais destacam

a relevância da parceria, na perspetiva da inovação

do setor público da saúde.

A apresentação inaugural da conferência coube ao

Centro Nacional de Cibersegurança, pela Dra. Isabel

Batista, com o tema Os Desafios da Cibersegurança

no Meio Hospitalar, na qual demonstrou exemplos

de ciberataques nos sistemas informáticos de saúde

de todo o mundo, o seu impacto e recomendações.

Com o avanço da tecnologia no meio hospitalar é imprescindível

adotar medidas técnicas defensivas, mas

também consciencializar e capacitar colaboradores e

cidadãos com competências de Cibersegurança.

A sessão seguiu com a moderação da Dra. Teresa

Magalhães, Administradora Hospitalar no CHLN,

que destacou a Inovação ao Serviço da Qualidade e

da Segurança, e em que apresentou diversos casos

do CHLN. O primeiro foi exposto pela Prof.ª Dra.

Celeste Barreto, Diretora do Serviço de Pediatria }

4 5


CONFERÊNCIAS CHuLN APAH

Médica do CHLN, com foco na avaliação de satisfação

de utilizadores, e no qual apresentou o cidadão

como centro do sistema de saúde. Apresentou as

várias fases do processo de certificação do Departamento

de Pediatria do CHLN, com enfoque no

grau de satisfação do utente e respetivos métodos

de avaliação.

O segundo caso foi exposto pela Prof.ª Dra. Dulce

Brito, médica cardiologista do CHLN, e em que

demonstra a relevância da telemonitorização do

doente com insuficiência cardíaca crónica. Apresenta

a prevalência na insuficiência cardíaca, a fases de

evolução da doença e o peso dos custos associados

à prestação de cuidados médicos. Apresentou os

resultados positivos na implementação do programa

de telemonitorização dos insuficientes cardíacos,

concluindo ser, seguramente, uma mais-valia na gestão

da doença.

O terceiro caso foi apresentado pela Prof.ª Dra. Cristina

Bárbara, defendendo a telereabilitação em pacientes

com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

O programa permite uma avaliação/controlo clínico

do doente no seu domicílio, pelos vários profissionais

de saúde (médico, fisioterapeuta, enfermeiro, etc.), e o

que torna possível e seguro a realização de exercício

físico, com benefício na diminuição dos sintomas da

doença, mesmo nos casos mais graves.

O último caso foi apresentado pelo Eng.º Luís Salavisa,

Diretor do Serviço de Sistemas de Informação

do CHLN, e no qual destacou a realização de teleconsultas,

pela acessibilidade e disponibilidade, com

a consequente melhoria dos tempos de resposta.

Apresentou ainda os desafios do CHLN na gestão

do Arquivo Clínico e as vantagens da transformação

digital, centralizando todo o processo numa única

plataforma, disponível 24horas/dia, 365dias/ano, garantindo

o cumprimento das atuais normas de proteção

de dados.

Após pausa de coffee-break, retomou a conferência

o Prof. José Tribolet, Professor no Departamento de

Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico,

com o tema A Inovação nos Dispositivos Médicos e

os Desafios da Segurança de Dados. Alertou para a

facilidade atual de existirem ciberataques em Portugal,

e para a necessidade de nos prevenirmos destas

situações. Salientou a necessidade de implementação

de uma arquitetura de segurança dos sistemas de

saúde nacionais, assegurando um elevado nível de

confidencialidade e capacidade de controlo de acessos

abusivos a informação sobre a saúde dos utentes.

Esta primeira conferência terminou com o discurso

do Senhor Ministro da Saúde, Prof. Dr. Adalberto

Campos Fernandes, que elogiou a iniciativa do

CHLN e da APAH, defendendo a ideia de um mundo

mais equitativo, destacando ainda alguns temas

que também devem ser discutidos, como a gestão

de risco, a falta de interoperabilidade nos sistemas

hospitalares e a literacia em saúde. Ã

6 7


CONFERÊNCIAS CHuLN APAH

Conferência "Santa Maria

Green Hospital: O Futuro

é Hoje"

14H00

Abertura do Secretariado

| PROGRAMA

14H30

14h00

14h30

16H00

16h00

18h15

Sessão de Abertura

Dr. Carlos das Neves Martins | Presidente do Conselho de Administração do CHLN

Abertura do Secretariado

Eng.º Carlos Martins | Sua Excelência o Secretário de Estado do Ambiente

Sessão de Abertura

Dr. Carlos das Neves Martins | Presidente do Conselho de Administração do CHLN

Eng.º Carlos Martins | Sua Excelência o Secretário de Estado do Ambiente

15H00 1.º Painel | O projeto “Santa Maria Green Hospital”

Moderadora: Dra. Ana Filipa Nunes | Jornalista

15h00 Equipa 1.º Painel do “Santa | O Maria projeto Green “Santa Hospital”: Maria Green Hospital”

Eng.º Carlos Duarte | Gestor Local de Energia e Carbono

Moderadora Dra. Ana Filipa Nunes | Jornalista

Eng.º Luis Salavisa | Diretor do Serviço de Sistemas de Informação

Equipa do “Santa Maria Green Hospital”

Enf.º José Esteves | Assessor do Presidente do Conselho de Administração do CHLN

Eng.º Carlos Duarte | Gestor Local de Energia e Carbono

para o “Green Hospital”

Eng.º Luis Salavisa | Diretor do Serviço de Sistemas de Informação

Enf.º José Esteves | Assessor do Presidente do Conselho de Administração do CHLN para o

“Green Hospital”

Intervalo para Café

Intervalo para Café

16h15 2.º Painel | “A Eficiência Energética”

16H15 2.º Painel | “A Eficiência Energética”

Moderador: Moderador Eng.º Nuno | Eng.º Jorge Nuno | Diretor Jorge do | Serviço Diretor do de Serviço Instalações de Instalações e Equipamentos e Equipamentos do

do “Green Hospital”

Eng.ª Gorete Soares | ADENE – Agência para a Energia

Eng.ª Gorete Soares | ADENE – Responsável Agência para pela a Unidade Energia de Missão Eco.AP

Eng.º Carlos Branco | Ordem

Responsável

dos Engenheiros

pela Unidade de Missão Eco.AP

Eng.º Carlos Eng.º Branco Fernando | Ordem Martins dos Engenheiros

| Direção Geral Energia e Geologia

Diretor de Serviços de Sustentabilidade Energética

Eng.º Fernando Martins | Direção Geral Energia e Geologia

17h15 3.º Painel | “A Sustentabilidade Ambiental”

Diretor de Serviços de Sustentabilidade Energética

17H15

18H15

Moderador | Eng.º Nelson Baltazar | Assessor do Presidente do Conselho de

3.º Painel | “A Sustentabilidade Ambiental” Administração

Moderador: Engº Nelson Baltazar | Assessor do Presidente do C. A.

Eng.ª Mercês Ferreira | Agência Portuguesa do Ambiente | Vogal do Conselho Diretivo

Eng.ª Mercês Ferreira | Agência Portuguesa do Ambiente | Vogal do Conselho Diretivo

Prof.ª Amparo Sereno | Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos

Vice-Presidente da Comissão Diretiva

Prof.ª Amparo Dra. Judite Sereno Leal | Associação | Valorsul | Portuguesa Departamento dos de Recursos Comunicação Hídricos

Vice-Presidente da Comissão Diretiva

Sessão de Encerramento

Dra. Judite Leal | Valorsul | Departamento de Comunicação

Dr. Alexandre Lourenço | Presidente da Direção da APAH

Dra. Rosa Valente de Matos | Sua Excelência a Secretária de Estado da Saúde

Sessão de Encerramento

Dr. Alexandre Lourenço | Presidente da Direção da APAH

Dra. Rosa Valente de Matos | Sua Excelência a Secretária de Estado da Saúde

Teve lugar no passado dia 17 de Setembro no

Edifício Egas Moniz da Faculdade de Medicina

da Universidade de Lisboa, a 2.ª conferência

do Ciclo de Conferências CHULN/APAH 2018

Rumo ao Norte Hospitalar, dedicada ao tema

“Santa Maria Green Hospital – O Futuro é Hoje”.

A organização desta conferência visava o cumprimento

de 2 grandes objetivos!

O primeiro, a divulgação da ideia e do conceito

“Green Hospital” por todos os profissionais e colaboradores

do Centro Hospitalar Universitário de

Lisboa Norte (CHULN), convocando-os e motivando-os

para serem agentes ativos na “construção” do

“primeiro Hospital Verde do País”.

O segundo, a divulgação externa e mediática da ambição

da transformação do Hospital de Santa Maria

num “Green Hospital”, o primeiro do País, cumprindo

os critérios da Agenda Global para os Hospitais

Verdes e Saudáveis e obtendo por essa via a sua

certificação internacional e consequente inclusão na

Rede Global de Hospitais Verdes e Saudáveis.

Este segundo objetivo tinha ainda inerente a afirmação

do Projeto “Santa Maria Green Hospital” como

mais um dos exemplos da aposta estratégica instituída

pelo Conselho de Administração do CHULN e

pelo seu Presidente, Dr. Carlos das Neves Martins,

no pilar da Inovação e da Liderança Nacional ao nível

das boas práticas em meio hospitalar.

O cumprimento deste segundo objetivo começou

ainda antes da realização da própria conferência,

com a publicação pelo semanário “Expresso” de

uma ampla reportagem sobre a conferência e sobre

o projeto “Santa Maria Green Hospital”, que incluiu

uma clara afirmação do Dr. Carlos Martins sobre

os grandes objetivos e as medidas a implementar

tendo em vista a sua concretização, bem como

afirmações de apoio à iniciativa pelo Sr. Secretário

de Estado do Ambiente, Eng.º. Carlos Martins. De

destacar ainda que, já depois da conferência, no dia

22 de Outubro, o Projeto “Santa Maria Green Hospital”

foi igualmente objeto de uma reportagem no

programa “Saúde em Dia” do canal especializado de

televisão por cabo “Saúde +”.

A Conferência teve na Sessão de Abertura a intervenção

do Sr. Presidente do Conselho de Administração,

Dr. Carlos das Neves Martins, que explicou

“a Razão”, o “Conceito” e “a Ideia” deste Projeto

e a sua importância estratégica para o CHULN. De

seguida, usou da palavra o Sr. Secretário de Estado

do Ambiente, Eng.º. Carlos Martins, que reforçou }

8 9


CONFERÊNCIAS CHuLN APAH

o apoio e o compromisso do Governo com o desenvolvimento

deste projeto por parte de uma das

maiores instituições do País, que vai de encontro ao

cumprimento das ambiciosas metas assumidas pelo

Estado Português com a sua adesão ao Acordo de

Paris para as Alterações Climáticas.

Seguiu-se depois um 1.º Painel para a apresentação

técnica e mais detalhada do Projeto “Santa Maria

Green Hospital”, dos seus grandes objetivos e das

medidas que o compõem, incluindo um ponto de

situação atualizado sobre a fase de implementação

de cada um deles e os constrangimentos existentes,

evidenciando também os “ganhos” já obtidos com

as medidas que foram possíveis já implementar. A

apresentação deste painel esteve a cargo de 3 dos

elementos da equipa do “Santa Maria Green Hospital”,

o Eng.º. Carlos Duarte (Gestor Local de Energia

e Carbono), o Eng.º. Luís Salavisa (Diretor do Serviço

de Sistemas de Informação do CHULN) e o

Enf.º. José Esteves (Assessor do Presidente do Conselho

de Administração do CHULN para o “Green

Hospital”), tendo sido moderado pela jornalista da

TVI, Ana Filipa Nunes.

O 2.º Painel foi dedicado à “Eficiência Energética”,

tendo sido abordada a realidade atualmente existente

no País e no Mundo relativamente ao atual paradigma

energético em que assentam as sociedades

modernas e o seu desenvolvimento, suportado nos

hidrocarbonetos altamente poluentes e geradores

dos gases com os efeitos de estufa que estão na

origem das alterações climáticas que poderão trazer

no curto prazo consequências trágicas para a Humanidade,

se não ocorrer uma alteração de paradigma

com aposta nas energias limpas e renováveis. Neste

painel estiveram representadas a ADENE, a Ordem

dos Engenheiros, e a DGEG, tendo a moderação

ficado a cargo do Eng.º. Nuno Jorge, Diretor do Serviço

de Instalações e Equipamentos do CHULN.

O 3.º e último painel, intitulado “A Sustentabilidade

Ambiental”, abordou as questões da Água e dos

Resíduos, tendo nele participado a APA, a APRH

e a VALORSUL, mediante a moderação do Eng.º.

Nelson Baltazar, Assessor do Sr. Presidente do Conselho

de Administração do CHULN para as áreas do

Planeamento e da Investigação e Desenvolvimento.

Neste painel foi focada a água como elemento essencial

à vida e a sua escassez crescente, em virtude

do exponencial crescimento da população e do

facto da água potável disponível constituir apenas

uma ínfima parte da totalidade da água existente no

planeta, motivo pelo qual o combate ao seu desperdício

e a consciencialização global para o imperioso

e cada vez mais urgente uso racional ser inadiável,

passando tal também pelo recurso a fontes alternativas

(águas tratadas em ETAR’s e águas pluviais)

para fins alternativos compatíveis como instalações

sanitárias, regas e lavagens de ruas ou espaços públicos.

No que respeita aos resíduos foi avaliada

a deposição, transporte, tratamento, valorização e

destino final dos diversos tipos de resíduos, quer os

“urbanos”, quer os “hospitalares”, tendo-se concluído

que, apesar do País já dispor de equipamentos

e tecnologia para fazer o adequado tratamento e

destino de cada tipo de resíduos, muito há ainda

por fazer ao nível do comportamento individual de

cada um, quer quanto à crescente quantidade produzida,

quer quanto ao adequado manuseamento e

à correta separação e triagem, de forma a potenciar

possibilidades de reciclagem e reutilização, com evidentes

ganhos para a sustentabilidade dos recursos

naturais do planeta num momento em que este já

não tem capacidade de os repor à velocidade a que

os estamos a usar.

Seguiu-se a Sessão de Encerramento, com a participação

do Sr. Presidente da APAH, Dr. Alexandre

Lourenço, que elogiou o projeto, não só pelas questões

inerentes às preocupações ambientais e com

o futuro do planeta que lhe estão inerentes, mas

também pelo que ele representa da visão moderna

que se pretende para a gestão e administração dos

hospitais enquanto partes de um todo integrados e

preocupados com uma relação saudável e equilibrada

com o meio em que se inserem e com as preocupações

ambientais do país, bem como a conferência

que permitiu uma análise e discussão alargada e transversal

de todas estas preocupações e dos desafios

que todos temos pela frente neste domínio.

A intervenção de encerramento foi proferida pela

Sra. Secretária de Estado da Saúde, Dra. Rosa Valente

de Matos, que destacou a aposta do CHULN

numa área tão estratégica e que representa uma

visão diferente da tradicional na gestão de uma instituição

hospitalar, a que acresceu o facto de se tratar

de um Centro Hospitalar Universitário com a dimensão

nacional e as responsabilidades que lhe são

reconhecidas e fazem dele sempre um exemplo a

seguir ao nível das boas práticas e da Inovação, tendo

reafirmado o total empenho e apoio do Governo

à concretização e ao sucesso do Projeto “Santa

Maria Green Hospital”! Ã

10 11


CONFERÊNCIAS CHuLN APAH

Segurança em Meio Hospitalar

14H00

Abertura do Secretariado

| PROGRAMA

14H30 Sessão de Abertura

14h00 | Abertura do Secretariado

14h30 | Sessão de Abertura

Dr. Carlos das Neves Martins | Presidente do Conselho de Administração do CHULN

14H50 Plano de Emergência Hospitalar

Dr. Alexandre Lourenço | Presidente da Direção da APAH

14h50 | Plano de Emergência Hospitalar

15H05Dra. Situação Ângela Cristina de Emergência Alves | Comissão no Heliporto de Catástrofes e Emergência Interna do CHULN

15h05 | Situação de Emergência no Heliporto

Enf.º José Alexandre Santos Abrantes | Diretor do Heliporto do CHULN

15H20

15h20 | Organização da Segurança

Dr. Joaquim Ferreira Alves | Delegado de Segurança

15H30 Intervalo para café

15h30 | Intervalo para café

15h45 15H45 | Medicina de Catástrofes e Eventos de Massas

Dr. António Marques | Consultor do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde

16h15 | Medidas de Autoproteção em Edifícios Hospitalares

16H15

Dr. João Nunes | Serviço Municipal de Proteção Civil

16h45 | Segurança contra Incêndios

16H45

Eng.ª Cristina Caramujo | Regimento Sapadores Bombeiros

17h00 | A Validação da Segurança; os Simulacros e sua Credibilidade

17H00 Eng.º José Eduardo Goulão Marques | Instituto Superior de Educação e Ciências

17H30 | Encerramento

17H30General Carlos Manuel Mourato Nunes |Presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil


Dr. Carlos das Neves Martins | Presidente do Conselho de Administração do CHULN

Dr. Alexandre Lourenço | Presidente da Direção da APAH

Dra. Ângela Cristina Alves | Comissão de Catástrofes e Emergência Interna do CHULN

Enf.º José Alexandre Santos Abrantes | Diretor do Heliporto do CHULN

Organização da Segurança

Dr. Joaquim Ferreira Alves | Delegado de Segurança

Medicina de Catástrofes e Eventos de Massas

Dr. António Marques | Consultor do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde

Medidas de Autoproteção em Edifícios Hospitalares

Dr. João Nunes | Serviço Municipal de Proteção Civil

Segurança contra Incêndios

Eng.ª Cristina Caramujo | Regimento Sapadores Bombeiros

A Validação da Segurança, os Simulacros e sua Credibilidade

Eng.º José Eduardo Goulão Marques | Instituto Superior de Educação e Ciências

Encerramento

General Carlos Manuel Mourato Nunes | Presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil

Teve lugar no passado dia 22 de outubro, no

Auditório João Lobo Antunes – Edfício Egas

Moniz da Faculdade de Medicina de Lisboa,

no campus do Hospital de Santa Maria, a 3.ª Conferência

deste Ciclo, dedicada ao Tema “Segurança

em Meio Hospitalar”.

Como a Segurança é a nossa preocupação, ao organizarmos

esta conferência tivemos como propósito

a “Sensibilização e o Reforço da Necessidade de Profissionalismo

no Planeamento, Condução e Avaliação

da Segurança” que temos instalada no nosso local de

trabalho e não só, bem como simulacros.

Foi preocupação dos palestrantes alertar e relembrar

para os riscos que corremos diariamente, como evitá-

-los e enfrentá-los, mostrando como estão organizados

os nossos edifícios, divulgando os Planos de Emergência

Hospitalar e do Heliporto, não esquecendo que:

• A segurança compete e é responsabilidade de todos;

• A segurança não é um custo;

• A segurança é um investimento.

Na segunda parte foram apresentadas recomendações

para a organização de um Plano de Contingência Hospitalar

numa situação de Emergência Externa, tendo sido

abordada e avaliada a este propósito qual a responsabilidade

dos hospitais num Plano de Contingência.

A este propósito, foi salientada a responsabilidade e

as diferentes responsabilidades na previsão/elaboração

de um plano de contingência para a receção de

doentes, no contexto de uma situação de exceção,

isto é, com exigência de resposta acrescida perante

uma situação de múltiplas vítimas e um grande

número de doentes com patologia particularmente

complexa, no Serviço de Urgência Hospitalar.

Reconhecendo a importância estratégica da verten- }

12 13


CONFERÊNCIAS CHuLN APAH

te técnica na análise e planificação do Plano Hospitalar

de Emergência Externa, num espírito de colaboração,

foram apresentadas um conjunto de recomendações

visando promover a boa prática na planificação

e gestão de situações na sequência desta afluência

atípica ao Serviço de Urgência.

Este deverá ser um plano intemporal e como tal deverá

permanecer para além de um determinado evento.

Foi igualmente evidenciado que a planificação, deverá

assentar numa vertente fortemente operacional em

função das necessidades decorrentes da situação de

exceção, implicando um esforço prévio de organização

estrutural, com o inerente benefício prático para

o funcionamento normal do Hospital a nível de: comando

e controlo, segurança, comunicações, avaliação

inicial/triagem, tratamento e transporte de doentes.

Ao ser acionado o Plano Hospitalar de Emergência

numa instituição, poderão ser chamados a participar

outros Hospitais com Serviços de Urgência, pelo que

também estes devem possuir planos de emergência.

Num Plano Hospitalar de Emergência deverá ser

feito um levantamento da situação e rentabilização

dos meios em áreas estratégicas: bloco operatório,

cuidados intensivos, unidades especiais (por exemplo,

queimados, pediatria...), enfermaria de retaguarda etc.

Foi assim divulgado um conjunto de recomendações

com o intuito de facilitar a organização hospitalar e

promover as boas práticas neste domínio, necessariamente

multiprofissional, visando a informação e a

sensibilização dos profissionais de saúde em relação

às exigências da planificação hospitalar para as situações

de exceção.

De seguida, quisemos saber como funciona a Segurança

na nossa cidade e a nível nacional e qual

a nossa responsabilidade, dando a palavra aos técnicos

do Regimento de Sapadores Bombeiros e

Serviço Municipal de Proteção Civil, que elencaram

a legislação vigente a este propósito, da qual se destaca

o Decreto-lei 220/2008 de 12/11 com a sua

republicação pelo Decreto-lei 224/2015 de 9/10 e

Portarias complementares, que têm como princípios

gerais a preservação da vida humana, do ambiente

e do património cultural e visam, em especial:

• Reduzir a probabilidade de ocorrência de incêndios;

• Limitar o desenvolvimento de eventuais incêndios;

• Facilitar a evacuação e o salvamento dos ocupantes

em risco;

• Permitir a eficaz intervenção dos meios de socorro.

Esta é uma competência da AUTORIDADE NA-

CIONAL DE PROTEÇÃO CIVIL delegável na Camara

Municipal de Lisboa.

Por fim foi evidenciada a missão e a finalidade da Proteção

Civil que, conforme explicitado se traduz em:

• PREVENIR riscos coletivos inerentes a situações

de acidente grave ou catástrofe;

• ATENUAR os seus efeitos;

• PROTEGER;

• SOCORRER as pessoas e bens em perigo quando

aquelas situações ocorram;

• CRIAR MEDIDAS DE AUTOPROTEÇÃO.

O encerramento esteve a cargo do Presidente da Autoridade

Nacional de Proteção Civil, General Carlos Manuel

Mourato Nunes, que se congratulou com esta iniciativa,

alertando para as responsabilidades reconhecidas

de todos, em especial dos que fazem parte do CHULN,

como um bom exemplo a seguir ao nível das boas práticas,

disponibilizando-se pessoal e institucionalmente para

colaborações em futuros eventos desta natureza. Ã

14 15


Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, EPE (CHULN)

Av. Professor Egas Moniz

1649-035 Lisboa

www.chln.min-saude.pt

Parque da Saúde em Lisboa,

Avenida do Brasil n.º 53 – Pavilhão 11,

1º Andar Nascente,

1749-002 Lisboa

www.apah.pt


SUPLEMENTO COMERCIAL REVISTA GESTÃO HOSPITALAR Nº15

FACILITY

MANAGEMENT

HOSPITALAR

RIGOR E COMPETÊNCIA TÉCNICA

As unidades hospitalares são um universo complexo e o seu

funcionamento envolve as mais diversas componentes e variáveis,

que em muito ultrapassam o âmbito médico.

Da manutenção integral à higiene e limpeza, passando pela eficiência

energética e segurança, além de tantas tarefas, são áreas

que requerem grande competência técnica e elevado rigor.

Uma tendência que tem vindo a ganhar expressão é a integração

e a externalização de serviços, existindo atualmente um

conjunto de empresas especializadas na oferta de soluções de

Facility Management Hospitalar. Neste dossiê, apresentam-se

algumas entidades que atuam no setor.

A SOLUÇÃO MAIS SIMPLES

O SERVIÇO MAIS COMPLETO

vending

alimentação

segurança integrada

pest control

manutenção de instalações

gestão de arquivo

facility

management

higiene e limpezas

office services

comercial@sinalmais.com.pt

www.sinalmais.com.pt


SUPLEMENTO Facility Management Hospitalar

A Eficiência Energética nos hospitais

A Eficiência Energética nos hospitais, é um tema que presentemente está na ordem

do dia por variadíssimas razões, e para o qual cada um de nós terá a sua opinião

de acordo com o nível de conhecimento que possui para cada uma das áreas

intervencionadas, ou a intervencionar.

Rui Mota

Engenheiro Electrotecnico pertencente

à Especialidade de Luminotécnia da OE

Co-Fundador do Centro Português de iluminação

Director Comercial da LTX Iluminação Técnica S.A

Efetivamente, desde os revestimentos dos edifícios,

caixilharias, e outros aspectos relacionados

com a construção dos edifícios, até aos

sistemas eletromecânicos aí instalados, e que estão permanentemente

envolvidos na exploração dos mesmos,

tais como o AVAC, elevadores, aquecimento de águas,

Iluminação, e ainda passando pelo comportamento dos

utilizadores dos espaços, coadjuvados por sistemas de

Gestão de Energia, todo este conjunto de fatores permitem

oportunidades de melhoria na eficiência Energética,

atual e futura em cada edifício.

Procurarei nas linhas seguintes partilhar o conhecimento

que possuo ao nível da Iluminação, visando com esta postura

contribuir para decisões conscientes dos órgãos de

decisão, que apenas poderão ser tomadas no caso de terem

acesso a toda a informação pertinente de cada solução.

A componente Iluminação

Estando cada vez mais comprovada a importância da

Iluminação para o bem estar do ser Humano de uma

forma geral, e em concreto no estabelecimentos de

saúde quer para os doentes, quer para os profissionais

de saúde que aí trabalham dia após dia, não podemos

encarar esta parcela do consumo de energia, numa

óptica absolutamente mercantilista ou de redução de

potência, descurando todos os outros fatores que influenciam

de uma forma ou outra o ser Humano.

O conhecimento e controlo dos parâmetros da Iluminação

como o Nível de Iluminação, o Índice de restituição

de Cor, a Temperatura de Cor, a Luminância, é

absolutamente decisivo para a gestão de ambientes e

humanização dos espaços, associados ao aceleramento

do processo de cura dos doentes, bem como para o

aumento de produtividade nas tarefas aí desempenhado

pelos profissionais de saúde.

A titulo de exemplo, a iluminação de um bloco operatório,

nunca pode ficar refém de fatores de redução

cega de potência utilizada nos sistemas de iluminação,

se para isso forem escolhido aparelhos que aumentem

o risco de infeções por não ser adequada a sua utilização

em ambientes estéreis (devidamente comprovada

por laboratórios independentes), ou reduzidos os níveis

de iluminação para trabalho das equipas médicas na sua

globalidade, ou não garantindo valores dos Índices de

Restituição de Cor das fontes de luz, como acontece

quando se recorre de forma indiscriminada á utilização

de Tubos de LED para estes locais.

A propósito de tubos de LED, convém questionarmos

ao seu desempenho em aparelhos que, não só pela sua

idade como por serem inadequados para a sua utilização,

colocam em risco pessoas, bens e processos de

Eficiência Energética.

Ninguém consegue sustentar que aparelhos de Iluminação

atualmente instalados há mais de 25 anos num hospital,

possam sobreviver mais 25 anos, adaptados a uma

utilização de tubos de Led, para os quais nem sequer

forma concebidos. O que dizer sobre uma medida que

tem um reembolso a 25 anos e provavelmente ao fim

de 5 ou 10 anos os equipamentos envolvidos pura e

simplesmente já não existirem por terem atingido o seu

tempo de vida limite?

Para que fique claro, no que respeita á Iluminação, obviamente

que considero que a tecnologia led, enquanto

fonte de luz, atingiu um patamar de desenvolvimento

que não permite o retorno das soluções de iluminação

às antigas tecnologias, como o fluorescente ou incandescente.

Todavia a opção deverá sempre ser feita por

opções integrais (aparelho de iluminação com fonte de

luz Led) de modo a responsabilizar o seu fabricante pela

performance do mesmo, nos processos de Medição

e Verificação das soluções implementadas, uma vez

que soluções de fontes de luz novas em aparelhos com

25 ou 30 anos, caso a solução não resulte, certamente

a culpa vai morrer solteira, pois nenhum dos fabricantes

assumirá as suas responsabilidades. O fabricante do

aparelho alegará que o mesmo não foi concebido para

aquela fonte de luz (Tubo led) e o fabricante do Tubo

de led alegará que as caraterísticas mencionadas no seu

produto são para funcionamento isolado, em laboratório

e não dentro de qualquer caixa de um qualquer

aparelho de iluminação com mais de 20 anos de utilização.

Têm a palavra os órgãos decisores. Ã

2


SUPLEMENTO Facility Management Hospitalar

FACILITY MANAGEMENT E O SETOR HOSPITALAR

O Facility Management constitui uma excelente solução para equilibrar os vários interesses

da gestão de ativos e consiste numa abordagem integrada à gestão de todas as atividades

de suporte aos edifícios, instalações, infraestruturas e ocupantes/utilizadores dos mesmos.

incorporam alta tecnologia e representam investimentos

muito relevantes no orçamento deste setor.

Uma solução para equilibrar os vários interesses da equação

pode ser o Facility Management (FM), que consiste

numa abordagem integrada à gestão de todas as atividades

de suporte aos edifícios, instalações, infraestruturas e ocupantes/utilizadores

dos mesmos. É diferente da tradicional

“gestão da manutenção”, no sentido em que integra outros

serviços e gera sinergias por remover a compartimentação

dos respetivos processos de planeamento, decisão e execução.

Dessa forma, aumenta a eficácia no cumprimento

dos níveis de serviço (qualidade) e otimiza a eficiência dos

recursos (poupança), apresentando-se como uma solução

competitiva para o equilíbrio dos vários interesses em jogo.

O FM no setor hospitalar não irá, seguramente, substituir o

desempenho das funções que envolvem atos médicos, de

enfermagem ou farmacêuticos, mas poderá incorporar todo

um conjunto de serviços a montante e a jusante dessas

atividades críticas.

A integração de serviços pode ocorrer numa gama tão

ampla, como:

• limpeza;

• manutenção das infraestruturas elétricas e mecânicas;

• equipamentos de electromedicina;

• espaços verdes;

• otimização do desempenho energético (inclusivamente

com modelos de serviços remunerados pela partilha

das poupanças atingidas);

• receção, encaminhamento dos doentes e gestão da

documentação do processo clínico;

• segurança e vigilância;

• transporte de doentes em emergências e transportes

não urgentes;

• recolha e tratamento de resíduos;

• aprovisionamento e logística;

• lavandaria;

• confeção de refeições;

• gestão de todos os contratos que a Unidade Hospitalar

(UH) tenha com vários prestadores.

Será através dessa gestão integradora e com grande eficácia

na contratação de pessoas, bens e outros recursos,

que se atingem economias de escala e de âmbito,

entregando uma elevada qualidade com otimizações

nos custos.

O aspeto fundamental para o sucesso da estratégia de

FM num setor tão crítico e sensível, é a clara definição

pela Administração da UH dos níveis de serviço pretendidos,

o conhecimento exato do atual estado das

instalações que serão objeto do mesmo, bem como a

cultura da própria organização, o seu grau de flexibilidade

e adaptação à mudança.

A comunicação entre os vários agentes é crucial para

que, feita a seleção do prestador de FM, a transição

dos serviços seja planeada, controlada e o mais tranquila

possível, permitindo que as vantagens operacionais e

economias se materializem mais rapidamente.

A Ferrovial Serviços tem no seu portfolio a experiência

de mais de 20 anos a prestar serviços a mais de 144

unidades hospitalares que representam mais de 41.000

camas, como o projeto de Conceção/Construção/Financiamento/Operação/Manutenção

do Hospital de

Valdecilla em Espanha, onde fornece 12 serviços não

médicos que substituíram 40 contratos. Outros casos

de referência são o serviço de coordenação de ambulâncias

112-061 em Madrid, com mais de 334.000 serviços

de ambulâncias por ano, ou o serviço de limpeza

no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, com

mais de uma centena de trabalhadores a assegurar a

limpeza nos vários edifícios deste hospital de referência

em Portugal. Ã

Sara Oliveira

Project Manager - Infraestruturas

As estratégias de gestão de ativos de inúmeras organizações

são impulsionadas por um plano de

negócio, frequentemente influenciado por restrições

orçamentais e regulamentares. Tais restrições podem

conduzir a uma estratégia reativa e a programas anuais

centrados em soluções a baixo custo, ao invés de benefícios

sustentáveis de longo prazo.

O Setor Hospitalar tem particularidades que não se compadecem

com estratégias low-cost ou de curto prazo, desde

logo a começar pelo tipo de funções que os edifícios comportam

e as condições de debilidade que apresentam as

pessoas a quem se destinam.

Ou seja, a opção pelo custo mais reduzido, sem acautelar

a qualidade, terá repercussões imediatas na pessoa doente,

mas pode alastrar-se aos trabalhadores da Unidade e familiares.

Acresce que a maioria dos equipamentos de diagnóstico,

de tratamento e de atividades complementares

4

Av. Almirante Gago Coutinho, 144

1700-033 Lisboa

Telf.: +351 218 459 390

Fax: +351 218 459 399


SUPLEMENTO Facility Management Hospitalar

radiance TM da GMV ajuda na investigação

sobre cancro gástrico

O planificador de radioterapia intra-operatória (RIO), desenvolvido pela GMV, radiance ,

volta a confirmar a sua eficácia conquistando um novo país europeu ao ser fornecido

pela Clínica Universitária de Lublin, na Polónia.

O

planificador será fornecido com o acelerador

linear (LINAC, na sua sigla em inglês)

de aplicação da RIO com eletrões,

ou seja, o Mobetron ® da empresa norte-americana

IntraOp ® , devendo ser utilizado para tratar cancros

gástricos, causadores de mais de 700.000 mortes por

ano a nível mundial.

Também os parâmetros e indicadores facultados

pelo radiance no planeamento da aplicação personalizada

do feixe de eletrões de alta energia com

Mobetron ® que se ajusta à forma do tumor e destrói

as células cancerosas sem afetar o tecido saudável

que as circunda, ajudará os especialistas do Hospital

Universitário de Lublin nas suas investigações de cancros

gástricos localmente avançados.

Conforme assinalou o diretor do departamento de

oncologia cirúrgica, Professor Wojciech P. Polkowsiki,

para o cancro gástrico em fase III, a cirurgia combinada

de RIO com a terapia sistémica perioperatória

pode constituir uma oportunidade para melhorar

a sobrevivência nos doentes com tumores gástricos.

"Estamos encantados por podermos ter no nosso hospital

o Mobetron ® , com radiance incorporado, o que

nos dá a possibilidade de planearmos o tratamento

em 3D". Contando com “testes prometedores que

demonstram que a RIO melhora o controlo local e

a sobrevivência no tratamento dos cancros retal e

pancreático avançados, esperamos aplicar estratégias

similares nos cancros gástricos, causadores de elevados

índices de mortalidade na Polónia e na Europa

Oriental”, afirmou Polkowsiki.

Sobre radiance

radiance é o único planificador rádio-cirúrgico concebido

para programar a radioterapia intra-operatória

(RIO). Este produto melhora a segurança do tratamento

da RIO, uma vez que facilita ao especialista a

análise completa do doente e a tomada de decisões

antes da intervenção cirúrgica, dando lugar à identificação

do tratamento adequado a cada doente.

O seu software inovador calcula os parâmetros exatos

para aplicar a radioterapia no Bloco Operatório,

antes da intervenção cirúrgica. Fornece imagens de alta

qualidade Multiplanar (MPR) e visão tridimensional

(3D) do doente, permitindo a visualização simulada

do resultado do tratamento. Este sistema oferece todos

os dados necessários para documentar a intervenção

e realizar um histórico da administração.

Na avaliação de radiance colaboram com a GMV o

Hospital Universitário de Mannheim (Mannheim, Alemanha),

o Hospital Doctor Negrín (Las Palmas, Espanha),

o centro Oncopôle (Toulouse, França), a Cleveland

Clinic (Cleveland, EUA), o Weill Cornell Medical

College e o Loyola Medical Center (Chicago, EUA).

radiance está presente em entidades espanholas

como o Hospital Universitário Ramón y Cajal (Madrid),

o Hospital de La Luz (Madrid), o Hospital Geral

Universitário Gregorio Marañón (Madrid), o Hospital

Provincial (Castellón) e o Hospital Universitário

de Gran Canária Doctor Negrín (Las Palmas).

O radiance está também em funcionamento no

Hospital e Centro de Investigação do Cancro Oncopôle

(Toulouse, França), no Hospital Pugliese

Ciaccio (Cantazaro, Itália), no Instituto Europeu de

Oncologia (Milão, Itália), na Clínica Cleveland (Cleveland,

EUA), no Hospital Jackson Memorial (Miami,

EUA), no Hospital Presbiteriano (Nova York, EUA),

no Hospital Monte Sinai (Nova York, EUA), no Hospital

de especialidades King Fahad (Dammam, Arábia

Saudita) e no King Fahad Medical City (Riade, Arábia

Saudita), entre outros.

O radiance está patenteado (PCT/ES2008/000240)

e registado desde 2008 como marca, sob o nome

de intraplan radiance ® . Em 2011, radiance obteve

a certificação da Marca CE, o que autoriza a sua

comercialização em todos os Estados-Membros da

União Europeia. Em 2012 a GMV recebeu oficialmente

o reconhecimento da Agência de Medicamentos

dos EUA (FDA) que a autoriza a comercializar

o radiance . Ã

SOLUÇÕES INOVADORAS EM

SAÚDE 4.0

O NOSSO DESAFIO

Na GMV desenvolvemos soluções e produtos inovadores para responder a necessidades específicas e particulares dos nossos

clientes, cumprindo com os mais exigentes padrões de qualidade e segurança:

▪ Plataformas Smart Health para Sistemas de Telemedicina em tempo real

▪ Sistemas de Monitorização e acompanhamento de pacientes crónicos pluripatológicos

▪ Sistemas de seguimento de programas de reabilitação à distância

▪ Soluções Smart Health

▪ Soluções de exploração de dados clínicos epidemiológicos: Big Data e Smart Data

▪ Soluções e serviços de segurançapara adequação ao Regulamento Europeu de proteção de dados (RGDP): privacidade e

confidencialidade

▪ Sistemas de simulação e planificação de radioterapia e cirurgia intraoperatória

▪ Processamento de imagiologia médica

▪ Sistemas de suporte à mobilidade, infraestruturas de ajuda humanitária, e gestão de emergências.

PRODUTOS DE SAÚDE

antari Suite de produtos de e-Health

Plataforma de

atendimento

não presencial

CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DE LISBOA NORTE JÁ CONTA COM SOLUÇÃO antari DA GMV

No campo da Saúde digital, são já vários os exemplos de

utilização das ferramentas GMV em diversos países e Portugal

não foge à regra. O Centro Hospitalar de Lisboa Norte

(CHLN) dá o exemplo com o desenvolvimento do conceito de

telemedicina, sendo que diariamente circulam cerca de 20 mil

pessoas no Hospital de Santa Maria e há dias em que se fazem

mais de 800 urgências. É aqui que a tecnologia pode ser de

uma enorme mais-valia para retirar as pessoas de dentro do

hospital.

Nesse sentido, a telemedicina em consulta, recorrendo à

tecnologia GMV, é um projeto já em andamento, prevendose

a implementação da teleconsulta ainda este ano em seis

serviços do Hospital e serão o primeiro Hospital público a

disponibilizar este tipo de serviço que assegura comunicações

interativas, partilha de imagens clínicas em tempo real,

promoção de consultas entre especialidades ou ainda uma

melhor gestão do tempo de parte a parte.

www.gmv.com

marketing.healthcare@gmv.com

www.facebook.com/infoGMV

@infoGMV

www.linkedin.com/company/gmv/

Plataforma para a

monitorização de

pacientes crónicos

pluripatológicos

Plataforma para

a exploração de

dados clínicos

epidemiológicos

Plataforma para

o seguimento

de programas

de reabilitação à

distância

Solução cloud

de gestão

de imagens

médicas digitais

6

AERONÁUTICA I ESPAÇO I DEFESA I SAÚDE I CIBERSEGURANÇA I ITS I TELECOMUNICAÇÕES I TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO


SUPLEMENTO Facility Management Hospitalar

NextBITT: a solução

perfeita para

o setor da saúde

Solução de “assets & facilities management”

da tecnológica portuguesa está já a funcionar

na Fundação Champalimaud e vai ser

implementada em todos os hospitais

e clínicas da rede CUF.

Cada setor de atividade tem as suas especificidades,

mas os requisitos na área da saúde estão

num patamar diferente, com ativos físicos de

enorme valor e de cujo perfeito funcionamento dependem

vidas humanas, além de necessidades específicas no

que diz respeito ao tratamento, segurança e confidencialidade

dos dados.

A NextBITT tem uma grande experiência nesta área.

A Fundação Champalimaud foi um dos seus primeiros

clientes e, mais recentemente, a sua solução de gestão

de ativos (“assets & facilities management”) foi a selecionada

para a rede CUF, da José de Mello Saúde, num

projeto que deverá ficar pronto até ao final de 2018.

O projeto para a CUF inclui o fornecimento da solução da

NextBITT para o conjunto das unidades de saúde CUF,

que inclui oito hospitais, um instituto e nove clínicas, bem

como a gestão de um total de cerca de 20.000 ativos físicos,

nalguns casos com monitorização em tempo real.

O facto de ser uma solução baseada na nuvem e a

forma como se irá integrar com o ERP (SAP) do Grupo

CUF, nomeadamente ao nível da gestão de stocks,

imobilizado e gestão de workflow, foi outro ponto que

pesou a favor da NextBITT, que foi escolhida em concurso

com outras empresas.

Quer no caso da Fundação Champalimaud, que no

mais recente projeto da CUF, a escolha da solução da

NextBITT, deveu-se à flexibilidade e facilidade de utilização,

mantendo ao mesmo tempo uma total fiabilidade

dos dados, o que é extremamente importante para

o ambiente hospitalar em que será implementada.

Miguel Salgueiro, partner da NextBITT e responsável pela

área de desenvolvimento de negócio da empresa, salientou,

por seu lado, o facto de este negócio ter surgido

após um “concurso muito disputado e muito exigente,

que incluiu visitas a clientes e reuniões com fornecedores

do cliente”.

Tecnologia NextBITT

O projeto agora aprovado irá usar a tecnologia Next-

BITT para monitorizar e gerir edifícios das unidades hospitalares

e clínicas bem como um total de mais de 20

mil equipamentos: cerca de 12 mil de infraestrutura (eletricidade

e iluminação; sistemas de ar condicionado; deteção

e combate a incêndios, limpeza, etc.), e cerca de oito mil equipamentos

de eletromedicina – desde pequenos termómetros

até grandes sistemas de ressonância magnética.

Através desta solução serão geridas inspeções e executadas

operações de manutenção corretiva, manutenção

preventiva e calibrações. No caso de equipamentos

críticos e/ou em locais de difícil acessibilidade, serão usadas

etiquetas NFC que irão interagir com equipamentos

móveis (smartphones Android).

Entre as vantagens da abordagem da NextBITT está, naturalmente,

o facto de ser uma solução baseada na nuvem

– e que, por isso, pode ser implementada sem qualquer

impacto negativo na infraestrutura de TI da organização

– mas também a sua enorme flexibilidade e facilidade

de utilização.

Isto significa que, muito embora a gestão de ativos físicos

seja comum às entidades referidas (José de Mello

Saúde e Fundação Champalimaud) cada projeto é cuidadosamente

adaptado aos clientes e às suas necessidades

concretas. No entanto, esta flexibilidade não

acarreta qualquer complexidade acrescida, muito pelo

contrário: uma vez implementada, a solução pode ser

facilmente ajustada de acordo com as necessidades, em

muitos casos pelos próprios clientes, sem necessidade

de intervenções morosas e dispendiosas.

A abordagem da NextBITT permite uma gestão centralizada

(e, em muitos casos, em tempo real) não apenas de

equipamentos, mas também da relação com fornecedores

de serviços (inspeção, manutenção, limpeza, etc.) e até

da monitorização dos próprios edifícios, com implicações

profundas na qualidade de vida de funcionários e utentes

das unidades de saúde, bem como na otimização de

recursos e redução direta e indireta de custos. Ã

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SUPLEMENTO Facility Management Hospitalar

Robbialac lança Robbiduro Acqua

com elevadura dureza e resistência ao risco

Trata-se de um esmalte aquoso tem propriedades de esmalte solvente e pode ser aplicado

em paredes, madeiras e metais.

Sinal Mais Gestão integrada de serviços

'

A Gestão integrada de serviços é a atividade que assegura uma variedade de serviços

que respondem às várias necessidades não core das empresas, como a manutenção

de instalações, limpezas ou alimentação, para que estas se foquem nos aspetos

fundamentais dos seus negócios, garantindo uma integração de soluções

que visam simplificar e otimizar processos, melhorando os seus níveis de eficiência.

A

Robbialac acaba de lançar no mercado

uma nova geração de esmaltes aquosos ultra-resistentes

para aplicação em paredes,

madeiras e metais. Robbiduro Acqua reúne num

único produto as melhores qualidades dos esmaltes

aquosos e dos esmaltes solventes graças a uma tecnologia

inovadora (acrílica uretanada) desenvolvida pela

Robbialac que resultou numa fórmula com elevada

dureza e resistência ao risco.

A resistência ao amarelecimento e a secagem rápida

- uma propriedade semelhante à que existe nos produtos

aquosos - são outras das características deste

novo produto com vantagens significativas para os

aplicadores que com Robbiduro Acqua poderão

aplicar duas demãos num único dia, com a lacagem

normalmente associada a produtos de solventes.

Disponível com o grau de brilho acetinado, Robbiduro

Acqua chega ao mercado em embalagens de 0,75L,

4 L e 15L, reforçando o portefólio da Robbialac em

esmaltes resistentes, no qual se inclui actualmente o

Casca d’Ovo, de base solvente, para a esmaltagem

de madeiras e metais, em interiores.

"O principal objectivo de lançamento deste produto

é reforçar o posicionamento da Robbialac enquanto

líder no segmento de esmaltes através de inovação

e soluções verdadeiramente relevantes para o público-alvo",

explica Sónia Maio, Gestora de Marca das

Tintas Robbialac, S.A., reforçando que "o investimento

na inovação e melhoria contínua dos produtos é

um dos principais drivers de actuação da marca, seja

ao nível das fórmulas que disponibiliza ao mercado,

do portefólio ou mesmo do packaging, sempre com

o objetivo de ir ao encontro das necessidades dos

clientes e de descomplicar o acto de pintar". Ã

O

conceito de Gestão integrada é uma tendência

recente em Portugal, estando a ser

dados os primeiros passos numa indústria

que, no entanto, já emprega centenas de milhares de

pessoas por todo o mundo.

A Sinal Mais é uma empresa especializada na gestão

integrada de serviços, desenhados à medida de cada

cliente e adaptados às especificidades de cada negócio,

permitindo uma interlocução única na gestão dos vários

serviços em outsourcing dos seus clientes.

Com o grande propósito de ajudar os seus clientes

no foco na sua atividade core, oferece um conjunto de

serviços geridos e executados de forma flexível, prestados

de forma integrada, disponibilizando soluções para

diversas áreas como a manutenção de instalações, segurança

integrada, higiene e limpezas, pest control, alimentação,

vending, gestão de arquivo ou office services.

A sua capacidade agregadora de serviços e de interlocução

única garante um vasto leque de soluções com

uma capacidade de resposta mais rápida, mais simples e

mais eficaz, facilitando a comunicação e simplificando os

processos administrativos, aumentando assim os níveis

de eficiência. Desta forma, permite o aumento de sinergias

operacionais e do controlo dos níveis de serviço,

gerando mais valor para os seus clientes.

A solução da Sinal Mais garante ainda a definição de

especificações de serviço com base em resultados pretendidos,

além de proporcionar um maior controlo e

flexibilidade na gestão dos serviços contratados, permitindo

ao cliente aceder a um software de gestão online

onde pode consultar ou redefinir os serviços pretendidos

em tempo real.

A Sinal Mais tem cobertura de todo o território nacional,

continental e ilhas, possuindo a experiência e o

know-how de profissionais polivalentes e com formação

especializada.

É uma empresa pertencente à Trivalor SGPS, S.A.,

uma holding de capital 100% nacional que atua no segmento

de Business & Facility Services, e que conta já com

50 anos de atividade. A Trivalor detém mais de 20 empresas

a atuar em 4 áreas de negócio e 15 atividades,

contando com mais de 30.000 colaboradores, sendo a

atual líder na prestação de serviços em outsourcing.

A Sinal Mais garante assim a solução que integra todos

os serviços das empresas do universo Trivalor,

mantendo ainda parcerias estratégicas com empresas

de referência em outras áreas, permitindo-lhe atuar no

mercado de business services de uma forma mais ágil

e com maior conhecimento dos diversos segmentos,

oferecendo um serviço mais completo e ajustado às

diferentes necessidades de cada cliente.

Assim, pretende estabelecer ligações fortes e de parceria

com os seus clientes e consumidores, contribuindo

de uma forma decisiva para a prestação de um serviço

de maior qualidade e de maior valor acrescentado. Ã

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