Jornal Paraná Janeiro 2019

LuRecco

OPINIÃO

Ano de mudanças e desafios

Nosso objetivo, com todo empenho e dedicação possíveis, será na continuidade do RenovaBio

Miguel Rubens Tranin (*)

OBrasil teve um 2018

bastante intenso, sob

todos os aspectos,

com quebras de paradigmas,

que se completou com

uma eleição histórica para presidente.

A população assistiu,

estupefata, aos acontecimentos

ao longo dos últimos anos, que

culminaram com mudanças e

levaram a uma grande reflexão.

No resultado das urnas, observou-se

o quanto a população

participou desse processo, exigindo

uma nova realidade.

Escândalos sem fim, prisões,

delações. Em um país que se

acostumou ao descaso e à impunidade,

com favorecimentos

e benesses aos mais poderosos,

quase ninguém poderia

imaginar que empresários detentores

de impérios fortemente

ligados ao poder, e até mesmo

um ex-presidente da República,

pudessem acabar na cadeia.

O esgotamento com o modelo

político produziu uma previsível

substancial renovação na representação

parlamentar. Nada menos

que 85% do Senado foram

substituídos, enquanto na Câmara

o percentual chegou à metade.

Mas até que isto acontecesse,

travou-se uma verdadeira

batalha nas ruas e nas

redes sociais, marcada por uma

enxurrada de falácias e ideologias

que, infelizmente, dividiram

a sociedade e mostraram quanto

trabalho temos pela frente para

reordenar os caminhos do

país e retomar o desenvolvimento,

gerando oportunidades

para todos que desejam um

Brasil progressista, mais justo,

em paz, com segurança jurídica,

respeito entre os seus cidadãos

e com importante espaço a

ocupar no cenário global. Que

Deus ilumine a todos nós na correção

desse processo.

Graças a alguns setores, como

o agronegócio e a mineração, a

economia se manteve em 2018

com pilares mais sólidos, contribuindo

de maneira decisiva

para a recuperação, que vai exigir

ainda muito esforço e determinação

dos governantes, agora

fiscalizados passo a passo

por uma população mais informada

e interessada em participar,

que exige o fim da corrupção

e da roubalheira.

O agronegócio, embora ainda

de certa forma incompreendido

por parte da sociedade, tem

cumprido seu papel com muita

desenvoltura, gerando riquezas,

investimentos e inúmeros postos

de trabalho nas regiões produtoras,

conquistando novos

mercados e acelerando exportações

que possibilitam o superávit

na balança comercial. Difícil

pensar como seria o país sem a

participação dos empresários

rurais, mas vale ressaltar: a

energia renovável precisa, ainda,

ser alçada entre as prioridades

no novo governo e tem havido,

por parte do setor, uma mobilização

incisiva para demonstrar

o quanto isto é estratégico.

A partir de agora, o nosso objetivo,

com todo o empenho e dedicação

possíveis, será na continuidade

do RenovaBio, programa

único que conseguiu unir

os segmentos relacionados à

energia renovável (etanol, biodiesel,

biomassa e biogás). Este

deve ser, sem dúvida, o primeiro

Não podemos prescindir de uma linha

de crédito como o Prorrenova, mas

permanente e voltada à renovação

e implantação de novas lavouras

item em nossa agenda.

Outra demanda que exige urgência

é quanto à equalização,

via Confaz, das alíquotas de

ICMS entre os Estados, batalha

antiga. É necessário haver uma

diferenciação tributária entre

combustível renovável e o combustível

de origem fóssil, reconhecendo

os benefícios socioeconômicos,

ambientais e à saúde.

Por suas vantagens e benefícios,

é indiscutível que etanol e

biodiesel precisam ter prioridade

frente à gasolina e ao diesel.

Ao mesmo tempo, as sérias dificuldades

pelas quais o setor de

bioenergia vem passando em

função da adoção, nos últimos

anos, de políticas públicas deletérias,

deve merecer a atenção

governamental. Via BNDES, se

faz indispensável estruturar uma

linha de crédito de refinanciamento,

como o PESA (Plano de

Estruturação e Saneamento de

Ativos), repactuando-se o endividamento

das companhias, visto

que o mesmo foi causado por

políticas públicas equivocadas e

seus efeitos nocivos.

Não podemos prescindir, ainda,

de uma linha de crédito a exemplo

do Prorrenova, mas que seja

permanente e voltada à renovação

e implantação de novas lavouras

para fazer frente à demanda

de crescimento por biocombustíveis.

Em relação à indústria automobilística,

é importante a continuidade

de estímulo à pesquisa e

ao desenvolvimento de novas

tecnologias, como o Inovar-

Auto, buscando aprimorar o desempenho

dos motores flex e

dos veículos híbridos flex e à célula

de combustível.

E que não se coloque em segundo

plano os necessários

recursos para adequação industrial,

em especial quanto à

maior eficiência no aproveitamento

da biomassa, bagaço e

palha para cogeração de energia

elétrica renovável, sem a

qual não haverá disponibilidade

rápida de energia para o crescimento

nacional.

Temos que aproveitar a grande

oportunidade que se apresenta

com a produção de etanol de

milho, em modelos adequados

a cada região. No Paraná, poderia

acontecer em paralelo à produção

de etanol de cana, assegurando

maior competitividade

de produção e subprodutos de

valor agregado, suprindo a demanda

protéica nas regiões.

(*) Presidente da Alcopar

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PERSPECTIVAS

Especialistas apostam em mercado

de açúcar mais equilibrado

Houve queda na produção de importantes países produtores - na Ásia e

no Brasil -, e o consumo mundial está crescendo, ainda que em ritmo menor

Produtores brasileiros

de açúcar e etanol,

além de especialistas

de mercado disseram

em evento recente da Datagro

que as perspectivas para o

setor estão gradualmente melhorando,

e apostam em um

mercado de açúcar mais equilibrado

em 2019, com uma ligeira

tendência de déficit na

produção mundial, devido a

previsões de queda na produção

de importantes países

produtores - especialmente na

Ásia -, além da redução no

Brasil, e o consumo mundial

está crescendo, ainda que em

ritmo menor.

Segundo estimativa da Datagro,

o mundo deverá registrar

um déficit de cerca de 710 mil

toneladas de açúcar na safra

2018/19, após excedente de

8,35 milhões em 2017/18. A

consultoria previa anteriormente

um superávit de 3,68

milhões de toneladas para o

ciclo vigente. Clima e preços

ainda depreciados para o açúcar

devem impactar negativamente

a produção global como

um todo.

“O que motiva essa perspectiva

é fundamentalmente as revisões

da safra 2018/19 e as

perspectivas para 2019/20

para o Centro-Sul do Brasil e

também as estimativas para

Índia, Tailândia, União Europeia,

Rússia, Estados Unidos

e outras geografias”, afirmou

o presidente da Datagro, Plinio

Nastari.

A consultoria revisou levemente

suas projeções de produção

no Centro-Sul do Brasil,

principal região produtora de

cana do mundo, considerando

agora um mix ainda mais alcooleiro.

As usinas do Centro-

Sul devem fabricar 27,29

milhões de toneladas de açúcar

e 30,50 bilhões de litros de

etanol, ante 27,93 milhões de

toneladas e 30,10 bilhões de

litros, respectivamente, em

projeção de agosto. Também,

recentemente, surgiram indicações

de que a safra da Índia,

que deve superar o Brasil

na produção de açúcar em

2018/19, será menor que o

previsto, devido a uma infestação

por larvas nos canaviais.

No passado, nós éramos

líderes neste setor e

certamente iremos retomar

a posição de liderança.”

Jair Bolsonaro

A produção de açúcar na temporada

2019/20 no Brasil depende,

ainda, de muitos fatores,

especialmente em relação

ao preço do petróleo, que

influencia diretamente o do

etanol e, consequentemente, o

mix de produção das usinas.

Os fundamentos do mercado

apontam para tendência de alta

nos preços do petróleo, o

que pode endereçar uma

maior produção de etanol no

mercado doméstico, reduzindo

a de açúcar.

O mercado tem apostado

ainda no RenovaBio e que o

O mundo deverá registrar um déficit de cerca de

710 mil toneladas de açúcar na safra 2018/19

apoio prometido pelo presidente

eleito ao setor possa

eventualmente levar a um

maior consumo de combustível,

sustentando a demanda

de etanol e forçando os consumidores

mundiais de açúcar

a pagar mais pelo adoçante

brasileiro.

Jair Bolsonaro (PSL) disse recentemente

que apoiará a indústria

de etanol brasileira e se

comprometeu a ser um parceiro

do setor de biocombustíveis.

Em vídeo durante o

evento da Datagro, afirmou

que ele gostaria de ver o Brasil

retomar a liderança global na

produção de etanol, que foi

perdida para os Estados Unidos

há anos.

“No passado, nós éramos líderes

neste setor e certamente

iremos retomar a

posição de liderança”, comentou.

Essa indústria “é

muito importante. Ela reduz

as emissões de carbono e,

explorando algo que é nosso,

fornece energia para o

Brasil. Vocês podem contar

conosco, nós somos parceiros

neste assunto”, complementou.

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PERSPECTIVAS

A espera de tempos mais verdes

Por Eduardo Lambiasi, diretor Corporativo do Grupo Maringá,

Holding controladora da Usina Jacarezinho

Aexpectativa de que

2018 seria o ano em

que o mercado sucroenergético

brasileiro

se despediria da crise de preços,

não se cumpriu tão bem

quanto esperado. O ano exigiu

jogo de cintura das usinas.

Contrariando o cenário de continuidade

da priorização de açúcar

no mix de produção, o

Centro-Sul virou a chave para o

etanol, com 30 bilhões de litros

produzidos, em contrapartida à

redução na produção de açúcar

para 26 milhões de toneladas,

10 milhões abaixo de 2017.

A razão para tamanha virada foi

o grande excedente de açúcar

na safra 2017/18 no hemisfério

norte, derrubando o preço a patamares

muito baixos, rondando

10 cents por libra peso

em alguns momentos do ano,

além da alta do petróleo, que repercutiu

no preço da gasolina

no Brasil. Esse cenário estimulou

o consumidor brasileiro a

utilizar o biocombustível, com

nível recorde de demanda.

Fica cada vez mais clara a importância

do etanol na matriz

energética nacional, que é a

melhor solução que o país oferece

para o enfrentamento de

um tema fundamental, que é a

necessidade urgente de lidarmos

de maneira mais responsável

com o meio ambiente.

A propósito, espera-se que o

RenovaBio, cujo ciclo de implementação

deve ir até o final de

2019, impulsione os investimentos

no setor, pois trás, em

seu arcabouço, o reconhecimento

das externalidades positivas

que o etanol oferece ao

meio ambiente, ao compararmos,

principalmente, com os

combustíveis fósseis.

Nesse mundo de commodities,

o jogo nunca está ganho.

Só sobrevivem as empresas

que buscam incessantemente

melhorar a produtividade.

Em relação à Usina Jacarezinho,

posso dizer que conseguimos

nos adaptar bem ao

cenário de 2018 e virarmos o

mix para o etanol, que representou

60% da produção. Entendemos

que a flexibilidade é

um fator importante de competitividade

para as empresas do

setor.

Vale também destacar nossa

evolução na produção de açúcar

branco, cuja produção foi

de 40 mil toneladas, com destaque

para uma grande conquista

que tivemos, que foi a

certificação FSSC 22000, de

segurança de alimentos.

Somos a única usina cooperada

da Copersucar no estado

do Paraná a produzir o açúcar

branco, o que amplia o nosso

leque em relação aos clientes

da indústria alimentícia do Sul

do país.

O cenário para 2019 ainda encontra-se

indefinido, a princípio

ainda com uma tendência mais

alcooleira, mas ainda dependendo

do comportamento do

petróleo e câmbio. Espera-se

também diminuição significativa

do superávit mundial na

safra 2018/19 do hemisfério

norte, ou, quem sabe, até eliminação

deste superávit, o que

deve repercutir positivamente

no preço do açúcar. A Usina já

Diretor destacou conquista pela usina de certificação

FSSC 22000, de segurança de alimentos

fixou o preço de parte de sua

produção da próxima safra, em

patamares acima da safra atual,

que indica uma melhor rentabilidade.

Nesse mundo de commodities,

o jogo nunca está ganho. Só

sobrevivem as empresas que

buscam incessantemente melhorar

a produtividade. No nosso

caso, com destaque para as

práticas agrícolas, que vêm

melhorando a cada ano, as práticas

industriais, com flexibilidade

e riqueza do mix de produção,

o uso intensivo de tecnologia

e a melhoria contínua

dos processos, mantras empresariais

óbvios, porém muitas

vezes negligenciados pelas organizações.

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ECONOMIA

Novo governo terá grandes desafios

Tem muito investimento em compasso de espera para ver se reformas

ocorrerão e se haverá governabilidade, afirmou o consultor Juan Jensen

Ainda há muitas incertezas

e os cenários

econômico e político

estão atrelados, dependendo

da definição da equipe

do presidente eleito Jair Bolsonaro

e da postura que este

assumirá, segundo o consultor

Juan Jensen, doutor em teoria

da economia pela USP. “Tem

muito investimento em compasso

de espera para ver se reformas

ocorrerão e se haverá

governabilidade. O agronegócio

é o destaque positivo no

ano que vem com uma safra

maior o que deve ajudar no

processo de recuperação”,

afirmou.

O consultor apontou que as

medidas econômicas ainda

estão em gestação e são ainda

pouco claras, tanto em relação

à reforma da previdência quanto

à reforma tributária. “Mas a

equipe de transição é de qualidade

e deve em breve apresentar

detalhamento das medidas.

O mercado está otimista confiando

porque tem figuras de

respeito e com conhecimento,

o que deve resultar em um

bom programa. Os primeiros

discursos do presidente eleito

foram bons, mais ponderados,

defendendo a constituição e a

democracia. Mas a agenda liberal

é coisa mais recente, não

se sabe até onde vai”, afirmou.

O grande temor é quanto à governabilidade,

destacou Jensen.

O futuro presidente terá que

fazer alianças, formar uma base

ampla, o que não será fácil

diante da escolha de governar

em cima de ideias e não de cargos

“mas provavelmente terá

elevada governabilidade, sobretudo

nos primeiros meses”.

A fragmentação aumentou nas

duas casas do Congresso Nacional,

fazendo com que governar

seja um exercício de negociação

ainda mais difícil,

afirmou o consultor. O PSL,

partido de Bolsonaro, fez 52

deputados e 4 senados sendo

a segunda maior bancada da

Câmara, e com a Cláusula de

Barrera e a migração dos eleitos,

deve se tornar o maior partido.

Mas há 30 partidos representados

na distribuição de

cadeiras na Câmara dos Deputados

e 21 no Senado. A renovação

do Congresso foi elevada,

bem maior do que a expectativa.

A possibilidade de as reformas

previdenciária e tributária serem

votadas ainda no governo

Temer é muito baixa, por conta

da intervenção no Rio de Janeiro.

“O novo Congresso é

ainda mais conservador que o

atual, sobretudo nos costumes,

o que não significa necessariamente

uma agenda

mais liberal na economia. E a

tentativa de reduzir o número

de ministérios não combina

com a pulverização no Congresso.

Além disso, ministérios

fundidos geram polêmica e superministros.

Se forem demitidos

podem gerar crises”, alertou

Jensen.

Dentre os possíveis cenários, o

consultor disse que o mais

provável é que as restrições e

articulações políticas ruins não

permitam que Bolsonaro implante

toda agenda reformista.

Com isso, a contingência fiscal

deve demorar 6 anos para obter

equilíbrio fiscal primário, o

ajuste das contas públicas será

gradual e recuperação econômica

seguirá lenta, perto de 2%

ao ano. Se a agenda reformista

ficar mais próxima do proposto

pela equipe econômica, a recuperação

acelera em média

Para economista, agronegócio é destaque e deve ajudar no processo de recuperação

3,6% entre 2019/22, podendo

chegar a 5%. Caso Bolsonaro

abandone a agenda reformista

e a resolução do desequilíbrio

fiscal, com emissão monetária,

o crescimento cairá 1% entre

2019/22 e inflação subirá

15,7% em 2022.

Dentre os muitos desafios deixados

para o próximo presidente,

o consultor destacou

como principal o cumprimento

do teto dos gastos, o que classifica

como muito difícil, dado

que não haverá espaço para

cortes fáceis. “A única saída é

negociar junto ao Congresso

uma flexibilização do teto, porém

para tal mudança terá que

sinalizar austeridade junto ao

mercado, aprovando, inclusive,

uma reforma da previdência

mais dura”, destacou.

O principal problema, acrescentou,

é o déficit público, que

está longe de ser resolvido. A

dívida pública representa 77%

do PIB e o ajuste fiscal gradual

faz com que equilíbrio primário

seja alcançado apenas em

2024 e que a relação dívida/PIB

suba ao longo da próxima década

para perto de 100% do

PIB. “Sem uma reforma ampla

da Previdência, não se resolve

o problema, já que 45% da

renda vão para a Previdência e

o percentual cresce 6% ao ano

com o envelhecimento da população

e atuais regras de aposentadoria.

Principal teste do

governo será aprovar uma reforma

grande”, ressaltou.

A meta de déficit primário para

2018 é de R$ 159 bilhões,

porém, o teto de gastos deve

fazer com que o governo obtenha

resultado sensivelmente

melhor que a meta, próximo de

R$ 120 bilhões, dado que a receita

tem subido consideravelmente,

citou o consultor. “A

economia brasileira reverteu os

dois anos de recessão e este

ano seria melhor se não tivesse

ocorrido a greve dos caminhoneiros,

que tirou 0,45% no PIB

deste ano”.

O consultor destacou ainda que

houve alta modesta na renda

do trabalhador, 0,4%, e que em

2019 deve voltar a crescer

com mais força. A taxa de desemprego

está em movimento

de baixa, já tendo caído de

13,1% em março para 11,9%

em setembro, movimento que

deve se estender até dezembro,

voltando a aparecer emprego

de melhor qualidade. As

famílias estão em condições

favoráveis para adquirir novas

dívidas no atual ciclo de expansão,

mas a recuperação do

crédito ainda é lenta, devendo

o Banco Central manter a taxa

Selic em 6,5% até meados do

ano que vem.

No ambiente externo, o dólar

tem ganhado valor frente às demais

moedas com o aperto

monetário dos EUA, o bom desempenho

econômico e o risco

de guerra comercial. Na Europa

não há grandes problemas que

tragam riscos ao Brasil. A China

vem desacelerando sua economia,

mas o que mais preocupa

é a guerra fiscal com os EUA. O

mundo deve crescer 3,5% este

ano praticamente repetindo os

números no ano que vem, sustentado

pelo crescimento do

mundo desenvolvido e Jensen

não acredita em um quadro de

recessão como 2008/09 em

consequência de uma guerra

comercial mais grave, no máximo

vai crescer menos.

Jornal Paraná 5


CAPACITAÇÃO

Resistência de cigarrinha e broca preocupa

No caso do primeiro inseto, isso já

ocorre, enquanto do segundo, o risco

é grande. Só o Manejo Integrado de

Pragas pode retardar o problema

Mais do que uma

suspeita, a resistência

da cigarrinha

da cana-de-açúcar

a inseticidas já é uma certeza,

afirmou a doutora Leila Luci Dinardo

Miranda na aula de encerramento

do Curso Manejo Integrado

de Pragas (MIP), patrocinada

pela empresa FMC, com

o apoio da Alcopar, que foi realizada

no último dia 7 de dezembro

em Maringá. Além da abertura

e do encerramento, com

aulas presenciais, o curso contou

com 6 módulos on line realizados

via internet, à distância,

sobre o tema e envolveu cerca

de 770 profissionais de todo o

Brasil, em 11 diferentes locais,

sendo 60 só do Paraná.

Segundo Leila, já em 2012, produtores

reclamavam da dificuldade

de controle da cigarrinha

da cana, com aumento das

áreas que precisavam de reaplicação.

“A segunda aplicação,

que era esporádica, passou a

ser normal, atualmente”, disse

a doutora. Um teste feito em laboratório

com os insetos comprovou

a resistência.

Ninfas e adultos que foram coletados

em lavouras onde não

era aplicado nenhum inseticida,

o controle foi de 100%. Onde era

usado mais de um determinado

produto do que do outro, o controle

do produto menos utilizado

era mais efetivo e onde foram

usados todos os produtos de

forma intensiva e indiscriminada,

nenhum dos produtos apresentou

um controle eficaz. “Isso

mostra que há populações com

diferentes graus de resistência a

inseticidas e a determinados

produtos”, ressaltou.

O uso de inseticidas contra pragas

como migdolus e sphenophorus

é bem mais antigo do

que contra a cigarrinha, mas,

além da resistência crescente,

as aplicações já são usuais

contra a cigarrinha em 3,6 milhões

de hectares de cana, comentou

a doutora, enquanto se

usa inseticida em 354 mil hectares

para sphenophorus e em

150 mil para migdolus, dados

de 2015.

O diferencial é que a cigarrinha

tem uma capacidade reprodutiva

alta - de 350 a 700 descendentes

por fêmea - e ciclo curto

- com três a quatro gerações

em um ano. Já as duas outras

pragas têm capacidade reprodutiva

baixa e ciclo mais longo.

O migdolus leva de dois a três

anos para completar um ciclo.

Com relação à broca, Leila citou

que até agora não há indícios de

resistência, mas já são aplicados

inseticidas em 4,2 milhões

de hectares. A praga possui as

mesmas características da cigarrinha

que favorecem a resistência.

“É preciso observar os

mesmos cuidados e fazer o

controle com critérios. Cerca de

80% a 90% da broca pode ser

controlada com inimigos naturais.

É importante aliar a aplicação

de Cotesia flavipes com

produtos seletivos”, afirmou.

A preocupação, destacou a

doutora, “é com o desenvolvimento

de resistência pelas

Aplicações são contínuas

Aula de encerramento do curso foi dia 7 de dezembro em Maringá

brocas e cigarrinhas por causa

do modo de aplicação do inseticida

e as características das

pragas, que favorecem a resistência.

No caso das demais

pragas, deve-se demorar um

pouco mais para se perceber

alguma resistência, que evolui

de forma mais lenta. Só com

Manejo Integrado de Pragas

vai retardar o problema, integrando

outras ferramentas para

ajudar no controle. MIP é baseado

na análise do nível de

dano econômico, no controle e

na amostragem, “e sem a

equipe de amostragem que é a

base para a tomada de decisão,

não tem MIP”.

A doutora Leila Luci Dinardo

Miranda disse que as diversas

pragas que afetam a cultura da

cana-de-açúcar muitas vezes

coexistem no campo. Com o

aumento da área com controle

e como há poucas moléculas

disponíveis, são usados os

mesmos produtos para o controle

de diferentes pragas,

com aplicações contínuas.

“Isso mostra que o produtor

tem que se preocupar com a

resistência em cana e pensar

nos produtos e práticas de

controle usados dentro do manejo

integrado, porque o que

for usado contra uma praga

pode afetar outras, aumentando

ou diminuindo o problema.

O que preocupa, ressaltou, é

que produtores não deixam

área de refúgio não tratadas, o

uso de inseticida é indiscriminado,

além do número crescente

de aplicações por ciclo,

da dose usada, e do nível populacional

da praga utilizado

como base para a aplicação

do inseticida, que muitas vezes

é muito baixo, principalmente

nos canaviais de início

da safra. “O modo de aplicação

e o inseticida em si interfere

na maior ou menor resistência

das pragas”, alertou.

Se o produtor quiser minimizar

o problema, tem que adotar

certos cuidados porque precisa

dos inseticidas para manter

a viabilidade do negócio,

acrescentou Leila. “É fundamental

fazer bom uso para

manter a eficiência por mais

tempo. Os grandes prejudicados

não são as empresas,

mas os produtores que ficam

sem opção”.

Além de reduzir o número de

aplicações, só controlando

quando necessário, é preciso

usar dose de bula, preservar

os inimigos naturais com produtos

de baixo impacto, fazer

aplicações bem feitas, rotacionar

produtos e utilizar outros

métodos de controle como

biológico e cultural.

Outra estratégia recomendada é

usar a matriz de manejo de cigarrinha,

que leva em conta a

variedade plantada - se mais resistente

- e a idade da cana -

quanto menor esta for no momento

do ataque, maior a perda

do produtor. Na hora de aplicar

o inseticida, tem que ver qual

área é prioritária. Onde for mais

crítico, aplica de imediato, e

onde o problema for menor, de

acordo com a matriz, é possível

fazer uma boa amostragem e

considerar o nível de dano econômico

para aplicação.

“Não dá para controlar cigarrinha

com o mesmo rigor em

toda a área. Pode até diminuir

a aplicação nas áreas menos

suscetíveis ou até não aplicar,

avaliando o nível de dano econômico.

É preciso parar com

as aplicações sem recomendações

técnicas e econômicas”,

finalizou.

6 Jornal Paraná


PREMIAÇÃO

Presidente da BSBIOS recebe troféu

Erasmo Battistella é reconhecido como executivo de

finanças do ano com o case do plano de reestruturação

administrativa e financeira da empresa

Fotos: Crisitan Mattos/BSBIOS

No dia 30 de novembro,

em Porto Alegre/

RS o presidente da

BSBIOS Erasmo Carlos

Battistella recebeu o Troféu

O Equilibrista - Executivo de Finanças

do Ano, concedido pelo

Instituto Brasileiro de Executivos

de Finanças do Rio Grande do

Sul. O prêmio é o reconhecimento

dos profissionais de finanças

com performance diferenciada

e carreira sólida.

A escolha dos nomes foi feita a

partir da avaliação dos projetos

inscritos por uma banca composta

por representantes das

auditorias Deloitte, KPMG, PwC

e Ernst&Young, levando em

consideração diversos fatores,

como a capacidade de reação

mesmo em um cenário adverso.

Ao todo, 11 cases se inscreveram

para a premiação.

Battistella apresentou o case do

plano de reestruturação administrativa

e financeira da

BSBIOS, evidenciando as iniciativas

de gestão tomadas para

buscar a reversão de resultados

e tornar a companhia mais saudável

economicamente. Tendo

como norte a sustentabilidade

e acreditando nas premissas

que o fizeram fundar a BSBIOS,

o empresário aplicou medidas

para aumentar a competitividade

da companhia.

“Esse troféu reconhece e simboliza

os esforços de boas práticas

de gestão, que fizemos na

liderança da BSBIOS, com a finalidade

de reestruturar a empresa.

Agora a responsabilidade

aumenta ainda mais em continuarmos

buscando melhores

resultados”, pontuou Battistella

dividindo e agradecendo a contribuição

de todos os colaboradores

da empresa.

Sempre com veia de empreendedor

Battistella fundou em

2005 a BSBIOS, apostando na

ideia e a transformando em

oportunidade. Para tanto, uniuse

a outros três empresários

que deram o suporte necessário

para a concretização da

companhia. O negócio cresceu

e expandiu para o Paraná, com

a abertura de mais uma planta

produtora de biodiesel. Com

visão de tornar a companhia

ainda mais sustentável, optouse

pela verticalização da indústria,

com uma unidade de Processamento

de Grãos.

Battistella sempre buscou desenvolver

o setor sendo cofundador

e presidente da Associação

de Produtores de Biodiesel

do Brasil - Aprobio e também

contribuiu para fundar a Associação

Brasileira de Produtores

de Canola - Abrascanola. Atualmente,

o empresário é proprietário

do ECB Group que tem por

foco atuar na área da Agroenergia,

trabalhando para promover

o desenvolvimento da produção

agrícola e uso de energia limpa.

Jornal Paraná 7


SOLIDARIEDADE

Santa Terezinha e Senar

promovem Gincana Mecânica AAJ

Alunos de sete unidades produtivas paranaenses da empresa participaram

de atividades e ainda realizaram mostra de projetos “Jovem em Ação”

Diversão e solidariedade

marcaram

mais uma edição

da Gincana Mecânica

AAJ (Aprendizagem de

Jovens e Adolescentes), que

ocorreu na Associação dos

Funcionários da Usina Santa

Terezinha de Tapejara/ PR

(Asfust).

Mais de 100 alunos do AAJ

das unidades Ivaté, Umuarama,

Paranacity, Tapejara,

Moreira Sales, Cidade Gaúcha

e Terra Rica, divididos

em 12 equipes, participaram

simultaneamente de testes

de conhecimento, atividades

práticas e mostra de projetos

do “Jovem em Ação”.

Estiveram presentes no

evento visitantes e instrutores

do Senar e 30 colaboradores

da Usina Santa Terezinha.

O objetivo foi colocar em

prática todo o conteúdo que

os alunos aprenderam durante

o ano no curso de Mecânico

de Manutenção de

Tratores, do Senar (Serviço

Nacional de Aprendizagem

Rural) - Paraná, além de desenvolver

a liderança, o planejamento

e a criatividade

entre os grupos ao longo

das 13 provas.

partir de sucata, pelos próprios

jovens aprendizes.

Os 20 melhores projetos físicos,

os 10 melhores colocados

no teste de conhecimento

específico, a equipe

vencedora no total de pontuação,

os instrutores de

aprendizagem do Senar e os

colaboradores da Usina Santa

Terezinha também levaram

os troféus para casa.

Todos desfrutaram ainda de

café e um delicioso almoço.

A Usina Santa Terezinha é

uma empresa brasileira do

setor sucroenergético, composta

pelo corporativo e o

terminal logístico - em Maringá,

o terminal rodoferroviário

em Paranaguá, e as

onzes unidades produtivas

em Iguatemi, Paranacity, Tapejara,

Ivaté, Terra Rica, São

Tomé, Cidade Gaúcha, Rondon,

Umuarama e Moreira

Sales - no Paraná, e Usina

Rio Paraná - no Mato Grosso

do Sul. A empresa conta com

mais de 14 mil colaboradores

nos setores agrícola, industrial

e administrativo.

Fez também parte da pontuação

a arrecadação de alimentos

e lacres de alumínio

que foram vendidos e revertidos

na compra de cadeiras

de rodas para doação. As

dez pessoas que mais arrecadaram

os itens ganharam

troféus confeccionados, a

8

Jornal Paraná


ATLETISMO

Usina marca presença na 11° Corrida

O evento foi organizado pela empresa

e ainda contou com a Feira de Saúde

do Projeto Tabagismo e área de lazer

para a comunidade do distrito

Na manhã do feriado de

15 de novembro, a

Praça Central do distrito

de Iguatemi, em

Maringá/ PR, estava movimentada

por atletas, familiares e

toda a comunidade local. A tradicional

Corrida Rústica de

Iguatemi - Elenilson Silva - Pare

de Fumar Correndo atraiu mais

de 1.000 mil inscritos – entre

crianças, jovens e adultos – em

sua 11ª edição.

A Usina Santa Terezinha sempre

marca presença no evento com

um grande número de atletas

de sua Equipe de Atletismo,

com alguns se posicionando

entre os primeiros colocados.

Este ano, o colaborador da Unidade

Tapejara, Dorval dos Santos,

foi destaque na prova ficando

em 2° lugar na classificação

geral da categoria Master

40 com o tempo de 17:47. Pâmela

Norraila da Silva, convidada

da Equipe de Atletismo da

empresa também brilhou com

o 1° lugar na categoria Adulto

Feminino, atingindo o tempo de

21:50.

A tradicional Corrida Rústica acontece há 11

anos no distrito de Iguatemi (20 km do centro

de Maringá). O evento leva o nome do exatleta

sul mato-grossense Elenilson Silva, que

sempre comparece para prestigiar o evento.

“Sempre digo que é uma alegria muito grande

para um atleta ser homenageado em vida.

Fico muito feliz de ter o meu nome nesta corrida”,

afirma Silva.

Detentor de tantos méritos - entre eles, a medalha

de ouro nos 10 km dos Jogos Pan-

Americanos de 1999, realizados em Winnipeg

Os atletas participantes disputaram

lugar no pódio em 10 diferentes

categorias. Com inscrição

gratuita e largada às 8h, os

competidores das categorias

Juvenil, Adulto e Master realizaram

o percurso de 5 km pelas

ruas do distrito. Já as categorias

Sub11 (08 a 10 anos) percorreram

700 metros; Sub14

Pré-Mirim (11 a 13 anos), 1

km; Sub16 Mirim (14 e 15

anos), 2 km e Sub18 Menores

(16 e 17 anos), 3 km. Além de

alimentos e água, todos que

concluíram o trajeto receberam

uma medalha de participação,

uma sacochila e uma camiseta.

A comunidade pôde desfrutar

também da Feira de Saúde do

Projeto Tabagismo da UEM

(Universidade Estadual de Maringá)

e a criançada aproveitou

os brinquedos e o cardápio que

foram oferecidos gratuitamente.

Todos os alimentos não perecíveis

arrecadados, por meio da

inscrição solidária, estão sendo

revertidos para instituições socioassistenciais

do distrito de

Iguatemi com o auxílio do Provopar

(Programa do Voluntariado

Paranaense) de Maringá.

Homenagem

A corrida foi realizada pelo Projeto

Tabagismo, Usina Santa Terezinha,

Prefeitura de Maringá,

Sesp (Secretaria Municipal de

Esporte e Lazer), UEM e São

Francisco Saúde, com patrocínio

do Lions Clube Integração

Universitário, RPC TV, CBN Maringá,

Maringá FM e Rádio Mix.

Estiveram presentes no evento

o atleta campeão pan-americano,

Elenilson Silva, o reitor da

UEM, professor doutor Júlio

César Damasceno, o diretor da

Usina Santa Terezinha - Unidade

Iguatemi, Júlio César Meneguetti,

o gerente industrial da

Usina Santa Terezinha - Unidade

Iguatemi, Milton Rogério Pereira,

e o coordenador do Projeto

Tabagismo da UEM,

professor doutor Celso Conegero.

(Canadá), Silva conquistou ainda na década

de 1990 seis títulos brasileiros e um bronze

no mundial de maratona de revezamento,

além de competir em mais de 20 países diferentes.

Hoje, Elenilson está aposentado das provas

profissionais, mas continua envolvido com o

atletismo. O ex-atleta se dedica ao projeto

Correndo em Busca de um Sonho, que mantém

no município de Bela Vista (MS) e estimula

a prática esportiva e cultural para mais

de 50 crianças e jovens.

Também participaram o secretário

de Esportes e Lazer de

Maringá, Valmir Fassina, o vereador

de Maringá, Onivaldo

Barris, a coordenadora do centro

esportivo de Iguatemi, Gislaine

Patricia dos Santos, a

coordenadora do Mudi (Museu

Dinâmico Interdisciplinar) da

UEM, Ana Paula Vidotti, a governadora

do Distrito LD-6

Lions Clube, Jacira Martins e o

chefe de programação, promoção

e eventos da RPC TV, Sidney

Dorta.

A 11ª edição da Corrida Rústica

de Iguatemi - Elenilson Silva -

Pare de Fumar Correndo foi

também a última prova do 4º

Circuito Maringaense de Corridas

de Rua, organizado durante

todo o ano pela Prefeitura de

Maringá.

Jornal Paraná 9


DOIS

PONTOS

Bioeletricidade

O Brasil é o país que apresenta

a matriz energética menos

poluente entre os grandes

consumidores globais de

energia, sendo a nação com

maior participação de fontes

renováveis, mostra o Relatório

sobre Mercado de Energias

Renováveis 2018 da

Agência Internacional de

Segundo o Plano Decenal de

Expansão de Energia divulgado

pela Empresa de Pesquisa

Energética, a oferta de

bioeletricidade (biomassa, hidroelétrica,

eólica e solar) para

a rede, partindo de 25 TWh

produzidos em 2017, chegará

a 38 TWh em 2027. Neste

mesmo período, o setor sucroenergético

deverá gerar 32

TWh, um crescimento de

pouco mais do que 1 TWh ao

ano sobre os 21 TWh entregues

à rede no ano passado.

Neste ritmo, o setor levará

quase 120 anos para aproveitar

o potencial atual da eletricidade

obtida da biomassa

canavieira, sem considerar o

crescimento natural da capacidade

de produção ao longo

do tempo, segundo Zilmar de

Souza, gerente em Bioeletricidade

da Unica. Em 2017, a

biomassa sucroenergética representou

quase 5% do consumo

total de energia elétrica.

Se houvesse o seu pleno

aproveitamento, seria possível

ofertar quase sete vezes

mais, o que corresponderia a

mais de 30% do consumo

nacional.

Menos poluente

Energia (AIE). O país deverá

somar quase 45% de fontes

renováveis no consumo final

de energia em 2023, principalmente

em função da bioenergia

nos transportes e na

indústria e da hidroeletricidade,

no setor elétrico. Atualmente,

esse percentual corresponde

a 43%.

Adoçante de cana

A Camil Alimentos fechou uma

parceria com empresa norteamericana

Amyris para desenvolver

um adoçante zero caloria

à base de cana-de-açúcar.

A parceira visa atender à crescente

demanda de adoçantes

naturais zero caloria, e o Brasil

seria o primeiro mercado a receber

o produto. A Amyris é

uma empresa integrada que

realiza a pesquisa, o desenvolvimento

e a produção de ingredientes

sustentáveis para

diversos mercados, incluindo

os setores químico, de cosméticos

e farmacêutico, entre

outros. A empresa não detalhou

o prazo em que o adoçante

poderá estar disponível.

Das 206 usinas de açúcar e

álcool da região Centro-Sul

do Brasil, 78 vão terminar a

safra 2018/19 sem ter produzido,

sequer, um quilo de açúcar,

25% a mais que na

temporada 2017/18, quando

62 unidades destinaram

100% de sua cana para o etanol,

segundo a Unica. Isso

contribuiu para que a produção

de etanol hidratado batesse

o recorde de produção

dos últimos 11 anos. De 1º

Recorde

Economia

A Empresa de Pesquisa

Energética, vinculada ao Ministério

de Minas e Energia,

estima que a oferta de etanol

no país deverá crescer 50%

até 2027 em relação ao volume

registrado no ano passado,

para 45 bilhões de litros.

O aumento da produção

demandará mais aportes da

indústria - movimento que

de abril, quando a safra começou,

até a primeira quinzena

de novembro, saíram

das usinas do Centro-Sul

18,85 bilhões de litros. O volume

é 20% maior que o

mesmo período da safra anterior

(15,67 bilhões de litros),

e quase 5% superior na

comparação com o ano de

2010, quando se produziu o

segundo maior volume da

série histórica desde 2008

(17,97 bilhões de litros).

Segundo projeções do Fundo

Monetário Internacional, a economia

global deverá atingir uma

taxa de crescimento anual do

PIB de 3,7% entre 2018 e 2020,

antes de cair para 3,6% entre

2021 e 2023 e ultrapassar a

marca de US$ 100 trilhões por

volta de 2022. Apesar da expectativa

de que a taxa de crescimento

da China continuará

desacelerando, e que de fato

deverá crescer a um ritmo menor

que o dos EUA em 2040, a

China ainda dará a maior contribuição

para o crescimento do

PIB global por uma grande

margem a curto prazo, aumentando

de 27,2% para 28,4% em

2023. . A participação dos EUA

no crescimento global deverá

cair de 12,9% para 8,5% em

2023. A fatia da Índia no crescimento

do PIB global aumentará

de 13% para quase 16%.

Deve haver uma democratização

do crescimento do PIB,

com outros países tendo uma

fatia maior do bolo do PIB global.

Etanol

Neutralidade

A União Europeia instou governos,

empresas e cidadãos a

aderirem à ambiciosa meta de

cortarem as emissões de gases

do efeito estufa, deixando

de lado os combustíveis fósseis,

e atingirem a chamada

“neutralidade climática” até

não deverá ocorrer no curto

prazo, segundo analistas. A

estatal avalia que precisarão

ser investidos R$ 25 bilhões

apenas em capacidade industrial

para atingir a produção

de etanol esperada, dos

quais R$ 16 bilhões em novas

usinas e R$ 9 bilhões na

expansão de unidades existentes.

Clima

Um importante relatório do

painel científico da ONU

sobre a mudança do clima

traça um panorama muito

mais severo sobre as consequências

imediatas da

mudança no clima do que

se imaginava. Ele afirma

que evitar danos vai requerer

transformar a economia

mundial em velocidade e

escala para as quais "não

existem precedentes documentados".

O relatório descreve

um mundo no qual a

escassez de comida e os

incêndios nas matas se

agravarão, e recifes de corais

morrerão em escala

maciça já em 2040, dentro

da expectativa de vida de

boa parte da população

mundial. Se as emissões

dos gases causadores do

efeito estufa continuarem

ao ritmo atual, a atmosfera

vai se aquecer em pelo

menos 1,5ºC ante o nível

vigente na era pré-industrial,

até 2040, causando a

inundação de áreas costeiras

e intensificando as

secas e a pobreza.

2050. União Europeia é hoje

responsável por cerca de 10%

das emissões globais de gases

do efeito estufa.

10 Jornal Paraná


Enquanto a força de trabalho

no agronegócio como um

todo cai 6,6%, a das mulheres

cresce 8,3% de 2004 para

2015 e a dos homens caiu

11,3%. As mulheres, que participavam

com 24% da força

de trabalho no setor, em

2004, elevaram a participação

para 28% em 2015. E

elas chegam ao mercado

com carteira assinada e com

um grau mais elevado de

educação. No período, a participação

das mulheres com

Mulheres

Drones

ensino superior dobrou, passando

de 7,6% para 15%. Já

a das que têm apenas o ensino

fundamental caiu. Além

disso, a maioria delas se considera

satisfeita com as funções

desempenhadas, com a

remuneração e com o aprendizado

no serviço. Mesmo

com esses bons indicadores,

são necessárias algumas melhorias,

entre as quais a do

nível hierárquico dos cargos

usualmente ocupados por

elas no agronegócio. Essas

Praticamente desconhecidos

até meados de 2010, os drones,

pequenas aeronaves

sem tripulação, comandadas

à distância, vêm aumentando

sua presença em diversas

atividades, com destaque

para o avanço expressivo de

seu uso nas fazendas. O

ritmo de crescimento desse

mercado no país tem surpreendido

até mesmo os fabricantes

dos equipamentos.

Há estimativas de que o Brasil,

que hoje ocupa a décima

colocação, se tornará, em

dois anos, o terceiro maior

mercado mundial de drones

na agricultura. Os primeiros

colocados hoje são Estados

Unidos, Europa, Canadá e

Argentina. Cerca de 40% das

aeronaves não tripuladas estariam

dedicadas a aplicações

no agronegócio. A participação

é superior ao resto

do mundo, que tem um percentual

de 25%.

Meta climática

O relatório do Programa das

Nações Unidas para o Meio

Ambiente (Pnuma) concluiu

que os atuais compromissos

assumidos pelos países no

Acordo de Paris estão aquém

do necessário para manter o

aquecimento global abaixo

de 2°C. O lapso entre a real

situação da proteção climática

e aquela que realmente

precisa-se alcançar é conhecido

como o hiato de emissões.

O Pnuma adverte que,

se não for fechado o hiato de

emissões até 2030, a possibilidade

de limitar o aquecimento

a um máximo de 2°

Celsius será inacessível. O

relatório levanta preocupações

sobre a minguante probabilidade

de alcançar o teto

de aquecimento de 1,5°C,

muito mais desejável. Se as

tendências atuais continuarem

como estão, o aquecimento

provavelmente atingirá

3,2°C até o final do século.

Biocombustíveis

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos

aumentou a sua exigência de mistura de biocombustíveis

avançados em 15% em 2019, enquanto manteve estável

o requerimento para os biocombustíveis convencionais,

como o etanol à base de milho. O mandato inclui 4,92

bilhões de galões para biocombustíveis avançados, que

podem ser feitos de plantas ou dejetos animais, um volume

maior do que a proposta inicial de 4,88 bilhões e

superando os 4,29 bilhões estabelecidos em 2018. O requerimento

para biocombustíveis convencionais permanece

a 15 bilhões de galões em 2018, alinhado com a

cifra de 2018. Tal mudança pode beneficiar o Brasil, cujo

etanol de cana é considerado avançado.

Referência

O Brasil é referência mundial

na substituição de combustível

fóssil por combustíveis

renováveis, na forma de etanol

e biodiesel. Nos primeiros

nove meses de 2018, o etanol

adicionado à gasolina e

utilizado na frota flex do País

substituiu 44,3% da gasolina.

Em alguns Estados, como

Mato Grosso, esse grau de

substituição chega a 64,2%.

Em São Paulo, que é o maior

consumidor, a substituição

alcançou 57,8% no período.

constatações aparecem em

uma pesquisa sobre a participação

das mulheres no agronegócio,

feita pelo Cepea -

Centro de Estudos Avançados

em Economia Aplicada.

Esses números, citados pelo

presidente da consultoria Datagro,

Plinio Nastari, revelam

não só o potencial de economia

de combustível fóssil no

País como de redução de

emissões de gases do efeito

estufa – nas quais o insumo

proveniente do petróleo é

pródigo. O setor de biocombustíveis

dará uma contribuição

enorme para o Brasil

atingir as metas que se comprometeu

a cumprir dentro

do Acordo de Paris.

Copersucar

O presidente-executivo da

brasileira Copersucar, uma

das maiores empresas de

açúcar e etanol do mundo,

Paulo Roberto de Souza,

deixou o cargo. João Roberto

Teixeira, que liderou o

banco Votorantim por vários

anos, é o novo presidente

executivo. Souza comandou

a Copersucar por nove anos

e foi uma pessoa chave por

trás do acordo com a Cargill

para criar a Alvean. A empresa

registrou receita líquida

de 28,6 bilhões de

reais na safra 2017/18, e

comercializou no período

4,5 milhões de toneladas de

açúcar e 4,3 bilhões de litros

de etanol.

Calor

A tendência de aquecimento

do planeta continua

e 2018 deve entrar para a

história como o quarto ano

mais quente já registrado,

segundo dados da ONU. Os

20 anos com temperaturas

mais elevadas da história

foram registrados nos últimos

22 anos. Os últimos

quatro anos foram também

os quatro com temperaturas

mais altas. De acordo

com a Organização Meteorológica

Mundial, o calor

também tem sido seguido

por sinais como mudanças

climáticas, elevação do nível

do mar, degelo em muitas

das regiões polares e

fenômenos climáticos extremos

deixando um rastro

de devastação em todos os

continentes.

Jornal Paraná 11


CONFRATERNIZAÇÃO

Consecana-PR fecha

programação do ano com almoço

Mensalmente, os representantes dos dois segmentos se reúnem para

definir os valores de referência da tonelada de cana básica para o próximo mês

Para fechar a programação

do ano, os representantes

dos

produtores e da indústria

de cana-de-açúcar

dentro do Consecana-PR

(Conselho dos Produtores de

Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool

do Estado do Paraná)

participaram do almoço de

confraternização realizado

dia 29 de novembro em Maringá.

Estiveram presentes também

o engenheiro agrônomo e

economista José Roberto

Canziani, e a professora doutora

Vânia Di Addario Guimarães,

ambos do Departamento

de Economia Rural e

Extensão da Universidade Federal

do Paraná (UFPR), que

dá todo respaldo técnico ao

trabalho do Consecana-PR.

“Foi mais um ano difícil para

o setor devido à situação econômica

do Brasil e do mercado

de açúcar no mundo.

Mas, temos a esperança de

que 2019 será um ano melhor

dentro do que podemos controlar”,

afirmou Ana Thereza

da Costa Ribeiro, presidente

do Consecana-PR e do Sindicato

Rural de Porecatu.

Mensalmente, os representantes

dos dois segmentos

se reúnem para definir os valores

de referência da tonelada

de cana básica para o

próximo mês com base nos

valores de comercialização

dos derivados, no mix de comercialização,

nos preços

do ATR de cada produto e no

preço médio do ATR do mês.

Isso dá maior tranquilidade e

transparência nas relações

de negócios entre os produtores

e a indústria, com regras

e critérios claros na

definição dos valores usados

nas transações comerciais,

estruturando a cadeia produtiva.

A cana é uma cultura perene,

com alto custo de implantação,

mas que pode ser explorada

por vários anos. Sua

comercialização precisa ser

imediata após a colheita e o

transporte não pode ser feito

a longas distâncias. Por isso

a importância de preços de

referência que possibilitem investimentos,

na indústria e no

campo, com mais tranquilidade.

O conselho é paritário, com

seis representantes dos produtores

indicados pela Faep

(Federação da Agricultura do

Paraná), normalmente presidentes

de Sindicatos Rurais, e

seis representantes da indústria,

indicados pela Alcopar,

além de seis suplentes de

cada setor. A dupla que coordena

os trabalhos, também

com um representante de

cada segmento, é eleita por

dois anos sendo que cada um

assume a presidência por um

ano.

Desde que foi criado em

2000, já são 18 anos-safra de

trabalho. Com a saída do governo

na safra 1998/99, após

a extinção do IAA (Instituto do

Álcool e do Açúcar), era necessário

organizar a comercialização

do setor e regular o

mercado, dando um preço referência

para a livre negociação

das partes.

O Consecana-PR seguiu o

modelo adotado pelo Consecana

de São Paulo, mas com

o passar dos anos, fez uma

série de adaptações e aprimoramentos,

adequando à sua

realidade. Atualmente, os parâmetros

definidos pelo Consecana-PR

servem de referência

para comercialização

de mais de 80% da safra, com

exceção das cooperativas,

que adotam um sistema próprio.

Essa metodologia de pagamento

da matéria-prima se

tornou modelo para outros setores.

Reunião foi dia

29 de novembro

em Maringá

12 Jornal Paraná

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