Jornal Paraná Fevereiro 2019

LuRecco

OPINIÃO

Desafios dos próximos dez anos

Muito deve ser feito para que o biodiesel realize seu potencial, além do aumento da mistura obrigatória

Daniel Amaral e

André Nassar (*)

Se as conquistas foram

grandes, os desafios

são igualmente

relevantes. Completaram-se

em 2018 dez

anos da mistura obrigatória

de biodiesel no diesel comercial

brasileiro no âmbito do

Programa Nacional de Produção

e Uso de Biodiesel

(PNPB). Decorrido este tempo,

cabe avaliar seus resultados,

conquistas e desafios

para a próxima década.

Em 2008, as usinas brasileiras

produziram 1,2 milhão de m 3

de biodiesel. Desde então, a

oferta foi crescente, exceto em

2016, e para 2018 é projetado

um volume de 5,3 milhões de

m 3 . Regionalmente, destacamse

as Regiões Sul e Centro-

Oeste, que têm abundância de

matérias-primas, enquanto as

demais, especialmente a Norte,

ainda precisam superar

barreiras para atingir seu grande

potencial de produção.

A produção de biodiesel teve

papel estratégico na oferta doméstica

de diesel B. Em razão

da importação de diesel no

Brasil, que ainda hoje se situa

na ordem de 20% do consumo,

o biodiesel economizou,

de 2008 até o fim de

2018, mais de US$ 20 bilhões

em divisas, permitindo o uso

desses recursos para outras

necessidades.

Do ponto de vista econômico

e social, o aumento gradual da

mistura obrigatória de 2%, originalmente,

até os atuais 10%

levou à retomada do processamento

interno da soja para

produção de farelo e óleo. Esse

movimento trouxe consigo

a geração de milhares de empregos

em toda a cadeia produtiva.

A agricultura familiar, integrada

via Selo Combustível Social,

tem assegurada sua participação

nas vendas de oleaginosas

e de animais e prestação

de assistência técnica ao produtor

rural, essencial para o

crescimento futuro da produtividade.

Importante mencionar

que o aumento da produção

de farelo ampliou a oferta de

rações animais e, consequentemente,

a capacidade de produção

de proteínas animais.

Quando se tem em conta que

o biodiesel emite 70% menos

Gases de Efeito Estufa (GEEs)

que o diesel de origem fóssil,

fica evidente que o produto

atende aos três pilares da sustentabilidade.

Esse desempenho

é ainda melhor quando

se consideram o uso da intermodalidade,

ou mesmo a produção

a partir de resíduos, e o

seu alinhamento aos compromissos

nacionais de redução

das emissões de GEEs.

Os resíduos, por sua vez, são

bens que tinham baixo valor

econômico antes do PNPB.

Por essa razão, seu descarte

era feito inadequadamente no

Para o futuro, além da questão

ambiental, se buscará também o

reconhecimento das externalidades

sociais e para a saúde pública

meio ambiente, o que gerava

poluição e despesas com tratamento

de águas e esgotos.

Todavia, seu alto conteúdo

energético recebeu excelente

destinação dentro do programa

de biodiesel, porque passou

a ser transformado em

biocombustível de alta qualidade,

e esse incentivo econômico

equacionou também o

problema ambiental.

Ainda na questão ambiental,

porém com enfoque na saúde

pública, estudos comprovaram

que o uso de biodiesel

reduz também as emissões de

poluentes nocivos, a exemplo

dos hidrocarbonetos, do monóxido

de carbono e dos materiais

particulados. Portanto,

uma ação para reverter a baixa

qualidade do ar nas grandes

cidades é o uso imediato de

20% de biodiesel em frotas de

ônibus urbanos, pois certamente

isso aumentará a qualidade

de vida e reduzirá as

despesas com cuidados médicos.

Se as conquistas foram grandes,

os desafios são igualmente

relevantes, e muito ainda

deve ser feito para que o

biodiesel brasileiro realize todo

o seu potencial. Para isso, trabalha-se

pelo aumento da

mistura obrigatória a 15% até

2023, conforme faculta a Lei

Federal n.º 13.263; e a 20%

até 2028. Com essa previsibilidade

se desencadearão amplos

investimentos em fábricas

de esmagamento e usinas,

além do crescimento da

produção agropecuária.

Nesse sentido, o setor trabalha

em apoio e de forma alinhada

ao Programa RenovaBio, que

valoriza as externalidades ambientais

dos biocombustíveis e

incentiva o aumento da participação

desses produtos na

matriz de combustíveis. Para o

futuro, além da questão ambiental,

se buscará também o

reconhecimento das externalidades

sociais e para a saúde

pública, de forma que a sociedade

possa se beneficiar de

um combustível limpo e de

qualidade.

(*) Daniel Amaral e André

Nassar são, respectivamente,

gerente de Economia

e presidente Executivo da

Abiove.

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SAFRA 2018/19

Produção de cana reduz

quase 5% no Paraná

A grande novidade este ano foi a inversão no mix de produção industrial no Paraná,

destinando 55% da matéria prima para etanol e 45% para açúcar

Uma diminuição do

volume colhido de

cana-de-açúcar foi

registrada na safra

2018/19 no Paraná, comparando

com a quantidade consolidada

no ciclo anterior

(2017/18). Até o final de dezembro,

quando todas as unidades

produtoras já estavam

paralisadas, por causa da entressafra,

o montante de matéria-prima

somava 34,711

milhões de toneladas, contra

36,483 milhões de um ano

antes, quase 5% a menos.

De acordo com a Associação

de Produtores de Bioenergia

do Estado do Paraná (Alcopar),

sediada em Maringá

(PR), problemas climáticos,

como prolongados períodos

de seca, afetaram a produtividade

das lavouras, que estão

concentradas nas regiões

noroeste e norte do Estado.

"O clima afetou tudo", disse

Miguel Tranin, presidente da

Alcopar.

Diante das baixas cotações

do açúcar no mercado internacional

em 2018, as unidades

direcionaram suas atividades

para priorizar a produção

de etanol, que somou

1,558 bilhão de litros no total

de anidro e hidratado, um

acréscimo de 26,7% no Paraná,

em comparação ao ano

anterior, que fechou em 1,229

bilhão de litros. Do total,

500,721milhões de litros foram

de etanol anidro e 1,058

bilhão de litros de hidratado.

Já o montante de açúcar foi

de 2,092 milhões de toneladas,

28% a menos em igual

período, quando chegou a

2,912 milhões de toneladas.

A grande novidade este ano

foi a inversão no mix de produção

industrial no Paraná.

Historicamente, o Estado tem

se caracterizado pela produção

e exportação de açúcar,

com suas usinas concentrando

o mix mais açucareiro

em seu processo industrial,

cerca de 60% da matéria

prima para a produção de

açúcar e 40% para etanol.

Mesmo em outros momentos

difíceis para o mercado mundial

da commodity, em que

boa parte das usinas brasileiras

voltaram seu foco para a

produção de etanol, o Estado

manteve seu mix de produção

mais açucareiro.

Entretanto, este ano, com os

preços do açúcar em queda

no mercado internacional e

previsões de mais um ano

de superávit mundial de produção,

e diante de um cenário

mais favorável para o

etanol no mercado interno,

ante a alta do dólar e do petróleo,

aliado à política de

reajustes da Petrobras, as

usinas do Paraná concentraram

sua atenção na produção

de etanol, destinando

55% da matéria prima para

etanol e 45% para açúcar. A

produção recorde de etanol

no Estado foi na safra 2008/

09, quando atingiu os 2,052

bilhões de litros de etanol. E

o mix de produção foi de

58,29% de etanol e o restante

de açúcar.

Com relação à qualidade da

matéria-prima, a quantidade

de Açúcares Totais Recuperáveis

(ATR) por tonelada de

cana no acumulado da safra

2018/19 ficou 1,1% abaixo do

valor observado na safra

2017/18, totalizando 140,02

kg de ATR/t de cana, contra

141,61 kg ATR observados

na safra passada.

Início da colheita pode atrasar

As indústrias normalmente finalizam

as operações no final de

ano e as retomam em meados

de março. Até lá, aproveitam

para fazer a manutenção das

estruturas visando a próxima

safra (2019/20) que inicia oficialmente

em abril. Por conta

disso, as usinas do Paraná normalmente

são as primeiras a

retomarem a colheita, em fevereiro

e março, contabilizando a

produção como ainda do período

anterior.

Desta vez, entretanto, há a expectativa

no setor sucroenergético

do Paraná de que a

safra vai ser iniciada com

atraso no próximo ciclo. E

também não haverá cana bisada,

que sobra no campo de

um ano para o outro, para ser

moída nesta entressafra. As

25 unidades industriais do Estado

estão indo para a temporada

2019/20 com canaviais

muito prejudicados pela seca

do ano passado. Devido ao

envelhecimento das plantas

após anos de renovações

aquém do ideal, as lavouras

estão mais suscetíveis a perdas.

Com ponto de corte

ideal, portanto, mais para

frente.

Jornal Paraná 3


Centro Sul foca no etanol na próxima safra

A próxima safra de cana-deaçúcar

no Centro-Sul do Brasil,

a 2019/20, que se inicia em

abril, deverá ter um volume semelhante

ao da atual, na casa

de 570 milhões de toneladas,

segundo o diretor da Unica, Antonio

de Padua Rodrigues, em

uma avaliação preliminar. Ele

afirmou que, a exemplo do que

ocorreu em 2018/19, a próxima

temporada também será “muito

alcooleira”, com usinas tirando

proveito de melhores preços do

etanol em relação ao açúcar.

Padua evitou apontar um volume

de moagem para a nova

safra. O número indicado para

2018/19, de aproximadamente

570 milhões de toneladas, representaria

uma queda de cerca

de 4% frente a anterior. A

Companhia Nacional de Abastecimento

(Conab) previu a

safra 2018/19 do Centro-Sul

em 566,9 milhões de toneladas.

Problemas na safra 2019/20 do

Centro-Sul do Brasil poderiam

mexer ainda mais com o balanço

de oferta global de açúcar,

cujas estimativas nos últimos

meses têm passado de

superávit para déficit, com provável

reflexo nos preços da

commodity na ICE.

A esperada retomada do crescimento

da economia nacional

para 2019 (projeções do Banco

Central indicam alta de 2,55%

do PIB) pode resultar em aumento

de renda das famílias,

cenário que tende a aquecer as

vendas de carros e a elevar a

demanda por combustíveis, de

acordo com informações do

Centro de Estudos Avançados

em Economia Aplicada, da

Esalq/USP. Com isso, o etanol

deve continuar a ter uma participação

expressiva nas vendas

de combustíveis no País, tanto

na forma de hidratado quanto

no anidro.

Usinas, incentivadas pelas sinalizações

de aumento nos preços

do açúcar, podem aumentar

o percentual de cana destinado

à produção do adoçante e

reduzir o de etanol. Mesmo

com esse ajuste do mix, a safra

ainda deve ser bastante alcooleira,

com estimativas mostrando

que aproximadamente

60% da cana será direcionada

à produção do biocombustível,

avalia o centro. A redução da

oferta de etanol de cana, por

sua vez, deverá ser compensada

somente em parte pela

maior disponibilidade do etanol

de milho.

Em termos de combustíveis

fósseis, o prognóstico é de elevação

de preços, que caíram

de forma expressiva nos últimos

meses de 2018, devido

ao aumento da oferta, ficando

só maiores que os observados

em 2014. Isso motivou a Organização

dos Países Exportadores

de Petróleo (Opep) e os

países aliados, liderados pela

Rússia, chamados de

"Opep+", em reunião realizada

no início de dezembro, a decidirem

reduzir a produção de

petróleo em 1,2 milhão de barris

diários por um período de

seis meses a partir de 1º de janeiro,

sendo prevista uma revisão

dessa decisão em abril de

2019.

Quando se trata da retomada

dos investimentos no setor sucroenergético,

as atenções devem

se voltar à evolução da

implementação do RenovaBio.

Nesse sentido, o setor espera

avanços na implementação do

programa em 2019. Como o

RenovaBio não requer subsídio

e renúncia fiscal, supõe-se que

o programa seja aderente às

propostas do novo governo.

A safra 2018/19 está praticamente

encerrada na região

Centro-Sul. No acumulado

desde o início até 1º de janeiro

de 2019, a moagem de

cana somou 562,03 milhões

de toneladas, permanecendo

abaixo do resultado apurado

até a mesma data do ciclo

2017/18 (583,24 milhões de

toneladas).

“Para o 1º trimestre de 2019,

a quantidade de cana a ser

moída dependerá das condições

climáticas. Em dezembro,

as chuvas ficaram

aquém da média histórica

(até 100 mm inferior) em

muitos canaviais do Centro-

Sul, o que compromete o

ritmo de plantio e o desenvolvimento

da cana. Nesse sentido,

é cedo para fazer qualquer

projeção sobre a oferta

para a próxima safra”, destacou

o diretor Técnico da Unica,

Antonio de Padua Rodrigues.

Ressalta-se que a Agência Nacional

do Petróleo, Gás Natural

e Biocombustíveis (ANP) aprovou,

em novembro de 2018, a

resolução que regulamenta o

Programa (a Lei nº

13.576/2017) quanto aos critérios

para Certificação da Produção

Eficiente de Biocombustíveis,

à definição de requisitos

para o credenciamento de firmas

inspetoras responsáveis

por tal certificação e aos cálculos

da Nota de Eficiência

Energético-Ambiental de produtor

e importador de biocombustível

certificado que aderiram

ao RenovaBio.

Colheita avança para o fim

No agregado da safra 2018/

19, a produção de açúcar

atingiu 26,34 milhões de toneladas

frente às 35,83 milhões

de toneladas no mesmo

período de 2017. No caso

do etanol, a produção acumulada

alcançou 30,12 bilhões

de litros, dos quais 9,11 bilhões

foram de anidro e 21,01

bilhões de hidratado. Este último

representa um crescimento

de 44,27% quando

comparado ao volume acumulado

na safra 2017/18

(14,57 bilhões de litros).

A produção de etanol a partir

do milho totalizou no acumulado

de 2018/19 até 1º de janeiro

512,81 milhões de litros,

praticamente igual à

produção observada para

toda a safra 2017/18

(521,49 milhões), mesmo

restando ainda 6 quinzenas

para o término oficial da safra

corrente. A concentração de

Açúcares Totais Recuperáveis

(ATR), no acumulado,

atingiu 138,65 kg por tonelada,

aumento de 0,93% em

relação a 2017/18.

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Jornal Paraná


AÇÃO SOCIAL

Natal Solidário mobiliza

colaboradores da Santa Terezinha

Tradicional campanha

desenvolvida pela usina

arrecadou em torno de

13 mil brinquedos em

2018 alegrando o dia

de muitas crianças

Contribuir com o Natal mais feliz de milhares

de crianças é o objetivo do Natal Solidário.

A campanha, que teve início em

2014 na Usina Santa Terezinha, movimenta

o Corporativo, a Logística, todas as unidades

produtivas do grupo e a comunidade com o

objetivo de promover o real sentido da data arrecadando

brinquedos novos para doação. A ideia

é simples: para cada novo brinquedo doado pelo

colaborador, a empresa doa mais um.

Em 2018, 12.994 mimos de Natal - bolas, bonecas,

carrinhos, kits de profissões/ferramentas,

jogos educativos, além de balas e pirulitos - foram

entregues em municípios do Paraná e Mato Grosso

do Sul: comunidades locais, distritos e instituições

socioassistenciais. O Papai Noel contou com a

ajuda especial dos colaboradores da Santa Terezinha

para presentear os pequenos e espalhar o espírito

solidário nos dois estados brasileiros.

A Usina Santa Terezinha é uma empresa brasileira

do setor sucroenergético, composta pelo corporativo

e o terminal logístico – em Maringá, o terminal

rodoferroviário em Paranaguá, e as onzes

unidades produtivas em Iguatemi, Paranacity, Tapejara,

Ivaté, Terra Rica, São Tomé, Cidade Gaúcha,

Rondon, Umuarama e Moreira Sales - no

Paraná, e Usina Rio Paraná - no Mato Grosso do

Sul. A empresa conta com mais de 14 mil colaboradores

nos setores agrícola, industrial e administrativo.

Jornal Paraná 5


INICIATIVA

NOVA incentiva funcionários

a serem voluntários

A ação faz parte do programa Bolsa Qualificação Profissional e abrange

os funcionários em Suspensão de Contrato de Trabalho

Com os objetivos de

trabalhar a cultura

do trabalho cooperativo

e voluntario e

estruturar uma ação conjunta

de voluntariado na comunidade

em que seus funcionários

atuam, a Cooperativa

Agroindustrial Nova Produtiva

promoveu no mês de dezembro

de 2018, a Oficina do Voluntariado,

com 156 funcionários

inscritos, dentro do

programa Bolsa Qualificação

Profissional, que abrange os

que estão em Suspensão de

Contrato de Trabalho.

Segundo a psicóloga organizacional

do Departamento de

Recursos Humanos da Cooperativa

Agroindustrial Nova

Produtiva e coordenadora do

trabalho, Taís Busiquia, todo

o pessoal se dividiu em grupos

que variaram entre quatro

e vinte pessoas, que

tiveram cinco horas para planejar

a ação e cinco horas

para realizá-la. Assim, cada

grupo definiu o seu plano e

partiu para ação, que, em alguns

casos, contou com a

ajuda da comunidade. O trabalho

também teve o auxilio

de Dejair dos Santos, encarregado

do setor de tráfego

agrícola.

Apesar das poucas horas que

os grupos tiveram para planejamento

e ação, a coordenadora

acrescenta que todas

as iniciativas alcançaram êxito

e ótimos resultados. “Encerramos

com chave de ouro.

Foi gratificante ver o empenho

dos voluntários e a satisfação

das pessoas. Um

momento que muito nos

emocionou foi quando um

voluntário ajudou a organizar

uma ação e ao final, descobriu

ser o próprio beneficiado”,

comentou.

Dentre as ações realizadas

estão: reforma de ponto de

ônibus; limpeza e pintura do

cemitério; quitação de conta

de energia elétrica, farmácia

e água; doação de alimentos

e produtos de higiene; reflorestamento;

limpeza de quintal

e terreno; pintura de casa

e pequenas reformas; auxílio

financeiro; além de duas

ações que beneficiaram os

próprios colegas de trabalho.

6 Jornal Paraná


A Nova Produtiva se encarregou

do patrocínio dos insumos

necessários: materiais

de construção e de limpeza,

transporte e outros. Os empregados

se encarregaram

de escolher a ação, de se

certificarem de que ela realmente

faria diferença para

quem a receberia e de realizar

o serviço. “Mas foram muito

além: se dedicaram, se envolveram,

olharam para si e

para os outros percebendo

que ao lado tem alguém que

precisa que simplesmente lhe

estenda a mão e que ouça

qual a sua necessidade naquele

momento”, disse Busiquia.

Todas iniciativas

tiveram exito, apesar

das poucas horas

para planejar

e executar

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ANÁLISE

Verdades e mentiras sobre os carros flex

Desde que o sistema foi criado, o mercado tem gerado diversos

mitos sobre como os donos desses carros deveriam agir

DOUGLAS MENDONÇA

Atecnologia flex (bicombustível),

que

permite aos automóveis

usarem gasolina

ou álcool (ou a mistura de

ambos), estreou no país em

2003, há exatos 15 anos. O

modelo que inaugurou essa

nova fase na indústria automotiva

brasileira foi o Gol 1.6

TotalFlex. Desde então, o mercado

tem criado diversos

mitos sobre como os donos

desses carros deveriam agir.

Hoje, cerca de 90% dos automóveis

comercializados com

motores do "ciclo Otto" (à explosão)

dispõe da tecnologia.

Por isso, vale a pena alertar

os donos sobre bobagens que

ainda circulam por aí.

A primeiro delas diz respeito

ao "vício" que os carros flex

adquirem: "especialistas" de

fim de semana afirmam que,

se você usa apenas um tipo

de combustível, etanol ou gasolina,

o motor fica "viciado".

Quando você tenta utilizar o

outro combustível, o motor

não aceita. É uma grande besteira.

Motor não é gente e não

fica viciado em coisa alguma.

Quem gerencia o combustível

que está sendo queimado é o

sistema eletrônico de comando

da injeção, e esse, tenha a

certeza, não se vicia. Você

pode usar, por exemplo, álcool

durante 10 anos e passar para

a gasolina que o sistema detectará

o combustível e fará as

correções.

Ainda, para que não exista o

tal vício, esses "técnicos" recomendam

que, pelo menos

uma vez por mês, você mude

o combustível. Bobagem também,

pois sempre que você

trocar de combustível, o sistema

eletrônico corrigirá o

ponto de ignição e a quantidade

de injeção.

Outra conversa mole é que se

deve deixar o tanque praticamente

esgotado para trocar o

combustível. Dizem que eles

não se misturam e que poderia

trazer problemas futuros ao

motor. Balela. Etanol e gasolina

são totalmente miscíveis

entre si e o sistema eletrônico

de injeção, através da sonda

lambda existente no escapamento,

sabe exatamente qual

é a mistura no tanque, fazendo

as devidas correções na

ignição e na injeção. Tudo

sem poluir mais e tirando do

motor a melhor performance.

Já ouvi também "experts" dizerem

que, no carro flex, o primeiro

abastecimento deve ser

sempre com gasolina. Não

faço a menor ideia para que

isso serviria, mas é outra

grande mentira. O primeiro

abastecimento pode ser feito

com qualquer um dos dois

combustíveis, sem problema

algum.

Outra coisa que se fala é que,

quando se usa apenas etanol,

a troca de óleo pode ser alongada,

pois esse combustível

contamina menos o lubrificante.

Essa conversa tem até

um fundo de verdade, mas é

difícil saber quanto o lubrificante

está contaminado. Por

isso, é importante seguirmos

as recomendações do fabricante

no manual do proprietário.

E basta.

A pergunta que não quer calar

é: qual o combustível mais

vantajoso na hora do abastecimento?

Uma continha fácil,

que não é exata, mas serve de

referência, é você multiplicar

o valor da gasolina por 0,7. Se

o resultado for igual ao valor

do álcool, você pode utilizar

qualquer um dos dois, porque

para seu bolso não fará diferença.

Vale lembrar que o etanol melhora

o desempenho e a gasolina

proporciona uma autonomia

maior. Se o resultado

dessa multiplicação do valor

da gasolina por 0.7 for inferior

ao preço do etanol na bomba,

nesse caso vale mais a pena

o biocombustível. E se o resultado

for superior ao preço

do álcool, a gasolina será melhor

para o seu orçamento.

É importante lembrar que a

grande vantagem do carro flex

é justamente a possibilidade

de o proprietário escolher o

combustível que lhe convenha

mais.

A potência e o torque máximo

do motor ficam maiores

quando se abastece com etanol.

Para a gasolina, a grande

vantagem fica no menor consumo

e, consequentemente,

maior autonomia. É bom ficar

claro também que um motor

flex nunca obtém a melhor

performance ou consumo

tanto na gasolina quanto no

álcool. Como é um motor

concebido "na média", os propulsores

flex não oferecem os

menores resultados de potência

ou consumo que conseguiríamos

obter com um motor

alimentado unicamente

com gasolina ou um outro

concebido unicamente para

etanol.

Mas a vantagem do flex, como

o próprio nome diz, está

na flexibilidade de se utilizar o

combustível que estiver na

bomba e esse, de fato, é um

conforto para o consumidor,

principalmente quando há crises

no fornecimento de um

dos dois combustíveis. Você

nunca fica na mão.

(Publicado originalmente no

Autoesporte)

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INVESTIMENTO

BSBIOS amplia capacidade de suas fábricas

Serão investidos R$ 72 milhões, sendo que, desse valor, R$ 47 milhões

serão utilizados nas ampliações e R$ 25 milhões em capital de giro

Um dos valores da

BSBIOS é o empreendedorismo

por isso,

desde a sua fundação

em 2005, a companhia investe

e reinveste em seu parque fabril.

Com isso, mantém e renova

o compromisso firmado

com as comunidades das regiões

onde atua de gerar empregos,

renda e preservar o

meio ambiente.

Um dos pilares do acordo de

instalação foi de no mínimo

prover 120 empregos diretos e

indiretos, o que foi alcançado

rapidamente. Atualmente, são

gerados 265 empregos diretos

e, de acordo com o estudo de

impacto econômico da Fundação

Instituto de Pesquisas Econômicas

– FIPE a companhia

gera 15.688 empregos diretos

e indiretos. A pesquisa também

apontou que a companhia contribui

com o incremento de 17,8

bilhões ao PIB do município gaúcho

desde a sua criação.

Quando iniciou a produção de

biodiesel em Passo Fundo possuía

capacidade para fabricar

124,2 milhões de litros de biodiesel/ano

e, desde então já

passou por três ampliações.

Agora a empresa se prepara

para crescer ainda mais, passando

de 288 milhões para 420

milhões de litros de biodiesel ao

ano, um crescimento de 43%.

As ampliações não param por

aí, a planta de processamento

de grãos também receberá um

incremento, dos atuais 1.080

mil toneladas de esmagamento

de soja ao ano passará a processar

1.280 mil t/ano.

Além do aumento de capacidade

que vai gerar um maior

consumo de matéria-prima, haverá

uma demanda adicional de

serviços, como no segmento

de transporte, estima-se que

haverá um incremento de 30%

no tráfego de caminhões. A

BSBIOS ainda vai gerar cerca de

20 novos postos de trabalho.

O presidente da BSBIOS

Erasmo Carlos Battistella destaca

que essa expansão está

em linha com o crescimento

do setor e da companhia.

“Com essa iniciativa estamos

nos preparando para atender o

aumento de mistura dos atuais

10% para 15% de biodiesel ao

óleo diesel. Também queremos

continuar, conforme a nossa

visão, estando entre os três

maiores produtores de biodiesel

do país”, ressaltou o empresário

pontuando que em

2018 a BSBIOS alcançará novamente

a primeira posição no

ranking.

O prefeito Luciano Azevedo ressaltou

a importância do investimento

para Passo Fundo. "A

BSBIOS dá mais uma grande

demonstração de que acredita

em Passo Fundo, investe e

ajuda a cidade a crescer ainda

mais, recebendo investimentos

que nenhuma outra cidade do

interior do Estado recebe neste

momento", afirmou Luciano.

Uma novidade para o parque de

Passo Fundo será a construção

de uma planta de Desodorização

de Gordura, o que permitirá

o processamento da matériaprima

proveniente da gordura

animal (bovina, suína e aves),

possibilitando a expansão de

20% para 40% no uso desse insumo.

“Essa matéria-prima ficava

como excedente e muitas

vezes até mesmo era descartada,

com a introdução do biodiesel,

ela foi promovida a um

material com valor agregado”,

contou o Diretor Industrial da

BSBIOS, Ezio Slongo.

Serão investidos R$ 72 milhões,

sendo que desse valor

R$ 47 milhões serão utilizados

nas ampliações e R$ 25 milhões

em capital de giro. Neste

momento a companhia está fazendo

o licenciamento ambiental,

a previsão é de que as obras

no Processamento de Grãos

ocorram em fevereiro de 2019

e, para as fábricas de Biodiesel

e de Desodorização de Gordura

entre abril e agosto de 2019.

Para esse período serão gerados

200 empregos extras.

A indústria de Marialva também

será contemplada com ampliação

no Biodiesel, essa será a

terceira vez que a fábrica será

expandida. No estado paranaense

a capacidade igualmente

passará de 288 milhões para

420 milhões de litros de biodiesel/ano,

um crescimento de

43%. A previsão é de que as

obras ocorram nos meses de

janeiro e fevereiro de 2019,

num investimento de R$ 13,7

milhões.

Jornal Paraná 9


DOIS

PONTOS

Em 2018, pela primeira vez,

a parcela de energia proveniente

do vento, sol, biomassa

e água ultrapassou

os 40% na rede elétrica

alemã. Segundo o Instituto

Fraunhofer para Sistemas

de Energia Solar (ISE), no

ano anterior a participação

das fontes renováveis na

matriz energética do país

ainda circulava em torno de

38%, e dez anos antes ela

não chegava nem a 16%. O

recorde foi possível graças

a um ano rico em sol, um

Alemanha

Recorde

pequeno incremento na produção

eólica e uma demanda

reduzida por eletricidade.

A produção de

energia a partir de fontes

fósseis caiu 7% em relação

a 2017, reduzindo também

as emissões de dióxido de

carbono - foram mais de 50

milhões de toneladas menores.

No entanto, elas se

mantiveram 32% abaixo dos

níveis de 1990, enquanto a

meta prometida pelo governo

alemão é uma diminuição

em 40% até 2020.

O 3º Levantamento da Safra 2018/19 de cana divulgado

pela Companhia Nacional de Abastecimento revela

que o país terá novo recorde na produção total de

etanol, que chegou a 32,3 bilhões de litros, um aumento

de 18,6% em relação à safra passada. O último

maior número havia ocorrido na safra 2015/16, com

30,5 bilhões. O recorde vale também para a quantidade

produzida de etanol hidratado, cerca de 21,6 bilhões,

superior ao de 19,6 bi na safra 10/11. A produção

da cana está estimada em 615,84 milhões de

toneladas, redução de 2,8%. O açúcar, com uma produção

que deve atingir 31,7 milhões/t, também teve

retração de 16,2% em comparação a 2017/18. Para o

etanol anidro, usado na mistura com a gasolina, haverá

uma redução de 2,3%, alcançando 10,7 bilhões

de litros.

Bioeletricidade

Em 2018, a estimativa é que

a fonte biomassa em geral

tenha produzido 26.563 GWh

para o Sistema Interligado

Nacional (SIN), volume 4%

superior ao mesmo período

em 2017, conforme dados

da Câmara de Comercialização

de Energia Elétrica. Essa

geração será equivalente a

abastecer 14 milhões de residências

ao longo do ano,

evitando a emissão de quase

8 milhões de toneladas de

CO 2 , marca que somente

A cogeração de energia no

Brasil a partir da biomassa de

cana tem potencial para crescer

57% até 2030, na esteira

do RenovaBio, política de biocombustíveis

que promete

impulsionar o setor. Atualmente,

a capacidade instalada

em usinas de cogeração

movidas com cana é de 11,4

gigawatts, e mais 6,5 gigawatts

poderiam ser adicionados

nos próximos anos,

consegue-se com o cultivo

de 55 milhões de árvores nativas

ao longo de 20 anos.

Esses 26.563 GWh são também

equivalentes ao consumo

anual de energia elétrica

da cidade de São Paulo

ou mais de duas vezes o

consumo anual de um país

do porte do Uruguai ou Paraguai,

poupando18% da energia

armazenada total nos

reservatórios das hidrelétricas

do submercado Sudeste/Centro-Oeste.

Cogeração

projetou a Associação da Indústria

de Cogeração de

Energia. Tal incremento leva

em conta, a partir da estrutura

já existente, uma maior

disponibilidade de biomassa

e a geração via biometano.

No ano passado, das 367

usinas de cana no país, 209

comercializaram eletricidade

para a rede, conforme levantamento

da estatal Empresa

de Pesquisa Energética.

Biocombustível

A Empresa de Pesquisa Energética

estima que serão necessários

R$ 90 bilhões em investimentos

para atender o consumo

de biocombustíveis no

Brasil até 2030. Etanol, biodiesel

e biogás são os principais.

Só o etanol demandaria R$ 60

bilhões para elevar a produção

dos atuais 32 bilhões de litros

para 49 bilhões. Seriam R$ 15

bilhões em 19 novas usinas de

cana no País, o que não acontece

há uma década, além de

R$ 8 bilhões para expandir as já

existentes. Outros R$ 13 bilhões

teriam de ser aportados

no etanol de segunda geração,

produzido a partir do bagaço ou

palha da cana, R$ 5 bilhões em

Potencial

Contudo, ainda aproveitamos

apenas 15% do potencial de

geração da biomassa no país.

Apenas no setor sucroenergético,

se houvesse o aproveitamento

pleno da biomassa

atualmente presente nos canaviais,

a bioeletricidade teria

potencial técnico para chegar

a 146 mil GWh, mais de cinco

vezes o volume ofertado em

2018 pela fonte biomassa em

geral, o que representaria atender

mais de 30% do consumo

de energia no SIN.

Etanol

Em 2019, a esperada retomada

do crescimento da economia

brasileira (projeções do

Banco Central indicam alta de

2,55% do PIB) deve elevar a

renda das famílias, o que pode

aquecer as vendas de carros e,

consequentemente, aumentar

a demanda por combustíveis.

Assim, de acordo com pesquisadores

do Cepea, os etanóis

devem continuar a ter participação

expressiva nas vendas

de combustíveis no Brasil.

Quanto à oferta, analistas projetam

moagem e volume de

Açúcar Total Recuperável

(ATR) na safra 2019/20 do

Centro-Sul próximos dos verificados

em 2018/19, em andamento.

Por outro lado, a alocação

da cana para açúcar e etanol

deve ser reajustada na temporada

2019/20 frente à registrada

na anterior.

usinas de álcool de milho e R$

4 bilhões no transporte do

combustível. Com demanda

crescente pelo aumento da mistura

obrigatória ao diesel de

10% para 15% até 2023, o biodiesel

necessitaria de R$ 3 bilhões

em investimentos e o

biogás, fabricado a partir da fermentação,

R$ 19 bilhões.

10 Jornal Paraná


A Toyota anunciou em dezembro

que produzirá no Brasil

o primeiro carro híbrido flex

do mundo, que além do motor

elétrico é equipado com

outro a combustão, carimbando

o passaporte do etanol

rumo à mobilidade elétrica. O

modelo, em que o motor a

combustão funciona com gasolina

e álcool, será produzido

no Brasil a partir do fim de

2019. Lançamento impulsiona

a eficiência energética

dos motores e a redução de

emissões de CO 2 com o uso

do etanol. Os motores flex

A indústria automotiva do

Brasil deve encerrar 2018

com crescimento acima do

esperado nas vendas de

veículos novos, em torno

de 15%, e seguir avançando

em 2019, mas a produção

não vai acompanhar o

Híbrido

Veículos

ainda têm muito espaço para

avançar no Brasil, um diferencial

em relação à outras nações.

A produção de etanol

ajudará o País no processo de

transição para uma economia

de baixo carbono. Esse projeto

da Toyota está muito alinhado

com as premissas do

Programa RenovaBio e do

Rota 2030, que oferece previsibilidade

para as empresas

investirem no longo prazo no

país e estabelece, dentre outras

medidas, novas políticas

de estímulo a veículos mais

eficientes.

ritmo, pressionada por recuo

das exportações para a

Argentina, quadro que deve

começar a ser revertido

apenas a partir da segunda

metade do próximo ano, segundo

estimativas da Anfavea.

Termoelétricas

De acordo com a Agência Nacional

de Energia Elétrica,

atualmente o Brasil dispõe de

4.916 empreendimentos de

geração elétrica em ação. A

potência instalada de geração

de energia elétrica está dividida

em hidrelétrica, 64%; termoelétrica,

27,5%; eolielétrica

7,9%; e solar 0,6%.

No mundo, as usinas termoelétricas

são as principais fontes

de geração de energias e

são 50% mais caras do que as

hidrelétricas e com potencial

poluente maior por emitir

grande quantidade de dióxido

de carbono na atmosfera.

Uma das alternativas para minimizar

o problema é o uso de

recursos renováveis, como os

biocombustíveis. Porém, no

primeiro trimestre deste ano,

das 3.002 usinas termoelétricas

ativas no Brasil apenas

três utilizaram biocombustíveis

como fonte de energia.

Este cenário é bem diferente

em países da Europa, Ásia e

América do Norte, onde a utilização

de fontes renováveis

no setor de geração de energia

tem crescido cada vez mais

por conta de incentivos como

remuneração atrativa do excedente

de energia injetada na

rede e formas atraentes de financiamento

do investimento.

OMC

FPA

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) elegeu a

composição da nova diretoria que toma posse este ano.

O antigo vice-presidente, deputado federal Alceu Moreira

(MDB-RS) foi eleito para comandar o colegiado a partir

da transmissão do cargo, marcada para 19 de fevereiro

de 2019. Para ele, o principal desafio é desmistificar conflitos

fictícios que envolvem o setor agropecuário brasileiro.

Moreira afirmou ainda que o produtor deve ser

tratado com respeito, pois é ele quem alimenta e abastece

o país e o mundo. O encontro foi o último presidido

pela ministra da Agricultura Tereza Cristina (DEM/MS).

Rota 2030

A Câmara de Comércio Exterior

autorizou o Brasil a abrir

consultas na OMC para

questionar a política indiana

de apoio à exportação de

açúcar, algo que, segundo a

Unica, gera uma perda bilionária

às usinas nacionais. A

expectativa é que outros países

se juntem ao Brasil no

questionamento. A consulta

pode levar a um painel formal

contra a Índia. A oferta

adicional indiana na safra

2018/19 - em torno de 5 milhões

de toneladas de açúca

- pode gerar queda nos preços

internacionais de até

25,5%. Com isso, somente

o Brasil, maior exportador

mundial do produto, teria

perda de 1,3 bilhão de dólares

em receita. A decisão

O novo programa de incentivos

para montadoras no Brasil, o

Rota 2030, lançado inicialmente

como uma medida provisória em

julho passado, teve decreto de

regulamentação assinado pelo

presidente. Trata-se de um plano

de incentivo a montadoras e de

um conjunto de regras que as fabricantes

deverão seguir para

usufruírem desses estímulos, incluindo

aumento da segurança e

melhoria no consumo de combustível

dos carros. Segundo o

Ministério da Indústria, Comércio

Exterior e Serviços, o regime foi

dividido em 3 ciclos de investimentos,

ao longo de 15 anos.

China

brasileira vem após a Austrália

também dizer à OMC

que a Índia superou em

muito os limites permitidos

para subsidiar o setor açucareiro

local.

Petrobras

A empresa brasileira

de petróleo e gás Petrobras

investirá US $

417 milhões (aproximadamente

365 milhões

de euros) em

energia eólica, energia

solar e biocombustíveis

de 2019 a 2023

segundo o novo Plano

de Negócios e Gestão

da empresa, lançado

em dezembro,

juntamente com o seu

Plano Estratégico

2040. A Petrobras está

reservando um total

de US $ 84,1 bilhões

(aproximadamente

EUR 73,7 bilhões)

para investimentos

durante o próximo

período de cinco

anos.

A China deve mais do que triplicar

sua capacidade de produção

de etanol até 2020,

com a demanda aumentando

conforme o país migra para o

uso de combustíveis limpos. A

China está construindo ou tentando

aprovar projetos de

novas usinas de etanol, com

capacidade para produzir 6,6

milhões de toneladas de biocombustível

por ano segundo

pesquisador do Centro Nacional

de Energia Renovável da

China. O país tinha, em 2017,

capacidade de produção de

2,8 milhões de toneladas. No

ano passado, disse que exigiria

que os estoques de gasolina

de todo o país fossem

misturados com etanol até

2020, um ação que demandaria

quase 15 milhões de toneladas

anuais do biocombustível.

A meta está sendo observada

pelos mercados internacionais

de etanol, já que a

China possivelmente não conseguirá

suprir sua demanda

com a produção doméstica.

Será uma grande oportunidade

para o etanol norte-americano

e brasileiro.

Jornal Paraná 11


ESTRATÉGIA

Conhecer e planejar para ser sustentável

O professor Jairo Antonio Mazza

falou a respeito recentemente,

em Maringá, a convite da

Syngenta e da Alcopar

Através do conhecimento

detalhado do

meio físico e do planejamento,

e com a

adoção de estratégias e tecnologias

adequadas, embasadas

por uma gestão que transforma

dados em informações, é possível

atingir a sustentabilidade

no setor sucroenergético. Este

foi o principal ponto defendido

pelo professor Jairo Antonio

Mazza, que falou recentemente

sobre “Estratégias e Tecnologias

Sustentáveis para a Produção

de Cana-de-açúcar”, em

evento promovido pela Syngenta

em parceria com a Alcopar.

Segundo Mazza, é preciso enxergar

a usina como um todo,

estabelecendo uma visão geral

das propriedades, com foco

em cada parâmetro e, com

base nesse banco de dados,

tirar informações e tomar decisões.

“Conhecimento e planejamento

- esta é a estratégia.

Tem que conhecer bem o que

tem e planejar. Se o projeto está

pronto, a execução é rápida.

Temos que planejar o futuro e

depois ver como fazer dar

certo. Não falo em gastar mais

adubo e calcário, mas em ter

uma estratégia, porque à medida

que se planeja, começa a

se organizar melhor. O setor

tem usado pouco calcário e

fósforo, mas não adianta nada

aumentar e pisar em cima da

cana”, disse.

E tudo começa pensando do

fim para o começo. “Temos

que fazer o mapa da propriedade

e projetar a sistematização

pensando nos vários aspectos

do ambiente de produção

e não só na caracterização

do solo. É preciso conhecer o

movimento de água nos perfis

do solo da usina. Isso é que vai

ser a base de todo o trabalho.

E aí, com o mapa da usina, o

histórico da área e a definição

de quando vou colher em cada

bloco, estabeleço quando plantar,

como e quais tecnologias

adotar para fazer o plantio e

qual a variedade usar. Tem que

transformar banco de dados

em informação”, comentou o

professor.

Para Mazza, a sustentabilidade

da atividade está relacionada

à durabilidade econômica,

ecológica e social. “A

lucratividade do setor tem a

ver com a longevidade do canavial.

É difícil ter resultado financeiro

sem longevidade.

Antes, a produtividade do canavial

no terceiro corte era

quase igual a da cana planta

e isso ocorria porque se preservava

a linha de cana. Não

é mais assim. Tem que colher

sem pisar na linha, senão não

vamos ter cana de quarto e

Cobertura e raízes são fundamentais

quinto ano”, afirmou, ressaltando

que o canavial de quinto

corte também depende do

preparo do solo.

“O preparo usado para toda

uma área não serve para uma

parcela específica. Preparo do

solo tem que pensar em como

é o solo, como está e como

quero que fique. Aí adota as

opções tecnológicas existentes”,

orientou Mazza.

Para conservar o solo, o professor

Jairo Antonio Mazza comentou

que tem que se entender

o sistema e planejar,

deixando como ultimo recurso

as práticas de manejo mecânico,

como o terraceamento.

“O terraço não é um remédio,

é um termômetro: se acumula

água, mostra que não é bom

de conservação. Tem que se

perguntar o que foi feito de

errado. O terraço é apenas

uma segurança, não deveria

ter sido necessário”. Para o

professor, transformar o terraço

embutido em terraço de

base larga é o melhor investimento

a ser feito no canavial,

usando o embutido só em

local estratégico.

Mazza defendeu que é preciso

rever o que é custo na produção

de cana. “Quanto custou

o plantio? Quantos cortes vou

ter? Só vou saber qual o custo

de plantio quando for para reforma.

E aí se pensa: não vou

usar essa operação porque é

cara, mas, é uma operação

que vai otimizar todo resto do

investimento. Não custou mais

caro, é investimento”.

Com o aumento do período de

colheita para quase todo o ano

e com a sua mecanização

sem que a sistematização estivesse

totalmente desenvolvida,

“deu o problema que deu

e a pesquisa veio atrás tentando

resolver, mas, já pagou a

conta”, disse. A consequência,

ressaltou, “é que o potencial

de compactação é enorme e

reduz a capacidade de infiltração

de água de forma absurda.

A compactação aumentou

42% nos últimos anos e há

canavial apresentando deficiência

nutricional em cima de

solo altamente rico em nutrientes,

mas que não consegue

absorver por causa da compactação”.

Mazza comentou que há várias

tecnologias de preparo de solo:

subsolagem, plantio direto,

canterização, rotação de culturas,

mas o operacional gosta

mais da subsolagem por causa

do rendimento. A prática,

entretanto, não vem protegida

contra a má qualidade da operação.

“Se o solo estiver seco

ou úmido demais, o resultado

é um desastre para conservação

do solo. Cada situação

exige uma técnica. O importante

é que a água infiltre”.

Segundo o professor, a forma

de compensar o déficit hídrico

da cana plantada mais tarde

não pode mais ser apenas colocar

esta nos melhores solos.

“Precisamos de cobertura vegetal

e produzir raiz”. A massa

aérea reduz a temperatura do

solo, o impacto da chuva no

solo, a erosão e a compactação

e as raízes amarram o

solo, reciclam nutrientes e armazenam

água.

12 Jornal Paraná

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