Revista Biosfera - 1ª Edição

pet.biologia.ufscar

Essa é a primeira edição da Revista Biosfera e edição de natal, publicada em dezembro de 2017, que contou com divulgação impressa e virtual. Nela, quatro trabalhos de alunos de graduação e pós graduação foram publicados, para divulgação na UFSCar. Confira!

dezembro de 2017

BIOESFERA

BOAS FESTAS,

mais sobre a história da Biologia

Conheça

Informe-se

Científica

Divulgação

Conheça mais sobre o que pesquisamos na UFSCar

BIÓLOGO (A)

Sugestões e Dicas de filmes, livros e estágios


PETBio UFSCar

Textos e edição: Júlio Miguel, Luca Buffo e Marielle Cristina


A Revista Biosfera

Com intuito de promover um espaço

para os alunos da biologia compartilhar

suas

ideias, trabalhos acadêmicos e ter

contato com informações sobre o

curso, o PET-Bio UFSCar inicia um

novo projeto semestral, a Biosfera!

A primeira edição da Biosfera tem

como tema a divulgação científica,

através das publicações dos

trabalhos que vem sendo desenvolvidos

pelos próprios alunos da Biologia da

UFSCar e de eventos científicos que

irão ocorrer nesse semestre e no

próximo. Além de outros assuntos

pertinentes aos estudantes de Biologia.

Não deixe de conferir!!!

Tem alguma dúvida ou sugestão, entre

em contato conosco:

pet.bio.ufscar@gmail.com

Atenciosamente,

Comissão Biosfera


U M L E I T U R A P A R A O S A P A I X O N A D O S P O R B I O L O G I A

R E S E N H A E L A B O R A D A D O L I V R O D E E R N S T M A Y - P O R J U L I O M I G U E

“Biologia, Ciência Única”.

L

Percebo que muitos comentam sobre Richard Dawkins e seu best seller “O gene

egoísta”, e mal sabem, que a teoria que afirma "toda a vida evolui pela sobrevivência

diferencial de entidades replicadoras" não é uma teoria darwinista ou um

“melhoramento” dela, nem mesmo o Dawkins é darwinista. Entretanto, sua

popularidade é respeitável em muitos aspectos, em especial por fazer uma excelente

divulgação científica da Biologia e os seus questionamentos acerca do criacionismo e a

existência de Deus.

Mas, se repararam ao título, meu desejo é comentar aqui neste pequeno texto, um

pouco de meu primeiro contato com um trabalho de Ernst Mayr e alguns elementos que

podem despertar o interesse dos biólogos à leitura.

Tenho a impressão de que muitos estudantes de Biologia, e até professores

desconhecem Ernst Mayr. Afirmo isso, obviamente, pela minhas experiências vividas no

curso de Biologia. Mas, quem é esse cara afinal? Pois bem.

Considerado por muitos o Darwin do século XX, o biólogo e ornitólogo Ernst Mayr

publicou vários trabalhos ao longo de sua vida e teve um papel importante no período


da teoria sintética, que uniu os conhecimentos da genética e evolução, iniciada em

1937. Durante uma busca sobre o assunto no periódico Filosofia e História da Biologia

encontrei várias menções ao seu nome. Por coincidência, poucos dias após a busca

tive uma conversa com meu professor de Biologia do Desenvolvimento sobre a

importância dos estudantes de Biologia conhecerem os grandes biólogos e seus feitos,

para assim compreenderem um pouco como a ciência fora se estabelecendo.

Nesse contexto o professor me emprestara o livro “Biologia, Ciência Única" de Ernst

Mayr. Comecei a ler e logo nos primeiros capítulos percebi o pouco que conhecia das

bases epistemológicas da Biologia e quanto ela mudou ao longo dos anos. Mayr

sugeriu as bases para filosofia da Biologia neste livro colocando em cheque no

vitalismo, teleologia, reducionismo e o fisicalismo. Evidenciando que esse elementos

devem ser deixados de lado para se pensar uma filosofia da Biologia, pois os filósofos

da ciência nada resolveram dos problemas da Biologia muito também porque em sua

maria eram físicos. O objetivo dele é mostrar, como mencionado no título, que a

Biologia é uma ciência única, ou seja, com características exclusivas e completamente

irredutíveis à física. Mayr aponta aspectos importantes da Biologia nos primeiros

capítulos, salientando a complexidade dos seres vivos; a evolução com uma ciência

histórica, com suas próprias metodologias e reconstruções históricas; o papel do

acaso, e novamente, a não redução da Biologia à física. Explica ele, que a Biologia

possui dois campos, a Biologia funcional, aquela voltada na compreensão dos


processos fisiológicos dos organismos vivos envolvendo diferentes níveis de

organização biológica (genomas , células, etc), e que tais processos podem ser explicados

de modo mecanicista da química e da física. E a Biologia histórica, evolucionista,

identidade da Biologia. Para reforçar essa última afirmação acima, na segunda parte do

livro, Mayr revela os impactos das teorias darwinistas na modernidade. Sinteticamente,

Charles Darwin após a publicação de Origem das Espécies em 1859, causou um impacto

responsável pela substituição de uma visão de mundo baseada no dogma cristão de

imutabilidade do mundo orgânico e mostrou que os organismos não existem para um

proposito (determinismo) e não colocando o homem numa posição superior aos demais

seres. Apesar de parecer óbvio essas conclusões para um biólogo, vejo grande impacto

que ainda hoje essas implicações e ainda outras causam.

Mayr faz um descrição excelente e simples das teorias evolucionistas de Darwin e seus

conflitos até o período da síntese, do qual considera, inclusive ele, que esses autores:

Theodosius Dobzhansky (1900 - 1975) George Gaylord Simpson (1902-1984), George

Ledyard Stebbins (1906-2000), Ronald A. Fisher (1890-1962), Julian Huxley (1887-

1975), dentre outros tiveram um papel importantíssimo para unificação da Biologia.

Essas e outras controvérsias da teoria de Darwin são discutidas no livro, quanto ao não

enquadramento das teoria filosófica de Thomas Kuhn na Biologia, origem do homem, e,

contudo, uma atenção especial para seleção natural, mecanismo responsável por gerar

toda diversidade biológica e suas críticas aos equívocos na compreensão do processo.


Inclusive, Mayr explica o porquê da teoria do gene egoísta de Dawkins não ser

darwinista e os genes não serem alvo da seleção. Vale a pena conferir!

A obra é apaixonante. Desde que comecei a ler, passei a olhar a Biologia de outra

forma. Me parece que tudo na Biologia agora faz sentido, inclusive meus estudos no

curso. É algo como Dobzhansky uma vez escreveu “nada em Biologia faz sentido

exceto à luz da evolução”. Bom. Este é um panorama geral dos principais tópicos do

livro. Impossível seria eu tentar resumi-lo, ou comentar capítulo por capítulo. Minha

intenção primordial talvez seja provocar uma certa curiosidade ao leitor,

principalmente ao estudante de Biologia em buscar o livro do grande Mayr. Acredito

em cientistas que além de fazer ciência – produzir conhecimento, conheçam o próprio

campo, sua origens e embates filosóficos.


Comunidade Microbiana

NAS CAVERNAS

Importância da comunidade microbiana no fluxo

de nutrientes e na dinâmica de cavernas.

Msc. Caio César Pires de Paula1, Drª Maria Elina Bichuette2 e Drª Mirna Helena Regali Seleghim3

1. piresdepaula@yahoo.com.br 2. lina.cave@gmail.com 3. seleghim@uol.com.br

Em estudos biológicos, as cavernas são

consideradas cavidades naturais em rocha maciça

e maior do que poucos milímetros de diâmetro.

Muitas cavernas são caracterizadas por sua alta

estabilidade ambiental, ou seja, fatores abióticos

como temperatura e umidade sofrem poucas

variações em determinadas regiões da mesma. Em

alguns casos as cavernas podem ser consideradas

ambientes oligotróficos extremos e que

proporcionam nichos ecológicos altamente

especializados [1]. A ausência total de luz, junto

com a limitação de recursos colaboram para a

singularidade desses locais (Figura 1), onde

inexiste uma comunidade vegetal, base da cadeia

alimentar de ecossistemas superficiais. Por isso, a

base da cadeia alimentar em uma caverna é

considerada detritívora, ou seja, é composta por

microrganismos autotróficos (como bactérias

quimiossintetizantes) que obtem energia por meio

de reações químicas e carbono do CO2, e

microrganismos decompositores, que transformam

a matéria orgânica em compostos que podem ser

utilizados por organismos superiores (Figura 2).

Nesse cenário a comunidade microbiana contribui

com o aporte de carbono orgânico e nutrientes para

esse ecossistema, além de serem utilizados como

fonte de alimento para protozoários e invertebrados

como isópodes e colêmbolas. A microbiota

subterrânea também pode ser uma reserva

importante de nutrientes inorgânicos pela

solubilização de rochas e contribuir para a formação

de espeleotemas.

É de amplo consenso que os ambientes

cavernícolas são frágeis e altamente vulneráveis

a fatores de estresse ambiental (alteração do

hábitat, flutuações ambientais nãonaturais,

poluição química, eutrofização entre

outros). Dentre as leis e decretos relacionados à

regulação do uso e à proteção do patrimônio

espeleológico brasileiro, dois deles se destacam: a

Resolução CONAMA, nº347 de 2004, sobre a

importância de atributos ecológicos, ambientais ou

socioeconômicos na identificação do nível de

relevância das cavidades; e o decreto nº.

99.556/1990, alterado pelo decreto nº. 6.640/2008,

Figura 1. Divisão de uma caverna em zonas distintas,

classificadas de acordo com a incidência de luz [5].

que define os diferentes graus de relevância para

fim de enquadramento das cavidades e os níveis de

proteção a que estão sujeitas, estendendo-se da

preservação a supressão de cavidades [3]. Tais

instrumentos legais determinam que essa

classificação em níveis de relevância deve ser


ealizada por meio de estudos geológicos, históricos

– culturais e biológicos. No entanto, em nenhum

momento é solicitado um estudo da estrutura e

diversidade da comunidade microbiana. Uma

considerável variedade de microrganismos pode

serencontrada em cavernas, dentre eles, fungos

filamentosos, bactérias heterotróficas, autotróficas

e protozoários. Tais microrganismos são os

principais agentes atuantes em características

físicas-químicas-biológicas do solo, dos ciclos

biogeoquímicos e da sustentabilidade do

ecossistema terrestre [2]. No entanto, pouco é

conhecido sobre a distribuição, dinâmica

populacional e bioquímica dos microrganismos em

Figura 2. Modelo de pirâmide alimentar em ambientes

cavernícolas [5].

cavernas. Em cavernas tropicais, como as

encontradas no Brasil, esse conhecimento ainda é

mais incipiente [4]. Nesse contexto, o Laboratório

de Ecologia de Microrganismos (LEM) em parceria

com o Laboratório de Estudos Subterrâneos (LES),

ambos na UFSCar, desenvolvem projetos para

compreender melhor a estrutura e a dinâmica da

comunidade microbiana nos ambientes

cavernícolas. Os estudos abragem áreas cársticas

do Brasil, como o Parque Estadual Turístico do Alto

do Ribeira (PETAR) no estado

de São Paulo, a região de São Desidério e Serra do

Ramalho na Bahia e o Parque Estadual de Terra

Ronca (PeTER) em Goiás.

Após estimativas da quantidade de nutrientes

(carbono e nitrogênio) foi evidenciado que as

cavernas tropicais estudadas, apesar de

apresentarem uma menor quantidade de nutrientes

em relação ao meio superficial, não podem ser

consideradas oligotróficas extremas, como as

localizadas em zonas temperadas.

Além disso, tem sido estudados, por métodos

dependentes e independentes de cultivo, a

diversidade de bactérias e fungos, bem como seus

papéis no funcionamento desses ambientes, como,

por exemplo, a produção de enzimas celulolíticas

que degradam resíduos de plantas carreados para

o interior das cavernas. Um estudo realizado na

caverna do Catão, em São Desidério, mostrou que

90% das linhagens de fungos isoladas produziam

enzimas celulolíticas que atuam na decomposição

de resíduos vegetais [2]. Dentre essas linhagens

isolamos uma nova espécie de fungo do gênero

Aspergillus que está sendo caracterizada. Por fim,

avaliamos que a biomassa e a taxa metabólica

microbiana podem ser considerados bons

indicadores de estresse ambiental nesses habitats

subterrâneos. Atualmente estamos com um projeto

para avaliar a diversidade filogenética e funcional

em cavernas do PeTER por meio de

sequenciamento genético de nova geração e

correlacionando os dados de diversidade

microbiana com fatores abióticos do habitat. Com

as novas informações obtidas pretendemos melhor

compreender o funcionamento desses ambientes e

possibilitar que medidas protetivas sejam

desenvolvidas para áreas com uma maior

fragilidade ambiental.

Referências e sugestões de leitura:

1. Engel AS (2007) Observations on the biodiversity of

sulfidic karst habitats. Journal of Cave and Karst Studies,

69 : 187–206.

2. Paula CCP, Momtoya QV, Rodrigues A, Bichuette ME,

Seleghim MHR (2016). Terrestrial filamentous fungi from

gruta do Catao (sao desiderio, bahia, northeastern brazil)

show high levels of cellulose degradation. Journal of Cave

and Karst Studies, 78 (3) : 208–217.

3. Trajano E & Bichuette ME (2010) Diversity of Brazilian

subterranean invertebrates, with a list of troglomorphic

taxa: Subterranean Biology, 7 : 1 -16.

4. Vanderwolf KJ, Malloch D, Mcalpine DF, Forbes J

(2013) A world review of fungi, yeasts, and slime mold in

caves. International Journal of Speleology, 42(1) : 77-96.

5. Fonte: http://science.howstuffworks.com/life/biologyfields/cave-biology3.htm

(acessado em 27.07.2017)

6. Laboratório de Estudos subterrâneos:

https://www.facebook.com/lesufscar/


A Subtribo

no

Cerrado da UFSCar

Cassiinae

Título: A subtribo Cassiinae (Leguminosae, Caesalpinioideae)

no cerrado stricto sensu da UFSCar, São Carlos, Brasil.

Subtítulo: Composição florística da subtribo Cassiinae no cerrado

de São Carlos

Denilson Rodrigo Vieira Branco¹*, Nayara Magry Jesus Melo², Carlos Henrique Britto de Assis Prado³

¹Graduando em Ciências Biológicas, Universidade Federal de São Carlos, Rodovia Washington Luís, Km 235,

CEP 13565-905 São Carlos, São Paulo, Brasil

²Programa de Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais, Universidade Federal de São Carlos, Rodovia

Washington Luís, Km 235, CEP 13565-905 São Carlos, São Paulo, Brasil.

3Universidade Federal de São Carlos, Campus São Carlos, Departamento de Botânica, Universidade Federal

de São Carlos, Rodovia Washington Luís, Km 235, CEP 13565-905 São Carlos, São Paulo, Brasil.

O cerrado é um domínio fitogeográfico caracterizado por um

complexo de unidades biológicas e uma diversidade de

indivíduos e comunidades ecologicamente relacionadas, o qual

vai de formações de campo limpo ao cerradão (Coutinho, 2005). O

objetivo deste trabalho foi estudar a composição florística da

subtribo Cassiinae em um cerrado stricto sensu e

posteriormente elaborar um guia fotográfico compondo a

inflorescência e o hábito das plantas encontradas através do

Field Guides - The Field Museum. Realizamos o estudo em uma

fisionomia de cerrado stricto sensu pertencente a uma reserva

de 86 ha, localizada na área norte da Universidade Federal de

São Carlos, São Paulo, Brasil (21º58’-22º00’S e 47º51’-47º52’O).

Quinzenalmente foram realizadas visitas a campo, e com

auxílio de câmera digital (Cannon modelo PowerShot G12, USA)

realizamos registros fotográficos com o intuito de identificar os

três gêneros: Cassia, Chamaecrista e Senna da subtribo

Cassiinae. Foram encontradas três espécies de plantas

pertencentes à tribo, que são


Chamaecrista desvauxii var. latistipula, Chamaecrista flexuosa

(L.) Greene var. flexuosa e Senna rugosa (G.Don) H.S.Irwin &

Barneby (Figura 1).

A

B

C

Figura 1 – A- Chamaecrista flexuosa. B- Chamaecrisya

desvauxii. C- Senna rugosa. Fotografia: D.R.V. Branco, 2017.

Leituras sugeridas:

SILVA, R. R.; et al. Espécies herbáceas e lenhosas de Leguminosae numa área de Cerrado

no Mato Grosso, Brasil. Revista Brasileira de Biociências, v. 8, n. 4, 2010.

ARAÚJO, C. M. L. R.; BARBOSA, M. R. V.; The tribe Melastomeae of the Northeast

Coastal Rainforest. The Field Museum, Chicago, v.1, n. 337, 2013.

Referências:

COUTINHO, L. M. O Conceito de Bioma. Acta Brasileira de Botânica, v. 20, n., p. 1-11, 2005.


e l l y C r i s t i n a S i l v a C a r v a l h o , T a í c i a P a c h e c o F i l l 1 , P r o f . D r .

K

d s o n R o d r i g u e s - F i l h o 2

E

Otimização da extração proteica do fungo Penicillium

brasillianum, um endofítico de Melia azedarach

Introdução

Muitos micro-organismos, em especial os

fungos endofíticos, têm se mostrado uma

fonte importante de metabólitos

secundários bioativos e enzimas

responsáveis pelas mais diversas reações.

Entretanto, estudos genômicos recentes

revelaram que o potencial biossintético

destes organismos é muito inexplorado,

uma vez que apenas alguns genes

responsáveis pela biossíntese de produtos

naturais são expressos sob as condições

de cultivo laboratoriais.

Visando a produção desses metabólitos

secundários bioativos, assim como novas

enzimas biossintéticas, estudos com

enfoque na abordagem OSMAC (One

Strain Many Compounds) são de grande

interesse. Esta abordagem se baseia em

alterações das condições de cultivo no

sentido de gerar diversidade metabólica e,

no caso em estudo, diversidade

proteômica. Nosso principal interesse esta

no fungo endofítico P. brasilianum,

produtor de diferentes metabólitos

secundários, como alcalóides

tremorgênicos, meroterpenos inseticidas e

brasiliamidas, indicando o seu grande

potencial químico e bioquímico1.

O principal objetivo do presente trabalho

foi realizar modificações no meio de

cultivo do fungo P. brasillianum e verificar

alterações no seu metabolma e proteôma.

As modificações incluiram adição de sais

inorgânicos ao meio de cultura como

NaCl, KCl, FeCl3, CaCl2, CuCl2, NiCl3,

CoCl2, NaBr e KBr, e posteriormente

extração de metabólitos e proteínas.

Estudando e realizando experimentos

com tais modificações, visou-se melhorar

os rendimentos dos metabólitos

secundários, gerando assim uma

ampliação dos estudos sobre o endofítico

P. brasillianum.

Resultados e Discussões

Inicialmente, visando a otimização dos

parâmetros de extração proteica, o fungo

P. brasillianum foi cultivado em meio

líquido Czapek’s por 15 dias, em triplicata.

Após este período, adicionou-se ao

micélio, N2-liq para que fosse possível

triturá-lo. Em seguida, testou-se dois

diferentes tampões de extração, o

primeiro 50mM Tris-HCl pH 8.5, e

posteriormente o tampão fofato pH 7.


O trabalho que visa estudar variações no

perfil proteico do fungo P. brasillianum em

condições nutricionais variadas teve início

avaliando a eficiência da extração proteica

do fungo. A imagem abaixo indica o gel de

SDS-PAGE obtido da extração do micélio

do fungo P. brasilianum, em dois

diferentes tampões com diferentes valores

de pH. Na primeira coluna visualizamos o

padrão de massa molecular, para que

pudéssemos comparar os resultados

obtidos. As colunas 2, 3 e 4 apresentam

os resultados obtidos da extração em

tampão 50mM Tris-HCl pH 8.5 e as

colunas 5, 6 e 4 referem-se a extração

com tampão fosfato 25mM e pH 8.5.

Conforme podemos atestar pela análise

no gel verificamos que a extração em

tampão fosfato 25mM pH 7, apresentou

maior eficiência. O próximo passo é a

extração proteica dos extratos com a

adição de diferentes sais inorgânicos no

cultivo.

Conclusões

A partir das análises em gel SDS-PAGE

podemos concluir que a extração proteica

do fungo P. brasilianum foi otimizada com

sucesso.

Referências

3 LAEMMLI, U. K. “Cleavage of structural

proteins during the assembly o the head of

bacteriophage T4”. Nature , 227:680,

1970.

Figura 1. Proteínas no Gel SDS


Dinâmica Espaciais em um

ambiente tropical

o efeito da distância e do filtro ambiental na determinação da

diversidade microbiana tropical

Erick Mateus Barros & Hugo Sarmento

A ecologia espacial se dedica a

compreender como a estrutura da paisagem e

a distribuição de indivíduos e populações

afetam as dinâmicas eco- lógicas, esta é uma

área em expansão, onde novos paradigmas

foram apresentados nas ultimas décadas, tais

como a Ecologia da Paisagem (Turner et al.

2001), a Macroecologia (Brown 1995), a

teoria neutra (Hubbell 2001), das

metacomunidades (Leibold et al. 2004) e do

mosaico geográfico de coevolução

(Thompson 2005).

Estas novas teorias muitas vezes

misturam-se aos pressupostos das antigas

teorias de Biogeografia, o que está

dissolvendo os limites, antes bem claros, que

separavam os estudos de Biogeografia e da

Ecologia clássica (Jenkins & Ricklefs 2011).

E na esteira desta revolução científica, o

estudo da ecologia microbiana vem se

desenvolvendo. Passando simultaneamente

por duas revoluções: esta conceitual que

abala todo o estudo ecológico e mais uma

revolução tecnológica. Com novas técnicas

de sequenciamento de DNA que pode ser

retirado diretamente de amostras ambientais

(Taberlet et al. 2012) e de processamento de

dados massivos via computadores de última

geração e softwares desenvolvidos

especificamente para dados biológicos

Estudos mais recentes demonstram que

a diversidade depende de fatores

geográficos (principalmente distancia) e

ambientais (chamados também de fatores

determinísticos) em uma gradiente de

possibilidades que parece depender

principalmente da capacidade dispersiva de

cada espécie

Em meu projeto de mestrado, nosso

objetivo é avaliar quais fatores, geográficos

e/ou ambientais mais influenciam na

diversidade bacteriana no ambiente tropical

e, para isso, selecionamos 60 amostras

(Figura 1) de lagoas coletadas no escopo

do projeto Biota FAPESP, realizado pelo

Prof. Dr. Armando Vieira e pela Profa. Dra.

Inessa Lacativa do Laboratório de Ficologia,

no Departamento de Botânica, e conta com

320 coletas realizadas em nascentes, lagoas

temporárias e perenes, lagos e reservatórios

de todas as bacias hidrográficas do Estado

de São Paulo.

Figura 1 - Mapa com os 60 pontos de coleta

selecionados para o projeto


Leituras sugeridas

Ricklefs, R.E. & Jenkins, D.G. (2011). Biogeography

and ecology: towards the integration of two

disciplines. Philosophical Transactions of the Royal

Society B: Biological Sciences, 366, 2438-2448.

Leibold, M.A., Holyoak, M., Mouquet, N.,

Amarasekare, P., Chase, J.M., Hoopes, M.F. et al.

(2004). The metacommunity concept: a framework for

multi-scale community ecology. Ecology Letters, 7,

601-613.

Cottenie, K. (2005). Integrating environmental and

spatial processes in ecological community dynamics.

Ecology Letters, 8, 1175-1182.

Martiny, J.B.H., Bohannan, B.J.M., Brown, J.H.,

Colwell, R.K., Fuhrman, J.A., Green, J.L. et al.

(2006). Microbial biogeography: putting

microorganisms on the map. Nat Rev Micro, 4, 102-

112.

Farjalla, V.F., Srivastava, D.S., Marino, N.A.C.,

Azevedo, F.D., Dib, V., Lopes, P.M. et al. (2012).

Ecological determinism increases with organism size.

Ecology, 93, 1752-1759.

Referências

Brown, J.H. (1995). Macroecology. University of

Chicago Press.

Farjalla, V.F., Srivastava, D.S., Marino, N.A.C.,

Azevedo, F.D., Dib, V., Lopes, P.M. et al. (2012).

Ecological determinism increases with organism size.

Ecology, 93, 1752-1759.

Hubbell, S.P. (2001). The Unified Neutral Theory of

Biodiversity and Biogeography.

Jenkins, D.G. & Ricklefs, R.E. (2011). Biogeography

and ecology: two views of one world. Philosophical

Transactions of the Royal Society B: Biological

Sciences, 366, 2331-2335.

Leibold, M.A., Holyoak, M., Mouquet, N.,

Amarasekare, P., Chase, J.M., Hoopes, M.F. et al.

(2004). The metacommunity concept: a framework for

multi-scale community ecology. Ecology Letters, 7,

601-613.

Logares, R., Sunagawa, S., Salazar, G., Cornejo-

Castillo, F.M., Ferrera, I., Sarmento, H. et al. (2014).

Metagenomic 16S rDNA Illumina tags are a powerful

alternative to amplicon sequencing to explore

diversity and structure of microbial communities.

Environmental microbiology, 16, 2659-2671.

Soininen, J., Korhonen, J.J. & Luoto, M. (2013).

Stochastic species distributions are driven by

organism size. Ecology, 94, 660-670.

Taberlet, P., Coissac, E., Hajibabaei, M. & Rieseberg,

L.H. (2012). Environmental DNA. Molecular ecology,

21, 1789-1793.

Team, R.C. (2016). R: A Language and Environment

for Statistical Computing. R Foundation for Statistical

Computing Vienna, Austria.

Thompson, J.N. (2005). The geographic mosaic of

coevolution. University of Chicago Press.

Turner, M.G., Gardner, R.H. & O'neill, R.V. (2001).

Landscape ecology in theory and practice. Springer.


Você sabia que

EXISTEM VESPAS

parasitas?

As abelhas, as formigas e vespas

pertencem ao grupo de insetos

denominado Hymenoptera, em que uma de

suas características é possuir quatro asas

membranosas. As vespas têm

desenvolvimento holometábulo, com

metamorfose completa, apresentando

estágios de ovo, larva, pupa e adulto.

Algumas vespas, nos estágios imaturos, se

desenvolvem como parasitas dentro do

corpo de outros artrópodes. Estas são as

vespas parasitóides. Para perfurar

seus hospedeiros as fêmeas possuem

um ovopositor, que alcança locais de

difícil acesso das vítimas para

depositar seus ovos. Esse ovopositor,

em algumas espécies, possui um

veneno capaz de paralisar os

hospedeiros. As vespas parasitóides,

que sempre matam seus hospedeiros

podem ser encontradas no mundo

todo, apresentando variações

morfológicas. Inimigas naturais de várias

espécies, elas têm papel importante

no equilíbrio ambiental e econômico.

Para conhecer melhor sobre esse grupo

de insetos, o Instituto Nacional de Ciência e

Tecnologia dos Hymenoptera Parasitóides

da Região Sudeste brasileira

(HYMPAR/SUDESTE) tem o propósito de

identificar a biodiversidade relacionada aos

hymenopteros da região sudeste,

desenvolvendo estudos da distribuição

geográfica dos taxa estudados, detectar

prováveis áreas de endemismos,

estabelecer área de conservação,

parcerias com setor público e privado, além

desenvolver projetos área da educação

ambiental junto a escolas do ensino básico e

médio. Realizar as pesquisas para melhor

conhecer esses organismos

interessantíssimos é o que fornece apoio

do HYMPAR/SUDESTE na conservação de

áreas de mata nativa de Cerrado, por

exemplo. Atualmente, a coordenadora do

Instituto é a professora Angélica Maria que

dá aulas ao curso de Biologia da UFSCar.

Angelica Maria Penteado Martins Dias

Atualmente é professora titular da Universidade Federal de São

Carlos. Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em

Taxonomia dos Grupos Recentes, atuando principalmente nos

seguintes temas: Hymenoptera, Braconidae, parasitóides,

Ichneumonidae e taxonomia.


PRÓXIMA TEMPORADA

2018

PRÓXIMA TEMPORADA

2018

PRÓXIMA TEMPORADA

2018


EVENTOS CIENTÍFICOS

a 02 de Dezembro

30

HORIZONTE, MG

BELO

International Symposium on Vasoactive

XI

Peptides

ATÉ 10 OUT 2017

Submissões

ATÉ 15 NOV 2017

Inscrições

de Fevereiro a 02 de Março

25

DO IGUAÇU, PR

FOZ

CBZ 2018 XXXII Congresso Brasileiro de

XXXII

Zoologia

ATÉ 30 SET 2017

Inscrições

30 NOV 2017

ATÉ

a 07 de Dezembro

03

HORIZONTE, MG

BELO

SBBC 2017 – Simpósio Brasileiro de Biologia da

IV

Conservação

a 06 de Fevereiro

05

SC

FLORIANÓPOLIS,

CONGRESSO DE EDUCAÇÃO BÁSICA

COEB

ATÉ 09 OUT 2017

Inscrições

PROGRAME – SE

Dezembro, 2017

Inscrições ATÉ 03 DEZ 2017

Fevereiro, 2018

ATÉ 31 JAN 2018


a 12 de Abril

10

GONÇALVES, RS

BENTO

Brasil 2018

Fiema

ATÉ 30 SET 2017

Inscrições

a 13 de Julho

08

MT

CUIABÁ,

CNBot CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA

69º

ATÉ 11 DEZ 2017

Inscrições

12 MAR 2018

ATÉ

10 MAI 2018

ATÉ

a 27 de Abril

25

SP

BAURU,

Congresso de Biologia 2018

I

BAURU

UNESP

a 21 de Julho

18

PAULO, SP

SÃO

CONGRESS OF THE BRAZILIAN SOCIETY FOR

XIX

BIOLOGY

CELL

Abril, 2018

Julho, 2018

ATÉ 08 JUL 2018


Dicas de Filmes e Livros

AFINAL, PRECISAMOS DE UM TEMPINHO PARA ENTRETENIMENTO!!

Para assistir

A Garota Dinamarquesa

Ano: 2016

Gênero: Drama/Biografia

Indicado para 4 Oscars, esse filme fala da primeira

pessoa que se submeteu a uma cirurgia de mudança

de gênero. Lili Elbe, que nasceu como Einar Mogens

Wegene é interpretada pelo irreverente Eddie

Redmayne. A obra retrata todo o os conflitos que

personagem passa ao se descobrir como mulher,

inclusive no seu relacionamento amoroso com Gerda

(Alicia Vikander) e como ela o apoiou durante todo o

tempo. É sem dúvida um filme incrível e que quebra

muitos tabus a respeito de identidade de gênero.

Okja

Ano: 2017

Gênero: Ficção Científica/Drama

Nesse filme é apresentada ao mundo uma nova

espécie de animal, apelidada de "Super Porco", que é

enviada para 26 países diferentes, onde ficarão por

10 anos e retornarão para um concurso para avaliar o

melhor "Super Porco". Prestes a perder Okja, a

"Super Porco" fêmea criada por seu avô, a jovem Mija

(Seo-Hyun Ahn) decide lutar para ficar ao lado de

Okja, custe o que custar. Um filme incrível que traz a

tona a reflexão e discussão sobre o consumo de

carne.


Para Ler

Variações Sobre o Prazer

Autor: Rubem Alves

Ano: 2011

Rubem Alves é poeta, cronista, teólogo, psicanalista e

possui mais de 80 obras publicadas. Nesse livro o

leitor é levado a caminhar ao lado de santo Agostinho,

do revolucionário Marx, do filósofo Nietzsche e da

cozinheira Babette. E traz uma proposta ao leitor: que

tal se o prazer, em todas suas variações, se tornar o

objeto de sua vida?

E se...

Autor: Superinteressante (Vários Autores)

Ano: 2015

Esse livro constrói várias realidades alternativas,

baseadas em dados científicos e fatos históricos

reais. São cerca de 70 cenários diferentes que

nos fazem questionar como seria o mundo se

algumas realidades fossem diferentes. E se... o

Big Bang não tivesse acontecido? Os homens

menstruassem? A água dos oceanos fosse doce?

Usássemos 100% do cérebro? O Brasil vendesse

a Amazônia?

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