02 - Jornal Paraná Fevereiro 2018

LuRecco

OPINIÃO

A onda positiva do RenovaBio

O governo agora trabalha nos próximos passos: um decreto

presidencial para regulamentar o complexo programa

GUSTAVO PORTO

Anova Política Nacional

de Biocombustíveis,

batizada como

RenovaBio, é um

exemplo, ao menos até agora,

de como uma grande proposta

estruturante para um

setor estratégico do País consegue

caminhar com celeridade

dentro do governo. Após

um ano de amplas discussões,

o projeto do RenovaBio

foi aprovado no Congresso e

sancionado pelo presidente

Michel Temer (MDB) em apenas

um mês.

O governo agora trabalha nos

próximos passos: um decreto

presidencial para regulamentar

o complexo programa,

principal aposta do Brasil

para o aumento da produção

de biocombustíveis e o cumprimento

de metas de redução

de emissões acordadas

pelo País na 21ª Conferência

das Nações Unidas

sobre Mudança Climática

(COP-21).

A minuta em discussão

do decreto

definirá,

por

e x e m p l o ,

como será

a governança

do RenovaBio.

A ideia

é que um

grupo formado

por

representantes

de

ministérios,

da academia e

da sociedade civil

dê suporte ao Conselho Nacional

de Política Energética

(CNPE), responsável pelos rumos

do programa.

Caberá ao CNPE fazer com

que o RenovaBio seja o principal

instrumento para reduzir as

emissões brasileiras em 18%

até 2030. Essa meta é considerada

ousada até mesmo

pelos técnicos que desenham

o decreto de regulamentação.

Antes disso será necessário

O tempo é curto para a

complexa regulamentação

técnica e política do

RenovaBio

superar o entrave de fazer com

que esse decreto com todas

as regras seja publicado dentro

do prazo de 24 de junho, ou

seis meses após a sanção da

lei do RenovaBio. Paralelamente,

o modelo de como

cada produtor de biocombustível

calculará a redução de

emissões está bastante adiantado.

Esse modelo foi criado e com

base nele o setor privado irá

definir quanto de Crédito de

Descarbonização de Biocombustíveis

(CBIO) poderá ser

negociado. A quantidade de

CBIOs será ofertada de acordo

com a capacidade de cada

produtor de biocombustível

em mitigar as emissões. O papel

será certificado, negociado

no mercado financeiro e adquirido

por empresas com saldo

positivo na emissão de carbono,

ou seja, as

poluidoras, como

forma de

compensação.

As conversas

com as

certificadoras

já começaram

e as

com instituições

financeiras

devem

ser iniciadas

no final de janeiro.

A conta será

fechada com o retorno

dos investimentos em novas

unidades, o aumento na produção

e da fatia dos biocombustíveis

na matriz energética

e, consequentemente, a redução

nas emissões de poluentes.

A onda positiva do RenovaBio

é completada pelo interesse

gerado no exterior em relação

ao programa. Antes mesmo

de se tornar um projeto de lei,

representantes do governo do

Canadá procuraram conhecer

o modelo do RenovaBio.

O Reino Unido também se interessou

e sinalizou recursos

de um "fundo de prosperidade"

para financiar pesquisas e estruturação

de um projeto

maior, um mercado global de

transferência de créditos do

petróleo para o setor de biocombustíveis.

A Índia, segundo

maior produtor de canade-açúcar

do mundo, atrás

apenas do Brasil, e o Paraguai

também procuraram o governo

brasileiro.

Tudo caminha tão rápido que

céticos e pessimistas do governo

e do setor privado repetem

o bordão "está bom demais

para ser verdade" quando

falam sobre o programa. O

tempo é curto para a complexa

regulamentação técnica

e política do Renova-

Bio. Resta à sociedade civil

torcer para que a onda positiva

siga nessa reta final e que

os pessimistas não tenham

razão.

Resta à sociedade civil torcer

para que a onda positiva siga

nessa reta final e que os

pessimistas não tenham razão

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Jornal Paraná


SAFRA

Paraná fecha ano com

36,483 milhões/t cana

O volume colhido ficou dentro do esperado. Para o próximo período,

a expectativa é de que esses números sejam repetidos

MARLY AIRES

Com a paralisação

das usinas e destilarias

paranaenses para

manutenção, no

final de dezembro, o setor sucroenergético

do Estado fecha

o ano civil processando

36,483 milhões de toneladas

de cana-de-açúcar, pouco

abaixo da estimativa com que

a Alcopar vinha trabalhando

desde meados do ano, que

era de 36,793 milhões de toneladas.

O número, entretanto,

é 7,1% menor que o esmagado

na safra 2016/17, que

foi de 39,255 milhões de toneladas,

segundo o presidente

da Alcopar, Miguel Tranin.

Considerando o ano safra

2017/18, conforme determinação

do Ministério da Agricultura,

Pecuária e Abastecimento,

a esse volume deve

ser acrescida ainda a quantidade

de cana-de-açúcar colhida

entre o final de fevereiro

e o mês de março, quando as

usinas paranaenses tradicionalmente

começam a colher,

antecipando-se as demais regiões.

A safra 2018/19 começa

oficialmente no dia 1 de

abril. Com a matéria-prima

adicional, o total de cana colhida

deve superar um pouco

a estimativa.

“Tem chovido bastante em

todo o Paraná e com o clima

mais quente, as lavouras de

cana-de-açúcar têm apresentando

um bom desenvolvimento

vegetativo possibilitando,

se tudo correr bem até

lá, o início da colheita entre fevereiro

e março. Podemos colher

mais um milhão de toneladas

de cana até o dia 1 de

abril”, estima Tranin.

Como sempre acontece, o mix

de produção no ano passado

foi mais açucareiro, com

58,93% da matéria prima destinados

a produção de açúcar

e 41,07% para a produção de

etanol. No período foram industrializados

2,912 milhões

de toneladas de açúcar, 2,3%

a mais do que o volume total

esperado (2,848 milhões),

além de 1,230 bilhão de litros

de etanol, 4,6% a mais do que

os 1,176 bilhão de litros estimados.

Desse total, 564,8

milhões de litros foram de etanol

anidro e 665,1 milhões de

litros de hidratado.

Canavial envelhecido

Para a próxima safra, a expectativa,

segundo Miguel Tranin,

é repetir os números desse

ano. O canavial continua envelhecido

e o percentual de

renovação no ano passado,

cerca de 10% a 12%, continua

aquém do considerado ideal,

20% do total, apesar de ter

aumentado em relação ao ano

anterior, quando foi registrada

uma renovação de apenas 9%

da área total. O tempo seco

dificultou as operações agrícolas.

Apesar da produção de canade-açúcar

ter sido menor do

que o estimado, a qualidade e

rendimento industrial da matéria-prima

foi superior, fechando

com 141,61 kg de

ATR (Açúcar Total Recuperável)

por toneladas de cana,

2,7% acima dos 137,86

kg/ATR/t cana obtidos no

ano-safra anterior e 4% acima

do esperado neste, 136,2

kg/ATR/t. O clima mais seco

entre os meses de agosto e

setembro, período onde a

colheita é mais intensa, permitiu

uma maior concentração

de açúcar na cana e

maior eficiência industrial na

produção de açúcar e etanol.

Tranin comenta ainda que os

canaviais paranaenses têm

sofrido bastante com o avanço

da mecanização da lavoura,

prejudicando a produtividade.

Mas acredita que o

problema deva ser resolvido

assim que as antigas variedades

forem sendo substituídas

por outras mais modernas e

usado os espaçamentos adequados,

além da entrada de

máquinas mais modernas

com avanços tecnológicos.

Jornal Paraná 3


HOMENAGEM

Tranin recebe a Ordem

Estadual do Pinheiro

O reconhecimento se deve à sua firme atuação à frente do setor e também

a uma série de iniciativas que visam beneficiar a economia paranaense

Opresidente da Associação

de Produtores

de Bioenergia do

Estado do Paraná

(Alcopar), Miguel Rubens Tranin,

foi uma das personalidades

paranaenses homenageadas

no Palácio Iguaçu em

Curitiba, no dia 19 de dezembro,

pelo governador Beto

Richa.

Tranin foi condecorado com a

Ordem Estadual do Pinheiro,

uma distinção instituída em

2012 para comemorar o dia

19 de dezembro, data da

emancipação política do Paraná,

que em 2017 festejou

164 anos.

O presidente da Alcopar representa

um setor que está entre

os mais importantes da atividade

industrial do Estado,

com 26 unidades produtoras

de açúcar e etanol que abrangem

147 municípios e geram,

diretamente, cerca de 40 mil

postos de trabalho.

O reconhecimento a Miguel

Tranin se deve à sua firme

atuação à frente do setor e

também a uma série de iniciativas

que visam beneficiar a

economia paranaense.

Foram homenageados com a

mais alta honraria do governo

do Paraná, empresários, artistas,

escritores, lideranças religiosas,

lideranças políticas,

expoentes dos esportes, do

Poder Judiciário e profissionais

de diversas áreas.

Indicados por organizações da

sociedade civil, os nomes dos

homenageados passam por

uma comissão do governo do

Estado e são formalizados por

decreto do governador. “São

pessoas dos mais distintos

setores, que fazem a diversidade,

a pluralidade e a riqueza

de nosso Estado e de nosso

País”, afirmou Richa.

Miguel Tranin disse ter se sentido

“muito honrado com a homenagem”,

que para ele “é

motivo de orgulho”.

Premiação foi em

Curitiba com a

presença de diversas

autoridades

“É um momento de comemoração

para homenagear estas

pessoas, que dão grande contribuição

ao Estado, além de

instituições e entidades aqui

representadas. Todos os que

receberam a Ordem Estadual

do Pinheiro contribuem para

fazer o Paraná e o Brasil lugares

melhores para se viver”.

O chefe da Casa Civil e chanceler

da Ordem do Pinheiro,

Valdir Rossoni, explicou que o

processo de indicação passa

por um comitê do governo do

Estado. “São escolhidas pessoas

que prestaram e prestam

relevantes serviços ao Paraná.

São pessoas de todas as

áreas da sociedade”, disse

ele.

4 Jornal Paraná


OPORTUNIDADE

Alcopar oferece Residência

em Engenharia Agronômica

O programa é desenvolvido desde 2005 em parceria com a Universidade

Federal do Paraná e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

AAlcopar, em parceria

com a Universidade

Federal do Paraná

(UFPR) e a Universidade

Federal Rural do Rio de

Janeiro (UFRRJ) realiza este

ano a décima edição do programa

de Residência em Engenharia

Agronômica no Paraná.

Voltado para engenheiros

agrônomos formados a no

máximo três anos, a partir da

data do edital, tem como objetivo

promover o aprimoramento

de conhecimentos, habilidades

e atitudes indispensáveis

ao exercício da Agronomia

especializada em cana

de açúcar.

O programa é desenvolvido

nas usinas sucroenergéticas

paranaenses através de intensivo

treinamento profissional

em serviço, sob supervisão,

que permitirá também aprimorar

o senso de responsabilidade

ética no exercício das

atividades profissionais. “É

um programa que se destaca

pela qualidade na formação

de mão de obra. O Paraná se

tornou um celeiro de engenheiros

agrônomos especializados

no setor sucroenergético”,

afirmou o professor da

UFRRJ, Eduardo Lima, coordenador

do programa.

Durante o primeiro ano será

ofertado aos residentes um

curso de aperfeiçoamento, com

200 horas aula e o residente receberá

uma bolsa de estudo no

valor equivalente a, no mínimo,

a uma bolsa de aperfeiçoamento

dos Órgãos Financiadores

de Pesquisa do Governo

Federal e um seguro pessoal.

A prova de seleção será no dia

3 de fevereiro. Além do teste

escrito sobre conhecimentos

relativos à área de atuação,

serão usados como critérios

de seleção uma entrevista sobre

conhecimentos pessoais

ou técnicos e a avaliação do

currículo, baseando-se na

quantidade e qualidade de títulos

obtidos e atividades desenvolvidas

pelo candidato,

levando-se em consideração

o tempo de graduação.

Todo candidato que obtiver

nota final superior a sete estará

aprovado. Serão chamados

a ocupar as vagas os

aprovados por ordem decrescente

de notas. Os resultados

serão divulgados pela Secretaria

do Programa de Residência

no Instituto de Agronomia

da UFRRJ.

O programa iniciou em 2005

e já capacitou centenas de

profissionais de todo o País.

Também é porta de entrada no

mercado de trabalho. Cerca

de 90% dos residentes foram

absorvidos pelas usinas do

Estado, ressalta Eduardo.

MAIS INFORMAÇÕES:

www.residenciaemagronomiaufrrj.com.br/,

na sede da

Alcopar - Av. Carneiro Leão,

135 salas 903 e 904 – CEP:

87013-080 - Maringá (PR) -

telefone (44) 32252929; ou

na secretaria do Programa de

Residência em Engenharia

Agronômica Instituto de Agronomia

- UFRRJ - antiga estrada

Rio-São Paulo, km 47 –

CEP: 23851-970 - Seropédica

(RJ) - telefone (21) 3787-

1772.

Curso de aperfeiçoamento contará com 200 horas aula

A prova de seleção será no dia 3 de fevereiro

Jornal Paraná 5


CANA

MPB e meiosi para ter

produtividade com qualidade

O produtor Ismael Perina Júnior é pioneiro na adoção do plantio

interrotacional e no uso de mudas pré-brotadas, com resultados significativos

Ao falar da experiência

que tem vivido em

sua propriedade rural,

o produtor paulista

de cana-de-açúcar, Ismael

Perina Júnior, defendeu

em evento realizado pela

Syngenta e Alcopar, em Maringá,

o uso de mudas prébrotadas

(MPB) e da meiosi

(Método Interrotacional Ocorrendo

Simultaneamente) como

forma de recuperar a

produtividade das lavouras de

cana-de-açúcar, em queda

nos últimos anos. Ele é pioneiro

na adoção do sistema

meiosi e do uso de MPB.

“O produtor de cana tem que

fazer a sua parte para ter

ganho de produtividade. O

uso de MPB é fundamental

porque a muda é o principal

insumo. Não acredito em

ganho de produtividade sem

MPB”, afirmou ao apresentar

os resultados que tem obtido

em sua propriedade.

Ismael ressaltou ainda que a

meiosi é a maior revolução na

produção de cana ocorrida

nos últimos anos. “Sei disso

porque já estou passando”,

resumiu. A técnica permite

uma redução significativa dos

custos, que no caso do óleo

diesel supera os 35% de economia

na operação de plantio.

A safra, que deve iniciar

em outubro, será a sexta

usando MPB e a quinta usando

a meiosi.

O produtor falou sobre as mudanças,

para pior, ocorridas no

padrão de produção de mudas

na maior parte das usinas.

“Desafio qualquer empresa

que tenha mantido o mesmo

padrão de antes, com condições

de viveiros, tratamento

térmico e tudo mais”, disse,

lamentando os resultados.

“Hoje, a produtividade está

em 75 a 80 toneladas de cana

por hectare, mas já foi de 90

a 100. Outras culturas dobraram

a produtividade no período,

mas a de cana caiu. E tem

usina que usa 25 toneladas

de cana como muda para produzir

50 ou 60 toneladas por

hectare. Nós estragamos tudo

plantando coisa que nem sabíamos

o que era. É como se

estivéssemos usando semente

de paiol. E para piorar, o

plantio mecanizado esparramou

pragas e doenças na

cana”, afirmou Ismael. “Mas

está fácil de reverter. Estas

técnicas vão nos tirar do buraco

que nos metemos. É a

saída para nós”, ressaltou.

A mudança, segundo Ismael,

está respaldada em levar muda

de qualidade e sanidade para

campo “para plantar coisa

que presta e não algo que nem

sabe o que é”. Para o produtor

é preciso repensar o que está

sendo feito e planejar o plantio,

além de tomar outros cuidados

desde o preparo do solo,

como eliminar a soqueira, desinfetar

facão e colheitadeira,

se quiser ter canavial saudável

por mais tempo.

Ismael também é defensor da

rotação de culturas, técnica

que adota desde a década de

1980. “Com a outra cultura é

possível cobrir todos os custos

de preparo do solo. E cana

em cima de leguminosa é

show. Dá 145 toneladas de

cana por hectare em cima”,

citou destacando que em sua

propriedade tem 15% de solo

tipo B, 25% de C e 40% de D.

O produtor já conseguiu reduzir

o uso de mudas de 13 toneladas

para 9,8 toneladas por

hectare, enquanto as médias

de muitos produtores variam

de 18 a 23 toneladas de cana.

No primeiro plantio usando

meiosi, de uma linha plantou

de sete a dez linhas. Já conseguiu

fazer uma para 30, mas a

meta é reduzir ainda mais chegando

a uma por 45 ou mais,

além de fazer a reforma do canavial

com 10 anos.

6

Jornal Paraná


Vantagens são muitas

Defensor do uso da técnica

meiosi e de mudas pré-brotadas,

o professor doutor Paulo

Figueiredo, fisiologista da

Unesp (Universidade Estadual

de São Paulo) em Dracena,

que tem grande experiência

em produção de cana, foi palestrante

do mesmo evento da

Syngenta e Alcopar. “É importante

usar mudas que apresentem

procedência confiável,

alta qualidade e padrão de

crescimento e desenvolvimento,

além de pureza genética,

uniformidade dos indivíduos,

vigor e estado sanitário

isento de patógenos”, disse.

Dentre as vantagens da MPB,

Figueiredo destacou o ganho

econômico na implantação de

viveiros e o elevado padrão de

fitossanidade e vigor, evitando

a propagação de pragas e doenças,

além da uniformidade

de plantio, rápido desenvolvimento,

homogeneidade do canavial,

redução da quantidade

de mudas que vai a campo e

do replantio de áreas comerciais,

expansão e renovação,

evitando falhas, atrasos na

brotação e com menor ataque

de microorganismos. Ele ressalta

que é preciso observar o

momento do replantio, para

evitar a competição, visando a

maior longevidade do canavial.

Para Figueiredo, parte do segredo

para se obter produtividade

e qualidade no canavial

tem a ver com práticas antigas,

que muitos deixaram de

observar, como a desinfecção

de facões e instrumentos agrícolas,

o rouguing para evitar a

disseminação e a entrada de

doenças, o tratamento térmico

do tolete e não adquirir ou usar

mudas sem qualidade ou sanidade,

além de conhecer as

principais doenças, aprendendo

a lidar com elas.

Outro cuidado fundamental é a

qualidade da muda no plantio

mecanizado. “A colheita deve

ser realizada cuidadosamente

e com velocidade de trabalho

menor (3 a 4 km/h) que a especificada

para a colheita de

matéria prima para moagem.

O ideal seria que a máquina

cortasse colmos com 50 cm

para diminuir os danos à gema”,

disse ressaltando que velocidades

normais de colheita

(6-7 km/h) danificam os toletes

e as gemas, deixando-os

com trincas que permitem a

entrada de patógenos e a

perda de água, ocasionando a

diminuição do vigor.

“É preciso ainda observar a

distância da área da muda e a

área de plantio, adotando

meiosi com MPB ou canteiros

na área de plantio, de modo a

evitar, o quanto possível, o

transporte do material de propagação

a grandes distâncias”,

recomendou Figueiredo.

A meiosi proporciona também

muitos benefícios como a redução

do consumo de muda,

permitindo que mais cana seja

enviada para moagem na usina

e redução e simplificação

da operação de máquinas e

implementos, eliminado o

transporte de mudas e gerando

economia de diesel.

Isso além de permitir um planejamento

mais adequado da

área a ser plantada, dar uniformidade

ao canavial e melhora

da condição do solo e benefícios

agronômicos com a rotação

de culturas, que ainda dará

uma renda extra com a comercialização

da produção obtida

no sistema.

A meiosi vai permitir maior sanidade

das mudas com relação

a pragas, doenças e plantas daninhas,

com menor custo em

controles fitossanitarios, menor

taxa de replantio e ganho de

produtividade e longevidade.

Jornal Paraná 7


DOCE EQUILÍBRIO

Por que o brasileiro

é apaixonado por açúcar?

O paladar doce é cultural e foi desenvolvido a partir do costume português

de acrescentar o produto aos diversos alimentos e usá-lo nas celebrações

Pesquisa realizada

com pacientes do

Instituto Dante Pazzanese

de Cardiologia,

no âmbito da Campanha

Doce Equilíbrio, com o objetivo

de compreender os hábitos

e comportamentos de

quem consome açúcar identificou

que 71% da população

consome o produto habitualmente

e, desse total,

26% ingere alimentos açucarados

todos os dias.

Os dados reforçam a forte ligação

do brasileiro com o

açúcar, o que já vem de muitos

séculos. Além de ser a

principal fonte de energia utilizada

pelo cérebro, o ingrediente

traz a sensação de

bem-estar e ainda tem um

papel muito importante na

culinária.

Esses fatores compõe um

cenário histórico e cultural relevante

conhecido também

como a Rota do Açúcar. Decorrente

do processamento

da cana, que tem seu primeiro

registro há 12 mil anos,

o produto chegou ao Brasil

com as caravelas de Cabral,

no século XVI, época do descobrimento.

Os portugueses

estabeleceram engenhos de

cana no país e trouxeram a

tradição dos doces e da utilização

do ingrediente em diversos

pratos.

O produto foi a principal fonte

de renda do Brasil no período

colonial, e até os dias atuais

tem forte presença na economia

e na rotina alimentar

dos brasileiros, principalmente

nos preparos culinários

de doces e bebidas. Como

mostra a pesquisa feita

no Instituto Dante Pazzanese,

88% dos que consomem

açúcar afirmam utilizar o ingrediente

no chá ou café, enquanto

62% preferem adicioná-lo

em sobremesas e

bolos.

Segundo o antropólogo e

autor do livro Caminhos do

Açúcar, Raul Lody, “o paladar

doce é extremamente

cultural, foi desenvolvido a

partir do costume português

de acrescentar o produto

aos diversos alimentos e

usá-lo em diversos tipos de

celebrações. Deste modo, o

brasileiro criou uma memória

baseada nesta tradição”.

Na Idade Média, o açúcar, utilizado como medicamento, era mais caro que

o ouro e usado para presentear papas, reis e nobres

Na Idade Média, o açúcar foi

considerado uma especiaria.

Mais caro que o grama do

ouro, era utilizado como medicamento

e entregue como

presente para papas, reis e

nobres. Além de sua raridade,

que provocava cobiça,

associava-se aos produtos

do Éden, aproximando homens

e deuses.

Raul Lody explica que, por

esses motivos, até hoje o

doce é valorizado como um

presente ou uma experiência

gastronômica de grande valor.

“Formou-se no mundo

um entendimento de que

tudo aquilo que chega do

açúcar da cana está repleto

de significados, de alegria a

prazer”, afirma.

Equilíbrio e prazer

Nos dias atuais, um dos assuntos mais discutidos em torno

do ingrediente é a sua relação com algumas questões de

saúde. A boa notícia é que o açúcar pode ser consumido

normalmente, levando sempre em conta a recomendação

da nutricionista Márcia Daskal, de que a ingestão deve ser

feita de forma equilibrada.

“As pessoas gostam de comer produtos açucarados e não

há problema se isso acontecer diariamente, desde que se

avalie a quantidade. Precisamos parar de eleger vilões e resgatar

o prazer pela comida. Olhar para o alimento não isoladamente,

mas num contexto de vida”, salienta a especialista.

Com séculos de história, o uso do açúcar e das demais especiarias

fez nascer e crescer uma gastronomia com centenas

de criações. “O ingrediente não só dá prazer, mas

também auxilia o organismo a ser mais produtivo. Por este

motivo, é uma paixão mundial, não devendo ser excluído do

cardápio e sim valorizado”, complementa Márcia.

8 Jornal Paraná


DOIS

PONTOS

Envelhecimento

As usinas do país poderiam

produzir muito mais do que

fazem atualmente. Canaviais

envelhecidos e usinas

endividadas viraram rotina

no setor nos últimos anos e

Parceria

Parada

Uma joint venture entre a

Copersucar e a BP Biocombustíveis

para operar um

terminal de armazenagem

de etanol em São Paulo foi

aprovado pelo Conselho

Administrativo de Defesa

Econômica (Cade). As

duas empresas esperam

otimizar a logística de fornecimento

de etanol e ampliar

a presença comercial

no País. Em operação desde

2014, o Terminal Copersucar

de Etanol, em Paulínia,

possui 10 tanques,

com capacidade de armazenagem

de 180 milhões

de litros e de movimentação

de 2,3 bilhões de litros

por ano, com possibilidade

de ampliação.

impedem o crescimento da

produtividade no campo.

As lavouras de cana produziram

em média 77 toneladas

por hectare, ante as 85

consideradas ideais.

O Centro-Sul do Brasil pode

iniciar a próxima safra com

quase 9 milhões de toneladas

de capacidade de moagem

“desligada”, reflexo de grupos

sucroenergéticos endividados

ou em busca de redução

de custos e otimização

da operação em meio à falta

de matéria-prima. O volume

pode aumentar para mais de

20 milhões de toneladas considerando

alguns grupos em

recuperação judicial que ainda

vivem incertezas sobre a

continuidade das atividades

na temporada 2018/19. O

total parado não representa

perda de capacidade. As unidades

poderão ser reativadas,

mas mostra as dificuldades

do setor com produção

de cana estagnada, devido

a investimentos insuficientes,

enquanto aguarda os

efeitos da nova política de

biocombustíveis para retomar

a expansão da cultura.

CAR

Foi prorrogado o prazo para

que proprietários rurais se

inscrevam no Cadastro Ambiental

Rural (CAR), obrigatória

para todos os imóveis

rurais do país. A base eletrônica

de dados foi criada a

partir do novo Código Florestal

e contém informações

das propriedades e posses

rurais, além dos limites das

posses com áreas de vegetação

nativa e reservadas

para preservação. O novo

prazo final para inscrição é

31 de maio de 2018.

Agro

Após um bom resultado em

2017, quando a alta deverá

atingir 12%, o PIB (Produto

Interno Bruto) da agropecuária

poderá ter retração

de 2,5% em 2018 segundo

o Ipea (Instituto de Pesquisa

Econômica Aplicada).

A queda do PIB da

agropecuária poderá ocorrer

devido à safra menor, já

projetada pelo IBGE. Ao

contrário do que ocorreu

em 2017, quando só a

agropecuária salvou o PIB,

o setor será o único a registrar

queda em 2018.

Safra

Automóveis

Tecnologia

Com foco na Agricultura de

Precisão, pesquisadores da

Faculdade de Engenharia Agrícola

da Unicamp desenvolveram

um sistema que, ao ser

instalado em colhedoras de

cana-de-açúcar, possibilita

criar mapas de produtividade

Problemas econômicos nas

usinas provocaram uma redução

na área de cana-de-açúcar

no país na safra 2017/18

para 8,74 milhões de hectares

no país, 311 mil a menos do

que na anterior, segundo a

Conab (Companhia Nacional

de Abastecimento). São Paulo,

ao reduzir em 220 mil hectares,

foi o principal responsável

pela queda nacional.

Mas, constata-se uma renovação

das lavouras com novas

variedades, mais resistentes

a pragas e doenças, que

trazem maior produtividade. A

Conab prevê moagem de 636

milhões de toneladas de cana

Após quatro anos de queda, a

indústria automobilística brasileira

encerrou o ano com

crescimento de 9,2% nas vendas.

Segundo analistas, a recuperação

do mercado de

carros novos começou no segundo

semestre, com a melhora

da economia. Agora, os

revendedores de veículos projetam

nova alta para este ano,

de quase 12%. A previsão é

atingir 2,5 milhões de unidades,

incluindo caminhões e

ônibus, ante os 2,239 milhões

de 2017.

e visualizar a variabilidade espacial

da produção. A tecnologia,

que é baseada em

células de carga e tem como

diferencial ser o primeiro monitor

de produtividade para

cultura lançado comercialmente

no mundo.

no país, um volume 3% inferior

ao da safra anterior, e produção

de 39,5 milhões de

toneladas de açúcar e 27 bilhões

de litros de etanol.

10 Jornal Paraná


Descarbonizar

A sustentabilidade ganha escala

nas estratégias de negócios

das grandes empresas.

Compensar ou reduzir as

emissões geradas pelo uso

de fontes de energia fóssil

são práticas cada vez mais

valorizadas por agregar valor

aos produtos. A Trouw Nutrition,

divisão brasileira de uma

das líderes globais no ramo

de nutrição animal, a Nutreco,

Há mapeadas no mundo 252

ervas daninhas resistentes a

herbicidas que prejudicam 92

culturas em 69 países. No

Brasil, são oito espécies:

buva, capim-amargoso, azevém,

capim-pé-de-galinha,

cloris e caruru. Segundo a

Embrapa, há no país 20,1 milhões

de hectares no sistema

de produção de soja. Os esforços

para conter o seu

avanço podem elevar de forma

substancial - em alguns

casos, mais que triplicar - o

adotou o etanol como combustível

oficial em 160 veículos

de sua frota no País, que

percorrem 5,7 milhões de

quilômetros por ano, substituindo

430 mil litros de gasolina,

o que evitará a emissão

de 1.000 toneladas de gases

de efeito estufa por ano. Seriam

necessárias 6.325 árvores

para se gerar o mesmo

benefício ambiental.

Resistência

custo de produção no Brasil.

Um estudo da Embrapa estima

aumentos que variam de

42% a 222% por hectare, resultado

do uso maior de químicos

no solo e da queda de

produtividade. O Brasil figura

em 5º lugar no ranking mundial

de países com o maior

número de casos de plantas

daninhas resistentes, em 46

registros oficiais. Um dos motivos

para o aumento é o uso

indiscriminado de agroquímicos

nas lavouras.

Sílica

A sílica gel e a nanosílica de

alta pureza são dois materiais

com inúmeras aplicações

na indústria, como

tintas, pneus de carro, cerâmicas,

revestimentos, filtros,

agentes desumidificantes e

desidratantes para alimentos

e medicamentos. No entanto,

a obtenção da sílica industrial

a partir da areia pode

causar impacto ambiental.

Para reduzir os danos ao

meio ambiente, em uma pesquisa

realizada no Instituto

de Pesquisas Energéticas e

Nucleares, associado à USP,

foi desenvolvida técnica para

obter sílica a partir das cinzas

de biomassa de cana, o

La Niña

Recentemente, as temperaturas

da superfície do mar

na parte oriental do Pacífico

tropical têm esfriado e já

chegam a condições características

de um episódio

fraco de La Niña. Da mesma

forma, a maioria dos indicadores

atmosféricos

agora coincide com os correspondentes

para as primeiras

fases de um episódio

de La Niña. Os modelos

climáticos indicam que é

provável que estas condições

serão mantidas no

primeiro trimestre de 2018.

Copa

A Copa do Mundo este ano

na Rússia, mas o Brasil

mais uma vez terá sua

marca em todas as 64 partidas

da competição. É que,

pela primeira vez, a bola utilizada

no torneio terá como

componente uma borracha

especial, feita a partir de

cana-de-açúcar. É uma borracha

orgânica que tem

uma pegada de carbono 10

vezes menor do que as derivadas

do petróleo.

que também agrega valor a

um resíduo gerado em grande

quantidade pela indústria

sucroalcooleira. Cada tonelada

de cana gera de 250 a

270 quilos de bagaço, cuja

queima com as palhas e

pontas (mais 200 kg por tonelada)

resulta em 1% a 4%

de cinzas.

Abastecimento

O estudo calcula um déficit

de 19 bilhões de litros de

combustíveis fósseis em

2030. Para cobrir a lacuna

seria necessário ampliar a

capacidade de produção em

pelo menos 300 mil barris/

dia. O gasto previsto é de R$

33 bilhões. Para atender exigências

da COP-21 o País

A expansão do cultivo de

cana-de-açúcar no Brasil

para produção de etanol

tem o potencial de substituir

até 13,7% do petróleo consumido

no mundo e reduzir

as emissões globais de dióxido

de carbono (CO 2 ) em

até 5,6% em 2045 sem afetar

áreas de preservação

ambiental ou comprometer

culturas agrícolas. As estimativas

são de um estudo

internacional publicado na

Déficit

Etanol

O País do pré-sal corre risco

de um racionamento de combustíveis

a partir de 2025 por

falta de refinaria para processar

o petróleo e de infraestrutura

para importar. Segundo a

consultoria Strategy&/PwC, o

crescimento da demanda e o

compromisso ambiental firmado

na última Conferência

Global do Clima vão exigir investimentos

de R$ 87 bilhões

a R$ 95 bilhões até 2030. Se

nada for feito, em sete anos o

abastecimento, especialmente

de diesel, ficará comprometido.

O pesadelo das distribuidoras

é que a economia finalmente

cresça, mas falte infraestrutura

para dar vazão ao

potencial de consumo da população.

precisará de R$ 7 bilhões para

ampliar a produção de biodiesel

e R$ 40 bilhões para

elevar a oferta de etanol. Se

nada for feito, será preciso

importar combustíveis, o que

exigiria gastos em portos,

tanques, ferrovias e dutos –

de R$ 12 bilhões a R$ 15 bilhões

até 2030.

revista Nature Climate Change.

O trabalho avaliou como

a expansão da produção de

etanol obtido da cana poderia

contribuir para limitar o

aumento médio da temperatura

global a menos de 2 ºC

por meio da redução das

emissões de CO 2 pela queima

de combustíveis fósseis,

conforme acordado

pelas 196 nações que assinaram

o Acordo Climático

de Paris.

Jornal Paraná 11


FORMAÇÃO

Esporte e cidadania

no Projeto Fênix

Realizado pela Usina Santa Terezinha em parceria com a Prefeitura

de Maringá, iniciativa atende mais de 250 alunos de forma gratuita

ASSESSORIA DE

COMUNICAÇÃO

AArest (Associação

Recreativa e Esportiva

Santa Terezinha),

da Unidade

Iguatemi da Usina Santa

Terezinha, e a Prefeitura de

Maringá firmaram uma

parceria que regulamenta o

Projeto Fênix, iniciativa de

incentivo ao esporte que

atende cerca de 250 crianças

e adolescentes no distrito

de Iguatemi, Maringá.

O projeto oferece aulas

gratuitas de futsal para alunos

de 6 a 17 anos matriculados

na rede municipal

de ensino. A iniciativa ainda

promove valores ligados

à formação pessoal,

favorecendo a criação da

cultura e do hábito esportivo,

levando ao desenvolvimento

físico e social dos

participantes.

A associação da Usina

Santa Terezinha é responsável

pela formação dos

grupos, de acordo com a

faixa etária, fornecimento

de uniformes e designação

do profissional de educação

física responsável.

Além de orientar, acompanhar

e supervisionar as

atividades técnico-pedagógicas

do projeto, garantindo

a efetiva qualidade do

processo de aprendizagem.

Já a Prefeitura cede o espaço

físico do Centro Esportivo

do Distrito de Iguatemi

para a realização dos

treinamentos, disponibiliza

o material necessário, professores

de educação física

e estagiários para

atuarem no projeto.

O Projeto Fênix dá continuidade

ao trabalho de incentivo

ao esporte e formação

cidadã realizado pela Usina

Santa Terezinha desde

2012, com o projeto Atleta

do Futuro. Promovido em

parceria com o Sesi (Serviço

Social da Indústria), o

Atleta do Futuro atendeu,

em cinco anos de atividade,

mais de 250 crianças

ao ano em aulas gratuitas

de futsal aliadas ao

acompanhamento social e

pedagógico.

Assinatura de acordo beneficiará desenvolvimento

físico e social dos participantes

A Usina Santa Terezinha é

uma empresa brasileira do

setor sucroenergético, composta

pelo corporativo e o

terminal logístico - em Maringá,

o terminal rodoferroviário

em Paranaguá, e as

onzes unidades produtivas

em Iguatemi, Paranacity, Tapejara,

Ivaté, Terra Rica, São

Tomé, Cidade Gaúcha, Rondon,

Umuarama e Moreira

Sales - no Paraná, e Usina

Rio Paraná - no Mato Grosso

do Sul. A empresa conta

com mais de 16 mil colaboradores

nos setores agrícola,

industrial e administrativo.

12 Jornal Paraná

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