06 - Jornal Paraná Junho 2018

LuRecco

OPINIÃO

O tempo urge!

O desafio será a obtenção de financiamento para que os canaviais continuem contribuindo

para a melhoria da intensidade de carbono da matriz brasileira de combustíveis

SIDNEY SAMUEL

MENEGUETTI (*)

Oano de 2017 se encerrou

com a alvissareira

sanção presidencial

da chamada Lei do

RenovaBio, a comemoração setorial

encheu os olhos do País.

O Senado Federal, em seu site

oficial, noticiou a aprovação da

Lei Ordinária nº 13.576/2017

como causa de uma possível

criação de 3 milhões de empregos

no País.

Alguns chegaram a mencionar

o ressurgimento do Proálcool,

que, a bem da verdade, foi um

programa exitoso da década

de 1970, uma vez que impulsionou

investimentos, não só

na produção, como também

no consumo do etanol de

cana-de-açúcar, biocombustível

extremamente importante

para o País, cuja eficiência da

cadeia produtiva causa admiração

até em países com economia

em patamar de estabilidade

mais avançado que o

Brasil.

Em suma, a chamada Lei do

RenovaBio, traz, em seu bojo,

30 artigos, recarregando a esperança

do setor sucroenergético

brasileiro, que sofre redução

de investimentos e endividamento

jamais vistos na história.

Como causa, poder-se-iam

lançar inúmeros fatores, merecendo

destaque reiteradas práticas

desleais no preço do combustível

fóssil havidas em um

passado recente.

Tal cenário força a concluir que

o RenovaBio é um programa

que não pode existir de forma

isolada, ou seja, somente pelos

seus artigos legislativos, uma

vez que o endividamento carregado

pelo setor sucroenergético

afasta a capacidade de investimento

dos produtores.

O endividamento é um fato notório,

aliás bastando atentar-se

ao número assombroso de unidades

produtoras que encerraram

suas atividades entre 2015

e 2017, sem que, ao menos,

outros players dessem continuidade

no escopo social das indústrias.

O BNDES, com seu papel

fundamental, necessita,

pois, rever seus limites para

a retomada de financiamento

de investimentos

Tal condição extirpa cruelmente

a capacidade de investimento

dos produtores na renovação

dos canaviais, e cada hectare

de cana que deixa de ser investido/plantado

torna muito mais

difícil a missão do RenovaBio,

que está textualmente descrita

no comando do artigo 1º, inciso

I, da Lei Ordinária nº 13.576/

2017, que dispõe: “Fica instituída

a Política Nacional de Biocombustíveis

(RenovaBio), parte

integrante da política energética

nacional de que trata o art.

1º da Lei nº 9.478, de 6 de

agosto de 1997, com os seguintes

objetivos: I. contribuir

para o atendimento aos compromissos

do País no âmbito do

Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro

da Nações Unidas

sobre Mudança do Clima”.

Isso porque, com toda a vênia

devida às outras culturas e formas

que estariam aptas à produção

de biocombustíveis, as

atuais não estão dotadas da

mesma capacidade que a canade-açúcar

comprovadamente

detém, na função de sequestrar

carbono, contribuindo positivamente

para reduzir o chamado

efeito estufa.

Ademais, a geração dos 3 milhões

de empregos noticiada

pelo Senado Federal seria muito

mais agilizada se o setor sucroenergético

obtivesse viabilidade

para simplesmente retomar o

investimento no plantio de cana,

ou seja, renovação de canaviais,

sendo desnecessária

qualquer invenção muito grande,

daí a necessidade de ser

criado um mecanismo de financiamento

do plantio de cana, diferenciado

das demais culturas,

e que acompanhasse a relevância

de se atingir, verdadeiramente,

a finalidade instituída pelo

RenovaBio.

O BNDES, com seu papel fundamental,

necessita, pois, rever

seus limites para a retomada de

financiamento de investimentos

em plantio de cana, permitindo,

inclusive, contratação direta e

até mesmo reestruturando operações

passadas, para que os

produtores consigam avançar e

fazer frente aos desafios lançados

pelo programa legislativo.

A cana-de-açúcar, por possuir a

particularidade de atingir os objetivos

ambientais do Renova-

Bio, necessita obter um impulso

mais forte, para que se torne

atrativo aos produtores renovar

os canaviais, evitando-se a conversão

para outras culturas, cuja

eficiência ambiental não será a

mesma da cana-de-açúcar, podendo

até colocar em xeque a

real finalidade do programa.

O desafio será, com toda certeza,

a obtenção de financiamento

para que os canaviais

continuem contribuindo para a

melhoria da intensidade de carbono

da matriz brasileira de

combustíveis. Para tanto, produtores,

governantes, setor financeiro,

enfim, todos os envolvidos

nessa cadeia precisam

atentar para esse ponto sensível,

e que, o Brasil possa assistir

ao setor sucroenergético retomar,

ainda que parcialmente, o

investimento no plantio de canade-açúcar.

O tempo urge!

(*) Diretor Jurídico da Usina

de Açúcar Santa Terezinha

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Jornal Paraná


SAFRA

Seca acelera colheita e

reduz perspectiva de produção

Com mais de 20% da cana já colhida, o total esmagado é 74,8% maior do que

no mesmo período do ano passado, percentual que chegou a 96,8% no dia 1 de maio

MARLY AIRES

Acolheita de cana-deaçúcar

da safra

2018/19 no Paraná

está em ritmo acelerado

e bastante adiantada para

o período, segundo o presidente

da Alcopar, Miguel Tranin.

O mesmo tem ocorrido

em toda a região Centro-Sul

do Brasil, fazendo com que

muitos já prevejam a antecipação

também do encerramento

da safra. O Centro-Sul do Brasil

é a maior região produtora

de açúcar do mundo, respondendo

por cerca de um terço

do comércio global do adoçante,

mas espera-se que a

região produza uma safra de

cana menor neste ano, em

meio também ao envelhecimento

dos canaviais e tratos

culturais aquém do ideal.

Com somente 20 unidades industriais

em produção no Paraná,

até o dia 15 de maio já

tinham sido esmagadas

20,6% do total esperado este

ano, 7.575.429 toneladas de

cana no acumulado, um aumento

de 74,8% em relação

ao total moído no mesmo período

da safra 2017/18, que

tinha registrado 4.333.582 toneladas

de cana. A diferença

do volume total esmagado em

relação ao ano anterior chegou

a 96,8% na quinzena anterior.

Apesar de a colheita de cana

no Paraná ter iniciado dia 15

de fevereiro, na Coopcana, de

Paraíso do Norte, até meados

de março só quatro unidades

industriais do Paraná tinham

retomado a moagem, produção

que ainda foi contabilizada

como da safra 2017/18, conforme

determinação do governo

federal. As demais em

operação só iniciaram em

abril. Mesmo assim, por conta

do clima mais seco, as máquinas

têm rodado sem parar no

campo e na indústria, acelerando

todo o processo e

adiantando o ciclo da cana,

colhendo-a antes do tempo

ideal de maturação e mesmo

de desenvolvimento, o que

tem feito muitas usinas pensarem

em colocar o pé no freio,

cita Tranin.

A preocupação é que apesar

de favorável a realização da

colheita, o longo período seco

de cerca de 50 dias trouxe

efeitos negativos sobre a cana-de-açúcar.

O desenvolvimento

das lavouras foi prejudicado,

podendo resultar em

uma diminuição do potencial

produtivo das lavouras que

irão ser colhidas ao longo do

segundo semestre. As chuvas

ocorridas não têm sido suficientes

para elevar os níveis

de umidade do solo e assim,

garantir condições razoáveis

ao desenvolvimento das lavouras

em todas as regiões.

As condições se manterão

desfavoráveis ao desenvolvimento

das plantas.

Devem ser processados entre 36 a 37 milhões de toneladas

Outro aspecto que preocupa

é a brotação da cana-soca e

a renovação dos canaviais,

que é paralisado no período

mais seco até que condições

climáticas mais favoráveis

apareçam, diminuindo os

percentuais de renovação e

envelhecendo ainda mais os

canaviais de toda região Centro-Sul.

Quanto à qualidade da matéria-prima,

a quantidade

de Açúcares Totais Recuperáveis

(ATR) por tonelada

de cana no acumulado

da safra 2018/19

ficou 6,8% acima do valor

observado na safra 2017/

18, totalizando 129,91 kg

de ATR/t de cana, contra

121,68 kg ATR observados

na safra passada.

Com isso foram produzidos

no Estado até a primeira quinzena

de maio 420.178 toneladas

de açúcar e 317,530

milhões de litros de etanol,

sendo 106,576 milhões de

anidro e 210,954 milhões de

hidratado.

Para a safra 2018/19, a expectativa,

diz Tranin, é repetir

os números da safra 2017/18

processando entre 36 a 37

milhões de toneladas de

cana-de-açúcar.

Jornal Paraná 3


HOMENAGEM

Gastão Mesquita é Mérito Industrial

Diretor-presidente da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná foi

homenageado pelo Sistema Fiep por sua contribuição para o crescimento do setor

Oempresário industrial

Gastão de

Souza Mesquita,

diretor-presidente

da Companhia Melhoramentos

Norte do Paraná, que tem

duas unidades sucroenergéticas

no Estado, em Jussara

e Nova Londrina, foi homenageado

no último dia 11 de

maio, em Umuarama, com a

medalha do Mérito Industrial

conferida pelo Sistema Fiep

(Federação da Indústria do

Estado do Paraná).

Na festividade, que reuniu lideranças

da região Noroeste,

entre elas o presidente da Alcopar,

Miguel Tranin, foram

homenageados empresários

e empresas que se destacam

por sua contribuição para o

crescimento do setor. Além

de Gastão de Souza Mesquita,

a indústria Hellen Estofados

e Colchões receberam

a medalha do Mérito Industrial,

e José Angelo, falecido

em 2011, teve sua trajetória

empresarial reconhecida

com o título de Benemérito

da Indústria.

O estilo simples, a extrema

valorização do capital humano,

o constante controle

de custos e a cautela nos

projetos de expansão e na

condução dos negócios são

as marcas de Mesquita.

Essas características têm

sido essenciais para o crescimento

sustentável da

Companhia Melhoramentos,

que atua na produção de

etanol. Ao completar 90

anos de fundação, foi eleita

a melhor empresa do setor

de Açúcar e Álcool pelo jornal

Valor Econômico, em

seu anuário Valor 1000 - edição

2015.

4 Jornal Paraná

Mesquita fez questão de

compartilhar a homenagem

com o pai e o avô, que o antecederam

na condução dos

negócios. Também dedicou

a medalha a todos os colaboradores

da companhia.

“Trabalhamos todos esses

anos para manter nossa empresa

competitiva e eficiente

nos processos industriais e

agrícolas. Seria injusto não

dividir com todos esses que

se dedicaram e me ajudaram”,

afirmou.

O presidente do Sistema Fiep,

Edson Campagnolo, destacou

o entusiasmo com que

os empresários homenageados

receberam o reconhecimento

do Sistema Fiep. “A

gente percebe a receptividade,

com empreendedores

de sucesso sendo reconhecidos,

mostrando à sociedade

que esse país tem que ser

bem conduzido e todos nós

temos a responsabilidade de

fazer isso”, declarou.

O empresário

com familiares e

os presidentes

da Fiep e da

Alcopar, que

também recebeu

distinção

Na ocasião, o presidente da

Alcopar e dos sindicatos

Sialpar, Siapar e Sibiopar, Miguel

Tranin recebeu também

uma homenagem pelos 10

anos do Sindicato da Indústria

da Produção de Biodiesel

do Estado do Paraná, pela

excelência na prestação de

serviços ao segmento, “cuja

parceria foi essencial para o

desenvolvimento da indústria

da região”, destacou a homenagem

da Fiep.


ESPORTE

Semeando Campeões oferece formação cidadã

Projeto realizado pela Santa Terezinha

de Iguatemi junto com a prefeitura de

Maringá vai atender 250 estudantes

DA ASSESSORIA

DE COMUNICAÇÃO

Desde 2012, a Unidade

Iguatemi da Usina

Santa Terezinha trabalha

para o desenvolvimento

social por meio de

projetos que oferecem formação

esportiva e cidadã para

crianças e adolescentes da

comunidade. Mantendo a prática

sustentável, neste ano, a

empresa firmou - por meio da

Associação Recreativa Santa

Terezinha - uma nova parceria

com a Prefeitura Municipal de

Maringá para realizar o projeto

Semeando Campeões, que

teve início em março de 2018.

O projeto vai atender 250 meninas

e meninos de 6 a 17

anos em aulas gratuitas de futsal

e futebol. Além de aprenderem

sobre os fundamentos

práticos e teóricos do esporte,

os alunos também têm acompanhamento

psicopedagógico,

de frequência e desempenho

escolar.

“É um investimento que a prefeitura

e a usina estão fazendo

em vocês, que representam o

futuro do nosso município.

Dediquem-se a isso, pois esse

projeto pode mudar a vida de

muitos e o que diferencia os

campeões é justamente a dedicação”,

disse a Secretária de

Educação do município, Valkíria

Trindade.

A associação da Usina Santa

Terezinha é responsável pelo

fornecimento de uniformes,

material e pela designação de

um profissional para orientar,

acompanhar e supervisionar

as atividades técnico-pedagógicas

do projeto, garantindo a

efetiva qualidade do processo

de aprendizagem. Já a Prefeitura

cede o espaço físico para

os treinamentos, professores

de educação física e estagiários.

As atividades tem o objetivo

de incentivar a prática esportiva

para o desenvolvimento

das habilidades sociais e motoras,

da aptidão física e da

adoção dos valores positivos

do esporte, promovendo o

desenvolvimento integral de

crianças e adolescentes. As

aulas são realizadas no Centro

Esportivo Municipal de Iguatemi,

de segunda a sexta-feira,

com horários de manhã e

tarde para atender os estudantes

nos dois períodos de contraturno

escolar.

Jornal Paraná 5


LAVOURA

Nematoide, um inimigo oculto

Dos R$ 35,4 bilhões de prejuízo causados no Brasil pela doença, nas diversas

culturas, 1/3 das perdas se dá em cana, somando R$ 12,8 bilhões

MARLY AIRES

Presente em um grande

número de culturas,

o nematoide é

especialmente problemático

para a cana-de-açúcar,

provocando um impacto

significativo em sua produtividade,

mas muitas vezes é menosprezado

por ser difícil de

ser visualizado ou por ter confundido

seus sintomas com

os de outras doenças, segundo

o professor doutor da

Universidade Federal de São

Carlos (Ufscar), entomologista,

nematologista e consultor

Newton Macedo, que falou

sobre o controle de nematoides

em cana-de-açúcar no último

dia 2 de maio, em

Maringá.

Dos R$ 35,4 bilhões de prejuízo

causados no Brasil pelo nematoide,

nas diversas culturas

afetadas, 1/3 das perdas se dá

em cana-de-açúcar somando

R$ 12,8 bilhões, sendo um

dos principais fatores limitantes

para a produtividade da

Há uma série de fatores que dificultam

o controle do nematoide

em cana-de-açúcar, segundo

o entomologista, nematologista

e consultor Newton

Macedo. Ele diz que uma vez

detectado o problema numa

área, esta nunca mais estará

livre. “Não dá para eliminar,

mas é possível reduzir a população

e manter sob controle”,

ressaltou.

Macedo explicou que a dificuldade

ocorre porque o nematoide

é difícil de detectar, sendo

um verme minúsculo, com 1/3

de um milímetro, não visível a

cana, em um cenário onde

cerca de 60% das áreas de

cana estão com média e alta

infestação de nematoide no

Brasil, afirma Gerson Dalla

Corte, gerente de produto da

Adama, empresa que promoveu

o evento de lançamento

oficial de um nematicida para

a cana-de-açúcar no Brasil.

Newton Macedo disse que a

perda média por nematoide é

de 15,3% da produtividade da

cana, mas que dependendo do

nível de infestação e condições

do solo, pode ser superior

a 30% ou 40%. “É uma

doença de difícil controle, que

ataca o sistema radicular, alterando

a fisiologia da planta.

Além de a planta atacada não

conseguir absorver água e nutrientes

suficientes ao seu bom

desenvolvimento, como agentes

patógenos, os nematoides

interagem com a planta consumindo

muito da energia que

esta usaria para crescer”, comentou

o consultor.

Por isso, ressaltou, as lavouras

olho nu, além de extremamente

adaptado ao ambiente e muito

difícil de morrer, porque não

tem sistema circulatório nem

respiratório.

Quando há condições adversas

como o frio, inundação, temperaturas

elevadas, seca, etc, o

verme entra em período de latência

e quando falta alimento,

fêmeas se transformam em

machos para procriar e garantir

a posteridade. “Ele se desenvolve

dentro do ovo, que é resistente,

e só sai quando há

condições favoráveis, quando

há umidade e surgem novas

Newton Macedo: “perda média é de 15,3% da produtividade da cana

raízes, que é onde atacam”,

disse.

Também, os danos causados

são facilmente confundidos

com déficit hídrico, deficiências

nutricionais e fisiológicas de

outras origens. Há poucas opções

de produtos eficientes, e

os mais antigos costumam ser

bastante tóxicos, prejudicando

animais e ambiente, além dos

custos dos produtos serem

elevados, e há práticas de difícil

operação, principalmente na

soqueira, citou.

O nematologista destacou que

sofrem mais estresse hídrico,

tornam-se mais vulneráveis a

outras doenças, e sofrem mais

com mato-competição, porque

demoram para se desenvolver,

exigindo mais herbicidas

e tratos culturais. “Como

consequência, tornam-se incapazes

de expressar todo seu

potencial genético. Isso sem

contar o desperdício com os

fertilizantes aplicados. O produtor

investe em adubo para

aumentar a produtividade e ao

negligenciar o controle de pragas

e doenças, perde não só o

potencial da planta, mas, também

o que investiu. São milhões

de reais jogados fora”,

enfatizou Macedo.

O consultor citou vários experimentos

feitos onde, nas parcelas

em que só adubou com

é importante proteger as primeiras

raízes da cana planta,

que são as que se desenvolvem

em profundidade para

buscar água, e que são fundamentais

para a longevidade do

canavial. E que, enquanto na

cana planta o nematicida é aplicado

junto com a colocação

dos toletes no solo, na soqueira,

deve ser feito quando

houver umidade, após o retorno

das chuvas.

Para o controle da doença, Macedo

disse que não pode contar

com resistência varietal,

porque não funciona, assim

fósforo e potássio, mas não

se usou nematicida, a produção

foi bastante semelhante a

da parcela plantada sem adubar.

E o canavial adubado com

metade da dose de fósforo e

potássio, mas onde foi usado

nematicida, o resultado foi superior

ao onde a dose dos nutrientes

foi completa, mas

sem tratamento com nematicida.

Doença é difícil, mas possível de ser controlada

como os bionematicidas. “Para

a cana, o bionematicidas não

são muito viáveis porque não

têm residual, a vida útil é baixa,

não suportam exposição ao sol

e altas temperaturas, são de difícil

armazenamento e demandam

múltiplas aplicações, sendo

inviáveis economicamente e

operacionalmente”, explicou.

Para ele, a rotação é uma alternativa

que atenua o problema

na cana planta, mas não na soqueira,

mas é uma estratégia

para ser usada aliada ao uso de

nematicidas químicos, que

“são os mais indicados”, finalizou.

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Jornal Paraná


Como detectar o ataque

A forma recomendada para

detectar a presença, as espécies

e o nível de população do

nematoide é a análise em laboratórios.

Mas há indicações

de campo que permitem

suspeitar da ocorrência desses

agentes patógenos como

presença de reboleiras com

plantas de tamanhos desiguais,

murchamento precoce

de plantas em grandes reboleiras

em períodos de estresse

hídrico, redução de

perfilhamento, baixa resposta

a adubação, raízes com deformações

típicas, redução

acentuada da produtividade

de um corte para o outro, e

redução do número de cortes.

“Quando o produtor aplica nematicida

só na cana planta e

produz bem no primeiro e segundo

corte, mas a produtividade

despenca no terceiro

corte, é sinal de nematóide”,

comentou o nematologista

Newton Macedo citando que

quase ninguém usa nematicida

em soqueira.

“Há muitos erros na aplicação,

por isso acham que não

funciona. Não se pode aplicar

em qualquer época, mas logo

após o retorno das chuvas,

entre outubro e novembro,

quando visualizar a germinação

da cana após o corte,

sem, entretanto, perder o

time. Se fizer certo, funciona

bem e dá retorno econômico”,

garantiu.

Dentre os sintomas visíveis na planta estão

as raízes com deformações típicas

GERAL

BSBIOS completa 13 anos de história

No último ano a companhia realizou importantes ampliações em suas duas unidades,

alcançando a capacidade de produção de 576 milhões de litros de biodiesel/ano

Com a finalidade de

produzir energia renovável

e limpa nascia

há 13 anos a

BSBIOS, em Passo Fundo/RS.

Uma empresa que em sua fundação

poucos acreditavam devido

à inovação do produto, o

biodiesel, atualmente a companhia

fatura mais de R$ 2,2 bi

e gera mais de 350 empregos

diretos e um crescente número

de empregos indiretos.

Além de impulsionar a economia

local, a companhia que

está instalada em Passo Fundo

no Rio Grande do Sul e possui

filial em Marialva no Paraná,

gera desenvolvimento regional

ao agregar valor aos grãos,

que são industrializados pela

empresa, e ao fortalecer a agricultura

familiar. Mais de 40%

das matérias primas, soja e

gordura animal, utilizadas pela

empresa são oriundas de 15

mil pequenos produtores.

O presidente da BSBIOS,

Erasmo Carlos Battistella,

destaca que a aposta inicial

na empresa gerou bons frutos.

“Nesse caminho muitos

foram os desafios enfrentados,

houve momentos de incertezas

e dúvidas, superados

por outros de conquistas e vitórias.

A construção desse

horizonte só foi possível graças

ao empenho, a determinação

e o profissionalismo

dos colaboradores da

BSBIOS”, afirmou o empresário

agradecendo à contribuição

da equipe e de todos os

parceiros importantes que se

engajaram para a realização

dos objetivos que a empresa

se propôs.

Battistella frisa que no último

ano a companhia realizou importantes

ampliações em

suas duas unidades, alcançando

a uma capacidade de

produção de 576 milhões de

litros de biodiesel/ano. Com

isso, a BSBIOS se preparou

para atender o mercado de

biodiesel que a partir de 1º de

março de 2018 contou com

aumento de 2% de mistura,

chegando a adição de 10% do

biocombustível ao óleo diesel.

Em um estudo realizado pela

Fundação Instituto de Pesquisas

Econômicas - FIPE, e publicado

no Relatório de Sustentabilidade

da companhia,

foi possível medir o impacto

da empresa nos municípios

em que está instalada. De

acordo com a pesquisa a

BSBIOS contribuiu de forma

direta e indireta para o PIB de

Passo Fundo com um total de

R$ 7,6 bilhões no acumulado

entre 2005 e 2014 e, com

14,9 mil empregos adicionais

no ano de 2014, impactando

em 19,4% do PIB do município

naquele ano.

Já em Marialva a contribuição

para o PIB, no período de

2010 a 2014, girou em torno

de R$ 818 milhões. Sendo

que em 2014 se refletiu em

28% do PIB do município e na

geração 857 empregos adicionais.

Jornal Paraná 7


EVENTOS

UFPR faz pré-lançamentos

Dia de campo teve ainda orientações técnicas, apresentação de clones

promissores e contou com a participação de profissionais das usinas do Paraná

MARLY AIRES

OPrograma de Melhoramento

Genético da

Cana-de-Açúcar da

Universidade Federal

do Paraná (UFPR), desenvolvido

dentro da Rede Interuniversitária

para o Desenvolvimento do

Setor Sucroenergético (Ridesa),

realizou no último dia 16 de maio

o Dia de Campo do PMGCA/

UFPR/Ridesa na Estação Experimental

de Paranavaí.

O coordenador do Programa, o

professor doutor da UFPR, Ricardo

Augusto de Oliveira, fez a

pré-liberação de duas futuras

variedades RB que estão sendo

avaliadas a campo na Estação

Experimental e que estão com

bons resultados em áreas de validação

nas unidades conveniadas:

RB036152, destaque pela

rusticidade, e que já aparece

bem pontuada entre as que mais

vêm sendo plantadas, de acordo

com o último Censo de Variedades

do Paraná, competindo com

a RB867515; e a RB006970,

boa opção para ambientes favoráveis

e para início de safra, com

alto teor de sacarose.

Na sequência, o pesquisador

Guilherme Souza Berton falou

sobre os clones potenciais que

têm se destacado: RB056396,

pela produtividade e riqueza; a

RB056351, pela riqueza; e a

RB056380, pela riqueza e precocidade.

Também foram apresentados

vários clones promissores

das séries RB04 até

RB10, materiais que vem se

destacando em outras universidades

que participam da Ridesa,

entre outros, com grande

potencial de desenvolvimento.

A professora e fitopatologista da

UFPR, Lucimeris Ruaro, falou

sobre o uso de fungicidas no

controle da ferrugem, especialmente

da ferrugem alaranjada.

“O fungicida pode integrar o manejo

de controle como uma estratégia

que o setor pode lançar

mão quando a resistência de

uma boa variedade é vencida

pela doença e ainda não há

novos materiais que a possam

substituir”, disse.

A professora ressaltou, entretanto,

que é preciso ter cuidados

extras no manejo dos fungicidas,

para evitar a resistência dos

fungos. “É importante avaliar o

desempenho de cada produto e

suas características para compor

o manejo. Quanto mais específico

for o fungicida, maior o

risco de gerar resistência“, afirmou.

Além das palestras de orientação

das empresas parceiras do

evento, o aluno de doutorado e

agrometeorologista, Renã Moreira

Araújo, apresentou um estudo

explicando o porquê de a

estiagem deste ano, de 45 a 50

dias, ter afetado mais a cultura

do que a estiagem de 60 dias do

ano passado. A cana pode sentir

mais ou menos os efeitos da

falta de chuva dependendo da

temperatura do ar, umidade do

solo, velocidade dos ventos e

outros, e consequentemente, da

evapotranspiração diária da

planta, assim como da demanda

de água da cultura de acordo

com o seu estádio de desenvolvimento.

Nutrição e controle

de plantas daninhas

são temas de

palestras da Arysta

Com o objetivo de levar as últimas

novidades em tecnologias

de controle de plantas

daninhas e manejo nutricional,

no último dia 18 abril, a Arysta

LifeScience realizou o V Simpósio

Cana Crua Paraná, em

Maringá (PR), com a presença

de diretores, gerentes, técnicos

agrônomos e residentes de

agronomia das unidades industriais

sucroenergéticas do

Paraná associadas à Alcopar.

A primeira palestra, “Comportamento

dos herbicidas no

solo, palha e planta”, foi feita

pelo professor doutor Caio

Carbonari, da Faculdade de

Ciências Agronômicas da

Unesp de Botucatu (SP), que

mostrou as características

das plantas daninhas, como

todo processo se dá e as estratégias

de controle, minimizando

a interferência destas

na lavoura de cana.

Na parte da tarde, o professor

doutor Gaspar Korndorfer, da

Universidade Federal de Uberlândia

(MG), falou sobre “Manejo

nutricional para altas produtividades”,

orientando os profissionais

sobre como reverter,

de forma sustentável, os baixos

índices de produtividades registrados

nos últimos anos. Os técnicos

da Arysta LifeScience falaram

ainda sobre a oferta de

soluções da empresa, que envolvem

produtos, serviços e assistência

técnica, a forma de

ação de sua linha de produtos,

especialmente os herbicidas, e

o trabalho com plantas de difícil

controle, obtendo o melhor

custo benefício e maior rentabilidade.

O Programa Pronutiva,

Programa Arysta de Proteção +

Biossoluções, também foi apresentado.

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Jornal Paraná


FEIRA

Fenasucro & Agrocana

será de 21 a 24 de agosto

Oportunidade para realizar negócios e networking, é voltada para empresas e profissionais que

buscam inovação, demonstrações práticas de soluções tecnológicas e tendências de mercado

Maior feira mundial

do setor sucroenergético

e

o único evento

mundial que reúne toda a

cadeia produtiva do setor

em um mesmo local, a Fenasucro

& Agrocana chega

à sua 26ª edição com oportunidades

exclusivas para

realização de negócios e

networking com profissionais

e representantes do

mercado.

O evento acontece de 21 a

24 de agosto de 2018, no

Centro de Eventos Zanini,

em Sertãozinho (SP), região

do interior paulista que concentra

a força da indústria

sucroenergética e da produção

da cana-de-açúcar. Os

eventos de conteúdo acontecem

a partir das 8h. A visitação

na plataforma comercial

é das 13h às 20h.

Voltada para as empresas e

profissionais que buscam

inovação, demonstrações

práticas de soluções tecnológicas

e tendências de

mercado, a Fenasucro &

Agrocana traz as principais

empresas do mercado que

apresentam suas novidades

e lançamentos, alternativas

sustentáveis e inovações

tecnológicas voltadas à produção

de açúcar, etanol e

bioenergia. Além disso, a

feira tornou-se plataforma

de atualização profissional,

conteúdo e negócios para

os profissionais do mercado

sucroenergético, alimentos

e bebidas, papel e celulose

e bioenergia.

O número de visitantes

compradores deve ultrapassar

30 mil, vindos do Brasil

e de mais de 40 países em

busca de tecnologias e soluções

disponibilizadas pelo

evento a toda cadeia produtiva

da cana-de-açúcar.

“A Fenasucro & Agrocana é

uma feira atenta às novas

demandas do setor, apresentando

soluções que fomentam

a geração de novos

negócios e palestras e conferências

com especialistas

para o aperfeiçoamento

profissional do mercado.

Reunimos nos quatro dias

de evento os principais

Evento gera conhecimento

Além da apresentação de

inovações em máquinas,

equipamentos e tecnologias

apresentados por mais de mil

marcas, a Fenasucro & Agrocana

se transformou em

uma rica plataforma de geração

de conhecimento, com

uma programação que cresce

a cada edição.

Neste ano, serão mais de

300 horas de eventos de

conteúdo técnico para atualização

e profissionalização

dos profissionais da cadeia

sucroenergética. A feira ainda

organiza rodadas de negócios

nacionais e internacionais

impulsionando os negócios

dentro do evento.

Outra novidade preparada

para 2018 é que a Agrocana

- área dedicada à parte agrícola

- desenvolveu o Agrocana

Roadshow, em parceria

com a Ourofino Agrociência

e Orplana, um projeto itinerante

que é responsável por

levar informações e conteúdos

aos produtores de cana

ao longo do ano (por meio de

uma agenda de palestras e

ações no campo) e não apenas

nos quatro dias de feira.

players que encontram aqui

alternativas sustentáveis e

inovações para a produção

de bioenergia. O biodiesel é

um tema de destaque desta

edição”, afirma o Gerente

Geral Paulo Montabone.

Em 2018, a campanha do

evento aborda o “Sinal verde

para o futuro”, destacando

a bioenergia como alternativa

promissora para

os negócios do setor incentivados

pelo RenovaBio,

programa do governo federal

que prevê o crescimento

de produção de etanol em

20 bilhões de litros por

safra; pela regulamentação

que eleva para 10% o percentual

de mistura de biodiesel

no diesel comum

vendido ao consumidor; e

pela valorização da biomassa

para a produção de bioeletricidade.

Junto com o Biodiesel, a Fenasucro

& Agrocana apresenta

soluções para outros

setores como: Transporte e

Logística, Alimentos e Bebidas

e Papel e Celulose. A realização

é do Ceise Br

(Centro Nacional das Indústrias

do Setor Sucroenergético

e Biocombustíveis) e

organização da Reed Exhibitions

Alcantara Machado.

O credenciamento de visitantes

pode ser feito pelo site

www.fenasucro.com.br

Jornal Paraná 9


DOIS

PONTOS

Residência

O presidente da Alcopar, Miguel Tranin, fez a abertura da

primeira aula da Residência Agronômica em Cana-de-Açúcar

no início de maio, desenvolvida em parceria com a

Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade

Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Na ocasião, ele

traçou o cenário da produção agrícola e industrial do setor

no Estado, apresentando os números atuais de produção,

perspectivas e tendências de mercado.

Apesar de a tecnologia, a

instalação e o financiamento

das energias renováveis estarem

se tornando mais baratos,

elas ainda não conseguem

competir com a geração

a carvão existente em

muitos países. Especialistas

acreditam que ainda há um

Renovável

Será preciso aumentar em seis vezes a velocidade da

adoção de energias renováveis no mundo para responder

ao compromisso de se reduzir as emissões de gases-estufa

e limitar o aumento global da temperatura em 2°C,

conforme acertado no Acordo de Paris. Se quiser descarbonizar

a energia global rápido o bastante para evitar os

mais severos impactos da mudança do clima, as renováveis

têm que representar, pelo menos, dois terços da

energia total em 2050.

Países membros do Global

Alliance for Sugar Trade Reform

and Liberalisation criticaram

os subsídios a exportações

de açúcar realizadas

pelos governos do Paquistão

e da Índia, informou a Unica.

No fórum realizado no início

de maio, em Nova York, representantes

dos países

membros reforçaram que os

dois governos precisam reconsiderar

seus mecanismos

artificiais para exportação de

açúcar e cumprir as regras internacionais

estabelecidas

Energias

longo caminho pela frente

para que o custo das novas

energias renováveis seja

mais baixo que o custo das

usinas antigas. Nenhum país

realizou de fato a transição

de um sistema baseado no

carvão para um sistema totalmente

renovável.

Subsídios

pela Organização Mundial do

Comércio (OMC) e não subsidiar

o produto. A expectativa

é de que tanto o Paquistão

Bioplástico

Em investida para reduzir

o consumo de combustíveis

fósseis, a fabricante

dinamarquesa de brinquedos

Lego lançou suas primeiras

peças feitas de

bioplástico. As novas peças

de polietileno produzido

a partir da cana começarão

a aparecer nos

kits da marca ainda este

ano. De saída, a novidade

será limitada a elementos

botânicos, como árvores

e folhas, que representam

de 1 a 2% do número

total de peças fabricadas,

mas a meta da

empresa é ampliar o uso

do material para todos os

tijolos de construção até

2030.

quanto a Índia se comprometam

com uma agenda de revisão

de suas políticas a médio

e longo prazo.

Pressão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem enfrentando

forte pressão para resolver uma disputa entre a indústria

do petróleo e o setor agrícola do país. Refinarias de petróleo não

querem mais cumprir a exigência de misturar etanol à gasolina.

Já produtores de milho, principal matéria-prima usada na fabricação

de etanol nos EUA, dizem que a exigência diversifica a

oferta de combustível no país, e que o presidente deve manter

seu compromisso com o chamado Padrão de Combustíveis Renováveis

(RFS). Ambos os lados da disputa têm laços estreitos

com o Partido Republicano e a Casa Branca.

A Organização Internacional

do Açúcar (OIA) estimou um

excedente mundial de açúcar

de 8,5 milhões de toneladas

na safra 2018/19, após um

superávit de 11 milhões de

toneladas no ciclo atual, o

Reeleitos

Superávit

A presidente executiva da Unica,

Elizabeth Farina, e o presidente

do Conselho Deliberativo

da entidade, Pedro Mizutani,

foram reeleitos, por unanimidade,

pelos conselheiros da

entidade. Ambos permanecem

até 2020 nos cargos ocupados

desde 2012 por Elizabeth

Farina e desde 2016 por Mizutani.

"Temos o compromisso

de dar prosseguimento à gestão

que deixou este legado", informou

Mizutani, vice-presidente

de Relações Externas e

Estratégia da Raízen.

2017/18. O volume combinado

de ambas as temporadas

representaria um excedente

recorde. A OIA afirmou

também que vê crescimento

anual da demanda em

1,6% em 2018/19.

10 Jornal Paraná


A 25ª Agrishow - Feira Internacional

de Tecnologia Agrícola,

encerrada dia 4/5,

obteve um crescimento na realização

de negócios de 22%,

o que significa um volume de

R$ 2,7 bilhões. Na edição anterior,

foram registrados negócios

da ordem de R$ 2,2

A Poet, empresa de capital

fechado norte-americana,

superou a pioneira e global

comerciante de grãos Archer

Daniels Midland

(ADM), tornando-se a maior

produtora de etanol do

mundo. A ADM vinha sendo

a maior fabricante de etanol

desde que os EUA começaram

a exigir que as refinarias

misturassem bilhões de

galões de biocombustíveis

RenovaBio

O Ministério de Minas e Energia

elaborou uma proposta

preliminar que estabelece

como meta uma redução de

7% na intensidade da emissão

de carbono dos combustíveis

nos próximos dez anos.

As metas de emissão são

consideradas o elemento

central do programa Renova-

Bio, já que determinarão o

grau de incentivo à produção

de biocombustíveis. Para garantir

essa redução de 7%, o

ministério avaliou que, em

2028, teriam que ser comercializados

79,7 milhões de

Agrishow

bilhões,159 mil visitantes

qualificados do Brasil e do exterior

que conheceram diversas

novidades e lançamentos

de mais de 800 marcas nacionais

e internacionais. A

próxima edição da Agrishow

será promovida de 29 de abril

a 3 de maio de 2019.

Maior produtora

na gasolina do país, há mais

de uma década, sob o Padrão

de Combustível Renovável.

A mudança destaca

as diferentes atitudes tomadas

pelos principais fabricantes

de biocombustíveis

em meio a um cenário de

lucros menores, excesso de

oferta e pressão do lobby

de petróleo contra o programa

de biocombustíveis

dos EUA.

certificados de biocombustíveis,

os CBios que serão vendidos

pelos produtores às

distribuidoras em bolsa. O

preço oscilará conforme oferta,

demanda e atuação de

players financeiros. Uma das

hipóteses trabalhadas é de

um preço de R$ 34 por tonelada

em 2028, conforme valores

esperados para 2020

no mercado internacional de

carbono e um câmbio de R$

3,40. Isso significaria que o

mercado de CBios poderia

movimentar R$ 2,71 bilhões

em 2028.

Liderança

Com a queda dos preços do

açúcar, as usinas do Brasil

têm ampliado as apostas no

etanol, mais rentável no

momento, o que deverá

levar o país a perder a liderança

na produção mundial

para a Índia. Conforme estimativa

da consultoria FG/A,

de Ribeirão Preto (SP), a

migração para o etanol e o

clima seco, que atualmente

afeta a moagem de cana no

WABCG

Centro-Sul, farão que a produção

brasileira de açúcar

caia 7 milhões de toneladas

em 2018/19, para 31,5 milhões

e a produção indiana

deverá registrar leve expansão

para 33 milhões de toneladas.

Se confirmadas

essas previsões, será a primeira

vez que o Brasil perderá

o posto de maior

produtor global de açúcar

desde 2001.

Exportação

A participação do Brasil nas

exportações globais de açúcar

pode cair de mais da

metade para cerca de um

terço do comércio na safra

mundial 2017/18, resultado

de uma menor produção no

país e do incremento de

oferta em todos os principais

concorrentes, de acordo

com dados da INTL

FCStone. O excedente exportável

de açúcar do Brasil

deve alcançar 22,2 milhões

de toneladas na temporada

vigente, o que representaria

35,46% do total previsto

mundo afora. Com grandes

safras, União Europeia e Tailândia

devem tomar espaço

das exportações do Brasil,

que no ciclo passado contou

com um excedente exportável

maior, de 30 milhões

de toneladas, ou

52,54% do total no mundo.

O presidente da Organização de Plantadores de Cana

da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), Eduardo Vasconcellos

Romão, foi escolhido como o novo presidente

da Associação Mundial dos Produtores de

Açúcar de Beterraba e de Cana (WABCG) para um

mandato de três anos. Romão será o primeiro brasileiro

a ocupar cargo da entidade que representa 30 associações

mundiais 5 milhões de produtores das duas

culturas açucareiras e substituirá o atual presidente, o

francês Jean-Pierre Dubray.

Preços

Os atuais preços do açúcar

estão abaixo do custo

de produção para 90%

dos produtores globais e

deveriam alcançar algo

entre 15 a 16 centavos de

dólar por libra-peso para

que as usinas brasileiras,

que tem o menor custo de

produção, retomem alguma

rentabilidade, segundo

avaliação do Grupo

Tereos. Pressionadas pela

ampla oferta global, em

especial na Índia, Tailândia

e União Europeia (UE),

que devem registrar safras

recordes, as cotações

da commodity estão

atualmente no menor patamar

em anos na Bolsa

de Nova York.

Japão

Produtores de etanol do

Brasil podem perder uma

grande fatia em seu maior

mercado, o Japão, para o

agronegócio norte-americano,

depois de Tóquio se

inclinar à pressão do presidente

dos Estados Unidos,

Donald Trump. Até

recentemente, quase todo

o etanol usado para produzir

ETBE para o consumo

japonês vinha do Brasil,

cujo etanol à base de

cana-de-açúcar apresenta

menos emissões de dióxido

de carbono na comparação

com o biocombustível

dos EUA. Mas, em

meados de abril, o governo

do Japão afrouxou as

exigências de emissões

do ETBE. O Japão consome

quase 45% das exportações

de etanol do

Brasil, ou cerca de 800

milhões de litros por ano.

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