08 - Jornal Paraná Agosto 2018

LuRecco

OPINIÃO

Carros elétricos e modernidade

É preciso questionar se as

inovações vão resolver ou

apenas criar novos problemas

JOSÉ GOLDEMBERG (*)

Os aspectos positivos

da modernidade estão

ligados à ruptura do

pensamento medieval

e ao início de uma era em que o

pensamento científico e a razão

abriram novos horizontes para

o desenvolvimento da sociedade.

A Revolução Francesa e a

Revolução Industrial foram consequências

dessa ruptura.

Desde então, modernidade passou

a ser considerada símbolo

do progresso, o que não só é incorreto,

como perigoso. O culto

da modernidade, que está em

voga, principalmente na área de

tecnologia, precisa ser analisado

criticamente. Um exemplo é

a área de comunicações, em

que computadores pessoais,

celulares e aplicativos revolucionaram

a natureza do que se entende

por privacidade, comunicação

e democracia. Outro é o

da energia, em que a substituição

de combustíveis fósseis parece

inevitável.

Em cada área existem diferentes

caminhos que podem ser seguidos.

Alguns levam a fracassos

e outros, a sucessos. Essa

é a razão por que as opções que

se apresentam como modernizantes

devem ser submetidas a

uma análise crítica para evitar

equívocos. O custo de decisôes

inadequadas pode ser imenso.

Um exemplo desse problema é

o que enfrentamos no que diz

respeito ao futuro do sistema de

transporte urbano e do automóvel.

Até o fim do século 19,

transporte individual ou coletivo

era feito por cavalos ou por veículos

puxados por animais.

Havia em Nova York 150 mil cavalos,

que poluíam a cidade

com mil toneladas de estrume

por dia, tornando-a intransitável.

Locomotivas a vapor da água

fervente - como nas “marias-fumaça”

do passado - começaram

a circular na Inglaterra em

1804 e seu uso logo se espalhou

pelo mundo, com estradas

de ferro cobrindo a Europa e

abrindo o oeste dos Estados

É um exemplo típico em que

“modernização” tem mais que

ver com a promoção de interesses

comerciais do que com a solução

real de um problema.

Unidos à colonização. O uso de

máquinas a vapor para substituir

cavalos nas carruagens foi

tentado, mas não se mostrou

prático. Tentou-se usar baterias

elétricas - como as usadas hoje

-, mas a autonomia dos automóveis

era muito limitada.

O grande avanço veio com os

motores inventados por um engenheiro

alemão, Nikolaus

Otto, no fim do século 19. Nesses

motores, um combustível -

pó de carvão, etanol ou gasolina

- explode dentro de um cilindro,

e o movimento deste dá

origem à tração nas rodas do

veículo. O extraordinário sucesso

da invenção abriu caminho

para a era do automóvel, cuja

fabricação em série por Henry

Ford levou à redução de custos

e popularização. Existe quase 1

bilhão de automóveis no mundo.

Tal quantidade de veículos deu

origem a problemas de poluição,

como a emissão de óxido

de enxofre, particulados e outros

responsáveis pela degradação

da qualidade do ar e aquecimento

global, resultado inevitável

da queima de combustíveis

fósseis derivados do petróleo.

É por isso que surgiram ideias

de abandonar motores de combustão

interna e voltar aos automóveis

elétricos. Para isso seria

necessário melhorar o desempenho

das baterias, o que

de fato foi feito, mas não o suficiente.

Mesmo usando as melhores

baterias de lítio existentes

são necessárias centenas de

quilos delas para garantir a autonomia

que um tanque de 60

litros de gasolina/etanol oferece.

Os prefeitos das grandes cidades

adoram a ideia da adoção

de automóveis elétricos porque

são silenciosos e não poluem

as cidades. Mas, a eletricidade

necessária para carregar as baterias

continua a poluir o ambiente

onde ela é produzida

(queimando carvão na maioria

dos países).

Do ponto de vista da redução da

poluição global (da emissão de

gases responsáveis pelo aquecimento

global), automóveis

elétricos são uma falsa solução.

É um exemplo típico em que

“modernização” tem mais que

ver com a promoção de interesses

comerciais do que com a

solução real de um problema.

Já houve outras “inovações” na

área automobilística em torno

das quais foram criadas grandes

expectativas, mas se mostraram

inviáveis ou problemáticas,

como o uso de hidrogênio

para substituir a gasolina.

É preciso, pois, perguntar quais

problemas as inovações vão

resolver e verificar se elas não

estão só criando novos problemas

e produtos desnecessários,

cujo consumo é introduzido

por motivos mercadológicos.

Essa é uma das razões

por que reduzir o Imposto de

Importação de veículos elétricos

no Brasil não faz sentido.

Do ponto de vista de promover

a redução das emissões de gases

responsáveis pelo aquecimento

global, mais eficiente é

o uso de etanol nos motores de

combustão interna.

Há outras áreas em que distorções

“modernizantes” se verificaram,

como usar energia nuclear

em grandes aviões ou viagens

interplanetárias e a conquista

de Marte. Estabelecer

uma colônia humana na Lua ou

em Marte não vai contribuir para

resolver os séros problemas de

poluição e pobreza que temos

na Terra. E distrai os governos

de fazer o que é necessário para

resolvê-los

(*) Professor Emérito e ex-reitor

da Universidade de São Paulo

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Jornal Paraná


INVESTIMENTO

“Caminhos Alternativos”

ganha fôlego

Governo do Paraná vai investir R$ 11,6 milhões na construção

de três trincheiras no acesso a usinas sucroenergéticas

OGoverno do Paraná

vai investir R$ 11,6

milhões na construção

de três trincheiras

no acesso para usinas sucroalcooleiras

na região Noroeste

do Paraná. A autorização

para contratação das

obras foi dada pela governadora

Cida Borghetti no último

dia 26/6, no Palácio Iguaçu. O

investimento será feito por

meio do Departamento de Estradas

de Rodagem do Paraná

(DER-PR). A previsão é de que

as obras sejam iniciadas em

breve.

Criado em 2013, o projeto

“Caminhos Alternativos” é

uma iniciativa dos produtores

de açúcar e álcool do Paraná e

tem como objetivo criar uma

rota de estradas secundárias

para os caminhões que transportam

cana-de-açúcar, tirando

o trânsito pesado das estradas

pavimentadas e dando

maior segurança aos seus

usuários. Por serem veículos

grandes, deixam o trânsito nas

rodovias convencionais mais

lento e mais arriscado.

As obras, afirmou a governadora,

vão garantir mais segurança

ao tráfego e contribuir

com o desenvolvimento socioeconômico

da região. “São

obras importantes, que vão

melhorar e dar mais segurança

aos trabalhadores e agilizar

o escoamento dos produtos”,

disse ela.

Segundo o secretário de Infraestrutura

e Logística, Abelardo

Lupion, “com essas

trincheiras tiramos das estradas

os caminhões. Isso proporciona

maior durabilidade

ao pavimento rodoviário, mais

segurança aos usuários e agiliza

o movimento da produção

das usinas”, disse.

Para o presidente da Alcopar,

Miguel Tranin, essas obras

vão viabilizar o transporte de

cana. “O objetivo é tornar o

trajeto mais curto e rápido, reduzindo

custo de produção e

melhorando estradas municipais

e estaduais para todos

os paranaenses”, afirmou,

ressaltando a iniciativa que a

governadora Cida Borghetti e

do secretário de Infraestrutura

e Logística tiveram ao dar sequencia

ao projeto que beneficia

a toda comunidade. “É o

reconhecimento da importância

das obras e do setor para

a economia do Paraná”.

Tranin enfatizou que “não são

apenas os caminhões canavieiros

que utilizarão essa estrutura,

mas servirá também para

Serão destinados R$ 3,37 milhões para a

construção de uma trincheira na PR-492

com 650 metros de extensão na região do

Rio Ivaí, município de Rondon. Para o prefeito

da cidade, Ailton Valloto, o principal benefício

será a segurança. “Com a trincheira,

o acesso à usina não será mais pela rodovia,

o que aumenta a segurança. Esperamos

muito tempo por essa obra”, disse.

o escoamento da safra de outras

atividades agrícolas e passagem

de todo tipo de veículo,

até ambulâncias e ônibus escolares,

o que dá uma dimensão

dos benefícios que serão gerados

a toda a população”.

Objetivo é criar uma

rota de estradas que

transportam cana

Obras beneficiam toda comunidade

Serão aplicados R$ 3,9 milhões na execução

da trincheira de 620 metros em Ivaté,

na PR-082, na divisa com Icaraíma. O prefeito

Univaldo Campaner disse que a nova

trincheira ajudará a atrair mais empresas,

melhorando o desenvolvimento da região.

Já para a estrutura de 700 metros, entre Paranacity

e Paranavaí, na PR-464, serão investidos

R$ 4,34 milhões. A prefeita de

Paranacity, Sueli Wanderbrook, disse que a

obra é um sonho antigo da comunidade.

“Vamos diminuir os acidentes, que são

constantes na região. Esse é um momento

único que trará mais tranquilidade e segurança

à população”, afirmou a prefeita.

Jornal Paraná 3


INVESTIMENTO

Usinas têm investido há anos

Na época em que foi criado o

projeto “Caminhos Alternativos”,

havia a perspectiva de

crescimento do setor sucroenergético

em 10% ao ano,

acompanhando a expectativa

de aumento da frota de veículos

no Brasil na mesma proporção.

Daí a preocupação

em tirar das estradas pavimentadas

os caminhões que

transportam cana da lavoura

para a indústria, explica o presidente

da Alcopar, Miguel

Tranin.

Um levantamento feito sobre

as demandas em todas as regiões

onde as unidades industriais

do setor estão localizadas

apontou uma série de

obras a serem realizadas entre

intersecções (rotatórias),

passagens simples, pontes,

trincheiras, balsas e adequação

de estradas, somando

um investimento de R$ 426

milhões na época, sendo que

R$ 210 milhões seriam investidos

pelo setor privado e o

restante pelo governo do Estado.

O convênio, de parceria público-privada,

foi firmado em

2014 entre o governo do Paraná,

115 municípios e as

unidades industriais do setor

sucroenergético do Estado,

através da Alcopar. Só em

projetos foram gastos mais

de R$ 10 milhões pelas usinas,

que há muitos anos são

parceiras dos municípios na

manutenção das vias públicas.

Anualmente, segundo a Alcopar,

as usinas paranaenses

destinam dezenas de milhões

de reais apenas para conservar

as estradas municipais e

estaduais por onde é feito o

escoamento de cana. E em

alguns casos, empresas vão

além e bancam a construção

de trincheiras, pontes e trevos

para facilitar o tráfego e evitar

o risco de acidentes.

Só a Usina Santa Terezinha de

Iguatemi investiu na época R$

364 mil na construção de

duas trincheiras na BR-376 e

PR-552, além de dois aterros

e a terraplanagem, cascalhamento,

sinalização e construção

de canaletas e estrutura

para escoar a água da chuva

em 16,5 km de estradas.

Com isso foi possível retirar

95% da frota da unidade de

Iguatemi das rodovias, segundo

cálculo da diretoria da

usina. Em 2017, a Usina investiu

outros R$

2.173.681,01 em construções

e manutenções de estradas

rodoviárias no Paraná

e Mato Grosso do Sul.

A Destilaria Melhoramentos,

de Jussara, construiu um

pontilhão de 500 metros de

extensão sobre a rodovia PR

323 que liga Maringá a Cianorte,

para dar maior segurança

e facilitar a passagem

dos treminhões carregados

de cana que diariamente cruzam

a rodovia que divide ao

meio a fazenda da Companhia,

no município de Terra

Boa, além da construção de

uma ponte de 45 metros de

extensão sobre o Rio dos Índios

para permitir o escoamento

de 300 mil toneladas

de cana da Fazenda Divisa,

propriedade da Companhia

Melhoramentos Norte do Paraná,

controladora acionária

da destilaria.

A Usina Alto Alegre, sediada

em Colorado, também investiu

na readequação de vários

acessos, entre outras obras.

Isso para citar o trabalho de

apenas algumas usinas.

4 Jornal Paraná


SAFRA

Seca prejudica canaviais no Paraná

Perspectiva é de redução da

produção devido à falta de chuva

e envelhecimento das lavouras

MARLY AIRES

Com as duas estiagens

prolongadas

deste ano, além do

envelhecimento do

canavial, o Estado do Paraná

já estima uma redução maior

da safra de cana-de-açúcar

do que estava previsto inicialmente.

Desde o início do ano,

a Alcopar já vinha trabalhando

com a perspectiva de uma

produção menor de cana-deaçúcar,

36,763 milhões de toneladas,

na safra 2018/19 em

relação as 37,047 milhões de

toneladas moídas na safra

2017/18 no Estado. No segundo

levantamento, feito em

maio, comenta o presidente

da Alcopar, Miguel Tranin, a

perspectiva oficial se manteve,

mas o mercado acredita

que esse número pode ser

menor.

O canavial continua envelhecido

e o percentual de renovação

ficou aquém do considerado

ideal, situação que tende

a piorar com as estiagens sequenciais

que têm dificultado

o plantio e a reforma

Jornal Paraná 5


SAFRA

das lavouras. Também,

os canaviais paranaenses têm

sofrido bastante com a falta de

chuva, prejudicando a produtividade

e o crescimento vegetativo

da próxima safra. Do início

de abril a meados de maio

foram em média 40 dias sem

chuva e agora já foram mais

de 30 dias. E o pior, as chuvas

ocorridas no intervalo foram

localizadas e em baixo volume,

não atendendo a demanda

das lavouras.

A estiagem tem provocado

outra situação que preocupa

que é a antecipação da safra,

com a colheita ocorrendo em

ritmo acelerado. “Num primeiro

momento, o tempo mais

seco favoreceu a maturação

da cana, concentrando mais

açúcar, mas a colheita acelerou

tanto que possivelmente

as usinas terão que reduzir a

velocidade da moagem para

não colher cana fora do período

ideal de desenvolvimento

e maturação”, afirmou Tranin.

Até o dia 15 de julho já tinha

sido esmagado 45,1% do total

esperado, 16,588 milhões de

toneladas de cana-de-açúcar,

no acumulado da safra atual,

contra 13,735 milhões de toneladas

registradas no mesmo

período do ano anterior,

20,8% a mais.

A quantidade de Açúcares Totais

Recuperáveis (ATR) por

tonelada de cana no acumulado

da safra 2018/19 ficou

4,3% acima do valor observado

na safra 2017/18, totalizando

135,48 kg de ATR/t de

cana, contra 129,94 kg ATR

observados na safra passada.

Com isso, a produção de açúcar

no período totalizou

947.421 toneladas, 36,6%

dos 2,588 milhões de toneladas

esperados. A nova perspectiva

de produção é 11,4%

menor em relação safra anterior

(2,921 milhões/ton) e

9,1% a menos em relação à

primeira estimativa (2,848 milhões/ton).

Já com relação ao etanol foram

industrializados 732,12

milhões de litros, 70,4% a

mais do que no mesmo período

do ano passado, sendo

255,17 milhões de anidro e

Centro-Sul sofre com clima

A moagem de cana no Centro-

Sul do Brasil deve alcançar

573,9 milhões de toneladas na

safra 2018/19, o menor volume

desde 2014/15, projetou

recentemente a INTL FCStone,

citando o tempo seco e o envelhecimento

dos canaviais como

razões para esse cenário.

A quantidade, caso se confirme,

ficaria abaixo dos 596,3

milhões de toneladas do ciclo

2017/18, além de representar

um corte em relação à estimativa

anterior da consultoria, de

587,7 milhões de toneladas.

As previsões da produção na

região, entretanto, têm variado

muito (ver quadro).

“É indiscutível que o tempo

seco de fato afetou significativamente

as lavouras do Centro-Sul.

Entre os meses de fevereiro

e junho, a precipitação

sobre o cinturão canavieiro registrou

378 mm, 31,4% abaixo

do ano passado e 33,4% a

menos do que a média histórica”,

comentou o analista de

mercado da INTL FCStone,

João Paulo Botelho, em nota.

Ele ponderou, contudo, que a

falta de chuvas “não está espalhada”

por todo o Centro-

Sul. “A seca se concentra nos

Estados de São Paulo, Paraná

e Mato Grosso do Sul. Embora

sejam responsáveis por 73%

da área projetada, a quebra

dentro desses estados também

não é generalizada.

A consultoria alertou que o envelhecimento

dos canaviais,

após anos de dificuldades financeiras

entre as usinas,

também responde pela perspectiva

de baixa produtividade.

Na atual safra, a idade média

das plantações é de 3,7 anos,

contra 3,3 anos em 2014,

quando outra forte seca afetou

o Centro-Sul.

476,95 milhões de litros de hidratado.

A produção total esperada

foi revista de 1,176 bilhão

de litros de etanol total

para 1,336 bilhão, 13,5% a

mais que a previsão inicial e

Do total da oferta de cana

desta safra, cerca de 60%

seria para a produção de etanol,

28,2 bilhões de litros

(contra 25,6 bilhões na temporada

anterior). A fabricação

de etanol hidratado deve ser

recorde, 18,8 bilhões de litros,

e 9,5 bilhões de anidro,

misturado à gasolina. Também

é esperada a produção

de 1,1 bilhão de litros de etanol

de milho, mais que o dobro

ante 2017/18.

Quanto ao açúcar, a INTL

FCStone prevê a produção de

30,4 milhões de toneladas

nesta safra no Centro-Sul,

contra 36,1 milhões no ano

5,7% maior que a produção

do ano passado, 1,264 bilhão

de litros. Desse total, 576,16

milhões de litros são de etanol

anidro e 759,33 milhões são

de hidratado.

passado. A menor produção

de açúcar no Centro-Sul do

Brasil deve ser compensada

pelo aumento da de outros

países, levando a superávits

nas safras globais 2017/18,

que se encerra em setembro,

e 2018/19, respectivamente

10,8 milhões de toneladas e

7 milhões.

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EVENTO

Canavial é foco de Estação Conhecimento

Objetivo é entender os desafios do campo e desenvolver as

melhores estratégias de manejo para altas produtividades

Com o objetivo de ajudar

a aumentar os

patamares de produtividade

do canavial

no Paraná, a empresa Syngenta

promoveu a Estação

Conhecimento 2018 na Estação

Experimental da Universidade

Federal do Paraná, em

Paranavaí, no período de 19 a

21 de junho, com a participação

de engenheiros agrônomos,

diretores, gerentes e técnicos

agrícolas das unidades

industriais sucroenergéticas

do Estado.

Segundo Adriano Mastro, da

Syngenta, esta foi uma oportunidade

para transmitir informação

técnica de qualidade

sobre as principais inovações

e apresentar as melhores tecnologias

e soluções para a cana-de-açúcar,

levando as lavouras

a alcançarem novos

patamares produtivos.

Dentre os pontos abordados

estavam planejamento varietal,

meiosi, revitalização, manejo

de maturadores, controle

das principais pragas e doenças,

manejo de plantas daninhas

e outros.

Segundo Mastro, existem vários

fatores que influenciam a

produtividade das culturas e

conhecer cada um deles é o

objetivo principal das Estações.

“É um treinamento

abrangente, em que nossas

equipes e parceiros são capacitados

para oferecer uma assistência

técnica diferenciada

que, ao associar tecnologias

de sementes e proteção de

cultivos, disponibiliza aos

clientes o suporte necessário

para extraírem o máximo potencial

dos cultivos”, ressaltou.

A Estação do Conhecimento é

um encontro lançado em

2017 pela Syngenta, contemplando

as culturas de soja,

milho verão, trigo, arroz, feijão,

cana-de-açúcar, café e amendoim.

As reuniões são realizadas

em espaços montados no

campo que servem para capacitar

técnica e comercialmente

os participantes nas principais

tecnologias da Syngenta,

abordando diversos segmentos

do agronegócio: sementes,

tratamento de sementes,

herbicidas, inseticidas e fungicidas.

“Buscamos entender os

desafios do campo e desenvolver

as melhores estratégias

de manejo para altas produtividades”,

finalizou.

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GERAL

E-social e Reforma Trabalhista são temas de palestras

O evento foi realizado pelos Comitês

de RH e de Segurança, Saúde e Meio

Ambiente do Trabalho, da Alcopar

Num trabalho conjunto

do Comitê de Recursos

Humanos (RH) e

do Comitê de Segurança,

Saúde e Meio Ambiente

do Trabalho, da Alcopar, foi realizado

dia 27/6 uma reunião

técnica com os profissionais

das usinas paranaenses. Os

temas das palestras foram e-

social e as mudanças ocorridas

com a Reforma Trabalhista, ministradas

pelo gerente de RH

Waldomiro Baddini, pelo supervisor

de Administração de Pessoal,

Fernando Medeiros, e pelo

gerente Jurídico e de Segurança,

Henrique Wiliam Bego

Soares, todos colaboradores da

Usina Santa Terezinha.

Na abertura do evento, o coordenador

do Comitê SSMAT,

Wesley Martins de Lima, engenheiro

de Segurança do Trabalho

da Cooperval, de Jandaia

do Sul, falou sobre os 10

anos do comitê e a importância

do trabalho conjunto com

o Comitê de RH ao longo dos

anos.

O gerente de RH Waldomiro Baddini, da Santa Terezinha, foi um dos palestrantes

Com relação ao e-social, ou

Sistema de Escrituração Digital

das Obrigações Fiscais,

Previdenciárias e Trabalhistas,

instituído pelo Decreto nº

8373/2014, os palestrantes

falaram sobre suas experiências

e fizeram uma contextualização

das principais mudanças

ocorridas, os prazos e

as demandas criadas com a

obrigatoriedade do novo sistema

de registro criado pelo

Governo Federal, que começou

a ser implantado oficialmente,

em janeiro de 2018,

após várias prorrogações.

Por meio desse sistema, os

empregadores passaram a

comunicar ao Governo, de

forma unificada, as informações

relativas aos trabalhadores,

como vínculos, contribuições

previdenciárias, folha

de pagamento, aviso prévio,

escriturações fiscais e informações

sobre o FGTS.

Outro ponto abordado foi a

implantação da próxima etapa

do e-social, a partir de 2019,

sobre como proceder com relação

às informações sobre

Segurança e Medicina do Trabalho.

Todas as empresas

terão que repassar as comunicações

de acidente de trabalho

através do sistema,

tendo que se adequar dentro

do prazo, sob risco de multas.

O evento foi finalizado com a

palestra sobre as mudanças

ocorridas com a Reforma Trabalhista.

Amigo do Inverno aquece mais de 2 mil pessoas

Campanha do agasalho da Santa Terezinha arrecadou quase 20 mil peças de

roupa e beneficiou famílias em 18 localidades do Paraná e Mato Grosso do Sul

A Usina Santa Terezinha envolveu

todas as unidades produtivas,

escritório corporativo e

terminal logístico no projeto

Amigo do Inverno. A iniciativa

é realizada desde 2013 com o

objetivo de arrecadar roupas e

outros bens de consumo para

doação, além de estimular o

envolvimento dos colaboradores

em ações voluntárias.

Assim como nos últimos anos,

o projeto superou as expectativas

e bateu recordes de arrecadação

e engajamento. A

ação envolveu a Campanha do

Agasalho e uma Gincana Solidária

com arrecadação de roupas,

cobertores, alimentos e

fraldas geriátricas. Além de

mutirões para doações de sangue

e da organização de trabalhos

voluntários. Nas unidades

produtivas, a campanha foi realizada

também em parceria

com o Senar, envolvendo os jovens

participantes do AAJ

(Aprendizagem de Adolescentes

e Jovens) no voluntariado,

na arrecadação e distribuição

de roupas.

Em 2018, o projeto Amigo do

Inverno ajudou a aquecer o coração

de mais de 2 mil pessoas

em 18 municípios e

distritos do Paraná e Mato

Grosso do Sul, beneficiando 32

instituições e projetos sociais

que atendem crianças, idosos,

pessoas em situação de rua,

dependentes químicos e famílias

em situação de vulnerabilidade

social.

“Mais do que arrecadar bens,

o projeto tem o objetivo de despertar

o senso comunitário e

de solidariedade entre os colaboradores

da usina. E nós

vemos esse resultado aparecendo

a cada ano, já que,

desde a primeira edição, o projeto

supera as metas de arrecadação

e vem aumentando o

número de doações e o nível

envolvimento entre os colaboradores”,

explica Solange Gil de

Azevedo, responsável pela coordenação

do projeto.

O projeto arrecadou, em todas

as unidades, 19.999 peças de

roupa, 817 cobertores, 384

fraldas geriátricas e 1.217 Kg

de alimento. Também foram organizadas

três ações voluntárias

com mais de 300

beneficiados e 57 doações de

sangue, que poderão salvar a

vida de até 228 pessoas.

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FENASUCRO

Feira prevê R$ 4 bilhões em negócios

Movimentação é 7% maior do que na

edição anterior, e espera cerca de 40

mil visitantes de mais de 40 países

DA ASSESSORIA

DE COMUNICAÇÃO

de público que deve ser 8%

maior que 2017.

A26ª Fenasucro &

Agrocana, que acontece

de 21 a 24 de

agosto de 2018, terá

a presença de novos perfis de

compradores que, junto com

toda a cadeia produtiva sucroenergética,

impactarão positivamente

na geração de negócios

deste ano. A expectativa é

que o movimento financeiro

cresça 7% em relação ao ano

passado, chegando a R$ 4 bilhões.

Além do setor canavieiro, a

feira receberá visitantes das

áreas de Transporte e Logística,

Alimentos e Bebidas,

Biodiesel e Papel e Celulose

com produtos comerciais e

eventos de conteúdos específicos

para estes nichos de

mercado. O otimismo também

reflete na movimentação

Mais otimismo

Com um novo layout, a estrutura

da feira ganhou mais mil

metros quadrados de área

devido à chegada de 30 novas

empresas que serão abrigadas

em um pavilhão denominado

Agrotec. Este setor

dará acesso à área da Agrocana.

Durante o lançamento, realizado

dia 26 de junho, um contrato

entre os organizadores foi

assinado mantendo a realização

da feira por mais 10 anos

em Sertãozinho (SP).

Em 2018 a novidade é a Arena

Fenatran, focada no transporte

e logística rodoviária de cargas.

Esta área contará com a presença

das principais marcas

mundiais montadoras de caminhões

- como Mercedes,

Man, Ford e Volkswagen.

O presidente do Ceise Br, Aparecido Luiz, aponta que este

ano, a Fenasucro & Agrocana acontece num cenário mais

otimista para o setor sucroenergético. "Se em 2017 tínhamos

expectativas acerca da consolidação da Política

Nacional de Biocombustíveis, em 2018 ela já é uma realidade.

Embora o RenovaBio ainda esteja em fase de regulamentação,

agora conseguimos enxergar um norte

para a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, em especial

para a indústria de base, tão prejudicada com as crises

econômica e setorial dos últimos anos", afirma.

E como a feira reúne todos os elos do setor, destaca o

presidente do Ceise Br, ela poderá ser o termômetro para

este seu novo momento, “trazendo possibilidades não só

para o etanol, açúcar e energia, mas para todas as áreas

correlatas, favorecendo diversificação e ampliação de

mercados, bem como o estímulo à inovação e aumento

de produtividade, o que irá, assim, estimular a competitividade

da indústria nacional”.

"É sempre bom lembrar que

30% do valor do produto final

no setor sucroenergético vêm

de transporte e logística. Na

feira, apresentamos tecnologias

e novidades que efetivamente

colaboram na melhora

do preço tanto do açúcar

quanto de etanol e de produtos

correlatos do setor sucroenergético.

É o consumidor quem

será beneficiado", explica o gerente

de Produto da feira Paulo

Montabone.

Outro fator que reforça as boas

expectativas da Fenasucro &

Agrocana é o Renovabio, programa

do governo federal já em

vigor que impulsionará a produção

de etanol de 30 para 50 bilhões

de litros por safra, além

da regulamentação que já elevou

para 10% o percentual de

mistura de biodiesel no diesel

comum vendido ao consumidor.

Tudo isto, segundo Montabone,

incentiva novos investimentos

para a manutenção e

até mesmo a criação de novas

usinas para o atendimento das

demandas estabelecidas pelo

programa. A bioenergia também

alavanca o setor com a

valorização da biomassa para a

produção de bioeletricidade.

Novidade nas Rodadas de Negócios

Neste ano, a novidade é a rodada

de negócios especialmente

voltada ao setor agrícola com

foco no público brasileiro. As

rodadas nacionais e internacionais

que já acontecem regularmente,

com foco na indústria,

também estão confirmadas. A

expectativa é que somente as

rodadas nacionais gerem mais

de R$13 milhões em negócios.

Até o momento, a Fenasucro &

Agrocana já está com 24 delegações

confirmadas. Dentre

elas, o maior poder de compra

está concentrado no Sudão.

"Está havendo um intercâmbio

técnico-industrial entre o Brasil

e este país africano para a montagem

de usinas. Os sudaneses

vêm para o evento em busca de

tecnologias para esta finalidade".

A expectativa é que a feira

receba visitantes de mais de 40

países.

A Fenasucro & Agrocana também

é referência na capacitação

técnica dos profissionais

do setor sucroenergético. Nesta

edição, a carga horária da programação

está 16% maior, resultando

em mais de 350 horas

de atividades. O Espaço de

Conferência contará com quatro

auditórios, sendo três voltados

para os assuntos industriais

e um para os temas agrícolas.

De acordo com a organização

da feira, 6 mil pessoas

devem participar dos eventos

de conteúdo nesta edição.

A Fenasucro & Agrocana acontece

no Centro de Eventos Zanini,

em Sertãozinho. Os eventos

de conteúdo acontecem a

partir das 8h até 18h. A visitação

na plataforma comercial é

das 13h às 20h. O credenciamento

de visitantes pode ser

feito pelo site www.fenasucro.

com.br. A feira é uma realização

do Ceise Br (Centro Nacional

das Indústrias do Setor Sucroenergético

e Biocombustíveis),

organizada e promovida pela

Reed Exhibitions Alcantara Machado.

Jornal Paraná 9


DOIS

PONTOS

A desaceleração do consumo

e o aumento da produção devem

fazer com que o açúcar

tenha um dos piores desempenhos

da história. Os estoques

globais estão aumentando

e podem quebrar um

recorde. O consumo mundial

ainda cresce, 1,4%, mas num

ritmo muito abaixo do ideal

para atender o mercado produtor

e dos quase 2% da última

década. A produção

cresce na Índia, segundo

maior produtor mundial e na

Açúcar

Tailândia, que teve uma safra

excepcional neste ano. A produção

global deve superar a

demanda em 19,6 milhões de

toneladas nos 12 meses

completados em 30 de setembro,

o maior excedente da

história, segundo a consultoria

Green Pool Commodity

Specialists, em um relatório

divulgado no fim de junho. O

excesso seria mais que suficiente

para atender a demanda

anual da China, maior

importador mundial.

Gene-chave

Quebrar a limitação física no

crescimento do caule da cana-de-açúcar,

de forma substancial,

pelo melhoramento

convencional da cultura tem

sido difícil. Um estudo feito

durante um projeto vinculado

ao Programa FAPESP de Pesquisa

em Bioenergia, foi

constatado que o gene chamado

ScGAI é um regulador

molecular chave do crescimento

e desenvolvimento da

cana. Ao manipular a atividade

desse gene em linhagens

transgênicas de cana,

desenvolvidas na Austrália,

foi possível aumentar substancialmente

o colmo e causar

mudanças na alocação de

carbono para moléculas estruturais

e de armazenamento

do cultivar, revelaram os pesquisadores

em um artigo publicado

no Journal of Experimental

Botany.

2ª Geração

A produção do etanol de segunda geração ou etanol celulósico,

obtido a partir da palha e do bagaço da cana,

pode aumentar em até 50% a produção brasileira de álcool.

Para tanto, o país possui a melhor biomassa do planeta,

a capacidade industrial instalada, a engenharia

especializada e a levedura adequada. Só falta completar

a composição do coquetel enzimático capaz de viabilizar

o processo de sacarificação, por meio do qual os açúcares

complexos são despolimerizados e decompostos em

açúcares simples. Compor uma plataforma microbiana

industrial para a produção do conjunto de enzimas necessárias

é o alvo de pesquisas avançadas na área.

Trabalhadores

Biocombustíveis

O volume de combustíveis renováveis

convencionais como

etanol de milho foi mantido

em 15 bilhões de galões

(56,8 bilhões de litros). O volume

de biodiesel para 2019

também ficou inalterado ante

a exigência para 2018, em

2,1 bilhões de galões (7,95

A cadeia sucroenergética nacional,

importante setor do

agronegócio e da economia

brasileira, passou por diversas

transformações nos últimos

anos, resultando em diferentes

efeitos sobre o mercado

de trabalho desse segmento.

Estudo realizado por

pesquisadores da Esalq/USP

e do Cepea (Centro de Estudos

Avançados em Economia

Aplicada) demonstram

que, ainda que o número de

trabalhadores no setor sucroenergético

tenha caído entre

2008 e 2016, a qualidade

dos empregos no setor cresceu

nesse período com trabalhadores

com maior escolaridade

e elevação significativa

dos salários reais

A Agência de Proteção Ambiental

dos Estados Unidos

propôs os volumes mínimos

de combustíveis renováveis

que refinarias do país devem

misturar a combustíveis fósseis

em 2019. O chamado

Padrão de Combustíveis Renováveis

para o ano que

vem prevê um aumento de

3% no volume total em relação

à exigência para 2018:

19,88 bilhões de galões

(75,2 bilhões de litros) de

etanol de milho e outros biocombustíveis,

o que representa

um aumento de 590

milhões de galões (2,2 bilhões

de litros) em relação à

exigência para este ano, de

19,29 bilhões de galões (73

bilhões de litros).

Padrão

bilhões de litros), mas passará

a 2,43 bilhões de galões

(9,2 bilhões de litros) em

2020. Houve aumento no volume

para biocombustíveis

avançados, como biocombustíveis

celulósicos e etanol

de cana-de-açúcar, que passou

de 4,29 bilhões (16,24

Qualidade

A cadeia sucroenergética tem

importante contribuição na geração

de renda e de empregos

detendo 3,2% do total de pessoas

ocupadas no agronegócio

em 2017, de acordo com o

Cepea. A atividade também

apresenta alto nível de formalização

dentro do agronegócio,

abrangendo 8% de todos os

empregos com carteira assinada

do setor no mesmo ano.

Enquanto na atividade agrícola

da cultura de cana 80% das

pessoas ocupadas são empregadas

com carteira assinada,

para a agricultura brasileira de

modo geral essa taxa é de apenas

17%. Na agroindústria da

cana (usinas de açúcar e etanol),

95% dos ocupados são

empregados com carteira assinada,

enquanto para a agroindústria

em geral esse

percentual é de 58%. No agronegócio

como um todo, apenas

36% das pessoas ocupadas

possuem carteira assinada. Tal

resultado é um indicador do

nível de qualidade mais elevado

dos empregos gerados pela atividade

sucroenergética.

bilhões de litros) para 4,88

bilhões de galões (18,5 bilhões

de litros). Dentro dos

avançados, o volume exigido

de biocombustíveis celulósicos

passou de 288 milhões

(1,09 bilhão de litros) para

381 milhões de galões (1,44

bilhão de litros).

10 Jornal Paraná


Rota 2030

Biodiesel

O Rota 2030, nova política

do governo para desenvolver

o setor automotivo, promoverá

investimentos em pesquisa

e desenvolvimento no

País e vai fazer com que a inteligência

e o conhecimento

continuem no Brasil. Lançado

dia 5/7, vai dar incentivo

fiscal de R$ 1,5 bilhão

por ano para as montadoras,

que, em troca, terão de investir

R$ 5 bilhões em pesquisa

e desenvolvimento. O

programa foi feito para durar

15 anos, com renúncia fiscal

total de até 22,5 bilhões de

reais para os cofres públicos.

O programa, criado por

meio de Medida Provisória,

valerá a partir de 2019, com

créditos concedidos em cima

de investimentos feitos

neste ano.

O Ministério de Minas e Energia

publicou portaria que flexibiliza

a norma que autoriza

a mistura voluntária de biodiesel

no diesel de até 20%

no abastecimento de frotas

cativas e consumidores rodoviários

atendidos por ponto

próprio de abastecimento,

como transportadoras e empresas

de ônibus que têm os

próprios tanques de diesel.

Para uso agrícola, industrial e

ferroviário, a mistura pode ser

de até 30%. A mudança era

uma das demandas apresentadas

durante a greve dos caminhoneiros

e tem como

objetivo ampliar o consumo

de biodiesel. Os percentuais

não valem para os consumidores

comuns, que abastecem

em postos de combustível.

Para esses, a mistura

obrigatória de biodiesel no

diesel é de 10%.

Dependência

Bambu

Microrganismos

Um importante resultado acaba

de ser alcançado, com a

descoberta, no lago Poraquê,

na Amazônia, de microrganismos

capazes de produzir uma

enzima crítica para o êxito do

empreendimento. Isolada, caracterizada

e produzida, a enzima

mostrou-se compatível

com duas fases essenciais da

produção do etanol de segunda

geração: a fermentação e a

sacarificação. A realização simultânea

dessas duas etapas

oferece a perspectiva de uma

grande redução de custos

para a indústria sucroalcooleira,

uma vez que as reações

podem ocorrer em um único

reator e há economia de reagentes.

O estudo mobilizou

pesquisadores do Centro Nacional

de Pesquisa em Energia

e Materiais, da Petrobras, da

Universidade de São Paulo e

da Universidade Federal de

São Carlos, e contou com

apoio da FAPESP.

Não dá para imaginar o Brasil

se livrando totalmente da dependência

do diesel. O país,

porém, pode reduzir o peso

desse combustível na matriz

energética já a curto prazo. É o

que lideranças das indústrias e

associações de produtores de

biodiesel mostraram ao governo.

Hoje são 51 fábricas em diversas

regiões, e a capacidade

de industrialização está próxima

de 8,1 bilhões de litros.

As principais matérias-primas

da produção desse combustível

renovável são soja (75%) e

gordura animal (20%). Os outros

5% vêm de óleo utilizado

para frituras, além de óleos de

algodão, palma e canola. E a

abundância de matéria-prima

nacional permite evolução rápida

da produção de biodiesel.

Previsibilidade

O consumo anual brasileiro de diesel é de 55 bilhões de litros

- aí incluída uma mistura de 10% de biodiesel. Em uma década,

o consumo de diesel, mais o de biodiesel, será de 72

bilhões de litros. Desse volume, 14,4 bilhões poderão vir do

biodiesel, se a mistura, hoje em 10%, for a 20%. Mas o setor

precisa de previsibilidade e continuidade da política de mistura.

O setor propõe, ainda, um avanço contínuo do calendário

nacional de mistura do biodiesel ao diesel. No próximo

ano, a taxa subiria para 11%, chegando a 15% em 2023. E

quer ainda que um grupo de trabalho inicie testes para o uso

de 100% de biodiesel em diversos tipos de máquina, o que,

em pequena escala, já é feito na agropecuária.

El Niño

Uma refinaria de petróleo em

uma região da Índia mais famosa

pelas plantações de

chá espera dar nova utilidade

ao seu verde abundante. A

joint venture de US$ 200 milhões

da Numaligarh Refinery

com a firma de tecnologia

finlandesa Chempolis

vai esmagar bambu para

produzir 60 milhões de litros

de etanol por ano. O total é

suficiente para cumprir os requisitos

obrigatórios de mistura

com gasolina em toda a

região Nordeste do país.

Combinados, os oito estados

localizados no sopé do Himalaia

representam cerca de

dois terços da produção total

de bambu da Índia.

O Centro de Previsão do Clima

dos EUA emitiu um alerta para

El Niño no Pacífico equatorial, e

as chances pularam para 64%

de probabilidade de ocorrência

no período de dezembro a fevereiro.

A probabilidade era de

49% no relatório mensal publicado

pela agência em maio. As

condições agora são favoráveis

para o surgimento do El Niño

em algum momento nos próximos

seis meses. O fenômeno

que ocorrem quando o oceano

aquece e a atmosfera reage,

podem causar impactos profundos

no planeta e nos mercados

financeiros. Os invernos

com El Niño normalmente são

mais frios e tempestuosos no

sul dos EUA, chuvosos na Califórnia

e mais quentes na região

Noroeste Pacífico e nas Montanhas

Rochosas, no Norte. Na

América do Sul, o Brasil pode

registrar seca no Nordeste e

chuvas no Sul e a Argentina

pode registrar mais chuva. Não

há certeza de que o El Niño

ocorrerá. É necessário que a atmosfera

acima do Pacífico reaja

ao aquecimento da superfície,

o que ainda não aconteceu.

Jornal Paraná 11

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