10 - Jornal Paraná Outubro 2018

LuRecco

OPINIÃO

Será possível retomar o crescimento?

A vitória do reformismo traria

de volta certo crescimento,

e relativamente rápido

JOSÉ ROBERTO

MENDONÇA DE BARROS (*)

Todos que acompanham

o nosso dia a dia sabem

que as marcas

deste ano estão sendo

a surpresa e a incerteza. Conflitos

comerciais que atravessam

o globo, greve dos caminhoneiros

e a enorme incerteza política

acabaram por produzir uma

redução nas perspectivas de

crescimento.

Abrimos o ano já com alguma

desaceleração em relação a

2017, mas os fatores acima

mencionados levaram a uma

piora no desempenho e nas

projeções para o ano. Embora

seja claramente positivo que a

atividade tenha voltado a crescer

após a greve, o crescimento

do corrente exercício será modesto

(1,5% no máximo).

Assim, a pergunta central que se

faz é se existe possibilidade de,

findo o processo eleitoral, voltarmos

a ter melhoras em 2019.

Uma primeira parte da resposta

é, para mim, muito

clara: esta campanha caracteriza-se

por um embate entre

reformistas e populistas, sendo

que a novidade deste ano é

a emergência de um populismo

rombudo de direita. Isso

porque a eventual vitória de

uma das propostas populistas

irá produzir, inequivocamente,

uma piora significativa nas

principais variáveis econômicas.

No curto prazo, no caso

da esquerda, e um pouco mais

adiante se for a direita.

Entretanto, acredito que a vitória

do reformismo poderá trazer

de volta certo crescimento,

e relativamente rápido. Analisemos

por quê. Contados os

votos, veremos uma rápida

melhora nas expectativas e

uma queda bastante forte na

cotação do dólar frente ao real.

Projetar essa variável é sempre

uma tarefa inglória, mas

não é exagero imaginar um

número da ordem de R$ 3,60

por dólar.

É um exercício fútil imaginar

que se possa arrecadar trilhões

em pouco tempo. Ou falta

experiência de como funciona

o setor público.

Com isso, os efeitos secundários

da desvalorização cambial

vão desaparecer, e a inflação irá

se consolidar no patamar dos

4%, que resultará na manutenção

da Selic na faixa atual

(6,5%) por alguns meses, pelo

menos.

Além disso, o alívio do resultado

das eleições vai destravar vários

gastos empresariais no curto

prazo. Muita gente tem planos

que dependem apenas do cenário

político e que seriam postos

em marcha. Não falo de grandes

projetos (exceto no caso de petróleo),

mas do lançamento de

novos produtos, campanhas

de marketing, maior expectativa

de vendas para a temporada de

Natal e outros.

Por exemplo, a demanda de caminhões,

que vinha crescendo

desde o início do ano, se acelerou

após a greve de maio, uma

vez que muitas empresas decidiram

remontar um departamento

interno de transportes. A

despeito disso, novas encomendas

só estarão sendo atendidas

a partir do ano que vem,

porque as montadoras estão

hesitando em adicionar um novo

turno nas linhas de produção,

algo que ocorreria nesta

nova situação.

Embora essa melhora não

deva alterar substancialmente

a projeção do crescimento

para 2018, o resultado é que

viraremos o ano olhando para

cima e não para baixo. Aí vem

o jogo principal, o da agenda

das reformas. Aqui está em

questão o número de propostas

e seu desenho. Em muitos

casos, a estrutura dos projetos

é bastante clara, como a

criação do Imposto de Valor

Adicionado (IVA) em substituição

a IPI, ICMS, ISS, PIS e Cofins,

ou a unificação dos regimes

de aposentadoria e a elevação

da idade mínima para

requerer o benefício.

Daí porque a grande dúvida é a

chance de aprovação das reformas.

A experiência desde o

primeiro governo de Fernando

Henrique Cardoso é que, se o

Executivo se fixar em um número

pequeno de projetos,

mas intensamente defendidos

pelo novo presidente, sua aprovação

é possível, embora nunca

seja simples. É a estratégia

de “poucas e boas”. Se isso

ocorrer como me parece possível,

o caminho estará aberto

para a retomada de um crescimento

mais sustentável, embora

ainda inferior ao necessário

e possível para o Brasil.

O STF considerou constitucional

a terceirização, tanto de atividades

meio, quanto de atividades

fim, assim como já havia

feito ao validar o término do imposto

sindical. É mais um

exemplo da resistência à mudança

por parte de corporações

e cartórios. Entretanto, nesse

caso, as coisas estão caminhando

bem e já é possível

dizer que a Reforma Trabalhista

tem contribuído de forma decisiva

para a redução do conflito,

em favor de negociações.

Qualquer privatização bem

feita demora muito. Participei

de muitos processos, de 1993

a 1998. E isso inclui a venda

de imóveis públicos. É um

exercício fútil imaginar que se

possa arrecadar trilhões em

pouco tempo. Ou falta experiência

de como funciona o

setor público.

(*) Economista e sócio da MB

Associados

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TRANSPORTE

Tabelamento do frete

prejudica setor produtivo

Além do aumento dos custos e consequente inflação, a ação é inconstitucional

e os maiores prejudicados podem ser os consumidores e os caminhoneiros autônomos

Osetor sucroenergético,

o agronegócio

como um todo, a indústria,

os exportadores

e vários outros segmentos

têm se posicionado

contra o tabelamento do frete,

instituído por medida provisória

pelo presidente Michel Temer,

para por fim a greve dos

caminhoneiros em maio deste

ano.

Responsável por definir os

preços, a Agência Nacional

de Transportes Terrestres

(ANTT) publicou a primeira

tabela em maio. Com as críticas

dê todo setor produtivo,

que argumentava que os preços

haviam dobrado e que

havia varias distorções na tabela,

foi editada uma nova,

que, com a crítica dos caminhoneiros,

foi descartada e

voltou a vigorar os valores da

primeira. Diante da recente

alta do diesel, a tabela foi reajustada

e a ANTT quer aplicar

multas pesadas para

quem contratar frete por valor

abaixo do fixado. A proposta

está em audiência pública até

10 de outubro.

Como o País é altamente dependente

do modal rodoviário

para o escoamento de boa

parte de tudo o que produz, e

consome, o tabelamento tem

se tornado um grave problema

em algumas esferas da economia

e um duro golpe no

projeto brasileiro de voltar a

crescer, trazendo ainda insegurança

para a cadeia produtiva

e risco de aumento da

inflação e o aumento no desemprego.

A expansão do

Produto Interno Bruto (PIB)

desacelerou e a previsão para

o aumento neste ano recuou

de 2,7% para 1,4%.

O setor mais duramente afetado

pelo tabelamento, porém,

é o do agronegócio. As entidades

do setor apontam prejuízos

de milhões ou bilhões, dependendo

da cultura e da distância

da região produtora até o local

destinado, além de encarecer a

produção com o aumento dos

insumos.

Para a economia como um todo,

as perdas foram estimadas

em R$ 53 bilhões, segundo estudo

elaborado pela Fundação

Getúlio Vargas, mas associações

apontam aumento de

custos de R$ 73,9 bilhões sobre

o conjunto da economia,

mostrando que os efeitos negativos

sobre o setor produtivo

se mostram mais profundos

que o esperado.

Algumas empresas exportadoras

de grãos do Brasil avaliam

paralisar atividades se

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TRANSPORTE

Muitas empresas

estão adquirindo

frota própria

para resolver

o problema do

tabelamento

não forem tomadas

medidas para acabar com a tabela

de fretes mínimos rodoviários

que inviabiliza negócios e

resulta em custos adicionais

para o setor de pelo menos 5

bilhões de dólares ao ano, disse

um representante da Associação

Nacional dos Exportadores

de Cereais. As projeções

de exportação de milho, em

plena safra, já foram reduzidas

de 32 milhões de toneladas de

milho este ano para 20 milhões.

O cenário de incertezas e de

insegurança jurídica que prejudica

o planejamento do

agronegócio e da indústria poderia

ser solucionado pelo Supremo

Tribunal Federal.

Existem várias ações para que

a corte julgue se o tabelamento

fere a Constituição,

mas não há data para avaliar o

tema. Segundo o ministro Luiz

Fux, o STF deverá julgar os

questionamentos em plenário

o mais rápido possível.

Alcopar diz que medida foi “tiro no pé”

Em nome da Alcopar, o seu

presidente Miguel Tranim diz

que não há condições técnicas

para se praticar o tabelamento

uniformizante, num cenário

de excesso de caminhões,

falta de cargas, condições

desiguais de estradas e

de distâncias, necessidade de

completar viagens sem carga

de retorno, tipos de cargas e

as inúmeras outras especificidades

de cada setor e região

do Brasil.

Num País onde é comum

ocorrer a sonegação tributária,

que é muito mais grave,

como controlar o cumprimento

da tabela do frete, questiona

o presidente da Alcopar.

“Essa, no mínimo, deveria ser

baseada nas inúmeras especificidades

técnicas e realidade

de cada setor, caso

contrário, pode gerar problemas

futuros muito maiores”.

Tranin aponta, entretanto, que

a medida é inconstitucional

por ferir o direito de livre negociação

do frete rodoviário. Ao

longo dos anos, o mercado

vem operando em harmonia e

permanente adequação de

condições econômicas e operacionais

típicas de um mercado

de livre competição, não

precisando de interferências.

“É necessário se respeitar os

contratos, que estão em andamento,

contratos que davam

segurança para ambos os lados.

Esta é uma prática habitual

que vinha sendo realizado

de forma eficiente e a custos

competitivos graças ao equilíbrio

operacional e financeiro

de todos os elos da cadeia logística”,

defende, ressaltando

que com o tabelamento aumentou-se

os preços em plena

safra, um custo não previsto.

“O que pedimos é o respeito

aos contratos vigentes”,

Segundo o presidente da Alcopar,

a realidade de oferta e

demanda de transporte de

cargas no Brasil atualmente

aponta para uma média de

cinco caminhões para três

cargas. “Não é tabelamento

de frete que vai resolver esta

situação. Só vai piorar. Há superoferta

de caminhões no

mercado. Neste cenário, a

tendência é de queda do preço

no livre mercado. Não é uma

situação criada por nós”,

afirma.

Tranin ressalta ainda que o percentual

de caminhoneiros autônomos,

que é o alvo desse

tabelamento, chega a 30% dos

caminhoneiros no Brasil. Além

disso, a frota deles é mais

velha, com idade média de 23

anos e meio, onde o consumo

de combustível é bastante alto

e é menor a capacidade de

carga dos veículos, o que faz

com que esses profissionais

percam espaço na concorrência

por carga. Da mesma

forma, diz, as facilidades criadas

pelo governo para aquisição

de caminhões novos

foram aproveitadas mais pelas

transportadoras do que pelos

autônomos.

Depois do decreto do governo,

cita o presidente da Alcopar,

aumentou a aquisição

de frota própria pelas empresas

demandadoras de transporte

de carga. Tanto que as

indústrias já estão com demanda

50% maior no mesmo

período do ano anterior e com

o prazo de entrega dos veículos

para março de 2019.

Tranin disse que frota de autônomos é antiga

e de baixa capacidade de transporte

“É um efeito colateral que vai

restringir ainda mais o mercado

em dois ou três anos, e

que prejudica principalmente

os caminhoneiros autônomos

que haviam exigido a medida

do governo. É um tiro no pé

da categoria, porque vai reduzir

o tamanho do mercado de

transporte rodoviário à medida

que as empresas deixem

de terceirizar o serviço”,

afirma Tranin. Infelizmente o

maior prejudicado nisso, será

o cidadão consumidor final,

pois afeta diretamente o custo

da cesta básica.

Ele lembra que os problemas

de infraestrutura e logística no

Brasil se arrastam há anos e

que a melhor forma de resolver

o problema é investir em

outros moldais de transporte

de cargas, o que não vem

sendo feito aumentando custos,

riscos e a frota de caminhões.

4 Jornal Paraná


SEGURANÇA

Pedro Caldas é homenageado na Alcopar

Objetivo foi reconhecer seu trabalho e contribuição para o setor.

Reconhecido nacionalmente, o engenheiro tem um vasto currículo

Na última reunião do

Comitê de Segurança,

Saúde do Trabalho

e Meio Ambiente,

realizada dia 28 de agosto na

sede da Alcopar, foi feita uma

homenagem ao engenheiro de

segurança e consultor na área,

Pedro Lopes Caldas, que atua

no mercado há cerca de 40

anos. “Há 10 anos iniciamos

esse trabalho, com apoio das

usinas e da Alcopar, e que tem

rendido bons frutos. Só temos

a agradecer essa homenagem.

Estamos na luta nesta causa de

segurança no trabalho”, afirma

Pedro.

O homenageado foi um dos

fundadores do Comitê de Segurança,

Saúde e Meio Ambiente

do Trabalho, da Alcopar,

e o primeiro coordenador técnico

do comitê, junto com

coordenador geral, Wesley

Martins de Lima, engenheiro de

Segurança do Trabalho da Cooperval,

de Jandaia do Sul.

“Objetivo da homenagem é reconhecer

seu trabalho e contribuição

para o setor. Quando

iniciei carreira, foi ele que me

orientou. No comitê, sempre

trazia palestras técnicas de alto

nível. Seu trabalho e contribuição

foram fundamentais e hoje

é reconhecido nacionalmente

por seu profissionalismo”, afirmou

Wesley.

“É um profissional que contribui

muito para a segurança dos

trabalhadores e do próprio setor

sucroenergético e outros. A

Alcopar reconhece o serviço

prestado em função de sua dedicação

e carinho e do trabalho

realizado”, disse o presidente

da Alcopar, Miguel Tranin.

Para o coordenador técnico de

Segurança da Santa Terezinha,

Ariel dos Santos, que auxiliava

Pedro quando ele exercia a função

atual de Ariel no período

em que trabalhava na usina, foi

uma honra ser companheiro de

serviço e diz que aprendeu

muito com o “mestre”.

“Em nome da diretoria da usina

agradeço pelo seu trabalho e

digo que aprendemos muito

contigo. É um mestre que a

gente respeita. Quando o assunto

é pesquisa, é um profissional

que vai fundo e que nunca

se furtou de passar o profunndo

conhecimento que

tem”, reconhece o gerente de

RH da Santa Terezinha, Waldomiro

Baddini.

Uma vida de estudo e ensino

Ariel, Pedro, Wesley e Waldomiro com o quadro de homenagem

Da direita para a esquerda, os quatro engenheiros que iniciaram o

comitê, Luciano, Gilmar, Pedro e Wesley, em foto histórica

Além da homenagem a Pedro,

a reunião do Comitê de

Segurança, Saúde do Trabalho

e Meio Ambiente teve palestra

sobre “Avaliação do

Agente Vibração para Caracterização

ou não de Insalubridade

para fins Trabalhistas e

Previdenciários e Tópicos sobre

Ruido Ocupacional”, com

Olivio Lunardeli, da Enseg Engenharia

de Segurança e

Consultoria Jurídica, e uma

apresentação de Pedro Caldas,

da Paranasesmt Segurança

do Trabalho, sobre “Segurança

do Trabalho aplicada

ao e-Social”.

Formado em Engenharia

Agronômica pela Universidade

Estadual do Maranhão,

há 40 anos, Pedro Caldas estudou

ainda Engenharia de

Segurança do Trabalho na

Faculdade de Engenharia

Química Osvaldo Cruz (SP),

se formou advogado pela

Unipar (PR) e tem mestrado

em Engenharia Ambiental

pela Funiber/Universidade de

Las Palmas de Gran Canaria,

na Espanha.

Reconhecido nacionalmente,

o homenageado participou

dos seminários nacionais

para elaboração das Normas

Regulamentadoras, em especial

da NR 20, que trata sobre

líquidos inflamáveis, sendo o

representante da Alcopar. Ele

fez parte também de diversos

trabalhos pertinentes a

melhorias do setor de segurança

e saúde do trabalhador

nas discussões nas comissões

tripartite (governo federal,

representantes das empresas

e dos empregados)

para elaboração de várias

Normas Regulamentadoras.

Pedro trabalhou por muitos

anos no Grupo Santa Terezinha,

onde participou desde

o início do processo da implantação

das normas de segurança

do trabalho, tendo

conseguido, com a diretoria

e funcionários, conquistar

um elevado nível de excelência

na melhoria da saúde e

das condições de trabalho.

Em paralelo ao trabalho na

Santa Terezinha, há 20 anos,

Pedro montou sua empresa

de consultoria, Paranasesmt

Segurança do Trabalho. E há

três anos, com o crescimento

da demanda da empresa

de consultoria, saiu da

Santa Terezinha para concentrar

sua atenção na empresa.

Atualmente, como

consultor técnico, presta

serviços para empresas em

todo o país.

Jornal Paraná 5


CAPACITAÇÃO

Resistência de pragas da cana é crescente

FMC oferece curso on line sobre

tema. Palestra de abertura foi dia

5\9 e aulas estão disponíveis aos

profissionais das usinas do Paraná

Um dos principais desafios

para o aumento

da produtividade

em cana-deaçúcar

está ligado ao controle

de pragas. Conhecer profundamente

as que ocorrem na região,

monitorar e adotar as

melhores estratégias são fatores

fundamentais para o sucesso

no controle. Por isso, foi

realizada no último dia 5 de setembro,

na sede da Alcopar,

em Maringá, a aula inaugural

do curso de Manejo Integrado

de Pragas (MIP), patrocinada

pela empresa FMC, com o

apoio da Alcopar.

A palestra, feita pela doutora

Leila Luci Dinardo Miranda foi

sobre introdução ao MIP e resistência

de insetos a inseticidas.

Esta faz parte do curso

online completo sobre pragas

da cana-de-açúcar que está

disponível aos profissionais

das usinas do Paraná que participaram

do evento.

O curso terá seis módulos realizados

via internet, à distância,

e mais uma palestra de encerramento,

em novembro,

onde serão apresentados casos

de resistência de insetos a

inseticidas e outros assuntos,

sendo também uma oportunidade

de tirar dúvidas dos participantes

do curso.

Os módulos, que estarão disponíveis

na plataforma indicada

por 60 dias, são: nematoides,

broca comum, cigarrinha

das raízes, sphenophorus levis,

migdolus e outras pragas,

além de perguntas e respostas

práticas para o dia a dia. O objetivo

é fornecer a base para

implantação de programa de

Manejo Integrado de Pragas e

de nematoides em áreas cultivadas

com cana-de-açúcar.

Leila disse que as diversas

pragas que afetam a cultura da

cana-de-açúcar muitas vezes

coexistem no campo, devendo

se pensar nos produtos e práticas

de controle usados dentro

do manejo integrado porque

o que for usado para uma

praga pode afetar outras, aumentando

ou diminuindo o

problema.

O uso indiscriminado dos defensivos

tem levado a uma

crescente resistência de algumas

pragas, alertou. Além do

uso repetido do mesmo produto,

que exerce a pressão de

seleção, a evolução da resistência

pode ser influenciada

pela quantidade de gerações

que a praga tem no ano, o número

de descendentes por geração,

a capacidade reprodutiva,

as características do inseto,

a sua mobilidade na lavoura,

e a presença de refúgio,

entre outros.

Fatores operacionais também

afetam, como a relação do inseticida

com outros aplicados

previamente, a persistência do

inseticida, número de aplicações

por ciclo e a dose usada,

tanto quando for menor do que

o recomendado, quanto quando

é maior, podendo aumentar

a velocidade da evolução da

resistência.

“Isso evidencia a necessidade

de integrar outras ferramentas

Aula inaugural feita pela doutora Leila Miranda foi sobre introdução

ao MIP e resistência de insetos a inseticidas

para ajudar no controle. Não se

pode pensar só em inseticida”,

afirmou a doutora, ressaltando

que o Manejo Integrado de

Pragas é baseado em um tripé

que envolve nível de dano econômico,

controle e amostragem,

“e sem a equipe de

amostragem que é a base de

tudo, não tem MIP. Como

tomar decisão de controle, que

envolve muito dinheiro, se não

tiver amostragem, sem conhecer

o que tem no campo”. Na

amostragem, citou, é que se

verifica os locais onde a praga

ocorre e estima-se a população

das pragas para poder definir

a medida de controle, “só

adotando-as onde e quando

forem necessárias”, enfatizou.

Segundo Leila, tem que se

conhecer a eficiência de cada

medida de controle adotada,

seja inseticida ou nematicida

químico, biológico ou medidas

físicas e culturais como destruição

de soqueira para controle

de pragas de solo, afastamento

da palha, rotação de

culturas ou variedades resistentes.

“Muitos fazem aplicação

em área total contra o nematoide,

o que poderia ser

economizado, mas não aplicam

em cana soca, que é fundamental.

Tem que controlar

onde realmente é necessário.

Se não tem praga de solo não

tem necessidade de fazer e

não se sabe se não fizer amostragem”.

Para a doutora a grande vantagem

do MIP é o uso racional

de táticas de controle, além de

diminuir a velocidade de evolução

da resistência de insetos.

Ela disse que se comparar

com a soja ou o algodão, a

cana-de-açúcar quase não utiliza

inseticidas, mas o seu uso

vem aumentando muito nos

últimos anos e há insetos

como a cigarrinha que já tem

resistência aos inseticidas.

“Tem que pensar em alternativas

de controle e fazer rotação

de principio ativo”, orientou.

Outro manejo recomendado

para evitar a resistência é ter

áreas de refugio não tratadas

para permitir migração de indivíduos

sucessíveis, visando diminuir

a resistência. Além de

reduzir número de aplicações,

só controlando quando necessário,

é preciso usar dose de

bula, preservar os inimigos naturais

com produtos de baixo

impacto, usar inseticida pouco

persistente com residual não

muito longo, rotacionar produtos

e usar outros métodos de

controle como biológico e cultural.

“É interesse do produtor

trabalhar para ter longevidade

do produto. Tem que cuidar

das moléculas para ter vida

longa e não comprometer o

controle e manejo da praga”,

citou.

A resistência traz consequências

como aplicações mais

frequentes de inseticidas, uso

de doses mais elevadas, uso

de misturas de inseticidas,

mudança de produto e comprometimento

do programa

de manejo de praga. “Mas é

preciso avaliar bem porque

nem sempre que o desempenho

do produto aplicado

não foi satisfatório é caso de

resistência”, alertou. A falha

no controle pode ter sido causada

pela qualidade da aplicação,

bem comum, dose errada

do produto, densidade populacional

da praga muito alta

ou condições climáticas inadequadas.

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Jornal Paraná


ESPORTE

Santa Terezinha participa

de corridas de rua em Maringá

Além da XV Maratona de Revezamento Vanderlei Cordeiro de Lima

marcou presença na 4° Corrida Rural Ambiental, feita em estrada rural

DA ASSESSORIA

DE COMUNICAÇÃO

Não é segredo que a

prática de esportes,

seja qualquer

um deles, é fundamental

para a manutenção

da saúde do ser humano. A

corrida de rua, por exemplo,

está na lista das atividades

físicas preferidas de quem

busca pela qualidade de

vida.

E os benefícios são incontáveis:

aumento da longevidade,

redução de riscos de doenças

cardíacas, regulação do apetite,

melhora da disposição e

do sono. A corrida de rua é

democrática e só traz resultados

positivos. Basta calçar um

par de tênis e sair em movimento.

Em Maringá, a XV edição da

Maratona de Revezamento

Vanderlei Cordeiro de Lima -

Pare de Fumar Correndo,

realizada recentemente,

contou com mais de 2.500

competidores que percorreram

uma distância de 42 mil

metros.

A Usina Santa Terezinha esteve

presente com o Projeto

Atletismo dando suporte e incentivo

aos atletas colaboradores,

seus familiares e à

comunidade local. O trabalho,

que tem sido feito há mais de

cinco anos, visa promover o

bem-estar físico, psicológico,

afetivo e social.

A usina foi representada por 32 homens e mulheres dentro do Projeto Atletismo

Quatro equipes formadas por

oito funcionários e familiares

desafiaram uma manhã fria de

domingo na cidade de Maringá

e percorreram o trajeto,

totalizando a participação de

32 homens e mulheres.

A Usina Santa Terezinha ainda

marcou presença na 4° Corrida

Rural Ambiental - Edição

Selva, onde atletas colaboradores

percorreram 10 km de

estrada rural em Maringá.

Mudas frutíferas também foram

distribuídas à comunidade

como forma de promover

a conscientização ambiental.

E o incentivo ao esporte não

para por aí! Em novembro,

será dada a largada à XI Corrida

Rústica de Iguatemi Elenilson

Silva - Pare de Fumar Correndo

no distrito de Iguatemi/

Maringá. O evento, também

promovido pelo projeto Atletismo,

contará com parceria

do Projeto Tabagismo, do

Mudi (Museu Interdisciplinar)

da UEM (Universidade Estadual

de Maringá) e com a Prefeitura

de Maringá por meio da

Sesp (Secretaria de Esportes

e Lazer).

Jornal Paraná 7


EVENTO

Fenasucro & Agrocana

supera expectativas

Foram R$ 4 bilhões negociados no evento, com mil marcas presentes,

39 mil visitantes e compradores de 25 países e de 20 estados brasileiros

A26ª Fenasucro &

Agrocana, maior feira

do setor sucroenergético,

realizada

de 21 a 24 de agosto, em Sertãozinho/SP,

confirmou as expectativas

projetadas pela organização,

com negócios na

ordem de R$ 4 bilhões iniciados

no evento e que serão

concretizados nos próximos

meses, além de 39 mil visitantes,

números que superam a

edição de 2017. A feira, considerada

vitrine mundial de

tecnologia e investimentos para

o setor sucroenergético, recebeu

compradores de aproximadamente

25 países e de

20 estados brasileiros.

feira e continuam durante os

próximos meses. Somente

nas reuniões direcionadas aos

visitantes estrangeiros, promovidas

pela Apla/Aplex, foram

movimentados R$ 300

milhões, com a realização de

616 reuniões durante o

evento.

As negociações nacionais,

realizadas pelo Ceise Br, contaram

com um incremento importante

gerado pela rodada

agrícola - novidade este ano.

Ao todo, 127 reuniões foram

realizadas com movimentação

de negócios da ordem de R$

24 milhões, superando os R$

13 milhões esperados.

Foto Brasil: Charles Johnson

O aumento, tanto em visitas

quanto em negócios, em

grande parte, é explicado pelo

cenário mais positivo e de retomada

de investimentos no

segmento sucroenergético,

que agora terá mais previsibilidade

para investir com uma

política de incentivo estruturada

pelo RenovaBio, programa

do Governo Federal em

fase de regulamentação e que

prevê aumento na produção

de etanol e maior participação

dos biocombustíveis na

matriz energética. Como é

uma feira bem setorial, atrai

mais interessados em negócios,

e não curiosos e é um

bom evento para prospectar

negócios, atraindo cerca de

mil marcas.

As rodadas de negócio, nacional

e internacional, impactaram

diretamente no volume de

negociações realizadas in loco

e naquelas que começam na

No geral, segundo o diretor da

feira, Paulo Montabone, a cogeração

de energia e a produção

de açúcar foram os principais

temas de interesse entre

fornecedores e compradores.

"Tivemos uma edição que

superou as expectativas da

organização e dos próprios

expositores, que classificaram

a feira como excelente ou

ótima. As rodadas também

foram um sucesso, o que demonstram

que nossas projeções

na ordem de R$ 4 bilhões

estavam corretas e alinhadas

com uma retomada

do setor. Percebemos um público

ainda mais qualificado",

diz Montabone.

Para o presidente do Ceise Br,

Aparecido Luiz, as expectativas

foram atingidas porque

trata-se de um evento completo,

que integra conhecimento

e negócios e por ter

abordado o tema Sinal Verde

para o Futuro, que destaca a

bioenergia como alternativa

promissora. "Os resultados

demonstram que a Fenasucro

& Agrocana é a grande referência,

o termômetro do setor

sucroenergético. Além das

tradicionais empresas, estrearam

30 nesta edição, o que

significa que apostaram, assim

como nós acreditamos na

magnitude desse evento, que

proporciona uma experiência

Feira é considerada a vitrine mundial de tecnologia e

investimentos para o setor sucroenergético

única aos expositores e visitantes",

diz.

Montabone reforça a importância

do evento diante de um futuro

mais promissor para a

cadeia sucroenergética. "Com o

RenovaBio, o setor precisará

estar preparado para elevar a

produção de etanol de 30 bilhões

de litros para 50 bi por

safra até 2030. Outra regulamentação

que já está em vigor

é o percentual 10% maior em

relação à mistura do biodiesel

no diesel vendido ao consumidor,

lembrando também que a

biomassa está em um cenário

protagonista para a produção

de bioeletrecidade. Toda essa

realidade exigirá maior capacidade

industrial e investimentos

para o setor atender todas as

demandas deste programa. A

feira deu a largada rumo a este

futuro", acrescenta.

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Propagando e exportando

tecnologia e conhecimento

Foto Brasil: Charles Johnson

Além de brasileiros, os visitantes

que mais compareceram

para conhecer novidades e

fazer intercâmbio técnico

foram os da Argentina, atraídos

por informações voltadas

à indústria açucareira e, também,

por uma intenção de aumentar

o uso de etanol em

combustíveis; os Estados Unidos,

produtor forte de etanol

de milho; e ainda a Tailândia,

que tem alcançado recordes

na produção e exportação de

açúcar. Alguns países da América

do Sul, como Bolívia, Colômbia

e Paraguai também

estiveram de forma expressiva.

Como o evento rompe fronteiras,

chamando a atenção do

mundo para a força da canade-açúcar

como matéria prima

para os biocombustíveis, açúcar

e suas possibilidades na

cogeração de energia, também

recebeu a visita de uma delegação

do Sudão. Os sudaneses

participaram de um

intercâmbio técnico e comercial:

percorreram a feira, fizeram

negócios e conheceram

uma planta de etanol no Senai

de Sertãozinho.

Entre o público nacional, os

estados com maior representatividade

foram São Paulo

(90,5% dos visitantes), Minas

Gerais, Goiás, Paraná, Mato

Grosso do Sul e Santa Catarina.

A Fenasucro & Agrocana também

se tornou referência para

a capacitação técnica dos profissionais

do setor sucroenergético

ao longo das edições.

Este ano, ofereceu uma grade

de conteúdo 16% maior, com

mais de 350 horas de atividades,

cerca de 5 mil congressistas

e com a presença de

370 palestrantes. Toda essa

grade chega a se equiparar

com a de cursos de especialização

como um MBA, por

exemplo.

O Espaço de Conferências localizado

dentro da feira contou

com quatro auditórios, sendo

três voltados para os assuntos

industriais e um para os temas

agrícolas, todos eles contemplando

palestras e seminários

com informações e novos

conhecimentos também válidos

para setores como Alimentos

e Bebidas, Papel e

Celulose, Terceiro Setor e

Transporte & Logística.

Já a Arena do Conhecimento -

um modelo europeu de exposição

em que expositores

fazem palestras para pequenos

grupos sobre seus produtos

comerciais – apresentou suas

inovações dentro dos auditórios

e não fora, como aconteceu

em 2017. Além dos

auditórios, o Centro Empresarial

Zanini também recebeu palestras

e encontros durante a

feira.

"A feira já está consolidada

como a maior plataforma comercial

de tecnologias e alternativas

para o setor, mas

entendemos que, além disso,

temos responsabilidade em fomentar

conhecimento juntamente

com especialistas, de

Delegação do Sudão compareceu à Feira em busca de tecnologias e conhecimentos

Eventos de conteúdo receberam mais de 5 mil pessoas nos quatro dias do evento

modo a colaborar no aprendizado

e na atualização técnica

dos profissionais que nos visitam

em busca de informação

e aprimoramento", explica o

Gerente Geral Paulo Montabone.

De 2015 até 2017 a Fenasucro

& Agrocana gerou aproximadamente

600 horas de eventos

de conteúdo para mais de 12

mil pessoas. Investimento importante

apontado pelo presidente

do CEISE Br, Aparecido

Luiz, na ampliação de temas

que abrangem todas as áreas

da cadeia produtiva da canade-açúcar

e aquelas correlatas,

apresentando novidades e

tendências de mercado.

"Com as constantes mudanças

tecnológicas e um mercado

ainda mais exigente, os

eventos de conteúdo visam

promover conhecimento, realizar

troca de experiências, especialmente

neste momento

em que a Indústria 4.0 e o RenovaBio

são os assuntoschave,

os protagonistas da

retomada do setor sucroenergético,

o que reflete, diretamente

na competitividade da

indústria", destaca.

A próxima edição da feira

acontecerá de 20 a 23 de

agosto de 2019. A Fenasucro

& Agrocana é uma realização

do CEISE Br (Centro Nacional

das Indústrias do Setor Sucroenergético

e Biocombustíveis),

organizada e promovida pela

Reed Exhibitions Alcantara Machado.

Mais informações

sobre o evento podem ser obtidas

no site www.fenasucro.

com.br .

Foto Brasil: Charles Johnson

Jornal Paraná 9


DOIS

PONTOS

Exportação

O gerente em Bioeletricidade

da Unica, Zilmar de Souza,

falou que a comercialização

da bioeletricidade tem sido

baixa nos últimos leilões regulados,

além da falta de diferenciação

entre energias limpas

e poluentes nos critérios

de contratação. E que esta

baixa comercialização pode

colocar em xeque o alcance

das metas indicadas para a

bioeletricidade canavieira no

Plano Decenal de Expansão

de Energia 2026 - contratação

Biomassa

As exportações brasileiras

de açúcar devem cair 28,6%

na safra 2018/19 em relação

ao ano passado, para 22

milhões de toneladas, conforme

o país corta a produção

do adoçante para aumentar

a produção de etanol.

A produção de açúcar

do Brasil na próxima temporada

pode cair quase 25%,

para 31 milhões de toneladas.

E a produção de etanol

pode saltar de 25 bilhões de

litros para 30 bilhões de litros.

de 1.868 MW entre 2021 a

2024. Até o momento, o ambiente

regulado [leilões], que

ainda é a principal porta de

entrada para a indústria da

cana no setor elétrico, contribuiu

com apenas 20% da expansão

indicada até 2024

para as usinas. O que mostra

que é preciso redesenhar o

modelo e a forma de participação

da biomassa nos certames.

Atualmente, só 15%

do potencial técnico do setor

é aproveitado.

Petrobras

A Petrobras anunciou mudança

na política de preços

da gasolina. O anunciou

ocorre após uma sequência

de aumentos iniciada dia 18

de agosto, que elevou o preço

cobrado por suas refinarias

em 12%. A estatal diz

que não há mudança na política

instituída em 2016 - e

revista pela primeira vez em

2017- e continuará acompanhando

as cotações internacionais

e as variações do

dólar. Mas, a partir de agora,

a área comercial pode propor

períodos sem repasses

de até 15 dias quando entender

que o mercado está

sendo pressionado por razões

externas, como desastres

naturais ou choques

cambiais - razão do ciclo de

alta recente. O objetivo é

suavizar o repasse das volatilidades

aos clientes.

Açúcar

O Brasil perderá para a

Índia a liderança na produção

de açúcar no ano-safra

internacional 2018/19, pela

primeira vez em décadas, o

que salienta um movimento

em curso na indústria

brasileira de direcionar cada

vez mais cana para a

produção de etanol, além

de baixos investimentos

nas lavouras que têm resultado

em produtividades

cada vez menores. Contando

com esquemas de subsídios

para um setor politicamente

sensível, a Índia

deve ter uma produção recorde

de açúcar de 35 milhões

de toneladas na nova

temporada que começa em

outubro, enquanto o volume

do Brasil está projetado

para recuar cerca de 10

milhões de toneladas, para

30 milhões de toneladas,

segundo analistas.

Consulta à OMC

O Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex), aprovou pedido

do Ministério da Agricultura de abertura de consultas para questionar na Organização

Mundial do Comércio (OMC) as salvaguardas chinesas aplicadas, desde maio

do ano passado, à importação de açúcar, além de questionar o Sistema de Licenciamento

Automático de Importação praticado pela China para o açúcar, o que

atinge diretamente o Brasil, que costumava ser o principal fornecedor, 60%, do produto

aos chineses. Atualmente, a China vem aplicando na prática uma tarifa final

de importação de 90%, reduzindo as exportações brasileiras de açúcar ao mercado

chinês em 90%.

ANP

A diretoria da Agência Nacional

do Petróleo, Gás Natural e

Biocombustíveis (ANP) aprovou

uma minuta de resolução

que busca trazer transparência

na formação dos preços

dos combustíveis, biocombustíveis

e gás natural para

os órgãos públicos e para o

público geral. Entre as principais

medidas propostas estão

a obrigatoriedade a todos

os produtores e importadores

de derivados de petróleo e

biocombustíveis de informar,

à ANP, o preço e todos os

componentes da fórmula de

preço, por produto e ponto de

entrega, sempre que houver

reajuste de preços ou alteração

de parâmetros da fórmula.

União Europeia

O tempo escaldante que

ressecou as regiões produtoras

no norte da Europa

também prejudicou as plantações

de beterraba sacarina

e poderia deixar a produtividade

da colheita da

União Europeia muito abaixo

dos excelentes níveis do

ano passado. Já havia projeção

de queda na produção

de açúcar do bloco em

2018/19, depois que pesadas

chuvas atrasaram o

plantio de primavera. E o

verão quente na França, na

Alemanha, na Polônia e no

Reino Unido, os maiores

produtores, poderia acentuar

ainda mais a redução.

As condições das safras estão

muito mistas, dificultando

as previsões. A CGB previu

que a produtividade geral

deve recuar para a média

dos anos recentes, reduzindo

a produção de açúcar

do bloco em 1,5-2 milhões

de toneladas, versus 21 milhões

em 2017/18.

10 Jornal Paraná


A Apple aposta no Apple Car

e em um fone de realidade aumentada.

A expectativa é que

o carro seja lançado entre

2023 e 2025, com potencial

No início de agosto, Leonardo

DiCaprio resolveu apostar

em uma nova linha de calçados

da empresa Allbirds, que

substituirá o uso do plástico

comum, de origem fóssil, pelo

renovável na sola de sapatos

e chinelos. E os atores

Jade e Will Smith, pai, filho e

sócios na empresa Just, especializada

em embalagens

Apple

para revolucionar o mercado

automobilístico. Os veículos

autônomos se tornaram a

maior aposta de mobilidade

do setor.

Bioplástico

mais sustentáveis, lançaram

uma garrafa de água que leva

biomassa de cana em sua

composição. Bioplásticos já

são usados por multinacionais

como Coca-Cola, Tetra

Pak, Johnson & Johnson e

Faber-Castell em mais de

100 diferentes marcas nas

Américas, Europa, Ásia e

Oceania.

Etanol

Estiagem

A longa estiagem de 2018,

que em algumas cidades

paulistas se aproximou de

120 dias, pode resultar em

uma redução na produção

de cana de até 40 milhões

de toneladas na atual safra,

número que supera a produção

de todo o PR. São Paulo

foi o estado mais afetado

pela seca. Enquanto na safra

2017/18, encerrada em março,

a produção alcançou

596 milhões de toneladas de

cana moídas, em 2018/19

pode ser de até 556 milhões.

Etanol de milho

As usinas espalhadas pelo coração agrícola do Brasil

atestam que o país é o maior produtor de cana do

mundo e o rei absoluto do etanol produzido a partir

desse cultivo. Mas a dívida enfraqueceu o setor, o que

abriu caminho para que outro biocombustível floresça.

A produção brasileira de etanol de milho deve ultrapassar

1 bilhão de litros pela primeira vez nesta temporada,

de acordo com a INTL FCStone. E pode superar 3 bilhões

de litros em cinco anos e tem o potencial de chegar

a 8 bilhões de litros até 2030.

Solo

Avaliar o solo é um dos principais

componentes para uma

boa produtividade. Essa avaliação,

utilizada por grandes produtores

que têm, em geral,

uma equipe técnica para desenvolvê-la,

agora estará à disposição

de pequenos e médios

produtores. E com uma vantagem:

resultado instantâneo. É

o que promete a IBM, que lançou

um sistema de avaliação

que, por meio de um aplicativo

no celular, permitirá ao produtor

avaliar o tipo de solo que

tem e a necessidade de eventuais

correções: o AgroPad,

permite a análise química em

tempo real, usando-se a Inteligência

Artificial.

Safra

A safra de cana 2018/19 no

Centro-Sul do Brasil deve

terminar mais cedo do que

de costume, em outubro,

dado o tempo seco, e a quebra

de produção superior ao

estimado, não superando os

550 milhões de toneladas.

Com a entressafra mais longa,

os preços do etanol no

mercado doméstico devem

reagir após o encerramento

da moagem, avaliam especialistas.

Uso amplo

De alta e baixa densidades,

o bioplástico de etanol de

cana pode ser aplicado em

laminados, garrafas, embalagens,

brinquedos, isolamento

de fios elétricos, tubos

para distribuição de

água e gás, materiais hospitalares

ou em tanques de

combustível de veículos. O

Brasil é protagonista na fabricação

deste produto devido

à sua viabilidade comercial

e os benefícios gerados

ao meio ambiente.

Com esta tecnologia, é possível

capturar até 2,78 quilos

de CO 2 da atmosfera para

cada quilo de resina fabricada,

isso graças ao poder

de absorção da cana durante

a sua fase de cultivo.

O consumo médio mensal de

2,2 bilhões de litros de etanol

(anidro e hidratado) pela frota

de veículos flex fuel do Brasil

evitou a emissão de 32 milhões

de toneladas de gás

carbônico na atmosfera no

primeiro semestre deste ano,

segundo a Unica. De acordo

com a entidade, as emissões

evitadas entre janeiro e junho

são as maiores para o período

desde 2003, quando os

primeiros modelos flex começaram

a rodar no País. Em

15 anos, o uso do biocombustível

acumula redução superior

a 480 milhões de toneladas

de gás carbônico, um

dos responsáveis pelo aquecimento

global.

Jornal Paraná 11


CONHECIMENTO

Syntegração discute

mecanização e estratégia digital

Evento foi realizado em parceria

pela Syntenta e Alcopar, dia

19 de setembro em Maringá

Conhecimento é algo

que ninguém tira. E em

momentos como este

que o setor está passando,

é importante estar preparado.

Por isso o investimento

que fazemos em eventos de capacitação.”

A afirmação é de

Gabriel Landell, representante

Técnico de Vendas da Syngenta

durante a abertura do 2º

Syntegração 2018, realizado

pela empresa em parceria com

a Alcopar, no dia 19 de setembro,

em Maringá.

Landell ressaltou que o evento é

resultado de um trabalho em

equipe e que ficou impressionado

com aderência às palestras.

“Buscamos trazer uma

agenda recheada com temas

escolhidos por vocês. O que me

deixa feliz é a participação porque

vocês vêm valor na proposta”.

Na primeira palestra, o professor

Jairo Antonio Mazza falou sobre

“Estratégias e Tecnologias Sustentáveis

para a Produção de

Cana-de-açúcar”, com foco na

mecanização da lavoura. “Através

do conhecimento detalhado

do meio físico e do planejamento,

adotando-se estratégias

e tecnologias adequadas, embasadas

por uma gestão que

transforma dados em informações,

é possível atingir a sustentabilidade

no setor sucroenergético”,

resumiu.

Na sequência, foram apresentados

dois cases de sucesso: um

abordando “Inovação no processo

produtivo da cana”, com

Daine Frangiosi, fornecedor de

cana da região de Minas Gerais,

que apresentou soluções que

podem incrementar a produtividade

e a longevidade do canavial.

Atualmente, a produtividade

média dele está nos 3 dígitos.

Frangiosi comenta que “é preciso

elevar a produtividade dos

canaviais para suportar os preços

defasados do mercado”.

E o outro da Usina Açucareira

Guaíra, de São Paulo, feita por

Mateus Gonçalves da Silva, que

tem reduzido os custos e aumentado

a eficiência do controle

da broca da cana com uma plataforma

de inteligência agronômica

digital. O evento foi fechado

com a apresentação da linha

de produtos da Syngenta para

controle de broca, com uma

proposta de manejo integrado de

Ampligo + Biológico, e a nova

recomendação para incremento

de produtividade com a utilização

do fungicida Priori Xtra.

Com a alta pressão da broca,

ante o manejo clássico adotado,

em 2013 a Usina Guaíra decidiu

investir na Gestão SmartBio. Foi

aí que descobriram que o que

imaginavam ser uma infestação

de 3,9% era na verdade de

6,1%, conseguindo com o trabalho

reduzir para 1,3%. Em

quatro anos conseguiram economizar

R$ 50 milhões no controle

e o custo de controle ficou

em média de R$ 90,00 por hectare

nos últimos três anos, mas

deve chegar R$ 80,00 no ano

que vem. Também otimizaram o

rendimento da equipe de levantamento,

aumentando 3,3 vezes

mais a área representada com a

mesma equipe de 8 pessoas,

definindo os grupos de manejo

e talhões representativos, com

a ajuda do SMARTBIO.

Com dados da própria usina, o

sistema calcula e faz mapeamento

da suscetibilidade para

ocorrência da broca, com previsão,

priorização e adequação do

manejo de zonas de risco, indicando

o manejo a ser adotado e

onde. Com o direcionamento do

trabalho, houve aumento de eficiência

do levantamento e do

controle e uma reestruturação da

equipe de levantamento, que hoje

foi reduzida para três pessoas.

Plataforma digital gera economia e melhores resultados

Mostrando os benefícios do digital

na socialização do conhecimento,

maior execução do planejado,

otimização do tempo, recomendações

mais assertivas,

maior eficiência no controle e

mostra de indicadores de desempenho,

o gerente regional da

área comercial da Syngenta,

Santo Bonganhi, falou sobre a estratégia

digital da empresa, que

envolve a gestão de fazendas, mitigação

de riscos e ferramentas

agronômicas. “O produtor tem

que estar com a mente aberta

para as novas tecnologias”.

Para dar mais detalhes sobre o

assunto, Roberto Gonçalves, da

SmartBreeder, empresa parceira

da Syngenta, falou sobre

a Plataforma SMARTBIO, que é

uma inteligência agronômica digital

para otimização da performance

e gestão do manejo de

culturas agrícolas, que promove

a agricultura sustentável com

alta eficiência agronômica de

insumos, redução de custos,

aumento de produtividade e racionalização

do processo na tomada

de decisão em todas as

etapas de manejo da cultura.

A plataforma de previsão e automação

da tomada de decisão

processa mais de 100 milhões

de dados, analisa quadrilhões

de combinações de

mais de 100 fatores de manejo

visando otimizar a performance

e a gestão do manejo

integrado de doenças e pragas,

dando então orientação

sobre onde, como e o que

aplicar.

As informações que estão no

banco de dados da usina são

organizadas pelo sistema e

acrescidas de novos dados,

definindo os grupos de manejo

e os talhões representativos,

fazendo a previsão de

suscetibilidade, avaliando a

predisponibilidade do hospedeiro,

fazendo o modelo climático

e epidemiológico, mapeando

as áreas de risco, e

assim definindo a agenda de

levantamento e controle.

O resultado disso é mais segurança

e alcance, redução

de custos, integração, garantia

de execução do planejamento,

aumento da capacidade

e direcionamento correto

da equipe, padronização do

manejo, maior eficiência no

controle, menos perdas e

mais retorno econômico.

Este trabalho envolve atualmente

mais de 50 usinas e 2

milhões de hectares sendo

obtido um aumento de produtividade

de 5 milhões de toneladas,

além de evitar 500 milhões

de perdas, e ter 25 milhões

de economia em logística

e aplicação.

12 Jornal Paraná

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