Revista Apólice #240

revistaapolice

editorial

Ano 24 - nº 240

Fevereiro 2019

Esta revista é uma

publicação independente

da Correcta Editora Ltda

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Kelly Lubiato - MTB 25933

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Diretor Executivo:

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Repórter:

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Colaboradora:

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Assinaturas:

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Articulista:

J.B. Oliveira

Tiragem:

15.000 exemplares

Circulação:

Nacional

Periodicidade:

Mensal

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

2019 começa com

muitas tragédias

Janeiro e o início de fevereiro foram intensos em termos

de sinistros que comoveram e concentraram as atenções dos

brasileiros. O rompimento da barragem de Brumadinho vitimou

milhares de pessoas do entorno e, além dos mortos, ainda

há mais de uma centena de desaparecidos. O Rio de Janeiro

também escreveu um triste capítulo: além das vítimas das chuvas,

ainda viu dez garotos perderem a vida em um incêndio no

Centro de Treinamento do Flamengo.

Onde fica o papel social do seguro nestes casos? Ajudar as

pessoas a reconstruírem aquilo que restou. Infelizmente, as vidas

ceifadas não retornam. Mas, dentro de um quadro de profunda

tristeza, as indenizações devem cumprir seu dever de levar um

mínimo de esperança, de que existe a possibilidade de um

recomeço.

No início deste ano perdemos também um grande

personagem do mercado de seguros nacional. Nosso amigo,

nosso padrinho, que sempre dizia que só havia um sinistro

que era certo. Osmar Bertacini era uma voz que defendeu o

mercado de seguros com muito orgulho, com ênfase para os

seguros de pessoas. Muito generoso, se preocupava em ajudar as

pessoas. Aos jornalistas sempre dispensou atenção especial. Por

tudo isso, só nos resta nos solidarizar com sua família, amigos e

colaboradores.

Boa leitura!

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Revista Apólice

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

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sumário

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painel

gente

luto

Apólice faz uma homenagem ao seu padrinho, Osmar Bertacini, um homem

que dedicou sua vida ao mercado de seguros, com especial atenção para os

produtos de vida

saúde

especial serviços

seguradoras

Enquanto algumas seguradoras optam por terceirizar todo o trabalho de

assistência 24h, outras preferem internalizar o atendimento para estar ainda

mais próximas aos seus clientes

prestadores

A busca pela fidelidade dos clientes leva prestadores de serviços a

desenvolverem novas formas de encantar seus clientes (seguradora

e/ou operadora de saúde) e consumidores

produto

Apesar do Brasil já possuir mais aparelhos celulares do que habitantes, apenas

3% dos gadgets vendidos possuem seguro. Companhias buscam formas de

aumentar as vendas deste produto

tragédia

O rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG), mostrou que a

empresa não aprendeu as lições da Mariana, mesmo com o endurecimento

das condições das apólices de seguro

campanhas de incentivo

sou + previsul

Previsul realiza o lançamento da sua campanha em 22 eventos espalhados

pelo Brasil, com objetivo de ampliar penetração fora da região Sul. O grande

prêmio será uma viagem para Dubai, no início de 2020

3 em 1

Ameplan condensa três recompensas na mesma campanha e, além da

viagem para Punta Cana, oferece raspadinhas premiadas e dinheiro por

contratos assinados

institucional

As Federações que compõem a Confederação Nacional de Seguros

promoveram eleições para determinar seus novos mandatários. Apólice

conversou com os líderes das quatro instituições:

fenseg

fenaprevi

fenasaúde

fenacap

comunicação

22

40

18

28


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painel

• seguro agrícola

As mudanças climáticas e

as perdas dos agricultores

As perdas decorrentes de eventos climáticos estão entre

os principais entraves enfrentados por agricultores no Brasil.

Levantamento divulgado recentemente pela ONG alemã Germanwatch,

durante a Conferência das Nações Unidas sobre

Mudanças Climáticas (COP 24), indica que o Brasil está entre

os países que podem ter prejuízos anuais na ordem de R$ 6,5

bilhões, em virtude de inundações e tempestades.

A superintendente executiva de Seguros Gerais da Mapfre,

Patricia Siequeroli, ressalta que a dimensão continental do

Brasil traz aos produtores desafios muito particulares, dependendo

da região do país onde estão localizadas as plantações.

Enquanto no Nordeste os agricultores sofrem com a falta de

chuva, no Sul e Sudeste, o problema é o excesso de tempestades.

“Os seguros disponíveis hoje podem resguardar o agricultor em

diferentes situações, protegendo apenas a colheita ou garantindo

o pagamento das obrigações junto às instituições financeiras

que custearam o plantio, por exemplo”, comenta a executiva.

• legislação

Fraudes impactam nas despesas

com saúde suplementar

O total de gastos em contas hospitalares

relacionados a fraudes foi de

R$ 20 bilhões apenas em 2016, o que

responde por 15% das despesas assistenciais

da saúde suplementar brasileira,

de acordo com um levantamento

conduzido pelo IESS e a PwC Brasil.

“É evidente que o setor precisa instituir

mecanismos efetivos de controle e

transparência para combater as fraudes.

Além de mapear o que está sendo feito

nesse sentido e propor novas soluções, o trabalho também

apresenta uma agenda a ser conduzida pelo Poder Público e

aborda ações capazes de desestimular essas práticas”, afirma

Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS.

A Constituição Federal de 1988 institui que a saúde é

um direito do indivíduo e cabe ao Estado fiscalizar o setor.

Portanto, a legislação brasileira apresenta deficiências quando

comparada com ordenamentos jurídicos mais avançados

na regulamentação de mecanismos de controle, prevenção

e combate à fraude e corrupção no setor de saúde privado.

Por isso, o material propõe uma agenda a ser conduzida pelo

Poder Público (Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério

Público, entre outros) a partir da identificação das principais

práticas fraudulentas, seus impactos sobre a cadeia de valor

da saúde e quais leis e projetos de leis em trâmite no Brasil

podem contribuir para solucionar o problema, como o PL

221/15 que prevê a criminalização de condutas como a corrupção

privada entre o profissional de saúde em atividade

profissional e de fornecedor.

• automóvel

A lacuna de proteção automotiva na América Latina

De acordo com a prévia divulgada pelo

estudo do Swiss Re Institute, o mercado de

seguros de automóveis da América Latina

é estimado em USD 33 bilhões, quase 20%

do mercado de seguros como um todo. Os

cinco maiores mercados – Argentina, Brasil,

Chile, Colômbia e México – representam

mais de 80% do mercado total de seguros

de automóveis. A diferença estimada, definida

como o total de prêmios não cobrados

para veículos não segurados, é cerca de 2,6

vezes o mercado atual nesses países.

No Brasil, 2/3 da frota de automóveis

entre 0 e 6 anos não possui seguro de

casco. Comparando o rendimento médio

por agregado familiar e o valor dos veículos

segurados (regimes obrigatório e voluntário),

torna-se evidente que, em caso de

lesões corporais graves ou acidentes fatais,

o impacto econômico de tal acontecimento

na vítima e nos respectivos membros da

família pode ser devastador. Estima-se uma

lacuna de proteção de USD 46,3 bilhões

no País.

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• alternativa

Seguro para doenças graves

é opção para quem perdeu

o plano de saúde

Mais de três milhões de

brasileiros perderam renda e

tiveram que abrir mão do plano

de saúde entre 2014 e 2018, de

acordo com dados da ANS.

Nesse mesmo período, mais de 100 operadoras deixaram de

atuar. A mudança demográfica, a baixa qualidade de serviços

prestados e o alto índice de desemprego são alguns dos fatores

que fomentaram o mau desempenho no ramo.

Brasileiros têm buscado alternativas para driblar essas

dificuldades. Com isso, viu-se o crescimento da contratação

dos seguros de vida, sobretudo os que cobrem as chamadas

“doenças graves e terminais”. Segundo dados da Susep, o

prêmio total nos seguros de doenças graves ou terminais em

2017 foi de R$ 765,8 milhões— crescimento de 9,66% ante

2016. De janeiro a agosto de 2018, o valor já era de R$ 571,9

milhões, alta de 12,5% sobre o mesmo período do de 2017.

• estudo

Fraca cooperação prejudicará o

enfrentamento de riscos globais

A capacidade do mundo de promover ações coletivas

em face de grandes crises atingiu níveis críticos pelo

agravamento das relações internacionais que impedem

ações para enfrentar sérios desafios. Enquanto isso, uma

perspectiva econômica sombria, em parte causada por

tensões geopolíticas, parece destinada a reduzir ainda

mais o potencial de cooperação internacional em 2019.

Estas são as conclusões do Relatório Global de Riscos 2019

do World Economic Forum.

O estudo, que incorpora os resultados da Pesquisa

Global de Percepção de Risco, feita com aproximadamente

mil especialistas e tomadores de decisões, aponta para

uma deterioração das condições econômicas e geopolíticas.

As disputas comerciais agravaram-se rapidamente

no ano passado e o relatório alerta que o crescimento em

2019 será contido por contínuas tensões geoeconômicas,

com 88% dos entrevistados esperando mais deterioração

das regras e acordos comerciais multilaterais.


painel

• nbullying

Cobertura especial cresceu 10%

no final de 2018

A SulAmérica registrou crescimento de 10% em dezembro

de 2018 nas contratações de seguros para estabelecimentos

de ensino, em comparação ao mesmo período de 2017.

A companhia atribui o avanço a uma série de coberturas

especiais que o produto dispõe, sobretudo para casos de

bullying, no qual a seguradora reembolsa despesas caso a

instituição seja responsabilizada por atos desse tipo ocorridos

em suas dependências.

Eduardo Dal Ri, vice-presidente de Auto e Massificados

da companhia, explica que a cobertura avalia como bullying

atitudes agressivas, físicas ou mesmo as verbais, intencionais

e repetitivas, com o intuito de intimidar ou agredir a vitima,

sem que a mesma tenha possibilidade ou capacidade de se

defender. “Tais atitudes devem ter ocorrência dentro do estabelecimento.

Não estão cobertas, por exemplo, qualquer

tipo de intimidação em ambiente virtual, por redes sociais,

caracterizando cyberbullying”, ressalta.

• nsaúde

ANS e CADE firmam acordo de

cooperação técnica

Entidades firmaram compromisso para aperfeiçoar a

atuação das autarquias no monitoramento da concentração

do mercado de planos de saúde e, desta forma, propiciar uma

melhor defesa da concorrência no setor. A parceria foi assinada

pelo presidente do CADE, Alexandre Barreto, e pelo diretor-

-presidente substituto da ANS, Leandro Fonseca.

No acordo, que tem duração prevista de cinco anos, o

Conselho e a Agência se comprometem a compartilhar informações,

bancos de dados, relatórios, diagnósticos e estatísticas,

além de pareceres técnicos e resultados de estudos e pesquisas

elaborados pelas entidades. A troca de informações, contudo,

só poderá envolver documentos que não são confidenciais

ou sigilosos e que não comprometam ou prejudiquem atos

e procedimentos de competência das respectivas autarquias.

A cooperação propõe também a capacitação de técnicos por

meio de eventos promovidos bilateralmente e intercâmbio de

servidores para a produção conjunta de estudos e pesquisas,

entre outras iniciativas.

• nfusão

Novos negócios no mercado de seguros gaúcho

Cerca de 50 anos de experiência no mercado de

seguros gaúcho agora estão reunidos numa só empresa

– Abensur + Enris.

Juntas, as duas corretoras manterão no segmento dos

seguros corporativos no qual já atendem mais de 2000

clientes . Os sócios da nova organização - Renato Abensur,

Igor José Machado e Felipe Machado – apostam em

significativa expansão de mercado, ampliando a atuação

para outras regiões do Rio Grande do Sul e do Brasil. O

objetivo, além de potencializar competências, adquirindo

excelência na área técnica e de atendimento, é expandir a

clientela em 50% em prazo de dois anos.

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• nproduto

Novas funcionalidades no App Auto

Foram apresentadas as novas funções do Aplicativo

Porto Seguro Auto, que agora possibilita ao usuário alterar

seus dados bancários, regularizar o pagamento e

prorrogar o vencimento do seguro, além de gerar a 2ª

via de boleto e código de barras.

Por meio do app, o segurado pode conferir o histórico

e o calendário das próximas manutenções do veículo nos

Centros Automotivos Porto Seguro (CAPS) e tem à disposição

as funções de aviso de sinistro e vistoria digital. Pode,

ainda, solicitar serviços para o carro (como guincho por

pane ou colisão, socorro por pane seca, carga ou trocas de

bateria e chaveiro) e acompanhar, em tempo real, o deslocamento

do prestador até a chegada no local de atendimento.

O pacote de novas funcionalidades inclui a possibilidade

de contratação de serviços avulsos da Porto Seguro Faz,

como limpeza de sofá e estofados, conserto e instalação

de eletrodomésticos, e dedetização. Isso, após os serviços

gratuitos disponíveis na apólice do seguro do veículo já

serem consumidos.


GENTE

Superintendente Comercial

O Gboex apresentou Leonardo

Neustadt como novo superintendente

comercial. O executivo

ocupou cargos de liderança em

diferentes empresas nacionais e

internacionais. Ele conta que a

base de sua gestão será estruturada

sobre quatro pilares: fortalecimento

e diversificação dos canais

de vendas, expansão geográfica,

posicionamento estratégico da

estrutura comercial existente e aproximação e alinhamento

da marca com o mercado de corretores e consultores.

Head de Vendas

A Swiss Re Corporate Solutions apresentou Rodrigo

Nieto como Head de Vendas para a América Latina. Nessa

posição, o executivo coordenará as ações regionais de vendas

em todos os segmentos nos quais a companhia atua. Nieto

permanecerá no escritório da empresa em Miami e assume a

posição de Newton Queiroz, que foi nomeado CEO da Swiss

Re Corporate Solutions México em outubro do ano passado.

Superintendente de

Previdência

Henrique Diniz entrou para o time de produtos de previdência

da Icatu Seguros. O novo superintendente construiu

a carreira na companhia,

sendo gerente de Tesouraria,

gerente de Investimentos e

superintendente financeiro. O

objetivo do executivo é democratizar

o acesso à previdência,

diversificar a plataforma

de fundos de investimentos e

criar novos produtos, de forma

a atender todos os perfis

de investidores.

CEO Regional

Fernando Pérez-Serrabona foi anunciado como o novo

CEO da Mapfre Regional Brasil. O executivo terá como missão

dar continuidade à expansão

da companhia no país. Serrabona

ingressou na Mapfre em 1989,

atuou nas áreas de seguros e serviços

financeiros, foi chefe da Área

Internacional e diretor geral das

Américas da Mapfre Garantias e

Crédito. Desde 2013 atuava como

diretor geral para Espanha e América

Latina da Solunion, empresa

de seguro de garantia e crédito que

pertence ao Grupo Mapfre.

Superintendente de Garantia

No grupo desde dezembro

de 2018, Thais Rosa Ferreira

assume como nova superintendente

de Garantia da Lockton

Brasil. Formada em administração

de empresas pela FAAP e

pós-graduada em finanças pelo

Insper, Thais tem 10 anos de

experiência em seguro garantia,

passando por empresas como a

AIG, Ace Seguradora e Liberty

Mutual Surety.

Mudanças para o Brasil

A Aon anunciou Marcelo Homburger como presidente

e CEO de Commercial Risk, Health, Retirement

Solutions e Affinity para Aon Brasil. Ao longo de sua trajetória

de mais de 18 anos

na Aon Brasil, Homburger

adquiriu experiência

atuando como vice-presidente

e CEO de Reinsurance

Solutions, Chief

Broking Officer (CBO),

líder nacional de Relacionamento

com Clientes e,

mais recentemente, vice-

-presidente executivo e

líder de Commercial Risk

Solutions.

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CFO para o Brasil

Francisco Espinoza foi nomeado

como novo CFO da MetLife

no Brasil, onde assumirá todas as

atividades e processos financeiros

da empresa, com reporte direto

ao presidente, Raphael de Carvalho.

Antes de se juntar ao time

da empresa, Espinoza acumulou

experiência nas companhias EY,

KPMG, Celfin Capital e AIG, atuando no Brasil, México e

Chile e liderando equipes locais e regionais.

Diretora técnica

Claudia Novello Ribeiro, que

desde 2012 atuava como atuária

responsável técnica da Austral

Seguradora e da Austral Re, agora

responde pela Diretoria Técnica

da Seguradora. A profissional tem

mais de dez anos de experiência no

mercado de seguros e resseguros

e participação em Comissões da

Susep, CNseg, Fenaber e IBA.

Novo diretor-presidente

Walter Malieni assumiu

a presidência da Brasilprev.

Ele exercia a função

de VP de Negócios Atacado

do Banco do Brasil, área responsável

pela gestão da

rede de Comércio Exterior,

gestão dos mercados Corporate,

Private, de soluções

empresariais e do Mercado

de Capitais. Malieni substitui

Marco Barros, que estava na liderança da companhia desde

o início de 2018.

Head de Risk

Marcelo Mayer é o novo head de Ô.Risk da Ô Insurance

Group. Executivo vem para desenvolver projetos taylor-made e

estratégias focadas em seguros para empresas e seus gestores.

Mayer é formado em Administração de Empresas e Ciências

Atuariais e tem experiência em administração de carteira de

clientes e abertura de novas filiais no Brasil, planejamento estratégico

da atuação comercial e prospecção de novos negócios.

Comando para TI e Projetos

Com atuação há mais de 22

anos em TI, Gustavo Figueiredo

é o novo diretor de TI e Projetos da

AzimuteMed. Na empresa de gestão

de saúde, o executivo tem a missão

de acrescentar mais velocidade para

as entregas e incorporar tecnologia

e inovações ao que é desenvolvido

de forma customizada aos clientes.

Liderança em Minas Gerais

A MDS Brasil nomeou Eduardo

de Paranaguá para assumir a diretoria

da operação em Minas Gerais.

O executivo, que já esteve à frente

do escritório, assumiu em junho do

ano passado a direção da região Sul.

Agora, passará a responder pelos

escritórios nos estados de Santa

Catarina, Paraná, Rio Grande do

Sul e Minas Gerais.

Comercial e Marketing

A Europ Assistance Brasil

começou o ano com a contratação

do executivo Rogério

Guandalini para o cargo de

diretor Comercial e Marketing.

Executivo chega para expandir

negócios e aprimorar a conexão

com os clientes por meio do

desenvolvimento e oferta de

produtos de alta tecnologia.

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luto | osmar bertacini

A vida e o legado da lenda

do mercado de seguros

A Revista

Apólice presta

homenagem ao

seu padrinho,

um homem

que ajudou a

construir a história

do mercado de

seguros brasileiro

Maike Silva

Apesar de toda a sua

reputação, Osmar

Bertacini sempre foi

um homem simples,

marcado pela empatia e carisma.

A humildade era um resquício

de sua origem. O corretor de seguros

nasceu no município de Palestina, interior

do Estado de São Paulo, em 1943, e

veio para a capital em 1962, para cursar

Administração de Empresas.

O mercado de seguros apareceu na

vida de Bertacini quando ele ainda tinha

20 anos. “A lenda viva do seguro”, como

ficaria conhecido pelos seus amigos anos

mais tarde, começou sua vida profissional

na Companhia Internacional de Seguros,

na qual atuou com seguro de vida

e benefícios. Permaneceu lá entre 1962

e 1988. O amor pelo setor era mais do

que perceptível. Em pouco tempo, ele já

era superintendente da empresa, e saiu

apenas porque ela foi comprada pelo

investidor Naji Nahas, que alterou toda

a administração.

Mas não tinha tempo perdido para

Osmar. Ainda em 1988, ele foi convidado

para ser sócio da Libra Corretora, que era

comandada por João Leopoldo Bracco

de Lima e Ariovaldo Bracco. Era o seu

primeiro contato direto com a corretagem

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de seguros, e foi amor à primeira vista.

Bertacini era um homem culto, inteligente

e de uma oratória de destaque.

Durante o curso que fez pela Sociedade

Brasileira de Ciências dos Seguros, que

era representante da Escola Nacional de

Seguros na época, foi convidado pelo

professor José Francisco de Miranda

Fontana para lecionar, com a experiência

de quem já havia participado das comissões

técnicas do mercado nos nichos de

Vida e Acidentes Pessoais.

O executivo era um líder e queria

cravar ainda mais o seu nome no mercado.

Em 1991, criou a corretora Humana

Seguros, empresa que presidiu até a

data de seu falecimento. Ele chegou a

dizer que esse foi o seu grande desafio

profissional. O que veio depois é apenas

história.

Osmar foi presidente da APTS, segundo

tesoureiro do Sincor-SP, diretor

da União dos Corretores de Seguros

(UCS), do CCS-SP, da Sociedade Brasileira

de Ciências do Seguro (SBCS),

da ANSP e da Camaracor. Foi ainda

um dos fundadores da Aconseg-SP e

do CVG-SP.

Revista Apólice

O corretor também ajudou a escrever

o nome da Revista Apólice. Ele foi o

responsável pelo prefácio da edição zero

da publicação, em 1995.

Quando Bertacini completou 50 anos

de atividade no mercado de seguros, a

Revista prestou uma homenagem a ele.

Os diretores Kelly Lubiato e Francisco

Pantoja entregaram uma placa ao dirigente,

durante o almoço mensal realizado

pelo CVG-SP, que era presidido por ele

na época.

É comum dizer que ídolos não

morrem, mas, sim, viram lendas. Osmar

Bertacini virou lenda ainda enquanto

vivia. Casado e pai de dois filhos,

tratou com amor e louvor todos que

os cercavam. Tratou como família até

mesmo aqueles que não eram frutos do

mesmo sangue.


saúde

Novas clínicas e unidade Novamed

em Santo André

O Grupo Bradesco Seguros inaugurou

a sexta clínica Meu Doutor

Novamed focada em atendimento

primário. O local escolhido foi Santo

André, município do grande ABC

paulista, e conta com as especialidades

como Pediatria, Dermatologia e

Clínica da Família. “O atendimento

primário, este que trata o indivíduo

de forma integral e busca promoção e

prevenção da saúde, é uma tendência

mundial e vem crescendo muito no

Brasil. Desde 2015, realizamos mais

de 260 mil consultas por meio das primeiras clínicas que inauguramos em

São Paulo e, em 2019, vamos expandir para outros estados”, comenta Manoel

Peres, diretor do Grupo.

Outro grande avanço, que já vem sendo utilizado nas clínicas Meu Doutor

Novamed, é o uso do prontuário eletrônico, um sistema integrado entre todas

as unidades, que facilita o próximo atendimento e contribui para um diagnóstico

mais eficaz. O investimento total da seguradora nas novas unidades é de

R$120 milhões e prevê expansão para outros estados, como Rio de Janeiro,

Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Pará, Distrito

Federal, Santa Catarina, Maranhão, Alagoas e Amazonas.

Odontologia cresce acima da projeção

O segmento de planos odontológicos, até novembro do ano passado, superou

a expectativa e atingiu a marca de 24,2 milhões de beneficiários. Inicialmente, o

departamento de Economia do Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de

Grupo (SINOG) projetou que até dezembro/2018 seriam 23,7 milhões de novos contratos,

o que já foi ultrapassado sem

ainda contabilizar o último mês do

ano. Um estudo recente realizado

pela equipe mostrou que no período

analisado houve um crescimento

de 6,21%.

Além disso, o levantamento mostrou

que de dezembro/2017 a novembro/2018

1,5 milhão de pessoas contrataram

um plano odontológico. “A maior conscientização

da população em relação aos cuidados

preventivos com a saúde bucal associada à previsibilidade,

segurança, relação custo x benefício

e ampla rede de atendimento oferecidos são

responsáveis por este surpreendente desempenho”,

afirma Geraldo Almeida Lima, presidente do SINOG.


serviços | seguradoras

Dentro ou

fora de casa?

Essa é uma dúvida recorrente

que a oferta de serviços e

assistências provoca nas

companhias de seguros,

principalmente com os

avanços tecnológicos. Dois

pontos pesam nesta decisão:

qualidade ao segurado e custo

final do produto

Elis Lopes

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“O foco é fornecer ao

consumidor bons serviços.

Não pode exagerar

demais. É preciso olhar

para o preço. Remunerar

bem o prestador, controlar

serviço e fazer com custo

mais baixo possível são os

grandes desafios do setor”

José Luís da Silva, da Tokio Marine

Tidos como verdadeiros impulsionadores

de vendas, os

serviços e assistências acoplados

aos seguros passaram

de penduricalhos a ímãs para clientes,

mesmo em um país com baixa cultura

securitária como é o Brasil. No seguro

residencial, isso fica evidente. Depois

de ajudarem na retenção em suas bases,

as seguradoras buscam soluções omnichannel,

ou seja, integradas entre os

canais de atendimento existentes, e ao

gosto do freguês. O grande desafio do

setor está em se antecipar aos pedidos

e, em um movimento contrário, criar

demandas aos donos das apólices. Essa

revolução vem, sobretudo, com um

empurrãozinho da internet das coisas

(do inglês, Internet of Things, IoT), que

conecta dispositivos que até então não

conversavam. Em meio à necessidade

de inovar na oferta de serviços e assistências,

as seguradoras se deparam

frequentemente com um mesmo questionamento:

trazer ou não essa tarefa

para dentro de casa. Pesa, sobretudo, a

relevância desse eixo para o setor, uma

vez que, além de servir de ponte entre

seguradora e segurado, atua como mola

propulsora para novas receitas, principalmente,

no cenário atual. Enquanto de

um lado há uma expectativa de retomada

econômica, o que tende a aquecer a demanda

por seguros, do outro o horizonte

de juros baixos exige das companhias

um esforço maior em turbinar os resultados

operacionais. Como a concorrência

no mercado está aquecida, com consumidores

priorizando, sobretudo, preços

na hora de contratarem seus seguros, a

saída é agregar itens à carteira, pois as

margens no cenário atual seguem sob

pressão. Equilibrar o custo da oferta de

serviços, com a maioria demandando

atendimento em campo, e a pressão do

lado do prêmios é a chave para fechar

essa equação. “Há uma ansiedade por

parte das seguradoras de estarem conectadas

mais diretamente com o cliente. O

consumidor, por outro lado, apesar de ter

o corretor como conselheiro, também

quer se auto servir na seguradora. E isso

tem provocado uma evolução do portfólio

atual de produtos e serviços, com a

customização e os meios digitais”, destaca

Hugo Assis, da consultoria Accenture.

Depois de internalizar as assistências

no ramo automotivo no ano passado,

a japonesa Tokio Marine avalia os próximos

passos e também faz contas. O fim

e o início do ano são períodos críticos

de atendimento para as seguradoras,

tradicionalmente bastante demandado

para empresas que atuam no ramo de

automóveis e residência por conta das

festas de fim de ano, férias e temporada

de chuvas, de acordo com o diretor Comercial

Varejo II da Tokio Marine, José

Luís da Silva. Gestor responsável pelo

projeto de internalização da Assistência

24 Horas na companhia, ele conta que

justamente neste momento a seguradora

avalia abranger mais produtos em seu

projeto interno. Na mira estão as áreas de

seguro de residência, condomínio e empresarial

que, em geral, utilizam a mesma

base de prestadores de serviços. “O martelo

não está batido. Queremos fazer, mas

estamos realizando um levantamento

de custo, vantagens etc, principalmente

avaliando qual o incremento de qualidade

que nós podemos dar internalizando

a prestação do serviço. Mas a chance é

de 80% a 90% de fazermos”, antecipa o

executivo.

À medida que a Tokio trouxer a

prestação de serviços e assistências dessas

áreas para dentro de casa, manterá nas

mãos de terceiros apenas o atendimento

do seguro de vida. O foco da companhia

é ter o grosso da sua operação em suas

mãos. Em troca, a seguradora espera,

de acordo com Silva, não só melhorar

os serviços, uma vez que o atendimento

proporciona contato direto com o segurado,

mas também economizar custos. Na

prática, assumir a prestação de serviços

funciona como uma grande operação de

big data, na qual a seguradora passa a ter

mais proximidade às necessidades de seus

clientes e um leque maior de informações

que, no fim do dia, podem até mesmo

influenciar na política de precificação da

seguradora e ajudar na tomada de decisões.

“Serviços, para nós, é marketing.

É imagem. Isso é estar lá, na frente, ter

sensibilidade”, resume o diretor da Tokio.

Sem dar detalhes dos avanços obtidos

com a internalização da assistência

no segmento de seguro de automóvel,

Silva diz que a qualidade do serviço

aumentou. Esse é um dos pontos que faz

a alemã HDI Seguros pensar na possibilidade

de seguir os mesmos passos.

De acordo com o superintendente de

Operações e Processos da companhia,

Wellington Lopes, a internalização da

prestação de serviços e assistências é um

“assunto vivo” e “recorrente” em todas as

seguradoras. A cada ano, diz ele, o assunto

é revisitado, uma vez que é estratégico

para o mercado tanto do ponto de vista de

custo como de atendimento ao segurado.

“Ambos os modelos têm prós e contras.

O que não pode é respingar na qualidade

da oferta do serviço ao cliente. Aqui, na

HDI, o que dita a regra é a ‘experiência

do cliente’”, diz o executivo.

Apesar de manter a prestação de

serviço e assistência terceirizados, a

seguradora, conforme Lopes, atua sob

o modelo de co-gestão juntamente com

a sua prestadora. Ou seja, apesar de não

ter o serviço dentro de casa, o trabalho

conta com o “olhar atento” da seguradora.

15


seguradoras

❙Hugo Assis, da Accenture

Como se diferenciar

16

Ter um prestador focado pode fazer

diferença, conforme Lopes, da HDI,

diante dos avanços tecnológicos atuais

é fundamental. Tanto é que no mundo

a oferta de serviços e assistências está

majoritariamente nas mãos de gigantes

especializadas, como Tempo Assist,

Mondial Assistance, Europ Assistance

e Brasil Assistência. Essas companhias

têm por trás acionistas de peso como

Allianz, Bradesco Seguros, Mapfre

Seguros, Swiss Re e o fundo Carlyle,

que compra participações em empresas.

Somadas, as três maiores detêm 92%

do setor no Brasil, que movimenta anualmente

mais de R$ 3 bilhões. Como

as empresas especializadas já fazem o

investimento para atenderem sua base, é

possível fornecer a prateleira de soluções

e atendimento aos segurados sem que,

em troca, sejam necessários grandes

investimentos. “Estamos bastante atentos

às questões de mobilidade, comodidade

e uma estratégia clara de aliar tudo isso

com tecnologia. Vivemos a era digital.

As tecnologias têm de ser convertidas

em comodidade e conforto na prestação

de serviço, que ganhou importância significativa

nos últimos anos, no Brasil”,

avalia o superintendente da HDI.

Estudo da Accenture evidencia a

necessidade de as empresas do setor de

seguros desenvolverem serviços personalizados

e que ajudem a reduzir os riscos

do cliente. Figura nesta lista, por exemplo,

o uso de tecnologias vestíveis, os chamados

wearables, que ajudam na assessoria a

idosos, e ainda a venda e gestão de dispositivos

conectados para o lar. Essa frente

tem potencial de gerar US$ 12 bilhões em

novas receitas para seguradoras ao redor

do mundo, segundo o estudo “Insurance

as a Living Business”, da Accenture, que

define um total de 23 alavancas de crescimento

futuro para o mercado de seguros,

agrupadas em cinco categorias, sendo uma

delas, a oferta de serviços.

No Brasil, o pontapé para o segmento

foi dado pela Porto Seguro ainda nos

anos 90, quando a companhia começou

a introduzir os serviços nas apólices de

seguro residencial. Naquela ocasião, a

seguradora buscava estar mais presente

na vida do segurado e não apenas no

momento do sinistro. Passados quase

40 anos, nas palavras do presidente da

companhia, Roberto Santos, a seguradora

extrapolou sua vocação na prestação

de serviços. Em troca, suas receitas

nesta área, conforme as demonstrações

financeiras da seguradora, passam de

R$ 1 bilhão por ano. Apesar de a Porto

atuar em todo o Brasil, e com uma gama

ampla de produtos, Santos reforça a

necessidade de evidenciar a oferta de

serviços e assistências a segurados que

ainda desconhecem os benefícios que

possuem atrelados à apólice. “Há uma

gama enorme de serviços. Oferecemos

desde instalação de rede de proteção de

varanda até consertos de linha branca,

dentre outros”, exemplifica o executivo.

Além disso, no caso da Porto Seguro,

o desenvolvimento da prestação de

serviços e assistência está alinhado à

estratégia da companhia de diversificar

suas receitas, reduzindo a dependência

do seguro de automóvel, que representa

entre 65% e 70% de seus negócios. Sem

precisar a proporção que a carteira da

seguradora terá no futuro, o presidente

da Porto Seguros lembra que, há 20 anos,

o peso do ramo de veículos nos resultados

da companhia era ainda maior,

beirando os 90%. “Há muito espaço para

crescer a oferta de serviços e assistências

no mercado brasileiro de seguros,

mas o objetivo maior é a comodidade

do segurado. De quebra, a prestação de

serviços contribui para fidelizá-lo”, diz

o executivo.

❙Wellington Lopes, da HDI

Com um movimento parecido ao da

Porto, de ter uma empresa especializada

na prestação de serviços, a americana

Liberty Seguros anunciou no final do

ano passado a aquisição de um player

especializado na oferta de assistência 24

horas, a Fácil Assist. A operação está em

vigor desde o início do ano. O objetivo da

companhia, diferente da Tokio, é manter

o nicho como um braço independente

do grupo americano. Assim, continuará

atuando para o mercado e prestará atendimento

à seguradora nas linhas de seguro

residencial e de automóvel. A Fácil Assist,

que já atendeu mais de 3 milhões de beneficiários,

conta com um portfólio de 150

clientes corporativos e um exército de mais

de 30 mil prestadores de serviços. Até

então, a última aquisição feita pela Liberty

no Brasil havia sido a Indiana Seguros, da

família libanesa Afif, há dez anos.

Na contramão, contudo, a SulAmérica,

que antes tinha a prestação de serviços

dentro de casa, resolveu terceirizar a

operação junto a players especializados

em 2016. Tanto é que, apesar de alguns

movimentos pontuais, executivos do

mercado de seguros e também do setor

de assistências não veem a internalização

na prestação de serviços como uma tendência

no mercado brasileiro. Diversas

companhias já renovaram, inclusive, os

contratos com empresas do setor por mais

seis, sete anos. Trazer esse serviço para

dentro de casa não é trivial e, para boa

parte das seguradoras, não é seu negócio

principal. Precisa de escala e, sobretudo,

investimentos.


serviços | prestadores

Na linha

de frente

Prestadores de serviços buscam

preencher as lacunas entre as

seguradoras (e operadoras de saúde)

e seus clientes, com um atendimento

que precisa ser excelente para que

haja fidelidade neste relacionamento

Kelly Lubiato

18


O

momento crítico, em que o

segurado mais precisa do

serviço que contratou, nem

sempre é atendido diretamente

pela detentora do contrato. Entretanto,

este contato com um prestador

de serviço é fundamental para a escolha

entre renovar uma apólice ou partir para

uma nova seguradora.

A escolha dos serviços oferecidos

pelas seguradoras se baseia na necessidade

que elas identificam no mercado.

Por exemplo, no seguro saúde, cujo atendimento

é feito totalmente por terceiros

de forma geral, para melhorar o resultado

das carteiras, algumas empresas investem

em programas de prevenção à saúde. Para

isso, buscam no mercado empresas que

tenham experiência no desenvolvimento

destes programas.

Monitorar as gestantes e recémnascidos

até os seus primeiros quatro

meses de vida é um trabalho que diminui

muito a procura por atendimento emergencial.

Roseni Muniz do Departamento

de Operações da AzimuteMed, explica

que cada programa tem um objetivo e um

público alvo. O Articulação, por exemplo,

cuida de pacientes com artrite reumatóide,

artrite psoriásica, fibromialgia e

espondilite anquilosante. “São patologias

crônicas, que não têm cura e que com o

tempo prejudicam muito a mobilidade de

quem as possui”, explica Roseni. Com a

aplicação do programa é possível fazer

com que o paciente entenda a patologia

e saiba a importância do tratamento, da

alimentação saudável e dos exercícios

físicos para o seu controle.

Este é um trabalho de conscientização

dos beneficiários, para que eles

tenham uma vida mais próxima possível

do normal. Com isso, é possível diminuir

o absenteísmo e os custos com atendimentos

emergenciais. “Com o tempo, o

aparecimento de novos sintomas faz com

que o paciente procure mais os serviços

médicos. Com o tratamento adequado,

farmacológico ou não, o paciente sabe das

mudanças do seu corpo. Todos os esclarecimentos

estão disponíveis também em

um serviço de atendimento pelo telefone”.

No programa “Futura Mamãe” a rotatividade

é grande, com uma média de 2000

vidas atendidas por mês. A seguradora

“O Articulação, por

exemplo, cuida de

pacientes com artrite

reumatóide, artrite

psoriásica, fibromialgia e

espondilite anquilosante.

“São patologias crônicas,

que não têm cura e que

com o tempo prejudicam

muito a mobilidade de

quem as possui”

Roseni Muniz, da AzimuteMed

consegue oferecer um atendimento com

mais qualidade para suas usuárias em um

momento de muita fragilidade, oferecendo

um cuidado maior que é muito valorizado

pelas empresas clientes também.

“A medicina preventiva é uma tendência,

porque este tipo de atendimento

é muito mais barato e eficiente. Hoje, já

é oferecido um canal de comunicação

eletrônico, via chat, com médicos e com

outros pacientes, sempre de forma monitorada

por um profissional da saúde. Há

também o uso de videoconferência. Há

uma equipe de profissionais que trabalham

neste monitoramento”, esclarece Roseni.

Pessoas que atendem pessoas

Apesar de futuro apontar na linha do

atendimento customizado, mas operado

por máquinas, ainda há empresas que

destacam a importância de realizar um

acompanhamento muito pessoal de seus

beneficiários.

19


prestadores

“As seguradoras estão

ansiosas para tentar

facilitar a vida do cliente

para vender um

produto/serviço melhor”

Marusia Gomes, CEO da Ikê Assistência,

ressalta a importância de ser uma

empresa de “pessoas” que atendem pessoas.

Em tempos de tecnologias avançadas,

este posicionamento demonstra

outro lado dos prestadores de serviços,

que é a customização e a personalização

do atendimento. “Não seguimos

um ‘script’ fechado de atendimento e

nos adequamos aos processos de cada

cliente. Temos 4% de turnover, valorizamos

nossos agentes, e, estimulamos

os elogios e não cobramos por tempo de

atendimento. O que queremos proporcionar

ao cliente final é uma agradável

experiência”.

Segundo a CEO, a empresa integra

tecnologia com atendimento via omnichanel,

trabalhando com o acionamento

eletrônico e localização via GPS. “Além

disso, nossa equipe de projetos está

trabalhando para o desenvolvimento

e implantação de Chatbot, Whatsapp

Business e posições em homeoffice”,

completa Marusia.

Tecnologia é um dos pontos mais

20

Jailson Meireles, da Confitec

sensíveis para as seguradoras. A transformação

digital exige a incorporação de

serviços inovadores. Porém, ao mesmo

tempo em que necessitam inovar, as

companhias têm que continuar focadas

em seu core business. Portanto, as buscas

por sistemas conectáveis à sua operação

são fundamentais. Segundo Jailson

Meireles, diretor da Confitec, os serviços

de sustentação das seguradoras dá apoio

à suas operações para evitar problemas

operacionais.

Além disso, hoje as companhias

estão preocupadas com a incorporação

de inovações, sempre de olho na melhor

prestação de serviços para os clientes. “As

seguradoras estão ansiosas para tentar

facilitar a vida do cliente para vender

um produto/serviço melhor”, esclarece

Meireles. Um exemplo deste tipo de inovação

é a possibilidade de realização de

vistoria remota, que o técnico pode fazer

em qualquer lugar.

Todas as seguradoras trabalham

tentando implementar alguma coisa

de inovação. Seja uma área ou alguém

responsável poAr buscar estas novidades

no mercado. Algumas seguradoras partiram

para a abertura de aceleradoras de

startups, como a Oxigênio (Porto Seguro)

ou o InovaBRA (Bradesco Seguros).

“O desafio para as grandes empresas

é identificar nestas startups novidades

para serem incorporadas. No caso da

concorrência das startups com empresas

já estabelecidas, é preciso lembrar que de

cada 100 empresas que surgem, em médio

prazo, algo como cinco conseguem

sobreviver”, estima Meireles. A primeira

dificuldade é a própria existência de uma

empresa, que depende do enfrentamento

da burocracia e tributação. Há também

a responsabilidade pelo serviço que será

prestado às seguradoras.

Por este motivo, Meireles acredita

que tanto seguradoras quanto congêneres

mais estruturadas, acabam participando

destas pequenas empresas para dar-lhes

mais musculatura. “O que mais despertou

no mercado, para empresas de tecnologia

como nós, foi a necessidade de buscar

também novidades e inovações para o

mercado. Quem se acomoda, morre”,

sentencia. Vale ressaltar que neste novo

modelo de mercado, as parcerias devem

“É difícil para uma

corretora de seguros

nacional adentrar

nestes programas

internacionais”

Marco Guanaes, da Korsa

ser boas para todos os envolvidos.

Para as seguradoras, ainda é muito

importante conhecer seus clientes, o que

é feito através de uma grande quantidade

de dados. Pode-se acreditar que, com a

velocidade da era digital de hoje, a luta

contra a fraude é automatizada, mas não

é esse o caso. 67% dos entrevistados

argumentam que a luta contra a fraude

em suas empresas é baseada no palpite

de seus ajustadores, em vez de usar processos

automatizados, mostra o estudo

Inquérito Sobre a Fraude em Seguros

2019, elaborado pela holandesa Friss.

De olho no cliente final

Poucos segmentos no mercado, são

tão específicos como mineração, energia

e óleo e gás. Em todos eles, se trabalha

em locais inóspitos, como os parques de

energia eólica, as plataformas de petróleo

no mar ou em mineradoras. Estes

segmentos são diferentes entre si, mas

se configuram em operações complexas.

A grande maioria das multinacionais

segue as políticas de gerenciamento de


iscos e seguros de sua sede, acordada

normalmente na matriz da empresa.

Marco Guanaes, diretor de Energia, Mineração

e Óleo e Gás da Korsa, diz que

é difícil para uma corretora de seguros

nacional adentrar nestes programas

internacionais. Para transpor este obstáculo

para acessar as grandes empresas,

Guanaes desenvolveu um serviço para

empresas desta área de mineração, óleo

e gás e energia, que não possuem uma

pessoa especializada na área de seguros

internamente.

Com toda a crise econômica que o

Brasil passou nos últimos anos, algumas

empresas realizaram cortes de pessoal.

Quem há dois anos tinha um profissional

desta área, agora pode ter ficado

sem este especialista. Normalmente, a

gestão de risco e seguros pode ser mais

um “pratinho” nas áreas de responsabilidade

do diretor financeiro no Brasil, que

normalmente já responde pela tesouraria,

contabilidade, compliance e seguros para

ele gerenciar.

A gestão de riscos e seguros pode ficar

sob uma pessoa que não é especialista

no assunto. Como as empresas são obrigadas

a utilizar a política internacional

da sua matriz no Brasil, no melhor estilo

“copy, paste”, a oportunidade de negócio

surgiu para oferecer um Due Dilligence

Consultivo. Não há pessoal interno para

questionar o que vem da matriz.

Guanaes conta que o trabalho é realizado

no sentido de adequação e busca

de aderência maior do programa internacional

da empresa à realidade do Brasil.

Após a análise completa, o relatório pode

apontar que o programa está em linha

com a determinação da matriz. Ou, a auditoria

pode encontrar alguns problemas,

como a empresa achar que contratou um

seguro para um determinado risco que,

na verdade, não está coberto ou coberto

a valores menores. Como o programa

é feito globalmente, algumas vezes ele

pode não atender as necessidades locais.

Inovação no setor inclui novos canais, IoT,

dispositivos conectados e metodologia ágil

Internet das coisas (IoT), lingua-

gem machine-to-machine (M2M), novos

canais na estratégia omnichannel para

todo o ecossistema, do usuário aos parceiros,

e metodologia ágil – são pontos

que João Armesto, diretor comercial da

Tempo Assist, sublinha ao falar de inovação.

“É um processo contínuo, não

só por novas ferramentas e tecnologia,

mas mudanças de comportamento.

Veja o WhatsApp: se o consumidor usa

para tudo, não faz sentido não usar em

emergências”.

Ele lembra que a conta da Tempo

Assist no WhatsApp Business foi das

primeiras autorizadas no País, ano passado.

A empresa saiu na frente ao disponibilizar

o canal para todos os clientes,

assim como Messenger e WebChat. “Eles

fornecem vídeos, imagens e a localização

exata do usuário e nós, melhor

experiência: o usuário acompanha 100%

da jornada de forma digital”.

Com a adoção da metodologia

ágil, diz, a empresa responde rapidamente

à maior frequência de lançamento

de canais e atualização dos

existentes. E para abreviar o tempo de

desenvolvimento de soluções tecnológicas,

garantindo melhor time-to-

-market, oferece ambiente específico de

❙João Armesto, da Tempo Assist

interface de programação de aplicações

(API’s) em que clientes e parceiros

atuam de forma direta e simplificada.

O próximo passo, com os avanços

em IoT e M2M, será incorporar dispositivos

conectados ao atendimento. “Nosso

sistema permite ao próprio carro

nos ‘avisar’ da existência de problema:

o veículo dá o alerta e o usuário, que

está sempre no centro de tudo, agenda

o serviço à sua conveniência”.

21


produto | celulares

Preciosos, mas

desprotegidos

A importância dos gadgets na vida dos

brasileiros só cresce. Mesmo assim,

apenas 3% dos aparelhos móveis

contam com algum tipo

de proteção no Brasil

Amanda Cruz

22


No início da década de 90,

acontecia no Rio de Janeiro

- e logo depois em São Paulo

- o lançamento do primeiro

aparelho celular: a telefonia móvel com

agenda integrada e identificador de chamadas

chegava ao País, com uma bateria

que durava até 15 horas em espera. Era o

começo de uma verdadeira revolução na

comunicação que se iniciava, finalmente,

em terras nacionais. De lá para cá, muita

coisa mudou e os aparelhos passaram a

ganhar cada vez mais espaço, mais funções

e a ocupar um lugar primordial na

vida cotidiana. Conectar-se com pessoas

ao redor do mundo, se informar, registrar

momentos e até mesmo fazer compras:

tudo isso acontece na palma da mão.

Tendo se tornado um sonho de

consumo para todas as classes sociais,

a democratização do celular permitiu o

acesso das classes mais baixas à internet

e, consequentemente, a conteúdos que

antes eram uma realidade muito distante.

Isso gerou ainda mais vontade de adquirir

essa tecnologia.

“As pessoas estão cada vez mais

dependentes do aparelho e não querem

ficar sem ele. Além disso, para muitos

consumidores, o celular está relacionado

a um determinado status social, o que

torna mais aguda a dependência”, ressalta

Guilherme Menezes, diretor Comercial

de Vida e Afinidades da AXA.

Essa expansão despertou não só a

vontade de consumo, mas também o

aparecimento de uma alta taxa de criminalidade

ligada aos celulares. De acordo

com um levantamento feito em 2016 pela

empresa de segurança Bitdefender, no

País, 63 roubos de aparelhos são registrados

por hora nas principais capitais. Além

de toda a violência originada por esses

números, há também o dano material que

essa realidade causa. Para esse último

fator, há uma maneira de diminuir os

❙❙

Guilherme Menezes, da AXA

prejuízos financeiros que não está sendo

devidamente aproveitada: o seguro.

Embora dados do IBGE de 2016

mostrem que 77,1% da população brasileira

com 10 anos ou mais têm um

telefone móvel, o que soma mais de 220

milhões de celulares - em contraponto


celulares

❙❙Patricia Soeiro, da Fenseg

aos 207 milhões de habitantes -, o seguro

para celular chega a apenas 3% desses

gadgets. Em comparação, esse mesmo

tipo de proteção tem penetração de 33%

nos EUA e 90% no Japão, o que evidencia

a falta de cultura de seguro no País,

pois até mesmo esse bem tão precioso

não é cogitado como algo que pode ou

deve ser devidamente protegido. Patricia

Soeiro, vice-presidente da Comissão de

Seguro Garantia Estendida e Afinidades

FenSeg, reconhece que “este ainda é o

nosso desafio: precisamos conscientizar

a população sobre os benefícios e

facilidades do seguro, além de estarmos

sempre atentos às mudanças tecnológicas

e novas demandas dos clientes, para que

possamos atendê-los da melhor maneira

possível”, pontua.

Dentro dessa deficiência cultural, há

dois fatores que são primordiais e devem

ser trabalhados: preço e coberturas. “O

seguro culturalmente ainda não é uma

prioridade para os brasileiros. Algumas

pessoas preferem consertar o celular em

uma assistência com a percepção de que

irão pagar menos pelo serviço do que pelo

seguro”, aponta Michele Borba, diretora

Comercial de Afinidades da Zurich.

24

Obstáculos e coberturas

Para além da cultura do seguro, por

que as pessoas que sabem que essa opção

existe não contratam a proteção? Para

Daniel Hatkoff, fundador e CEO da Pitzi

- clube de proteção para celulares - o

mercado precisa levar em conta alguns fatores

que são decisivos para a aquisição de

uma proteção, como ter um produto que

todo mundo vai querer porque realmente

tem benefícios e é algo em conta. “Hoje,

o prêmio cobrado é muito caro e ainda há

uma franquia de 15 a 30%. Há motivos

para que seja assim, como questões de

fraude, por exemplo, mas isso precisa

ser resolvido”, aponta. Entre os problemas,

ele cita que embora as seguradoras

tenham muita expertise em questões de

risco, ainda precisam ser mais eficientes

em pontos como logística e supply chain.

As seguradoras são empresas que operam

de maneiras mais tradicionais, com

padrões operacionais mais rígidos e

sistemas legados que, apesar de garantir

sua idoneidade e solvência, muitas vezes

retardam o processo de inovação. Para

muitos produtos esses processos são

formas de se proteger, mas em outros,

como o seguro para celular, isso acaba

retardando as melhorias que poderiam

ser feitas “O mercado está evoluindo em

processos e tecnologia, o que tem facilitado

a oferta. Temos o desafio de tornar

cada vez mais simples, ágil e conveniente

todo o processo para o cliente, da venda

ao sinistro. Do lado do consumidor, temos

o desafio de ajudar a difundir a cultura

do seguro”, explica Menezes, da Axa.

É importante destacar que essa evolução

precisa, de qualquer maneira, passar pela

expansão das coberturas oferecidas pelo

mercado. Muitas pessoas deixam de adquirir

o seguro porque as principais proteções

hoje são para roubo e furto qualificado

- aquele no qual o indivíduo precisa

ultrapassar algum tipo de barreira para

subtrair o bem. Patrícia explica que nessa

modalidade a cobertura é de reposição do

aparelho por outro igual ou similar. “Isso

é feito mediante apresentação de documentação

comprobatória, como Boletim

de Ocorrência, por exemplo”, elucida.

Portanto, casos mais comuns, nos quais a

pessoa é roubada sem perceber e também

nos casos de danos como quebra de tela

e líquidos, por exemplo, nem sempre há

cobertura. “Quando o distribuidor disponibiliza

as coberturas individualizadas,

existe uma leve preferência pela cobertura

de Roubo e Furto Qualificado, pois o

valor do prejuízo em caso de um celular

novo é maior que um conserto. Porém, a

❙❙Michele Borba, da Zurich

opção “combo” (Roubo e Furto mais Danos)

é líder da preferência dos consumidores

pois possibilita a proteção completa

do aparelho”, ressalta Michele Borba.

São duas contas que não fecham: a necessidade

de aumentar a tecnologia, para oferecer

produtos mais completos em companhias

que têm sistemas mais lentos,

e dar cobertura total para um aparelho

cujo risco de sinistro é alto e constante.

O interesse em fazer isso acontecer tem

crescido tanto que as discussões sobre

essas mudanças já estão avançadas,

conforme afirma o executivo da Axa.

“O mercado tem discutido em fóruns

institucionais sobre a inclusão da cobertura

para furto simples. Não seria

uma decisão isolada de nenhuma seguradora,

mas de todo o mercado”, pontua.

Para lidar com essas questões, seja nesse

ou em outro produto, as seguradoras

têm procurado startups para atender o

cliente sem precisar mexer diretamente

em seus sistemas, formando parcerias.

A Pitzi é um exemplo disso. Inicialmente,

a startup começou tentando oferecer o

produto diretamente ao cliente, mas em

pouco tempo os idealizadores perceberam

que a parceria com as seguradoras

poderia ser muito mais benéfica para

ambos. “Vimos que esse é um produto

que traz muita alegria para os clientes e

que poderíamos ajudar as seguradoras,

trazendo mais velocidade”, assinala o

CEO da empresa. Com média de dois

dias para devolução de uma demanda dos

clientes, e prazo máximo de cinco dias,


celulares

A jornalista Marianne Mitsui, 28,

teve seu primeiro contato com o seguro

para celular por indicação de uma amiga

que conhecia o setor. “Eu contratei o

seguro na loja em que comprei o meu

iPhone 4. Na época, eu mesma perguntei

se eles ofereciam o seguro, não foram eles

que me ofereceram”, conta.

Pouco tempo após a contratação,

Marianne precisou acionar sua apólice

porque foi roubada na Avenida Paulista,

em um golpe muito comum na região,

onde alguém passa de bicicleta e arranca

o aparelho das mãos da vítima. “Nesse

A voz do consumidor

momento eu acionei a seguradora e tive

que pagar a franquia que havia contratado.

Depois de 30 dias estava com um

celular novo em mãos e, melhor ainda,

porque o modelo que eu tinha anteriormente

havia sido descontinuado e eles

me mandaram um modelo superior, o

iPhone 4S”, lembra.

Mesmo com a boa experiência,

Marianne recorda que o valor do prêmio

mensal mais a franquia cobrada acabam

não compensando dentro de seu orçamento.

“Na época, a franquia era 10%

do valor do aparelho. Hoje eu prefiro ter

um planejamento

e uma reserva para

essas eventualidades,

ao invés de pagar o seguro”,

pontua. Apesar de Marianne ter a

ressalva de que o seguro compensa se

o sinistro ocorre pouco tempo depois

da compra, ela não possui mais o serviço

e prefere optar pelo risco de não

ter o montante necessário caso precise

adquirir um novo aparelho. “Apesar de

ter sido muito bem atendida, atualmente

eu não tenho seguro e não contrataria

de novo”, finaliza.

uma supply chain com boa infraestrutura,

que ajuda a baixar custos, e utilizando

a tecnologia para combater fraudes, a

agora insurtech já se uniu com grandes

companhias e promete com elas oferecer

um seguro all risks - que cobre até esquecimento.

“Demorou para achar parceiras

para isso. As seguradoras estavam otimistas,

mas queriam provas que garantissem

que tudo funcionaria”, conta Hatkoff.

Um dos temores latentes das companhias

O mais protegido

A Apple é, sem dúvidas,

o expoente máximo

quando o assunto é celular

dos sonhos. Além de muito

cobiçado o iPhone é um bem

de consumo que vai além da

sua indiscutível qualidade: é

uma forma de status.

Os clientes da Kakau Seguros,

plataforma digital de seguros por assinatura,

são em sua maioria proprietários

desses aparelhos queridinhos do

público. De acordo com levantamento

feito pela empresa, o fato desses aparelhos

serem mais caros, via de regra,

faz com que essas pessoas contratem

mais seguros, representando 54% dos

planos feitos na empresa.

Os aparelhos dos clientes da Kakau

são iPhones 8, X, XR e XS, que custam

a partir de R$ 3.999 no site da marca.

ao assumir riscos tão altos é conseguir

lidar com as fraudes, além de serem

capazes de impedir que elas se tornem

recorrentes e causem prejuízos aos outros

clientes. A maior parte das seguradoras

hoje pede nota fiscal e usa outras pessoas

para avaliar os sinistros. É nesse gap que a

insurtech se faz primordial, pois é preciso

trabalhar com dados de utilização do aparelho

para que se consiga mais facilmente

identificar quem está sendo desonesto.

Com a geolocalização, por exemplo, é

possível saber se o celular continua sendo

usado no mesmo endereço, ou com

o machine learning é possível analisar

se a utilização do aparelho é similar a

antes da queixa de sinistro, entre outras

possibilidades que a análise de um banco

de dados permite. “O que é perceptível

para os humanos é muito diferente do

que é percebido pela máquina, que sabe

não apenas ver o documento, mas identificar

se ele foi modificado”, exemplifica

Questão Geracional

Hatkoff. O capital humano, portanto, não

está sendo dispensado, mas redistribuido

para funções nas quais a humanidade seja

necessária - como a relação direta com o

cliente - e deixando o trabalho automatizado

para as máquinas.

Oportunidades

Se a procura e a obsessão pelos celulares

já é grande, de maneira nenhuma

isso quer dizer que a demanda vai começar

a arrefecer. Pelo contrário, a presença

imprescindível do celular em qualquer

situação há muito deixou de ser coisa da

geração Millennial apenas, arrebatando

Baby Boomers, antes críticos ferrenhos,

como os mais novos aficcionados por celular.

“Ainda existe muita oportunidade com

este produto. A importância do celular na

vida das pessoas só aumenta e isso não irá

mudar tão cedo. Recentemente, a Zurich

investiu em tecnologia para proporcionar

um atendimento de sinistro 100% digital,

Embora as pessoas mais velhas estejam cada vez mais conectadas, a geração

Millennial - formada por aqueles nascidos entre as décadas de 80 e 90 - é a máxima

expressão da conectividade via celular: eles cresceram junto a essa revolução e hoje

fazem tudo que podem nessas pequenas máquinas. Do trabalho ao lazer, passando

pelo debate político. Existem até síndromes que surgiram dessa relação tão apegada

à tecnologia: a FOMO - fear of missing out ou medo de perder acontecimentos,

em tradução livre - é a síndrome que desperta o receio que existe em pessoas que

ficaram viciadas no uso do celular e temem perder o que rola na timeline.

26


melhorando a experiência do segurado e

diminuindo consideravelmente o prazo

de indenização”, conta Michele Borba.

O modelo de venda nos balcões dos

varejistas também tem dado resultados,

pois eles são vendedores treinados e com

familiaridade com os aparelhos, o que

ajuda a realizar a venda do seguro de

forma correta nesses estabelecimentos.

Menezes afirma que “é raro comprar um

celular e não receber junto uma oferta

de seguros. O varejo está cada vez mais

conectado às seguradoras e entende que

esse serviço não pode faltar no balcão”,

afirma. Ter canais diferenciados também

contribui para difundir o seguro,

colocando-o em espaços de mais acesso

para a população. “Ao longo dos últimos

anos temos ampliado a divulgação destes

seguros, buscando a simplificação

das informações, com o objetivo de

torná-las mais claras aos consumidores”,

afirma Patrícia, porta-voz da Fenseg.

Mesmo assim, há outro ponto que pode

O estado dos riscos

Os grandes centros são os principais focos de atenção para quem se preocupa

com os riscos de roubos e furtos. Não a toa, a unidade federativa que mais registra

bloqueios de celulares no Brasil em

números absolutos é São Paulo - que tem

a maior população do País - com 45,6 mil

solicitações. Seguida pelo Rio de Janeiro,

com 18,8 mil pedidos e Minas Gerais, que

contabiliza 7,9 mil registros desse tipo.

Porém se a avaliação for feita proporcionalmente

ao número de habitantes,

o Rio de Janeiro tem o maior número de

celulares bloqueados: 11,2 aparelhos para

cada 10 mil habitantes.

Fonte: Proteste e Olhar Digital

ser interessante para alavancar o produto:

passar a oferecê-lo não apenas aos aparelhos

novos, mas também dar a chance

àqueles que já compraram os seus de

protegê-los.

Há players suficientes e cheios de

vontade de expandir o mercado, assim

como há muita demanda dos clientes que

não só querem ter garantia de que eles não

ficarão sem seu aparelho, mas também

de que o processo de atendimento será

rápido o suficiente para que eles não

sintam tanta falta assim de sua principal

companhia do dia a dia.


grandes riscos | sinistro

Mariana se repete

Rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG), faz o País reviver

a tragédia de três anos atrás mas, desta vez, com impactos ainda mais

devastadores. Endurecimento das condições das apólices de seguros para

a mineradora após o desastre da Samarco, contudo, não evitou um novo

sinistro e mais um desastre na história brasileira

Elis Lopes

Exatos 149 quilômetros separam

a cidade de Mariana de Brumadinho,

ambas em Minas Gerais.

Em linha reta, o trajeto encurta

para 86 quilômetros. A proximidade,

antes apenas física, ficou ainda maior

após o fatídico 25 de janeiro, quando uma

nova barragem de rejeitos de minério se

rompeu, devastando tudo que tinha pela

frente. A lama da mina do Córrego do

Feijão, em Brumadinho, percorreu – ao

menos até aqui - 98 quilômetros no rio

Paraopeba, alcançando o município de

São José da Varginha. Dez dias após a

tragédia da mineradora Vale, em Brumadinho,

o número oficial de mortos

chega a 165. Desaparecidos somavam

28

160 pessoas. Enquanto Mariana gerou

números desastrosos do lado ambiental,

com toneladas de peixes mortos, e

material, com centenas de edificações

sucumbidas pela lama, Brumadinho

tirou vidas e mais vidas de funcionários

da Vale e da população local, no maior

acidente de trabalho da história do País.

Até então, havia sido o desabamento de

um galpão, também em Minas Gerais, na

capital Belo Horizonte, capital mineira,

que fez 69 vítimas fatais, em 1971. Os

números não param de crescer – já devem

ser maiores até a publicação desta edição

da Apólice. Enquanto o País ainda vive

mais uma tragédia, o mercado de seguros

também já faz suas contas. A Vale tem

um programa de bilhões de dólares em

limite segurado junto às seguradoras e

resseguradores, conforme mostra em seu

próprio formulário de referência – principal

documento para empresas de capital

aberto se comunicarem com o mercado

e com o órgão regulador.

Nele, a mineradora declara que conta

com diversos tipos de apólices, como

seguro de riscos operacionais, seguro de

risco de engenharia (projetos), seguro de

risco de crédito, responsabilidade civil,

seguro de vida para seus empregados.

Acrescenta ainda que utiliza resseguradoras

cativas – uma delas é a Monticello

Insurance Limited (MIL) – que permitem

a retenção de parte do risco e acesso aos


principais mercados internacionais de seguro

e resseguro. Embora não dê detalhes

dos contratos e afirme que essa estratégia

garante contratação de apólices “em bases

competitivas”, o mercado de seguros

ficou mais restrito para a Vale após Mariana,

o que tende a conter os reflexos de

Brumadinho para o setor. Além de ter de

pagar mais caro para renovar suas apólices,

a mineradora foi obrigada a assumir

mais riscos e, em alguns casos, teve suas

coberturas reduzidas. Com Brumadinho,

a Vale terá desafios ainda maiores para

renovações futuras, segundo especialistas

ouvidos por Apólice. “A Vale pode ter um

incremento bem considerável em termos

de prêmios e ainda restrições de cobertura

e, até mesmo, não conseguir contratar

proteção no mercado”, diz um advogado

especializado em grandes sinistros.

Risco assumido

Dentre as apólices já acionadas por

conta da tragédia de Brumadinho, estão

a de proterty (danos materiais e lucros

cessantes), a de responsabilidade civil,

o seguro de seus executivos (D&O, na

sigla em inglês) e ainda o seguro de vida

coletivo dos colaboradores. Cada contrato

tem suas respectivas seguradoras e

está amparado em resseguradores locais

e internacionais. No caso da apólice

de danos materiais e lucros cessantes,

o limite é de US$ 800 milhões, sendo

outros US$ 2 bilhões em danos civis. O

seguro é liderado pela Chubb Seguros,

ao lado de Mapfre, Swiss Re Corporate

Solutions, que tem a Bradesco Seguros

como sócia, e FM Global. A corretora

responsável é a Aon e o resseguro está nas

mãos do IRB Brasil Re, na condição de

líder, juntamente com um pool de mais 15

resseguradores. Para ter acesso ao seguro,

a Vale tem de desembolsar uma franquia

no valor de US$ 5 milhões para danos

materiais e 45 dias de lucros cessantes.

O primeiro layer (faixa) da apólice cobre

o montante que ultrapassa a franquia até

um dano total - material mais lucros cessantes

- de US$ 300 milhões. Essa fatia,

contudo, é um autosseguro da própria

Vale e, portanto, não ficará a cargo das

seguradoras. “Esta foi uma exigência

das seguradoras para assumir riscos com

barragens após a tragédia de Mariana,

quando as empresas responsáveis pelas

barragens foram responsáveis pela maior

parte do risco”, lembra o diretor de renda

variável da casa de análise financeira

Eleven Financial, Carlos Daltozo.

Já o segundo layer da apólice prevê

um risco proporcional, entre seguradoras

e resseguradores, de US$ 500 milhões.

Dessa cifra, a cobertura para danos com

barragens é de, no máximo, US$ 100

milhões. Há, contudo, conforme fonte

ouvida por Apólice, uma exclusão de

cobertura para operações inativas como

era o caso de Brumadinho. Ou seja, na

prática, os prejuízos do rompimento da

barragem da Vale não estariam cobertos

se o contrato fosse levado ao pé da letra.

No entanto, a ordem, capitaneada pelo

ressegurador IRB, segundo fonte, é pagar

o sinistro “ex gratia”, do latin, significa

“gratuitamente”, “atitude movida por

boa vontade e não com o sentimento

de se cumprir uma obrigação jurídica”.

Essa orientação já foi passada, inclusive,

ao escritório de advocacia inglês Clyde

& Co, o mesmo que cuidou do caso

Mariana, que ainda não foi resolvido. A

leitura de players que estão na apólice

de danos materiais é a de que além de

o prejuízo ser pequeno quando dividido

para cada um do grupo, a barragem de

Brumadinho gerou uma comoção social,

com repercussão, inclusive, internacional.

“Se o mercado não pagar esses US$ 100

milhões diante desse desastre, vai parecer

que sempre estamos procurando meios

de não pagar nada”, alerta um executivo

do mercado.

Considerando a perda máxima aos

resseguradores na apólice de danos

materiais, que é de US$ 50 milhões,

segundo cálculos de Daltozo, da Eleven,

o risco para o IRB é de algo em torno de

40% do total do contrato, ou seja, US$ 20

milhões. Se levar ainda em conta a média

de retrocessão, ou seja, da divisão do risco

com outros resseguradores vista nos

nove primeiros meses de 2018, de 24%, o

impacto financeiro do ressegurador seria

de, no máximo, US$ 15,2 milhões, ou R$

57 milhões. A cifra representa, conforme

Daltozo, somente 3% do total desembolsado

em sinistros pelo IRB no acumulado

de 2018 até o mês de setembro, o que deve

resultar em um “impacto marginal” no

índice de sinistralidade da companhia.

Ao descartar reflexos financeiros relevantes

para o IRB Brasil Re na tragédia de

Brumadinho, o diretor da Eleven lembra

que o desastre de Mariana é um exemplo

de eficiência do ressegurador. Isso porque,

na época, a companhia cancelou o

contrato com a Samarco seis meses antes

do desastre. De acordo com Daltozo, a

equipe técnica do ressegurador detectou

problemas recorrentes nos piezômetros,

instrumentos que medem a movimentação

de terra e a estabilidade das barragens

e, com isso, cancelou o contrato. “Este é

um exemplo de eficiência técnica do IRB

Brasil Re e também, de que estes desastres

têm alguma condição de antecipação

e previsibilidade”, ressalta ele.

O prejuízo maior deve, com isso,

ficar a cargo da própria Vale. Cálculos

iniciais de seguradoras e resseguradoras

indicam prejuízos no valor de US$ 500

milhões. Desses, apenas os US$ 100

milhões por conta da cobertura para

barragens devem ser revertidos em

sinistro para o mercado. Oficialmente,

seguradoras e resseguradoras não se manifestam

sobre o caso de Brumadinho.

Durante teleconferência para comentar

seus resultados anuais, o presidente do

Bradesco, Octávio de Lazari, disse que

o dano de Brumadinho para o grupo

é imaterial. A seguradora do banco, a

Bradesco Seguros, é sócia da Swiss Re

Corporate Solutions, que está no dano

material da Vale, e ainda é a responsável

pelo contrato de seguro de vida dos

colaboradores da mineradora. “Temos

sentimento de tristeza e solidariedade

pela população de Brumadinho. Ficamos

consternados. A Bradesco Seguros

está fazendo a regulação in loco, rápida,

tempestiva, quase que online, no intuito

de atender e melhorar, na medida do possível,

a dor daquele povo”, disse Lazari,

acrescentando que a seguradora mandou

equipe a Brumadinho imediatamente

após o rompimento da barragem.

RC, o maior peso

O maior prejuízo para o mercado

de seguros virá, contudo, por conta da

apólice de responsabilidade civil, diante

da dimensão dos impactos de Brumadinho.

Diferente do contrato de dano

29


sinistro

❙❙Ponte destruída pela lama, em Brumadinho

material, neste, o número de players

envolvidos é menor. A apólice está nas

mãos da seguradora alemã Allianz, com

resseguro intragrupo por meio da AGCS,

e também conta com a participação da

japonesa Tokio Marine em parte do risco.

A corretora responsável é a Willis. O

limite da apólice em questão é ao redor

dos US$ 2 bilhões, segundo fontes, mas

apenas parte dele pode ser usado pela

Vale. A cobertura de danos causados

por barragens, por exemplo, é de US$

400 milhões, com excesso de US$ 100

milhões. No caso do RC geral, ou seja,

que pode ser usado para o pagamento

de indenizações a terceiros, o limite é

de apenas US$ 50 milhões, com excesso

de US$ 150 milhões, do qual a Tokio

Marine participa. Um executivo do

mercado chama atenção para o fato da

alemã Allianz “estar sozinha” em boa

parte do valor da apólice, contrariando

a lógica do seguro, de compartilhamento

de riscos. Especialistas ouvidos

por Apólice dizem, entretanto, que a

companhia deve estar resguardada com

contratos de retrocessão por meio da sua

30

resseguradora, a AGCS, o que atenuaria

o impacto para o grupo.

As informações sobre o contrato de

responsabilidade civil são ainda mais

escassas porque, a pedido da própria Vale,

de acordo com fontes, foi assinado um

contrato de confidencialidade (NDA, na

sigla em inglês) no próprio dia da tragédia,

25 de janeiro. Com isso, os envolvidos na

apólice de RC não podem se manifestar

a respeito. Mais presente em contratos de

fusões e aquisições, a cláusula foi vista

com estranheza por alguns advogados

especializados em seguros uma vez que

não é vista com frequência em casos de

sinistro. “Não é comum”, alerta um deles,

na condição de anonimato.

O advogado especializado em seguros

Ernesto Tzirulnik lembra que a

responsabilidade pelos prejuízos causados

pelo rompimento da barragem é

do tipo objetiva. Ou seja, não depende

da apuração da culpa. “Ocorrido o rompimento,

todos os danos emergentes e

lucros cessantes diretamente causados

pelo acidente devem ser indenizados

pela Vale. Isso porque o simples fato de

exercer a atividade de mineração com o

uso desse tipo de barragem é o bastante

para caracterizar a responsabilidade da

mineradora”, adverte o especialista.

Ele lembra ainda que o seguro de

responsabilidade civil não é apenas,

nem principalmente, uma garantia para

preservar o patrimônio do segurado que

o contrata, mas sim uma garantia para a

indenização às vítimas. O próprio Código

Civil, no artigo 787, esmiúça a função

desse tipo de seguro: “no seguro de responsabilidade

civil, o segurador garante

o pagamento de perdas e danos devidos

pelo segurado a terceiro”. “Portanto, o seguro

é das vítimas e de seus beneficiários

e não uma coisa de interesse exclusivo dos

segurados que os contrataram”, destaca

Tzirulnik.

Do lado da proteção aos executivos

da mineradora, a Vale tem uma apólice

de D&O, que protege os bens dos

respectivos administradores da companhia,

no limite de cerca de US$ 150

milhões com a seguradora suíça Zurich.

Além de fazer o aviso de sinistro prontamente,

segundo fontes, a mineradora


tem repassado à seguradora todas as

ações abertas na justiça, boa parte envolvendo

seus executivos, postura essa

benquista pelo mercado, uma vez que,

além de influenciar positivamente na

regulação do sinistro, difere da apresentada

no caso Samarco, que terminou em

um imbróglio judicial e a maioria das

indenizações não pagas. Por conta de

Mariana, a Vale foi obrigada a reduzir

o limite coberto de sua apólice de D&O

– antes chegava a US$ 200 milhões – e

passou a pagar mais para ter acesso à

proteção.

Além do D&O, a Vale tem um plus

para seus executivos. A mineradora

garante o pagamento de despesas adicionais

a partir de um “Contrato de Indenidade”

junto aos membros do Conselho

de Administração e diretores executivos.

O objetivo deste adicional, conforme

explica a companhia em seu formulário

de referência, é ir além dos D&Os oferecidos

no mercado, permitindo que seus

administradores tenham “a segurança e

estabilidade necessárias ao bom desempenho

de suas atribuições”. Quando o

presidente da Vale, Fabio Schvartsman,

assumiu o comando da companhia, em

maio de 2017, afirmou, na época, que

o lema de sua gestão seria: “Mariana

nunca mais”. Do contrário, seu tempo

de vida na maior mineradora de ferro

do mundo seria curto. Cálculos iniciais

da regulação de sinistro de Brumadinho

indicam que os prejuízos do rompimento

da barragem da mina do Córrego do

Feijão podem superar US$ 4,5 bilhões,

com a maior parte sendo desembolsada

pela própria Vale. Os danos de Mariana

ficaram ao redor dos US$ 4 bilhões.

As apólices

A mineradora Vale tem bilhões de

dólares em contratos de seguros. Para

obtê-los após a tragédia de Samarco,

contudo, a companhia teve de assumir

mais riscos e pagar mais caro pelas proteções.

Com Brumadinho, a situação fica

ainda pior, segundo especialistas ouvidos

por Apólice, com a Vale correndo o

risco de não conseguir renovar apólices

que antes tinha respaldo no mercado. Ao

lado, os principais contratos de seguros

da mineradora:

Property

RC

D&O

Seguro

de vida

Limite

Seguradoras

Corretora

Resseguradoras

Franquia

Prejuízo Estimado

Cobertura para

Barragens

Limite

Seguradoras

Corretora

Resseguradoras

Prejuízo

Estimado

Cobertura para

Barragens

Cobertura para

Indenizações

Limite

Seguradora

Corretora

Seguradora

US$ 800 milhões e mais US$

2 bilhões em danos civis

Chubb Seguros, na condição

de líder, ao lado de Mapfre,

Swiss Re Corporate Solutions,

que tem a Bradesco Seguros

como sócia, e FM Global

Aon

IRB Brasil Re, na condição de

líder, e um pool de mais 15

resseguradores

US$ 5 milhões para danos

materiais e 45 dias de lucros

cessantes

US$ 500 milhões

Até US$ 100 milhões e exclui

operações inativas

US$ 2 bilhões

Allianz e Tokio Marine

(no excesso)

Willis

AGCS

US$ 4 bilhões

US$ 400 milhões, com

excesso de US$ 100 milhões

US$ 50 milhões, com excesso

de US$ 150 milhões

US$ 150 milhões

Zurich

Willis

Bradesco Seguros

Cobertura Especialistas estimam em R$

200 mil por vida

31


campanha de incentivo | sou + previsul

Mais do que uma viagem,

uma experiência

Previsul Seguradora lança nova campanha com o objetivo de

ampliar sua penetração além dos estados do Sul do Brasil

Muitos eventos até o mês de

março de 2019 marcarão o

início da campanha Sou +

Previsul. Esta promoção visa

reforçar a especialidade da seguradora em

valorizar o relacionamento interpessoal.

Renato Pedroso, presidente da seguradora,

disse que a companhia se reinventou

para oferecer novas ferramentas aos

corretores de seguros. “A empresa mudou

porque entregou toda sua movimentação

de seguro de vida via portal, portal do

estipulante, portal do segurado. Este é o

diferencial da companhia, assim como os

cotadores digitais. Já são quatro produtos

digitais, com contratação online. Quero

contar com vocês para que possamos

fazer a Previsul cada vez maior e para

que possamos viajar juntos”.

A campanha já está valendo desde 1º

de janeiro, indo até o final de dezembro.

32

O lançamento contou com a participação

de trezentos corretores de São Paulo.

“As campanhas da Previsul recebem um

excelente retorno dos parceiros corretores

de seguros. Conseguimos atingir nossos

objetivos. Nesta campanha, queremos oferecer

mais do que uma viagem, mas uma

experiência”, afirma Andreia Araujo, diretora

de Negócios e Marketing da Previsul.

Em 2019, os dez corretores vencedores

da campanha de 2018 farão uma

viagem para São Francisco, com direito

a uma parada estratégica no Vale do Silício.

“Nos últimos anos, passamos por um

grande crescimento. Nesta campanha, a

comunicação acompanha esse movimento

crescente, mostrando a importância de

cada público para a seguradora e o poder

de reinvenção e inovação da Previsul, refletindo

o nosso atual momento”, explica

Andréia.

Entenda como funciona a

campanha

Serão premiados os dez corretores

com melhor desempenho em novas

vendas emitidas durante a campanha (1

de janeiro a 31 de dezembro de 2019).

Cada corretor terá direito a levar um

acompanhante. Esta é a primeira vez que

a Previsul leva os corretores para uma

viagem fora do continente americano –

nas últimas premiações os profissionais

embarcaram para Las Vegas, Cancún

e São Francisco e Vale do Silício.

Além disso, desde o último ano, o

programa de pontos “Clube Sou + Previsul”

possibilita a troca de pontos por

prêmios mensais mediante a produção

dos corretores. É mais uma maneira de

presentear os corretores pelo empenho e

dedicação com a companhia.


campanha de incentivo | 3 em 1

Viajar com a

Ameplan é

melhor ainda

Este é o slogan da campanha da

operadora que já começou e vai até

setembro de 2019. A campanha terá

três tipos de premiação diferentes,

fechando com uma viagem para

Punta Cana

Kelly Lubiato

A

campanha de incentivo 3 em

1 da Ameplan contempla as

vendas de planos PME e Adesão,

além de alguns produtos

de PJ. O plano macro da companhia é

ter um crescimento orgânico. Esta é a

oitava campanha da operadora, que está

em seu nono ano de gestão profissional.

De acordo com o diretor Comercial da

operadora, Laureci Zeviani, quando a

empresa iniciou este ciclo de campanhas

de incentivo anuais, ela contava com 60

mil vidas em sua carteira. Hoje, a empresa

possui 124 mil vidas.

“Este ano, dada a anormalidade

de 2018, conseguimos crescer 5% em

número de vidas e 14% em faturamento.

Estes números comparados com o

mercado ainda estão acima da média.

O crescimento, além dos produtos

para Pessoa Física (uma das poucas

operadoras que ainda comercializa esta

modalidade, por acreditar que ele ainda

necessita de uma reposição de carteira),

está focado na segmentação de Pessoa

Jurídica. Aqui entram a segmentação

de PME, os contratos corporativos de

grande porte e os produtos de adesão”,

classifica Zeviani.

A empresa sempre trabalha com

três cenários: otimista, pessimista e real.

Apesar de o Brasil ainda passar por um

período instável, e independente

de posicionamentos

políticos, há um

maior encaixe do ponto

de vista empresarial e

econômico. “Sentimos

que é possível fazer um

planejamento um pouco

mais longo. Fazemos

reuniões trimestrais

para avaliar este cenário

real”, explica Zeviani.

Para ele, uma vantagem competitiva

da Ameplan é justamente o seu tamanho.

“As grandes corporações são paquidérmicas

na tomada de decisões. Por nosso

porte, temos agilidade e conseguimos

mudar a rota com facilidade. Temos que

explorar isso!”.

O que prejudica a operação de todas

as congêneres é o ‘turn over’ das carteiras,

que aconteceu em 2018, com muito

mais saídas do que entradas de novos

funcionários nas empresas. “Esperamos

que o cenário de novas contratações seja

contributivo para o crescimento da carteira

de clientes em saúde”, finaliza Zeviani.

3 em 1

Marcelo Belber, gerente de Produtos

PME, PJ e Adesões da Ameplan, conta

que o objetivo da campanha é contemplar

❙Laureci Zeviani e Marcelo Belber

todos os envolvidos nas vendas, “desde o

corretor (o foco principal) até o funcionário

administrativo da corretora, o gerente,

o supervisor e também os empresários

(donos de corretoras e plataformas)”.

Agora, a Ameplan está colocando

três premiações em uma: as raspadinhas

premiadas, que oferecem prêmios desde

souvenires até dinheiro (são mais de R$

120 mil em prêmios apenas nesta categoria);

para cada contrato PME aprovado

há uma premiação em dinheiro, de R$ 50

até R$ 1000, dependendo do número de

vidas; e a cereja do bolo, a viagem para

Punta Cuna, com direito a um acompanhante,

com tudo pago. “Viajar é bom,

mas viajar com a Ameplan é melhor

ainda”, fala Belber, citando o slongan da

campanha. Serão 40 parceiros premiados

em outubro.

33


institucional | fenseg

Seguro de automóveis

deve seguir na liderança

34


Antonio Trindade

mostra um otimismo

moderado para

2019 e avisa que os

riscos cibernéticos

são uma tendência

internacional

Kelly Lubiato

Apólice: Quais são as expectativas

da Federação Nacional de Seguros Gerais

para 2019?

As expectativas são favoráveis, considerando

a retomada do crescimento

econômico prevista para 2019 no Brasil.

Esse cenário beneficia o segmento de

seguros gerais que, até novembro de

2018, apresentou crescimento de 8,6%,

desconsiderando o ramo DPVAT.

O ramo Automóvel tende a ganhar

espaço com o crescimento da economia

e a expansão do crédito para aquisição

de veículos. Acreditamos que o segmento

de seguros de danos apresente

desempenho semelhante ao de 2018, isto

é, um crescimento entre 6% e 8%, conforme

as últimas projeções divulgadas

pela CNseg.

Apólice: Com que cenário econômico

a entidade trabalha?

A FenSeg acredita na recuperação

gradativa da atividade econômica e na

reconquista de postos de trabalho, e taxas

de câmbio e Selic estáveis. A previsão é

o fechamento em 1,27% do PIB em 2018

e de 2,5% em 2019.

Apólice: Alguma carteira deve se

destacar neste ano?

A carteira de Transportes apresentou

crescimento expressivo em 2018 e

deverá continuar se destacando este ano,

tendo em vista a criação do CTe – Conhecimento

de Transporte Eletrônico e

do MDFe – Manifesto de Documentos

Fiscais Eletrônico e, ainda, a mudança

normativa estabelecida pela Susep.

Outros segmentos que podem se

destacar são: Responsabilidades, D&O

e Riscos Cibernéticos. As carteiras de

Seguros Patrimoniais – Residencial e

Condomínio – também estarão em evidência,

assim como o Seguro Rural e os

ligados à infraestrutura, com a evolução

de produtos oferecidos pelo mercado.

Como mencionado anteriormente,

o ramo Automóvel deve ganhar espaço

em função do crescimento da economia

e expansão do crédito para aquisição de

bens de consumo.

Apólice: Qual produto vocês

acreditam que será o destaque do ano?

Seguro de Riscos Cibernéticos, pelo

pioneirismo desta modalidade e a própria

tendência mundial hoje vivenciada, além

dos efeitos da Lei de Proteção de Dados.

Esse mercado pode movimentar R$ 100

milhões em prêmios nos próximos anos.

A previsão tem como base a preocupação

crescente das empresas com a segurança

de dados. O relatório Norton Cyber Security

Insights, que elabora uma análise

global do crime online, colocou o Brasil

em segundo lugar no ranking de países

com mais casos relacionados a roubo de

senhas e rompimento de sistemas. Segundo

o estudo, 62 milhões de brasileiros

foram vítimas de crimes cibernéticos em

2017. É o equivalente a 60% da população

online ativa, vítimas de um desfalque de

R$ 80 bilhões.

Apólice: Qual é a maior difi culdade

do setor de seguros?

A captação de novos clientes ainda

é um desafio para o setor. Destacamos

a relevância do trabalho que vem sendo

desenvolvido através dos programas de

educação financeira com ênfase no setor

de seguros. É importante que a indústria

de seguros continue trabalhando na

divulgação dos seguros de forma geral

e contando com a força das vendas dos

mais de 70 mil corretores de seguros.

Apólice: Quanto o setor espera

crescer em 2019?

Como já mencionado anteriormente,

para 2019 as previsões são otimistas,

com possível crescimento entre 6% e

8% em relação a 2018.

“O ramo Automóvel

tende a ganhar espaço

com o crescimento da

economia e a expansão

do crédito para

aquisição de veículos”

Apólice: Muda alguma coisa substancial

na FenSeg com a nova gestão?

A nova gestão dará continuidade aos

trabalhos desenvolvidos pelos últimos

presidentes da FenSeg. Destacamos os

seguintes temas:

• Combate à atividade irregular de

comercialização de seguros;

• Desenvolvimento dos seguros relacionados

à infraestrutura, concessões

e privatizações, como os seguros de

garantia de obrigações contratuais, patrimoniais

e riscos de engenharia;

• Incentivo ao ramo Automóvel, principal

carteira de seguros gerais, no desenvolvimento

de novos produtos como

o Auto Popular e seguros intermitentes.

Por outro lado, a FenSeg deverá introduzir

algumas novidades no tratamento

dos seguros de grandes riscos.

35


institucional | fenaprevi

Inovar em produtos de

previdência e vida é o

objetivo da entidade

Jorge Pohlmann

Nasser diz que

o mercado

precisa estar

preparado para

a realidade dos

brasileiros. Novas

tecnologias

apresentam

novas

oportunidades e

novos desafios

Kelly Lubiato

Apólice: Quais são as prioridades

da nova gestão a Federação Nacional de

Previdência Privada e Vida?

As prioridades estão baseadas em

metas de longo prazo do planejamento

estratégico da FenaPrevi para a consolidação

dos segmentos de Previdência

Privada aberta e Seguros de Pessoas.

Vamos continuar trabalhando para inovar

o portfólio de produtos, diversificar os

canais de distribuição, antecipar tendências

e garantir uma oferta que atenda às

necessidades dos consumidores.

A modernização dos segmentos

de Previdência Privada e de Seguros

de Pessoas é absolutamente necessária

para este momento do País. Precisamos

preparar nosso mercado para a realidade

dos brasileiros.

36

Apólice: Quais são as expectativas

da FenaPrevi para 2019?

São notórios os dados mais recentes

do IBGE e mostram que, em 2034, o

total de pessoas com mais de 65 anos

alcançará 15% da população. Em 2050

este contingente representará 38% dos

brasileiros. As projeções indicam que

o número de idosos será maior que o

número de crianças e adolescentes de 0

a 14 anos já em 2031. Estas mudanças

impactarão diretamente a indústria de

previdência e de seguros de pessoas.

Nossa missão nos próximos três anos

será preparar o setor para as transformações

que virão com esta nova realidade

demográfica. É importante saber que já

não discutimos se devemos ou não reformar

a Previdência Social brasileira e

sim quando e como será feita a reforma.

Mesmo que seja a reforma possível e

ainda não a necessária. E, neste contexto,

a Previdência Privada, seja ela aberta ou

fechada, têm um papel fundamental.

O mesmo vale para o segmento de

seguro de pessoas, necessário para proteger

famílias e seus patrimônios. Por

isso, somos otimistas com o momento

atual. Estamos preparados com uma linha

completa de produtos, adaptáveis ao

ciclo de vida das pessoas e que facilita o

planejamento financeiro de longo prazo,

levando proteção e previsibilidade para

nossos segurados e participantes.

Apólice: Com que cenário econômico

a entidade trabalha?

Nos últimos cinco anos, o número


de participantes de planos de Previdência

Privada aumentou 16,96%. Hoje,

mais de 13,1 milhões de brasileiros têm

planos de Previdência Privada. Atualmente,

o total de reservas de Previdência

Privada totaliza R$ 835,9 bilhões, o que

equivale a 12% do PIB. Há dez anos as

reservas estavam em R$ 172,1 bilhões.

Crescemos num ritmo muito forte neste

período e acredito que seguiremos

avançando de forma consistente nos próximos

anos, com maior conscientização

das pessoas de que devem fazer reservas

para o futuro.

Nosso maior desafio é a nossa capacidade

de difundir a necessidade da

formação da poupança previdenciária

para os brasileiros. É preciso esclarecer

que a Previdência Privada não é a

única saída para as pessoas planejarem

o seu futuro mas, quando se fala em

poupança de longo prazo, a previdência

necessariamente deve ser contemplada

com uma das soluções para esse planejamento.

E os seguros de pessoas são instrumentos

importantes de proteção social.

Eles garantem e preservam as conquistas

financeiras e materiais das famílias e dos

indivíduos e ainda têm baixa penetração

no Brasil.

Apólice: São esperadas mudanças

na legislação para o próximo ano?

Temos uma agenda ambiciosa nos

próximos três anos. Precisamos finalizar

os detalhes das novas famílias

de planos PGBL e VGBL, que trarão

maior flexibilidade para os participantes

do sistema e podem começar a ser

distribuídos já em 2019. Com os novos

produtos o participante poderá rever

a modalidade de recebimento dos benefícios

a qualquer tempo, o que fará

grande diferença neste momento em

que as pessoas seguem ativas mesmo

após a aposentadoria. Também vamos

seguir com a agenda de regulamentação

do Universal Life o seguro de vida que

mescla acumulação de recursos para o

futuro (sobrevivência do cliente) e indenização

para a família em caso de morte

prematura do segurado. O PrevSaúde,

por sua vez, cuja finalidade é acumular

recursos para custeios com saúde suplementar

na fase de aposentadoria, é outro

produto prioritário em nossa agenda

para o próximo triênio. Os gastos com

planos de saúde e com medicação são as

principais preocupações dos brasileiros

na fase de aposentadoria. O PrevSaúde

tem o objetivo justamente de oferecer

recursos para estes gastos.

A diversificação de canais também

é importante para ampliar a penetração

dos produtos do mercado de previdência

e seguros. Vivemos num ambiente cada

vez mais digital e temos que criar mecanismos

para aprimorar a distribuição de

seguros nas plataformas online, diminuindo

a burocracia e simplificando as

etapas de contratação.

Acreditamos que a tecnologia deve

ser a principal aliada na colocação de

produtos e na manutenção dos mesmos.

O tripé de Pessoas, Produtos e Tecnologia

é fundamental para o crescimento de

nosso mercado.

Apólice: Qual é a expectativa em

relação à reforma da previdência?

A FenaPrevi participa ativamente

das discussões sobre os caminhos da reforma.

Em conjunto com a Fipe, CNseg,

Abrapp e ICSS, apresentamos à equipe

econômica do novo governo a proposta

“Uma Nova Previdência para Novos

Trabalhadores”.

É uma proposta socialmente justa,

já que trata de uma Nova Previdência

para todos: celetistas, autônomos,

funcionários públicos e militares, sem

privilégios. O novo modelo valeria

para os trabalhadores nascidos a partir

de 2005 que ingressassem no mercado

de trabalho a partir de 2020. Os atuais

trabalhadores continuariam no modelo

atual que deverá passar por uma reestruturação

paramétrica. É importante

destacar que nada mudaria para os atuais

aposentados.

A nova previdência teria quatro

pilares. O primeiro é uma renda básica

para o idoso, que será paga a todos os

brasileiros que completarem 65 anos. Não

dependerá de contribuição e teria o valor

de R$ 550,00.

O segundo pilar, seria um sistema de

repartição para trabalhadores que contribuem

para a previdência. A aposentadoria

neste caso teria um teto de R$ 1.650,00

e estaria condicionada a 40 anos de contribuição.

Somando a renda do pilar 1 e

2, já atenderíamos à reposição de renda

de 75% dos brasileiros.

No terceiro pilar, teríamos um sistema

de capitalização compulsória para

trabalhadores com renda superior a R$

2.200,00. Neste caso, como novidade

na proposta, as contribuições viriam do

FGTS. O saldo do FGTS que ultrapassar

o montante mínimo de três salários do

trabalhador (saldo semelhante ao Seguro

Desemprego) será investido em um

plano de previdência complementar. O

trabalhador definiria a parcela do fundo

que seria destinada à formação de sua

poupança individual de longo prazo

(mínimo 30% do saldo remanescente

do FGTS).

Já o quarto pilar seria constituído

pela Previdência Privada como a conhecemos

hoje. Onde as pessoas podem contratar

planos individuais ou participarem

de planos coletivos.

Vale lembrar que a nossa proposta

também prevê a reforma paramétrica do

modelo atual, com ajustes pontuais para

diminuir o défict de longo e médio prazo

do sistema atual de previdência. Neste

caso, a nossa proposta afetaria apenas

6% dos brasileiros, corrigindo injustiças

e revendo privilégios.

37


institucional | fenasaúde

Agenda liberal é

favorável ao setor de

saúde complementar

João Alceu Amoroso Lima ratifica os pontos do

estudo Desafios da Saúde Suplementar 2019,

entregue à equipe do novo presidente

Apólice: Quais são as expectativas

da Federação Nacional de Saúde Suplementar

para 2019?

Para a Saúde Suplementar, as expectativas

são positivas. A entrada de um

novo Governo com novas ideias e uma

agenda liberal para a economia sinaliza

que podemos aprofundar os debates sobre

os entraves do setor e, assim, ampliar o

Kelly Lubiato

acesso da população aos serviços médicos

de qualidade.

Por conta disso, no fim do ano passado,

a FenaSaúde preparou um documento

intitulado ‘Desafios da Saúde Suplementar

2019’ e apresentou 11 propostas em

prol da sustentabilidade do setor para

as equipes dos principais candidatos

à Presidência da República, durante a

campanha eleitoral do ano passado.

Com apoio da sociedade e do Governo,

as associadas à FenaSaúde querem

implementar ou intensificar ações como

o fortalecimento da atenção primária à

saúde e rede hierarquizada; novas regras

de precificação e reajuste; mudança nas

regras de incorporação de novas tecnologias;

combate às fraudes; mudança do

modelo de remuneração dos profissionais

de saúde; análise de impacto regulatório

(AIR); criação de produtos de previdência

e poupança vinculados à saúde; e

maior transparência dos custos ao longo

de toda a cadeia de Saúde Suplementar,

entre outras.

38


O objetivo dessas medidas é combater

a escalda de custos médicos, que se

refletem no reajuste dos planos de saúde

acima da inflação oficial.

Apólice: Com que cenário econômico

a entidade trabalha?

Vale lembrar que o desempenho do

segmento de planos de saúde é atrelado

ao ritmo das atividades econômicas. Em

2018, a economia brasileira deu sinais de

recuperação e o setor de Saúde Suplementar

parou de perder beneficiários, após a

evasão de três milhões de beneficiários

nos três anos anteriores.

Devemos lembrar sempre que a

contratação de planos de assistência médico-hospitalar

depende de dois fatores:

emprego e renda. Portanto, há uma clara

relação entre a dinâmica do mercado de

trabalho formal e o desenvolvimento

do setor de Saúde Suplementar. Para se

ter ideia, 66% dos vínculos de planos

de saúde são na modalidade coletivos

empresariais, oferecidos pelas empresas

contratantes como benefício aos seus

colaboradores. A geração de emprego

formal tem um impacto direto no mercado

de Saúde Suplementar.

Para 2019, a expectativa é que essa

recuperação continue acompanhando

a evolução da economia e aumente o

número de beneficiários. Os dados mais

recentes disponíveis mostram que os

planos de assistência médico-hospitalar

tinham mais de 47,2 milhões de beneficiários

em novembro de 2018 – ligeiro

crescimento de 01% em relação a igual

mês de 2017.

Já os desafios enfrentados pela Saúde

Suplementar devem permanecer os mesmos

ao longo de 2019, como a escalada

crescente dos custos devido ao avanço

tecnológico e desperdício; a mudança do

perfil epidemiológico; o envelhecimento

da população; o aumento da judicialização;

e a pressão da renda para capacidade

de compra de serviços médicos.

Apólice: Qual produto vocês acreditam

que será o destaque do ano?

Isso depende da estratégia de atuação

de cada operadora, das condições

econômicas do país, entre outros fatores.

Mas no documento ‘Desafios da Saúde

Suplementar 2019’, que encaminhamos

ao Governo sinalizando 11 medidas para

o setor, a FenaSaúde propõe ações como

o fortalecimento da atenção primária à

saúde e rede hierarquizada e humanizada

com médico generalista e equipe

multidisciplinar.

Em paralelo, as operadoras têm lançado

produtos regionais para praças específicas,

voltados, principalmente, para

pequenas e médias empresas. Também

estão investindo na gestão do beneficiário

junto aos RHs das empresas contratantes.

Apólice: Qual é a maior difi culdade

do setor de saúde?

Sem dúvida é a escalada crescente

dos custos na cadeia de Saúde Suplementar,

que impacta o reajuste dos planos de

saúde. Além dos esforços de aprimorar a

gestão ao longo dos anos, as associadas

à FenaSaúde apresentaram propostas que

visam dinamizar o mercado (vide o documento

‘Desafios da Saúde Suplementar

2019’) e diminuir o ritmo de crescimento

das despesas médicas.

Em paralelo, o arcabouço legal e

jurídico que baliza o funcionamento da

Saúde Suplementar precisa ser revisto.

A regulação deve proteger os direitos do

consumidor, mas sem engessar a criação

de novos produtos que viabilizem a

sustentabilidade econômica do setor e

que ampliem o acesso da sociedade aos

cuidados de saúde. Precisamos desamarrar

o mercado, permitir o aumento

da competitividade entre as empresas e

possibilitar o desenvolvimento de novos

produtos, para garantir maior acesso da

população à assistência à saúde privada.

A FenaSaúde, por exemplo, apoia

a regulamentação de franquia e coparticipação

nos planos de saúde. Esses

mecanismos induzem o beneficiário a

fazer um uso mais racional e adequado

do plano de saúde; reduzem o número de

procedimentos que podem ser considerados

desnecessários e, portanto, evitam

os desperdícios, sem perda de qualidade

assistencial do cuidado à saúde. Além

disso, planos com esses mecanismos

podem atrair os jovens (menor uso do

serviço) para o sistema privado e reequilibrar

o mutualismo. São medidas

que modernizariam o sistema de Saúde

Suplementar.

Apólice: Quanto o setor espera

crescer em 2019?

Nosso desejo é recuperar os três

milhões de beneficiários que deixaram

de ter planos de saúde devido à crise econômica

do país. Uma projeção positiva

seria de um milhão de vidas por ano, nos

próximos três anos.

Apólice: Muda alguma coisa

substancial na FenaSaúde na nova

gestão?

Intensificaremos as ações muito bem

desenvolvidas na gestão da presidente

Solange Beatriz, com intuito de estreitar

ainda mais o relacionamento com a sociedade,

imprensa e Governo, mantendo

o diálogo aberto, franco e transparente

em busca de desenvolver e fortalecer o

setor de Saúde Suplementar.

Em relação aos novos desafios, a

mudança de gestão na FenaSaúde coincide

com a entrada de um novo governo,

com novas ideias e propostas. Nesse

cenário, vamos ampliar ainda mais o

diálogo com as autoridades em busca de

soluções para os problemas do segmento,

mantendo aberto o canal de debate com

a sociedade. Temos uma nova janela de

oportunidades para mudanças positivas

para todos, mercado e beneficiários de

planos de saúde.

39


institucional | fenacap

Novas modalidades

devem impulsionar

resultados em 2019

Marcos Renato Coltri diz que após a edição

do novo marco regulatório setor deve oferecer

produtos diversificados

Kelly Lubiato

40


Apólice: Quais são as expectativas

da Federação Nacional de Capitalização

para 2019?

Com a edição do novo marco regulatório,

nossa expectativa é que o mercado

experimente um novo ciclo de crescimento.

O normativo trouxe mais segurança

jurídica e transparência, criando, assim,

um ambiente mais favorável para os

negócios. Nesse contexto, a criação das

modalidades Filantropia Premiável e

Instrumento de Garantia foi muito positiva.

Entendemos que o marco regulatório

deva ser dinâmico e versátil, de forma a se

adaptar às mudanças de comportamento

do consumidor e do mercado.

Apólice: Com que cenário econômico

a entidade trabalha?

Nossa expectativa é de que a agenda

econômica, que prioriza reformas

importantes, a manutenção de inflação

e taxas de juros baixas, por exemplo,

possa contribuir para a retomada dos

investimentos, a queda do desemprego e a

recomposição da renda, fatores de grande

impacto no desempenho no mercado de

capitalização.

Apólice: São esperadas mudanças

na legislação para o próximo ano?

As empresas estão em fase de adaptação

ao novo marco regulatório, editado

em 2018. Nossa posição é a de continuar

trabalhando de maneira colaborativa com

a Susep para aperfeiçoar a legislação do

setor, sempre que isso se fizer necessário.

Esse é um processo contínuo. Mas só

poderemos avançar nessa pauta à medida

que os produtos, uma vez adaptados às

novas regras, comecem a ser comercializados,

o que ocorrerá em abril. Somente

após esse processo é que poderemos

identificar o que está funcionando bem

ou não.

Apólice: Qual produto vocês acreditam

que será o destaque do ano?

Temos uma expectativa muito positiva

em relação às duas novas modalidades

criadas: Filantropia Premiável

e Instrumento de Garantia. Com regras

claras, a tendência é de que tenhamos

muitos lançamentos de novas soluções e

produtos nestes segmentos.

Apólice: Qual é a maior difi culdade

do setor de capitalização?

A Capitalização hoje pode ser traduzida

como um conjunto de soluções

de negócios com sorteios. O setor diversificou

ofertas e canais de distribuição,

passou a atuar em novos segmentos,

como na área de garantia locatícia,

ampliou suas parcerias comerciais com

corretores, imobiliárias, distribuidores

varejistas, entidades filantrópicas. O

grau de complexidade das operações

passou a exigir um novo patamar de

governança e a intensificação do diálogo

com a sociedade. Precisamos ampliar o

conhecimento sobre produtos e serviços

e isso só será possível por meio de um

grande esforço de comunicação, o que,

na prática, já vem ocorrendo. Essa é uma

questão que está sempre no nosso radar.

Apólice: Como vencer a batalha

da comparação da capitalização com

investimento?

Podemos dizer que, para a indústria,

essa questão está superada. Continuamos

a trabalhar nossa comunicação

no sentido de ampliar o conhecimento

sobre as cinco modalidades e suas

características, hoje bastante variadas,

capazes de atender a várias necessidades

dos consumidores, incluindo: disciplina

financeira, filantropia, garantias

diversas e promoções comerciais com

sorteios.

41


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

A Síncope no Judiciário...

Síncope define-se como “perda momentânea da

consciência e da postura ereta, caracterizada por ser de

aparecimento súbito, curta duração e recuperação espontânea.”

(Google).

O Judiciário brasileiro parece sofrer, vez por outra, em

alguns de seus integrantes, surtos de síncope.

De súbito, e do nada, surgem sintomas indiscutíveis de

perda da consciência jurídico-judiciária, pela prolação de

decisões algo estranhas e não compendiadas nos registros

da Colenda Corte. Os elementos probatórios presentes

no bojo do processo; os depoimentos de envolvidos e de

testemunhas – oculares e auriculares – ; os laudos periciais

anexados aos autos; os elementos de suporte fático

e jurídico; os firmes termos do inquérito policial apensado;

as gritantes evidências caracterizadoras de flagrante

delito e outros tantos fatores e fatos da causa caminham

num determinado sentido racional e lógico e, de repente,

num delíquio – como diria Jânio Quadros – o decisum

rompe com todo esse consistente e indubitável elenco de

comprovação incriminatória e parte, como já ocorreu, para

um inusitado “fatiamento”, ou coisa do tipo, e fica por isso

mesmo. Depois de algum tempo, a síncope passa, cai no

esquecimento e “tudo volta a ser como dantes no quartel

de Abrantes”...

Mas a síncope a que se refere este artigo não é essa,

da área médica, que, nestas linhas, se associou ao universo

vasto e complexo da política. É, sim, do mundo mais comedido

e sério da gramática! Mais precisamente da fonética.

Aqui, síncope significa “o desaparecimento de fonema no

interior do vocábulo”. Ou seja, estamos falando de certos

fenômenos de alteração de uma palavra, pela supressão

de um elemento.

Os nossos jovens hoje, ao elogiar alguma coisa “sinistra”

(para eles, “legal”, “da hora”), dizem que é o “mor

legal”! Pois bem, esse “mor” é o “maior” que sofreu síncope:

a perda do “ai” no interior da palavra...

Antes de condenar nossa moçada, convém lembrar

que esse termo está presente em nossa história. Martim

Afonso de Sousa (1490/1500 – 1564) – que foi o primeiro

donatário da Capitania de São Vicente – recebeu em 1530

a designação de capitão-mor! Isso porque, em 1373, o rei D.

Fernando I havia criado o cargo de Capitão-Mor do Mar...

Voltando à Gramática, observe-se que nosso verbo

pôr – antes de sofrer síncope – era poer. Tanto que esse

“ezinho” perdido aparece em algumas formas da conjugação

verbal: Eu ponho; tu pões; ele põe; nós pomos; vós

pondes; eles põem...

Mais ainda: na comunicação do dia a dia, nós aplicamos

síncope na preposição para, e a convertemos na

forma popular pra. Muito útil, porque seria horrível dizer

“estou cansado para chuchu”; “ele trabalha para burro”...

A propósito, e para completar – ou complicar –,

quando a tal supressão ocorre no início da palavra, temos

uma aférese. É o caso de “té” em lugar de até; “tá”, em

vez de está...

Já quando a ocorrência se dá no final da palavra, o

fenômeno se chama apócope: “cine”; “foto”; “pneu”, em

substituição a cinema, fotografia e pneumático...

De volta ao já citado Judiciário nacional, sua estrutura

hierárquica contempla quatro graus de jurisdição: o

Juizado de Primeira Instância, em que um juiz singular

decide a causa e formula a sentença; o Tribunal Regional,

onde a questão, em grau de recurso, é julgada por uma

câmara de desembargadores, resultando em um acórdão; o

Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal,

instâncias máximas, e território dos senhores Ministros.

Dentro da tendência atual de encurtamento das

palavras, não será difícil que venhamos a ter síncope –

gramatical, é claro, – no Judiciário, e o espremamos para

SUPREMO para SUMO Tribunal Federal, já que o sentido

é o mesmo: o mais elevado, o excelso!

Afinal, o supremo mandatário da igreja Católica, o

Papa, é o SUMO PONTÍFICE...!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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