Revista Apólice #241
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Ano 24 - nº 241<br />
Março 2019<br />
Especial Vida<br />
A carteira<br />
que lidera<br />
o mercado<br />
O seguro de vida ultrapassou a carteira de<br />
automóveis no share do setor. Mesmo assim,<br />
ainda é um produto com baixa penetração<br />
O novo consumidor<br />
pode adquirir produtos<br />
pela internet?<br />
Prestamista:<br />
segurança garantida<br />
contra imprevistos<br />
Corporativos:<br />
a ferramenta para<br />
reter talentos
editorial<br />
Ano 24 - nº 241<br />
Março 2019<br />
Esta revista é uma<br />
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<strong>Revista</strong> <strong>Apólice</strong><br />
Vida no centro<br />
do mercado<br />
O Brasil demorou a se encaixar em padrões internacionais de<br />
consumo de seguro. Há bastante tempo os seguros de pessoas<br />
são os líderes de mercados como Japão e Estados Unidos. As<br />
modalidades são as mais diferentes, indo desde a proteção de risco<br />
para morte, passando pelos seguros majorados, os resgatáveis, os de<br />
acidentes pessoais e uma infinidade de acordo com as necessidades<br />
dos consumidores.<br />
Por aqui, estamos começando a trilhar um caminho da<br />
conscientização da necessidade de proteção. A maior barreira, sem<br />
dúvidas, é a falta de poder aquisitivo, que esbarra ainda na alta taxa<br />
de desemprego. Os seguros corporativos ainda dominam o setor,<br />
mas o brasileiro está mais preocupado com o seu futuro e da sua<br />
família.<br />
E, apesar do órgão regulador encontrar dificuldades para aprovar<br />
o lançamento de novos produtos, como o Universal Life, o setor<br />
busca alternativas para atender as necessidades dos consumidores.<br />
Ao seguro de vida foram acopladas coberturas para doenças graves,<br />
invalidez temporária etc, para suprir a demanda da nova sociedade<br />
de consumo. Entretanto, nosso ‘gap’ de proteção ainda é bastante<br />
grande.<br />
Mostramos nesta edição os modelos que foram responsáveis<br />
pelo desenvolvimento do setor, com destaque para o seguro<br />
prestamista. Com a recuperação econômica existe a expectativa de<br />
que o seguro de pessoas continue crescendo em 2019. Por aqui e<br />
mundo afora, as companhias estudam estratégias para conquistar<br />
novos consumidores e novas maneiras de agilizar os processos de<br />
contratação. Além disso, ainda querem diminuir o nível de fraudes<br />
para tornar os produtos mais acessíveis para todos.<br />
Boa leitura!<br />
Diretora de Redação<br />
Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br<br />
3
sumário<br />
6 |<br />
10 |<br />
painel<br />
gente<br />
14 |<br />
especial vida<br />
perspectivas<br />
Seguro de pessoas cresce 9% em 2018 e ultrapassa, pela primeira vez, o<br />
segmento de automóvel. Apesar disso, o desafio do setor permanece:<br />
oferecer uma camada de proteção para a sociedade que ainda não<br />
reconhece a sua importância<br />
14<br />
18 |<br />
corporativo<br />
Produtos corporativos são um meio de atender as Convenções Coletivas<br />
de Trabalho, mas também são importantes ferramentas para retenção de<br />
talentos. Foco das seguradoras são as empresas de pequeno e médio portes<br />
22 |<br />
prestamista<br />
O crescimento de disponibilidade de crédito deve impulsionar a demanda<br />
por porteção financeira. Somado a isso, o plano de expansão de redes<br />
varejistas para o ano, em meio à retomada da economia brasileira, também<br />
pode ser um fôlego extra ao segmento<br />
22<br />
26 |<br />
novos consumidores<br />
Seguradoras exploram diferentes cenários dos planos de seguros de vida<br />
para as novas gerações, que estão cada vez mais digitais e visam aumentar<br />
as vendas do mercado<br />
30 |<br />
32 |<br />
artigo<br />
O corretor de seguros especializado em seguro de vida, Josumar Alves de<br />
Sousa, dá dicas para os profissionais que desejam investir em uma nova<br />
especialização<br />
distribuição<br />
Como se adequar ao novo estilo de clientes que preza por mais comodidade,<br />
mas sem perder a qualidade do atendimento pessoal? Esta é a pergunta<br />
que permeia as operações da seguradoras também na área de pessoas<br />
32<br />
36 |<br />
subscrição<br />
A utilização de dados públicos dos consumidores recebe um guideline<br />
no estado de Nova York. Informações não podem ser utilizadas com fins<br />
discriminatórios. E no Brasil, como será?<br />
40 |<br />
42 |<br />
saúde<br />
comunicação<br />
36<br />
4
painel<br />
• nprevidência<br />
Reforma tem apoio de quase 50% dos brasileiros<br />
Ao iniciar um governo com 54% de avaliações ótimo e<br />
bom, o presidente Jair Bolsonaro tem também forte apoio<br />
para implementar a reforma da previdência. De acordo com o<br />
Estudo CVA Solutions sobre Política e Previdência, 49% dos<br />
entrevistados apoiam a reforma, sendo que o número sobe para<br />
63% entre os que se dizem bem informados e para 64% entre<br />
os apoiadores do presidente.<br />
O estudo foi realizado entre os dias 14 e 25 de janeiro,<br />
com 2.500 entrevistas em todo o Brasil, realizadas em painel<br />
online. A metodologia da CVA confere 95% de confiança no<br />
resultado, com margem de erro de 1,96%.<br />
“Com boa aprovação popular, este é o momento certo do<br />
presidente Bolsonaro enviar para votação a reforma da previdência.<br />
A aprovação deve gerar confiança e ativará o círculo virtuoso<br />
da economia, já que o governo se inicia com inflação baixa, taxas<br />
de juros baixas e reservas internacionais altas. Porém, será necessário<br />
e urgente o governo iniciar já um esforço de comunicação<br />
para explicar o tema da previdência para a população”, observa<br />
Sandro Cimatti, sócio-diretor da CVA Solutions.<br />
• nproduto<br />
Nova cobertura para pneus,<br />
rodas e suspensão<br />
A Liberty Seguros<br />
lançou em janeiro a cobertura<br />
Proteção Roda<br />
e Pneu. Com a nova funcionalidade,<br />
os clientes<br />
do seguro automóvel<br />
de São Paulo e Curitiba<br />
podem contar com serviço<br />
exclusivo de troca de<br />
pneu, roda e substituição<br />
do sistema de suspensão<br />
em caso de impactos acidentais em guias, meio-fios,<br />
blocos de sinalização de pista, buracos, desníveis<br />
acentuados, pedras e vidros.<br />
“Trabalhamos para sempre oferecer os produtos<br />
e serviços mais completos aos clientes, para que eles<br />
fiquem despreocupados. Em breve, os clientes de todas<br />
as regiões terão acesso a mais esta cobertura”, diz<br />
Paulo Umeki, vice-presidente de Produtos da companhia.<br />
“Com o lançamento dessa cobertura, corretores<br />
passam a ter mais um diferencial no momento de ofertar<br />
e fidelizar sua carteira de automóvel”, completa.<br />
Foto: Bruno Fernandes<br />
• ndiversidade<br />
Setor ainda caminha a passos curtos<br />
Uma pesquisa da Escola Nacional<br />
de Seguros indicou que as<br />
mulheres representam 56% dos<br />
profissionais da área, contra 44%<br />
de homens. Nos cargos executivos,<br />
a participação feminina cai para<br />
28% e a dos homens sobe para 72%.<br />
Esses números conversam com todo<br />
o mercado de trabalho. Segundo um<br />
estudo do IBGE, mulheres com ensino superior completo<br />
recebem cerca de 63% do que os homens na mesma situação.<br />
Já, de acordo com uma pesquisa do Instituto Ethos, realizada<br />
em 2016, pessoas negras ocupam apenas 6,3% de cargos na<br />
gerência e 4,7% no quadro executivo, embora representem<br />
mais da metade da população brasileira.<br />
“O setor de seguros, em especial, é um dos mais conservadores<br />
e atrasados no que diz respeito à igualdade”, afirma<br />
Alexandre Passarello, fundador da Corretora Inclusiva.<br />
“Se analisarmos as seguradoras, podemos contar nos dedos<br />
quais têm mulheres, LGBTQI+, negros, deficientes, tatuados<br />
e/ou anões em seus quadros diretivos e/ou presidência e/ou<br />
gerência”, continua. Para ele, não são discutidos temas de<br />
inclusão na maioria das companhias do setor. “O assunto é<br />
um tabu que ainda deve ser colocado em pauta em reuniões,<br />
não só com a base, e sim com todos os pilares, começando<br />
pelo topo”, diz.<br />
6
• nagronegócios<br />
Seguradora investe na expansão<br />
do seguro safra<br />
De olho em um mercado com grande capacidade de<br />
crescimento, a Tokio Marine ampliou as coberturas do seu<br />
seguro agrícola para mais 70 culturas, em todo o território<br />
nacional, e pretende estar entre as cinco maiores seguradoras<br />
do setor nos próximos três anos.<br />
O mercado de seguro agrícola aumentou sua penetração<br />
em linha com o crescimento do subsídio dos<br />
Governos Federal e Estadual de São Paulo e Paraná. Em<br />
2018, o Governo Federal liberou R$ 370,8 milhões a título<br />
de subsídio, montante que foi totalmente utilizado. O mercado<br />
arrecadou, no mesmo ano, R$ 2 bilhões em prêmios<br />
nesta modalidade.<br />
O produto agrícola oferece três modalidades de cobertura:<br />
o seguro de custeio (que cobre os custos de produção);<br />
o seguro por produtividade (que varia de acordo com<br />
a colheita); e os riscos nomeados (escolha de coberturas<br />
❙❙Felipe Smith e Joaquim Neto<br />
para eventos climáticos). De acordo com Joaquim Neto,<br />
gerente de Underwriting do Produto Safra, o diferencial<br />
dos produtos da Tokio está no sistema de cotação na ponta<br />
e na divisão da propriedade (talhonamento), além do<br />
parcelamento do prêmio e da antecipação da comissão.
painel<br />
• nprotesto<br />
Entidades lamentam patrocínio de proteção veicular ao Vasco<br />
O Vasco acertou um contrato de patrocínio<br />
até o fim de 2019 com a Global CBB, empresa<br />
de proteção veicular. A marca está estampada<br />
no short do uniforme cruzmaltino desde o jogo<br />
contra o Fluminense no dia 17 de fevereiro, pela<br />
decisão da Taça Guanabara no Maracanã.<br />
“A Fenacor lamenta a decisão aprovada<br />
pela diretoria do Club de Regatas Vasco da<br />
Gama, provavelmente por desinformação, que<br />
macula a admirável história dessa instituição<br />
com a inserção do patrocínio de uma associação<br />
de proteção veicular no uniforme do seu time<br />
de futebol.<br />
A Fenacor alerta, principalmente aos dirigentes<br />
e torcedores dessa agremiação, que a<br />
patrocinadora pertence a um segmento que atua<br />
à margem da lei, de forma totalmente irregular,<br />
Roberto Rosendo_Vasco.com.br<br />
sem autorização nem regulação de órgãos governamentais,<br />
muitas vezes provocando sérios<br />
danos a consumidores desavisados.<br />
“O CCS-RJ veio a público manifestar sua<br />
indignação pela decisão do Club de Regatas<br />
Vasco da Gama, essa gigante instituição esportiva,<br />
fundada em 21 de agosto de 1898, e que<br />
tem milhões de apaixonados torcedores pelo<br />
mundo, em ter aceitado como patrocinador<br />
uma ‘empresa’ que se passa por uma associação<br />
de proteção veicular, que exerce atividade<br />
totalmente controversa e que vem sendo constantemente<br />
combatida pelos Órgãos Públicos<br />
e de Fiscalização do Mercado e de Defesa do<br />
Consumidor, inclusive com consistente divulgação<br />
na mídia de diversos prejuízos causados<br />
aos seus ‘clientes’ associados”.<br />
• nmercado<br />
Corretora amplia atuação<br />
para atender todos os<br />
ramos de seguros<br />
A Viacorp Administradora<br />
& Corretora<br />
de Seguros se estruturou<br />
para atuar, além de<br />
seguro saúde – seu foco<br />
original, em todos os<br />
demais ramos de seguros.<br />
Desde janeiro, a empresa<br />
oferece os seguros a seus<br />
clientes e também aos<br />
corretores e vendedores<br />
de planos de saúde vinculados à plataforma.<br />
“Frequentemente, nossos clientes solicitavam<br />
a contratação de outros seguros, e precisávamos<br />
declinar, pois só trabalhávamos com benefícios<br />
– Saúde e Odontológico. Agora, além de ampliarmos<br />
as nossas oportunidades de negócios, nossos<br />
vendedores cadastrados também podem oferecer<br />
seguros a seus clientes, pois a maioria das plataformas<br />
com as quais eles trabalham não atua em<br />
outros ramos”, justifica Rosa Antunes, diretora<br />
da Viacorp. “Com a indicação do vendedor, nós<br />
iremos atender o cliente na venda dos seguros e<br />
comissionar o profissional”, explica.<br />
• nproduto 2<br />
Assistência é mais um motivo para<br />
comprar um seguro para bikes<br />
A Mapfre Assistência lançou o Assistência Bike, que oferece<br />
uma linha completa de serviços como instalação de peças, acessórios,<br />
revisão mecânica, troca de pneu e até montagem.<br />
Antenada ao fato de a bicicleta ter se tornado um meio<br />
de transporte cada vez mais comum, e o ciclismo urbano ser<br />
um esporte cada vez mais praticado, a companhia optou por<br />
desenvolver um produto para suprir as necessidades desse<br />
mercado promissor. “Essa nova assistência foi desenvolvida para<br />
companhias como seguradoras, bancos e operadoras de cartão,<br />
por exemplo, que pretendem oferecer ainda mais benefícios aos<br />
seus clientes e apostam na sua fidelização”, ressalta Eduardo Sena,<br />
diretor geral da companhia.<br />
Segundo o executivo, o novo produto está disponível em<br />
todas as capitais brasileiras. “Além destes mercados, estamos<br />
presentes em outras 39 cidades que têm grande potencial de<br />
negócio e aderência de novos clientes às soluções personalizadas<br />
oferecidas pela Assistência”, finaliza.<br />
8
• nemissão<br />
Nova versão<br />
de cotador<br />
para corretores<br />
A Suhai Seguradora lançou<br />
a nova versão do cotador. Mais<br />
rápida, a atualização já está<br />
disponível na área do corretor, no portal da empresa.<br />
Entre as funcionalidades, destacam-se o controle<br />
e a gestão, nas quais o corretor tem a possibilidade de<br />
visualizar as informações em todas as fases da contratação<br />
e todo o histórico do cliente – desde o início da<br />
contratação até a finalização -, inclusive, pendências de<br />
emissão como: pagamento da 1ª parcela, vistoria prévia,<br />
status de pagamento e cronograma de renovações. “Ou<br />
seja, a nova plataforma permite que o corretor acompanhe<br />
o seu cliente e atue na solução de pendências<br />
que poderiam prejudicar a venda”, esclarece Robson<br />
Tricarico, diretor comercial da empresa.<br />
• nsaúde<br />
Medicinas de Grupo impulsionam<br />
mercado de saúde suplementar<br />
As operadoras de planos de saúde (OPS) médico-hospitalares<br />
da modalidade medicina de grupo registraram 488,8<br />
mil novos vínculos entre dezembro de 2018 e o mesmo mês<br />
do ano anterior, equivalendo a um crescimento de 2,7%.<br />
O segmento foi o único em que houve aumento no<br />
total de beneficiários, de acordo com a Nota<br />
de Acompanhamento de Beneficiários<br />
(NAB), do Instituto de Estudos de<br />
Saúde Suplementar (IESS).<br />
O boletim mostra que, em 2018,<br />
as medicinas de grupo registraram<br />
488,8 mil novos beneficiários enquanto<br />
as operadoras de autogestão perderam<br />
159,9 mil vínculos; as cooperativas<br />
médicas, 87,1 mil; as filantrópicas, 21,4 mil;<br />
e as seguradoras especializadas, 20,1 mil. No<br />
total, o setor fechou o ano passado com 200,2 mil<br />
beneficiários, registrando alta de 0,4%, a primeira<br />
na comparação anual desde 2014.
GENTE<br />
Vice-presidente executivo<br />
A Aon anunciou<br />
Eduardo Takahashi<br />
como vice-presidente<br />
executivo para Commercial<br />
Risk Solutions<br />
da Aon Brasil. Além de<br />
passar a integrar o Comitê<br />
Executivo, Takahashi<br />
continua respondendo<br />
pela Diretoria Executiva<br />
Comercial desta mesma<br />
linha de negócios.<br />
“Assumo essa nova<br />
posição com muita honra<br />
e entusiasmo. Temos o<br />
grande desafio de acelerar o ritmo de crescimento sustentável<br />
da Aon e tenho certeza que aliando a nossa contínua prestação<br />
de serviços, de valor e qualidade aos nossos clientes, vamos<br />
capturar o mundo de oportunidades que se apresenta à nossa<br />
frente. Temos muita inteligência em Data & Analytics e um<br />
time que não medirá esforços para continuar entregando<br />
sempre o melhor resultado aos nossos clientes”, comenta o<br />
executivo.<br />
Susep tem nova<br />
superintendente<br />
A economista Solange Paiva Vieira foi nomeada como<br />
superintendente da Superintendência de Seguros Privados.<br />
Ela assumirá o cargo ocupado por Joaquim Mendanha desde<br />
julho de 2016.<br />
A executiva já foi presidente da ANAC – Agência Nacional<br />
de Aviação Civil. Ela estava à frente do fundo de pensão<br />
dos funcionários do BNDES. Já atuou também no Ministério<br />
da Previdência Social, período em que foi uma das responsáveis<br />
pela criação do fator previdenciário.<br />
Novo titular para<br />
Responsabilidade Ambiental<br />
A Chubb nomeou Fabio Barreto como novo<br />
gerente regional de Responsabilidade Ambiental para<br />
a América Latina. Nesta função, o executivo será responsável<br />
pelo desenvolvimento e crescimento rentável<br />
da linha na região.<br />
Barreto conta com mais de 20 anos de experiência no<br />
mercado de seguros. Trabalhou como corretor e como<br />
subscritor de Riscos<br />
Ambientais, Responsabilidade<br />
Civil e Riscos<br />
Profissionais em<br />
outras companhias e<br />
seguradoras, como<br />
a Tokio Marine e a<br />
Zurich. Em 2014, chegou<br />
à Chubb como<br />
Subscritor Sênior<br />
e, até o momento,<br />
atuou como coordenador<br />
de Subscrição<br />
de Seguros de Riscos<br />
Ambientais.<br />
Fortaleza e Niterói<br />
sob novo comando<br />
A Sompo Seguros anunciou<br />
mudanças em duas filiais.<br />
Alvanir Macedo deixa<br />
a gerencia da filial Niterói<br />
(RJ) para assumir como<br />
gerente da Filial Fortaleza<br />
(CE). O executivo passa a<br />
ser responsável pela gestão<br />
da filial e da equipe comercial<br />
para desenvolvimento<br />
de negócios nos estados do<br />
Ceará, Maranhão, Piauí e Rio<br />
Grande do Norte.<br />
Com a ida de Macedo<br />
para o Nordeste, a executiva<br />
de contas Adriana de Paula, assume a gerência da filial Niterói<br />
que abrange, além da própria cidade, São Gonçalo, Itaboraí,<br />
Rio Bonito, Região Serrana, Região dos Lagos, Sul, Norte e<br />
Noroeste Fluminense.<br />
10
GENTE<br />
Promovidos a vice-presidentes<br />
A SulAmérica anunciou mudanças em sua estrutura.<br />
Duas diretorias foram elevadas ao nível de vice-presidências<br />
e as áreas de Marketing e Comunicação Institucional foram<br />
incorporadas pela vice-presidência Comercial.<br />
A área de Estratégia Digital, Advanced Analytics,<br />
Inovação e TI, responsável pela transformação digital da<br />
companhia, passou a ser uma vice-presidência liderada pelo<br />
executivo Cristiano Barbieri.<br />
A área de Capital<br />
Humano, Administrativo<br />
e Sustentabilidade, que<br />
trata de dois temas fundamentais<br />
para a seguradora<br />
– o desenvolvimento das<br />
equipes de colaboradores<br />
e a agenda estratégica de<br />
sustentabilidade – também<br />
passa a ter status de<br />
vice-presidência e continua<br />
liderada por Patrícia<br />
Coimbra.<br />
A SulAmérica anunciou<br />
também que as áreas<br />
de Marketing e de Comunicação<br />
Institucional foram incorporadas à vice-presidência<br />
Comercial, liderada por André Lauzana; o objetivo é proporcionar<br />
ainda mais sinergia para o relacionamento com<br />
o público externo, com destaque ao corretor de seguros.<br />
Gerente para Centro Oeste<br />
e Minas Gerais<br />
A Seguros Sura direcionou suas estratégias para<br />
expandir o modelo de negócios e a proposta de valor<br />
da companhia no Brasil. Reforçando sua atuação no<br />
Centro-Oeste e Minas<br />
Gerais, a seguradora<br />
anunciou Sérgio Souza<br />
como novo gerente da<br />
região.<br />
Com 25 anos de<br />
experiência no mercado<br />
de seguros e uma<br />
carreira profissional<br />
consolidada no setor,<br />
Sérgio será responsável<br />
pela expansão e desenvolvimento<br />
estratégico<br />
da empresa. “Vou fortalecer<br />
o relacionamento<br />
com os canais e firmar<br />
novas parcerias para que tenhamos um crescimento<br />
orgânico, com foco na entrega de soluções que agregam<br />
valor aos negócios e atendam às diferentes necessidades<br />
do cliente”, afirma Souza.<br />
APTS elege nova presidente<br />
A Assembleia Geral Extraordinária<br />
(AGE) realizada<br />
pela APTS, com a participação<br />
de diretores e associados, elegeu<br />
por aclamação Octavio J.<br />
Milliet para o cargo de presidente.<br />
Ele cumprirá o período<br />
final de mandato da atual gestão<br />
2017/2019, que se encerra<br />
em setembro, ocupando a vaga<br />
deixada por Osmar Bertacini,<br />
falecido em janeiro.<br />
Com o apoio dos demais<br />
membros da diretoria, Milliet,<br />
que até então era membro do<br />
Conselho do Administrativo na atual gestão, aceitou a missão<br />
de conduzir a APTS até a próxima eleição.<br />
“É muito difícil assumir o cargo que até então pertencia ao<br />
grande profissional Osmar Bertacini, ainda mais para cumprir<br />
a parte final do mandato. Mas, conto com apoio da diretoria<br />
para desenvolver projetos e dar uma nova energia para a APTS,<br />
que deverá seguir em frente na sua missão de disseminar o conhecimento<br />
técnico em seguros”, diz Milliet. A AGE também<br />
empossou Adevaldo Calegari, ex-mentor do CCS-SP, como<br />
membro do Conselho, na vaga de Milliet.<br />
12
especial vida | perspectivas<br />
No topo do mercado<br />
Seguro de pessoas cresce 9% em 2018 e ultrapassa, pela primeira<br />
vez, o segmento de automóvel, até então dono do posto de<br />
maior carteira do mercado brasileiro em termos de prêmios,<br />
levando em conta o DPVAT. Apesar disso, o desafio deste<br />
segmento permanece: proporcionar uma camada de proteção<br />
para a sociedade que ainda não acorda pensando nos riscos aos<br />
quais está exposta<br />
Elis Lopes<br />
14
Um e outro aviso de sinistro.<br />
Este foi o impacto para a<br />
maior parte das seguradoras<br />
que operam com seguros de<br />
pessoas da tragédia de Brumadinho, que<br />
vitimou, ao menos até aqui, 186 pessoas.<br />
A exceção foi a Bradesco Seguros, que<br />
respondia pela apólice de vida em grupo<br />
da mineradora Vale. Depois de anos<br />
seguidos de recessão e com lenta recuperação<br />
de vagas, o desemprego pode<br />
se tornar um problema crônico para os<br />
brasileiros e estrutural para o País. Não<br />
bastasse isso, a perda de um ente, para<br />
várias famílias, ocorre preferencialmente<br />
em momentos críticos sob o ponto de<br />
vista financeiro, fragilizando ainda mais<br />
o orçamento doméstico. Exemplos não<br />
faltam e evidenciam o quanto o seguro<br />
de pessoas ainda engatinha no Brasil.<br />
Tamanho é o espaço que este mercado<br />
cresceu 9% no ano passado, totalizando<br />
quase R$ 41,5 bilhões, a despeito de o<br />
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro<br />
ter se expandido em uma taxa tímida de<br />
1,1%, na mesma base de comparação.<br />
Totalmente descolado da economia<br />
brasileira, com tal desempenho, o segmento<br />
de seguro de pessoas conseguiu<br />
ultrapassar, pela primeira vez, o ramo<br />
de automóvel, com cerca de R$ 40,6<br />
bilhões, que até então se mantinha como<br />
líder isolado do mercado brasileiro, considerando<br />
o DPVAT. Assumiu, com isso,<br />
o posto de maior carteira do mercado<br />
brasileiro. Sem o seguro obrigatório,<br />
❙❙Jorge Nasser, da FenaPrevi<br />
❙❙Francisco tal posição já tinha sido galgada. “Nos<br />
últimos cinco anos, o seguro de pessoas<br />
cresceu em ritmo superior ao de automóvel.<br />
É uma trajetória que tem continuado.<br />
Não vem de hoje”, destaca o economista<br />
Francisco Galiza, da Rating de Seguros<br />
Consultoria.<br />
Apesar de o seguro de vida, em<br />
grupo e individual, ter se firmado como<br />
a maior carteira do mercado de seguros<br />
de pessoas, respondendo com 39% dos<br />
prêmios arrecadados no ano de 2018,<br />
o destaque em termos de crescimento<br />
ficou por parte do seguro prestamista,<br />
que garante o pagamento de prestações,<br />
e que representa 30% deste setor (leia<br />
mais na página 22). A modalidade movimentou<br />
R$ 11,3 bilhões no ano passado,<br />
com desempenho 19% maior em relação<br />
ao visto em 2017, puxado, principalmente,<br />
pela retomada do crédito e a melhora<br />
nas vendas de varejo.<br />
Para o novo presidente da Federação<br />
Nacional de Previdência Privada<br />
e Vida (FenaPrevi), Jorge Nasser, os<br />
seguros de pessoas têm crescido a despeito<br />
de um ambiente de recuperação da<br />
economia brasileira, uma vez que são<br />
instrumentos importantes de proteção<br />
social e ainda ajudam a preservar as<br />
conquistas materiais e financeiras das<br />
famílias brasileiras. No ano passado,<br />
o setor pagou R$ 9 bilhões em indenizações,<br />
cifra que corresponde ao PIB<br />
de diversos municípios brasileiros. No<br />
entanto, quando avaliado o número de<br />
brasileiros que possuem apólices para<br />
protegerem a si ou então a eventos<br />
financeiros futuros, abre-se um mar<br />
de oportunidades. Somente 19% dos<br />
indivíduos têm seguro de vida no País.<br />
Além disso, essa carteira é formada,<br />
principalmente, por contratos corporativos,<br />
ou seja, benefícios oferecidos<br />
pelas empresas e que nem sempre estão<br />
alinhados às necessidades de cada indivíduo.<br />
Não é à toa que as seguradoras<br />
estão de olho no potencial que o seguro<br />
de vida individual tem no País, um<br />
mercado que está, sobretudo, nas mãos<br />
dos grandes bancos de varejo. “O Brasil<br />
tem duas deficiências no que tange<br />
ao seguro de pessoas: além de baixa<br />
penetração, muitas apólices não têm a<br />
cobertura adequada para os riscos dos<br />
indivíduos”, adverte o superintendente<br />
de soluções da Seguros Sura, Marco<br />
Garutti.<br />
Nenhum brasileiro acorda, segundo<br />
ele, pensando em contratar um seguro<br />
de vida porque pode morrer um dia e ou<br />
mesmo nos dependentes financeiros que<br />
possui. Mais do que isso, há riscos em<br />
vida: desemprego, invalidez parcial ou<br />
total. Apesar de esses riscos girarem em<br />
torno dos brasileiros, como a cultura de<br />
seguros é deficitária no País, dificilmente<br />
os consumidores têm essa percepção<br />
se não são provocados para isso. Esse<br />
é um desafio que está a cargo das seguradoras<br />
e dos corretores de seguros.<br />
Segundo o presidente do CVG-SP,<br />
❙❙<br />
Marco Garutti, da Seguros Sura<br />
Galiza, da Rating<br />
15
perspectivas<br />
Silas Kasahaya, as companhias já têm<br />
se debruçado no aperfeiçoamento de<br />
produtos com a inclusão de coberturas<br />
e assistências que podem ser utilizadas<br />
em vida pelos segurados. Há, entretanto,<br />
espaço para melhorar não só os<br />
produtos bem como a oferta, que ainda<br />
é feita majoritariamente por corretores<br />
especializados. O momento é oportuno,<br />
de acordo com ele, considerando a<br />
perspectiva de melhora da economia<br />
brasileira. Apesar de economistas já<br />
terem revisado para baixo a expectativa<br />
de crescimento do PIB em 2019, o<br />
desempenho tende a ser melhor que no<br />
ano passado, a depender da aprovação<br />
da reforma da Previdência. Outra boa<br />
notícia vem do mercado de trabalho<br />
que também conta com projeções melhores<br />
para 2019, o que contribui para<br />
elevar a renda média da população e,<br />
consequentemente, abre espaço nos<br />
orçamentos familiares para proteções<br />
financeiras. Apesar da queda em ritmo<br />
lento, a perspectiva da Organização<br />
Internacional do Trabalho (OIT) é de<br />
que as taxas de desemprego no Brasil<br />
vão cair em 2019 e 2020. “O mercado<br />
de seguros de pessoas tende a acelerar<br />
o ritmo de crescimento neste ano. O<br />
prestamista, com o crescimento do<br />
crédito, e o seguro individual, diante<br />
do grande espaço de expansão no País,<br />
são os ramos mais promissores”, avalia<br />
Kasahaya.<br />
Foco nos indivíduos<br />
Nesse sentido, a Sura, que vem crescendo<br />
acima dos 40% em seguro de vida,<br />
olha as oportunidades para o segmento<br />
e promete lançamentos para o segundo<br />
semestre deste ano. Garutti não dá detalhes,<br />
mas deixa escapar que na mira<br />
estão principalmente as pessoas físicas,<br />
uma vez que a seguradora, que assumiu<br />
as operações da RSA na América Latina,<br />
tem sua operação mais concentrada nos<br />
clientes corporativos.<br />
Até mesmo quem está fora do mercado<br />
de seguros de pessoas quer fincar<br />
os pés neste segmento. A alemã HDI<br />
Seguros, focada em automóvel e seguros<br />
patrimoniais, vai começar a atuar no<br />
ramo por meio de uma parceria com<br />
a brasileira Icatu Seguros. Depois de<br />
16<br />
❙❙Silas Kasahaya, do CVG-SP<br />
quase um ano de namoro, as seguradoras<br />
anunciaram um acordo comercial que<br />
deve ser colocado em prática também<br />
no segundo semestre deste ano. O ponto<br />
de partida é a venda de seguros de vida<br />
e de acidentes pessoais para a base de<br />
cerca de 2,5 milhões de clientes da HDI,<br />
por meio dos seus 23 mil corretores de<br />
seguros. No futuro, a parceria, que vislumbra<br />
R$ 250 milhões em prêmios em<br />
até cinco anos, pode crescer e complementar<br />
outros produtos. “A HDI passa<br />
por um momento de reposicionamento<br />
de deixar de ser uma seguradora focada<br />
em automóvel para uma companhia<br />
especializada em mobilidade urbana e<br />
isso inclui os riscos pessoais dos nossos<br />
segurados”, diz o presidente da seguradora,<br />
Murilo Riedel.<br />
❙❙Luis Gutiérrez, da Mapfre Seguros<br />
A Mapfre Seguros, que refez recentemente<br />
a sociedade com o Banco do<br />
Brasil, também aposta no seguro de vida<br />
como um dos ramos mais oportunos de<br />
crescimento em 2019, segundo o CEO da<br />
companhia, Luis Gutiérrez. O principal<br />
motor para este segmento, na visão do<br />
executivo, é o regresso que as famílias,<br />
principalmente de classe média, podem<br />
ter diante da perda de um dos mantenedores<br />
do orçamento doméstico. Ele cita,<br />
inclusive, o caso da sua própria família.<br />
Gutiérrez perdeu o pai cedo e sua mãe, na<br />
época, não trabalhava, uma vez que tinha<br />
de cuidar dos filhos. “Tivemos de voltar<br />
30 anos com a perda do meu pai. Minha<br />
mãe não tinha profissão. Muita gente não<br />
percebe que o seguro de vida pode evitar<br />
que isso ocorra, esse regresso de anos”,<br />
alerta o executivo.<br />
Sob o ponto de vista de canais de<br />
venda, os seguros de pessoas também<br />
chamam a atenção do mercado brasileiro,<br />
uma vez que o produto é mais explorado<br />
por consultores especializados. Além da<br />
HDI, que está debruçada em convencer<br />
seus corretores a ofertarem seguros de<br />
vida e de acidentes pessoais, quem também<br />
está de olho no potencial do ramo<br />
é o ex-vice-presidente da SulAmérica,<br />
Carlos Alberto Trindade. O executivo<br />
vai colocar em prática um desejo antigo<br />
de criar uma plataforma de venda online<br />
de seguro de vida e previdência privada<br />
individual. Apesar de ter deixado a<br />
SulAmérica em fevereiro, já conversa<br />
com corretores e possíveis seguradoras<br />
parceiras para desenvolver o projeto. A<br />
ideia é colocar a plataforma de vendas<br />
em pé ainda este ano. “É uma função<br />
importante levar o seguro de vida para<br />
cada família brasileira”, destaca ele, em<br />
conversa exclusiva com <strong>Apólice</strong>.<br />
Ajuda regulatória<br />
Um empurrão para o mercado de<br />
seguro de pessoas se desenvolver no País<br />
pode vir com o aguardado Universal<br />
Life, apólice que combina coberturas<br />
de risco e acumulação e acompanha as<br />
diversas fases da vida do segurado. Para<br />
que o produto comece a ser ofertado<br />
no Brasil, depende, contudo, do entendimento<br />
da Receita Federal, que ainda<br />
não definiu como ficará a questão fiscal.
❙❙Breno Gomes, da Metlife<br />
O setor defende que a indenização em<br />
decorrência de morte no novo seguro<br />
não seja tributada como acontece nas<br />
demais apólices desta modalidade. Esse<br />
foi o trunfo para desenvolver o Universal<br />
Life em outras regiões como, por exemplo,<br />
nos Estados Unidos, maior mercado<br />
deste seguro no mundo. Apesar de o<br />
pleito do mercado de seguros não vir de<br />
hoje, pesa, sobretudo, a forte crise fiscal<br />
do País, cujo rombo nas contas públicas<br />
é estimado em cerca de R$ 100 bilhões<br />
este ano, contra um orçamento de R$ 139<br />
bilhões. Com a mudança do governo, a<br />
preocupação do mercado era de que o<br />
tema ficasse esquecido, pois o principal<br />
foco do governo de Jair Bolsonaro é<br />
aprovar uma reforma da Previdência que<br />
gere, ao menos, uma economia de R$ 1<br />
trilhão ao governo na próxima década.<br />
No entanto, o coordenador geral da área<br />
de produtos da Superintendência de Seguros<br />
Privados (Susep), César Neves, diz<br />
que já há conversas com a nova equipe<br />
econômica para endereçar os avanços<br />
necessários para que o Universal Life<br />
saia do campo das ideias depois de anos<br />
em que a regulamentação do produto se<br />
arrasta. Uma reunião entre integrantes da<br />
autarquia e das secretarias do Ministério<br />
da Economia sobre o assunto ocorreu em<br />
fevereiro. “O governo atual entendeu a<br />
importância do produto”, diz Neves.<br />
O potencial estimado pelo setor<br />
com o Universal Life é de 125 milhões<br />
de usuários. Sem o benefício fiscal,<br />
contudo, essa perspectiva pode não se<br />
materializar. Procurada, a Receita Federal<br />
não quis comentar o assunto. De<br />
acordo com o diretor de Desenvolvimento<br />
de Negócios, Estratégia e Marketing da<br />
MetLife, Breno Gomes, caso a Receita<br />
Federal não permita a isenção fiscal para<br />
os contratantes do Universal Life não<br />
inviabiliza o produto, mas o tornará mais<br />
caro e, consequentemente, menos atrativo<br />
para venda. “Além de acompanhar a<br />
vida do segurado, o Universal Life pode<br />
contribuir para aumentar a formação de<br />
poupança no País”, lembra ele.<br />
Um empurrão para o<br />
mercado de seguro de<br />
pessoas se desenvolver<br />
no País pode vir com<br />
o aguardado Universal<br />
Life, apólice que<br />
combina coberturas de<br />
risco e acumulação e<br />
acompanha as diversas<br />
fases da vida do<br />
segurado<br />
Outros avanços em termos de regulação<br />
também podem ajudar a desenvolver<br />
mais o seguro de pessoas no País. Neves,<br />
da Susep, cita o avanço em termos de<br />
regulação das apólices intermitentes,<br />
ou seja, que podem ser contratadas para<br />
períodos específicos de uso. Segundo ele,<br />
a modalidade tende a beneficiar vários<br />
segmentos, dentre eles, os seguros de<br />
vida e acidentes pessoais para profissionais<br />
de esportes radicais, para eventos.<br />
Além disso, a autarquia também trabalha,<br />
conforme Neves, no aperfeiçoamento da<br />
regra das apólices voltadas aos vigilantes.<br />
O pedido foi feito ainda no governo<br />
anterior, a partir de uma demanda da<br />
Polícia Federal.<br />
Mercado Seguros de Pessoas<br />
R$21,8<br />
bilhões<br />
18,35%<br />
R$25,8<br />
bilhões<br />
7,50%<br />
R$27,7<br />
bilhões<br />
7,22%<br />
R$29,7<br />
bilhões<br />
4,71%<br />
R$31,1<br />
bilhões<br />
10,93%<br />
R$37,9<br />
bilhões<br />
9,40%<br />
R$41,4<br />
bilhões<br />
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018<br />
fonte: FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida)<br />
17
especial vida | corporativo<br />
Produto para cumprir<br />
regras e reter talentos<br />
Seguro de vida corporativo é oferecido às empresas para<br />
atender as Convenções Coletivas de Trabalho, formalizadas<br />
pelos sindicatos de diversas categorias<br />
Kelly Lubiato<br />
O<br />
seguro de vida em grupo é<br />
um benefício muito apreciado<br />
pelos colaboradores das<br />
empresas. Ele representa a<br />
tranquilidade para momentos delicados,<br />
principalmente quando muitos empregadores<br />
estão pressionados pelos custos dos<br />
planos de saúde. Até novembro de 2018,<br />
os planos de seguro de vida corporativos<br />
cresceram 5,89%, em relação a igual pe-<br />
18<br />
ríodo de 2017, chegando à marca de R$<br />
10,2 bilhões de arrecadação.<br />
“O mercado ainda está em tímida<br />
ascensão, após um período sem avanços,<br />
decorrente da recessão econômica”,<br />
avalia o presidente da Previsul, Renato<br />
Pedroso. Muitas empresas que contratam<br />
o seguro de vida são motivadas pelas<br />
Convenções Coletivas de Trabalho, que<br />
exigem tal benefício para os colaboradores.<br />
Neste período de crise, muitas delas<br />
buscaram alternativas mais acessíveis.<br />
Mesmo assim, esta carteira obteve<br />
um resultado positivo em 2018. Para combater<br />
este cenário de crise, as seguradoras<br />
investiram em um novo nicho consumidor,<br />
o das pequenas e médias empresas.<br />
Com a desaceleração da indústria, os<br />
grupos com maior número de vidas ficam<br />
cada vez mais escassos.
Pedroso afirma que as empresas costumam<br />
ser fieis aos corretores de seguros<br />
e à seguradora, desde que estes prestem<br />
um serviço eficiente. “Por parte da companhia,<br />
temos que oferecer bons serviços,<br />
como ter uma liquidação de sinistro rápida<br />
ou um correto faturamento mensal. A<br />
fidelidade é uma consequência”, avalia.<br />
O foco nos serviços prestados deve<br />
ser permanente, porque a concorrência<br />
neste setor é bastante acirrada. As taxas<br />
estão a cada dia mais agressivas e, muitas<br />
vezes, chegam a inviabilizar a renovação<br />
do seguro. Isto torna o produto, em alguns<br />
casos, pouco rentável para as seguradoras,<br />
que buscam no volume de vendas<br />
uma saída para a baixa rentabilidade.<br />
Entretanto, a perspectiva de melhora<br />
econômica serve de alento para as seguradoras<br />
que atuam no setor. “O crescimento<br />
da economia fatalmente gerará uma maior<br />
busca pela contratação de seguros corporativos,<br />
seja para fins de retenção, seja<br />
em razão da negociação das Convenções<br />
Coletivas de Trabalho”, afirma Pedroso.<br />
Mais coberturas<br />
O serviço de assistência é um diferencial<br />
na venda do seguro corporativo<br />
de vida, principalmente se ela dispõe<br />
de assistência funeral, que é um grande<br />
trabalho para a família. É preciso transpor<br />
os trâmites legais num momento de<br />
abalo emocional.<br />
❙❙Renato Pedroso, da Previsul<br />
19
corporativo<br />
“Nós garantimos que<br />
vamos sempre atualizar<br />
a apólice de acordo com<br />
os moldes das novas<br />
publicações”<br />
Joana Barros Salgueiro Santos,<br />
da Alfa Seguradora<br />
Para ser elaborado, o critério é o<br />
conhecimento e acompanhamento das<br />
maiores necessidades dos setores, avaliando<br />
a real necessidade do impacto e<br />
risco de cada região e atividade daquele<br />
segmento em que a empresa atua.<br />
No seguro de vida corporativo, é<br />
possível colocar outras coberturas como<br />
invalidez, por doença ou acidente, a<br />
invalidez laborativa, enfim, elas já estão<br />
disponíveis no mercado. Há cobertura até<br />
para indenizar a empresa. Há também a<br />
cobertura de doenças graves, com a antecipação<br />
do valor da cobertura.<br />
Uma alternativa para tornar o seguro<br />
de vida corporativo mais atraente<br />
para as empresas e seus colaboradores<br />
é acoplar mais coberturas ao produto.<br />
Assim, os empresários conseguem assimilar<br />
melhor os benefícios. Outra forma<br />
de chegar a um número maior de PME´s<br />
é escolher e atuar em nichos específicos,<br />
conhecendo a fundo as necessidades de<br />
cada cliente.<br />
Joana Barros Salgueiro Santos,<br />
gerente Geral de Produtos de Vida da<br />
20<br />
Alfa Seguradora, conta que a seguradora<br />
dividiu o seu produto PME por<br />
atividades, para estar mais próximo ao<br />
cliente e estar apta a entender como ele<br />
funciona. “Assim, conseguimos oferecer<br />
uma gama maior de produtos para o<br />
mesmo cliente”.<br />
Um dos argumentos utilizados para<br />
conquistar o cliente é a garantia da<br />
atualização automática das cláusulas<br />
contratuais de acordo com as mudanças<br />
das CCTs, de acordo com a área de atuação<br />
de cada cliente. “Nós garantimos<br />
que vamos sempre atualizar a apólice<br />
de acordo com os moldes das novas<br />
publicações”, explica Joana.<br />
Outro ponto importante é que as<br />
CCTs variam de acordo com cada região<br />
do território nacional. O Sudeste ainda<br />
é o maior polo comprador de seguros,<br />
responsável por quase 50% dos prêmios<br />
arrecadados. O estado acumula o maior<br />
número de obrigatoriedades trabalhistas,<br />
de acordo com Joana. “Algumas<br />
empresas com sede no estado e filiais<br />
espalhadas pelo país, acabam contratando<br />
o seguro para todos, para facilitar<br />
a operação”.<br />
As facilidades que um produto como<br />
este oferece são um grande diferencial.<br />
No caso da Alfa Seguradora, uma delas<br />
foi a diminuição da burocracia para a<br />
contratação do seguro, com duas linhas<br />
de produtos: um PME que o corretor cota,<br />
faz a proposta e emite na ponta toda a<br />
documentação. Ele só precisa falar com a<br />
filial se tiver alguma exceção às regras do<br />
produto; a outra modalidade é o Global,<br />
para convenções coletivas, em que tudo é<br />
feito de forma eletrônica, desde a adesão,<br />
a cotação etc. Quando o corretor conhece<br />
este produto, ele fica.<br />
O seguro de vida recebe a devida<br />
importância no momento em que acontece<br />
um sinistro com um funcionário<br />
ou com um parente próximo. Uma situação<br />
difícil, que é um funeral de um<br />
funcionário, através do seguro, recebe<br />
um tratamento adequado, simples, sem<br />
onerar a família nem a empresa. Neste<br />
momento, as pessoas começam a entender<br />
o seguro.<br />
Em caso de sinistro, há duas formas<br />
de procedimento: a empresa pode intermediar<br />
a regulação, porque a empresa é a<br />
“Como o seguro do<br />
PASI é voltado para o<br />
trabalhador, sempre há<br />
a participação da<br />
empresa contratante<br />
neste momento, o que<br />
facilita a conclusão<br />
rápida do processo”<br />
Edivânia Reis, do PASI<br />
contratante e, com os dados na mão, deixa<br />
a regulação mais fácil. O que determina<br />
a rapidez da liquidação de sinistro é a<br />
entrega da documentação.<br />
O momento mais difícil<br />
O PASI é um empresa especializada<br />
nos seguros de vida e acidentes pessoais<br />
corporativos, que nasceu para atender<br />
uma demanda do segmento de construção<br />
civil, um setor bastante suscetível<br />
a acidentes do trabalho e eventuais<br />
sinistros. A empresa ampliou seu leque<br />
de atuação e, atualmente, possui vidas<br />
seguradas nos mais diversos setores da<br />
economia.<br />
Edivânia Reis, gerente do Departamento<br />
de Indenizações do PASI, explica<br />
que os sinistros de vida, decorrentes de<br />
acidentes do trabalho, seguem os trâmites<br />
normais das demais ocorrências.<br />
“Como o seguro do PASI é voltado para<br />
o trabalhador, sempre há a participação
“Ter um olhar para<br />
oportunidades e<br />
desenhar coberturas<br />
atraentes que casem<br />
com as novas<br />
necessidades dos<br />
nossos clientes.<br />
As possibilidades<br />
de combinação de<br />
coberturas são inúmeras<br />
e vão depender<br />
da necessidade e<br />
da disponibilidade<br />
de cada cliente”<br />
Carlos Guerra, da Prudential do Brasil<br />
da empresa contratante neste momento,<br />
o que facilita a conclusão rápida do<br />
processo”, explica.<br />
A diferença mais comum da regulação<br />
é que, em se tratando de acidente de<br />
trabalho, se faz necessária a comprovação<br />
do documento que vincule ao acidente<br />
de trabalho – CAT (Comunicado de<br />
Acidente de Trabalho). Entretanto, não há<br />
vinculação obrigatória entre a cobertura<br />
securitária e a causa do acidente.<br />
No caso de um seguro coletivo, não<br />
é uma prática comum do mercado a<br />
inclusão dos beneficiários por parte dos<br />
titulares, apesar desta indicação estar<br />
disponível para todos.<br />
“No entanto, já estamos trabalhando<br />
com campanhas de incentivo, uma vez<br />
que na ocorrência do sinistro, há um facilitador<br />
e, ainda mais, a desburocratização<br />
em relação à documentação, agilizando o<br />
processo regulatório de sinistro”, ressalta<br />
Edvânia. Quando não há designação,<br />
paga-se o sinistro de acordo com critérios<br />
definidos pelo Código Civil Brasileiro.<br />
“Sempre estamos alinhados com as empresas<br />
contratantes”, comenta.<br />
Na ocorrência de um caso de grande<br />
comoção, como foi a queda da barragem<br />
da Vale, em Brumadinho, a regulação<br />
tende a ser menos burocrática e pode<br />
haver uma simplificação ainda maior<br />
na documentação, sem perder o foco<br />
na segurança jurídica, uma vez que em<br />
relação à causa da morte, por se tratar<br />
de situação pública e notória, não há<br />
exigência de comprovação de como se<br />
deu a ocorrência.<br />
“Acreditamos que a postura deve ser<br />
proativa e acolhedora. Frente ao rompimento<br />
da barragem em Brumadinho-MG,<br />
o PASI, partindo das listas dos nomes<br />
das vítimas divulgadas e disponibilizadas<br />
pela imprensa e Corpo de Bombeiros,<br />
cruzou os dados com o nosso<br />
sistema gerencial e identificamos as<br />
possíveis vítimas e empresas vinculadas,<br />
no intuito de apoiar nossos segurados e<br />
agilizar o pagamento das indenizações”,<br />
conta Edivânia.<br />
Com o cruzamento foram identificadas<br />
98 ocorrências de possíveis<br />
segurados. Porém, por haver vários<br />
homônimos, foi necessário entrar em<br />
contato com cada empresa para a confirmação<br />
da vinculação dos mesmos<br />
com a tragédia. Edivânia afirma que, ao<br />
final, foram confirmados como nossos<br />
segurados 12 vítimas desaparecidas e<br />
2 resgatados com vida, sendo que até<br />
o momento apenas 3 destes sinistros<br />
foram avisados.<br />
“Disponibilizamos de imediato<br />
nossa central de psicólogos e assistentes<br />
sociais para atendimento aos familiares<br />
das vítimas, aos sobreviventes, aos<br />
departamentos de RH e Jurídico das<br />
empresas vinculadas e aos colegas de<br />
trabalho, todos afetados pelos impactos<br />
emocionais dessa tragédia e que têm<br />
encontrado dificuldades para lidar com<br />
a situação. Nossa equipe jurídica e de sinistros<br />
também está integrada e ajudando<br />
as empresas e beneficiários na condução<br />
dos processos de sinistros e simplificação<br />
dos documentos”, fala Edivânia.<br />
É em um momento como este que o<br />
mercado de seguros precisa mostrar sua<br />
real amplitude e forma de ação.<br />
Desafios<br />
De uma forma geral, os desafios do<br />
mercado de seguros incluem oferecer ao<br />
cliente não somente um produto, mas<br />
uma proposta de valor. “Ter um olhar<br />
para oportunidades e desenhar coberturas<br />
atraentes que casem com as novas<br />
necessidades dos nossos clientes”, aponta<br />
Carlos Guerra, vice-presidente de Vida<br />
em Grupo da Prudential do Brasil. Além<br />
disso, todos os players desse mercado têm<br />
a missão de ampliar a conscientização<br />
sobre a importância do seguro de vida.<br />
2019 ainda tem um desafio adicional,<br />
que é a retomada econômica do<br />
país e o aguardado crescimento dos<br />
empregos formais. Empregadas, as<br />
pessoas são o maior ativo das empresas<br />
e protegê-las é essencial.<br />
Guerra acredita que mais empresas<br />
estão despertando para a necessidade<br />
de cuidar cada vez mais de seus funcionários.<br />
Ele vê o seguro de vida em<br />
grupo, além de um benefício, como<br />
uma proteção que se estende para além<br />
do ambiente da empresa, ou seja, o<br />
colaborador e sua família estão sempre<br />
protegidos e esta proteção tende a estimular<br />
a retenção.<br />
“As possibilidades de combinação de<br />
coberturas são inúmeras e vão depender<br />
da necessidade e da disponibilidade de<br />
cada cliente. Entender as necessidades<br />
dos nossos clientes é sempre o primeiro<br />
passo. Precisamos mapear o tamanho e<br />
perfil da empresa e de seus colaboradores,<br />
para que possamos oferecer as melhores<br />
soluções. Temos condições de moldar a<br />
proteção ideal para nossos clientes e seus<br />
funcionários oferecendo planos básicos,<br />
com pouca flexibilidade de cobertura,<br />
bem como aqueles mais sofisticados,<br />
desenhados para atender necessidades<br />
específicas”, comenta o executivo da<br />
Prudential.<br />
21
especial vida | prestamista<br />
Dívida segura<br />
Maior crescimento do crédito, que pode recuperar os dois<br />
dígitos de expansão em 2019, deve impulsionar a demanda por<br />
proteções financeiras. Somado a isso, o plano de expansão de<br />
redes varejistas para o ano, em meio à retomada da economia<br />
brasileira e o potencial de pequenas e médias empresas, também<br />
pode ser um fôlego extra ao segmento<br />
Elis Lopes<br />
O<br />
retorno do crédito ao posto<br />
de ator principal do lucro<br />
dos grandes bancos de varejo<br />
no País neste ano, associado<br />
às expectativas mais otimistas das varejistas<br />
quanto às vendas, deve servir<br />
de combustível para outro mercado: o<br />
seguro prestamista. Depois de entregar<br />
o maior crescimento da carteira de pes-<br />
22<br />
soas em 2018, a modalidade, que protege<br />
devedores, tem tudo para triunfar ainda<br />
mais neste exercício. No ano passado, o<br />
prestamista, que já responde por 30%<br />
da carteira de seguros de pessoas no<br />
Brasil, teve desempenho 19% maior em<br />
relação a 2017, movimentando R$ 11,3<br />
bilhões, segundo balanço da Federação<br />
Nacional de Previdência Privada e Vida<br />
(FenaPrevi). Contribui, sobretudo, a retomada<br />
do ambiente econômico, com mais<br />
crédito na praça e a maior procura por<br />
empresas que lidam com financiamento<br />
para proteger suas carteiras, embora o<br />
segurado também conte com o benefício<br />
da execução da dívida no caso de morte,<br />
invalidez ou desemprego involuntário.<br />
Até então, muitas empresas como, por
exemplo, as financeiras, faziam isso<br />
de forma doméstica, mas passaram a<br />
contratar no mercado, criando um novo<br />
nicho de atuação para as seguradoras<br />
no País dentro do ramo prestamista. Os<br />
ventos para 2019, passados os resquícios<br />
da Operação Lava Jato, que fizeram os<br />
bancos fecharem as torneiras para o<br />
crédito, são em sua maioria favoráveis<br />
para aceleração do crescimento da<br />
carteira de prestamista. Ao revelarem<br />
suas projeções para este ano, Bradesco<br />
e Itaú Unibanco, os dois maiores bancos<br />
privados do País, sinalizaram que suas<br />
carteiras tendem a voltar ao crescimento<br />
de dois dígitos, motivados, sobretudo,<br />
pelas famílias brasileiras que já veem<br />
mais confiança para alavancarem os orçamentos.<br />
Do lado corporativo, o motor<br />
deve ser as pequenas e médias empresas<br />
(PMEs), que se recuperam mais rápido<br />
da crise – embora também tenham sido o<br />
elo mais afetado no período de recessão.<br />
Já os grandes grupos seguem em compasso<br />
de espera, à mercê das reformas<br />
estruturais a serem capitaneadas pelo<br />
governo de Jair Bolsonaro, com destaque<br />
para a da Previdência. Apesar de nos<br />
bancos públicos o apetite por crédito ser<br />
um tanto mais tímido que nos privados,<br />
no consolidado, a carteira do sistema<br />
financeiro deve mostrar mais vigor e<br />
acelerar o ritmo de expansão visto no<br />
ano passado. Janeiro ainda não serve<br />
de termômetro para 2019, uma vez que<br />
o início do ano é impactado por fatores<br />
sazonais. “Muito embora não se possa<br />
❙❙Alex Körner, do Santander Brasil<br />
❙❙Fernando Rocha, do Banco Central<br />
descartar um arrefecimento do crédito<br />
em janeiro, esse resultado tem influências<br />
sazonais. O que contribuiu para<br />
crescer o crédito em dezembro, contribuiu<br />
para reduzir em janeiro”, explicou<br />
o chefe do Departamento de Estatísticas<br />
do Banco Central, Fernando Rocha, no<br />
final de fevereiro, durante tradicional<br />
coletiva de imprensa mensal sobre a nota<br />
de crédito. Segundo ele, o movimento<br />
foi pontual.<br />
Em 2018, o estoque total de operações<br />
de crédito do sistema financeiro<br />
apresentou incremento de 5,5% frente<br />
2017, totalizando R$ 3,260 trilhões no<br />
fim de dezembro ou o equivalente a<br />
47,4% de toda a riqueza gerada no País.<br />
Em 2017, o peso do crédito no Produto<br />
Interno Bruto (PIB) brasileiro era de<br />
47,2%. “Com a retomada do crédito no<br />
Brasil, o seguro prestamista se mostra<br />
uma proteção financeira importante<br />
para a sociedade, que tem buscado mais<br />
este produto”, avalia o superintendente<br />
de produtos proteção e capitalização do<br />
Santander Brasil, Alex Körner.<br />
Após entrar na crise menos alavancado<br />
que seus pares, o banco espanhol<br />
foi o que mais cresceu sua carteira de<br />
crédito no ano passado. Enquanto os<br />
demais players privados elevaram seus<br />
empréstimos em um dígito, o Santander<br />
apresentou expansão de 11,2%. O banco<br />
tem uma joint venture com a seguradora<br />
suíça Zurich no Brasil e na Argentina,<br />
o que a permite abocanhar parte de um<br />
mercado que fica, sobretudo, nas mãos<br />
dos grandes bancos no País.<br />
Em outra frente, também segue<br />
reforçando sua presença no setor varejista.<br />
Recentemente, a Zurich conseguiu<br />
renovar antecipadamente o contrato que<br />
detém com a Via Varejo, que administra<br />
as redes Casas Bahia e Pontofrio. Apesar<br />
de ainda dividir o canal com outras<br />
concorrentes como a espanhola Mapfre,<br />
por exemplo, a seguradora garantiu a<br />
parceria até janeiro de 2025, englobando<br />
mais negócios e ainda parte do canal de<br />
e-commerce das bandeiras geridas para<br />
vender seguros, dentre eles, o prestamista.<br />
Parceiras desde 2012, Zurich e Via<br />
Varejo reforçaram o relacionamento<br />
em 2014, após a seguradora suíça levar<br />
o contrato de seguro garantia que, até<br />
então, estava nas mãos do Itaú Unibanco.<br />
Com a renovação dos votos, ocorrida no<br />
final do ano passado, a Zurich dá uma<br />
nova tacada com o negócio, pelo qual já<br />
teria desembolsado um total de R$ 2 bilhões,<br />
segundo fonte ouvida por <strong>Apólice</strong>,<br />
figurando no ranking das maiores parcerias<br />
já fechadas no setor de seguros.<br />
“O seguro prestamista no varejo é um<br />
dos motores de crescimento da Zurich<br />
Brasil”, diz o diretor de afinidades da<br />
Zurich, Luis Reis.<br />
Sem abrir detalhes, o executivo<br />
afirma que a seguradora segue negociando<br />
novos contratos nesta área,<br />
cujos prêmios totalizaram cerca de R$<br />
2 bilhões no ano passado. Por ora, já<br />
possui 25 parcerias, preferencialmente<br />
com grandes players, o que faz, agora,<br />
seu radar mirar também os pequenos e<br />
❙❙Luis Reis, da Zurich<br />
23
prestamista<br />
Transparência é o nome do jogo<br />
O mercado de seguro prestamista<br />
também deve sentir os efeitos do<br />
novo marco regulatório, publicado<br />
em outubro do ano passado, por<br />
meio da resolução 365, do Conselho<br />
Nacional de Seguros Privados (CNSP).<br />
Depois do crescente número de<br />
reclamações em torno do produto,<br />
que em muitos casos é vendido de<br />
forma casada, o que é proibido, a Superintendência<br />
de Seguros Privados<br />
(Susep), decidiu revisitar as normas<br />
do segmento. Uma das principais<br />
mudanças, de acordo com o coordenador<br />
geral da área de produtos<br />
da autarquia, César Neves, foi deixar<br />
claro que a contratação do seguro<br />
prestamista não é obrigatória e tem<br />
de ter o objetivo de beneficiar o segurado.<br />
Como as mudanças só foram<br />
publicadas no final do ano passado,<br />
a expectativa da Susep é de que os<br />
efeitos ocorram ao longo deste ano.<br />
Além de deixar mais transparentes<br />
e claras as regras e condições do<br />
seguro prestamista, o novo marco<br />
estabelece, dentre outros pontos, que<br />
os planos de seguro prestamista poderão<br />
ser estruturados com uma ou<br />
mais coberturas de risco de seguro de<br />
pessoas, tais como morte, invalidez,<br />
desemprego/perda de renda, doenças<br />
graves e incapacidade temporária.<br />
24<br />
médios, conforme Reis. Esse público<br />
também está na mira da japonesa Tokio<br />
Marine. A seguradora reformulou há<br />
cinco anos sua estrutura comercial de<br />
seguros de pessoas e, nos últimos três<br />
anos, reforçou a área de seguro prestamista.<br />
Embora não tenha amarrado<br />
nenhuma parceria com um determinado<br />
player, segue colecionando oportunidades<br />
específicas no segmento, de acordo<br />
com o superintendente Comercial Nacional<br />
Vida da Tokio Marine, Marcos<br />
Kobayashi. Tanto é que a modalidade já<br />
é a segunda maior carteira da japonesa<br />
no ramo de seguros de pessoas. “Ainda<br />
esperamos colher frutos do investimento<br />
que fizemos. Só tínhamos produtos de<br />
pessoa jurídica e, com o desemprego<br />
crescendo, nossa grande preocupação<br />
era mantermos nossos clientes e crescer<br />
a carteira voltada à pequena e média<br />
empresa”, diz Kobayashi.<br />
Segundo ele, as agendas no segmento<br />
de prestamista continuam. Como as<br />
negociações geralmente são demoradas<br />
e complexas, a seguradora está atenta às<br />
oportunidades que surgem no mercado,<br />
mesmo porque são pontuais e de longa<br />
duração. Ou seja, a perda de uma concorrência<br />
pode significar anos sem ter a<br />
oportunidade de disputá-la novamente.<br />
No ano passado, a Tokio fechou dois<br />
grandes contratos no setor de consórcios.<br />
Os nomes, justifica o superintendente<br />
da seguradora, são guardados a sete<br />
chaves para não servirem de ímãs para<br />
a concorrência. Com os novos contratos,<br />
a Tokio viu sua carteira de prestamista<br />
crescer 28,8% de 2013 para 2018, bem<br />
acima da taxa de avanço do mercado.<br />
Para 2019, a meta da japonesa é manter<br />
tal ritmo. Ele lembra, contudo, que um<br />
contrato neste negócio faz toda diferença<br />
e pode mexer na velocidade da expansão<br />
da carteira para cima ou para baixo.<br />
Em sua maioria, os negócios de<br />
prestamista envolvem corretoras cativas<br />
das próprias contratantes. Os players<br />
multinacionais como Willis, Aon e<br />
Marsh também marcam presença neste<br />
segmento. Um movimento que começa<br />
a aparecer, conforme Kobayashi, é de<br />
algumas contratantes constituírem suas<br />
próprias microsseguradoras para atuarem<br />
em carteiras específicas, aproveitando,<br />
o ganho financeiro da operação.<br />
Embora a ofensiva de alguns – ainda<br />
mais no campo das ideias – possa tirar<br />
mercado das seguradoras, o superintendente<br />
da Tokio acredita que tal passo<br />
contribui para desenvolver o segmento<br />
de seguro prestamista no Brasil. “Sai do<br />
famoso rouba-monte”, avalia.<br />
Além disso, no setor de varejo,<br />
é cada vez mais comum os próprios<br />
players explorarem serviços financeiros.<br />
Depois de casamentos malsucedidos<br />
com os grandes bancos, as redes varejistas<br />
perceberam que além de entregar<br />
uma maior rentabilidade, capitanear<br />
suas próprias operações financeiras<br />
pode ser mais assertivo, uma vez que<br />
conhecem seus clientes e, portanto,<br />
formatam melhor a oferta de produtos<br />
e serviços.<br />
Apetite generalizado<br />
Na arena bancária, quem passou a<br />
olhar com mais atenção para o mercado<br />
de seguros e, por conseguinte, o prestamista,<br />
foi o Itaú Unibanco. Depois de<br />
anos sem se movimentar no segmento,<br />
após deixar o segmento de grandes riscos,<br />
vendendo sua carteira para a Ace,<br />
atual Chubb, o banco se reposicionou<br />
por meio de parcerias com seguradoras<br />
independentes. No prestamista, fechou
com a norte-americana MetLife. Apesar<br />
de crescer abaixo do mercado, a<br />
contratação desse seguro cresceu 16%<br />
no ano passado em relação a 2017. O<br />
banco pagou 23,7 mil indenizações aos<br />
segurados por desemprego e incapacidade<br />
total temporária em 2018, somando<br />
mais de R$ 50 milhões, conforme dados<br />
obtidos por <strong>Apólice</strong>. Pesa, sobretudo, a<br />
lenta e difícil recuperação do mercado<br />
de trabalho no País. Ao final de janeiro,<br />
a taxa de desemprego foi a 12% no<br />
trimestre móvel terminado em janeiro,<br />
ante 11,6% em dezembro, conforme,<br />
o Instituto Brasileiro de Geografia e<br />
Estatística (IBGE). Atingiu, assim, 12,7<br />
milhões de pessoas, o maior número de<br />
desocupados no Brasil desde agosto do<br />
ano passado, depois de uma sequência<br />
de oito meses consecutivos de quedas e<br />
um de estabilidade.<br />
A BB Seguridade, holding que concentra<br />
os negócios de seguros do Banco<br />
❙❙Marcos Kobayashi, da Tokio Marine<br />
do Brasil, também está reforçando sua<br />
atuação no seguro prestamista. Em silêncio,<br />
a companhia que está sob nova<br />
direção com a chegada de Bernardo<br />
Rothe, vindo do BB, desenha novos<br />
produtos para ampliar sua carteira. Uma<br />
das apostas, conforme apurou a <strong>Apólice</strong>,<br />
é um seguro prestamista cujo montante<br />
indenizatório diminui ao longo da vida do<br />
contrato, acompanhando o saldo devedor<br />
restante. Embora em caso de sinistro<br />
o segurado tenha menos a receber, o<br />
produto tem um custo menor para quem<br />
contrata, o que pode despertar maior<br />
interesse de venda. Outra apólice em<br />
estudo, segundo uma fonte próxima à<br />
instituição, visa a aproveitar a exposição<br />
do banco no segmento de agronegócios.<br />
No passado, a BB Seguridade já chegou a<br />
ofertar seguro prestamista rural, mas teve<br />
de descontinuar o produto por conta da<br />
quantidade de reclamações por parte dos<br />
contratantes, em linha com a mudança do<br />
marco regulatório deste segmento que<br />
visou acabar com esse tipo de problema.<br />
Agora, amparada pelas novas regras, a<br />
companhia estuda revisitar o produto e<br />
lançá-lo em breve.
especial vida | novos consumidores<br />
Um olhar<br />
digital<br />
Seguradoras exploram diferentes cenários<br />
dos planos de seguros de vida para as novas<br />
gerações, que estão cada vez mais digitais,<br />
e visam aumentar as vendas do mercado<br />
Tatiane Pina<br />
A<br />
penetração do seguro de<br />
vida no Brasil ainda é muito<br />
baixa, quando comparada<br />
à média mundial. Segundo<br />
pesquisa realizada pela Universidade de<br />
Oxford, a média global é de 32%, enquanto<br />
por aqui este índice não ultrapassa a<br />
marca dos 19%.<br />
Atrair uma nova geração de consumidores<br />
para este mercado é um grande<br />
desafio. A era da transformação digital é<br />
uma realidade também para os produtos<br />
de vida. O perfil do novo cliente mudou<br />
e chega a requerer novas habilidades e<br />
uma mudança de pensamento. O futuro<br />
consumidor é digital e se preocupa com<br />
os objetos que ainda consome, como<br />
celulares. Para esta linha, ele passou<br />
a adquirir seguro pelo medo da perda<br />
financeira.<br />
Assim como o seguro de automóvel<br />
está buscando sua reinvenção, o seguro<br />
de vida deverá se adequar ao novo perfil<br />
do segurado. Algumas seguradoras, já<br />
preocupadas com esta nova realidade,<br />
criaram suas plataformas online de<br />
distribuição e treinamento. “Criada<br />
para corretores se aperfeiçoarem no<br />
mercado e saberem explorar as outras<br />
áreas de seguros, como ter uma venda<br />
mais consultiva possível, a Icatu espera<br />
que o consumidor saiba exatamente o<br />
que está comprando”, afirma Gustavo<br />
Arruda, coordenador de Novos Produtos<br />
da seguradora.<br />
Há vários cenários que as seguradoras<br />
estão tentando explorar: por conta<br />
do déficit da saúde pública e a falta de<br />
disponibilidade de planos individuais,<br />
quem necessita de cobertura para saúde<br />
pode encontrar alento em coberturas do<br />
seguro de vida. Em casos de invalidez<br />
permanente ou de doenças que aparecem<br />
ao longo da vida, os seguros de<br />
vida acabam se tornando uma opção.<br />
“Mas os valores altíssimos acabam, do<br />
mesmo modo, afastando quem não tem<br />
condições de pagar”, destaca Tiago Moraes,<br />
responsável pela área de Produtos e<br />
Operações da Mitsui Sumitomo.<br />
26
27
novos consumidores<br />
Os trabalhadores informais cresceram<br />
3,8% no 4º trimestre de 2018,<br />
segundo Pesquisa Nacional por Amostra<br />
de Domicílios, divulgada no último dia<br />
31 de janeiro. De olho nesses trabalhadores<br />
que não tem amparo do contrato<br />
CLT, as seguradoras querem conhecer<br />
melhor o perfil de cada um, saber de suas<br />
necessidades, para oferecer um produto<br />
chamativo. Com isso, procuram elaborar<br />
questionários específicos para cada<br />
público e estratégias para o pós-venda,<br />
um caminho importante de fidelização<br />
do cliente.<br />
Abranger pequenas empresas é<br />
outro caminho a ser trilhado, estudar o<br />
registro de MEI (Microempreendedor<br />
Individual) desse empresário, saber<br />
suas necessidades, conhecer o produto<br />
e oferecer o que melhor se adequa a ele.<br />
No ano passado, a venda de seguros de<br />
vida (planos de risco) teve um crescimento<br />
de 9%, apesar da crise econômica<br />
enfrentada do país.<br />
A integração de produtos ajuda na<br />
venda geral de seguros de vida, com a<br />
possibilidade de combinar com outros<br />
tipos de cobertura, como de viagem,<br />
educação e prestamista.<br />
A apólice de seguro necessita de<br />
uma linguagem mais atual para que todos<br />
os consumidores consigam entender<br />
qual cobertura o plano contratado oferece.<br />
A pluralidade do país faz com que<br />
as seguradoras pensem em diferentes<br />
estratégias para abranger cada região,<br />
❙ ❙Tiago Moraes, da Mitsui Sumitomo<br />
28<br />
❙❙Gustavo Arruda, da Icatu<br />
discutindo produtos que respeitem todas<br />
as necessidade e costumes e formas de<br />
atender melhor cada cliente, sendo necessário<br />
pensar em uma simplificação<br />
nas descrições de produtos, coberturas e<br />
contratos, trazendo novos engajamentos<br />
a esse cliente digital.<br />
Outros horizontes<br />
Por não haver uma cultura de seguros<br />
aqui no Brasil, as seguradoras<br />
buscam alternativas para captar clientes<br />
e mantê-los ativos nos planos. Algumas<br />
trabalham na digitalização de seus serviços,<br />
usando mensagens via celular,<br />
e-mails informativos, áreas no próprio<br />
site para ajudar os beneficiários a se organizar<br />
melhor e ter mais conhecimento<br />
do produto contratado, tendo em mãos<br />
as particularidades do plano.<br />
As seguradoras tentam se adequar<br />
a esse novo perfil de clientes mais imediatista,<br />
que não pensa que em longo<br />
prazo possam surgir imprevistos. Porém,<br />
caminham a passos lentos na direção<br />
de trazer este cliente para dentro das<br />
empresas. “Hoje as pessoas contratam<br />
o seguro pensando no desconto que podem<br />
ter para aderir a uma academia de<br />
ginástica, Netflix, ou seja, o seguro de<br />
vida é muito importante, mas os clientes<br />
se veem mais satisfeitos se tiverem<br />
desconto em algum outro serviço”, diz<br />
o corretor Marcelo Augusto.<br />
Com a objetividade das mídias<br />
sociais, os usuários de redes como<br />
Facebook, Instagram e Twitter não têm<br />
paciência para ler algo mais extenso,<br />
“por isso, ser mais assertivo nas descrições<br />
de produtos é importante para<br />
abranger todos os tipos de público. Ter<br />
uma comunicação mais clara e leve é<br />
estudado e colocado em prática pelas<br />
seguradoras”, observa Asenate Souza,<br />
coordenadora da área de Orçamentos e<br />
Aceitação de Produtos de Vida e Previdência<br />
na Porto Seguro.<br />
É necessário esclarecer na apólice<br />
exatamente em que tipos de acidentes<br />
o cliente ou seus dependentes poderão<br />
acionar o seguro, de acordo com o plano.<br />
Como um acidente de carro, em que ele<br />
possa vir a ter alguma lesão ou um acidente<br />
de avião, em que possa ocorrer o<br />
falecimento, o segurado deve saber se o<br />
seguro irá cobrir as despesas necessárias<br />
em cada caso.<br />
Mercado Internacional<br />
Muitas seguradoras olham o mercado<br />
internacional para pensar em outros<br />
campos que possam ser explorados dentro<br />
dos seguros de vida. “Continentes<br />
como Ásia e África mantém planos<br />
mais conservadores, porém abrangentes,<br />
podendo ser feita uma contratação<br />
de curto prazo para uma viagem de 15<br />
dias, por exemplo”, diz Aline Cipolla,<br />
Gerente de Produtos de Vida e Dental<br />
da Metlife.<br />
A China oferece planos que cobrem<br />
doenças pré-existentes para uso em vida,<br />
❙❙Asenate Souza, da Porto Seguro
para o qual você preenche um questionário<br />
e a seguradora oferece um produto<br />
com coberturas voltado para sua doença.<br />
Há os descontos para quem já possui<br />
uma doença, mas mantém uma vida<br />
regrada e mais saudável, apresentando<br />
assim melhores resultados nos exames<br />
de renovação do seguro. Para diabéticos,<br />
por exemplo, são feitos os exames iniciais,<br />
e após 12 meses, na renovação de<br />
contrato, os exames são repetidos. Caso<br />
o segurado tenha diminuído os índices<br />
de glicose, ele pode ganhar desconto no<br />
valor do seguro.<br />
Nos Estados Unidos e em algumas<br />
multinacionais brasileiras são oferecidos<br />
os chamados ‘Benefícios Voluntários’.<br />
“São benefícios que a empresa oferece<br />
ao funcionário, mas que não são obrigatórios<br />
no vínculo empregatício, e<br />
dão a oportunidade de continuar com<br />
o produto em caso de desligamento”,<br />
conta Aline.<br />
❙❙Aline Cipolla, da Metlife<br />
Segundo pesquisa elaborada pela<br />
Consultoria EY em 2016, a porcentagem<br />
de imposto sobre herança cobrada<br />
pelo governo chega a 40% nos Estados<br />
Unidos, enquanto no Brasil oscila entre<br />
4% e 5%, dependendo de cada estado.<br />
Como os valores dos seguros de vida<br />
não entram no inventário, há grande<br />
procura em países desenvolvidos como<br />
forma de planejamento financeiro individual<br />
e familiar.<br />
Por isso, especialistas brasileiros<br />
afirmam que é uma boa estratégia vincular<br />
o seguro de vida ao planejamento<br />
financeiro, a fim de permitir que os<br />
beneficiários tenham acesso imediato a<br />
uma quantia financeira capaz de manter<br />
as despesas até que o acesso a uma possível<br />
herança esteja liberado.<br />
Algumas estratégias das companhias<br />
de seguros incluem desde o primeiro<br />
contato com o consumidor até toda a<br />
vigência da apólice, oferecendo serviços<br />
como plantão de dúvidas e sistemas que<br />
contenham todas as informações sobre<br />
seu plano, inclusive benefícios agregados<br />
como clube de descontos.
especial vida | artigo<br />
Mais do que um produto,<br />
uma prova de amor<br />
Josusmar Alves de Sousa*<br />
Em agosto do ano passado, conversando com o presidente<br />
de uma seguradora com 46% de share, fiquei<br />
tocado e entendi o porquê de tanto resultado. Ele<br />
mostrou uma placa com as palavras: amor, amor ao<br />
segurado, amor às famílias, paixão pelo que se faz.<br />
O seguro de vida é, sem dúvidas, o mais nobre. Ele é o seguro<br />
do amor maior. Quem ama verdadeiramente pensa no próximo.<br />
Por isso, o seguro de vida é uma prova de desprendimento<br />
humano, porque a pessoa paga por algo que não irá usufruir.<br />
Todas as religiões pregam o amor ao próximo e a ajuda<br />
ao semelhante. Quem é mais próximo a você? Quem são as<br />
pessoas que você ama? Logo vem à cabeça a família, os filhos.<br />
Esse é o seu maior patrimônio.<br />
Outros conceitos também permeiam o seguro de vida,<br />
como manutenção de padrão de vida, sucessão empresarial,<br />
sucessão pessoal/custos de inventário e até proteção financeira<br />
e investimentos de longo prazo. Tudo isso pode ser<br />
complementado com as cláusulas especiais, como majoração<br />
de membros, diárias de incapacidade temporária, doenças<br />
graves (coberturas para mais de 20 tipos de doenças graves,<br />
algumas inéditas como Alzheimer, Lupus, Parkison, câncer,<br />
AVC etc), renda hospitalar, invalidez por acidente e auxílio<br />
funeral.<br />
Além, é claro, de assistências que o segurado pode escolher,<br />
como residência, carro, pet, idoso, maternidade, qualidade<br />
de vida etc. Há até clube de benefícios, que oferecem descontos<br />
em alguns estabelecimentos e serviços.<br />
Há também uma gama ampla de modalidades, além do<br />
seguro puro, o resgatável, o temporário, o vida inteira, o decrescente,<br />
a reserva financeira e, em breve, o Universal Life.<br />
30
Missão<br />
Dentro deste universo tão grandioso, minha missão<br />
é encontrar maneiras de mostrar às pessoas quão merecedoras<br />
elas são dos produtos que vendemos, pois suas<br />
vidas têm um significado enorme. Apesar de falar sobre<br />
assuntos áridos, como morte e invalidez, eles são de extrema<br />
importância para a continuidade da vida.<br />
É importante deixar sempre muito claro que não se<br />
mede um bem intrínseco/impalpável pelo dinheiro que<br />
você ganha, mas pelo tamanho do problema que você,<br />
como corretor, pode ajudar a resolver. Nossa missão é<br />
levar tranquilidade para o segurado, garantindo a sua<br />
qualidade de vida e a dignidade da sua família.<br />
As perguntas difíceis devem ser feitas, de forma incisiva<br />
e transparente. Desta forma, é possível transmitir<br />
credibilidade ao segurado. Eu digo:<br />
- O que acontecerá à sua família quando você não<br />
estiver mais aqui para cuidar deles?<br />
- Se você fosse um livro, o que gostaria de escrever<br />
em sua última página?<br />
- O que quer que esteja escrito em sua lápide? Como<br />
gostaria de ser lembrado?<br />
Vale a pena lembrar que a diferença entre o seguro<br />
patrimonial/automóvel e um seguro de vida é que o patrimonial<br />
tem cobertura ‘se acontecer’ algo como roubo,<br />
colisão etc; enquanto no seguro de vida é ‘quando’, pois<br />
temos um risco certo, aleatória é apenas a data.<br />
Futuro<br />
A única maneira de encontrarmos significado e propósito<br />
na vida é imaginando o futuro, pois ele determina<br />
quem somos. No Velho Testamento está escrito: “Quando<br />
o velho deixar de sonhar e o jovem perder o futuro de<br />
vista, as pessoas perecem”.<br />
Mas temos que trabalhar duro para atingirmos nossos<br />
objetivos. Em 1995, fiz uma previsão em uma grande seguradora,<br />
de que até 2020 ela estaria vendendo mais produtos<br />
de vida do que automóvel. Isso aconteceu já em 2017.<br />
Estamos em um momento único até 2045, num período<br />
em que quase 140 milhões de pessoas não contam<br />
com qualquer proteção de seguro de vida, além de outros<br />
defasados, que compraram produtos nas redes bancárias.<br />
Temos na mesa US$ 40 bilhões esperando pelos corretores<br />
de seguros.<br />
Podemos falar também sobre o papel social do<br />
seguro. Somente em 2017 foram vendidos quase R$ 3<br />
trilhões de capital segurado, um dinheiro que deve entrar<br />
na economia ao longo dos anos, contribuindo com o<br />
crescimento do País.<br />
As seguradoras com foco em seguros de pessoas<br />
já investem em plataformas educacionais, com cuidado<br />
especial também para o seguro de vida, para o qual estabelecem<br />
metas agressivas. As companhias tradicionais<br />
começam a enxergar melhor e a direcionar trabalho<br />
para o seguro de vida, mas de forma ainda incipiente.<br />
*Josusmar Alves de Sousa é corretor de seguros<br />
especializado em vida, fundador da Mister Liber e<br />
membro do MDRT (Million Dollar Round Table)<br />
Elas criam produtos para elas e não para o segurado nem<br />
para o corretor. Aquelas que ouvirem o que os corretores<br />
de seguros têm a dizer, certamente sairão na frente.<br />
Dicas<br />
Os corretores de outros ramos, como automóvel,<br />
que queiram fazer parte deste boom do seguro de vida,<br />
devem procurar um especialista para fazer uma parceria,<br />
buscar uma mentoria. Mentor é aquele corretor que se<br />
tornou perito, atingindo o grau máximo da sua atividade.<br />
Normalmente, a própria seguradora pode indicar quem<br />
são estes profissionais.<br />
Trabalhe oito horas por dia e estude, no mínimo, mais<br />
uma hora. Leia, leia, leia!<br />
De minha parte, estamos criando uma plataforma/<br />
assessoria em seguros de vida voltada para a parceria<br />
com o pequeno corretor ou iniciante, ou ainda aquele<br />
profissional que queira iniciar um novo ramo. Será uma<br />
academia de seguros de vida, que auxiliará os novos<br />
companheiros até a sua habilitação junto à Susep.<br />
Especialização é fundamental em todas as áreas!<br />
Completo, em 2019, 35 anos de profissão, protegendo<br />
famílias, legados e inocentes, ajudando pessoas<br />
a entrar no mercado de seguros de vida. Agradeço<br />
imensamente meu querido amigo e mestre, Osmar<br />
Bertacini, a “lenda viva do mercado de seguros”, que<br />
deixou um legado que todos devemos seguir. Ele foi um<br />
dos responsáveis pela paixão que tenho pelo seguro de<br />
vida e por me levar a um caminho cheio de significado.<br />
Minha vida é vida!<br />
31
especial vida | distribuição<br />
O cliente já está<br />
preparado para<br />
comprar online?<br />
Como se adequar ao novo estilo de clientes que preza por mais<br />
comodidade, mas sem perder a qualidade do atendimento pessoal<br />
Tatiane Pina<br />
32
A<br />
pesquisa “The Shopper Story<br />
2018”, realizada pela Criteo,<br />
mostra que 87% das pessoas<br />
procuram um produto na internet<br />
antes de efetivar a compra na loja<br />
física; 81% descobrem novos produtos<br />
na internet e efetivam a compra pessoalmente<br />
e 50% descobrem novos produtos<br />
na loja física e compram pela internet.<br />
Hoje, a maioria das pessoas busca<br />
resolver parte de suas necessidades na<br />
internet pela praticidade, agilidade e comodidade.<br />
Todos os diferentes mercados<br />
foram surpreendidos por esse avanço tecnológico<br />
e viram-se forçados a se adaptar<br />
para permanecerem vivos. Nada mais previsível<br />
que o mercado de seguros acompanhar<br />
essa evolução, criando meios de<br />
fácil acesso e entendimento a esse cliente<br />
digital que preza pela simplificação.<br />
É fundamental que o consumidor<br />
entenda a importância de se estruturar<br />
financeiramente, pois suas necessidades<br />
diferenciam ao longo da vida. Solteiros<br />
geralmente não têm dependentes financeiros,<br />
casados já possuem outras responsabilidades.<br />
Essas mudanças fazem<br />
com que as pessoas tenham que mudar<br />
as coberturas do seguro ao longo da vida.<br />
As bases de vendas dos seguros de<br />
vida online e físico são basicamente as<br />
mesmas, principalmente em termos de<br />
cláusulas contratuais e coberturas. A forma<br />
de linguagem e captação de clientes<br />
é o que muda. O consumidor da internet<br />
é mais impaciente e um dos desafios<br />
é fazê-lo entender as necessidades na<br />
contratação de um seguro de vida para<br />
possíveis eventualidades. “O corretor tem<br />
que despertar a conscientização no cliente<br />
da importância de ter um seguro de vida<br />
como pilar do planejamento financeiro”,<br />
diz Patrícia Magalhães, superintendente<br />
de Produtos da Metlife.<br />
Habitualmente, o público mais<br />
conservador prefere comprar produtos<br />
na loja física ao invés de ter que esperar<br />
pela entrega. Ele não confia que o meio de<br />
pagamento seja seguro ou que a entrega<br />
vá acontecer conforme prometido. Uma<br />
loja online precisa dar garantia de que<br />
o produto comprado será entregue no<br />
prazo e que os seus dados de pagamento<br />
estão seguros.<br />
“Uma vez que o processo online<br />
pode ser bem simplificado, com atuação<br />
humana reduzida, o custo também é<br />
reduzido. Há a possibilidade de alcançar<br />
diversos potenciais clientes de forma<br />
quase instantânea, com fechamento de<br />
vários contratos de forma simultânea”<br />
explica João Paulo Moreira de Mello,<br />
diretor Regional da Sudamerica Vida e<br />
Presidente do Clube de Seguros de Pessoas<br />
de Minas Gerais (CSP-MG), sobre<br />
a venda de seguros online e como ela se<br />
forma dentro das seguradoras.<br />
Ainda não há um atendimento totalmente<br />
online. Em algumas seguradoras,<br />
❙❙Patrícia Magalhães, da Metlife<br />
33<br />
ele acontece de forma híbrida, com início<br />
digital e finalização humanizada. Muitos<br />
pedidos iniciam no site das seguradoras<br />
e corretoras e, geralmente, são seguidos<br />
pelo contato telefônico ou via e-mail, e<br />
ainda pelo aplicativo de mensagens para<br />
celular WhatsApp, que facilita essa aproximação<br />
com o potencial cliente.<br />
“A falta do toque humanizado ao<br />
abordar assuntos delicados, como é o caso<br />
do seguro de pessoas, pode prejudicar a<br />
percepção de valor pelo usuário. Ainda<br />
assim, muitas plataformas dispõem de<br />
um consultor online para sanar eventuais<br />
dúvidas e até mesmo concluir a venda ou<br />
direcionar para um atendimento remoto<br />
humanizado”, diz Marcelo Rosseti, superintendente<br />
Executivo da Bradesco Vida<br />
e Previdência.<br />
❙❙João P. M. de Mello, da Sudamerica
distribuição<br />
Os seguros de vida simplificados,<br />
como de acidentes pessoais, seguro funeral,<br />
seguro viagem, têm maior aceitação<br />
por parte das seguradoras na venda online,<br />
pois não necessitam de grandes esclarecimentos,<br />
são de fácil entendimento e podem<br />
ser parametrizados, facilitando a contratação<br />
e comercialização. Já os seguros<br />
mais complexos e de capital mais elevado,<br />
que têm cobertura de invalidez, doenças<br />
graves, que exigem declaração de saúde e<br />
alguns até exames médicos, são oferecidos<br />
somente em modo presencial, assim como<br />
o recebimento de toda a documentação.<br />
“O processo de venda consultiva é<br />
esclarecedor ao cliente, para que ele tenha<br />
uma orientação assertiva às suas necessidades,<br />
com coberturas e assistências mais<br />
adequadas às expectativas e objetivos<br />
dele”, diz Rosseti.<br />
Apoio das seguradoras<br />
Para os corretores que desejam aproveitar<br />
o avanço da internet e oferecer o<br />
serviço online, é necessário ter um bom<br />
suporte tecnológico, como uma banda<br />
larga de qualidade para criar plataformas<br />
que atraiam clientes, como um site atrativo.<br />
Eles também devem investir em canais<br />
que ajudam na captação de clientes,<br />
como aplicativos para celulares e, claro, o<br />
suporte telefônico caso necessário.<br />
❙❙Marcelo Rosseti, da Bradesco<br />
As seguradoras também apoiam os<br />
corretores que desejam apostar nesse<br />
campo online, com cursos, materiais<br />
de apoio e treinamento, desde que<br />
enxerguem bons planos de venda. “As<br />
seguradoras contribuem e até investem<br />
em corretores que demonstram capacidade<br />
de venda”, conta Moreira. “Apesar<br />
de a internet ser mais usada pelas novas<br />
gerações, investir nesse campo requer<br />
experiência, tanto com as plataformas<br />
digitais quanto de seguros, e é algo<br />
que deve ser bem planejado pois o seu<br />
alcance é rápido, mas a fidelização é<br />
difícil”, completa.<br />
Há ainda um caminho para evolução<br />
das companhias para o serviço<br />
online. Métodos são estudados para que<br />
o corretor tenha mais tranquilidade e<br />
qualidade na venda de produtos. Patrícia<br />
explica algumas plataformas que estão<br />
sendo desenvolvidas pela Metlife, como<br />
a combinação de seguros. “Estamos desenvolvendo<br />
a simplificação de vendas e<br />
manutenções, com a comercialização de<br />
coberturas e assistências personalizáveis,<br />
extrato de comissão online, simulador<br />
com combinação ideal de coberturas,<br />
assistências e capital de acordo com o<br />
objetivo do cliente. Existe também uma<br />
plataforma exclusiva para o segmento<br />
corporativo que facilitará a venda, gestão<br />
e manutenção de seguros de vida.”<br />
A venda de produtos de vida online<br />
e individual demanda mais tempo para<br />
alcançar uma boa carteira de clientes,<br />
sendo um produto de oferta, “pois muitas<br />
vezes não se sabe a real necessidade do<br />
consumidor”, declara Patrícia. Apesar<br />
do ambiente virtual ser mais abrangente,<br />
costuma existir alta fidelidade dos clientes.<br />
Os seguros geralmente são vitalícios<br />
e têm renovação automática, o que permite<br />
ao consumidor permanecer mais tempo<br />
com o mesmo produto.<br />
Para Patrícia o futuro das seguradoras<br />
e dos corretores é vender todos os<br />
87%<br />
das pessoas procuram um produto na<br />
internet antes de efetivar a compra na<br />
loja física<br />
81%<br />
descobrem novos produtos na internet<br />
e efetivam a compra pessoalmente<br />
50%<br />
descobrem novos produtos na loja<br />
física e compram pela internet<br />
fonte: The Shopper Story 2018<br />
34
produtos de vida online, desde os mais<br />
simples, que já estão sendo comercializados<br />
em algumas companhias, até os mais<br />
complexos. “No futuro, precisaremos ter<br />
todos os produtos disponíveis online, mas<br />
não nesse primeiro momento, no qual<br />
ainda estamos caminhando e entendendo<br />
como agir neste novo campo para o setor<br />
de seguros” admite a executiva.<br />
Diversidade<br />
A internet abriu um campo muito<br />
grande para o empreendedorismo. O mercado<br />
de seguros ainda não se especializou<br />
totalmente, mas há os que já tentam se<br />
aventurar nessa empreitada. Por não ter<br />
contato direto com o cliente, identificar<br />
suas necessidades pode se tornar algo<br />
difícil. A venda online aproxima, mas<br />
é necessário saber como manter esse<br />
relacionamento.<br />
“A venda física é mais algo íntimo,<br />
humano e com viés de personalização,<br />
atento às necessidades daquele cliente<br />
em atendimento, respeitando as suas<br />
individualidades” explica Rosseti.<br />
O digital permite ao corretor entrar<br />
em outros nichos do mercado de seguros,<br />
além daquele que ele já está acostumado.<br />
Há alguns corretores que trabalham com<br />
planejamento financeiro e desejam partir<br />
para outro ramo no mercado de seguros,<br />
porém o foco da venda é diferente. Online,<br />
a informação vai estar disponível para o<br />
cliente; fisicamente, o corretor tem que estar<br />
preparado para uma venda consultiva.<br />
Rosseti destaca que em ambos os<br />
canais de vendas é necessária a capacitação<br />
profissional do corretor. “O corretor<br />
precisa conhecer todos os produtos e<br />
como abordar sobre seguros de pessoas.<br />
A plataforma de vendas online deverá ser<br />
uma extensão de si e ter a capacidade de<br />
instruir o cliente, como se o atendimento<br />
fosse presencialmente”, diz o executivo.<br />
Para os corretores que desejam<br />
trabalhar apenas com o seguro de vida<br />
individual, as seguradoras dão um treinamento<br />
voltado para esse produto, para<br />
que ele saiba identificar o perfil do cliente<br />
e conseguir criar uma carteira que seja<br />
relevante para o seu trabalho.<br />
As seguradoras caminham para que<br />
todos os tipos de seguros estejam disponíveis<br />
na plataforma online. Por enquanto, o<br />
caminho está na venda de produtos mais<br />
simples. Patrícia diz que o primeiro passo<br />
é investir na educação financeira de toda<br />
a população, para que todos entendam a<br />
necessidade de manter um seguro de vida.<br />
“Temos que trabalhar educação financeira<br />
e o seguro como parte deste tema”.<br />
Que o processo online pode ser mais<br />
prático isso é quase indiscutível entre as<br />
seguradoras, mas combinar uma venda<br />
online e a consultiva, que a torna mais<br />
humanizada, é um dos caminhos que<br />
estão sendo pensados para esse futuro<br />
digital que estamos caminhando.
especial vida | subscrição<br />
Qualquer informação<br />
pode ser utilizada?<br />
O uso de informações públicas pode ser aplicada para<br />
fins de regulação, mas especialistas reconhecem que<br />
elas são inconsistentes<br />
Kelly Lubiato<br />
36
O<br />
mercado de seguros está cada vez mais “Black<br />
Mirror”. Um dos episódios da série da Netflix<br />
mostra uma reguladora de sinistros free lance<br />
investigando a responsabilidade por um<br />
acidente ocorrido com em carro autoguiado. Ela capta<br />
informações de todas as fontes possíveis.<br />
Da mesma forma, a agência regulatória de serviços<br />
financeiros do estado de Nova York emitiu, no início deste<br />
ano, um guideline para que seguradoras de vida possam<br />
utilizar dados de mídias sociais, além de outras fontes<br />
não tradicionais, para determinar os prêmios do seguro.<br />
Há algum tempo as seguradoras americanas usam as<br />
informações públicas para fazer a precificação do seguro,<br />
como informações sobre crédito, compras em farmácias<br />
etc. O que mudou agora, no estado de Nova York, considerando<br />
que cada estado tem sua própria legislação, é que<br />
as seguradoras devem comprovar que não utilizam estes<br />
dados para fins discriminatórios.<br />
“O departamento de serviços financeiros de Nova<br />
York emitiu uma lista de princípios, não é uma lei propriamente<br />
dita. Esta lista diz que se pode aproveitar estes dados<br />
desde que a informação não seja usada para discriminação.<br />
37
subscrição<br />
“Hoje, as seguradoras<br />
falam que o problema<br />
de usar informações das<br />
redes sociais é que elas<br />
não são consistentes. Por<br />
isso, a única finalidade do<br />
uso destas informações<br />
é para o combate e a<br />
prevenção de fraudes”<br />
Marcio Baptista,<br />
da Tozzini Freire<br />
Se você vê que a pessoa é negra, branca,<br />
asiática, alta, baixa, fuma, não pode usar<br />
o que viu na mídia social, ou em outros<br />
meios públicos, como forma de discriminação”,<br />
explica o advogado Marcio<br />
Baptista, sócio na área de seguros do<br />
escritório Tozzini Freire, em Nova York,<br />
ressaltando que o uso de informações<br />
públicas já é feito há algum tempo.<br />
Segundo informações do jornal New<br />
York Times, Nova York é o primeiro<br />
estado a estabelecer normas específicas,<br />
determinando como as empresas de<br />
seguro de vida podem usar algoritmos<br />
para vasculhar toda sorte de registro,<br />
de escrituras de imóveis a históricos de<br />
crédito, passando pelo uso da internet,<br />
para avaliar o grau de risco do cliente.<br />
No Brasil, este tipo de utilização<br />
ainda deve demorar. Barbara Bassani,<br />
advogada sócia na área de seguros e resseguros<br />
do escritório Tozzini Freire em<br />
São Paulo, lembra que informações são<br />
38<br />
a base do mercado de seguros. “O reflexo<br />
de uma legislação desta aqui no Brasil é<br />
que a atividade securitária depende desta<br />
coleta de dados. Já há seguradoras que<br />
utilizam isso, e até de exames de DNA,<br />
e coleta outras informações para subscrição<br />
de riscos. Imaginamos que esta<br />
notícia tenha impacto, principalmente, na<br />
relação da nova lei de proteção de dados”.<br />
Barbara acredita que a regulamentação<br />
por parte da Susep facilitaria o uso<br />
de informações, porque existem algumas<br />
hipóteses de tratamento de informações<br />
que vão além do consentimento do usuário.<br />
“Se a Susep emitisse uma norma<br />
sobre isso, as seguradoras poderiam ter<br />
uma segurança jurídica maior em coletar<br />
esses dados, para que isso não seja visto<br />
como algo ilegal, principalmente pelo<br />
Código de Defesa do Consumidor ou outro<br />
órgão ligado à proteção consumerista,<br />
como Procon e Idec.<br />
Procurada pela reportagem da <strong>Revista</strong><br />
<strong>Apólice</strong>, a Susep emitiu a seguinte<br />
nota: “as seguradoras são livres para<br />
estabelecer seus próprios critérios, não<br />
havendo vedação para a utilização de<br />
dados públicos na avaliação do risco.<br />
Entretanto, cabe ressaltar que, no caso de<br />
não aceitação do seguro, a recusa deve ser<br />
devidamente justificada”.<br />
Hoje, o que se discute, não é apenas<br />
a coleta de dados de algo público como<br />
rede social (informações abertas), mas<br />
o fato todo é o dever de informação.<br />
Quando a pessoa acessou o perfil, ela<br />
esperava ter uma rede de conexão (seja<br />
❙❙Claudia Wilson, do BeezStudio<br />
“Já há seguradoras que<br />
utilizam isso e até de<br />
exames de DNA e coleta<br />
outras informações para<br />
subscrição de riscos.<br />
Imaginamos que esta<br />
notícia tenha impacto,<br />
principalmente, na relação<br />
da nova lei de proteção<br />
de dados”<br />
Barbara Bassani,<br />
da Tozzini Freire<br />
de amigos, de trabalho etc). Ela não<br />
esperava ser monitorada para que fosse<br />
traçado um perfil de risco. Assim, seria<br />
necessário que a política de privacidade<br />
da rede estabelecesse os casos de uso da<br />
informação. Isso seria mais seguro para<br />
as companhias utilizarem esta informação<br />
que está na rede.<br />
Claudia Wilson, CEO do BeezStudio,<br />
ressalta que também é preciso definir<br />
o que é uma informação confidencial.<br />
“O uso de uma informação que não está<br />
aberta a todos para fins de subscrição de<br />
riscos é incorreta”.<br />
É necessário muito cuidado porque<br />
as mídias sociais podem levar a erros<br />
de conclusão, por conta da grande incidência<br />
de notícias falsas. “Há empresas<br />
especializadas em locar um jatinho para<br />
fotos para mídias sociais, ou, há pessoas<br />
que se hospedam em hotéis levando um<br />
monte de roupas apenas para tirar fotos,
que serão publicadas paulatinamente nas<br />
redes sociais”, exemplifica Claudia.<br />
Há o risco da pessoa não saber que<br />
as suas informações são utilizadas para<br />
outro fim do qual ela não tem conhecimento.<br />
Bárbara avalia que a nova lei de<br />
proteção de dados, que entra em vigor em<br />
agosto de 2020, traz a questão da proteção<br />
para aqueles dados que são identificáveis.<br />
“Com o avanço das novas tecnologias, a<br />
grande questão é saber se as seguradoras<br />
podem se valer da tecnologia para, a<br />
partir de dados anônimos, chegar até uma<br />
pessoa, traçando um perfil de algo que<br />
não é direcionável, o que poderia ser mais<br />
ilícito do que para fins de discriminação”.<br />
Baptista afirma que o novo guideline<br />
do Departamento de Serviços Financeiros<br />
de Nova York é para evitar discriminação.<br />
“Hoje, as seguradoras falam que o<br />
problema de usar informações das redes<br />
sociais é que elas não são consistentes.<br />
Por isso, a única finalidade do uso destas<br />
informações é para o combate e a prevenção<br />
de fraudes”.<br />
O que é importante ressaltar é que<br />
esta norma é muito recente, mas bastante<br />
representativa. O guideline saiu no início<br />
de janeiro, em Nova York, e deve ser seguido<br />
por outros estados, pois sua influência<br />
no mercado nacional americano é muito<br />
grande. “As maiores seguradoras do país<br />
estão presentes em Nova York, mesmo<br />
tendo atuação nacional. Elas devem adotar<br />
o mesmo padrão de atuação para todas as<br />
suas unidades”, reflete Baptista.<br />
O que mudaria<br />
Há muito tempo as seguradoras<br />
dependem das informações prestadas<br />
pelo segurado e pelo corretor de seguros<br />
na declaração de saúde. De acordo<br />
com o diretor Jurídico da Tokio Marine,<br />
Sérgio Roberto de Oliveira, embora as<br />
O que esperar do futuro?<br />
O estudo da consultoria global Capgemini, InsurTech opens new<br />
life insurance frontiers (Insurtech abre novas fronteiras para o seguro de<br />
vida), mostra que para os operadores de vida manterem relevantes eles<br />
deverão investir em mudanças.<br />
Os novos modelos de Insurtech impulsionados pelos seguradores<br />
estão tornando o seguro de vida mais acessível para os segmentos de<br />
clientes de baixa renda e mais atraentes para os millennials, que estão<br />
acostumados aos serviços sob demanda.<br />
Conheça alguns exemplos:<br />
- Cobertura de micro-duração: Com a ajuda de aplicativos móveis,<br />
a cobertura de seguro de vida sob demanda pode ser entregue<br />
por curtos períodos de tempo especificados, o que torna a cobertura<br />
acessível a indivíduos que podem ter sido desencorajados no passado<br />
por preços altos e exigência de longo período de permanência.<br />
- Microsseguro baseado em dispositivos móveis: Permite que<br />
os clientes comprem pequenos pacotes de cobertura de seguro de vida<br />
com baixos valores de prêmios e por períodos mais curtos, por meio de<br />
opções convenientes de pagamento móvel. Tais produtos são especialmente<br />
úteis para os mercados emergentes tornarem o seguro de vida<br />
acessível à populações de baixa renda.<br />
- Produtos direcionados para segmentos específicos: A<br />
cobertura de seguro de vida também pode se tornar mais flexível ao<br />
separar suas coberturas e projetar produtos mais personalizados para<br />
segmentos específicos.<br />
“O uso da inteligência<br />
artificial é preponderante<br />
para estabelecer modelos<br />
preditivos a partir de<br />
informações obtidas em<br />
banco de dados públicos”<br />
Sérgio Roberto de Oliveira,<br />
da Tokio Marine<br />
seguradoras tenham preferido se valer<br />
exclusivamente da declaração pessoal do<br />
proponente ao seguro, do ponto de vista<br />
jurídico é perfeitamente possível buscar<br />
informações públicas que interessem para<br />
a subscrição dos seguros de pessoas.<br />
As mudanças na subscrição de vida,<br />
com o uso das novas tecnologias, serão<br />
favoráveis para quem consegue reunir<br />
o maior número de informações acerca<br />
do perfil do proponente ao seguro, pois<br />
assim é possível precificar ou, até mesmo,<br />
recusar uma proposta. “Nesse aspecto, o<br />
uso da inteligência artificial é preponderante<br />
para estabelecer modelos preditivos<br />
a partir de informações obtidas em banco<br />
de dados públicos”, avalia Oliveira.<br />
Ele acrescenta que a Lei Geral de<br />
Proteção de Dados Pessoais, que entrará<br />
em vigor em 2020, não veda a utilização<br />
legítima de dados pessoais provenientes<br />
de fontes públicas e a subscrição, por ser<br />
elemento essencial à contratação de seguro<br />
é, sem dúvida, um ato legítimo. “Posto<br />
isso, a utilização da inteligência artificial<br />
poderá configurar uma revolução na área<br />
de seguros”, completa Oliveira.<br />
39
saúde<br />
Biometria facial agiliza uso de aplicativo<br />
A SulAmérica apresentou a<br />
biometria facial como novo acesso<br />
ao aplicativo. A companhia pretende<br />
garantir conveniência e segurança<br />
ao cliente.<br />
A biometria facial consegue<br />
reconhecer o rosto do segurado, independentemente<br />
de expressões faciais,<br />
uso de óculos ou barba, por exemplo.<br />
Para utilizá-la, é necessário contar<br />
com a versão mais recente do app.<br />
A novidade já está disponível para<br />
parte dos clientes e em breve será<br />
expandida para todos os segurados<br />
da companhia.<br />
“Pensamos na tecnologia como<br />
uma aliada para surpreender o cliente<br />
e facilitar seu cotidiano. Temos disponibilizado<br />
soluções pioneiras em<br />
nossos aplicativos e hoje podemos<br />
dizer que os segurados de Saúde contam<br />
com um dos apps mais completos<br />
e inovadores do mercado”, afirma o<br />
vice-presidente de Estratégia Digital,<br />
Inovação e Tecnologia da SulAmérica,<br />
Cristiano Barbieri.<br />
Campanha contra desnutrição hospitalar<br />
A Braspen (Sociedade Brasileira<br />
Nutrição Parenteral Enteral) abriu uma<br />
cruzada contra a desnutrição hospitalar,<br />
para mostrar os perigos e custos desta<br />
condição, que deixa os pacientes vulneráveis<br />
para uma série de patologias.<br />
A divulgação da campanha “Diga<br />
não à desnutrição hospitalar” está<br />
sendo realizada por meio de aulas ao<br />
vivo e online, chamadas de posts e<br />
teasers na fanpage, site e workplace<br />
da Braspen, utilizando a logomarca<br />
da campanha.<br />
“A identificação precoce de desnutrição,<br />
bem como o manejo, por meio de<br />
ferramentas recomendadas, possibilita<br />
estabelecer conduta nutricional mais<br />
apropriada e melhora do desfecho nestes<br />
pacientes”, explica Diogo Toledo, médico<br />
nutrólogo e presidente da Braspen.<br />
Determine o risco e realize<br />
a avaliação nutricional<br />
Estabeleça as necessidades<br />
calóricas e proteicas<br />
Saiba a perda de peso e acompanhe<br />
o peso a cada 7 dias<br />
Não negligencie o jejum<br />
Tente avaliar a massa e função muscular<br />
A campanha<br />
mostra onze passos<br />
que podem contribuir<br />
para a queda dos<br />
índices de desnutrição<br />
hospitalar, em método<br />
mnemônico para ajudar<br />
a memorização dos<br />
profissionais<br />
de saúde:<br />
Reabilite e mobilize precocemente<br />
Implemente pelo menos<br />
dois Indicadores de Qualidade<br />
Continuidade no cuidado intrahospitalar<br />
e registro dos dados em prontuário<br />
Acolha e engaje o paciente e/ou<br />
familiares no tratamento<br />
Utilize métodos para avaliar<br />
e acompanhar a adequação<br />
nutricional ingerida vs estimada<br />
Oriente a alta hospitalar<br />
40
comunicação e expressão<br />
por J. B. Oliveira*<br />
QI<br />
versus<br />
QE<br />
A preocupação em estabelecer um processo padronizado<br />
para classificar a inteligência de uma pessoa é muito<br />
antiga. Na China, há registro dos “Exames Imperiais”, nesse<br />
sentido, desde o o distante início do século VII, em 606!<br />
Mais modernamente, em 1882, o estatístico inglês<br />
Francis Galton estabeleceu o primeiro centro de teste<br />
mental do mundo, e publicou em 1893, o informe “Investigações<br />
sobre a faculdade humana e seu desenvolvimento”.<br />
Em 1905, o psicólogo francês Alfred Binet, ao lado<br />
de Victor Henry e Théodore Simon, criou o Teste Binet,<br />
com foco em habilidades verbais, daí surgindo a famosa<br />
Escala Binet-Simon, trazendo em seu bojo o conceito de<br />
Idade Mental.<br />
Em 1912, Wilhelm Stern introduziu o termo QI – Quociente<br />
de Inteligência – para representar o nível mental.<br />
Inovou também criando a dicotomia Idade Mental e Idade<br />
Cronológica. Quatro anos depois, em 1916, Lewis Terman<br />
propôs multiplicar o QI por 100, para racionalizar a representação<br />
da tabela de QI, que passou a ser a seguinte:<br />
121 a 130 = superdotado;<br />
110 a 120 = inteligência acima da média;<br />
90 a 109 = inteligência normal;<br />
80 a 89 = embotamento;<br />
70 a 79 = limítrofe;<br />
50 a 69 = raciocínio lento e<br />
20 a 49 = raciocínio abaixo da média.<br />
Por ocasião da entrada dos Estados Unidos na Primeira<br />
Guerra Mundial, em 1917, o mesmo Lewis Terman<br />
desenvolveu testes para avaliar os recrutas. Mais de 1,7<br />
milhão de convocados se submeteram a esse procedimento.<br />
A obsessão gerada em torno dessa qualificação de<br />
pessoas criou aberrações, como a Eugenia – teoria da<br />
depuração social – em nome do que os nazistas alemães<br />
eliminaram milhares de pessoas, que consideravam<br />
de “raça inferior”, por não terem as características do<br />
“übermensh”, o ser humano superior, imaginado por eles<br />
a partir de conceitos do filósofo Friedrich Nietzsche.<br />
Então, em 1995, o jornalista científico Daniel Goleman<br />
publica o livro Inteligência Emocional – “A teoria<br />
revolucionária que redefine o que é ser INTELIGENTE”<br />
– quebrando a hegemonia do QI, e demonstrando que<br />
“Num certo sentido, temos dois cérebros, duas mentes –<br />
e dois tipos de inteligência: racional e emocional. Nosso<br />
desempenho na vida é determinado pelas duas – não é<br />
apenas o QI, mas a inteligência emocional que conta. Na<br />
verdade, o intelecto não pode dar o melhor de si sem a<br />
inteligência emocional.”<br />
A partir daí, a valorização (ou “empoderamento”)<br />
da mulher sobe exponencialmente. Sua participação, que<br />
já era notável nos segmentos social e cultural, passa a<br />
crescer em todos os outros, especialmente no político e<br />
no corporativo!<br />
Tudo devido à sua indiscutível capacidade de saber,<br />
desde sempre, harmonizar Razão e Emoção: QI e QE! E<br />
isso está muito bem descrito por uma mulher – Angela<br />
Cavalcanti – nesta feliz síntese:<br />
“Mulher é mesmo interessante...<br />
Mesmo brava, é linda;<br />
mesmo alegre, chora;<br />
mesmo tímida, comemora;<br />
mesmo apaixonada, ignora;<br />
mesmo frágil, é poderosa”!<br />
* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.<br />
É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras<br />
www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br<br />
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