Revista Coamo - Março de 2019

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Revista Coamo - Março de 2019

CREDICOAMO APRESENTA SOBRAS LÍQUIDAS DE R$ 98,68 MILHÕES EM 2018

www.coamo.com.br

MARÇO/2019 ANO 45

EDIÇÃO 489

OCEPAR, 48 ANOS

Sistema

representa o

cooperativismo

no Paraná

BIOGRAFIA

Gallassini lança

livro biográfico no

Rotary e na Acicam

CONHECIMENTO

RENOVADO

Encontro na Fazenda Experimental reúne associados, técnicos e

pesquisadores para dias de trabalho e busca por mais conhecimento

para ampliar a produtividade de forma sustentável e com rentabilidade


meta

A solidez da Coamo vem

da cooperação de todos.

Graças a força do trabalho e da união,

a Coamo cresceu

em 2018,

sendo o melhor ano em

relação às receitas globais.

É pela connança no trabalho desenvolvido na Coamo

que os cooperados estão seguros, estão em casa.

Coamo, forte como o homem do campo.


EXPEDIENTE

Órgão de divulgação da Coamo

Ano 45 | Edição 489 | Março de 2019

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO COAMO

Ilivaldo Duarte de Campos: iduarte@coamo.com.br

Wilson Bibiano Lima: wblima@coamo.com.br

Ana Paula Bento Pelissari: anapelissari@coamo.com.br

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Contato: (44) 3599-8126/3599-8129

Jornalista responsável e Editor: Ilivaldo Duarte de Campos

Reportagens e fotos: Antonio Marcio dos Santos, Wilson Bibiano Lima,

Ana Paula Bento Pelissari e Ilivaldo Duarte de Campos

Edição de fotografia: Antonio Marcio dos Santos e Wilson Bibiano Lima

Colaboração: Gerência de Assistência Técnica, Entrepostos e Milena Luiz Corrêa

Contato publicitário: Agromídia Desenvolvimento de Negócios Publicitários Ltda

Contato: (11) 5092-3305 e Guerreiro Agromarketing Contato: (44) 3026-4457

É permitida a reprodução de matérias, desde que citada a fonte. Os artigos assinados

ou citados não exprimem, necessariamente, a opinião da Revista Coamo.

COAMO AGROINDUSTRIAL COOPERATIVA

SEDE: Rua Fioravante João Ferri, 99 - Jardim Alvorada. CEP 87308-445. Campo Mourão - Paraná - Brasil. Telefone (44) 3599.8000 Fax (44) 3599.8001 - Caixa Postal, 460

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CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO: Presidente: Engº Agrº José Aroldo Gallassini, Vice-Presidente: Engº Agrº Claudio Francisco Bianchi Rizzatto, Diretor-Secretário: Engº Agrº

Ricardo Accioly Calderari. MEMBROS VOGAIS: Nelson Teodoro de Oliveira, Joaquim Peres Montans, Anselmo Coutinho Machado, Wilson Pereira de Godoy, João Marco

Nicaretta e Alessandro Gaspar Colombo.

CONSELHO FISCAL: Diego Rogério Chitolina, Emilio Magne Guerreiro Júnior, Willian Ferreira Sehaber (Efetivos). Calebe Honório Welz Negri, Clóvis Antonio Bruneta, Reginaldo

Antonio Mariot (Suplentes).

SUPERINTENDENTES: Administrativo: Antonio Sérgio Gabriel; Comercial: Alcir José Goldoni; Industrial: Divaldo Corrêa; Logística e Operações : Airton Galinari;

Técnico: Aquiles de Oliveira Dias.

Extensão Territorial: 4,5 milhões de hectares. Capacidade Global de Armazenagem: 6,41 milhões de toneladas. Receita Global de 2018: R$ 14,79 bilhões. Tributos e taxas

gerados e recolhidos em 2018: R$ 436,73 milhões.

Março/2019 REVISTA

3


SUMÁRIO

36

Credicoamo com crescimento e bons resultados

Desempenho da cooperativa de crédito foi apresentado e aprovado durante Assembleia

Geral Ordinária (AGO). Crescimento a cada ano é fruto da participação efetiva dos associados

4 REVISTA

Março/2019


SUMÁRIO

Entrevista

08

O engenheiro agrônomo Henrique Debiasi, pesquisador de manejo do solo e da cultura, da Embrapa

Soja, é o entrevistado do mês. Para ele, a revolução que o agronegócio brasileiro tem passado é

decorrente do desenvolvimento e adoção conjunta de diferentes tecnologias

Alimentos Coamo

Retorno do consumidor é positivo pela fan page e canal de atendimento dos Alimentos Coamo

13

Encontro na Fazenda Experimental

Foi realizada a 31ª edição do evento de verão, que é um laboratório a céu aberto da Coamo para a

pesquisa. Encontro reuniu cerca de quatro mil cooperados, de toda a área de ação da cooperativa

14

Ocepar 48 anos

48

Sistema Ocepar possui 215 cooperativas registradas. Juntas, essas organizações somam R$ 83,5

bilhões de faturamento, montante que equivale a 17,9 % do PIB do Estado do Paraná

51

Gallassini lança livro no Rotary e na Acicam

O livro escrito pelo jornalista e biógrafo Elias Awad, relata a inspiradora

trajetória do presidente da maior cooperativa agrícola da América Latina

Março/2019 REVISTA

5


NOVO

UNIPORT 3030

EletroVortex

A PULVERIZAÇÃO EM OUTRO NÍVEL

2dcb.com.br

FLUXO DE AR

DO VENTILADOR

PARA A BARRA

FLUXO DE AR

PARA O BICO

PORTA-BICOS

BIJET

O fluxo de ar do sistema Vortex

transporta as gotas de pulverização

que, ao passar pelo bocal eletrostático,

recebem cargas negativas que são

atraídas pelas plantas, que têm cargas

neutras. O resultado é uma melhor

deposição do defensivo em ambas

as faces da planta.

BOCAL

ELETROSTÁTICO

jacto.com


EDITORIAL

As tecnologias no campo e os resultados da Credicoamo

A

edição deste mês da Revista

Coamo apresenta aos associados

e leitores dois temas

de grande relevância para o desenvolvimento

do cooperativismo: os

resultados do 31º Encontro de Cooperados

na Fazenda Experimental e

do exercício de 2018 da Credicoamo

Crédito Rural Cooperativa.

A Credicoamo, que em

2019 completa 30 anos de atividades,

encerrou mais um ano com

excelentes resultados, para a satisfação

e orgulho dos mais de 19 mil

associados. Eles aprovaram em Assembleia

Geral o balanço de 2018

que registrou sobras líquidas de R$

98,68 milhões, ativos de R$ 2,39 bilhões,

com crescimento de 9,55% e

um patrimônio líquido de R$ 631,19

milhões, com 15,72% superior ao

ano anterior.

A cooperativa de crédito

dos associados da Coamo segue a

mesma filosofia e administração da

JOSÉ AROLDO GALLASSINI,

Diretor-presidente

cooperativa Coamo e vem apresentando

resultados expressivos. Com

estrutura sólida e grande atuação

dos associados, a Credicoamo é

destaque e referência no cooperativismo

de crédito brasileiro oferecendo

uma vasta e exclusiva linha

de produtos e serviços, os quais vêm

agregando valor à produção agropecuária

dos integrantes.

O Encontro de Cooperados

Coamo na Fazenda Experimental

também apresentou bons resultados

na 31ª edição. O evento foi realizado

recentemente para mais de

quatro mil pessoas entre associados

e técnicos da própria cooperativa e

de instituições parceiras.

“Conhecimento que gera

resultados”, é o slogan deste importante

evento tecnológico, que é pioneiro

e está na vanguarda da pesquisa

brasileira. Trata-se de um dia

de trabalho que reúne associados

de todas as regiões da área de ação

da Coamo. Eles conhecem em um

verdadeiro laboratório a céu aberto,

os resultados das mais modernas

pesquisas e tecnologias testadas e

aprovadas no campo experimental

da cooperativa.

A difusão de tecnologias é

um dos objetivos centrais do Encontro

na Fazenda Experimental que

tem na participação e interesse dos

associados um dos pilares do seu

sucesso há 31 anos. Eles são privilegiados,

pois recebem informações

atuais e de tecnologias que brevemente

estarão à sua disposição para

o planejamento das próximas safras.

Os Encontros na Fazenda

"A Credicoamo, que em

2019 completa 30 anos

de atividades, encerrou

mais um ano com

excelentes resultados,

para a satisfação e

orgulho dos mais de 19

mil associados."

Experimental representam uma

excelente oportunidade para os

associados se atualizarem sobre o

que existe de mais novo e moderno

em diferentes temas da agropecuária.

Isto é facilitado também

pelo contato direto com renomados

pesquisadores de importantes

instituições, graças a uma parceria

eficaz e vitoriosa com a Coamo,

em prol do desenvolvimento das

atividades dos associados visando

produzir de forma sustentável no

ambiente produtivo rural e obter

renda no seu negócio.

Março/2019 REVISTA

7


HENRIQUE DEBIASI

“Sucesso do agronegócio é mérito

dos agricultores junto com a pesquisa"

“ Com muito orgulho, fui criado

dentro de uma lavoura

de soja, lá no Rio Grande

do Sul. Tenho vivenciado há quase

30 anos a realidade e as dificuldades

que o agricultor enfrenta.

Esse conhecimento do dia-a-dia

do produtor tem sido muito útil

na definição do enfoque do meu

trabalho como pesquisador.” A

afirmação é do engenheiro agrônomo

Henrique Debiasi, pesquisador

de manejo do solo e da cultura,

da Embrapa Soja.

Para ele, a revolução

que o agronegócio brasileiro

tem passado é decorrente do

desenvolvimento e adoção conjunta

de diferentes tecnologias.

“Desde cultivares com maior potencial

produtivo e modificadas

geneticamente, até o manejo

integrado de pragas, doenças

e plantas daninhas, passando

também pelos avanços na agricultura

de precisão.”

Revista Coamo: Qual sua área de

pesquisa na Embrapa Soja?

Henrique Debiasi: Desde que ingressei

(2008), me dedico, juntamente

com os colegas da equipe de

manejo do solo e da cultura, à pesquisa

e ao desenvolvimento de tecnologias

para o aprimoramento da

qualidade do manejo do solo em sistema

plantio direto (SPD), que sejam

viáveis técnica, operacional e economicamente

para os produtores.

O trabalho não se limita ao Paraná,

mas também em outros Estados. O

foco principal é a melhoria da qualidade

estrutural do solo, por meio

da utilização de sistemas de rotação,

sucessão e/ou consorciação envolvendo

espécies vegetais com alta

produção de palha e, principalmente,

de raízes. Também temos destinado

grande parte do nosso tempo

ao desenvolvimento de ferramentas

para monitoramento da estrutura do

solo, que sejam acessíveis à assistência

técnica e aos produtores, como o

Diagnóstico Rápido da Estrutura do

Solo (DRES).

RC: Qual a importância dos resultados

do trabalho da Embrapa Soja?

Debiasi: Dimensionar a contribuição

que a pesquisa e o desenvolvimento

de tecnologias vêm dando ao agronegócio

brasileiro não é difícil, basta

ver a competitividade da agricultura

brasileira no cenário mundial, em

que pese nossas históricas dificuldades

estruturais. Na década de 70,

éramos importadores de alimentos;

hoje, somos o 2º maior exportador

mundial, o agronegócio tem 42%

das exportações e mais de 20% do

PIB; em 2018, o superávit do agronegócio

na balança comercial foi

superior a US$ 87 bilhões, enquanto

que os demais setores apresentaram

saldo negativo de US$ 29 bilhões

(dados do CEPEA). A cadeia da soja

exerce papel determinante: somente

os embarques de grãos, farelo e óleo

corresponderam, em 2018, a US$ 41

bilhões, mais de 40% do valor total

exportado pelo agronegócio.

RC: Como vê a parceria entre agricultores

e pesquisa?

Debiasi: O grande mérito do sucesso

do agronegócio brasileiro é o trabalho

incansável dos nossos agricultores,

mas é necessário reconhecer a

grande contribuição das tecnologias

e conhecimentos produzidos pela

pesquisa. E, nesse caso, não é possível

atribuir o mérito a esta ou aquela

instituição de pesquisa, pois todas

contribuíram de forma expressiva.

RC: Quais são os desafios para os

próximos anos?

Debiasi: Gerar conhecimentos e tecnologias

inovadoras que contribuam

para o aumento da produtividade,

reduzam os custos, minimizam os

impactos ambientais e, sobretudo,

diminuam os efeitos negativos de intempéries

climáticas, principalmente

a seca.

RC: E quanto ao nível tecnológico?

Debiasi: O desafio é o desenvolvimento

de uma tecnologia inovadora

que permita avanços significativos na

produtividade. Isso exige muito mais

esforço e passa, pelo conhecimento

das interações entre a genética das

plantas, o ambiente (solo e clima) e

o nível tecnológico utilizado. Quando

se altera minimamente qualquer um

destes fatores, a resposta aos demais

se modifica também. Isso exige tempo,

metodologias cada vez mais avançadas

e caras, equipes de pesquisa

com integrantes de diferentes áreas

do conhecimento e, principalmente,

parcerias com o setor produtivo.

RC: Como observa a relação entre

as tecnologias e o seu uso pelos

agricultores?

Debiasi: Este é um grande desafio,

o de diminuir a discrepância entre

8 REVISTA

Março/2019


as tecnologias e conhecimentos disponíveis

e aquilo que de fato é utilizado

pelo produtor. Isso é notório

em relação ao manejo e conservação

do solo, onde práticas e tecnologias

“básicas”, algumas milenares, como a

rotação de culturas, o terraceamento

e o cultivo em nível, têm ficado

em segundo plano. Neste contexto,

cabe a pesquisa se aproximar do

setor produtivo, fazendo com que

as tecnologias de fato cheguem ao

usuário final. Da mesma forma, é

papel da pesquisa aprimorar continuamente

tecnologias já consolidadas,

adaptando-as às alterações

que constantemente ocorrem nos

sistemas de produção, e tornando-

-as mais acessíveis e simples para

fomentar sua adoção.

RC: A estrutura do solo é componente

essencial da fertilidade?

Debiasi: A estrutura determina o

desenvolvimento radicular das plantas,

bem como armazenamento e

os fluxos de água e gases no solo,

elementos essenciais para a produção

agrícola. Em outras palavras,

manejar adequadamente a fertilidade

estrutural do solo significa principalmente

potencializar o crescimento

das raízes e a disponibilidade

de oxigênio e água no solo. A água

é o principal insumo para a produção

agrícola, tanto é que, se observarmos

os resultados das últimas

safras, vamos facilmente concluir

que as grandes perdas de produtividade

estão, na ampla maioria das

situações, associadas à seca. Levantamentos

da equipe de manejo do

solo e da cultura da Embrapa Soja,

mostram que, em oito das últimas

dezesseis safras no Paraná (50%),

tivemos quebra de safra por seca,

ao menos em algumas regiões, totalizando

um prejuízo acumulado de

mais de US$ 5 bilhões. Ao mesmo

tempo, a capacidade de crescimento

Henrique Debiasi é pós-graduado em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria

(1999), mestre em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Santa Maria (2002) e

doutor em Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008). Tem experiência na

área de Agronomia, com ênfase em Física do Solo, atuando principalmente nos seguintes temas:

ergonomia, cultura de tecidos, biotecnologia, tratores agrícolas e pré-básicas.

Março/2019 REVISTA

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HENRIQUE DEBIASI

“NA DÉCADA DE 70, O BRASIL IMPORTAVA ALIMENTOS. HOJE É O 2º MAIOR EXPORTADOR

MUNDIAL. O AGRONEGÓCIO RESPONDE POR 42% DAS EXPORTAÇÕES E MAIS DE 20% DO PIB."

radicular da soja e do milho é espantosa.

Resultados de nossas pesquisas

mostram que, em condições de

solo não limitantes, as raízes de soja

e milho chegam, aos 70 dias após a

emergência, a cerca de 1,5 e 2 m de

profundidade, respectivamente. Portanto,

essas culturas têm condições

de suportar veranicos sem grandes

prejuízos por um período de tempo

maior do que de fato temos observado

hoje na prática.

RC: Quais são importantes tecnologias

conquistadas nesses anos todos?

Debiasi: A tecnologia que mais impactou

positivamente a agricultura

no Brasil neste período foi o Sistema

Plantio Direto (SPD). Não é a toa

que escolhi como linha de pesquisa

a área de manejo do solo. Trabalhei

na lavoura, juntamente com meu

pai, na época do preparo convencional.

Era um trabalho árduo, várias

semanas dedicadas a operações de

gradagem pesada e gradagem leve.

Depois vinham as chuvas torrenciais,

e boa parte da camada superficial do

solo ia parar no Rio Jacuí. A mudança

para o SPD na nossa propriedade, na

safra 1992/93, foi essencial para que

permanecêssemos na atividade, e

isso foi a realidade de toda a região.

RC: Qual o impacto e resultado da

correta utilização do manejo do solo?

Debiasi: No atual contexto da produção

de grãos, o manejo correto

do solo envolve um conjunto de práticas

conservacionistas, envolvendo

principalmente a adoção plena do

SPD e a utilização de práticas mecânicas

de controle da erosão, como o

terraceamento e o cultivo em nível.

Adotar plenamente o SPD significa

limitar o revolvimento do solo à linha

de semeadura, mantê-lo permanentemente

coberto e utilizar sistemas

diversificados de produção, envolvendo

o cultivo de espécies vegetais

com alto potencial de produção de

palha e raízes.

Henrique Debiasi em uma estação sobre solo no Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental da Coamo

“Práticas e tecnologias

'básicas', algumas

milenares, como a

rotação de culturas, o

terraceamento e o cultivo

em nível, têm ficado em

segundo plano pelos

agricultores.”

RC: Quais os aspectos a serem melhorados

no tocante ao uso do Manejo

do solo?

Debiasi: Com certeza, a qualidade

do manejo no solo adotado pelos

produtores brasileiros melhorou

muito nos últimos 30 anos, mas também

é preciso avançar mais. Hoje,

o principal aspecto a melhorar envolve

o aumento da produção de

palha e raízes no sistema de produção,

por meio da rotação, sucessão

e/ou consorciação de culturas. No

Paraná, mais de 90% da área de soja

no verão é cultivada com milho na

2ª safra. Nas regiões mais frias, tem

predominado a sucessão trigo/soja.

Esses sistemas não atendem a produção

de palha e raízes para manter

o solo permanentemente coberto

e melhorar a sua estrutura. O resultado

tem sido a compactação do

solo, com reflexos negativos sobre

a conservação do solo e a produtividade

das culturas, especialmente

em anos secos. A falta de manutenção

ou mesmo retirada dos terraços

sem critério técnico, assim como a

semeadura “morro abaixo”, impulsionados

principalmente pelo aumento

do tamanho das máquinas, também

preocupam bastante. Um exemplo

10 REVISTA

Março/2019


foi demonstrado no último Encontro

de Cooperados na Coamo: a perda

de água por escoamento chegou a

ser quatro vezes maior em uma área

cultivada morro abaixo comparativamente

ao cultivo em nível. Simulamos

uma adubação em cobertura

com cloreto de potássio e, após uma

chuva de 20 milímetros em dez minutos

perdeu-se 71% da quantidade

aplicada na água do escoamento.

RC: Como avalia a parceria entre a

Coamo e a Embrapa?

Debiasi: A avaliação é muito positiva,

temos diversos trabalhos de pesquisa

e difusão de tecnologias em parceria,

envolvendo diferentes áreas,

em andamento há muitos anos, e

com resultados significativos. A complexidade

dos problemas e desafios

enfrentados pelo produtor, em conjunto

com a escassez de recursos

humanos e financeiros, que de forma

geral atingem todas as instituições

públicas, exige o fortalecimento das

parcerias entre a pesquisa pública e o

setor produtivo. Nós, pesquisadores,

temos que ter consciência que nosso

trabalho não conduzirá à avanços

práticos se permanecermos na “zona

de conforto”, limitarmos nossas pesquisas

à estação experimental, sem

nos preocuparmos também com o

impacto e a difusão das informações

geradas pelas teses, dissertações e

artigos científicos. Esse entendimento

é compartilhado entre a Embrapa

Soja e a Coamo, o que faz desta parceria

um sucesso.

RC: O trabalho da Fazenda Experimental

da Coamo é importante instrumento

de difusão?

Debiasi: Trata-se de um trabalho

diferenciado e que, felizmente, tem

servido de exemplo para outras empresas.

Estou como pesquisador da

Embrapa há 11 anos, e participei

como palestrante no Encontro de

Cooperados na Fazenda da Coamo

em oito oportunidades. A organização,

a relevância dos temas abordados,

e o número e a qualidade dos

participantes realmente impressionam.

Mas o grande diferencial dos

Encontros de Cooperados é o caráter

estritamente técnico, onde o foco

é a difusão de informações com real

valor científico e prático. A Coamo

e a Embrapa Soja conduzem, na Fazenda

Experimental da cooperativa,

“O grande mérito do

sucesso do

agronegócio

brasileiro é o trabalho

incansável dos

nossos agricultores,

em parceria com a

pesquisa por meio de

tecnologias e difusão

de conhecimentos."

experimento de diferentes sistemas

de rotação de culturas, que vai completar

34 anos em abril. Trata-se de

um dos experimentos de manejo do

solo mais antigos do Brasil, e muitas

tecnologias foram desenvolvidas, validadas

e demonstradas através dele.

RC: Qual é o papel do pesquisador,

da assistência técnica e do produtor

rural?

Debiasi: Os pesquisadores têm sido

intensamente cobrados pela sociedade

por descobertas que levem a

inovações tecnológicas e, por sua

vez, tragam benefícios econômicos,

sociais e ambientais. Esse de fato é

o nosso grande desafio. Porém, o

constante aprimoramento de tecnologias

já disponíveis, o avanço no conhecimento

da resposta das culturas

ao manejo e aos fatores ambientais

no longo prazo, assim como a participação

efetiva na disseminação

das informações geradas, continuam

sendo importantes contribuições a

serem dadas pela pesquisa. A mudança

em uma tecnologia implica

que as demais sejam revistas, e isso

não implica necessariamente em

inovação. Um exemplo disso foi a

disseminação de cultivares de soja

precoces e de crescimento indeterminado,

que exigiu pesquisas que

resultaram em alterações nas indicações

de população de plantas. Tudo

isso é papel da pesquisa também. Já

a assistência técnica e os produtores

devem estar atentos aos avanços

tecnológicos e nos conhecimentos

obtidos pela pesquisa, de modo a

aumentar a rentabilidade e diminuir

o risco da sua atividade, bem como

preservar o ambiente, sobretudo o

solo.

RC: Qual sua mensagem aos cooperados

da Coamo?

Debiasi: A mensagem é de agradecimento

a todos os cooperados

e suas famílias, que com seu incansável

trabalho e persistência, contribuem

para que o agronegócio

seja exemplo mundial de eficiência,

sustentando a economia deste país.

Sempre desconfiem de “tecnologias”

milagrosas, isto não existe no

mundo real. Lembre-se: em qualquer

atividade, o sucesso só vem

com muito trabalho, capricho, gosto

pelo que faz e com a valorização dos

conhecimentos técnicos e científicos

gerados pela pesquisa isenta.

Março/2019 REVISTA 11


Somos um

modelo de

negócio

que acredita

nas relações

em que

todos ganham

somos.coop.br

O cooperativismo paranaense se destaca no cenário nacional por sua organização, atuação e representatividade.

Fundada em 2 de abril de 1971, a Ocepar completa 48 anos colhendo os frutos de um trabalho sério e profissional

em defesa dos interesses das cooperativas filiadas.

Em reconhecimento, a Coamo presta esta homenagem à Ocepar.

12 REVISTA

Março/2019


ALIMENTOS COAMO

Retorno do consumidor é positivo nas

redes sociais e canal de atendimento

Desde que o Facebook dos Alimentos

Coamo colocou no ar

a Campanha com a Ana Maria

Braga, em março do ano passado o

número de curtidas, compartilhamentos

e comentários nas publicações é

expressivo. Sem contar os números

de seguidores que já chegam a quase

420 mil. São pessoas de todos os cantos

do país que compartilham as receitas

e publicações, marcam familiares

e amigos e por aí a rede só expande.

Além disso, os internautas também

têm deixado relatos sobre os produtos

da Coamo por meio do Canal de Atendimento

ao Consumidor.

Miriam Pereira Camacho Bohn,

de Florianópolis, Santa Catarina entrou

no site dos Alimentos Coamo e deixou

seu relato. “Gostaria de elogiar o

óleo de soja Coamo. Eu usava óleo de

milho, pois não gostava do cheiro do

óleo de soja, mas para a minha surpresa

o óleo da Coamo é simplesmente

maravilhoso, não tem cheiro nenhum.

Usei, pois um hóspede deixou uma

embalagem no apartamento, fiquei

com dó de jogar e experimentei. Parabéns

a todos da empresa!”.

Terezinha, de Promissão, São

Paulo, fez questão de ligar no Canal

de Atendimento ao Consumidor dos

Alimentos Coamo. “Estou ligando para

elogiar o café Coamo tradicional, nunca

tive preferências para marcas de

café e ontem eu vi o café Coamo no

supermercado e resolvi comprar para

experimentar. Fiz hoje de manhã e

adorei, uma delícia, a Coamo está de

parabéns!.”

Marcia Balbino, deixou seu re-

cado pela fan page, “Adoro e só uso

os produtos Coamo. Fiz minha patroa

mudar de marca e comprar Coamo.”

A consumidora Eloisa Lima,

fez questão de recomendar os Alimentos

Coamo no Facebook: “Todos

os produtos Coamo são de excelente

qualidade, pois temos neles toda

confiança dos bons produtos e quantidades

que nos dão ótima qualidade

no que fazemos com os Alimentos

Coamo.”

E a Ana Couto é outra que

deixou um recado no Facebook, “Uso

e gosto dos produtos...são de ótima

qualidade, não são pesados para o

organismo e nem para o bolso!!”.

Março/2019 REVISTA 13


ENCONTRO DE VERÃO 2019

DNA da produção sustentável na

FAZENDA EXPERIMENTAL

14 REVISTA

Março/2019


ENCONTRO DE VERÃO 2019

Encontro de Cooperados

da Fazenda Experimental

Coamo está na 31ª

edição, sendo um

laboratório a céu aberto

da cooperativa com um

verdadeiro suporte para a

pesquisa nacional

Com o objetivo de apresentar

aos cooperados

as novas tecnologias testadas

e aprovadas é realizado

anualmente o Encontro de Cooperados

na Fazenda Experimental

Coamo, em Campo Mourão

(Centro-Oeste do Paraná). A 31ª

edição foi entre os dias 04 e 08

de fevereiro. A cooperativa difunde

as tecnologias desde a sua

fundação, há 48 anos, e a Fazenda

Experimental é o laboratório

a céu aberto e referência para as

pesquisas.

O encontro reuniu neste

ano cerca de quatro mil cooperados,

de toda a área de ação

da cooperativa no Paraná, Santa

Catarina e Mato Grosso do Sul, e

quem participa sai na frente. De

acordo com o superintendente

Técnico da Coamo, Aquiles de

Oliveira Dias, é uma oportunidade

ímpar para o associado se

atualizar. “Em todas as edições

do Encontro de Verão trazemos

os temas do momento, ou seja,

aquilo que realmente necessita

ser discutido pelos cooperados,

técnicos e pesquisadores”, considera.

Como resultado dessa

difusão de conhecimento, as

produtividades vêm aumentando

gradualmente ao longo dos

anos nos campos dos cooperados

da Coamo, que em contato

direto com a pesquisa têm as

informações em primeira mão.

“O Encontro na Fazenda Experimental

é tradicional, apresenta

as novidades que a pesquisa desenvolve

e repassa aos agricultores.

Praticamente dobramos as

produtividades de soja e milho e,

Março/2019 REVISTA 15


ENCONTRO DE VERÃO 2019

ENCONTRO DE COOPERADOS NA FAZENDA EXPERIMENTAL DA COAMO É

IMPORTANTE FERRAMENTA PARA A DIFUSÃO DE TECNOLOGIA NO CAMPO

certamente, a pesquisa e o trabalho

na Fazenda Experimental têm

papel fundamental”, comenta o

presidente da Coamo, José Aroldo

Gallassini.

O engenheiro agrônomo

Lucas Simas Moreira, chefe da

Fazenda Experimental da Coamo,

explica que a cada ano são

selecionados dez temas para

demonstrar aos cooperados,

com uma metodologia e didática

simples, e própria para apresentação

dos resultados. De acordo

TEMAS APRESENTADOS

Cultivares de soja I: Monsoy, Basf, FT

Sementes, Nidera e Syngenta

Cultivares de soja II: Embrapa, TMG,

Brasmax, e Don Mario

Importância do milho no sistema de

produção

Praga e doença emergentes na cultura do

milho 1° e 2° safra

Importância do equilíbrio hormonal e

utilização de biorregulador de soja

com ele, o encontro tem como

principal objetivo o desenvolvimento

do quadro social na atividade

agrícola. “Os cooperados

vêm de todas as regiões para

aproveitar ao máximo a oportunidade

de aprender para produzir

cada vez mais e com sustentabilidade",

afirma.

Marcelo Sumiya, gerente

de Assistência Técnica da Coamo,

avalia que a grande participação

dos cooperados demonstra

a preocupação e interesse

em se manter bem informado e

buscar sempre novidades e tecnologias

que possam contribuir

e melhorar a atividade agrícola.

“Cada estação tratou de um tema

para o associado desenvolver na

Lucas Simas Moreira, chefe da

Fazenda Experimental da Coamo

propriedade, seja para otimizar a

produção ou se preparar para o

futuro com possíveis problemas

que possam prejudicar a produção.

Trazemos sempre situações

do presente, mas pensamos também

no futuro, no planejamento

das próximas safras”, observa.

Associação de fungicidas multissítio no

manejo de ferrugem em soja

Monitoramento da resistência de tecnologias

Bt em milho e soja

Diretoria participou todos os dias do Encontro de Cooperados: Aquiles de Oliveira Dias, superintendente

Técnico, Marcelo Sumiya, gerente de Assistência Técnica, Ricardo Accioly Calderari, diretor-secretário, Claudio

Francisco Bianchi Rizzatto, diretor-vice-presidente, e José Aroldo Gallassini, diretor-presidente da Coamo

Avaliação da taxa de Infiltração de água no

solo e suas correlações

Apresentação da plataforma tecnológica Soja

Intacta 2 Xtend

Desempenho e importância dos herbicidas

pré-emergentes no manejo de plantas

daninhas

Diretoria em visita as estações

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Março/2019


ENCONTRO DE VERÃO 2019

TADEU VORONIUK JÚNIOR

Roncador (Centro-Oeste do Paraná)


A Coamo está de parabéns por nos trazer para

este encontro. Cada estação, uma novidade e

a cada ano uma superação. O que há de mais

moderno para a agricultura a gente encontra

neste evento.

CLAUDEMIR HASKEL

Manoel Ribas (Centro do Paraná)

Aprendemos muito com os encontros. Esse trabalho

da cooperativa de fazer os experimentos e mostrar

os resultados para nós cooperados é importante,

pois sabemos que o que estamos implantando

“na propriedade foi validado pela Coamo.

Novas variedades e atenção no campo

Estação sobre cultivares de soja

apresentou as novidades e abordou

questões de doenças e pragas

Os cooperados que participam do encontro

aguardam com ansiedade para ver as novidades

relacionadas as novas cultivares de

soja. Sabendo disso, a coordenação do evento deixa

duas estações reservadas para a principal cultura do

verão. Além de apresentar as novas variedades, neste

ano, foi debatido sobre duas situações que podem

causar prejuízos as lavouras de soja: a mosca

branca e a antracnose.

O engenheiro agrônomo Luis Cesar Voytena,

da Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do

Paraná), comenta que as cultivares são adaptadas

para todas as regiões da Coamo. “É importante ressaltar

que conduzimos e mostramos os experimentos

conforme a realidade de cada ano para que o

Waltemberg Machado de Lima, de Peabiru, Fabrício Gastoni Charneski, de

Brasilândia do Sul, Luís Cesar Voytena, de Campo Mourão, Gilson Bernardino,

de Palmital e Marco Aurélio Guenca, de Iretama

cooperado tenha uma real situação de como a variedade

se comportará na propriedade.” Foram apresentadas

variedades da Monsoy, Basf, FT Sementes,

Nidera e Syngenta.

Na estação, os cooperados foram alertados

sobre a mosca branca, uma praga que se desenvolve

em regiões mais quente, como no Mato Grosso

e Bahia, por exemplo, mas que já está presente na

área de ação da Coamo. “Ainda não temos relatos

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

ALÉM DE APRESENTAR AS NOVAS VARIEDADES, FORAM DEBATIDAS DUAS SITUAÇÕES QUE

PODEM CAUSAR PREJUÍZOS ÀS LAVOURAS DE SOJA: MOSCA BRANCA E ANTRACNOSE

de danos econômicos. Porém, é bom que os associados

conheçam melhor a praga para que possam

se defender. Tem muitos agricultores que já a conhecem,

pois é a mesma mosca branca que ataca o

feijão. O controle é por meio de produtos químicos

e de algumas ações de manejo para diminuir a população.”

De acordo com o profissional, a visualização

das moscas na lavoura é bastante fácil. “Basta

dar uma batida nas plantas e se tiver a mosca já terá

uma revoada”, assinala.

Outra questão abordada na estação foi a

importância dos cooperados escalonarem o plantio

da soja. Ele lembra que a safra 2018/19 foi marcada

por altas temperaturas e por falta de chuva em vários

períodos de desenvolvimento das plantas. “As

lavouras semeadas mais cedo sofreram mais do que

as de mais tarde. É necessário planejar o plantio de

forma que aumente a chance de fugir de uma possível

intempérie climática”, destaca Voytena.

Assuntos relacionados a antracnose e as cultivares

da Embrapa, TMG, Brasmax e Don Mario foram

apresentados em outra estação. De acordo com

o engenheiro agrônomo Breno Rovani, da Coamo

em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), o primeiro

passo, e o mais importante, é a identificação da

doença que não é tão fácil de ser reconhecida, já que

os sintomas se parecem com outras doenças como a

mancha alvo, por exemplo, ou têm sintomas idênticos

aos causados pela falta de umidade, clima quente ou

ainda deficiência de cálcio no solo. “São várias as situações

vivenciadas no campo e que podem se confundir

com a antracnose. Nossa orientação é para que

os associados procurem o departamento Técnico da

Coamo para que façam uma correta identificação e

controle da doença”, comenta.

Sobre as variedades apresentadas, o engenheiro

agrônomo destaca que várias delas são lançamentos

e atendem as demandas do campo, seja relacionada

a sanidade ou produtividade. “Temos várias

opções e adaptadas para diversas situações, seja em

clima mais quente ou frio, ou em regiões mais altas

ou baixas, além de todos os tipos de solo e, também,

para quem quer antecipar ou retardar o plantio.” Rovani

ressalta que quanto mais opção, mais aumenta

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Março/2019


ENCONTRO DE VERÃO 2019

a necessidade do cooperado fazer um bom

planejamento e aproveitar da melhor maneira

possível as tecnologias inseridas em cada variedade.

A estação contou com os pesquisadores

Luís Cesar Vieira Tavares, da Embrapa/

Soja, e Ralf Udo Dengler, da Fundação Meridional.

Sempre presentes nos encontros, eles

apresentaram suas respectivas novidades.

“Destacamos uma variedade convencional

com resistência a ferrugem e uma intacta com

boa tolerância a percevejo. São cultivares que

estão no mercado e adaptadas para todas as

regiões da área de ação da Coamo, desde

Santa Catarina até o Mato Grosso do Sul”, comenta

Tavares.

Ele ressalta a importância do encontro

de cooperados na Fazenda Experimental da

Coamo como fonte de informação para a pesquisa,

pois é onde ouvem a demanda dos agricultores.

“As tecnologias apresentadas hoje,

são demandas que ouvimos no passado. Trazemos

variedades que possam agregar mais

valor à produção dos associados”, diz Tavares.

Ele explica ainda que a variedade resistente a

ferrugem necessita de um manejo adequado

contra a doença como forma de retardar o ataque

enquanto que a cultivar tolerante ao percevejo

pode sofrer um dano menor por não ser

tão atrativa para o inseto.

Breno Rovani, de Campo Mourão, Eugenio Pawlina Júnior, de Cantagalo, Danilo

Rodrigues Alves, de Roncador, e Antonio Marcos David, de Mangueirinha

Pesquisadores Ralf Udo Dengler, da Fundação Meridional,

e Luis Cesar Vieira Tavares, da Embrapa/Soja

Mais milho no verão

Considerado importante

economicamente e para o sistema,

cereal necessita de alta tecnologia e

responde bem aos investimentos

O

milho é outra cultura que tem lugar de destaque

entre os assuntos apresentados no

Encontro da Fazenda Experimental Coamo.

Considerado importante economicamente e, sobretudo,

para o sistema de produção da propriedade, o

cereal necessita de alta tecnologia e responde bem

aos investimentos.

Leandro Mansano Martines, de Pitanga, Giovani Augusto Pinheiro, de Fênix,

José Ricardo Pedron Romani, de Mangueirinha, e Odair Johanns, de Goioerê

Os avanços no campo, são como termômetros

que servem para medir como a cooperativa

está conseguindo chegar aos resultados deseja-

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

MILHO RESPONDE AO INVESTIMENTO TECNOLÓGICO E, POR ISSO, O PRODUTOR

RURAL TEM QUE ESTAR BEM INFORMADO SOBRE AS NOVIDADES DO MERCADO

dos na parceria com os cooperados.

“O nosso principal desafio é

transformar a tecnologia mostrada

durante esta semana de trabalho

em produtividade e renda para o

associado”, destaca o engenheiro

agrônomo Odair Johans, da Coamo

em Goioerê. Ele lembra que o

foco foi intensificar o cultivo do milho

no verão. “Além de apresentar

materiais com potencial de produtividade,

enfocamos a importância

do cultivo de milho no verão. Mostramos

alguns com potencial de

plantio também no inverno, mas o

foco principal é o verão”, salienta.

A cultura do milho responde

ao investimento tecnológico

e, por isso, o produtor rural tem

que estar bem informado sobre

as novidades do mercado. A estação

também destacou fatores

ligados a questão da reciclagem

de nutrientes, manejo de pragas,

doenças e plantas daninhas, além

do enraizamento da cultura e retenção

de água no solo, entre outros.

“Deixamos claro que as áreas

rotacionadas proporcionam uma

melhor produtividade da oleaginosa”,

enfatiza Johans.

O agrônomo ainda lembra

que o milho não deixa de ser

importante quando cultivado no

período do inverno, na chamada

segunda safra. Contudo, reafirma

os benefícios diretos deixados

pela cultura no verão. “Para

o sistema ele contribuiu mais

quando cultivado no verão, por

conta do manejo aliado às outras

culturas”, finaliza.

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

Pragas e doenças emergentes no milho

Foram abordadas duas doenças

emergentes para a cultura: a estria

bacteriana e o enfezamento causado

pela cigarrinha-do-milho

Seja plantado no verão, em menor escala, ou na

segunda safra, com áreas mais significativas, o

milho representa uma boa fonte de renda e é

importante para o sistema produtivo dos associados

da Coamo. A sanidade das plantas é sempre uma

preocupação, seja dos agricultores, técnicos da cooperativa

ou da pesquisa, já que pode limitar a produtividade.

Neste ano, foram abordadas duas doenças

emergentes para a cultura: a estria bacteriana e

o enfezamento causado pela cigarrinha-do-milho.

“São duas doenças emergentes que neces-

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

SANIDADE DAS PLANTAS É SEMPRE UMA PREOCUPAÇÃO, SEJA DOS AGRICULTORES,

TÉCNICOS DA COOPERATIVA OU DA PESQUISA, JÁ QUE PODE LIMITAR A PRODUTIVIDADE

sitam de atenção e cuidados. Por

isso estamos nos antecipando e

mostrando que o problema existe

e que pode chegar à lavoura

dos nossos cooperados”, comenta

o engenheiro agrônomo José

Marcelo Fernandes Rúbio, da

Coamo em Mamborê (Centro-

-Oeste do Paraná).

Casos de enfezamento

causado pela cigarrinha foram

detectados em Sertanópolis e

Arapoti, no Paraná. “Mesmo sendo

isolados, merecem atenção já

que a região da Coamo é grande

produtora de milho”, observa Rúbio.

O enfezamento é transmitido

de uma planta de milho doente

para uma sadia pelas cigarrinhas.

Elas são pequenas, medem aproximadamente

quatro milímetros

de comprimento, e apresentam

coloração amarela-palha, com

duas manchas circulares negras

bem marcadas no alto da cabeça,

o que permite diferenciá-las

de outras cigarrinhas encontradas

no ambiente produtivo.

De acordo com o agrônomo,

os sintomas são visíveis já

que a doença atrapalha todo o

processo de desenvolvimento da

planta que não cresce, não forma

espiga e ainda faz com que

outras doenças oportunistas ataquem

a lavoura. “A cigarrinha só

se alimenta de milho e precisa

desta cultura para se reproduzir.

Ela tem uma tendência de sair da

planta mais velha e procurar uma

mais nova, e nesse processo de

migração, se estiver contaminada

com a doença, transmite para outras

plantas”, comenta Rúbio. Ele

acrescenta que uma ação preventiva

é eliminar as plantas tigueras,

que podem servir de hospedeira

durante a entressafra.

O engenheiro agrônomo

Rodolfo Bianco, pesquisador do

Instituto Agronômico do Paraná

(Iapar), destaca que a cigarrinha

se reproduz com mais facilidade

em regiões onde as lavouras são

cultivadas de forma mais escalonada

e lembra que ela precisa

do milho para se alimentar e vai

passando de uma planta mais ve-

Rodolfo Bianco, do Iapar

lha para mais nova. “Em regiões

em que se planta milho no verão

e na segunda safra para silagem

aumenta a chance de ter a cigarrinha.

Se ela estiver contaminada,

com certeza, passará a doença

de uma planta para outra. Costumamos

dizer que o enfezamento

é como se fosse uma dengue, já

que precisa de um transmissor

entre uma planta doente e uma

sadia. Neste caso a transmissão é

feita pela cigarrinha”, assinala, reforçando

a importância de se eliminar

as plantas de milho tiguera

como forma de não ter a doença

na entressafra.

Guilherme Teixeira da Silva, de Quinta do Sol, José Marcelo Fernandes Rúbio, de

Mamborê, Conrado Vitor Zanuto, de Ivailândia, e Bruno Lopes Paes, de Campo Mourão

Plantas com enfezamento causado pela cigarrinha-do-milho

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

Estria Bacteriana

A estria bacteriana do

milho é uma doença foliar de

ocorrência recente em algumas

regiões produtoras ao redor do

mundo e que tem despertado

preocupações para produtores

e técnicos envolvidos com a cultura.

No Brasil, os primeiros sintomas

característicos da doença

foram observados em lavouras

comerciais na região Oeste do

Paraná, em 2016, com rápido aumento

na safra de 2018.

Os engenheiros agrônomos

Rui Pereira Leite e Adriano

Augusto de Paiva Custódio, do

Instituto Agronômico do Paraná

(Iapar), participaram do encontro.

Eles são autores de uma publicação

do Iapar sobre a doença

e responsáveis pela descoberta

e identificação da estria bacteriana

no Paraná.

Rui Pereira Leite observa

que a estria bacteriana tem

causado grande preocupação

porque alguns híbridos de milho

se mostram altamente susceptíveis

à doença, chegando a uma

severidade de mais de 70% afetando

a parte aérea das folhas da

planta e levando a uma redução

de 50% na produtividade. “As

plantas que tinham potencial de

produzir de oito a dez mil quilos

por hectares, produziram 3.900.

É uma doença bastante severa e

que tem preocupado o setor técnico

e produtores”, assinala.

De acordo com o pesquisador,

a doença pode atacar o

milho tanto no verão como na segunda

safra, já que o clima quente

favorece o seu aparecimento.

Apresentação sobre como identificar a estria bacteriana nas lavouras de milho

Entre as medidas de prevenção

citadas pela pesquisa está o uso

de rotação de cultura, utilização

de sementes sadias, híbridos

mais resistentes e desinfestação

de equipamentos agrícolas. “São

medidas preventivas importantes,

já que ainda não temos nenhum

produto químico que possa

ser utilizado no controle da

estria bacteriana”, destaca Leite.

A doença se apresenta,

Adriano Augusto de Paiva Custódio, do Iapar

inicialmente, na forma de pequenas

pontuações nas folhas. Ao

evoluírem, os sintomas são caracterizados

por lesões alongadas e

estreitas circundadas por halo de

coloração amarelada e restritas às

regiões internervais. Além disso,

as bordas das lesões são onduladas,

sendo essa uma importante

característica para diferenciar a

estria bacteriana dos sintomas da

doença fúngica cercosporiose.

Rui Pereira Leite, do Iapar

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

Hormônio equilibrado,

produtividade potencializada

Alguns cuidados

potencializam a capacidade

produtiva de uma planta, e o

equilíbrio nutricional impacta

diretamente no resultado

Produzir mais em uma

mesma área está entre

os principais desafios do

agricultor para melhorar a rentabilidade.

Para isso, alguns

cuidados ao longo do ciclo de

desenvolvimento da planta são

decisivos para potencializar a

sua capacidade produtiva. Na

fase vegetativa, por exemplo, o

equilíbrio nutricional é uma importante

ferramenta que impacta

diretamente no resultado da co-

lheita. As vantagens da utilização

da tecnologia foram apresentadas

no encontro deste ano.

Na estação, técnicos da

Coamo e pesquisadores esclareceram

que as plantas são altamente

influenciadas por fatores externos

durante o período vegetativo.

Período que exige equilíbrio nutricional

e hormonal do vegetal

para que ela suporte os estresses

fisiológicos causados pelas adversidades

ambientais e consiga

promover, de forma efetiva, o

desenvolvimento dos grãos com

qualidade. “Temos constante aumento

de produtividade ao longo

dos anos. Isso se deve a um ajuste

fino, relacionado a macro e micronutrientes

e equilíbrio hormonal,

Tadeu Takeyoshi Inoue, da UEM

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

Marcelo Augusto Batista, da UEM

além, é claro, de outras técnicas de cultivo ligadas ao

manejo. O hormônio na dose certa proporciona mais

expressividade na parte aérea e radicular da planta

oferecendo condições para mais produtividade”,

comenta o engenheiro agrônomo José Petruisse, da

Coamo em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná).

Conforme o técnico, quando a planta está

mais equilibrada em relação as raízes, caule e parte

aérea, consequentemente, explora melhor o solo,

aproveitando a oferta de água e nutrientes. “Estamos

falando da adição de auxina, giberelina e citocinina.

Hormônios que favorecem o sistema radicular

e o crescimento da parte aérea, que capta mais

radiação solar transformando em fotoassimilados e

acumulando energia para realizar o enchimento de

grãos, proporcionado alta produtividade”, explica.

Para o pesquisador Marcelo Augusto Batista,

da Universidade Estadual de Maringá (UEM), especialista

em Nutrição de Plantas, é importante olhar para

vários fatores na produção e a questão hormonal precisa

ser levada em conta. “Nós precisamos de hormônios

e com a planta não é diferente. Quando isso está

bem equilibrado, a planta consegue expressar melhor

seu potencial produtivo, ou pelo menos, manter a produtividade.

Isso vai depender do ambiente em que está

sendo produzida, se numa condição de estresse ou de

clima equilibrado”, esclarece Batista.

O especialista lembra ainda que a adição

de hormônio não é essencial porque a planta, assim

como as pessoas, produz o elemento. No entanto, é

necessário administrar essa molécula, favorecendo o

equilíbrio fisiológico da cultura. “É o que fazemos com

o ser humano. Em algum momento interagimos para

que ele tenha um desempenho melhor, não sofra nenhuma

mazela. Com a planta não é diferente”, afirma.

Professor e pesquisador da UEM, da área

de Nutrição de Plantas, Tadeu Takeyoshi Inoue, diz

que quem faz todo o comando para utilização das

condições do ambiente, reguladas por água e luz

solar são os hormônios. “A planta possui hormônios

promotores e inibidores, regulados geneticamente

por cada material que respondem às alterações climáticas.

O que fazemos é equilibrar toda esta genética

de acordo com o ambiente em que a planta

se desenvolve”, destaca Inoue. Ele garante que em

período de curto estresse é possível fazer com que a

planta mantenha uma atividade metabólica de crescimento

alta. “O objetivo de tudo é fazer com que

a planta suporte melhor as variações de clima, para

ter um melhor desempenho em produtividade. Mas,

tudo deve ser feito com critério e acompanhamento

técnico”, orienta.

Marcus Vinicius Goda Gimenes, de Campo Mourão, José Petruise Ferreira

Junior, de Campo Mourão, Diego Monteiro, de Mamborê, e Thiago Sandoli Dias,

de Cândido de Abreu

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

Luta constante contra a ferrugem em soja

Alerta é para que os cooperados utilizem a associação de fungicidas multissítios

no manejo de ferrugem como forma de prolongar a ferramenta contra a doença

A

ferrugem asiática é a principal doença da

soja e se não controlada de forma eficiente

pode causar danos representativos na produtividade

e, consequentemente, queda na renda

dos agricultores. A doença foi identificada pela primeira

vez no Brasil na safra 2001/02, e a partir de

então é monitorada e pesquisada por vários centros

públicos e privados. Segundo o Consórcio Antiferrugem,

essa doença, considerada a principal na

cultura da soja, possui um custo médio de US$ 2,8

bilhões por safra no Brasil.

As estratégias de manejo da doença são o

vazio sanitário, utilização de cultivares precoces, semeadura

no início da época recomendada, uso de

cultivares geneticamente resistente/tolerante e a aplicação

de fungicidas. Esta última ação foi tema de uma

estação que abordou a associação de fungicidas multissítios

no manejo de ferrugem em soja. Os fungicidas

são classificados em sítio-específico ou multissítio. Os

sítio-específicos são ativos contra um único ponto da

Everton Paulo Bosquese, de Engenheiro Beltrão, Daniel Scremin Carneiro, de

Peabiru, Alessandro Vitor Zancanella, de Luiziana, e Diogo Alves, de Altamira

do Paraná

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Março/2019


ENCONTRO DE VERÃO 2019

BIBIANA SPAUTZ DA COSTA

Abelardo Luz (Oeste de Santa Catarina)


Sempre participo dos eventos promovidos

pela Coamo para ficar bem informada. A agricultura

muda a cada ano e temos que acompanhar

as mudanças, planejando cada safra e

buscando melhorar sempre.

PAULO SÉRGIO AVANÇO

Peabiru (Centro-Oeste do Paraná)

Um evento com tanta novidade só poderia ter

sido realizado pela Coamo. Sabemos da importância

de sempre investir e acompanhar as tecnologias.

Sempre aprendemos algo de novo nos

“eventos promovidos pela nossa cooperativa.

via metabólica de um patógeno

ou contra uma única enzima ou

proteína necessária para o fungo.

Já os multissítios afetam diferentes

pontos metabólicos do fungo

e apresentam baixo risco de resistência,

tendo um papel importante

no manejo antirresistência.

De acordo com engenheiro

agrônomo Alessandro

Vitor Zancanela, da Coamo em

Luiziana (Centro-Oeste do Paraná),

o alerta é para que os cooperados

utilizem a associação de

fungicidas multissítio no manejo

de ferrugem como forma de prolongar

a longevidade dos produtos

que dispomos até o momento,

já que não há previsão de

lançamento de novos produtos

com novos mecanismos de ação

a curto prazo. “Quando surgiu

a doença, o controle era apenas

com triazol, que se aplicado

isoladamente hoje, já não tem o

mesmo efeito. Outros produtos

como as estrobilurinas e carboxamidas

também já contam com

algum nível de perda de sensibi-

lidade. Portanto, é importante o

uso de fungicida multissítio que

atua em pelo menos seis sítios de

ação no fungo e tem baixo risco

de resistência”, diz.

A estação contou com

a presença dos pesquisadores

da Embrapa/Soja, Rafael Moreira

Soares, Mauricio Meyer e Claudia

Vieira Godoy. “É uma doença que

causa preocupação e que se não

manejada de forma eficiente pode

causar grandes prejuízos. O manejo

não se resume apenas a aplicação

de fungicidas, mas a uma série

de ações que vão desde questões

legislativas, como o cumprimento

do vazio sanitário, até a escolha de

cultivares mais resistentes à doença”,

comenta Soares.

De acordo com ele,

ações isoladas podem não ser

eficientes e ainda aumentar a resistência

da doença. “O controle

químico é um importante manejo.

A questão é que os produtos

que temos no mercado já não

são eficientes quando usados sozinhos.

É preciso uma combinação

daqueles considerados sítio-

-específicos com os multissítios.

A ferrugem asiática é uma doença

agressiva e deve ser encarada

com muita seriedade por parte

dos agricultores”, diz Soares.

Ele recorda que nesta safra

a doença não atacou de forma

mais severa, já que o clima foi seco.

“É bom lembrar que o primeiro

caso no Paraná foi registrado em

outubro e se o clima tivesse sido

chuvoso, como esperávamos que

fosse, a doença poderia ter causado

grandes prejuízos. Só lembrando

que um ano de clima bom para

a soja também é bom para a doença”,

ressalta o pesquisador.

Soares cita ainda que

todo o controle químico deve ser

preventivo levando em consideração

o clima e a incidência da

doença na região que a lavoura

está inserida. “Também não existe

uma receita exata para as aplicações.

O agricultor deve monitorar

para decidir se antecipa a

aplicação ou corrige o intervalo

entre uma e outra”, assinala.

Rafael Moreira Soares Claudia Vieira Godoy

Mauricio Meyer

Março/2019 REVISTA 27


ENCONTRO DE VERÃO 2019

Mais longevidade para os Bt's

Novas biotecnologias

surgiram para aumentar

a produtividade e a

eficiência no campo.

Contudo, é preciso seguir

as recomendações técnicas

e fazer o manejo adequado

para não perder a tecnologia

Há alguns anos, a biotecnologia

se tornou uma

importante ferramenta

para a produção agrícola. Novas

tecnologias, como as Bt's

em milho e soja, surgiram com o

objetivo de aumentar a produtividade

e a eficiência no campo,

reduzir riscos, produzir alimentos

mais nutritivos e melhorar a

qualidade do produto. Além de

reduzir a aplicação de defensivos

proporcionando mais rentabilidade,

comodidade e qualidade

de vida ao agricultor. Contudo,

se as recomendações técnicas e

o manejo adequado não forem

realizados de forma eficaz, a tecnologia

poderá perder a eficiência

ao longo dos anos.

O engenheiro agrônomo

Diego Ferreira de Castro,

de Mamborê (Centro-Oeste do

Paraná), explica que a biotecnologia

no Brasil existe há cerca de

dez anos. Mas, em outros países

já é utilizada há mais tempo, há

cerca de 20 anos. Mesmo sendo

relativamente nova, segundo o

agrônomo, as primeiras tecnologias

lançadas já não dispõem da

mesma eficiência e necessitam

de um acompanhado mais rigoroso.

“Notamos que a cada ano

a eficiência das biotecnologias,

no milho principalmente, está diminuindo.

Observamos também

um problema crescente na soja

com algumas lagartas que atacavam

o milho migrando para a

soja. Alertamos os cooperados

sobre a importância do monito-

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Março/2019


ENCONTRO DE VERÃO 2019

Getulio Adriano Filho, de Juranda, Antonio Carlos de Oliveira, de São João

do Ivaí, Diego Ferreira de Castro, de Mamborê, Roberto Shigueo Takeda, de

Moreira Sales, e Ulysses Marcellos Rocha Neto, de Janiópolis

Pesquisadores da Embrapa/Soja Adenei de Freitas Bueno e Daniel Ricardo Sosa Gomez

ramento e, principalmente, de fazer

o refúgio para não ter o mesmo

problema do milho Bt com a

soja intacta.”

Castro ressalta que as

medidas devem começar ainda

no planejamento da safra, com o

cooperado fazendo o refúgio em

100% da área, sendo 20% para a

soja e 10% para o milho. “Isso faz

com que a tecnologia Bt se prolongue,

pois teremos indivíduos

resistentes cruzando com suscetíveis

que seriam criados nessa

área de refúgio. Como já estamos

perdendo essa tecnologia, o ideal

é que os agricultores façam o monitoramento

e o controle químico

das lagartas.”

Presentes na estação,

os pesquisadores da Embrapa/

Soja, Adenei de Freitas Bueno

e Daniel Ricardo Sosa Gomez,

ressaltam a importância do bom

manejo para não perder a eficiência

do Bt em um curto espaço

de tempo. “Quanto melhor

utilizar a tecnologia, mais tempo

a teremos do nosso lado. Para

evitar ou retardar a evolução de

insetos resistentes na tecnologia

Bt, a ferramenta mais importante

é refúgio. No milho houve

resistência muito rápida, devido

ao mau uso e a necessidade de

fazer duas ou até cinco aplicações

para controlar uma lagarta

que deveria ser evitada pela tecnologia.

Com a soja, está acontecendo

o mesmo: a má utilização

está prejudicando”, pondera

Adenei Bueno.

Menos água pelo ralo,

maior concentração no solo

Estação apresentou fatores que estão ligados a taxa de absorção de água

pelo solo e, consequentemente, a disponibilidade dessa umidade para a planta

Victor Hugo Matias de Moura, de São João do Ivaí, Jean Roger da Silva Frez, de

Paulistânia, Roberto Bueno Silva, de Campo Mourão, Fabrício Bueno Corrêa, de

Campo Mourão, e Marcelo Santana, de Rancho Alegre do Oeste

Mostrar ao produtor a importância do aspecto

físico do solo, esclarecendo de que

forma essas condições influenciam diretamente

nas produtividades que podem ser alcançadas.

Com este objetivo, uma das dez estações

montadas no encontro, apresentou fatores que estão

ligados a taxa de infiltração de água pelo solo e,

consequentemente, a disponibilidade para a planta.

“Mostramos de forma bem prática, consistente

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ENCONTRO DE VERÃO 2019

EXPERIMENTO COMPROVOU QUE O MAIS IMPORTANTE É QUANTO O SISTEMA

CONSEGUE SEGURAR A ÁGUA DA CHUVA E NÃO O VOLUME RECEBIDO PELA ÁREA

e dinâmica, como o cultivo que

o cooperado adota influencia

diretamente nesta taxa de infiltração.

Dependendo do sistema

pode ser mais ou menos eficiente

em absorver a água da chuva e

deixá-la disponível para a planta”,

explica o engenheiro agrônomo

Fabrício Bueno Corrêa, da Coamo

em Campo Mourão (Centro-

-Oeste do Paraná).

Corrêa explica que na

estação foi montado um simulador

de chuvas em dois sistemas

diferentes de cultivo. No primeiro

uma sucessão de culturas de

mais de 30 anos onde é plantado

somente trigo no inverno e

soja no verão, comparando com

um segundo onde é realizado

rotação de culturas e diversificação,

também há mais de 30

anos. “Além disso, simulamos

um plantio morro abaixo e outro

em nível no terreno, mostrando

o quanto essa prática influencia

numa possível perda de água,

solo, nutrientes e outros fatores.

É uma forma de mostrar como é

fundamental ter práticas conservacionistas

que contribuem para

o resultado final da produção”,

esclarece.

Conforme o agrônomo o

experimento comprovou que o

mais importante é quando o sistema

consegue segurar a água

da chuva e não o volume recebido

pela área. “Temos muitos

exemplos que mostram que dependendo

do sistema a taxa de

infiltração é baixíssima, e em outros

essa infiltração é maior por

conta do correto manejo adotado”,

declara.

Insumo precioso

Parceiro no desenvolvimento

e montagem da estação,

o pesquisador Henrique Debiasi,

da área de Manejo de Solos da

Embrapa Soja, acompanhou de

perto toda a execução do expe-

30 REVISTA

Março/2019


ENCONTRO DE VERÃO 2019

Pesquisadores Henrique Debiasi, Osmar Conte e Donizete Aparecido Lone, da Embrapa Soja

Júlio Cesar Franchinni dos Santos

rimento. Ele crava que a água da chuva é

de valor incalculável, e o produtor precisa

encará-la como insumo precioso, sendo

necessário buscar alternativas para

retê-la no solo da melhor forma possível.

“Existem várias alternativas para um melhor

aproveitamento da água da chuva e

a principal delas é aumentar a taxa de infiltração

no solo. Isso é possível mediante

práticas de manejo conhecidas pelos

produtores, mas que ficam em desuso

por questões econômicas de curto prazo

e até de agilidade operacional. Em

primeiro lugar é importante melhorar a

estrutura e cobertura do solo colocando

raiz no sistema, que vão crescer gerando

poros e aumentar a taxa de água que infiltra

no solo”, observa o pesquisador.

Ele ressalta que a cobertura depende

também da sequência de plantas

presentes na área. “É necessário ter um

sistema mais diversificado de produção,

saindo deste predomínio de milho e soja

nas regiões quentes, e trigo e soja nas

regiões frias. São combinações que não

produzem palhada suficiente para auxiliar

na retenção da água da chuva”, alerta.

De acordo com Debiasi, o ideal é

inserir no sistema, alternado com culturas

comerciais, plantas que vão equilibrar o

sistema. Ele sugere aveia, nabo forrageiro,

milheto, brachiárias e crotalárias, que

possuem raízes mais profundas do que

soja, milho e trigo. “São espécies que vão

ocupar em torno de ¼ da área em cada

safra e contribuirão muito para o sistema”,

finaliza.

As apresentações também contaram

com a presença dos pesquisadores

da Embrapa Soja, Júlio Cesar Franchinni

dos Santos, Donizete Aparecido Loni e

Osmar Conte.

IONE TURKEWICZ MIERS

Goioerê (Centro-Oeste do Paraná)

RODRIGO ANDRADE FERREIRA

Dourados (Sudoeste do Mato Grosso do Sul)


É um evento impecável, a começar pela organização.

Sinto orgulho em fazer parte da Coamo

e saber da preocupação da cooperativa com os

associados. Fico encantada com as apresentações,

anoto tudo e tiro todas as dúvidas.

Foi muito bom participar do encontro, um dia

de aprendizado. Com certeza, vou colocar em

prática algumas tecnologias adquiridas aqui.

Volto para casa já com um planejamento para

“as próximas safras.

Março/2019 REVISTA 31


ENCONTRO DE VERÃO 2019

Leque de controle para pragas e invasoras

Intacta 2 Xtende é classificada como

biotecnologia de última geração

e possui genética avançada e alta

eficiência contra lagartas

Uma das novidades deste ano foi a apresentação

da plataforma tecnológica Soja Intacta

2 Xtend, lançada pela parceira Bayer e que

chegará ao mercado a partir de 2021. Conforme o

engenheiro agrônomo Carlos Vinicius Precinotto, da

Coamo em Juranda (Centro-Oeste do Paraná), a tecnologia

traz um incremento de novas ferramentas

que auxiliam no controle de pragas e plantas dani-

32 REVISTA

Março/2019


ENCONTRO DE VERÃO 2019

Hugo Lorran de Rocha, de Mariluz, Lucas Gouvea Esperandino, de Campo

Mourão, e Carlos Vinicius Precinotto, de Juranda

nhas na cultura da soja, com aumento do espectro

no controle de lagartas, agregando mais eficiência

para proteção de Spodoptera cosmioides e Helicoverpa.

“De fato oferece também um amplo controle

de plantas daninhas, já que é tolerante ao glifosato e

ao herbicida hormonal Dicamba, do grupo químico

das auxinas”, esclarece.

De acordo com o técnico, a Intacta 2

Xtend é classificada como biotecnologia de última

geração, possui genética avançada e alta eficiência

contra lagartas. “É uma tecnologia que

promete, também, alta eficiência no controle de

buva, caruru resistentes e com efeito de solo”,

afirma o agrônomo, alertando para o manejo da

tecnologia. “Já temos produto registrado para

aplicação em dessecação. Porém, é importante

observar que não podemos usar de qualquer forma

por conta das cultivares sensíveis. É preciso

ter cuidado com a deriva, volatilização, escolha

de bico e vazão. Esses são os principais pilares

que devem ser observados.”

Ainda sem dados concretos, a obtentora

acredita em um incremento de produtividade da

tecnologia em torno de 10%, segundo Precinotto.

“Não sabemos ainda de quanto será este aumento

de produtividade, mas fala-se em 10%. Também não

há informações do valor dos royalties que será cobrado

pela obtenção da tecnologia”, relata.

Lavoura no limpo com pré-emergentes

Foram apresentados dados sobre eficiência da tecnologia, que auxilia na contenção

do banco de sementes de ervas daninhas, contribuindo com o controle pós-emergente

Assunto sempre atual, a contenção de plantas

daninhas tem atenção especial nos eventos

técnicos da Coamo e é tema presente no Encontro

da Fazenda Experimental. A utilização e manejo

de herbicidas pré-emergentes foram o foco de

uma das estações, onde foram apresentados dados

sobre eficiência do controle da tecnologia, que auxilia

na contenção do banco de sementes de ervas daninhas,

contribuindo com o controle pós-emergente.

“Este manejo tem efeito direto na semente e segura

este fluxo, impedindo a emergência da invasora. Os

pós-emergentes entregam ao manejo pós-emergente

uma condição mais fácil de controle posterior, com

menos plantas e porte menor”, explica o engenheiro

agrônomo Juliano Seganfredo, da Coamo em Campo

Mourão (Centro-Oeste do Paraná).

Marcelo Balão da Silva, de Candói, Sandro Rodrigo Klein, de Roncador, Juliano

Seganfredo, de Campo Mourão, João Rafael Bauermeister, de Barbosa Ferraz, e

Sebastiao Francisco Ribas Martins Neto, de Goioxim

Ao efetuar o manejo, o produtor oferece condições

da cultura se estabelecer numa condição de área

limpa e continuar em ambiente controlado. “É o que

chamamos de eliminar a mato-competição. A emergên-

Março/2019 REVISTA 33


ENCONTRO DE VERÃO 2019

AO EFETUAR O MANEJO, O PRODUTOR OFERECE CONDIÇÕES DA CULTURA NASCER

NUMA CONDIÇÃO DE ÁREA LIMPA E CONTINUAR EM AMBIENTE CONTROLADO

cia é um período crítico que a cultura

não pode ter competição com

plantas daninhas. Se isso acontecer,

ela estará perdendo produção

sem condições de recuperação lá

na frente”, observa o agrônomo. Ele

esclarece que além da utilização

do manejo químico, o experimento

demonstrou outras alternativas de

controle. “Mostramos um pacote

de manejo, com o químico sendo a

última opção, que serve como auxílio

para o sistema”, afirma.

Ainda conforme o técnico

da Coamo, dependendo da intensidade

de concorrência da planta

daninha com a cultura, o prejuízo

pode chegar a mais de 50% da

perda de produtividade. “É como

jogar dinheiro fora. Da mesma forma

se não haver um controle eficiente

do banco de sementes, ano

a ano aumentará essa condição

desfavorável na lavoura”, alerta Seganfredo.

Conforme o pesquisador

Fernando Adegas, da Embrapa

Soja, quando se fala em manejo

com produtos químicos é importante

voltar a pensar na utilização

dos pré-emergentes, que já foram

muito utilizados no passado. “Esses

produtos estão retornando

para fazer uma recomposição com

os pós-emergentes visando uma

eficiência a mais contra as plantas

daninhas”, lembra.

Segundo ele, o tema é

atual e a tecnologia é importante.

Mas, alerta para a escolha dos produtos.

“É fundamental optar por

um bom pré-emergente que, prin-

Fernando Adegas, Embrapa Soja

cipalmente, controle folha larga e

folha estreita por um período que

possa depois fazer o controle com

pós-emergente. Os resultados são

interessantes e a tecnologia pode

ser utilizada em várias condições

de solo e clima”, conclui.

34 REVISTA

Março/2019


ENCONTRO DE VERÃO 2019

ENTENDA O QUE SÃO

HERBICIDAS PRÉ-EMERGENTES

Herbicidas pré-emergentes ou residuais são produtos aplicados

no solo antes da emergência das plantas daninhas

alvo. Estes devem persistir por tempo e concentração suficientes

na camada superficial do solo, onde se localizam

o maior percentual de sementes de plantas daninhas que

germinarão na sequência.

ANNA LOURENÇO DE GODOY DE PINTO

Tupãssi (Oeste do Paraná)


Tenho 82 anos e vim com os meus filhos participar

do encontro. Sempre ouvia eles falando

de como era, mas vendo pessoalmente é bem

mais bonito, tudo muito bem organizado. Valeu

a pena todo o esforço para estar aqui hoje.

SILVANO KOENIG E FAMÍLIA

Boa Ventura de São Roque (Centro do Paraná)

Trabalhamos em família e participamos juntos dos

encontros. Estamos aqui pela primeira vez, e voltamos

para casa satisfeitos com o que vimos. Minha

filha era a mais ansiosa, mesmo tendo que acordar

de madrugada não perdeu a animação.

Exposição dos Alimentos Coamo

No Encontro de Verão esteve exposta toda a linha de

Alimentos Coamo. Afinal de contas é do campo dos

cooperados que vem a matéria-prima para produzir

alimentos com as marcas Coamo, Primê, Anniela e

Sollus. São alimentos de origem, qualidade e sabor

que compõem um amplo portfólio composto por

margarinas, cafés, gorduras vegetais hidrogenadas,

óleo de soja refinado, farinhas de trigo especiais e

misturas para pães e bolos.

Durante os intervalos, cooperados visitaram e conheceram as novidades em

insumos, maquinários e implementos agrícolas de empresas parceiras da Coamo

Março/2019 REVISTA 35


Credicoamo tem sobras

líquidas de R$ 98,68 milhões

Números foram apresentados e aprovados durante Assembleia Geral Ordinária.

Cooperativa de crédito vem crescendo a cada ano, fruto da participação dos associados

36 REVISTA

Março/2019


CREDICOAMO

ATIVOS

em bilhões de reais

SOBRAS LÍQUIDAS

em milhões de reais

Os associados da Credicoamo

Crédito Rural

Cooperativa aprovaram

no dia 28 de fevereiro, em

Assembleia Geral Ordinária, a

prestação de contas e a distribuição

de sobras do exercício

de 2018. A Credicoamo registrou

ativos de R$ 2,39 bilhões,

com crescimento de 9,55%, e

um patrimônio líquido de R$

631,19 milhões, com crescimento

de 15,72%. Na demonstração

do resultado do exercício

apresentou receita global de

R$ 207,91 milhões e sobras no

valor de R$ 98,68 milhões, com

crescimento de 18,45% em relação

ao ano de 2017.

“Em 2018, a Credicoamo

registrou novamente excelentes resultados,

que foram possíveis pela

efetiva participação dos associados

no dia a dia da cooperativa. Os resultados

foram positivos, também,

pelo profissionalismo e dedicação

dos funcionários”, comenta o

diretor-presidente da Credicoamo,

José Aroldo Gallassini.

O grau de solvência ou

índice de Basiléia de 44,15%, que

é a relação do patrimônio líquido

com os ativos ponderados pelo

risco, é bem superior ao índice

mínimo de 15%, determinado

pelo Conselho Monetário Nacional,

em conformidade com o Comitê

da Basiléia, superando em

29.15 pontos e demonstra a solidez

da Credicoamo.

A cooperativa encerrou o

ano com 19.381 associados, com

crescimento de 4,27% em relação

a 2017. Eles são atendidos nas

46 agências localizadas no Paraná,

Santa Catarina e Mato Grosso

do Sul. A Credicoamo encerrou o

ano com 272 funcionários. Os tributos

e taxas recolhidos durante

o exercício de 2018 foram na ordem

de R$ 32,26 milhões.

Março/2019 REVISTA 37


CREDICOAMO

Carmem Truite, gerente adjunta de Operações de Produtores Rurais e Convênios do BRDE

“Cooperativismo não é só

uma opção, é um modo de vida.”

A gerente adjunta de Operações de Produtores

Rurais e Convênios do Banco Regional de Desenvolvimento

do Extremo Sul (BRDE), Carmem Truite, faz

questão de marcar presença nas assembleias da Credicoamo.

“É uma honra participar das assembleias e

ver o crescimento da Credicoamo, que tem um papel

muito relevante para seus mais de 19 mil associados.

Eles conseguem ter o atendimento de suas necessidades

de forma séria, objetiva, sem exploração e, principalmente,

com a participação nos resultados.”

Ela ressalta que o cooperado precisa de fato

ser participativo na cooperativa. “Não adianta o cooperado

ficar olhando produto a produto. É, sem dúvidas,

muito melhor que o cooperado realize todas as operações

na Credicoamo, porque o resultado fica aqui e

volta para ele. Se não houver comprometimento, em

todos os produtos, o crescimento será menor e as conquistas

também. Cooperativismo não é só uma opção,

é um modo de vida. Quando orientamos e ensinamos

os filhos a trabalharem em cooperação, estamos formando

seu caráter e contribuindo para uma sociedade

mais justa.”

Robson Mafioletti, superintendente do Sistema Ocepar

"Bons resultados são motivos de

orgulho para o sistema cooperativista."

O superintendente do Sistema Ocepar, Robson

Mafioletti, mais uma vez participou da Assembleia

da Credicoamo. Ele destaca que os bons resultados

da cooperativa de crédito dos associados

da Coamo são motivos de orgulho para o sistema

cooperativista. “É muito gratificante ver o crescimento

e a transparência com que a diretoria apresenta

os resultados. Com isso, a cooperativa cresce e os

cooperados também, pois têm acesso a todos os

benefícios proporcionados”, assinala.

Na opinião dele, o desenvolvimento do Brasil

de forma mais equilibrada e sustentável vem por

meio das cooperativas, e as de crédito tem um papel

fundamental já que prestam um serviço mais especializado

para os cooperados. “Queremos que os associados

acreditem, cada vez mais, nas cooperativas

que trazem mais desenvolvimento para as regiões

que estão inseridas. A Credicoamo é um bom exemplo,

pois oferece uma gama de serviços com solidez

e segurança”, pondera Mafioletti.

CONSELHO FISCAL GESTÃO 2019

Ricieri Zanatta Neto, Adriano Bartchechen e Luiz Anselmo Janguas (Membros

Efetivos). João Batista dos Santos Cabral, Wagner Presença e Marcos dos Santos

Paes (Membros Suplentes)

Robson Mafioletti, superintendente do Sistema Ocepar, recebeu o livro com a

biografia de José Aroldo Gallassini, lançado durante a Assembleia da Credicoamo

38 REVISTA

Março/2019


CREDICOAMO

MARCOS BIFF JUST

Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná)


O resultado e as sobras são fruto de uma administração

correta e transparente. Faz diferença

ser cooperado da Credicoamo. A gente vê o

empenho em sempre inovar e proporcionar

comodidade para nós cooperados.

AGOSTINHO MEOTTI

São Domingos (Oeste de Santa Catarina)

Acompanhar um resultado tão expressivo e ser coroado

com as sobras é muito gratificante. Vemos

a Credicoamo ampliando e melhorando o atendimento.

Faço parte dessa cooperativa há muitos

“anos. A segurança e solidez são diferenciais.

Remuneração de

110% do CDI

O valor das sobras distribuídas pela Credicoamo

na proporção da movimentação de recursos disponíveis

em contas correntes e aplicações financeiras dos

associados, proporcionaram um rendimento, equivalente

a 110% do CDI, superior à remuneração média do

mercado, conforme quadro demonstrativo ao lado.

Na Credicoamo, as taxas de juros dos empréstimos

e financiamentos com recursos livres são abaixo das taxas

médias praticadas no mercado financeiro. Além disso, os

associados não pagam tarifa de pacote de serviços mensais.

Considerando as taxas médias de juros do ano

2018, divulgadas pelo Banco Central do Brasil, a Credicoamo

gerou um benefício direto e expressivo para os

associados que contrataram empréstimos com recursos

livres ou utilizaram-se do limite do cheque especial, representando

uma economia de R$ 92,65 milhões.

MODALIDADE DETALHE SOBRAS

CONTAS

CORRENTES

APLICAÇÕES

FINANCEIRAS

Modalidade

Cheque

Especial

Empréstimos

TOTAL

Sem remuneração no

mercado financeiro

Remuneração de 88

a 94% do CDI no

mercado financeiro

Valor médio

emprestado/mês

R$ 7,79

milhões

R$ 148,35

milhões

R$ 156,14

milhões

Taxa

Credicoamo

4,85%

a.m.

2,01%

a.m.

2,15%

a.m.

R$ 7,23

milhões

R$ 6,65

milhões

As Sobras no gráfico referem-se a diferença entre

o que o mercado financeiro não remunerou e os

valores pagos aos associados pela Credicoamo.

Taxa Economia

Mercado (Sobra)

12,51%

a.m.

6,81%

a.m.

7,10%

a.m.

R$ 7,16

milhões

R$ 85,49

milhões

R$92,65

milhões

Março/2019 REVISTA 39


CREDICOAMO

Indenizações do Proagro e Seguro Agrícola

Nas lavouras colhidas no

ano de 2018, ocorreram 1.929

acionamentos de sinistros: 62

de soja e quatro de milho safra

2017/2018; 1.081 de milho segunda

safra e 782 de trigo. Foram

indenizados recursos de R$ 36 milhões.

Em relação à safra de verão

2018/2019, até o momento ocorreram

1.712 acionamentos, sendo:

135 acionamentos de Proago

e 1.577 de seguro agrícola.

R$ 1,46 bilhão em

operações de crédito

Em 2018 foram contratadas

15.157 operações de crédito e

aplicados recursos na ordem de

R$ 1,46 bilhão, sendo:

Novas modalidades de financiamento

Crédito Fundiário: linha exclusiva da Credicoamo, com recursos destinados

à aquisição de propriedade rural: o valor do empréstimo é de até

40% do valor da aquisição, limitado a R$ 3.000.000,00 e o pagamento

parcelado em até três anos.

Credi-Energia Solar: com recursos destinados à aquisição de sistema

gerador de energia fotovoltaico, instalado em áreas rurais ou urbanas,

para uso residencial, comercial ou industrial. O valor do empréstimo é

de até 100% do orçamento e o pagamento parcelado em até cinco anos.

Credi Insumos Coamo: por meio de termo de cooperação técnica, com

recursos destinados ao financiamento dos insumos adquiridos na Coamo.

Em 2018 a Credicoamo ocupou a 17ª posição entre as instituições

aplicadoras de crédito rural (custeio, investimento e estocagem), conforme

dados do Banco Central do Brasil, sendo que no custeio agrícola

ocupou a 10ª posição.

Custeio Agrícola: 7.824

operações no valor de

R$ 1,02 bilhão;

Investimentos Agrícolas:

588 operações no

valor de R$ 90,85 milhões,

com recursos do

BNDES e do FCO, destinados

principalmente à

aquisição de máquinas

e implementos agrícolas

e correção de solos;

Outras linhas de empréstimos

e financiamentos:

6.745 operações

com recursos

próprios no valor de

R$ 348,74 milhões.

40 REVISTA

Março/2019


CREDICOAMO

Destaca-se também

o expressivo volume

de seguro agrícola

contratado em 2018,

com importância segurada

de R$ 1,07

bilhão, para uma área

de 407.852 hectares

e 5.245 apólices.

Novas Agências

Foram instaladas as agências

em Itaporã e Sidrolândia,

no Mato Grosso do Sul, e as

agências de Brasilândia do

Sul, Cândido de Abreu e de

Dez de Maio, no Paraná.

Novo site e internet banking

Em 2018 foi lançado o novo site Credicoamo. Com um visual moderno

e que disponibiliza várias informações como por exemplo, produtos

e serviços, canais de atendimento, e informações institucionais.

Outro marco histórico foi o lançamento do serviço de atendimento

por Internet Banking, que agrega modernidade e comodidade para os

milhares de associados da Credicoamo que podem realizar consultas e

transações financeiras de um jeito simples, prático e seguro. Os associados

podem acessar suas contas correntes por meio do aplicativo baixado no celular

ou direto no site Credicoamo no computador pessoal. O atendimento

pelo canal digital já responde por mais de 50% das consultas e transações.

Itaporã

Sidrolândia

SÍLVIO DA SILVA ARAÚJO

Dourados (Sudoeste do Mato Grosso do Sul)


Vejo um comprometimento e preocupação da

diretoria e funcionários com nós cooperados.

Os números apresentados na Assembleia impressionam

e mostram a solidez e segurança

proporcionada pela Credicoamo.

VERONICA DAUTERMANN STOTZER

Guarapuava (Centro-Sul do Paraná)

A Credicoamo vem crescendo a cada ano. Isso

é fruto da boa administração e segurança.

Encontramos tudo que precisamos, com mais

vantagens do que em outras instituições e ain-

“da temos um bom montante em sobras.

Março/2019 REVISTA 41


CREDICOAMO - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 2018

BALANÇO PATRIMONIAL EM 31 DE DEZEMBRO DE 2018 E 2017

(Valores em R$ 1)

A T I V O

NOTA .....................2018 ...........2017

ATIVO CIRCULANTE 1.755.025.884 1.776.691.431

DISPONIBILIDADES 04 10.662.648 13.684.606

Caixa 3.168.485 1.929.215

Depósitos Bancários 232.506 202.219

Cotas de Fundos de Investimento 7.261.657 11.553.172

APLICAÇÕES INTERFINANCEIRAS DE LIQUIDEZ 04 586.805.989 529.727.844

Aplicações em Operações Compromissadas 509.789.352 496.616.157

Aplicações em Depósitos Interfinanceiros 77.016.637 33.111.687

TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS 120.482.877 216.467.054

Títulos de Renda Fixa 120.482.877 216.467.054

RELAÇÕES INTERFINANCEIRAS 05 147.909 194.957

Direitos Junto a Participantes do Sistema de Liquidação 147.909 194.957

OPERAÇÕES DE CRÉDITO 06 1.035.256.114 1.015.293.571

Empréstimos e Títulos Descontados 160.304.724 232.723.780

Financiamentos 15.479.152 14.888.197

Financiamentos Rurais - Aplicação Recursos Livres 61.610.936 31.080.221

Financiamentos Rurais - Aplicação Recursos de Repasses 831.314.508 801.081.061

( - ) Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (33.453.206) (64.479.688)

OUTROS CRÉDITOS 07 1.655.779 1.310.852

Créditos Avais e Fianças Honrados 1.244.346 -

Rendas a Receber 775.093 781.949

Devedores Diversos - País 895.363 531.340

( - ) Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (1.259.023) (2.437)

OUTROS VALORES E BENS 14.568 12.547

Despesas Antecipadas 14.568 12.547

ATIVO NÃO CIRCULANTE 633.104.398 403.218.262

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 08 631.483.132 401.594.389

Títulos de Renda Fixa 561.517.904 267.806.426

Aplicações em Depósitos Interfinanceiros - 72.355.332

Empréstimos e Títulos Descontados 23.270.512 7.267.910

Financiamentos 35.218.382 35.860.602

Financiamentos Rurais - Aplicação Recursos Livres 484.019 251.964

Financiamentos Rurais - Aplicação Recursos de Repasses 9.656.565 17.889.513

Outros Créditos 07 1.335.750 162.642

IMOBILIZADO 09 614.126 641.577

Imobilizado de Uso 614.126 641.577

INTANGÍVEL 09 1.007.140 982.296

Outros Ativos Intangíveis 1.007.140 982.296

TOTAL DO ATIVO 2.388.130.282 2.179.909.693

42 REVISTA Março/2019


CREDICOAMO - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 2018

PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO

(Valores em R$ 1)

Nota 2018 2017

PASSIVO CIRCULANTE 1.744.004.931 1.612.855.797

DEPÓSITOS 10 1.582.828.984 955.795.060

Depósitos à Vista 75.969.490 49.402.242

Depósitos a Prazo 742.489.316 224.322.780

Depósitos Interfinanceiros 764.370.178 682.070.038

RELAÇÕES INTERFINANCEIRAS/INTERDEPENDÊNCIAS 1.262.948 481.899

Recursos em Trânsito de Terceiros 1.262.860 408.679

Obrigações Junto a Participantes do Sistema de Liquidação 88 73.220

OBRIGAÇÕES POR EMPRÉSTIMOS E REPASSES 4.622.048 545.473.426

Repasses no País 11 4.622.048 545.473.426

OUTRAS OBRIGAÇÕES 12 155.290.951 111.105.412

Sociais e Estatutárias 80.839.580 65.958.577

Fiscais e Previdenciárias 1.984.962 1.670.236

Provisão de Pagamentos a Efetuar 64.152.778 34.236.946

Provisão Para Passivos Contingentes 7.028.044 8.533.089

Credores Diversos - País 1.285.587 706.564

PASSIVO NÃO CIRCULANTE 12.315.624 21.605.236

EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 12.315.624 21.605.236

Obrigações por Empréstimos e Repasses no País 11 12.315.624 21.605.236

RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS 615.432 -

Rendas Antecipadas 615.432 -

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 631.194.295 545.448.660

Capital Social 13 188.321.391 161.531.380

Reserva Legal 317.409.446 274.746.765

Fundo de Manutenção do Capital de Giro Próprio 125.463.458 109.170.515

TOTAL DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2.388.130.282 2.179.909.693

As Demonstrações Contábeis acompanhadas das Notas Explicativas, do Relatório dos Auditores Independentes e do

Parecer do Conselho Fiscal, estão disponíveis no site: www.credicoamo.com.br

JOSÉ AROLDO GALLASSINI

Diretor Presidente

CLAUDIO FRANCISCO BIANCHI RIZZATTO

Diretor Administrativo

RICARDO ACCIOLY CALDERARI

Diretor Operacional

EDSON DE SANTANA PERES

Contador - CRC-PR 31809/O-0

Março/2019 REVISTA 43


CREDICOAMO - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 2018

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2018 E 2017

(Valores em R$ 1)

.......................2018 .......................2017

RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 182.245.268 254.793.311

Operações de Crédito 103.446.396 137.586.852

Resultado de Títulos e Valores Mobiliários 78.798.872 117.206.459

DESPESAS DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA (79.660.266) (166.488.621)

Captação no Mercado (66.559.529) (66.125.130)

Empréstimos, Cessões e Repasses (16.580.465) (72.403.082)

Créditos de Liquidação Duvidosa 3.479.728 (27.960.409)

RESULTADO BRUTO DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 102.585.002 88.304.690

OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS (1.420.572) (3.123.484)

Receitas de Prestação de Serviços 11.161.092 9.081.397

Despesas de Pessoal (23.463.306) (19.197.714)

Outras Despesas Administrativas (4.276.666) (4.169.631)

Despesas Tributárias (602.742) (439.630)

Outras Receitas Operacionais 17.859.097 12.058.098

Outras Despesas Operacionais (2.098.047) (456.004)

RESULTADO OPERACIONAL 101.164.430 85.181.206

RESULTADO NÃO OPERACIONAL (262.251) 93.096

RESULTADO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL 100.902.179 85.274.302

IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (2.217.780) (1.963.111)

SOBRAS LÍQUIDAS 98.684.399 83.311.191

DESTINAÇÕES LEGAIS E ESTATUTÁRIAS:

F.A.T.E.S. (Resultados Atos Com Não Associados) 3.878.440 2.915.874

F.A.T.E.S. (Resultados Atos Com Associados) 4.740.298 4.019.766

Fundo de Reserva 42.662.681 36.177.893

Fundo para Manutenção do Capital de Giro Próprio 22.604.892 21.253.537

Sobras à Disposição da A.G.O 24.798.088 18.944.121

TOTAL DAS DESTINAÇÕES 98.684.399 83.311.191

JOSÉ AROLDO GALLASSINI

Diretor Presidente

JOSÉ AROLDO GALLASSINI

Diretor Presidente

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44 REVISTA Março/2019


CREDICOAMO - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 2018

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

em milhões de reais

ATIVOS

em bilhões de reais

2017 2018

2017 2018

ASSOCIADOS

até final de dezembro 2018

SOBRAS LÍQUIDAS

em milhões de reais

2017 2018

2017 2018

SEGURO AGRÍCOLA

área segurada em mil hectares

SEGURO AGRÍCOLA

importância segurada em reais

2017 2018

2017 2018

Março/2019 REVISTA 45


AGRICULTURA

Armadilha para as pragas

Família Reginato, optante da Coamo em Abelardo Luz (SC), não abre mão de utilizar

o refúgio como prática sustentável e forma de manter a longevidade da tecnologia Bt

A

implementação de ferramentas

que tenham

efeitos decisivos para o

manejo de insetos é fundamental

para superar um dos maiores

desafios da agricultura brasileira:

a evolução da resistência dessas

espécies. A adoção de áreas de

refúgio é a alternativa mais eficaz

nessa luta contra a resistência de

pragas.

O refúgio é uma área

cultivada com plantas não Bt da

mesma espécie, e essa área tem

como função produzir insetos

suscetíveis às proteínas inseticidas

que irão se acasalar com os

insetos resistentes provenientes

das áreas Bt, gerando novos indivíduos

suscetíveis à tecnologia.

O objetivo de manter uma

população de pragas vulneráveis

ao efeito inseticida da variedade

transgênica é preservar os benefícios

da tecnologia.

Na Fazenda Reginato,

que leva o nome da própria família,

localizada na região conhecida

como Linha Santa Laura

entre os municípios de Xanxerê e

Faxinal dos Guedes, no Oeste de

Santa Catarina, o refúgio é uma

alternativa levada a sério e faz

parte do esquema da propriedade

desde o início de difusão

da biotecnologia. O cooperado

Cleverson, que trabalha em par-

Cooperado Cleverson conta que vem adotando o refúgio desde que surgiu a biotecnologia na agricultura

ceria Giovani e o pai, Celito Luiz

Reginato, esclarece que o manejo

é encarado como um insumo.

“Adotamos desde que surgiu a

primeira tecnologia Bt, porque

existe todo um estudo que preci-

46 REVISTA

Março/2019


AGRICULTURA

samos respeitar e levar em conta

a eficiência de se fazer ou não”,

observa Cleverson.

Conforme ele, o agricultor

deve utilizar o sistema para

ter segurança no que está fazendo

e, principalmente, manter a

longevidade da tecnologia. “É a

única forma que temos para preservar

o sistema. Todo ano plantamos

pelo menos 20% da área

com plantas convencionais, seja

de soja ou milho”, acrescenta o

cooperado.

Cleverson lembra que

quando se perde uma tecnologia

o mais prejudicado é o agricultor

que pagou caro por ela. “A pesquisa

se esforça, gasta bastante,

mas também passa esse custo

para o agricultor e, por isso, precisamos

preservar”, afirma.

De acordo com Cleverson

o custo benefício vale muito

a pena. Ele revela que além

de usar menos produtos agroquímicos,

o que deixa a produção

mais barata, ainda há uma

contribuição direta com o meio

ambiente. “É uma forma de não

pensar só no bolso, mas também

na preservação de todo nosso

ecossistema”, enaltece Reginato,

que cultiva junto com a família

620 alqueires (1.500 hectares) de

soja, milho, trigo e eventualmente

feijão, entre as safras de verão

e inverno.

Na opinião do engenheiro

agrônomo Vinicius Francisco

Albarello, da Coamo em Abelardo

Luz, todos os agricultores que

utilizam tecnologia Bt precisam

adotar o refúgio, pois as pragas-

Todo manejo na propriedade é planejado com o agrônomo da Coamo Vinicius Francisco Albarello

Áreas de refúgio são de extrema importância para a manutenção da tecnologia Bt em milho e soja

-alvo podem migrar para áreas

vizinhas. “Um plano eficiente de

manejo deve ser implementado.

A sustentabilidade da tecnologia

depende do manejo adequado

de cada propriedade”, orienta o

técnico. Ele afirma que o plantio

e a manutenção das áreas de refúgio,

representam os principais

componentes da longevidade

do sistema. “O produtor tem que

estar ciente de que a área de

refúgio é a principal estratégia

para evitar a quebra de resistência

dos transgênicos, mantendo

o equilíbrio ecológico e a produtividade

das lavouras. É a forma

de prolongar a vida útil da tecnologia,

e na fazenda Reginato não

é diferente, a produtividade está

aumentando ano a ano”, destaca

Albarello.

O agrônomo explica

que a adoção do manejo certamente

gera mais trabalho,

capricho e planejamento, contudo,

os benefícios são bem

maiores. “O trabalho realizado

não vai diferir muito, o que vai

dar resultado é o capricho do

produtor”, sugere.

Março/2019 REVISTA 47


COMEMORAÇÃO

OCEPAR, 48 ANOS

representando o cooperativismo no Paraná

O

Estado do Paraná possui

uma área de 199,7 mil

quilômetros quadrados,

o equivalente a cerca de 2,3% do

território brasileiro. Sua população

é superior a 11,3 milhões (IBGE)

de habitantes e seu Produto Interno

Bruto é de R$ 447 bilhões (Ipardes).

Responde por 16 % (Conab)

de toda a safra brasileira de grãos.

Ocupa o primeiro lugar entre os

Estados brasileiros na produção

de frango, trigo, feijão e cevada;

o segundo lugar na produção de

Ocepar foi constituída no dia 02 de abril de 1971.

Imagem da sede em Curitiba, capital do Paraná

milho, soja e leite e o terceiro lugar

na produção de suínos.

Uma das principais forças

do agronegócio paranaense são

as cooperativas. A maioria desenvolveu-se

de forma paralela aos

diversos ciclos econômicos do

Estado, pautando suas atividades

em valores éticos da cooperação,

da solidariedade, da justiça social,

da gestão democrática e da soma

dos esforços de seus cooperados.

Para representar institucionalmente

toda esta força do

cooperativismo no Paraná, no dia

2 de abril de 1971, foi constituída a

Ocepar – Organização das Cooperativas

do Estado do Paraná, e que

hoje integra, um sistema formado

por três sociedades distintas, sem

fins lucrativos que, em estreita parceria,

se dedicam à representação,

defesa, fomento, desenvolvimento,

capacitação e promoção social

das cooperativas paranaenses:

O Sindicato e Organização das

Cooperativas do Estado do Paraná

– Ocepar, o Serviço Nacional de

Aprendizagem do Cooperativismo

– Sescoop/PR e a Federação e

Organização das Cooperativas do

Estado do Paraná – Fecoopar.

Atualmente, o Sistema

Ocepar possui 215 cooperativas

registradas. Juntas, essas organizações

somam R$ 83,5 bilhões de faturamento,

montante que equivale

a 17,9 % do PIB do Estado do Paraná.

Possuem mais de 1,8 milhão

de cooperados e geram 92.968

empregos. Estima-se que mais de

3,8 milhões de pessoas estejam ligadas,

direta ou indiretamente, ao

cooperativismo do Paraná.

A opção do cooperativismo

é pelo desenvolvimento das

pessoas e comunidades de seu

entorno. Um trabalho que resulta

na geração de emprego e renda,

dinamização das economias

locais, acesso a serviços de crédito

e saúde, e apoio à formação

48 REVISTA

Março/2019


COMEMORAÇÃO

Reunião da diretoria do Sistema Ocepar

para o quadriênio abril de 2015/2019

profissional. Também são ações

prioritárias no cotidiano das cooperativas,

os investimentos em

projetos de agregação de valor

(agroindustrialização), diversificação

da produção e novas tecnologias,

bem como atividades

e capacitações para melhorar os

processos produtivos e de prestação

de serviços aos cooperados.

A confiança nesse modelo

de organização econômica fez com

que mais de 295.721 mil pessoas se

associassem às cooperativas paranaenses,

em 2018. A credibilidade

do Sistema Cooperativo, construída

com trabalho, profissionalismo,

oferta de produtos de qualidade,

e investimentos nos mercados

consumidores, se confirmou em

recente pesquisa de opinião feita

pelo Instituto Datacenso, em que

96% dos entrevistados aprovaram

a qualidade e o preço justo dos

produtos das cooperativas.

As 61 cooperativas agropecuárias

do Paraná estimam fechar

em R$ 70,8 bilhões de faturamento

em 2018, 22,8% superior

de 2017, quando chegaram a R$

57,7 bilhões. Esse valor corresponde

a 60% do PIB agrícola do Esta-

do. Em mais de 120 municípios, a

cooperativa é a mais importante

empresa econômica, maior empregadora

e geradora de receitas.

Estima-se que 77% dos

associados às cooperativas agropecuárias

do Paraná são pequenos

e médios produtores (área

de até 50 ha). Outro dado que

evidencia a importância das cooperativas

agropecuárias é a sua

infraestrutura de armazenagem

da produção, a qual representa

54% da capacidade estática

de armazenagem do Estado, ou

seja, as cooperativas têm capacidade

para armazenar 16,5 milhões

de toneladas de grãos.

Na área ambiental, além

de programas educativos, a prática

do desenvolvimento sustentável

é feita através de projetos de

recuperação da vegetação ao longo

de rios (mata ciliar) e nascentes

de água, tratamento de efluentes,

coleta seletiva de lixo, reflorestamento,

geração de energia limpa,

entre outras ações. Os investimentos

em agroindustrialização vêm

transformando o Paraná de exportador

de matérias-primas para

exportador de bens de consumo.

Atualmente, cerca de 48% da produção

primária do cooperado

passa por processos de transformação

e agregação de valor.

Principais indicadores do

COOPERATIVISMO NO PR

215 cooperativas registradas na Ocepar

R$ 83,5 bilhões em faturamento

R$ 43,8 bilhões em ativos das cooperativas

de crédito

2 milhões de beneficiários das cooperativas

de saúde

96 mil empregos diretos

1 milhão e 800 mil cooperados

R$ 2,1 bilhão em impostos recolhidos

R$ 1,95 bilhões em novos investimentos

US$ 2,1 bilhões em exportações

219 mil participações em treinamentos do

Sescoop/PR

8.776 eventos realizados

Exercício: 2018

Fonte: Assessoria de Comunicação do Sistema Ocepar

Março/2019 REVISTA 49


MÍDIA

Coamo tem mais de 1,2 milhão de

visualizações no “Ser Agro é bom”

Série teve o objetivo de

aproximar o campo da

cidade e valorizar o papel

da agricultura como

agente de mudança e

propulsor da economia

A

história da cooperativa

Coamo foi contada

em um vídeo

da série Ser Agro é Bom, da

Bayer, lançado no dia 20 de

abril do ano passado. Desde

então, a série recebeu milhares

de visualizações, alcançando

a marca de 1.215.084

views nas redes sociais. Para

marcar esta performance, a

equipe da Bayer esteve na

sede da Coamo, em Campo

Mourão (Centro-Oeste

do Paraná), para entregar

ao presidente da cooperativa,

engenheiro agrônomo

José Aroldo Gallassini, uma

homenagem por meio de

um quadro, com os dizeres:

“Uma história que já rendeu

tantos frutos hoje é inspiração

para muitos. Parabéns

por mais essa conquista.”

A série “Ser Agro

é bom” teve o objetivo de

aproximar o campo da cidade

e valorizar o papel

da agricultura como agente

de mudança e propulsor

da economia. A Bayer

apresentou a série nas suas

Diretoria da Coamo e da Bayer com a placa em homenagem a 1.215.084 visualizações na série

“Ser Agro é bom” teve o objetivo de aproximar o campo da cidade e valorizar o papel da agricultura

redes sociais, a fim de contar

um pouco das histórias

dos agricultores e das cooperativas,

e desmistificar

o processo produtivo dos

alimentos e valorizar a cadeia

agrícola, que muitas

vezes passa despercebido

aos olhos (e ao paladar)

da população. “O projeto

mostrou que a agricultura

está no sangue de muitas

famílias brasileiras e que o

cuidado com a terra é um

compromisso de todos. Comunicar

o agronegócio e

transmitir à população urbana

a relevância do produtor

rural, é valorizar este trabalhador,

que se empenha

de sol a sol, o ano inteiro,

correndo riscos, percorrendo

lavouras e se esforçando

para que da terra germine

o nosso alimento”, aponta

Paulo Pereira, diretor de

Comunicação Corporativa

da Bayer no Brasil.

50 REVISTA

Março/2019


BIOGRAFIA

Alcir Rodrigues da Silva, presidente da Acicam, com o presidente da Coamo,

José Aroldo Gallassini, durante lançamento na entidade

Carlos Naves, governador do Distrito 4630 do Rotary, Marcio Nunes , secretário

estadual de Sustentabilidade Ambiental e Turismo, Gallassini, Marcelo Chiroli,

presidente do Rotary Clube Campo Mourão, Tauillo Tezelli, prefeito de Campo

Mourão, e Douglas Fabrício, deputado estadual

Gallassini lança livro no Rotary e na Acicam

Biografia escrita pelo jornalista e biógrafo Elias Awad, relata a inspiradora

trajetória do presidente da maior cooperativa agrícola da América Latina

O

presidente da Coamo,

José Aroldo Gallassini,

lançou a sua biografia

em mais dois eventos. No dia

15 de março, a obra foi lançada

no Rotary Clube Campo Mourão

e no dia 20 na Associação

Comercial e Industrial de Campo

Mourão (Acicam). O livro

biográfico “José Aroldo Gallassini

– Uma Visão Compartilhada”,

foi lançado oficialmente

na Assembleia Geral Ordinária

(AGO), em fevereiro.

Os dois eventos foram

prestigiados por autoridades

políticas, religiosas e empresariais.

Gallassini, um dos fundadores

do Rotary Campo

Mourão e colaborador ativo

da Acicam autografou vários

exemplares aos presentes.

No livro escrito pelo

jornalista e biógrafo Elias Awad,

relata a inspiradora trajetória

do presidente da maior cooperativa

agrícola da América Latina.

Formado em Agronomia,

Gallassini chegou em Campo

Mourão em 1968 como funcionário

da então Acarpa. “Além

da minha trajetória, este livro

mostra ao leitor a importância

do cooperativismo, a partir de

um jovem que fazia entregas

de bicicleta, em Brusque (SC)

e criou, desenvolveu e transformou

a Coamo em uma das

principais empresas do Paraná

e do país”, sintetiza Gallassini na

apresentação do livro.

Em 286 páginas, o livro

traz relatos de pessoas

que convivem com Gallassini

e também conta com quem o

conhece antes mesmo do surgimento

da Coamo. “Ele é um

homem humilde, muito sério,

honesto e tem muitos valores”,

escreveu Elias Awad na apresentação

do livro.

Gallassini faz questão

de frisar que quem lidera uma

cooperativa precisa entender

que cuida do patrimônio

alheio. “No início do ano procuro

fazer reuniões com nossos

cooperados para explicar

como foi o ano anterior e o que

esperar do próximo. Procuro

ser transparente, mostrando

a realidade, mesmo que seja

pessimista, para não criar falsas

expectativas”, justifica.

Ele diz que a publicação

de da biografia é para

compartilhar com os leitores

aquilo que realizou e que deu

certo, assim como o que aprendeu

com os erros. “A biografia

permite que as experiências de

vida fiquem registradas.”

Março/2019 REVISTA 51


52 REVISTA

Março/2019


CURSOS SOCIAIS

Eventos que integram e geram renda

Sempre motivadas e animadas, as cooperadas,

esposas e filhas de cooperados da

Coamo, são participativas nos cursos sociais

realizados pela Coamo em parceria com o Serviço

Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo

(Sescoop). Em toda a área de ação da Coamo, no

Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, elas

sempre encontram um tempo, apesar da rotina de

trabalho, para marcar presença nesse momento de

integração e cooperação.

Trufas e bombons, em Boa Ventura de São Roque (Centro do Paraná)

Trufas e bombons, em Dois Irmãos (Oeste do Paraná)

Biscoitos e bolachas decoradas, em Faxinal (Centro-Norte do Paraná)

Produtos de limpeza, em Juranda (Centro-Oeste do Paraná)

Ovos de Páscoa de colher, em Mamborê (Centro-Oeste do Paraná)

Cupcake e tortas doces, em Pitanga (Centro do Paraná)

Risotos e saladas, em São Domingos (Oeste de Santa Catarina)

Receitas integrais, em São Pedro do Iguaçu (Oeste do Paraná)

Março/2019 REVISTA 53


Pastel Doce

de abacaxi

Ingredientes

Massa

½ tablete de fermento biológico fresco

50 ml de leite

½ xícara (chá) de Margarina Extra Cremosa 60%

1 colher (sopa) de açúcar

1 colher (café) de canela em pó

2 colheres (sopa) de água gelada

2 xícaras (chá) de Farinha de Trigo Coamo

Recheio

2 xícaras (chá) de abacaxi picado

¾ de xícara (chá) de açúcar

1 cravo

2 gemas para pincelar

1 colher (chá) de água para afinar a gema

Açúcar cristal para passar nos pastéis

Modo de preparo

Massa: Dissolva o fermento no leite. Junte a margarina, o açúcar,

a canela em pó e a água gelada, e aos poucos adicione a farinha,

amassando até obter uma massa que solte das mãos. Entre dois

plásticos, abra a massa com espessura de 3 mm e corte círculos de

10 cm. Coloque 1 colher (chá) do recheio no centro de cada círculo

e pincele clara na borda. Dobre o círculo formando uma meia-lua,

e pressione bem a borda para colar. Coloque-os em uma assadeira

ligeiramente untada e pincele com a gema diluída na água.

Polvilhe com o açúcar e asse no forno preaquecido à temperatura

moderada (180 ºC) até ficar dourado claro. Se preferir, polvilhe

canela em pó no momento de servir.

Recheio: Leve o abacaxi a uma panela e ferva até que fique macio.

Junte o açúcar e o cravo e cozinhe no fogo baixo, mexendo até

obter um doce bem enxuto. Experimente cozinhar o doce com 2

colheres (sopa) de coco ralado seco.

Para mais receitas acesse:

www.facebook.com/alimentoscoamo

www.alimentoscoamo.com.br

54 REVISTA

Março/2019


DOBRE SUA ATENÇÃO COM PEDESTRES:

ELES SÃO QUASE METADE DAS

VÍTIMAS FATAIS DE TRÂNSITO.

RESPEITE OS PEDESTRES.

Nas cidades grandes, os pedestres representam cerca de metade

dos óbitos relacionados aos acidentes de trânsito. Em São Paulo, os

pedestres são 46,42% dos mortos. No Estado do Rio de Janeiro, eles

representam 43,7% das vítimas fatais Na média nacional, 25% dos

óbitos registrados no trânsito são de pedestres.

A Via Sollus Corretora de Seguros tem soluções

para proteger seus bens e sua vida. Mas o melhor jeito de garantir sua

segurança é ter atitudes responsáveis e respeitar as leis de trânsito.

Se beber,

não dirija.

Respeite os limites

de velocidade.

Não use celular

ao volante.

Cuidado

ao estacionar.

Para mais informações, acesse:

www.libertyseguros.com.br

Procure a unidade da Coamo ou Credicoamo mais próxima de você.

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