Revista Coamo - Março de 2019

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Revista Coamo - Março de 2019

HENRIQUE DEBIASI

“Sucesso do agronegócio é mérito

dos agricultores junto com a pesquisa"

“ Com muito orgulho, fui criado

dentro de uma lavoura

de soja, lá no Rio Grande

do Sul. Tenho vivenciado há quase

30 anos a realidade e as dificuldades

que o agricultor enfrenta.

Esse conhecimento do dia-a-dia

do produtor tem sido muito útil

na definição do enfoque do meu

trabalho como pesquisador.” A

afirmação é do engenheiro agrônomo

Henrique Debiasi, pesquisador

de manejo do solo e da cultura,

da Embrapa Soja.

Para ele, a revolução

que o agronegócio brasileiro

tem passado é decorrente do

desenvolvimento e adoção conjunta

de diferentes tecnologias.

“Desde cultivares com maior potencial

produtivo e modificadas

geneticamente, até o manejo

integrado de pragas, doenças

e plantas daninhas, passando

também pelos avanços na agricultura

de precisão.”

Revista Coamo: Qual sua área de

pesquisa na Embrapa Soja?

Henrique Debiasi: Desde que ingressei

(2008), me dedico, juntamente

com os colegas da equipe de

manejo do solo e da cultura, à pesquisa

e ao desenvolvimento de tecnologias

para o aprimoramento da

qualidade do manejo do solo em sistema

plantio direto (SPD), que sejam

viáveis técnica, operacional e economicamente

para os produtores.

O trabalho não se limita ao Paraná,

mas também em outros Estados. O

foco principal é a melhoria da qualidade

estrutural do solo, por meio

da utilização de sistemas de rotação,

sucessão e/ou consorciação envolvendo

espécies vegetais com alta

produção de palha e, principalmente,

de raízes. Também temos destinado

grande parte do nosso tempo

ao desenvolvimento de ferramentas

para monitoramento da estrutura do

solo, que sejam acessíveis à assistência

técnica e aos produtores, como o

Diagnóstico Rápido da Estrutura do

Solo (DRES).

RC: Qual a importância dos resultados

do trabalho da Embrapa Soja?

Debiasi: Dimensionar a contribuição

que a pesquisa e o desenvolvimento

de tecnologias vêm dando ao agronegócio

brasileiro não é difícil, basta

ver a competitividade da agricultura

brasileira no cenário mundial, em

que pese nossas históricas dificuldades

estruturais. Na década de 70,

éramos importadores de alimentos;

hoje, somos o 2º maior exportador

mundial, o agronegócio tem 42%

das exportações e mais de 20% do

PIB; em 2018, o superávit do agronegócio

na balança comercial foi

superior a US$ 87 bilhões, enquanto

que os demais setores apresentaram

saldo negativo de US$ 29 bilhões

(dados do CEPEA). A cadeia da soja

exerce papel determinante: somente

os embarques de grãos, farelo e óleo

corresponderam, em 2018, a US$ 41

bilhões, mais de 40% do valor total

exportado pelo agronegócio.

RC: Como vê a parceria entre agricultores

e pesquisa?

Debiasi: O grande mérito do sucesso

do agronegócio brasileiro é o trabalho

incansável dos nossos agricultores,

mas é necessário reconhecer a

grande contribuição das tecnologias

e conhecimentos produzidos pela

pesquisa. E, nesse caso, não é possível

atribuir o mérito a esta ou aquela

instituição de pesquisa, pois todas

contribuíram de forma expressiva.

RC: Quais são os desafios para os

próximos anos?

Debiasi: Gerar conhecimentos e tecnologias

inovadoras que contribuam

para o aumento da produtividade,

reduzam os custos, minimizam os

impactos ambientais e, sobretudo,

diminuam os efeitos negativos de intempéries

climáticas, principalmente

a seca.

RC: E quanto ao nível tecnológico?

Debiasi: O desafio é o desenvolvimento

de uma tecnologia inovadora

que permita avanços significativos na

produtividade. Isso exige muito mais

esforço e passa, pelo conhecimento

das interações entre a genética das

plantas, o ambiente (solo e clima) e

o nível tecnológico utilizado. Quando

se altera minimamente qualquer um

destes fatores, a resposta aos demais

se modifica também. Isso exige tempo,

metodologias cada vez mais avançadas

e caras, equipes de pesquisa

com integrantes de diferentes áreas

do conhecimento e, principalmente,

parcerias com o setor produtivo.

RC: Como observa a relação entre

as tecnologias e o seu uso pelos

agricultores?

Debiasi: Este é um grande desafio,

o de diminuir a discrepância entre

8 REVISTA

Março/2019

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