Revista Apólice #242

revistaapolice

especial

automóvel

Telemetria:

captura de dados

substitui informações do

questionário de risco

Serviços:

inovação também virá

de prestadores que

atendem os veículos

Produtos populares:

uma alternativa para

inclusão de novos

consumidores

Ano 24 - nº 242

Abril 2019

O propósito de ajudar o brasileiro

a se proteger mais e melhor

6ª Convenção da Rede Lojacorr marcou uma mudança

no perfil dos eventos do setor, com novo modelo de

interação focado na realização de novos negócios


editorial

Ano 24 - nº 242

Abril 2019

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Revista Apólice

O Brasil que a gente quer

O mercado de seguros tenta investir para voltar a crescer. As companhias

brasileiras estão apostando na criação de novos produtos e serviços para

atender a nova jornada do consumidor. Podem fazer isso sozinhas ou

aliando-se a outras empresas. A verdade é que, se não houver recuperação

econômica, será muito complicado retomar uma patamar de crescimento na

casa de dois dígitos.

Enquanto o brasileiro não dispuser de renda compatível, não há

possibilidades de minimamente cobrirmos o gap de proteção que existe no

País. Estamos falando de produtos inclusivos, capazes de suprir as necessidades

dos cidadãos em momentos difíceis. Imagine se nas cidades do Rio de Janeiro

e de São Paulo, que foram brutalmente impactadas pelas chuvas do mês

de março, a maioria das residências tivessem seguro? As perdas seriam mais

rapidamente absorvidas e o recomeço seria mais rápido.

O que nos conforta é saber que os executivos do mercado de seguros

estão preocupados com estas questões. A sustentabilidade dos negócios e a

mudança do mindset da sociedade obriga as empresas a pensarem mais no

próximo e a empatia se tornou palavra de ordem. Este é um respiro que pude

observar nos dois talk shows dos quais participei como apresentadora na

6ª Convenção Nacional da Rede Lojacorr, com executivos de dez seguradoras.

Ficou claro que as companhias já despertaram para a necessidade de mudar a

forma de fazer negócios e de atender os clientes.

Em um futuro próximo, não bastará apenas atender os clientes. Será

preciso fazer isso da forma que melhor convier ao consumidor, seja pelo

atendimento físico ou eletrônico. Ouvir o corretor e transformá-lo em um

consultor também já é uma condição primordial para o sucesso. Além

disso, não basta apostar na tecnologia. É preciso lançar ao cliente um olhar

humanizado, coisa que a tecnologia não ensinará ninguém a fazer.

Boa leitura!

Talk Shows com executivos das seguradoras participantes do evento

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

3


sumário

6|

12|

14|

20|

painel

gente

capa

Rede Lojacorr reforça seu objetivo de proteger mais e melhor durante a 6ª

Convenção, que reuniu mais de 1200 pessoas em Curitiba, mostrando um

ecossistema de soluções para facilitar a operação de seus parceiros

especial automóvel

panorama

Carteira perdeu um grande número de itens segurados e também o posto

de líder do mercado. Questões de ordem econômica e comportamentais

obrigam seguradoras a se reinventarem a partir de soluções mais simples

e de nicho

14

26|

32|

serviços

Um novo leque de oportunidades de serviços se abre para as seguradoras

que operam o seguro automóvel. Automação e soluções digitais podem

contribuir para aumentar a satisfação do cliente em sua jornada

telemetria

A tecnologia promete precificar o seguro de acordo com o risco de cada

um. A coleta de dados já começou para algumas companhias, entretanto

ainda existe o desafio de tornar a carteira rentável mesmo com bons e maus

motoristas

20

36|

40|

41|

produtos populares

Se o consumidor muda, é necessário que o mercado tente acompanhá-lo.

Seguradoras buscam formas de criar produtos mais acessíveis para veículos

mais antigos, ou ainda, para consumidores com renda menor

homenagem

grupo fox

32

42|

46|

4

evento

Encontro de Resseguro mostra que os desafios do desenvolvimento do

mercado passam por um misto de melhora econômica e criação de novos

produtos

comunicação

36


painel

• nfusão

Expansão territorial e financeira

A Marsh & McLennan completou a aquisição da JLT por

U$ 5,6 bilhões (fully diluted equity value). “Esse é o início

de uma nova era. Uma combinação cujo foco principal é o

crescimento – em talentos, capacidades, receita e ganhos,”

disse Dan Glaser, Presidente e CEO da Marsh & McLennan.

A aquisição consolida

a posição da empresa em

corretagem de seguros e

resseguros, saúde e aposentadoria,

com alcance global

em mais de 130 países.

A JLT traz uma influência

em talentos, fornecendo

experiência na indústria em

quase todas as partes da

organização. A combinação

das empresas criará ainda mais oportunidades de trabalho.

Muitos dos executivos da JLT foram nomeados a posições

de liderança na Marsh & McLennan, na Marsh, na Guy

Carpenter e na Mercer, incluindo o CEO para o Grupo JLT,

Dominic Burke, que se junta à Marsh & McLennan como

vice-chairman e membro do Comitê Executivo. Glaser disse

que “a aspiração é contribuir com a transformação das

indústrias que servimos e ser o empregador de referência”.

• ¢ aquisição

Hapvida compra a Infoway

O Hapvida tornou pública a aquisição da empresa Infoway

Tecnologia e Gestão de Saúde. Com essa compra, a

operadora agora será sócia de uma Holding de Tecnologia,

que será proprietária de 75% das duas empresas: Infoway

e Haptech. Os outros 25% permanecem com os sócios da

Infoway, que executarão plano de negócio das empresas

associadas nos próximos 5 anos.

A Infoway e a Haptech apresentam um faturamento

de mais de R$ 25 milhões e somam mais de 820 mil vidas

administradas. A Infoway atua no desenvolvimento de tecnologias

inovadoras em saúde, principalmente por meio

de uma plataforma tecnológica baseada em inteligência

artificial, denominada “Octopus”, além de outros softwares

próprios, cujo propósito é trazer eficiência aos processos de

gestão de planos de saúde.

A aquisição está em linha com a estratégia da companhia

de desenvolver tecnologias de impacto no setor de

saúde, para aprimorar a prestação de serviços aos clientes e

a eficiência da estrutura de custos. A aquisição foi efetivada

com R$12,5 milhões, a serem pagos nos próximos 12 meses.

• ncampanha

Mais perto dos corretores

A AXA no Brasil apresentou seu programa de relacionamento

com corretores, o AXA Experience Club, nas cidades

de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e

Porto Alegre.

Os encontros foram uma oportunidade

de os participantes conhecerem

os executivos da companhia,

trocar experiências e contatos. “O

corretor está muito próximo do

nosso cliente final, é nosso principal

parceiro. A ideia é trazê-lo para perto

e construir soluções de forma conjunta,

e a venda é uma consequência

dessa proximidade”, afirma Delphine

Maisonneuve, CEO da companhia.

“A presença do nosso time nas

regionais reforça que a companhia

está de portas abertas para os parceiros

interessados em se desenvolver e

crescer junto conosco”, comenta Erika Medici, vice-presidente

Comercial e Marketing da empresa no Brasil. O programa tem

como objetivo entregar um rol de produtos, soluções e formatos

de atendimento adequados ao perfil de cada corretor.

6


• nmercado

Acordo de cooperação para

recontratação de seguros

A Porto Seguro fechou um acordo de cooperação com

a Travelers para recontratação de seguros. A negociação

engloba as apólices dos produtos: Empresarial, Riscos

Diversos, Responsabilidade Civil Geral, Responsabilidade

Civil Profissional e Gestão Protegida (D&O).

Agora, a Porto pode fazer a renovação das apólices que

estão com a parceira. “É o que nós chamamos de ‘transferência

de renovação’. Eles vão nos passar o banco de dados,

o histórico dos clientes, os dados de risco e todas as outras

informações que podem ser relevantes para uma futura

renegociação”, explica Marcelo Picanço, diretor-geral de

Seguros e Investimentos da Porto Seguro.

Segundo o executivo, a Porto fará uma proposta para os

clientes potenciais para que eles possam renovar o contrato

com a companhia, fazendo uma espécie de “migração”.

“Claro que isso acontecerá depois da aceitação do próprio

segurado. Pretendemos fazer a renovação da maior parte

das apólices que a Travelers têm. Esse é o acordo. O cliente

tem a opção de ir ao mercado, isso não é uma obrigação de

nenhuma das partes. Não somos obrigados a renovar todas

as apólices”, revela Picanço.

Pelos termos do contrato firmado entre as empresas,

os atuais segurados da Travelers permanecerão atendidos

pela empresa até o vencimento das apólices. A partir daí,

terão a opção de renovar com a Porto, após a análise de

aceitação. Em 2018, a Travelers emitiu aproximadamente

R$ 60 milhões em prêmios nos ramos que fazem parte

desta parceria.


painel

• nevento

Reforma da Previdência e Riscos Cibernéticos na pauta

O XIII Congresso Brasileiro de Direito de Seguro,

promovido pela AIDA Brasil, trouxe temas como a reforma

previdenciária e riscos cibernéticos. O evento, que aconteceu

em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, fomenta estudos,

reflexões e debates e possibilita a ampliação e divulgação

de conhecimentos técnicos e jurídicos próprios do seguro,

resseguro e previdência privada.

Inaldo Bezerra, presidente da associação, disse que esta

é uma oportunidade de estudar os temas ligados ao contrato

de seguro e de renovar as pessoas e os profissionais. Luís

Eduardo Afonso, professor

da FEA-USP, expôs

na primeira palestra os

aspectos econômicos da

reforma previdenciária

e seus reflexos na Previdência

Privada. Afonso

apresentou a problemática

do tema em algumas dimensões:

desigualdades e

subsídios insustentáveis,

taxas de reposição elevadas

e idades de aposentadoria

baixas. “A soma

desses elementos leva a déficits altos e crescentes, além de

envelhecimento acelerado” explica. Para ele, então, a solução

é a reforma da previdência.

O professor também explicou que já houve, pelo menos,

cinco outras reformas em governos anteriores, entretanto,

ele acredita que a do mandato atual é mais complexa e vasta,

que possui uma linearização do sistema previdenciário, dá

o dever ao governo de fazer a regulamentação da previdência

social por meio da lei complementar e traz consigo um

ajuste imediato e obrigatório do RPS. “Nenhuma outra teve

abrangência que essa tem,

mas quando olhamos para

a opinião pública, pareceme

que o foco se dá sobre

a transição, e não sobre os

resultados a longo prazo”,

afirma. Apesar das vantagens,

Afonso ressaltou que

alguns elementos não estão

totalmente claros, por

exemplo como se dará a

adesão por parte daqueles

que entrarão no mercado

de trabalho.

• nconjunto

Franqueados recebem treinamentos

de novos produtos

Pensando em capacitar as vendas dos parceiros, a San Martin

Corretora (franquia de corretora de seguros) criou uma ação de

treinamento e capacitação, no qual eleva seu time de franqueados

a especialistas em seguros. A ação faz parte de uma nova era de

estratégias para posicionar a marca como referência no seu mercado

de atuação.

“Este é um marco para nós”, evidenciou

a idealizadora do projeto, Vanessa

Alves, diretora comercial da empresa.

Dessa forma, a franquia criou a 1ª

Formação de Especialistas – San Martin,

projeto que tem como principal objetivo a

preparação de profissionais qualificados

para identificar, aproveitar as oportunidades

do mercado em segmentos pouco

explorados como: Seguros de Vida, Saúde,

Transportes, Frota, Responsabilidade

Civil, Empresarial e Agrícola. O evento

aconteceu na cidade sede da marca, São

José do Rio Preto (SP).

• nincentivo

Campanha do GNDI premiará

600 corretores

O Grupo NotreDame

Intermédica lançou uma

iniciativa de incentivo aos

corretores parceiros com

foco em produtos PME. A

Campanha Tri Premiado,

trimestralmente, irá contemplar

150 corretores,

totalizando 600 premiações

até o final de 2019. Participam os corretores de São

Paulo, ABC, Alto Tietê e Guarulhos, Mogi das Cruzes,

Baixada Santista, Campinas, Sorocaba e Jundiaí.

Em cada uma das praças participantes, a cada

trimestre, os 150 melhores corretores em vendas de

produtos PME serão contemplados com um cupom

premiado. Após raspar este cupom, o corretor descobrirá

sua premiação. “Estamos incentivando ainda

mais os nossos melhores parceiros comerciais, que são

essenciais para o nosso negócio”, destaca José Carlos

de Paula, diretor executivo Comercial do Grupo.

Foto: Paulo Bareta

8


• nseguro de pessoas

O desafio de ser moderna

aos quase 185 anos

A terceira empresa mais longeva do País pretende

manter-se jovem. Para isso, acaba de criar um

Conselho Consultivo com olhar para o futuro além

das questões operacionais. “O objetivo do Conselho

é mostrar tendências sobre seguro de vida, longevidade

e previdência, pelo lado de quem está fora

da operação do dia a dia”, afirmou Helder Molina,

presidente da Mongeral Aegon em encontro com

a imprensa. “No fundo, é como podemos ajudar a

tornar a sociedade melhor”.

O Conselho será presidido pelo engenheiro

aeroespacial Andrea Levy, tendo Marco Antonio

Gonçalves como vice-presidente. Levy explica que

a empresa sempre esteve engajada na defesa da

reforma da previdência. “O nosso DNA é de inovação.

Em 1977, quando ainda ninguém falava em ❙ Andrea ❙

planos de previdência, nós implementamos o primeiro plano

indexado pela inflação”. Ele lembrou também que, no início

dos anos 2000, a empresa se posicionou para criar institutos

Levy, Helder Molina e Marco Antonio Gonçalves

que permitiam as associações e sindicatos formarem seus

próprios fundos. Hoje, 15 dos 18 maiores fundos instituídos

estão na Mongeral.


painel

• nproduto

Novo produto educacional

chega ao mercado

A Icatu Seguros lançou

um produto voltado

para o mercado educacional.

O Seguro Nota

10 é um produto remissivo

para instituições de

ensino, que permite que

o aluno continue estudando

em caso de morte,

invalidez ou perda de

renda de seu responsável

financeiro.

O produto inclui também a possibilidade de contratação

de seguro de acidentes pessoais, que garante ao

beneficiário uma indenização em caso de morte por acidente

do aluno e/ou funcionário, além de reembolso de

despesas médicas e odontológicas em caso de acidente.

“As mensalidades poderão ser quitadas de uma

só vez, diretamente à instituição de ensino. O produto

proporciona mais tranquilidade aos responsáveis financeiros

que estarão garantindo a continuidade do estudo

dos seus filhos, explica Luciana Bastos, responsável

pelo desenvolvimento de Produtos de Vida da Icatu.

• nseguro obrigatório

DPVAT pagou mais de 328

mil indenizações em 2018

Em 2018, foram pagas 328.142 indenizações

para vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. O

dado é do Relatório Anual da Seguradora Líder,

que indica um retrato da violência no trânsito em

todo o País. Os pagamentos são referentes aos três

tipos de cobertura oferecidos pelo seguro: morte

(38.281), invalidez permanente (228.102) e despesas

médicas (61.759). As ocorrências com motos continuam

sendo as que mais geram indenizações, com

75% dos pagamentos. Já os estados com os maiores

números de benefícios pagos são São Paulo, Minas

Gerais e Ceará.

Neste ano, também foi adotada uma nova

metodologia para a apresentação dos dados regionais.

A companhia criou o “Indicador DPVAT”,

que calcula a proporção entre a frota no ano da

análise e o número de sinistros pagos no ano. A

técnica permite uma avaliação ainda mais fiel do

cenário do trânsito de cada localidade.

• nautomóvel

Chega ao mercado mais um produto

de auto popular

Chegou ao mercado em março o HDI Flex, um produto voltado

a veículos de até R$ 80 mil, faixa de preço que engloba a maioria

dos carros populares. O seguro oferece proteção em caso de colisão

e incêndio, com possibilidade de adicionar também Roubo e Furto,

se assim preferir. O segurado pode contratar coberturas adicionais,

como danos corporais e materiais a terceiros envolvidos nas ocorrências,

cobertura para o passageiro do veículo segurado, danos morais

e acessórios.

“Flexibilidade e liberdade de escolha

são duas exigências do consumidor

hoje e a HDI Seguros acompanha esse

movimento”, afirma Fabio Leme,

vice-presidente Técnico da companhia.

“Com o produto, disponibilizamos soluções

que se encaixam às necessidades

dos nossos clientes, dando a eles a autonomia

de utilizá-las quando acharem

oportuno, uma abordagem empática

típica da relação humanizada que estabelecemos

em nossa atuação no mercado”, complementa o executivo.

O pagamento do seguro ainda é facilitado, podendo ser feito em

10x sem juros no débito automático, em até 6x sem juros no crédito,

ou em condições especiais no carnê.

• nexpansão

Regula inicia operação no Sul

A Regula Sinistros inicia seu processo

de expansão por meio de franquias e regionais.

Quem adquiriu e comanda a Regional

da Regula nos estados do Rio Grande do

Sul e Santa Catarina é Luiz Carlos Arbelo

Filho, especialista em sinistros.

O escritório da Regional irá funcionar

na cidade de Cachoeira do Sul (RS)

e fará o trabalho comercial para captar

novos clientes na região, contando com o

atendimento da equipe da matriz, em São

Paulo. Por outro lado, a equipe de São Paulo receberá treinamentos e

orientações de Luiz Carlos para aperfeiçoar os serviços de sinistros.

“Estarei em linha direta com os analistas passando minha expertise

de sinistros e dando todo o apoio à equipe”, comenta o executivo.

Ele conta que, como segurado, teve um acidente de trânsito que

o deixou 15 dias em coma, mais 14 dias hospitalizado, e três anos

sem trabalhar. “Sei como é ser vítima e o que minha família passou

no caso de um sinistro com danos corporais. Com isso, também

ampliei meu know how de sinistros. O acidente me chamou mais

ainda a atenção para atuar de forma humanizada, amenizando os

problemas da vítima e da família”, relata.

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GENTE

Eleito diretor-presidente

A OABPrev-RJ elegeu a nova diretoria

para o quadriênio que expira

em 2022, com Rui Calandrini Filho

como diretor-presidente. Conselheiro

suplente da OAB/RJ, o executivo já

participava da diretoria da entidade

há oito anos. Agora, no comando do

plano, tem como principais desafios

aumentar a rentabilidade e o volume

de adesões, a partir de uma estratégia

de comunicação mais próxima e transparente junto aos

participantes.

Head de Marketing e

Projetos Especiais

Comando feminino

Vanessa Arteaga assume como diretora financeira na

Essor Seguros. A executiva, que está na empresa desde que

esta era uma startup, acredita que, hoje, as oportunidades de

crescimento feminino no mercado segurador estão maiores

do que alguns anos atrás. Seu caminho foi traçado ao longo

de 13 anos prestando serviços de auditoria exclusivamente ao

mercado de seguros antes de entrar

na companhia.

Já na empresa, ela participou da

preparação para o início das operações

das áreas financeira, fiscal, contábil

e de compliance. “Ocupo uma

das posições mais respeitadas, com

voz ativa local e internacionalmente

nos assuntos que me competem”,

afirma.

Presidente da CRP

Grandes Riscos

Thisiani Martins é a nova presidente da Comissão

de Riscos Patrimoniais Grandes Riscos da FenSeg, para

o próximo triênio. A executiva é

pós-graduada em Administração

e Marketing pela FAAP. Atua no

mercado de seguros há mais de

20 anos. Thisiani ainda tem experiência

em subscrição de riscos

de grande porte e liderança de

áreas como resseguros e produtos.

Desde 2014 integra a equipe do

AXA XL, onde exerce a função

de diretora técnica.

A Ô Insurance anunciou a chegada de Marco Antonio

Gonzaga, para assumir como Head de Marketing e Projetos

Especiais. O executivo tem o objetivo de fomentar os canais

digitais e reestruturar a área de marketing da holding. Gonzaga

tem mais de 17 anos de experiência e passagem por empresas

como Howden Harmonia, Vila Velha Corretora de Seguros e

Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Titular da Susep

“Acredito no seguro e na

força dele para o desenvolvimento

do País. Estamos falando

de um mercado gigante”,

destacou Solange Vieira,

no Rio de Janeiro, durante a

cerimônia da sua posse como

titular da Susep. A superintendente

da autarquia agradeceu

a confiança do ministro

da Economia, Paulo Guedes,

em seu novo desafio à frente da Susep, e ressaltou a

relevância do setor de seguros como um alicerce de

crescimento para empresas e grandes segmentos e de

proteção ao cidadão.

Segundo ela, é necessário flexibilizar o ambiente regulatório

e harmonizar as leis aos avanços tecnológicos.

“Precisamos desregulamentar e desburocratizar o setor,

aumentar a competição, garantir segurança jurídica e,

acima de tudo, tornar o seguro um produto simples e

acessível à população”, enfatizou.

12


Novo membro titular

José Maia Piñeiro,

executivo de Gestão

de Clientes e Produtos

da Brasilcap, é o novo

membro titular do Conselho

de Recursos do

Sistema Nacional de Seguros

Privados, de Previdência

Privada Aberta

e de Capitalização (CR-

SNSP). Maia foi indicado

pela Fenacap e cumprirá

o mandato de três anos.

O CRSNSP é um órgão

integrante do Ministério

da Economia responsável

por julgar, em última instância administrativa, os

recursos contra as sanções aplicadas pela Susep às seguradoras.

Agora, a entidade tem quatro representantes

do setor privado e quatro do setor público.

Contratação para Customer

Success

A Gesto reforçou a equipe interna com a contratação de

Carolina Pereira na posição de head de Customer Success.

O principal objetivo é fazer com que os clientes da empresa

alcancem o resultado desejado ao aproveitar todos os benefícios

e aplicações das soluções

oferecidas pela companhia.

A executiva acumula experiência

no setor com trabalhos

realizados para grandes

instituições como Sírio Libanês

e PricewaterhouseCoopers,

contribuindo para o

desenvolvimento dos negócios

na indústria da saúde. Sua

última posição foi como head

de Healthcare na PwC Brasil,

onde foi responsável por desenvolver

ações de consultoria

e go to market.


capa | rede lojacorr

O propósito de

proteger mais e melhor

Rede Lojacorr realiza a 6ª Convenção com seus

parceiros, apresentando todo um ecossistema

de soluções para deixar o corretor com mais

tempo para estar com seus clientes

O

clima pelo grande espaço da

Expo Unimed, em Curitiba,

nos dias 21 e 22 março era

de pura descontração. As

pessoas, vestidas com a mesma camiseta,

sentiam-se iguais, quase que de uma

mesma família. Nos espaços dos lounges

das seguradoras e parceiros de negócios

também não havia diferença.

Mudar a forma de reunir as pessoas

já é, por si só, uma inovação para o

setor de seguros. As 1200 pessoas que

participaram deste encontro perceberam

as novidades. Ao entrar na plenária

deparavam-se com um palco 360°,

Kelly Lubiato

com enormes telas que aproximavam

palestrantes e platéia. Esta proximidade

colaborou para aumentar o sentimento

de pertencer a uma grande corporação.

A Rede Lojacorr iniciou sua operação

há 22 anos, pequena, e foi crescendo conforme

os negócios aumentavam. Hoje ela

já conta com 51 unidades espalhadas pelo

Brasil, com capacidade ainda de duplicar a

quantidade de corretores atendidos. Diogo

Arndt, CEO da Rede, conta que a ideia

surgiu para resolver os problemas dos corretores

de seguros desde a pré-venda até o

pós-venda. “Tivemos curiosidade para ver

como é a vida do corretor da porta para

dentro, pois o profissional estava sozinho

a partir da negociação”, relembra.

A obsessão da empresa foi buscar

modelos capazes de melhorar o desempenho

dos profissionais, para que eles

pudessem ter mais acesso a produtos e

seguradoras, com respostas mais rápidas

e para que a operação fosse mais eficiente.

“O objetivo era aumentar a velocidade

dos negócios sem que o corretor tivesse

que gastar muito”.

O sucesso da Rede pode ser definido

em uma palavra: compartilhamento. A inteligência

coletiva da plataforma acontece

de forma dinâmica. Quanto mais pessoas

se conhecem e interagem neste ambiente,

mais aumentam as oportunidades na mesa

e o potencial de desenvolvimento de todos.

Gestão moderna

Manter-se relevante para os parceiros

é um dos maiores desafios de qualquer

organização. “Para empoderar um em-

14


❙❙Diogo Arndt, CEO da Rede Lojacorr

preendedor temos que pensar em como

apoiá-lo em vários sentidos, desde o

recrutamento e treinamento dos colaboradores,

passando pela gestão financeira, na

facilitação de processos contábeis e até na

geração de novos negócios”, avalia Arndt.

Além disso, há conversas com startups

para trazer novas tecnologias para a

Rede, como a Celero, uma empresa que

se especializou em gestão contábil para

pequenas empresas que foi apresentada

durante a Convenção.

Outra novidade adotada pela Rede

Lojacorr é o Comitê de Corretores,

formado por corretores parceiros de

diversos tamanhos e regiões. O objetivo

deste Comitê é validar as ações da Rede

e aproximá-los da estratégia de negócios,

engajando-os e compartilhando a visão

de futuro. “Eles têm um papel fundamental

para nos trazer para o foco do cliente

e das suas necessidades, para estabelecer

prioridades e resolver dores efetivas e

reais do dia-a-dia, provocando reflexões

em nosso time”, aponta Arndt.

A Rede conta com um time de heads

que lideram equipes horizontalizadas,

para que o conhecimento flua e para que

os projetos sejam tocados por equipes

multidisciplinares que trocam conteúdo,

informação e visão com a direção, com

as equipes e com o Comitê de corretores.

Estes líderes atuam nas áreas de

compliance, tecnologia, sistemas, mercado,

operacional, infraestrutura, projetos e

processos, pessoas e cultura, comercial,

comunicação e marketing.

Investimentos

A 6 a Convenção da Rede Lojacorr foi

o local escolhido para alguns anúncios.

O CEO, Diogo Arndt Silva, anunciou a

criação da Universidade Corporativa da

Rede, que terá atuação importante para

o compartilhamento de novos conhecimentos

para os parceiros. O grande

diferencial deste novo canal será a disponibilização

do conteúdo de terceiros

também. Por exemplo, várias seguradoras

dispõem de unidades próprias de

educação e treinamento. Elas poderão

ser distribuídas também pelo canal da

Rede Lojacorr.

Dentre as novidades, o novo site da

Rede Lojacorr também foi apresentado

durante a Convenção. Mais enxuto e mais

“Os gatilhos para a transformação são

muitos, sejam eles de ordem social, política,

econômica ou tecnológica. Tudo acontece

muito rápido agora e muito do que existe hoje

pode ser diferente no futuro”.

Carlos Magnarelli, CEO da Liberty Seguros

“Mudar nem sempre é fácil porque tira

as pessoas da zona de conforto. Mas um novo

olhar traz uma satisfação pessoal importante

para o desenvolvimento do grupo.”

Helio Kinoshita,

vice-presidente da Mitsui Sumitomo

“O caminho do produto massificado é o

da digitalização e, para aqueles mais técnicos,

a venda deverá ser a consultiva, com o

corretor ocupando este posto de consultor.”

Geniomar Pereira, André Duarte, Sandro Ribeiro dos Santos,

Diogo Arndt Silva e Luiz Longobardi Jr.

Leandro Poretti,

diretor geral Brasil da Sancor

15


ede lojacorr

“As necessidades mudam ao longo da vida e

precisamos entender o momento do cliente.

Temos que desenvolver ferramentas para

acessar o cliente da forma e no momento

adequados.”

Vinicius Albernaz,

presidente do Grupo Bradesco Seguros

“O negócio de corretagem tem aqui na Rede

Lojacorr um modelo de transformação. Hoje,

a redução de custos administrativos é crucial

para a operação de qualquer empresa”.

Murilo Riedel, CEO da HDI Seguros

“Quando a banda Queen pensou

em inovar não precisou de nada mirabolante.

Pensaram na interação com o público e

criaram um grande sucesso.”

Alberto Muller, diretor comercial da Sompo

16

leve, ele oferece conteúdo para quem

está na Rede e para os consumidores.

Geniomar Pereira, diretor Comercial da

empresa, informa que o site, ainda trará

no futuro muitas novidades, como a geração

de leads para o corretor de seguros

parceiro. “É todo um trabalho de marketing

digital, que acompanha também a

mudança da identidade visual da Rede”.

Outra novidade é a criação de um

estúdio na sede da Rede, para o desenvolvimento

de conteúdo. “Nós vamos

disponibilizar em várias plataformas,

como Youtube e outros canais. Assim,

qualquer pessoa terá acesso. Vamos

gerar conhecimento o tempo todo e

estaremos disponíveis onde for possível.

Será uma plataforma muito ativa”,

adianta Pereira.

Ainda no campo da tecnologia, um

dos investimentos que está em andamento

é em API’s. A Lojacorr possui um sistema

próprio, que é o Broker One. Agora, ela

prepara API’s de integração com o usuário,

com produtos, buscando deixar o

sistema com interação mais fácil para que

possam plugar plataformas e soluções de

fora do mercado para dentro do sistema,

para que ele se torne um ecossistema

completo de apoio comercial e de gestão

para o corretor.

O diretor de Tecnologia da Rede,

Sandro Ribeiro, ressalta que, tendo como

base o propósito de ajudar o brasileiro

a se proteger mais e melhor, há vários

focos para contribuir com o corretor de

seguros nesta tarefa. “Nosso mercado é

humano, de relacionamento. A tecnologia

é apenas uma ferramenta para facilitar o

trabalho das pessoas”. Ele acrescenta que

nem sempre a inovação interna é mais

aconselhável, pois é possível encontrar

no mercado parceiros que auxiliem nesta

tarefa. O importante é mudar o mindset

e focar no compartilhamento.

A presença nacional da Rede exige

a aplicação de soluções que atendam

as mais diversas particularidades. Luiz

Longobardi, diretor de Mercado e Operações

da Rede Lojacorr, explica que no

ecossistema da Rede é preciso oferecer as

ferramentas que os corretores de seguros

necessitam, como os multicálculos. Hoje,

são oferecidas duas opções diferentes:

TEx e Quiver. “Trouxemos uma nova

“Uma preocupação que devemos ter é com a

concentração da riqueza. A tecnologia deve

focar neste tema para que tenhamos uma

sociedade mais justa.”

Ramon Gomez, vice-presidente da MetLife

“A forma da Rede Lojacorr se relacionar

com o mercado é inovadora, pois conseguiu

ressuscitar um modelo antigo e ainda o

rejuvenesceu.”

Rodolfo Montosa, CEO da BR Consórcios

“O que torna a Rede Lojacorr e Adobe

diferentes das outras empresas é a atenção

que temos com as pessoas, porque elas são

as reais desenvolvedoras.”

Rodrigo Marcondes, vice-presidente de

Marketing Digital da Adobe Systems


Max Gehringer

Allan Costa

“Temos no DNA da parceria, o protagonismo

do empreendedor corporativo. Assim

conseguimos ajudar o cliente com soluções e

processos mais ágeis.”

Wilson Leal, CIO da Tokio Marine

Arthur Igreja

ferramenta, para que tenham mais opções

na hora de cotar, como os segmentos de

seguros para empresas e residência. A

questão é muito simples, a tecnologia: o

corretor opta pela tecnologia que ele tem

mais facilidade de operar”.

Longobardi destaca que estas soluções

são homologadas pela Rede e

oferecidas aos corretores parceiros por

um custo mais favorável e que são aceitas

pelas barreiras de segurança das seguradoras.

“Já estamos em uma jornada

de automatização do nosso BackOffice.

Temos dois robôs em operação na nossa

produção. Um que trabalha as questões de

Luiz Almeida Marins

parcelas pendentes e outro que cuida das

pendências de emissão. Esses dois robôs

atendem praticamente 40% de todo o nosso

volume de negócios”, conta o executivo.

Futuro

A Rede fechou 2018 com R$ 515

milhões em prêmios de seguros e consórcios.

O objetivo é chegar a um bilhão

em prêmios em 2021. Parece uma meta

arrojada, mas a Rede mantém um ritmo

de crescimento de 25% ao ano.

A intenção é criar um ecossistema

de soluções, tecnologia, apoio comercial,

acesso, para que o corretor só fique com

“Nossa relação é confiança. No final do

dia, o consumidor confia a proteção do seu

patrimônio e da sua família e nós temos que

municiar estas pessoas com informações de

valor.”

André Lauzana, vice-presidente da Sulamérica

REDE LOJACORR

6ª CONVENÇÃO

1,2 mil associados

4 palestrantes

3 mil

R$ 515

milhões

330 mil

25,17%

51

profissionais

(seguros e consórcios)

prêmios em 2018

apólices administradas

de crescimento em 2018

unidades em todo o Brasil

5 talk shows

1,2 mil participantes

18 lounges de parceiros

125

especialistas atendendo

em 50 mesas de negócios

“Na Europa, tanto os brokers quanto

os agentes tinham medo do ‘digital’. Mas,

na verdade, ele veio para complementar e

para fazer estes profissionais ganharem mais

tempo.”

Delphine Maisonneuve, CEO da AXA Seguros

17


ede lojacorr

a responsabilidade de vender. “Toda a

parte burocrática, BackOffice, assessoria

jurídica e contábil fica sob a responsabilidade

da Rede”, completementa

Geniomar Pereira.

A maturidade desenvolvida pela

Rede trouxe a oportunidade de conectar

novos profissionais para facilitar a vida

do corretor de seguros. “Nosso trabalho

é fazer com que os empreendedores

tenham mais facilidade para vender os

produtos das seguradoras”, declara André

Ogliari Duarte, diretor Financeiro da

Rede Lojacorr.

Assim, foram conectados ao ecossistema

produtos de consórcio, soluções de

contabilidade e o que mais possa fazer

sentido para o corretor de seguros. “Temos

que entender as dores que temos junto com

toda a rede. A conta precisa fechar para

todos, trazendo bons resultados para os

associados”, conclui Duarte.

“Hoje a reputação de uma companhia é

destruída ou glorificada da noite para o dia.

A tecnologia faz com que a vontade do cliente

seja soberana.”

Edson Franco, CEO da Zurich

“O cliente as vezes quer ser digital, as

vezes quer ser atendido pelo telefone ou

pessoalmente. O cliente é híbrido e o

atendimento deve ser da mesma forma.”

Talk Show “Melhores Práticas”, apresentado por Geniomar Pereira,

com a participação dos vencedores do Prêmio Referência Nacional

Luis Gutiérrez, CEO da Mapfre

“Produtos de seguros são muito complexos,

mas os meios digitais trazem mais autonomia

para os corretores de seguros, gerando uma

tradução melhor para o consumidor”

Renato Pedroso, CEO da Previsul

Talk Show “Proteção, Muito mais que uma Missão” com a diretoria da

Rede Lojacorr, apresentado pela jornalista Ana Clara Baptistella

18


especial automóvel | panorama

O gigante se reinventa

Dono do posto de maior mercado no Brasil por anos a fio, o

segmento de automóvel está diante de desafios que exigem

uma mudança de rota para atender demandas de curto prazo

sob o risco de impactos maiores no futuro. Questões de ordem

econômica e comportamentais obrigam seguradoras a se

reinventarem a partir de soluções mais simples e de nicho

Elis Lopes

20


Com uma baixa de 1,3 milhão em

veículos novos vendidos no ano

passado frente aos tempos áureos

da indústria automobilística no

Brasil – ainda que o setor tenha conseguido

crescer, o mercado de seguros procura novos

combustíveis para tentar voltar ao patamar

de expansão do passado, no qual avançar

dois dígitos era a regra, não a exceção. As

expectativas de que esse cenário se concretizasse

no ano passado foram por água abaixo.

Apesar de o mercado ter reagido, somente

algumas poucas companhias conseguiram

emplacar o feito em meio à postura ainda

seletiva de players consolidados do setor.

Como consequência, a carteira de seguro

de automóvel, que no ano passado perdeu

o posto de líder do mercado brasileiro para

o segmento de pessoas – considerando o

seguro obrigatório (DPVAT), cresceu 5,89%

na comparação com 2017, movimentando

quase R$ 36 bilhões em prêmios. Embora

tenha sido o segundo exercício consecutivo

de expansão, refletindo a contínua melhora

da indústria automobilística, em 2018 o

mercado iniciou o ano todo esperançoso

de recuperar o crescimento de dois dígitos,

o que não se concretizou. Além disso, boa

parte da expansão entregue ainda refletiu o

reajuste nos prêmios – não necessariamente

contratos novos – e ainda os segmentos de

frotas e de locadoras de veículos. “O mercado

de seguro de automóvel tem muitos

desafios. O setor perdeu quase 2 milhões de

veículos nos últimos anos (no auge da crise).

Para retomar o crescimento de dois dígitos

das últimas décadas, só em 2024”, avalia

o vice-presidente de produtos da Liberty,

Paulo Umeki.

Pesam, sobretudo, na opinião do executivo,

além da crise que o País vive e que pegou

em cheio setores pujantes da economia como,

por exemplo, a indústria automobilística,

as mudanças culturais dos consumidores,

que já impactam a frota segurada. Uma das

constatações coloca em xeque, inclusive, a

paixão do brasileiro pelo carro. Além de

adiarem a retirada da habilitação quando

completam 18 anos, muitos não querem

sequer o aval para dirigir. Segundo Umeki,

pesquisas mostram que entre 30% e 35%

dos jovens brasileiros não desejam obter a

carta de motorista. Como consequência, a

emissão do documento entre condutores de

18 a 21 anos diminuiu 20,61% em três anos,

❙❙Paulo Umeki, da Liberty

de acordo com levantamento da empresa de

pesquisas Ipsos, com base nos dados do Departamento

Nacional de Trânsito (Denatran).

Ao contrário, os jovens preferem investir o

dinheiro da carteira de motorista em um

celular. É pelo aparelho que eles viabilizam

o que antes era buscado com a habilitação:

mobilidade. Isso porque com poucos cliques

conseguem acionar aplicativos de mobilidade

e chegar a qualquer canto sem trabalho e

com custos atrativos. “O mercado de venda

de carros 0 km está reagindo lentamente,

o que já é um grande problema, mas o que

tem impactado a demanda por seguro, e

tende a pesar ainda mais, são as mudanças

no perfil dos consumidores, que cada vez

mais se interessam por utilizar aplicativos

no Brasil e no mundo”, raciocina o superintendente

de Produto Auto da Porto Seguro,

Vicente Lapenta.

❙❙Vicente Lapenta, da Porto Seguro

21


panorama

“Competitividade mais

acirrada, maior frequência

de risco e roubos em São

Paulo e Espírito Santo e

redução do preço médio

são grande desafios

para as companhias que

operam com seguro de

automóvel neste ano”

No País, já há mais de uma dezena

de aplicativos de mobilidade urbana. Os

números do setor são crescentes não só

pela conveniência do serviço, que puxou

para baixo os preços cobrados por corridas

de táxis, que até então dominavam o

segmento, bem como pela demora de um

vigor mais forte da economia brasileira. O

índice de desemprego segue elevado e atingiu

13,1 milhões de pessoas em fevereiro

último, segundo dados da Pesquisa Nacional

por Amostra de Domicílios (Pnad)

– Contínua feita pelo Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar

de estável na comparação com o mesmo

mês do ano passado, o número indica incremento

de 7,3% em relação a novembro

de 2018. Na prática, significa dizer que de

lá para cá o número de desempregados no

Brasil teve aumento de 892 mil pessoas.

Esses trabalhadores precisam se recolocar

e os aplicativos de mobilidade são uma das

alternativas. No Brasil, a Uber, que chegou

ao País junto com a Copa do Mundo de

2014, já soma mais de 600 mil motoristas,

22

Saint’Clair Pereira Lima,

da Bradesco Seguros

que atendem um contingente crescente e

que ultrapassa o patamar de 22 milhões de

usuários. É, por exemplo, a população das

cidades de São Paulo e México, segundo

relatório da ONU. A Uber desembarcou

no Brasil a partir do Rio de Janeiro e, em

seguida, começou a operar também em

São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. Hoje,

já está em mais de 100 cidades do País.

“Cada vez menos os brasileiros querem

ter carro e, consequentemente, contratam

menos seguro de automóveis”, alerta Lapenta,

da Porto Seguro.

Outra pedra no sapato do mercado

de seguros de automóvel é o crescimento

das cooperativas de proteção veicular. Se

antes essas organizações, que não têm

sua atuação fiscalizada e regulada como

as seguradoras, atuavam mais em cima

de frota de caminhões, agora, começam

a avançar sobre as pessoas físicas. Além

de abocanharem parte do mercado, que

no Brasil tradicionalmente foi ditado por

preço, ainda tornam a competitividade do

segmento, que já não é pouca, ainda mais

acirrada. “Principalmente nos estados

do Rio de Janeiro e de Minas Gerais as

cooperativas de proteção veicular estão

incomodando e preocupando bastante

até”, alerta o diretor Técnico de Auto/

RE da Bradesco Seguros, Saint’Clair

Pereira Lima.

Mudança de rota

Para atender as novas tendências

comportamentais dos brasileiros, as

seguradoras “automoveleiras” também

❙❙Rogério Santos, da Sompo Seguros

❙❙Eduardo Dal Ri, da SulAmérica

estão se reinventando. Como consequência,

as prateleiras de produtos passam

a contar com opções mais simples e

também com foco em nichos específicos,

dentre eles os motoristas de aplicativos.

A líder do segmento no País, a Porto

Seguro, estuda a possibilidade de lançar

um produto específico para a categoria

no ano que vem. Embora já aceite esse

tipo de risco entre seus segurados, o superintendente

da companhia observa que

os motoristas de aplicativos representam

um nicho diferente pois, muitas vezes,

alugam o carro para trabalhar e acabam

não tendo o mesmo cuidado de quem é

dono do veículo.

Nessa mesma direção, a SulAmérica

acaba de acrescentar um novo campo no

formulário para a contratação do seguro

de automóvel para os segurados especificarem

se trabalham como motoristas

de aplicativos ou não. “Queremos medir

o tamanho desse mercado e começar a

nos preparar para atendê-lo”, diz o vice-

-presidente de Auto e Massificados da

SulAmérica, Eduardo Dal Ri.

Além de incluir novos agentes, as

seguradoras têm que, ao contrário do movimento

feito no passado, revisitar seus

portfólios de produtos para disponibilizar

ofertas mais simples aos segurados

e, consequentemente, com preços mais

atrativos. A japonesa Sompo lançou um

novo seguro de automóvel, confeccionado

a partir da demanda do mercado e

que vem substituir as soluções ofertadas

até então. A expectativa da companhia

é reverter a queda do ano passado e

emplacar um crescimento de 25% com


panorama

o novo seguro neste ano, conforme o

diretor Técnico do Produto Automóvel

da Sompo Seguros, Rogério Santos.

“Essa é uma meta bastante ousada. Mas

nosso objetivo será realizar este crescimento

em âmbito nacional, já que incluímos

uma série de recursos que facilitam

muito a contratação, e o produto está

adequado para atender todas as regiões

do País”, pondera o executivo.

Dentre as inovações do novo seguro,

de acordo com ele, está a possibilidade

de o segurado contratá-lo na modalidade

Auto Mensal, que possibilita, por exemplo,

a renovação automática e a quitação

integral da apólice a partir da primeira renovação.

Neste caso, se o segurado pagar

a primeira parcela da nova vigência já tem

direito à quitação da apólice em caso de

sinistro. “Em outras palavras, o segurado

é indenizado por conta de seu sinistro,

em caso de perda total, e a Sompo dá a

quitação da apólice sem cobrar parcelas

adicionais. É uma comodidade a mais

para o segurado e um bom argumento

de vendas para o corretor de seguros”,

observa Santos.

A revisão do portfólio das companhias

com foco em seguro de automóveis

vem a reboque da regulamentação do seguro

auto popular que ainda não decolou

no Brasil. Dados da Superintendência

de Seguros Privados (Susep) obtidos

por Apólice mostram que no ano passado

a carteira somava apenas cerca de R$ 3

milhões em prêmios. Lançada em 2016,

a modalidade ainda enfrenta alguns entraves

para crescer, sobretudo, o preço do

produto. Isso porque embora a liberação

de peças usadas ou genéricas possibilita

a redução do valor das apólices, riscos

de colisão total e roubo e furto acabam

puxando para cima a cifra, o que torna

a solução não tão atrativa para o consumidor

final.

E para 2019?

Apesar dos desafios para o mercado,

os brasileiros seguem querendo comprar

seguro, conforme o diretor da Gebram

Corretora de Seguros, Maureci Ferrite

de Oliveira. Nem todos, entretanto, o

fazem por conta, principalmente, de

custo. A lógica de que carros com mais

idade inviabilizam a contratação devido

24

“O consumidor brasileiro

segue com o seu

gosto por veículo e

quer comprar seguro

de automóvel, mas

o mercado tem

de trabalhar na

direção de viabilizar

a equação do custo

operacional versus os

preços cobrados dos

segurados”

Maureci Ferrite de Oliveira,

Gebram Corretora de Seguros

ao preço, segundo ele, permanece e, por

isso, as seguradoras têm de se debruçar

cada vez mais em soluções alternativas

para atender a demanda dos consumidores.

“O mercado não está aquecido. Vem

mantendo o mesmo volume de procura

do ano passado, mas o consumidor brasileiro

ainda gosta muito de veículo e

não deixa de fazer seguro”, enfatiza o

especialista.

Segundo ele, a corretora, forte nas

regiões de Campinas e interior de São

Paulo, cresceu seus negócios no ramo

de seguro de automóvel de 6% a 7% no

primeiro trimestre deste ano, com um

ritmo de emissão de 800 apólices mês.

Este número, lembra Oliveira, chegava

a 1.100 no passado. “A expectativa de

retomarmos esse patamar neste ano é

difícil. Talvez em 2020. Depende muito

da recuperação de vendas de automóveis

e do poder de compra. Precisamos de

emprego. Mais pessoas trabalhando, mais

crédito, mais seguro”, explica.

A Confederação Nacional das Seguradoras

(CNseg) espera que a carteira

de seguro de automóvel cresça 4,5% em

2019 em um cenário pessimista, podendo

galgar, na melhor das hipóteses, um

avanço de 8,3%. Para 2020, contudo,

as perspectivas já têm uma dose a mais

de otimismo: 6,4% de avanço no pior

cenário e 11,1% no melhor. Para Dal

Ri, da SulAmérica, o ritmo de mercado

de venda de veículos novos no primeiro

trimestre é positivo. No período, o emplacamento

cresceu 11,4% em relação

aos três primeiros meses do ano passado,

com a comercialização de 607,6 mil unidades,

o maior resultado para o período

desde 2015, segundo dados da Federação

Nacional de Distribuição de Veículos

Automotores (Fenabrave).

Lima, da Bradesco, lembra, contudo,

que uma melhora mais intensa do

mercado também depende dos sinais

de uma retomada mais efetiva da economia

brasileira e inclui a aprovação da

reforma da Previdência e ainda a parte

política conspirando a favor do País. “É

um momento muito mais de defender a

fatia de mercado do que avançar”, diz

ele, relembrando a reestruturação que a

Bradesco Seguros fez na área de automóvel

para calibrar o retorno da operação.

Com um menor mercado a ser disputado,

novos entrantes e demandas mais

customizadas, o nome do jogo no seguro

de automóvel, na visão de especialistas

ouvidos por Apólice, passa a ser escala.

Tanto é que nos últimos anos algumas

companhias que atuavam no segmento

descontinuaram suas operações. Outras

desistiram de adentrar neste mercado

tamanha a competitividade. São os casos

de Chubb Seguros, AIG e ainda a

francesa Axa. “O segmento de seguro de

automóvel vive um polimento em termos

de tamanho de mercado, o que exige daqueles

que estão competindo serem muito

produtivos e ter alta escala. Escala passa

a ser um aspecto fundamental para atuar

com seguro de auto no Brasil”, conclui

Umeki, da Liberty.


especial automóvel | serviços

A transformação

do seguro auto

Automação e soluções digitais deixam

seguradoras atentas. Jornada do

segurado pode ser o diferencial para

quem quer se destacar no ramo

Maike Silva

26


As tecnologias e o novo consumidor

mudaram a forma

como o mercado enxerga o

ramo de Automóvel. O seguro

auto se transforma através da relação

com as insurtechs e das novas demandas

do segurado, que procura por mais relacionamento

com a seguradora.

A automação é um dos pontos mais

lembrados quando se fala em tecnologia

nesse ramo. Elon Musk, CEO da Tesla,

afirmou, em entrevista dada ao site ARK

Invest, que os veículos projetados por sua

empresa terão que funcionar de forma

independente de um motorista até o fim

desse ano. De acordo com o executivo,

a supervisão do carro por parte do condutor

ainda seria necessária nesta etapa

rumo ao carro 100% autônomo, mas o

sistema de condução já poderia encontrar

vaga de estacionamento e levar pessoas

aonde precisam ir sem a necessidade de

intervenção.

“Com essa aceitação,

o seguro auto pode

se transformar em

um seguro de risco

cibernético, por exemplo”

Marcelo Blay, da Minuto Seguros

Para Marcelo Blay, CEO da Minuto

Seguros, apesar dos avanços, essas tecnologias

em fase incipiente ainda estão

muito distantes da realidade brasileira.

“Precisaremos de uma infraestrutura

nas cidades, para que os faróis, os outros

carros e o transporte público estejam

conectados”, analisa. “Mesmo em países

mais desenvolvidos, isso ainda é uma

grande incógnita, inclusive do ponto de

vista da regulação. Aqui, precisaríamos

de muito engajamento do governo para

começar a pensar no tema”, ressalta.


serviços

“Quando estes veículos

estiverem operando

em uma cidade

conectada, adotarão

um estilo de condução

mais ponderado. As

consequências geradas

pelos condutores

relacionadas à

distração, ao consumo

de álcool e a fatores

imprevisíveis serão

muito menores”

Com a chegada dos “veículos inteligentes”,

espera-se que os sinistros

sejam reduzidos, o que desencadearia

mudanças na carteira, com alterações

na precificação e na regulamentação

do seguro. Mas testes realizados pela

própria Tesla mostram que a tecnologia

ainda pode ser falha. Em maio de

2016, a empresa emitiu um comunicado

lamentando a morte de Joshua Brown,

40, nos Estados Unidos. O homem foi a

primeira vítima fatal em um acidente de

28

Marcella Verdi, da OnMe Seguros

trânsito ao utilizar o piloto automático

do Model S da companhia. A empresa

de Musk também é investigada por um

acidente que ocorreu em março desse

ano envolvendo um carro da montadora

e uma carreta.

Um estudo da Academia Brasileira

de Neurologia (ABN) mostrou que até

20% de todos os acidentes de trânsito

acontecem por causa de sonolência dos

motoristas. Já um estudo do Observatório

Nacional de Segurança Viária (ONSV)

afirma que 90% de todos os acidentes

são causados por falha humana.

Marcella Verdi, CEO da OnMe Seguros,

que pertence à Usebens Seguradora,

acredita que a tendência será a

adoção de uma condução mais pautada

pelo conservadorismo. “Quando estes

veículos estiverem operando em uma

cidade conectada, adotarão um estilo

de condução mais ponderado. As consequências

geradas pelos condutores

relacionadas à distração, ao consumo

de álcool e a fatores imprevisíveis serão

muito menores”, projeta.

Na mesma linha, Blay diz que, mesmo

que haja a redução de sinistro, não

está bem claro quem será o responsável

por ele quando vier a acontecer. “Será a

montadora que fez o carro, a desenvolvedora

do software, quem fez a gestão da

infraestrutura ou outrem o responsabilizado

pelo sinistro?”, pergunta-se. “Com

essa aceitação, o seguro auto pode se

transformar em um seguro de risco cibernético,

por exemplo”, analisa o CEO. Ele

explica que “se pensarmos que o sinistro

pode ser um hacker que invade um sistema

e causa caos na cidade, fazendo com

que os carros comecem a andar de uma

forma desgovernada, essa lógica poderá

ser aplicada”.

Já Marusia Gomes, CEO da Ikê

Assistência Brasil, aponta que o fabricante

do veículo ou o fornecedor do

software serão os prováveis convocados

em assumir as responsabilidades de um

sinistro, pois o motorista, por definição,

deixou de ser o elemento ativo na direção

do carro. “Certamente, como toda

indústria, as seguradoras e as empresas

de serviços terão que se reinventar face

a este novo cenário que se aproxima”,

reforça.

No Brasil

Está previsto ainda para 2019 o

lançamento do primeiro carro autônomo

desenvolvido inteiramente no Brasil pela

Startup brasileira Hitech Electric, com

investimentos da Positivo Tecnologia.

Apple, Google, BlackBerry e Intel já

trabalham em protótipos e em testes

assim como montadoras como Ford,

Nissan - além da citada Tesla - que já

iniciaram seus projetos e estão em fase

experimental.

“A princípio, as câmeras desses carros

serão os sensores, que geram imagens

e fazem a função dos olhos do motorista.

Tudo que a câmera registrará será detectado

e enviado para um computador

de bordo capaz de identificar objetos e

pessoas, funcionando como um cérebro

artificial”, conta Marusia. Ela exemplifica

que se essa “central” detectar que

uma criança apareceu na frente do carro,

acionará o freio (atuador) e irá parar o

carro sozinho. “Tudo precisa evoluir para

que possamos opinar mais a fundo sobre

a sinistralidade: proteção de dados, legislação,

indústria, produtos e até mesmo a

mentalidade da sociedade estão inclusas

nisso”, complementa.

Os consumidores se mostraram bem

mais confiantes em relação ao funcionamento

dos veículos 100% autônomos em

2018 do que no ano anterior, de acordo

com o estudo Global Automotive Consumer,

da Deloitte. Na edição de 2017 do

levantamento, 67% dos participantes, em

média, afirmavam acreditar que os veículos

totalmente autônomos não seriam

seguros. Esse percentual recuou para 41%

no atual estudo da consultoria.

“Sabemos que a maioria dos aviões

comerciais já conseguem fazer tudo sozinhos,

mas quem entraria em um avião

sem piloto? Mesmo que ele esteja lá apenas

para dar boas-vindas aos passageiros

e assumir os comandos em caso de alguma

pane?”, questiona Marusia. Para ela,

o conceito de que os carros autônomos

irão diminuir os sinistros ainda precisa

de mais dados e estudos. “Temos muito

a aprender para ter afirmações dessa

natureza”, reforça.

A comprovação de um histórico de

segurança na operação dos veículos autônomos

é fator essencial para garantir a


“A princípio, as câmeras desses carros serão os

sensores, que geram imagens e fazem a função dos

olhos do motorista. Tudo que a câmera registrará

será detectado e enviado para um computador

de bordo capaz de identificar objetos e pessoas,

funcionando como um cérebro artificial”.

Marusia Gomes, da Ikê Assistência Brasil

confiança entre os consumidores. Só nos

Estados Unidos, 71% dos participantes

do estudo disseram que estariam mais

propensos a viajar em um veículo autônomo

se tivessem acesso a um registro de

resultados com a confirmação de padrões

de segurança de fato apurados, percentual

pouco acima ao apurado no estudo

de 2017 (68%). Em outros mercados, no

entanto, essa exigência de comprovação

de resultados em relação à segurança

dos veículos autônomos avançou mais,

como no caso da Coreia do Sul, com

83% dos consumidores querendo dados

de comprovação de segurança (ante

70% em 2017) e 63% dos consumidores

alemães (acima dos 47% do ano passado)

mantendo a mesma visão.

“Deixaremos de precificar de forma

massificada e, cada vez mais, iremos

pautar a precificação no comportamento

individual de cada segurado,

independentemente do tipo de carro

que ele dirija”, projeta a CEO da Ikê.


serviços

“As tecnologias embarcadas nesses

veículos certamente deverão ser usadas

como insumos para essas precificações”,

complementa.

Soluções

A inovação na indústria não diz

respeito apenas aos carros autodirigíveis.

No mercado de seguros, não faltam

soluções pensadas para aprimorar a jornada

do consumidor, reduzir os custos e

aumentar a velocidade operacional das

seguradoras.

Os aplicativos de autovistoria, por

exemplo, têm essa dupla função. Enquanto

na vistoria tradicional o serviço é

agendado e tem acompanhamento de um

profissional, nas soluções digitais tudo é

feito através de imagens capturadas pelo

segurado que, dependendo da ferramenta,

30

“O consumidor busca

mais contato com as

seguradoras, ele quer

serviços adicionais.

Além tudo, precisamos

dar uma experiência

mais agradável e

dinâmica”

Fernando Gimenez, da Car10

podem ser pré-aprovadas por uma equipe

de análise e enviadas à seguradora ou ao

mecânico, reduzindo, assim, os custos

operacionais para as seguradoras e empresas

de serviço e agilizando o processo

para o consumidor. “Hoje o custo de

uma vistoria prévia presencial é mais

que o dobro de uma autovistoria para

as seguradoras, então, no que se refere

a custo-benefício, não há dúvidas que a

tecnologia veio para somar”, diz Lyssia

Chieppe, superintendente Comercial da

Autoglass.

Já Fernando Gimenez, diretor de

Marketing e Produto da Car10, conta que

a empresa trabalha em soluções focadas

no pequeno reparo, aliando a demanda

do consumidor a uma jornada simplificada.

“Estamos desenvolvendo uma

inteligência artificial (IA) há oito meses,

em parceria com a Microsoft. Temos uma

estrutura de algoritmos que utiliza IA e

nos permite, através de algumas imagens,

identificar o veículo e saber qual área está

danificada, além de fazer a estimativa do

reparo”, explica.

Gimenez conta que a solução está

em uma versão beta e diz que, se um

orçamento for solicitado hoje pelo site, o

cliente receberá um retorno em cerca de

2 ou 3 horas. Já pela solução que está na

fase beta, isso acontece, em média, em 30

segundos, e com uma precisão de 88%.

“Estamos tentando tirar essa margem

de erro de 12%. Por essa razão, ainda

estamos na fase beta. A solução tem um

apelo mais intuitivo, fazemos com que,

com uma foto só, o cliente possa saber o

que está danificado e qual tipo de serviço

que será realizado”.

O diretor revela que a cotação feita

no site demora mais de duas horas para

ter um retorno, pois uma equipe interna

tem que avaliar se a foto está correta para

dai esta ser enviada à oficina. “Antes de

mandar, tentamos aperfeiçoar algumas

informações tanto do veículo quanto das

peças que já foram identificadas, tudo

isso é manual. Com a nova solução, já

reduziremos essa primeira parte. Com

os números atuais, em 88% dos casos

já eliminaríamos esse primeiro estágio”,

comemora. “O consumidor busca

mais contato com as seguradoras, ele

quer serviços adicionais. Além de tudo,

“Hoje o custo de uma

vistoria prévia presencial

é mais que o dobro de

uma autovistoria para

as seguradoras, então,

no que se refere a

custo-benefício, não há

dúvidas que a tecnologia

veio para somar”

Lyssia Chieppe, da Autoglass

precisamos dar uma experiência mais

agradável e dinâmica”, reforça.

“Entendemos que o mercado de vistoria

prévia deve migrar pra um modelo

híbrido em que parte das vistorias será

realizada via canal digital (autovistoria) e

parte via canal físico”, diz Lyssia. Para a

Autoglass, cerca de 75% de todas as vistorias

de danos relacionados à cobertura

de vidros já ocorrem via canal digital,

o que traz agilidade e maior comodidade

ao cliente, que se desloca até a loja

apenas para de fato realizar o serviço.

“Da mesma forma, as vistoriadoras precisarão

se adaptar a essa nova realidade

e desenvolver tecnologias para prover

um atendimento mais eficiente e que se

compare com a agilidade da autovistoria”,

completa a executiva.


especial automóvel | tecnologia

Adeus perfil

Telemetria promete revolução na precificação

dos seguros de automóveis. Esqueça os antigos

questionários. Seguradoras começam a coletar dados

sobre o dia a dia de cada motorista. O impacto disso?

Um valor, de fato, sob medida para cada segurado

Elis Lopes

Idade? Estado civil? CEP de pernoite

do veículo? Essas e outras várias

questões comuns no momento da

cotação do seguro de automóvel

deixarão de ser feitas em breve. Criado

na década de 90, o perfil, modalidade

mais praticada no Brasil, caminha para

seu fim. No lugar, chega um novo ator

que pretende revolucionar a forma como

se precifica o seguro de automóvel: a

telemetria. De origem Grega, onde tele

significa remoto e metron medida, a

32

tecnologia, muito usada na Fórmula

1, começa a ganhar espaço em outros

mercados, dentre eles, o seguro. Aliada

da era do “Big Data” e da “Internet das

Coisas (IoT)”, a telemetria chega para

transformar o principal ativo das seguradoras,

o risco. Além de permitir uma

melhor análise e, consequentemente,

determinar um valor mais justo para cada

segurado, a tecnologia é vista como uma

ponte para agregar uma proposta de valor

e experiência em um produto, cujo fator

decisivo sempre foi o preço. No lugar de

questionários de avaliação, a telemetria

adiciona conveniência e possibilita que

as seguradoras confeccionem proteções

customizadas para cada perfil de usuário.

É, assim, o pontapé para acabar com o

portfólio engessado do mercado, com

apólices anuais e análise de risco com

base na média do perfil dos usuários,

para soluções desenhadas considerando

a necessidade de cada indivíduo e, principalmente,

o tempo de uso.


Embora esse cenário ainda seja mais

promessa do que realidade, o mercado

brasileiro de seguros caminha para se

alinhar a outros mais desenvolvidos

quando o assunto é telemetria, como

a Inglaterra, onde a tecnologia nasceu,

e os Estados Unidos. “É um assunto

novo em todo o mundo. As seguradoras

estão aprendendo a usar a telemetria

e o mundo de informações que vem a

reboque dela”, destaca o diretor executivo

de seguros no Brasil da LexisNexis

Risk Solutions, especializada no tema,

Ricardo Lachac.

Tanto é que muitas seguradoras que

já se atentaram à necessidade de investir

nessa tecnologia ainda estão em fase de

testes ou começando a implantá-la na

prática. É o caso da SulAmérica. Depois

de uma fase piloto, a seguradora acaba

de lançar a segunda fase do aplicativo

Auto.Vc, baseado em telemetria. Mais

robusto que a versão inicial, o novo

dispositivo promete descontos de até R$

400,00 na renovação ou contratação do

seguro a depender do comportamento do

ao volante. Na mira da companhia: segurados

e, principalmente, os que ainda

não são clientes. O objetivo da seguradora,

de acordo com o vice-presidente

de auto e massificados da SulAmérica,

“O preço do seguro

está empacotado. Falta

informação. A telemetria

pode melhorar isso e

ajudar a trazer novos

segurados para o

mercado. Quem sabe

duplicar ou até triplicar o

segmento no Brasil”

Ricardo Lachac,

da LexisNexis Risk Solutions

Eduardo Dal Ri, é constituir uma base

robusta de informações que sirva de suporte

para analisar e precificar melhor o

risco. Por isso, o não-segurado é até mais

interessante, uma vez que a companhia

ainda não tem informações sobre o seu

perfil. Por meio do GPS dos smartphones

e da autorização dos usuários, a seguradora

vai medir as variáveis de direção de

cada um. Por onde os usuários andam, a

velocidade que trafegam, como freiam,

se são ousados ou não nas curvas, horário

de uso e por aí vai. “Ninguém dirige

igual a ninguém. Sutilmente, as pessoas

dirigem diferente. Um acelera mais ou

freia mais que o outro. Vamos acompanhar

tudo, o horário que as pessoas

estão se expondo ao risco e por quanto

tempo”, diz Dal Ri.

O monitoramento, garante ele, é mais

eficaz que o questionário do perfil, uma

vez que a possibilidade de erro na captura

das informações é muito baixa. Além

disso, a telemetria chega para acabar

com o que Dal Ri chama de “injustiças

tarifárias”. Isso porque ao menos até aqui

os segurados eram avaliados a partir

de métricas que geravam uma análise

média para cada idade e carro segurado.

No entanto, além de não ser individual,

o perfil de risco das pessoas está em

Telemetria no seguro

Tecnologia promete revolucionar a maneira como se analisa e

precifica no risco. Além de representar uma “justiça tarifária”, é o

ponto de partida para as soluções de seguros baseadas

no tempo de uso de cada indivíduo

Hoje

Futuro

EXPERIÊNCIA DO CLIENTE

TELEMETRIA / SENSORES CONECTADOS

Contratar

Seguro

Renovar

Apólice

Pagar

Prêmio

Sinistros/

Assistências

A TELEMETRIA

POSSIBILITA

Seguro

Customizado

Feedback

para

Motorista

Atendimento

de

Segurança

e

Emergência

Conveniência

e

Entretenimento

Diagnóstico

do Carro

sob Demanda

Navegação com

Informações de

Trânsito em

Tempo Real

Rede de

Sensores

Automotivos

Serviços de

Informação

33


tecnologia

“A telemetria tem o

potencial de transformar

o negócio de seguro

auto: sair de cotações

(preço) para uma

proposta de valor e

experiência do cliente

completa”

constante mudança. Um segurado de 18

anos, sempre visto como a “ovelha negra”

do mercado, pode ser melhor que outro

indivíduo de 60 anos, considerado até

então um bom cliente para se ter na carteira,

uma vez que ele pode ter acabado

de se tornar motorista de aplicativo, o que

aumenta sua exposição e, consequentemente,

o preço para “segurá-lo”.

34

Samy Hazan, da Insurtech-Brazil.com

De olho

A telemetria tem seleção natural de

risco e é vista pelas seguradoras como

a ponte para o desenho de como será

o mercado de seguro de automóvel no

futuro. Isso porque além de aperfeiçoar

a captura de informações, as pessoas

quando estão sendo monitoradas mudam

seu comportamento para melhor. É fato.

Segundo Lachac, da LexisNexis, pesquisas

mostram que entre 40% e 50% dos

indivíduos monitorados melhoram seu

comportamento ao saberem que estão

sendo monitorados. Assim, ao melhorarem

seu risco, podem encontrar opções

mais atrativas para contratação de seguro.

“O preço do seguro está empacotado.

Falta informação. A telemetria pode

melhorar isso e ajudar a trazer novos

segurados para o mercado. Quem sabe

duplicar ou até triplicar o segmento no

Brasil”, diz Lachac.

É por isso que as seguradoras passaram

a ter olhos mais atentos para a

telemetria. A Bradesco Seguros, por

exemplo, ainda não usa seu aplicativo de

monitoramento de motoristas, o Dirija

Bem, lançado quando ainda Octavio de

Lazari, hoje presidente do banco, capitaneava

a seguradora, para precificar seus

seguros. Por ora, segue colecionando um

mar de informações. Já são 750 milhões

de viagens desde o seu lançamento, 6

mil downloads e um total de 17 bilhões

de quilômetros rodados. “A principal

dificuldade das seguradoras é descobrir

fórmulas de estar mais presente no dia

a dia do segurado como, por exemplo,

o aplicativo Waze, que faz parte do dia

todo das pessoas. Os aplicativos são a

saída”, admite o diretor-técnico de Auto/

RE da Bradesco Seguros, Saint’Clair

Pereira Lima.

Com a iniciativa Trânsito Mais Gentil

e um milhão de downloads no aplicativo,

a Porto Seguro, líder no segmento

de automóvel, tem concedido desconto de

até 15% no preço do seguro de automóvel

para os clientes jovens, de 18 a 25 anos,

da marca que leva seu nome. O benefício

ainda não foi estendido ao restante da

base e também aos segurados da Azul

e do Itaú Unibanco, mas, conforme o

superintendente de Produto Auto da Porto

Seguro, Vicente Lapenta, a seguradora

estuda sua extensão. “Começamos pelo

público jovem para entender esse tipo

de risco, que sempre foi mais pesado

para o mercado de seguros. Estudamos

expandir para toda a carteira”, antecipa

o executivo.

Quem também avalia o caminho é a

Alfa Seguradora. Apesar de a companhia

ainda estar desenvolvendo seu programa

de descontos, segundo o gerente geral de

produto automóvel, Ismael Garcia, ela

já se vale das informações que coletou

nos veículos rastreados para melhor

precificar os riscos de seus segurados.

“A propagação do uso da

telemetria e a chegada

dos aplicativos tendem

a propiciar a criação

de produtos mais em

conta, sob o ponto de

vista do consumidor”,

aposta ele.”

Ismael Garcia, da Alfa Seguradora

Com uma carteira de 130 mil veículos, o

público alvo soma entre 20 mil e 30 mil

unidades. São, principalmente, automóveis

de maior valor, de R$ 200 mil a R$

300 mil, até pelo perfil da companhia,

e também aqueles de frota. O plano,

conforme Garcia, é avançar para a concessão

de descontos para os segurados já

monitorados pela companhia no segundo

semestre. Embora ainda o percentual não

esteja definido, o superintendente da Alfa

aposta na investida como uma ferramenta

de retenção de clientes e, principalmente,

atração de novos segurados. “Muitos consumidores

não conseguem ser abraçados

pelo mercado de seguros porque têm um

entendimento de que o preço é alto para

o seu orçamento. A propagação do uso

da telemetria e a chegada dos aplicativos

tendem a propiciar a criação de produtos

mais em conta sob o ponto de vista do

consumidor”, aposta ele.

De acordo com o consultor e sócio

da Insurtech-Brazil.com, Samy Hazan, o


grande desafio das seguradoras brasileiras

é a equação econômica da telemetria

e dos seguros pagos pelo uso. É preciso

fechar a seguinte conta: descontos nos

prêmios combinados com custo da

tecnologia (sensores), comunicação e

tratamento das informações (analytics).

“Há uma tendência na redução do prêmio

médio, que poderia trazer pressão

nos custos fixos e administrativos, sem

necessariamente aumentar o número de

segurados novos no sistema”, observa ele.

O especialista lembra ainda que

a captura e interpretação de dados, a

partir de inúmeras fontes estruturadas

e não estruturadas, também desafiam as

seguradoras que terão de aplicar técnicas

analíticas avançadas para conhecer e

melhorar a experiência de seus clientes.

A SulAmérica, por exemplo, depois

de analisar 14 empresas, optou pela Lexis-

Nexis para fornecer o aplicativo. Dal Ri

explica que o desafio já começa na própria

confecção do dispositivo. Isso porque

como o aplicativo é inclusivo e aberto a

todo perfil de usuário teve de levar em

consideração o consumo de bateria e

memória, por exemplo. “Do contrário, as

pessoas deletariam o aplicativo em dois

dias. Por isso, só captamos os dados em

wi-fi. Tivemos de fazer uma análise holística

do aplicativo versus o usuário antes

de disponibilizá-lo”, diz o vice-presidente

da seguradora.

Do lado dos segurados, o assunto

telemetria ainda é novidade. Muitos ainda

não se valem do monitoramento por parte

da seguradora para obterem desconto no

seguro. Além disso, corretores ouvidos

pela Apólice dizem que nem sempre a

companhia que acompanhou um determinado

cliente vai oferecer o melhor

preço para o seu perfil de risco. Lachac

admite que há uma curva de aprendizagem

no que tange ao uso da telemetria

para a precificação de seguros no Brasil.

Ficar de fora, porém, pode significar o

distanciamento dos bons riscos ou ainda

de novos mercados para o seguro de

automóvel.

Seguro pelo uso

A telemetria é considerada ainda a

via para o desenho futuro do seguro de

automóvel, uma vez que começa a condicionar

a análise e precificação do risco

para uma ótica baseada em uso e não em

informações genéricas e média de um

grupo de pessoas com características

similares. Do inglês, onde UBI significa

seguro automóvel baseado em uso, o modelo

deve ganhar mais espaço daqui para

frente no Brasil, segundo especialistas

ouvidos por Apólice. A modalidade,

que já está atraindo a atenção das companhias

mais antenadas, tende a entrar

para o radar tanto das seguradoras estabelecidas

quanto das pequenas empresas

de seguros de automóveis, incluindo as

insurtechs - empresas iniciantes do setor

de seguros. São exemplos os seguros

desenhados para carros compartilhados.

Nesse contexto, a Liberty Seguros está

em projeto piloto com a plataforma

Mobi, que gerencia esse tipo de serviço,

para oferecer produtos customizados.

A ideia, segundo o vice-presidente de

produtos da seguradora, Paulo Umeki, é

desenvolver planos diários, baseado nos

quilômetros rodados por casa usuário e

por aí vai. Esse é o caminho, na visão

do especialista, para as seguradoras

de automóvel enfrentarem a mudança

cultural, na qual o carro não é mais um

status. “O que temos de fazer é dar um

retorno maior em termos de sinistros e

serviços ao segurado. Já podemos fazer

apólice de menos de um ano. Daqui a

pouco, será de apenas uma hora”, prevê

Umeki.

Riscos

Oportunidades

• Queda de arrecadação

dos prêmios

• Privacidade de dados

• Custos de tecnologia

• Conflito de interesses

• Queda na sinistralidade

• Precificação justa

• Maior interação com

segurados

• Agilidade para ajustar preços

35


especial automóvel | produtos populares

Flexibilidade e criatividade

ditam as regras para o

novo consumidor

Corretores e seguradoras buscam formas para fidelizar

e atrair clientes que já possuem novas opções para

aquisição de produtos

Lana Oliveira

36


Não é de hoje que o consumidor

está cada vez mais exigente e

busca produtos e serviços customizados

para as suas reais

necessidades e bolso. Isso porque, diante

de um cenário economicamente instável,

o desemprego – que já ultrapassa a taxa

de 12% no Brasil -, atrelado ao aumento

do valor do seguro, tem sido um dos

principais motivos para muitos segurados

optarem por modelos de apólices mais

flexíveis aos tradicionais.

Nesse sentido, o setor de seguros

está atento e demonstra preocupação com

a velocidade para apresentar formas mais

eficazes de distribuição, uma vez que

a demanda vem dos próprios clientes.

Para tal, as seguradoras estão ampliando

a oferta de produtos mais acessíveis e

enxutos. Enquanto isso, os corretores

buscam opções aderentes à realidade de

cada consumidor, seja em novas propostas

ou nas renovações.

“Nós temos produtos para aquele

cliente que busca apenas a cobertura de

incêndio e roubo, aquele que quer cobertura

compreensiva para o casco - colisão

incêndio e roubo - e nós temos também

as opções mais completas”, explicou o

diretor de Comunicação do Sincor-GO e

professor da Escola Nacional de Seguros,

Hailton Costa Neves.

“O mercado também dispõe de

apólices nas quais, durante a vigência,

o segurado pode incluir e excluir coberturas

e outros produtos que pressupõem

a instalação de rastreadores. Nesses

casos, se o veículo não aparecer em

dois ou três dias após a comunicação

de roubo ou furto, a seguradora que

instalou o dispositivo se propõe a

indenizar a partir de 80% do valor,

podendo chegar ao montante integral”,

acrescenta Neves.

Já no Rio Grande do Sul, com mais

de 40 anos de experiência em corretagem,

o diretor da R.Padilla Corretora,

Ricardo Padilla, já vivenciou muitos

momentos do setor de seguros desde

então. Mas, hoje, para reter clientes na

empresa, ele também aderiu à personalização

com opções mais simples.

“Há situações em que sugiro a exclusão

das coberturas de carro reserva e de

vidros. Quando o veículo possui mais

de dez anos de uso, recomendo manter

a Responsabilidade Civil Facultativa

(RCF-V). E, por último, um seguro para

roubo e furto com assistência 24 horas”,

exemplificou.

37


produtos populares

❙ ❙

Hailton Costa Neves,

diretor de Comunicação do Sincor-GO

Diante dessa nova tendência de

consumo, as seguradoras também iniciaram

um movimento de adequação

ao mercado. Esse é o caso da Aliro,

marca da Liberty Seguros lançada em

2017, que opera com coberturas mais

enxutas e com serviços essenciais de

assistência. “Os produtos da Aliro têm

um preço entre 15% e 20% menor do

que os oferecidos pela Liberty, porém

mantendo a mesma qualidade e excelência.

O nosso objetivo foi atender um

público que ainda não tinha seguro e que

atualmente corresponde a mais de 50%

dos segurados da marca”, informou o

vice-presidente de Produtos da Liberty

Seguros, Paulo Umeki.

Segundo ele, os corretores tiveram

um papel muito importante para a criação

da marca por meio de um conselho que

conecta os profissionais parceiros e os

porta-vozes da companhia. “As opções da

Aliro estão disponíveis para diversos tipos

de veículos, incluindo novos e usados.

Atualmente, a marca oferece duas opções

de seguro para automóveis: Aliro Seguro

Auto M, que conta com coberturas completas

para indenização integral e parcial,

além de garantir a cobertura a terceiros;

e o Aliro Seguro Auto P, que oferece coberturas

exclusivamente para indenização

integral, além de assegurar a cobertura a

terceiros. Ambos os seguros têm assistência

24h em todo Brasil”, destacou Umeki.

Outro fator que influenciou a oferta

de novos produtos de seguros nos últimos

três anos foi a divulgação de novas regras

para o seguro popular de automóvel - o

Auto Popular - pela Superintendência

de Seguros Privados (Susep). Embora os

números ainda sejam tímidos, de acordo

com dados da autarquia, entre 2016 e

2018, o ramo voltado para veículos usados

movimentou um pouco mais de R$ 4,2

milhões no período. Ainda no âmbito regulatório,

outro acontecimento que pode

impulsionar o mercado é a aprovação, por

parte da Susep, da estruturação de planos

de seguros com vigência reduzida de contrato

e/ou com cobertura intermitente. A

proposta consta no Plano de Regulação

para o exercício de 2019 da autarquia.

❙❙Ricardo Padilla, da R.Padilla Corretora

Surfando essa onda como líder no

segmento voltado a veículos com mais

de cinco anos de uso, a Tokio Marine,

que possui 75% de market share, também

está facilitando o pagamento de

seguros de automóvel em até 12 vezes

sem juros no cartão de crédito. “Com

mais essa opção de parcelamento, nossa

intenção foi criar um conceito de mensalidade

para que o consumidor possa

encaixar ainda melhor o valor do seguro

em seu orçamento. Vemos, portanto, de

forma muito otimista as oportunidades

de geração de negócios com mais esta

facilidade”, explica o diretor de Automóvel

da Tokio Marine, Luiz Padial.

A grande novidade da companhia,

no entanto, é a nova possibilidade de

PERÍODO: 2016 A 2018 (ANOS CONSOLIDADOS)

(VALORES EM REAIS)

ANO SEGURO POPULAR DE AUTOMÓVEL USADO (R$) CRESC. REAL (%)

2016 23.919 -

2017 1.242.406 5012.56

2018 2.951.641 129.17

É possível que alguns produtos também direcionados a veículos usados estejam sendo

contabilizados no ramo 0531 – Casco, juntamente com os demais produtos do Seguro Auto.

38


❙❙Luiz Padial, da Tokio Marine

aceitação de veículos desde 0 até 25 anos

de idade, o que torna elegíveis mais de

três mil versões, incluindo caminhões e

utilitários de carga.

Para Padial, o diferencial do Tokio

Marine Auto Popular é a possibilidade

de reparos com peças novas compatíveis

para itens que não sejam de segurança,

o que viabiliza um preço significativamente

mais competitivo. Para o caso de

inexistência de uma peça nova compatível,

o conserto será feito com as mesmas

utilizadas no seguro tradicional, assim

como é feito com os itens de segurança.

O produto inclui cobertura inicial de

colisão e incêndio, para danos totais ou

parciais e assistência 24 horas completa.

De olho nas tendências de mercado,

em 2016, a Azul Seguros lançou o Azul

Auto Popular e o Azul Auto Leve, que

oferecem coberturas mais enxutas com

preços competitivos. Em análise, o diretor

da companhia Gilmar Pires avalia

que a frota de veículos antigos está se

tornando cada vez maior em todo País.

“A idade média é de quase dez anos, o

que mostra que as pessoas estão trocando

menos de carro. Além disso, por meio de

pesquisas realizadas internamente, foi

possível constatar que a adesão do motorista

pelo seguro varia de acordo com a

idade de seu veículo”, relata, informando

também que para qualquer veículo a partir

de 11 anos, o cliente poderá optar pelo

parcelamento em até dez vezes sem juros.

De acordo com Pires, os lançamentos

estimulam a inclusão securitária

ao oferecer soluções simplificadas sem

pesar no orçamento do segurado. “Temos

registrado um crescimento consistente,

evitando oscilações de preços e prezando

pela satisfação dos clientes e pelos serviços

oferecidos. Além do Auto Popular,

temos em nosso portfólio o Azul Auto

Leve, que é voltado para veículos com

importância segurada de até R$ 80 mil. O

produto aceita veículos com idades entre

zero e 25 anos e oferece cobertura básica

para colisão, incêndio, roubo e furto. O

seguro disponibiliza também assistência

24 horas ao veículo com guincho até 200

km, e indenização que varia entre 80%

a 100% da tabela FIPE, de acordo com a

apólice contratada”, detalha.

Sem dúvida, corretores e seguradoras

têm realizado uma verdadeira

força-tarefa em todo o território nacional

para não perder clientes. Para o presidente

da Associação das Empresas de

Assessoria e Consultoria de Seguros do

Estado do Rio de Janeiro (Aconseg-RJ),

Luiz Philipe Baeta Neves, os corretores

apostam na diversidade de combinações

de coberturas para atender os segurados.

“Conforme a disponibilidade do portfólio

da seguradora há uma gama de opções

como incêndio e roubo; incêndio, roubo e

RCF-V; Só RCF; roubo mais rastreador;

incêndio e colisão, entre outras”, citou. As

associadas da Aconseg-RJ respondem por

cerca de 60% da produção do seguro de

automóvel no Estado no Rio de Janeiro.

Ainda no Rio de Janeiro, o corretor

de Seguros e CEO da Santeé Rio,

❙❙Fabio Izoton, do CCS-RJ

❙❙Luiz Philipe B. Neves, da Aconseg-RJ39

Jayme Torres, adverte que em algumas

localidades da capital, como nas zonas

Norte e Oeste, na Baixada Fluminense

(região metropolitana) e no município

de São Gonçalo há recusa por parte de

muitas seguradoras na comercialização

do seguro de automóvel. “Infelizmente

são poucas as alternativas para essas

situações, mas oferecer uma quantidade

menor de benefícios, reduzir as coberturas

e as garantias, tanto aumentando

o valor da franquia quanto reduzindo a

porcentagem sobre a FIPE, são alguns

dos caminhos para diminuir os impactos

causados pelos reajustes. Algumas

seguradoras oferecem cobertura só para

roubo, apesar da restrição de alguns

veículos”, disse, alertando que esse

comportamento abre portas para os

seguros piratas.

Nessa perspectiva, o presidente do

Clube dos Corretores de Seguros do

Rio de Janeiro (CCS-RJ), Fabio Izoton,

vem percebendo que, desde 2017, com o

aumento do tíquete médio das apólices,

principalmente em algumas regiões do

Rio de Janeiro, corretores e empresas

estão realizando um esforço mútuo para

não perder clientes para as chamadas

proteções veiculares. “Para isso, temos

as opções de seguros simplificados e/ou

com coberturas reduzidas, produtos com

cobertura somente para roubo que usam

tecnologia de rastreamento e a principal

de ferramenta: a capacidade e a experiência

dos corretores de seguros para

encontrar a melhor solução customizada

para cada cliente”, concluiu.


homenagem | ameplan

Presença entre as 100

personalidades mais

influentes em saúde

Ali Hussein Ibrahin Taha foi

um dos empresários eleitos

para receber o troféu por sua

atuação no setor de saúde

suplementar

No dia 14 de março aconteceu a cerimônia de

premiação do 100 Mais Influentes da Saúde,

prêmio conhecido como Oscar da Saúde,

promovido pelo Grupo Mídia e Revista

Healthcare Management.

O evento recebeu aproximadamente 1.000 lideranças

e executivos do setor para um jantar de gala, durante o

qual aconteceu a cerimônia de premiação e um grande

show. Em sua sétima edição, o evento coincidiu com o

encerramento da feira SAHE – South America Health

Exhibition, em São Paulo.

Laureci Zeviani, Dr. Jacques Nunes, José Silva dos Santos,

Jihan Mohamad Zoghbi e Ali Talha

Ali Hussein Ibrahin Taha, presidente da operadora

Ameplan Saúde, recebeu o prêmio na categoria “Empresário“,

por sua trajetória de 27 anos como médico

e responsável pela construção de um grupo de grande

relevância na área de saúde, composto pela operadora

Ameplan, Grupo Hospitalar Vida’s e Beta Saúde Centro

de Diagnósticos.

Os eleitos foram escolhidos pelo conselho editorial

do Grupo Mídia, baseados em votação aberta pelo site

e também pesquisa de mercado. Além disso, podem

ser classificados nas categorias: Gestor na Saúde,

Tecnologia, Arquitetura e Infraestrutura, Indústria,

Saúde Suplementar, Entidades Setoriais, Empresário,

Referência, Autoridade Pública e P, D & I.

O Secretário da Saúde do Estado de São Paulo,

José Henrique Germann Ferreira, participou da entrega

dos troféus aos homenageados. Entre as autoridades

públicas presentes também estavam Francisco de

Assis Figueiredo, Secretário de Atenção à Saúde do

Ministério da Saúde; a ex-senadora Ana Amélia; Mauro

Junqueira, presidente do CONASEMS – Conselho

Nacional de Secretarias Municipais de Saúde; Manoel

Carlos Neri da Silva, presidente do COFEN – Conselho

Federal de Enfermagem; Leandro Fonseca, diretor da

ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar; e o

deputado federal Antônio Brito.

40


egulação | grupo fox

Grupo mostra cases de

recuperação de carga roubada

O

seguro de transporte de mercadorias

é uma das grandes

apostas das seguradoras para

2019. O segmento deve registrar

crescimento de 12% este ano, segundo

a FenSeg (Federação Nacional de Seguros

Gerais), volume de prêmios estimado em

R$ 3 bilhões, contra R$ 2,7 bilhões do ano

passado. Os bons números se explicam

pela recuperação da economia brasileira

nos últimos meses, pela procura por seguro

por empresas que habitualmente não

o faziam, novas legislações, e graças aos

serviços cada vez mais especializados das

empresas prestadoras do ramo.

O Grupo Fox tem agregado novas

empresas e profissionais especializados,

oferecendo suporte completo ao transporte

de carga. São cinco empresas formando

um guarda-chuva de proteção ao seguro

de transporte: Fox Regulação & Auditoria,

Haüptli Advogados e Associados,

Norn Engenharia de Risco & Consultoria,

One Risk Global (gerenciamento com

compartilhamento de informações globalizadas

de riscos de seguros) e MedFox

Perícias.

Os novos serviço proporcionaram

mais sucesso na recuperação de cargas.

“Estamos aprimorando nossos trabalhos

de inteligência e buscando parcerias

para oferecer o melhor ao mercado”,

declara Paulo Rogério Haüptli, diretor

do Grupo Fox.

A empresa atua fortemente na recuperação

de cargas e em assistências

emergenciais nas estradas de todo país,

utilizando as mais modernas tecnologias,

como aplicativos de vistoria remota

para comissários de avarias, utilização

de drones, telemonitoramento para motoristas

e redundância (espelhamento

de sinal das tecnologias utilizadas nos

monitoramentos realizados pelas GR´s).

“Quando a comunicação do sinistro é

recepcionada pela nossa central 0800

24h, nosso sistema disponibiliza a relação

de prestadores cadastrados que se encon-

❙❙Paulo tram mais próximo do local, o mesmo

fazendo com as empresas de guincho,

munck, empilhadeira e demais equipamentos.

Concomitantemente à recepção

do aviso de sinistro, a equipe emite alerta

aos postos policiais, incluindo guarda

municipal, polícia militar, rodoviário e

delegacias do entorno”, relata Haüptli.

Segundo o especialista, “para recuperar

carga é preciso tecnologia de ponta,

equipe de pronta reposta especializada

nível Brasil e Mercosul, parceria com as

gerenciadoras de riscos, com os gestores

de riscos, com inspetores de campo, e

sinergia com a polícia. É indispensável

que a reguladora trabalhe integrada

as tecnologias de rastreamento para

acompanhar passo a passo o conjunto

transportador e as iscas, antes, durante e

depois do sinistro”, garante.

Cases de sucesso na

recuperação de cargas

❱❱

Carga milionária de vacina - No

início de abril de 2019, meliantes

roubaram carga de vacinas avaliada

em R$ 1,5 milhão, no Rio de Janeiro.

Após rápida comunicação do sinistro

pelo transportador segurado, o Grupo

Fox se dirigiu ao local com pronta

reposta. O gestor de risco da operação

passou rapidamente os últimos mapas

do monitoramento que, inseridos no

sistema Fox Espelhamento, calculou,

por meio de algoritmos, prováveis

locais de onde a carga poderia estar.

A polícia da região foi acionada e,

juntamente com a equipe Fox, realizou

a localização da carga.

❱❱

Sapatos localizados - Utilizando

o software de rastreio da One Risk,

também integrante do Grupo Fox, as

empresas realizaram a recuperação de

uma carga de sapatos que havia sido

roubada, avaliada em aproximadamente

R$ 1 milhão.

❱❱

Gêneros alimentícios - As empresas

Fox Auditoria & Regulação e One

Risk, em parceria com a polícia local,

conseguiram chegar aos meliantes

e recuperar uma carga de gêneros

alimentícios, avaliada em milhares

de reais, na cidade de Ibimirim, em

Pernambuco.

❱❱

Transporte de azeites - Em ação

conjunta com o Delegado do Setor de

Investigações Gerais de Araras-SP, as

empresas Fox Auditoria & Regulação

e One Risk atuaram na recuperação

de uma carga de azeites, avaliada em

R$ 390 mil. As investigações indicaram

um suspeito na cidade vizinha de

Santa Cruz da Conceição (SP) e os

levaram a um sítio nas proximidades,

onde a carga foi apreendida.

❱❱

Cervejas recuperadas - As empresas

Fox Auditoria & Regulação e One

Risk atuaram em conjunto para a recuperação

de uma carga de cervejas.

O motorista que fazia o transporte

da mercadoria para o ponto de distribuição

foi abordado por ladrões que

levaram a carga. A equipe do Grupo

Fox foi acionada pela seguradora e,

com uso de sua tecnologia e apoio da

polícia, encontrou a carga que estava

sendo descarregada pelos bandidos

em um sítio em Campinas (SP). Duas

pessoas foram presas.

Rogério Haüptli, do Grupo Fox

41


evento | resseguro

Preparados para

os novos riscos

Encontro do Rio de Janeiro reuniu 700 profissionais

para discutir os caminhos e novas oportunidades do

mercado em momento de recuperação econômica

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro

O

8º Encontro de Resseguro do

Rio de Janeiro, organizado

pela Fenaber em parceira

com a CNseg, aconteceu em

meio a um estado de crise decretado pela

Prefeitura do Rio de Janeiro, em virtude

do intenso volume de chuva que caiu

sobre a cidade.

O secretário de Desenvolvimento

de Comércio, Indústria e Inovação do

Ministério da Economia, Caio Megale,

afirmou, na abertura do evento, que o

bom funcionamento dos mercados de

seguro e resseguro é fundamental para a

retomada da confiança e do desenvolvimento

econômico.

Ele ressaltou a importância das reformas

de setores essenciais, como a da

previdência, para que o Governo volte

a ter suas contas equilibradas. Para ele,

42

2018, apesar da turbulência por conta de

ter sido um ano eleitoral, começou a mostrar

sinais de leve recuperação, ainda que

com uma velocidade aquém da desejada.

“Devemos ter confiança no cenário de

reformas e na quebra do excesso de regulação,

além da agenda de melhorias do

ambiente de negócios”, destacou Megale.

O grande problema se deu pelo crescimento

acelerado dos gastos públicos

nas últimas décadas, que atingiu um

nível de obstrução para o desenvolvimento

da economia. “Estamos em uma

situação em que não se aceita a volta

da inflação nem o aumento dos gastos

públicos. A carga tributária precisa ser

reduzida, se possível”. Assim como a

nova superintendente da Susep, Solange

Vieira, Megale defendeu a menor participação

do Estado na iniciativa privada

❙ ❙

Caio Megale,

do Ministério da Economia

e o foco para a resolução de problemas

que envolvem a infraestrutura, as questões

trabalhistas e a carga tributária,

fatores que influenciam negativamente

o desenvolvimento econômico.


❙❙Paulo Pereira, da Fenaber

O presidente da Federação Nacional

das Empresas de Resseguros, Paulo

Pereira, mostrou a relevância das conquistas

do setor de resseguros, como o

assento no Sistema Nacional de Seguros

Privados e a inversão do entendimento

da Receita Federal sobre o imposto das

resseguradoras admitidas. Ele falou sobre

a confiança do setor na capacidade

do novo Governo de aprovar as reformas

necessárias.

Pereira destacou que o crescimento

do resseguro é diretamente proporcional

ao aumento do Produto Interno Bruto

(PIB), e expressou confiança na aprovação

das reformas. Pereira citou outros

fatores que podem contribuir para o

crescimento do setor: oportunidades,

como o risco cibernético; a aprovação da

nova Lei das Licitações; a simplificação

regulatória; e a necessidade de rever a

carga tributária das resseguradoras para

melhorar sua competitividade. “Enquanto

aos locais pagam no Brasil 40% de

imposto e contribuição social, além de

PIS e Cofins, o americano paga 34%,

o suíço e alemão pagam 30%, o inglês

paga 20%, o irlandês paga 12 % e o de

Bermudas zero.”

A capacidade de negócios do setor

agrícola foi lembrado pelo presidente

da FenSeg, Antonio Trindade. Já o presidente

da CNseg, Marcio Coriolano,

lamentou o avanço lento das melhorias

econômicas necessárias para o desenvolvimento

do setor.

“2018 não foi tão bom quanto o

esperado, mas criou bases para o desenvolvimento

de 2019. O atual Governo já

mostrou seu ímpeto reformista e a equipe

econômica sinaliza com a aceleração

das conversas com o setor privado”.

Coriolano apontou que renda, emprego

e produto são os alicerces para que o

setor de seguros volte a crescer na casa

de dois dígitos.

Existem alguns projetos que podem

influenciar no crescimento do mercado

segurador em 2019, como o projeto de

seguro de garantia de obras contratuais,

uma aposta do setor junto ao novo Governo.

Ele informou que existe na Susep um

projeto de seguros inclusivos, que podem

atingir uma parcela mais significativa

da população, mas cujo desenvolvimento

depende de mais renda, emprego e

produtos mais acessíveis. “É preciso

trazer o seguro para perto do bolso das

pessoas”, sentenciou Coriolano. Ele ressaltou

as propostas do setor seguros para

2019 a 2022, que visam contribuir para

o desenvolvimento do País e já foram

apresentadas ao Congresso Nacional e

entregues aos representantes dos poderes

executivo e legislativo.

Diversidade

A questão da diversidade deixou de

ser apenas a inclusão de determinadas

minorias. Ela tomou fôlego porque para

atender novos grupos de consumidores,

Painel Diversidade em Ação

❙❙Marcio Coriolano, da CNseg

tornando os negócios sustentáveis, é

necessário tê-las representadas dentro

das companhias.

Maria Helena Monteiro representou

a Escola Nacional de Seguros e reapresentou

a pesquisa sobre a participação

feminina no mercado de seguros. “A

empregabilidade feminina está na taxa

de 47%, enquanto 72% dos homens estão

empregados. 60% das mulheres estão encarregadas

dos serviços domésticos. Elas

ganham 74% do salário dos homens”,

demonstrou.

Maria Helena reforçou que apesar

das mulheres já serem 56,3% dos 27 mil

funcionários das seguradoras no Brasil,

43


esseguro

ALGUNS TEMAS DEBATIDOS

SEGURO-CATÁSTROFE – Rubem Hofliger,

responsável pela área de soluções

para o setor público na América Latina

da SwissRe, defendeu a adoção do seguro

paramétrico para enfrentamento

de catástrofes. “O número de catástrofes

naturais cresce em ritmo muito mais

rápido do que o crescimento do seguro

desses eventos. A cobertura é de cerca

de 40%, o que obriga os governos a

arcar com os custos de reconstrução

e atendimento à população mais

vulnerável”. Hofliger explicou que os

seguros paramétricos estabelecem em

contrato um limite que, quando atingido,

dispara um gatilho de pagamento.

No caso de chuvas, por exemplo, é

possível estabelecer que a partir de

determinado índice de precipitação o

seguro é acionado. “As vantagens desse

produto, ainda pouco usado no Brasil,

são a agilidade e a liberdade para alocar

os recursos de acordo com as necessidades

mais urgentes”, argumentou,

afirmando que, mundialmente, os setores

onde o seguro paramétrico mais

tem crescido são agricultura e energia,

e os governos começam a se interessar

pelo produto.

CONTRATOS - “Princípios da Lei

Contratual de Resseguro” foi o tema

da palestra de Helmut Heiss, professor

do Instituto de Direito de Zurich. Ele

trouxe a metodologia utilizada para

criação dos Princípios da Lei Europeia

de Contratos de Seguros (Pricls), que,

segundo ele, não tem a intenção de ser

uma lei global, o que demoraria muito.

“Há quem diga que ela poderia ser um

exemplo modelo para a lei nacional,

mas não acho que traria as respostas

para tudo. Como a arbitragem pode

escolher as regras de direito, que são

maiores que o direito como um todo,

os Pricls talvez possam ser utilizados,

pois são mais sólidos e, portanto, vão

além das declarações de juízo”.

BLOCKCHAIN - O painel sobre aplicações

de blockchain em seguros e

resseguros teve como palestrante o

chairman da B3i, Anthony Elliott, e

como debatedores Marcelo Hirata, diretor

de Tecnologia e Inovação do IRB Brasil

Re, Keiji Sakaim country head Brazil da

R3, e Adilson Lavrador, diretor executivo

de Operações, Tecnologia e Sinistros da

Tokio Marine Seguradora. Elliott descreveu

os benefícios que o blockchain trará

para o mercado brasileiro: economia de

30% nos custos de transação, mais eficiência,

melhoria na qualidade de informação

e maior transparência. Para Elliott, o

mundo vive um momento de inflexão,

em que “os dados são o novo petróleo”.

RC AMBIENTAL - O painel trouxe a

evolução do setor nos últimos 10 anos,

as mudanças recentes em acionamentos,

as oportunidades existentes, tendo como

parâmetro os mercados americano e

europeu, bem como a complexidade

do conceito que ainda gera barreiras. O

superintendente da HDI Global, Marcio

Guerreiro, mostrou as diversas possibilidades

de classificação e monitoramento

de riscos que facilitam o processo de

subscrição, destacando, sob esse aspecto,

as oportunidades de aproximação das

companhias de resseguros. Já o Latam

Regional Manager da Chubb, Fabio Barreto,

abordou as principais diferenças em

comparação ao mercado americano que

já possui 40 anos. “O mercado de seguros

em riscos ambientais é de US$ 22 milhões,

enquanto o mercado americano, que é o

mais desenvolvido nesse setor, é de US$ 2

bilhões em prêmio”.

MATRIZES ENERGÉTICAS - O crescimento

da participação das energias renováveis

na matriz energética brasileira exige que

seguradoras e resseguradoras se preparem

para ofertar produtos adequados a

esse mercado promissor. Atento a essa

frente de atuação, o setor precisa que

sejam superados entraves legislativos,

regulatórios e, sobretudo, ambientais. A

análise foi feita pelo diretor do Instituto

de Desenvolvimento Estratégico do Setor

Energético (Ilumina), Roberto D’Araújo.

Tiago Correia, sócio-diretor da RegE

Barros Correia Advisers, enfatizou que o

setor energético trabalha com alto risco,

muitas vezes não precificado. Nas energias

alternativas o risco é a oscilação

da capacidade de produção, que varia

de acordo com a disponibilidade de

ventos e luz solar. Segundo Correia, as

mudanças climáticas acrescentam um

risco considerável a esse setor. Araújo

disse que o Brasil tem uma base renovável

expressiva e mundialmente respeitável,

mas ainda promove uma das

maiores emissões de gases no planeta.

“As secas são mais secas; a chuvarada

cada vez mais forte. As consequências

são abruptas e irreversíveis. Vamos precisar

reduzir bastante as emissões de

gás carbônico para começar a pensar

em desenvolvimento sustentável.”

LACUNA DE PROTEÇÃO -

Moses Ojeisekhoba,

CEO Reinsurance da

Swiss Re, trouxe as

principais tendências

globais e os

riscos envolvidos,

como as tendências

geopolíticas, a exemplo

do nacionalismo e

do protecionismo, o rápido

envelhecimento da população em

todo o mundo, a Inteligência Artificial,

suas ramificações e as questões éticas

envolvidas, entre outras.

O executivo também abordou a dimensão

da lacuna de proteção – a diferença

entre as perdas econômicas totais

e as perdas seguradas. Segundo ele, em

2018, apenas um quarto dos US$ 337

bilhões de perdas econômicas estava

assegurado. “A lacuna de proteção existe

em todo o mundo. Portanto, temos

que encontrar maneiras de reduzir essa

brecha. Temos muitas oportunidades

e desafios em muitas áreas, chegando

a um potencial de US$ 800 bilhões

de prêmio, dos quais US$ 100 bilhões

estão na América Latina”, destacou ele,

chamando atenção para o potencial do

Brasil: “A agricultura é muito importante

e tem um potencial de US$ 200 bilhões,

mas menos de 10% das áreas aráveis e

cultiváveis são seguradas”.

44


apenas 0,8% compõem o quadro de

executivos, contra 2% dos homens. “Um

homem tem 3,5 vezes mais chances de

chegar a um cargo executivo. Em nível

gerencial, os homens têm o dobro de

chance de se tornarem gerentes, com

níveis de escolaridade similares”, destacou

a executiva.

Ana Carolina Mello, conselheira da

Associação de Mulheres do Mercado de

Seguros, apresentou a entidade e como

as empresas do setor apoiam a iniciativa.

Solange Beatriz Palheiro Mendes falou

do comissão temática da CNseg que trata

do tema. “Nosso setor tem o dever de ser

um reflexo da sociedade e a diversidade

precisa mostrar a multiplicidade e os

diferentes ângulos de visão que devem

demonstrar as constantes alterações do

mercado”, completou.

A diversidade não se resume a inclusão

feminina. Flavia Bianco é transexual

e professora da Escola Nacional de Seguros.

Depois da transição trabalhou apenas

para um ano com regulação de sinistros.

“Houve uma preocupação do empregador

com relação a como eu seria vista pelos

clientes”. Na Escola ela continuou como

professora da cadeira de Comissário de

Avarias.

Maria Luiza Cabral, Client Support

Services da Guy Carpenter, mostrou

como boa parte das mulheres em início

de carreira sofre assédio sexual e não

encontra espaço para falar sobre isso. 4

em cada 10 mulheres já sofreram assédio

sexual, sem importar o local. A jornalista

Solange Guimarães, superintendente de

comunicação da SulAmérica, contou

que fez jornalismo para dar voz às suas

ideias. “A questão da diversidade só é

discutida porque temos grupos que não

se sentem representados nos altos escalões

das empresas, porém este grupo

é um grande consumidor. As empresas

que não abrirem os olhos para estes novos

grupos de consumidores não serão

capazes de entender a diversidade e sua

importância. Olhar a diversidade é ver a

sustentabilidade do negócio e o futuro”,

sentenciou.

Juliana Pelegrin, Senior Casualty

Underwriter da Swiss Re, homossexual

assumida, falou sobre a sua aceitação, o preconceito

e o bulliyng na vida profissional.

“Já sofri discriminação não pela opção sexual,

mas porque sou mulher e mulher tem

personalidade forte. Nunca fui uma pessoa

fácil”, brincou. Para completar, Judith Newsam,

CEO Brasil da Guy Carpenter, falou

sobre a sua carreira no mercado de seguros,

que começou no Lloyd’s, na década de 80,

local que era completamente engessado em

termos de regras para mulheres. “Temos

que ter empatia e dar um passo a mais.

Além de ouvir, atuar ao ver os problemas e

trazer a diversidade para fazer o mercado

crescer como uma indústria formada por

seres humanos”.


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Grama: no jardim ou na balança?

As pessoas atentas às regras gramaticais já sacaram a que

essa pergunta se refere. É ao gênero de algumas palavras de

nossa “última flor do Lácio, inculta e bela”: a rica, versátil e

bela língua portuguesa. A palavra GRAMA, em relação ao

jardim – e com o sentido de relva, erva, capim – é feminina.

Vem do substantivo latino Gramen, graminis e classifica uma

planta poácea rizomatosa de folhas glaucas (caprichei!). A ela

se aplica o ditado popular “A grama do vizinho é mais verde”!

Já em relação à balança, e significando uma unidade de

medida de massa equivalente à milésima parte do quilograma,

a palavra é masculina! Sua origem é o termo grego Grámma,

grammatos. Então se nos referimos a peso, a forma correta é

o masculino. Por isso, não devo pedir “Duzentas gramas de

mortandela”, mas “Duzentos gramas de mortadela” (Claro que

o sabor não é o mesmo: mortaNdela é, sem sombra de dúvida,

muito mais gostosa que a insossa mortadela. Ainda mais sendo

duzentos gramas...). Sei que muitas pessoas – principalmente os

balconistas da padaria ou da mercearia – vão nos olhar com ar

de piedosa superioridade e corrigir: “O senhor quer ‘duzentas’

gramas de mortaNdela?!). Esta é uma daquelas palavras em

que a versão certa parece errada e vice-versa. É que a forma

popular, incorreta, flui muito mais do que a correta, que fica

com ares de rebuscada, pedante. pernóstica...

Mas a questão do gênero das palavras referentes a objetos

não fica só em grama. Há outros vocábulos que apresentam o

mesmo fenômeno.

É o caso de ‘cal’ (óxido de cálcio, fórmula CaO), que muita

gente pensa ser – e usa como sendo – palavra masculina. Talvez

em razão de seu emprego se dar principalmente na composição

da argamassa, nas construções, portanto na área de atuação

dos pedreiros...). Entretanto ela é do gênero feminino. Você

deve pedir então “Quinhentos gramas DA cal hidratada...”.

Mais uma? ‘alface’. É comum falarem, erroneamente, O

alface, quando essa palavra, aplicada para dar nome à hortense

originária do leste do Mediterrâneo e utilizada na alimentação

humana desde cerca do ano 500 antes de Cristo, é do gênero

feminino. Oriunda do árabe Al-Khass, a palavra chegou a nós

com sonoridade semelhante: al-khass, alkas, alfaz, alface.

Nessa mesma linha, muitos dos termos portugueses com

início em AL, vieram do vocabulário árabe, como alfaiate

(alkhayyât); alfazema (al-khuzâma ou alhuzaima); Alcântara

(al qantara) e alcachofra (al harxufa ou al harxofã) entre

tantos outros. O curioso é que outras línguas – até mesmo as

da mesma família do português, como o espanhol, o italiano

e o francês – adotaram forma vocabular diversa, partindo do

latim Lactuca, que deu origem à palavra Lactuga, alusiva à

substância branca, leitosa, advinda do caule seccionado da

planta. Provieram daí o vocábulo italiano lattuga; o espanhol

lechuga; o francês laitue e o inglês lettuce. O alemão vale-se

de mais de um modo: salat; grüner salat; kopfsalat e lattich.

Os eslovenos usam o termo solata e os croatas, zelena salata.

A lista se estende por muitos outros termos que sofrem

a troca de gêneros (são verdadeiros casos de transgêneros

vocabulares), como champanhe, que é masculino, embora

muitos insistam em falar “A” champanhe e o crepe, também

masculino. Por outro lado, musse (há quem prefira a forma

francesa mousse), e palavra feminina.

A seguir, vem A omelete – outra vítima dessa troca –

também vinda do francês omelete. Seu berço mais remoto é

a antiga Pérsia, onde era um prato nobre e muito apreciado. É

indispensável citar outra iguaria, que nos chegou pela mesma

França: A quiche! Seu nome deriva de küche(n), que significa

pastel em alsaciano, dialeto alemão falado na Alsácia, no

noroeste da França, cuja capital é Estrasburgo.

Devido à renitente e persistente confusão de gêneros entre

essas duas últimas palavras, o Dicionário da Academia Brasileira

de Letras e o Dicionário Houaiss resolveram classificá-las

entre os substantivos comuns de dois gêneros. Pronto: pode se

falar A omelete ou O omelete; A quiche ou O quiche... (mas

é bom advertir que essa condição não é aceita por todos os

dicionaristas e gramáticos...).

A coisa toda seria bem mais simples se – lá atrás – os

homens não tivessem tido a brilhante ideia de construir uma

torre bem alta, que os levasse até o céu. Não aceitando bem a

iniciativa, Deus “interditou a obra”, de uma maneira bem sutil:

desfez a comunhão da língua, então existente, e cada grupo

passou a falar um idioma diferente.

E nunca mais se entenderam!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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