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Hospitais Portugueses ANO IV n.º 16-17 março-junho 1952

COLABORAÇÃO ENTRE O SERVIÇO MÉDICO E O SERVIÇO ADMINISTRATIVO DOS HOSPITAIS A CONTABILIDADE POR DECALQUE NOS HOSPITAIS SERVIÇO SOCIAL HOSPITALAR CONFORTO DO DOENTE - BANHO GERAL NO LEITO PLANOS DE ORGANIZAÇÃO PARA UMA CASA DE SAUDE PARTICULAR HOSPITAIS ESTRANGEIROS O SEGREDO MÉDICO NO CÓDIGO PENAL CURSO DE ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR O HOSPITAL CIVIL DE VILA FRANCA DE XIRA CASOS DO SERVIÇO SOCIAL DE UM HOSPITAL A CLASSE MÉDIA NÃO SE DEVE DESINTERESSAR DO PROBLEMA DA ENFERMAGEM COISAS GRANDES... E PEQUENAS ENFERMAGEM NOTICIAS DO ULTRAMAR NOTICIAS DOS HOSPITAIS GENTE DOS HOSPITAIS O HOSPITAL E A LEI

COLABORAÇÃO ENTRE O SERVIÇO MÉDICO E O SERVIÇO ADMINISTRATIVO DOS
HOSPITAIS
A CONTABILIDADE POR DECALQUE NOS HOSPITAIS
SERVIÇO SOCIAL HOSPITALAR
CONFORTO DO DOENTE - BANHO GERAL NO LEITO
PLANOS DE ORGANIZAÇÃO PARA UMA CASA DE SAUDE PARTICULAR
HOSPITAIS ESTRANGEIROS
O SEGREDO MÉDICO NO CÓDIGO PENAL
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR
O HOSPITAL CIVIL DE VILA FRANCA DE XIRA
CASOS DO SERVIÇO SOCIAL DE UM HOSPITAL
A CLASSE MÉDIA NÃO SE DEVE DESINTERESSAR DO PROBLEMA DA ENFERMAGEM
COISAS GRANDES... E PEQUENAS
ENFERMAGEM
NOTICIAS DO ULTRAMAR
NOTICIAS DOS HOSPITAIS
GENTE DOS HOSPITAIS
O HOSPITAL E A LEI

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. ~HOSPITAIS<br />

PORTVGVESE·S<br />

<strong>ANO</strong> <strong>IV</strong> - N.'' <strong>16</strong>-<strong>17</strong> ~ MARÇO-JUNHO J-0) 1 9 5 2


HOSPITAIS PORTUGUESES<br />

REVISTA DE HOSPITAIS E ASSIST:f:NCIA SOCIAL<br />

DIRECÇÃO<br />

CORIOL:<strong>ANO</strong>~ ;, FERREIR A M. RAMOS L O P E 5<br />

ADMINISTRADOR<br />

EVARISTO DE MENEZES PASCOAL<br />

r- -,.~~-----"<br />

DVA ARMA NA ÚLCERA CASTRO-DUODENAL ...<br />

AS C O R BIS T·A L<br />

Solução a 6 °/ 0 de ascorbato de histidina<br />

sal original do Lab. Quím. Farm.<br />

REDACÇÃO E ADl'vllNlSTHAÇÃO:<br />

RUA VISCONDE DA L uz, 100-2. 0<br />

Telefone 'L2"]6<br />

COIMBRA<br />

SUMÁRIO:<br />

Composto e impresso na Tip. da «Atlãntida»<br />

Rua Ferr.eira Borges, 103-r:r- CoiMBRA<br />

Um progresso sobre as antigas misturas de Cloridrato de histidina e Vitamina C.<br />

Sem reacções de qualquer espécie, o ASCORBISTAL mantém sempre o seu<br />

teor em ác. ascórbico e em histidina, permitindo administrar seguramente as<br />

· doses requeridas · dos dois fármacos.<br />

IODARSOLO III ZIMEMA /// AGLICÓLO<br />

COLABORAÇÃO ENTRE O SERVIÇO MÉDICO E O SERVIÇO ADMlNLSTRT<strong>IV</strong>O DOS<br />

HOSPITAIS- DR. STUCKI<br />

A CONTABILIDADE POR DECALQUE NOS HOSPITAIS- DR. CORIOL<strong>ANO</strong> FERREIRA<br />

SERVIÇO SOCIAL HOSPITALAR- D. LIA QUEIROZ<br />

CONFORTO DO DOENTE- BANHO GERAL NO LEITO- FRANCISCO CÂNDIDO DA SILVA<br />

PL<strong>ANO</strong>S DE OHGANIZAÇÃO PARA UMA CASA DE SAUDE PARTICULAR-D. MARIA DA<br />

CRUZ REPENICADO DIAS<br />

HOSPITAIS ESTRANGEIROS- DR. ILÍDIO DE OL<strong>IV</strong>EIRA BARBOSA<br />

\/ 0 SEGREDO MÉDICO NO CÚDIGO PENAL - DR. RAUL RIBEIRO<br />

\j CURSO DE ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR<br />

O HOSPITAL C<strong>IV</strong>IL DE VILA FRANCA DE XIRA<br />

CASOS DO SERVIÇO SOCIAL DE UM HOSPITAL<br />

A CLASSE MÉDIA NÃO SE DEVE DESINTERESSAR DO PROBLEMA DA ENFER-<br />

MAGEM- DR. FERNANDO RODRIGUES NOGUEIRA<br />

COISAS GRA 1 DES ... E PEQUE:\fAS<br />

ENFERMAGEM<br />

NOTICIAS DO ULTRAMAR<br />

NOTICIAS DOS HOSPITAIS<br />

GENTE DOS HOSPITAIS<br />

O HOSPITAL E A LEI<br />

V ÁRIA:- O doente, centro do hospital; os Médicos e a administração; Orçamento da!<br />

Misericórdias; Notas cllnicas; A casa do médico de pro\•lncia; Médicos e farmacêuticos i<br />

Notícias da nossa revista; A cor dos uniformes; Fogo 1; As relações com o público.<br />

EDIÇÃO E PROPKIEDADE DE r.ORIOL<strong>ANO</strong> FERREIRA<br />

- -----------<br />

E S T E :


o doe11te, eeJttt·o do hospital<br />

Publicamos nesta página um esboço do desenho inserto no<br />

magnífico livro «Hospital Organization and Management» de ~alcolm<br />

T . Mac Eachern. B em sugestivo, este ·apontamento, mostra<br />

que tudo e todos giram em volta do doente, senhor do hospital.<br />

Desde o médico ao homem de secretaria, desde a telefonista<br />

à assistente social, desde o técnico de laboratório ao servente ou à<br />

criada de limpesa, todos utilizam as suas técnicas, todas vivem, trabalham<br />

e se esforçam por amor do doente. Assim seja sempre e em<br />

todos os lugares.<br />

2 HOSPITAIS<br />

Começamos hoje a publicar uma série<br />

de depoimentos sobre as relações que, num hospital,<br />

têm de existir entre os serviços médicos.<br />

e os de administração.<br />

Esta questão é tão velha como os próprios<br />

hospitais e tem dado origem a incidentes.<br />

graves e tantas vezes ridículos.<br />

Costa Simões garantia a negação absoluta<br />

dos médicos em face dos assuntos administrativos:<br />

todavia ele era médico e foi dos nossos maiores administradores<br />

hospitalares.<br />

Em épocas diferentes e em países diversos tem-se tentado<br />

solucionar a dificuldade, com base em sistemas, os mais dispares.<br />

A pergunta clássica «quem deve administrar e dirigir um hospital?>><br />

tem-se respondido de mil e uma maneiras.<br />

Ora se estabelece radical separação entre as funções directivas<br />

e administrativas, ora se efectua a mais firme concentração dessas<br />

mesmas funções. Ora se afirma que a entidade superior, o órgão<br />

número um do hospital, deve ser um médico, ora se reduz a função<br />

médica a um simples «momento» da administração, tomada esta no<br />

seu sentido mais amplo, pelo que, o «número um» será o administrador.<br />

Há ainda a solução conjunta que assenta no binómio<br />

director-administrador. Finalmente aparece o• sistema colegial:<br />

comissão directora, composta de entidades independentes tendo<br />

o médico e o administrador como simples orgãos executivos das<br />

suas decisões.<br />

Parece-nos vantajoso trazer para aqui os depoimentos de personalida.tes<br />

que, através dos tempos e em línguas várias, estudaram<br />

o assunto. É claro que cada depoimento vale como opinião pessoal<br />

de quem a emite. Aos leitores fica a liberdade de se determinarem<br />

por um dos sistemas expostos, se não quiserem inventar um próprio_<br />

Hoje começamos pelo Dr. Stucky. É suíço e médico.<br />

PORTUGUESES


~olabot·a~áo eott•e o servi~o tnédieo<br />

e o set•vi~o afllnitaist•·ati v o fios ltospitais.<br />

Pelo Dr. STUCKI (In Veska - Zeitschrift)<br />

Os principais sectores de um serviço hospitalar são:<br />

o sector médico, o sector de enfermagem, o sector de assistência<br />

social e o sector administrativo. Não será novidade<br />

o afirmar-se que ainda hoje, em muitos hospitais, não se<br />

encontrou a fórmula de congraçar estes departamentos que,<br />

não obstante, trabalham todos para um fim comum. As<br />

compliCações são devidas a uma velha rivalidade que existe<br />

no seio dos próprios serviços médicos e . entre estes e os serviços spciais e administrativos.<br />

Esta rivalidade, causada por lutas entre certas personalidades<br />

responsáveis, transmite-se às várias «camarilhas» e chega a atingir um fanatismo<br />

verdadeiramente risível.<br />

Este fanatismo tem .consequências graves, não só no plano moral, mas<br />

:ainda no plano financeiro.<br />

O maior perigo reside, sobretudo, n-o isolamento do serviço médico em<br />

relação à administração. A culpa cabe, na maioria dos casos, aos serviços<br />

médicos que julgam indigno de si o aproximarem-se de repartições que, no seu<br />

entender, devem funcionar sem atritos e sem discussão.<br />

Mas, como é possível que os serviços administrativos, mesmo bem organizados,<br />

funcionem sem conhecer as necessidades do serviço médico, do qual<br />

são 0 corolário indispensável ? Quem diz subordinação, não diz incompetência.<br />

Aliás, quando falo em subordinação exprimo-me incorrectamente. O que<br />

eu quero dizer é que o serviço médico é, por sua essência, o principal e que o<br />

·serviço administrativo deve adaptar-se às exigências daquele e às suas necessi­<br />

·dades. Isto não quer dizer que o serviço administrativo seja menos essencial.<br />

Assim como na tropa se faz um bom soldado alimentando-o bem, também<br />

não é possível tratar bem os doentes sem boas condições de alojamento,<br />

sem material apropriado, e sem uma alimentação adaptada às exigências da<br />

doença. Tudo isto será fornecido sem dificuldades pelo serviço adm!nistratiV'o,<br />

d~sde que o tenhamos sempre devidamente informado das nossas necessidades.<br />

E, se houver da parte dos serviços administrativos algumas faltas, algumas<br />

deficiências deveremos nós, os médicos, arrancar 'OS cabelos com desespero, e<br />

gritar pelos corredores, de modo a ser bem ouvido por todas as enfermeiras e,<br />

se for possível, pelos doentes: «Que vergonha de hospital este» ? Não será<br />

4 HOSPITAIS<br />

melhor irmos pessoalmente e dizer ao administrador: «Ex.mo Sr. No meu serviço<br />

falta isto e aquilo. Peço-lhe que estude a coisa».<br />

Acho naturalíssimo que um médico vá procurar o electricista para uma<br />

pequena reparação, ou mesmo o administrador para assunto mais importante<br />

sem passar pela escala hierárquica, se o assunto puder assim ser resolvido. E o<br />

mesmo digo se a enfermeira -chefe for em busca da cozinheira de dietas para<br />

lhe dizer que certos pormenores não estão a jogar certo. Trata-se apenas de<br />

resolver o que se puder sem atitudes dramáticas.<br />

Quem é o responsável por uma boa colaboração dentro do hospital ?<br />

Direi' que é cada um e todos. Antes de mais, o hospital deve ser dirigido por<br />

uma só pessoa, por uma comissão ou por várias pessoas ?<br />

Creio que, pelo menos no grandes hospitais, não se deve hesitar, em atribuir<br />

as responsabilidades de direcção a uma só pessoa que se chamará director.<br />

O director deve ser uma personalidade, no verdadeiro sentido da palavra, suficientemente<br />

seguro e capaz de assumir poderes quase ditatoriais.<br />

E o director deve ser médico ou não médico ? A questão pode discutir-se.<br />

Na Suíça temos os dois sistemas e ambos funcionam bem.<br />

Parece-me todavia vantajoso que se escolha um médico, mas com a condição<br />

de que ele não tenha qualquer outra ocupação, de modo a que nada o<br />

impeça de se dar totalmente à boa marcha do seu hospital. Nesta hipótese<br />

ainda é preciso que o médico director seja versado em questões administrativas,<br />

técnicas e económicas, o que me parece mais fácil do que um não-médico<br />

iniciar-se nos princípios da medicina pura. Terá o cuidado de escolher, como<br />

colaborador, um administrador devotado e competente que será o seu braço<br />

direito em todas as questões financeiras, de compras, vendas;contabilidade, etc.<br />

Esta simbiose entre duas pessoas, uma a ocupar-se acima de tudo de questões<br />

de medicina e higiene, a outra de questões administrativas, é a pedra fundamental<br />

de toda a colaboração e de todo o trabalho efectivo. As relações amigáveis<br />

entre o director e o administrador são indispensáveis, pois toda a animosidade<br />

será prejudicial à boa marcha e rendimento do trabalho. O director<br />

deve ter todos os dias uma conferência com o administrador e manter-se sempre<br />

ao corrente da evolução dos problemas administrativos.<br />

Também compete ao director manter boas relações com os médicos-chefes<br />

de serviços. Convocará, de tempos a tempos, conferências com estes últimos,<br />

a fim de os orientar nos pmblemas técnicos, para lhes dar nota do estado económico<br />

do estabelecimento, estado das finanças, possibilidades de compras e de<br />

reequipamento. Nestas conferências podem os chefes de serviços apresentar as<br />

suas reclamações, pedidos de aquisições e exprimir a satisfação por qualquer<br />

melhoramento. É evidente que o administrador deve assistir a estas conferências.<br />

Se o director deseja estar ao corrente de todos os acontecimentos do seu<br />

PORTUGUESES 5


IJ!<br />

I<br />

l1 I<br />

àomínio, deve estabelecer contacto com os estabelecimentos, directores e<br />

administradores vizinhos e até mesmo estrangeiros, a fim de promover o<br />

progresso do estabelecimento. Porque é que dois ou três pequenos hospitais<br />

vizinhos não hão-de comprar o carvão ou outras coisas em comum para<br />

c bter melhor preço ?<br />

Nos hospitais pequenos ou médios, as funções de director são muitas<br />

vezes desempenhadas por um dos médicos-chefes de serviço ou pelo único<br />

médico do estabelecime~to. O sistema de estabelecer uma rotação entre os<br />

médicos-chefes de serviço é interessante porque permite a cada ·um entrar em<br />

contacto com os problemas de administração, mas oferece a desvantagem da<br />

falta de continuidade nas concepções do trabalho. Bem secundado por um<br />

administrador é, todavia uma solução aceitável.<br />

O pessoal médico compreende: os médicos-chefes de serviço, os chefes<br />

de clínica, os assistentes e os voluntários. Como é que todos estes senhores<br />

podem colaborar na boa marcha do hospital?<br />

1. Primeiro, por um trabalho exacto e bem feito.<br />

2. Depois pela sua atitude para com o doente que tem necessidade não<br />

somente de socorros técnicos, mas também de socorros morais, que tem necessidade<br />

de que o escutemos, de que se lhe consagre tempo, de que lhe criemos<br />

ambiente. O doente não deve ficar com a impressão de que o médico está<br />

com pressa, de que não tem tempo para se ocupar dele, de que não lhe liga<br />

importância. • Cada doente é um egoísta que se ignora e se supõe o único doente<br />

da Cf!Sa.<br />

3. Pela sua atitude para com o pessoal de enfermagem, em geral, e<br />

para com o feminino em especial: atitude · de deferência e de respeito: respeito<br />

pela formação exigida que custou sacrifícios, respeito pelo trabalho dado sem<br />

um lamento, respeito pela fadiga e pelo sacrifício do tempo livre, respeito pelo<br />

sexo, atitude normal de todo o homem digno deste nome.<br />

Esta deferência e este respeito exprimem-se por ordens firmes mas sempre<br />

amáveis, algumas vezes por repreensões mas também por felicitações. As<br />

sanções devem ser aplicadas pelas instâncias superiores e não por um médico<br />

qualquer. Neste assunto de pessoal é indispensável a colaboração entre os<br />

médicos, os enfermeiros-chefes e a administração.<br />

4. Pela sua atitude para com as peças da administração, desde o administrador,<br />

ao electricista e à criada da cozinha. Não há profissões desprezíveis<br />

e o facto de se ser médico não implica a necessidade de olhar toda a gente de<br />

alto para baixo.<br />

S. Pela sua pontualidade. Se foi resolvido operar às 7 horas, não<br />

comece às 7-15. Não há nada mais indelicado nem mais enervante para os que<br />

esperam do que as negligências nesta matéria. Esta pontualidade deve ser respeitada<br />

tanto para as pessoa,s que nós convocamos, como para as que vêm pedir-<br />

i<br />

I<br />

I<br />

I<br />

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I<br />

I<br />

•<br />

I<br />

-nos um conselho, como pára os internados que às vezes esperam horas e horas<br />

no vestíbulo, como ainda para os colegas que nos chamam ao telefone, etc.<br />

Isto ;ão talvez ninharias mas ninharias que acumuladas podem influir no bom<br />

nome e prestígio de um estabelecimento.<br />

6. Pela sua atitude referente ao material de trabalho, instrumentos, aparelhos,<br />

laboratórios, livros, medicamentos. Tudo isto custa caro, e muitas<br />

coisas são mesmo insubstituíveis, sobrecarregam o orçamento já tantas vezes<br />

equilibrado, sabe Deus como. Manuseando-os com cuidado e poupando, economizar-se-ão<br />

somas importantes que diminuem o custo da diária do doente;<br />

aumentam o rendimento do hospital e permitem a compra de nova aparelhagem.<br />

Esta é, sem dúvida, uma das melhores formas de colaborar no trabalho<br />

e re~ponsabilidade do administrador que vos ficará agradecido profundamente.<br />

O pessoal de enfermagem, por· força do seu trabalho, está em ligação<br />

estreita com o serviço médico; por outro lado é contratado, alojado, alimentado<br />

e pago pela administração. Está, pois, em contacto permanente com as<br />

duas esferas. Este pessoal deve ser de primeira qualidade, para corresponder<br />

às exigências de um serviço hospitalar eficiente. Composto de enfermeiros e<br />

enfermeiras diplomadas, de enfermeiras-chefes competentes, de «irmãs» de primeira<br />

ordem, deve ser inteligente, rápido, com reflexos e não deve empatar<br />

tempo. Será o elo de uma estreita colaboração entre os médicos-chefes, ou<br />

chefes de clínica e a administr_ação. Esta deve averiguar bem os antecedentes<br />

de todas as suas enfermeiras. Um bom quadro de enfermagem é a pedra fundamental<br />

do edifício.<br />

Mas, em compensação, se temos exigências em relação a este pessoal,<br />

temos iguais deveres para com ele. E aqui aparece a grande responsabilidade<br />

da administração. Alojamento higiénico e agradável, alimentação abundante<br />

e bem apresentada, locais de recreio e descanso suficiente, tudo isto é indispensáveL<br />

Um pessoal bem tratado é sempre um bom pessoal técnico. A colaboração<br />

do administrador é, pois, indispensável.<br />

Idêntico problema se põe para o pessoal subalterno: pessoal de cozinha,<br />

rouparia, lavandaria, fogueiras, electricistas, pessoal de obras, jardineiros,<br />

criados de laboratório, etc. Cada uma destas pessoas tem as suas responsabilidades<br />

e deve ser escolhida não só pelas suas qualidades profissionais, mas<br />

também pelas qualidades morais. Todos devem ser industriados sobre o que<br />

é o hospital, género de doentes e doenças que ali se tratam, necessidade de um<br />

trabalho bem feito, higiene impecável, observância de silêncio, etc. Compete<br />

ao administrador contratá-los, orientá-los, vigiá-los e saber despedi-los oportunamente.<br />

Também aqui a questão da alimentação é fundamental e faz o<br />

bom ou o mau nome do estabelecimento. A este respeito são indispensáveis<br />

contactos permanentes entre os serviços médicos e os administrativos.<br />

6 HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES 7


.li<br />

I<br />

I<br />

I!<br />

Estou pensando agora numa cozinha de dietas que deve ser servida por<br />

pessoal de primeira ordem, competente e, sobretudo, consciencioso. "<br />

Chego, finalmente, à última personalidade desta enumeração: o administrador,<br />

gerente ou ecónomo. A escolha deste funcionário indispensável é<br />

extremamente importante. Tem de possuir numerosas qualidades: conhecer<br />

toda a mecânica da administração, conhecer todas as questões da contabilidade,<br />

ter noções de medicina pura e até de técnicas médicas, raios X, agentes físicos,<br />

etc. Mas deve ser, acima de tudo, uma ·personalidade marcante e possuir<br />

autoridade natural. Não deve ser demasiadamente bom, nem demasiadamente<br />

duro; deve mostrar bondade e compreensão por todos e para todos; deve saber<br />

mostrar-se severo quando o for preciso. Tem de possuir, sem discussão, o respeito<br />

do seu pessoal que lhe cumprirá as ordens sem murmurar. Será o braço<br />

direito do director ou do serviço médico em todas as questões administrativas.<br />

As relações entre o director e o administrador têm de ser cordiais e<br />

baseadas no respeito recíproco da personalidade moral e das competências profissionais.<br />

Devem discutir e entender-se sobre todos os problemas complicados<br />

e eliminarão ràpidamente qualquer divergência ocasional. Nas grandes decisões<br />

devem agir sempre em acordo mútuo. O administrador tem o direito de<br />

participar nas conferências dos médicos, a fim de manter o contacto com eles,<br />

para os aconselhar, se necessário, para se manter em dia com os progressos<br />

médicos e satisfazer as suas exigências, de harmonia com as disponibilidades.<br />

Poderá, assim, fazer economias importantes e colaborar no prestígio científico<br />

do estabelecimento.<br />

O administrador deve ter igualmente frequentes conferências com 03<br />

enfermeiros-chefes, e, de tempos a tempos com os assistentes. Deverá orientar<br />

e seguir de perto todo o seu pessoal. Não tenha receio de andar pelas enfermarias,<br />

interrogar doentes, provar a comida, assegurar-se se o serviço está bem<br />

feito e entrar em contacto com os parentes dos doentes, escutar as suas reclamações<br />

e remediá-las. O administrador está ao serviço do «cliente» e deve por<br />

tudo em acção nesse sentido.<br />

O administrador, finalmente, deve ser activo, dinâmico, evitar toda a<br />

burocracia hipertrofiada e supérflua. Para ela terá o seu pessoal de carteiro.<br />

Como um comandante de companhia, deverá passear-se no sector, tomar contacto<br />

com todos e tomar conta de todas as necessidades, no próprio lugar.<br />

Falta-me ainda considerar a assistente social. Esta desempenhará um<br />

papel de primeiro plano, se for uma personalidade. Activa, hábil, empreendedora,<br />

bem formada, compreensiva, boa sem ser fraca, a assistente social é um<br />

elemento essencial num hospital moderno. Deve estar em contacto estreito<br />

com o serviço médico que, por seu lado, tem o dever de lhe assinalar os casos<br />

de que ela deverá ocupar-se e orientá-la sobre a doença, sua gravidade even-<br />

..<br />

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tual, e evoluçã'f> possível. Deve, estar, por outro lado, em contacto não menos<br />

estreito com os serviços administrativos que tem o dever de a ajudar no seu.<br />

trabalho, fornecendo-lhe os meios pecuniários, roupas, passagens em caminho<br />

de ferro, reduções de diárias ou de tratamentos, etc. Ela é, de alguma maneira,<br />

a ponte entre os dois departamentos e colabora num melhor entendimento<br />

dessas duas tendências de actividade (médica e administrativa).<br />

Vejamos agora ràpidamente quais são as vantagens duma estreita colaboração<br />

dos serviços hospitalares.<br />

1. A racionalização do trabalho. Racionalização é smommo de trabalho<br />

rápido, bem feito, barat•o. Ela é a própria essência de uma economia sã.<br />

Os desentendimentos geram a desordem e a desordem impede a racionalização.<br />

A colaboração é um corolário indispensável da racionalização e os hospitais que<br />

a ela se não adaptam falham do ponto de vista económico e serão fatalmente<br />

eliminados.<br />

2. Disse que o desentendimento gera a desordem. Desordem é o mesmo<br />

que perda de tempo: perda de tempo para o doente que demorará a curar-se,<br />

perda de tempo para 0 pessoal já sobrecarregado, perda de tempo para os<br />

médicos que não poderão aumentar os conhecimentos teóricos. A colaboração<br />

reduz o trabalho e aumenta os descansos.<br />

3. A colaboração produz economias e lucros financeiros. Isto beneficia<br />

o doente que estará menos tempo no hospital, a caixa do estabelecimentO><br />

que passará a dispor de fundos para comprar mobiliário, objectos de arte,<br />

material e literatura médica, e finalmente beneficiará o contribuinte que é a<br />

principal fonte de receitas.<br />

4. Criação de entusiasmo e alegria no trabalho, aliada a uma confiança<br />

indispensável entre a medicina e os seus meios.<br />

O trabalho baseado no entendimento, o trabalho de equipa é sempre<br />

produtivo e remunerador. Satisfaz a inteligência daquele que o exerce e beneficia<br />

o doente que se mostrará reconhecido. Este reconhecimento recairá sobre<br />

todo o estabelecimento.<br />

5. Progresso de saude pública, com enormes consequências económica!;<br />

e morais. Um hospital que funcione mal afugenta os doentes e muitos, não<br />

tendo meios para se deslocar a outro· estabelecimento, não se tratarão. Daqui<br />

uma baixa de capacidade produtiva da população.<br />

Quais são as consequências da não-colaboração no hospital ? Primeiramente,<br />

resultará precisamente o contrário do que fica exposto nos números<br />

anteriores. Depois criar-se-á no próprio hospital uma atmosfera envenenada.<br />

na qual é difícil trabalhar, que cria mau humor, leva à negligência, mata entusiasmos<br />

e boas vontades, torna as pessoas aborrecidas, até grosseiras, atmosfera<br />

8 HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES 9<br />

I<br />

!I


que se manifesta em tudo, sobretudo no doente. Este perderá ~ confiança e<br />

experimentará um sentimento de insegurança que se reflectirá na doença.<br />

Finalmente, baixa a qualidade do trabalho, cansa-se o doente, o pessoal perde<br />

as suas qualidades, o cofre esvazia-se e o estabelecimento periclita.<br />

Eis agora os meios para obter uma boa colaboração:<br />

a) Formação do pessoal médico e administrativa. Exigir bons conhe­<br />

-cimentos teóricos e práticos em todos os domínios. Que o pessoal de enferma-<br />

-gem seja todo diplomado, que os artífices tenham feito adequada aprendizagem,<br />

que os médicos sejam de primeira ordem. Que se respeite em cada um o<br />

·saber e a competência profissional. É desagradável tratar com ignorantes<br />

e tolos!<br />

b) Repartição das tarefas segundo as competências. Pode uma enfermeira<br />

ser boa instrumentista e má anestesista; uma outra será melhor na enfermaria.<br />

Um médico terá aptidões especiais para a investigação e o laboratório,<br />

mas outro sé está bem a operar «Um lugar para cada um e cada um no seu<br />

lugar». Uma hierarquia bem compreendida e não demasiadamente rígida não<br />

maça ninguém e reparte as responsabilidades.<br />

c) Pontualidade- da qual já se falou.<br />

d) Carácter equilibrado que deve exigir-se a toda a gente. Eliminem-se<br />

os psicopatas, os conflituosos, os descontentes permanentes, os invejosos,<br />

os depressivos e os maldosos.<br />

e) Qualidades de coração, boa vontade, educação, serenidade e sobre­<br />

·tudo «savoir-vivre».<br />

f) Orientação frequente e completa do pessoal sobre a actividade da<br />


-<br />

Para que os leitores façam uma idea das vantagens do sistema,<br />

darei a seguir os tópicos essenciais do plano que adoptamos.<br />

4. O sistema de escrituração por decalque está a funcionar<br />

apenas nos sectores seguintes:<br />

a) Compras<br />

b) Vendas<br />

c) Recebimentos<br />

d) Pagamentos<br />

Faltam-nos ainda montar as contas de<br />

a) Pessoal<br />

b) Indústria<br />

c) Custos<br />

Vejamos como funcionam os esquemas já montados:<br />

S . . Compras- Quando qualquer mercadoria entra nos armazens<br />

é levada a débito da ficha de «stock» ou de existência. Por<br />

meio de impressos adequados e pelo uso de papel de carvão, com<br />

um só lançamento, fica escriturado o débito dessa ficha de existência,<br />

o crédito da conta-corrente do fornecedor e o diário geral do armazero.<br />

Os totais diários dos débitos das existências devem ser iguais<br />

aos dos créditos dos "fornecedores, uns e outros registados no diário<br />

do armazem, facilitando a conferência directa e imediata.<br />

6. Vendas - Os hospitais «vendem» a: doentes, -serviços e<br />

pessoal. São estes realmente, os nossos habituais clientes. A conta<br />

de doentes é de natureza especial porque, habitualmente, não são<br />

levadas a elas todas as despesas~ A maior parte dos doentes, por<br />

serem indigentes ou porcionistas, têm a quase totalidade das despesas<br />

cobertas pela taxa a que se chama «diária». Já o mesmo não<br />

acontece com os serviços e o pessoal. De cada vez que os armazéns<br />

fornecem roupa, utensílios, medicamentos, etc. para cada enfermaria<br />

deveremos debitá-la por esses ,fornecimentos. Da mesma forma, se<br />

fornecermos medicamentos ou géneros ao pessoal.<br />

Ora, no sistema de escrituração por decalque, cada fornecimento<br />

é lançado de uma só vez a débito da conta do serviço ou do<br />

12 HOSPITAIS<br />

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empregado, a crédito da ficha ou conta de existência e no diário de<br />

armazem.<br />

A conferência é feita como no caso, das compras.<br />

7. Recebimentos - De cada vez que um devedor vem fazer<br />

um pagamento, a simples operação de passar o recibo dá automàticamente<br />

e por decalque os seguintes lançamentos: crédito na conta<br />

do cliente, débito da caixa e diário da tesouraria.<br />

8. Pagamentos- Sempre que nos é presente qualquer factura<br />

para pagamento, com um simples e único lançamento regista-se<br />

o débito da conta corrente do fornecedor, o crédito de caixa e o diário<br />

de tesouraria.<br />

9. Eis, em traços lrápidos, o sistema que estamos ensaiando<br />

em Coimbra e com apreciáveis resultados. Por enquanto estamos<br />

utilizando apenas o sistema manual. É mais barato e mais acessível<br />

a pessoal não habituado a tais processos. Mas a sua simplicidade<br />

é tão grande que não tem havido dificuldades sérias nn adaptação<br />

dos empregados.<br />

Impõe-se que seja estudado um esquema nacional de contabilidade<br />

hospitalar que, utilizando os processos de decalque, dará<br />

às administrações elementos de previsão e fiscalização pontuais<br />

e certos e às instâncias superiores a facilidade de comparar directamente<br />

os resultados da gestão nos vários estabelecimentos do país.<br />

Ot•çaJnentos das ItliseJ•ieóJ•dias<br />

Chamamos a atenção das Mesas<br />

das Misericórdias para a obrigação<br />

legal de apresentarem desde 15 de<br />

Setembro a 15 de Outubro, na respectiva<br />

Comissão Municipal de Assistência<br />

os projectos dos orçamentos<br />

ordinári·os para o próximo ano.<br />

PORTUGUESES<br />

Se alg11ma dúvida tiverem na sua<br />

confecção, na classificação de alguma<br />

despesa ou em outra qualquer formalidade,<br />

queiram dirigir-se-nos. Ser­<br />

-lhes-á dada resposta com brevidade<br />

e, tanto quanto nos for possível, acertada.<br />

13


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Servi~o Soeial Dltm hospital<br />

Continuo a transcrever passagens<br />

interessantes do diário qaquela trabalhadora<br />

social minha amiga que<br />

há já algum tempo apresentei aos<br />

leitores, precisamente na altura em<br />

que ela tinha tomado de um serviço<br />

social recencriado num dos nossos<br />

grandes hospitais.<br />

«São decorridos alguns meses após<br />

a organização da Secção Hospitalar<br />

do Serviço Social.<br />

É altura de se perguntar o que há<br />

feito. A resposta poderá ser dada<br />

com dois sentidos: há muito e há<br />

pouco.<br />

Qualquer tantativa de nova modalidade<br />

no campo da acção social é<br />

quase sempre recebida com desconfiança,<br />

provocando, por vezes, uma<br />

certa revolução, que só a poder de<br />

paciência, prudência e acção se virá<br />

t·omando em regímen normal e com<br />

evidente benefício para o fim alvejado.<br />

Por esta razão digo que há<br />

1nuito feito. Sim, transpôs-se uma<br />

porta que estava fechada, e, porque<br />

se não abriu com chave falsa, cremos<br />

que, embora a dentro dessa porta<br />

1nuitos e variados obstácuJ.os se oponham<br />

a esta- entre nós- nova modalidade<br />

do Serviço Social, a transpusemos<br />

para se realizar alguma<br />

coisa de bom e verdadeiro em favor<br />

d o bem comum, ainda que algumas<br />

pessoas digam que a orientação que<br />

. Por D. LIA QUEIROZ<br />

tomamos não conduzirá ao fim desejado.<br />

Há dias no gabinete do Serviço<br />

Social do Hospital, alguém me disse<br />

francamente não acreditar na possibilidade<br />

dos meios com que pretendíamos<br />

alcançar os fins. Que não<br />

concordava com •o inquérito de carácter<br />

puramente policial que se fazia<br />

através do Serviço Social. Que este<br />

inquérito não devia ser da competência<br />

do Serviço Social, pois toma<br />

as suas agentes antipáticas aos olhos<br />

da pobreza, que se revolta contra<br />

tais inquiridoras, que lhes aparecem,<br />

como polícias, caçadores de «magros<br />

cobres» com que possam pagar a<br />

hospitalização... e assim por diante.<br />

Que as Assistentes, continuava<br />

esse alguém, deviam aparecer no momento<br />

oportuno como anjos da caridade,<br />

que pudessem valer a quem as<br />

reclamava, pois de contrário seriam<br />

sempre recebidas com pedras na<br />

mi'ío!<br />

Mas, não estará a pessoa que me<br />

falava, vendo o Serviço Social através<br />

de uma cortina negra, que não<br />

quer dar-se ao trabalho de arredar<br />

para poder ver claro no que na realidade<br />

interessa a todos ?<br />

Sim, para os leigos do Serviço<br />

Social é desfavoràvelmente impressionante<br />

o inquérito hospitalar, porque<br />

só vê nele a finalidade directa<br />

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«do pode ou não pode pagar», frio<br />

e indiferente.<br />

Mas não é assim. Se ·pensarmos<br />

que o inquérito hospitalar como aliás<br />

qualquer outro, não é aquele questionário<br />

ritual, feito unicamente para<br />

caça «do pode ou não pode pagar»,<br />

mas sim um dos meios para atingir<br />

o conhecimento do indivíduo, quer<br />

no meio familiar, quer na mentalidade<br />

de doente ou são, pois que pelas<br />

perguntas que fazemos poder-emos determinar<br />

nele reacções de acordo com<br />

a formação psicológica, que nos vão<br />

ajudar a fazer o diagnóstico social<br />

num maior número de famílias.<br />

Pos este meio pode manter-se uma<br />

acção social oportuna junto dos indivíduos<br />

ou das famílias. Se num dado<br />

momento for necessário intervir, já<br />

sabemos onde e como prestar auxílio<br />

de forma a evitarem-se vícios de<br />

assistência, «fabricando-se assistidos».<br />

Estando o inquérito hospitalar a<br />

cargo do Serviço Social, torna-se possível<br />

uma acção mais vasta no sentido<br />

de orientar, educar e prevenir a família,<br />

para que o seu equilíbrio se mantenha<br />

dentro das condições normais<br />

de vida.<br />

Raramente se pode intervir numa<br />

família, com benefício, quando esta<br />

já desceu a um baixo grau de miséria,<br />

porque geralmente já não se reabilita<br />

pelos processos que competem<br />

ao Serviço Social, sob peha de ter de<br />

se invadir um campo que pertence a<br />

outras entidades e em especial às<br />

religiosas. Importa pois evitar a<br />

queda das famílias na miséria:<br />

Quanto à situação da Assistente<br />

perante a crítica de uns e de outros,<br />

~ão é o que mais a deve preocupar.<br />

Não se pode exigir que seja sempre<br />

tida por todos como anjo da caridade.<br />

O fim da Assistente Social não é obter<br />

a gratidão das famílias, mas conseguir<br />

pela sua acção resultados eficazes.<br />

Primeiro porque a perfeição não<br />

existe ns mortais; segundo porque o<br />

bem é visto por estes sob prismas<br />

diferentes.<br />

Quando Nosso Senhor Jesus<br />

Cristo, o Sumo Bem, a Perfeição<br />

das perfeições, foi e é mal apreciado<br />

... como queremos nós imperfeitas<br />

e defeituosas criaturas, esperar<br />

que o nosso bem, tão relativo seja<br />

apreciado na devida conta ?<br />

O que interessa pois é trabalhar<br />

com Fé, Amor, Justiça e Caridade.<br />

O ~esta virá «por acréscimo».<br />

EM TODOS OS PAíSES os hospitais se reunem em associações e federações<br />

para estudarem e resolverem em comum os grandes problemas que a todos<br />

interessam. Por que não há"-de fazer-se o mesmo em Portugal ?<br />

li<br />

1:<br />

14<br />

HOSPITAIS<br />

I<br />

1<br />

I<br />

PORTUGUESES 15


I .<br />

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I!:<br />

,ti<br />

Cotaforto do floeJate<br />

A entrada de um<br />

doente na enfermaria,<br />

depois de cumpridas<br />

todas as forlidades<br />

burocráticas,<br />

é sempre um acto<br />

emocionante p a r a<br />

quem chega (o próprio doente, a<br />

família que o acompanha, ~s vezes<br />

a mulher e os filhos) e para quem o<br />

recebe.<br />

Não é raro lermos nas fisionomias<br />

dos figurantes deste quadro, um certo<br />

ar de desconfiança, direi melhor de<br />

incerteza, e quase sempre a amar­<br />

_gura.<br />

Um ente querido vai ser entregue<br />

aos cuidados, sabe-se lá de quem ?<br />

Vai ficar só, no catre do sofrimento,<br />

sem o carinho da esposa, sem a alegria<br />

dos filhos, sem o amparo da mãe.<br />

Surge o enfermeiro que o recebe.<br />

- Quem será, como será o feitio<br />

deste senhor, vestido de branco, e<br />

quase sempre pálido como as alvas<br />

cobertas do leito da enfermaria ?<br />

Aproxima-se e indaga acerca do<br />

estado do doente, com palavras que<br />

eles quase não percebem. Mas ...<br />

reparam que o senhor se interessa<br />

amàvelmente, que se aproxima e acaricia<br />

o doente, mostra um ar de esperança<br />

e compaixão, e as figuras tris-<br />

<strong>16</strong><br />

Banllo geral no leito<br />

Por FRANCISCO CiNDIDO DA SILVA<br />

tes e sucumbidas pela dor, começam<br />

a esboçar um ar de confiança e de<br />

simpatia pelo enfermeiro.<br />

Ele vai começar a atender as primeiras<br />

necessidades do seu doentinho.<br />

Vai instalá-lo na enfermaria que será<br />

agora a sua casa. Os outros doentes<br />

seus irmãos na dor, e os empregados<br />

a sua família; tudo se conjuga para<br />

que fique bem instalado; ele nota a<br />

preocupação de todos para que nadn<br />

lhe falte ; vão ensinar-lhe como tudo<br />

na enfermaria funciona: Luzes, sinais<br />

de chamada, retretes quarto de banho,<br />

etc. O seu leito está ali muito<br />

branco, muito limpo, muito confortável.<br />

Nasce nele a sensação dum<br />

certo bem estar, dum conforto compensador,<br />

duma esperança na sua<br />

próxima cura. Ele sente sem o saber<br />

aquele conceito tã•o verdadeiro do<br />

Dr. Délassus: «0 enfermeiro é a<br />

expressão da caridade na sua forma<br />

mais pura: O amor dos outros por<br />

si, por Deus». .. Sim ele começa a<br />

sentir humanidade naqueles homens<br />

que ele julgava sem sentimento de<br />

dor, sem a sensibilidade por quem<br />

sofre.<br />

Eles tratam-se como irmãos, com<br />

verdadeiro amor, amor cristão, amor<br />

de Deus.<br />

Vão iniciar as primeiras «démar-<br />

HOSPITAIS<br />

. \<br />

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I<br />

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'<br />

ches» para que fique bem instalado e<br />

limpo. Surge a primeira interrogação:<br />

Será preciso banho geral ?<br />

O enfermeiro repara na papeleta,<br />

e o médico prescreveu: Sim. Mas<br />

o doente veP-1 numa maca bastante<br />

difícil de movimentar, e o banho terá<br />

que ser dado no leito.<br />

Não é raro depararmos com certo<br />

ar de atrapalhação, quando falamos<br />

num banho geral no leito.<br />

Este banho não é evidentemente<br />

um banho em que as abluções constem<br />

de grandes quantidades de água<br />

a escorrer por todo o corpo; nada<br />

disso; o banho no leito é também<br />

chamado banho coberto, porque na<br />

verdade ele é dado com todas as precauções,<br />

e sobretudo sem descobrir o<br />

doente senão no que é estrictamente<br />

necessário, e pelo menor espaço de<br />

tempo possível.<br />

Vamos hoje dar uma explicação<br />

de como se executa o banho geral no<br />

leito, como sendo das medidas mais<br />

úteis para o conforto do doente.<br />

Temos que ter presente três princípios<br />

importantes: a) é necessário<br />

não descobrir o doente; b) não o movimentar<br />

demasiado; c) usar de todos<br />

os princípios de decoro e de modéstia,<br />

e não ofender o doente no seu pudor.<br />

Devemos colocar junto do doente<br />

todo o material necessário para o<br />

banho, que consta de :<br />

a) Um cobertor fino de lã ou<br />

algodão.<br />

b) Uma bacia de rosto, e outra<br />

bacia para os pés.<br />

c) Uma esponja ou toalhete de<br />

feltro.<br />

PORTUGUESES<br />

d) Uma tesoura, escova de<br />

unhas, pente.<br />

e) Copo com escova e pasta e<br />

cuvete riniforme.<br />

f) Um jarro com água quente<br />

(até 50°) .<br />

g) Uma saboneteira com sabão.<br />

i) Roupa lavada, duas toalhas.<br />

h)<br />

j)<br />

Álcool, talco.<br />

Um balde.<br />

Técnica:<br />

Fechar as portas e janelas, e colocar<br />

biombos em volta da cama.<br />

Não deixar ficar senão uma almofada,<br />

se ele puder ficar apenas com<br />

uma.<br />

Colocar a roupa lavada pela ordem<br />

porque deverá ser mudada.<br />

Desprender toda a roupa dos<br />

lados e dos pés.<br />

Retire-se a roupa peça por peça<br />

dobrando-a e colocando-a sobre ca··<br />

deiras aos pés da cama.<br />

Ao chegar ao lençol, cobre-se com<br />

o cobertor fino, e retira-se o lençol<br />

puxando-o pelos pés da cama.<br />

Despir cautelosamente a camisa<br />

de dormir, deixando o doente bem<br />

agasalhado.<br />

·Ajusta-se bem a toalha de rosto<br />

para se proceder à lavagem deste,<br />

encostando lateralmente a bacia de<br />

rosto, e lavando com a esponja ou<br />

toalhete suavemente e sem friccionar ;<br />

os olhos lavam-se com algodão em<br />

pequenas bolas, assim como os ouvidos<br />

e o nariz. Depois de enxuto procede-se<br />

à lavagem dos membros superiores.<br />

<strong>17</strong><br />

I<br />

I ...


Coloca-se a toalha de feltro debaixo<br />

de todo o membro em toda a<br />

extensão e lava-se totalmente, axila,<br />

braço, ante-braço e mão. Seca-se,<br />

e talca-se a axila. Procede-se da<br />

mesma forma com o outro membro<br />

sem nos desl·ocarmos do mesmo local.<br />

Cobrindo com a toalha de banho<br />

primeiro o peito e depois o abdómen.<br />

lavamos estas duas regiões.<br />

As coxas e pernas lavam-se empregando<br />

a mesma técnica dos membros<br />

superiores.<br />

Para lavar os pés, com todo o<br />

doente coberto, tendo o p,eríneo protegido<br />

com uma toalha, flectem-se as<br />

pernas e protegendo o leito com a<br />

toalha, coloca-se sobre esta a bacia<br />

própria, e os pés dentro dela, lavando<br />

assim com toda a facilidade. Depois<br />

de lavados retira-se a bacia, e enxugam-se-<br />

tratando as unhas.<br />

Os órgãos genitais devem ser limpos<br />

com a esponja húmida sem se<br />

levantar a roupa ou expor o doente.<br />

Em certos casos pode o próprio<br />

doente preferir fazê-lo.<br />

Se se torna necessário uma «toilette»<br />

abundante usa-se a arrastadeira.<br />

A água deve ser mudada de vez<br />

em quando.<br />

Para lavar as costas e as nádegas,<br />

volta-se com muito cuidado o doente<br />

em decúbito-ventral se o puder; caso<br />

contrário em decúbito lateral.<br />

Colocando a toalha sobre as costas,<br />

lavam-se estas e o dorso, e limpam-se;<br />

em seguida e sem levantar<br />

a roupa, as nádegas. '<br />

Antes de voltar o doente faz-se<br />

18<br />

uma fricção com álcool, e macejam-se<br />

as costas com talco.<br />

Depois de voltado faz-se o mesmo<br />

ao peito.<br />

Depois de feita a cama e vestida<br />

roupa lavada, coloca -se o doente na<br />

sua posição normal sobre os travesseiros,<br />

e penteia-se.<br />

E assim damos por terminada esta<br />

nossa exposição do primeiro passo<br />

para o conforto do doente. Antes,<br />

porém, devo aconselhar como faz nas<br />

suas lições Madame Nappée: «Remetre<br />

tout en ordre».<br />

Tudo deve ficar em ordem e arrumado,<br />

para que na realidade o enfermeiro<br />

seja completo e tenha a sua<br />

enfermaria sempre com aquele ar de<br />

conforto que até inspira confiança e<br />

simpatia aos nossos doentes.<br />

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CIRÚRGICO E HOSPITALAR<br />

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HOSPITAIS<br />

'·.<br />

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XI ,<br />

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I'"<br />

OS<br />

DIR. TEC. DO PROF. COSTA SIMÕES<br />

PORTUGUESES 19


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H E P A S P L E N. E<br />

Plaiaos<br />

e asa de<br />

tle<br />

. -<br />

oa·~alttza~ao<br />

pat·a •••na<br />

satttle pa••tietlla•·<br />

Por D. MARIA DA CRUZ REPENICADO DIAS<br />

ji<br />

ELIXIR<br />

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I<br />

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;<br />

I<br />

I<br />

I<br />

'<br />

(Continuação)<br />

O serviço de enfermagem desempenha um papel tão importante na vida<br />

dum hospital ou clínica; que sem ele por melhor que funcionem. os serviços<br />

clínicos e administrativos, não é possível manter o bom nome da instituição.<br />

Ela valerá pelo que for a sua enfermagem.<br />

Para que seja tão perfeito quanto possível, deve o serviço ser administrativamente<br />

organizado e manejado de modo a que «renda» bem.<br />

É dirigido por uma enfermeira-chefe que tem a responsabilidade inteira<br />

de que o trabalho corresponda profissionalmente ao que se espera da instituição,<br />

conseguindo a maior eficiência com o mínimo dispêndio.<br />

Tem de orientar todo o serviço de enfermagem, quer especial quer geral.<br />

Compete-lhe fazer os horários, distribuir o serviço e assegurá-lo de noite<br />

e de dia. Terá também a responsabilidade de acordo com a pessoa encarregada<br />

da parte doméstica, todo o serviço de criadas que se passa nos andares dos<br />

doentes, S. 0 ., etc., etc.<br />

As enfermeiras especias e gerais e as auxiliares terão que dar contas de<br />

todo o seu trabalho à enfermeira-chefe diàriamente. Ela as dirigirá e orientará<br />

em tudo.<br />

Transmitir-lhes-á todos os programas e rotinas por escrito que se encontrarão<br />

em cada andar sempre ao alcance de todas para poderem ser consultadas.<br />

Vigiará que todos os impressos e mais parte administrativa estejam<br />

em dia.<br />

Orientará todo o pessoal enfermeiras, auxiliares e criadas e que formem<br />

equipa e trabalhem eficintemente em conjunto.<br />

Terá especial cuidado com a parte espiritual das doentes e pessoal, não<br />

impondo, mas sugerindo e facilitando.<br />

Laboratórios Atrai, L.da<br />

Avenida Gomes Pereira, 74-78 - Lisboa<br />

Enfea•meh·as<br />

Cálculo para 30 a 35 doentes.<br />

Horários de 8 horas em turnos<br />

de 8 às <strong>16</strong>, das <strong>16</strong> às O, e das O às<br />

8 horas.<br />

1 Enfermeira-chefe.<br />

1 Enfermeira Sub-chefe parteira.<br />

5 Enfermeiras sendo uma de S. O.<br />

8 Auxiliares de enfermagem.<br />

A distribuição do trabalho é feito<br />

de modo que de manhã há maior<br />

[I<br />

[!<br />

20<br />

HOSPITAIS<br />

I<br />

i<br />

PORTUGUESES<br />

2<br />

21


número de pessoas nos serviços, de<br />

tarde menor e de noite menor ainda.<br />

Poderá fazer-se ideia pelo quadro<br />

apresentado.<br />

Enf. Chefe<br />

» ·s. Chefe ----­<br />

» S. O.<br />

» A.<br />

» B.<br />

}) c.<br />

Aux.A.<br />

» B.<br />

» c.<br />

» D.<br />

» F.<br />

» G.<br />

» H. S. O.<br />

A sub-chefe, das 8 às 12 horas e<br />

30 minutos e depois das <strong>16</strong> às 19 horas<br />

e 30 minutos, com horário menos<br />

fixo, visto que é parteira e faz todo<br />

32 doentes de cirurgia H.T.<br />

8 9 IO II I2 13 I4 15 I6 I7 I8 I9 20 2I 22 23 24 I 2 3 4 5 6 7 8<br />

Folgas:<br />

Enfermeira D.<br />

Enfermeira auxilil!r D.<br />

Urna enfermeira e urna auxiliar<br />

fazem as folgas todas.<br />

Das outras três há uma no turno<br />

da manhã, uma no da tarde e uma<br />

no da noite.<br />

Estas enfermeiras alternam o<br />

turno de 15 em 15 dias e ficam de<br />

folgas 15 dias ou um mês. Portanto<br />

as enfermeiras A, B, C e D a não ser<br />

por conveniência de serviço têm todas<br />

o mesmo trabalho e experiência.<br />

As enfermeiras sub-chefe e de S. O.<br />

são especializadas, portanto têm sempre<br />

o mesmo trabalho.<br />

A enfermeira chefe trabalhará o<br />

maior número de dias no mês, no<br />

horário da manhã das 8 às <strong>16</strong> horas.<br />

22<br />

Horas por doente:<br />

3· 2.<br />

8h.<br />

8 h.<br />

8 h.<br />

8h.<br />

8 h.<br />

8h.<br />

8 h.<br />

8h.<br />

8 h.<br />

8h.<br />

8h.<br />

8h.<br />

8h.<br />

o serviço da especialidade que é variável.<br />

A enfermeira da sala de operações,<br />

trabalhará em regra cerca de<br />

5 horas de manhã das 8 às 13 horas<br />

e depois de tarde na preparação de<br />

material das <strong>16</strong> às 19 ou antes outras<br />

quaisqeur horas que mais convenham<br />

ao movimento da clínica.<br />

Das outras quatro enfermeiras,<br />

uma faz todas as folgas e folga ela<br />

própria de 7 em 7 dias.<br />

Exemplo:<br />

Domingo, folga Enfermeira-chefe;<br />

Segunda-feira, folga Enfermeira<br />

Sub-chefe;<br />

HOSPITAIS<br />

[<br />

I<br />

I<br />

\<br />

l<br />

Terça feira, folga Enfermeira da<br />

Sala de Operações;<br />

Quarta-feira, folga Enfermeira A;<br />

Quinta-feira, folga Enfermeira B;<br />

Sexta-feira, folga Enfermeira C;<br />

Sábado, folga Enfermeira D;<br />

Domingo, folga Enfermeira-chefe;<br />

Segunda-feira, folga Enfermeira<br />

Sub-chefe.<br />

Auxlliat•es tle enfermagem ,<br />

Terão todas o mesmo trabalho,<br />

que consiste em tudo que é serviço ao<br />

doente. Podem fazer tratamentos e<br />

dar medicamentos, mas a responsabilidade<br />

é sempre da enfermeira de<br />

serviço no turno.<br />

A auxiliar de Sala de Operações<br />

fará o que a enfermeira destinar e<br />

preencherá o resto do tempo como a<br />

enfermeira chefe entender.<br />

As outras estarão: uma de folgas,<br />

três de manhã nos andares, duas de<br />

tarde e uma de noite.<br />

Alternam todas de 15 em 15 dias,<br />

o mÍ'nimo.<br />

Boletins<br />

Para facilidade de serviços e estatísticas,<br />

cada andar enviará à enfermeira-chefe<br />

todos os dias às 10 da<br />

manhã o boletim de serviço com informação<br />

geral.<br />

Ela transcrevê-lo-á para um outro<br />

do qual mandará uma cópia para a<br />

Administração.<br />

Damos um modêlo para exemplo.<br />

N.o<br />

do quarto<br />

Data<br />

Médico<br />

--,-------------------------<br />

T. P. R. Críticos<br />

Enfermeira<br />

PORTUGUESES 23<br />

I


Condições de trabalho<br />

do pessoal tle enfermagem<br />

Semana de 42 horas de trabalho.<br />

Férias pagas, 30 dias, segundo<br />

tempo de serviço.<br />

Vencimentos:<br />

Enfermeira-chefe, 2.200$00<br />

Enfermeira Sub-chefe, 1.800$00<br />

Enfermeira S. 0., 1.800$00<br />

Enfermeira A. a D., 1.250$00<br />

Auxiliares, 600$00<br />

O pessoal de enfermagem interno<br />

terá direito a cama, mesa e lavagem<br />

de uniformes. A roupa pessoal é do<br />

cargo de cada uma. O pessoal externo<br />

terá de permanecer na clínica<br />

as 8 horas seguidas e terá duas refeições<br />

correspondentes ao horário: pequeno<br />

almoço e almoço ou jantar e<br />

ceia.<br />

O pessoal da noite tem ceia e refeição<br />

leve às 4 da manhã.<br />

Tanto o pessoal externo como o<br />

interno terá apenas meia hora para<br />

cada refeição grande, e um quarto de<br />

hora para a pequena.<br />

Os uniformes são de conta de cada<br />

uma, quanto a aquisição.<br />

QUEIJOS<br />

Constam de:<br />

Enfermeiras - Bata branca, avental<br />

branco e touca.<br />

A enfermeira-chefe não usa avental.<br />

Meias brancas e sapatos ahotinados<br />

brancos com salto de borracha<br />

(meio salto ou raso)<br />

Capa de côr (-?-) comprida<br />

para usar no serviço de noite.<br />

Auxiliares- Bata e touca de côr<br />

ou branca com punhos e gola de côr,<br />

t?uca de côr.<br />

Avental branco, sapatos, meias e<br />

capa igual às enfermeiras.<br />

Criadas- Uniformes de côr clara,<br />

avental ·branco (não igual em feitio<br />

ao das enfermeiras ou auxiliares e<br />

touca cujas de branco ou de côr igual<br />

ao uniforme.<br />

As batas e aventais devem ser em<br />

número de 3 os brancos e 2 de côr.<br />

Toucas, 2.<br />

Capas, 1.<br />

Exigir que o pessoal se apresente<br />

sempre escrupulosamente limpo e engomado<br />

e fazer uma escala, por dias<br />

da semana, das mudas de uniforme e<br />

avental, etc.<br />

(Continua)<br />

«VouGA SuL»<br />

TIPO PRATO-TIPO BOLA<br />

C A S E Í N A<br />

li MANTEIGA<br />

COALHO-LÁCTEA LEITE HIGIENIZADO<br />

LACTICÍNIOS DE AVEIRO, L.DA<br />

DUNLOPILLO<br />

ESPUMA DE LATEX<br />

I --+ () CüLCtiÁ() IUIAL ().


I<br />

I<br />

, I<br />

li<br />

<strong>Hospitais</strong> Estt•an~etros<br />

(Continuação)<br />

Hospital Albert-Calmette- Lille<br />

DR. ILÍDIO DE OL<strong>IV</strong>EIRA BARBOSA<br />

{ln Boletim dos Hospital• Civis)<br />

Deixando Paris, dirigi-me a Lile, a laboriosa cidade do norte da França,<br />

praça forte, mártir das guerras que têm assolado o seu País, mas cuja actividad~<br />

industrial e comercial desempenha sempre função de grande relevo na<br />

economia francesa. Aí, visitei o Hospital Albert-Calmette, e colhi, das conferências<br />

com o respectivo director administrativo, Sr. Thouvignon, e da visita a<br />

algumas dependências do Hospital, os elementos que passo a relatar:<br />

-Há em Lille, actualmente, obras importantíssimas com vista à organização<br />

de uma cidade hospitalar.<br />

De momento Lille dispõe de 4 hospitais, com cerca de 2.000 camas.<br />

Na visita feita às dependências, notei que o pavimento é de cimento<br />

granitado, muito bonito, com um rebordo de metal nos degrau s, para evitar<br />

o desgaste. Tudo muito limpo e asseado.<br />

Reparei em algumas deficiências de pinturas. Anteciparam-se a explicar<br />

serem ainda efeitos da guerra.<br />

Tem jardins magníficos, optimamente tratados, varandas para repouso<br />

dos doentes e um refeitório.<br />

O Hospital é pequeno- cerca. de 380 camas, e nele trabalham 50 enfermeiras,<br />

cada uma entre 40 a 50 horas por semana.<br />

A receita proveniente do trabalho dos doentes é importante e ocupa um<br />

bom lugar no orçamento do Hospital.<br />

Os doentes, após o primeiro tratamento, são avisados de que vai ser-lhes<br />

exigido um adicional de 900 frs. diários.<br />

Mais tarde, pode ser-lhes exigido um depósito suplementar de 13.500 frs. ,<br />

para mais 15 dias, se são pensionistas, ou 2.700, se são assistidos sociais, isto é,<br />

se estão a cargo das Caixas de Seguros Sociais. Os débitos dos porcionistas<br />

são pagos:<br />

100 % pelo Seguro Social- quando se trata de grandes operações ou de doenças<br />

prolongadas;<br />

80 % Pelo Seguro Social - nos demais câsos.<br />

26 HOSPITAIS<br />

Os restantes 20% são pagos:<br />

a) pelo doente- se pode pagar;<br />

b) pela sua comuna, departamento ou pelo Ministério de Saúde<br />

-se é indigente.<br />

A mecânica da arrecadação de receitas pelas Caixas de Seguro Social<br />

é esquemàticamente assim:<br />

l<br />

descontam 8 % dos vencimentos pagos ou<br />

Patrões e operários<br />

recebidos (4% cada).<br />

Estas receitas vão para :<br />

I<br />

A Caixa Primária de Seguro (regional, local ou distrital) .<br />

!<br />

A mecânica da arrecadação de receitas pelas Caixas de Seguro Social,<br />

! que volta às Caixas, segundo as suas necessidades. Daí, como é óbvio, vai<br />

parar aos hospitais, em pagamento das hospitalizações.<br />

O orçamento da administração dos hospitais em Lille está equilibrado,<br />

a ponto de a Assistência regional emprestar dinheiro ao Estado:<br />

Temos então após a admissão do doente:<br />

a) Se pode pagar- depósito do correspondente a 15 dias de tratamento.<br />

b) Se não pode- o Seguro Social paga durante 6 meses, ou 80 ou<br />

100%, conforme o caso.<br />

Os restantes 20 % -pela Comuna, Dep. ou Estado.<br />

Com as consultas externas- tudo se passa de forma idêntica. Em<br />

Lille, porém, são gratuitas, excepcionalmente.<br />

A Administração Hospitalar de Lille possui propriedades, edifícios e<br />

garagens, terrenos, herdades (em França e na Bélgica) e propriedades arrendadas,<br />

que compreendem uma área de mais de 1.700 hectares, sendo o número<br />

de imóveis de 7<strong>16</strong> edifícios, 55 garagens e 18 herdades. De tão importantes<br />

haveres, só as construções em 1943 estavam avaliadas em mais de 20 milhões<br />

de francos, e os rendimentos arrecadados totalizaram, nesse ano, quase<br />

6 milhões.<br />

Os serviços gerais estão instalados no rés-do-chão, tendo um andar para<br />

a clínica médica, outro para clínica cirúrgica e dois andares para quartos par-<br />

PORTUGUESES 27<br />

I'


ticulares, em que os pensionistas pagam apenas 700 a 900 frs. por dia, tudo<br />

compreendido, excepto estreptomicina.<br />

Os chefes são auxiliados por -assistentes, de sua nomeação, por internos<br />

com 3 anos de internato, a começar no 6. 0 ano do curso, e sem o que não lhes<br />

é dada a carta de doutores em medicina, e por externos- admitidos por concurso.<br />

São os chefes que pagam aos membros das suas equipas.<br />

A direcção dos serviços clínicos compete a médicos-chefes, nomeados<br />

-por concurso, na Faculdade. Ganham 45.000 frs. por ano, o que é pouco, mas,<br />

com 30 a 40 frs. que recebem da Caísse de Assurance Sociale, por cada doente,<br />

por dia, o total dos seus proventos chega a ser de 2.000.000 por ano.<br />

Lille quase não tem clínica privada. Os internos têm vencimento superior<br />

porque a sua clínica é toda feita no hospital. Quando em serviço de guarda<br />

têm alimentaçã•o, mas sem residência no hospital.<br />

Todo o pessoal de enfermagem no hospital é feminino, tendo homens<br />

só para os serviços com doentes mentais.<br />

O diploma de enfermeiro é dado ao fim de 2 anos na Escola anexa, o<br />

que é geral em França.<br />

Se têm bolsa de estudo, comprometem-se a servir um certo número de<br />

anos no hospital. Caso contrário, têm liberdade de acção, pois o Governo não<br />

quer privá-los de ganhar mais no exterior.<br />

Não se luta em Lille com falta de enfermeiras. Há muito voluntariado,<br />

como o houve durante a guerra.<br />

Tal como sucede em muitos dos hospitais que visitei, há monjas a chefiar<br />

os serviços de enfermagem - uma por cada serviço clínico. Nada ganham,<br />

tendo, porém, direito, além da alimentação e alojamento, a vestuário, erp que<br />

gastam cerca: de 1.100 frs. por trimestre.<br />

O hospital dispõe, ainda, de 190 criadas.<br />

Os carros de transporte de comida são como os nossos, mas fechados,<br />

-com rodas de borracha.<br />

As cozinhas são asseadíssimas, a vapor e a gás.<br />

Quase só pessoal feminino na cozinha, devendo, em breve, sê-lo na totalidade.<br />

Frigoríficos para 4 dias de carne.<br />

O serviço de louça de cozinha é todo de aço inoxidável, o que se tem<br />

:afirmado económico e higiénico.<br />

As máquinas de lavar a louça (marca ]. Bertoli, de Paris) pareceram-me<br />

interessantes.<br />

Na lavandaria, que é pequena, tudo em ordem, mas nada de especial.<br />

Estufas para secagem, calandra e casa de costureiras.<br />

Cuidam muito da reeducação dos doentes, para o que dispõe de oficinas<br />

de canteiros, radioelectricistas, relojoeiros, esteno-daétilógrafos, etc.<br />

ALavandaria Central, em 1943, lavou 445 toneladas de roupa e efectuou<br />

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28 HOSPITAIS PORTUGUESES<br />

29


IIII<br />

.I<br />

milhare!; de reparações. Nesse ano, o volume de sangue colhido no S. T. foi<br />

de 68.913 cm 3 , dos quais, só aos hospitais de La Charité e de St. Sauveur, couberam<br />

57.211 cm 3 •<br />

No serviço de elevadores, os destinados a doentes estão separados dos<br />

destinados a pessoal.<br />

Tem um pequeno cinema e capela.<br />

Há pavilhões para o pessoal, separados por secções.<br />

Os lixos e os sobejos da comida são queimados nas caldeiras.<br />

A futura Cidade Hospitalar de Lille, de que vi o projecto, compreenderá:<br />

1 Faculdade de Medicina para 800 alunos;<br />

1 Hospital, com serviço de contagiosos e Maternidade, independentes,<br />

para 1.600 camas;<br />

1 Centro médico para doenças pulmonares (Hospital Albert-Calmett,<br />

com 440 camas);<br />

1 Hospital Militar para 450 camas;<br />

1 Hospício para 2.000 internados.<br />

A centralização industrial do hospital funcionará longe das vistas do<br />

doente, ao qual procurará dar-se .a impressão de estar sendo tratado numa<br />

pequena clínica particular.<br />

Projecta-se a instalação de «laboratórios elásticos», com canalizações<br />

p•or toda a parte. Tabiques desmontáveis permitirão, sem a intervenção de<br />

operários, o alargamento ou a reduç.ão do laboratório em poucas horas. Galerias<br />

subterrâneas e à superfície facilitarão a comunicação entre os diferentes<br />

edifícios da «cidade», estudados, como estão, para reduzir distâncias e estabelecer<br />

ligações momentâneas.<br />

O Hospital Albert-Calmett, em funcionamento desde 1 de Novembro<br />

de 1936, é do tipo moderno, por andares, e não por pavilhões. O eixo do edifício<br />

principal está orientado na direcção leste-oeste, de forma a que as janelas<br />

dos quartos abram para o sul.<br />

Hospital de St. Pierre- Bruxelas<br />

Deixando a França, dirigi-me seguidamente a Bruxelas, a ridente e formosa<br />

capital da Bélgica e da província de Brabante. Aí, pus-me em contacto<br />

com a legação do nossos País naquela capital, e, quer por indicação do nosso<br />

Ministro, quer pela do Professor Rylant, da Faculdade de Medicina, a quem<br />

fui apresentado, visitei o Hospital St. Pierre.<br />

Trata-se, como é sabido, dum hospital universitário. Esta circunstância<br />

reveste-se de alguns inconvenientes, pois é sabido que as necessidades do<br />

ensino não se coadunam com a economia sempre de desejar por uma boa admi-<br />

i<br />

nistração. No entanto, como o objectivo era, acima de tudo, tomar contacto<br />

com organizações recomendáveis, em que os progressos fossem incontestáveis,<br />

só em administrações mais pródigas eu conseguiria encontrar melhoramentos a<br />

aâoptar, na medida do possível, nos hospitais portugueses.<br />

O hospital de St. Pierre consta de dois edifícios independentes.<br />

Dispõe de excelentes quartos particulares, com casa de banho privativa,<br />

muito bem apresentados, com diárias desde 600 frs., só a ·hospedagem.<br />

Na distribuição das instalações imperou o critério de colocar a hospitalização-<br />

a um lado e os serviços- a outro. Mostraram-me um aparelho d e<br />

raios X com uma cadeira giro-rolatória, em que, em S. José, vi o Prof. Carlos.<br />

Santos fazer demonstrações.<br />

Nos aposentos do pessoa~- camas de embutir nas paredes, com grande<br />

economia de · espaço e boa apresentação do compartimento. Boa instalação<br />

geral.<br />

Os andares estão ligados uns aos outros por caminhos em rampa, por<br />

onde os carros podem circular com facilidade, se os ascensores não funcionaTem.<br />

Despensa com géneros só para 30 dias. Tulhas de zinco interiormente<br />

e de madeira por fora.<br />

Quanto a recuperação das pespesas hospitalares efectuadas com os<br />

doentes, vigora na Bélgica o sistema francês e outro tanto do das nossas antigas<br />

Associações de Socorros Mútuos. São essas Caixas que pagam aos hospitais,<br />

os quais entregam metade da cobrança à Caixa Profissional dos Médicos.<br />

para distribuição entre os seus associados, segundo critério seu.<br />

O regime de trabalho na Secretaria vai das 8 às 12 e das 14 às <strong>17</strong> horas.<br />

Nas repartições trabalham 50 empregados. A administração geral ocupa<br />

334 empregados. O Secretário Geral ganha 229.500 frs. por ano. Os empregados<br />

de menor categoria- entre 31.000 e 48.600 frs. por ano, com uma subvenção<br />

de 12.000 frs. anuais, se são casados, e 7 .800, se são solteiros.<br />

A cirurgia ocupa um andar, com 4 grandes e 2 pequenas salas de operações.<br />

Tem uma sala de aulas com um engenhoso sistema de projecções: o<br />

doente, instalado num compartimento isolado, nada ouve do que, àcerca da sua<br />

doença, o professor diz aos alunos.<br />

Comandos exteriores indicam ao pessoal que está com o doente as posições<br />

a dar a este, de modo a que espelhos dispostos convenientemente recebam<br />

e transmitam as imagens ao quadro de projecções.<br />

Nos médicos há:<br />

29 chefes de serviço<br />

47 adjuntos<br />

95 assistentes.<br />

30 HOSPITAIS<br />

P O R T. U G U E S E S 31


I ~<br />

Dos chefes de serviço, quatro (2 de medicina e 2 de cirurgia) trabalham<br />

em regime de «full-time». Os restantes- 2 'horas da manhã, para visita e<br />

consulta.<br />

Os seus vencimentos são pagos metade pelo Hospital e a outra metade<br />

pela Faculdade.<br />

Os adjuntos trabalham todos em regime de «half-time». Entre os assistentes,<br />

quase todos e·m «half-time», há alguns- presentemente 22- em regime<br />

de «full-time», coforme as necessidades. De noite há sempre um médico e um<br />

cirurgião, em turnos de.24 horas.<br />

Os internos são ainda alunos da Faculdade, mas frequentam o Hospital.<br />

Todos os médicos são nomeados pela Comissão de Assistência, sob pro:.<br />

posta da Universidade.<br />

Limites de idade para os médicos: -os chefes, 65 anos, com nomeação<br />

por 5 anos renováveis; os adjuntos e assistentes, 60 anos, sendo nomeados por<br />

6 anos, com períodos renováveis de 3 e 2 anos.<br />

: Pensam criar «chefes de departamento», que seriam especialistas auxiliares<br />

directos dos chefes de serviço. Presentemente, há chefes de medicina<br />

geral, de cirurgia e das especialidades.<br />

Anexa funciona uma escola de enfermagem. Além da alimentação e<br />

alojament>o, os alunos ganham:<br />

No 1. 0 ano- 4.050 frs. por ano;<br />

No 2. 0 ano- 8.100 » » »<br />

No 3. 0 ano- 10.800 » » » .<br />

Findo o curso, é-lhes entregue o seu diploma, sem quaisquer restrições.<br />

Entre as enfermeiras, há dirigentes, com o vencimento-base de 108.000 frs.<br />

anuais; sub-dirigentes, com 74.250 frs.; monitoras (60.750 frs.) por cada<br />

paviment>o; chefes-de-sala (49.950 frs.), seguindo-se, então as enfermeiras<br />

(47.200 frs.), parteiras, auxiliares do hospital (diplomadas com o curso de auxiliar<br />

de enfermagem, como entre nós), ·encarregadas de puericultura e encarregadas<br />

de ambulância.<br />

Os limites de idade são: para a admissão- 30 anos; para a reforma<br />

- 65 anos. Por cada ano de serviço adquirem direito a 1/60 do seu vencimento<br />

em activo serviço.<br />

As internas, isto é, as que querem viver no Hospital, têm direito a um<br />

mês de licença.<br />

Às enfermeiras é permitido casar, passando, porém, a externas. Deste<br />

modo, perdem direito a alimentação e alojamento. As internas pagam 20 %<br />

do vencimento médio da sua categoria.<br />

32 HOSPITAIS<br />

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I<br />

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Nas enfermarias- 8 horas de trabalho.<br />

actual, é:<br />

4 dirigentes<br />

2 sub-dirigentes<br />

30 monitoras<br />

7 monitoras de noite<br />

254 enfermeiras<br />

51 parteiras<br />

52 auxiliares.<br />

Nos serviços há:<br />

86 serviçais de ambulância<br />

35 serventes<br />

2 auxiliares de serviços domésticos.<br />

O quadro de enfermagem,<br />

Também tem criadas (30.375 frs. por ano).<br />

Na parte hospital geral, nas cozinhas que como já disse funcionam a gás<br />

e a vapor, têm 10 homens e 2 mulheres, como auxiliares do serviço de preparação<br />

de hortaliças. Os caldeiros estão colocados aos lados e não ao centro da<br />

cozinha, porque, assim- explicaram-me -o pessoal não viaja em volta dos<br />

caldeiros. Tudo irrepreensível de limpeza.<br />

Excelentes frigoríficos, um deles para 7 dias de carne. Máquinas diversas:<br />

para cortar pão, para rações de manteiga e margarina. Reunem tudo<br />

numa sala só a esse fim destinada.<br />

O pão é conduzido em latas próprias. Têm, também, uma cozinha de<br />

leite. Um só caldeiro com um espalhador destinado a evitar que o leite adira<br />

às paredes do recipiente.<br />

Latas de dietas só para 25 doentes: carne, peixe, etc. As marmitas são<br />

metidas em latas grandes para evitar que a comida arrefeça. .<br />

Esplêndidos carros, com rodas de borracha, muito leves, para transporte de<br />

comidas. Óptimas macas, só com um colchão de arame. Apesar disso são tão<br />

macias, que uma só manta dobrada é o suficiente para sobre elas se deitarem<br />

confortàvelmente os doentes.<br />

Como ine tivesse parecido e perguntado se era pequeno o movimento<br />

de doentes, responderam-me que, pelo contrário, era grande esse movimento.<br />

Tem ascensores duplos para a movimentação das roupas das enfermarias:<br />

um para a roupa suja, outro para a roupa limpa.<br />

O Prof. Rylant, sabendo-me interessado, sobretudo em matéria administrativa,<br />

e mais ainda no assunto relacionado com a recuperação das despesas<br />

PORTUGUESES 33


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I<br />

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I<br />

hospitalares, pôs-se em comunicação com um médico, o Dr. Halter, que já tem<br />

exercido funções importantes junto do Ministério da Saude.<br />

O Dr. Halter, na conversa que teve comigo, disse, mais ou menos, o<br />

seguinte:<br />

«Existe na Bélgica a F. N. A. D. I. (Fundação Nacional de Assistência<br />

na Doença e Invalidez), cujos meios de acção provêm:<br />

a) Dos rendimentos dos seus bens;<br />

b) do produto do tratamento de doentes;<br />

c) do subsídio do Município _para cobrir os déficits.<br />

O Fundo paga estreptomicina a toda a gente, seja qual for a sua condição<br />

social. Ê seu exclusivo a importação desse medicamento. A um milionário<br />

que seja, mesii).o tratado em casa, é forne~ida estreptomicina gratuitamente.<br />

Na movimentação dos doentes tudo se passa assim:<br />

-O doente é admitido. Se é operado e dispõe de mei•os, paga, em Bruxelas-<br />

295 frs., e tudo acaba por aí. Se é mutualista, isto é, se pertence a<br />

uma Caixa de Assitência, a Caixa paga 100 francos diários, durante os primeiros<br />

9 dias de internamento, e 90 frs., a partir do 10. 0 dia até ao 30. 0 dia de tratamento.<br />

Excedendo este prazo, é necessário acordo especial com a Caixa.<br />

-Se o doente é indigente, dois casos há a considerar:<br />

o Dr. Halter respondeu que o Estado não subsidia as Comissões de Assistência<br />

Pública, e apenas custeia as despesas da primeira instalação dos hospitais.<br />

Nas suas considerações, o Dr. Halter derivou para a maior ou m.enor<br />

facilidade de administrar os hospitais, afirmando não haver dúvida de que os<br />

hospitais pequenos, aí até 200 camas, são muito mais fáceis de administrar que<br />

grandes. Em Bruxelas, por exemplo, cidade com 1.200..000 habitantes, mas<br />

que, para efeitos hospitalares, só tem 120.000, com 19 comunas de arrabalde,<br />

enquanto que os hospitais da comuna citadina lutam com déficit, os dos arredores<br />

vivem com desafogo.<br />

Segundo o meu ilustre interlocutor, na Bélgica houve e mantém-se um<br />

inquérito rigoroso quanto às condições de vida dos hospitais. Assim, um hospital<br />

em manifesto atraso, mas com condições de vida, é ajudado pela F. N.<br />

A. D. I.; aqueles que é necessário eliminar, o Fu~do deixa de pagar a hospitalização<br />

de doentes -e assim morrem dentro de pouco tempo.<br />

Existe uma grande afinidade entre •os <strong>Hospitais</strong> e as Comissões de Assistência<br />

pública, pois, em regra, o director do hospital é o secretário da C. A. P.<br />

Ê que 45 % dos hospitais pertencem à Assistência.<br />

Anualmente, a C. A. P. publica uma lista fixando o quantitativo do<br />

tratamento diário em cada hospital. Actualmente, ao St. Pierre cabem 295 frs.<br />

Como o custo real é de 325 frs., a diferença - 30 frs. - é paga pelo<br />

C. A. P. local.<br />

·n Continua.<br />

a) ou é de Bruxelas,<br />

b) ou é de fora.<br />

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I<br />

Se é de Bruxelas, nada paga, mas a Comissão de Assistência Pública da<br />

Cidade debita o seu orçamento por 185 frs. por dia, visto o hospital lhe<br />

pertencer.<br />

Se não é de Bruxelas, a C. A. P. da capital dirige-se à C. A. P. do domicílio<br />

de socorro do doente, que lhe paga aqueles 185 frs. diários.<br />

Sucede que o custo real do tratamento hospitalar em Bruxelas é de<br />

325 frs. diários. Como se cobram só 295 frs., o déficit é inevitável. Eis o terrível<br />

problema que assoberba a cidade de Bruxelas e para o qual não se<br />

conhece solução.<br />

Esteve no poder um Ministro comunista que tentou resolver o caso por<br />

um sistema de compensação inter-comunal. Mas o Ministro demitiu-se- e o<br />

problema ficou na mesma.<br />

Entretanto, a cidade de Bruxelas suporta um pesado déficit, que ninguém<br />

sabe como resolver.»<br />

Perguntado sobre se o Estado não se disporia a resolver esse déficit,<br />

34 HOSPITAIS<br />

WA:NDERCILINil<br />

A NOVA PENICILINA DE CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS<br />

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PORTUGUESES 35


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O radar, que representa urna das<br />

aquisições mais importantes da técnica<br />

moderna, acaba de estender o<br />

seu domínio de aplicação à medicina.<br />

Depois das investigações experimentais<br />

de Krusen alguns autores<br />

começaram a empregar o radar em<br />

terapêutica humana.<br />

Poal, utilizou o radar em todas<br />

as afecções, onde o tratamento pelas<br />

ondas curtas estivesse indicado, particularmente<br />

na fibrosite.<br />

Conclui este investigador pelas<br />

vantagens do radar sobre as ondas<br />

curtas, vantagens que sistematiza<br />

como segue: localização mais precisa<br />

do feixe de ondas, maior facilidade<br />

de rnanejamento e aplicação; aumento<br />

de comodidade para o doente<br />

e operador; uniformidade térmica nos<br />

diversos tecidos; radiações a distância<br />

e eriterna cutâneo de menor irn-<br />

. portância; maior activação circulatória<br />

e, finalmente, menor duração do<br />

tratamento.<br />

EDIJ)rego de "osso<br />

gelatlnado,,<br />

Swan.ker e Winfield, a quem as<br />

diversas substâncias propostas e usadas<br />

para a reparação das perdas de<br />

substância óssea não deram nunca<br />

plena satisfação, ensaiaram uma nova<br />

preparação que lhes tem parecida<br />

absolutamente satisfatória. Compõe-se<br />

esse preparado de pó de osso<br />

(autógeno ou hornógeno), de sangue.<br />

total e de gelatina em pó, e pode in-·<br />

jectar-se por meio de urna agulha no<br />

decurso do acto cirúrgico. Permitindo<br />

urna aceleração da cicatrização óssea<br />

de 40 %, deu excelentes resultados em<br />

65 casos, particularmente em. cirurgia<br />

estética reparadora e nas fracturas<br />

com atrazo da consolidação. Igualmente<br />

permitirá urna cicatrização<br />

mais rápida nas fracturas simples fechadas.<br />

t::lt•·a-sons e So No l' o<br />

Diversos autores se têm dedicado<br />

ao estudo experimental dos efeitos<br />

dos ultra-sons sobre o S. N . C. Wall<br />

e colaboradores estudaram a acção<br />

dos ultra-sons sobre a medula da rã<br />

e do rato e sobre o cortex cerebral do<br />

gato.<br />

Verificaram que os animais assim<br />

tratados podem apresentar paralisias<br />

diversas e que o exame histológico<br />

mostra destruição das fibras e células<br />

nervosas. Igualmente puderam<br />

verificar que um raio de ondas ultra­<br />

-sonoras convenientemente doseadas<br />

e dirigidas, pode produzir destruições<br />

limitadas, selectivas e discretas<br />

das células nervosas, sem compromisso<br />

das fibras e dos vasos.<br />

36<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

a<br />

37


• o<br />

A Casa do médieo de pa·ovíaaeia<br />

Cada um de nós deseja um lar e uma casa própria<br />

para lhe dar estabilidade. É o sonho de toda a gente. E o<br />

médico é, como toda a gente, sujeito a esta pequrna mas<br />

fundamental ambição.<br />

Porém, o médico de província, o delegado e o subdelegado<br />

de saude, o dos partidos médicos, quantos anos terá que trabalhar para<br />

amealhar quanto baste à construção ou à compra de uma casita, onde instale<br />

a sua pequena ou grande família ?<br />

Espalhados por este Portugal variado, servindo em pobres regiões do<br />

interior ou pobres regiões de beira-mar, o médico da assistência pública tem<br />

direito a que se l]:le faculte uma habitação digna e capaz.<br />

O Estado tem construído casas de magistrados. Tem também casas<br />

para professores primários. Está-se enchendo o país de belos e saudáveis bairros<br />

de habitações para trabalhadores. Não consta, porém, que alguma vez se<br />

tenha pensado na casa do médico. Pois é falta clamorosa que urge remediar.<br />

Porque não hão-de levantar-se em todas as sedes de partido médico e<br />

de regiões sanitárias oficiais (concelhos, distritos, etc) umas casas simples,<br />

mas dignas, onde se instale o consultório e a família do médico ?<br />

Agora mesmo nos chega da Espanha a notíCia de que ali o plano da<br />

«Casa do Médico» estará em plena e triunfante execução. Ao terminar o ano<br />

de 1951 já os médicos espanhóis de província dispunham de 200 habitações<br />

construídas p elo Ministério do Interior em cooperação com autarquias locais.<br />

No corrente ano de <strong>1952</strong> contam levantar mais 300 e assim por diante, até<br />

.ao total previsto de 5.000. Estas vivendas resolvem, ao mesmo tempo, o problema<br />

da clínica e da habitação. A parte profissional dispõe de uma sala de<br />

espera, um gabinete amplo, uma sala de pensos ou operações ligeiras e dois<br />

quartos de cama. A parte residencial é calculada para uma família com 4 ou<br />

5 filhos. A parte clínica é entregue totalmente equipada com o material mais<br />

necessário ao serviço normal. Todas as casas têm um amplo quintal para o<br />

cultivo ou jardim.<br />

O exemplo é de entusiasmar. Sigamo-lo para proveito e até decoro dos<br />

nossos médicos de província.<br />

38 HOSPITAIS<br />

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dirigir-se à Secretaria<br />

PORTUGUESES 39


li<br />

"''<br />

,,<br />

o se~•·edo 1nédleo 110 Códi~o Pe1tal<br />

Pelo Dr. RAUL RIBEIRO<br />

A matéria do segredo profissional é inesgotável.<br />

Os aspectos são multiformes, e as hipóteses que se apresentam<br />

perante o indivíduo, a família ou a sociedade, ·são de tal modo problemas<br />

de deontologia, que o simples bom-senso, a honestidade ou<br />

o brio profissional, não bastam para os resolver.<br />

Não temos porém a pretensão de apresentar soluções às hipóteses<br />

levantadas, tanto mais que estes problemas se prendem com<br />

documentações jurídicas, algo complicadas, e para o que nos falta<br />

preparação condigna.<br />

Há, entretanto, na nossa legislação, certos pontos obscuros,<br />

que a persistirem, afectarão os mais delicados princípios da deontologia,<br />

e sem dúvida, a instituição sobremaneira de utilidade pública,<br />

do segredo médico. Este, o que mais nos interessa.<br />

É sabido que, de todas as profissões, a do sacerdote, a do advogado<br />

e a do médico, são as que com maior rigor se submetem ao<br />

domínio do sigilo. Mas «de todas as profissões, é sem dúvida a profissão<br />

médica, a que está mais relacionada com maior número de<br />

interesses morais (Jean Jaques Rousseau)».<br />

Explica-se deste modo que seja o segredo médico, o ·mais tradicional,<br />

também o mais discutido, e até o mais atacado de todos<br />

os segredos profissionais.<br />

No entanto valha a verdade, o edifício tem resistido a todas as<br />

intempéries, se bem que por vezes muito abalado até aos alicerces.<br />

*<br />

* *<br />

O segredo médico nasceu, com a medicina.<br />

Na mais antiga instituição da arte de curar- a medicina sacerdotal<br />

- o segredo era, por própria essência da profissão, cuidadosamente<br />

acatado.<br />

(a) E xcerto de um magnífico artigo publicado no «Jornal do Médico» de 15 de<br />

Março último.<br />

I<br />

Na medicina grega, hipocrática, o segredo se fazia voluntário,<br />

consciente, integrado nas normas firmes do «Juramento», primeira<br />

• Deontologia da História da Medicina.<br />

Tempos correram, e os usos sociais modificaram-se; o homem<br />

era encarado diferentemente, quer como indivíduo, quer como pessoa,<br />

quer mesmo cO'mo elemento inerme de sociedades instáveis, e<br />

o segredo médico sofria alterações profundas. ·<br />

Épocas de absolutismo em política, esqueciam ou menosprezavam<br />

o sigilo dentro da medicina; e anos sem fim atiraram para os<br />

sombrios recantos das consciências' adormecidas, a bela e digna instituição<br />

do segredo tàcitam.ente consentido entre duas almas que<br />

se confiavam.<br />

Novos horizontes espirituais a humanidade rasgava. O homem<br />

readquiria personalidade a poder de senso, inteligência, vontade e<br />

audácia. E o segredo médico renascia, forte na determinação de<br />

conferir ao homem, o amor de si mesmo, e à sociedade a defesa da<br />

sua existência, livre de peias, desencadeada.<br />

Se bem que abalada nos seus alicerces em determinadas épocas,<br />

consoante as directrizes políticas e sociais, a doutrina do sigilo<br />

profissional encontrou, nos últimos tempos, a compreensão da sua<br />

instante necessidade, como defesa da saúde pública, ao ponto de,<br />

quando assim tomada, precaver a alteração da ordem pública, por<br />

atentado contra o pudor, e temor de escândalos. «É o interesse<br />

social, e não só o interesse pessoal, que tem em vista o segredo<br />

médico» (La com be).<br />

O artigo 290. 0 do Código Penal, prec~itua para o funcionário,<br />

penalidade imposta pela quebra do sigilo profissional, em razão do<br />

exercício do seu emprego como depositário de segredo confiado.<br />

Até aqui, muito bem. A legislação é rigorosa, e tem na devida<br />

conta o segredo médico como instituição moralizadora, obstando,<br />

mediante o seu cumprimento·, perigos sociais nunca desprezíveis.<br />

· O profissional médico é detentor de uma arma poderosa, esgrimindo-a<br />

não em seu favor - o médico é escravo do seu dever - ,<br />

mas em prol da sociedade, que nos tempos correntes reclama, cada<br />

vez mais, acções de prudência e dedicação.<br />

Em 19<strong>16</strong>, escrevia Braz Nogueira: «uma ligeira digressão através<br />

as legislações de alguns países da Europa, é suficiente para nos<br />

mostrar, que é no nosso país onde mais garantias encontram os profissionais,<br />

obrigados ao sigilo, nos assuntos da sua profissão.»<br />

Este artigo 290. 0<br />

do nosso Código Penal, especifica ainda que<br />

a matéria do segredo inclui o que se conheceu no exercício _do nosso<br />

40 HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES 41


IIII<br />

I<br />

ministério, embora expressamente não tenha sido confiado. «Segredo<br />

médico é tudo o que o clínico ouve, vê e adivinha, e compreende, no<br />

exercício das suas funções médicas» (Brouardel).<br />

Surge entretanto, em 1942, a lei do exercício ilegal da Medicina,<br />

co mseu artigo 7. 0 , onde se faz referência à condenação do médico<br />

que revelar o segredo «sem justa causa, salvaguardandO' interesses<br />

manifestamente superiores».<br />

Acreditamos no bom espírito . da expressão empregada pelo<br />

legislador, «justa causa», mas acreditamos também que esta expressão<br />

se prestará para tudo e para todos; é uma questão de roupagem<br />

para disfarçar uma possível desonestida~e, ou uma porta aberta para<br />

a acusação do médico que quis ser honesto.<br />

Ainda neste artigo se fala que a «justa causa» é legítima<br />

«quando haja suspeita de qualquer crime público» ;· e logo adiante<br />

se diz: «que o médico não poderá recusar-se a depor em processo<br />

penal.»<br />

IstO' é o que se chama uma «machadada» na instituição insubstituível<br />

e imperecível do segredo profissional, conduzindo directamente<br />

à desconfiança, com todas as suas nefastas consequências<br />

sociais.<br />

Algum benefício que aquela obrigação de depor trouxesse, bem<br />

pálido seria perante o perigo saciai que representa a incerteza na<br />

confiança médica.<br />

A doutrina do segredo médico, em todos os tempos tem sofrido<br />

embates sérios, mas tem-se aguentado esbracejando, umas vezes<br />

desamparada, outras vezes agarrando-se «in extremis» a certos pontos<br />

de defesa, valorizando-se com a sua razão e a sua moral.<br />

A legislação portuguesa tem, no entanto, reconhecido, que a<br />

violação do segredo profissianal, e em especial o segredo médico, contribui<br />

poderosamente para a moralização, para a profilaxia, para<br />

o interesse particular, e em especial para o interesse público.<br />

O médico também ganha com o sigilo, porque através este,<br />

a sua acção é valo>rizada pela confiança nele depositada; mas esse<br />

ganho é incomparàvelmente menor que o conferido ao interesse<br />

geral, que é em última instância, o da Nação.<br />

Como necessidade social, o segredo, além da obrigação imposta<br />

a todo o médico consciente, pede da parte do legislador a compreensão<br />

nítida do seu valor, da sua moralidade, o que é O' mesmo que dizer<br />

-impõe da parte de todos, uma mentalidade superior, e um espírito<br />

sem mácula.<br />

O interesse da saúde sobreleva todos, inclusivé o da justiça.<br />

42 HOSPITAIS<br />

Seg•·edo médico c E1•ga Omnes •<br />

e segt•e(lo médico « PaJ•tilha_.o ><br />

V ai grande confusão no espíritO' médico, relativa ao segredo<br />

profissional, como cidadela inexpugnável.<br />

No tempo da medicina individual, os Códigos das Nações<br />

amparavam, melhor ou pior, a instituição secular; enraizada pelos<br />

usos e costumes, tradicional, intangível, «erga O'ffines», do sigilo<br />

médico, considerando-a como salvaguarda da ordem pública, e justificando-a<br />

mais como garantia do indivíduo, que como defesa do<br />

profissional depositário das «confidências necessárias» obtidas<br />

do doente.<br />

Hoje a medicina colectiva, estimulada nas suas acções pela<br />

ânsia do social, dinamizada em todas as situações políticas, sejam de<br />

orientações tradicional-conservadoras, sejam de tendências revolucionárias<br />

subversivas, toma posse do indivíduo, e na fervor das suas<br />

intenções, e a pretexto de integrar o «uno» no «todo», arrebata<br />

aquele, não já como pessoa humana, mas como um sinal algébrico,<br />

sem dar-se conta que interfere nas consciências, violando a personalidade.<br />

Porém, somos dos que entendem ser fatal o desenvolvimento<br />

da medicina colectiva, pois de contrário não assistiríamos à sua eclO'­<br />

são em todas as latitudes geográficas e políticas, adm~rando-nos que<br />

somente a medicina tenha sido objecto das arremetidas sociais, e o·<br />

não sejam outras departamentos de defesa do indivíduo, em especial<br />

a justiça - o que se entenda por justiça para todos, barata, grátis.<br />

em suma, justiça colectiva.<br />

Admita-se portanto desde já que, medicina e justiça colectivas,<br />

são modos de felicitar o indivíduo (com o que todos nas congratulamos,<br />

inclusivé os médicos), bem que, valha a verdade, se não infelicite<br />

o profissional, mola real de todo este colectivismo, e sem o qual<br />

c-omeçariam aquelas instituições por não existirem .. . como certo<br />

Direito de outros tempos.<br />

Mas, íamos dizendo que a segredo médico corria sério risco.<br />

com o advento das novas tendências da medicina actual.<br />

O segredo profissional médico, já desde velhos tempos se<br />

decalca dos textos antigos do Juramento de Hipócrates, que assim<br />

rezava: «O' que no exercício ou fora do exercício, e no comércio da<br />

vida, eu vi e ouvi, que não seja preciso divulgar, eu o terei no todo<br />

como um segredo».<br />

PORTUGUESES 43


Séculos se amontoaram e nos tempos Ja chegados, ainda<br />

Brouardel escrevia: silence quand même- et toujours».<br />

Rumorejavam, para quem soubesse bem auscultar, 'certos «fervores»<br />

na medicina dos começos deste Século, presumindo-se que<br />

mais ano menos ano, as coisas tomariam orientação social definitiva,<br />

diferindo apenas nos permenores, de nação, a orgânica posta<br />

em acção.<br />

Não foi pois abruptamente que enfrentámos tal situação, e<br />

·o delicado desta, que ainda hoje se nos antolha, mais cedo ou mais<br />

tarde limará as arestas, de modo a dar ao profissional médico a posição<br />

que aspira e que julga justa.<br />

E se, ao profissional, certas facetas da questão lhe são por<br />

enquanto adversas, mas que se crê a breve trecho serão solucionadas,<br />

o mesmo se não poderá dizer da instituição do segredo médico, pro<br />

blema de mais difícil solução, porque só pode ser resolvido com espírito<br />

médico e por médicos.<br />

Dizia Bernard Shaw que aos médicos não se lhes deveria dar<br />

oportunidade de resolver as suas questões, porque do mesmo modo<br />

aos penitenciários se não dava azo para resolverem as suas situações.<br />

B. Shaw era um ironista de fino quilate, mas abusava da fama criada.<br />

Fazia sorrir, .mas não fazia meditar.<br />

A legislaçãa sobre o segredo médico, se pode e deve ser aconselhada<br />

por médicos, é todavia feita pelo magistrado. E qUando<br />

interferindo a acção deste, se interpõem preconceitos políticos, a<br />

coisa vai de mal a pior. E tanto pior quanto é o próprio médico a<br />

t entar resolver o caso, cedendo e contemporizando.<br />

Senão vejamos a opinião de Rist: «a doutrina ortodoxa vem­<br />

-nos da medicina hipocrática. Ela data de uma época em que a<br />

própria noção de contágio não existia. O médico só tinha deveres<br />

para com o seu doente. O médico não tinha deveres para com a<br />

doença. Todas as questões de responsabilidade implicadas pelo<br />

contágio não se impunham. Hoje tudo se passa de modo diferente,<br />

e nós vemos no médico um responsável não só pelo tratamento, mas<br />

t ambém pela prevenção».<br />

Eis o dogma do nosso segredo profissional em apuros. E eis<br />

t ambém um desacordo entre os que se batem pelo «segredo», vendo<br />

nele a defesa do bem comum, da ordem pública, do sentimento<br />

colectiva; e os que o minam, optando, senão pela divulgação, pelo<br />

menos pelo afrouxamento do sigilo, em prol do mesmo interesse<br />

público.<br />

Canciliar estas duas tendências, é tarefa que se nos afigura<br />

44 HOSPITAIS<br />

sobre-humana, não pelo esforço a despender, mas porque as ditas<br />

tendências têm sérias e boas razões ...<br />

Assim, o Conselho Nacional da Ordem dos Médicos franceses,<br />

tomando conta da questão', estabeleceu uma plataforma, que não<br />

sabemos se resultará, porque toca um aspecto restrito na solução de<br />

problema tão grave. Parece que se tem certo receio de remecher<br />

assuntos prementes.<br />

O dito Conselho francês tomou a peito a discussão do chamado<br />

segredo partilhado.<br />

Esta modalidade de segredo, diz respeito à partilha deste com<br />

outro médico, ou funcionário responsável, com a co~dição formal<br />

de que este terceiro fique igualmente e rigorosamente adstrito ao<br />

sigilo, respeitando o interesse do doente.<br />

É vidente que, se este respeito se cumpre, o mal não é grande,<br />

porque o terceiro, deixado adentro do segredo, fica tàcitamente amarrado<br />

para com «todos» e para com «tudo» o que diz respeito à<br />

revelação.<br />

O Prof. Louis Portes, que foi insigne Bastonário da Ordem dos<br />

Médicos francesa, aceitava, sem grande entusiasmo, o «segredo partilhado»,<br />

desde que se impusessem duas condições fundamentais:<br />

1-que o médico assistente não deve transmitir a terceiros, habilitados<br />

ao conhecimento, senão os ensinamentos necessários à função<br />

destes últimos. 2- que a revelação do segredo se faça unicamente<br />

com o consentimento do doente. E exprimia o princípio do segredo<br />

partilhado, por estas palavras: «todo o médico pode comunicar a<br />

outro médico, habilitado no conhecimento, os dados necessários à<br />

função deste último, e na medida em que o doente, devidamente<br />

informado, se não oponha. O médico que recebe uma tal confidência,<br />

fica rigorosamente adstrito ao segredo para com «todos» e sobre<br />

«tudo» o que ele soube da partilha do segredo».<br />

Louis Portes dizia ainda que o Códico Penal francês, não habilita<br />

a pôr em prática o segredo partilhado, pois nele se não contém<br />

artigo que o aceite.<br />

O nosso Código Penal também não contém tal matéria.<br />

É um mal o segredo partilhado? Talvez. Mas nós estamos<br />

enfrentando uma modalidade de medicina, chamada colectiva, que<br />

nos vem impor navos problemas; e quando assim acontece as soluções<br />

também se impõem, de contrário aqueles problemas fàcilmente<br />

se transformam em pesadelos.<br />

A classe médica tem sido nestes últimos tempos bem duramente<br />

experimentada; e os receios, as perplexidades e mal-estar que<br />

PORTUGUESES 45


nela reinam, são seguramente o resultado de ambiguidades trazidas<br />

por uma medicina de grupo, incipiente nos seus passos, e concomitantemente<br />

uma Jurisprudêcia não preparada, mas que necessàriamente<br />

precisa actualizar-se nestas graves questões. É que, pensando<br />

bem, há já um divórcio temeroso entre Medicina e Jurisprudência.<br />

A medicina está correndo na estrada da socialização com velocidade<br />

estonteante. A jurisprudência finca-se na tradição, no passado.<br />

Entre uma e outra a distância é cada vez maior. Já certas práticas,<br />

não modernas mas postas à prova com relativa frequência no tempo<br />

actual, tais como a eutanásia e a narco-análise com fins de investigação<br />

crimi]].al, nos mostram que a jurisprudência de hoje deve<br />

actualizar as suas bases em moldes mais vivos, mais dinâmicos, digamos,<br />

mais próximos dos da medicina. De contrário a jurisprudência<br />

e a medicina lembrarão aquelas capas dos calendários em ·que o<br />

Ano-novo, estuante, jovem, ajuda o Ano-velho encarquilhado, senil,<br />

a descer os degraus do Tempo.<br />

ltlédieos e fa•·•naeêtttieos<br />

O Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, publicou em tempos uma circular<br />

onde se dizia:<br />

«Ex. ma Colega:<br />

A fim de que se observem rigorosamente por parte da classe farmacêutica<br />

as disposições do Decreto-Lei n. 0 32.<strong>17</strong>1, o Sindicato Nacional dos Farmacêuticos<br />

comunica que incorre nas penas disciplinares estatutárias todo 0 farmacêutico<br />

director técnico de farmácia na qual se pratiquem actos que constituam<br />

exercício ilegal de medicina.<br />

Nesta conformidade é motivo bastante para procedimento disciplinar:<br />

a)- a prática de tratamentos e pensos fora dos casos de absoluta<br />

e reconhecida urgência;<br />

b)- a injecção de medicamentos;<br />

c)- a venda sem receita de medicamentos da lista oficial (pág. 701<br />

da Farmacopeia Portuguesa) ;<br />

d)- a falta de carimbação e registo de receitas com o número de<br />

ordem do livro do copiador.<br />

As p enalidades são constantes dos Estatutos deste Sindicato e podem<br />

levar à expulsão».<br />

Ao mesmo tempo a Ordem dos Médicos emitiu outra circular na qual<br />

proibia:<br />

a) - a solicitação por parte· dos médicos ao farmacêutico e seus<br />

auxiliares de os substituir na prática de injecções ou quaisquer outros<br />

tratamentos;<br />

b)- a recomendação da preferência a determinados farmacêuticos<br />

ou farmácias ;<br />

V. S., nos instantâneos . ..<br />

pan1 f1 111' I"'""'· 1111 fut uro,<br />

ri 'V I\I' r 11 !< IIIC111Wili0S felizes do pt~ssado.<br />

EiJ dois clot illlÍtnero• c:ompos em CWf o Kodok •<br />

pa.t o lo,ogroflo o ••u ••rvko.<br />

O dentista, nas radiografias ..<br />

m di & J>en !


C•••·so de adtniJtistra~áo<br />

ltospit.alat•<br />

Damos hoje aos nosso leitores a boa notícia de que vai funcionar em Portugal,<br />

pela primeira vez, um curso de administração hospitalar, destinado às<br />

pessoas que já têm ou desejam vir a ter funções de chefia em hospitais.<br />

Noutros países, estes cursos são permanentes e constituem requisito<br />

indispensável para a entrada nos quadros da administração hospitalar. Entre<br />

nós vai agora iniciar-se o ensino sistemático da administração de hospitais,<br />

tudo levando a crer que não demorará muito que vejamos a funcionar também<br />

entre nós uma escola permanente daquela especialidade. Louvores se devem,<br />

pois, ao Governo por tão útil iniciativa.<br />

O curso funcionará na Escola de Enfermagem Artur Ravara, em Lisboa<br />

e é dirigido por uma Comissão, presidida pelo Inspector-Chefe, Dr. Magalhães<br />

Cardoso e composta pelo Director da Escola de Enfermagem Artur Ravara,<br />

Dr. Luís Adão, Administrador dos <strong>Hospitais</strong> da Universidade de Coimbra,<br />

Dr. Coriolano Ferreira e Adjunto do Hospital Júlio de Matos, Dr. Joaquim<br />

José de Paiva Correia.<br />

Publicamos a seguir -o regulamento do curso e informamos que ele se<br />

deve realizar, ao que supomos, no próximo mês de Outubro. As pessoas ou<br />

organismos interessados deverão pedir imediatamente as indicações necessárias.<br />

ÇÃO DE:·<br />

··--· "C~ofãt410<br />

"PnA~///~rn (;J}oca/ttU<br />

fhJKfrORdj:~/C/HU<br />

NORMAS PARA FUNCIONA­<br />

MENTO DO CURSO DE ADMI­<br />

NISTRAÇÃO HOSPITALAR<br />

1.• O curso destina-se a unificar<br />

e aperfeiçoar as técnicas administrativas<br />

hospitalares do Estado.<br />

2.• Será frequentado, em regime<br />

obrigatório, por funcionários com responsabilidade<br />

de gerência e chefia de<br />

serviços individualizados (administradores,<br />

gerentes, chefes de secretaria e<br />

anexos, de serviços económicos, industriais,<br />

de enfermagem, etc.) e, facultativamente<br />

por indivíduos habilitados<br />

com o curso geral dos liceus ou<br />

equiparado ou superior.<br />

3.• O curso será instalado em<br />

Lisboa, mas poderá promover visitas<br />

de estudo ou estágios em hospitais<br />

situados noutra localidade.<br />

4.• Além das aulas teóricas, haverá<br />

sessões de estudo e estágios.<br />

S.• O ensino será essencialmente<br />

prático, sem prejuízo da prévia fixação<br />

dos princípios gerais e informadores<br />

da Assistência Social e da acção<br />

administradora.<br />

6.• Todos os funcionários que<br />

assistam ao curso deverão apresentar,<br />

no final, um relatório ou uma dissertação<br />

sobre qualquer dos pontos versados,<br />

a indicar pelo director do<br />

curso.<br />

7." Haverá uma comissão directiva<br />

do curso que funcionará perma-<br />

48<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

49


III<br />

nentemente junto da Inspecção da<br />

Assistência Social, sob a presidência<br />

do respectivo Inspector-chefe, o qual<br />

assumirá as funções de director do<br />

curso.<br />

8." Compete à Comissão direc.<br />

tiva:<br />

a) -Fixação da época e duração<br />

dos cursos;<br />

b)- Estabelecer os sumários desenvolvidos<br />

nas várias cadeiras ou<br />

disciplinas;<br />

c)- Fixar os princípios e conceitos<br />

fundamentais das matérias a pro­<br />

_fessar;<br />

d)- Funcionar como Conselho<br />

Administrativo da organização.<br />

9. 11 Compete ao Director do<br />

curso:<br />

a) -Executar e fazer executar as<br />

directrizes superiores e as deliberações<br />

da Comissão;<br />

b) - Assegurar a instalação e<br />

funcionamento do curso;<br />

c)- Exercer o direito de suspensão<br />

das deliberações da Comissão directiva<br />

que reputa inconvenientes, até<br />

decisão superior;<br />

d) - Propor superiormente as<br />

providências para o bom funcionamento<br />

do curso.<br />

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO<br />

HOSPITALAR<br />

PROGRAMA<br />

PARTE GERAL<br />

Secção I- O hospital como unidade<br />

assistencial<br />

1)- Doutrinas fundamentais da<br />

Assistência.<br />

2)- Leis básicas da Assistência<br />

3)-Organização geral da Assistência<br />

- Assistência Oficial- e Assistência<br />

Particular.<br />

4) - Previdência Social e Assistência<br />

Social; suas relações.<br />

5)- O sistema hospitalar português.<br />

Secção II- O Hospital como unidade<br />

técnica<br />

1)-Evolução do conceito de hospital<br />

2)- O Hospital, peça do armamento<br />

sanitário<br />

3)- Serviços clínicos e anexos<br />

a)- Gerais<br />

b) - Especiais<br />

c)- Urgência<br />

d)- De diagnóstico e terapêutica<br />

4) - Serviços farmacêuticos<br />

5) - Serviços de enfermagem<br />

6)- Serviço Social<br />

7) - Serviço de hospedagem<br />

8) -Higiene e salubridade hospitalares<br />

Secção III- O hospital como urudade<br />

orgânica<br />

1}- Princípios gerais da organização.<br />

<strong>Hospitais</strong> gerais e especiais.<br />

Esquemas de organização.<br />

2)- Princípios gerais da acção<br />

administradora.<br />

3)- Conferência e fiscalização.<br />

4) - Os serviços e suas relações<br />

recíprocas.<br />

5)- Instalações e equipamento.<br />

6)- A exploração dos serviços.<br />

7)- As relações do hospital com<br />

o doente.<br />

8)- As relações do hospital com<br />

o meio externo.<br />

9) -O pessoal.<br />

PARTE ESPECIAL<br />

Secção I- Os serviços. de secretaria<br />

e anexos<br />

1)-Generalidades. As várias<br />

funções da secretaria.<br />

2)- Registo e mov.imento de<br />

doentes: admissão, transferência, alta.<br />

3)- Registo e movimento de<br />

pessoal : selecção, admissão, disciplina,<br />

responsabilidades, remunerações,<br />

aperfeiçoamento, acção social.<br />

4)- Expediente e arquivos; técnicas<br />

de simplificação e eficiência do<br />

serviço: ficheiros, sistemas de decalque<br />

por bloco e por impressos múltiplos,<br />

mecanização dos serviços, sistemas<br />

classificadores, etc.<br />

5)- Estatística.<br />

6) - Biblioteconomia.<br />

7) - Fixação dos escalões económicos<br />

dos doentes.<br />

8)- Cobranças e pagamentos.<br />

Secção II- Técnica de Contabilidade<br />

1) -Funções da contabilidade :<br />

estatística económica, fiscalização,<br />

previsão.<br />

2)- Contabilidade pública aplicada<br />

à gestão hospitalar: orçamento<br />

e execução orça~ental; receitas e despesas;<br />

sua emissão, liquidação, registo,<br />

cobrança e pagamento; contas<br />

de gerência e seu julgamento.<br />

3)- Contabilidade patrimo1:1ial.<br />

Resultados económicos de gestão.<br />

Conta do património e conta da<br />

administração.<br />

4)- Contabilidade de custos. O<br />

custo da diária do doente. O custo<br />

dos serviços; noções gerais de contabilidade<br />

industrial e agríc'Ola.<br />

Secção III- Serviços económicos e<br />

gerais<br />

1)- Técnica de abastecimentos.<br />

2)- Armazéns e depósitos; guarda<br />

e reconstituição das existências.<br />

3)- Recepção, conservação e distribuição<br />

de material.<br />

· 4) - Cadastro e inventário.<br />

5) -Explorações agrícolas e pecuárias.<br />

6) -Alimentação e dietética.<br />

7) - Os serviços gerais.<br />

-Limpesa<br />

- Correios e telefones<br />

-Jardins<br />

-Portarias<br />

Secção <strong>IV</strong>- Serviços de manutenção<br />

- Transportes<br />

- Obras e oficinas<br />

-Máquinas e centrais térmicas<br />

-Água, gaz e electricidade<br />

- Lavandaria<br />

50<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

51


li<br />

O Hospital Civil de Vila Ft•attea<br />

fie Xit•a<br />

Para bem avaliar o valor do novo hospital dão-se a seguir alguns números<br />

estatísticos, referentes a 1951.<br />

Prestamos hoje a devida homenagem à Misericórdia e Hospital Civil de<br />

RECEITA<br />

Vila Franca de Xira, um dos mais modernos e bem organizados estabelecimentos<br />

hospitalares do país.<br />

Inaugurado o novo edifício em 18 de Novembro último reuniu ali as<br />

mais altas individualidades locais sob a presidência do Sr. Ministro do Interior<br />

Própria<br />

Subsídios<br />

Diversos<br />

195.869$30<br />

60.000$00<br />

99.088$50<br />

que propositadamente se deslocou de Lisboa.<br />

354.957$80<br />

DESPESA.<br />

P essoal<br />

M aterial<br />

Assistência interna e externa<br />

D iversos<br />

64.135$50<br />

<strong>16</strong>.624$20<br />

189.064$23<br />

79.304$92<br />

349.128$85<br />

'As autoridades presentes à inauguração<br />

Doentes internados durante o ano<br />

D ias de p ermanência .<br />

Doentes tratados no banco<br />

Valor total dos tratamentos<br />

Consulta externa - Adultos<br />

Consulta externa- Primeira inf.<br />

Farinhas fornecidas<br />

Valor total de medicamentos<br />

327<br />

6.971<br />

2.783<br />

497<br />

94<br />

59.965$00<br />

8.271$00<br />

36.805$20<br />

A construção do hospital foi altamente auxiliada pelo benemérito<br />

Sr. Manuel Afonso de Carvalho e pela acção dos provedores Srs. João Henriques<br />

Caldas e Dr. Rodrigo César Pereira. O Governo, através do Ministério<br />

das Obras Públicas deu também valiosa colaboração.<br />

52 HOSPITAIS<br />

A direcção do Hospital é assim constituída: Presidente, Jaime Gens<br />

d' Azevedo; Secretário, Carlos da Silva Oliveira Chainho; Tesoureiro, Manuel<br />

José de Sousa; Vogais, Eduardo da Silva Redondo, Victor Hugo Veríssimo ~<br />

Carlos Luís Faria, Joaquim Honorato Loureiro.<br />

PORTUGUESES 53<br />

4


A estes homens, à sua dedicada e incansável actividade se deve o alto<br />

nível alcançado pelo magnífico hospital. O povo, o comércio e a indústria de<br />

Vila Franca de Xira merecem igualmente referência elogiosa pelo muito que<br />

acarinham a sua Misericórdia.<br />

~==================~===================================<br />

António de Almeida & Julio Costela Duarte<br />

EMPREITEIROS<br />

CARPINTARIA E MARCENARIA - CONSTRUÇÕES C<strong>IV</strong>IS - CONSTRUTORES DO EDIFÍCIO<br />

DO HOSPITAL DA MISERICÓRDIA DE VILA FRANCA DE XIRA<br />

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T. S. F. - Agência Phzlips<br />

Vista exterior do novo hospital<br />

Sinceramente felicitamos a Mesa da Santa Casa da Misericórdia, os<br />

seus benfeitores, o Governo e a população de Vila Franca de Xira pela magnífica<br />

realização que é hoje o seu hospital. E, dentro do plano que nos impusemos<br />

a nós mesmos, fazemos V'Otos por que o seu corpo clínico e de enfermagem<br />

consigam extrair dele o rendimento assistencial que a colectividade tem o<br />

direito de lhe exigir.<br />

Padaria Esteves & La o e, L. da<br />

PÃO E FARINHAS<br />

Rua Miguel Bombarda n.o 206<br />

VILA FRANCA DE XIRA<br />

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54 HOSPITAIS<br />

P


J<br />

III<br />

I~<br />

li<br />

I<br />

~asos do Set•vi~o<br />

Hospital<br />

Soei·al de •••n<br />

Trata-se de uma doente que deu entrada urgente na Clínica Obstétrica<br />

do Hospital. Vinha em perigo de vida e, após o nascimento do filho, faleceu.<br />

A criança é normal e saudável e ficou a ser tratada com Nestógeno.<br />

Participado o falecimento, veio logo o marido e a filha da doente, assistir<br />

ao funeral e tomar conta do peqeuino órfão. Apesar do luto que os envolvia,<br />

não resistiram aos encantos do forte e lindo bébé, que afagavam com afecto.<br />

Pai e filha queriam logo levar o pequenino, mas não era conveniente a<br />

viagem tão cedo e por este motivo ficou assente que viriam buscá-lo um pouco<br />

mais tarde.<br />

Entretanto tratou-se do registo da criança e do Baptismo. Este não se<br />

fez logo, porque o pai e a irmã mais velha não só esperavam pelos padrinhos<br />

como também faziam gosto em baptizar o recem-nascido na terra dos pais.<br />

Quando o pai e filha novamente voltaram para buscar o seu lindo bébé,<br />

dirigiram-se ao Serviço Social do Hospital a perguntar se podiam levá-lo, ao<br />

que se respondeu afirmativamente, mostrando eles grande satisfação em podê-lo<br />

fazer. E assim se julgou arrumado o assunto.<br />

Porém, passado tempo, um Serviço Social estranho ao Hospital e ao<br />

Instituto de Assistência à Família vem pedir o internamento de uma criança<br />

numa instituição de assistência. Foi grande o nosso espanto ao verificarmos<br />

que se tratava do pequenino órfão, cuja família já. conhecíamos bem. Esta<br />

família embora modesta e equilibrada, trabalhadora e com afectuoso sentimento<br />

de família. Sabíamos bem que a criança ia ser bem tratada no seu meio familiar,<br />

pois a filha mais velha já tinha condições de ser uma «mãezinha» cuidadosa<br />

e boa, apesar dos seus 19 anos.<br />

Como não víamos razão nenhuma de ser neste internamento, escreveu-se<br />

ao pai para vir à Secção Hospitalar do Serviço Social. O homem apareceu<br />

imediatamente e, perguntando-se-lhe o motivo da nova resolução, respondeu<br />

que tinha sido uma Assistente estranha ao Serviço Social do I. A. F. que lhe<br />

disse que «a criança tinha de ficar, e devia ir para a assistência onde estaria<br />

melhor. Eles já tinham sete filhos a sustentar e este como era ainda muito<br />

pequenino ia dar-lhes muitos cuidados !»<br />

Não concordamos com a solução de privar o pequenino do seio da família,<br />

que o trataria com todo o carinho. É urna das missões do Serviço Social<br />

não separar a família, mas sim contribuir para a sua união. Basta quando de<br />

todo não pode deixar de ser.<br />

Em presença disto· não tivemos a menor dúvida em entregar o pequenino<br />

o sua família, que o levou com agrado e satisfação.<br />

Pagou-se o transporte do pai e da filha, comprou-se Nestógeno para o<br />

pequenino, e deu-se um enxoval para o pequenito e um jogo de cama à filha<br />

mais velha, como estímulo para o seu novo encargo.<br />

2.o<br />

Doente natural de Valpassos, sofrendo de mal de Pott.<br />

Deu entrada no Hospital em estado de gravidez. Teve uma criança que<br />

nasceu com debilidade congénita. Esta foi tratada com muitos cuidados, mas<br />

apesar disso veio a falecer com um mês de idade, depois de registada e<br />

haptizada.<br />

A mãe continuou a ser tratada, tendo-lhe sido posto um aparelho gessado.<br />

Como o parecer clínico era favorável ao internamento da doente em<br />

sanatório marítimo, pediu-se o seu internamento, para o qual se arranjou toda<br />

:,; documentação necessária, mas até hoje continuamos à espera. As sanatorizações<br />

são sempre difíceis de obter.<br />

Doente natural e residente em Resende. Deu entrada no Hospital com<br />

uma perna fracturada. Anteriormente esta doente já tinha estado internada<br />

no Hospital da Misericórdia de Resende e foi de lá que nos veio para lhe ser<br />

posto um aparelho gessado. Já estava há bastante tempo com «alta», mas<br />

não podia sair porque vivia só e como estava imobilizada na cama, não tinha<br />

em casa quem a tratasse. Para resolver o assunto de maneira que a doente<br />

pudesse ser tratada no seu meio, onde as condições de índole psicológica seriam<br />

mais propícias para a cura, oficiou-se à Câmara Municipal e ao Hospital da<br />

Misericórdia de Resende para que fosse novamente internada naquele Hospital.<br />

Passados 4 dias vinham buscar a doente para ser internada na Misericórdia.<br />

(Continua)<br />

56 HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES 57


Notícias da ttossa Re-vista<br />

FICHEIRO DE FORNECEDORES RECOMENDADOS<br />

Dr. Coi·iolano Fei'I'eh·a<br />

Pelo Ministério do Interior foi<br />

publicada uma portaria encarregando<br />

o nosso director, Dr. Coriolano Ferreira,<br />

de representar os organismos<br />

dependentes da · Direcção-Geral de<br />

Assistência, na visita de estudo a hospitais<br />

italianos, organizada pela Federação<br />

Internadonal dos <strong>Hospitais</strong>.<br />

Esta visita reuniu delegações de<br />

14 países e dela nos falará o nosso<br />

director no próximo número.<br />

o ati·aso tleste nínnei'O<br />

Motivado pela ausência do nosso<br />

director na Itália, verificou-se um<br />

razoável atrazo na saída da revista.<br />

Para não prejudicar os assinantes, decidiu-se<br />

publicar "um número com o<br />

dobro da paginação habitual. O próximo<br />

número porá a publicação em<br />

dia. Que nos desculpem os nossos<br />

leitores, assinantes e anunciantes.<br />

ColaboJ•ação exclusiva<br />

As organizações americanas Magazine<br />

Reprint e Usis Feature concederam<br />

a « <strong>Hospitais</strong> <strong>Portugueses</strong> »<br />

uma série de artigos sobre a organização<br />

da assistência nos Estados Uni-<br />

dos, em rigoroso exclusivo, para Portugal.<br />

É mais um elemento de valorização<br />

da nossa revista que supomos será<br />

do agrado dos nossos leitores. Estes<br />

artigos são quase todos acompan~ados<br />

por curiosas gravuras que muito<br />

concorrerão para o seu entendimento.<br />

Cob•·auça<br />

Está em cobrança a assinatura do<br />

ano de <strong>1952</strong>. Aos assinantes que<br />

tiverem a gentileza de nos enviarem<br />

a sua importância (75$00) pelo correio,<br />

em vale, selos, cheque, etc., desde<br />

já apresentamos os nossos agradecimentos.<br />

Na volta do co~reio lhes<br />

remeteremos o recibo respectivo.<br />

Àqueles que o não possam fazer, remeteremos<br />

o recibo à cobrança, acrescido<br />

da taxa respectiva e pedimos o<br />

favor de providenciarem no sentido<br />

de evitar devoluções que a todos nós<br />

causam desgosto e prejuízo.<br />

~ÍIIIICI'OS<br />

esgotatlOS<br />

Novamente informamos os leitores<br />

que se nos têm dirigido de que<br />

estão esgotados os 4 primeiros números<br />

da revista e que outros vão eo<br />

vias de se esgotarem, pelo que devem<br />

rever as suas colecções com urgência.<br />

Alimentação e Dietética<br />

* Lacticínios de Aveiro, L. da- Produtos<br />

VougaSul: Manteiga, Queijo,<br />

Leite Pasteurizado.<br />

* Lusa-Atenas, L.da, S.or- Mercearias<br />

por grosso, papelari-a, miudezas.<br />

Depósito das águas Vidago, Melgaço<br />

e Pedras Salgadas. R. do Arnado­<br />

Telefone 2126 - Coimbra- Apar-<br />

. tado <strong>17</strong>.<br />

Materiais e actividades de construção e instalação<br />

* Aleluia & Aleluia (Fábricas Aleluia)<br />

-Materiais de Construção, Azulejc>s<br />

e louças sanitárias. Cais da Fonte<br />

Nova-Aveiro. Telefone 22- Telegramas:<br />

Fábricas Aleluia.<br />

* Barboza & Carvalho, L.da - Fábrica<br />

de Estores «SOLCRIS» (estores<br />

de madeira e em duro- alumínio).<br />

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6I - Porto. Telefone 25I50/I<br />

- Telegramas: SOLCRIS.<br />

* Latayette de Carvalho- Materiais<br />

de construção. Representante das<br />

Fábricas de Vernizes e Esmaltes<br />

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C. de Monchique, 3, Porto- Telefone<br />

25326 - Teleg. Laca.<br />

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eléctrico. - Rua do Dr. António<br />

Granjo, 6 - Telefone, 4444- Coimbra.<br />

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seda para sutura «Lukens». Rua da<br />

Madalena, 66-2. 0 - E- Lisboa. Telefone<br />

25722.<br />

* Siemens Reiniger, S. A. R. L.<br />

-Aparelhos de Raios X, Electromedicina<br />

e Electrodentária. Rua de<br />

Santa Marta, 33-1. 0 - Lisboa. Telefone<br />

44329- Teleg.: Electromed.<br />

Mobiliário metálico, hospitalar e geral<br />

.>(.. Adelino Dias Costa & C.a, L.da<br />

(Fábrica Adico)- Mobiliário cirúrgico<br />

e hospitalar (Fábrica de).- A v anca<br />

--Portugal. Telef. 2- A v anca-Telegramas:<br />

Adico.<br />

* Dário Correia - Mobiliário de<br />

ferro, material médico-cirúrgico de<br />

laboratório e hospitalar.- R. Morais<br />

Soares, 6o.- Telefone 53484. - Lisboa.<br />

* Fábrica Portugal S. A. R. L.- Mobiliário<br />

Metálico e Hospitalar.-Regueirão<br />

dos Anjos, 96- Telefone 47157,9<br />

-Lisboa-Telegramas: FIELSA.<br />

(Seguej<br />

58<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

59


* Singer Sewing Machine Company<br />

- Máquinas de costura de todos os<br />

géneros. Sede: Av. 24 de Julho, 42<br />

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Telefone 64<strong>16</strong>1.-Telegrama: «Singer­<br />

-Lisboa»<br />

Produtos químicos e farmacêuticos<br />

il Classe Métliea 11áo se deve desintea·essat•<br />

do pa·oble•na da Enfet·-<br />

1na~e•n<br />

Por FERNANDO RODRIGUES NOGUEIRA<br />

'<br />

* Jay10e Alves Barata, L.da- Material<br />

para Medicina, Cirurgia e Laboratório,<br />

Produtos químicos e farmacêuticos.<br />

Rua Aurea, 124-1. 0 - Lisboa.<br />

Telefone PPCA 31531-31533- Telegramas:<br />

Farbaral.<br />

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de Laboratório. Reagentes puro<br />

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corantes. Preparações diversas<br />

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fins científicos. Papéis reagentes e<br />

papéis de filtro. Produtos químicos<br />

e farmacêuticos.- Rua Sapateiros, 39<br />

- Lisboa - Telefones 24286, 24287,<br />

25709 e 3<strong>17</strong>53.<br />

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Largo do Prior do Crato- Guimarães<br />

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Telegramas: AGFA-FOTO- Porto.<br />

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seringas hipodérmicas de Vidro neutro,<br />

Murano e Pirex. R. 14, n." II73-II79<br />

-Espinho.<br />

O pessoal de enfermagem<br />

cO'nstitui uma<br />

das bases essenciais<br />

em que assenta toda<br />

e qualquer organização<br />

hospitalar~ A formação,<br />

recrutamento<br />

e organização desse pessoal é um<br />

dos problemas que mais cuidadosamente<br />

deve ser abordado e<br />

resolvido em qualquer plano assistencial.<br />

Entre nós, todO's os que têm<br />

experiência de serviço em hospitais<br />

da .assistência pública, sabem<br />

que os doentes que passaram<br />

por esses hospitais muitas<br />

vezes se queixam dos serviços de<br />

enfermagem.<br />

A má organízação de tais serviços,<br />

a escassez e deficiente preparação<br />

do seu pessoal, bem<br />

como o espírito de indiferença<br />

e de dureza em relaçãO' ao<br />

doente, que por vezes o anima<br />

e que as muito más condições<br />

económicas em que trabalha<br />

contribuem para é!gravar, tudo<br />

isso constitui mais um motivo<br />

de queixa da parte dos doentes<br />

hospitalares e leva muitos dos<br />

necessitados desse tipo de assistência<br />

a recusarem-na em absO'­<br />

luto, ou a só recorrerem ao internamento<br />

na enfermaria quando<br />

alcançaram os últimos limites da<br />

resistência. . . física e económica.<br />

A boa enfermagem, por outro<br />

lado, constitui um complemento<br />

utilíssimo, quase indispensável,<br />

da acção dO' médico,<br />

pelo cumprimento rigoroso e inteligente<br />

das indicações deste,<br />

pelas informações precisas e repetidas<br />

que lhe pode fornecer,<br />

pelo ambiente, especialmente de<br />

ordem psíquica, que pode criar<br />

ao doente internado e cujas múltiplas<br />

vantagens são conhecidas<br />

de há muito ... de antes da «psico•somática»<br />

«made m USA».<br />

A enfermagem exercida como<br />

deve ser é, na verdade, uma actividade<br />

muito difícil, que exige<br />

da parte dos respectivos profissionais<br />

qualidades muito altas<br />

60<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

61


li<br />

sobretudo de ordem moral. A<br />

preparação para ela deve ser<br />

realizada com extremos cuidados,<br />

a selecção rigorosa, a remuneração<br />

justa e compensadora e<br />

os membros da profissão considerados,<br />

socialmente, de acordo<br />

com a grande importância das<br />

suas funções e as altas qualidades<br />

que elas exigem.<br />

Infelizmente isto não se verifica<br />

entre nós com a latitude<br />

que é de desejar! E não cremos<br />

que se venha a verificar tão depressa<br />

...<br />

De resto, não devemos ter<br />

ilusões : as condições do nosso<br />

meio, no que diz respeito às possibilidades<br />

de recrutamento, preparação<br />

técnica e moral e remuneração,<br />

não comportam a<br />

rápida formação de um corpo<br />

de enfermagem suficientemente<br />

numeroso para as necessidades<br />

do país, preparado e pago de<br />

acordo com as condições, que<br />

temos de considerar ideais, referidas<br />

acima.<br />

O problema é saber se o sistema<br />

em vigor, que é mau, não<br />

pode ser modificado, com relativa<br />

rapidez e dentro das possibilidades<br />

económicas do m eio,<br />

de modo a aproximar-nos muito<br />

razoàvelmente da organização<br />

correcta a que deyemos aspirar.<br />

Não há possibilidade de preparar<br />

toda a enfermagem de que<br />

necessitam'os, escolhê-la com as<br />

condições . morais necessanas,<br />

ministrar-lhe os conhecimentos<br />

técnicos de que precisa, dotá-la<br />

com os princípios de disciplina e<br />

de ética profissionais absoluta~<br />

mente indispensáveis e depois<br />

remunerá-la de acordo com a<br />

sua verdadeira categoria, de<br />

modo a termos o pessoal idóneo<br />

na quantidade necessária para a<br />

cobertura assistencial do país.<br />

Tal não é possível, de facto,<br />

pelo menos em tempo útil e na<br />

conjectura económica presente.<br />

Mas é possível preparar um<br />

número mais reduzido de bons<br />

«técnicos de enfermagem» (aliás<br />

enfermeiras, no 'conceito hoje<br />

quase universalmente aceite),<br />

apresentando em alto grau as<br />

qualidades acima apontadas e<br />

dar a esse corpo de élite os lugares<br />

de orientação e de mando,<br />

aonde as suas capacidades e virtudes<br />

profissionais se possam<br />

manifestar por intermédio do<br />

pessoal sujeito às suas directivas.<br />

Um pessoal de menor categoria<br />

moral e técnica, bem enquadrado<br />

por dirigentes com<br />

uma sólida preparação, pode<br />

éonstituir um corpo de enfermagem<br />

de qualidade muito superior<br />

ao valor individual da<br />

maioria dos seus componentes.<br />

Mas se continuarmos a recrutar,<br />

para os lugares de chefia<br />

e orientação, entre a enfermagem<br />

de que actualmente dispomos<br />

na maioria dos serviços, a<br />

qual, com honrosas excepções,<br />

não tem suficiente preparação<br />

ética e técnica, não mais sairemos<br />

da situação em que nos encontramos,<br />

a não ser por uma<br />

transformação macissa das novas<br />

gerações que entram na profissão<br />

e nas quais, dentro de uns<br />

anos, seriam recrutadas as categorias<br />

dirigentes. Mas, repetimos,<br />

essa melharia macissa, rápida<br />

e total, da qualidade<br />

técnica e moral da classe, parece-nos<br />

impossível, por razões<br />

económicas e por insuficiência<br />

de recursos das escolas de enfermagem.<br />

Um outro aspecto de organização<br />

que importa focar é o da<br />

diversidade das funções que são<br />

abrangidas sob esta única designação<br />

de «enfermagem» e que<br />

comummente (no ensino, na orgânica<br />

dos serviços e na remuneração)<br />

se encontram confundidos.<br />

Com efeito o termo de «enfermagem»<br />

corresponde, de um<br />

móda geral, a três ordens diversas<br />

de actividades profissionais,<br />

que exigem conhecimentos técnicos,<br />

qualidades morais e condições<br />

de organização do trabalho<br />

bastante diferentes, embora<br />

com certos traços comuns. Para<br />

esta «classificação», chamemos­<br />

-lhe assim, baseama-nos a organização<br />

destes serviços nas duas<br />

maiores instituições de assistência<br />

médica de que temos conhecimento<br />

directo: os HCL e os<br />

Serviços Médico-Sociais.<br />

Em primeiro lugar devemos<br />

considerar o pessoal adstrito às<br />

salas de operações (de cirurgia<br />

geral e de especialidades) e seus<br />

anexos (esterilizações, etc), entre<br />

o qual se podem compreender<br />

até «enfermeiras» ajudando<br />

aos actos cirúrgicos. As funções<br />

que lhe são inerentes, muito especializadas,<br />

realizam-se em íntima<br />

ligação com os médicos e<br />

não .com os doentes.<br />

Em segundo lugar compreende-se<br />

a pessoal dos serviços de<br />

consulta externa, cuja preparação<br />

técnica pode abranger, apenas,<br />

pequenos tratamentos, pensos,<br />

injecções e organização de<br />

arqmvos. São, afinal, o equiva-<br />

62<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

63


lente das chamadas «empregadas<br />

de consultório» da clínica<br />

privada.·<br />

O terceiro e último destes<br />

três grupos principais, o mais<br />

vasto, o mais importante, o de<br />

preparação mais difícil, é o que<br />

compreende a verdadeira enfermagem.<br />

Nos grupos anteriores a organização<br />

do serviço centraliza-se<br />

no médico; o pessoal serve,<br />

essencialmente, este último.<br />

No terceiro grupo a organização<br />

baseia-se no enfermo,<br />

orienta-se para este; o seu pessoal<br />

serve, essencialmente, os<br />

doentes. A enfermagem, que<br />

vive ao lado do doente, que o<br />

serve, o acompanha, o orienta,<br />

o conforta e o deve escutar, tem<br />

duas funções importantíssimas,<br />

de alta responsabilidade e que<br />

ambas nos parecem igualmente<br />

essenctats:<br />

Prolongar a acção do médico,<br />

cumprindo o que este indica,<br />

colhendo para ele informações e<br />

.até, dentro de certos limites, tomando<br />

medidas de sua responsabilidade<br />

enquanto a acçãa daquele<br />

não se inicia.<br />

Substituir a família junto do<br />

enfermo, criando-lhe o ambiente<br />

de conforto, de carinho, de dedi-<br />

64<br />

Gimenez-Salinas & C.a li<br />

240, Rua da Palma, 246- LISBOA<br />

Alguns produtos de sua representação<br />

que actualmente podem fornece r:<br />

ANTELOBJNE, ampolas<br />

ANTIGRIPINE MIDY, hóstias<br />

ARSAMINOL, ampolas, 1,5 e 3 cc .<br />

ASMALICIDA, ampolas<br />

HALSEPTOL, pomada<br />

BIOCALCIUM, ampolas<br />

CÁLCIO GFVE, comprimidos<br />

CAN TEINE<br />

CEREGUMIL, alimento liquido<br />

DI-PERQUINOL, corado e incolor<br />

GASE DR. MOREAU<br />

HEMO-ANTITOXINA<br />

HOR llANTOXON E, globóides<br />

IODONE, gotas<br />

KOUMYL, gotas<br />

PELE PLASTIC\ <br />

PROVEIN ASE M!DY, drágeas<br />

SALICILATO SÓDIO CLIN, ampolas, cápsulas<br />

e solução concentrada<br />

SAL VONE, revulsivo<br />

SEDIBAINE, drágeas<br />

SEDOGOUTTES,d~gMs<br />

SINCITINAR USCA, ampolas<br />

SOLUBEOL, ampolas<br />

SORO RAVE I LLAT-PLA, a mpolas<br />

SPASMOSEDINE, drágeas<br />

~U LFOLAPIN A, comprimidos<br />

TAXOL, drágeas<br />

THEOSA LVOSE, hóstias<br />

THIODERAZINE MIDY, ampolas e gotas<br />

VEINOTROPE, F. M. drágeas .<br />

VES!LULINE, drágeas<br />

VITADONE, gotas e ampolas<br />

VITASAC<br />

VITASALICYL, drágeas<br />

Laboratórios da farmácia<br />

riJ<br />

4-B, Av. da Igreja, 4-C -<br />

ATOXIFORMO, pastilhas<br />

BIOCIDAN, colutório<br />

BIOCIDAN, solução<br />

SERVEIINAL, pó<br />

VI rADO:"'E FORTE, ampolas bebi veis<br />

LISBOA<br />

HOSPITAIS<br />

cação, de bem estar moral, que<br />

é utilíssimo, indispensável, para<br />

uma correcta assistência de todos<br />

os que sofrem.<br />

Na exercício destas duas funções,<br />

mesmo da primeira, parece-nos<br />

que a preparação exclusivamente<br />

técnica é subalterna em<br />

relação à preparação moral -<br />

encarada esta em sentido lato.<br />

Quer dizer, parece-nos que é<br />

mais importante que a enfermagem<br />

tenha bem viva a noção<br />

da responsabilidade, do cumprimento<br />

rigoroso das prescrições<br />

dos médicos e da atenção constante<br />

que deve ao doente, em ·<br />

cuidados profissionais e em carinho<br />

e dedicação, do que possua<br />

um profundo conhecimento de<br />

anatomia, de fisiologia, de técnica<br />

de esterilização e mesmo<br />

de patologia das doenças infecciosas<br />

...<br />

A. cor dos unifot•mes<br />

Vê-se, portanto, que a função<br />

da enfermagem é uma função<br />

estritamente específicanão<br />

se trata de medicina em miniatura.<br />

4f4Rl 4m«l 80<br />

IIIARili~IU.II· COIHBRA<br />

SooÁSio..,.lhor lru .. Jo<br />

d.obaralho.l...,.,t. ... ot<br />

"IIIOSAÍCOS Ás~<br />

tÕoo"'•lhorl•unjodo<br />

n"tlr\&tor ""odtfno<br />

E o ensino de enfermagem<br />

não é um «resumo» do ensino da<br />

medicina; quando se pensa em<br />

farmar enfermeiros não se quisesse,<br />

essencialmente, preparar ...<br />

«médicos de segunda classe».<br />

(ln «0 Médico», de 5 deDezembrode1951)<br />

Há hospitais que impõem os uniformes brancos não só aos médicos e<br />

enfermeiros, mas ainda ao pessoal de secretaria, de rouparia, de cozinha, de<br />

fiscalização, etc. É um erro.<br />

O branco deve ser privativo dos médicos e da enfermagem. Há cores<br />

bonitas para as restantes secções. Experimente-se.<br />

PORTUGUESES 65


Os host•itais e as ~'âDiai·as<br />

Uunlelt•ais<br />

Várias vezes temos abordado<br />

nesta revista o grave e instante problema<br />

de regularizar em bases diferentes<br />

os encargos da assistência aos<br />

doentes pobres que agora pesa demasiadamente<br />

sobre as Câmaras Municipais.<br />

A questão continua em aberto.<br />

O governo já prometeu a solução que,<br />

todavia, vai demorando. Por isso,<br />

o deputado Dr. Amaral Neto produziu<br />

na Assembleia Nacional um aviso<br />

prévio sobre o problema, no qual,<br />

depois da intervenção de vários deputados,<br />

foi aprovada, por unanimidade,<br />

a moção seguinte:<br />

«A Assembleia Nacional, tendo<br />

ouvido a exposição do desenvolvimento<br />

dos meios de assistência hospitalar<br />

no País, por acção do Estado<br />

e das instituições beneficentes e considerad;<br />

os encargos que acarreta para<br />

a grande maioria dos municípios a<br />

participação supletiva que lhes compete<br />

no exercício desta assistência,<br />

reconhece que estes encargos atingiram<br />

um grande peso, tendem a prejudicar<br />

o exercício de outras atribuições<br />

úteis ao bem comum e se avolu-<br />

mam em termos. de desigual benefício<br />

dos auxílios do Estado, exprimindo<br />

a confiança de que o Governo saberá<br />

resolver as dificuldades e insuficiências<br />

verificadas e criar novas condições<br />

de acção eficaz e de relativa<br />

igualdade para todas as autarquias».<br />

Esperemos que agora, em cumprimento<br />

do voto da Assembleia Nacional,<br />

se acelere o estudo e a solução<br />

justa de tão momentosa questão.<br />

A I'eeusa de assistêuela<br />

A propósito, transcrevemos uma<br />

notícia do «Diário de Coimbra», também<br />

ligada a esta questão de dívidas<br />

de Câmaras a hospitais:<br />

«Abril, 30- A Santa Casa da<br />

Misericórdia de Lamego resolveu em<br />

reunião extraordinária de Dezembro<br />

último, não admitir no seu hospital<br />

doentes da responsabilidade da Câmara<br />

de Tarouca, se esta até 6 de<br />

Janeiro de <strong>1952</strong>, não satisfizesse o seu<br />

débito àquela Santa Casa. Porque<br />

tal era impossível, pois o saldo deficitário<br />

daquele Município era em<br />

31 -12-1951, de 78.367$10, não foram<br />

liquidadas as dívidas ao Hospital de<br />

Lamego nem a outros, o que aliás<br />

como é do conhecimento do público,<br />

se dá com a maioria das câmaras,<br />

em especial aquelas em cuja área de<br />

jurisdição não há hospitais.<br />

Condenam-se os doentes P'Obres<br />

do concelho de Tarouca, por a Câmara<br />

não poder, como muitas não<br />

podem, liquidar em curto prazo um<br />

débito de cerca de 20 contos. Os<br />

doentes nem sempre podem ser transportados<br />

para o Porto e não há hospital<br />

tão próximo como Lamego.<br />

Assim, em 13 de Fevereiro úitimo,<br />

para documentarmos as afirmações<br />

feitas, foi agredido à paulada nos<br />

subúrbios da vila de Tarouca, António<br />

Martinho de Melo, de <strong>17</strong> anos,<br />

que sendo de família pobre foi conduzido<br />

em estado desesperado ao<br />

Hospital de Lamego, com guia de<br />

responsabilidade da Câmara Municipal,<br />

para ser radiografado e convenientemente<br />

tratado em face das indicações<br />

a dar pela radiografia. Embora<br />

o seu estado fosse grave - pois<br />

esteve inconsciente quase uma se-<br />

Fo~oi<br />

Mais uma vez chamamos a atenção<br />

dos responsáveis pela segurança<br />

dos nossos hospitais para a necessidade<br />

de se precaverem contra os incêndios.<br />

O fogo num hospital é sempre alguma<br />

coisa de muito trágico. Há<br />

doentes que não podem fugir; há<br />

crianças; há o perigo do pânico.<br />

Passe-se revista à instalação eléc-<br />

mana, entre a vida e a morte, foi-lhe<br />

recusado o internamento.<br />

Valeu-lhe a proficiente assistência<br />

do Subdelegado de saude, que com<br />

inúmeras dificuldades -pois a radiografia<br />

era indispensável para o diagnóstico-<br />

o conseguiu salvar.<br />

Mas veja-se ainda: a Santa Casa<br />

da Misericórdia de Lamego requereu<br />

ao sr. Ministro do Interior que a<br />

dívida da Câmara de Tarouca fosse<br />

cobrada coercivamente, no que foi<br />

atendida, ficando portanto garantida<br />

absolutamente a liquidação dos débitos.<br />

Pois bem; foi já depois de essa<br />

garantia lhe ter sido concedida que a<br />

Misericórdia de Lamego se recusou<br />

admitir doentes pobres de Tarouca.<br />

Será isto humano ? A quem compete<br />

providenciar de modo a que os pobres<br />

tenham o direito de ser assistidos<br />

quando uma entidade oficial se responsabiliza<br />

pelas despesas ?<br />

A quem caberão as culpas se<br />

aquelas 3 crianças ficaram na orfandade?».<br />

trica. Reveja-se o funcionamento das<br />

caldeiras, cozinhas, estufas, etc.<br />

Façam-se treinos para manter o<br />

pessoal familiarizado com os processos<br />

de combater os incêndios, dominar o<br />

pânico e evacuar os doentes.<br />

Lembremo-nos sempre de que um<br />

incêndio nunca se faz anunciar com<br />

antecedência e surge quando menos<br />

o estivermos supondo. E lembremo­<br />

-nos de que à nossa responsabilidade<br />

estão entregues muitas vidas.<br />

66<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

67


A uecessidatle de 1101a J'evisão de veuclmeuto11<br />

A exiguidade dos vencimentos é, sem dúvida alguma, um dos<br />

problemas mais prementes e actuais para a enfermagem portuguesa.<br />

Tal observação torna-se mais grave ainda quando bem se atenta nas<br />

causas do mal, ou seja porque se verifica que é o Estado o que pior<br />

paga; porque o exemplo parte de cima, todas as outras entidades<br />

patronais se sentem com igualdade de direitos, pagando mal por<br />

isso mesmo.<br />

É caso averiguado o exposto e por isso é assunto já bastante<br />

debatido. Contudo, resta-nos rebater, uma vez ainda, as mesmas<br />

teclas, até que se obtenha a atenção concentrada dos poderes púbicos<br />

para a situação verdadeiramente paradoxal: aumentam-se as exigências<br />

para o ingresso nos cursos, aumentam-se os conhecimentos<br />

técnicos e de cultura geral nesses cursos e prevê-se até um aumento<br />

temporário para os mesmos; mas em contra-partida não se pensa<br />

que qualquer enfermeiro de 2.a classe tem um ordenado base<br />

de 550$00. É lógico? Como resposta a este facto, tão sem razão,<br />

saiba-se que há nos hospitais uma categoria de funcionários - dos<br />

que consideramos sem responsabilidade técnicas ou culturais- que<br />

passam as suas horas de serviço a ver as pessoas que entram e esses,<br />

contudo, auferem vencimento superior ao acima indicado-!<br />

A enfermagem deve ao Governo todas as remodelações que<br />

surgiram para a melhorar, renovar e enaltecer. Não há um só profissional<br />

que deixe de olhar com simpatia para o esforço que se dispendeu<br />

com a actualização e modernização das Escolas donde irão<br />

partir para a vida melhores unidades de trabalho e produção.<br />

Porém, essas unidades que foram criadas ou preparadas para servir<br />

68 HOSPITAIS<br />

os doentes nas múltiplas obras assistenciais do Estado ver-se-ão<br />

compelidas a trocar o próprio Estado por outra qualquer entidade<br />

patronal, o que não se estranha porque a pessoa procura s~mpre<br />

atingir os seus fins, entre eles uma situação económica desafogada.<br />

O factor social deve também influir na brevidade da revisão<br />

dos vencimentos. A enfermagem deve possuir um nível de vida<br />

z·egular. As suas relações devem estender-se até àquelas manifestações<br />

que podemos considerar de cultura. Necessitaria, por exemplo,<br />

de possuir os meios que lhe permitissem obter os livros imprescindíveis<br />

para o seu aperfeiçoamento técnico.<br />

A sua vida deve orçar pelo exemplar e para isso é indispensável<br />

um mínimo de salário suficiente para a manter isenta de débitos.<br />

De facto, tal não se obtem com 550$00 + 90%, mensais. (Note-se<br />

que nos referimos à enfermagem média quanto a categorias, pois<br />

podíamos começar um pouco mais por baixo).<br />

A própria profilaxia social da profissão mostra claramente a<br />

vantagem que há na concessão de salários compatíveis com as espécies<br />

de serviços. A enfermagem está sempre em contacto com doentes,<br />

muitos dos quais portadores de doenças infecciosas. Este contacto<br />

permanente com doentes e micróbios exige uma resistência<br />

orgânica capaz, mas para isso é indispensável uma boa alimentação<br />

que, francamente, não se consegue com a exiguidade actual dos vencimentos.<br />

Atente-se bem no que se passa com a enfermagem dos<br />

diversos hospitais e só isso bastará para tirar conclusões.<br />

A enfermagem que se tem visto ultimamente tão acarinhada<br />

pelo Governo não perde, nem perderá jamais, a fé nos dirigentes da<br />

Nação. Sabe que há problemas a resolver e este é um dos que mais<br />

necessitam de solução urgente·. Daqui se lança o apêlo a S. Ex.as os<br />

Srs. Ministro do Interior e Subsecretário da Assistência que, com<br />

a revisão pedida, certamente iriam melhorar os serviços de toda a<br />

assistência. - A. M.<br />

PORTUGUESES 69<br />

5


lt•tná Eu~éttia Tourinho<br />

~OTÍUIAS<br />

DAS ESUOLAS<br />

Honra-se esta revista prestar, neste lugar, pública e sincera homenagem<br />

à Irmã Eugénia Tourinho a fundadora e directora, por tantos anos, das Escolas<br />

de Enfermagem de S. Vicente de Paulo, de Lisboa.<br />

No momento em que a ideia da enfermagem nova mal tinha chegado<br />

a Portugal, quando ninguém acreditava na possibilidade<br />

de ensinar enfermagem a certas camadas<br />

sociais, conseguiu a Irmã Eugénia, depois de tantas<br />

lutas ~ trabalhos, o que até· aí parecera impossível.<br />

O seu nome e a sua figura bondosa ficarão<br />

para sempre na história do ensino da enfermagem<br />

em Portugal.<br />

É-nos grato, pois, registar aqui o maior<br />

apreço e a mais sincera gratidão de portugueses<br />

à Irmã Eugénia Tourinho, no momento em que nos deixa, a caminho do seu<br />

Brasil. E pedimos que Deus continue a proteger a sua Escola, ajudando-a a<br />

manter 0 nível inconfundível que assumiu entre as Escolas portuguesas, para<br />

bem da enfermagem e de Portugal. As homenagens que em Lisboa lhe foram<br />

prestadas pelas mais altas figuras portuguesas, permita a Irmã Eugénia que<br />

se junte a modesta, mas sincera homenagem de «<strong>Hospitais</strong> <strong>Portugueses</strong>».<br />

.~-~ enfermagem mode•·na<br />

«A enfermagem moderna, aquilo<br />

a que agora se chama enfermagem<br />

moderna, foi no seu início obra deste<br />

santo (S. João de Deus). E só a corrupçãu<br />

dos conceitos da profissão<br />

através do materialismo grosseiro e<br />

estreito é que pode levar a qualificar<br />

de moderna uma enfermagem que se<br />

baseia na técnica e despreza os valores<br />

essenciais e eternos da profissão.<br />

A aliança entre a técnica e o espírito<br />

da caridade que é carne da cristandade,<br />

e o espírito de sacrifício que<br />

é essência da enfermagem cristã, são<br />

hoje tão necessários e actuais como<br />

há quatro séculos ?<br />

A enfermagem moderna, porque<br />

a técnica veio de perfeição em perfeição,<br />

precisa enéarar o doente como<br />

pessoa humana que é, e dar-lhe o<br />

cuidado do corpo, o indispensável<br />

«clima» moral que o ajuda na cura<br />

e alívio dos males físicos. É este o<br />

moderno conceito de enfermagem psioosomática<br />

para que temos de preparar<br />

as noval? enfermeiras e fazer uma<br />

habituação :Progressiva das antigas.»<br />

(D. Maria da Cruz Repenicado<br />

Dias- na conferência-<br />

pronunciada<br />

durante os «Dias de Estudo»<br />

do C. I. C. I. A. M . S.).<br />

Escola Técnica<br />

de EnfeJ•meh·as<br />

Teve grande solenidade a cerimónia<br />

que, em 28 de Março, se realizou<br />

no anfiteatro do Instituto Português<br />

de Oncologia, da graduação das enfermeiras<br />

do curso de 1951 e da imposição<br />

do «cap» às alunas do curso<br />

de 1954, umas e outras da Escola<br />

Técnica de Enfermeiras que funciona<br />

junto daquele estabelecimento. A<br />

vasta sala foi pequena para conter a<br />

numerosa assistência, entre a qual se<br />

notavam a esposa e filha do sr. Presidente<br />

da República, os embaixadores<br />

do Brasil, condes de Paris, muitos<br />

médicos, não só do Instituto como<br />

de fora, senhoras da família das alunas,<br />

deputações das Escolas de Enfermagem<br />

de Artur Ravara, da Cruz<br />

Vermelha e da Irmã Eugénia, etc.<br />

Realizou-se uma sessão solene a que<br />

presidiu o Prof. José Gabriel Pinto<br />

Coelho, reitor da Universidade de<br />

Lisboa, que estava ladeado pelos<br />

Profs. Toscano Rico e Francisco Gentil,<br />

respectivamente directores da Faculdade<br />

de Medicina e do I. P . 0., e<br />

pelas sr.a• D. Maria Luísa Moniz Pereira<br />

e D. Maria Madalena Taveira,<br />

ambas enfermeiras, que . desempenham<br />

as funções de directora e sub­<br />

-directora da Escola.<br />

Falou em primeiro lugar o Prof.<br />

Francisco Gentil, que fez uma alocução<br />

acerca do problema da enfermagem.<br />

Em seguida, a sr.a D. Maria Luísa<br />

Moniz Pereira disse «algumas palavras<br />

sobre o ensino da enfermagem»,<br />

Procedeu-se depois à entrega, pelo<br />

Prof. Gentil, dos diplomas às novas<br />

enfermeiras, que agora terminaram<br />

o curso,<br />

Escola de ('astelo DJ•anco<br />

Foi levado a efeito, em Castelo<br />

Branco, um serão recreativo· e artístico<br />

que, se caracterizou pelo maior<br />

brilho e aprumo dos que nele tomaram<br />

parte, alunos e alunas dos três<br />

Cursos ali professados: Enfermagem<br />

Geral, Enfermagem Auxiliar e Auxiliares<br />

Sociais.<br />

A festa realizou-se no salão dos<br />

Bombeiros Voluntários, artisticamente<br />

decorado, perante numerosa assistência<br />

em que se destacavam o Senhor<br />

Bispo de Portalegre, o director<br />

e Professores da Escola, autoridades e<br />

figuras marcantes de Castelo Branco.<br />

No. final, foi oferecido ao director<br />

Dr. Lopes Dias, um Álbum com o<br />

Hino da Escola de Enfermagem, de<br />

lavor artístico, ilustrado com a figura<br />

de S. João de Deus e temas<br />

regionais, sendo a letra e a música<br />

da autoria do R. 0 Dias Costa:<br />

«Enfermeiro olha o Sol da fé e o além,<br />

Enche a alma de força e valor !<br />

70<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

71


Depois disto, ao topares com a dor,<br />

Faz-lhe bem !<br />

Não esqueças cuidar seja quem for :<br />

O doente, é uma vida a desmaiar,<br />

Dá-lhe a ajuda que pede a se curar<br />

Com amor!<br />

O teu geito transpire nobremente<br />

Delicados intentos de servir<br />

Com o médico e o pobre mais doente<br />

E a sorrir!<br />

Nas tuas mãos há felizes madrugadas<br />

Para as vidas que baixam num sol-pôr.<br />

Que alegria essas vidas remoçadas !<br />

Que louvor!<br />

C ôRO<br />

- Trilhamos nosso rumo<br />

Com alegria ardente<br />

Que São João de Deus<br />

Caminha à nossa frente . . .<br />

-É ir até ao fim<br />

Em nossos certos passos<br />

Que vale mais a vida<br />

Que os astros dos espaços . . . »<br />

Foi o Hino cantado pela primeira<br />

vez, tendo merecido à assistência uma<br />

verdadeira tempestade de aplausos.<br />

A imprensa da Beira Baixa referiu-se<br />

nos mais elogiosos termos à festa de<br />

Castelo Branco de . que damos duas<br />

fotografias nesta notícia.<br />

Escola de EnfeJ•rnagenJ<br />

DJ•. Angelo da Foraseca<br />

Coimbra ·<br />

1. Foi realizado com o costumado<br />

cerimonial a benção dos veus<br />

e entrega das velas às novas enfermeiras.<br />

2. A Escola acaba de ser dotada<br />

com mais dois serviços que ficam sob<br />

o regime de enfermaria-escola, iniciado<br />

em Coimbra. São os serviços<br />

de doenças infecciosas, dermatologia<br />

e sifiligrafia. Instalados nos novos<br />

pavilhões de Celas, estão a ser feitas<br />

as necessárias obras para que aquelas<br />

enfermarias sejam modelares, quer<br />

em equipamento, quer em funcionamento.<br />

A Escola ficará assim dispondo<br />

de cerca de 200 camas exclusivamente<br />

destinadas ao ensino.<br />

3. Por intermédio do Dr. Coriolano<br />

Ferreira, Administrador dos<br />

<strong>Hospitais</strong> da Universidade de Coimbra,<br />

a Escola enviou à Escola italiana<br />

«Duchessa Galliera» de Génova, um<br />

magnífico album de fotografias das<br />

suas actividades escolares. São estreitas<br />

e cordeais as relações de intercâmbio<br />

existentes entre estas duas<br />

escolas de enfermagem. Idênticas relações<br />

estão estabelecidas com outras<br />

escolas italianas, belgas, francesas e<br />

americanas.<br />

72<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

73<br />


Angola<br />

1 -Uma brigada de combate à<br />

morfeia chefia'da pelo especialista<br />

Dr. Ricou, que actua na Província<br />

do Bié, percorreu já cerca de 12.000<br />

quilómetros, nos quais teve que utilizar<br />

os mais diversos meios de transporte,<br />

tais como carrinha, tipoia, jan­<br />

·gadas e bicicletas, andando também<br />

uma grande parte do percurso a pé.<br />

Só no Alto Zambeze onde a campanha<br />

durou três meses, prospectaram-se<br />

66 sobados, 149 outros aldeamentos<br />

indígenas, e construíram-se<br />

48 acampamentos prov1sonos que<br />

findo os serviços foram destruídos.<br />

Neste período foram feitas 79 concentrações,<br />

observados 24.800 indígenas,<br />

fazendo-se 430 exames de corcunstaciados,<br />

610 microscópicos e 44<br />

reacções de «Fernandez».<br />

Este trabalh'D tem sido difícil e<br />

árduo, pois que para muitos Sobados<br />

indígenas não existem caminhos de<br />

acesso fácil.<br />

2-Nas páginas seguintes publicamos<br />

uma fotografia e planta do<br />

Centro de Hemoterápia de Luanda.<br />

Situado perto do Hospital Central,<br />

este centro é uma moderna e eficiente<br />

unidade do equipamento assistencial<br />

daquela província ultramarina.<br />

Guiné<br />

De avião regressou a Lisboa, vinda<br />

de Bolama, a missão de combate à<br />

lepra na província portuguesa da<br />

Guiné, chefiada pelo Prof. Salazar<br />

Leite, professor do Instituto de Me- .<br />

dicina Tropical, e constituída pelos<br />

Drs. João Bastos da Luz e José Pinto<br />

Nogueira.<br />

Segundo informações dadas pelo<br />

Prof. Salazar Leite à Imprensa, foram<br />

observados 95.000 indígenas,<br />

num censo superficial, ou seja: quase<br />

20 por cento da população local.<br />

índia<br />

Na Índia Portuguesa, a assistência<br />

aos tuberculosos vai ampliar a<br />

sua acção com a inauguração de um<br />

pavilhão-sanatório, já muito adiantado.<br />

Os recursos financeiros para<br />

esta obra foram angariados pela esposa<br />

do Governador Geral, D. Carmelina<br />

Quintanilha Dias, pelo que<br />

será dado o seu nome é.C pavilhão a<br />

inaugurar.<br />

ltloçamblque<br />

O combate às doenças infecciosas,<br />

em Moçambique, alcançou notáveis<br />

resultados, mercê da intensa acção<br />

que os Serviços de Saúde continuam<br />

a desenvolver.<br />

Durante o ano de 1951 registaram-se<br />

na província de Moçambique<br />

373 casos de doenças infecciosas, com<br />

34 óbitos apenas. O número de doenças<br />

infecciosas é, portanto, muito limitado<br />

em relação aos cinco milhões<br />

de habitantes, e os óbitos registados<br />

demonstram que a medicina conseguiu<br />

vencer a doença numa alta percentagem<br />

de casos.<br />

Em relação ao ano de 1950, que<br />

apresentou 383 casos de doenças infecciosas,<br />

foi também altamente satisfatória<br />

a redução dos óbitos, naquele<br />

ano de 60 e em 1951 reduzidos<br />

a 34, como dissemos.<br />

A varíola figura na estatística<br />

como a doença mais corrente, com<br />

<strong>16</strong>2 casos em 1951 e 12 óbitos, notando-se<br />

que o distrito de Inhambane é<br />

mais atacado por este mal. A meningite<br />

epidémica com 67 casos e 15 óbi-<br />

tos preocupa igualmente os Serviços<br />

de Saúde, que desenvolvem contra<br />

esta doença e a varíola uma acção<br />

concentrada, até as reduzirem a proporções<br />

perfeitamente normais.<br />

É todavia excelente, comparativamente,<br />

o estado sanitário da província<br />

e sobretudo digna de ·registo a eficiência<br />

dos Serviços de Saude, que<br />

conseguiram assinalados êxitos, ainda<br />

não há muitos an'Os julgados inatingíveis.<br />

!li. Tomé e Pl'inclpe<br />

Acaba de ser publicado um importante<br />

diploma com as bases da<br />

luta antituberculosa nesta província<br />

ultramarina. O equipamento sanitário<br />

será constituído pelo Dispensário<br />

Antituberculoso que funcionará também<br />

como Centro de Diagnóstico e<br />

Profilaxia, por postos sanitários distribuídos<br />

por toda a Província, Preventórios,<br />

Sanatórios e Centros de<br />

Convalescença e Repatriação.<br />

Espera-se que desta campanha se<br />

comece cedo a colher os melhores.<br />

resultados.<br />

74<br />

HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES<br />

75


1-<br />

I<br />

®<br />

®<br />

o<br />

® @<br />

©<br />

i ®


ias e outros serviços e bem assim o<br />

regime de porcionismo.<br />

1.297.000$00. A base de licitação<br />

era de 1.313.142$00.<br />

<strong>Hospitais</strong> (;ivis de Lisboa<br />

O sr. enfermeiro-mar dos <strong>Hospitais</strong><br />

Civis de Lisboa tendo em vista<br />

que «sem qualquer organização prévia<br />

especial prestou relevantes serviços,<br />

a equipa de médicos e pessoal de<br />

enfermagem que foi destacada do<br />

banco para acudir, no local, às vítimas<br />

do desastre da linha do Estoril,<br />

ocorrido em 31 de Março findo», determinou<br />

que, enquanto não for possível<br />

organizar o serviço móvel do<br />

pronto socorro que há muito se deseja,<br />

o cirurgião de serviço no banco<br />

fique autorizado, quando as circunstâncias<br />

o aconselhem, a mandar sair,<br />

em ambulância própria, uma equipa<br />

constituída por um ou dois médicos<br />

e pelo pessoal de enfermagem julgado<br />

conveniente, conduzindo, também,<br />

o material e medicamentos de<br />

urgência considerados. necessários.<br />

Para o efeito, foi o banco apetrechado<br />

com o material indispensávei<br />

ao bom cumprimento daquela ordem.<br />

Hospifal Geral de Santo<br />

Antonio<br />

O banco de sangue do Hospital<br />

Geral de Santo António, que, sob a<br />

direcção do sr. prof. dr. Ernesto de<br />

Morais, está a prestar os mais relevantes<br />

serviços, necessita de beneficiações<br />

para que melhor possa cumprir<br />

a sua humanitária tarefa. Para<br />

que essas obras se possam efectuar,<br />

os srs. António Júlio Barbot Costa,<br />

Jasmim Reis, José Mota Fonseca e<br />

José Reis Moreira da Cunha, conseguiram<br />

valiosos donativos das seguintes<br />

firmas: Antero Teixeira da Cunha,<br />

António Augusto da Silva, Carvalho<br />

& Gastalho, L.da, Companhia Portuguesa<br />

de Higiene, Costa & C .", L.da,<br />

Drogaria Costa, L.da, Fábricas Triunfo,<br />

G. Leal & C.", L.da, Instituto Pasteur<br />

de Lisboa, Kodak, L.da, Marques<br />

& Araújo, L.da, Manuel Serra,<br />

em C.t", Philips Portuguesa S. A.<br />

R. L., Reis & Pousada, L.da, General<br />

Electric Portuguesa, Abílio Esteves<br />

Pereira, David Coimbra, Joaquim Al~<br />

vito, Moagem e Panificação do Norte,<br />

L.da, União dos Picheleiros, L.da, A<br />

Electrificadora, L.da, Augusto Dias<br />

& C.", L.da, Crocker, Delaforce & ~.",<br />

L.da, e Bernardino da Costa Guimarães,<br />

Sucrs.<br />

<strong>Hospitais</strong> da Unhersidade<br />

de Coimbra<br />

1. Entraram em vigor, no dia<br />

1 de Março as novas tabelas de diá-<br />

2. Vão adiantadas as obras de<br />

adaptação dos novos pavilhões de<br />

Celas para onde serão mudados os<br />

serviços de doenças infecciosas e de<br />

dermatologia e sifiligrafia.<br />

3. Foi adquirido um equipamento<br />

de radioterápia que pricipiará<br />

a funcionar brevemente.<br />

llos1•ital de Vila do Con•le<br />

Vai dentro em breve iniciar-se a<br />

campanha em prol deste Hospital,<br />

dado que recentemente foram entregues<br />

as propostas para adjudicação<br />

da segunda fase das obras de beneficiação<br />

e ampliação porque está passando.<br />

Não é demais repetir, que<br />

não deverá ser negado o concurso de<br />

todos os vilacondenses, estejam eles<br />

onde estiver, pois dessa forma se contribui<br />

para dar à vila um estabelecimento<br />

hospitalar em condições de<br />

prestar assistência a todos os que a<br />

ele tenham de recorrer.<br />

llos1•ital sub-re;loual de<br />

Ollveh·a de Azemeis<br />

No concurso para a empreitada<br />

de ampilação e beneficiação do Hospital<br />

sub-regional de Oliveira de Azemeis,<br />

foram apresentadas três propostas,<br />

sendo a mais baixa de<br />

Albe••gne DisCJ•iial da<br />

.llemlicitlade •ie Leiria<br />

O sr. ministro do Interior nomeou<br />

a seguinte comissão para dirigir o Albergue<br />

Distrital da Mendicidade de<br />

Leiria:<br />

Capitão Sebastião Duarte Pernes,<br />

Mário Dias Dinis, Dr. Rui Manuel<br />

Lemos Garcia da Fonseca, engenheiro<br />

Mário Amaro dos Santos Galo e cónego<br />

dr. João P ereira Venâncio.<br />

Hospital da SauCa Casa da<br />

JlisericõJ•dia tle GulmaJ•áes<br />

Durante o ano de 1951 verificou-se<br />

no hospital da Misericórdia<br />

desta cidade, o seguinte movimento<br />

assistencial:<br />

Doentes internos, 2.057; permanência<br />

dos mesmos, 41.696 dias; consultas<br />

no Banco, 3.511; curativos nos<br />

diversos Postos, 19.937; injecções<br />

aplicadas, 23.141; tratamentos da ginecologia,<br />

374, tratamentos de Agentes<br />

Físicos, 9.034; operações de grande<br />

e pequena cirurgia, 620; radiografias,<br />

1.532; análises clínicas, 2.055; receitas<br />

abonadas a doentes externos, 1.268.<br />

Em Vizela: Doentes internos, 57;<br />

curativos e injecções, 5.491; operações<br />

de pequena cirurgia, 33.<br />

Em S. Paio: Sopas fornecidas a<br />

pobres, 4.295.<br />

78<br />

HOSPITAIS<br />

Pü:RTUGUESES<br />

79


Em Dorim: Sopas fornecidas a<br />

pobres de passagem, 4.472; curativos,<br />

3.802.<br />

Hospital Sub-J•egloual de<br />

lloga•lon•·o<br />

Causou grande regosijo, nesta vila,<br />

a notícia da próxima construção de<br />

um hospital sub-regional, para 20 camas.<br />

Esta obra, há muito desejada<br />

por toda a população do nosso<br />

concelho, deve-se ao sr. ministro do<br />

Interior, que, ouvindo as nossas autoridades,<br />

concedeu a necessária comparticipação<br />

para que ela fosse uma<br />

realidade.<br />

Hospital Snb-•·egloual<br />

da Régua<br />

O subsecretário de Estado da<br />

Agricultura sancionou a deliberação<br />

da Casa do Douro relativa à cedência<br />

do terreno necessário à construção<br />

do hospital sub-regional da Régua.<br />

Como era de prever, a notícia foi recebida<br />

com o maior contentamento,<br />

tendo o provedor da Misericórdia<br />

apresentado ao tenente-coronel Simões<br />

da Mota, presidente da Casa do<br />

Douro, o seu agradecimento pelo entusiasmo<br />

posto, desde início, ao serviço<br />

desta obra. Com destino às<br />

obras do novo hospital, a Mesa da<br />

Misericórdia recebeu já um subsídio<br />

de cem contos duma ilustre senhora<br />

deste concelho, e outro de cinquenta<br />

contos do comerciante local, sr. António<br />

José Rodrigues.<br />

Sanatório o. lllanuel II<br />

Uma portaria, pelo Ministério das<br />

Obras Públicas, declara a utilidade<br />

pública e a urgência de várias expropriações<br />

necessárias para as instalações<br />

das estações elevatória de águas,<br />

depuradora de esgotos e central de<br />

tratamento de lixos do Sanatório<br />

D. Manuel II, em Vila Nova de Gaia.<br />

As relações eom o públieo<br />

Tratar bem o público é um dever do hospital. O porteiro deve ser gentil<br />

e prestável, •o empregado da secretaria, deve facilitar a regularização dos papéis<br />

'<br />

aos doentes, e aos fornecedores, a telefonista educada, o médico pontual, a<br />

enfermeira dedicada.<br />

É tão importante esta matéria que em alguns hospitais americanos se<br />

criaram os lugares de «director das relações com o público». Temos muito que<br />

aprender, não há dúvida.<br />

80 HOSPITAIS<br />

DR. ILÍDIO DE OL<strong>IV</strong>EIRA BARBOSA-·<br />

Temos o prazer de apresentar hoje aos nossos leitores, o<br />

Dr. Ilídio de Oliveira Barbosa, inspector-chefe dos <strong>Hospitais</strong><br />

Civis de Lisboa e autor da interessante série de<br />

artigos que estamos publicando, sob o título de «Hospi-·<br />

tais estrangeiros», resultado de uma viagem de estudo a<br />

hospitais de Espanha, França, Bélgica e Suíça, efectuada<br />

em 1948.<br />

Licenciado em Ciências Económicas e Financeiras,<br />

e com o curso de Administração Naval, ascendeu ao posto<br />

de capitão de fragata em 1949 e é, desde 1950, membro da Direcção do Montepio<br />

Geral. Tem ocupado outros altos cargos tais como: Subdirector e director<br />

interino das Alfândegas da Companhia de Moçambique, Administrador. da<br />

revista «Defesa Nacional», Secretário Geral da Caixa de Previdência do Pessoal<br />

da Marinha Mercante Nacional. Entre os trabalhos publicados contam-se:<br />

«Estatística Aduaneira do Território da Companhia de Moçambique», «Relatórios<br />

da Direcção das Construções Navais do Arsenal da Marinha», «Anais da<br />

Marinha», etc.<br />

É, pois> com o maior prazer que testemunhamos a muita consideração<br />

a este ilustre dirigente do maior hospital português.<br />

DR.a MARIA LUIZA SALDANHA DA GAMA VAN ZELLER­<br />

Por portaria de 14 de Abril, foi provida definitivamente no cargo de subdirectora<br />

do Instituto Maternal esta ilustre Senhora, a quem enviamos as mais respeitosas<br />

felicitações.<br />

DR. LUIZ CARDOSO TORRES- Tomou posse, no passado dia 11<br />

de Março, do cargo de director dos Abastecimentos dos <strong>Hospitais</strong> Civis de ~isboa<br />

o Dr. Luiz Cardoso Torres, antigo assistente do Instituto Superior de Ciências<br />

Económicas e Financeiras e chefe de secção da Repartição de Casas<br />

Económicas.<br />

PORTUGUESES 81


A posse foi-lhe dada pelo Dr. Emílio Faro, enfermeiro-mor dos H. C. L.<br />

Os nossos cumprimentos de b-oas vindas e desejos de frutuosa actividade.<br />

ANTóNIO DELGADO- Foi convertida em definitiva a nomeação<br />

deste zeloso funcionário para as funções de Chefe de Secretaria do Hospital<br />

Sobral Cid, de Coimbra: As nossas felicitações.<br />

PROF. REINALDO DOS SANTOS- Regressou a Lisb-oa, o Prof. Reinaldo<br />

dos Santos, que participou na reunião do Comité da Sociedade Internacional<br />

de Cirurgia. O Prof. Reinaldo dos Santos fez uma notável conferência<br />

sobre «Estilo manuelino» no Centro Universitário Mediterrâneo, em Nice.<br />

DR. JERóNIMO LOURO- Na sala do conselho médico do hospital<br />

de S. Marcos, em Braga, realizou-se uma sessão de homenagem póstuma ao<br />

Dr. Jerónimo Louro, antigo clínico daquela casa hospitalar.<br />

Presidiu o provedor, sr. Dr. José Luís da Silva Júnior, tendo assistido,<br />

além de todo o corpo clínico, algumas pessoas de família e numerosas individualidades.<br />

DR. JOSÉ BERNARDO LOPES- Realizou-se no salão nobre da<br />

Câmara Municipal de Loulé a cerimónia de despedida ao Dr. José Bernardo<br />

Lopes, que, por ter atingido o limite de idade, deiX'Ou os cargos de médico<br />

municipal e de subdelegado de Saude que exerceu durante quarenta anos nesta<br />

vila. Ao acto assitiram diversas entidades e perto de 3.000 pessoas em representação<br />

das freguesias rurais. Os convidados acompanharam a sua casa o<br />

homenageado, que ali recebeu os cumprimentos da grandiosa manifestação<br />

promovida pelas juntas de freguesia.<br />

PROF. FERNANDO DA CRUZ FERREIRA- Na Organização<br />

Mundial de Saude, o Prof. Fernando Simões da Cruz Ferreira foi escolhido para<br />

fazer parte do quadro de técnicos daquele organismo para as doenças parasitárias.<br />

Esta nomeação vem pôs em evidência o prestígio de que este ilustre<br />

professor goza no estrangeiro.<br />

PROF. CARLOS LARROUDÉ- O Dr. Carlos Larroudé, foi, em missão<br />

oficial, assistir, como sócio fundador, em Paris e Bruxelas, às reuniões das<br />

Sociedades de Audiologia daquelas capitais. O Prof. Larroudé, na segunda<br />

das referidas cidades, colherá elementos para ·a instalação no serviço 8 do Hos-·<br />

pital dos Capuchos, de que é director, do primeiro laboratório de audiologia de<br />

Portugal, e se destina ao diagnóstico e tratamento da surdez pelos métodos<br />

mais modernos. O Prof. Carlos Larroudé assistiu ao 9.° Congresso Interna­<br />

Cional da Sociedade Latina de Otorrinolaringologia, realizado em Saragoça.<br />

DR. ANTóNIO MELIÇO SILVESTRE-Professor de Higiene da<br />

Faculdade de Medicina de Ooimbra- exonerado das funções de director, interino,<br />

dos serviços anti-rábico e vacínico da mesma cidade, por ter deÍxado de<br />

exercer, interinamente, as funções de professor de Patologia Geral daquela<br />

Faculdade.<br />

DR. ALMERINDO DE VASCONCELOS LESSA- Médico, chefe<br />

do Serviço de Transfusão de Sangue- equiparado a bolseiro no País.<br />

DR. AUGUSTO PIRES CELESTINO DA COSTA-Director dos<br />

serviços de análises clínicas dos H. C. L. - autorizado a ausentar-se do País.<br />

(D. G., II série....,... 26-3-952).<br />

DR. .ANTóNIO ESPERANÇA MENDES FERREIRA- Cirurgião<br />

dos H. C. L. - autorizado a ausentar-se do País para representar Portugal no<br />

Congresso Internacional de Cirurgiões, a realizar em Madrid.<br />

(D. G., II série- 1-4-952).<br />

DR. ÃL V ARO DE CARVALHO ANDREIA- Director interino do<br />

Centro d~ Inquérito Assistencial e presidente da Comissão de Auxílio a Inválidos,<br />

foi encarregado de representar o País no I Congresso Internacional de<br />

Medicina Física, que se realizará em Londres de 14 a 19 de Juuho próximo<br />

futuro.<br />

PROF. CELESTINO DA COSTA- Uma portaria publicada no dia 2<br />

de Março no «Joumal Officiel» de Paris, aprova a deliberação do Conselho<br />

da Universidade de Mompilher conferindo o título de doutor «Honoris Causa»<br />

daquela Universidade ao Dr. Celestino da Costa, professor de Histologia e<br />

Embriologia da Faculdade de Medicina de Lisboa. Ê mais uma honrosa distinção<br />

que se vem juntar às muitas com que tem sido galardoado o ilustre<br />

investigador, e mestre português, a quem apresentamos as nossas felicitações.<br />

82 HOSPITAIS<br />

PORTUGUESES 83


o<br />

Alimentação e dietética<br />

INDICE PUBLICITÁRIO<br />

Lacticfnios de Aveiro, Limitada<br />

Comércio e Indústria de Vila Franca de Xira<br />

Actividades várias.<br />

Fabricação de Vidrariu<br />

Doenças contagiosas de<br />

declaração obJ•igatoJ•ia<br />

A portaria n. 0 13:952, de 30 de<br />

Abril de <strong>1952</strong>, acrescentou à lista de<br />

doenças contagiosas de declaração<br />

obrigatória constante da portaria<br />

n. 0 13:031, a raiva, com o n. 0 28.<br />

Subsídios de coml•a•·ticipação<br />

t•a•·a obt•as<br />

A circular n. 0 _2111B, de 9 de Abril,<br />

expedida pela Direcção-Geral de Assistência,<br />

chama a atenção dos dirigentes<br />

de organismos de assistência<br />

particular para a obrigação de pedirem<br />

por seu intermédio quaisquer<br />

subsídios para obras ao Ministério<br />

das Obras Públicas.<br />

Só ao Subsecretariado de Estado<br />

da Assistência cabe verificar o interesse<br />

e viabilidade da obra a executar<br />

pelo que se consideram ilegais,<br />

com as consequências daí resultantes,<br />

todas as que se efectuem sem a sua<br />

prévia aprovação.<br />

Instituto lllateJ•nal<br />

A portaria n. 0 13:929, de 9 de<br />

Abril, publica o novo quadro de pessoal<br />

de direcção e chefia deste Insti-<br />

84<br />

tuto, extensivo à sede e suas delegações.<br />

O llospital de Nanta Cla•·a,<br />

do Pot•to, integt•ar-se-á no<br />

Jlospltal doaquim UJ•bano<br />

O decreto-lei n. 0 38:735, de 1 de<br />

Maio, determina que o Hospital de<br />

Santa Clara, no Porto, passe a constituir<br />

uma Secção do Hospital Joaquim<br />

Urbano, da mesma cidade.<br />

Enquanto não for possível inscrever<br />

no orçamento geral do Estado a<br />

verba indispensável para satisfazer os<br />

encargos que resultaram deste diploma,<br />

deverá o Governo Civil do<br />

Porto inscrever, no orçamento do seu<br />

cofre privativo, importância igual a<br />

média daquela que dispendeu nos últimos<br />

três anos com a manutenção<br />

do Hospital de Santa Clara.<br />

O pessoal do Hospital de Santa<br />

Clara transitará para o quadro do<br />

pessoal do Hospital Joaquim Urbano.<br />

Hospital Diguel HombaJ•da<br />

A portaria n. 0 13:873, de 10 de<br />

Março último aumentou para três o<br />

número de segundos-assistentes deste<br />

Hospital.<br />

HOSPITAIS<br />

Vidros Clfnicos, Limitada<br />

Ficheiro de fornecedores recomendados<br />

Alimentação e dietética .<br />

Materiais e actividades de construÇão e instalação<br />

Material e aparelhagem médico-cirúrgica<br />

Mobiliário metálico, hospitalar e geral •<br />

Produtos qufmicos e farmacêuticos .<br />

Tapeçaria, colchoaria e artigos de borracha.<br />

Vidraria, óptica e material fotográfico<br />

Materiais e actividades de construção<br />

Adelino Dias Costa & C.a Limitada<br />

Fábrica de Mosaicos Santa Isabel, Limitada<br />

t


J)~lC :CS , -<br />

PENICILINA O (Potássica)<br />

500.000 u<br />

Caixa de 1 frasco . . 22$00<br />

PENICILINA O (Potássica)<br />

1.000.000 u<br />

Caixa de 1 frasco . . . . 1 37$00<br />

MIOCILINA R 40o.ooo u<br />

Caixa de 1 frasco.<br />

Caixa de 3 frascos<br />

Caixa de 5 frascos<br />

Caixa de 10 frascos<br />

MIOCILINA R soo.ooo u<br />

Cafxa de 1 frasco . . .<br />

19$00<br />

52$00<br />

80$00<br />

150$00<br />

25$00<br />

MIOCILINA. t.soo.ooo u (Oleosa)<br />

(C/ monoestearato de alumínio)<br />

Caixa de 1 frasco •<br />

Caixa de 3 frascos .<br />

61$00<br />

180$00<br />

MIOMICINA<br />

Caixa de 1 frasco.<br />

Caixa de 3 frascos<br />

Caixa de 10 frascos<br />

32$50<br />

96$00<br />

300$00<br />

MIOCILINA R 200.000 u (Infantil)<br />

MIOMICINA FORTE<br />

Caixa de 1 frasco .<br />

Caixa de 3 frascos.<br />

12$00<br />

30$00<br />

Caixa de 1 frasco .<br />

Caixa de 3 frascos.<br />

46$00<br />

135$00<br />

IM f~4SC()S<br />

SILICü~AD()S<br />

LABORATÓRIOS<br />

DO<br />

INSTITUTO PASTEUR DE LISBOA

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