Revista Vol 02 web

cristiano149090

PERSONALIDADE - José Pereira Arouca
RELIGIOSIDADE - Semana Santa em Mariana
CULTURA - O Legado de Roque Camello
PATRIMÔNIO - Pedra Sabão

A Mariana - Revista Histórica e Cultural é

uma publicação eletrônica da Associação

Memória, Arte, Comunicação e Cultural de

Mariana. O periódico tem o objetivo divulgar

artigos, entrevistas sobre a cidade de Mariana.

A revista é uma vitrine para publicação de trabalhos

de pesquisadores. Mostrar a cultura de uma

forma leve, histórias e curiosidades que marcaram

estes 321 anos da primeira cidade de Minas.

Mariana - Revista Histórica e Cultural Revista

Belas Artes é um passo importante para a

divulgação e pesquisa de conteúdos sobre a

cidade de Mariana. Esperamos que os textos

publicados contribuam para a formação de uma

consciência de preservação e incentivem a

pesquisa.

Os conceitos e afirmações contidos nos artigos

são de inteira responsabilidade dos autores.

Colaboradores:

Prof. Cristiano Casimiro,

Prof. Vitor Gomes,

Prof. Paulo Castagna,

Agradecimentos:

Arquivo Histórico da Câmara de Mariana

IPHAN - Escritório Mariana

Arquivo Fotográfico Marezza

Museu da Música de Mariana,

Bruna Santos

Sandra Aparecida dos Reis

Thalia Aparecida Gonçalves

Fotografias:

Thalia Gonçalves, Cristiano Casimiro, Vitor Gomes,

Márcio Souza e César do Carmo

Diagramação e Artes: Cristiano Casimiro

Capa: Sacada da Casa do Barão de Pontal- Mariana -MG

Associação Memória Arte Comunicação e Cultura

CNPJ: 06.002.739/0001-19

Rua Senador Bawden, 122, casa 02


Índice

PERSONALIDADE - José Pereira Arouca

04

RELIGIOSIDADE - Semana Santa em Mariana

12

CULTURA - O Legado de Roque Camello

20

PATRIMÔNIO - Pedra Sabão

22

Cristiano Casimiro


José Pereira

AROUCA

O homem que construiu Mariana

Arte : Cristiano Casimiro


05

José Pereira Arouca

O

De acordo com o historiador

marianense Diogo de Vasconcelos, as

primeiras capelas dos arraiais mineiros

eram feitas em taipa e cobertas por folhas.

Logo, porém, mestres canteiros chegados do

Douro e do Minho, entre as levas de

portugueses do Norte, cuidaram de talhar

degraus, pórticos, vergas e cunhais,

coruchéus, mísulas de púlpito, pias, lavabos e

carrancas para a requintada evolução dos

templos e casa. Os mestres, do norte de

Portugal, transplantaram modelos portugueses

facilmente adaptados em razão da abundância

de matéria prima (o quartzito).

Em Minas Gerais, a arte foi implantada por

influência de pedreiros e canteiros portugueses

e adquiriu peculiaridades graças ao uso das

rochas locais e à criatividade dos mestres e oficiais

portugueses e nativos, marcando presença

na arquitetura setecentista e ajudando a compor

o belo e original acervo que caracteriza o

Barroco Mineiro.

Por se tratar de uma técnica relativamente

onerosa de construção, a cantaria teve

desenvolvimento nas vilas e cidades ligadas às

riquezas do século XVIII, ou seja, à mineração

do ouro e às atividades mercantis. Assim, os

mais completos conjuntos arquitetônicos

encontram-se em Ouro Preto, Mariana, São

João del-Rei, Congonhas, São José Del-Rei

( Ti r a d e n t e s ) , l o c a i s d e m o r a d a d e

governadores, bispos, nobres, autoridades

m i l i t a r e s , f a z e n d e i r o s e d e s t a c a d o s

negociantes.

Dentre as antigas vilas do ouro que tiveram sua

arquitetura marcada pela arte canteira, Mariana

e Ouro Preto são as que mais se destacam pela

quantidade e qualidade de suas obras. Em

substituição à pedra lioz (calcário português),

tipo de rocha empregado na cantaria

portuguesa, a cantaria desta região de Minas

desenvolveu-se com o emprego do quartzito,

conhecido na época por itacolomito, por ser

retirado da Serra do Itacolomi (ita corumim) e o

Esteatito. Essas rochas eram consideradas de

excelente qualidade para uso de cantaria.

Cristiano Casimirio

Casa Capitular Obrad de José Pereira Arouca


Arte : Cristiano Casimiro

06

entre as antigas vilas do ouro, cuja

Darquitetura é marcada pela presença da

cantaria, Mariana e Ouro Preto se

destacam pela quantidade e qualidade de suas

obras. Com o emprego do itacolomito, a cantaria

ganhou formas, cores e texturas na região, mas é

importante ressaltar a utilização de outras

rochas, como o quartzo-clorita-xisto, que está

p r e s e n t e , p a r t i c u l a r m e n t e , n a s o b r a s

arrematadas por José Pereira Arouca.

Nas Minas Gerais, um dos primeiros registros

que se tem de José Pereira Arouca data de 1753,

como aprendiz e fiador de outro grande construtor

colonial, José Pereira dos Santos, na obra da

Igreja de São Pedro dos Clérigos de Mariana.

Desde então, José Pereira Arouca ficou ligado à

história administrativa, urbanística e arquitetônica

de Mariana e região.

Em Mariana, desempenhou trabalhos na Igreja

de São Francisco de Assis (entre 1762 e 1797,

construiu o corpo e as partes constituintes da

referida igreja, mudando o projeto original), Igreja

de São Pedro dos Clérigos (em 1753, como fiador

das obras), na Catedral da Sé (entre 1763 e

1789), Igreja de Nossa Senhora do Carmo (1762)

e Igreja do Bom Jesus (distrito de Furquim).

Paralelamente à construção de templos,

dedicou-se às obras públicas e privadas,

participou da construção e conserto de diversas

pontes; em 1770 arrematou as obras da Casa

Capitular; construiu e consertou diversos

chafarizes (além do reparo de um aqueduto);

participou de várias obras no Palácio dos Bispos

e no Seminário de Nossa Senhora do Boa Morte,

fez e reformou várias calçadas (além de outras

obras de infraestrutura. Em 1782 foi encarregado

de dirigir as obras da estrada entre Mariana e

Vila Rica, reconstruída a mando do governador

de então, Dom Rodrigo José de Meneses.


07

Vitor Gomes

Obra de José Pereira Arouca a Igreja de São Francisco de Assis em

Mariana e um dos mais belos exemplares da arquitetura religiosa barroca.

Arrouca era Irmão da Ordem Terceira de São Francisco e foi enterrado na

igreja em 22 julho de 1795.


Interior da Igreja de Bom Jesus do Monte em Furquim.

Obra José Pereira Arouca

Cristiano Casimirio


09

Casão construído por José pereira Arouca para sua residência. Atual sede do Marianense FC.

J

José Pereira Aroura foi eleito Juiz do Ofício de Pedreiro em 1762 (reeleito novamente em

1772 e 1774). Em 1764 foi eleito Juiz do Ofício de Carpinteiro. Em 1780 foi nomeado Porta

Estandarte da Segunda Companhia do Primeiro Regimento Auxiliar de Mariana e neste

mesmo ano tesoureiro da Câmara de Mariana. Em 1781, recebeu a patente de Alferes de Ordenança

do distrito de Morro de Santana. Em 1787 era Administrador da Renda das Aferições, por

conta do Senado da Câmara. Residiu na rua dos Cortez e residiu na rua Direita.

Cristiano Casimirio

Casão construído por José Pereira Arouca para sua residência. Posteriormente foi a Casa do Barao de Pontal


Um dos exemplares mais importantes da arquitetura colonial mineira, a Casa de Câmara e Cadeia de

Mariana foi projetada em 1768 e ficou pronta em 1798, quando começou a ser utilizada. Sede da

administração e da justiça, foi construída em um local nobre da cidade. A arquitetura da Câmara de Mariana

assemelha-se às muitas quintas nobres de Portugal.


Coube a José Pereira dos Santos o desenho arquitetônico e a arrematação da obra ficou por conta de José

Pereira Arouca. Segundo o historiador Diogo de Vasconcelos, Arouca foi um dos melhores e mais poderosos

empreiteiros dos setecentos nas principais vilas do ouro .

Cristiano Casimiro


César do Carmo


13

“Semana Santa” surgiu já nos primórdios do

cristianismo quando as comunidades cristãs

em Jerusalém se reuniam, na Sextafeira

e no Sábado, mediante rigoroso

jejum, recordando o sofrimento e a morte

de Jesus, ou seja, rememorando “os dias

em que nos foi tirado o esposo” (diebus in

quibus ablatus est sponsus: Cf. Mt 9,15;

Mc 2,20). Dessa forma, se preparavam

para a festa da Páscoa, no Domingo, em

que celebravam a memória da ressurreição

de Jesus.

Posteriormente, a observância do jejum

passou a ser praticada também na Quartafeira

para lembrar o dia em que os chefes

judaicos decidiram prender Jesus, isto é,

“porque nesse dia começaram a tramar a

morte do Senhor” (propter initum a Iudaeis

consilium de proditione Domini: Cf. Mc 3,6;

14,1-2; Lc 6,11; 19,47; 20,19a; 22,2).

Tudo isto ocorria mais fortemente em Jerusalém

porque provavelmente ali permaneciam

mais vivas as lembranças dos últimos

dias de Jesus. Essas solenidades passaram

a ser imitadas pelas Igrejas do Oriente

e depois pelas Igrejas europeias. Esses

dias eram também de descanso para

todos os servos e escravos. Em algumas

Igrejas em Jerusalém eram celebradas

todas as noites vigílias solenes com orações

e leituras bíblicas, e com a celebração

da Eucaristia. Em meados do Século

III, já se observava o jejum em todos os

dias da Semana Santa.

A importância da Semana que antecede a

festa da Páscoa está evidenciada claramente

através dos diversos nomes dados

a essa época litúrgica ao longo dos primeiros

séculos: “Hebdomada Paschalis” (Semana

da Páscoa); “Hebdomada Authentica”

(Semana “sem comparação” ou que

“tem uma importância toda sua, em si e por

si mesma”); “Hebdomada Maior” (Semana

Maior); e, por fim, “Hebdomada Sancta”

(Semana Santa). As cerimônias litúrgicas

particulares da Semana Santa começaram

a desenvolver-se a partir do século IV.

Rituais do século XVIII permanecem vivos

nas cerimônias de Mariana, com a mesma

naturalidade que marca a integração da

comunidade na cidade colonial. A Guarda

Romana bate suas lanças nas pedras das

ladeiras, a Verônica sobe no pequeno

mocho para cantar em latim e mostrar o

sudário com o rosto de Cristo.


César do Carmo


15

OTríduo Pascal corresponde aos três

últimos dias da Semana Santa (que

celebra os episódios narrados nos

Evangelhos, entre a entrada triunfal de Jesus

em Jerusalém e a Ressurreição de Cristo), e

esses três dias (Quinta-feira, Sexta-feira e

Sábado Santos) são, respectivamente, relacionados

à Santa Ceia na quinta-feira - por isso

denominada "Feria Quinta in Cœna Domini"

(Quinta-Feira Santa na Ceia do Senhor) - a crucifixão

na "Feria Sexta in Parasceve" (Sextafeira

na Paixão) e o Sábado no enterro e Ressurreição

de Cristo, preparando o Domingo de

Páscoa ou da Ressurreição, que celebra intensamente

o episódio máximo do cristianismo.

Afora o Ofício de Trevas (Matinas e Laudes),

geralmente celebrado na noite de quarta-feira,

mas que pertence à liturgia da Quinta-feira Santa,

a quinta-feira Santa inclui as seguintes celebrações,

todas elas acompanhadas de repertório

musical específico:

1. Missa Comemorativa da Ceia do Senhor

2. Bênção dos Santos Óleos

3. Procissão de transladação do Santíssimo

Sacramento

4. Lava-pés (Mandato)

Existe uma grande quantidade de obras escritas

no Brasil para o Tríduo Pascal (entre elas as

composições para a Quinta-feira Santa), assim

como vários trabalhos em tela, entre eles a

conhecida "A Última Ceia" do pintor marianense

Manoel da Costa Ataíde, sua última obra,

feita em 1828 para o Colégio do Caraça (Santa

Bárbara - MG).

Entre as inúmeras obras que existem no Museu

da Música de Mariana para esta ocasião, apresentamos

aqui esta composição anônima do

século XVIII para o Gradual e Ofertório da

Missa de Quinta-feira Santa.

O que são os “Ofícios de Trevas”?

Para responder esta questão, vamos relembrar

as oito horas canônicas, celebradas principalmente

em mosteiros e catedrais desde a Idade

Média:

00h00 - Matinas

03h00 - Laudes

06h00 - Prima

09h00 - Tercia

12h00 - Sexta

15h00 - Nona

18h00 - Vésperas

21h00 - Completas

No Tríduo Pascal (os três últimos dias da Quaresma

e da Semana Santa: Quinta-feira Santa,

Sexta-feira Santa e Sábado Santo ou de Alleluia),

desde a Idade Média, as Matinas e Laudes

foram abertas para a frequência publica e suas

dimensões cresceram tanto a ponto dessas

duas cerimônias fundirem-se em uma só, que

passou a ser chamada de “Ofício de Trevas”.

Mas por que “de Trevas”?

O emprego da palavra “Trevas”, nesta dupla

cerimônia, é alusivo ao episódio narrado no

quinto Responsório das Matinas de Sexta-feira

Santa - “Tenebræ factæ sunt, dum crucifixissent

Jesum” (Fizeram-se as trevas quando crucificaram

Jesus), extraído de Mateus 27, 45 - e também

à escuridão que se produz na igreja ao

serem apagadas as velas do candelabro, para

simbolizar a escuridão (uma tempestade ou

eclipse solar) que se abateu em Jerusalém da

“hora sexta” (atualmente meio dia) à “hora

nona” (hoje 15h00), quando Jesus foi crucificado

(Mateus 27, 45; Marcos 16, 33; Lucas 23,

44), além da dor pela sua morte e a fuga dos

Apóstolos. Ao final de cada um dos Salmos

(que são nove nas Matinas e cinco nas Laudes),

o acólito apaga uma das velas, à exceção

da superior (que representa Cristo), escondida

atrás do altar após o canto do Benedictus. Terminada

a Oração “Respice quæsumus, Domine”,

a liturgia tridentina solicita que os assistentes

produzam um forte ruído com os pés (destinado

a simbolizar, segundo alguns, a ressurreição

e, segundo outros, o sentimento pela morte

de Jesus). Esta é a “rubrica”, ou seja, a instrução

referente ao ruído que os fiéis são solicitados

a produzir nas Laudes: “Terminada a Oração,

deve-se produzir fragor e estrépito durante

um certo de tempo; logo depois, a vela acesa

será levada para baixo do Altar e então todos se

levantam e, em silêncio, se vão”.

O simbolismo do Ofício de Trevas foi uma das

razões que motivou sua antecipação, já na

Idade Média, da madrugada para a tarde anterior

(além de facilitar o concurso dos fiéis), pois à

extinção das velas correspondia também a

extinção da luz solar, com o final das Laudes em

plena noite. Por isso, o Ofício de Trevas da Quinta-feira

Santa passou a ser cantado na tarde/noite

de quarta-feira, ocorrendo o mesmo

para os demais dias do Tríduo Pascal.


César do Carmo


17

"Feria Sexta in Parasceve" (Sexta-feira na

Paixão), do ponto de vista da quantidade e

duração, é o dia mais intenso das cerimônias

da Semana Santa e mesmo de todo o ano litúrgico,

e cujas celebrações referem-se principalmente

à crucifixão e morte de Jesus Cristo,

que também foi o tema desta composição de

estátuas construídas pelo Aleijadinho e pintadas

por mestre Ataíde para um dos passos do

Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, de

Congonhas do Campo.

As cerimônias públicas da Sexta-feira Santas

mais freqüentes no Brasil, desde pelo menos o

século XVIII, são as seguintes:

1. Ofício de Trevas (Matinas e Laudes)

2. Missa dos Catecúmenos

3. Adoração da Cruz

4. Procissão ao Santíssimo Sacramento

5. Procissão do Enterro

Muitos são os atrativos das cerimônias desse

dia, como a celebração com a igreja às escuras,

o canto dos Salmos e das Lições das Matinas

por meio das fórmulas ou "tons" apropriados

para cada um deles. Outro desses atrativos

é a Paixão de São João, cantada por três

padres, no altar e nos púlpitos, com a participação

do coro polifônico no fundo da igreja.

A “Procissão do Enterro”

Na noite de Sexta-feira Santa é celebrada, no

mundo lusófono, uma cerimônia conhecida

como “Procissão do Enterro”, que consta de

uma encenação do descendimento de Cristo

da cruz e seu enterro no Santo Sepulcro.

Originada na Diocese de Braga (Portugal) em

fins da idade Média, a Procissão do Enterro foi

concebida como uma intensa teatralização

das cenas relacionadas à morte.

De Portugal, a Procissão do Enterro difundiuse,

a partir do século XVI, para as colônias portuguesas

da Ásia, África e América, principalmente

devido à atuação missionária jesuítica.

O primeiro registro conhecido desta cerimônia,

fora de Portugal, ocorreu em Goa (Índia), no

ano de 1558, mas, na mesma região, os jesuítas

descreveram minuciosamente a Procissão

do Enterro na Sexta-feira Santa de 1576:

“Faz-se esta procissão desta maneira: que à

noite que precede a Sexta-feira se arma um

sepulcro todo coberto de negro, muito bem

feito, e depois de acabada a missa, à Sextafeira,

saem todos os padres e irmãos em procissão

da sacristia, com a fralda do manto

sobre a cabeça, com que fica cobrindo a cabeça

à maneira de dó; e outros seis padres, vestidos

com alvas e cobertas as cabeças e os rostos

com os amictos, trazem uma tumba coberta

de veludo preto, diante da qual vão uns

anjos com os mistérios da paixão e, após eles,

dois coros de apóstolos e, detrás da tumba, um

coro das Marias, os quais se representam

pelos meninos de casa e alguns outros cantores

da nossa capela. Estes todos vão cantando

uns versos da Sagrada Escritura a propósito

do que se representa, ora cantando uns, ora

respondendo outros, com as vozes tão lacrimosas

e tristes e com um Heu! Heu! Domine!

Salvator noster!, que respondem as Marias,

que bastam para quebrar os corações.”

IA música da Procissão do Enterro envolve o

canto coral Heu! Heu! Domine! Salvator noster!

(que popularizou-se como o "Canto das

Três Marias" ou das "Beús"), assim como o

"Canto da Verônica" O vos omnes.

Vale a pena presenciar a Procissão do Enterro

na noite de hoje e observar uma cerimônia

medieval ainda em prática no século XXI.A

César do Carmo


18


19

A Procissão do Enterro de Sexta-feira Santa,

depois de ter sido criada em Braga (Portugal),

em fins da Idade Média, recebeu uma nova

unidade funcional, provavelmente no século

XVI: consiste em um canto monódico por uma

única pessoa (que até o século XIX era um cantor

masculino) e que representa as lendas medievais

da Verônica, costume que perdura até o

presente em inúmeras cidades brasileiras.

Em pleno século XVI já existia a exposição,

durante a Procissão do Enterro, de um pano

com a imagem de Jesus, denominado “Verônica

de Cristo”, “Verônica do Senhor” ou, simplesmente,

“Verônica”. Foi o jesuíta Fernão Cardim,

escrivão do Padre Visitador Cristóvão de Gouveia,

da Companhia de Jesus, quem apresentou

a primeira notícia conhecida dessa prática no

Brasil, na Sexta-feira Santa celebrada no Colégio

Jesuítico de Salvador, em 30 de março de

1584:

“Tornando à Quaresma em nossa casa, tivemos

um devoto e rico sepulcro. A Paixão foi tão bem

devota, que concorreu toda a terra; os Ofícios

Divinos se fizeram em casa com devoção. Sexta-feira

Santa, ao desencerrar do Senhor, certos

mancebos [indígenas] vieram à nossa igreja;

traziam uma Verônica de Cristo mui devota, em

pano de linho pintado, dois deles a tinham e juntamente

com outros dois se disciplinavam,

fazendo seus trocados e mudanças. E como a

dança se fazia ao som de cruéis açoutes, mostrando

a Verônica ensanguentada, não havia

quem tivesse as lágrimas com tal espetáculo,

pelo que foi notável a devoção que houve na

gente.”

Não existe nenhuma menção à Verônica na

Bíblia e existiram pelo menos duas versões em

torno dessa palavra, encontradas somente na

tradição e em Evangelhos apócrifos, principalmente

os "Atos de Pilatos": 1) uma mulher chamada

Verônica teria pintado ou mandado pintar

um retrato de Jesus em um pano; 2) carregando

a cruz pela Via Dolorosa em direção ao Calvário,

no caminho para a crucifixão, Verônica teria

oferecido seu véu para que Jesus enxugasse o

rosto, nele sendo impressa sua imagem, véu

esse levado para Roma no ano 700 e depositado

junto às relíquias de São Pedro. Alguns acreditam

que essa lenda esteja relacionada ao

"Mandylion" (ou "Imagem de Edessa"), ao Sudário

de Oviedo e mesmo ao Santo Sudário de

Turim. Ao que tudo indica, no entanto, o nome

Verônica resultou da expressão antiga "vero

eikon" - verdadeira imagem - que designava não

exatamente uma pessoa, mas uma pintura ou

representação do rosto de Jesus.

O Canto da Verônica surgiu em meio à Procissão

do Enterro de Sexta-feira Santa e a partir

dessas lendas, mas com dois significados distintos

para a palavra Verônica: 1) a imagem de

Jesus; 2) a mulher que, de alguma forma, elaborou

ou obteve a imagem de Jesus. No século

XVIII, essa melodia ainda era cantada por um

homem, já que ainda existiam restrições em relação

à participação de mulheres na música religiosa.

O mais antigo registro dessa prática portuguesa,

até agora localizado, está no Manual da

Semana Santa (1775), de Francisco de Jesus

Maria Sarmento, no qual a palavra Verônica

designa a imagem de Jesus e a melodia é prescrita

a um cantor masculino. O texto sugere que

o Canto da Verônica seria inserido na primeira

parte da cerimônia (a procissão propriamente

dita), em meio ao canto alternado dos tiples e do

coro, sendo proferido logo após o Heu! Heu!

Domine!:

“Canta-se com voz terna o que vem a dizer: Ai!

Ai! Senhor! Ai! Salvador nosso! E o que mostra a

Verônica do Senhor, diz assim: Ó vós todos, que

passais pelo caminho desta vida, vede e reparai,

se há dor se- melhante à minha dor?”

O Canto da Verônica - desprovido de qualquer

acompanhamento instrumental - utiliza o texto

latino “O vos omnes, qui transitis per viam, attendite

et videte si est dolor similis sicut dolor meus”

(acima traduzido por Francisco de Jesus Maria

Sarmento) e as melodias até hoje conhecidas

são quase sempre derivadas da estética operística

italiana dos séculos XVIII e XIX. O recibo

mais antigo até o momento encontrado de uma

atuação profissional para o Canto da Verônica,

no Brasil, está no Livro de Despesas (1768-

1819) da Irmandade do Santíssimo Sacramento

da Vila do Príncipe do Serro do Frio (MG), onde

nasceu Lobo de Mesquita: trata-se do pagamento

a um cantor em 15 de maio de 1779, no

qual a palavra Verônica designa o personagem

e não o retrato de Jesus: “A Vicente Luno de

Mendonça, de cantar o contralto nas domingas

e Semana Santa e fazer o papel de Verônica na

Procissão do Enterro do Senhor.”


Roque Camello

Empresário, advogado e professor, formado

em Letras e Direito pela UFMG, Roque

Camêllo é marianense, nascido em berço

pobre, chegando a ser engraxate na porta da

Catedral da Sé em Mariana.

Estudou no Seminário de Mariana, depois

cursou Direito em Belo Horizonte onde foi professor

de Latim e Português. Nesta época,

com apenas 18 anos (1961), foi eleito vereador

em Mariana, liderou a troca da Cia Força e

luz de Mariana para CEMIG. Em 1979 juntos

com um grupo de marianenses realizou o

Encontro de Desenvolvimento de Mariana

(EDEM I) para discutir o a preservação do

patrimônio histórico de Mariana e as consequências

da Mineração na expansão da cidade.

Uma das consequências do EDEM I foi

construção da Estrada de Contorno para preservar

o centro histórico da cidade dos veículos

pesados consequência da implantação da

planta de Mineração em Mariana, a revitalização

do centro histórico de Mariana com a colocação

do pelourinho na Praça Minas Gerais.

Roque Camêllo foi o proponente, em 1979, do

projeto que instituiu o DIA DO ESTADO DE

MINAS GERAIS, comemorado em todo o território

mineiro em 16 de Julho, data coincidente

com o aniversário de Mariana, primeira vila

e primeira Capital de Minas.

Membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico

de Minas Gerais, cadeira 66, tendo

como patronese a princesa Isabel. Dedicou

sua vida à preservação do patrimônio de Mariana

e de Minas. Foram inúmeras suas contribuições

para a preservação da memória e

promoção da cultura mineira. Presidente da

Academia Marianense de Letras, foi diretor

da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese

de Mariana (FUNDARQ), pela qual

foi responsável pelo restauro do Órgão Arp

Schnitger da Catedral de Mariana, pelo restauro

do Santuário Nossa Senhora do Carmo,


Uma vida dedicada a cultura de Mariana e de Minas

que foi consumido por incêndio em 1999, e

pelo Antigo Palácio dos Bispos, onde funciona,

atualmente, o Museu da Música de Mariana.

Pela FUNDARQ, vem conduzindo, com

uma equipe de arqueologia e arquitetura, a

reconstrução e a revitalização dos jardins históricos

desse palácio.

Roque Camêllo participou de inúmeras atividades

culturais e intensa participação em entidades

em Minas e em outros estados em prol

da Cultura, História e do Patrimônio Artístico

de Minas.

Em 2004, após um pedido de dom Luciano

retornou à política como vice-prefeito entre

2004 a 2008. Candidatou-se a prefeito, venceu

as eleições e assumiu a prefeitura em

2009. Ficou no cargo até março de 2010,

quando foi afastado por decisão do Tribunal

Superior Eleitoral (TSE).

Um dos seus últimos trabalhos foi o livro “Mariana:

assim nasceram as Minas Gerais –

uma visão panorâmica da história”. A obra

traz uma visão inédita de fatos nunca antes

revelados sobre diversas passagens da história

de Minas Gerais que tiveram origem em

Mariana. Entre eles, a primeira luta pela liberdade;

a primeira lei de caráter ambiental do

Brasil; o bispo da Igreja Católica que lutou

contra a escravidão; o surgimento do conceito

de “preservação do patrimônio”, e dos museus

em terras brasileiras; e a história de figuras

ilustres como Manuel da Costa Atayde, Cláudio

Manuel da Costa, Frei Santa Rita Durão,

Diogo de Vasconcelos, dentre tantos outros.

Agora, Roque Camêllo entra para a história

de Mariana como um homem que lutou,

incansavelmente, pela cultura, história e

desenvolvimento da primeira cidade de

Minas.


“Nasci e cresci não apenas numa cidade encravada no interior do país, mas no meio da

história de Minas e do Brasil. Quando visito Mariana e me deparo com esse lugar que meu

amigo Roque aqui descreve com o talento do intelectual que é, sinto não apenas os

cheiros e a lembrança dos amigos e parentes que lá deixei, mas respiro um ar que parece

vivo, que parece poder ser tocado com as mãos. ”

Fernando Morais

Arquivo Câmara Municipal de Mariana


22

Pedra Sabão, expresão da arte em Perdas

Cristiano Casimiro


Pedra Sabão

23

Pedra de sabão: Uma rocha metamórfica

que consiste principalmente de talco

com quantidades variáveis de outros

minerais, como micas, clorito, pirita, piroxênios

e carbonatos. É uma rocha

macia, densa e resistente ao calor que

tem uma elevada capacidade calorífica

específica. Estas propriedades torná-lo

útil para uma ampla variedade de usos

arquitetônicos, práticos e artísticos.

História Pedra Sabão

Há registros da extração pedra-sabão

há milhares de anos. O Irã foi um grande

produtor e distribuidor de pedra sabão já

em 500 AC e a pedra sabão tem sido um

material escolhido por escultores na

Índia por centenas de anos. A pedra

sabão foi usada pelos primeiros nativos

americanos para fazer ferramentas de

uso diário como taças, placas de cozinha

e cachimbos.

O povo da Escandinávia começou a

usar pedra-sabão durante a Idade da

Pedra e ajudou-os a entrar na Idade do

Bronze quando descobriu que poderia

ser facilmente esculpir em moldes para

fundição de objetos metálicos, como

lâminas de faca e pontas de lança. Eles

estavam entre os primeiros a descobrir

a habilidade da pedra-sabão para

absorver o calor e irradiá-lo lentamente.

Essa descoberta os inspirou a fazer

panela.

Em Minas Gerais há registro de mais de

300 anos de uso de pedra sabão, tanto

por nativos indígenas, como os primeiros

colonizadores. Com o passar do tempos

os artístas e artesão do Sec.XVII e

Sec XVII tornaram a pedra sabão uma

das maiores expressões do barroco.


24

O que é pedra de sabão?

Pedra de sabão é uma rocha metamórfica que é

composta principalmente de talco, com quantidades

variadas de clorita, micas, anfibólio, carbonatos

e outros minerais. Porque é composto

principalmente de talco é geralmente muito

macio. É tipicamente cinza, azulado, verde, ou

marrom na cor, frequentemente variável. Seu

nome é derivado de sua sensação de "sabão" e

suavidade.

O nome "pedra-sabão" é frequentemente usado

de outras maneiras. Os mineiros e os perfuradores

usam o nome para toda a rocha macia que é

escorregadia ao toque. No mercado de artesanato,

esculturas e objetos ornamentais feitos de

rochas macias como alabastro ou serpentina

são muitas vezes dito ser feito de "pedrasabão".

Muitas pessoas usam o nome "esteatita" indistintamente

com "pedra-sabão". No entanto,

algumas pessoas reservam o nome de "esteatita"

para uma pedra de sabão não folhada de

grão fino que é quase 100% talco e altamente

adequado para escultura.

Propriedades físicas da pedra de sabão:

Pedra Sabão é resistente ao calor e não queima.

Isso faz com que seja uma excelente cobertura

de parede atrás de fogões a lenha e fornos.

Lareiras também são revestidas com pedrasabão

para criar uma lareira que rapidamente

absorve o calor e irradia-lo muito tempo depois

que o fogo está fora. Esta propriedade de pedrasabão

foi reconhecida na Europa mais de 1000

anos atrás, e muitas lareiras antigas foram

revestidas com pedra-sabão.

Estas propriedades físicas úteis incluem:

Ÿ suave e muito fácil de esculpir

Ÿ não poroso

Ÿ Não absorvente

Ÿ Baixa condutividade elétrica

Ÿ resistente ao calor

Ÿ alta capacidade calorífica específica

Ÿ resistente a ácidos

Como é usada?

As propriedades especiais da pedra-sabão torná-lo

adequado, ou o material de escolha, para

uma ampla variedade de usos como:

Bancadas em cozinhas e laboratórios

Panelas de cozinha, placas de cozinha, pedras

ferventes

Ÿ Taças e pratos

Ÿ Marcadores do cemitério

Ÿ Painéis elétricos

Ÿ Esculturas ornamentais e esculturas

Ÿ Forros e lareiras para chaminés

Ÿ Fornos de lenha

Ÿ Azulejos e ladrilhos de parede

Ÿ Pedra de revestimento

Ÿ Aquecedores de cama

Ÿ Marcação de lápis

Ÿ Moldes para fundição de metais

Ÿ Pedras frias

Cristiano Casimiro

Pia da Sacristia

Igreja bom Jesus do Monte de Furquim


Como curar uma panela de pedra

25

A panela de pedra sabão é pesada, podendo

variar com tampa, de 2 a 3 kg. Ela é antiaderente

naturalmente, o que facilita sua higienização

(limpeza) e termicamente considerada

inerte, ou seja, demora para aquecer e

para esfriar o alimento. Sua utilização pela

população local baseia-se no preparo de

feijão, arroz, carnes, angu, ensopados e frituras.

Porém, não é recomendado a técnica

de fritura neste tipo de panela pois a degradação

do óleo ocorre mais rapidamente, formando

compostos prejudiciais ao organismo.

Em caso de fritura, o óleo deve ser dispensado.

A técnica de cura da panela crua é um procedimento

recomendado neste tipo de material

e consiste em untar todo o utensílio com óleo

vegetal refinado na parte interna e externa,

encher o recipiente com água em temperatura

ambiente e leva-la ao forno na temperatura

de 200ºC por 2 horas. Em seguida, desligar

o forno e apenas retira-lo quando estiver

resfriado, repetindo o procedimento antes do

primeiro uso.

A limpeza deve ser efetuada com atenção,

nunca armazenando-a úmida, sendo indicado

a chama do fogo como método de garantia.

O cuidado para que resíduos de sujeira

não fiquem retidos nos poros contribui no

aspecto de segurança alimentar.

Destaca-se o mito das panelas em pedra

sabão são melhores para a ingestão dos

minerais cálcio e ferro. No entanto, este fato

não é comprovado, embora as análises relataram

a migração dos minerais cálcio, magnésio,

ferro e manganês ao alimento, sendo

o níquel em elevado grau apenas se a panela

não estiver curada. O níquel também foi identificado

no alimento, que é mantido por certo

tempo em contato com a panela curada.

Dessa forma não é recomendada a utilização

desta panela para o armazenamento de

alimentos por mais de 24 horas.


26

Thalia Gonçalves

Gegê Barbudo

No torno movido à água


27

Pedra Sabão em Cachoeira do Brumado

Thalia Gonçalves*

Há aproximadamente 200 anos iniciou-se a fabricação das panelas de

pedra-sabão no distrito de Cachoeira do Brumado, Mariana-MG, que

na atualidade viria a consagrar a comunidade no pioneirismo da produção

do artesanato, homologando em 2015 o modo de fazer as panelas

de pedra com o título de Patrimônio Imaterial de Mariana. Segundo

Geraldo Teixeira, que aos 65 anos é o artesão mais velho da comunidade,

as primeiras panelas de pedra-sabão foram feitas utilizando apenas

uma ferramenta semelhante a uma machadinha, realizando todo o

trabalho de modelagem e acabamento do artesanato com as mãos.

A expansão da venda por várias cidades mineiras e nacionais pelos

tropeiros, homens que conduziam tropas de cavalos para vender seus

produtos, consolidou a importância da venda do artesanato, juntamente

com os tapetes de sisal, para o sustento das famílias cachoeirenses.

Em homenagem a esses homens, o senhor Mário Ramos Eleutério,

filho e neto de tropeiro, inaugurou em 2014 o “Memorial Antônio Pedro

Eleutério” a fim de manter viva, para as gerações futuras, a memória

desses senhores que são personagens marcantes para a história do

distrito. No Memorial, além de uma galeria de fotos dos tropeiros da

comunidade é possível ver também objetos como arreios, ferraduras,

capas, utensílios domésticos entre outros itens usados por eles em

suas viagens.

Ao decorrer dos anos, o ofício passado de geração a geração, foi se

firmando em Cachoeira do Brumado e novas técnicas foram sendo

implantadas pelos artesãos no processo de produção, deixando de ser

feitas com machadinhas para serem fabricadas em tornos movidos à

água. Esses tornos são uma espécie de motor que fica acoplado a um

moinho, que gera energia a partir da água. Assim, o bloco de pedrasabão

que está preso no equipamento irá girar, facilitando na modelagem

da rocha, enquanto recebe os acabamentos e detalhes pelo artesão.

Hoje há apenas um torno movido à água em funcionamento no distrito,

pertencente ao artesão Geraldo Teixeira, o Gegê Barbudo . Localizado

próximo à queda d'água o local é também um ponto de visita dos turistas,

que curiosos, visitam o local para verem de perto como são feitas

as panelas de pedra. Apesar da idade avançada, o senhor Geraldo continua

a fabricar o seu artesanato, produzindo cerca de uma carga – jogo

de dezesseis panelas, que era o peso que os burros suportavam carregar

no passado – por dia. “Eu faço por amor à minha Terra”, afirma.

Além das panelas de pedra, atualmente a pedra-sabão é também utilizada

na fabricação de formas de pizza e lasanha, grelhas, churrasqueiras,

panelas de pressão, reachaud, pilão, adornos, filtro, barril para

pinga, entre outros objetos que são comercializados em todo país.

*Estudante de jornalismo


28

Curiosidades

Pedra Sabão é resistente ao calor e não queima.

Isso faz com que seja uma excelente cobertura de

parede atrás de fogões a lenha e fornos. Lareiras

também são revestidas com pedra-sabão para criar

uma lareira que rapidamente absorve o calor e

irradia-lo muito tempo depois que o fogo está fora.

Esta propriedade de pedra-sabão foi reconhecida

na Europa mais de 1000 anos atrás, e muitos

lareiras antigas lá foram revestidas com pedrasabão.

São pequenos cubos de pedra sabão que são

refrigerados e, em seguida, usado para resfriar um

copo com bebidas. Eles não derreterem e diluiem a

bebida. A Pedra Sabão tem uma capacidade

calorífica muito alta específica e muda a

temperatura muito lentamente, algumas pedras

podem manter uma bebida fria por 30 minutos ou

mais.

Nativos americanos usaram pedra-sabão para fazer

cachimbos. Eles usaram pedra-sabão porque é fácil

de esculpir e perfurar. Sua alta capacidade calorífica

específica permitia que o exterior do cachimbo tivesse

uma temperatura mais baixa do que o tabaco queimando

dentro.


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No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

No caminho do Mestre Canteiro

tinha uma pedra

No caminho da arte

tinha uma pedra

No meio do caminho,

a arte encontrou a pedra

A pedra tornou se arte e seguiu outros

caminhos...

Licença poética

Cristiano Casimiro

Cristiano Casimiro

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