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Edição: maio| junho de 2019
Edição: maio| junho de 2019
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Arturo Peruzzotti<br />
Georgina Alassia<br />
¿QUÉ PASA?<br />
O BRILHO DOS REINOS<br />
O amor pelas formas e pelos processos da natureza e o<br />
interesse pelas ciências naturais levaram a artista e escultora<br />
Celina Saubidet e a designer industrial Marina Molinelli Wells<br />
à fundação do estúdio Cabinet Óseo, dedicado à investigação<br />
da anatomia humana e à sua rematerialização em joias,<br />
esculturas e instalações. Grande parte de suas últimas obras e<br />
investigações foi exibida na mostra Reinos, no Museu Nacional<br />
de Arte Decorativo, em Buenos Aires, Argentina.<br />
Coube ao arquiteto e lighting designer argentino Arturo<br />
Peruzzotti a missão de iluminar a exposição, o que ele conta<br />
ter sido um processo complexo em decorrência das variadas<br />
escalas das obras expostas e também da arquitetura do<br />
museu, sediado em um antigo palácio de estilo francês, cujos<br />
salões amplos e de pé-direito alto são repletos de detalhes<br />
típicos do estilo e da época. Em resposta a esses desafios, o<br />
lighting designer propôs como conceito que o espaço fosse<br />
iluminado somente por meio da reflexão da luz incidente nas<br />
próprias obras, o que proporcionaria uma atmosfera dramática<br />
em decorrência do alto contraste resultante. “Era como se<br />
o museu estivesse fechado, apagado, e a mostra o tivesse<br />
invadido com seu brilho e seus reflexos”, relata Peruzzotti.<br />
Para isso, os sistemas de iluminação do museu foram<br />
desligados, e luminárias especiais foram desenvolvidas<br />
para cada um dos setores da exposição. No hall, as grandes<br />
esculturas orgânicas chamadas de Crisálidas foram destacadas<br />
individualmente por luzes pontuais fixadas nos próprios<br />
lustres existentes no museu. Por serem pintadas na cor<br />
branca, pareciam emitir luz própria, destacando-se em meio<br />
à penumbra do salão. Em oposição, no salão que costumava<br />
abrigar a sala de jantar do palácio, foram expostos os “Cristais<br />
de Memória” – frágeis recordações de viagens, como folhas<br />
secas e conchas, eternizadas por meio do processo de<br />
eletrólise, que as recobre e as funde a uma camada de cobre,<br />
transformando-as em joias. As peças foram exibidas em<br />
uma extensa mesa construída especialmente para a mostra,<br />
dotada de iluminação integrada em suas laterais. Objetos<br />
similares, em escala ligeiramente maior, foram expostos no<br />
Salão Fumoir dentro de cubos de vidro, cuja face superior foi<br />
pintada de branco, de maneira a difundir a luz zenital incidente,<br />
eliminando brilhos pontuais sobre as peças. A última sala<br />
da exposição foi preenchida com as Filigranas, constituídas<br />
de bronze e cobre, remetendo a vistas microscópicas dos<br />
tecidos que compõem o corpo humano. Buscando valorizar<br />
as sombras projetadas pelas esculturas sobre os suportes<br />
brancos de lã de alpaca aos quais estavam fixadas, as obras<br />
foram iluminadas de maneira pontual, por meio de projetores<br />
dotados de acessórios para controle do fluxo e da forma do<br />
facho, gerando sombras precisas. (D.T.)<br />
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