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Edição: maio| junho de 2019
Edição: maio| junho de 2019
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¿QUÉ PASA?<br />
DIMERIZANDO O SOL<br />
Leandro de Carvalho<br />
O combate ao crescente e urgente problema do<br />
aquecimento global pode ganhar um importante reforço<br />
neste ano, de acordo com um grupo de pesquisadores da<br />
Universidade de Harvard em Cambridge, Massachussets,<br />
Estados Unidos. Atuantes no segmento da Geoengenharia –<br />
que propõe a realização de intervenções climáticas de grande<br />
escala como atenuadoras dos efeitos do aquecimento global –,<br />
os cientistas pretendem, ainda na primeira metade de 2019,<br />
pulverizar a estratosfera terrestre com partículas de carbonato<br />
de cálcio, com a esperança de que possibilitem o resfriamento<br />
do planeta por meio da reflexão dos raios solares de volta ao<br />
espaço. A substância em questão nada mais é do que um pó<br />
branco que pode ser encontrado nos mais diversos produtos,<br />
como no papel, no cimento e até mesmo no creme dental.<br />
O experimento tem como base os acontecimentos que<br />
se seguiram à erupção do vulcão Monte Pinatubo, nas<br />
Filipinas, em 1991. O fenômeno injetou na estratosfera<br />
aproximadamente 20 milhões de toneladas de dióxido de<br />
enxofre, que causaram o resfriamento do planeta em torno<br />
de 0,5 °C por cerca de 18 meses. Os pesquisadores, no<br />
entanto, utilizarão uma substância diferente em razão dos<br />
danos que possivelmente o enxofre, ao ser aquecido pelos<br />
raios solares, causaria à camada de ozônio, o que poderia<br />
afetar ainda as massas de ar e a umidade.<br />
Estima-se que o chamado Experimento Controlado de<br />
Perturbação Estratosférica (SCoPEx) custará algo em torno<br />
de 3 milhões de dólares e envolverá o lançamento de dois<br />
dirigíveis a uma altura de 20 quilômetros sobre o sudoeste<br />
dos Estados Unidos, onde liberarão pequenas nuvens de<br />
carbonato de cálcio, com 100 gramas cada. Os cientistas então<br />
observarão a dispersão das partículas, com a esperança de que<br />
se espalhem e formem uma espécie de “cobertor refletivo”,<br />
diminuindo assim a intensidade dos raios solares que atingem<br />
a Terra, por meio da reflexão de parte deles.<br />
Os pesquisadores vêm enfrentando bastante resistência de<br />
grupos ambientalistas, que alegam que todo o esforço é apenas<br />
uma distração para a única solução permanente contra as<br />
mudanças climáticas: a redução da emissão dos gases do efeito<br />
estufa. Parte da comunidade científica também se apresenta<br />
temerosa pelo fato de os trabalhos de Geoengenharia existentes<br />
até o momento estarem restritos a simulações computacionais,<br />
o que faz com que as consequências do experimento sejam<br />
incertas. A substância em questão não existe na estratosfera,<br />
portanto não se sabe ao certo se resultará no efeito desejado.<br />
Entre os efeitos colaterais possíveis, estão a alteração nos<br />
padrões de chuvas e o sombreamento inadequado e prejudicial<br />
de áreas de plantações. (D.T.)<br />
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