*Maio / 2019 - Referência Florestal 207

jota.2016

ESPECIAL Condições ruins das estradas na região norte diminuem competitividade do setor florestal

ON TARGET

GETTING TO KNOW YOUR TARGET IS

THE PATH TO BETTER PROTECTION

IN FOREST DEVELOPMENT

NA MIRA

CONHECER O ALVO É O CAMINHO

PARA MELHOR PROTEÇÃO

DA CULTURA FLORESTAL

Maio 2019

9 77235 9 465 0 52 0 0 2 0 7

1


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SUMÁRIO

36

DECIFRANDO

O INIMIGO

MAIO 2019

08 Editorial

10 Cartas

12 Bastidores

14 Coluna Ivan Tomaselli

16 Notas

24 Biomassa

25 Frases

26 Entrevista

36 Principal

42 Especial

48 Ilpf

52 Silvicultura

56 Madeira Nativa

60 Academia e Pesquisa

64 Agenda

66 Espaço Aberto

42

56

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

07 Agroceres

34 Agroceres

21 Ambipar

29 Bracell

09 Carrocerias Bachiega

65 D’Antonio Equipamentos

68 Denis Cimaf

02 Dinagro

04 Emex

19 Engeforest

11 Envimat

47 J de Souza

33 Lignum Brasil

45 Log Max

65 Master Brasil

59 Mill Indústrias

63 Mill Indústrias

31 Nordtech

55 Potenza

23 Rotary-Ax

51 Rotor Equipamentos

15 Sergomel

67 TMO

13 Unibrás

61 Valfer Ferramentas

06 www.referenciaflorestal.com.br


0 0 2 0

EDITORIAL

Buraco na pista

Na reportagem especial desta edição abordamos as condições

das estradas brasileiras. Quem viaja sabe que elas não são lá estas

coisas. Mas também depende muito do trecho que se percorre. As

pedagiadas levam vantagem, normalmente. Para as indústrias que

escoam a produção do norte do país o caso é pior. Muitos locais são

intransitáveis no período de chuvas e mesmo durante a seca, quando

a terra está dura (veja que escrevi terra e não asfalto), os buracos

se multiplicam. Rodovias estaduais e federais usadas pelo setor

florestal em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do sul, também

apresentam graves problemas, são perigosas, cheias de curvas com

pistas simples e sofrem com tráfego intenso. É preciso investir seriamente

em logística e ampliar as opções de modais. O custo do

transporte e a morte nas estradas têm que diminuir. Acompanhe

também a pesquisa que explica o comportamento das formigas

cortadeiras e as melhores técnicas para o manejo da praga. Tenha

uma excelente leitura.

2

A segurança que o seu desafio

será cumprido e produtivo.

Para quem quer colocar a cabeça no travesseiro e dormir bem.

A alta tecnologia, produtividade, confiabilidade e baixa manutenção,

fazendo o seu investimento render muito mais!

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Assertividade no combate às

formigas cortadeiras com o

manejo adequado é o destaque

da capa desta edição, que leva

o selo da marca Atta-Kill

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXI • N°207 • Maio 2019

ESPECIAL Condições ruins das estradas na região norte diminuem competitividade do setor florestal

ON TARGET

GETTING TO KNOW YOUR TARGET IS

THE PATH TO BETTER PROTECTION

IN FOREST DEVELOPMENT

NA MIRA

CONHECER O ALVO É O CAMINHO

PARA MELHOR PROTEÇÃO

DA CULTURA FLORESTAL

9 7 7 2 35 9 4 65 0 5 2 7

HIGHWAY POTHOLES

In the special story in this issue, we discuss Brazilian road conditions.

Those that travel them know that they are not as they should

be. But they also rely heavily on the stretches that they travel. Usually,

the toll roads have an advantage. For companies that deliver

their output in the North of the Country, the case is worse. Many

places are impassable in the rainy season, and even sometimes during

the dry season, when the dirt is hard, potholes multiply (note I

wrote dirt and not asphalt). State and Federal highways used by

the Forest Sector in the States of Santa Catarina, Paraná, and Rio

Grande do Sul, also present serious problems; they are dangerous,

full of one lane curves with no shoulder, and suffer from heavy

traffic. It has become imperative to invest seriously in logistics and

amplify modal options. The shipping costs and deaths on the road

have to decrease. Also, read about the research that explains the

behavior of the leaf-cutting ants and the best techniques for pest

control management. Have a very pleasurable read.

Entrevista com

Eduardo

José de Mello

Melhora do material

genético

3

EXPEDIENTE

ANO XXI - EDIÇÃO 207 - MAIO 2019

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Redação / Writing

Rafael Macedo - Editor

editor@revistareferencia.com.br

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Ivan Tomaselli

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Fabiano Mendes

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Cartunista / Cartunist

Francis Ortolan

Depto. Comercial / Sales Departament

Gerson Penkal, Jéssika Ferreira,

Tainá Carolina Brandão

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Representante Comercial

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina

Knop

Depto. de Assinaturas / Subscription

Supervisão - Cassiele Ferreira

assinatura@revistareferencia.com.br

ASSINATURAS

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A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

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CARTAS

ESPECIAL Cabeçote Harvester - a importância de manter o equipamento em dia sem perder produtividade

A segurança que o seu desafio

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A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

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THOROUGH CLEARING

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Capa da Edição 206 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de abril de 2019

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19 3802.2742

Ano XXI • N°206 • Abril 2019

SILVICULTURA

Por Cristiano Nascimento dos Santos - Lages (SC)

As pesquisas na área do plantio florestal seguem avançando. Gosto de

saber as novidades desse setor, principalmente, porque trabalho na área.

PARABÉNS

Por Edson Carvalho - Valinhos (SP)

Gostaria de parabenizar toda a equipe da Referência FLORESTAL

pelo trabalho desenvolvido. É muito gratificante termos uma

Revista que fale do setor e com o setor florestal. Continuem assim.

TÉCNICO

Por Júlio Silva - Curitiba (PR)

Legais as dicas sobre manutenção de cabeçote. Sempre que possível

publiquem mais matérias sobre como manter os equipamentos

funcionando e produtivos.

E-mails, críticas e

sugestões podem ser

enviados para redação

revistareferencia@revistareferencia.com.br

Mande sua opinião sobre a Revista

REFERÊNCIA FLORESTAL ou a

respeito de reportagem produzida

pelo veículo.

CURTA NOSSA PÁGINA

CONTEÚDO

Por Janaina de Castro -

Umuarama (PR)

Gostei dos pontos de vista apresentados

por Diogo Carlos Leuck, presidente

da Ageflor (Associação Gaúcha de

Empresas Florestais), entrevistado

pela Revista. Precisamos fortalecer

a atividade e mostrar os benefícios

para a sociedade.

referenciamadeira

NATIVA

Por Jurandir de Castro - Belém (PA)

O manejo florestal precisa de mais atenção do governo. Tem muita

lei, cobrança, fiscalização e pouco incentivo.

Foto: REFERÊNCIA Foto: REFERÊNCIA Foto: divulgação

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BASTIDORES

Charge

Charge: Francis Ortolan

Revista

PÉ NA ESTRADA

A equipe da REFERÊNCIA FLORESTAL colocou o pé na estrada para trazer novidades aos leitores da Revista. Acompanhe

o making off da produção da capa da edição de abril que estampa o triturador florestal da Himev. Também visitamos a

equipe responsável pela comercialização dos cabeçotes Log Max no Brasil.

Momento em que o triturador

florestal da Himev era preparado

para uso em campo

Foto: Fabiano Mendes

Rodrigo Contesini, gerente geral da Log

Max do Brasil e Joseane Cristina Knop,

diretora comercial DASH7 Comunicação,

comemorando a parceria com a

REFERÊNCIA FLORESTAL

Foto: REFERÊNCIA

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Não permita que as

formigas cortem seu

lucro e produtividade

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O controle está em suas mãos!

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COLUNA

PELLETS: MERCADO

INTERNACIONAL EM

CRESCIMENTO

Rejeito que era queimado e passou a valer

dinheiro como combustível limpo

Ivan Tomaselli

Diretor-presidente da Stcp

Engenharia de Projetos Ltda

Contato: itomaselli@stcp.com.br

Foto: divulgação

Em 2018, o

comércio

mundial de

pellets atingiu

20 milhões de t

(toneladas), um

crescimento

de 18% em

relação a 2017

N

o início dos anos 1980 estudamos

o negócio pellets. Naquela época

a produção de pellets era uma alternativa

praticamente desconhecida,

mas as análises indicavam

que poderia ser uma opção para dar um uso

econômico a serragem e maravalha.

Esses resíduos já secos eram, na época, produzidos

em grande quantidade pela indústria

moveleira da região de São Bento do Sul (SC), e

não tinham um mercado. Eles eram simplesmente

queimados, afetando a qualidade do ar da região,

e ainda havia uma preocupação dos órgãos

ambientais com relação a poluição ambiental, ou

seja, tratados como dejetos.

Passados quase 40 anos, a produção de pellets

no Brasil está se tornando um negócio atrativo,

especialmente quando existem resíduos secos

disponíveis. Embora os volumes ainda sejam

relativamente limitados, a produção encontra-se

em crescimento. A maioria das unidades produtoras

de pellets no Brasil são de pequeno porte,

e praticamente toda produção é exportada.

Em outros países, no entanto, a indústria

de pellets já é um grande negócio, e o comércio

internacional tem crescido. O pellet tem sido

uma alternativa para a substituição de combustíveis

fósseis, e diversos países têm adotado essa

alternativa como parte da política ambiental,

para reduzir a emissão de combustíveis fósseis,

responsáveis pelo efeito estufa.

Em 2018, o comércio mundial de pellets,

segundo a Wood Resource Quarterly, atingiu 20

IMPORTADORES

Mil toneladas

2017 2018

milhões de t (toneladas), um crescimento de

18% em relação a 2017. Os cinco maiores exportadores

responsáveis por 65% das exportações

globais, são os EUA (Estados Unidos da América),

Canadá, Latvia, Rússia e Estônia. Outros grandes

exportadores são Áustria, Malásia, Alemanha,

Dinamarca e Portugal.

Os maiores importadores mundiais de

pellets são apresentados na tabela abaixo. Em

2018, os quatro maiores foram responsáveis por

87% do total das importações mundiais. Trata-se

portanto de um mercado bastante concentrado.

Um fato relevante é o crescimento das importações

dos quatro maiores, todos com taxas

muito elevadas. A Coreia do Sul, por exemplo,

aumentou em 40% as importações de pellets, e

a Itália 30%.

Os preços variam dependendo do mercado,

mas vêm crescendo. Na Europa (Áustria, Alemanha

e Suécia), no início da década passada os

pellets de uso residencial eram comercializados

em média por cerca de EUR200/t. Os preços

cresceram ao longo do tempo e atualmente encontram-se

em torno de EUR250/ton.

O Japão também está se tornando um grande

importador de pellets, e em 2018 importou

1,3 milhão de t, tendo como origem principal o

Canadá. O preço CIF médio dos pellets certificados

(FSC/SFI) importados pelo Japão, no final de

2018, era US$182/t. Já a Coreia tem importado

pellets principalmente da Malásia e Vietnam, e

os preços são mais baixos, em torno de US$150/

ton.

VARIAÇÃO

%

Reino Unido

6.885

7.990

+ 16

Dinamarca

3.086

3.801

+ 23

Coreia do Sul

2.431

3.444

+ 42

Itália

1.792

2.328

+ 30

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A combinação bruta

do desempenho

e tecnologia.

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Av. Marginal José Osvaldo Marques, 1620

Setor Industrial - Sertãozinho/SP


NOTAS

Gestão de custos

A Apre (Associação Paranaense de

Empresas de Base Florestal) promoveu,

no dia 24 de abril, no salão de convenções

do prédio da Remasa, em Curitiba

(PR), um curso ministrado pelo consultor

e economista João Trevisan chamado:

Gestão de Custos na Atividade Florestal.

A capacitação foi destinada a gerentes,

coordenadores, supervisores e gestores

da área florestal. No evento, Trevisan

apresentou conceitos teóricos como

custo fixo, custo variável e ponto de

equilíbrio. Também aplicou um exercício

específico de custo de uma atividade no

setor florestal e mostrou aos participantes

uma ferramenta prática que pode ser

facilmente acessada após o treinamento.

Foto: REFERÊNCIA

Novidade contra a

vespa-da-madeira

Foto: divulgação

A principal forma de combate à vespa-da-madeira

(Sirex noctilio), praga que atinge plantios de

pinus, agora tem registro junto ao Mapa (Ministério

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). O nematoide

Deladenus siricidicola, agente de controle

biológico da vespa-da-madeira, passa a atender

pelo nome comercial de Nematec. A distribuição

do produto, já com o registro, começou a ser feita

em março e 46 empresas florestais já receberam o

Nematec, totalizando 915 doses do produto. A estimativa

é que, até agosto deste ano, cerca de 6 mil

doses sejam distribuídas. Além do nematoide, os

usuários recebem uma bula do produto e a explicação

de seu uso. O processo de registro realizado

pela Embrapa levou seis anos e passou por diversas

fases de análise.

16 www.referenciaflorestal.com.br


Monitoramento de

queimadas no Cerrado

Foto: divulgação

Um estudo conduzido por cientistas do

Brasil, EUA (Estados Unidos da América)

e Portugal investigou a acurácia e a consistência

de diferentes coleções de dados

obtidos por satélites relativos à localização

e à extensão das áreas queimadas

no cerrado. Os resultados, divulgados no

International Journal of Applied Earth Observation

and Geoinformation, devem contribuir

para a melhoria dos produtos gerados

no âmbito do Programa Queimadas

do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas

Espaciais ), dedicado ao monitoramento

de focos de queimadas e de incêndios florestais

detectados por satélites, ao cálculo

e à previsão do risco de fogo da vegetação.

“Em nosso estudo, calculamos os erros e

as incertezas dos dados fornecidos por imagens de satélites – algo que não tínhamos antes para o cerrado. Também verificamos

que os dados são mais confiáveis no norte do que no sul do cerrado. Isso porque as propriedades no sul do bioma

são bem menores, o que faz com que o uso do fogo ocorra em áreas relativamente pequenas e não em grandes extensões.

No norte, em regiões como a Ilha do Bananal, houve anos em que medimos queimadas quase contínuas em áreas da ordem

de 10 mil quilômetros quadrados. Isso não acontece em trechos do norte do Estado de São Paulo ou do sul de Minas Gerais,

onde o padrão de ocupação do solo é bem diferente. Este é um resultado importante, pois mostrou que não se pode ter um

algoritmo uniforme para todo o bioma”, explicou Alberto Setzer, pesquisador do Inpe e coautor do artigo.

Paraná terá escola de

operação florestal

O Paraná terá a primeira escola

técnica de operação florestal do Brasil. A

criação do Centro Estadual de Educação

Profissional Florestal e Agrícola de

Ortigueira, nos Campos Gerais, é uma

parceria entre o Governo do Estado,

Klabin e a prefeitura do município, e terá

capacidade de receber até 800 alunos. A

previsão é que o espaço seja inaugurado

no ano que vem, inicialmente com três

cursos: técnico em Operações Florestais,

técnico em Manutenção de Máquinas

Pesadas e técnico em Agronegócio.

Foto: divulgação

Maio 2019

17


NOTAS

Foto: divulgação

Porto de Paranaguá terá

nova área para operação

de celulose

A Secretaria Nacional de Portos divulgou

que o Porto de Paranaguá terá uma

nova área de aproximadamente 27,5 mil

m² (metros quadrados), na faixa primária,

designada para a operação de celulose. O

novo espaço, que será localizado na extremidade

oeste do cais comercial, contará

com um armazém de celulose, instalações

de apoio, portaria de controle de acesso,

edifício administrativo de apoio e três linhas

férreas para descarga e manobras de

encoste de vagões. Atualmente, a celulose

é o terceiro produto na pauta de exportações

do Paraná.

Equidade de gênero

Uma parceria entre a Rede Mulher Florestal, organização

não governamental, e a SR4 Soluções em Certificação

Florestal viabilizou a inclusão de um módulo

sobre equidade de gênero em todos os cursos oferecidos

pela empresa em 2019. O objetivo é difundir os

conceitos e informações sobre gênero visando promover

a igualdade no setor florestal. Os treinamentos,

que acontecem em cidades como Piracicaba (SP),

Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Três Lagoas (MS),

Goiânia (GO) e São Luís (MA), irão abordar temas

como serviços ecossistêmicos, certificação FSC (Forest

Stewardship Council) para pequenos produtores,

cadeia de custódia, engajamento das partes, madeira

controlada, mapeamento e certificação para a cadeia

de valor do babaçu. Com duração de dois dias, os

cursos são voltados para profissionais e estudantes.

Para informações sobre os cursos: (19) 9 9952-4586

ou pelo e-mail cursos@sr4solucoes.com.br.

Foto: divulgação

18 www.referenciaflorestal.com.br


NOTAS

Contra mudança no

Código Florestal

A Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura se

posicionou contra qualquer alteração do Código Florestal:

“Entre os mais de 190 membros da Coalizão Brasil Clima,

Florestas e Agricultura, que reúne representantes do agronegócio,

do setor florestal, das entidades de defesa do

meio ambiente e da Academia, há um claro consenso: a

implementação do Código Florestal, em sua atual configuração,

é o primeiro passo para fortalecer a produção agropecuária

e, ao mesmo tempo, a conservação ambiental no

país. Esse momento chegou e não pode mais ser adiado.”

A entidade destaca que uma série de Projetos de Lei e

Medidas Provisórias tem sido apresentada no Congresso,

visando alterar dispositivos essenciais para a implementação

do Código Florestal. “Essas iniciativas mantêm o

clima de insegurança jurídica e prejudicam os esforços de

implementação da lei.”

Paraná defende Código Florestal

A Apre (Associação Paranaense de Empresas

de Base Florestal), que representa empresas

com plantios florestais no Estado, tem se

posicionado contra uma possível mudança no

Código Florestal Brasileiro, que reduziria as

áreas de reserva legal de propriedades rurais. O

texto, aprovado em 2012, determina que esse

tipo de área, cujo percentual varia de 20% a

80%, não pode ser desmatado. A proposta não

mudaria nas áreas de preservação permanente,

como encostas de morros e nascentes de

água. Na avaliação da entidade, ainda é preciso

avançar na implementação de uma série de

mecanismos do Código Florestal, amplamente

discutido pela sociedade. “É preciso colocar em

prática o Código e não mudá-lo agora, quando

grande parte dos produtores rurais, inclusive,

já aderiu a questões como Cadastro Ambiental

Rural”, ressalva o presidente da Apre, Álvaro

Scheffer Junior.

Foto: divulgação Foto: divulgação

20 www.referenciaflorestal.com.br


NOTAS

Regeneração florestal

Foto: divulgação

Ao contrário do que se pensava, florestas

que sofreram intenso desmatamento

têm capacidade regenerativa. Um estudo

publicado na revista Nature Ecology and

Evolution concluiu que as florestas nativas

podem se regenerar se as atividades realizadas

nelas cessarem. Isso se deve a um

processo de regeneração chamado de sucessão,

no qual a vegetação cresce gradualmente

levando a mudanças nas condições

ambientais dentro da floresta. Os pesquisadores

do estudo analisaram 50 regiões

da América Latina para entender como a

regeneração funciona, pois, segundo eles,

isso é crucial para melhorar as práticas de

restauração de florestas e escolher as espécies

mais adequadas.

ALTA

EXPORTAÇÕES DO AGRO MINEIRO

CRESCEM

As exportações do agronegócio mineiro alcançam US$

1,75 bilhão no primeiro trimestre do ano (janeiro até

março) e registram crescimento de 1,6% em relação ao

mesmo período do ano passado. Em relação ao total

de exportações do Estado, o agronegócio respondeu

por 30,4% de toda a pauta mineira comercializada. Os

produtos florestais somaram US$ 204 milhões, com a

comercialização de 342 mil toneladas.

MAIO 2019

DESMATAMENTO ILEGAL

O Ministério Público Federal instaurou 1.410 ações

civis públicas contra desmatamentos com 60 hectares

ou mais registrados na Amazônia entre 2016 e 2017.

Ao todo, 1.831 pessoas ou empresas vão responder

na Justiça pela remoção ilegal de mais de 156 mil hectares

de floresta. As indenizações pedidas pelo MPF

para reparar os danos causados pelo desmatamento

chegam a R$ 2,515 bilhões.

BAIXA

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BIOMASSA

Comitê de

BIOMASSA E PELLETS

Foto: REFERÊNCIA

Foto: VisualHunt

AAbimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) acaba de criar o Comitê

de Pellets e Biomassa dentro da sua estrutura organizacional. O anúncio foi feito durante o encontro promovido

pela entidade, que reuniu empresas produtoras de pellets, de diferentes partes do país. O objetivo foi

apresentar as ações desenvolvidas pela associação, o papel representativo e um cenário macro das oportunidades

para os fabricantes. A associação já conta com indústrias desse produto no seu quadro de empresas

associadas. Entre os principais gargalos apresentados pelas empresas estão questões como a representação setorial e a

necessidade de desenvolvimento de uma norma técnica específica para o segmento. Hoje, o principal mercado de pellets

é o agronegócio, em especial, a avicultura. Mas, de acordo com os empresários, haveria espaço para o produto em outros

mercados como alimentação e indústrias de forma geral. De acordo com dados apresentados pela Abimci e levantados

com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), o Brasil produziu em 2017 pouco mais de 470

mil toneladas de pellets, dos quais a maior parte voltada para a exportação. Os principais destinos são Reino Unido, Itália,

Dinamarca e França.

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FRASES

Foto: divulgação

“O papel de uma certa ecologia

radical, fundamentalista e

irracional é impedir nosso

desenvolvimento e abrandar a

concorrência”

Senador Flávio Bolsonaro, co-autor

do Projeto de Lei que revoga o

capítulo que trata da reserva legal

no Código Florestal

“Queimar

é crime”

“Estamos há vários meses

buscando soluções que

promovam o desenvolvimento

econômico do setor e,

consequentemente, do Estado.

Esperamos que agora, com a

promessa do governador, os

problemas se resolvam”

Este é o tema da 7ª Campanha de Prevenção e Combate

a Incêndios promovido pela Reflore/MS (Associação

Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de

Florestas Plantadas), Famasul (Federação da Agricultura

e Pecuária de MS) e Senar/MS (Serviço Nacional de

Aprendizagem Rural)

Frank Rogieri, um dos diretores do Cipem

(Centro das Indústrias Produtoras e

Exportadoras de Madeira do Estado de Mato

Grosso), cobra solução de entraves fiscais e

tributários que afetam o setor.

“Uma certeza é que o preço vai subir, mas a estratégia

para comprar eucalipto varia de companhia para

companhia”

Caio Zardo, diretor da Suzano

sobre o aquecimento do

setor que pode afetar a

disponibilidade e o preço da

madeira, especialmente em

São Paulo

Maio 2019

25


ENTREVISTA

A um passo do

do eucalipto

TRANSGÊNICO

S

One step to the

transgenic eucalyptus

e o Brasil já é reconhecido mundialmente pela alta pro-

-

-

Foto: divulgação

ENTREVISTA

-

perior a doenças e clima, melhoria na qualidade da madeira, adaptabilidade

a solos mais pobres e por aí vai, as possibilidades são

versamos com Eduardo José de Mello, vice-presidente de Opera-

I

f Brazil is already recognized worldwide for the high produc-

-

-

and climate, improvement in the quality of the wood, adaptability

is already making use of these advantages, but the Forest Sector has

remained in the background. FuturaGene is at the forefront of this

Tree Improvement for the Company. He believes that in 10 years the

-

-

Eduardo

José de Mello

DATA E LOCAL DE NASCIMENTO

Mogi Mirim (SP), 14/10/1963

October 14, 1963, Mogi Mirim (SP)

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Vice-presidente de Operações e Melhoramento

for FuturaGene

FORMAÇÃO/ ACTIVITY:

Tecidos Vegetais (UFLA) e MBA pela FGV

BSc. in Forestry, University of São Paulo (USP), with studies in

the Culture of Vegetable Tissues, Federal University of Lavras

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PRINCIPAL

Decifrando

O INIMIGO

Fotos: divulgação

Pesquisa mostra comportamento de

formigas cortadeiras na região sul e indica

práticas para combatê-las

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As formigas cortadeiras são as principais pragas

de plantios de pinus e eucaliptos, em especial na

região sul. A grande maioria dos silvicultores têm

consciência da importância do combate desses

insetos. O problema é que este manejo é realizado,

muitas vezes, de forma generalista, sem entender exatamente o

comportamento das formigas, o que diminui a eficácia e aumenta

os custos. Um trabalho produzido por pesquisadores aponta os

estragos que a praga é capaz de fazer, detalha como as formigas

atuam nas regiões estudadas e indicam procedimentos para o

combate correto.

Por haver poucas informações sobre o comportamento

das espécies de formigas cortadeiras, até pouco tempo atrás o

combate era realizado de maneira padronizada, não levando em

consideração as particularidades de cada local. Ao compreender

mais detalhes, o manejo das formigas cortadeiras se torna mais

eficaz. Este foi o objetivo dos pesquisadores da Embrapa Florestas,

Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de

Santa Catarina), Ufpr (universidade Federal do Paraná) e Funcema

(Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais).

“Na região sul do Brasil há o predomínio de Acromyrmex nos

plantios florestais e descobrimos que os maiores prejuízos dessas

formigas em plantios de pinus e eucalyptus ocorrem nos primeiros

30 dias após o plantio nessa região”, destaca a pesquisadora

Mariane Nickele, que produziu o trabalho ao lado de Wilson Reis

Filho, Susete Penteado e Elisiane Queiroz. Além disso, há a influência

do manejo de plantas daninhas nos plantios de pinus, ou seja,

se não for feito uso de herbicidas, o combate às formigas pode

estender-se até, no máximo, aos seis meses de idade do plantio.

“Com a utilização de herbicidas pode-se ter ataques severos de

formigas cortadeiras em plantios de pinus com até 3 a 4 anos de

idade; a densidade de ninhos de quenquéns cai a praticamente

zero em áreas de pinus sem poda e sem desbaste quando o

plantio atinge a idade próxima a 6 anos, devido ao fechamento do

dossel e ao consequente sombreamento no interior da floresta”,

explicam os pesquisadores.

Em plantios de eucalipto em que há a ocorrência apenas

de Acromyrmex (quenquéns), não há a necessidade de realizar

o combate das formigas durante todo o ciclo florestal, como é

recomendado nos plantios que há a ocorrência de Atta (saúvas).

Em plantios de pinus, a influência do manejo florestal no ataque

de formigas cortadeiras é bastante evidente, intervindo no seu

controle. Assim, foram propostas recomendações para o controle

de formigas cortadeiras específicas para as diferentes situações

de plantio de pinus e eucalipto. Seguindo as recomendações, o

controle de formigas pode ser realizado de maneira mais racional,

reduzindo-se o uso de iscas formicidas em algumas situações e,

consequentemente, reduzindo-se os custos e também os efeitos

indesejáveis do uso de inseticidas ao ambiente.

Baseado nas informações coletadas nos estudos realizados

foi proposto o Comunicado Técnico 354 da Embrapa Florestas,

que apresenta as recomendações para o controle de formigas

cortadeiras em plantios de eucalyptus e pinus, levando em

consideração os gêneros de formigas cortadeiras e as diferentes

formas de manejo florestal. Além disso, um software está em fase

de validação e em breve será publicado.

Deciphering

the enemy

Research study shows the behavior of leafcutting

ants in the Southern Region of Brazil

and indicates practices to combat them

L

eaf-cutting ants are the main pests found in pine and

eucalyptus plantations, particularly in the Southern

Region of Brazil. The vast majority of forest companies

are aware of the importance in the combat of

these insects. The problem is that this control management

is often performed in a universal way, without exactly

understanding the ant’s behavior, which decreases efficiency

and increases costs. Work carried out by scientists points to the

damage that the pest is capable of, details how the ants act in

the regions studied, and indicates the correct combat procedures.

Because there is little information about the behavior of

the leaf-cutting ant species, until recently combatting them was

carried out in a standardized way, not taking into account the

particularities of each location. In better understanding more

details, the control of leaf-cutting ants becomes more effective.

This was the goal of scientists from Embrapa Florestas, the State

of Santa Catarina Agricultural Research and Rural Extension

Company (Epagri), the Federal University of Paraná (Ufpr), and

the National Fund of Forest Pest Control (Funcema).

“In Southern Brazil, there is a predominance of Acromyrmex

in forest plantations, and in this region, we found that the greatest

losses caused by these ants in pine and eucalyptus planted

forests occur within the first 30 days after planting,” says Scientist

Mariane Nickele, who carried out the research studies along with

Wilson Reis Filho, Susete Penteado and Elisiane Queiroz. Also,

there is the influence of weed management in pine plantations,

i.e., if herbicides are not made use of, combating ants can extend

up to a maximum of six months after planting. “With the use of

herbicides severe attacks of leaf-cutting ants can occur in pine

plantations up to 3 to 4 years of age; the density of quenquéns

ant nests falls to virtually zero in pine areas without pruning and

without thinning and the plantation reaches six years of age, due

to the closing of the canopy and the consequent shading inside

the forest,” explain the Scientists.

In eucalyptus planted forests where there is the only occurrence

of Acromyrmex (quenquéns), there is no need to carry out

the ant control throughout the forest cycle, as is recommended

for plantations where there is the occurrence of Atta (fire ants).

In pine plantations, the influence of forest management on leaf-

-cutting ant attacks is quite obvious, intervening in their control.

So, recommendations for leaf-cutting ant control are proposed

specifically to the different situations of pine and eucalyptus

planted forests. Following the recommendations, the ant control

can be accomplished more rationally, reducing the use of ant

baits in some situations and, consequently, reducing costs and

Maio 2019

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Maio 2019 41


ESPECIAL

Estradas

ruins afetam

indústrias

no norte

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De acordo com a Confederação Nacional do

Transporte, 75% das rodovias da região são

classificadas como regulares, ruins ou péssimas

Fotos: divulgação

Maio 2019

43


ESPECIAL

E

stradas precárias e falta de manutenção nas

rodovias estaduais e federais são a realidade

na região norte do Brasil. Levantamento feito

pela CNT (Confederação Nacional do Transporte)

aponta que a região concentra as estradas

em piores condições no país.

A entidade classificou 75% das rodovias da Região Norte

como regulares, ruins ou péssimas. A situação se agrava

em alguns estados: no Acre, 63% das estradas estão em

condições ruins ou péssimas; 60% das estradas do Pará estão

nestas condições e 44% no Amazonas.

Em Roraima, as condições das estradas colocam municípios

em risco de ficarem isolados. Em Uiramutã, o trecho da

rodovia RR-171 que dá acesso ao município sofre com buracos,

pontes quebradas, cascalho solto e outros riscos para

os veículos que circulam no trecho de 87 quilômetros.

Na via de acesso ao município, que é um atrativo turístico,

uma ponte de madeira está interditada. Devido a isso,

o acesso é feito por uma estrada de terra que atravessa o

curso d’água do Igarapé, que só é possível em período de

estiagem - durante o inverno, o nível de água do Igarapé

sobe e pode isolar o trecho.

“No nosso município de Uiramutã é muito difícil de falar

sobre estradas porque nós somos castigados pelas fortes

chuvas”, justifica o prefeito Manoel Araújo, em entrevista

ao Jornal de Roraima. “Temos levado às autoridades pedidos

de apoio, pedidos de socorro para melhorar as nossas

estradas.”

ENTRAVES E PREJUÍZOS

Segundo Patrícia Schipitoski Monteiro, mestre em Engenharia

de Construção Civil e professora da UP (Universidade

Positivo), as regiões com maior produção (em especial sul-

-sudeste) já possuem uma demanda bem estabelecida, e o

impacto da falta de investimentos é de curto prazo. No caso

do norte e do nordeste, porém, essa precarização é mais

visível. “Regiões com menor desenvolvimento econômico

sofrem com a falta de investimentos porque a produção

não é estimulada, aumentando a desigualdade (ou seja, é

um problema de médio-longo prazo). Aqui, a força política

e do setor produtivo é muito relevante. Em particular, o aumento

do custo operacional do transporte das nossas mercadorias.

Mesmo com sistemas produtivos bem eficientes,

acabamos perdendo vantagem competitiva no preço final,

porque o custo logístico está embutido nele”, realça.

De acordo com Monteiro, vários são os entraves para o

desenvolvimento das rodovias brasileiras. “O principal deles

é o volume precário de investimentos. No ano passado, foram

na ordem de 0,8% do PIB investidos em infraestrutura

de transportes. Estima-se que para adequar o nosso sistema

de transportes seria necessário R$ 1,7 trilhão, algo na

ordem de 20%. Desse valor, precisaríamos de algo na faixa

de 500 bilhões só para o sistema rodoviário. Para compatibilizar

isso, há uma série de medidas, mas essencialmente,

uma política de transportes bem clara e definida, com planejamento

adequado”, analisa.

No cenário atual, vários são os prejuízos para o país.

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Maio 2019

47


ILPF

Evento mostra força

e oportunidades

DA ILPF

Entidade criada para estimular a prática do sistema,

promoveu encontro para divulgar dados e apontar

tendências da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

Fotos: Embrapa Florestas

48 www.referenciaflorestal.com.br


Maio 2019 49


ILPF

Acidade de Caldas Novas (GO) foi palco da

reunião técnica da Associação Rede Ilpf (Integração

Lavoura-Pecuária-Floresta), no mês de

março. A entidade é fruto da iniciativa formada

pela Embrapa e empresas, com o objetivo

de impulsionar a adoção do sistema no país, integrando a

cadeia produtiva, organizando dias de campo, promovendo

pesquisas agronômicas e transferência de conhecimento.

“Conseguimos desenvolver no Brasil uma agricultura

baseada em ciência, e isso é para poucos países do mundo.

Precisamos ter muito orgulho dos resultados alcançados nos

últimos anos”, destacou Renato Rodrigues, pesquisador da

Embrapa e presidente do Conselho Gestor da Associação

Rede Ilpf. De acordo com ele, em 2018, foram registrados

aproximadamente 15 mil ha (hectares) com Ilpf e o objetivo

é que este número chegue a 30 mil ha até 2030. “Temos

espaço e tecnologia para isso. A ideia é fazermos o uso sustentável

do solo, transformando pastagens degradadas em

Ilpf. Isso só nos trará benefícios. Ao compararmos áreas com

Ilpf e aquelas com sistemas tradicionais, vemos um ganho

mínimo de 15% de rentabilidade”, explica.

Para Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil a

rede foi criada exatamente para que o conhecimento técnico

da Embrapa pudesse chegar aos produtores rurais e é isso

que o grupo tem feito. “Trabalhamos focados na expansão

do sistema entre 2012 e 2018 e demos um salto significativo

no número total de áreas que adotam o sistema. Hoje, já

temos sete empresas que participam da iniciativa conosco

e estamos em uma nova etapa, levando essas informações

para outros países, pois essa tecnologia pode ser aplicada

em outros ambientes também – exemplo disso é que estamos

recepcionando colegas do Uruguai nesta edição”,

enaltece.

Sobre os próximos passos do grupo, Paulo Herrmann

os divide em três frentes: “qualificar multiplicadores preparados

para orientar e dar assistência sobre o processo

de implantação da Ilpf, constituir uma certificadora que vai

reconhecer as propriedades adeptas, com o objetivo de

agregar valor ao produto que será vendido, e mostrar ao

mundo o que está sendo feito no Brasil”, e completa: “Em

40 anos de evolução da agricultura, nossa produtividade

aumentou 250%, a produção cresceu 500%, enquanto a área

só expandiu 70%. Podemos dizer que nossa tecnologia e responsabilidade

ambiental economizaram 150 mil de hectares.

E agora, o Ilpf é nosso grande instrumento para mostrarmos

que produzir e preservar é possível.”

O projeto Rural Sustentável tem meta de alcançar

200 mil ha de tecnologia de baixo carbono

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SILVICULTURA

Coleta correta é

essencial para

melhora do

MATERIAL

GENÉTICO

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Ciclo para aprimoramento genético do pinus pode levar

meio século, seguir procedimentos corretos assegura a

integridade das amostras coletadas no campo

Fotos: divulgação

Maio 2019

53


SILVICULTURA

As melhorias genéticas no pinus plantado no

Brasil elevaram a competitividade do negócio

brasileiro frente a outros países. Foi um

processo demorado, feito com técnicas em

laboratório e em campo. Como muitas etapas

são importantes e podem interferir no resultado final,

é imprescindível seguir padrões de processos mesmo nas

atividades, aparentemente, mais simples.

As pesquisas com pinus começaram na década de

1970 quando Brasil, África do Sul, Colômbia, Zimbábue,

Índia e Honduras criaram uma rede experimental por meio

de um programa de cooperação internacional. O melhoramento

do pinus no Brasil foi implementado por empresas

florestais, principalmente indústrias de celulose e papel e

instituições de pesquisa, entre elas a Embrapa Florestas.

“O principal objetivo do melhoramento é a perpetuação

de exemplares mais fortes. Porém, na silvicultura já é possível

atender diferentes necessidades da indústria”, aponta

Ananda Virgínia de Aguiar, engenheira agrônoma e pesquisadora

da Embrapa Florestas.

Um ciclo completo de melhoramento genético para

pinus pode levar até 25 anos. “São várias etapas”, sugere a

pesquisadora. “Começa com a seleção de matrizes, passa

pelo cruzamento entre os melhores exemplares, coleta de

sementes e vários outros processos até o surgimento de

uma nova geração”, enumera.

HERANÇA GENÉTICA GARANTIDA

Tão importante quanto ganhar produtividade e melhorar

a qualidade da madeira, é garantir que a herança

genética seja preservada. O engenheiro florestal Julio César

Soznoski explica que o processo envolve um alto nível

de cuidado. “Trabalhamos respeitando a integridade do

material genético coletado. As empresas precisam desta

segurança, da garantia de que o material que está sendo

colhido não seja mal manipulado. Desta forma, o pedigree

será preservado e a qualidade do programa de melhoramento

não será influenciada pela mistura de materiais genéticos”,

destaca Soznoski que também é diretor da Kolecti

Recursos Florestais. A empresa é especializada em diversas

atividades na área de melhoramento genético, entre elas a

coleta de sementes de espécies coníferas.

A colheita precisa ser realizada no momento certo da

maturação de cada espécie e de suas respectivas matrizes.

Cada uma delas deve passar por um procedimento de

avaliação. “Caso essa maturação não seja respeitada, problemas

com rendimento de sementes e germinação ocorrerão.

Na colheita também existe um grande cuidado para

não danificar a produção subsequente do próximo ano”,

ressalta o engenheiro florestal.

Como se trata de trabalho em altura,

ele deve respeitar a legislação

específica que trata das normas de

seguranças

Procedimento mecanizado para colheita

de material em campo

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Maio 2019 55


MADEIRA NATIVA

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Parceria vai

impulsionar

manejo em

Mato Grosso

Fotos: divulgação

CIPEM e IDH uniram forças para ampliar

competitividade da cadeia produtiva na

indústria de madeira nativa

Maio 2019

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MADEIRA NATIVA

O

setor de base florestal mato-grossense,

por meio do Cipem (Centro das Indústrias

Produtoras e Exportadoras de Madeira do

Estado de Mato Grosso), e a IDH (Iniciativa

para o Comércio Sustentável) assinam documento

com objetivo de promover e valorizar o setor de

base florestal de Mato Grosso.

Com a parceria, serão desenvolvidas atividades para

melhorar, continuamente, a cadeia de valor do setor florestal

no Estado. As ações terão quatro pilares centrais:

suporte técnico e financeiro para criar um Sistema de

Registro de Gestão Florestal Digital; intercâmbio de conhecimento,

com visitas técnicas e eventos itinerantes;

estudo de viabilidade e operacionalização de um selo de

sustentabilidade que atenda a legislação brasileira e protocolos

internacionais; e o desenvolvimento de estratégias

de comunicação para melhorar a imagem do setor de base

florestal, além do acesso a novos mercados, tanto no Brasil

quanto no exterior.

As ações estão em consonância com a Estratégia Estadual

PCI (Produzir, Conservar e Incluir), uma coalizão territorial

de longo prazo para mitigar as questões relacionadas

a desmatamento e degradação florestal. Um dos objetivos

da PCI é estabelecer mecanismos de transparência e governança

para atrair investimentos para Mato Grosso que

promovam o desenvolvimento sustentável do Estado. O

compromisso da PCI para florestas nativas é chegar a 6

milhões de ha (hectares) de área com manejo florestal sustentável

em Mato Grosso. Atualmente, o Estado possui 3,7

milhões de ha de florestas privadas manejadas.

Segundo o presidente do Cipem, Rafael Mason, o propósito

em participar da parceria é conseguir promover e

valorizar o setor florestal de Mato Grosso. “Vemos uma

oportunidade de ampliar o impacto e os resultados positivos

já alcançados na produção de madeira nativa, construindo

coalizões para melhorar e monitorar os critérios

de sustentabilidade, inovando também a abordagem de

mercado”, relata.

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ACADEMIA E PESQUISA

INCREMENTO DIAMÉTRICO

PARA ÁRVORES

DE ARAUCÁRIA

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O objetivo do trabalho foi avaliar a eficácia

do método para medição individual de

árvores da espécie nativa

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ACADEMIA E PESQUISA

Pesquisadores de duas entidades do Rio

Grande do Sul formularam modelos de incremento

diamétrico para árvores individuais de

Araucaria angustifolia, ocorrentes na Floresta

Ombrófila Mista da Floresta Nacional de São

Francisco de Paula (RS). Eles concluíram que o método

apresenta bom ajuste em termos de coeficiente de determinação,

no entanto, os resíduos foram altos e fortemente

tendenciosos, sendo a sua utilização para a predição do

incremento não adequada.

As florestas nativas têm como característica a complexidade

em sua composição, ou seja, um grande número

de espécies com as mais diferentes características silviculturais,

ecológicas e tecnológicas. Estudos em florestas

nativas têm sido intensificados nos últimos anos, procurando-se

descrever sua composição florística e estrutura

fitossociológica, bem como entender a dinâmica desses

ecossistemas inequiâneos. No entanto, percebe-se a falta

de informações sobre o crescimento individual das espécies

dessas florestas.

Uma das maneiras de se obter conhecimentos sobre o

crescimento das espécies é por meio de modelos de crescimento.

Esses modelos auxiliam as pesquisas e manejo

das florestas de várias formas. Um dos importantes usos

inclui a possibilidade da predição de produção em tempos

futuros, partindo das condições atuais.

Para a realização deste trabalho, foram utilizadas medições

de 262 indivíduos de araucária amostrados nas parcelas

permanentes do Peld - CNPq (Projeto Ecológico de Longa

Duração - Conservação e Manejo Sustentável de Ecossistemas

Florestais - Bioma Araucária e suas Transições).

Utilizando análise de correlação, covariância e regressão,

foram ajustados modelos de incremento, estratificados em

função da classe de diâmetro, variável de maior correlação

com o incremento em diâmetro. Foi utilizado o incremento

periódico anual, calculado com base no incremento em

diâmetro dos indivíduos no período analisado. Os modelos

resultaram em boas estimativas do incremento, no entanto,

apresentaram resíduos com forte tendência.

Em florestas nativas, devido a sua complexidade em

número de espécies, com as mais variadas dimensões e

distribuição irregular dentro do povoamento, os estudos

de crescimento não podem ser realizados com base em

valores médios.

Para se determinar o crescimento e incremento de

espécies que compõem as florestas inequiâneas e de

múltiplas espécies deve-se lançar mão de técnicas de modelagem

de crescimento considerando as árvores de forma

62 www.referenciaflorestal.com.br


Maio 2019 63


AGENDA

AGENDA2019

MAIO

2019

Imagem: reprodução

Curso: Formigas Cortadeiras para

Supervisores

21

Colombo (PR)

www.apreflorestas.com.br

MAI

2019

LIGNA 2019

Este mês a Ligna, uma das maiores feiras do setor

madeireiro na Alemanha é o grande destaque. O evento

procura a cada edição ampliar o espaço para os setores

florestais e biomassa. O centro de exibição em Hannover,

receberá os visitantes nos dias 27 a 31 de maio.

MAIO

2019

Ligna Hannover

27 a 31

Hannover (Alemanha)

www.ligna.de

JUNHO

2019

JUN

2019

CIBIO

Imagem: reprodução

Uso de drones na silvicultura

5 e 6

Botucatu (SP)

www.ipef.br/eventos

O Congresso Internacional de Biomassa é um evento

anual e a IV edição ocorrerá entre os dias 25 a 27

de junho, em Curitiba (PR). O congresso tem papel

fundamental nesta fase da Matriz Energética Brasileira,

em que a busca por tecnologias limpas para geração de

energia é urgente. Logo, tem como objetivo discutir o

atual cenário do país e no mundo; apresentar soluções,

tecnologias e informações que ajudem no crescimento

da biomassa na matriz energética brasileira.

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Disco de corte para Feller

AGENDA2019

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ESPAÇO ABERTO

Foto: divulgação

O segredo da

eficiência

das formigas

É A OCIOSIDADE

Por Javier Arevalo,

Partner da Goldratt Consulting da América Latina

Seguir cegamente a produção

máxima no fluxo industrial

pode reduzir a eficiência no

final das contas

R

ecentemente, compartilhei meu interesse no artigo:

O Segredo da Eficiência e Ociosidade; publicado no

New York Times, por James Gorman, e como Eli Goldratt

o apresentou como uma das principais questões

a serem contestadas em - Operações no âmbito da

Teoria das Restrições: Um recurso ocioso é um desperdício.

Em um estudo recente sobre o comportamento das formigas,

perceberam que a alta velocidade e eficiência na construção de túneis

estão diretamente relacionados a uma construção irregular da

carga de trabalho. Ou seja: uma parte da população do formigueiro

trabalha incessantemente para construir a rede de túneis, enquanto

outros estão disponíveis a maior parte do tempo. A descoberta

surpreendente é que a proporção mostra que apenas 30% das formigas

trabalham de modo ininterrupto e as 70% restantes permanecem

sem se aproximar do local do trabalho. A questão é: o que

é que as leva a se comportar dessa maneira? Faz algum sentido?

Sendo como a natureza é, deve haver uma boa explicação!

A resposta? Parece que essas formigas conhecem a Teoria das

Restrições e os Princípios do Fluxo descritos pelo doutor Eli Goldratt,

físico nascido em Israel e autor de best-sellers no mundo da

gestão e administração.

Se as formigas se comportassem sob os atuais paradigmas de

gestão, causariam um engarrafamento no túnel e reduziriam a

produtividade ao mínimo. Esses insetos sabem que a produtividade

máxima é obtida com o fluxo máximo. E que o fluxo máximo

depende do nível de tráfego no chão de fábrica. Esse tráfego é

equivalente a veículos em uma estrada ou às tarefas de produção e

as ordens abertas no chão da fábrica. Ao limitar o tráfego máximo

de formigas no túnel, o movimento é rápido e progride de forma

constante. Se o número de formigas for aumentado, o trabalho é

interrompido e a cabeça de perfuração não pode ser alcançada

facilmente.

Desta forma, um dos quatro princípios fundamentais de fluxo

de Henry Ford, de limitar a superprodução, é cumprido na natureza,

já que há um mecanismo para evitar o excesso de formigas no

túnel. Ou seja, limitar o trabalho em andamento garante o fluxo

máximo. Quando essas condições de ócio para a maioria das formigas

foram reproduzidas com robôs, aqueles que seguiram a lógica

de ter considerado tempos ociosos produziram o melhor resultado.

Além disso, quando as formigas escavam um túnel, o espaço é restrito.

Por conseguinte, a população e a capacidade de encapsulamento

devem ser sujeitos a restrição, com o objetivo de maximizar

a taxa de transferência do sistema (velocidade do túnel escavada).

Estes princípios aplicados à produção - que foram disciplinados

na aplicação dos princípios de Lean Manufacturing ou outras

metodologias de melhoria - podem, com a metodologia de Teoria

das Restrições, produzir avanços maiores e substanciais. Pela lógica

usada por Lean, os 70% de capacidade ociosa seriam claramente

considerados como um desperdício e, portanto, teriam sido eliminados.

Seja no universo das formigas ou no universo empresarial,

a capacidade ociosa pode ser dedicada a funções e processos para

ter capacidade protetiva ou excedente. É o que garante o melhor

fluxo e sobrevivência ou sucesso do sistema.

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