Revista Apólice #243

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Ano 24 - nº 243

Maio 2019

Especial Riscos Financeiros

Garantia Judicial deve

atrair novos players

para o mercado

D&O inicia fase de

busca por novos nichos

consumidores

Garantia de Obras:

a espera pela

regulamentação

Fiança Locatícia ganha

fôlego mesmo com crise

do setor imobiliário


editorial

Ano 24 - nº 243

Maio 2019

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Os artigos assinados são de

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seus autores, não representando,

necessariamente, a opinião desta

revista.

Crescimento do

setor depende do

cenário econômico

Claro que é assim que a banda toca. Se houver uma recuperação

econômica, certamente o setor deve responder rapidamente. A reforma

da previdência ainda tramita pela Câmara e, segundo projeções de

membros do Governo, só deve ser votada no segundo semestre. Esta é

a grande promessa da vez para o desenvolvimento econômico do País.

Não podemos esquecer que havia esperança de retomada do

crescimento após a eleição presidencial, fato que não se concretizou.

Agora, dependemos da boa vontade política dos deputados em realizar

esta votação. Para o mercado, certamente será benéfica esta aprovação,

principalmente com a entrada de novos investidores.

Aos poucos, o setor vai entendendo como o Governo enxerga o

mercado de seguros. A criação da super agência que vai unir Susep e

Previc está em vias de ser anunciada. Desta forma, serão colocados sob

um mesmo guarda-chuva setores que tratam de proteção, mas com

financiamentos diferentes. Os poderes que emergirão desta agência

ainda estão no âmbito da especulação.

Por enquanto, trazemos nesta edição as possibilidades e os desafios

dos seguros de linhas financeiras. Apesar da crise econômica, produtos

como Garantia Judicial e RC Profissional cresceram e buscam novos

nichos de consumidores. A depender também da aprovação de um

Projeto Lei, o seguro de garantia pode dar um grande salto.

Como sempre, nos cabe esperar para ver como o cenário

econômico irá se desenrolar a partir das decisões políticas.

Boa leitura!

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Revista Apólice

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sumário

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9 |

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entrevista

Caribou Honig dedica boa parte de seu tempo para o desenvolvimento

do ecossistema das empresas de tecnologia voltadas para o mercado de

seguros e, por isso, já foi chamado de padrinho das insurtechs

painel

gente

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especial riscos financeiros

garantia

Mercado aguarda a tramitação de um Projeto de Lei no Congresso Nacional

com a esperança de um salto no faturamento desta carteira. Os novos

limites para cobertura não devem trazer apenas os prêmios, mas também

novas obrigações

garantia judicial

Com grande potencial de desenvolvimento, o seguro de garantia judicial

já representa mais de 90% da carteira de garantia. Para 2019, é esperado

um aumento de mais de dois dígitos na carteira, com a entrada de novas

seguradoras e consumidores

d&o

Depois de um período turbulento, com grandes sinistros ligados às ações da

Lava Jato, produto agora entra na fase de explorar novos nichos, sempre de

olho na preservação do patrimônio dos executivos

miura

Corretora centralizou seus esforços nos seguros de garantia, financial lines e

transportes internacionais para buscar clientes multinacionais. Como parte

de um grupo global busca agora novos mercados e clientes

fiança locatícia

Ramo registra crescimento de quase 10% em 2018 e empresas apontam

agilidade na contratação e segurança como pontos fortes do produto. Novo

perfil de consumidores, que não se interessam pela compra de imóveis, dão

fôlego ao setor

rc profissional

Outras profissões entraram no radar das seguradoras, mas o predomínio

ainda fica por conta dos profissionais ligados à área de saúde. A boa notícia

é que mesmo entre estes profissionais, menos de 20% possuem algum tipo

de proteção

tecnologia

Avanços da tecnologia demonstram que é preciso haver um

compartilhamento de conhecimento para que todos desfrutem dos

benefícios de um novo mercado. Desafio é trabalhar mais rápido e de forma

mais eficiente

grupo fox

ameplan

congrecor

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34


entrevista | caribou honig

O padrinho

das insurtechs

Não foi à toa que Caribou Honig recebeu este título. Ele é co-fundador

e chairman do Insuretech Connect, além de atuar como conselheiro

de fundos de investimentos que direcionam recursos para startups de

seguros, também escreve artigos e exerce liderança no segmento

Kelly Lubiato

Apólice: Como você analisa a vida

útil dos insurtechs?

Acredito que ainda estamos em

um estágio de “explosão Cambriana”

da evolução das insurtechs. Os empreendedores

estão experimentando uma

ampla variedade de idéias e modelos de

negócios e esses esforços são apoiados

por uma combinação de capital de risco

tradicional e as próprias seguradoras.

Estou muito otimista de que haverá negócios

bem-sucedidos e sustentáveis em

longo prazo. Algumas delas ajudarão os

corretores, seguradores e resseguradores.

Apólice: Existe algum tipo de

estatística sobre a mortalidade dessas

empresas?

Como este setor de insurtechs ainda

é incipiente, eu não esperaria muito em

termos de estatísticas reais. Acho que é

útil entender a mentalidade do capital de

risco para financiar essas startups. Um

investidor em estágio inicial espera que

cerca de 1/3 de seus investimentos acabem

fracassando, outro 1/3 faça apenas

um modesto retorno e espera que 1/3

seja para grandes vencedores. Quando

a história das insurtechs for escrita, não

ficarei surpreso se metade falhar ou, pelo

menos, não corresponder às expectativas.

O sucesso do setor não será medido por

quantos fracassam, mas pelos poucos que

obtém sucesso massivo.

A explosão Cambriana ou explosão câmbrica foi o

aparecimento relativamente rápido, em um período

de alguns milhões de anos, dos filos mais importantes,

durante o período Cambriano há cerca de 530 milhões

de anos atrás, conforme encontrado no registro fóssil.

6


caribou honig

painel

Apólice: Em 2019, existe algum

produto para o qual as insurtechs estão

mais direcionadas?

O que eu realmente amo sobre insurtechs

é que elas estão voltadas para

quase todos os aspectos do negócio de

seguros. Isso significa que há startups

- e equipes de inovação dentro das

incumbentes - inovando em todas as

categorias de produtos. Eu também estou

vendo muitas empresas começarem a

introduzir um produto de nicho. Eu acho

que esta é uma abordagem interessante,

pois até mesmo um nicho pode ser considerável

quando se trata de seguro e o

sucesso pode ser um trampolim para

produtos adjacentes.

Apólice: As insurtechs mantêm o

foco na jornada do cliente?

As insurtechs tendem a ter um foco

nítido na experiência do cliente. Eu tenho

algumas teorias sobre isso. O fato

de que eles estão começando com uma

tela em branco é importante. Algumas

startups têm novas abordagens para a

jornada do cliente como parte central de

sua tese. A Lemonade é o exemplo mais

proeminente, com seu compromisso com

a economia comportamental. Em última

análise, a experiência do cliente será uma

ferramenta essencial para impulsionar a

economia da unidade e você precisará

usar todas as ferramentas disponíveis

quando não puder confiar em uma marca

ou rede de agentes pré-existente.

Apólice: Qual é a grande tendência

das empresas de tecnologia de

seguros em 2019?

Esta é uma grande questão! Ultimamente,

tenho visto duas tendências importantes:

a primeira é o que eu chamo

de “API-ification da pilha de seguros”.

Significado: as diferentes partes de funcionalidades

necessárias para originar,

subscrever e dar suporte a uma apólice

de seguro estão se movendo em pequenos

módulos distintos, que podem ser

reconectados com quase zero atrito. Na

verdade, estou tão comprometido com

essa ideia que tenho um projeto paralelo,

www.insurapi.io, que espero que se

torne uma biblioteca de todas as APIs

relacionadas a seguros. A outra tendência

chave é em torno da distribuição. Os

corretores são obviamente importantes,

mas há uma tendência recente em torno

de parcerias de canais que podem minar

o papel dos corretores tradicionais. Pense

na experiência do seguro de viagem

como exemplo. Ao reservar um voo online,

é o site de viagens que me oferece

seguro de viagem, não um corretor de

seguros tradicional. Eu vejo modelos

semelhantes de parceiros de canal na

recuperação dos seguros.

Apólice: As insurtechs estão preocupadas

em melhorar a lucratividade

das seguradoras?

Existem realmente dois tipos de

insurtechs: aquelas que querem melhorar

as seguradoras e aquelas que querem

competir. As primeiras são, na verdade,

negócios B2B, geralmente com um tipo

de produto de software como serviço,

tentando vender para corretores, seguradoras

ou resseguradoras. À medida que

suas soluções forem adotadas, ajudará os

resultados financeiros dos incumbentes,

especialmente no lado do custo. As outras

insurtechs, com o objetivo de competir

com as empresas estabelecidas, pressionarão

os resultados dos incumbentes. A

boa notícia é que os clientes se beneficiarão

de ambos.

Apólice: Existe alguma insurtech

que se destaque em 2019?

Eu gostaria de dizer que amo todos

os meus filhos igualmente! Falando sério,

é provavelmente injusto tentar nomear

apenas uma startup que se destacará. Eu

acho que 2019 é um ano em que começamos

a ver alguns dos vencedores de longo

prazo provarem que eles têm economia

Incumbentes são

pessoas ou empresas

com papel reativo

às inovações. Seu

oposto são os

Insurgentes, aqueles

que apresentam as

novidades.

escalável e positiva. Pode ser um ano em

que comecemos a ver que alguns não

conseguem viver de acordo com o hype.

Apólice: Você acredita que experiências

inovadoras podem ser compartilhadas

globalmente?

Absolutamente! Claro que haverá variações

de uma região para outra devido

às diferenças na cultura, regulamentação,

estrutura da indústria e assim por

diante. Mas há uma quantidade enorme

de inovações que as empresas podem

aprender procurando fora de seu mercado

doméstico e procurando modelos de

negócios paralelos. Deixe-me compartilhar

um exemplo: recentemente, ouvi

falar de uma empresa na África do Sul

que fornece seguro de vida para pessoas

com uma condição médica de alto risco,

especificamente o HIV. Eu também tenho

acompanhado uma empresa nos EUA

que fornece seguro de vida para pessoas

com uma condição de alto risco, diabetes.

Eu tenho que acreditar que pode haver

aprendizados compartilhados para esses

dois inovadores, apesar das diferenças de

onde eles operam.

Apólice: Você segue o mercado

de seguros brasileiro? Qual é a sua

análise de inovação em países menos

desenvolvidos?

Eu realmente acompanho o mercado

de seguros brasileiro. Eu tive a oportunidade

de falar em uma conferência de

insurtechs no ano passado em São Paulo,

o que me trouxe muitos conhecimentos.

Muitas vezes, as maiores inovações vêm

das economias emergentes e eu me inspiro

na energia e no entusiasmo dos empreendedores

que conheci no Brasil.

• ncapacitação

Aprendizado em

Orlando

A Sompo Seguros promoveu a 2ª

edição da Campanha Fraternidade, iniciativa

por meio da qual levou 19 corretores

de seguros de todo Brasil para

Orlando (Flórida – EUA) para vivenciar

a experiência de passar uma semana

em um curso exclusivo em uma universidade

estadunidense. Além de visitas,

os executivos apresentaram estratégias

e tendências de negócios. “Essa

campanha trabalha sob um conceito totalmente diferente

do que se observa em ações de relacionamento. A ideia é

fazer com que os colaboradores voltem a se sentir como

no ambiente de universidade. Por isso, todo o conteúdo é

exclusivamente desenvolvido para atender a esse grupo”,

afirma Fernando Grossi, diretor comercial da empresa.

De 14 a 20 de abril, os corretores tiveram uma agenda

intensa, que incluiu um curso de Customer Experience

ministrado em português na University of Central Florida

(UCF), desenvolvido com exclusividade para a companhia

pela Life at Campus, empresa especializada em organizar

cursos para brasileiros em universidades estadunidenses.

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painel

• nexpansão

51ª unidade no Brasil

• nestudo

Perdas seguradas

A Rede Lojacorr inaugurou a 51ª unidade da marca. A

nova Unidade Rede Lojacorr Curitiba Água Verde vem para

solidificar a empresa na sua cidade de fundação. O marco foi

destacado pelo CEO da companhia, Diogo Arndt Silva. De

acordo com o líder, “a segunda unidade em Curitiba é um

retorno às nossas raízes, com o olhar mais maduro, mas com

o mesmo sentimento que deu início a todo esse trabalho de 22

anos”, explica. Élcio Ricardo de Miranda, sócio da Cartagena

Seguros, pai do sócio da nova unidade, Gabriel

Ricardo de Miranda, afirma que, além

do alto grau de profissionalismo, o ponto

decisivo para apoiar o filho na abertura da

nova unidade foi o reconhecimento das pessoas

envolvidas nos processos e os valores

humanos da empresa. “A convicção tomou

corpo durante a 6ª Convenção Nacional da

Rede Lojacorr, onde os diretores presentearam

uma das unidades com uma árvore de

Bonsai. A planta simboliza prosperidade,

equilíbrio, boa sorte, perenidade e amor,

e é também conhecida como a árvore da

vida”, conta.

A experiência das perdas geradas por catástrofes nos

últimos dois anos é um alerta para o setor de seguros, que

destaca a tendência da crescente devastação gerada pelos

chamados riscos “secundários” (eventos independentes pequenos

ou médios ou efeitos secundários oriundos de um

risco primário). As perdas seguradas geradas por catástrofes

naturais em 2018 atingiram US$ 76 bilhões, o quarto montante

mais alto em um período de um ano, de acordo com o

último relatório sigma do Swiss Re Institute, e mais de 60%

das perdas foram provenientes de riscos secundários. As

perdas seguradas geradas por catástrofes naturais em 2017

e 2018 totalizaram US$ 219 bilhões, o montante mais alto

na história em um período de dois anos. Em 2017, quando

os pedidos de seguro totais referentes a desastres naturais

foram os mais altos da história em um período de um ano,

mais da metade foi proveniente de riscos secundários. As

perdas geradas por riscos secundários estão aumentando

devido à urbanização, ao aumento da concentração de

ativos em áreas expostas a condições meteorológicas extremas

e a mudanças climáticas, aponta o relatório.

• ncapitalização

400 novos produtos no mercado

Terminado o prazo legal para adaptação e desenvolvimento

de produtos dentro do novo marco regulatório, encerrado

oficialmente em 28 de abril, o mercado de capitalização passou

a contar com duas novas modalidades: o Instrumento de

Garantia e o Filantropia Premiável, criadas a partir da edição

das Circulares Susep 569, em maio, e a 576, em agosto. Até

então, a modalidade de Garantia era usada para garantir empréstimos

e substituir o fiador nas transações de aluguel, sendo

apresentada como uma opção dentro do modelo tradicional

(aquele que devolve 100% do valor acumulado corrigido pela

TR); e o produto que permitia ações de filantropia era oferecido

dentro da modalidade Incentivo e popular. Com as duas novas

modalidades, o mercado prevê a entrada de mais de 400 novos

produtos em circulação ainda no primeiro semestre.

• nproduto

Planos para taxistas e motoristas

de app

Os corretores parceiros

da SulAmérica

podem oferecer a taxistas

de todo o País os

planos de Assistência

24 Horas da seguradora,

que contam com

serviços como chaveiro,

troca de pneus, carro

substituto e maior

quilometragem para

reboque (até 400 km no

plano 3 e distância ilimitada no plano 4). Além da novidade

para táxis, a empresa passou a incluir no cotador para

seguro de automóveis uma opção de “transporte por

aplicativo”, permitindo que corretores gerem apólices

específicas para motoristas que usam o carro particular

nessa modalidade. “O transporte compartilhado, seja

por meio de táxis ou apps, é uma tendência cada vez

mais forte na sociedade. Em linha com esses avanços,

expandimos o acesso de taxistas às coberturas 24 horas,

o que garante aos corretores a chance de penetrar

cada vez mais neste segmento e gerar novos negócios”,

explica o vice-presidente Comercial da seguradora,

André Lauzana.

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painel

• ndigitalização

Aviso de sinistro 100% online

A Chubb passou a admitir, no Brasil, o aviso de sinistro

totalmente online, para as áreas de Acidentes Pessoais, Vida

e seguros para celulares. Assim, em caso de sinistro em um

desses setores, segurados e corretores parceiros da companhia

agora podem utilizar o canal de autoatendimento para

realizar a notificação do sinistro. Além disso, ficou possível

anexar os documentos necessários já no primeiro contato.

“No momento do sinistro, o segurado se encontra em uma

situação de vulnerabilidade e, por isso, anseia por ver todas

as suas expectativas atendidas no prazo mais curto possível”,

diz Alejandro O’bonaga, vice-presidente de Sinistros da

empresa. Ele lembra que esse fato fica ainda mais evidente

quando o evento está associado com a vida, integridade física

ou bens pessoais considerados imprescindíveis no dia a dia.

“É durante o sinistro que o cliente avalia a real qualidade do

seguro e da seguradora que o garantiu”, ressalta.

• ninternet

Versão nova do site institucional

A CNseg lançou a nova versão de seu portal. Com mais

funcionalidades, o site torna flexível a disposição de conteúdos

e banners, além de criar novas sessões, como a área que reunirá

ações integrantes do Programa de Educação em Seguros.

“É mais um esforço institucional da entidade para reforçar

a relevância do setor para o País, seja pela sua condição de

investidor institucional ou pela sua condição de acolher os

mais variados riscos de

pessoas e empresas, reduzindo

as vulnerabilidades

da sociedade organizada

e de governos”, afirma

Solange Beatriz, diretora

de Relações de Consumo

e Comunicação da CNseg.

A nova plataforma busca

aproximar o setor da vida

cotidiana dos usuários

(consumidor de seguros,

representante de seguradora,

de órgãos públicos

etc.), demonstrando como

o seguro pode ser uma ferramenta

importante para

as pessoas, seus negócios e seu patrimônio. Muitas mudanças

foram feitas a partir de sugestões obtidas em pesquisa com

usuários. A página inicial, por exemplo, reunirá as notícias

mais recentes de todas as cinco entidades, Confederação e

Federações, além de informações e serviços direcionados ao

mercado segurador.

• nsaúde

De olho na telemedicina

A Omint esteve presente no evento Global Summit –

Telemedicine & Digital Health, promovido pela Associação

Paulista de Medicina (APM), representada pelo seu diretor

Médico Técnico, Marcos Loreto. As discussões sobre telemedicina

acadêmica, com foco na estruturação de um

ecossistema de saúde digital integrando fundamentos acadêmicos

com serviço privado, a fim de garantir a humanização

do atendimento médico, foi a tônica da apresentação

da empresa. A companhia, por meio da plataforma Omint

Digital, estabeleceu o novo ecossistema digital dentro da

logística de saúde. “O projeto tem o objetivo de ser mais

do que um simples serviço de teleorientação clínica. Ele

representa uma evolução no atendimento médico proporcionando

solução e conforto ao paciente na tomada de

decisão e, desta forma, otimiza recursos. Ele ainda integra

os serviços de teleavaliação, atendimento domiciliar e encaminhamentos

referenciados quando necessário, cobrindo

toda a cadeia de cuidados”, declarou Loreto.

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GENTE

Eleição na UCS

Ao completar 15 anos, a União dos Corretores de Seguros

elegeu sua nova diretoria, tendo à frente o corretor Ezaqueu

Bueno. Ele substitui Mara Sutto, que presidiu a entidade de

2017 a 2019.

Nomeação de CEO

A Argo Seguros nomeou

Newton Queiroz como novo CEO.

O executivo se reportará a Jorge

Luiz Cazar, head da América Latina.

“Newton chega para levar o

negócio ao próximo nível. Seu histórico

comprovado e consistente na

construção de operações de seguro

na região será decisivo na expansão

estratégica da companhia no País”,

afirma Cazar. Queiroz tem 19 anos de experiência no setor de

seguros. O executivo começou em 2012 como CCO da América

Latina da Swiss Re, ainda passou pelo cargo de diretor da

AON, especializada em aviação e petróleo e gás.

Mulher no comando

A diretora de Relações Internacionais

Ivy Cassa foi nomeada

em reunião do Comitê Executivo

do Conselho Presidencial da AIDA,

em Marrakech, a primeira brasileira

a presidir um grupo de trabalho

internacional Pessoas, Previdência

e Saúde. Ivy, que já assumia esse

posto no grupo nacional e iberolatinoamericano, comemora.

“A AIDA está presente em mais de 50 países e essas áreas

estão repletas de desafios para os estudiosos do Direito. É um

excelente canal para intercâmbio de conhecimento e o Brasil

tem muito a contribuir e a aprender”, finaliza.

CEO América Latina

A Swiss Re Corporate

Solutions nomeou Angelo

Colombo como CEO para

a América Latina. A partir

de 7 de outubro de 2019, o

executivo será responsável

pela gestão do negócio

de seguros comerciais da

empresa na região. “Estamos

muito felizes que o

Colombo vai conduzir o

negócio na região e nos

ajudar a fornecer proteção financeira aos clientes. Bem

conectado no mercado local, realmente compreende

os desafios de gestão de risco que as empresas estão

enfrentando”, afirma Andreas Berger, CEO da Swiss Re

Corporate Solutions.

Jayme Garfinkel deixa a

presidência do Conselho

da Porto Seguro

Após 47 anos atuando na companhia, Jayme Garfinkel

deixa conselho da Porto Seguro. O executivo afirma que o

motivo da sua saída é dedicar-se mais a projetos pessoais,

como viajar e estar mais presente no trabalho da Federação.

Em seu lugar na presidência do Conselho assume seu filho,

Bruno Garfinkel, em 31 de maio.

Outro objetivo de Jayme é dedicar-se ao projeto social

Instituto Ação Pela Paz, que foi criado por ele e tem parceria

com a Porto. A iniciativa auxilia ex-presidiários ao ingresso

no mercado de trabalho. “Ter tempo livre vai ser bom para

me dedicar às coisas que me importam”, afirma. Mesmo com

sua saída, Jayme diz que continuará atuando na empresa

como acionista.

Já Bruno fala sobre a importância de uma transição

segura para continuar obtendo resultados como o do quarto

trimestre de 2018, quando a empresa alcançou R$ 1,3 bilhão

de lucro líquido, um aumento de 34% em relação ao trimestre

anterior. “A ideia agora é continuar tudo o que havíamos

planejado, com a ajuda do Roberto Santos, presidente da

seguradora”, afirma.

O clima na companhia é de continuidade. Entretanto,

a carteira de seguro de automóveis, carro chefe da Porto, é a

que mais sofreu nos últimos anos com a queda da produção de

veículos, a crise econômica e a mudança no comportamento

do consumidor. “Devemos atualizar nossos produtos e nossa

relação com o público para estarmos em sintonia com estas

transformações”, enfatizou Bruno.

Nova integrante

A RJ Investimentos ampliou sua equipe com a chegada

da administradora e especialista em seguros de benefícios,

Cecilia Muller. A executiva chega com a missão de tocar

o segmento Corporate da companhia.

“Ela contribuirá muito para

o crescimento da operação. Isso

é importante porque quanto mais

suporte oferecemos aos assessores

do nosso escritório mais atraímos

novos profissionais de prestígio no

setor financeiro”, explica o sócio da

companhia, Antonio Gabriel.

Especialista em atendimento

A Regula Sinistros contratou uma

nova diretora de Sinistros. Claudia

Arruda conta com 20 anos de experiência

em seguros e gestão riscos

e é especialista em atendimento. A

executiva construiu a maior parte de

sua carreira no Grupo Porto Seguro,

desempenhando funções nas áreas de

atendimento, análise e regulação. “Minha experiência permitiu

o desenvolvimento de uma visão sistêmica e estratégica de

negócios. Na Regula, irei contribuir com minha expertise em

sinistros, tornando consistente e excepcional a jornada dos

clientes”, garante.

14


especial riscos financeiros | garantia

De volta à pauta

Projeto de lei que estabelece um novo marco

regulatório para licitações é retomado no

Plenário da Câmara dos Deputados. Com pontos

polêmicos, dentre eles o aumento do seguro

garantia para obras públicas, a expectativa é de

que, desta vez, avance até a sanção presidencial

Maio marca a retomada das

discussões no Plenário da

Câmara dos Deputados

que podem garantir que

as grandes obras do setor público sejam

feitas de forma mais segura em um

futuro breve. Com um novo relator, o

deputado federal Augusto Coutinho, líder

do Solidariedade e eleito pelo estado de

Pernambuco, o projeto de lei 1292/1995,

que altera a lei de licitações, volta à pauta

em caráter de urgência em uma ofensiva

da casa para não ficar na agenda única

Elis Lopes

do governo de Jair Bolsonaro, cujo foco

exclusivo é a reforma da Previdência. O

tema foi votado em Comissão Especial

da Câmara no final do ano passado e,

agora, tem chances mais concretas de

avançar até a sanção presidencial, para

que seja aprovado ainda este ano, como

aguarda ansiosamente o mercado de

seguros após anos consecutivos de espera.

“É um avanço muito grande para

o País e um momento oportuno para

votação”, diz Coutinho, lembrando que

novas emendas estão sendo aprovadas

nessa fase de tramitação. Para facilitar

a discussão, o deputado capitaneou um

trabalho de conciliação junto às bancadas

dos partidos e seus líderes no intuito de

ouvir os interessados no tema. O relator

do projeto, que assumiu esse ano e foi

presidente da Comissão Especial sobre

o tema em 2018, admite que o projeto de

lei tem muitos pontos polêmicos, dentre

eles, a ampliação do seguro garantia

para grandes obras públicas. Tanto é que

embora haja um consenso no mercado de

seguros de que o porcentual ideal seja ao

redor dos 30% para projetos de grande

monta, ou seja, acima dos R$ 200 milhões,

emendas sugerem ainda proteção

para todo o contrato, ou seja, de 100%.

“Existe uma discussão muito grande. As

seguradoras dizem que não conseguiriam

fazer seguro garantia para mais de 30%

do valor da obra, uma vez que não teriam

respaldo do resseguro”, admite Coutinho.

Aprovado no Plenário da Câmara

dos Deputados, que conta com o apelo

do presidente da casa, Rodrigo Maia, o

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

❙❙Augusto Coutinho, deputado federal

assunto volta ao Senado para que então

chegue às mãos de Bolsonaro. No meio

desse trâmite, o projeto, contudo, pode

sofrer alterações. No mercado de seguros,

o tema é praticamente consenso. Players

nacionais e internacionais defendem que

a garantia dada na fase de proposta dos

projetos, chamada de “bid bond” no jargão

do setor, seja elevada de 1% para 5%.

Já para o período de realização das obras,

conhecida como “performance bond”, o

pleito é de que a garantia suba dos atuais

5% para 30%. Além disso, seguradoras

defendem ainda a possibilidade de assumirem

o projeto em caso de sinistro

e multa de 15% para aquelas que assim

não o fizerem. “Temos um cemitério de

obras inacabadas no Brasil. Isso tem de

ser resolvido. Precisamos avançar com

a nova lei de licitações, concedendo às

seguradoras o poder de conclusão dos

projetos”, atenta o presidente da FenSeg

e da Chubb Seguros, Antonio Trindade,

que considera este um dos pontos fundamentais

para que o Brasil entre em

um ciclo virtuoso e que os investimentos

sejam retomados no País.

O que pensa o mercado

Os detalhes do projeto de lei que

deve fixar um novo marco para as licitações

no País ainda geram, contudo,

muitas dúvidas no mercado de seguros.

Debruçada no tema, a equipe da resseguradora

Terra Brasis, defende um melhor

detalhamento, principalmente na esfera

jurídica, sobre o que significa exatamente

as seguradoras assumirem as obras

e quais responsabilidades jurídicas

acompanham tal entendimento. “Quem

será o ‘dono’ da obra, o Estado ou a

seguradora?”, questiona a resseguradora.

Integrante da Coordenação da Comissão

Técnica de Seguros de Crédito e

Garantia da Fenacor, o diretor de infraestrutura

da Marsh Brasil, André Dabus,

chama atenção para o fato de o resultado

final do projeto de lei atender a todos os

elos envolvidos na cadeira de infraestrutura,

ou seja, dando segurança tanto para

os construtores quanto às seguradoras.

A ideia de ampliar o seguro garantia

de grandes obras de 5% para 100% do

contrato, por exemplo, conforme ele, não

encontra respaldo no mercado de seguros,

uma vez que não há capacidade suficiente

ainda que os riscos sejam divididos com

os resseguradores locais e internacionais.

“Estudos baseados em mercados mais

maduros demonstram que normalmente

uma retomada de obra possui um custo

médio de 30% sobre o preço do orçamento

originalmente aprovado”, acrescenta o

diretor de Garantia da Swiss Re Corporate

Solutions, João Di Girolamo Filho,

mostrando necessidade de a nova lei de

licitações evitar desvios e sobrepreços

nas grandes obras públicas.

De acordo com ele, não se pode

comparar o modelo brasileiro com o

americano, conhecido como “surety

bond”, embora seja a favor de o País se

espelhar em práticas internacionais bemsucedidas.

Pesa, sobretudo, a idade desses

mercados. Enquanto o modelo americano

já vigora há mais de 100 anos, o brasileiro,

conforme Girolamo Filho, engatinha, com

menos de três décadas de existência, considerando

como marco inicial a criação da

❙❙André Dabus, da Marsh Brasil

❙❙Antonio Trindade, da Chubb Seguros

lei de licitações 8666/1993 e respectivas

mudanças no ano seguinte.

Dabus, da Marsh, lembra que o novo

marco regulatório é fundamental para

retomar as grandes obras no País, paralisadas

em meio à Operação Lava Jato, uma

vez que o processo licitatório é condição

essencial para a realização dos investimentos

públicos. “Nos últimos anos, o

mercado de garantia para grandes obras

andou para trás em meio à crise orçamentária

que abalou estados e municípios e os

fizeram reduzir drasticamente a contratação

de obras. Hoje, é muito raro vermos

uma grande obra pública em andamento.

Não conseguiremos avançar no setor de

infraestrutura sem uma regulação moderna

das licitações”, destaca o especialista.

A retomada das grandes obras se dará

ainda em um cenário no qual, após a Lava

Jato, a confiança, que antes fora exacerbada

nas grandes construtoras, está relativamente

abalada. O dominó de escândalos

envolvendo grandes nomes do setor fez

com que os resseguradores, tanto locais

quanto internacionais, ficassem mais atentos

quanto aos tomadores que podem estar

nos contratos e ainda as condições para

aceitação por parte das seguradoras. Essa

postura reflete, sobretudo, uma tentativa

do mercado, na visão da equipe da Terra

Brasis, de recompor as perdas que aconteceram

nos últimos anos. “O projeto de

lei não será fonte de convencimento para

a aceitação dos riscos, porém trará maior

demanda por parte dos tomadores, que

podem ser revisitados e reavaliados pelo

departamento de subscrição e crédito das

seguradoras”, explicam os especialistas da

resseguradora.

16 17


garantia

Mais segurança

“O percentual de 30% de garantia

para obras públicas é o ideal para que

um projeto de construção possa ser

retomado pela seguradora”

João Di Girolamo Filho, da Swiss Re Corporate Solution

Como o fluxo de caixa dos players envolvidos nas grandes

obras está deteriorado como reflexo da Lava Jato, o seguro

garantia pode ser uma importante válvula de escape para que

essas empresas voltem a ser atores principais dos projetos de

infraestrutura no País. No entanto, a fixação do porcentual

que vigorará sobre os contratos é essencial, conforme executivos

ouvidos por Apólice, para evitar maiores restrições nos

contratos, por exemplo, a exigência de garantias mais pesadas,

e ainda a elevação das taxas cobradas.

Além disso, a volta dos projetos de infraestrutura reabre

uma janela de oportunidade para seguradoras no País não só

sob o ponto de vista de faturamento bem como diversificação

de seus portfólios. Isso porque, nos últimos anos, o mercado

de seguro garantia andou, sobretudo, motivado pela modalidade

de seguro garantia judicial (leia mais na página 20). A

retomada das obras de infraestrutura é tida como uma saída

para que as companhias equilibrem melhor os riscos neste

segmento, não ficando tão dependentes de uma única modalidade.

Para Dabus, da Marsh, abre-se uma oportunidade de

as companhias de seguros desenvolverem outros produtos,

tais como seguros de riscos de engenharia, responsabilidade

civil, equipamentos, dentre outros, tidos como necessários

para proteção dos riscos do contrato, além das garantias tradicionais

que não abrangem eventos desta natureza. “Desta

forma, em caso de acidentes nas obras, os contratos poderão

ser concluídos, independente de acidentes externos, alheios

à vontade das partes”, conclui Dabus.

“O ponto que mais chama atenção no projeto

de lei que altera a Lei de licitações e contratos é

a ampliação no porcentual da garantia que, para

os contratos de obras, serviços e fornecimento,

aumentou de 5% para até 20% do valor inicial do

contrato. Já no caso das obras e serviços de engenharia

de grande vulto, o projeto de lei obriga a

contratação do seguro garantia e eleva o percentual

de 10% para 30%. Diante do que vemos na

prática, o aumento nos percentuais oferecerá maior

segurança ao segurado público no momento do

sinistro pois, pelos limites asseguráveis vigentes, a

apólice, quando muito, paga a multa rescisória e

deixa de atender o sobrecusto.

Outro aspecto de impacto é a previsão de

cláusula de retomada nos contratos de grande

vulto, com a possibilidade de multa em caso de

não conclusão do objeto contratado, incluindo

a seguradora no contrato principal como interveniente

anuente com a responsabilidade pelo

gerenciamento da obra. Apesar de discutível do

ponto de vista da relação securitária, a intenção do

legislador é alterar a postura da seguradora para

que esta monitore o risco assumido. Na prática,

observamos que poucas companhias são proativas

nas expectativas, quando, na verdade, essa

é a melhor oportunidade para a solução efetiva

do conflito pois, após a reclamação do sinistro, a

mediação muitas vezes é ineficaz. Assim, diante das

alterações em discussão no projeto de lei, acreditamos

que deva ser avaliado pelas seguradoras o

acompanhamento do objeto contratado por meio

de uma equipe multidisciplinar (advogados, engenheiros

etc.), responsável pela coleta e análise das

informações enviadas pelo tomador e segurado

e, quando necessário, vistorias no local. Esse olhar

mais atento garantirá o efetivo gerenciamento do

risco assumido, o que, de quebra, pode conferir

mais agilidade e eficácia na regulação,

caso a apólice de seguro seja

acionada.”

Luciana Correia Hey

Coordenadora de Sinistros de

Garantia e Fiança Locatícia

Addvalora Brasil Reguladora

de Sinistros

18


especial riscos financeiros | garantia judicial

Um mercado

debilhões

Impactado pela

crise no País e a

saúde financeira

das empresas, o

mercado de seguro

garantia judicial tem

potencial de retomar

o crescimento de

dois dígitos em 2019.

O desembarque de

novas seguradoras e de

consumidores, que até

então não contratavam

a proteção são

impulsos extras para a

modalidade

Elis Lopes

Após passar por um teste de

fogo importante com a recuperação

judicial da operadora

de telefonia Oi, o seguro garantia

judicial pode ter novas avenidas de

crescimento em 2019. A modalidade tem

potencial de ultrapassar a marca histórica

dos R$ 3 bilhões neste exercício, segundo

projeções, o que lhe posiciona entre as

grandes carteiras do mercado de seguros

brasileiro. Um dos impulsionadores para

a tração adicional ao segmento são os novos

atores, tanto do lado de quem compra

como por parte de quem vende, o que de

quebra deve trazer mais concorrência ao

segmento. Players além dos tradicionais

nomes como Pottencial, Junto (ex-J.

Malucelli), Too (ex-Pan) e BMG começam

a desembarcar no mercado para

disputar uma fatia do seguro garantia

judicial. Dentre eles, estão a novata JNS

Seguradora, controlada pela JNP Participações,

de um dos ex-sócios e fundadores

do Paraná Banco, Jorge Nacli Neto, a

americana American Life e também a

Argo Seguros, subsidiária do grupo baseado

em Bermuda e que começa a abrir

seu leque de negócios para consultas fora

da sua carteira de clientes globais.

Além dos novos entrantes, o mercado

de seguro garantia judicial tende a aumentar

seu bolo a partir do interesse de um

público novo. Contratada até então por

parte de grandes corporações, com faturamento

anual de mais de R$ 100 milhões

e patrimônio líquido positivo, a proteção

começa a ser demandada também por empresas

de médio porte, ou seja, que estão

abaixo desta régua. “Começamos a ver

também as médias empresas demandarem

seguro garantia judicial como uma forma

manterem a liquidez de seu negócio ao

invés de tomar crédito no banco via uma

fiança bancária, comprometendo o seu

capital de giro. É uma oportunidade para

corretores menores buscarem esse tipo de

produto, o que não era comum antes neste

mercado”, explica o diretor presidente da

BMG Seguros, Jorge Sant’anna.

Assim, a estrada principal de crescimento

do seguro garantia judicial no

Brasil, ou seja, a troca de fianças bancárias

por apólices, não só permanece como

um grande motor para o segmento bem

como tende a ser fortalecida, uma vez

que mais empresas passam a considerar

a possibilidade. Além de ser mais atrativo

sob a ótica de custo, o produto não

consome capacidade de crédito das companhias,

deixando o limite livre junto às

instituições financeiras para fazer frente

às demandas do dia a dia dos negócios,

em um cenário em que a retomada da

economia brasileira foi novamente postergada

em meio ao atraso na aprovação

da reforma da Previdência. O seguro

garantia judicial pode ser utilizado por

parte das empresas para fazerem frente

a litígios trabalhista, tributário, fiscal e

cível. O principal motor do segmento

no Brasil, contudo, é o tributário, como

reflexo das disputas bilionárias entre

as empresas e a Procuradoria Geral da

Fazenda Nacional (PGFN).

Tanto é que, nos últimos anos, a

modalidade judicial tomou conta do

segmento de garantia no Brasil, enquanto

os contratos de grandes obras minguaram

sob o efeito da Operação Lava Jato. Em

2018, o segmento totalizou R$ 2,684

bilhões, praticamente estável, com leve

aumento de 1,3% frente a 2017, de acordo

com dados da Superintendência Nacional

de Seguros Privados (Susep). Do volume

total de prêmios emitidos no País, o seguro

garantia judicial representou mais

de 90%. Embora tenha mantido sua representatividade

no todo, o segmento foi

impactado, de acordo com especialistas

ouvidos por Apólice, pela atividade econômica,

que demora a retomar o vigor

ainda sob os reflexos da crise que atingiu

o Brasil nos últimos anos e, como consequência

desse ambiente, a saúde financeira

das empresas. Não bastasse isso, pesou

ainda uma menor intensidade por parte

do próprio governo no “ativismo de cobrar

imposto”. Ainda que o País enfrente

a sua crise fiscal mais grave, os debates

das grandes reformas estruturais, dentre

elas, a principal que é a da Previdência,

tiraram um pouco o foco de outros temas,

com o Conselho Administrativo de Recursos

Fiscais (CARF), integrado ao atual

Ministério da Economia e responsável

por julgar recursos referentes a tributos

menos ativos.

“O potencial de

crescimento do garantia

judicial no Brasil veio

para ficar. Além de mais

barato, o seguro pode ser

a ponte para injeção de

capital nas empresas à

medida que, ao contrário

da fiança bancária, não

empossa liquidez”

Jorge Sant’anna,

da BMG Seguradora

20 21


garantia judicial

❙❙Ricardo Reis, da Satre

Para este ano, as projeções do

mercado brasileiro sinalizam, contudo,

um ambiente mais promissor para o

seguro de garantia judicial. Conforme

expectativas da BMG Seguradora, a

expansão do segmento pode ficar entre

25% e 30% em 2019 frente ao exercício

passado, empurrando o mercado total

para cerca de R$ 3,4 bilhões. Os primeiros

meses de 2019 já dão um sinal

do que se espera para o exercício. Dados

recém divulgados pela Susep mostram

que o setor como um todo saltou 54% no

primeiro trimestre em relação a idêntico

intervalo do exercício passado, chegando

à marca de R$ 900 milhões. Como base

de comparação, nos três primeiros meses

de 2018, o segmento havia crescido 11%

ante o mesmo período de 2017. “O Brasil

é um dos países, se não for o maior

do mundo, em número de processos

judiciais. Daí, percebemos o enorme

potencial do seguro garantia judicial

no País”, atenta Ricardo Reis, da Satre

Corretora de Seguros, lembrando que

a substituição de fianças bancárias por

apólices de seguros é crescente devido

aos benefícios do produto que incluem,

dentre outros, taxa mais atrativa e respaldo

no mercado de resseguros.

Para o presidente da Junto Seguros

(antiga JMalucelli), Leonardo Deeke

Boguszewski, o mercado de garantia

judicial tem potencial praticamente de

dobrar de tamanho nos próximos anos.

“Considerando o volume de depósitos

judiciais e de fianças bancárias, em

conjunto com o crescimento natural

da demanda pelo produto, visto que as

discussões judiciais são uma realidade

e não tendem a diminuir, acreditamos

que existe hoje um potencial de geração

de prêmios próximo a R$ 5 bilhões nos

próximos anos”, estima o executivo.

Arcabouço

O boom do mercado de seguro garantia

judicial no Brasil tem como pano

de fundo, principalmente, o aperfeiçoamento

do arcabouço legal para a aceitação

do produto. O principal impulsionador,

ainda em 2015, foi o Novo Código

Civil, que equiparou o seguro garantia

judicial a dinheiro para efeito de penhora,

impulsionando a contratação de apólices.

1.101

Até então, a maioria dos juízes solicitava

a apresentação de fianças bancárias. Em

alguns casos, a exigência era tamanha que

até mesmo os nomes de bancos entravam

na lista de critérios. Quando o HSBC

estava para ser vendido, por exemplo, os

juízes não queriam mais aceitar fianças

bancárias da instituição, ainda que tenha

sido adquirido pelo Bradesco, o segundo

maior banco privado do País. Além do

Novo Código Civil, a portaria 164/2014,

da Fazenda Nacional, que equiparou o seguro

a outras garantias nos processos de

execução fiscal, ajudou a turbinar o segmento.

Isso porque além de permitir que

as apólices fossem dadas em garantias

nos processos, liberou ainda a substituição

de outras modalidades apresentadas.

EVOLUÇÃO DO SEGURO DE GARANTIA

1.301

2013 2014

Prêmios emitidos (R$mi)

1.661

91% GARANTIA JUDICIAL

2019

2015

2.007

2016

2.650

2017

2.684

2018

3.355

2019 E

2018 2017

(jan/fev) (jan/fev) (jan/fev)

Prêmio Seguros 370.410.867 323.227.258

381.358.648

Fonte: Susep

“Um importante motor

de crescimento para o

seguro garantia judicial

deve ser a utilização

do seguro como

garantia em depósitos

recursais, que deve

consolidar o produto

como opção para

empresas de qualquer

tamanho”

Leonardo Deeke Boguszewski,

da Junto Seguros

Com a melhoria do arcabouço legal, a

discricionariedade diminuiu e o seguro

garantia judicial ganhou mais espaço.

Em paralelo, os bancos começaram a

ficar mais rigorosos para dar crédito em

meio a crises de inadimplência no País

e, principalmente, as novas regras de

Basileia III – definem quanto um banco

pode emprestar sem comprometer o seu

capital, que endureceram as métricas de

capital das instituições financeiras ao

redor do mundo. Como a fiança bancária

consome praticamente o mesmo que

uma linha de crédito de capital de giro

para um banco e não é um produto de

relacionamento bancário, as instituições

financeiras diminuíram seu apetite na

concessão, enquanto que mais seguradoras

começaram a disputar o seguro

garantia judicial, de olho no potencial

do segmento no País.

Mais recentemente, as novas regras

trabalhistas, editadas ainda no governo do

então presidente Michel Temer, passaram

a ser um novo impulsionador para a garantia

judicial. Isso porque a “nova CLT”

passou a considerar apólices de seguros,

criando, assim, uma nova modalidade no

mercado, de garantia recursal trabalhista.

Além de evitar a fase de execução diante

do prazo apertado para a quitação de débito,

o seguro passou a garantir, inclusive,

os depósitos recursais. De acordo com o

diretor comercial da corretora Alper Seguros,

Robert Hufnagel, mais de 30 mil

apólices foram incluídas no primeiro ano

do produto. A nova modalidade de seguro,

segundo ele, cresce ainda com ferramentas

de contratação digitais e, portanto,

mais fáceis e ágeis. “É extremamente

rápido e simples de contratação, que

passou a levar alguns minutos, por conta

das ferramentas digitais disponibilizadas

pelas seguradoras. Para os contratantes, o

custo passou a ser sensivelmente menor

que o valor que antes era caucionado sem

seguro”, avalia Hufnagel.

Sinistralidade

Olhado com ressalvas por alguns

especialistas no segmento por conta do

crescimento expressivo dos últimos anos,

o seguro garantia judicial tem conseguido

passar sem grandes prejuízos às seguradoras.

O principal teste de fogo foi a

operadora de telefonia Oi, que capitaneou

o maior caso de recuperação judicial da

história brasileira. A companhia detinha

milhões em garantias tanto na área cível

quanto trabalhista e o temor era de que

as proteções fossem acionadas no âmbito

do processo. No entanto, ao contrário, as

mesmas tendem a serem extintas assim

como os processos trabalhistas e cíveis

no âmbito da aprovação do plano de recuperação

da Oi, conforme duas decisões

do Superior Tribunal da Justiça (STJ). O

entendimento, ao menos até aqui, é de

que dívidas trabalhistas e cíveis caem por

terra uma vez que a aprovação do plano

de recuperação judicial embute uma novação

da dívida, ou seja, cria uma nova. A

exceção são as ações tributárias que não

entram neste pacote. “As decisões servem

de jurisprudência para novos casos de

empresas em processo de recuperação

“As indenizações

demonstram a

solidez do seguro

garantia judicial perante

o juízo, garantindo

assim a eficácia e

ampliando a

aceitação por parte

do magistrado”

Robert Hufnagel, da Alper Seguros

judicial no Brasil embora o mercado

esteja em um momento inverso da crise,

com uma queda nos pedidos de recuperação

judicial”, diz Cássio Amaral, sócio

do escritório de advocacia Mattos Filho.

Embora a “prova de fogo da Oi” não

elimine totalmente a ocorrência de sinistros

emblemáticos no futuro, o processo

de subscrição por parte das seguradoras,

conforme Hufnagel, tem cada vez mais

se aperfeiçoado. “O maior risco por parte

das seguradoras seria das empresas não

conseguirem honrar o contrato de contra

garantia em casos de insolvência, uma

vez que os riscos são de cauda longa e

a situação da empresa contratante do

seguro poderá mudar ao longo do período

de vigência das apólices”, observa o

executivo, acrescentando que as indenizações

demonstram a solidez do produto

perante o juízo, garantindo assim a eficácia

e ampliando a aceitação por parte

do magistrado. “Os sinistros fazem parte

dos riscos assumidos pelas seguradoras e

resseguradoras”, conclui Hufnagel.

22 23


especial riscos financeiros | d&o

Seguro complexo,

mas de bom

resultado

Depois de um período turbulento,

com grandes sinistros ligados às ações

da Lava Jato, produto agora entra na

fase de explorar novos nichos, sempre

de olho na preservação do patrimônio

dos executivos

Kelly Lubiato

O

mercado de D&O atual exige

uma abordagem diferente

da que era feita no passado,

baseada apenas em números

da empresa que solicita a cobertura para

os seus executivos. Hoje, os riscos envolvem

violação de dados, preocupações

com a privacidade, uso de mídias sociais

e outros eventos imprevisíveis pelas práticas

usuais de subscrição. Estes eventos

podem não estar ligados com a situação

financeira da empresa, o que dificulta a

sua quantificação, de acordo com estudo

da Founder Shield.

O ano de 2019 começou acelerado

para a carteira de D&O no Brasil. Segundo

dados da Superintendência de Seguros

Privados, os prêmios aumentaram cerca

55% nos dois primeiros meses deste ano

em relação a janeiro e fevereiro de 2018.

Se isolarmos apenas o mês de fevereiro,

o crescimento é de 93,15% em relação a

fevereiro do ano passado. O índice anual

de crescimento passará dos dois dígitos,

certamente, em 2019. O recorde do ano

de 2018 ficou por conta da sinistralidade,

na casa dos R$ 350 milhões.

É importante lembrar que os avisos

de sinistro são comunicados às seguradoras,

mas as indenizações são desembolsadas

ao longo do tempo. As apólices

normalmente têm cobertura para custos

processuais e honorários advocatícios,

que costumam ser desembolsados de

forma mais lenta.

Entretanto, especialistas afirmam

que este crescimento de dois dígitos não

pode ser creditado a um maior número de

compradores. Em alguns casos, o que está

acontecendo é um reajuste na renovação de

apólices do mercado. Maurício Bandeira,

Gerente de Produtos Financeiros e Responsabilidade

Civil da Aon Brasil, ressalta

que “as seguradoras que não obtiveram um

bom resultado estão sendo mais duras na

aceitação. Mas há também seguradoras

entrantes, com preços mais agressivos”.

Ao contrário do seguro de property,

que fica no âmbito do departamento

financeiro ou do gerente de risco e não

‘sobe’ na hierarquia da empresa, o D&O

é tratado pelo ‘C’ level das companhias,

porque a preocupação deles é entender o

conceito e saber quais são as cláusulas

que envolvem o contrato. Afinal, o seguro

❙❙Camila Calais, do Mattos Filho

é um ponto sensível para a diretoria das

empresas.

Em alguns casos, os clientes convocam

advogados para ajudar na compreensão

do clausulado dos contratos.

“Apesar do produto já contar com certa

maturidade no País, ainda percebemos

muitas dúvidas por parte dos segurados”,

esclarece Camila Calais, advogada do

escritório Mattos Filho. A preocupação

dos consumidores é saber se os sinistros

estão sendo pagos.

Para Camila, os produtos brasileiros

“tem uma complexidade gigantesca em

sua escrita, no seu clausulado, e algumas

coisas que são muitos difíceis de entender.

Uma pessoa normal, um empresário,

um administrador, por mais que seja uma

pessoa super esclarecida, não conseguirá

entender. Ainda temos muita demanda

em relação às coberturas e às exclusões,

que são muito complexas”, enfatiza. Esta

❙❙João Fontes, da AIG

Foto: Edi Pereira

complexidade pode ser resultado da ‘tropicalização’

dos produtos, pois a maioria

foi apenas traduzida para o português,

respeitando toda a estrutura externa

acrescida das necessidades regulatórias

brasileiras.

Camila atribui esta preocupação do

órgão regulador à influência de produtos

massificados, que exigem maior atenção

à hipossuficiência do segurado. “Não

somos capazes de receber ou desenvolver

produtos mais sofisticados por conta desta

limitação. Entendemos a preocupação

consumerista, mas no seguro D&O ela

não faz sentido”.

A questão da responsabilidade dos

administradores de uma maneira geral é

um conceito que foi estático. Entretanto,

ele vai sendo alterado de acordo com

o amadurecimento do País, com o seu

empresariado e de acordo com o que as

pessoas entendem como cuidado que o

grupo de administradores deveria ter. “A

responsabilidade do administrador tem

um âmbito legal e regulatório (toda vez

que vamos fazer um estudo para qualquer

empresa, sempre começamos falando

sobre a responsabilidade do administrador).

Existem determinados conceitos da

responsabilidade do administrador em

sociedade como, por exemplo, o dever de

diligência, que são conceitos que levam

em conta a média. Foi feito tudo que

poderia ser feito para mitigar ou eliminar

um risco?”, exemplifica o questionamento

a advogada Camila.

Depois das mudanças

A última mudança significativa nas

regras do seguro D&O aconteceu por

conta da circular 553 (que entrou em vigor

em novembro de 2017), que solicitava que

as seguradoras seguissem uma série de

regras e que todo produto teve que ser

refeito. A mudança mais significativa

desta circular foi a permissão para a

cobertura de multas. Os clientes agora

têm mais conhecimento do produto e

estão aprendendo a utilizar a apólice.

“Ele conhece melhor os termos e condições

da apólice, com as regras do produto”,

avalia João Fontes, coordenador de

Linhas Financeiras da AIG.

É muito difícil fazer uma previsão

para 2019, mas é importante ressaltar

24 25


d&o

que todos os entrevistados consideram o

mercado brasileiro ‘amadurecido’. Comparando

os dados de 2010 e 2019, o valor

dos prêmios cresceu muito, assim como

a sinistralidade. “Trabalhamos bastante

com sinistros, porque é importante para

o subscritor saber o que aconteceu para

poder apontar as tendências”, reflete

Fontes. Em sua empresa, foi realizado

um trabalho de pesquisa que destacou os

casos de sinistros tributários.

As seguradoras multinacionais

tentam entender o que acontece fora

para trazer a realidade ao Brasil. Fontes

explica que aumentaram bastante, nos Estados

Unidos, as ações de Class Actions,

quando os acionistas alegam que tiveram

prejuízos financeiros por conta da falta

de governança da empresa. Estas ações

são caras, porque envolvem os honorários

advocatícios, os acordos financeiros, as

multas. Um exemplo foi a multa aplicada

à Petrobrás (veja box).

O paralelo com o Brasil são as empresas

brasileiras que têm papéis listados

nas bolsas americanas, de forma direta

Multa de R$ 3,4 bilhões

ou por programas de ADS (American

Depositary Receipts) e que estão expostas

ao risco de ações judiciais nos Estados

Unidos. As empresas brasileiras entraram

no radar do órgão regulador americano.

Há uma tendência de regulamentação

mais ativa da CVM (Comissão de Valores

Mobiliários) aqui no Brasil, levando-se

também em conta o aumento do valor das

multas aplicadas pela autarquia, que subiram

de um patamar de R$ 500 mil para

R$ 50 milhões. “Existe a maior exposição

ao risco, com a discussão, pela CVM, de

um novo Código de Conduta. Estamos

monitorando e ainda não tivemos casos

com esta nova regra, mas é possível que

isso afete as apólices”, ressalta Fernando

Saccon, head de Financial Lines da

Zurich.

Em termos de riscos, os assédios

moral e sexual também entraram no

radar de tendências de coberturas do

produto. Todos os temas novos que têm

relação com governança corporativa são

passíveis de ter cobertura no D&O. Movimentos

como o MeToo (contra assédio

A Petrobras foi condenada a pagar uma multa de US$ 853 milhões (R$ 3,4

bilhões ao câmbio atual) para encerrar investigações do Departamento de Justiça

dos Estados Unidos sobre os crimes de corrupção descobertos pela Operação

Lava Jato. A companhia foi multada também em US$ 933 milhões (R$ 3,8 bilhões)

pela SEC, o xerife do mercado de ações americano, mas o valor foi descontado de

acordo feito com investidores no início do ano, quando a empresa desembolsou

US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) para encerrar ação coletiva movida por

detentores de ações na bolsa de Nova York.

Fonte: Folha de São Paulo

❙❙

Fernando Saccon, da Zurich

sexual no ambiente de trabalho) afetam

as políticas das empresas e se somam às

preocupações do cotidiano empresarial.

“As empresas com governança forte

discutem estes movimentos na onda do

que acontece no exterior. O que contribui

para o movimento de contratação do

seguro são os movimentos de aumento

das investigações, mudanças tributárias

e a edição de novas leis”, explica Saccon.

Em pequenas e médias empresas,

a aplicação da Lei Anticorrupção, por

exemplo, trouxe um alerta, porque ela é

válida para todo tipo de empresa, inclusive

aquelas que não negociam com o

Governo. Elas começam a refletir sobre

o assunto, sobre as políticas de conformidade

a algumas exigências feitas pela lei

que podem até atenuar as consequências

para as empresas caso elas incidam neste

tipo de situação.

O seguro no Brasil, em geral, é

muito bem regulado. Ele possui suas

amarrações, exigências e estruturas de

apólice, o que o diferencia de mercados

mais maduros. “Há lugares em que é

possível até utilizar clausulados de outras

seguradoras. O órgão regulador também

está aberto para a discussão do assunto,

estando aberto a inovar sem que, com

isso, se perca a essência da gestão sobre

o assunto. O papel dele é regular e ter a

gestão para que as reservas funcionem,

para que seja cumprido o que foi prometido”,

ratifica Saccon.

A flexibilidade dos contratos só é

possível se não mexer na essência dos

produtos. Mauricio Bandeira, da AON,

explica que é possível melhorar a redação

26


d&o

especial riscos financeiros | miura

❙❙

Mauricio Bandeira, da AON

nas seguradoras. “Mas não é um produto

tailor made”.

A bola da vez das empresas com

potencial de contratação de D&O são

aquelas de capital aberto. A KPMG faz

um estudo anual sobre o Novo Mercado

e mostra que mais de 95% destas empresas

contratam o seguro de D&O. As

instituições financeiras, por questões

regulatórias do Banco Central, precisam

do seguro. “Abrindo o leque, empresas

que estão sob a égide de agências regulatórias

como Anel, Anatel, Anac, Susep

também costumam contratar”, exemplifica

Bandeira.

As empresas de capital fechado

possuem risco menor, mas existe uma

tendência de crescimento neste segmento

também. “Qualquer administrador

possui este risco, seja ele de qualquer

tipo de organização que tenha um gestor.

A perspectiva é do mercado continuar

crescendo”, completa Bandeira.

O fortalecimento de políticas de

compliance no mundo corporativo nos

últimos anos popularizou o produto, levando-o

para mercados que até então não

cogitavam essa opção, como as pequenas

e médias empresas (PMEs). “Havia uma

percepção errada no mercado de que o

D&O era apenas para grandes empresas,

mas essa mentalidade está mudando rapidamente.

Há uma busca crescente das

PMEs por esse produto, que já se reflete

no volume de prêmios emitidos. Temos

hoje diversos corretores de pequeno e

médio porte negociando apólices de

D&O”, diz Marina Neufeld Schechner,

Head Casualty & FinPro da Swiss Re

Corporate Solutions.

O QUE É CONSIDERADO

NA PRECIFICAÇÃO DO D&O?

Tamanho da empresa

Número de empregados

Custos operacionais

Escopo do negócio

Estabilidade financeira do negócio

Estrutura de propriedade

(origem do capital investido)

Fonte: Founder Shield

“Empresas de pequeno e médio porte

estão sujeitas a grandes riscos. Uma

eventual condenação por má interpretação

da legislação tributária, por exemplo,

pode fazer com que os executivos

tenham que responder com o seu próprio

patrimônio por uma decisão tomada

em favor da empresa. O D&O é uma

importante ferramenta para aumentar a

resiliência das PMEs, que exercem um

papel fundamental em nossa economia”,

finaliza Marina.

Especialização para

estar entre as grandes

Corretora centralizou seus esforços nos seguros de

Garantia, Financial Lines e transportes internacionais

para buscar clientes multinacionais

Kelly Lubiato

SINISTROS

AÇÕES JUDICIAIS BASEADAS

EM EVENTOS

Tradicionalmente, o seguro D&O protegia

executivos de reivindicações de falsas declarações

em deveres fiduciários. No entanto,

os riscos para os executivos de hoje são mais

complicados. As reivindicações orientadas por

eventos, assim chamadas porque a origem do

litígio é um evento perturbador nas operações

de uma empresa, estão em alta.

Os incêndios florestais de 2018 na Califórnia

são ilustrativos. Após os incêndios, os acionistas

entraram com uma ação contra as empresas de

serviços públicos Edison International e PG&E,

depois que surgiram relatórios de que as empresas

eram pelo menos parcialmente responsáveis

pelos incêndios.

Da mesma forma, os acionistas entraram

com uma ação contra a Boeing depois que foi

noticiado que um de seus aviões estava envolvido

no acidente da Lion Air 610.

LITÍGIO DE VIOLAÇÃO DE DADOS

O litígio de violação de dados mais significativo em 2018 é a

liquidação do processo de ações do Yahoo. Enquanto as ações de

valores mobiliários sobre as violações de dados aumentaram nos

últimos anos, o Yahoo representa o primeiro processo desse tipo a

render um grande pagamento aos queixosos. No total, a empresa

concordou em pagar um total próximo de US$ 145 milhões para

liquidar as reclamações de responsabilidade de gestão e multas

e ações regulatórias.

LITÍGIO DE MÉTODO

Estes eventos evoluíram em 2018 para incluir não apenas

os perpetradores de atos ilícitos envolvendo assédio sexual ou

discriminação, mas também membros do conselho da empresa.

Por exemplo, uma ação derivativa de acionistas movida contra a

gigante esportiva Nike alega que o conselho permitiu uma atmosfera

de “clube de meninos”, na qual os homens recebiam aumentos

salariais e promoções com mais frequência do que as mulheres.

Os produtos de riscos financeiros

exigem um conhecimento

mais profundo do

corretor de seguros para a

realização da venda. É que além de estar

a par dos produtos disponíveis no mercado,

é preciso apresentar às seguradoras

uma argumentação técnica, que leve em

conta a análise financeira do cliente para

viabilizar a aceitação do risco e obter

melhores condições comerciais (taxa,

limites e prêmio).

A empresa foi fundada há mais de

40 anos. Há 10 anos, com a entrada de

um novo executivo com vasta experiência

no setor bancário, foi desenvolvido o

segmento de Linhas Financeiras.

Desta forma, foi possível se manter

e conquistar mais espaço no nicho de

mercado de empresas multinacionais

Paulo Miura, Fernando Miazaqui, Helio Ferreira Silva e Fabio Miura

de médio e grande portes, dominado

pelas gigantes corretoras internacionais.

A participação no grupo internacional

Uniba Partners, a partir de 2017, também

abriu novas portas. O Grupo existe há

30 anos e é uma plataforma profissional

presente em todo o mundo, que oferece

serviços personalizados de corretagem

internacional e gerenciamento de risco

de alta qualidade.

“Nós conseguimos atender os clientes

corporativos de grande porte com

nível de serviço diferenciado e dedicado.

Somos uma alternativa às grandes corretoras

internacionais, oferecendo um

atendimento local com mais atenção e

mais agilidade”, explica o diretor Executivo,

Fabio Miura. A Miura Seguros possuía

um mix de carteira com predomínio

do seguro transporte. Com a consolidação

dos produtos de linhas financeiras,

como seguro garantia, D&O e E&O, a

participação de transportes caiu para

40%, ficando 30% para financial lines

e 30% para riscos patrimoniais e vida.

Fabio ressalta que esta mudança fez

com que a empresa crescesse em um

ritmo mais acelerado. “Em 2018, crescemos

32%, de forma orgânica. Para 2019,

a meta é de um crescimento de 20%”,

adianta o executivo.

Isto será possível graças à movimentação

e à chegada de novos clientes

ao mercado. “Percebo que há muitas

oportunidades no seguro de Financial

Lines. Há muitas empresas que ainda

não tiveram acesso a esses produtos.

Por isso, acreditamos que este será

um grande ano para a Miura”, conclui

Fabio.

28 29


especial riscos financeiros | fiança locatícia

Produto ganha fôlego

em 2018

Ramo registra crescimento de quase 10% em 2018

e empresas apontam agilidade na contratação e

segurança como pontos fortes do produto

Lana Oliveira

Em um mundo cada vez mais dinâmico, no qual a

tecnologia caminha a passos largos para a desburocratização

e a otimização de processos, até

quando a figura do fiador tradicional ainda será o

instrumento de garantia mais utilizado na locação de imóveis?

Para quem pretende investir no mercado imobiliário,

principalmente em momentos de instabilidade econômica,

o seguro de fiança locatícia, conhecido popularmente

como seguro-aluguel, desponta como opção para agilizar

o processo de locação e trazer mais segurança a inquilinos

e proprietários.

Para se ter ideia, segundo os dados mais recentes da Pesquisa

Mensal de Valores de Locação Residencial (PVML) do

Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o fiador

ainda é o tipo de garantia mais frequente entre os inquilinos,

respondendo por 45% dos contratos de locação, seguido do

depósito (caução), que mobiliza 38% dos negócios. Enquanto

isso, o seguro de fiança locatícia representa apenas 17% dos

contratos realizados na cidade de São Paulo, um dos maiores

mercados imobiliários do País.

Mas, ao contrário do que demonstram os números, a

baixa capilaridade do produto não é vista como entrave e,

sim, como desafio para o mercado segurador. Pelo menos é

assim que pensa o diretor de Precificação e Riscos Diversos

Massificados da Tokio Marine, Arnaldo Bechara. A seguradora

japonesa está entrando com apetite na disputa por uma

fatia desse mercado e lançou recentemente o Tokio Marine

Aluguel. “É nossa intenção ter uma participação grande

nesse ramo. A expectativa para o primeiro ano de aniversário

do produto é atingir mais ou menos 3% de market share, o

que nos daria R$ 12 milhões. Com todo o investimento que

tem sido feito, esse produto vai ter um papel importante na

companhia”, analisa o executivo.

Bechara aponta também que a maioria dos contratos

de locação é celebrada por períodos de 30 meses e que o

Tokio Marine Aluguel inclui três opções de assistência 24

horas: Básico, Intermediário e Completo. A apólice pode

ter vigência anual ou pelo tempo do contrato, a escolha do

segurado. “Essa é a única modalidade que garante o pagamento

ao proprietário durante toda a vigência do contrato

de locação, em caso de inadimplência. Ao mesmo tempo, o

inquilino não depende de encontrar um fiador, que precisa

cumprir uma série de exigências para ser aceito, nem de

dispor de um valor alto de dinheiro no momento da contratação”,

complementa.

Em 2018, dados da Superintendência de Seguros Privados

(Susep) apontam que o seguro de fiança locatícia movimentou

mais de R$ 410 milhões, registrando um crescimento

real de quase 10% em relação ao ano anterior. Embora 15

empresas estejam autorizadas pela autarquia a operar com o

produto, trata-se de um mercado extremamente concentrado,

no qual a Porto Seguro possui mais de 80% de participação

e opera com essa modalidade de seguro há 26 anos.

Líder absoluta no segmento, a companhia observou

que a procura pelo Porto Seguro Fiança cresceu 15% no

30 31


fiança locatícia

❙❙Arnaldo Bechara, da Tokio Marine

último ano comparado a 2017, o que para

o superintendente de Riscos Financeiros

da empresa, Luiz Henrique, é um resultado

bastante expressivo. Ele credita o

fato a dois cenários: “o primeiro é que algumas

construtoras buscam alternativas

de locação com seguro fiança, diante do

elevado estoque de imóveis não vendidos

e/ou devolvidos. Sentimos um apelo por

parte do mercado em optar por garantias

contratuais mais robustas nestes casos. O

segundo cenário vem com a retomada da

economia, que já traz boas expectativas

para o mercado de aluguel e, consequentemente,

para o seguro fiança locatícia”,

explica.

Outro pronto destacado pelo executivo

é a mudança de comportamento do

próprio consumidor. “Embora o sonho

de muitos ainda seja a casa própria, vemos

um interesse crescente pelo aluguel

de imóveis. Isso porque hoje temos um

mercado de trabalho bastante dinâmico

e é comum as pessoas optarem por morar

próximas de onde trabalham em busca de

qualidade de vida. O fato de você ter um

imóvel locado te traz certa flexibilidade

em relação a essa proximidade. Além

disso, você consegue adequar o tamanho

do imóvel com a sua necessidade:

se você mora sozinho, geralmente aluga

um imóvel menor. Se começa a constituir

família e precisa de um imóvel maior,

pode facilmente transitar de um para

outro sem nenhum processo de compra

e venda, que acaba sendo burocrático”,

explica Luiz Henrique.

Nesse segmento, a Porto Seguro trabalha

com quatro produtos: o Porto Seguro

Aluguel Básico, que substitui o fiador e

oferece coberturas para o aluguel, IPTU e

condomínio; o Porto Seguro Aluguel, que

permite a escolha do imóvel sem a necessidade

de um fiador ou do desembolso de

um valor como caução na hora de alugar;

o Porto Seguro Aluguel Universitário,

que além de atuar como garantia para

o cumprimento do contrato possui benefícios

e serviços específicos para este

público, como assistências emergenciais

à residência; e o Porto Seguro Aluguel

Empreendedor, criado para atender às

necessidades de empresas com até dois

anos de constituição, que precisam locar

um imóvel para iniciar ou expandir suas

atividades.

A Too Seguros também aposta no

potencial do seguro de fiança locatícia

aliado à tecnologia e já constatou um

aumento de consultas pelo produto em

torno de 50% em relação a 2018. O diretor

Comercial da companhia, Marcos

Eduardo de Carvalho, acredita que após

um período afetado pela crise econômica,

2018 se mostrou um ano de recuperação

e há ótimas expectativas para o crescimento

do setor em 2019. “Todo o setor

está apostando no uso de mais tecnologia,

com a utilização de softwares de gestão e

ferramentas de CRM. Precisamos ainda

estar atentos à mudança no perfil dos locatários,

uma vez que as novas gerações

valorizam a experiência de um excelente

atendimento e preferem alugar imóveis a

comprá-los”, observa.

Em relação ao portfólio de produtos,

Carvalho explica que no segmento

de Pessoa Física e PME, a Too Seguros

❙ ❙

Marcos Eduardo de Carvalho,

da Too Seguros

❙❙Luiz Henrique, da Porto Seguro

possui produtos com taxa fixa e que

contemplam garantias mínimas ou mais

abrangentes, conforme a expectativa do

proprietário. “Também atuamos com o

segmento de médias e grandes empresas,

com produtos sob medida, em especial

para aquelas empresas que estão em

expansão de sua rede. Nosso produto

que oferece garantias mais completas é

o de maior aceitação, uma vez que cobre

o aluguel, condomínio, IPTU e ainda

algumas outras preocupações das imobiliárias

e proprietários, como contas de

concessionárias, danos ao imóvel, entre

outros. Claro que, em função dos preços

mais em conta, temos também uma boa

procura pelo produto com taxa fixa”,

esclarece.

O executivo cita ainda que com a

decisão do Superior Tribunal Federal

(STF) de não alienar imóveis que são

bem de família de fiadores em locações

comerciais, proprietários e imobiliárias

têm repensado sobre a confiabilidade da

figura do fiador. “Alguns já têm exigido,

inclusive mais de um imóvel para aceitar

a fiança, tornando esta modalidade mais

difícil”, pondera.

Direito imobiliário

O presidente da Comissão de Direito

Imobiliário da OAB-MG, Kênio de Souza

Pereira, vê o seguro de fiança locatícia

como um facilitador das locações, no sentido

de que o produto atende em especial

os inquilinos que não desejam passar pelo

constrangimento de pedir a um amigo ou

parente para ser seu fiador, bem como

aqueles que vêm de outras cidades e não

têm pessoas no local onde irão se instalar.

❙❙Kênio de Souza Pereira, da OAB-MG

“No decorrer de mais de duas décadas

de comercialização, o seguro de fiança

locatícia se mostrou um sucesso, tendo

atendido às expectativas dos locadores

e imobiliárias, pois no momento em que

ocorre a impontualidade, esses passam a

receber seus créditos, evitando assim os

problemas decorrentes de outros tipos

de garantia, os quais são restritos nos

termos do artigo 37 da

Lei do Inquilinato, quais

sejam: fiança, caução, títulos

de capitalização e o

seguro de fiança locatícia.

É importante esclarecer

que a Lei do Inquilinato é

taxativa quanto aos tipos

de garantia, sendo vedado

qualquer outro, justamente para proteger

os locadores de garantias ilusórias, que

no momento que ocorre o despejo por

falta de pagamento e a cobrança dos

débitos em atraso e dos danos do imóvel

se mostram inexistentes.

Pereira recorda que o boom imobiliário

ocorrido no período de 2007 a 2014,

somado ao desaquecimento da economia

em 2015 e ao aumento do desemprego

que reduziu a capacidade de pagamento

dos inquilinos, dificultou a realização de

novas locações. Com isso, os candidatos à

locação passaram a ter maior dificuldade

em obter fiadores com renda adequada e

ANO FIANÇA LOCATÍCIA (R$) CRESC. REAL (%)

2014

2015

2016

2017

2018

369.037.570

379.141.649

348.503.963

360.922.249

410.523.126

-

-5.55

-15.67

-0.06

9.76

“cadastro limpo”. Ele alerta para falsas

promessas de garantia de aluguel e de

pagamento de danos dos imóveis. “Esse

cenário de aumento de imóveis disponíveis

para locação favoreceu o surgimento

de aventuras no setor locatício, bem como

de startups imobiliárias que passaram a

atrair os inquilinos com o oferecimento

de locação sem qualquer garantia. Por

outro lado, passaram a iludir os proprietários

de imóveis para captá-los como

locadores, com a ideia de que têm enorme

reserva financeira, como se pudessem

atuar como as companhias seguradoras”,

adverte.

32


especial riscos financeiros | rc profissional

Produtos para

médicos são

maioria no mercado

Outras profissões também

entraram no radar das

seguradoras, mas o

predomínio ainda fica por

conta dos profissionais

ligados à área de saúde. A

boa notícia é que mesmo

entre estes profissionais,

menos de 20% possuem

algum tipo de proteção

❙❙Patricia Barros, da Unimed Seguros

João Carlos Inojosa, diretor Comercial

da Companhia Excelsior de Seguros,

diz que este crescimento exponencial da

carteira de RC Profissional acontece pelo

entendimento da justiça, que começou a

aplicar mais condenações aos responsáveis.

“ Os jovens profissionais estão

mais preocupados, porque eles procuram

a proteção ainda no início da carreira”,

conta. Eles entendem o seguro como um

investimento, seguindo uma tendência do

mercado norte-americano, por exemplo,

no qual nenhum médico começa a atender

sem contar com a proteção.

“No Brasil não há uma obrigatoriedade,

mas há uma tendência de aquisição

pelos que atuam na área de saúde”, ratifica

Inojosa, ressaltando que esta modalidade

é responsável por mais de 80% da carteira

de RC Profissional da Excelsior. Por isso,

a empresa se especializou neste segmento

e passou a oferecer até um escritório de

advocacia específico para a regulação dos

sinistros destes profissionais. “Quando

o médico é acionado, nossa equipe é

acionada, tranqüiliza o profissional e

passa o atendimento para um escritório

especializado em Direito Médico para

realizar todo o processo. Procuramos

sempre tentar um acordo mais rápido,

❙ ❙

João Carlos Inojosa,

da Companhia Excelsior de Seguros

para evitar que o processo se arraste por

um longo tempo”, adianta Inojosa.

As taxas de contratação, e também

de sinistralidade, variam de acordo com a

especialidade profissional. As mais altas

são praticadas para profissionais ligados à

Kelly Lubiato

34

Todo mundo conhece uma história

de um profissional que, por

omissão ou negligência, tenha

causado grande perda a outrem.

Em alguns casos, o erro pode levar o

prejudicado até à morte. Por isso, talvez,

os profissionais ligados à área de saúde

são os maiores contratantes dos seguros

de Responsabilidade Civil Profissional.

Há seguradoras que comercializam

apenas produtos direcionados aos profissionais

de saúde. A Unimed Seguros

foca médicos, enfermeiros, dentistas,

veterinários etc, e tem uma grande participação

nesta carteira, segundo dados

da Susep. “Como outras seguradoras

operam RC para outras profissões, fica

difícil comparar com outras companhias.

Mas este é um produto que teve

um crescimento expressivo, em média

de 20% a 25%. Nós crescemos 37% em

2018, em comparação a 2017”, comemora

Patricia Barros, gerente de Negócios

Ramos Elementares da Unimed Seguros.

A seguradora está há quatro anos

nesta operação, mas considera que

há uma excelente participação dos

profissionais de saúde. “ O número de

demandas contra profissionais de saúde,

que oferece cobertura quando há uma

falha que provoca prejuízos a terceiros,

cresceu 300% nos últimos dez anos, de

acordo com os Conselho Regionais de

Medicina”, comenta Patricia.

Além do aumento da cultura de

judicialização, Patricia acredita que a

elevação da quantidade de Faculdades

de Medicina abertas nos últimos anos

contribuiu para a má formação de novos

profissionais, o que acarreta no maior

número de erros médicos. Outro ponto

é o aumento da jornada de trabalho dos

profissionais. “Até então, o conhecimento

médico e a sua opinião não eram contestados.

Era uma coisa que as pessoas

aceitavam porque elas não tinham como

verificar. Com acesso a informação, as

pessoas questionam mais e percebem

que o ‘evento adverso’ pode ser evitável”,

descreve Patricia. Existem eventos adversos

que são inevitáveis, porém alguns

são evitáveis, normalmente aqueles que

ocorrem por falhas nos equipamentos

ou de membros da equipe, por exemplo.

Uma cobertura diferenciada da

seguradora que atende exclusivamente

profissionais da saúde é a do Ato do Bom

Samaritano. Sabe aquela hora em que,

em um avião, por exemplo, a comissária

grita: tem algum médico a bordo? A

cobertura protege o profissional caso ele

venha a ser processado por conta deste

atendimento. A seguradora espera triplicar

sua carteira nos próximos três anos,

pois ainda há um potencial gigantesco

a ser explorado.


c profissional

❙❙Lucas Camillo, RC Profissional

área cirúrgica, seja ela cardíaca, vascular

ou ortopédica. A cirurgia plástica é hoje a

que possui as taxas mais altas de contratação,

pois os riscos de insatisfação dos

pacientes são maiores.

Para chegar aos potenciais consumidores,

as companhias investem

em treinamento para que corretores

de seguros saibam como se aproximar

dos profissionais e os argumentos que

facilitam a contratação, a partir do cross-

-selling em sua carteira. “É um mercado

praticamente virgem”, anima-se Inojosa,

acrescentando que os valores dos prêmios

são bastante acessíveis.

Outras profissões

Apesar de ser a maioria, nem só de

profissionais da saúde vive o RC Profissional.

Advogados, engenheiros, notários,

corretores de seguros e até cabeleireiros

já se conscientizaram dos riscos que

possuem em suas atividades. “Às vezes,

as pessoas entendem o risco, mas não

têm como mensurá-lo, como saber que

cobertura contratar ou como se proteger

adequadamente. Estamos na fase de nos

educar e de crescer ainda”, avalia o corretor

Lucas Camillo, especializado em

seguro RC Profissional.

Algumas seguradoras montam pacotes

para juntar coberturas ao RC Profissional,

como a de acidentes pessoais.

“Além dos danos a terceiros, os produtos

podem ter coberturas acessórias para

custos processuais, restituição de imagem

etc.”, acrescenta Camillo. Praticamente

todas as profissões podem ser cobertas,

por mais que não estejam especificados,

36

pois as seguradoras possuem questionários

genéricos onde é possível fazer

a descrição da empresa e da atividade

desenvolvida. Como exemplo, é possível

citar as empresas de tecnologia, que pode

ser desde desenvolvimento de sistemas

até ser uma instaladora ou fazer manutenção

de máquinas. “Com os questionários

as seguradoras conseguem entender a natureza

do risco para fazer a precificação”.

Camillo, que também faz parte da

Comissão de Responsabilidade Civil do

Sindicato dos Corretores de Seguros de

São Paulo, explica que os corretores de

seguros deveriam contratar um produto

para eles próprios. “Este é um produto

relativamente novo e teve uma boa

aceitação entre os profissionais, mas em

casa de ferreiro, espeto é de pau”, brinca.

O difícil não é convencer os corretores

da necessidade da compra, mas que o

valor mínimo da apólice, de R$ 100 mil,

é baixo. O custo é relativamente baixo,

para os corretores de seguro. O cálculo

é feito a partir do faturamento de cada

um, mas, como exemplo, um seguro de

entrada com R$ 100 mil de cobertura,

tem prêmio médio de R$ 400.

Plataforma de vendas

Transformar um produto de difícil

contratação em algo mais simples foi

um dos desafios que a Argo Seguros

encontrou para criar uma metodologia

simplificada para levar o seguro na ponta,

para o corretor e o segurado. De forma

instantânea e, consequentemente, sem

perder a qualidade de subscrição, de

produto e de resultado.

Carlos Berlfein, Consumer Lines

Underwriting Manager da Argo Seguros,

conta que a elaboração da plataforma

Protector conseguiu amplificar a distribuição

dos produtos, inclusive do RC

Profissional. “Temos base mais sólida da

carteira e contamos com seis mil corretores

cadastrados, trabalhando no Brasil

inteiro”, conta o executivo.

No RC Profissional, a seguradora

atua com mais de 40 profissões e/ou

atividades profissionais. O carro chefe

são os engenheiros e os médicos, mas há

uma carteira de advogados, contadores,

corretores de seguros e alguns bem

diferentes, como o RC Síndico (focado

❙❙Carlos Berlfein, da Argo Seguros

nos riscos da posição que ele ocupa no

condomínio), certificação digital e vistoria

veicular. “Até salão de beleza está

entre as atividades disponíveis”, comenta

o executivo.

As plataformas digitais possibilitam

a venda mais simples e na ponta, com

limites até R$ 1 milhão de limite de cobertura

com alguns crivos de subscrição.

“Com isso, o RC Profissional pode ser

massificado, comercializando os produtos

simplificados. Queremos oferecer uma

melhor experiência para o corretor, com

mais funcionalidades, ajudando-o na

venda”, acrescenta Berlfein.

“O mais importante”, destaca Berlfein,

“é importante usar a expertise de

produto e tecnologia para melhorar a

experiência dos corretores e dos usuários,

tendo uma plataforma mais fácil e disruptiva

para alavancar a marca da companhia

para o consumidor final”.

O consumidor já conhece como utilizar

uma apólice de seguros, mas este

ainda é um mercado novo por aqui. As

demandas judiciais aumentam gradativamente,

assim como a cultura do seguro.

“Hoje, atingimos apenas 15% a 20% dos

profissionais com potencial para contratação

de RC Profissional. É um mercado

de mais de bilhão de reais, segundo

levantamento que já realizamos aqui na

Argo”, antecipa Berlfein, lembrando que

a evolução digital contribui muito para

que o corretor chegue ao cliente. “O acesso

à informação facilita a distribuição dos

produtos mas também traz mais sinistros

para os profissionais, com clientes mais

esclarecidos”.


evento | tecnologia

Insurtechs avançam

na trilha das inovações

Avanços da tecnologia

demonstram que é preciso

haver um compartilhamento de

conhecimento para que todos

desfrutem dos benefícios de um

novo mercado

Kelly Lubiato

Delphine Maisonneuve, Luis Gutierrez e José Prado

Se antes as empresas achavam que poderiam implementar

sozinhas as mudanças necessárias para

acompanhar a velocidade da transformação digital,

agora elas já entenderam que a inovação é muito

mais eficaz em uma política de compartilhamento.

A mudança do pensamento parece ser mais difícil do

que a de atitude. De acordo com o Head e co-fundador da

Plug and Play, Ali Safavi, os serviços na área de seguros

não podem ser baseados apenas na questão financeira, pelo

contrário, devem focar na tranquilidade do consumidor.

“As oportunidades de inovação podem vir das necessidades

dos clientes, sejam eles pessoas física

ou jurídica, nas áreas de prevenção de

fraudes, automação de processos, transparência,

adequação legal e responsabilidades”,

afirmou, durante sua palestra

no Insurtech Brasil 2019, realizado em

São Paulo.

Vale ressaltar que os líderes do mercado

já têm consciência desta necessidade,

como disse Luis Gutierrez, CEO da

Mapfre Brasil: “inovação é subsistência,

principalmente para os problemas do

dia-a-dia”. A velocidade de implantação

também é fundamental ao processo.

“Trabalhamos no esquema 3,6,9: três

dias para apresentar, seis semanas para

implementar e nove meses para mostrar

resultados”.

Gutierrez ressaltou que os investimentos

não são apenas de uma empresa.

“Não podemos pensar em soluções que

sejam apenas próprias. Vamos trabalhar

com insurtechs ou com outros grupos

seguradores. Assim como as novas gerações

pensam no compartilhamento,

temos que pensar em dividir também as

novidades”.

“É preciso entender que o mundo

agora está aqui”, afirmou Delphine Maisonneuve,

CEO da AXA, mostrando o

seu celular. A vida das pessoas está neste

aparelho e também será através dele que

os novos negócios devem acontecer. Para

a executiva, os corretores de seguros

terão que se transformar junto com as

seguradoras, compreendendo que não

existe mais trâmite em papel. “Se alguém

ou qualquer tipo de negócio acredita que

podemos negar a realidade do celular,

por exemplo, está fadado ao fracasso. O

importante é a capacidade de adaptação”,

sentenciou Delphine.

A CEO da AXA disse que, ao contrário

do que as pessoas acreditam, as

seguradoras têm ambiente favorável às

mudanças. “Apesar do nome tradicional,

o seguro não é algo fechado. Faço parte

de uma empresa que exala vontade de

inovar. É uma empresa super moderna”,

ressaltou Delphine. Sobre o mercado de

insurtechs, ela avaliou que as tendências

podem se voltar para o uso de dados no

âmbito das empresas, mas que há poucas

coisas ligadas à área de saúde e produtos

para tratar novos riscos para empresas.

O argentino Martin Ferrari, CEO e

co-fundador da 123Seguro, demonstrou

as grandes oportunidades do mercado

de seguros, através da apresentação de

algumas experiências, como a da seguradora

chinesa Zhong An, a primeira

seguradora digital local. Ela está abrindo

caminho para uma série de outras experiências

ao redor do mundo.

Ferrari fez questão de derrubar o

mito de que as pessoas não compram

seguro pela internet. Ele mostrou um estudo

apresentando o perfil do comprador,

que é de homem de 39 anos, com renda

de classe média. O grande entrave para o

surgimento destas empresas, entretanto,

ainda é a questão de regulamentação.

Regulamentação da

Insurtechs

No Brasil, justamente com o objetivo

de entender e facilitar a interlocução

com o órgão regulador, acaba

de ser criada a Associação Brasileira

de Insurtechs, liderada por Henrique

Volpi. A entidade conta com quatro

participantes, mas está aberta a receber

a participação de mais de 75 insurtechs

identificadas pelo mapa da Camara

e-net. “Queremos oferecer condições

Vanessa Fialdini e Hugo Mentzingen

para embasar a regulamentação do

setor”, informou Volpi.

Sobre este tema de regulamentação,

Hugo Saisse Mentzingen, coordenador

Geral de TI da Superintendência de

Seguros Privados, falou sobre a criação

da figura do representante digital como

distribuidor de seguros para as seguradoras.

Este novo ente não é comparador de

preços, ou broker ou verificador de comportamento

do usuário. “O representante

digital terá que ser uma insurtech mais

robusta, que representará várias vertentes

da seguradora”, adiantou Mentzingen.

Entretanto, ele ressaltou que a Susep

não autorizará a atuação de empresas que

vendem produtos similares a seguro mas

que não desejam cumprir as exigências de

reservas destas empresas. “Se tem pelo,

toma leite e mia como um gato, então é

um gato”, brincou, comparando com as

empresas que recebem prêmio, oferecem

garantias e regulam sinistros.

Mentzingen reafirmou que é difícil

fazer fiscalização direta em um mercado

tão vasto quanto o nosso. Para regular o

não regulado, a Susep notifica o infrator e,

quando a atividade persiste, faz a denúncia

ao Ministério Público. “Como autarquia, a

Susep não tem poder de polícia”.

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artigo | grupo fox

Fraude no seguro de vida

Ainda que não faça parte da

cultura da maioria dos brasileiros,

o seguro de vida,

de acordo com dados da

Superintendência de Seguros Privados

(SUSEP) apresentou um crescimento da

ordem de 10% em 2018, se comparado

ao ano anterior. Entretanto, segue muito

abaixo da média europeia e de países

ditos desenvolvidos, ou seja, há bastante

campo para evolução.

Assim como em outros ramos, as

tentativas de fraude acabam por acompanhar

os níveis de crescimento, razão

pela qual as seguradoras e a sociedade

como um todo devem estar atentos.

O contrato de seguro é regido pelo

princípio da boa-fé, conforme preceitua

os artigos 113, 422 e 765 do Código Civil

Brasileiro e é isso que se espera do segurado.

Já o Artigo 171 do Código Penal

Brasileiro e seu inciso V versa sobre

obter para si ou para outrem, vantagem

ilícita em prejuízo alheio, induzindo ou

mantendo alguém em erro, mediante

artifício ardil ou qualquer outro meio

fraudulento. Destrói total ou parcialmente,

oculta coisa própria, ou lesa o

próprio corpo ou saúde, ou agrava as

consequências da lesão ou doença, com

o intuito de haver indenização ou valor

de seguro.

Embora existam apenas dois perfis

de fraudadores, o eventual, que é aquele

sujeito que se aproveita de uma ocasião

propícia e comete o crime com pouco

ou nenhum planejamento, e o contumaz,

aquele que concorre para o fato se utilizando

de todo conhecimento da cadeia

de seguros para não cometer erros e

fazer com que a seguradora não consiga

materializar provas que a capacite a

declinar a indenização mesmo sabendo

se tratar de uma fraude.

Dentro de um universo de diversas

coberturas, seja morte natural, acidental,

invalidez parcial, invalidez permanente,

diárias de internação, diárias

de incapacidade laborativa e outras, as

documentações variam entre certidões

de óbitos, laudos periciais, boletins de

ocorrências, toxicológicos, exames,

diagnósticos, relatórios médicos e terapias,

as quais podem ser alteradas,

suprimidas ou fabricadas de acordo com

a necessidade do fraudador.

As omissões e inexatidões de informações

sobre o real estado de saúde

do segurado quando da contratação da

apólice de seguro também estão entre

as ações mais comuns. “Esconder” que

já havia sofrido uma intervenção cirúrgica

que o compromete até hoje, que

passou por tratamento de câncer, que é

diabético ou hipertenso ou que faz uso

contínuo de determinada medicação

com o intuito de ludibriar a seguradora

e influenciar na aceitação do risco é algo

que está previsto Artigo 766 do Código

Civil Brasileiro e pode resultar na perda

da garantia, além de ficar obrigado ao

prêmio vencido. Tal situação é corroborada

pelo Artigo 79 da Circular Susep

302/2005.

Alexandre Massao Masuda*

Outra situação que observamos são

contratos de seguros prestamistas, os

quais são comumente comercializados

conjuntamente com financiamentos de

bens móveis e imóveis, ocasião em que

familiares sob orientação, buscam dentro

da família o membro com a saúde

mais vulnerável ou comprometida, que

esteja diagnosticado com uma doença

em estágio avançado, estando mais

suscetível ao falecimento, de forma que

após o sinistro a seguradora encontrando

amparo, assume as parcelas vincendas

e com isso o financiamento é quitado,

obtendo-se considerável vantagem financeira.

Nesta matéria não poderia deixar de

mencionar os homicídios, os quais são

devidamente amparados pela cobertura

de morte acidental e, por vezes, são

ardilosamente arquitetados de forma a

indenizar o autor do crime ou o mentor

intelectual. São diversos casos que envolvem

desde cônjuges e seus amantes,

até filhos e genitores, que objetivam

diretamente a morte do segurado para

ser beneficiado com a indenização.

Por isso, entende-se que para todos

os sinistros com suspeita de fraude ou

preexistência é altamente recomendável

a adoção do trabalho de auditoria externa,

preferencialmente com assessoria

composta por analistas experientes, peritos,

advogados e médicos que possam

contribuir nos trabalhos.

De acordo com dados da CNseg

22,4% dos processos investigados tiveram

a fraude efetivamente comprovada

em 2017.

Acabar com a fraude no Brasil é

utopia, no entanto, devemos trabalhar

com controles mais rígidos para que o

número de ocorrências indevidas reduza,

culminando em uma carteira mais

saudável e com melhores resultados.

*Alexandre Massao Masuda é diretor

técnico da Fox Regulação & Auditoria.

campanha | ameplan

3 em 1 = mais prêmios

Campanha de vendas visa despertar a curiosidade dos

participantes desde seu nome, que destaca as três

possibilidades reais de conquistas prêmios adicionais

Já é uma tradição para o mercado

de saúde a presença da Ameplan

Saúde no início de cada ano,

realizando o lançamento de sua

campanha de vendas em ambiente festivo

e carinhosamente preparado para todos

os parceiros comerciais da operadora.

“Há um ditado que diz que as melhores

ideias são aquelas que você têm e que

os outros copiam e passam a multiplicar

como se deles fossem”, comenta Laureci

Zeviani, diretor Comercial. “Não nos

incomoda em nada, isso apenas ratifica

uma competência essencial que pertence

aos profissionais da nossa empresa, que

é a capacidade de criar, inovar e renovar

diante de cenários desafiadores e dinâmicos”,

continua.

Outra intenção da campanha é

homenagear os pilares que a Gestão

Profissional da Ameplan Saúde elegeu

como primordiais para o crescimento

e fortalecimento da marca: dois deles,

Vendas e Atendimento são competências

básicas para a sobrevivência de qualquer

organização, portanto, dispensa comentários.

Já Riscos Assistenciais não são

um desafio exclusivo da operadora, mas

sim de toda a indústria da saúde. Este

tema vem incomodando e desafiando os

profissionais do segmento há anos e toma

muita energia dentro da operadora, que

busca adotar ações e medidas que visem

a manutenção dos serviços com o menor

acréscimo possível na taxa mensal de

seus beneficiários, lembrando que 90%

de seus clientes são pessoas de classe C

e D, nas quais o reflexo do aumento é

muito mais sensível em relação às outras

classes sociais.

A campanha de vendas da operadora

também faz questão de reconhecer

aquele vendedor que apresenta a melhor

qualificação na condução da venda, desde

a prospecção até a entrega do kit ao

❙❙

Laureci Zeviani e Marcelo Belber

cliente. De acordo com o regulamento, o

vendedor que atingir os melhores índices

de qualidade, inclusive pendências,

desfrutará de uma viagem maravilhosa,

regada a muitas mordomias, para que se

sinta recompensado e chegue à conclusão

de que valeu muito a pena fazer bem

feito. Além da nobreza de sua conduta,

ele contribuiu para administrar os custos

assistenciais e se transformar numa

referência positiva para os seus colegas.

“Como era esperado, este ano seria

altamente desafiador para o segmento de

serviços, particularmente para o segmento

de saúde. Para obter bons resultados,

não é o momento de subtrair, mas de

somar o máximo de variáveis possíveis

para que produto, processos, tecnologia

e pessoas deem o seu melhor para cumprir

as metas combinadas. Por isto que a

Ameplan Saúde manteve sua campanha

de vendas, continuando nela os pontos

elogiados pelos próprios participantes e

melhorando o que entendeu que agradaria

mais as “pessoas envolvidas no processo”,

afirma Marcelo Belber, Gerente Comercial

da Ameplan.

É uma campanha que envolve os

principais parceiros comerciais da Ameplan

(Affix, Dentalpar, Corpore, Divicom,

Hebrom e SafeLife), que também lançaram

suas próprias campanhas de vendas.

Isso mostra o esforço que os agentes

envolvidos no processo da venda fazem

para rodar esta engrenagem primordial

para o crescimento e fortalecimento de

qualquer negócio.

Nos últimos oito anos, a Ameplan

mostrou uma vocação especial para se

relacionar com os seus representantes comerciais,

sejam eles corretores, gerentes de

vendas, empresários, assistentes, diretores

e vendedores. O apoio e reconhecimento

sempre caminham juntos.

40 41


evento | congresso

Mercado pretende atacar

as empresas de Proteção

Veicular

1º Congrecor reuniu corretores, seguradoras e entidades

para discutir temas de interesse do mercado segurador

Nicole Fraga

Uberlândia recebeu o 1º Congresso

Regional Centro-Oeste

e Minas dos Corretores

de Seguros (Congrecor), que

aconteceu nos dias 2 e 3 de maio. O evento

promoveu palestras, talk shows e feira

de exposição e negócios. Esta edição,

iniciativa dos Sindicatos dos Corretores

de Seguros de Mato Grosso, Mato Grosso

do Sul, Distrito Federal, Goiás e Minas

Gerais, teve como tema inovação, negócios

e oportunidades.

A programação contemplou a importância

do setor na economia e a realidade

brasileira na área, além de desafios como

o mercado da proteção veicular, o impacto

do novo governo e da crise econômica,

mudanças e novidades da legislação. O

evento também promoveu o debate sobre

os interesses específicos do mercado de

seguros desta região.

O poder da força institucional do

mercado de seguros e seus entes e a luta

contra a proteção veicular deram o tom

da abertura do primeiro dia. A mesa

de abertura do Congresso contou com

os representantes dos Sincor’s de MT,

MS, GO, DF e MG e foi inaugurada por

Maria Filomena Branquinho, presidente

do Sincor-MG e anfitriã do evento. “O

Congresso é oportunidade de troca de experiências,

que deve ser um dos focos de

atuação do profissional de seguros para

se manter relevante, em consonância com

os desafios e as potencialidades do nosso

setor, um dos poucos que se manteve em

expansão no País”, destacou.

Filó afirmou, ainda, que foi a união

da categoria, por meio dos Sincor’s de

42

❙❙Lucas Vergilio

todo o Brasil, que garantiu conquistas

importantes para o setor, como a inclusão

dos corretores de seguros no Simples Nacional,

acordos coletivos e projetos contra

a proteção veicular. “Não poderia deixar

de falar que temos um anjo em Brasília,

que luta pela classe ativamente”, frisou,

referindo-se ao presidente do Sincor-GO

e deputado federal Lucas Vergilio, já em

seu segundo mandato.

Na abertura do evento, o parlamentar

chamou a atenção sobre como

o envolvimento da categoria é essencial

na conquista de benefícios para o setor.

“Tivemos a vitória em relação ao Super

Simples e temos projetos ainda em

andamento na Câmara Federal, como

a criação do SOAT (Seguro obrigatório

de Acidentes de Trânsito) e o PLP

519, de combate à proteção veicular”,

lembrou o deputado.

O presidente da Fenacor, Armando

Vergilio ressaltou que o Congrecor é resultado

de um processo de regionalização

incentivado pela entidade. “O Congresso

significa muito para o fortalecimento

de instituições como os Sincor’s. Todas

estas conquistas citadas aqui só foram

possíveis graças ao trabalho conjunto das

entidades junto à Fenacor e também das

que representam as seguradoras”, disse.

Já com o tema Quatro Meses do

Governo Bolsonaro, o jornalista João

Borges, comentarista de economia da

GloboNews, abriu a programação do

primeiro dia do evento. O jornalista

apresentou um retrospecto dos fatos que

foram destaque no novo governo e, a

partir daí, comentou sobre as principais

perspectivas do cenário econômico brasileiro.

“O governo precisa combater o

déficit fiscal, implementando as reformas

da Previdência e Tributária na velocidade

e profundidade necessárias. Se nada for

feito, a confiança não será restabelecida

e a economia não vai crescer”, afirmou.

No segundo dia do evento, algumas

das principais lideranças do setor de

seguros do Brasil participaram do talk-

-show Atualidades do Mercado Segurador.

Temas como a popularização do

seguro no País, a proteção veicular e a

conjuntura sócio-econômica brasileira

fizeram parte da pauta do evento. Outro

destaque foi o Painel Inovação e Desafios

no Mercado de Seguros, que contou com

a participação dos presidentes de seguradoras

brasileiras.

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