edição de 27 de maio de 2019

boccatto

inspiração

Big Tobacco

wildpixel/iStock

"Trabalhar com a indústria do tabaco para viciar jovens pode trazer

recursos para sua agência. Mas não é vanguardista, como buscamos ser”

lUIZA AMORIM

Especial para o PROPMARK

Alex Bogusky, cofundador da CP+B

Worldwide, publicou recentemente

um artigo no The New York Times falando

sobre as novas táticas da indústria de tabaco,

ou o “Big Tobacco”, para continuar

viciando jovens em seus produtos – agora

disfarçados sob a máscara moderna, aparentemente

inocente e cool dos cigarros

eletrônicos.

Não se sabe ainda o nível de malefício

dos cigarros eletrônicos à saúde. E, além

do risco de doenças cardiovasculares e

derrame, as evidências apontam: o consumo

dessa nova modalidade aumenta também

as chances de a garotada começar a

fumar cigarros tradicionais. É uma porta

de entrada. Enfim, os e-cigarettes parecem

ser parte do problema, não da solução.

E nós, brasileiros, o que temos a ver

com isso, se aqui os cigarros eletrônicos

são proibidos pela Anvisa? A falta de regulamentação

clara sobre o tema acaba

fazendo com que seja possível comprar

esses produtos em lojas virtuais e físicas.

Com bilhões de dólares gastos pela indústria

de tabaco em marketing direcionado

principalmente a jovens, esse é um problema

que vai aumentar logo.

A indústria está sempre se reinventando,

usando estratégias de marketing com

influenciadores, para criar uma nova geração

dependente que vai sustentar seus

lucros. Entre as principais táticas usadas,

estão ações voltadas ao público jovem,

em eventos de música, moda além do uso

de embaixadores de marca. E também financiamento

de estudos científicos de resultados

questionáveis.

Nesse sentido, todos nós, comunicadores,

temos uma grande responsabilidade

nas mãos e uma escolha a fazer: queremos

ou não trabalhar com a indústria

de tabaco? Vamos ajudá-los a continuar

matando mais de sete milhões de pessoas/ano?

De fato, eles têm grandes budgets e isso

é tentador. Apenas nos EUA, investem

anualmente mais de 8,7 milhões de dólares

em publicidade. Mas será que é esse o

caminho que queremos? Será essa a marca

que “queremos deixar no mundo”?

Aproveito o mês de maio, quando acontece

o Dia Mundial de Combate ao Fumo,

para fazer um convite a todos os colegas

de profissão que queiram trazer propósito

para dentro de suas agências, e reforçar o

compromisso de trabalhar por um mundo

melhor: juntem-se ao movimento global

Quit Big Tobacco, liderado pela Vital Strategies,

organização da qual faço parte.

A campanha reafirma o compromisso

de agências de publicidade, relações públicas,

organizações de saúde e corporações

a não trabalhar com a indústria de

tabaco e seus parceiros, direta ou indiretamente.

Diversas organizações já aderiram

ao movimento, incluindo as agências

globais CP+B, de Alex Bogusky, e Edelman

e, mais recentemente, a grande rede

americana de farmácias CVS.

Trabalhar com a indústria do tabaco

para viciar jovens pode trazer recursos

para a sua agência. Mas não é vanguardista,

como nós publicitários sempre buscamos

ser. Nem inteligente, uma vez que

está ajudando a matar hoje o consumidor

de amanhã.

Será que é isso que motiva você e, sobretudo

sua equipe, a levantar da cama

todas as manhãs? Definitivamente, não é

o que me motiva.

Luiza Amorim é gerente de comunicação da Vital

Strategies

28 27 de maio de 2019 - jornal propmark

More magazines by this user
Similar magazines