edição de 27 de maio de 2019

boccatto

CaNNes 2019

Patrocinadora da

cobertura do PROPMARK

em Cannes 2019

“Todo mundo

busca equilibrar

a vida”

Carlos André Eyer, ou simplesmente Dedé Eyer,

vice-presidente de criação da NBS, fará parte

do júri de Health & Wellness no Cannes Lions

2019. A categoria de bem-estar é uma das mais

interessantes do evento, na medida em que representa

a busca de toda a humanidade pela saúde e pelo

equilíbrio da vida. Nada mais natural que as marcas

estejam atentas a essa busca indelével. Confira trechos

desta estrevista com Dedé, que chega ao Festival de

Cannes Lions pela primeira vez como jurado.

Dilvulgação

Dedé Eyer: “‘Bem-estar’ cresce quase duas vezes mais rápido que a economia global”

Claudia Penteado

Bem-esTar

A categoria vem crescendo

ano após ano, refletindo o crescimento

da indústria. Só pra

gente ter uma noção, a indústria

de “Bem-estar” cresce quase

duas vezes mais rápido que a

economia global. É uma industria

global de US$ 4,2 trilhões.

Bem-estar é a febre do ouro dos

dias de hoje, todo mundo está

buscando equilibrar a vida, então

é uma categoria com o dedo

no pulso do comportamento

contemporâneo. Em praticamente

todas as agências que

trabalhei tive clientes do setor.

Na Giovanni/FCB, atendi

SmithKline Beecham; na Africa,

Mantecorp; na Santa Clara,

Nycomed; e na NBS, Takeda e

ClinKids, com quem ganhamos

um Leão ano passado com Histórias

de Inalar.

Barreiras

A desigualdade mundial impacta

muito nas questões de

saúde e bem-estar, então um

grande desafio vai ser superar

as barreiras culturais para poder

julgar algumas soluções locais.

Brasil

Eu já tive peça colocada

como favorita que não ganhou

nada, nem shortlist. O favoritismo

pode ser um tiro no pé,

colocar a peça na berlinda e

atrapalhar, além de obviamente

frustrar os autores. Como eu

também não conheço todas as

inscrições, não quero destacar

alguém e correr o risco de ser

injusto com alguma outra que

eu não tenha conhecido ainda.

Glamour

A primeira vez que eu fui

era um evento incrivelmente

glamouroso e fundamental,

era meados da década de 1990,

época de apenas duas categorias

(Film e Press & Poster), em

que você era obrigado a ir pra

Cannes pra conseguir conhecer

o que estava sendo feito de

melhor no mundo. Deixei pra

no último dia bater uma selfie

(muito antes de o termo existir)

com o Palais e a marca do festival

atrás, e quando cheguei

lá já havia outra marca, de um

evento de odontologia. Foi bom

pra voltar com os pés no chão.

Lembro-me também de uma

vez em que não fui. E ganhamos

o primeiro Leão: bronze

com um filme para a Universidade

Santa Ursula. Lembro-me

de ter peça aplaudida no Palais

(que depois não foi nem shortlist),

de ter peça no shortlist

tão similar a outra campanha

que as duas se anularam e não

levaram nada, lembro-me de

ganhar com uma peça que não

esperava e, ainda bem, de também

ter a experiência de levar

com a que carregava as expectativas.

Enfim, acho que sempre

é uma ótima experiência,

mesmo quando perdemos.

No Júri

Em Cannes é a primeira vez.

Já fui jurado em alguns festivais

nacionais e internacionais,

CCSP, Profissionais do Ano,

Wave, El Ojo e alguns outros.

Como jurado, as perguntas que

faço são: quão original é a ideia,

quão sério é o problema que ela

resolve, qual a conexão entra a

marca e a solução, e quão eficaz

foi? Praticamente o mesmo que

uso no dia a dia.

limBo e revisão

Eu acho que no começo da

democratização da internet o

Festival viveu um limbo. As

melhores campanhas já eram

previamente conhecidas e a

única razão de estar lá era pela

premiação. Acho que foram

alguns anos exageradamente

egocêntricos. Com o surgimento

da IAFF, o Festival se tornou

um grande congresso, onde se

discute o futuro da comunicação

e a criatividade como ferramenta

de negócios. As palestras

se multiplicaram e o novo

formato incluiu os clientes, o

que ajudou a recuperar o status

dos Leões pra fora do universo

de criação. Por outro lado, o

crescimento do número de categorias

e consequentemente

de ganhadores tende a fazer o

oposto. Ano passado eu gostei

do encolhimento do evento,

com menos megalomania e

mais profundidade. Acho que

talvez a quantidade de Leões

também mereça uma revisão.

valor

Prêmios são a oportunidade

de ter a sua ideia comparada

a outras por gente ultracompetente,

de diversas culturas

e com diversas visões. Então é

uma chance de aprendizado e,

se tudo correr bem, de reconhecimento.

Agora, a premiação é

consequência e não objetivo.

Existem peças premiadas e peças

memoráveis, o gol é ter uma

peça memorável premiada. O

valor de um Leão? Entre 1.300 e

3.400 euros. A réplica, segundo

o site de Cannes. Foi mal, não

resisti. Mas como Cannes é o

maior festival de publicidade

do mundo, um Leão significa

que sua peça é uma das mais

relevantes do mundo pela ótica

dos melhores publicitários do

mundo, ou que você sabe o que

está fazendo.

CriaTividade

Se antigamente a publicidade

brasileira era sofisticada

porque trabalhava para uma

pequena elite consumidora, o

desenvolvimento e a capacitação

do mercado publicitário

fizeram com que o nível conseguisse

ser mantido, mesmo

com a democratização do consumo.

Os resultados de Cannes,

e a quantidade de brasileiros fazendo

parte de times criativos

de destaque mundo afora, confirmam

isto. O grande desafio

para o mercado nacional atualmente

é conseguir equalizar

a nossa dinâmica de operação,

com ciclos de briefing-criação-

-produção muito mais curtos

que de outros países, ao ponto

de nos permitir aplicar nossa

competência e formatos mais

complexos como Brand Entertaiment,

por exemplo.

42 27 de maio de 2019 - jornal propmark

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