Jornal Paraná Junho 2019

LuRecco

Tranin é

reeleito

presidente

da Alcopar

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OPINIÃO

Correndo atrás do prejuízo

O mar não está para peixe, e a sobrevivência hoje no setor depende de as

empresas fazerem uma enorme lição de casa, e vários grupos já o fizeram

Alexandre Figliolino (*)

Nos últimos 10 anos, o

que não faltou ao setor

foram desafios. A mecanização

impôs mudanças

profundas na forma de

conduzir a lavoura e exigiu uma

curva de aprendizado dolorosa.

O impacto na produtividade medido

por TCH e ATR não foi pequeno,

fazendo o ATR por hectare

recuar de 12,5 t para abaixo

de 10 t na safra 2018/19, com

perda expressiva de competitividade

do Brasil em relação aos

seus competidores no mercado

internacional: Europa, Tailândia e

Índia, em relação a açúcar, e

EUA, pelo etanol de milho (perdemos

a supremacia como

maior exportador mundial.

O congelamento de preços de

combustíveis nos anos Dilma

trouxe prejuízos enormes para o

setor ao privá-lo de R$ 70 bilhões

de receita, levando muitas empresas

a uma situação financeira

precária, que impacta fortemente

sua qualidade operacional em

face da restrição de crédito que

sofrem e a consequente redução

na capacidade de investir, num

setor onde a necessidade de investimento

é enorme e contínua.

Uma frase que ouvi, que no setor

hoje os ricos estão ficando mais

ricos e os pobres mais pobres,

relata com exatidão o momento

que vivemos. Na ausência de um

ambiente de mercado favorável

em termos de preços do açúcar

e do etanol, as empresas em dificuldades

tendem a afundar cada

vez mais, e os grupos bem

geridos e com situação financeira

adequada conseguem ultrapassar

as fases de vacas magras,

com margem de ganho razoável.

O fato de o açúcar ter hoje uma

Europa mais competitiva, que

pode exportar livremente, uma

Ásia mais competitiva e com

enormes mecanismo de proteção

governamental, torna os ciclos

de vacas magras mais longos,

e os de vacas gordas, mais

curtos.

A enorme correlação que passa

a existir entre petróleo e açúcar,

nos momentos em que o Brasil

volta a ser fornecedor de última

instância de açúcar do mundo,

em face da capacidade brasileira

de alterar seu mix de produção

açúcar/hidratado, é uma novidade

que passou a existir a partir

de outubro e que contribui para o

encurtamento das vacas gordas.

Isso pela capacidade do shale

gás americano em fazer crescer

sua produção rapidamente e

atender ao mercado a partir de

determinado nível de preço.

A redução do preço do petróleo

bate do RBOB, que, por sua vez,

influencia o preço da gasolina no

Brasil e define o quão competitivo

o hidratado fica no mercado interno.

Isso sem falar na taxa de

câmbio, sendo que o real pode

se apreciar bastante num momento

de otimismo em relação

ao Brasil e tornar a competitividade

ainda mais séria.Todos os

ingredientes fazem refletir que o

mar não está para peixe, e a sobrevivência

depende de as empresas

fazerem a lição de casa,

e vários grupos já o fizeram.

Todas as ações devem ser dirigidas

a produzir com custos competitivos

e auferir boas receitas

por tonelada de cana moída, através

de um portfólio de produtos,

com flexibilidade em fazer açúcar

ou etanol, produzir o máximo de

energia possível por tonelada de

cana moída, atuar em subprodutos,

como levedura. Uma gestão

de risco primorosa só vem ajudar,

na medida em que torna as

receitas mais previsíveis, e deve

Os que não se adequarem serão

varridos do mapa por uma onda de

consolidação que está só começando.

ser executada com base numa

previsão orçamentária para tomada

de decisão do momento

de travar os preços das commodities

e da taxa de câmbio.

Do lado dos custos, o agrícola é

aonde o maior foco deve ser dado.

Níveis de produtividade têm

um impacto muito forte no custo

unitário e é um dos fatores a separar

ricos de pobres. Temos níveis

de ATR/ha variando de

6.000 a 15.000. É muita dispersão,

e quem estiver abaixo de

10.000 deve, urgentemente, trabalhar

para melhorar isso: preparo

de solo, plantio, manejo varietal,

de pragas e doenças,

meiosi, espaçamento, áreas de

boa colheitabilidade, bom nível de

utilização da frota agrícola, etc.

Arrendamento e CTT são itens

importantes para definir custo

agrícola, e a gestão desses é estratégica

para o sucesso.

O setor foi muito punido nesses

itens nos últimos 10 anos, pois a

expansão desordenada de usinas

em várias regiões produtoras levou

as a buscar cana cada vez

mais distante das indústrias,

além de pagar cada vez mais por

uma terra que rendia cada vez

menos, e os impactos são enormes.

Na indústria, encontramos

uma dispersão elevada em termos

de custos, mas nada semelhante

ao agrícola. Existem

diferenças de eficiência recuperação

industrial acima de 10%

entre as melhores e as piores, o

que é geração de caixa na veia.

A modernidade da planta influencia

muito. Além da eficiência, temos

diferenças grandes em termos

de níveis de automação,

não se esquecendo de que escala

pesa na definição do custo

unitário, assim como no administrativo.

Um organograma de

cargos enxuto e pessoas com a-

dequada formação é importante.

A estrutura de capital com adequado

nível de alavancagem é

decisivo. Os empresários, muitas

vezes, não se dão conta do quão

destrutivo de valor é a alavancagem

financeira inadequada. E a

destruição aumenta exponencialmente

a partir de determinado

nível,restringe a quantidade de

crédito e impede de acessar as

melhores fontes de recursos.

Quem quiser continuar no jogo

tem que correr atrás do prejuízo,

com uma gestão profissional nos

fatores endógenos e produzindo

com custos competitivos. Os

que não se adequarem serão varridos

do mapa por uma onda de

consolidação que está apenas

começando.

(*) Consultor-sócio da MB Agro e

Consultor da XP para agronegócio

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ASSOCIAÇÃO

Tranin reeleito para novo

mandato à frente da Alcopar

Na presidência da entidade desde 2010, responde também pela

liderança de quatro sindicatos ligados ao segmento industrial

Oengenheiro agrônomo

Miguel Rubens

Tranin foi reeleito para

um novo mandato

de três anos - de 2019 a 2022

- à frente da Associação de

Produtores de Bioenergia do

Estado do Paraná (Alcopar),

sediada em Maringá (PR). A

diretoria presidida por Tranin,

foi referendada por representantes

das indústrias associadas

no dia 26 de abril em

Assembleia Geral na sede da

Alcopar.

Na presidência da entidade

desde 2010, Tranin responde

também pela liderança de quatro

sindicatos ligados ao segmento

industrial, nas áreas de

produção de açúcar (Siapar),

etanol (Sialpar), biodiesel (Sibiopar)

e cogeração de energia

elétrica a partir de biomassa e

gás (Sibielpar). Com unidades

industriais nas regiões noroeste

e norte do Estado, onde estão

presentes em mais de uma

centena de municípios, o setor

gera cerca de 40 mil postos de

trabalho diretos.

Segundo Tranin, as expectativas

para o segmento de bioenergia,

que há mais de uma

década enfrenta dificuldades,

são promissoras com a implementação

do RenovaBio, o

programa do governo federal

que visa trazer maior previsibilidade

e atrair mais investimentos

e eficiência para o setor

sucroenergético. "O RenovaBio

será um marco para o país”,

diz o presidente, enfatizando o

comprometimento da Agência

Nacional do Petróleo, Gás Natural

e Biocombustíveis (ANP)

e do Ministério de Minas e

Energia no processo de regulamentação

e cumprimento de

todos os prazos até o momento.

O presidente enfatiza que o RenovaBio

é uma política moderna

que levará o país a um

outro patamar em relação à segurança

energética, ampliando

a participação de fontes de

energia nacionais e renováveis,

como é o caso do etanol.

"Temos agora pela frente o trabalho

de levantamento e organização

das informações para

certificação. Muitos players já

iniciaram o processo para

estar prontos até o fim do ano

e começar a participar do RenovaBio

em 2020”, acrescenta.

No Paraná, ele vê também a retomada

do plantio de cana

para assegurar a estabilidade

da produção às indústrias e, ao

mesmo tempo, no país, um

avanço significativo, nos próximos

anos, dos biocombustíveis,

com destaque para o

etanol de milho.

A previsão da Alcopar é que a

safra de cana-de-açúcar

2019/20 no Estado, iniciada

em abril, seja mais alcooleira,

por conta dos atuais patamares

de preços do petróleo e

também as cotações deprimidas

do açúcar. No ano passado,

o combustível derivado

da cana atingiu consumo recorde

no Brasil, volume que

poderia ter sido maior não

fosse pela assimetria na questão

tributária.

Miguel Tranin explica que o

etanol ainda é pouco consumido

nos Estados de Santa

Catarina e Rio Grande do Sul,

O RenovaBio será

um marco para o país”

Presidente diz que há retomada do plantio de cana

para assegurar a estabilidade da produção

devido ao elevado nível de tributação,

de 36%. Ele integra

um movimento do setor bioenergético

nacional que defende

uma equalização das tarifas

entre os Estados, de 12%. Para

se ter ideia, a frota de veículos

do Rio Grande do Sul é maior

que a dos Estados do Nordeste.

Segundo Tranin, a reforma

tributária, que deve vir

após a da Previdência, deve

buscar a uniformidade nas tarifas.

Sobre o biodiesel, o percentual

de adição de óleo de soja,

atualmente de 10% no Brasil,

pode ser ampliado, em breve,

para 15% - reduzindo ainda

mais o nível de poluição das

emissões, sem alterar a funcionalidade

dos motores.

O setor vê com preocupação,

também, de acordo com o presidente

da Alcopar, os investimentos

que vêm sendo realizados

por Argentina e Paraguai,

para a produção de etanol

de milho. Considerando as facilidades

de exportação oferecidas

no Mercosul, o risco é de

que os dois países se transformem

em concorrentes diretos,

num futuro próximo. Como em

ambos a gasolina é vendida ao

consumidor sem nenhuma

adição de etanol, o setor pretende

pleitear ao governo brasileiro

que exija dos vizinhos a

criação de uma política de adição,

a exemplo do que acontece

aqui.

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SINTEGRAÇÃO

Interferir no ambiente de produção

aumenta a produtividade

A afirmação é do professor doutor Paulo Figueiredo, da UNESP Dracena/SP,

que falou sobre os “Impactos Climáticos na Fisiologia da Cana-de-Açúcar”

Como qualquer cultura,

a cana-de-açúcar

responde às

variações que o clima

provoca, assim como reage a

pragas, doenças, plantas daninhas

e ao ambiente de produção

de uma forma geral. Por

isso, é fundamental entender

como a planta funciona, como

sua fisiologia responde aos fatores

externos, para poder fazer

intervenções no ambiente

de produção, no melhor momento,

e ter os melhores resultados,

afirmou o professor

doutor Paulo Alexandre Monteiro

de Figueiredo, da UNESP

Dracena/SP, que falou sobre os

“Impactos Climáticos na Fisiologia

da Cana-de-Açúcar” em

evento técnico da Syngenta,

realizado em parceria com a

Alcopar.

“Qualquer intervenção no canavial

tem como pano de fundo

a fisiologia da planta, porque

a cana reage de formas

específicas aos estímulos que

sofre. O produtor tem que intervir

no ambiente para que a

planta tenha uma melhor resposta.

Um ambiente desfavorável

resulta em redução de

produtividade, porque a pressão

ambiental é grande. Mas,

o ambiente de produção pode

ser melhorado para que a

planta resista de forma satisfatória

aos impactos do clima,

das pragas, doenças e demais

problemas”, comentou o professor.

Figueiredo citou que existem

diversas estratégias que ajudam

a planta a se adaptar melhor

aos ambientes de produção.

Em uma região onde há

déficit hídrico, por exemplo, o

produtor pode intervir colocando

matéria orgânica no sistema,

o que faz com o solo

tenha aumentada sua capacidade

de armazenamento de

água e a planta resista melhor,

disse, ressaltando que mesmo

durante o período de maturação

tem que haver uma quantidade

mínima de água no

sistema fisiológico da cana,

para as funções vitais, e que a

desidratação também aumenta

a quantidade de fibra e torna rígida

a parede celular.

Por outro lado, ressaltou o professor,

não adianta chover

muito no período de desenvolvimento

da cana, mas, faltar

qualidade de luz. Isso interfere

no crescimento e faz toda diferença.

“Se não tem luz, não

tem fotossíntese, nem glicose,

nem sacarose, que é a matéria

prima para tudo que acontece

na planta. A planta responde

a qualidade de luz e ao

potencial máximo de radiação”,

afirmou.

No quesito “água”, disse ainda

que é preciso considerar que o

solo arenoso retém menos e

perde mais água mais rapidamente

do que o argiloso; que a

aeração do solo tem influencia

no crescimento e desenvolvimento

das plantas; que o

impedimento físico, como a

compactação, provoca gasto

excessivo de glicose devido à

baixa disponibilidade de oxigênio

e quanto maior for a demanda

evaporativa da atmosfera,

mais elevada será a necessidade

de fluxo de água

no sistema solo-planta-atmosfera.

Também, que os ventos interferem,

fazem arraste de moléculas

de água além do tombamento.

“Região que venta

muita a planta se desenvolve

menos”, citou. Até mesmo

para o adubo ser mais bem

absorvido é fundamental ter

água e que cada nutriente e o

balanço nutricional adequado

têm sua importância para o

Professor disse que existem diversas estratégias que ajudam a

planta a se adaptar melhor aos ambientes de produção

desenvolvimento da cana e para

a produtividade de açúcar.

O aumento excessivo de temperatura,

acrescentou Figueiredo,

também pode levar as

plantas a não completar o seu

ciclo de maneira adequada e

afetar o processo de maturação.

Da mesma forma, a planta

não responde de forma adequada

às baixas temperaturas,

afetando a qualidade da matéria

prima. Menor temperatura,

menor metabolismo, menor

produção. “Os efeitos das temperaturas

podem ser amenizados

com adubação adequada,

já que cana bem nutrida sofre

menos com impactos ambientais

e resiste melhor às baixas

temperaturas, além de irrigação,

espaçamento adequado e

uso de variedades adaptadas”,

exemplificou.

O professor citou ainda que o

uso da torta de filtro é uma estratégia

importante na fase inicial

para absorção e retenção

de água e para brotação da

cana. O calor liberado na decomposição

também favorece

a brotação, principalmente nos

plantios de inverno. É fonte de

matéria orgânica aumentando

a CTC, possui macro e micronutrientes,

e durante a mineralização

da torta, os microorganismos

produzem substâncias

que promovem o crescimento

radicular.

Outra ferramenta tecnológica

importante, recomendou, é o

uso de maturadores para melhorar

a qualidade da matéria

prima e aumentar a produtividade

agroindustrial, inclusive

no final da safra. “Aumenta a

produção de açúcares, favorece

o acumulo mais uniforme

nos entrenós e na região apical,

acelera o dessecamento

do ponteiro possibilitando um

desponte mais alto com mais

produção de colmos, e induz a

maturação no período de baixa

concentração de sacarose”, finalizou.

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CENTRO SUL

Moagem atrasa e crescem vendas de etanol

No acumulado do ciclo até o dia 15 deste mês,

a moagem atingiu 84,15 milhões de toneladas -

queda de 18,27% sobre o ano anterior

Aquantidade de canade-açúcar

processada

pelas unidades produtoras

do Centro-Sul totalizou

84,15 milhões de toneladas

no acumulado do ciclo

2019/20 até o dia 15 de maio,

queda de 18,27% sobre o ano

anterior. A retração na moagem

é de cerca de 20 milhões de toneladas

e segundo o diretor técnico

da Unica, Antonio de Padua

Rodrigues, “a recuperação dependerá

muito do aproveitamento

do tempo nas próximas quinzenas”.

Em relação ao número

de unidades em operação, 236

empresas registraram moagem

até 15 de maio, versus 248 até

igual data do último ano.

As unidades que produzem

açúcar e etanol (anexas) atingiram

uma participação de

83% na moagem de cana no

início desta safra e apresentaram

uma redução no rendimento

industrial de 4,5 quilos

de açúcar por tonelada de cana

processada, quando comparada

com a produção de açúcar

na mesma quinzena da

safra anterior. Esses elementos

indicam uma safra mais alcooleira

até o momento, acrescentou

Rodrigues. Considerando

unidades anexas e autônomas,

32,29% da cana processada

foram direcionadas à

produção de açúcar desde o

início do ciclo, inferior aos

35,15% observados até a

mesma data de 2018.

Dados apurados pelo Centro de

Tecnologia Canavieira (CTC) indicam

que até o momento

houve redução de 1,39% na

produtividade agrícola, 82,2 toneladas

por hectare, em comparação

com o mesmo período

da safra anterior, além de

menor qualidade da matériaprima,

com concentração de

Açúcares Totais Recuperáveis

(ATR) 6,7% menor, atingindo

119,65 kg por tonelada em

2019. Isso resulta em uma redução

próxima a 480 quilos de

ATR por hectare colhido até 15

de maio.

Reflexo da menor disponibilidade

de cana e do mix mais

alcooleiro, no acumulado

desde o início da safra, a produção

de açúcar alcançou

2,97 milhões de toneladas, e

o de etanol atingiu 4,01 bilhões

de litros, sendo 954

milhões de litros de anidro e

3,06 bilhões de litros de hidratado.

O volume de etanol comercializado

pelas unidades produtoras

do Centro-Sul somou 3,83 bilhões

de litros, desde o início da

safra, sendo 64,66 milhões de

litros para exportação e 3,77 bilhões

ao mercado interno - com

destaque para as vendas internas

de etanol hidratado que

acumulam alta de 30,85% nesse

período.

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TECNOLOGIA

Manejo do 3º Eixo minimiza

impactos climáticos

A estratégia é responsável por ganhos significativos de produtividade

e aumento da eficiência agroindustrial de várias unidades no Centro-Sul

Não precisamos ficar

reféns do ambiente

de produção. O produtor

pode gerar condição

de manejo para viabilizar

e melhorar esse ambiente”, defendeu

o pesquisador doutor

Marcos Landell, do IAC de Ribeirão

Preto/Secretaria da Agricultura

e Abastecimento do

Estado de São Paulo, ao falar

sobre os “Impactos Climáticos

no Manejo do 3º Eixo e como

Minimizar esses Impactos”. O

evento foi promovido recentemente

pela Syngenta em parceria

com a Alcopar, em Maringá.

Segundo Landell, essa é uma

estratégia desenvolvida pelo

IAC visando reduzir a exposição

dos canaviais aos déficits

hídricos, comuns em toda a região,

e que vem sendo adotada

em milhares de ensaios com

ótimos resultados. “A estratégia

é responsável por ganhos significativos

de produtividade e

aumento da eficiência agroindustrial

de várias unidades na

região Centro-Sul”, afirmou o

pesquisador.

O Manejo do 3º eixo promove

maior população de colmos:

faz com que o ciclo posterior

“herde” um número maior de

colmos aumentando a longevidade

do canavial; aumenta os

dias do ciclo em questão em

aproximadamente um mês,

promovendo uma melhor maturação

e gerando maiores respostas

a aplicação de estratégias

de maturação (uso de

maturador).

Landell explicou que normalmente

são considerados somente

dois fatores determinantes

para se trabalhar em termos

de produtividade, com três níveis

cada: o ambiente de produção

(solos e manejo) que

pode ser superior/favorável,

médio ou inferior/desfavorável;

e a época de colheita com três

níveis de déficit hídrico: outono,

inverno e primavera.

Agora, complementou, houve

uma evolução do conceito de

manejo adotado com matriz dimensional

aplicando um terceiro

eixo: o fator ciclo da cultura

(cortes) considerando ciclos

jovens (1 a 3 cortes), intermediários

(4 a 6) e avançados

(maiores que 7).

“Temos que considerar também

o ciclo da cultura, ou seja,

em que corte o talhão está

antes de estabelecer em que

momento será feito o corte do

canavial. Isso é fator determinante”,

ressaltou Landell comentando

que não é só colher

a safra seguindo sequencia

tradicional de colheita da cana,

precoce, média e tardia, em

cima da curva de maturação,

mas considerar também que

as variedades precoces são

mais sensíveis à seca e que os

canaviais mais novos, de primeiro

e segundo cortes, ainda

têm seus sistemas radiculares

em formação, as raízes são

superficiais e não estão protegidos

em caso de déficit hídrico.

Por isso, esses talhões

devem ser preservados, sendo

cortados em um período com

maior índice de chuvas.

“É preciso fazer um arranjo estratégico

dos três fatores para

ter mais água disponível no sistema

para planta ao longo do

seu ciclo. Quando não se toma

esse cuidado, desconstrói-se a

produtividade do canavial para

o ciclo seguinte, prejudicando

a brotação e o perfilhamento da

cana, afetando a produtividade

e a longevidade do canavial. O

ciclo é fator determinante na

sequência de colheita. Pode

derrubar a produtividade no primeiro

ciclo e trazer efeitos nos

demais cortes”, afirmou o pesquisador,

alertando que tem

usinas com alto índice de cana

precoce, o que aumenta o problema.

Marcos Landell; a meta é aumentar a produtividade

agrícola via aumento da população de touceiras e colmos

Landell comentou que lavoura

produzindo 80 toneladas por

hectare “não se sustenta”, que

tem tecnologia para aumentar

a produtividade uma vez que

as lavouras têm realizado somente

cerca de 20% a 25% do

potencial biológico e “o diagnóstico

para a baixa produtividade

agrícola é a baixa população

de colmos, de 40 a

60 mil por hectare no Centro-

Sul”, citou.

A meta, segundo o pesquisador,

é aumentar a produtividade

agrícola via aumento da

população de touceiras e colmos.

“Produzir de 100 a 127

toneladas por hectare de cana,

com 80 a 110 mil colmos por

hectare e fazer de oito a dez

cortes antes da reforma”,

disse.

E para construir a cana de três

dígitos, Landell afirmou que é

fundamental adotar um bom

manejo varietal, com canas de

porte ereto e colheitabilidade,

além da riqueza em açúcar,

fazer um plantio com falha

zero e manter elevada a população

de colmos e touceiras

reduzindo as ações que destroem

o canavial como pisoteio,

arranquio de touceiras,

pragas e outros.

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DOIS

PONTOS

Paradas

Fósseis

Biocombustíveis

A Comissão Europeia passou a adotar critérios mais rígidos

para combustíveis renováveis. A medida estabelece

que biocombustíveis que necessitem de extensa área de

terras para produção serão caracterizados como de alto

risco. Nesse caso, estão incluídos alguns tipos de biodiesel

feitos à base de óleos vegetais. As novas regras limitam

o volume desse tipo de biocombustível que pode ser

contabilizado como energia renovável na meta de cada

país membro do bloco. A medida integra uma nova lei da

UE que prevê aumentar a parcela de energia renovável para

32% até 2030.

O Brasil bateu recordes de

produção, consumo e venda

de etanol na safra 2018/19,

segundo dados da Unica. A

oferta do biocombustível foi

de 33,1 bilhões de litros - 9,91

Recorde

bilhões de litros de anidro e

23,18 bilhões de litros de hidratado

- pouco mais de 10%

a mais que o recorde anterior,

de 30 bilhões de litros, da

safra 2015/16, e alta de 19%

Os estudos em solos arenosos

avançaram ao longo dos

anos e as pesquisas com

cana-de-açúcar também.

Uma aposta dos pesquisadores

é inserir a cultura na integração

lavoura-pecuária e

tê-la como terceira opção. A

diversificação melhora o sistema

produtivo e, consequentemente,

agrega-se valor e

sobre os 27,8 bilhões de litros

de 2017/18. Com os preços

pouco remuneradores do açúcar,

o setor deixou de produzir

quase 10 milhões de toneladas

e de exportar 8 milhões de

toneladas em relação ao ciclo

2017/18. Com isso, 64,3% da

cana processada foram destinados

ao etanol e o volume

comercializado pelas usinas e

destilarias brasileiras somou

30,61 bilhões de litros, alta de

20,44% sobre 2017/18, de

25,42 bilhões de litros. As

vendas de etanol hidratado

atingiram 21,43 bilhões de litros,

alta de 39,7%. A participação

do biocombustível na

matriz de combustíveis leves

foi de 47,41%, o maior já observado

desde a safra 2008/

09, de 46,13%.

Mais usinas sem moer canade-açúcar,

preferência na fabricação

de etanol e uma produção

estagnada. Esse é o cenário

previsto para a safra

2019/20, que iniciou em abril

com uma em cada cinco usinas

com as atividades paralisadas

no país. Segundo levantamento

da RPA Consultoria,

101 das 444 usinas do país, ou

22,7%, não devem moer cana

nesta safra, o que representa

4 usinas a mais que as 97 excluídas

da safra anterior. Embora

pequena, a variação mostra

que o setor não se recuperou

da crise que o atingiu a

partir do fim da década passada.

Essas usinas não estão

necessariamente falidas ou em

recuperação judicial, podem

ter deixado de moer por estratégia

de grupos sucroenergéticos

ou para poupar custos –

dividindo a cana entre as usinas

que estão operando na

atual safra.

Solos arenosos

renda à atividade agrícola. O

sistema traz evidentes melhorias

para o solo, inclusive com

quebras de ciclos de pragas e

doenças, o que aumenta a

sustentabilidade como um todo,

segundo o pesquisador da

Embrapa (Dourados-MS), César

José da Silva, que desenvolve

estudos na área em Mato

Grosso do Sul.

A montadora alemã Mercedes-

Benz pretende parar de produzir

carros movidos a combustíveis

fósseis, gasolina ou diesel, até

2039. A partir desta data, a empresa

planeja vender em todo o

mundo apenas veículos de

emissão zero, que não contribuam

para o aquecimento global.

Empresa investirá em modelos

elétricos e híbridos, estando

aberta a diferentes abordagens,

já que, no momento, não

é possível saber qual destas opções

será a melhor em 20 anos.

População ocupada

Transição

Para Alexis Duval, presidente

da Tereos, uma das maiores

produtoras de açúcar do mundo,

o Brasil pode liderar a nova

transição tecnológica do setor

sucroalcooleiro. Para ele, o futuro

pertence a quem dominar

as tecnologias agrícolas e a digitalização

das usinas e da

produção, visando ganhar eficiência.

A População Ocupada no agronegócio

brasileiro manteve-se

estável entre 2017 e 2018, somando

18,20 milhões de pessoas,

de acordo com Cepea/

Esalq/USP. No acumulado do

ano, a participação do setor

agro no total de ocupados no

Brasil foi de 19,82%, ligeiramente

inferior aos 20,11% observados

em 2017. Os rendimentos

médios obtidos por

ocupados no agronegócio apresentaram

crescimento real entre

2012 (início da série histórica) e

2018. No ano passado, os valores

segmentados com base

em posições na ocupação foram:

de R$ 1.759,14 para empregados

e outros (com alta de

10,92% em relação ao início da

série), de R$ 5.567,49 para empregadores

(alta de 1,43%) e de

R$ 1.263,44 para trabalhadores

atuando por conta própria (elevação

de 7,54%).

Jornal Paraná 7


BIODIESEL

Setor reforça pedido por B11

Governo e o setor privado constroem as condições

para elevar mistura "muito em breve", diz ministro

AAssociação Brasileira

das Indústrias de

Óleos Vegetais (Abiove),

Associação dos

Produtores de Biodiesel do

Brasil (Aprobio) e União Brasileira

do Biodiesel e Bioqueresene

(Ubrabio) têm ressaltado

a necessidade do aumento da

mistura do biocombustível ao

diesel, dos atuais 10% (B10)

para 11% (B11), a partir de

junho. A elevação na mistura,

apesar de autorizada pelo

Conselho Nacional de Política

Energética, está suspensa

pelo governo. Testes feitos por

montadores mostraram inconformidades

e possíveis problemas

em motores e a liberação

só será feita após novas

avaliações e ajustes na produção.

Além da implantação imediata

do B11, setor reivindica a efetivação

do RenovaBio, dos créditos

de descarbonização e o

fortalecimento da industrialização

de grãos no País para agregar

valor à cadeia de produção.

O ministro das Minas e Energia,

Bento Albuquerque disse que o

governo e o setor privado constroem

as condições necessárias

para a elevação da mistura

do biodiesel ao diesel "muito

em breve".

A Ubrabio destaca que o biodiesel

brasileiro atende a todos os

aspectos tidos como fundamentais

para atender aos interesses

do cidadão: qualidade,

disponibilidade, preço e seu potencial

de gerar bem-estar. Além

disso, num momento em que o

governo questiona os preços do

diesel da Petrobras e há oferta

de biodiesel sobrando a preços

inferiores em todas as regiões

do País, todas as condições estão

colocadas para que se

avance no seu uso.

Também, nenhum outro combustível

no Brasil possui especificação

com tantas análises.

A Agência Nacional do Petróleo,

Gás Natural e Biocombustíveis

vem aprimorando os requisitos

de especificação do biodiesel

desde o início do Programa Nacional

de Produção e Uso do

Biodiesel, tornando-a uma das

mais rigorosas do mundo, garantindo

a qualidade.

Com sucessivas safras recordes

de soja e as demais opções

existentes, o Brasil tem matériaprima

de sobra para produção

de biodiesel. Com uma indústria

consolidada, com capacidade

de expansão (38% da

capacidade instalada está ociosa),

o Brasil pode produzir cada

vez mais biodiesel para substituir

o diesel fóssil importado.

Além de representar o melhor

custo x benefício entre os

combustíveis comercializados

no país, hoje o biodiesel é

competitivo com o diesel fóssil

em todas as regiões brasileiras.

Além disso, existem

outras externalidades positivas

atreladas ao biodiesel que

fazem com que ele seja mais

viável economicamente que o

diesel.

8 Jornal Paraná

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