Revista digital hortifruti maio 2019

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maio 2019

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maio 2019

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EDITORIAL

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ISSN 2359-5310 - Edição 167 - Maio 2019

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Com esse calor que parece não dar trégua, mesmo

tendo entrado o outono, nada melhor que

se refrescar, não é mesmo? E a hortelã nos remete

exatamente a isso. Seja pelo paladar ou olfato,

essa pequena folhinha é peça-chave na elaboração

de geleias, doces, chás, sucos, coquetéis e drinques;

além de ser utilizada como matéria-prima na indústria

de higiene pessoal e cosméticos, ramificando-se

como tempero, ajuda na digestão e ainda auxilia no

controle da irritação do cólon, além de contar com

ação expectorante.

Existem diversas espécies de hortelã, somando

mais de 30 tipos. As mais populares, entretanto, são a

hortelã-verde (Mentha spicata L.); o mentrasto (Mentha

rotundifolia Huds); a menta-do-levante (Mentha

citrata Ehrhart); a Mentha crispa L., Mentha arvensis

L. e a hortelã-pimenta (Mentha x piperita L.), a

mais famosa das hortelãs, sendo as duas últimas as

mais ricas em mentol.

Segundo a OMS, 80% da população mundial faz ou já fez uso de plantas medicinais

para aliviar algum sintoma desagradável, estimando que 30% sejam da família Laminaceae,

à qual pertencem as espécies de hortelã.

Bateu aquela vontade de já ir logo plantando? Que tal começar pela leitura da nossa

matéria de capa? Faça uma boa degustação, e até breve!

Errata

Miriam Lins Oliveira

Editora

Representantes

Agromídia Desenv. de Negócios Publicitários

Tel.: (11) 5092-3305

Foto Capa

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Projeto Gráfico/Diagramação

MQAG

Impressão

Na página 27 da edição 165, de março de 2019, o autor do texto enviou e

publicamos erroneamente uma foto de tomate, ao invés de jambu. Pedimos

que ela seja desconsiderada, pois não condiz com a legenda.

À redação

“Parabéns pelo Anuário. Ficou muito bom!”

Alessandro Mangetti

Diretor de Vendas e Marketing da Ginegar Polysack

maio 2019

AgroComunicação

PABX: (34) 3231-2800

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Nossos parceiros nesta edição

A Revista Campo & Negócios Hortifrúti

é imparcial em relação ao seu conteúdo

agronômico. Os textos aqui publicados são de

inteira responsabilidade de seus autores.

3


NESTA EDIÇÃO

06

Tomate italiano resistente a

doenças foliares

10 Hidroponia: produtividade e

qualidade do tomate

13 Extratos vegetais no controle de

pragas

16 Fertilizantes + aminoácidos =

tuberização da batata

18 Híbridos garantem beterrabas

sem anéis brancos

20 Organominerais potencializam

pegamento da beterraba

48

Hortelã

SABOR REFRESCANTE E SUAVE

22

Cultivo de pepino japonês

em estufas

36

Cultivo de folhosas em areia

maio 2019

26 Benefícios das algas para o

pimentão

28

Enxofre via foliar na

cebolicultura

32 Couve-manteiga - do campo à

mesa

34 Trichoderma x Sclerotinia em

folhosas

38 Oídio em abóbora exige controle

imediato

42 Manejo de nutrição do jiló

44 Nutrição do tomateiro com

organominerais

54

Como cultivar abóbora

orgânica

57

Informe Técnico do Caqui

62 Bioestimulantes recuperam

caquizeiros estressados

64 Pragas e doenças ameaçadoras do

caquizeiro

66 Sistema aberto ou fechado no

cultivo hidropônico de morango?

68 Porta-enxertos ideais para a

ameixa

72 Manejo de doenças e pragas da

mangueira

4


EVENTO

2º CONGRESSO

LUSO-BRASILEIRO

DE HORTICULTURA

ACONTECE EM GOIÂNIA

O

2° Congresso Luso-brasileiro de

Horticultura (CLBHOrt2019)

está marcado para acontecer no

período de 22 a 25 de maio, em Goiânia

(GO). Paralelamente às palestras, mesas

-redondas e workshops, acontece a feira

de produtos e serviços, com expositores

trazendo até os participantes as novas

tecnologias do mercado.

Paulo César Tavares de Melo, doutor

e professor da ESALQ/USP e coordenador

executivo do CLBHort2019,

conta que o evento tem como objetivo

o fortalecimento da ligação entre

a pesquisa e a inovação, que é o motor

do desenvolvimento da horticultura

moderna, criadora de valor, baseada

no conhecimento e na sustentabilidade,

em que a competitividade depende

cada vez mais da criatividade e da capacidade

de inovação.

Para isso, o CLBHort2019 contará

com o envolvimento de pesquisadores

e parceiros empresariais em sua organização,

visando à criação de uma plataforma

para alavancar o desempenho

da indústria hortícola luso-brasileira e

aumentar a sua competitividade a nível

internacional. “A rigor, pretendese

criar uma atmosfera adequada e um

espaço estimulante para o intercâmbio

de conhecimentos, experiências e informações

sobre temas do agronegócio

hortícola contemporâneo, projetando o

futuro do setor”, detalha o experiente

profissional.

Novidades

O tema do Congresso “Pesquisa e

Inovação em Diálogo com as Empresas”

vem de encontro aos desafios de desenvolver

uma horticultura sustentável e produtiva

que possa prosperar em um mundo

em permanente mudança.

A palestra de abertura “Translação

de conhecimento e inovação no contexto

da nova horticultura” abordará o tema da

inovação na horticultura. A palestra será

proferida por um cientista de renome

internacional, Antônio Monteiro, doutor

e ex-presidente da Sociedade Inter-

nacional de Ciências Hortícolas (ISHS,

sigla em inglês) e professor aposentado

do Instituto Superior de Agronomia da

Universidade de Lisboa (ISA/ULisboa).

Como enfatiza Monteiro, “o âmbito

da inovação em horticultura é alargado

pela translação rápida, para as empresas

do conhecimento em novas áreas científicas,

o que permite a criação de produtos e

serviços a partir da genômica, proteômica,

nanotecnologia, modelação, robótica, automação

e outras áreas científicas de ponta,

levando ao nascimento do que poderemos

chamar uma Nova Horticultura”.

Ainda de acordo com ele, “assiste-se

a uma revolução tecnológica na horticultura

que é conseguida a partir de áreas

do conhecimento muito distantes do que

habitualmente entendemos por ciências

da horticultura e que envolvem atores

com formação em áreas do conhecimento

muito diversas”. Monteiro conclui, recomendando

que “temos que passar a

pensar ‘fora da caixa’”.

Os temas das palestras e das mesas

-redondas foram escolhidos de modo a

abranger todas as áreas do HF, destacando

a fruticultura, a vitivinicultura, a olivicultura,

a olericultura (hortaliças, ervas

condimentares, aromáticas e plantas

medicinais) e a horticultura ornamental

(floricultura, plantas ornamentais e paisagismo).

“Contaremos com profissionais altamente

gabaritados de Portugal, Brasil e

Argentina que abordarão temas escolhidos

de acordo com sua relevância e que

são desafios a serem enfrentados e superados

pela horticultura no contexto luso

-brasileiro”, ressalta Paulo César.

Paulo César Tavares de Melo,

doutor e professor da ESALQ/

USP e coordenador executivo do

CLBHort2019

Divulgação

maio 2019

5


RESISTÊNCIA

GENÉTICA

TOMATE ITALIANO X DOENÇAS FOLIARES

Shutterstock

maio 2019

Carlos Antônio dos Santos

Engenheiro agrônomo e doutorando em

Fitotecnia – Universidade Federal Rural

do Rio de Janeiro (UFRRJ)

carlosantoniods@ufrrj.br

Lígia Sayko Kowata-Dresch

Engenheira agrônoma e doutora em

Fitotecnia - UFRRJ

Margarida Goréte Ferreira do Carmo

Engenheira agrônoma, doutora em

Fitopatologia e professora - UFRRJ

gorete@ufrrj.br

O

tomate se destaca como uma

das hortaliças mais apreciadas

pelo brasileiro, sendo cultivado,

principalmente, nos Estados das

regiões sudeste e centro-oeste. Atualmente,

tem se observado a busca dos

consumidores por produtos diferenciados

com maior valor agregado, como o

tomate do tipo italiano, destinado principalmente

a um público mais exigente

em qualidade e sabor.

O tomate italiano apresenta frutos

com formato alongado, coloração intensa,

sabor adocicado, boa textura e aroma.

Estas características positivas, aliadas à

sua dupla aptidão de consumo, seja na

forma de saladas ou em molhos caseiros,

são responsáveis por sua grande aceitação

perante o mercado consumidor.

Estimativas recentes apontam que

o mercado de tomate italiano no Brasil

tem correspondido a mais de 20% do total

destinado à mesa, com grande potencial

de crescimento nos próximos anos.

Doenças foliares em tomate

O cultivo de tomate italiano requer

uma série de cuidados quanto ao manejo

do ambiente e da cultura, visando

alcançar uma boa produtividade, priorizando

frutos atraentes ao consumidor,

com menor custo aos produtores e menor

impacto ambiental.

Nesse contexto, a ocorrência de doenças

e pragas destaca-se como o principal

desafio à produção, fazendo com que

o produtor de tomate redobre a atenção

quanto ao manejo fitossanitário da

cultura, uma vez que a lavoura está sujeita

a diversas doenças, tanto as causadas

por patógenos de solo como nematoides,

bactérias e fungos causadores de

podridões, danos vasculares, radiculares e

6


RESISTÊNCIA

murchas, além de doenças foliares causadas

por diversos agentes (vírus, fungos e

bactérias) que podem atacar as plantas e

prejudicar o seu pleno desenvolvimento.

A ocorrência de doenças foliares

é prejudicial ao tomateiro por reduzir

a produção dos fotoassimilados responsáveis

pelo crescimento da planta

como um todo, e para o enchimento

dos frutos. Ou seja, estas doenças causam

redução da área foliar fotossinteticamente

ativa que reflete negativamente

na quantidade e qualidade dos

frutos produzidos.

Danos diretos aos frutos ou, ainda,

exposição dos mesmos ao sol em função

da desfolha causada por estes patógenos

também podem comprometer a qualidade

dos mesmos.

As lavouras com plantas severamente

atacadas por doenças foliares

apresentam redução precoce do ciclo da

cultura, o que trará prejuízos ao produtor,

por não corresponder aos investimentos

realizados.

Alerta geral

As principais doenças foliares do tomateiro

italiano incluem aquelas causadas

por fungos e oomicetos, vírus e bactérias,

podendo variar em função das

condições de manejo adotado, cultivar

utilizada, quantidade de inóculo ou presença

de vetores, da época de plantio e

de diferentes condições climáticas como,

por exemplo, temperatura, umidade ou

ocorrência de molhamento foliar.

Dentre estas doenças, a requeima, ou

mela do tomateiro, é causada pelo oomiceto

Phytophthora infestans, sendo uma

das mais devastadoras no cultivo de tomate

em todo o mundo. Sua ocorrência é

favorecida por temperaturas amenas, alta

umidade e molhamento foliar.

Nas folhas, os sintomas da doença

iniciam-se na forma de pequenas manchas

de coloração verde-pálido e formato

indefinido que, posteriormente,

aumentam de tamanho rapidamente e

atingem grande parte do limbo foliar,

Ana Maria Diniz

O tomate italiano tem grande

potencial de crescimento

maio 2019

7


RESISTÊNCIA

tornando o tecido necrótico e seco. A

doença também pode atacar toda a parte

aérea do tomateiro.

A mancha-de-estenfílio do tomateiro

é causada pelos fungos Stemphylium

solani e S. lycopersici, sendo o

primeiro predominante nas lavouras.

As lesões são observadas nas folhas, inicialmente

com pequenas pintas encharcadas

de cor marrom a preta que rapidamente

evoluem para lesões necróticas

de cor cinza escura e contornos circulares

ou irregulares, ligeiramente deprimidas

e circundadas por halo clorótico.

Já a alternariose ou pinta-preta do

tomateiro (causada por Alternaria solani)

ataca toda a parte aérea da planta,

sendo os sintomas mais visíveis nas

folhas mais velhas, apresentando pintas

pequenas, acastanhadas ou negras, rodeadas

por halo amarelo.

A alternariose também pode causar

incidência de abortamentos florais e,

por consequência, redução da produção.

Dentre as principais viroses que atacam

a cultura do tomateiro, destacam-se,

principalmente, as causadas por vírus dos

gêneros Tospovirus e Begomovirus (também

conhecido como Geminivirus).

Nos Tospovirus, incluem-se espécies

causadoras da doença chamada

“vira cabeça do tomateiro” como, por

exemplo, a espécie Tomato spotted wilt

virus (TSWV). Os sintomas causados

pela doença incluem a redução do limbo

foliar, curvamento e necrose do ápice,

bronzeamento ou arroxeamento das

folhas e manchas e anéis nos frutos.

Outras manifestações viróticas no

tomateiro também incluem mosaico,

clorose, enrolamento foliar e rugosidade,

o que, evidentemente, afeta a produção

dos frutos.

A pinta bacteriana do tomateiro

(Pseudomonas syringae pv. tomato) é

favorecida por temperaturas amenas e

alta umidade, causando nas folhas lesões

necróticas, circulares ou irregulares,

de coloração pardo escura a preta

no lado inferior dos folíolos, podendo

apresentar um halo amarelado. As lesões

podem evoluir para o secamento

da folha.

Na mancha bacteriana, causada pelo

complexo Xanthomonas spp., ocorrem

manchas encharcadas que evoluem para

necrose, e pode ocasionar necrose total

da folhagem, além de lesões nos frutos.

O tomate italiano

tem correspondido a

mais de 20% do total

destinado à mesa

Genética contra doenças foliares

O controle de doenças foliares no

tomateiro pode ser um grande e oneroso

desafio ao produtor, principalmente

em épocas favoráveis à ocorrência dessas

doenças. Relatos de perdas são frequentes

nas principais regiões produtivas,

caso não seja adotada uma medida

eficaz de controle.

No geral, o manejo é feito com o

uso de produtos químicos para controle

dos agentes ou dos vetores (para o caso

das viroses) e com manejo cultural, o

que nem sempre é satisfatório.

Nesse contexto, o uso de cultivares

resistentes para o manejo de doenças

foliares representa a estratégia mais

interessante a ser utilizada, por reduzir

os custos com a aplicação de defensivos

e, por consequência, a quan-

Tendência

maio 2019

Foto Luize Hess

O controle das doenças foliares com o uso de cultivares

resistentes, aliado a práticas preventivas e de manejo

integrado, deve ser incentivado em função dos benefícios

proporcionados, uma vez que o valor gasto com defensivos

representa uma alta porcentagem em relação do custo

total de produção, perdendo apenas para o gasto com

mão de obra.

Segundo o CEPEA, a porcentagem gasta com defensivo

em relação ao total gasto para produção de tomate de

mesa, em três cidades produtoras de tomate, foi de 14%

em Mogi-Guaçu (SP) na safra de inverno 2016; 10% em

Caçador (SC), na safra de verão 2016/17, e 16% em Araguari

(MG) na safra de inverno 2015.

O valor gasto com este tipo de insumo é maior do

que o gasto com sementes, 3,5% (Mogi-Guaçu); 3,7%

(Caçador) e 4,8% (Araguari), indicando uma área a ser

explorada e fomentada.

Lembrando que o uso de cultivares resistentes deve

estar atrelado à obtenção de mudas de qualidade, rotação

de culturas com outras espécies, controle de insetos vetores,

como tripes e pulgões, que podem transmitir vírus,

redução do molhamento foliar (priorizando irrigação por

gotejamento), destruição dos restos culturais, manejo adequado

da irrigação e adubação, entre outros.

8


RESISTÊNCIA

tidade de produto químico lançado no

meio ambiente, aumentar a segurança

do trabalhador rural e do produto colhido

(isento de resíduos) e, principalmente,

diminuir os riscos do produtor

com perdas da lavoura.

A produção do tomate italiano, com

o uso de cultivares resistentes às principais

doenças foliares, poderá ser feita

por um período maior durante o ano,

inclusive na entressafra, garantindo a

obtenção de melhor preço de mercado,

evitando flutuações na produção e oferta

de tomate italiano.

Inovações

Foto Embrapa Hortaliças

Atualmente, em função dos avanços

no melhoramento genético do tomate

italiano, vem sendo disponibilizado no

mercado materiais que têm apresentado

resistência às principais doenças foliares

que acometem a cultura, como viroses

diversas (geminivirus e vira-cabeça),

mancha-de-estenfílio, alternariose

e pinta bacteriana, por exemplo.

Ainda, alguns materiais podem

também combinar resistência a patógenos

de solo, como nematoides e algumas

raças de Fusarium oxysporum f. sp.

lycopersici, causador da murcha-de-fusário

do tomateiro.

Essas características, aliadas à produção

de frutos com boa uniformidade,

resistência a rachaduras e boa produtividade

têm sido importantes para a

expansão do cultivo do tomate italiano,

por, evidentemente, diminuir os custos

e os riscos na produção e aumentar a

produtividade e qualidade do produto

colhido.

Cultivares com resistência a doenças

foliares têm sido utilizadas nas principais

regiões produtoras, como em

Nova Friburgo, na região serrana do

Rio de Janeiro, com grande aceitação

por parte dos produtores.

O tomate italiano apresenta frutos com formato alongado,

coloração intensa e sabor adocicado

Viabilidade

O custo-benefício da utilização de

tomate italiano resistente a doenças foliares

é satisfatório, por reduzir os gastos

com o controle químico das doenças

e aumentar a produtividade da cultura,

sem onerar os custos de produção.

Diante disso, o produtor obterá maior

segurança no cultivo, podendo desfrutar

desse mercado lucrativo, diferenciado e

ascendente, que é o do tomate italiano.

maio 2019

AG+

DC

PRIME

PH

AGRO

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DIFERENCIAL

maio 2019

Douglas Marques

HIDROPONIA

MAIS PRODUTIVIDADE E

QUALIDADE DO TOMATE

Rafael Simoni

Engenheiro agrônomo, especialista em

consultoria e assistência técnica em

hidroponia

rafaelsimoni@agronomo.eng.br

O

tomate vem sendo a hortaliça

mais consumida no mundo, e no

Brasil esta realidade não é diferente.

Sua aptidão tanto para consumo in

natura como para o preparo de molhos e

derivados faz com que haja um aumento

constante na demanda.

Segundo dados do CEPEA, no Brasil

a cultura do tomate movimentou, somente

no ano de 2017, cerca de R$ 1 bilhão.

Se considerarmos a cadeia completa

de produção, indústria e comércio - incluindo

mão de obra, insumos e embalagens

- essa cifra beira a casa dos R$ 14

bilhões.

No período, a área plantada no Brasil

foi de aproximadamente 64.000 ha, sendo

praticamente 70% do tomate de mesa

e/ou in natura e 30% para a indústria.

O tomate para indústria é todo plantado

a campo. Quanto ao tomate de mesa,

estima-se que menos de 20% seja produzido

em estufas ou sob algum tipo de proteção.

Destes 10.000 ha em cultivo protegido,

calcula-se que menos de 2.000 ha sejam

cultivados em hidroponia.

O Estado de Goiás detém o título de

maior produtor nacional de tomate para

processamento, com mais de 12.500 ha

plantados. São Paulo e Minas Gerais, por

sua vez, são os maiores produtores de tomate

de mesa, com 12.000 ha e 7.500 ha,

respectivamente.

Como o cultivo em hidroponia está

crescendo proporcionalmente mais que

a área plantada a campo, é difícil ainda

calcular números financeiros quanto

à produção.

Uma estimativa sugere que o cultivo

de tomate em hidroponia movimentou

em torno de R$ 300 milhões no ano de

2017, no Brasil.

Esse valor é proporcionalmente maior

por hectare quando comparado ao cultivo

a campo, em razão da hidroponia oferecer

um produto de melhor qualidade,

variedades de maior valor agregado (tomates

gourmet) e produção menos sujeita

às variações sazonais (oferta constante

ao mercado).

Vantagens

No cultivo hidropônico, a menor exposição

da planta a pragas e doenças, o

melhor controle de irrigação e nutrição da

planta e de condições do ambiente no interior

da estufa, a diminuição de pulverizações

e de sua maior eficiência e a utilização

de materiais híbridos e com maior

potencial genético contribuem para o

aumento da produtividade e ganhos efetivos

na qualidade final do produto, condição

que atrai os produtores.

10


maio 2019

11


DIFERENCIAL

Decisões importantes

maio 2019

Os procedimentos básicos ao se instalar

um cultivo em hidroponia não são

muito diferentes daqueles para se estabelecer

uma lavoura a campo.

Um ponto importante a se destacar é

que o sucesso na safra depende das decisões

tomadas antes de se efetuar o plantio.

Variedade a ser plantada, mercado/público

a ser atendido, época de colheita, são

aspectos que devem ser analisados de forma

crítica antes do estabelecimento do

plantio.

É recomendado escolher sementes/

mudas de boa procedência. Geralmente

é preferível optar por materiais híbridos,

que, apesar de serem mais caros, têm um

potencial genético maior ou pacotes de

resistências a doenças, o que os faz se sobressaírem

frente aos materiais comuns.

O substrato utilizado (quando for

plantio em vaso ou slab) deve ser livre de

contaminantes químicos, físicos ou biológicos.

Quando do cultivo em sistema NFT,

as calhas devem estar limpas e higienizadas

para receber as mudas.

A solução nutritiva deve ser elaborada

de acordo com a variedade e a fase da

planta, e preparada de acordo com as recomendações

do técnico responsável. No

tocante aos tratos culturais, também são

praticamente os mesmos feitos a campo

(condução, podas, pulverizações, raleio

de frutos, se a variedade exigir, colheita e

etc.).

Um diferencial é que na hidroponia o

produtor deve agir no momento certo, e

muitas vezes até prever situações que podem

ser prejudicais ao cultivo, como por

exemplo, uma geada, em regiões de inverno

mais intenso, ou histórico de surgimento

de praga em determinada época

do ano, para assim tomar as providências

necessárias.

Esses exemplos de variáveis externas

podem ser trabalhados afim de amenizar

os efeitos na produção no interior da estufa.

Algumas variedades poderão exigir

cuidados específicos e o produtor deverá

procurar o responsável técnico, em caso

de dúvidas.

Recomendações - variedades de

acordo com o ciclo

As variedades a serem escolhidas para

a hidroponia devem ser aquelas que apre-

Jorge Barcelos

A solução nutritiva deve ser elaborada de acordo

com a variedade e a fase da planta

Custos x rentabilidade

Os custos para implantação do cultivo em hidroponia podem ser de 40 até 120%

superiores em relação ao cultivo em campo, dependendo do grau de tecnificação da

estufa e da estrutura, dos insumos aplicados, da mão de obra necessária, entre outros

fatores. Apesar disso, esse investimento maior é compensado pela produção superior

em uma mesma área, qualidade de fruto e, consequentemente, preço final de mercado,

menor necessidade de aplicações de fitossanitários, entre outros.

Quando o produtor dispõe de um material de genética superior, aliado a uma

boa condução da lavoura e que agrade o consumidor, tem-se observado que esse

pode atingir um preço por quilo até cinco vezes superior ao tomate comum. Lembrando

que, como dito anteriormente, o produtor deverá decidir antecipadamente

e de acordo com o público-alvo que ele quer atender.

Os resultados obtidos a campo endossam o ingresso de um número cada vez

maior de produtores que investem na hidroponia.

sentem um ciclo médio-longo de produção

(08 a 12 meses em estufa), e que

ofereçam algum diferencial para atrair o

consumidor, seja ele sabor, textura ou aparência

que o mercado aprecie, e que, consequentemente,

justifique um maior valor

de venda quando comparado a tomates de

variedades comuns.

Hoje estão em alta os tomates tipo cereja

e tipo grape, de sabor mais adocicado,

muito atrativo para o público infantil,

bem como os tomates tipo saladete,

que apresentam frutos uniformes e com

boa coloração.

Estas variedades trazem diferenciais

tanto para o produtor como para o consumidor.

Para o produtor, será a garantia

de venda e maior produtividade por

área, desde que seguidas as recomendações

exigidas. Já o consumidor terá um

produto com qualidades organolépticas

diferenciadas, superiores, bem como um

alimento com menor ou até nenhum traço

de defensivos fitossanitários.

12


CONTROLE

EXTRATOS

NATURAIS

Shutterstock

AS

PRAGAS

QUE

SE

CUIDEM

Nilva Terezinha Teixeira

Engenheira agrônoma, doutora em

Solos e Nutrição de Plantas e professora

de Nutrição de Plantas, Bioquímica

e Produção Orgânica do Centro

Universitário do Espírito Santo do Pinhal

(UniPinhal)

nilvatteixeira@yahoo.com.br

A

produção orgânica de alimentos

vem crescendo em nosso País,

assim como em todo o planeta.

Em 2016, de acordo com o Ministério

da Agricultura e Abastecimento

(MAPA), o número de unidades produtivas

no Brasil aumentou cerca de 30%,

relativo a 2015. Os registros de cadastro

do Mapa mostram (ao final de dezembro

de 2017) 17.251 produtores orgânicos

certificados em nosso País.

Sustentabilidade

Os produtos orgânicos ganharam espaço

no mercado de alimentos, pois empregam

em toda a cadeia produtiva técnicas

que respeitam o meio ambiente e visam

à qualidade do alimento.

Entre os problemas encontrados no

sistema de produção em questão está o

controle de pragas e doenças.

Entre as medidas para tal estão o correto

preparo de solo, irrigação e correção

de fertilidade do solo adequadas, cuidados

com movimentação de máquinas e

equipamentos, compostagem de estercos

animais, rotação de cultura e o plantio

de variedades resistentes.

Entretanto, pragas e doenças ocorrem,

e o controle deve ser feito com alternativas

menos impactantes ao meio ambiente, aos

animais, colaboradores e consumidores do

alimento. Entre as medidas recomendadas

está o emprego de extratos e de caldas

vegetais.

Os extratos vegetais e sua ação

nas plantas

Nos dias de hoje o Brasil dispõe, por

meio do MAPA, de legislação específica

para registro de produtos fitossanitários

para uso na agricultura orgânica.

As plantas produzem uma grande e

diversa variedade de componentes orgânicos:

os denominados metabólitos primários,

que são os necessários para a sobrevivência,

produção e armazenamento de

energia (fotossíntese, respiração, formação

de proteínas, etc.) e os secundários,

que produzem substâncias importantes

no enfrentamento do estresse e adaptação

ao meio ambiente.

Os metabólitos secundários das plantas

são compostos químicos que podem

atuar também como pesticidas naturais

de defesa contra herbívoros ou microrganismos

patogênicos, como os alcaloides

(derivados de aminoácidos e proteínas,

as substâncias fenólicas (derivados

dos carboidratos, e que apresentam ao

menos um anel aromático), flavonoides,

taninos, quinonas, óleos essenciais, saponinas,

heterosídeos cardioativos e os

terpenos.

Esses compostos podem ter função

direta no controle, podem inativar toxinas

produzidas pelos microrganismos ou podem

repelir os fitopatógenos ou insetos

-pragas (provocando inibição da alimentação,

redução do consumo alimentar,

atraso no desenvolvimento, deformações

e esterilidade dos insetos-pragas na lavoura).

maio 2019

13


CONTROLE

Shutterstock

Os produtores têm enfrentado problemas no

controle de fitonematoides

maio 2019

Benefícios

A principal vantagem relacionada ao

uso de extratos vegetais em proteção de

plantas, quando comparados aos produtos

sintéticos, deve-se ao fato de gerar novos

compostos, os quais os patógenos não se

tornaram capazes de inativar, além de serem

menos tóxicos, serem degradados rapidamente

pelo ambiente, possuírem um

amplo modo de ação e de serem derivados

de recursos renováveis. Existem plantas

repelentes (como a hortelã-pimenta,

que repele formigas) e defensivas (como

o neem).

Os primeiros inseticidas derivados

de plantas foram a nicotina (extraída do

Nicotiana tabacum), a piretrina (extraída

do Chrysanthemum cinerariaefolium),

a rotenona (retirada do Derri ssp. e Lonchocarpus

spp.). Hoje, o MAPA emprega

como referência para o registro de produtos

fitossanitários o neem.

Princípios ativos

Tem-se constatado, na literatura, referências

indicando que extratos de alho

podem controlar com eficiência Fusarium

proliferatum por extratos de alho e capimsanto,

Colletotricum gloeosporioides, por extratos

de melão-de-são-caetano e eucalipto,

e Bipolaris sorokiniana, por extrato

de cânfora, enquanto Helenium amarum,

Alternanthera dentata, Lippia alba e Solanum

cordifolium inibem o crescimento

do fungo Colletotrichum musae.

As plantas medicinais possuem compostos

secundários, podendo apresentar

atividade direta, por meio de extratos brutos

e óleos essenciais, sobre fitopatógenos

como bactérias, nematoides e fungos, ou

indireta, que ativam os mecanismos de

defesa das plantas contra os patógenos.

As plantas invasoras produzem compostos

químicos que podem influenciar o

crescimento e produtividade de plantas vizinhas

que, entretanto, têm seu próprio

mecanismo de defesa.

Produzem compostos denominados

aleloquímicos que, de fato, são herbicidas

naturais classificados como esteroides,

ácidos graxos de cadeia longa e lactonas

insaturadas.

Extratos das folhas e de sementes de

feijão de porco, muito empregadas como

adubo verde, são eficientes contra as invasoras

Commelina erecta (trapoeraba) e

Ipomoea grandifolia (corda-de-viola).

Desafios

Os produtores têm enfrentado problemas

no controle de fitonematoides:

além de ser difícil, os produtos recomendados

são altamente tóxicos e têm o seu

uso restringido.

Além de rotações com plantas não

hospedeiras (que contêm compostos nematicidas/nematostáticos

em tecidos e

exsudatos), há referências na literatura

indicando que, em ensaio em casa de vegetação,

a incorporação de torta de neem

ao solo infestado com o nematoide Meloidogyne

javanica provoca redução do

número de galhas e de ovos desta espécie.

Porém, são necessários mais estudos.

A tabela 1, na página ao lado, indica

algumas receitas empregando-se plantas

no controle de pragas e doenças e a tabela

2 relata algumas espécies vegetais com

real atividade na proteção das plantas.

Pesquisas

Estudos feitos pela Embrapa têm demonstrado

que o uso do neem tem propiciado

bons resultados. Por exemplo, no

controle da lagarta-do-cartucho em milho,

observou-se eficiência de 70 a 94%.

Porém, o produto deve ser aplicado

quando a lagarta estiver com menos de

oito dias de idade, ou seja, com tamanho

inferior a 1,0 cm de comprimento. O melhor

controle da lagarta é obtido com três

aplicações da calda, com intervalo de dois

dias entre as aplicações.

Esse número de aplicações se faz necessário

devido ao crescimento dinâmico

da planta, surgindo novos tecidos foliares

que não estarão protegidos pelo extrato e

sujeitos ao ataque da lagarta. O uso direto

sobre as lagartas tem pouco efeito.

Também na Embrapa, estudos mostraram

a eficácia do neem contra fusariose

da pimenta-do-reino.

O controle total da doença nas mudas

ocorreu com 10 g.l -1 de folhas de neem

frescas ou secas trituradas incorporadas

no solo. Porém, a instituição recomenda

a incorporação de 50 g.l -1 para que

se tenha, além da proteção contra a doença,

um melhor desenvolvimento das

mudas.

Custo-benefício

que compensa

No balanço de custo-benefício do emprego

de extratos ou caldas vegetais no

controle de pragas e doenças de plantas,

deve-se considerar que os princípios ativos

presentes nas caldas e extratos vegetais:

Não alteram o metabolismo das plantas

por eles tratadas;

Não são persistentes, degradando-se

no solo e nas plantas, não impactando

o meio ambiente;

Não são tóxicos aos animais e aos humanos.

14


CONTROLE

Tabela 1 – Algumas indicações para controle fitossanitário

PLANTAS PREPARO AÇÃO

Alho

Anjico

Arruda

Cravo-dedefunto

Neem

Primavera

1. Moer 1,0 kg de alho e deixar em repouso por 24 horas

em 20 colheres de café de óleo mineral.

2. Em outra vasilha, dissolver 100 g de sabão (picado) em

5,0 litros de água, de preferência quente.

3. Misturar os dois ingredientes preparados anteriormente.

4. Diluir em 100 litros de água e pulverizar.

1 kg de folhas de angico.

10 litros de água.

Deixar as folhas de molho por oito dias.

Oito ramos de arruda com 30 cm de comprimento - com folhas.

1 litro de água.

19 litros de espalhante adesivo com sabão de coco.

Bater os ramos com o litro de água no liquidificador. Filtrar

(com pano fino) e juntar ao espalhante.

1,0 kg de folhas de cravo-de-defunto em 10 litros de água.

Ferver as folhas nos 10 litros de água por 30 minutos ou

deixar as folhas de molho na água por dois dias. Filtrar e

pulverizar as plantas.

Despolpar os frutos, deixar secar as sementes e moê-las.

Deixar de molho em água, filtrar e usar em pulverização.

Pode-se, também, adicionar 5,0 g de sabão dissolvido no

extrato.

Um litro de folhas de primavera (rosa ou roxa)

1 litro de água

Bater no liquidificador as folhas e a água. Diluir o extrato

em 20 litros de água. Pulverizar em horários de temperatura

amena.

Como fungicida: míldio, brusone, mancha de alternária,

helmintosporiose e ferrugem.

Como inseticida: lagarta-da-maçã, lagarta-docartucho,

tripes e pulgão.

Nos EUA, o óleo é registrado como repelente para

brássicas, cereais, citros, algodão, cucurbitáceas, folhosas,

macadâmia, pecã, ornamentais e tubérculos.

Para controle de formigas cortadeiras e saúvas.

Aplicar 1 l.m -2 de formigueiro

Indicado para pulgões, cochonilha branca e ácaros.

Controla pulgões, ácaros e lagartas.

Indicado no controle de mosca-branca, lagartas

e alternária.

Controla vira-cabeça-do-tomateiro e virose do

tabaco e do feijoeiro.

Tabela 2 - Outras plantas com potencial

uso na proteção da lavoura

Alecrim-pimenta e capim-limão:

combate fungos.

Cebola ou cebolinha verde: repele vaquinha

e combate pulgões e lagartas.

Citronela: o óleo combate bacteriose

e fungos.

Capuchinha: repelente de nematoides.

Chuchu, abóbora e nabo: atrativo de

lesmas e caracóis.

Coentro: combate ácaros e pulgões.

Crotalária: combate nematoides.

Eucalipto: folhas combatem pragas de

grãos armazenados.

Gergelim: combate saúvas - plantio

associado.

maio 2019

Pimenta: repelente de insetos.

Samambaia: combate cochonilhas e

pulgões.

Tomateiro: combate pulgões – folhas.

Urtiga: combate pulgões e fungos patógenos

que atacam folhas.

Hélcio Costa

15


FERTILIZANTES&

BATATA

AMINOÁCIDOS

A CHAVE PARA A TUBERIZAÇÃO DA BATATA

Jeisiane Andrade

Engenheira agrônoma e mestranda em

Fisiologia e Bioquímica de Plantas -

ESALQ/USP

Paulo Roberto de Camargo e Castro

Doutor e professor Titular ESALQ/USP

prcastro@usp.br

A

batata é um alimento de grande

importância mundial, sendo atualmente

a terceira fonte alimentar

mais importante do mundo, superada apenas

pelo arroz e o trigo. No Brasil, o consumo

médio por habitante ao ano atinge

15 kg, o que é considerado baixo quando

comparado aos 70-80 kg por habitante

ao ano de países como Alemanha

e Holanda. Atualmente, Minas Gerais

é classificado como o maior produtor de

batata do Brasil.

O cultivo dessa cultura pode ser realizado

em até três safras - a safra das águas,

da seca e a de inverno. Logo, a planta de

batata é muito sensível ao déficit hídrico.

Mesmo pequenos períodos de estiagem

comprometem o sucesso da lavoura

e, para tanto, a irrigação é recomendada

em regiões e/ou estações com distribuição

irregular de chuvas.

Porém, o excesso de água também

pode afetar a produção, por reduzir a aeração

do solo, favorecer a maior incidência

de doenças e lixiviar nutrientes móveis.

Sendo assim, a demanda de água pelas

plantas é dependente das condições climáticas,

da cultivar e do sistema de cultivo,

principalmente.

O estádio inicial de desenvolvimento

começa com o plantio da batata-semente

brotada até a emergência das hastes principais,

o que ocorre após sete a 14 dias após

o plantio. Nesse período, a planta utiliza

a reserva de nutrientes da batata-matriz,

já que o sistema radicular ainda não

se desenvolveu.

Adubação

maio 2019

Posteriormente, no decorrer do ciclo,

após ter esgotado as reservas da batata-matriz,

a cultura demandará de nutrientes

externos, o que faz da adubação

via solo ou foliar imprescindível.

A adubação a ser realizada é baseada

na análise de solo e exigências nutricionais

da cultura. A forma de aplicação pode ser

via solo. Em sua maioria, a adubação de

base é feita via solo, e a adubação foliar é

realizada para complementar, com o objetivo

corrigir deficiências de macro e micronutrientes,

uma vez que foi detectado

sintoma nas folhas e confirmado por análise

foliar em laboratório.

A aplicação de nutrientes via foliar

é rápida e eficiente, superando a adubação

de solo, porém, não a substitui. Sendo

assim, a adubação foliar é uma estratégia

adicional para a aplicação de fertilizantes

nas culturas.

Fotos Shutterstock

Os aminoácidos

Afim de potencializar o desempenho

da cultura, o uso de aminoácidos tem sido

16


BATATA

empregado junto à fertilização foliar ou

fertirrigação. Os aminoácidos estão presentes

em todas as plantas, cujas principais

funções são a síntese de proteínas, o preparo

de substâncias reguladoras do metabolismo

vegetal e também é ativador do

metabolismo fisiológico.

Além disso, os aminoácidos possuem

a função de interação com a nutrição da

planta, aumentando a eficiência da absorção,

transporte e assimilação de nutrientes.

Em condições ideais de cultivo as plantas

são capazes de sintetizar os aminoácidos

por ela demandados, empregando o nitrogênio

mineral que absorvem do meio, utilizando,

para isso, diversas enzimas e energia,

mas em momentos de estresse (excesso

ou escassez de chuva, ataque de pragas e

doenças) e em determinadas fases do desenvolvimento

das plantas, como germinação,

florescimento e tuberização, a exigência

por energia é alta.

O nível de proteínas pode, então, ficar

aquém do necessário, podendo tornar

as plantas mais suscetíveis a agentes

externos (como insetos-pragas e microrganismos

fitopatogênicos), o que pode

comprometer a produtividade da cultura.

Como alternativa a esse déficit, os fertilizantes

foliares com adição de aminoácidos

suprem a quantidade necessária para

que a planta possa ter melhores condições

para se desenvolver perante esses estresses,

estimulando o melhor desempenho

sob condições adversas.

Ainda, retardam o envelhecimento

das folhas, prolongando o ciclo produtivo

e reduzindo a fitotoxicidade de

alguns herbicidas, fungicidas e herbicidas.

Assim, a aplicação de aminoácidos,

via solo ou foliar, proporciona economia

energética.

Maior absorção

Os aminoácidos, aplicados via solo

ou foliar, podem ser absorvidos e rapidamente

transportados para as demais partes

das plantas e empregados na formação

de proteínas ou como matéria-prima,

sem o gasto energético inicial, deixando

uma provisão de energia para as demais

demandas do vegetal.

Os aminoácidos aumentam a eficiência

da absorção, transporte e assimilação

dos nutrientes, devido ao seu poder

complexante.

Sendo assim, a associação de nutrientes

minerais e aminoácidos é uma boa opção.

A complexação de cátions com aminoácidos

gera moléculas que são neutras eletricamente,

melhorando a absorção e redistribuição

dos nutrientes.

Resultados na bataticultura

Quanto ao cultivo de batata, pode-se

considerar que o uso dos produtos com

aminoácidos, via fertirrigação ou foliar,

não irá aumentar o custo de produção. A

aplicação pode ser conjunta com outras

operações e os aminoácidos adicionados

às caldas de defensivos (desde que haja

compatibilidade).

Experimentos realizados em Espírito

Santo do Pinhal (SP) em lavoura de batata,

por fertirrigação, mostram que o uso de

formulado comercial contendo aminoácidos

e micronutrientes levaram a aumentos

importantes de produção, entre 45 a

52%, dependendo da dose empregada.

Também se observou que o uso dos

produtos com aminoácidos melhora a

produção de tubérculos de melhor classificação

para comercialização, diminuindo,

assim, as batatas fora da padronização

estabelecida.

Outras pesquisas mostram que as aplicações

ao longo do ciclo, aos 30, 50 e 60

dias de idade das plantas, tiveram bons

resultados.

Outras observações mostram que o

uso apenas aos 40 dias favorece a tuberização,

melhorando a produtividade. Além

desses, outros estudos realizados na cidade

de Perdizes (MG) confirmaram que o uso

de soluções à base de aminoácidos, extratos

vegetais e micronutrientes favoreceram

a produtividade de batata em 14%,

se comparado a um plantio sem o uso

desses produtos.

Portanto, no cultivo da batata o uso

de aminoácidos aplicados juntamente com

os fertilizantes proporcionará rápido desenvolvimento

inicial da cultura, melhor

enraizamento, favorecimento da tuberização

(maior número de tubérculos e ganho

de peso), melhoria na qualidade dos

tubérculos, além de maior tolerância ao

estresse.

Em função da regulação do balanço

hormonal e nutricional do vegetal, além

da diminuição do efeito dos estresses pelos

quais a planta passa durante o ciclo,

capazes de reduzir o potencial de produção

do cultivo, os aminoácidos podem ser

de utilidade, por possibilitarem essa homeostase.

maio 2019

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HÍBRIDAS

GENÉTICA

Fotos Shutterstock

BETERRABAS SEM

ANÉIS BRANCOS

maio 2019

Danielle Carla dos Santos

daniellecarla13@gmail.com

Isabella Alves da Rocha

isabellaalves2015@outlook.com

Graduandas em Engenharia Agronômica

- UNESP/FCAT

Pâmela Gomes Nakada Freitas

Engenheira agrônoma e professora

assistente - UNESP/FCAT

pamela.nakada@unesp.br

Os híbridos são caracterizados por

serem um material mais homogêneo,

consequentemente, proporcionando

uma maior uniformidade no

produto.

A utilização desse material garante,

além de uma maior produtividade

e melhor flexibilidade de colheita, uma

maior adaptação a temperaturas elevadas,

sendo esse o principal causador de anéis

brancos, fazendo com que haja uma coloração

mais homogênea interna e externamente

e um melhor aproveitamento comercial

das raízes.

Os anéis brancos são uma anomalia fisiológica.

Por meio de um corte transversal

são observados círculos concêntricos que

formam anéis de coloração mais clara, ou

até mesmo realmente brancos, alternados

com anéis de coloração purpúrea.

A presença desses anéis indica que

a planta foi cultivada em condições climáticas

com maior umidade do ar e temperatura

elevada, que causam mudança no

sabor, tornando-o menos doce, e é considerado

como ausência de qualidade, desvalorizando

o produto.

Manejo acertado

Devido às altas precipitações pluviais

nos meses de dezembro a março, os produtores

vêm utilizando a produção de mudas

em bandejas de poliestireno expandido

(isopor) ou plástico rígido, dentro de estufas

agrícolas, garantindo, assim, proteção

contra as chuvas, podendo essas mudas serem

produzidas na propriedade pelo próprio

agricultor ou adquiridas em viveiros.

Este método traz alguns benefícios

para a planta cultivada no verão, como: redução

do tempo da planta no campo, ficando

assim menos exposta a condições

desfavoráveis, maior facilidade para irrigações

e pulverizações iniciais, menos falhas

na população, maior aproveitamento

das sementes híbridas e aumento da

homogeneidade das plantas.

A escolha da variedade ou híbrido também

deve ser levada em consideração. Antes,

a época de cultivo da beterraba era restrita

aos meses de temperaturas amenas

em razão da maioria dos materiais serem

de origem europeia.

Mas, após a chegada dos híbridos, no

final da década de 80, tornou-se possível

realizar o cultivo durante o ano todo, sob

a condição de que o material seja escolhido

corretamente em função da época de

cultivo.

Cuidados fundamentais

no plantio

A preparação dos canteiros também

requer um cuidado necessário, visto que no

verão, quando as precipitações são mais

elevadas, os canteiros devem ser mais altos,

facilitando a drenagem.

A densidade do plantio também deve

ser levada em consideração, pois utilizar

maiores espaçamentos faz com que diminuam

as condições ideais de patógenos.

O produtor também deve estar atento

ao preparo adequado do solo, este devendo

ter pH entre 6,0 e 6,8 para garantir

uma maior produtividade, e na adubação

podendo ser utilizados produtos denominados

fosfitos, que possuem eleva-

18


HÍBRIDAS

da atividade fungicida, e aplicações de

fósforo, que promovem desenvolvimento

rápido e contínuo da parte tuberosa.

Para a preparação do solo é recomendada

a calagem 30 dias antes da adubação,

a adição de N, P 2

O 4

e K 2

O mais esterco,

adubação de cobertura e pulverização, respeitando

o tipo de solo, levando em consideração

os resultados de análise de solo

e a recomendação do produto, depois incorporá-los

pelo menos 10 dias antes do

plantio.

O plantio pode ser via semente ou

muda. Se usada a semente, esta deve ser

colocada a 01 ou 02 cm de profundidade,

com o espaçamento de 20 – 30 cm entrelinhas

e 10 cm entre plantas, necessitando

de 9 - 10 kg/ha de sementes comerciais.

No caso das mudas, deve-se transplantá-las

20 dias após a semeadura e utilizar,

em média, 01 - 02 kg/ha. A época de

plantio varia de acordo com a região e altitude,

entre os meses de fevereiro e junho.

Colheita

A colheita deve ser feita de acordo

com o sistema de plantio. Para plantio via

semente, 60 - 70 dias após a semeadura,

e via mudas de 90 - 100 dias após o

transplante.

A planta deve ser desbastada, devido

à presença de mais de uma semente por

glomérulo, em plantas com cinco a seis

folhas. Deve ser irrigada, dando preferência

para irrigações fracionadas durante o

dia ao invés de uma intensa. Este trato é

indispensável, pois o estresse hídrico reflete

na diminuição da produção, pois torna

a raiz lenhosa. Indica-se, ainda, colocar

cobertura morta quando o plantio for

via muda.

Custo

O custo total de produção da beterraba

é de cerca de R$ 19.068,71 por

hectare.

O produtor pode optar por dois sistemas

de implantação da cultura - o direto,

que necessita de cerca de 10 kg de

sementes por hectare, ou o sistema de

mudas em bandeja, que necessita de 1,0

– 2,0 kg de sementes por hectare.

É importante lembrar que os valores

são variáveis de acordo com o clima, incidência

de pragas e doenças, tipo de solo e

produtividade final.

A produtividade média no Brasil é

de 33.000 kg/ha. Normalmente a produtividade

é maior no inverno que no verão,

devido a falhas na população de plantas

pelas chuvas e ocorrência de tombamento

(“damping off ”) e pela maior incidência

de doenças foliares, principalmente mancha

de cercóspora ou cercosporiose.

Considerando-se que o preço médio

de venda é de R$ 2,30/kg, haverá lucro se

proporcionar pelo menos 8.290,40 kg por

hectare, o que é facilmente alcançado se

comparado com a média brasileira (quatro

vezes maior).

Erros

Os erros mais frequentes normalmente estão ligados ao

fato de o produtor não se atentar a condições favoráveis ao cultivo,

como tipo de solo adequado, época de plantio, adubação

correta e, no caso dos anéis brancos, temperatura e umidade

do ar adequadas, sendo que estas, estando elevadas, favorecem

a anomalia.

Esses erros devem ser evitados a partir de avaliações específicas

para o cultivo, como análises de solo, uso de adubações indicadas,

respeitando o momento e a dose correta, espaçamento

do canteiro e monitoramento da temperatura. O produtor

também deve levar em conta a escolha da cultivar ou híbrido e

se atentar às suas particularidades.

maio 2019

Nunca

paramos

de estudar

a natureza

Bejo, a casa da

Beterraba

19


BETERRABA

ORGANOMINERAIS

ÁCIDOS HÚMICOS

VANTAGENS PARA

A BETERRABA

maio 2019

Jean dos Santos Silva

Engenheiro agrônomo e mestrando em

Fitotecnia - Universidade Federal de

Lavras (UFLA)

santos.jean96@yahoo.com.br

Giovani Belutti Voltolini

Engenheiro agrônomo, mestre e

doutorando em Fitotecnia - UFLA

giovanibelutti77@hotmail.com

A

beterraba (Beta vulgaris L.) é uma

ótima alternativa de renda para os

horticultores. A cultura apresenta

três biótipos para cultivo: beterraba açucareira,

forrageira e hortícola. Dentre esses,

a hortícola, ou beterraba vermelha, é

a mais cultivada no Brasil.

A maioria das plantações é conduzida

em semeadura direta, levando de 60 a

70 dias para a colheita, e quando por mudas,

o período pode ser de até 100 dias até

a colheita.

A cultura é exigente em clima frio e

solos bem drenados e leves, a fim de não

prejudicar o desenvolvimento do tubérculo

que será comercializado. Apesar da

exigência de clima frio, ela pode ser cultivada

o ano todo em locais com altitude

acima de 800 metros.

De 400 a 800 metros de altitude a semeadura

deve acontecer de fevereiro a junho,

e abaixo de 400 metros de abril a junho.

É uma hortaliça colhida o ano todo,

porém, o período de maior oferta é entre

junho e setembro, devido ao clima ameno.

por volta de 90 dias antes da semeadura.

O cálculo deve se basear de modo a obter

um ajuste para 80% de saturação de

base (V%) e um pH de 6,5.

A adubação de plantio deve ser feita 10

dias antes da semeadura, com orientação

de um engenheiro agrônomo, seguindo a

análise de solo.

Dentre os micronutrientes, deve-se ter

atenção para com o boro, no qual a cultura

é muito exigente.

A beterraba responde bem à aplicação

de adubos orgânicos, como esterco de curral

(30 a 50 toneladas por hectare) e cama

de frango (25% da dose do esterco de curral).

Organominerais

A exigência por uma produção agrícola

mais sustentável é cada vez maior, tanto

no Brasil como no mundo. Junto a essa

exigência por sustentabilidade no sistema

produtivo, o aumento de fertilizantes à

base de compostos orgânicos vem aumentando,

e assim disponibilizando ao agricultor

tecnologias avançadas.

Os organominerais são uma classe de

fertilizantes que alia a eficiência de nutrientes

minerais junto com compostos orgânicos,

que podem atuar como condicionadores

do solo. Alguns desses fertilizantes

possuem ácido húmico, substância extraída

de rochas sedimentares, como a leonardita.

Manejo

Benefícios dos ácidos húmicos

Fotos Shutterstock

Na nutrição da cultura, seguindo a análise

de solo, a calagem é uma prática fundamental

para a implantação, sendo feita

O ácido húmico potencializa o efeito

condicionante e tem a capacidade de complexar

nutrientes como potássio (K), cál-

20


BETERRABA

cio (Ca) e magnésio (Mg), aumentando

a disponibilidade para a planta.

Além disso, ele aumenta a disponibilidade

de fósforo (P) no solo, uma vez que

complexa o alumínio e o ferro, que possuem

a característica de reter o fósforo no

solo.

O ácido húmico também atua no estímulo

ao desenvolvimento da microbiota

do solo, aumenta a retenção de umidade e

estimula o desenvolvimento radicular, potencializando

o desenvolvimento da planta.

Recomendações

Os organominerais devem ser aplicados

na fase de preparação do solo, antes do

semeio, assim como no manejo convencional,

sendo imprescindível a orientação de

um engenheiro agrônomo.

A principal vantagem desta tecnologia

é a eficiência da nutrição mineral aliada

ao efeito condicionante dos compostos

orgânicos.

Há, também, organominerais com ácido

húmico na forma de fertilizantes líquidos,

os quais devem seguir a orientação

de aplicação do fabricante, sendo geralmente

aplicados duas vezes, 15 e 30 dias

após a semeadura, via fertirrigação.

Para que o manejo seja eficiente, é necessário

que seu uso seja prolongado, de

modo que seu efeito condicionante no

solo tenha efeito, uma vez

que o incremento de matéria

orgânica é gradativo ao

longo dos anos. Esse tipo de

fertilizante irá atuar na construção

da fertilidade do solo.

Cuidados que fazem

a diferença

O principal cuidado na utilização desse

fertilizante é a aquisição de produtos

de qualidade, os quais irão atestar que a

composição de nutrientes será suficiente

para atender as exigências da cultura,

além de atestar a sanidade do material orgânico

utilizado.

Essas características condicionantes

conferem a essa classe de fertilizantes a

capacidade de influenciar positivamente

na produção da beterraba, como mostram

estudos na Universidade de Ciência

Os organominerais

melhoram a qualidade

física e microbiológica

do solo

e Tecnologia de Bydgoszcz, na Polônia,

onde fertilizantes contendo ácidos húmicos

influenciaram positivamente no desenvolvimento

de raízes laterais e no tamanho

das raízes tuberosas da beterraba, beneficiando

a produção.

Estudos apontaram para um maior

teor de sólidos solúveis em beterraba cultivada

com fertilizantes à base de composto

orgânico, em relação aos convencionais,

indicando melhora na qualidade.

A produtividade na primeira safra

pode não ser maior se comparada a outras

classes de fertilizantes, porém, ao longo das

safras, com o condicionamento do solo e

melhora da qualidade física e microbiológica,

as raízes da beterraba terão melhores

condições de se desenvolver.

Os erros mais frequentes no uso de

organominerais são ocasionados por não

seguir as recomendações que norteiam a

interpretação da análise de solo, o que

pode gerar insuficiência no fornecimento

de nutrientes para a lavoura de beterraba.

maio 2019

21


PEPINO

maio 2019

ESTUFAS

CULTIVO DE PEPINO JAPONÊS

Rafael Campagnol

Doutor em Fitotecnia e professor da

Universidade Federal de Mato Grosso

(UFMT)

rcampagnol@ufmt.br

Ricardo Toshiharu Matsuzaki

Mestre em Fitotecnia - ESALQ/USP

Glaucio da Cruz Genuncio

Doutor em Fitotecnia e professor -

UFMT/FAAZ/DFF

Elisamara Caldeira do Nascimento

Talita de Santana Matos

Doutoras em Agronomia/Ciência do

Solo – Universidade Federal Rural do Rio

de Janeiro (UFRRJ)

Segundo a Associação Brasileira do

Comércio de Sementes e Mudas

(ABCSEM), foram comercializadas

em 2017 aproximadamente 34,3 milhões

de sementes de pepino japonês. Considerando

uma densidade populacional média

de 25 mil plantas por hectare, a área

cultivada com esse tipo de hortaliça foi

em torno de 1,37 mil hectares.

As principais áreas de produção de

pepino japonês em estufa estão localizadas

nos Estados de São Paulo (principalmente

nas regiões sudoeste, centro e

centro-oeste do Estado), Paraná (região

norte e próximo de Curitiba) e Minas Gerais

(principalmente a região metropolitana

de Belo Horizonte).

Apesar das regiões se destacarem no

cultivo de pepino em estufa, há várias outras

áreas de cultivo protegido de pepino

distribuídas nos Estados de Goiás, Rio

de Janeiro, Espírito Santo e próximo dos

grandes centros urbanos do Brasil.

Regiões onde há colônias japonesas

geralmente cultivam pepino, inclusive em

estufas.

Entenda melhor

A expressão ‘cultivo protegido’ ou ‘cultivo

em ambiente protegido’ tem sido utilizada

com um significado bastante amplo,

englobando um conjunto de práticas

e tecnologias utilizadas pelos produtores

para um cultivo mais seguro de diversas

espécies vegetais, das quais as hortaliças

fazem parte.

Por definição, cultivo em ambiente protegido

é aquele onde se faz o controle, total

ou parcial, de um ou mais fatores edafoclimáticos,

como, por exemplo, temperatura,

umidade relativa do ar e do solo, luminosidade,

ventilação, incidência de chuvas,

dentre outros. Ou seja, são todas as práticas

e tecnologias que proporcionam a

condução mais segura e protegida das

plantas.

Apesar de ter um significado bem amplo

e abrangendo outras práticas e tecnologias,

como o uso de telados e a cobertura do

solo com mulching plástico, por exemplo,

na maioria das vezes o cultivo em ambiente

protegido se refere ao cultivo de plantas

feito em casa-de-vegetação ou, como é

amplamente conhecido, cultivo em estufas

agrícolas.

Vantagens

Uma das principais vantagens desse

sistema de produção é a maior proteção

quanto aos fatores adversos do clima,

principalmente a incidência de chuvas,

o que evita o molhamento das folhas das

plantas e, consequentemente, reduz os danos

causados por doenças foliares.

O pepino é uma das culturas mais beneficiadas

pelo cultivo em estufa. Esse sis-

22


PEPINO

As estufas

oferecem maior

proteção quanto

ao clima

Glaucio Genuncio

tema de produção permite a produção de

frutos durante o ano todo, reduz os problemas

fitossanitários e possibilita que o produtor

aumente o período de colheita das

plantas, consequentemente, a sua produtividade.

Além disso, os frutos produzidos

geralmente apresentam melhor qualidade

e adquirem melhores preços de comercialização.

Em cultivos de pepino realizados em

estufa, a irrigação geralmente é feita via

gotejamento, o que aumenta a eficiência

do uso da água e permite a realização da

fertirrigação, ou seja, a aplicação de fertilizantes

juntamente com a água.

Essa prática, por sua vez, aumenta a

eficiência do uso dos fertilizantes e proporciona

uma melhor nutrição das plantas.

A maior parte dos pepinos tipo japonês

cultivados no Brasil é partenocárpico,

ou seja, não exigem que as flores sejam

polinizadas para desenvolver os frutos.

Em cultivos realizados em estufas isso

pode ser vantajoso, principalmente quando

se usa telas para impedir a entrada de

insetos-praga, o que também barra os insetos

polinizadores de pepino.

Plantas de pepino partenocárpicas,

quando não polinizados, geram frutos de

melhor qualidade, sem semente, que são

mais finos e, geralmente, menos tortos.

Quando as flores desse tipo de pepino

são polinizadas ocorre a formação de sementes,

o que aumenta o calibre do fruto

e prejudica a sua qualidade.

Shutterstock

Contudo, em alguns casos, o fechamento

das laterais da estufa pode ser mais prejudicial

do que benéfico.

As telas laterais podem, dependendo

do seu tipo (abertura da malha) e da altura

do pé direito da estufa, reduzir a ventilação

e prejudicar a remoção do ar quente

do seu interior, afetando o desenvolvimento

das plantas.

Produtividade

A produtividade por planta de pepino

japonês em estufa varia entre 10 e 20 kg/

m 2 , sendo as maiores produtividades atingidas

em cultivos bem manejados, com

plantas enxertadas, sadias e bem nutridas.

A produtividade do pepino japonês

em estufa é influenciada por vários fatores.

A seguir serão apresentados aqueles

que, segundo alguns produtores, são os

mais frequentes ou mais graves.

Falta de luminosidade: isso pode

ocorrer devido ao plantio demasiadamente

adensado, filme plástico sujo

que cobre a estufa, período prolongado

com baixa luminosidade e manejo

inadequado das plantas (excesso de folhas

e ramos). A nutrição desbalanceada,

principalmente o excesso de nitrogênio,

pode promover o crescimento

excessivo das plantas e, como efeito,

reduzir a luminosidade no interior do

dossel.

Temperatura inadequada: de maneira

geral, as cucurbitáceas são plantas

que se adaptam melhor ao clima quente.

Períodos com temperaturas baixas (menor

que 16ºC) podem reduzir o crescimento

das plantas e sua produtividade.

Em cultivos realizados em estufas,

esse efeito pode ser minimizado pelo

manejo adequado das cortinas laterais.

O fechamento da lateral da estufa

pode promover o aquecimento

do ar no seu interior. Contudo, essa

prática deve ser bem avaliada, pois

o aquecimento excessivo (temperaturas

superiores a 35ºC) pode causar

o abortamento de flores e frutos e

aumentar a quantidade de frutos de

baixa qualidade (tortos e cinturados).

Redução da ventilação no interior

da estufa: isso pode ocorrer devido ao

fechamento das laterais da estufa com

telas de orifícios muito pequenos (tela

antiafídeos, por exemplo), ou quando o

manejo das cortinas laterais é feito

de forma inadequada. A falta de venti-

maio 2019

23


PEPINO

Ricardo Matsuzaki

A produtividade por planta de pepino japonês em estufa varia entre 10 e 20 kg/m 2

maio 2019

lação pode, além de elevar muito a temperatura

do ar, aumentar a umidade e

reduzir a concentração de CO 2

próximo

às folhas. Isso poderá aumentar a

incidência de doenças e reduzir a produtividade

de frutos.

Incidência de pragas e doenças: esse

é um fator que já vem sendo enfrentado

há muito tempo pelos produtores

de pepino, principalmente aqueles que

cultivam em campo aberto. Em estufas,

esses problemas são menores, mas

ainda exigem a atenção dos produtores.

A falta de conhecimento, principalmente

na identificação precoce do problema

e na definição das medidas adequadas

de prevenção e controle, ainda é frequente

entre os produtores, o que tem

limitado a produtividade das plantas.

O uso de mudas enxertadas, que é comum

no cultivo de pepino, reduz muito

os problemas com patógenos, principalmente

de solo.

No caso de nematoides, o benefício

proporcionado pela enxertia se deve ao

maior desenvolvimento do sistema radicular,

uma vez que porta-enxertos comerciais

resistentes a nematoides são escassos

no Brasil.

A escolha de híbridos com resistência

genética é muito importante no controle

de doenças cruciais, como míldio, oídio,

mancha de corinéspora, fusário e algumas

viroses.

Vários outros fatores prejudiciais à produção

de pepino em estufa também são

apontados, como nutrição desbalanceada,

irrigação excessiva e falta de atenção ou

conhecimento sobre o manejo das hastes

das plantas.

A enxertia e suas

vantagens

O cultivo de pepino em estufa inicia-se

com a produção das mudas. A maioria das

mudas de pepino japonês cultivado em

estufa é enxertada.

A enxertia, dependendo da combinação

entre enxerto e porta-enxerto, proporcionará

benefícios como resistência ou

tolerância a doenças, nematoides, salinidade

e baixas temperaturas do solo, maior

desenvolvimento do sistema radicular e

aumento do potencial produtivo das plantas.

Além disso, alguns porta-enxertos reduzem

a cerosidade dos frutos, deixando

-os mais brilhantes e bonitos, o que é de

grande importância para o pepino japonês.

A produção de mudas enxertadas requer

ambiente adequado e mão de obra

especializada. São semeados dois materiais

genéticos diferentes (geralmente híbridos)

- um será o enxerto e o outro o

porta-enxerto.

Dependendo do vigor dos materiais

usados, as datas de semeadura poderão

ser diferentes. Quando as mudas atingirem

tamanho adequado, é feita a enxertia,

o que leva entre 25 a 30 dias após a

semeadura para estarem prontas para o

transplante.

O estande de plantas

Na estufa de produção, as mudas podem

ser transplantadas no solo ou em recipientes

com substrato.

A distribuição das plantas na área

depende do porte e tipo de crescimento do

híbrido escolhido, que pode ter maior dominância

apical ou maior desenvolvimen-

24


PEPINO

to das brotações laterais.

O entendimento do padrão de crescimento

do híbrido que está sendo cultivado

é de grande importância para a

definição da distribuição das plantas e da

forma de condução das hastes.

A distribuição das plantas pode ser

em linhas simples, com espaçamento em

torno de 1,2 m, ou em linhas duplas, com

distância entrelinhas em torno de 0,8 m

e entrelinhas duplas de 1,4 m.

O espaçamento entre uma planta e

outra na linha pode variar de 0,4 a 0,8 m,

dependendo do híbrido cultivado e da

forma de condução das hastes das plantas.

Geralmente utiliza-se uma densidade

de 1,5 a 4,0 plantas/m 2 .

Quando as plantas são conduzidas de

forma controlada, ou seja, é feita a poda

das hastes frequentemente, mantendo todas

as plantas com o mesmo porte vegetativo,

a densidade de plantas geralmente

é maior. Quando as plantas são

conduzidas com crescimento livre, ou seja,

sem poda das hastes ou com poda indefinida,

a densidade de plantas é menor.

Independente da forma de condução

das hastes, todas elas devem ser tutoradas

no sentido vertical. Isso pode ser

feito de diversas formas, com fitilhos plásticos,

arames, malhas ou bambus. O uso

de fitilhos plásticos tem se destacado entre

os produtores, pois são práticos, fáceis

de serem encontrados e relativamente baratos.

As hastes das plantas devem ser enroladas

ou amarradas nos tutores com frequência,

pois crescem rapidamente, principalmente

no verão. A altura de condução

das plantas pode variar de 1,8 a 2,5 m.

Irrigação

O pepino é uma cultura exigente em

água, por isso a umidade do solo deve ser

mantida próxima à capacidade de campo.

A irrigação das plantas deve ser feita,

preferencialmente, via gotejamento. A

irrigação localizada, além de aumentar

a eficiência do uso da água pelas plantas,

evita o molhamento das folhas, reduzindo,

assim, a incidência de doenças

foliares.

A frequência de irrigação deve ser de

duas a cinco vezes ao dia, dependendo da

forma do cultivo (solo ou substrato) e das

condições climáticas no interior da estufa.

O manejo adequado da irrigação é

fundamental para evitar a salinização do

solo, o que pode limitar a produtividade

das plantas, uma vez que o pepino é

considerado uma cultura moderadamente

sensível à salinidade.

Hora certa da

colheita

Depois do transplantio das mudas, o

pepineiro passa por um período de crescimento

vegetativo antes de iniciar a

produção de frutos.

Os primeiros frutos são colhidos entre

25 a 30 dias após o transplante das

mudas (DAT), em cultivos feitos no verão,

e entre 35 a 45 DAT para aqueles

feitos no inverno.

As colheitas devem ser frequentes,

muitas vezes diárias (principalmente no

verão), devido ao rápido crescimento dos

frutos.

Para se obter produtividades médias semelhantes,

em torno de 600 cx por 1.000

m 2 , o período de colheita será de 60 a 80

dias no verão e de 90 a 120 dias no inverno.

*Agradecimento especial ao engenheiro agrônomo

Ohad Salzstein, produtor e especialista

em cultivo de pepino, pelas informações

fornecidas.

Shutterstock

Custo x benefício

De maneira geral, o cultivo de pepino

apresenta um bom custo-benefício.

As maiores rentabilidades, entretanto,

são obtidas por produtores que

possuem bom conhecimento técnico,

sabem como manejar a cultura e as condições

ambientais no interior da estufa,

e fazem uma boa gestão do seu negócio.

O custo de produção varia entre R$

0,80 a R$ 1,20/kg de fruto produzido,

considerando uma produtividade

média de 500 a 600 caixas por 1.000

m 2 de estufa.

O preço de comercialização no atacado

de uma caixa de 20 kg de pepino japonês

pode variar muito, podendo ser comercializada

entre R$ 10,00 a R$ 20,00

em períodos de grande oferta do produto,

e entre R$ 40,00 a R$ 80,00, em épocas

de menor oferta.

Vale ressaltar que os valores de comercialização

dessa hortaliça são afetados

por diversos fatores, como por exemplo,

época do ano, quantidade de frutos ofertados

no mercado, região de produção

e de venda, qualidade do produto, dentre

outros.

No inverno, os preços geralmente são

mais elevados, pois é um período menos

favorável ao cultivo dessa hortaliça, o

que afeta a oferta de frutos. Frutos muito

grandes e defeituosos (tortos e cinturados)

também possuem um menor valor

de comercialização.

maio 2019

25


PIMENTÃO

ALGAS

MAIS ESTÍMULO AO PEGAMENTO

DE FRUTOS NO PIMENTÃO

Shutterstock

maio 2019

Elisamara Caldeira do Nascimento

elisamara.caldeira@gmail.com

Talita de Santana Matos

Doutoras em Agronomia/Ciência do solo

Rafael Campagnol

Professor de Olericultura – Universidade

Federal de Mato Grosso (UFMT)

Glaucio da Cruz Genuncio

Professor de Fruticultura - UFMT

As algas geram um faturamento a

nível mundial de, aproximadamente,

US$ 6 bilhões anualmente,

e são utilizadas comercialmente desde

a década de 50. Possuem várias aplicações

nas seguintes áreas: medicinal, indústria

de alimentos e, mais recentemente, na alimentação

animal e agricultura.

A origem

As algas são retiradas de depósitos marinhos

situados entre 10 e 20 m de profundidade,

pois precisam de radiação solar

incidente. As regiões sudeste e nordeste

configuram-se como os principais depósitos

destas biomassas ou bioextratos, destacando-se

a região de Cabo Frio (RJ).

A Lithothamnium se destaca como

a alga mais pesquisada na obtenção de

ganhos na produção, na produtividade e na

qualidade de frutos da cultura do pimentão,

por ser constituída de mais 80% da sua

biomassa de carbonato de cálcio e magnésio,

além de ser fornecedora de mais de 20

microelementos essenciais e benéficos ao

crescimento vegetal.

Por serem fotossintetizantes, possuem

características importantes na regulação

do crescimento vegetal, pois seu bioextrato

fornece também hormônios e aminoácidos

que alteram beneficamente a fisiologia

das culturas comerciais, como o

caso das auxinas e citocininas, que a caracterizam

com alto potencial fisiorregulador.

Ressalta-se que os hormônios supracitados

são responsáveis pelo crescimento,

divisão celular, absorção de nitrogênio,

formação da clorofila, pegamento de flores

e frutos, além da regulação da relação

fonte e dreno, que é fundamental para o

enchimento do fruto e melhoria das características

organolépticas dos mesmos,

tais como o ajuste adequado da concentração

dos sólidos solúveis totais, pH e acidez

titulável.

Ainda assim, o uso de Lithothamnium

vem se destacando como condicionador de

solo, por ser fonte de cálcio e magnésio,

refletindo o potencial fertilizante destes

macronutrientes.

Mais produtividade

De acordo com diversos autores, a aplicação

de bioextrato Lithothamnium como

condicionador de solo tem favorecido acréscimos

de produtividades entre 11, 15 e 30%

para as culturas de tomate, milho e pimentão,

respectivamente.

Ao se aplicar o bioextrato têm-se relatos

de melhorias nas características físicas

do solo, dada a elevada porosidade

do produto, favorecendo uma maior

capacidade de retenção de água do solo

e melhor ajustamento hídrico das culturas,

com significativa redução do estresse

hídrico.

Resultados para o pimentão

A regulação hormonal é a principal variável

responsável pela manutenção das flores

e frutos do pimentão. Assim, a atuação

da auxina/citocinina, seja de forma

26


PIMENTÃO

direta ou por meio do triptofano (aminoácido

precursor da auxina), pode garantir

o pegamento do fruto.

Fatores associados, como o manejo

adequado da irrigação, a poda bem realizada,

evitando-se a escaldadura e o aporte

adequado de Mg, K e B, também são

garantidores do pegamento de frutos da

cultura do pimentão.

Vantagens

Entre as vantagens das algas para o pimentão

estão: maior crescimento vegetativo,

resistência a pragas e doenças, tolerância

ao estresse hídrico, massa de fruto, melhores

características organolépticas (flavor,

por exemplo) e, principalmente, ganho em

produção e produtividade, com valores superiores

a 20% relatados por diversos autores

com o uso de bioextrato de Lithothamnium

na cultura do pimentão.

Segundo André (2016), em sua dissertação

de mestrado intitulada: “Irrigação

e adubação com Lithothamnium no

cultivo do pimentão orgânico”, existe uma

correlação positiva quanto ao ganho de biomassa

de fruto por planta, sendo que o uso

de 1,0 g de bioextrato da alga marinha

Lithothamnium possibilita o ganho de

900 g de fruto por planta em um ciclo.

Já a aplicação de 1,0 t/ha de bioextrato

de Lithothamnium configura-se como a

dose econômica recomendada para a elevação

da produtividade do pimentão em

até 30%.

Por outro lado, alguns autores relatam

que a aplicação entre 0,1 a 0,3 t/ha é a faixa

de dose que favorece resultados positivos

para a produção e produtividade na

cultura do pimentão.

Custo da aplicação que

vale a pena

As algas representam entre 1 a 3% do

custo total de produção, com efeitos significativos

em ganhos de produtividade

(entre 20 a 30%, conforme relatado).

Assim, evidencia-se um excelente custo

-benefício com o uso do bioextrato de

Lithothamnium.

Recomendações

A aplicação pode ser feita na

adubação de cova, visando não somente

o benefício fisiológico do

produto, mas como um corretor de

solo e fertilizante à base de Ca e

Mg enriquecido com micronutrientes.

Além da melhoria física do solo,

observa-se aumento da capacidade

de retenção de água.

O bioextrato também é amplamente

recomendado na formação

das mudas, em associação com

aminoácidos, e também como produto

de acabamento via adubação

foliar, pois devem-se considerar os

benefícios fisiológicos. A dose recomendada

é de 1 a 1,5%, aplicada

no intervalo de 15 dias, com início

de aplicação aos 30 dias antecedentes

ao florescimento e término

próximo à colheita.

Ana Maria Diniz

maio 2019

27


NUTRIÇÃO

RESULTADOS

ENXOFRE VIA FOLIAR NA CEBOLICULTURA

Shutterstock

maio 2019

Elisamara Caldeira do Nascimento

elisamara.caldeira@gmail.com

Talita de Santana Matos

Doutoras em Agronomia/Ciência do

Solo – Universidade Federal Rural do Rio

de Janeiro (UFRRJ)

Glaucio da Cruz Genuncio

Doutor em Fitotecnia e professor -

Universidade Federal de Mato Grosso

A

cebola, assim como as demais

plantas, necessita de diversos nutrientes

essenciais.

Vários trabalhos descrevem a importância

e as funções essenciais dos principais

nutrientes nas plantas. Entre eles estão

o nitrogênio (N), componente da estrutura

de aminoácidos, proteínas, clorofila, enzimas,

coenzimas, RNA, DNA, além de vitaminas

como a niacina, tiamina e riboflavina.

Os metabólitos que contêm N são, em

grande parte, ativadores enzimáticos, além

de participarem dos processos de absorção

de íons, fotossíntese, respiração, sínteses

bioquímicas e crescimento vegetativo.

Um a um

O fósforo (P) é parte essencial da estrutura

dos ésteres de carboidratos, fosfolipídeos,

coenzimas e ácidos nucleicos (ATP

e ADP), e ainda contribui para o desenvolvimento

do sistema radicular. Desempenha

também um papel fundamental

na respiração, seja no desdobramento inicial

da glicose, seja no armazenamento, na

transferência e utilização da energia gerada

no processo.

Já o potássio (K) atua nos processos osmóticos,

na síntese de proteínas e na manutenção

de sua estabilidade, na abertura

e fechamento dos estômatos, na permeabilidade

de diversas enzimas, participando

dos processos de fotossíntese, respiração,

síntese de compostos orgânicos, absorção

iônica e trabalho mecânico, como aprofundamento

e expansão das raízes.

Outros nutrientes

A máxima absorção de P (na forma de

H 2

PO 4-

) acontece na presença de Mg 2+ ,

tendo o papel de carregador de fósforo,

provavelmente pela sua participação na ativação

de ATPases.

O enxofre (S) é constituinte importante

de alguns aminoácidos, como a cistina,

metionina, cisteína e triptofano, precursores

de compostos sulfurados voláteis

responsáveis pelo aroma característico da

cebola.

Já o boro (B) é ativador enzimático

e atua nos processos de absorção iônica,

transporte de carboidratos, síntese de lignina,

celulose, ácidos nucleicos e proteínas.

Tem importante função na translocação

de açúcares e no metabolismo de carboidratos,

no florescimento, no crescimento

do tubo polínico, nos processos de frutificação,

no metabolismo do N e na atividade

de hormônios.

Intervém na absorção e no metabolis-

28


NUTRIÇÃO

mo dos cátions, principalmente do Ca ++ .

O cobre (Cu) é constituinte da estrutura

de proteínas e de diversas enzimas

que atuam nos processos de fotossíntese,

respiração, regulação hormonal, fixação

de N e metabolismo de compostos

secundários. É essencial no balanço de

nutrientes que regulam a transpiração na

planta.

O manganês (Mn) participa de diversas

reações bioquímicas, atuando como ativador

de enzimas envolvidas nos processos

de respiração e na síntese de aminoácidos

e lignina. Atua também nas reações de

oxi-redução e transporte de elétrons nas

células vegetais.

O molibdênio (Mo) atua como catalizador

de reações de oxiredução em mais

de 60 enzimas presentes nas células vegetais.

Este micronutriente tem um importante

papel no metabolismo do nitrogênio

nas plantas, onde participa, por exemplo,

do processo de redução do NO 3-- para

NO 2-- , ativando a enzima redutase do nitrato.

O zinco (Zn) é constituinte de diversas

enzimas que atuam nos processos de

respiração, controle hormonal e síntese

de proteínas.

É necessário para a síntese e conservação

de auxinas e hormônios vegetais envolvidos

no crescimento.

Manejo

A exigência nutricional da cebola varia

ao longo do ciclo, intensificando-se

no florescimento, seguida pela formação

e crescimento dos bulbos, sendo importante

para auxiliar no manejo da adubação.

O conhecimento da marcha de absorção

de nutrientes pela cultura pode fornecer

subsídios para uma aplicação racional

de fertilizantes, implicando na redução

dos custos de produção e melhor aproveitamento

dos fertilizantes pela planta, podendo

gerar também aumento de produtividade.

Além disso, com o uso da marcha de

absorção evita-se uma possível deficiência

ou consumo de luxo de algum nutriente

pela planta.

É importante ressaltar que para corrigir

a deficiência de enxofre diagnosticada

na fase de lavoura, recomenda-se fazer

a reposição do nutriente via solo (a lanço)

com fórmulas de adubos solúveis, como

o sulfato de amônio (22 % S e 20 % N),

facilmente encontrado no mercado e que

Benefícios do enxofre via foliar

para a cebola

O nutriente enxofre apresenta funções

próximas às do nitrogênio. Embora

a quantidade de enxofre nas plantas

seja de 3 a 5% da quantidade encontrada

de nitrogênio, esses nutrientes compartilham

grande versatilidade em reações

de oxidação-redução, atributo esse

que os torna fundamentais no metabolismo

das plantas.

Além do mais, o enxofre é constituinte

de alguns aminoácidos e de várias

coenzimas. As assimilações de N e S são

bem coordenadas, ou seja, a deficiência

de um elemento reprime a via assimilatória

do outro.

Entre as várias maneiras de se fornecer

nutrientes às plantas, o valor da

adubação foliar não pode ser descartado,

sendo ela, muitas vezes, a alternativa

mais eficiente para a solução de problemas

específicos e/ou complemento de

uma adubação via solo. Uma das vantagens

mais enfatizadas da adubação foliar

é o alto índice de utilização, pelas plantas,

dos nutrientes aplicados nas folhas em

relação à aplicação feita no solo.

Aplicações via foliar são mais eficientes quando a planta está túrgida

maio 2019

29


NUTRIÇÃO

maio 2019

apresenta alta concentração

do elemento.

Também podem

ser usadas outras fontes,

como o gesso agrícola

(sulfato de cálcio) (~ 16%

de S; ~ 20% de Ca), sulfato

de potássio (15% de S e

50% de K 2

O), sulfato de magnésio

(11% de S; 10% de Mg),

bem como outras formulações comerciais

contendo o enxofre na forma

de sulfato.

A reposição do nutriente também pode

ser realizada por ocasião do plantio ou semeadura,

usando formulações mistas de

adubos que contenham NPK + S ou formulações

simples, como superfosfato simples

(13% de S e 18% de P 2

O 5

), enxofre

elementar (95 - 100% de S), gesso agrícola,

entre outras. O gesso agrícola normalmente

tem custo baixo, por ser um

resíduo industrial da fabricação de adubos

fosfatados.

Atenção

A adubação foliar com o enxofre, embora

possa auxiliar na recuperação das

plantas deficientes, não é eficaz na correção

da carência, por ser um nutriente exigido

em quantidades relativamente altas.

A sua deficiência ocorre principalmente

devido aos seguintes fatores: baixa fertilidade

do solo associada à pequena quantidade

de matéria orgânica, aumento de

exportação dos nutrientes pelos órgãos

causados por produtividades elevadas, uso

de fertilizantes que contêm pouco ou nenhum

S em sua composição, lixiviação de

sulfato e também a redução do uso de

produtos fitossanitários que apresentam

enxofre.

Dicas importantes

Durante o desenvolvimento da cultura,

e sempre depois das adubações de

cobertura, recomenda-se a aplicação foliar

de micronutrientes, entre eles sulfato

de zinco 0,2 % e sulfato de magnésio

0,1%, ambos fornecedores de enxofre, em

parceria com Zn e Mg.

Aos 15 dias antes da colheita, pulveriza-se

com sulfato de potássio 1%, com o

objetivo de aumentar a durabilidade dos

bulbos no armazenamento.

Não se pode esquecer da necessidade

da utilização de produtos adesivos e espalhantes,

devido às características das

folhas.

Uma observação importante é que não

se deve misturar a adubação com a aplicação

de defensivos agrícolas.

Análise de solo é a base de tudo

O sucesso da recomendação da adubação

sulfatada depende, principalmente,

do diagnóstico da fertilidade do solo

e da nutrição da planta, que deve ser um

processo criterioso, com base na análise

de solo e na diagnose foliar, que indica a

absorção do elemento pela planta.

Com base em alguns trabalhos de pesquisa,

recomenda-se a reposição de enxofre

quando os teores no solo estiverem entre

10 a 20 mg dm -3 .

De modo geral, as doses recomendadas

para as diversas regiões ficam,

em média, entre 30 e 60 kg ha -1 , sendo a

maior dose em solos arenosos ou pobres

em matéria orgânica.

O produtor deve planejar a adubação

com S em função da disponibilidade das

fontes citadas e dos custos de aquisição dos

produtos no mercado regional.

Resultados de pesquisas indicam que

a exportação de S através da colheita da

cebola fica ao redor de 30 kg ha -1 . Ainda

em relação às fontes de enxofre, é importante

destacar que o enxofre elementar

precisa ser transformado por microrganismos

presentes no solo (Thiobalillus sp.)

em sulfato (SO 4

2-

), para ser absorvido pelas

plantas.

Esse processo promove reações de acidificação

do solo e necessita de aproximadamente

50 dias para a máxima disponibilidade

de sulfato na solução do

solo.

Portanto, essa fonte não é adequada

quando há sintomas de deficiência em

lavouras e necessita da disponibilidade

imediata de S na forma de sulfato.

Sem errar

O tratamento foliar deve ser precedido

de experimentos e de avaliações cuidadosas,

pois as características das folhas com

relação à absorção foliar variam de espécie

para espécie.

A preparação, implantação e condução

de uma lavoura deve ser realizada sob

orientação técnica de um engenheiro agrônomo,

assessorada por análises de solos e

observando as exigências nutricionais

de cada espécie e/ou cultivar.

Fertilizantes foliares devem ser aplicados

quando a planta não está captando

água em sua máxima potência. Aplicações

via foliar são mais bem aproveitadas

quando a planta está túrgida. Os momentos

mais críticos para a aplicação são os

de grande esforço da planta ou de grande

crescimento, quando a planta está saindo

do seu estado vegetativo e passando para

um estado reprodutivo.

A maioria das aplicações foliares deve

conter nitrogênio para agir como um eletrólito

carregando os íons para dentro da

planta. Pequenas quantidades de fósforo

são recomendadas para a circulação

interna. Geralmente o principal meio de

absorção foliar é o estômato (aberturas especiais

nas folhas). Quando os estômatos

estão abertos, a absorção foliar é mais eficiente.

Pulverização

A escolha dos bicos de pulverização

é fundamental para produzirem gotas de

tamanhos ideais e assim favorecerem a

absorção, o que ajudará também a maximizar

a quantidade de gotículas que grudarão

nas folhas, aumentando a absorção.

As pulverizações grosseiras, que produzem

gotas muito grandes e molham em

excesso a folhagem, provocam um gotejamento

excessivo e o escorrimento da

30


NUTRIÇÃO

solução para o solo, havendo, portanto,

desperdício e diminuição dos resultados esperados.

Também podem agir como uma

lente para a luz do sol, podendo queimar

as folhas.

Já gotas muito pequenas podem perder

a eficiência. Reduzir a altura da barra

de pulverização, evitando maior deslocamento

das gotas com a velocidade do

vento (as aplicações não devem ocorrer

a velocidades do vento maiores que 10

km h -1 ou quando ocorrer inversão térmica),

utilizar bicos com maior capacidade

de vazão e adjuvantes (para reduzir

a deriva) também favorecem a eficiência

da aplicação.

Diversas técnicas devem ser utilizadas

na tentativa de maximizar a absorção

foliar, o que depende basicamente do

tipo de equipamento pulverizador. Devese

tentar pulverizar tanto a superfície inferior

quanto a superior da folha, quando

possível, facilitando, assim, a absorção

pelos dois lados da folha. Sempre misture

bem o produto na água e aplique-o

o mais vaporizado possível.

A aplicação de doses elevadas de nutrientes,

como N, P e K, podem não resultar

em aumento de produtividade, devido

ao baixo suprimento de enxofre, levando

ao desequilíbrio nas relações N/S e P/S

na planta.

Luciano Brito

Custo

Os custos da adubação com o S normalmente são menores em relação ao NPK,

pois é menor a quantidade exigida e pelo fato de ser um nutriente acompanhante

de outros nutrientes usados na adubação. A aplicação via foliar de enxofre se dá juntamente

com a aplicação de micronutrientes com sulfato em suas formulações.

maio 2019

31


MANEJO

Fotos Ana Maria Diniz

COUVE-MANTEIGA

DO CAMPO À MESA

maio 2019

Fábio Olivieri de Nobile

Doutor e professor - Centro Universitário

da Fundação Educacional de Barretos

(Unifeb)

fonobile@yahoo.com.br

Maria Gabriela Anunciação

Graduanda em Agronomia - Unifeb

anunciacaomg@gmail.com

O

cultivo de hortaliças é uma atividade

agrícola rentável que se destaca

pela diversidade de produção

e segmentação de mercado.

Dentro do nicho olerícola, o cultivo

das brássicas é largamente aceito, devido ao

retorno econômico e à composição nutricional

dessa família botânica composta,

por exemplo, pela couve-manteiga.

A couve-manteiga, assim como outras

folhosas, teve aumento expressivo na demanda

em função da crescente preocupação

com alimentação saudável.

Atualmente, é comum ver essa hortaliça

integrando sucos verdes ou compondo

o cardápio de dietas pouco calóricas.

Por se tratar de uma olerícola, cabe ressaltar

que os sistemas agrícolas são muito

diversificados, de forma que é possível

encontrar no mercado diversas opções em

função do manejo aplicado, ou seja, encontram-se

desde os produtos chamados orgânicos

até os convencionalmente produzidos.

No entanto, de uma forma geral, a

couve-manteiga é proveniente, quase que

totalmente, de pequenas propriedades que

trabalham com mão de obra familiar.

Características próprias

da couve

Para quem quer complementar a renda

ou apenas implantar sua própria horta

caseira, vale a pena cultivar essa olerícola,

visto que é uma planta tolerante em se

tratando de temperatura e, desde que suas

necessidades de manejo durante o ciclo

sejam atendidas, garante um bom retorno

à produção.

Para isso, deve-se atentar ao preparo

de solo, garantindo boa descompactação

e, quando não for possível nivelar adequadamente

por questões topográficas, garantir

a construção de canteiros altos, uma

vez que o acúmulo de água na região radicular

favorece o desenvolvimento de fungos

e bactérias.

Uma vez corrigidos os aspectos físicos

do solo, é necessário corrigir os aspectos

químicos e, para isso, é importante lançar

mão da análise de solo, uma importante

ferramenta que informa o que o solo tem

disponível e, em função da cultura, o que

precisamos acrescentar.

Nutrição

De maneira geral, a couve-manteiga

é uma espécie exigente em cálcio, sendo

32


MANEJO

necessário, portanto, fazer calagem, além

do que, é preciso que o pH esteja em níveis

adequados, normalmente entre 5,5 e

6,0, para que os nutrientes sejam eficientemente

disponibilizados para as plantas

e seja feita a neutralização de elementos

tóxicos, como o alumínio e o manganês.

Principalmente por estar concentrado

em produção familiar, é comum incorporar

aos canteiros esterco curtido.

Normalmente, levam-se em consideração

as atividades já exercidas na propriedade

ou na região para escolha do

tipo de adubo orgânico utilizado.

Por exemplo, se na propriedade ocorrem

atividades pecuárias, pode-se utilizar

o adubo bovino curtido, mas também

é possível utilizar esterco ou cama

de frango, e até mesmo húmus de minhoca.

Atenção especial deve ser dada ao

esterco bovino, visto seu potencial de

carregar sementes de plantas daninhas.

No aspecto de fertilizantes minerais, utiliza-se

NPK (nitrogênio, fósforo e potássio)

em proporções variadas e em função

da análise de solo.

Porém, no plantio é comum priorizar

a quantidade de fósforo, e por conta

de sua importância no desenvolvimento

inicial radicular e em cobertura, dá-se

prioridade ao nitrogênio.

Pragas

Durante o ciclo da cultura, é importante

se atentar aos fatores que podem

depreciar e causar impactos negativos na

produção, sendo estes os insetos-praga, microrganismos

fitopatogênicos e plantas daninhas.

De forma geral, o controle químico

pode ser realizado para qualquer um dos

problemas citados, desde que se respeite

o registro para a cultura e o período de

carência.

No entanto, podem ser adotados métodos

preventivos, como o já citado cuidado

com a umidade excessiva no solo. Além

disso, o controle de plantas daninhas também

é usualmente feito de forma manual,

seja por catação ou por ferramentas.

Custo

O custo de produção da couve é de

R$ 6.000,00 a R$ 7.000,00 por hectare. A

maior participação neste custo é representada

pela mão de obra, com 27,5% do total.

O custo dos insumos agrícolas representou

o segundo maior valor, com 23,3%

do montante total.

O preparo do solo e os tratos culturais,

como a irrigação, compõem o terceiro grupo

mais importante do custo de produção

da couve, com 20% do total. Finalmente,

o custo com a formação de mudas e de

oportunidade complementam o total dos

custos de produção, com 29,2%.

O custo de oportunidade é o valor que

o produtor poderia receber sem precisar

cultivar a sua área, que pode ser o valor do

arrendamento, por exemplo.

De forma geral, a couve-manteiga é

um bom investimento, desde que manejada

adequadamente. No contexto da

produção, vem garantindo sucesso em

sistemas de plantio direto, de forma a minimizar

problemas com topografia, uma

vez que o sistema, quando bem implantado,

proporciona uma forma de controle

de erosão.

Outro fator econômico é o plantio

consorciado com outras culturas folhosas,

já que a recomendação de espaçamento,

tanto de linhas quanto de plantas, é usualmente

grande e capaz de permitir o consórcio,

potencializando o uso da área e a exploração

de mais de uma cultura.

Além disso, é possível contextualizar

também a comercialização, ao se adequar

ao mercado atual, que exige uso reduzido

de produtos agroquímicos, no caso de

produtos orgânicos e também através da

praticidade, quanto aos chamados minimamente

processados.

Produção e consumo

No Brasil, a região Sudeste é uma

das principais produtoras e consumidoras,

sendo responsável por cerca de 60

mil das 100 mil toneladas anualmente

produzidas. As cotações indicam que o

preço de 1,0 kg de couve-manteiga flutua

nos centros distribuição e varia conforme

a região, mas nos mercados costuma

o preço de cerca de 10 folhas se

situar entre R$ 5,00 e R$ 6,00.

Produtores já consolidados na região

de Suzano, segunda principal cidade

produtora do Estado de São Paulo,

afirmam que o maior atrativo em manter

o cultivo de couve-manteiga é a estabilidade,

independente da estação do

ano, e também por não exigir maquinários.

Sendo assim, é possível identificar

que a couve não exige um grande pacote

tecnológico, entrega bons níveis de produção

e tem demanda.

maio 2019

33


BIOLÓGICOS

TRICHODERMA

EFICIÊNCIA NO

CONTROLE DE

SCLEROTINIA

Cacilda Márcia Duarte Rios Faria

Doutora e professora adjunta do

Departamento de Agronomia da

Universidade Estadual do Centro-Oeste

- Unicentro

criosfaria@hotmail.com

Camila Cristina Basso

Engenheira agrônoma e mestranda em

Produção Vegetal – Unicentro

Mayara de Carli

Engenheira agrônoma, mestre em

Produção Vegetal e doutoranda em

Agronomia - Unicentro

Leandro Alvarenga Santos

Professor do Departamento de

Agronomia - Unicentro

Lauro Petrazzini

maio 2019

Os fungos fitopatogênicos (aqueles

que provocam doenças em plantas)

habitantes do solo promovem

grandes perdas nas culturas de importância

econômica, sendo que há uma ampla gama

de fungos que prejudicam diferentes culturas,

podendo acarretar em severa redução

da produtividade, enchimento e na

quantidade de grãos nas vagens ou espigas.

Os fungos de solo ainda podem produzir

as micotoxinas, tóxicas ao homem e

aos animais, que reduzem a qualidade e a

comercialização de muitos grãos.

As condições que favorecem estes fungos

fitopatogênicos são desde temperatura

baixa, como 7°C, até 38-40° C, variando

com a espécie, e alta umidade, que geralmente

está associada ao abafamento, solos

compactados, até o cultivo sucessivo na

área (monocultura), a manutenção de resíduos

de cultura no campo impulsionado

pelo plantio direto e a ausência de rotação

de culturas.

Neste contexto, o uso de agentes de

biocontrole pode ser uma alternativa no

controle destes fitopatógenos.

Controle biológico com

Trichoderma

O Trichoderma sp. é um agente de biocontrole

que vem sendo utilizado como antagonista

de vários fitopatógenos em diferentes

culturas e um dos mais pesquisados.

Os agentes de controle biológico vêm

como uma alternativa às práticas agrícolas

atuais.

Este fungo é de grande importância

econômica na agricultura, podendo também

atuar como promotor de crescimento

e indutor de resistência de plantas a doenças.

É um micoparasita necrotrófico com

diversos mecanismos de ação, como antibiose,

hiperparasitismo, competição e incremento

no crescimento e desenvolvimento

das plantas, aumento da germinação e

emergência de sementes.

Pode atuar também como redutor do

pH do solo, em virtude da produção de

ácidos orgânicos que serão úteis para o

metabolismo da planta, favorecendo a absorção

de micronutrientes essenciais às

plantas, ficando estas mais nutridas.

Há uma ampla gama de espécies de

Trichoderma, aproximadamente 328 já descritas,

sendo múltiplas consideradas eficientes

antagonistas contra inúmeros fitopatógenos.

Os mecanismos de ação do fungo podem

ocorrer em associação ou não, destacando-se

a antibiose, competição e parasitismo.

34


BIOLÓGICOS

Viabilidade

Tendo em vista o custo e que o Trichoderma

é um agente biocontrolador que traz

benefícios como promover crescimento e

aumentar a sanidade da planta, decompor a

matéria orgânica e atuar na microflora por

meio de competição, colonizando a rizosfera,

ele pode certamente auxiliar nas medidas

adotadas pelos produtores e incrementar

sua produtividade, a sanidade de sua área,

a qualidade dos produtos obtidos e um manejo

correto, sustentável e equilibrado.

Shutterstock

Atuação

O fungo Trichoderma possui habilidades

como a síntese de substâncias antimicóticas,

que a campo têm atuado no

controle ou inibição das atividades germinativas

de patógenos, dentre eles Sclerotinia

sclerotiorum, Rhizoctonia solani, Fusarium

spp., além de atuar em solos infectados

com nematoides do gênero Meloidogyne,

por exemplo, estimulando o crescimento

das plantas.

Há, também, estudos que indicam que

algumas espécies de Trichoderma produzem

compostos voláteis que suprimem o

crescimento de patógenos de solo, dentre

eles Macrophomina phaseolina.

Manejo

Para obter resultados eficazes com o

Trichoderma, é importante atentar se ele

é efetivo no campo contra diversos fitopatógenos,

ter baixo custo de produção

envolvendo formulações eficientes e nas

doses e épocas de aplicação ideais.

Dentre os resultados observados em

trabalhos já realizados é possível observar

que a aplicação de Trichoderma incorporada

ao solo no momento da semeadura,

na formulação líquida, é a que vem

repercutindo em resultados concretos e

com perspectivas ainda melhores no futuro,

sendo usados ainda no tratamento de

sementes, bulbos ou pulverizados na parte

aérea.

As dosagens mais recomendadas são

2,0 – 3,0 kg/ha ou 1,0 L/ha ou 1,0 L/m²

de produtos comerciais disponíveis. O manejo

correto, e que contribui para o sucesso

do controle à base de Trichoderma, inclui

uma rotação de culturas de forma a

UFRGS

reduzir os inóculos dos patógenos na área

agrícola, além de permitir a cobertura do

solo e a redução das erosões e compactação.

Outro detalhe importante é ter conhecimento

e/ou histórico da área eficiente, de

forma a diagnosticar com agilidade os patógenos

presentes na lavoura, e assim iniciar

as aplicações de Trichoderma o quanto

antes.

Valores

Os produtos à base de Trichoderma

podem ser utilizados de diversas maneiras,

as quais dependerão da cultura e das

doenças que se deseja controlar. O valor

do produto é dependente da marca comercial

e da formulação, sendo em torno

de R$ 50,00 a R$ 100,00/ha/aplicação,

contra R$ 150,00/ha, no caso de fungicidas

químicos.

Pode ser aplicado por meio de incorporação

no sulco de plantio, por pulverização

ou rega, e também pode ser utilizado

no tratamento de sementes.

As aplicações devem ser feitas à tarde

ou início da manhã, em condições de

alta umidade relativa, para que os esporos

sejam conduzidos para baixo da superfície

do solo.

Ao adotar a utilização de Trichoderma

em determinada área, o fungo necessita

se estabelecer e colonizar o solo, de

forma a permanecer na área safra a safra.

Sendo assim, as aplicações no início devem

ser mais expressivas, e posteriormente,

com o estabelecimento do fungo na

área, faz-se necessário menor quantidade

de produto aplicado, ou seja, não será

um investimento perdido, uma vez que

este se mantém na área, desde que realizado

um manejo correto durante a safra.

Sintomas da sclerotínia na alface

maio 2019

35


MANEJO

maio 2019

NOVIDADE

CULTIVO DE FOLHOSAS EM AREIA

Gilberto Almeida

Consultor da Growing Frutas Almeida

Santos

gilberto@frutasalmeidasantos.com.br

Nyvea Campos

Engenheira agrônoma

nyveacampos@hotmail.com

Durante o verão o consumo de folhosas

aumenta significativamente,

e o grande desafio de entregar

verduras frescas, bonitas e sadias é lançado

aos produtores, em especial os hidroponistas.

Neste cenário de altas temperaturas,

que em algumas regiões se estende por

todo o ano, o cultivo de hortaliças em areia

vem ganhando espaço e agradando produtores

pela segurança da colheita.

Como fazer

Bancadas de 2,0 x 12,0 m ou mais de

comprimento são as mais comuns. O interessado

deve planejar a montagem do

sistema de modo a não dificultar a circulação

dentro da estufa, com ruas de 60 cm

de largura pelo menos.

O material que apresenta bom custo

-benefício para a construção das mesas de

cultivo são telhas de fibrocimento para sustentar

a areia, tábuas laterais com altura de

15 cm e postes de eucalipto tratado na estrutura.

Lembrando que a parte interna

deve ser forrada com mulching.

Ainda sobre a estrutura, colocar as bancadas

em nível é fundamental, caso o produtor

queira fazer a coleta da solução nutritiva

drenada (o que é altamente recomendado).

O desnível deve ser feito apenas nas calhas

de coleta na parte de baixo da estrutura.

A areia grossa apresentou os melhores

resultados ainda na fase de experimentos,

possibilitando fazer, até mesmo em regiões

quentes, apenas duas irrigações ao dia, dependendo

da época do ano, pois ao contrário

do que muitos imaginam, a CRA

deste material e o desenvolvimento das

hortaliças é plenamente compatível.

Utilizando fitas gotejadoras com o espaçamento

de 10 ou 15 cm consegue-se

boa uniformidade na irrigação, sendo importante

que a areia esteja úmida em toda

a área, evitando a queima das folhas novas

por contato com a areia seca.

Mortalidade de plantas

por calor

Durante um experimento coordenado

por Rafael Silva, estagiário em um dos

clientes da Growing Frutas Almeida Santos,

que presta o serviço de consultoria, o

cultivo em areia mostrou-se muito eficiente.

Dentro da mesma estufa, Rafael relata

que a mortalidade de plantas foi reduzida

em até 100%, como no caso da

alface tipo bailarina, 82% na alface tipo

crespa e 54% na alface tipo americana.

Neste mesmo experimento ficou evidente

a melhora na qualidade e peso das

folhosas cultivadas em areia, se comparadas

às cultivadas na hidroponia tradicional.

Nota-se uma ligeira redução no

ciclo da planta, em torno de 15%.

A economia de energia também é um

ponto a favor do sistema em areia. Em geral,

as bombas utilizadas no sistema hidropônico

funcionam por pelo menos nove

horas por dia, contra 20 minutos no cultivo

em areia, redução de 96,3% no total, evidenciando

a sustentabilidade real do sistema,

além dos outros fatores citados.

Pontos importantes a

serem observados

Fotos Growing

É importante monitorar os valores de

EC e pH (condutividade elétrica e potencial

hidrogeniônico) da solução drenada,

que não deve passar de 2.0ms e 6,5 pontos,

respectivamente.

Deve-se ter cuidado nas trocas de plantio

com a desinfecção do material, para eliminar

o inóculo de doenças e pragas.

O reuso da solução nutritiva reduz os

gastos com adubação, porém, requer maior

conhecimento técnico por parte do produtor

ou operador, para fazer ajustes na

formulação.

36


RENTABILIDADE

ORGÂNICOS

MERCADO BRASILEIRO

FATURA R$ 4 BILHÕES

A produção em areia reduz o ciclo e

aumenta a produtividade

O

mercado brasileiro de orgânicos

faturou, no ano passado, R$

4 bilhões, resultado 20% maior

do que o registrado em 2017, segundo o

Conselho Brasileiro da Produção Orgânica

e Sustentável (Organis), que reúne

cerca de 60 empresas do setor.

Já o mercado global de orgânicos, sob

a liderança dos Estados Unidos, Alemanha,

França e China, movimentou o

volume recorde de US$ 97 bilhões, em

2017. O balanço foi feito pela Federação

Internacional de Movimentos da Agricultura

Orgânica (Ifoam) e divulgado em

fevereiro.

De acordo com a federação internacional,

estão identificados cerca de três milhões

de produtores orgânicos em um universo

de 181 países.

E a agricultura orgânica cresceu em

todos os continentes, atingindo área recorde

de 70 milhões de hectares, aproximadamente.

O Brasil é apontado na pesquisa como

líder do mercado de orgânicos da América

Latina. Contudo, quando se leva em

consideração a extensão de terra destinada

à agricultura orgânica, o País fica em

terceiro lugar na região, depois da Argentina

e do Uruguai, e em 12º no mundo.

Na América Latina, a produção se estende

por oito milhões de hectares, o que

corresponde a 11% da área mundial destinada

aos orgânicos. Em extensão de terra,

o Brasil cresceu mais de 204 mil hectares

em dez anos, atingindo, em 2017, 1,1 milhão

de hectares.

Perfil do consumidor

A escolha dos brasileiros pelos orgânicos

é justificada com mais força pela questão

da saúde. Segundo a Organis, o percentual

de consumo de produtos orgânicos

no Brasil é de 15%. O Sul e o Centro-Oeste

foram as regiões apontadas como maiores

consumidoras de orgânicos no País e

o Sudeste apresentou o menor percentual

de consumo, 10%. Os dados são de 2017,

quando foi divulgada a única pesquisa feita

sobre a percepção do consumo de orgânicos

no Brasil.

De acordo com o estudo, as verduras

lideram entre os alimentos orgânicos

mais consumidos no País, com destaque

para alface, rúcula e brócolis.

Em seguida, os consumidores também

preferem opções orgânicas de legumes, frutas

(como banana e maçã) e cereais, como

o arroz.

Shutterstock

maio 2019

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DOENÇA

maio 2019

OÍDIO EM ABÓBORA

EXIGE CONTROLE IMEDIATO

Ronaldo Machado Junior

Engenheiro agrônomo, mestre em

Fitotecnia e doutorando em Genética e

Melhoramento – Universidade Federal de

Viçosa (UFV)

ronaldo.juniior@ufv.br

Herika Paula Pessoa

Engenheira Agrônoma, mestra e

doutoranda em Fitotecnia - UFV

herika.paula@ufv.br

Fabiana Silva de Souza

fassouza@yahoo.com.br

Carlos Nick

carlos.nick.ufv@gmail.com

Engenheiros agrônomos e professores -

UFV

A

abóbora é suscetível a diversos patógenos

que podem causar prejuízos

ao crescimento e desenvolvimento

das plantas e, consequentemente,

redução de produtividade das lavouras.

Dentre as principais doenças fúngicas que

acometem a parte aérea das plantas, destaca-se

o oídio.

Essa doença é muito comum em cucurbitáceas,

ocorrendo frequentemente em espécies

cultivadas e silvestres, entre elas a

abóbora (Cucurbita spp.), o melão (Cucumis

melo L.) e o pepino (Cucumis sativus).

Epidemias são mais severas em condições

de altas temperaturas e baixa umidade,

seja o cultivo realizado no campo

ou sob proteção.

O terrível oídio

Dentre as espécies de fungos causadores

de oídio que atacam a família das

cucurbitáceas, as que ocorrem com maior

frequência e que causam maiores danos

econômicos são: Podosphaera xanthii, Golovinomyces

cichoracearum e Sphaerotheca

fuliginea.

Outras espécies de menor importância,

como Erysiphe communis, Erysiphe polygoni,

Erysiphe polyphaga e Leveillula taurica

também são citadas por atacarem as

cucurbitáceas.

Com exceção do fungo I, que tem

como fase assexual o fungo Oidiopsis taurica,

a fase assexual dos demais agentes patogênicos

corresponde ao gênero Oidium

sp. Nessa fase o fungo produz hifas claras

e septadas, dando origem ao micélio branco

ou cinza, com paredes finas, produzindo

conídios hialinos em cadeia, na forma

ovalada ou oblonga, que possuem corpos

de fibrosina quando imaturos.

Esses patógenos são parasitas obrigatórios

de plantas, e para seu crescimento e reprodução

a retirada de nutrientes da planta

hospedeira é realizada sem matá-la, com

a formação de uma estrutura especializada

de penetração e absorção de nutrientes

chamada de haustórios, formados dentro

de células epidérmicas.

Portanto, a observância de plantas hospedeiras

entre os cultivos é fundamental

para o adequado manejo da doença.

Regiões mais afetadas

O oídio é uma das principais doenças

das cucurbitáceas e ocorre em praticamente

todas as regiões onde essas plantas são

cultivadas.

Entretanto, as epidemias da doença

são mais intensas em condições de altas

temperaturas e baixa umidade no campo,

ou sob cultivo protegido.

Todas as cucurbitáceas, cultivadas ou

silvestres, são suscetíveis. Entretanto, a

doença é mais importante nas abóboras,

Henrique Martins Gianvecchio

38


DOENÇA

pepino e melão, pois essas plantas são de

grande importância econômica.

Causas

O oídio é uma doença de clima fresco

e seco, sendo a combinação de temperaturas

entre 20 e 25ºC e baixa umidade

relativa as condições que maximizam

sua infestação.

A disseminação do oídio ocorre principalmente

pelo vento, que distribui os

conídios a distâncias longas.

Contudo, as gotas de água da chuva e

insetos também podem atuar na dispersão

do patógeno. Temperaturas acima de

30ºC e o molhamento foliar são condições

ambientais desfavoráveis para germinação

dos conídios e sua multiplicação

no tecido vegetal.

Hospedeiros

Sintomas

A doença é caracterizada por sintomas de fácil reconhecimento. Inicialmente, a colonização

pelo patógeno se dá na face inferior das folhas, com posterior disseminação

para a face superior na forma de crescimento branco e pulverulento, correspondente a

micélios, conidióforos e conídios do fungo.

Com o avanço da doença podem aparecer pequenos pontos escuros nessa área,

que correspondem à estrutura de frutificação do fungo. Outros sintomas, como clorose,

manchas ferruginosas e desfolhas, também podem ser observados, mas dependem

da reação da cultivar.

O patógeno sobrevive por meio do

micélio e de conídios em plantas hospedeiras,

voluntárias ou alternativas, e sua

disseminação ocorre facilmente pela dispersão

dos conídios pelo vento ou até mesmo

por respingos de água.

Sua infecção ocorre quando o conídio

atinge a folha, o que leva 24 horas desde

a germinação, com a formação do tubo

germinativo, até a penetração no interior

da célula, por meio da formação do

haustório.

Em média, a doença se manifesta sete

dias após a infecção.

Culturas prejudicadas

O patógeno causador do oídio é disseminado

rapidamente pelo vento, gotas

de água e por insetos vetores, como

pulgões.

Ele pode atingir diversas culturas, sendo

as mais comumente afetadas a uva, gramíneas,

tomate, abóbora, pepino, melão,

caju, feijão, morango, manga, mandioca,

amendoim e mamão.

Plantas ornamentais, tais como rosas,

zínias, liláses, flox, hortênsia, érica, begônia,

ciclame, azaléias, margaridas, crisântemos

e ciprestes também são afetadas.

É importante salientar que as espécies

de oídio são geralmente específicas, ou

seja, cada espécie de oídio infesta uma espécie

de planta, com algumas exceções,

em que uma mesma espécie do patógeno

pode afetar plantas relacionadas.

Assim, a espécie de oídio do tomateiro

Observar plantas hospedeiras entre os cultivos é fundamental para o adequado manejo da doença

Ana Maria Diniz

maio 2019

39


DOENÇA

A abóbora é uma das principais hospedeiras do oídio

Estenio Moreira Alves

O oídio é uma

das principais

doenças das

cucurbitáceas

e ocorre em

praticamente

todas as regiões

onde essas

plantas são

cultivadas

maio 2019

é diferente da que causa doença na margarida,

mas a espécie encontrada na abóbora

pode também ser encontrada em morangas

e melões (ambas cucurbitáceas).

Prejuízos - não deixe que

aconteçam

O fungo pode estar presente em toda

a parte aérea das plantas, todavia, as folhas

são os órgãos mais afetados. As perdas

em cucurbitáceas ocorrem pela redução

da área foliar fotossinteticamente

ativa, pela redução do tamanho ou número

de frutos ou também pela redução

do período produtivo das culturas.

No caso da abóbora, com a desfolha

a qualidade dos frutos é prejudicada devido

à exposição ao sol e pelo amadurecimento

prematuro, resultando em menor

acúmulo de sólidos solúveis e sabor

menos adocicado.

As perdas no rendimento podem variar

de ano para ano e serão maiores quanto

mais precocemente ocorrer na cultura.

Estas perdas podem chegar a 60%, e

tudo depende da cultivar utilizada, das

condições ambientais e da agressividade

do patógeno.

Controle

Os principais métodos de manejo para

o controle do oídio são o emprego de

táticas culturais, variedades resistentes,

controle químico, biológico e métodos alternativos.

O controle cultural consiste na destruição

de folhas, ramos, flores e frutos

afetados, mesmo que estes já tenham caído.

Ao destruir os esporos, eliminam-se

os novos focos da infecção. Realizar fertilizações

com regularidade, porém sem

excesso, e irrigações conforme a demanda

hídrica da cultura, são práticas essenciais.

Irrigações por aspersão auxiliam no

controle da doença, uma vez que os conídios

não germinam na presença de

filme de água sobre a folha.

Deve-se utilizar espaçamento adequado

de forma que as plantas se mantenham

arejadas e recebendo radiação solar.

É preciso um cuidado especial em estufas

quentes e úmidas, onde este tipo de

doença se espalha e se desenvolve rapidamente.

Entre os métodos de controle, o químico

ainda é o mais utilizado. Fungicidas

de contato à base de enxofre podem

ser eficientes para o controle.

Todavia, os sistêmicos, como tebuconazol,

tiofanato metílico, azoxistrobina,

dentre outros, são os mais eficazes.

Apesar da eficiência do controle químico,

seu alto custo e seus efeitos adversos

à saúde e ao meio ambiente representam

desvantagens na sua utilização. No

entanto, a busca por formas alternativas

de controle, de baixo custo e de menor

impacto ambiental e à saúde humana,

fazem da resistência genética a melhor

alternativa para o manejo do oídio das

cucurbitáceas. Desta forma, o desenvolvimento

de variedades resistentes é altamente

desejável.

A utilização de produtos alternativos,

como o óleo de neem, extrato de própolis,

bicarbonato de potássio, além de compostos

extraídos de plantas e extratos de plantas,

mostram-se bastante eficientes na prevenção

e até mesmo no controle da doença.

Além disso, estes elementos são muito

mais baratos se comparados com fungicidas

comerciais e têm impacto ambiental

menor também.

Importante lembrar da importância

do acompanhamento de um profissional

capacitado e oferecer treinamento

para todos os funcionários envolvidos

na produção.

40


DOENÇA

Prevenção é sempre melhor

maio 2019

Miriam Lins

Prevenir o aparecimento da doença é

economicamente mais viável que o controle

da mesma. Dentre as técnicas de prevenção

ao oídio, inclui-se a destruição de

restos culturais e manejo adequado da lavoura.

Ao destruir os esporos, eliminam-se

os novos focos da infecção.

O manejo minucioso da lavoura, o

qual inclui nutrição e irrigação adequadas

e espaçamento que permita o arejamento

das plantas, proporciona o crescimento

de plantas vigorosas e saudáveis

e tornam o microclima inadequado para o

desenvolvimento do patógeno.

Além disso, a escolha de cultivares resistentes

é a prática preventiva mais eficaz,

sobretudo em áreas de plantio em que infestações

com oídio são recorrentes. Em

casos em que a doença já está instalada, o

controle da mesma tem sido realizado majoritariamente

por meio de pulverizações

com fungicidas.

41


JILÓ

NUTRIÇÃO

A BASE PARA

UMA LAVOURA

FORTE DE JILÓ

curtido ou compostado na dose de 5,0 a

10 t/ha, 10 a 15 dias antes do plantio, nos

sulcos ou nas covas, sendo as maiores doses

para solos arenosos ou pobres em matéria

orgânica.

No sulco ou nas covas de plantio, de 10

a 15 dias antes do plantio deve-se aplicar

todo o fósforo e parte dos fertilizantes

contendo nitrogênio e K 2

O (nitrato

e sulfato de potássio). No plantio, devem

ser aplicados 1,0 kg de boro, 3,0 kg de

zinco e de 10 a 30 kg de enxofre/ha.

A cada 15 dias, deve-se aplicar em cobertura

o restante dos fertilizantes contendo

nitrogênio e potássio.

maio 2019

Juliana Aparecida dos Santos

Engenheira agrônoma e doutoranda em

Agronomia/Horticultura - UNESP

juliana.aparecida@unesp.br

Andres Felipe Gaona

Mestre e doutorando em Agronomia/

Energia na Agricultura - UNESP

andresgaona80@gmail.com

O

jiloeiro é uma hortaliça tropical,

sendo considerado uma planta

rústica, que pode ser cultivada

em diversos tipos de solo, tolerante à acidez,

porém, não suporta excesso de água

no perfil.

foro pode proporcionar boas produtividades.

Durante o desenvolvimento da cultura,

a boa distribuição de nitrogênio e

potássio pode levar ao maior pegamento

de flores e formação de maior número

de frutos de padrão comercial.

Para a cultura do jiló, são mais favoráveis

os solos bem drenados, de textura

média, com pH entre 5,5 a 6,8 e com

saturação de bases acima de 70%.

Considerando-se a dosagem, a forma

e a época de aplicação de corretivos e

fertilizantes, a nutrição correta contribuirá

para o aumento da produtividade e da

qualidade do jiló.

Fotos Luize Hess

Erros

A aplicação de doses excessivas de fertilizantes

pode causar a redução da produtividade

pela queda no número de frutos.

A utilização de doses de fósforo em

excesso reduz o crescimento das raízes.

A distribuição incorreta de fertilizantes

que fornecem nitrogênio e potássio ao

longo do desenvolvimento da cultura pode

ocasionar menor pegamento de flores e

reduzir o número de frutos de boa qualidade.

Para que esta nutrição seja feita corretamente,

evitando-se erros, deve-se realizar

a análise de solo previamente ao plantio,

realizada com auxílio de um profissional,

obtendo-se, desta forma, os teores de nutrientes

disponíveis e deficientes da área a

ser cultivada.

Cuidados nutricionais

Solo equilibrado

Resultados práticos em campo

O manejo de nutrição da cultura do

jiló deve ser baseado na análise do solo,

sendo que a aplicação de fertilizantes de

forma incorreta pode ocasionar a redução

da produtividade.

A aplicação de doses adequadas de fós-

Para o cultivo de jiló recomenda-se realizar

a calagem em solos com pH inferior

a 5,5 e teor de alumínio superior a

0,2 cmolc/dm³. Deve-se incorporar esterco

de curral curtido ou compostado na

dose de 20 a 40 t/ha, esterco de galinha

Em estudo realizado na Universidade

Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS),

no município de Cassilândia (MS), para a

cultura do jiló irrigado submetido a diferentes

doses de fósforo aplicadas na cova

de plantio, observou-se que a adubação

42


SEMENTES

O manejo de nutrição da

cultura do jiló deve ser

baseado na análise do solo

fosfatada no plantio ocasionou aumento

da produtividade de frutos por

hectare, sendo a dose de 1.590 kg ha -1

de superfosfato simples a de maior eficiência,

que é o equivalente a 286,2 kg

de P 2

O 5

.

Observa-se uma carência de informações

atualizadas referentes ao

manejo nutricional da cultura do jiló,

tornando-se de extrema importância

a realização de mais estudos e a divulgação

de seus resultados, permitindo,

desta forma, apoio técnico para

o aumento da produtividade da cultura

e a otimização dos custos de produção.

Custo

Os custos com a nutrição da cultura

do jiló, incluindo os insumos

(adubos minerais e orgânicos) e serviços

podem chegar a até 33% do custo

total de produção por hectare, dependendo

da região onde será realizado o

cultivo e do nível tecnológico aplicado.

O uso da fertirrigação pode ser

uma opção para reduzir os custos com

adubos e mão de obra.

O custo-benefício do manejo de

nutrição da cultura do jiló dependerá

da demanda do mercado consumidor

que se deseja atingir, bem como

de cada região, uma vez que os custos

com insumos e mão de obra são

variáveis.

LANÇAMENTO

NOVAS VARIEDADES DE

CEBOLAS PARA O SUL

A

Topseed Premium, linha de sementes

de alta tecnologia da

Agristar do Brasil, marcou presença

na 31ª edição do Seminário Nacional de

Cebola (SENACE), realizado simultaneamente

ao 22º Seminário de Cebola do

Mercosul.

O evento ocorreu entre os dias 13 e 15

de março, no município de Alfredo Wagner

(SC). Na ocasião, foram apresentados

aos produtores dois lançamentos: as cebolas

NBR 251 e a Excalibur F1, além

do portfólio completo de sementes de cebolas

híbridas.

A variedade NBR 251 destaca-se por

oferecer alta produtividade, excelente uniformidade,

além de ser ideal para o cultivo

na região sul do País. Já a Excalibur F1

possui grande produtividade e, com excelente

casca, oferece alta tolerância às doenças

da cultura.

O evento e seus

lançamentos

“Por se tratar de um evento de âmbito

nacional, que atrai produtores de todo o

Brasil, a presença da Topseed Premium foi

de extrema importância. Pudemos mostrar

nossos lançamentos e principais produtos,

fazendo do Senace uma vitrine para

expormos a tecnologia que a linha leva para

Fotos Agristar

o produtor rural”, detalhou o representante

técnico de Vendas de Santa Catarina,

Carlos Xavier.

A participação da Topseed Premium

no SENACE, inclusive, é resultado do trabalho

desenvolvido pela Agristar do Brasil

em sua Estação Experimental, localizada

no município de Ituporanga (SC).

O espaço funciona há 11 anos e atua

na busca por melhorias e inovações na produção

de sementes de hortaliças em geral

produzidas no Sul do País.

O foco atualmente é para a cultura da

cebola, já que Santa Catarina é um polo

importante de produção no Brasil. Além

desta, o tomate e o pepino indústria também

são importantes para a empresa.


ORGANOMINERAIS

NUTRIÇÃO DO

TOMATEIRO

MAIS RENTABILIDADE E SUSTENTABILIDADE COM OS ORGANOMINERAIS

Quando o produtor faz opção pelo organomineral, o lucro tende a ser maior, devido ao aumento da

produção e qualidade do produto, favorecendo um sistema de alta produtividade e rentabilidade

Fotos Shutterstock

maio 2019

Regina Maria Quintão Lana

Professora de Fertilidade e Nutrição

de Plantas – Universidade Federal de

Uberlândia (UFU)

rmqlana@ufu.br

José Magno Queiroz Luz

Professor de Olericultura - UFU

Danyela Cristina Marques Pires

Mara Lúcia Martins Magela

Doutorandas em Agronomia - UFU

A

cultura do tomate ocupa posição

de grande importância socioeconômica

e participação expressiva

no agronegócio brasileiro devido à alta

demanda de consumo e volume de produção,

que contribuem para a geração de

empregos diretos e indiretos e renda de

milhares de trabalhadores (Brito Júnior,

2012).

O tomate pode ser consumido in natura

ou processado, nas formas de suco, purê,

polpa, extrato, catchup, molho, tomate seco

e, inclusive, tomate em pó (França, 2007).

Possui altos teores de vitaminas A e

C, além de ser rico em licopeno, substância

que ajuda na prevenção de cânceres,

principalmente os relacionados ao aparelho

digestivo.

Devido a sua versatilidade culinária e

seu valor nutricional, é uma das hortaliças

mais consumidas e produzidas no mundo

(Carvalho; Pagliuca, 2007).

Os consumidores estão cada vez mais

exigentes e apresentam preferências por

tomates de tipos diversificados, com ótima

aparência, tamanho homogêneo, maior

conteúdo nutricional e livres de contaminantes

químicos e biológicos.

Parâmetros de diferenciação como estes

têm o poder de agregar valor aos frutos

e incrementar o mercado (Vilela et al.,

2018).

Como a exploração do tomateiro é

considerada atividade de alto risco, principalmente

devido à alta suscetibilidade

ao ataque de pragas e doenças, oscilações

nos preços de mercado e exigências de insumos

e serviços (Fernandes et al., 2007)

torna-se necessário que o produtor tenha

alto conhecimento sobre a cultura e esteja

disposto a investir em novas tecnologias

para obter sucesso.

Nutrição

O tomateiro é uma das hortaliças que

mais exige em adubação. Segundo Pereira

(2018), a estimativa de uso de fertilizantes

em lavouras de tomate é de 1.875 kg ha -1 ,

ficando atrás apenas da cultura da batata

(2.826 kg ha -1 ).

Essa exigência se deve às características

de solo e planta, pois muitas vezes a

quantidade de nutrientes extraída pela

planta é relativamente baixa em razão da

baixa eficiência da adubação. Por exemplo,

para fertilizantes fosfatados a taxa de absorção

é de aproximadamente 10%, e o

restante fica no solo, na forma de resíduo,

podendo ser absorvido por outras plantas,

transportado pela água ou retido por

partículas do solo (Embrapa, 2006).

Dessa maneira, o que mais contribui

44


ORGANOMINERAIS

para altas produtividades é conhecer as

exigências nutricionais, os sintomas de

deficiências e o modo de corrigi-las, fazendo

o manejo adequado da adubação e

fertilidade do solo. Na tabela 1 está descrita

a quantidade de nutrientes extraídos

em uma tonelada de frutos de tomate

(Embrapa, 2006).

Tabela 1. Quantidade de nutrientes extraídos por tonelada de frutos de tomate

Macronutrientes K N Ca S P Mg

(kg) 5,0 3,0 0,8 0,7 0,5 0,2

Micronutrientes Mn Fe Zn Cu B

(g) 25 25 25 10 5

Fonte: Embrapa (2006).

Disponibilização de recursos

naturais

Devido a diversos fatores, como indisponibilidade

de recursos naturais, concentração

de mercado e questões tributárias,

mais de 70% dos fertilizantes utilizados no

Brasil são importados, sendo 95% do cloreto

de potássio, 83% do nitrogênio e 60%

do fosfato (Richetti, 2018). Dessa maneira,

o Brasil possui uma forte dependência

de fertilizantes provenientes do

mercado externo.

Assim, se por um lado importam-se

fertilizantes minerais para a produção vegetal,

por outro, têm-se resíduos orgânicos

que são pouco aproveitados na agricultura,

os quais contêm nutrientes essenciais que,

além de melhorar as características físicas e

biológicas do solo, melhoram a fertilidade

e eficiência de absorção de nutrientes pela

planta.

A utilização desses resíduos no setor

agropecuário como fonte alternativa de

nutrientes é de extrema importância, pois

permite a destinação correta desse produto,

o que reduz os impactos ambientais (Almeida,

2017).

Sustentabilidade

A possibilidade de reduzir a utilização

de fertilizantes minerais na agricultura,

aliado à necessidade de disposição susten-

Ana Maria Diniz

maio 2019

45


ORGANOMINERAIS

maio 2019

Tabela 2. Produtividade de tomateiro, cv. Alambra, conduzido no município de

Caçador (SC), em sistema de plantio direto, na safra 2007/08, em função de

doses de cama de aviário e de complementação mineral.

Complementação com adubos minerais

Cama de aviário

Sem Com Sem Com

(t ha -1 )

Extra 2A (t ha -1 ) Total comercial (t ha -1 )

0 21,8b 63,4a 60,7b 105,5a

6 36,8b 62,9a 76,3b 104,1a

12 54,0b 67,5a 96,0b 107,5a

18 55,0b 69,9a 91,7b 110,8a

Fonte: Adaptado de Mueller et al, 2013.

tável de resíduos orgânicos no ambiente,

torna esses resíduos atrativos do ponto de

vista econômico, agrícola e ambiental (Higashikawa

et al., 2010).

Uma das alternativas para mitigar esse

passivo ambiental é a produção de fertilizantes

organominerais utilizando esses

resíduos como fonte de matéria orgânica.

O mercado de fertilizantes organominerais

cresceu de forma progressiva nos últimos

anos no Brasil (Abisolo, 2010). Estima-se

que em 2009 foram produzidas e

comercializadas cerca de 3,5 milhões de

toneladas de fertilizantes organominerais,

a partir de matérias-primas como estercos,

turfa, resíduos da indústria sucroalcooleira,

farinhas de ossos e sangue, tortas

diversas e resíduos agroindustriais (Benites,

2011).

Esses fertilizantes organominerais

precisam atender as exigências e garantias

mínimas determinadas pela legislação

(MAPA, 2009) e seu uso geralmente

é mais eficiente que a aplicação exclusiva

de material orgânico ou mineral (Filgueira,

2008).

Esse efeito está relacionado ao fato da

matéria orgânica, presente no fertilizante

organomineral, possuir liberação lenta;

potencializar o efeito dos nutrientes

ao facilitar a absorção destes; auxiliar no

transporte de fotoassimilados elaborados

pela própria planta; e funcionar como

condicionadora imediata dos sais minerais

que entram em decomposição, evitando

incompatibilidade física e química

entre os adubos que compõem a formulação

(Kiehl, 2008, 2010).

Outras vantagens associadas à matéria

orgânica são o estímulo da flora microbiana

em volta do sistema radicular,

causando maior proliferação e biodiversidade

de microrganismos; aumento da

retenção de água; da aeração; da retenção

de nutrientes; do estado de agregação

do solo e da formação de quelatos naturais,

influenciando diretamente a nutrição da

planta (Souza; Resende, 2003).

Pesquisas apontam para altas

produtividades

Almeida (2017) verificou que o desempenho

de plantas de tomateiro industrial

submetidas à ação de um fertilizante

organomineral à base de cama de frango

foi superior à fonte exclusivamente mineral

com incrementos de 3,3% para altura

de planta, 2,4% para diâmetro de

caule, 1,6% para diâmetro longitudinal

do fruto e 15,2% para número de frutos

por planta.

Caixeta (2015), ao testar diferentes doses

de organomineral, além de obter incremento

na produção do tomateiro, refletindo

em suas características morfológicas e

fisiológicas, constatou também um efeito

positivo nos teores de substâncias húmicas

do solo, acarretando em aumento de carbono

das frações, bem como de nutrientes.

Mueller et al. (2013) avaliaram a influência

de doses de adubação orgânica

com cama de aviário, associado ou não

à adubação mineral, na produtividade de

tomateiro, cv. Alambra, no município de

Caçador (SC), na safra 2007/08 e em sistema

de plantio direto.

Os autores verificaram que a aplicação

exclusiva do adubo orgânico não foi

suficiente para conseguir altas produtividades

do tomateiro, sendo estas obtidas

com a aplicação exclusiva do fertilizante

mineral e também do organomineral, independentemente

da quantidade de resíduo

orgânico na sua composição (Tabela

2).

De acordo com Luz et al. (2010), o

uso de fertilizantes organominerais em

lavoura de tomate híbrido Débora Pto, no

município de Uberlândia, de julho a novembro

de 2007 e população de 12.500

plantas por hectare, resultou na produtividade

de 93,9 t ha -1 de tomate tipo

extra 2A e produtividade total de 105,4

t ha -1 , enquanto que na ausência de fertilizantes

os valores foram de 75,0 e 85,9 t

ha -1 , respectivamente (Tabela 3).

Os autores também avaliaram o custo

e o lucro obtido nas lavouras e verificaram

que o investimento na aplicação do fertilizante

organomineral em um hectare foi

de R$ 517,88 e a receita líquida obtida

foi de R$ 14.007,13, enquanto que na

ausência do fertilizante a receita líquida

foi de apenas R$ 4.446,88, ou seja, o lucro

do produtor foi 215% maior com o

uso do organomineral (Tabela 3).

Viabilidade mostra que

vale a pena

Nesse contexto, o uso de fertilizantes

organominerais é importante no ponto de

vista agrícola e ambiental, pois contribui

para um sistema de produção mais sustentável,

ao permitir a redução do uso de

fontes não renováveis de fertilizantes e a

destinação correta de resíduos orgânicos,

46


ORGANOMINERAIS

Tabela 3. Produtividade e análise econômica de tomateiro híbrido Débora Pto

conduzido no município de Uberlândia-MG, de julho a novembro de 2007, em

função da ausência e presença de organomineral.

Sem organomineral Com organomineral

Produtividade t ha -1

Extra 2A 75,0b 93,9a

Total comercial 85,9b 105,4a

Análise econômica

Valores por hectare (12.500 plantas)

Receita bruta R$ 41.946,88 R$ 52.025,00

Custo da lavoura R$ 37.500,00 R$ 37.500,00

Custo do organomineral - R$ 517,88

Receita líquida R$ 4.446,88 R$ 14.007,13

Fonte: Adaptado de Luz et al (2010).

que melhoram as características do solo,

contribuindo para um sistema mais equilibrado

e saudável.

Os fertilizantes organominerais são

importantes também do ponto vista econômico,

pois apesar do valor do fertilizante

mineral ser similar ao valor do

organomineral, a avaliação do custo-benefício

indica que, quando o produtor

faz opção pelo organomineral, o lucro

tende a ser maior, devido ao aumento da

produção e qualidade do produto, favorecendo

um sistema de alta produtividade

e rentabilidade.

maio 2019

47


CAPA

maio 2019

48


CAPA

Hortelã

SABOR REFRESCANTE E SUAVE

A hortelã, embora seja uma planta exótica, tem aroma e sabor que

podem variar conforme a espécie. Assim como as hortaliças, as hortelãs

representam uma fonte de renda, pois podem ser cultivadas não só

para o consumo próprio, mas em uma escala maior, destinadas aos

supermercados e casas de produtos naturais, nas formas natural ou seca

maio 2019

Pixabay

49


CAPA

maio 2019

Leticia Silva Pereira Basílio

Marla Silvia Diamante

Doutorandas em Agronomia/

Horticultura - UNESP

Mônica Bartira da Silva

Doutora em Agronomia/Horticultura –

UNESP

monica.bartira@gmail.com

Usadas ao longo da história da humanidade,

por terem a capacidade

de sintetizar uma grande variedade

de compostos químicos, as plantas

medicinais se destacam por possuírem

mais de 40 segmentos de mercado.

Segundo a Organização Mundial da

Saúde (OMS), planta medicinal é qualquer

vegetal que possua em um de seus

órgãos, ou em todas as partes, substâncias

com propriedades terapêuticas, ou que sejam

ponto de partida na síntese de produtos

químicos ou farmacêuticos.

Essas substâncias, ou princípios ativos,

podem ser produtos do metabolismo

primário, que são definidos como indispensáveis

à vida da planta, e produtos do metabolismo

secundário, que correspondem,

de uma maneira simplificada, à individualidade

de cada uma.

Na maioria das vezes, essas substâncias

são resultantes do metabolismo secundário,

dependendo da interação da planta

com o meio em que vive. Os princípios

ativos mais importantes são: alcaloides,

ácidos urônicos, glicosídeos, heterosídeos,

óleos essenciais, taninos e ácidos orgânicos.

A interessante hortelã

Dentre as plantas medicinais, a hortelã

desperta interesse econômico, por ser fonte

de compostos como mentol, isomentona,

ácidos orgânicos, sitosterol, entre outros.

Contudo, o maior destaque é o mentol,

empregado como flavorizante e aromatizante

de alimentos, bebidas, perfumes,

produtos de higiene bucal e preparações

farmacêuticas, no tratamento de problemas

respiratórios e também gastrointestinais.

A presença do grupo metil na posição

1 e da hidroxila na posição 3, tendo na vizinhança

um grupo volumoso, são condições

necessárias para determinar as propriedades

refrescantes do mentol.

Espécies

Cabe ressaltar que existem diferentes

plantas do gênero Mentha, conhecidas

popularmente como hortelãs, compreendendo

cerca de 30 espécies. As hortelãs de

uso popular mais frequente são a hortelãverde

(Mentha spicata L.); o mentrasto

(Mentha rotundifolia Huds); menta-do

-levante (Mentha citrata Ehrhart); Mentha

crispa L., Mentha arvensis L. e a hortelã

-pimenta (Mentha x piperita L.), a mais

famosa das hortelãs, sendo as duas últimas

as mais ricas em mentol.

Segundo a OMS, 80% da população

mundial faz ou já fez uso de plantas medicinais

para aliviar algum sintoma desagradável,

estimando que 30% sejam da família

Laminaceae, à qual pertencem as espécies

de hortelã.

Importância mundial

Não há dados atualizados sobre a produção

anual da hortelã nos Estados brasileiros,

mas sabe-se que o mercado de plantas

medicinais movimenta cerca de US$

160 milhões por ano e, em toda a cadeia

produtiva, o setor de medicamentos fitoterápicos

e extração de óleos essenciais

movimenta anualmente em torno de

R$ 1 bilhão.

O Brasil já foi o maior exportador

mundial de óleo essencial da Mentha piperita,

mas passou a importar devido ao

baixo nível de produção na região sul e sudeste

do País, onde era cultivada em larga

escala em cidades como Maringá (PR) e

Barbosa Ferraz (PR).

Estados da região sul e sudeste, como

São Paulo e o norte do Paraná, eram responsáveis

por 95% da produção brasileira

na década de 1960. Contudo, atualmente

o Brasil importa a maior parte dos óleos

essenciais, incluindo os extraídos da hortelã.

A partir disto, é relevante dizer que a

hortelã representa uma boa alternativa de

rentabilidade, pois abrange o plantio em

pequena escala, para consumo próprio ou

local, mas também em larga escala, destinado

a grandes centros, supermercados e

casas de produtos naturais.

Além disso, a versatilidade da planta

permite que suas folhas sejam comercializadas

tanto secas como frescas. Um

exemplo é que as vendas de fitoterápicos

50


CAPA

no mercado interno têm crescido 15% ao

ano, contra 4% das vendas dos medicamentos

sintéticos.

Derivados e agregados

da hortelã

Quando se trata de matéria verde, a

hortelã produz de 20 a 30 mil kg/ha/ano.

Para obtenção da essência, o rendimento

médio encontrado é de 0,3 a 0,5% sobre

a matéria fresca, e de 1,0 a 3,0% sobre a

matéria seca.

Com o manejo correto, as plantas produzem

em destilação a média de 1% em

óleo do peso do material destilado.

Sendo a faixa comum entre 10 e 13 t/

ha de rama murcha pronta para a destilação

(em três cortes sucessivos), seriam

então fornecidos de 100 a 130 kg de essência/ha/ano.

Dentre os produtos obtidos, temse

um rendimento médio de 30 a 50 kg/ha/

ano de mentol, com 75 a 85% de pureza.

Para a obtenção desses resultados, fatores

técnicos como forma de plantio, tratos

culturais, aspectos fitossanitários, época

de plantio e de colheita, transporte, secagem

e armazenamento, entre outros, devem

ser considerados, se atentando à região

de cultivo desejada, porque tanto o

clima quanto o solo são componentes essenciais

para a maior formação de óleo

essencial da hortelã.

Exigências da planta

As espécies de menta são exigentes

quanto à nutrição mineral em cultivos

em solo e em hidroponia, sendo as práticas

agronômicas de manejo da fertilidade

do solo, calagem e adubação as mais

tradicionais.

Segundo Biasi e Deschamps (2009),

existem duas recomendações de adubação

que podem ser adotadas - Maia e Furlani

(1996) e Sociedade Brasileira de Ciência

do Solo - SBCS (2004).

Segundo Maia e Furlani (1996), a calagem

deve ser realizada para elevar a saturação

de bases a 70%. Os mesmos autores

recomendam adubação de cobertura

com 30 kg.ha -1 de N 30 dias após o plantio.

Após cada corte recomenda-se, ainda,

30 kg.ha -1 de N e 30 kg.ha -1 de K 2

O.

Nas recomendações da SBCS (2004),

a calagem deve ser calculada pelo índice

SMP para o solo atingir pH de 6,0.

Com doses de nitrogênio de até 80

kg.ha -1 , se o nível de matéria orgânica no

solo for inferior a 2,5%, 50 kg.ha -1 em solos

com teores de 2,6 a 5,0% e 20 kg.ha -1 ,

ou menos, quando o teor estiver acima de

5%.

Para a adubação com fósforo e potássio,

a aplicação de 120 kg.ha -1 de P 2

O 5

e

90 kg.ha -1 de K 2

O é recomendada em solos

com níveis baixos desses elementos, de

80 kg.ha -1 de P 2

O 5

e 60 kg.ha -1 de K 2

O em

solos com teores médios e de 40 kg.ha -1 de

P 2

O 5

e 30 kg.ha -1 de K 2

O em solos com

teores altos.

Alerta

É importante ressaltar que a aplicação

de ureia em doses superiores à recomendada

pode resultar na diminuição da produção

do mentol, contudo, níveis mais elevados

de nutrientes proporcionados pela

adubação orgânica têm efeitos positivos

no crescimento e no desenvolvimento das

plantas.

Além da adubação mineral, o uso da

adubação orgânica promove inúmeros benefícios

decorrentes da aplicação de resíduos

orgânicos, destacando-se a manutenção

da umidade, da fertilidade e da

estrutura física do solo, o favorecimento

do controle microbiológico e a dinâmica

de nutrientes, o que afeta favoravelmente

os rendimentos da produção vegetal.

Uma outra técnica, complementar, que

pode ser adotada, é uso de fungos micorrízicos

arbusculares, que promovem a expansão

da zona de absorção da raiz a partir

do desenvolvimento de hifas que se ramificam,

favorecendo a absorção de nutrientes

como fósforo (P), zinco (Zn), cobre (Cu),

nitrogênio (N) e potássio (K), podendo

ser responsáveis pela absorção de cerca

de 80% do P, 25% do N e Zn e 10% do K.

Propagação

No plantio, outro fator de destaque

da cultura é que a sua propagação pode ser

realizada de forma sexuada ou assexuada.

Na propagação sexuada, as sementes

são plantadas em canteiros com transplante

das mudas para o local definitivo após

dois meses.

Para a propagação assexuada podemse

utilizar estacas de caule e de rizomas.

As estacas de caule devem ser preferencialmente

de ramos apicais e apresentar comprimento

médio de 5,0 a 10 cm, com duas

maio 2019

Existem diferentes plantas

do gênero Mentha,

conhecidas popularmente

como hortelãs

51


CAPA

80% da população mundial faz uso de plantas medicinais para aliviar dores

maio 2019

folhas, cortadas pela metade com o auxílio

de uma tesoura de poda.

Plantio

No caso dos rizomas, o comprimento

pode variar de 10 a 25 cm e deverão ser

plantados em sulcos de no máximo 10 cm

de profundidade.

Alguns estudos indicam gasto de 300

kg de rizomas por hectare no plantio direto,

ou 100 kg no enviveiramento com

rizomas de aproximadamente 10 cm de

comprimento, ou dois a três pares de gemas.

Durante o cultivo, a planta necessita

de luz plena para se desenvolver, e o florescimento

só ocorre quando é exposta a 12

horas diárias de luz.

O espaçamento é outro ponto a ser

ponderado no momento do plantio, pois

em solos com maior fertilidade o espaçamento

adotado pode ser de 0,7 x 0,3 m

e em solos com menor fertilidade de 1,0

x 3,0 m.

Em hidroponia

Um dos principais motivos para o

abandono do plantio de hortelã em território

nacional foi a fertilidade insuficiente

para a exigência nutricional da cultura.

Nesse sentido, a hidroponia tem se tornado

uma alternativa bastante interessante

em relação ao cultivo tradicional feito no

solo, pois permite o plantio durante todo

o ano, além de facilitar o controle da parte

nutricional. Mediante isto, a solução

nutritiva deve ser formulada de forma

que abranja todos os nutrientes necessários

para o crescimento e desenvolvimento

da cultura.

O nitrogênio (N) é um elemento imprescindível,

diretamente relacionado a rotas

do metabolismo secundário. Seu fornecimento

de forma controlada em sistemas

hidropônicos traz não só aumento de produtividade,

como uma melhor qualidade

fotoquímica.

Outro elemento que se comporta melhor

neste tipo de sistema é o fósforo (P),

essencial para o desenvolvimento pleno

da parte aérea das plantas, uma vez que

sua movimentação em solo é lenta.

Colheita

No Estado de São Paulo e no Norte

do Paraná a colheita normalmente é realizada

nos meses de novembro a janeiro,

abril a maio e julho a agosto, quando

as plantas atingem o florescimento, que

pode ocorrer entre três a quatro meses

(quando não há falta de chuvas). Nessa

época, maior porcentagem de óleo é

acumulada e o sabor e aroma são mais intensos.

É possível colher todas as hastes três

vezes por ano, com os cortes realizados

a cinco centímetros do nível do solo, por

quatro a seis anos, sem a necessidade de

replantio. É importante que a colheita

seja realizada em períodos noturnos ou

logo pela manhã, para que não haja perda

de óleo essencial.

Custo envolvido

Após a colheita, para o beneficiamento

das plantas medicinais, em geral, é necessário,

além de terra disponível e equipamentos

de cultivo usuais, uma unidade de secagem

e armazenagem.

Estima-se que os investimentos necessários

para o plantio de uma área de 1,0 ha

sejam de cerca de R$ 7 mil. Estes recursos

abrangem os valores gastos no material

de propagação (mudas), adubação e preparo

do solo, plantio, manejo, tratos culturais

e colheita.

52


CAPA

Com relação à secagem, é indispensável

se atentar à velocidade com que a água é

retirada da planta, pois um processo muito

rápido pode degradar os princípios ativos.

Também não deve ser muito lento, porque

pode ocorrer a proliferação de microrganismos

indesejáveis.

Pesquisas

Em um estudo comparando a secagem

de menta (Mentha piperita) e sálvia (Salvia

officinalis) pelo método tradicional (secagem

ao sol) e em secador solar com ar aquecido

a 45ºC, os pesquisadores observaram que

o teor de óleo essencial extraído da menta

e da sálvia apresentaram um aumento,

respectivamente, de 40 e 25% com a utilização

da secagem em estufa solar, em relação

à secagem pelo método tradicional.

Constataram também que o emprego

da secagem em secador melhorou a

qualidade do produto, intensificando a

coloração e o conteúdo de seus princípios

ativos.

Contudo, cabe evidenciar que como a

cultura da hortelã pode ser comercializada

também na forma fresca, a implementação

de uma unidade de secagem pode

ser facultativa.

Vamos ao que interessa

O produtor que decide

por implementar

o cultivo da hortelã

se beneficia com

um retorno rápido,

porque a planta

possui ciclo curto

e em torno de 40

dias após o plantio

já estão desenvolvidas

o suficiente para

a colheita.

No Estado do Paraná,

o preço de uma bandeja de 50

g é em média de R$ 1,50. Em São

Paulo, o preço médio para um maço de

0,15 kg é R$ 4,40, podendo chegar a R$

5,05. Pernambuco, por sua vez, tem o

preço médio de R$ 5,00 para um molho

de 0,185 kg. Logo, é importante conhecer

o mercado local ou para onde se

pretende escoar a produção.

Em sistema hidropônico, a utilização

de cultivo protegido favorece a alta

produção por área, maior controle no fornecimento

de água e nutrientes, manejo

do estado fitossanitário, além de garantir

melhor qualidade e maior possibilidade

de oferta de mudas.

A hortelã já foi uma das ervas aromáticas

mais cultivadas em território nacional,

elevando alguns municípios ao status

de ‘Capital da Menta/Hortelã’.

É uma cultura rústica e muito versátil

quanto ao destino final de seus produtos

e subprodutos. Com o avanço de

pesquisas na área de plantas medicinais e

crescente interesse e consumo da população

por produtos naturais, o cultivo de

hortelã é um negócio rentável, promissor

e inspirador.

SXC

Pixabay

Investimento que deu certo

Walace Ferreira da Silva é produtor de

hortelã convencional e hortelã-pimenta na

fazenda Ilha Grande, localizada em São

Joaquim de Bica (MG), onde é produzido

1,0 hectare, com produtividade média de

150 molhos por dia, que rendem R$ 90,00

diariamente.

Ele conta que a hortelã-pimenta é

uma erva híbrida que surgiu do cruzamento

de diversas espécies de menta, conhecidas

por vários nomes, como hortelãzinha,

hortelã de panela, hortelã-da-cozinha e

hortelã de cheiro.

“O melhor período para se plantar

a hortelã é no frio, nos meses de abril,

junho e julho. Para uma boa produção

são necessárias duas irrigações ao dia.

A única dificuldade que vejo para plantar

a hortelã é o aparecimento das moscas

-brancas, mas até elas são fáceis de controlar

- basta fazer uma mistura de cravo

da índia moído com água e aplicar na lavoura,

uma forma fácil, prática e econômica,

além de ser um produto natural”, explica

o produtor.

A hortelã, após ser plantada, demora

em torno de 50 dias para chegar à fase

de colheita. O adubo utilizado por Walace

é o 12-6-12, aplicado de duas a três

vezes, e ainda esterco de galinha, de 10

em 10 dias, para enriquecer o solo com

matéria orgânica. Ele indica que a adubação

química seja feita após 15 dias, na

lavoura.

A hortelã é uma planta que exige podas,

e com o manejo certo, Walace garante

que a planta chega a durar mais de 10

anos.

maio 2019

53


ORGÂNICOS

ABÓBORA

PODE SER CULTIVADA

EM SISTEMA ORGÂNICO

maio 2019

Ronaldo Machado Junior

Engenheiro agrônomo, mestre em

Fitotecnia e doutorando em Genética e

Melhoramento – Universidade Federal de

Viçosa (UFV)

ronaldo.juniior@ufv.br

Rebeca Lourenço de Oliveira

Engenheira agrônoma, mestra em

Fitotecnia e doutoranda em Genética e

Melhoramento - UFV

rebecalourencoo@gmail.com

A

aboboreira (Cucurbita moschata

Duch.) foi domesticada na América

Latina, embora não se tenha

conhecimento do local específico. Considerada

tipicamente tropical, é cultivada

predominantemente nas zonas de baixa

altitude de clima quente com alta umidade.

No entanto, possui espécies em regiões

de semideserto e sub-temperadas.

A abóbora é um dos vegetais mais consumidos

pelos brasileiros. Também é exportada

para os países da Europa, fazendo

com que a atividade seja lucrativa e estável.

Pode ser utilizada para fins industriais,

alimentícios e medicinais.

Possui alto valor nutricional, sendo fonte

de fibras, sais minerais e vitaminas do

complexo B e C, com destaque para os carotenoides

provitamina A, especialmente

β-caroteno, α-caroteno e luteína, tornandose

uma hortaliça fruto com alta eficiência na

redução de deficiências nutricionais em humanos

devido às suas qualidades nutricionais,

além de grande aceitabilidade por parte

das populações consumidoras.

Atualmente, a população vem se preocupando

em consumir alimentos que possuam

maior efeito benéfico à saúde, como

fonte de nutrientes, prevenção de doenças

de forma aliada a questões ambientais e

segurança alimentar.

As sementes de abóbora são importante

fonte de lipídios, proteínas, fibras

tiamina, niancina e micronutrientes, sendo

consumidas em vários países de forma

tostada, caramelizada e como matéria

-prima para produção de biscoitos, bolos,

pães ou para produção de óleo, que por

sua vez pode ser comestível, temperos

para saladas em função de seu aroma e

sabor característicos, ou ainda incorporada

a matrizes energéticas na forma de

biocombustíveis.

Este óleo dispõe de diversos efeitos

benéficos à saúde humana, como inibidor

da hiperplasia da próstata, redutor de

problemas relacionados à hipertensão, atua

na redução dos níveis de câncer de mama,

pulmão, estômago e colorretal, e na medicina

popular é utilizado como vermífugo,

devido à ação anti-helmíntica.

Graças ao seu alto valor nutritivo, boa

estabilidade oxidativa e sua propriedade

54


ORGÂNICOS

Fotos Shutterstock

gânica vem sendo difundida por todo o

Brasil, virando a preferência nacional.

Além disso, a abóbora orgânica tem

como vantagem não possuir insumos agrícolas

ou produtos químicos em sua composição.

Seu desenvolvimento é livre de

agrotóxicos.

O cultivo da abóbora deve ser realizado

preferencialmente em solos profundos,

bem estruturados e drenados, que tenham

topografia plana a levemente ondulada.

O solo ideal é o areno-argiloso, fértil, rico

em matéria orgânica e com pH entre 5,5

a 6,8.

Para a boa polinização e maior pegamento

de frutos deve-se escolher uma área

protegida dos ventos dominantes e, quando

possível, inserir no ecossistema insetos

polinizadores. É recomendado que se faça

a rotação de culturas, evitando o plantio

em áreas onde, nos dois últimos anos, foram

cultivadas outras cucurbitáceas e solanáceas.

A análise do solo deve ser feita com

antecedência para a recomendação adequada

da correção da acidez e da adubação

orgânica.

O preparo do solo inicia cerca de dois

meses antes do plantio, realizando atividades

como incorporação da matéria

orgânica, principalmente se o adubo orgânico

utilizado for esterco de animais

e, quando necessário, a correção de pH

por calcário.

Plantio por mudas

Tradicionalmente, a abóbora pode ser

plantada diretamente nas covas, ou por

meio de mudas formadas em sementeiras.

Entretanto, para sistemas orgânicos de

produção, em que o convívio com a vegetação

nativa é uma constante, torna-se mais

recomendável adotar o método de plantio

por mudas para um crescimento inicial

mais rápido da cultura.

Para a obtenção das mudas, o semeio

deve ser realizado em recipientes com capacidade

de ± 200 cm³ de volume de substrato,

utilizando-se substrato de boa qualidade.

As mudas são transplantadas quando

tiverem de duas a três folhas definitivas. O

sistema diminui as falhas no campo, melhora

a uniformidade e permite um melhor

manejo das pragas, doenças e plantas

espontâneas, além de ser mais barato.

Dependendo das condições do terreno,

deve-se decidir sobre a necessidade

de preparo mecânico do solo por meio de

aração e gradagem.

Em áreas com pouca vegetação nativa,

pode-se proceder a limpeza da área

e a abertura de covas diretamente. Em

solos com alta incidência de plantas invasoras,

é indicado efetuar uma aração

com, no mínimo, uma semana de antecedência

ao plantio.

sensorial muito agradável, o óleo de semente

de abóbora está se tornando cada

vez mais popular.

A torta proveniente do processo de

extração do óleo é considerada potencial

alimento para animais devido ao seu elevado

teor proteico, propriedades funcionais

ou utilizada como fertilizante.

Plantio orgânico

atrai olhares

O cultivo da abóbora possui dispersão

cosmopolita, devido, principalmente, à

ampla disponibilidade por todo o ano, boa

adaptabilidade às condições ambientais,

boa aceitação de consumo, possibilidade de

expansão de área de plantio, facilidade de

produção e versatilidade de cultivo, podendo

ser cultivada no sistema convencional

ou orgânico.

Atualmente, a cultura da abóbora or-

As plantas da abóbora são de ciclo anual

maio 2019

55


ORGÂNICOS

Análise de mercado

O preço da abóbora produzida em sistema orgânico é um dos

atrativos para os produtores, podendo ser de duas a quatro vezes

mais valorizada que a mesma cultivada em sistema convencional.

De modo geral, a agricultura orgânica brasileira, ainda que tenha

alcançado avanços no quantitativo atual de 10.694 mil produtores,

por natureza é constituída, em grande parte, por pequenas

propriedades rurais, sendo a maioria de agricultores familiares que

convivem com várias dificuldades de burocratização, falta de informação,

pesquisas e estatísticas, além de distribuição ineficiente,

venda restrita para produtos sem certificações e planejamento

inadequado.

Nesse sentido, a formação de grupos associativos e cooperativos

fortalece o setor e reforça a busca por soluções e melhorias

junto aos agentes públicos.

maio 2019

Daninhas

Quando houver grande infestação de

plantas invasoras, é recomendada a capina

manual ou apenas o coroamento das plantas

e roçadas leves no restante da área, reduzindo

a competição de água, nutrientes

e luz entre a cultura e ervas daninhas,

as quais também podem ser hospedeiras

de pragas e doenças.

Adubação

Na adubação orgânica pode ser usado

o composto orgânico (7,5 t/ha), esterco

de curral curtido (20 a 30 t/ha) ou outra

fonte orgânica compatível com as normas

técnicas de produção.

Recomenda-se aplicar 2/3 desta adubação

na cova de plantio, misturando

o adubo orgânico com a terra e 1/3 em

cobertura, ao redor das plantas, aos 45

dias após plantio.

Irrigação

No início do ciclo, as plantas são exigentes

em água, havendo a necessidade

de irrigação, visto que as raízes ainda são

superficiais e o armazenamento na superfície

é praticamente nulo.

A deficiência de umidade, associada

às temperaturas elevadas no solo ou no

ar, provocam déficit hídrico.

Principais pragas e doenças

Em relação às pragas, destacam-se a

broca dos frutos, pulgões e mosca-branca.

A broca perfura o fruto próximo ao botão

floral, causando o apodrecimento.

Para o manejo da broca recomenda-se

utilizar iscas atrativas, como por

exemplo, a abobrinha italiana, que também

atrai a vaquinha, especialmente no

início do desenvolvimento das plantas,

e pulverizações semanais com inseticidas

biológicos a partir do início da frutificação.

Os pulgões formam colônias na parte

de baixo das folhas, sugando a seiva e

transmitindo viroses. O manejo deve ser

realizado por meio de preparados à base

de plantas, tais como pimenta, alho, cebola,

losna, confrei, entre outros.

A mosca-branca causa danos diretos

e indiretos, com a sucção da seiva e transmissão

de vírus, respectivamente. O controle

pode ser feito por meio de inseticidas

biológicos.

A doença que mais ataca a cultura

é causada pelo oídio, que é um fungo que

se desenvolve nas folhas, hastes e frutos,

apresentando uma formação semelhante

ao ‘pó de giz’, espalhando-se por toda a

superfície da folha.

A doença é favorecida por baixa luminosidade

ou luz difusa, clima seco e

frio, com umidade relativa do ar entre

40 a 60% e temperatura em torno de 20

a 25ºC.

No cultivo orgânico recomendam-se

pulverizações, preferencialmente com leite

de vaca cru, na concentração de 10

a 15%, mesmo após o início da infecção

no campo, ou com produtos à base

de enxofre.

Para as demais doenças foliares, como

o míldio, mancha zonada e antracnose,

recomendam-se pulverizações preventivas

com calda bordalesa (0,3% no início

do desenvolvimento das plantas e 0,4 a

0,5%, após o florescimento), no intervalo

de sete a 15 dias.

Devido à maior atividade das abelhas

na polinização pela manhã, recomenda-se

pulverizar, quando necessário, sempre na

parte da tarde.

Dicas para controle de pragas e doenças:

Escolher área arejada, com muita luminosidade

e bem drenada;

Realizar adubação correta e balanceada;

Realizar rotação de culturas na área e

evitar plantações muito próximas;

Estabelecer barreiras de quebra-ventos

para evitar danos à plantação;

Atentar-se à qualidade da água utilizada

na irrigação.

Colheita

A colheita da abóbora deve ser realizada

quando os frutos apresentarem sinais

característicos de amadurecimento, o que

se verifica por coloração, firmeza e textura

de casca. O padrão de mercado da abóbora

Tetsukabuto, por exemplo, é o peso unitário,

variando de 2,0 a 2,5 quilos e diâmetro

de 18 a 20 cm.

Recomenda-se que as abóboras sejam

colhidas com talos para que terminem

o amadurecimento de forma saudável e a

polpa não fique exposta. Apesar de robustas,

as abóboras exigem maior atenção

no momento da colheita, portanto,

o processo deve ser feito de forma manual

e respeitando-se o tempo necessário

de desenvolvimento.

56


INFORME TÉCNICO

CAQUI

maio 2019

58

SAFRA

Panorama da produção 62

TÉCNICA

Caquizeiros estressados?

64

FITOSSANIDADE

Pragas e doenças

57


INFORME TÉCNICO

Marco Antonio Tecchio

CAQUI

PANORAMA NACIONAL

DA PRODUÇÃO

maio 2019

Marco Antonio Tecchio

Coordenador do Programa de Pósgraduação

em Agronomia/Horticultura

- Faculdade de Ciências Agronômicas

(FCA)/UNESP

marco.a.tecchio@unesp.br

Ronnie Tomaz Pereira

ronnie@educarpv.com

Victória Monteiro da Motta

victoriamonteiro11@gmail.com

Engenheiros agrônomos e mestrandos em

Horticultura

Os maiores produtores mundiais

de caqui são China, Coréia, Espanha,

Japão e Brasil. Considerando

o período de 1961 a 2013, houve

um crescimento na área cultivada e na

produção mundial de caqui de, respectivamente,

755 e 424%.

Deve-se ressaltar a importância dos países

asiáticos, sendo a China, Coreia e Japão

responsáveis por 86% da produção mundial

e 96% da área cultivada, sendo consideradas

as regiões tradicionais de cultivo,

com a maior parte da produção destinada

ao mercado interno. Por outro lado, destacam-se

a Espanha, Austrália, Nova

Zelândia e Israel na produção de caqui

para exportação.

No Brasil, a área cultivada de caqui é

de 8.588 ha, concentrada nas regiões sudeste,

sul e nordeste. Os Estados de São

Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais

e Rio de Janeiro são responsáveis por, respectivamente,

58, 19, 8 e 6% da produção

nacional.

A produtividade média da cultura do

caqui no Brasil é de 22,4 ton/ha, com destaque

para o Estado de São Paulo, que

apresenta a maior produtividade (28,5 ton/

ha) em função da alta tecnologia adotada

no cultivo dessa frutífera.

No Estado de São Paulo destacamse

como as principais regiões produtoras

Mogi das Cruzes, Sorocaba, Campinas,

Itapetininga e Itapeva, sendo responsáveis

por 93% da produção estadual de caqui.

Variedades

As variedades de caqui são divididas

em três grupos: caquis taninosos (Shibugaki),

caquis doces (Amagaki) e caquis

variáveis.

Nos caquis taninosos, independentemente

se os frutos apresentam ou não sementes

(com ou sem polinização), a coloração

da polpa é alaranjada e os frutos

apresentam taninos, sendo que as principais

cultivares são Taubaté, Coração de

Boi, Costata, Pomelo, Rubi e Trakoukaki.

No grupo de caquis doces, os frutos

não apresentam tanino, sendo a coloração

da polpa alaranjada. Destacam-se as cultivares

Fuyu e Jirô. E, no grupo variável, destacam-se

as cultivares Giombo, Kyoto,

Rama Forte e Rama Forte Tardio. Neste

grupo, os frutos que apresentam sementes

têm a polpa escurecida, em função da insolubilizacão

dos taninos pelos fenóis liberados

pelas sementes.

No Estado de São Paulo, as cultivares

de caqui Rama Forte, Giombo, Fuyu e

Taubaté respondem por, respectivamente,

50, 19, 15 e 14% da produção de caqui.

Referente ao Rio Grande do Sul, segundo

produtor nacional, a principal cultivar

produzida é o Kyoto.

A cultivar Fuyu é exigente quanto ao

clima ameno, necessitando também de

uma planta polinizadora próxima, visando

melhor qualidade dos frutos e evitando

a queda prematura deles. A principal

variedade utilizada como polinizadora é

a IAC 5.

Em pomares a serem implantados, recomenda-se

intercalar a cada cinco plantas

da cv. Fuyu uma planta da cv. IAC 5

ou, em pomares em produção, realizar a

sobre-enxertia da cultivar IAC5 em ramos

da cv. Fuyu, para servir de planta

polinizadora para três plantas laterais.

58


INFORME TÉCNICO

Verifica-se que os frutos polinizados

são maiores, mais globosos e menos sujeitos

à queda.

Apesar da menor produtividade em

relação aos demais, o caqui Fuyu é o que

atinge as maiores cotações de mercado,

possuindo aspectos qualitativos como melhor

conservação e qualidade geral do fruto.

Por esse motivo, recomenda-se para

essa cultivar a realização de práticas culturais

(desbaste de frutos e ensacamento).

Implantação do pomar e

manejo cultural

Desde a implantação do pomar, alguns

fatores devem ser avaliados visando

à escolha do local de cultivo quanto

à localização, correção da fertilidade do

solo, qualidade da muda, escolha do sistema

de condução da planta, variedade da

copa e porta-enxerto, entre outros.

As melhores localizações para a implantação

do pomar estão em terrenos de

meia encosta por conta da boa drenagem,

e cuja exposição seja voltada para o norte,

devido à maior incidência de radiação solar

e menor ocorrência de ventos frios

vindos da face sul.

No preparo de solo deve-se considerar

a análise química e física, para então se

Caqui Fuyu atinge as maiores cotações de mercado

definir as operações de subsolagem, aração

e gradagem, bem como a correta distribuição

do calcário. Recomenda-se fazer

o preparo do solo e a calagem até os

40 cm de profundidade do solo.

Após a demarcação das linhas de plantio,

deve-se realizar o sulcamento ou coveamento,

seguido da adubação de

plantio. Salienta-se que deve-se utilizar

preferencialmente os sulcos abertos na

direção da linha de plantio, onde são misturados

os fertilizantes orgânicos (esterco

de curral ou cama de frango) e químicos,

com antecedência mínima de três meses

do plantio das mudas.

A utilização de mudas de boa qualidade

genética e sanitária é imprescindível,

devendo ser obtidas de viveiristas idôneos.

O tutoramento das mudas é feito logo

após o plantio, amarrando a planta ao tutor

com um laço em “8”.

Deve-se ater ao controle de formigas

cortadeiras na formação inicial das plantas,

como também na fase adulta.

Algumas práticas, como bacia de contenção,

cobertura morta, cobertura viva,

plantio em nível e adubação verde são

usadas para conter processos erosivos do

solo.

O cultivo muito adensado deve ser

evitado em função do controle de pragas

e doenças. Dessa forma, o espaçamento

deve ter como base o tipo de maquinário

a ser utilizado no pomar, em que o

espaço livre entre as linhas deve ser de, no

mínimo, um metro, e na linha pode haver

15% de sobreposição.

O espaçamento entrelinhas pode ser

determinado adicionando 2,5 metros ao

diâmetro da copa e entre plantas multiplicando

o diâmetro por 0,85. Algumas

cultivares menos vigorosas aceitam espaçamentos

mais adensados, como a Fuyu

e outras de hábito de crescimento piramidal.

Dessa forma, o espaçamento mais

adotado para as cultivares mais vigorosas,

como Taubaté, Giombo e Rama Forte, é

de 7 x 6 m, enquanto que para cultivares

menos vigorosas, a exemplo do Fuyu, pode-se

adotar o espaçamento de 6 x 5 m.

Plantio

Inicialmente, as mudas são plantadas

com haste única. A poda de formação

objetiva definir a estrutura produtiva

da planta, com a formação das pernadas

principais e secundárias.

No sistema de vaso aberto ou taça

aberta, o desponte das mudas no campo

deve ser realizado a 60 a 80 cm do solo

para a formação de três a quatro pernadas

dispostas radialmente e em diferentes pontos

de inserção no caule.

Podas

Marco Antonio Tecchio

Devem-se eliminar os ramos próximos

ao solo, mal posicionados ou ramos fracos.

Os ramos devem ser arqueados, visando

mantê-los a 60º em relação ao solo.

No inverno do ano seguinte, deve-se

encurtar 1/3 das pernadas principais, deixando

no ápice dois ramos voltados para

o exterior. Essa poda deve ser realizada até

o terceiro ou quarto ano após o plantio,

dependendo da região de cultivo.

Anualmente, após o 5º ano de plantio,

no período de junho a julho, deve-se

realizar a poda de produção, visando eliminar

ramos supérfluos, mal posicionados

e voltados para baixo, doentes, praguejados

e secos.

Assim, mediante esta modalidade de

poda visa-se proporcionar maior incidência

de radiação solar e arejamento no interior

da copa, favorecendo a formação

de ramos mistos, com gemas reprodutivas

que serão responsáveis pela formação

dos frutos.

maio 2019

59


INFORME TÉCNICO

Marco Antonio Tecchio

Caquis Giombo

são consumidos

com textura

mais firme

maio 2019

Salienta-se que as gemas mistas estão

localizadas no ápice dos ramos do ano e,

sendo assim, não se recomenda na cultura

do caquizeiro a poda de encurtamento de

ramos. Na condução da planta na forma

de taça aberta, procura-se manter após

a poda 130 a 140 ramos produtivos por

planta.

Realiza-se a poda verde nos meses de

novembro a fevereiro, visando eliminar o

excesso de ramos vegetativos no interior da

copa. O raleio de frutos é utilizado principalmente

nas cultivares Fuyu e Giombo,

sendo um importante trato cultural, deixando-se

dois a três frutos por ramo.

Manejo nutricional

do caqui

Em relação à calagem e adubação, inicialmente

realiza-se a análise de solo a

0-20 e 20-40 cm de profundidade. Recomenda-se

elevar a saturação por bases para

80% e o teor de cálcio para nível acima de

7 mmolc/dm 3 , com aplicação de calcário

dolomítico.

Ao se implantar a cultura do caquizeiro,

deve-se estar atento à adubação de

plantio. Recomenda-se a aplicação de 20

litros de esterco de curral ou composto, ou

ainda quatro litros de esterco de galinha

bem curtido em mistura com 1,0 kg de

calcário dolomítico, 1,0 kg de fosfato natural,

180 g de K 2

O e 5 g de zinco, bem

misturados.

Se a análise de solo acusar níveis baixos

ou muito baixos de fósforo e potássio,

recomenda-se aplicar 90 kg/ha de P 2

O 5

e

100 kg/ha de K 2

O em faixa de 2,5 m de

largura na linha de plantio, incorporando

ao solo.

Os cinco primeiros anos são fundamentais

para a boa formação das mudas

de caqui, assim, uma correta adubação de

formação é a chave para o sucesso. Recomenda-se

aplicar anualmente, por planta,

em função dos teores de P 2

O 5

e K 2

O

no solo e a idade, 50 a 200 g de N, 20 a

240 g de P 2

O 5

e de K 2

O, em doses crescentes

ao longo do tempo, parcelando em

três vezes ao ano, de dois em dois meses,

a partir do início da brotação.

A partir do início da produção, recomenda-se

aplicar anualmente 2,0 ton/ha

de esterco de galinha ou 10 ton/ha de esterco

de curral bem curtido. Em função dos

teores de P 2

O 5

e K 2

O no solo, recomendase

de 70 a 140 kg/ha de N, 20 a 120 kg/ha

de P 2

O 5

e 20 a 120 kg/ha de K 2

O.

Deve-se ter atenção às doses de nitrogênio

e potássio, uma vez que essas devem

ser parceladas, aplicando-se 20% no início

da brotação, 60% no meio do período

de crescimento dos frutos e 20% na época

da colheita.

Após a colheita, distribui-se esterco

e fósforo e, se necessário, cálcio e magnésio

nas doses anuais aplicadas em coroa

larga na projeção da copa.

Problemas comuns relacionados à adubação

têm sido verificados em algumas propriedades,

como o uso de altas doses de

nitrogênio e potássio em períodos incorretos,

causando queda de frutos e redução

de firmeza dos frutos pela indisponibilidade

do cálcio, mesmo quando esse se

encontra no sistema. Isso pode ser evitado

aplicando-se a relação correta entre

os nutrientes.

É importante ressaltar que uma planta

bem nutrida apresentará melhor desempenho

em relação a pragas e doenças,

guardadas as devidas características inerentes

a cada cultivar.

Experimentos realizados na cultura

mostraram que o correto manejo de adubação

tende a aumentar a produtividade

progressivamente, respondendo com

um aumento próximo a 20% após o estabelecimento

definitivo das corretas doses

de aplicação.

Além do ganho em produtividade,

existe ainda o ganho em qualidade de fruto,

como a riqueza de coloração, textura

e sabor.

Daninhas

O controle de plantas daninhas é feito

mediante capinas superficiais, roçadas,

utilização de cobertura morta e herbicidas

pós-emergentes. O escoramento de

ramos com madeira, em plantas adultas

com excesso de frutos, evita a quebra

de galhos.

Cuidados extras

Visando a melhoria na qualidade dos

frutos, recomenda-se o desbaste de frutos

nas cultivares Giombo e Fuyu, devendo-se

manter um a dois frutos por ramo.

Utilizando-se o desbaste de frutos, temse

o aumento do peso dos frutos remanescentes.

O ensacamento de frutos é comumente

utilizado para caquis do grupo amagaki

(caquis doces), como é o caso do Fuyu,

sendo realizado logo após o raleio, evitando-se

assim o ataque de pássaros, morcegos,

insetos ou danos advindos de intempéries,

como granizo.

Um problema frequente na cultura do

caquizeiro é a queda de frutos, ocorrendo

em dois períodos: setembro/outubro e dezembro/janeiro.

Dentre os principais motivos,

destacam-se: ventos frios associados

à precipitação durante o florescimento; alta

precipitação durante o florescimento, as-

60


INFORME TÉCNICO

sociado a dias nublados; adubação desequilibrada,

principalmente relacionada ao

excesso de nitrogênio aplicado antes do

florescimento; queda prematura das folhas

no ciclo anterior; estresse da capina

sob a copa das plantas, entre outros.

Colheita

A colheita normalmente é realizada

no período entre fevereiro a julho, dependendo

da região, da cultivar e do manejo

adotado, exceto em algumas localidades

tropicais específicas, como no nordeste

brasileiro, onde se procura colher durante

o segundo semestre.

Efetua-se a colheita por meio de corte

por tesoura adequada ou manualmente,

pela torção do pedúnculo. Os caquis

do grupo de variedades taninosos devem

ser colhidos quando o orvalho já estiver

seco, já que podem sofrer queimadura no

processo seguinte, onde serão levados para

galpões realizando-se a destaninização.

Para as cultivares Rama Forte, o produto

mais utilizado para a destanização é

o etileno, sendo aplicado em câmara fechadas.

Já para a cv. Giombo, tendo em vista

que os frutos são preferencialmente consumidos

com textura firme, utiliza-se principalmente

álcool gás carbônico para se fazer

a destanização.

Mercado consumidor e

precificação

Além de saber a procedência dos frutos,

o mercado consumidor é exigente nos

demais aspectos do fruto, como cor, brilho,

firmeza, sabor e, também, o tempo de

prateleira.

O preço médio normalmente oscila de

acordo com a oferta da fruta, sendo mais altos

no início de safra, menores no pico

de oferta e voltando a subir no final da

safra. Para os produtores da Cooperativa

Agrícola Nossa Senhora das Vitórias

(Cooperativa NSV), situada em Jundiaí,

cuja produção majoritária é da cultivar

Rama Forte (90% da produção de

caqui), a janela de produção ocorre de fevereiro

a julho, com pico de oferta entre

maio e junho.

Segundo relatos dos produtores, em

2018 o preço médio pago no início da safra

(fevereiro/março) estava em R$ 5,00/

kg, sendo comercializado em caixas de 6,0

kg. Para o pico de oferta, (abril/maio) o valor

decresce para R$ 2,60/kg, voltando a

ter uma valorização no final da safra, sendo

comercializado por R$ 5,00 (junho/julho).

No ano de 2017, o preço médio do

caqui ficou em R$ 5,22/kg.

Em relação ao custo de produção, varia

entre produtores, de acordo com o manejo

adotado. Segundo informações da Cooperativa

NSV de Jundiaí, estima-se que

a média de custo de produção situa-se

entre R$ 8,00 a R$ 12,00/caixa de 6,0

kg de frutos.

De acordo com levantamento feito

por especialistas da Associação Paulista de

Produtores de Caqui (APPC), Cooperativa

Agrícola de Capão Bonito (CACB)

e Thomasetto Frutas, o custo de produção

para o caqui em 2018 foi de, aproximadamente,

R$ 48.000,00/ha. Do custo

total, os gastos com embalagem, mão

de obra, defensivos, horas-máquina, fertilizantes/corretivos,

são de, respectivamente,

40,4; 10,8; 8,5; 3,2 e 1%. Os demais

gastos (36%) referem-se a outras

despesas e custos indiretos.

Referente ao mercado consumidor, os

caquis produzidos no Estado de São Paulo

atendem os mercados de Rio de Janeiro,

Goiânia, Belo Horizonte e também

a região nordeste (Recife e Aracaju), entre

outros.

No Brasil, a área cultivada com caqui é de 8.588 hectares

Maurício Nasser

maio 2019

61


INFORME TÉCNICO

Fotos Shutterstock

CAQUIZEIROS ESTRESSADOS?

SOLUÇÃO PARA RECUPERAÇÃO DOS POMARES

maio 2019

Marco Antonio Tecchio

Coordenador do Programa de Pósgraduação

em Agronomia/Horticultura

- Faculdade de Ciências Agronômicas

(FCA)/UNESP

marco.a.tecchio@unesp.br

Ronnie Tomaz Pereira

ronnie@educarpv.com

Victória Monteiro da Motta

victoriamonteiro11@gmail.com

Os fertilizantes organomineirais são

uma opção vantajosa para aumentar

a interação entre planta e mineral,

reduzindo a adsorção de fósforo e diminuindo

a transformação de P 2

O 5

em

formas não disponíveis para a planta e ainda

ativando o processo de enraizamento

precoce.

Resultados em campo com o uso de

fertilizantes organominerais em fertirrigação

mostraram superioridade na produção

de frutos e a menor perda de nutrientes

por lixiviação.

Em algumas culturas, estudos mostraram

um aumento significativo na produção

com o uso de fertilizantes organominerais

em comparação com a combinação

de fertilizante mineral + orgânico.

A adição de fertilizante mineral ao esterco

no processo de produção de fertilizantes

organominerais proporcionou o

aumento da concentração de nutrientes e

reduziu as taxas de aplicação no campo, o

que representa a redução de custos de produção.

No aspecto agronômico, ocorre o melhor

desenvolvimento das raízes e retenção

de água no solo, com estímulo da flora

microbiana, baixa acidificação do solo,

menor uso de calcário e reduzido custo

operacional.

62


INFORME TÉCNICO

Hormônios

Dentre as tecnologias adotadas na cultura

do caquizeiro destacam-se o uso de

reguladores vegetais e estimulantes da brotação.

No que diz respeito ao período de

dormência, para as frutíferas de clima temperado

e subtropical é necessário o acúmulo

de horas de frio, com temperaturas abaixo

de 7,2ºC.

No caso do caquizeiro, estudos têm

demonstrado que temperaturas abaixo de

14ºC auxiliam na quebra de dormência

das gemas. No entanto, em condições de

clima subtropical e tropical, tendo em

vista a irregularidade das condições climáticas,

muitas vezes não ocorre o acúmulo

de horas de frio, tendo como consequência

uma brotação desuniforme no

pomar.

A cianamida hidrogenada (H 2

CN 2

) é

eficiente na quebra de dormência da cultura,

sendo utilizada na dose de 1,5 a 3%

mais 0,5 a 1% de óleo mineral, principalmente

para a cultivar Taubaté, visando

antecipar o período de colheita, obtendose

melhor preço na comercialização.

Cuidados devem ser tomados no momento

da aplicação do produto, utilizando-se

EPIs adequados e observando-se a

temperatura no momento da aplicação,

que deve ser superior a 18ºC. Salienta-se

que, para a realização da quebra de dormência

é importante que haja um planejamento,

tendo em vista que em torno de

30 dias após o procedimento dará início à

brotação.

Assim, locais sujeitos a geadas tardias

não devem aderir a essa prática.

Apesar de sua eficiência na quebra

de dormência, a cianamida

hidrogenada é um produto

tóxico ao homem.

Portanto, pode-se

procurar por produtos

alternativos, a exemplo

da calda sulfocálcica

mais óleo

mineral, ácido glutâmico,

extrato de

alho e o Erger, os

quais necessitam

de mais estudos

para sua utilização.

Eficiência

Comparando-se a eficiência de quebra

de dormência entre a cianamida hidrogenada

e o uso de uma mistura de

micronutrientes com fertilizantes organominerais

em diferentes doses, resultados

demonstraram que a cianamida hidrogenada

proporcionou uma brotação de

36% das gemas após um mês de aplicação,

e que em termos de produção apresentou

o maior número de frutos por

planta.

Em relação ao uso de reguladores vegetais

na cultura do caquizeiro, o produto

mais utilizado é o ácido giberélico, visando

estender o período de oferta de caqui.

Esse produto é mais utilizado nas cultivares

tardias, a exemplo do Giombo, com a

finalidade de atrasar a maturação dos frutos.

Recomenda-se doses variando de 10

a 40 mg/L. Verifica-se que altas doses de

ácido giberélico estão associadas à queda

de produção no próximo ciclo da cultura,

tendo em vista que induzem a dominância

apical dos ramos mistos, fazendo com

que apenas as gemas situadas no ápice se

desenvolvam.

Ação dos bioestimulantes

Bioestimulantes são produtos

classificados como reguladores

de crescimento, cuja

sua composição

é

formulada a partir de hormônios vegetais

ou sintéticos, sendo promotores de crescimento.

O produto possibilita o aumento

da extração de nutrientes e água do solo,

o que interfere de forma positiva no desenvolvimento

vegetal.

Alguns benefícios da aplicação são:

incremento no crescimento e desenvolvimento

vegetal, maior enraizamento e produtividade,

indução da divisão celular, alongamento

celular, crescimento de gemas

laterais, interferência na dominância apical,

determinação do tamanho dos frutos, germinação,

quebra de dormência, além de estimular

o pegamento de flores sem fecundação

e estabelecimento de frutos.

Além desse produto, já foram verificados

bons resultados usando, por exemplo,

um composto comercial contendo

dois fitorreguladores naturais, a citocinina

BA (benziladenina) e as giberelinas

GA4e GA7, o qual aumentou o tamanho

de frutos sem alterar a qualidade

do mesmo.

Salienta-se que há necessidade de trabalhos

com estes produtos na cultura do

caquizeiro, apresentando boas perspectivas

de resultados promissores visando a qualidade

dos frutos.

maio 2019

63


INFORME TÉCNICO

PRAGAS E DOENÇAS

AMEAÇAS AO CAQUIZEIRO

Shutterstock

maio 2019

Marco Antonio Tecchio

Coordenador do Programa de Pósgraduação

em Agronomia/Horticultura

- Faculdade de Ciências Agronômicas

(FCA)/UNESP

marco.a.tecchio@unesp.br

Ronnie Tomaz Pereira

ronnie@educarpv.com

Victória Monteiro da Motta

victoriamonteiro11@gmail.com

O

caquizeiro possui diversos problemas

fitossanitários relacionados ao

seu cultivo e que culminam na redução

da produtividade, qualidade da produção

e, em alguns casos, a perda do produto

comercial.

As principais doenças relacionadas

à cultura são a cercosporiose (Cercospora

Kaki), antracnose (Colletotrichum horii),

mofo cinzento (Botrytis cinerea), pestalozia

(Pestalotiopsis spp.), queima-dosfios

(Cerotobasidium sp.) e galha da coroa

(Agrobacterium tumefaciens). A cercosporiose

e antracnose consistem nas principais

doenças que ocorrem na cultura.

Alerta

A cercosporiose é causada pelo fungo

Cercospora caki e pela condição ambiental

de elevada umidade relativa e temperaturas

amenas, sendo disseminada pelo vento

e água. As cultivares mais resistentes

são Taubaté e Trakoukaki, enquanto que

Rama Forte e Giombo são moderadamente

suscetíveis, e Fuyu suscetível.

Recomenda-se como forma de controle

o tratamento de inverno, com a aplicação

de calda sulfocálcica em proporção

1:9, apresentando eficiência na diminuição

das estruturas de resistência do fungo.

Além da calda sulfocálcica, recomenda-se

a utilização de fungicidas indicados

para a cultura. Os principais ingredientes

ativos/produtos utilizados para o controle

são: estrobilurina + triazol, ou somente

triazol.

A antracnose também causa sérios danos

à cultura. Possui como agente causal

espécies do gênero Colletotrichum, desenvolvendo-se

em condições de alta umidade

relativa e temperaturas entre 10 e 36°C.

O Estado do Paraná apresentou maior

infestação da doença, e em São Paulo a

presença do fungo nos pomares já causa

sérios danos à cultura.

A doença é destrutiva e disseminada

por insetos e água, e afeta folhas, ramos

e frutos, que em consequência ocorre

a desfolha, podridão, queda dos frutos e

a perda do produto comercial.

Os frutos afetados apresentam maturação

precoce, rachaduras, amolecimento

da polpa e queda acentuada. Medidas

preventivas são fundamentais para evitar

a ocorrência da doença, como o tratamento

de inverno com calda sulfocálcica no

período de dormência; a eliminação de

restos culturais.

Também é importante podar ramos

secos, fracos e doentes para melhor arejamento

e insolação das árvores; realização

da poda verde em dezembro/janeiro; o

uso de calda bordalesa durante o desenvolvimento

dos frutos; a desinfestação das

ferramentas; catação dos frutos com sintomas

da doença; implantação do pomar

em locais de maior altitude, evitando-se

baixadas úmidas, entre outros.

A variedade Giombo é muito suscetí-

64


INFORME TÉCNICO

vel à doença, sendo praticamente extinta

no Paraná, enquanto que a Rama Forte

e Fuyu são pouco suscetíveis.

Atualmente, existem apenas quatro

produtos registrados no Ministério da

Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

sendo os princípios ativos utilizados

para o controle o oxicloreto de cobre e

sulfato de cobre.

Custo

O manejo fitossanitário no controle

de doenças, segundo produtores da Cooperativa

NSV, de Jundiaí, representa cerca

de 15% do custo total de produção,

em que o número de pulverizações varia

de 15 a 35, dependendo do produtor.

O volume de calda utilizado é de 800

L/ha, considerando o espaçamento 7 x

6 m, o que equivale a 3,36 L/planta.

As pragas

Entre as pragas estão a lagarta-dosfrutos

(Hypocala andremona), tripes (Heliothrips

haemorrhoidalis), cochonilhas

(Pseudococcus spp.), ácaro rajado (Tetranychus

urticae) e a mosca-das-frutas (Anastrepha

spp e Ceratitis capitata).

A lagarta-dos-frutos (Hypocala andremona)

é uma praga que causa danos significativos

no caqui, depreciando a qualidade

e valor comercial.

Os principais danos são perfurações,

desfolhamento e o secamento, causado

pelo hábito de broquear nervuras. Em seguida

depredam todo o limbo foliar, com

exceção da nervura principal.

Os frutos são atacados, ocorrendo a

raspadura da casca, e ao longo do desenvolvimento

forma-se uma cicatriz anelar.

O tripes (Heliothrips haemorrhoidalis)

é uma praga de tamanho muito pequeno,

e por essa razão consegue se abrigar

facilmente no cálice dos frutos.

Os danos ocorrem nas folhas e frutos,

em que as folhas atacadas caem prematuramente

e a casca dos frutos fica ressecada,

podendo ocorrer o rompimento,

causando podridão da fruta e ainda atrair

outros insetos.

O controle do tripes deve ser realizado

durante o florescimento e início da frutificação.

Cochonilhas

As cochonilhas (Pseudococcus spp.) sugam

os frutos para se alimentarem e em

consequência ocorre a formação de uma

mancha escura, depreciando o fruto.

A mosca-das-frutas é considerada uma

praga secundária para a cultura do caqui e

quando a colheita é feita no ponto certo,

dificilmente ocorrerá um ataque da praga.

Os frutos atacados são, normalmente,

maduros e já não apresentam valor comercial.

Há pouca disponibilidade de produtos

químicos registrados no Ministério

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

para o controle de pragas da cultura do

caquizeiro. Entre as soluções estão o neonicotinoide

+ éter difenílico para mosca-das-frutas

e o cetoenol para o ácaro

rajado. Assim, utilizam-se técnicas alternativas

para o controle.

Alternativas

O ensacamento dos frutos, prática comumente

utilizada na produção orgânica,

é uma alternativa no manejo de pragas,

principalmente da mosca-das-frutas. A

técnica proporciona ainda uma manutenção

da qualidade dos frutos.

Experimentos recentes demonstraram

que o ensacamento de caquis com embalagem

de polipropileno perfurado é uma

boa alternativa ao controle químico de

pragas.

Mais recentemente está o uso do Manejo

Integrado de Pragas (MIP), o qual

consiste em um sistema de manejo de pragas

que associa o ambiente e a população

da espécie, fazendo uso de técnicas

apropriadas.

O MIP baseia-se na exploração do

controle natural, níveis de tolerância das

plantas aos danos causados, no monitoramento

da população, biologia da praga

e da planta.

O monitoramento da densidade populacional

da praga-alvo é uma das formas

de iniciar o MIP, com o uso de amostragens

e armadilhas capazes de detectar

a população de insetos.

O manejo fitossanitário representa cerca de 15% do custo total de produção

Fábio Valio

maio 2019

65


MORANGO

SISTEMA

X

ABERTO FECHADO

QUAL O MELHOR PARA O MORANGO?

Orquidário Takebayashi

maio 2019

Mário Calvino Palombini

Engenheiro agrônomo e proprietário da

Vermelho Natural

vermelhonatural@hotmail.com

Roberta Peil

Professora do departamento de Fitotecnia

- Universidade Federal de Pelotas

(UFPel)

rmpeil@ufpel.edu.br

Chaiane Signorini

Doutoranda em Fitotecnia - UFPel

Em muitos países tem se utilizado a

solução do drenado, tanto em sistemas

fechados recirculantes como

o seu recolhimento para a posterior utilização

em outras culturas. As calhas, por

possuírem uma estrutura rígida, são interessantes

neste sistema, facilitando a

aplicação da declividade adequada para

seu escorrimento.

As razões que impulsionam o aumento

do cultivo em substratos se referem à

otimização da mão de obra, ao maior potencial

produtivo por unidade de área, à

redução do uso de agrotóxicos, à diminuição

dos custos de implantação da cultura

a partir do segundo ano e ao aumento

da produtividade e da qualidade dos

frutos.

Do ponto de vista de drenagem da solução

nutritiva lixiviada, podem ser caracterizados

dois tipos de sistemas de cultivo

em substrato: o sistema ‘aberto’ e o

sistema ‘fechado’.

No cultivo em sistema aberto, a solução

nutritiva drenada é liberada diretamente

no solo. Este sistema representa a

maioria dos cultivos comerciais de morango

e praticamente a totalidade da produção

das demais hortaliças de fruto. Causa sérias

consequências ambientais, podendo salinizar

o solo, contaminar o lençol freático

e fontes de água. Além disso, ocasiona

o desperdício de água e fertilizantes.

O cultivo em sistema fechado promove

a coleta e a recirculação da solução

nutritiva drenada, sendo, portanto, mais

complexo e, assim, exigindo maior conhecimento

técnico para o manejo.

Por outro lado, representa um baixo

impacto ambiental e diminui de forma

significativa o gasto de água e de fertilizantes.

Máxima tecnologia

Existem dois motivos para adotar esta

tecnologia - economia, pela redução do

desperdício dos adubos, e por questões

ambientais, evitando a contaminação do

solo e do lençol freático.

Se considerarmos uma perda de 20%

de solução nutritiva no drenado, a quantidade

de adubos desperdiçados seria equivalente

a aproximadamente o que se utiliza

na mesma quantidade de área no cultivo

de grãos mais uma adubação de melhoramento

de pastagens.

Em termos econômicos, deve-se analisar

a sua viabilidade. Em termos ambientais,

estas quantidades de adubos podem

ser absorvidas por uma vegetação nativa,

caso exista na área abaixo das prateleiras,

portanto, o dano ambiental está diretamente

vinculado ao tipo de manejo

adotado.

No morango

No caso da utilização em um sistema

recirculante fechado na própria cultura do

morangueiro ou o seu recolhimento para a

utilização de outras áreas cultivadas, o produtor

deve avaliar alguns fatores.

A solução do drenado, ao passar

pelo substrato, pode sofrer alterações das

quantidades originais de nutrientes. Por

esse motivo, são recomendadas análises

periódicas da sua composição e a recomposição

conforme as necessidades

da cultura.

A solução do drenado, ao entrar em

contato com as raízes das plantas de mo-

66


MORANGO

rangueiro, podem ser contaminadas por

agentes patogênicos.

A recomendação do tratamento de desinfecção

é a utilização do filtro biológico

(um filtro de areia com Trichoderma harzianum),

que possui a capacidade de eliminar

alguns patógenos, e o tratamento

complementar com lâmpadas ultravioletas.

Como a luz ultravioleta causa a degradação

do ferro quelatilizado, é necessário

a recomposição antes da sua utilização.

Análise dos sistemas abertos

e fechados

O grande diferencial entre os sistemas

aberto e fechado refere-se aos volumes de

água e solução nutritiva gastos e descartados

no ambiente, sendo alarmantes os

números referentes aos sistemas abertos.

Por exemplo, um produtor cuidadoso que

forneça solução nutritiva em “pulsos” de

sete minutos, quatro vezes ao dia, e considerando

que a cinta de gotejo empregada

possua gotejadores espaçados em 20

cm (cinco gotejadores/slab) e com vazão

individual de 1,6 l/h, terá o gasto diário

de 3,6 litros por slab.

Considerando a fração de drenagem de

20%, chega-se ao volume aproximado de

0,75 L de solução nutritiva perdida diariamente

por um único slab com sete plantas.

Desta maneira, em um abrigo de 5,0

m x 50 m (400 slabs ou 2.800 plantas),

haverá uma perda diária de 300 litros de

solução drenada, o que equivaleria a uma

perda anual de 110 m 3 , ou 4,4 milhões de

litros/ha.

Shutterstock

Do ponto de vista técnico, para os sistemas

abertos é possível empregar uma

gama maior de substratos e o manejo da

solução nutritiva é simplificado, enquanto

nos sistemas fechados estes são restritos a

materiais com baixa CTC e há a necessidade

de monitoramento mais frequente

das condições de CE e pH da solução

drenada.

Quanto aos problemas fitossanitários,

na prática não se tem observado uma maior

incidência de doenças ou pragas em decorrência

da recirculação da solução drenada

nos sistemas fechados. Ambos os

sistemas reduzem a incidência de patógenos

de forma semelhante em relação

ao cultivo no solo.

Da mesma forma, as produtividades

obtidas têm sido semelhantes e dependem

muito mais do manejo adequado das

plantas, do clima e da cultivar adotada do

que dos sistemas em questão.

É urgente promover o ‘fechamento’

dos sistemas de cultivo em substrato.

Além do desperdício de água e fertilizantes,

os sistemas de cultivo abertos

geram vários problemas ambientais: a salinização

do solo e a contaminação do

lençol freático e de fontes de água pelo

lixiviado.

Por esses motivos, a substituição dos

sistemas abertos por sistemas com a coleta

e a recirculação da solução nutritiva

drenada surge como uma eficiente forma

de reduzir impactos econômicos e

ambientais.

Calha de isopor para cultivo

O sistema que proporciona melhor absorção de nutrientes

Patente requerida

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maio 2019

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Frutas Almeida Santos

contato@frutasalmeidasantos.com.br

SISTEMAS

67


ENXERTIA

PORTA-ENXERTOS

PROPAGAÇÃO IDEAL

DA AMEIXA

maio 2019

Fotos Shutterstock

Givago Coutinho

Doutor em Fruticultura e professor

efetivo - Centro Universitário de

Goiatuba (UniCerrado)

givago_agro@hotmail.com

Herick Fernando de Jesus Silva

Engenheiro agrônomo e doutorando em

Fitotecnia – Universidade Federal de

Uberlândia (UFU)

herickfernando@gmail.com

A

ameixeira pertence à família Rosaceae,

à subfamília Prunoidae e

ao gênero Prunus. Dentro desse

gênero se encontram as duas mais importantes

espécies de ameixeiras cultivadas

atualmente: Prunus salicina Lindl. e

Prunus domestica L.

As hibridações que ocorreram entre

estas duas espécies durante o processo de

desenvolvimento da cultura proporcionaram

o cultivo da ameixeira em diversas

regiões do mundo, com exceção daquelas

com predominância de clima mais quente

(trópicos) ou muito frios (zona polar).

No que se refere à propagação, comercialmente

a principal forma de produção

de mudas da ameixeira é por enxertia, que

pode ser definida como uma associação

íntima entre duas partes de diferentes

plantas (cavalo ou porta-enxerto e o cavaleiro

ou enxerto) que continuam seu

crescimento como um ser único (Ribeiro

et al., 2005).

Dessa forma, surge no contexto o emprego

de outra cultivar, que pode estar englobada

ou não na mesma espécie. Assim,

não apenas aspectos ligados à escolha da

cultivar que originará o enxerto e futuramente

irá compor a copa das plantas

deverão ser observados no momento da

aquisição das mudas.

É fundamental a escolha da cultivar

mais adequada para compor o porta-enxerto,

em que se deve optar por aquela que

se adapte bem às condições edafoclimáticas

locais, possibilite o bom desenvolvimento

das plantas e proporcione altas

produtividades na copa.

A enxertia da ameixa

Dentre as principais vantagens da propagação

da ameixeira por enxertia podemos

destacar: a facilidade de obtenção da

muda, o vigor do porta-enxerto, a longevidade

da planta e, principalmente, o rendimento

em viveiro.

Além disso, as plantas propagadas por

enxertia apresentam benefícios como a redução

do período de juvenilidade, ou seja,

antecipação do primeiro ciclo de produção,

quando comparadas com plantas propagadas

por sementes, e mantêm as características

da planta-mãe pelo fato de serem

clones, ou seja, são geneticamente idênticas

à planta que lhes deu origem, com

as características agronômicas da cultivar.

Vale ressaltar que os porta-enxertos

favorecem também o florescimento mais

intenso e produção mais precoce das plantas,

além de apresentar resistência a doenças

como nematoides e fungos presentes

no solo.

Contudo, o sucesso da técnica requer

cuidados, como habilidade do enxertador,

e apresenta inconvenientes, como o maior

tempo gasto para obtenção da muda, a variabilidade

das plantas em função da propagação

sexuada do porta-enxerto, dentre

outros.

Porta-enxertos mais utilizados

Como já mencionado, o melhor porta-enxerto

é aquele que se adapta bem às

condições edafoclimáticas do local de cultivo

por assegurar a nutrição mineral da

planta.

68


ENXERTIA

Comercialmente, a principal forma de produção de mudas da ameixeira é por enxertia

Dessa forma, deve-se optar por aquele

com as melhores características que promovam

o bom desenvolvimento da planta.

Nos cultivos brasileiros, a produção de

mudas é feita com porta-enxertos provenientes

do gênero Prunus, como já citado,

mesmo gênero da ameixeira, sendo a

principal espécie a Prunus pérsica, na qual

estão inseridos os pessegueiros, que geralmente

são obtidos por meio de sementes.

Dentre os principais grupos de porta-enxerto

podemos destacar:

Mirabolanos: neste grupo estão os

porta-enxertos para ameixeira mais

difundidos nas principais regiões produtoras

devido à afinidade de enxertia

com as cultivares europeias e japonesas,

pela adaptação a diversos tipos

de solo e facilidade na produção de

mudas.

Pessegueiros: considerados excelentes

porta-enxertos para ameixeira, as

cultivares desse grupo podem conferir

precocidade de frutificação, aumento

no tamanho de frutos e podem, inclusive,

proporcionar antecipação da

maturação quando comparados aos do

grupo anterior. Contudo, apresentam

maior exigência em melhores condições

de solo.

Ameixeira: estes porta-enxertos, em

geral, apresentam boa adaptabilidade

a solos com elevado teor de argila.

Ainda, podem ser utilizados híbridos

interespecíficos e o umezeiro ou damasqueiro

japonês, considerado um porta

-enxerto rústico, adaptado a invernos mais

brandos.

‘Okinawa’

O porta-enxerto ‘Okinawa’ é resultado

de seleção da espécie Prunus persica

e foi obtido pelo Programa de Melhoramento

da Universidade da Flórida, nos

Estados Unidos. Apresenta bom desempenho

como porta-enxerto para pessegueiro,

nectarineira e ameixeira e constitui

a principal cultivar utilizada como porta-enxerto

para ameixeira na região sudeste

do Brasil.

Além disso, esta cultivar é muito utilizada

devido à sua resistência a nematoides,

elevada produtividade e excelente capacidade

de germinação apresentada pelas

sementes, característica essencial para utilização

de uma cultivar como porta-enxerto.

Manejo

Para se obter o máximo sucesso da técnica,

atenção deve ser dada desde o processo

de obtenção dos porta-enxertos, ou

seja, começar pela semeadura.

É comum as sementes de fruteiras de

clima temperado apresentarem dormência,

requerendo um período de estratificação

sob frio úmido que varia de acordo

com cada espécie.

As sementes de pessegueiro requerem

uma estratificação por meio da submissão

às temperaturas frias (5 a 12ºC) em substrato

umedecido por algumas semanas antes

da semeadura.

A quebra da dormência pode ser efetuada

por duas formas:

1. Estratificação de caroços: dentro

de recipientes de aproximadamente 60 x

40 x 50 cm, os caroços devem ser colocados

em camadas alternadas com substrato

constituído de areia, serragem curtida

ou solo misturado com areia ou serragem.

Cada camada deve receber tratamento

com fungicida Captan (240 g/100 L)

ou Tebuconazole (100 mL/100 L). Logo

após, esses recipientes devem ser mantidos

em geladeira ou em ambiente com

temperatura amena por um período de 60

maio 2019

69


ENXERTIA

É fundamental a escolha da cultivar mais adequada para compor o porta-enxerto

maio 2019

dias, com o cuidado do material ser umedecido

sempre que necessário. Depois dessa

fase, procede-se com a quebra do caroço

(endocarpo) com o auxílio de um martelo

ou torno manual para a obtenção da

amêndoa.

2. Estratificação de amêndoas: esse

método oferece a vantagem de favorecer

uma quebra de dormência mais rápida,

em torno de 30 a 40 dias. Antecedendo

a estratificação, os caroços são quebrados

para a obtenção das amêndoas que,

em seguida, são tratadas com Captan (240

g/100 L)/Tebuconazole (100 mL/100 L)

e, posteriormente, acondicionadas em bandejas

com camadas umedecidas de algodão,

papel filtro ou vermiculita.

Esse material deve ser mantido em

geladeira ou em um ambiente que proporcione

uma temperatura na faixa de

05 - 10ºC por 30 a 40 dias.

Esse método ainda pode ser aprimorado

com o pré-tratamento das sementes

com ácido giberélico (20 mg L -1 ),

elevando o percentual de germinação.

Próximo passo

Assim que for quebrada a dormência,

esse material já pode ser semeado na

sementeira em sulcos com 02 - 03 cm de

profundidade, espaçados 20 cm entre si e

as amêndoas distantes de 08 a 10 cm dentro

dos sulcos.

Em seguida esse material deve ser coberto

com camada de areia seguida de

uma camada de palha, que deve ser mantida

até o início da emergência das plântulas.

O viveiro é o ambiente em que os porta-enxertos

se desenvolverão de fato, por

isso, o substrato utilizado deve oferecer

maior suporte nutricional a essas plantas.

Para isso, utiliza-se uma mistura de

solo, areia e esterco curtido na proporção

de 2: 1: 1. Os caroços devem ser dispostos

num espaçamento de 1 a 1,40 m

entrelinhas e 170 a 200 caroços/metro

linear. Depois de emergidas essas plantas

devem ser raleadas, mantendo uma

densidade de 20 cm entre mudas dentro

da linha.

Outra possibilidade é a semeadura

em recipiente, utilizada especialmente

para amêndoas. Nesse caso, utilizam-se

tubetes, bandejas de isopor e sacos plásticos.

O substrato utilizado deve ser poroso

e capaz de reter água em quantidade

adequada, bem como não conter fontes

de inóculo de patógenos ou propágulos de

plantas espontâneas.

Assim que emergidas, as plântulas provenientes

das sementeiras devem imediatamente

passar pelo processo de repicagem

(transferência para o recipiente definitivo),

devendo ser plantadas na mesma profundidade

que se encontravam na sementeira.

Já as mudas produzidas em recipientes

podem ser repicadas com altura aproximada

de 15 cm, por serem transferidas

com torrão.

Cuidados

Após a obtenção dos porta-enxertos,

cuidados básicos devem ser praticados para

se alcançar o ponto ideal de enxertia, com

plantas apresentando bons atributos agronômicos.

Dentre os principais cuidados,

pode-se destacar:

→ Desbaste: mudas em excesso competindo

por um mesmo espaço resultam

em plantas com porte desuniforme

e pouco desenvolvidas. Por

isso, o ideal é selecionar as mais vigorosas

e descartar as demais.

→ Desbrota: visa retirar os ramos laterais

e conduzir uma haste única, proporcionando,

posteriormente, aporte

de água e nutrientes somente para a

copa do enxerto.

→ Adubação: adubações nitrogenadas

devem ser efetuadas em torno de 30

a 80 dias após a repicagem a fim favorecer

um desenvolvimento mais efetivo

das plantas.

70


ENXERTIA

Os porta-enxertos

favorecem o

florescimento mais

intenso e produção

mais precoce das

plantas, além de

apresentar resistência

a doenças como

nematoides e fungos

presentes no solo

→ Controle de plantas invasoras, pragas

e doenças: são fatores bióticos que

carecem de atenção por causarem danos

diretos e indiretos nas mudas e

que, se não controlados, podem resultar

em perda da rentabilidade da

produção.

→ Irrigação: deve ser realizada sempre

que necessário, tendo-se o cuidado de

não ser efetuada em excesso.

Quando adquirir ou produzir mudas?

A aquisição da muda ou a produção da mesma pelo próprio fruticultor é uma

decisão importante a ser tomada, quando definida a implantação do pomar. Para

tomada desta decisão, alguns critérios devem ser considerados:

Custo de aquisição ou de produção da muda;

Possibilidade de obter material propagativo (caroços ou estacas de porta

-enxertos e borbulhas) com sanidade certificada;

Estrutura de produção para viveiro (mão de obra, instalações, área adequada,

irrigação, dentre outros);

Registro do viveirista junto à Secretaria Estadual de Agricultura e

Abastecimento e definição de responsável técnico pelo viveiro, no caso

de interesse de comercializar as mudas produzidas. A lei 10.711 de

05/08/2003 exige o registro das matrizes e do viveiro no RENA-

SEM/Decreto 5153 de julho de 2004.

A falta de qualquer uma destas características implica em limitações

técnicas para a produção de mudas de qualidade, razão

pela qual, neste caso, deve-se optar pela aquisição da muda.

Além disso, em função da produção de mudas em escala

comercial pelo viveirista, frequentemente é mais viável

adquirir a muda ao invés de

produzi-la.

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MANGA

DOENÇAS E PRAGAS

COMO MANTÊ-LAS

SOB CONTROLE NA MANGUEIRA

Fotos Luiz Eduardo Ferraz

maio 2019

Luiz Eduardo Ferraz

Engenheiro agrônomo e consultor técnico

da Clorofila Agropecuária & Consultoria

eduardocsferraz@uol.com.br

As pragas e as doenças da mangueira

constituem fatores limitantes à

atividade. Sendo uma fruta de clima

tropical, as áreas onde há uma melhor

adaptação da manga são aquelas que apresentam

as estações secas e chuvosas mais

ou menos definidas. Chuvas em excesso e

em época inadequada podem causar problemas

à qualidade dos frutos se ocorrerem

durante a floração. Relacionados a

excessivas chuvas e altas umidades estão

doenças gravíssimas, como a antracnose

e o oídio.

A região nordeste é afetada principalmente

na época das chuvas, e nas demais

áreas do País a ocorrência segue o mesmo

princípio.

Principais pragas e doenças

Tripes: provoca danos às brotações

novas e também às flores e frutos jovens.

Caso não tenha um controle adequado,

pode provocar sérias perdas à

produtividade e qualidade.

Ácaros: podem causar danos às folhas

maduras, resultando na redução da capacidade

fotossintética das mesmas

e diminuindo o acúmulo de reservas.

São importantes transmissores da má

formação floral e vegetativa, doença

que causa grandes prejuízos às plantas,

resultando em baixa produção. Provocam

danos aos frutos na fase inicial do

desenvolvimento, resultando em perdas

expressivas na qualidade das frutas.

Cigarrinha: ataca as brotações novas

na fase inicial do desenvolvimento,

causando sérios prejuízos à formação

dos mesmos. Em caso de ataque severo,

pode inutilizar as brotações, obrigando

o produtor a fazer outra poda

de formação. O inseto injeta uma toxina

nas brotações novas, provocando

deformação nas mesmas.

Mosquinha (cecidomídeo): o adulto

desta praga oviposita brotações novas

e as estruturas florais em desenvolvimento.

As larvas que eclodem fazem

galerias nos brotos novos e estruturas

florais, abrindo porta para a Lasiodiplodia

(doença). O resultado do

ataque é a total destruição das estruturas.

Frutos no início do desenvolvimento

também são atacados e terminam

por cair (aborto).

Lagartas/brocas: os adultos destas pragas

ovipositam nas estruturas florais,

principalmente as mais compactas, e

as larvas eclodem e passam a se alimentar

das estruturas e dos frutos jovens.

Provocam sérias perdas na produtividade

e qualidade, caso não sejam

controladas.

Lasiodiplodia: é um fungo que se encontra

presente nas plantas na forma

de infecções sistêmicas, ou eventualmente

infectam as plantas através de

aberturas provocadas por danos mecânicos

ou podas. A severidade da doença

está relacionada a estresses, e dessa

forma, quando se submete as plantas

72


MANGA

ao déficit hídrico durante a indução

floral, é bastante comum se observar o

aumento da incidência da doença. O

fungo provoca sérios danos ao sistema

vascular das plantas, e também às estruturas

florais e frutos em desenvolvimento.

Na fase de florescimento, pode

provocar necrose nas estruturas florais

e destruí-las completamente. Em pomares

com incidência elevada da doença,

as frutas produzidas tendem a

apresentar problemas com podridões

pedunculares, devido à infecção sistêmica

nos vasos do pedúnculo.

Alternária: esta doença vem aumentando

a incidência na região, ao longo

do tempo, e provocando sérios prejuízos

na fase de pós-colheita das frutas.

O fungo infecta as frutas durante

a fase de frutificação, principalmente

quando há ocorrência de chuvas. Provoca

podridões na casca, que resultam

em perdas significativas na qualidade.

Normalmente as infecções avançam

durante o transporte das frutas (contêineres)

para o mercado consumidor

(Europa). Mesmo nas frutas imaturas,

o fungo pode avançar e provocar danos

severos.

Antracnose: esta doença tem incidência

comum na região nordeste e provoca

sérios prejuízos na fase de pós-colheita

das frutas. O fungo infecta as

frutas durante a fase de frutificação,

principalmente quando há ocorrência

de chuvas. Provoca podridões na casca,

que resultam em perdas significativas

na qualidade. Normalmente as

infecções avançam durante o transporte

das frutas (contêineres) para o mercado

consumidor (Europa). O avanço

da doença está diretamente relacionado

com o avanço da maturação das

frutas.

Dothiorella: esta doença tem maior

incidência em períodos chuvosos que

coincidem com a fase de florescimento.

O fungo infecta a flor e fica de

forma latente no pedúnculo das frutas.

Na fase pós-colheita a infecção

avança durante o transporte das frutas

aos mercados consumidores. A infecção

avança também em função da

evolução da maturação das frutas, provocando

podridões pedunculares.

Verrugose: esta doença ocorre predominantemente

no período chuvoso,

quando há coincidência com o florescimento

e frutificação da manga.

Com a umidade elevada, os restos florais

servem de meio de cultura para o

desenvolvimento do fungo, que ataca

os frutos no início do desenvolvimento,

provocando manchas que se assemelham

a verrugas (daí o nome verrugose).

Frutos muito atacados perdem o

valor comercial, pois a aparência dos

mesmos é totalmente comprometida.

Formas de controle

(preventiva e curativa)

Para o controle eficiente de pragas e

doenças, é muito importante o monitoramento

adequado dos pomares, para que

as medidas sejam adotadas em função

do nível de infestação.

Uma vez detectado o problema, as medidas

de controle podem ser adotadas, levando

em consideração a fase da cultura e

que tipo de intervenção é mais eficiente

e segura para a fase específica.

No caso de insetos e ácaros, já há níveis

de controle estabelecidos, que a partir

do momento que ultrapassa o referido

limite, a medida de controle se faz necessária.

Utilizam-se inseticidas químicos, extratos

de plantas (óleo de neem, etc.) e

também produtos biológicos.

No caso das doenças, o monitoramento

desempenha um papel fundamental.

No entanto, outro fator que também é de

crucial importância é o monitoramento

das condições climáticas.

Associando estas duas componentes à

fase em que a cultura se encontra, podemos

adotar medidas preventivas de controle,

pois há fases específicas onde as estruturas

das plantas são extremamente

sensíveis às infecções.

Técnicas e produtos

inovadores

O controle de pragas e doenças deve

ser encarado de forma abrangente, pois vários

componentes do sistema produtivo

contribuem para uma maior ou menor incidência.

Fazer uma boa nutrição contribui

de maneira decisiva na redução de problemas

com pragas e doenças. O equilíbrio

nutricional torna as plantas mais atrativas

ou não a pragas e doenças.

O arejamento do pomar também auxilia

muito, pois desfavorece as pragas e

doenças e também aumenta a eficiência

Postura de lepidópteros na flor

Alternária e antracnose no fruto

Ataque de lagartas

Sintomas de Lasiodiplodia e Dothiorella

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MANGA

Lasiodiplodia infecta as plantas pelas aberturas provocadas

por danos mecânicos ou podas

Ataque da mosquinha

Tripes nos brotos novos

maio 2019

das aplicações de produtos fitossanitários.

A remoção de materiais contaminados por

doenças também auxilia no controle, pois

reduz o potencial de inóculo no pomar

e diminui a possibilidade de infecções.

O uso de produtos biológicos para

controle de pragas e doenças é uma realidade

presente na hortifruticultura.

Dentro do manejo, adotamos o uso

destes produtos visando reduzir/eliminar

a aplicação de químicos e evitar problemas

com resíduo nas frutas, principalmente

quando precisamos controlar alguma praga

ou doença em fases próximas à colheita.

Acertos

Os erros mais frequentes ocorrem

quando não há um treinamento adequado

das pessoas envolvidas no monitoramento

de pragas e doenças, pois isso resulta

em erros de avaliação e consequente

falta de aplicação, ou aplicação desnecessária.

É muito importante treinar e atualizar

estes profissionais constantemente,

para que os mesmos tenham excelência

no trabalho que fazem.

O uso de extratos de plantas, fungos

e bactérias no controle de pragas e doenças

tem se tornado uma excelente novidade

para a agricultura, de uma maneira

geral.

Ainda temos problemas com o nível

de eficiência dos produtos (inferior aos

químicos), no entanto, as tecnologias estão

avançando rapidamente, e acreditamos

que em curto/médio prazo teremos muitos

produtos biológicos com nível igual ou

melhor que os químicos.

Atitude inteligente

O uso de estratégias inteligentes de

controle resultam em economia e baixo

impacto ambiental. Um bom controle

de pragas e doenças não significa necessariamente

erradicar os agentes causais

(na maior parte das vezes). Muitas vezes, a

cultura convive com baixa incidência dos

agentes, sem que haja prejuízo econômico.

Acreditamos que o melhor trabalho

reside no entendimento das dinâmicas populacionais

destes agentes e no desenvolvimento

de estratégias de controle que

visem não deixar a população, ou o inóculo,

atingirem níveis críticos que resultem

em prejuízos.

Dessa forma, as intervenções seriam

pontuais e de forma preventiva, visando

controlar o aumento da incidência, e isso

muitas vezes pode ser feito por agentes de

controle biológico. As intervenções com

produtos químicos seriam utilizadas quando

as “populações” atingissem níveis críticos

(monitoramento).

Para que isso funcione efetivamente,

o investimento em treinamento/capacitação

de pessoas para fazer um monitoramento

adequado é de suma importância,

além do investimento em meios para

que se possa realizar um bom trabalho

(transporte, lupas, computadores, etc.).

Acreditamos que o custo para combater,

na maioria das vezes, sai mais caro

do que para prevenir, pois muitas vezes já

houve danos à cultura e o prejuízo já ocorreu.

Quando computamos as perdas de

qualidade e produtividade que um controle

ineficiente pode gerar, temos a certeza que

o trabalho preventivo realizado com critérios

técnicos adequados resultam em maior

eficiência de produção e menor custo.

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