RUNning #31

sporting2009

Julho 2019 | Bimestral | Distribuição gratuita | Directora: Vanessa Pais

Campeonato do

Mundo de Trail

Portugal com

resultado inédito

Running

Espinho

Uma grande

família

Edward

Zakayo

A fazer história

no Benfica

Carla Salomé Rocha

A caminho das

medalhas internacionais

Rendimento: V’O2max – para que serve e quanto vale esta fórmula?

Paulo Jorge Magalhães


4 editorial

A RUNning das emoções

Em cinco anos de RUNning não há

memória de tantas emoções num

número só. Já sabíamos que, enquanto

Media Partners, iríamos estar em

local privilegiado para assistir ao

Campeonato do Mundo de Trail, em Miranda do

Corvo, e só isso já fazia prever emoções fortes.

No entanto, o ambiente, a entrega de todos – das

selecções, à organização, sem esquecer o público

– e também, claro, a qualidade desportiva,

tornaram este evento realmente épico. Mas já lá

vamos.

No início de Junho chegou-nos aos ouvidos a

história do novo queniano-prodígio ao serviço do

Sport Lisboa e Benfica (SLB), Edward Pingua

Zakayo, e quisemos ouvi-la na primeira pessoa

(pág. 14), ainda não havia batido o recorde

nos 5000 metros de António Leitão ou vencido

um meeting da Liga Diamante. Agendámos a

entrevista para o estádio do SLB e começámos

a pesquisa. A vontade do atleta, de 17 anos, em

ajudar a sua comunidade no Quénia foi o que mais

saltou à vista em todas as entrevistas – poucas,

na altura – que havia concedido. Sabíamos, por

isso, que a história era forte, do ponto de vista

humano, mas não estávamos preparados para o

que encontrámos. Pés assentes na terra, coração

do tamanho do mundo, olhos entusiasmados de

sonhos alicerçados numa humildade inocente,

como a de uma criança, aquela que talvez nunca

tenha sido verdadeiramente. Uma chapada de

realidade, portanto.

O que se seguiu no calendário de entrevistas

não foi “uma chapada” tão grande, mas também

fez a sua mossa em duas palavras: Salomé Rocha.

A atleta do Sporting Clube de Portugal recebeu-nos

em Vizela e fomos outra vez surpreendidos por

uma história apaixonante de amor ao atletismo

e ao país (pág. 10). Todos nós, os que vivemos

a corrida, sabemos que a vida dos nossos atletas

A RUNning com os maiores do mundo!

DR

não é fácil, mas ouvi-los emocionados a contar

as peripécias de uma carreira deixa-nos a pensar:

Será que é preciso sofrer tanto para fazer o que se

gosta? Não haverá forma de melhorar a realidade

dos nossos atletas?

Para quando o alto rendimento no trail?

E, por mais estranho que possa parecer, estas

são questões transversais ao atletismo e ao trail.

Apesar de muito se advogar que o trail está

a despontar no nosso país, é preciso reflectir

que, depois de recebermos dois mundiais e de o

nível de exigência para com os nossos atletas,

associações e instituições organizadoras de

provas ter subido consideravelmente, já não é

possível afirmar que estamos apenas no início.

Com pouco já muito foi feito e mostrado. Está

na hora da nossa elite ser realmente elite, de

estar integrada num plano de alto rendimento e

ter efectivamente apoio para que possa fazer da

corrida por trilhos profissão, sob pena de o trail

ficar condenado a ser o parente pobre da corrida

e de existirem “atletas” e “corredores”. Ou então

é preciso assumir que o trail não pode fazer parte

do atletismo e procurar outros enquadramentos.

Parênteses à parte – porque somos humanos

e testemunhamos no exercer da nossa profissão

o esforço, a entrega, a dedicação, a coragem e

aquilo de que abdicam os nossos atletas para

fazerem “das tripas resultados” – voltemos às

emoções. Na linha da frente do Abutres 2019

Trail World Championships (pág. 38) houve

emoções que nos caíram literalmente “ao colo”.

Foi impossível suster as lágrimas ao cruzar

aquela meta, mas também ao captar um mundo

de sonhos através dos olhos daqueles bravos que

um dia ousaram sonhar ser campeões do mundo.

Não poderíamos terminar esta breve

apresentação dos destaques desta edição, sem

prestar homenagem aos atletas que defenderam

com tudo o que tinham o nome de Portugal entre

os melhores do mundo. André Rodrigues, Bruno

Coelho, Bruno Silva, Cristina Couceiro, Dário

Moitoso, Hélio Fumo, Inês Marques, Lucinda

Sousa, Luís Semedo, Mariana Machado, Marisa

Vieira, Paula Barbosa, Paula Soares, Romeu

Gouveia, Sara Brito, Sofia Roquete, Tiago Aires

e Tiago Romão parabéns pelos resultados, mas

sobretudo por não terem perdido a oportunidade

de retribuir o gesto de que quem vos apoiou.

Encontramo-nos nas corridas!

Fichatécnica

Editora/Redacção

Invesporte – Editora de

publicações, Lda.

NIPC 505500086

Rua Maria Pimentel

Montenegro n.º 5B

1500-439 Lisboa

Contactos: 215 914 293;

geral@invesporte.pt

Directora

Vanessa Pais

vanessa.pais@runningmag.pt

Redacção

Ana Filipe

anafilipe@invesporte.pt

Ana Rita Moura

anaritamoura@invesporte.pt

Carla Laureano

carlalaureano@invesporte.pt

Cátia Mogo

catiamogo@invesporte.pt

Design e paginação

Filipe Chambel

Colaborações

António Fernandes

Luís Lopes

Miguel Judas

Paulo Magalhães

Rute Barbedo

Apoio técnico e científico

Federação Portuguesa de

Atletismo

Associação de Trail Running

de Portugal

Fábio Bernardino

(chef Travel&Flavours)

Direcção comercial

Nuno Francisco

nunofrancisco@invesporte.pt

Assinaturas

Fernanda Teixeira

fernandateixeira@invesporte.pt

Depósito legal: 375188/14

N.º de registo na Entidade

Reguladora para a

Comunicação Social: 126496

Propriedade

Conteúdos Criativos, Lda.

NIPC 513019952

Travessa da Palma, N.º 14

2705-859 Terrugem, Sintra

geral@ccriativos.pt

Gerência da Conteúdos

Criativos, Lda.: Vanessa Pais

Composição do Capital da

Entidade Proprietária: 5000

euros. Detentores do capital:

Vanessa Pais (90%); Bruno

Pinto (10%).

Impressão

Monterreina

Área Empresarial Andalucia

28320 Pinto Madrid – Espanha

Tiragem: 40 mil exemplares

Estatuto editorial disponível

em www.runningmag.pt


5

#31

Julho

Agosto

Paulo Jorge Magalhães

CRÓNICA

06 Luís Lopes comenta

o “caso Semenya”

PRO RUNNERS

08 Novidades do alto rendimento

PRO RUNNERS – ÍCONE

10 Salomé Rocha à conquista

de medalhas internacionais

PRO RUNNERS – Entrevista

14 Edward Pingua Zakayo só quer

água potável para a sua aldeia

(+) RENDIMENTO

16 O que vale o V’O2max?

PARTIDAS

18 Night Runs com magia

METAS

22 A Autoeuropa abriu

as portas à corrida

TEST ZONE

24 Speedcross 5 e Suunto 9 à prova

TRABALHO DE EQUIPA

28 A “família” de Espinho faz

quatro anos

WELLNESS

30 Energia a circular para

o edema controlar

RECEITA

32 Biscoitos 4G

SHOPPING

36 Preparar a pele para o sol

TRAIL – METAS

38 Os melhores do mundo

em Portugal

44 O impacto do trail

por terras açorianas

TRAIL – PARTIDAS

45 Serra de Sintra

em modo X’treme

46 Rocha da Pena by Night

47 A Lagoa de Óbidos reinventada

TRAIL – LÁ FORA

48 Aventura pelo Atlas

marroquino

AGENDA

50 Próximas corridas

28

30

38


6 crónica

Jornalista

e comentador

de atletismo

O

folhetim de Caster Semenya, a sul-africana que tem

dominado o panorama dos 800 metros femininos a nível

mundial sem partilha, parece ainda longe do términus

e de permeio muito se diz e escreve sobre o assunto

a roçar o absurdo, para dizer o menos. A Federação

Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), que agora

mudou o nome para World Athletics, quis implementar uma nova

regulamentação no que respeita aos níveis de testosterona aceitáveis

para se poder competir no sector feminino nas distâncias até 1500

metros e milha, inclusive; mas decidiu vir a colocá-la em vigor

apenas após uma decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS)

sobre o assunto, já que os advogados de Caster Semenya tinham

preventivamente colocado a questão da análise e, esperavam,

ulterior declaração da ilegalidade dessa regulamentação.

Num tempo em que o politicamente correcto mais abjecto vem

dominando, e de completa confusão de conceitos e de valores,

acreditava, pessoalmente, que o TAS iria decidir declarar ilegal

a regulamentação proposta pela ainda então IAAF. Afinal não

foi assim e o mundo do atletismo, e porque não do desporto, terá

respirado de alívio, só que esse alívio foi temporário. Num rápido

recurso para um tribunal suíço, Semenya viu ser declarada uma

suspensão da nova regulamentação até posterior decisão do recurso

interposto contra a decisão do TAS.

Tudo isto gera uma situação muito complicada. Caster Semenya

tem evidentes vantagens sobre as mulheres contra as quais concorre

e por isso mostra-se insubmissa face à vontade de regulamentação

da IAAF. É evidente que, querendo manter-se nos 800 metros, o

tratamento a que terá de se submeter para fazer baixar os níveis de

testosterona muito provavelmente (como de resto já aconteceu no

passado) vai-lhe impedir triunfos, e isso é muito mau para ela do

ponto de vista pecuniário e desportivo.

A regulamentação proposta pala IAAF nem sequer é muito

radical, pois permitirá sempre a Semenya evoluir com os actuais

níveis de que lhe são naturais em distâncias iguais ou superiores

aos 3000 metros. Só que nessas ela já não ganharia, de perto ou de

longe...

Semenya fica ou vai?

E para onde vai o

desporto feminino?

Caster Semenya, para além da simpatia que possa merecer, sabe

melhor do que ninguém que tem vantagens naturais que impedem

uma competição com as suas adversárias. Ao que se sabe, possuirá

testículos recolhidos e não tem ovários. Para muitos, e não são lerdos

na matéria, Semenya é um homem, ponto. Só que nem nos juvenis

masculinos ganharia, e esse é o outro ”ponto”.

Se de facto fica sempre o problema crucial – de saber, então, em

que escalão poderia uma Semenya sem tratamento competir, a não

ser nas mulheres, já que nos homens seria uma atleta totalmente

irrelevante – há que contrapor outra questão: pode o conceito de

“justiça” induzir a que compita nas mulheres, injustiçando todas as

outras competidoras que não têm as suas vantagens, e vencendo-as

com desarmante facilidade? Muito se poderia discorrer sobre tudo

isto, com ética e direitos humanos metidos à mistura.

No entanto, não tenhamos ilusões. Se por acaso Semenya puder

continuar a competir nas mulheres sem limites, como tem feito no

passado (nem sempre, repete-se), este é mais um precedente que

pode significar o princípio do fim do desporto feminino enquanto

actividade autónoma e mensurável na base dos resultados obtidos. Se

um dia fosse criado um escalão único, teríamos os homens mais fortes

como vencedores, depois o escalão transsexual (e definir os padrões

deste seria complicado, claro) ficaria na parte baixa da classificação,

precedendo o feminino. Enfim, a não-regulamentação em função de

“valores superiores” pode significar o tiro de largada para o fim de

tudo – mas lá está, hoje em dia pode defender-se uma coisa e o seu

preciso contrário no mesmo plano.

Recorde-se o “caso Pistorius”

Lembram-se do caso Pistorius? Do “blade runner” foi dito por um

“painel independente” não ter vantagem sobre os corredores normais

dos 400 metros ao usar as suas próteses abaixo do joelho em vez

das pernas, que infelizmente lhe tiveram de ser amputadas enquanto

jovem, e por isso pode competir juntamente com os desportistas sem

deficiências. Mais tarde o dito painel independente veio a afirmar que

afinal foram detectadas algumas vantagens, mas já era tarde de mais.

Depena-se uma galinha como medida penal e lançam-se as penas

ao vento; depois é reconhecido o erro, e agora onde estarão as penas

todas para as “colocar no sítio”?

O que “valeu”, na altura, é que Pistorius era muito bom, mas não

a ponto de ganhar aos melhores e como disse o grande LaShawn

Merritt, campeão olímpico em 2018, “se começasse a ganhar, as

coisas seriam diferentes”.

Se as atletas dos 800 metros fizessem greve aos 800 metros

olímpicos estando Semenya presente, por exemplo, então como

ficaríamos? Gostava de ver os brilhantes argumentos de total desfoque

pronunciados por alguns (e normalmente são esses que são referidos

na imprensa, particularmente a “especializada” em desporto) sobre a

injustiça ou a ilegalidade, ou a iniquidade, ou a inibição das liberdades

fundamentais e do direito a competir (mas existe, porventura, algum

direito à alta competição, que é do que estamos a falar?), acerca das

regras que podem limitar Semenya.

Luciano Reis


publi-reportagem

Energia para vencer

GuronENERGY ® chegou cheio de vitalidade, pronto a subir ao lugar mais alto do pódio.

A

imagem escolhida pela JABA Recordati

para ilustrar este novo suplemento

alimentar foi a de uma chita, o animal

terrestre mais rápido do mundo.

Aconselhado para praticantes

regulares de desporto ou com actividade diária

fisicamente exigente, este produto apresenta

uma fórmula enriquecida com cafeína, taurina

e complexo vitamínico B, aos quais se juntam a

glucoronolactona e a vitamina C.

Já disponível no mercado português, pode

encontrar GuronENERGY ® em qualquer

farmácia e parafarmácia. Ao ser um suplemento

alimentar não precisa de receita médica e a

embalagem é fácil de transportar para qualquer

lugar, contendo 10 comprimidos efervescentes.

Idealizado para todos os que precisam

de uma dose extra (e rápida) de energia.

GuronENERGY ® promete revolucionar o

mercado dos produtos energéticos.

Fórmula com:

Taurina

Cafeína

Vitaminas

do complexo B

Vitamina C

Glucoronolactona

Aviso Legal: GuronENERGY® - Suplemento Alimentar. Ref. 149.2019


8 prorunners em competição

Mariana Machado

versus Mariana Machado

A júnior do Sporting Clube de Braga,

Mariana Machado, continua a dar

que falar por bater recorde atrás de

recorde. Desta fez foi no Meeting de

Huelva, que decorreu a 20 de Junho,

em Espanha, já que bateu pela terceira

vez o recorde nacional de juniores

nos 1500 metros, que já lhe pertencia,

fixando a marca em 4m10s61’ e

confirmando os mínimos para os

Europeus de Sub-20. Além da atleta do

Sporting Clube de Braga, destacaram-se

ainda a sportinguista Salomé Afonso

(4m11s62’), que bateu o seu recorde

pessoal na distância e confirmou a

marca para os Europeus de Sub-23; e

a benfiquista Patrícia Silva (4m15s75’),

que confirmou também a marca para

os Europeus de Sub-23.

Edward Zakayo vence

Meeting da Liga Diamante

O atleta queniano que é a mais

recente contratação do Sport Lisboa e

Benfica (SLB), Edward Pingua Zakayo

(ver pág.14), está imparável. A 15 de

Junho venceu o Meeting de Rabat da

Liga Diamante, em Marrocos, tendo

realizado os 5000 metros do percurso

em 13m11s49’. Zakayo deixou para trás

Solomon Berihu, da Etiópia (2.º lugar),

e Soufiyan Bouqantar, de Marrocos (3.º

lugar), no entanto esta não foi a melhor

marca do actual Campeão do Mundo

de Sub-20 na distância. A 6 de Junho, na

Golden Gala - Pietro Mennea, em Roma,

o atleta de apenas 17 anos percorreu

os 5000 metros em 13m03s19’,

classificando-se no 7.º lugar.

Carlos Nascimento conquista o ouro em Minsk

Ao terceiro dia dos Jogos Europeus de Minsk, que decorrem de 21 a 29 de Junho, na

Bielorrússia, Carlos Nascimento arrecadou para Portugal a primeira medalha de ouro

no certame, nos 100 metros, ao correr a distância em 10s35’. De acordo com as novas

regras que esta competição apresenta ao atletismo, conhecidas por Dynamic New

Athletics (DNA, Novo Atletismo Dinâmico, numa tradução livre), o ouro foi atribuído

por ter sido o atleta que correu mais rápido das quatro séries de seis equipas.

Mas a medalha não veio só. A estafeta lusa mista que disputou os 4x400 metros

constituída por Ricardo dos Santos, Cátia Azevedo, João Coelho e Rivinilda Mentai

alcançou o bronze no mesmo dia, com a marca de 3m19s63’. Portugal terminou a sua

participação no atletismo nestes Jogos em 7.º lugar entre 24 nações.

Cortesia FPA

Benfica é campeão

nacional absoluto de

atletismo em esperanças

Realizou-se a 22 e 23 de Junho, em

Vagos, o Campeonato Nacional de

Atletismo de Esperanças. O SLB

sagrou-se campeão em masculinos

(com 208,5 pontos) e femininos (161

pontos). A formação do Sporting Clube

de Portugal (SCP) classificou-se em

segundo lugar em masculinos (185

pontos) e femininos (154 pontos). Ao

terceiro lugar do pódio subiu a equipa

da Juventude Vidigalense, também em

masculinos (39 pontos) e femininos (71

pontos). Individualmente a competição

ficou marcada pelos vários atletas a

alcançarem e a confirmarem mínimos

para os campeonatos europeus de

Sub-20 e de Sub-23, com os 3000

metros obstáculos em destaque no

primeiro dia e as provas de velocidade

no segundo.

IAAF muda de nome e de logótipo

A International Association of Athletics Federations

(IAAF) revelou a 8 de Junho as alterações aprovadas

à sua identidade – nome e logótipo – numa reunião

do Conselho realizada no Mónaco. De acordo com o

comunicado enviado por esta entidade às redacções, a

alteração do logótipo e do nome para “World Athletics”

pretende dar uma cara mais moderna, criativa e positiva

ao desporto, aproximando a IAAF do público. A nova

identidade começará a ser lançada em Outubro após o

Campeonato Mundial de Atletismo, que se realiza em

Setembro, em Doha, e após a aprovação do Congresso

da mudança para o nome legal da Federação.

Cortesia FPA

A fechar

Rui Pinto e Susana Costa

vencem no Meeting

Elite de Montgeron

A 25 de Junho o atleta Rui Pinto, do SLB, venceu destacado os 3000 metros do Meeting Elite de Montgeron,

em França. O atleta percorreu a distância em 8m04s46’ e levou a melhor sobre Michael Somers (8m05s27’) e

Riad Guerfi (8m18s70’). Também no triplo-salto, Susana Costa alcançou o primeiro lugar do pódio. A atleta

da Academia Fernanda Ribeiro saltou 13,95 metros.


10 prorunners ícone

Orgulho-me

representar

muito de

Portugal

salomé rocha

vanessapais

Paulo JorgeMagalhães


11

Dos tempos em que corria por 5% a mais na nota de Educação Física, um par de meias e uma

medalha, ficaram as boas recordações e as amizades para a vida. Mais de uma década depois da

primeira competição, Carla Salomé Rocha está com um pé no Campeonato do Mundo e o outro

nos seus segundos Jogos Olímpicos. Na bagagem leva uma mão cheia de sonhos e dificuldades

ultrapassadas com a força de dois treinadores e de uma família incansáveis. Mas acima de tudo,

garantiu à RUNning, leva o orgulho imenso de representar Portugal.

Para que não restem dúvidas, preferes que te

chamem Carla ou Salomé?

[Risos] Prefiro Salomé. Carla só a minha mãe

é que me chama. Quando entrei para o atletismo já

havia uma Carla e então ficou Salomé, mas depois,

por questões burocráticas, voltámos ao Carla

Salomé Rocha.

Como é que a Salomé conheceu a corrida?

No Desporto Escolar, como quase toda a gente.

Comecei a fazer os corta-matos em busca daqueles

5% a mais que se ganhavam na nota de Educação

Física, mas depois um dos meus treinadores (tenho

dois, o Sr. [Amâncio] Santos e o Rui Ferreira, pai e

filho) viu-me e pediu a outra atleta que já treinava

para me convidar para ir aos treinos do [Futebol

Clube] Vizela (FCV). Tive de convencer a minha

mãe, porque como já tinha acompanhado a carreira

do meu pai no futebol [atleta do FCV, que ficou

conhecido como Rochinha] não queria nenhum

dos filhos ligado profissionalmente ao desporto. De

tal forma que o meu irmão queria ir para o futebol

e a minha mãe colocou-o no Karaté [risos]. Mas

o meu irmão acabou por ir para o futebol [hoje é

jogador profissional em Itália] e eu aproveitei a

oportunidade para ir experimentar o atletismo.

Como é que foi essa experiência?

Quando fui para o Vizela gostei muito do

ambiente. Era um escape dos estudos. Mas não

queria competir, por isso, nunca ia aos treinos de

quinta-feira, porque era aí que se decidia quem ia

participar nas provas.

Como é que resolveste isso?

O meu treinador foi-me buscar a casa [risos]. Num

Sábado deu-se ao trabalho de procurar a minha casa

e disse-me para estar às 7h00 no Areias. Claro que eu

disse logo que não tinha ido ao treino na quinta-feira,

mas desvalorizou e lá fui eu.

Que tal correu essa primeira prova?

Foi uma prova em Tregosa de 3000 metros. Nunca

mais me esqueço. Tinha 15 anos. Quando entrei

para o atletismo disse que queria fazer apenas os

100 e os 200 metros, para terminar rápido. Mas

a primeira prova que fiz foi logo das mais longas

do calendário. Cheguei ao fim em quinto lugar,

ganhei um par de meias e uma medalha, mas disse

que nunca mais queria fazer tal distância. No final

dessa época o treinador pôs-me a fazer os 80 e os

300 metros, porque eu não parava de o chatear para

fazer provas curtas. Ao fim da primeira disse-lhe

que afinal já não queria provas rápidas [risos].

Em 2010 chegou a primeira oportunidade de

assinares contrato com um grande clube, mas

foste apanhada no meio de diferendos entre o

Futebol Cube do Porto (FCP) e a Federação

Portuguesa de Atletismo (FPA). Como é que foi

essa história?

Assinei o contrato com o FCP, mas a inscrição

nunca foi feita devido às questões entre o clube e

a FPA a propósito das atletas estrangeiras. Então

tivemos de negociar com o FCP para que me

deixasse competir como individual ou então que me

permitisse ir para outro clube. Isto se não quisessem

honrar o contrato e deixar-me correr sozinha pelo

clube. Como surgiu a oportunidade de ir para a

Juventude Operária de Monte Abrão (JOMA)

questionámos o FCP se poderia liberar-me. Eles

aceitaram e assinei pela JOMA.

Depois veio o Sporting Clube de Portugal

(SCP), o Sport Lisboa e Benfica (SLB) e

novamente o Sporting. Apesar disso, nunca

saíste de Vizela. Foi um alívio para a tua mãe?

Continuei cá pelos meus treinadores e todos os

meus contratos incluem essa cláusula de que

continuo a ser treinada por eles. Sou muito chegada

à minha mãe e ter de sair debaixo da sua “asa” é

difícil. Como tenho resultados aqui, não há essa

necessidade. Quanto aos clubes, gostei de todos.

O que sempre norteou a escolha foi o projecto.

Por isso, fui para o Benfica em 2015, porque tinha

um plano bastante interessante, mas o Sporting

fez-me uma proposta para um desafio ainda mais

aliciante. Gosto muito de estar no clube. Somos

muito unidas e lutamos sempre juntas, nacional e

internacionalmente.

Em 2016 veio a primeira experiência olímpica

nos Jogos do Rio de Janeiro. O que é que

recordas com mais carinho dessa altura?

O início, quando “andávamos atrás dos mínimos”.

A primeira vez que tentei fiquei a oito segundos,

no Troféu Ibérico. Entretanto o meu treinador

encontrou uma prova de 10 000 metros em

Londres e foi lá que fiz os mínimos. Quando

terminei, olhei para o relógio e vi 32m06s e

pensei: “Isto são mínimos olímpicos.” Mas fiquei

em choque e só quando vi o meu treinador é que

O único ídolo

que tenho na vida

é a minha mãe

Carla Salomé

Rocha

25 de Abril de 1991

Natural de Vizela

Sporting Clube

de Portugal

[Representar

Portugal] sempre

foi a nossa

prioridade, nem

que seja preciso

pagar do nosso

bolso


12 prorunners ícone

Gosto de estar

no Sporting. Somos

muito unidas e

lutamos sempre

juntas nacional e

internacionalmente

me caiu “a ficha”. Quando ele me disse “está feito”,

ficámos eufóricos.

É difícil controlar a emoção de competir nos

Jogos Olímpicos?

Sim, claro. Mas tentei pensar que era uma prova

como outra qualquer para não perder o foco. Tive

a sorte de ser das primeiras a entrar em acção. Só

quando terminei é que me deixei levar por alguma

euforia, afinal estava num Estádio Olímpico. A

minha questão era que só se terminasse a prova é

que, no meu entender, poderia considerar-me atleta

olímpica. Fiquei a 22 centésimos do meu recorde

pessoal e isso foi a confirmação de que cumpri.

Depois aproveitei para ver grandes atletas como o

Fernando Pimenta, o Emanuel Silva, o João Ribeiro

e ainda o Michael Phelps, a Tirunesh Dibaba ou o

Usain Bolt. Foi uma experiência única.

São os teus ídolos no desporto?

Admiro-os muito, sim, tal como a Mary Keithon ou

o Eliud Kipchoge, porque trabalham muito e vivem

para isto. Isso faz-nos pensar que se trabalharmos

bastante é possível. Mas o único ídolo que tenho

na vida é a minha mãe. Nunca vi ninguém como

ela. Chegou a ter três empregos para manter a casa,

porque o meu pai ficou desempregado quando eu

frequentava a faculdade e o meu irmão também

estava a estudar, por isso, foi a minha mãe que nos

salvou. Saía de casa às 6h00 e chegava às 23h00.

Via-a apenas ao fim-de-semana [emociona-se]. Se

um dia for metade do que ela é já vou ser muito

bem-sucedida.

É à família que te “agarras” nos momentos

difíceis?

À família e aos meus treinadores. Se não fosse por

eles já tinha desistido, principalmente nas alturas

em que me deparei com lesões complicadas.

Muitas vezes disse que já chegava, porque na

realidade tenho uma licenciatura em Ciências do

Desporto, por isso, tenho sempre algo a que me

“agarrar”. E se tiver de trabalhar na confecção,

como a minha mãe, não tenho problema nenhum

com isso. Já o fiz nas férias de Verão, quando

estava a estudar, e voltarei a fazê-lo se necessário.

Destaques de carreira

Bi-campeã nacional juvenil e recordista nacional

dos 2000 metros obstáculos (2006 e 2007)

Campeã nacional juvenil nos 800 metros (2007),

campeã nacional júnior nos 3000 metros (2007 e

2008) e bi-campeã nos 3000 metros obstáculos

(2008 e 2009)

Vice-campeã nacional de corta-mato em juvenis

e juniores (2007 e 2008)

Campeã nacional de sub-23 de corta-mato (2009)

Campeã de Portugal de sub-23 nos 3000 metros

(2010 e 2012) e vice-campeã em 2011, tricampeã

nos 3000 metros obstáculos (2010, 2011 e 2012),

campeã nos 1500 metros, 3000 metros em pista

coberta e no Crosse Curto (2010)

Tricampeã nacional no crosse curto (2012, 2013

e 2014)

Campeã de Portugal de 5000 metros e 3000 metros

obstáculos (2013)

Vencedora do Troféu Ibérico dos 10 000 metros (2013)

Vice-campeã nos 5000 metros e nos 3000 metros

da Taça dos Clubes Campeões Europeus de

Atletismo (2014)

Campeã de Portugal dos 5000 em 2016 e bi-campeã

nos 10 000 metros em 2016 e 2017

26.ª nos 10 000 metros dos Jogos Olímpicos

do Rio de Janeiro em 2016

2h24m47s à maratona, marca alcançada em

Londres, em 2019, sendo a terceira melhor marca

nacional na distância

Atleta Europeia do mês de Abril distinguida pela

European Athletics


13

Mas depois com o apoio do meu treinador, da

minha mãe e até do meu irmão (que dizia que

ia trabalhar ao fim-de-semana se fosse preciso)

acabava por conseguir ultrapassar. Mas chorava

muito. No colo da minha mãe e ao telefone com

o Rui. Às vezes ligava-lhe só para chorar e ele

ouvia-me sempre. A minha mãe tem sempre

uma palavra de força e diz que está cá para tudo.

Depois sei que vira costas e chora também. Custa-

-me muito. Mas mesmo com estas dificuldades,

orgulho-me muito de representar Portugal, e

isso sempre foi a nossa prioridade, nem que seja

preciso pagar do nosso bolso. É o meu país e

treino para representá-lo o melhor que sei.

As principais dificuldades são as financeiras?

É tudo. Os atletas só começam a ter algum apoio

quando integram o Projecto Olímpico, mas é até

lá que surgem as maiores dificuldades. E depois é

tudo muito burocrático. Por exemplo, tenho direito,

além da bolsa, a fisioterapia e apoio médico, mas

se me lesiono e preciso de fazer uma ressonância

magnética, como já aconteceu, tenho de conseguir

fazê-la imediatamente, para não comprometer mais

os treinos, e se estiver a preencher requerimentos

e à espera que marquem, não é possível. Por isso,

acabo por pagar tudo e é nisto que se gasta o

dinheiro da bolsa e mais algum…

Os tempos mais difíceis foram os da Faculdade?

Sem dúvida. Levantava-me às cinco horas e

deitava-me à meia-noite todos os dias. Nos

primeiros dois meses custou-me muito a entrar no

ritmo e o meu treinador tinha de adaptar o plano

de treino ao horário. Lembro-me que o Rui vinha

de propósito a Vizela à quarta-feira às 15h00

treinar-me [emociona-se]. Ele dava treino aos

meus colegas à terça-feira à noite e à quinta-feira

de manhã, mas vinha novamente às quartas de

propósito. Estávamos os dois sozinhos naquele

estádio. Nunca treinei sozinha. Ele esteve sempre

lá, tal como o Sr. Santos. É a eles que devo a

minha carreira, sem sombra de dúvida. Custa-me

muito pensar nos sacrifícios que fazem. O Rui

tem um trabalho e utiliza as suas férias para me

acompanhar. Isso é impagável [emociona-se].

Mas depois há o reverso da medalha. Este ano

em 2h24m47s atingiste dois objectivos. O que é

que se sente e o que é que se segue?

Na teoria foi isso. Espero que seja suficiente para

estar nos Jogos Olímpicos de Tóquio, embora tenha

a noção de que estamos num país de excelentes

maratonistas. Agora vou tentar fazer marca de

qualificação para os 10 000 metros e só depois

disso é que decido em que distância é melhor

competir no Campeonato do Mundo, em Setembro.

Tendo em conta o local [Doha, Qatar] e o horário

[a maratona parte à meia-noite], vai ser necessária

uma grande adaptação e mesmo assim vai ser muito

desgastante. Tendo em conta que os Jogos são já

A força do

“running”

Tal como outros atletas de alto rendimento, Salomé Rocha está associada a um projecto

de assessoria desportiva criado pelo seu treinador Rui Ferreira. “Running Force” é o

nome dessa iniciativa que, além de gerir a sua carreira desportiva e de outras atletas,

como Sara Catrina Ribeiro, apoia praticantes da modalidade, na sua maioria recreativos

– da estrada ao trail, sem esquecer o triatlo, o ironman ou o OCR – a atingirem os seus

objectivos. “Trata-se de uma forma de colocar em prática os conhecimentos da minha

licenciatura, sendo como que uma ‘rede’ para quando terminar a minha carreira ter uma

opção profissional”, explica Salomé Rocha. Existem vários “packs” de apoio, sendo que

todas as condições podem ser consultadas em runningforce.pt.

para o ano, temos de ponderar, mas claro que não

descartamos a hipótese da maratona e os treinos

estão a ser feitos com base nisso.

Fazer uma marca abaixo das 2h23m29s na

maratona significaria o quê para ti?

Recorde nacional [risos]. Não é fácil. A verdade é

que por já ter chegado às 2h24m, não quer dizer que

vá fazer melhor, mas também não quer dizer que não

seja possível. O meu foco é melhorar e aprender.

Que sonhos estão por cumprir?

Uma medalha olímpica, claro. O meu objectivo é

conseguir medalhas internacionais para o meu país.

Daqui a muitos anos como é que gostavas que

se lembrassem de ti?

Gostava que se lembrassem, pelo menos, que

existia uma Salomé no mundo do atletismo e que

cada vez que representava o seu país estava lá de

corpo e alma.

É aos meus

treinadores que

devo a minha

carreira, sem

sombra de

dúvida


14 prorunners entrevista

Edward Pingua Zakayo

O atletismo melhorou

a minha vida

vanessapais

Na vida de Edward Pingua Zakayo há sonhos – os Campeonatos do Mundo de Atletismo e os Jogos

Olímpicos – e há planos – ajudar a família e a sua comunidade no Quénia. E há o Sport Lisboa e

Benfica (SLB), que o recordista mundial sub-20 de 5000 metros, em entrevista à RUNning, garante

que lhe tem mostrado que, com humildade, não há sonhos nem planos impossíveis.

Quando procuramos saber mais sobre

Edward Pingua Zakayo, não é apenas um

início de carreira repleto de títulos que nos

surge na pesquisa, mas afirmações como: “Quero

tirar a minha mãe da pobreza e financiar os meus

estudos”. Queres partilhar um pouco da tua

história?

Nasci em Narok, no Quénia, numa família

monoparental. Não sei quem é o meu pai. A minha

mãe sempre lutou para alimentar os oito filhos,

quatro dos quais gémeos. Apesar de termos casa,

era difícil. No início tínhamos a ajuda da minha avó,

também ela com quatro filhas, e sempre me disse que

quando eu crescesse tinha de tomar conta da minha

mãe, porque era essa a tradição. Assim, em 2015,

perante a luta da minha mãe para nos conseguir


15

alimentar, vestir, calçar, enviar para a escola,

comecei a correr, porque havia tanta gente no Quénia

que conseguia uma vida melhor no atletismo… Em

2017 qualifiquei-me para o Campeonato do Mundo

Sub-18, em Nairobi, e comecei a ter algumas pessoas

a apoiarem-me. A minha vida começou nessa altura.

Quando disseste à tua mãe que querias ser um

atleta profissional, o que é que ela te disse?

Perguntou-me se estava maluco [risos]. Quando

comecei a correr não tinha estruturas de apoio

nem equipamento (conseguia improvisar algum

amortecimento com pneus, por exemplo). Corria à

volta de casa antes de toda a gente acordar, porque

também há muitos animais selvagens e não podia

afastar-me. Mas a minha mãe acabava por acordar e

queria bater-me [risos]. Os meus vizinhos também

iam ter com a minha mãe e diziam-lhe que tinha

de me levar ao médico [risos]. Na escola comecei

a competir a nível regional e depois nacional e só

quando me viram na televisão é que começaram a

acreditar. Depois disso, quando me encontravam,

tocavam-me para ver se era real, principalmente

quando comecei a aparecer com o equipamento da

selecção.

Lembras-te do momento em que acreditaste que

ias conseguir ter uma carreira profissional no

atletismo?

Sim. Foi quando fui representar, em 2017, a minha

escola [Kapsait Athletics Secondary School, a escola

de talentos da Nike] nos campeonatos nacionais.

Corri e caí duas vezes e depois consegui ir subindo

até ao segundo lugar. Nessa altura pensei: “Sim, vou

conseguir ser atleta, com humildade vou conseguir.”

Quando comecei em 2015/16 tinha o sonho de

participar em campeonatos mundiais, nos Jogos

Olímpicos e agora estou a três meses disso realmente

acontecer. É o meu sonho.

Qual a importância da assinatura do contrato,

em 2018, com o Benfica na concretização desse

sonho?

Em primeiro lugar estar num país como Portugal

é como que um milagre, porque há poucos anos

perguntava-me: “Como é que vou crescer?”

Quando assinei o contrato com o Benfica as coisas

começaram a mudar e agora sei que, passo a passo,

com humildade, vou conseguir.

Como é que a tua família e a comunidade

reagiram a esta tua conquista?

Eles não têm muita noção. Sabem que venho para o

estrangeiro, mas não onde fica Lisboa ou o que é o

SLB. Apenas quando vêem o equipamento percebem

que é algo grande e quando mostro algumas imagens

no telemóvel é que perguntam se é aqui que eu estou.

Toda a gente quer o equipamento, até a minha mãe

[risos]! No outro dia deram-me uma bola para levar

para casa e foi maravilhoso. Todos a queriam e eu

disse-lhes que era do Benfica, do meu clube.

A tua carreira no clube não poderia ter

começado melhor, com vitórias em quase todas as

competições. Nos Campeonatos Africanos Sub-20,

um dos principais objectivos desta época, não

só venceste os 5000 metros como estabeleceste

um novo recorde mundial. Agora que estás a

caminho do sonho dos Campeonatos do Mundo

de Atletismo, em Doha, no Qatar, quais são as

tuas expectativas?

Ainda estou a traçar o plano com o Benfica. Antes

disso espero cumprir o treino e garantir que consigo

mostrar do que sou capaz. Tenho o meu recorde,

mas sei que consigo fazer melhor [Já depois desta

entrevista, Edward Zakayo estabeleceu um novo

recorde pessoal nos 5000 metros (13m03s19’)

da Golden Gala - Pietro Mennea, a 6 de Junho,

em Roma, e venceu o Meeting de Rabat da Liga

Diamante, a 15 de Junho].

A par do atletismo, a formação é uma das tuas

prioridades. Como é que consegues gerir os

dois mundos?

Começo por respeitar os professores, sigo as

suas instruções e ensinamentos e tenho de

estar comprometido e empenhado com o que

me propõem. Na escola podem pensar que sou

diferente porque tenho dinheiro, um contrato com

a Nike e outro com o Benfica, mas não, continuo

a ser humilde, independentemente do dinheiro e

dos contratos, e sigo o que me dizem tal como

qualquer outro aluno. Assim, acordo às cinco

horas e vou para as aulas. Depois vou treinar e à

tarde volto a ter aulas até ao final do dia, altura em

que faço o segundo treino. Depois janto e às nove

horas estou na cama. É sempre assim. É difícil,

mas acredito que, com humildade, é possível.

De que forma é que o atletismo já mudou a

tua vida?

A primeira coisa que o atletismo mudou na

minha vida foi ter a possibilidade de prosseguir

os estudos e de garantir que os meus irmãos o

poderiam fazer também. Hoje quando acordam só

têm de se preocupar em ir para a escola e voltar

ao final do dia. Não têm de se preocupar se há

comida. Ainda não consegui garantir àgua potável

para a minha aldeia, mas já consegui melhorar

o telhado de casa, que agora é feito de tijolo. O

atletismo melhorou muito a minha vida.

Que planos fazes para o futuro?

Em primeiro lugar quero terminar a minha

formação. Depois quero vir viver para Portugal,

por isso, rezo para conseguir a cidadania para

poder construir a minha carreira e continuar a

ajudar a minha família e a minha comunidade

no Quénia, que continua sem água potável, com

muitas situações de miséria e de doença. Esse

é o meu grande plano, o de resgatar a minha

comunidade de uma vida dolorosa através deste

meu talento.

Edward

Pingua Zakayo

25 de Novembro de

2001

Narok, Quénia

Sport Lisboa e Benfica

Principais conquistas

Campeão do Mundo

Sub-18 de 3000 metros

(7m49s17’), a 16 de Julho

de 2017, em Nairobi,

Quénia

Terceiro lugar nos 5000

metros (13m54s06’) nos

Commonwealth Games,

a 8 de Abril de 2018, na

Costa Dourada, Austrália

Campeão do Mundo

Sub-20 de 5000 metros

(13m20s16’) a 14 de

Julho de 2018, em

Tempere, na Finlândia

Vencedor dos 5000

metros (13m20s16’) nos

Campeonatos Africanos,

a 5 de Agosto de 2018, em

Asaba, na Nigéria

Campeão do Mundo

Sub-20 de 5000 metros

(13m13s06’), com

recorde do mundo, a

19 de Abril de 2019, em

Abidjan, na Costa do

Marfim

Vencedor dos 3000 e

dos 5000 metros nos

European Cross Country

Championships, a 25

de Maio de 2019, em

Castellón, Espanha

Sétimo lugar nos 5000

metros, com recorde

pessoal (13m03s19’),

na Golden Gala - Pietro

Mennea, a 6 de Junho,

em Roma

Vencedor dos 5000

metros no Meeting

International

Mohammed VI

D’Athletisme de Rabat

da Liga Diamante, a 15

de Junho de 2019, em

Marrocos


16 (+)rendimento

Na escadaria do

Rutebarbedo

Não há um botão que permita colocar este volume no máximo. Na corrida, principalmente de

resistência, melhorar o consumo máximo do oxigénio (V’O2max) implica muita obstinação e

treino específico. Mas, atenção: este indicador não diz tudo sobre o desempenho de um atleta.

No topo da sua forma física, o rei da

velocidade, Usain Bolt, registava

um V’O2max (V’ designa o volume

na unidade de tempo, O2 o oxigénio

consumido e “max” abrevia a

palavra “máximo”) de 88,2 ml/min-1 kg-1 1 . Um

valor que impõe respeito na escala da utilização

de oxigénio por unidade de tempo. Para se ter

uma ideia, os especialistas consideram que,

no plano masculino, tudo o que figure acima

da barreira das 50 unidades pertence a um

nível “superior”. Ainda assim, Bolt não detém

o recorde mundial neste capítulo – ele é do

ciclista Oskar Svendsen, que atingiu 97,5 de

V’O2max em 2012 – e nem sequer chega aos

calcanhares, por exemplo, do ultramaratonista

Kilian Jornet (92,0). No plano feminino, a

capacidade de utilização do oxigénio é inferior,

mas há uma portuguesa na lista das melhores

do mundo. Chama-se Rosa Mota, a mulher que

trouxe o ouro olímpico de Seul, em 1988, e que

atingiu 67,22 de V’O2max.

Mas quanto conta esta variável? Segundo João

Beckert, médico do Centro de Alto Rendimento

do Jamor, o V’O2max é “um parâmetro

importante nos desportos de resistência,

como o meio fundo e mesmo na velocidade

prolongada”. Já “nas disciplinas de potência,

velocidade, nos desportos de combate, nos

desportos de raquete, nas actividades gímnicas

e nos desportos intermitentes, a resistência é

considerada condicionante, não determinante,

pelo que o parâmetro V’O2max também é menos

importante”, contrabalança o especialista.


17

Como aumentar o volume?

“Nos métodos contínuos, o aumento do V’O2 máximo pode ser obtido com

actividades de carácter contínuo uniforme (12 a 20 minutos, a frequências

cardíacas aproximadamente de 170 batimentos por minuto (bpm)) ou contínuo

variável (12 minutos a duas horas, com frequências cardíacas entre os 145 e os 170

bpm).

Nos métodos intervalados é necessário planear a relação entre o tempo em exercício

e o tempo em repouso. Uma das formas mais típicas de treinar para o V’O2max é com

exercício de dois a cinco minutos, com uma pausa de duração idêntica. Quando se

planeiam repetições dos exercícios com duração inferior a dois minutos, a pausa entre

cada repetição tem de ser curta (cinco a 45 segundos).

O treino evolui com a manipulação de intensidade, a duração de exercício, o

encurtamento da pausa entre repetições e mesmo pela alteração da pausa entre

séries de repetições, o que reforça a vantagem de o treino ser prescrito por treinadores

competentes”, explica o médico do Centro de Alto Rendimento do Jamor.

Portanto, é simplista estabelecer uma

relação directa entre o nível de V’O2max e a

performance desportiva. Como explica Beckert,

“o rendimento nos desportos de resistência

depende de outros factores”. “Atletas de elite

com menor V’O2max podem apresentar melhor

economia de esforço ou maior rapidez de

adaptação a mudanças de ritmo”, constituindo

estas características vantagens no terreno. Têm

surgido, inclusive, investigações que sublinham

a “falácia do V’O2max”, expressão usada por

Steve Magness, treinador de atletas olímpicos e

autor do livro “Peak Performance”, denunciando

a eventual fragilidade de um indicador “limitado

aos sistemas respiratório e circulatório”, bem

como o facto de esta ser uma variável que “não

muda em atletas bem treinados e pouco muda em

atletas moderadamente treinados”.

Treino pode elevar valores em 15%

Ainda assim, o V’O2max continua a servir,

desde a primeira metade do século passado,

como referência, pelo que muito do treino em

Asoggetti

atletismo considera-o um dos indicadores-base

para a melhoria do desempenho. Na prática,

“quando o atleta aumenta a velocidade de corrida

ou a potência de pedalar em actividades de

duração superior a dois a três minutos, admite-se

que tenha aumentado o seu V’O2max. Quando,

à mesma velocidade de corrida ou potência de

pedalar, o atleta diminui a frequência cardíaca,

considera-se que está a melhorar a tolerância

ao esforço”, explica João Beckert. E embora

esta capacidade tenha “uma forte determinante

genética”, será possível obter melhorias de cerca

de 15% do V’O2max com treino. Interessa,

portanto, desenhar cada sessão “prestando

atenção aos parâmetros de desempenho

(velocidade de corrida, potência do pedalar, por

exemplo) e à sua relação com os indicadores da

resposta fisiológica como a frequência cardíaca

e o ritmo respiratório”. Ao mesmo tempo, “as

escalas subjectivas de percepção de esforço são

igualmente úteis”, acrescenta o perito.

Também no contexto amador, o praticante

de desporto tem a possibilidade de melhorar o

seu V’O2max. “Para o indivíduo sedentário”,

exemplifica Beckert, “o simples aumento do

nível de actividade física pode ser suficiente

para aumentar a tolerância à fadiga e a

utilização de oxigénio”.

Ainda que não meçam o volume de oxigénio

directamente, alguns relógios de corrida

“utilizam parâmetros para estimar este valor,

como o registo da frequência cardíaca, o peso, a

idade e o género”, entre outros dados, esclarece

João Beckert. Mas “a fiabilidade destas medições

depende do valor científico subjacente a cada

simulador, da qualidade da recolha do sinal e do

cumprimento das recomendações dadas pelos

fabricantes para recolha da informação”.

Para obter certezas, devem realizar-se testes

de terreno, “utilizando o desempenho como

parâmetro fundamental, complementado pelo

registo da frequência cardíaca” ou recorrer a

centros especializados para realizar as “provas

de esforço com análise de gases”, no alto

rendimento ou noutros casos especiais.

será possível

obter melhorias

de cerca de 15%

do V’O2max com

treino

1. Por convenção, esta taxa de

utilização do oxigénio – o V’O2max –

é expressa em mililitros de oxigénio

por minuto (ml/min-1). Mas para

comparar atletas com diferentes

pesos, é conveniente expressar

estes valores em relação ao peso

corporal. Assim, o V’O2max relativo

é expresso em ml/min-1 kg-1.

2. Valores de acordo com a Topend

Sports Network.


18 partidas

“Quando cai a noite na cidade...”

… há sempre uma Night Run para evitar correr ao calor. Sugerimos-lhe cinco que prometem magia.

anafilipe

Montalegre Night Running

Este ano a Associação Desporto

Aquae Flaviae (ADAF) vai levar o

conceito “Night Run” também à vila de

Montalegre, realizando a sua primeira

edição a 17 de Agosto. Haverá uma

corrida de 10 km e uma caminhada de

5 km, durante as quais os participantes

poderão disfrutar dos cenários naturais

e patrimoniais da localidade, conhecida

pelo seu misticismo e, onde não

vai faltar a bênção do Padre Fontes

com a hidratação da tão conhecida

“queimada”. As inscrições já se encontram

a decorrer (www.adaf.pt) e existem

pacotes, com preços mais acessíveis,

para quem optar por participar também

na Aquae Flaviae Night Run.

Pinhal Novo Night Run

No concelho de Palmela, a 13 de Julho,

é a vez da “Pinhal Novo Night Run”. A

corrida será de 8 km, com saída prevista

para as 21h30 da Escola Básica Alberto

Valente, e a caminhada, de 4 km, cinco

minutos depois.

O Kit Participante inclui: t-shirt

técnica; saco/mochila, dorsal, chip

(10 km) e medalha “finisher”. Os três

primeiros classificados receberão

troféus. A organização está a cargo

da Xistarca e as inscrições podem ser

realizadas em xistarca.pt.

Fotovideo STOP

Aquae Flaviae Night Running

Pelo quinto ano, esta corrida promete encher as

ruas de Chaves, associando o desporto à cultura

e aos costumes da cidade. Marcado para 13 de

Julho, o evento inclui uma corrida de 13 km e uma

caminhada de 7 km. Em 2018 participaram mais

de 1200 atletas, oriundos de diversas regiões do

país, mas também da vizinha Espanha. Este ano,

a organização, uma vez mais a cargo da ADAF,

espera que os números aumentem. “Pretendemos

transmitir a cada atleta os cenários naturais e

patrimoniais da cidade de Chaves, num ambiente

diferente, à luz da lua, numa prova dita “night

run”, onde poderão correr com um simbolismo

diferente do habitual. Passando pelos principais

pontos históricos da cidade de Chaves, a correr ou

a caminhar, os atletas poderão descobrir a Ponte

Romana e o Castelo, passando pelas Poldras e

pelas Termas. Será uma prova desportiva com um

sabor medieval e romano”, descreve a organização.

Inscrições em www.adaf.pt, com direito ao

tradicional Pastel de Chaves.

Corrida Noturna

da Costa da Caparica

Também com o cunho organizativo

da Xistarca decorre a 20 de Julho a 4.ª

edição da Corrida Noturna da Costa

da Caparica, no Paredão da Caparica,

junto à Praia do Tarquínio, com 10 km

de corrida (partida às 21h30) e 5 km

de caminhada (21h35). O primeiro

quilómetro será realizado em alcatrão e

o restante percurso na areia. As crianças

também terão uma prova de 500 metros

(21h00).

Como este é um evento ecológico,

a organização deixa algumas dicas:

levantar o dorsal em formato

electrónico (smartphone/tablet);

trazer um saco reutilizável para o kit;

levar uma garrafa de água e rejeitar

a dos abastecimentos; depositar o

lixo nos caixotes; procurar um amigo

que também vá à prova e deslocar-se

apenas num carro ou de transportes

públicos. Durante a corrida haverá

pontos de água da rede pública

disponíveis para o reabastecimento e

no abastecimento final será entregue

apenas uma garrafa por atleta. Não

estranhe os sacos amarelos espalhados,

pois servem de ecoponto para as

garrafas de água, para que estas sigam

para a reciclagem. Mais informações e

inscrições em www.xistarca.pt.

EDP Corrida do Parque à Noite 2019

Cortesia da Runporto

Também a Norte, mas na cidade do Porto, a 27 de Julho, às 21h30, dá-se o tiro de partida para a “EDP

Corrida do Parque à Noite 2019”, com uma distância de 8 km. O evento realiza-se no Parque da Cidade

do Porto e a partida promete ser um dos momentos altos do evento: o Parque irá ficar na escuridão total,

apenas iluminado pelos efeitos de luz criados pela organização, bem como pelas lanternas incluídas nos

kits de participação. O tema desta 6.ª edição são os super-heróis e os participantes estão convidados a

vestir os seus “fatos especiais”.

Com organização da Runporto, “esta nova corrida vem ocupar um espaço em aberto como uma

corrida nocturna de referência. Mais de 80% dos praticantes fazem o seu treino ao final do dia, muitas

vezes preparando-se para corridas que são normalmente organizadas aos domingos de manhã. Este

evento garante uma total originalidade, ao ponto de captar novos participantes além dos habituais

corredores. Além da vertente desportiva, uma vez que se trata de um evento nocturno, utilizaremos jogos

de luz, cor e som, criando uma mecânica de envolvência, entusiasmo e convívio antes, durante e após

o evento”, avançam os organizadores. No final da corrida os participantes vão poder reunir-se numa

Fun Zone, estando igualmente previsto o sorteio de uma viagem à EuroDisney, em Paris. Para quem se

inscrever online, em grupo, o sexto elemento não paga (www.runporto.com).


powered by

Boascausas

19

7ª Corrida Montepio

Juntos pela

solidariedade

e pelo ambiente

DR

Solidariedade é a palavra que melhor define a Corrida Montepio, seja com causas sociais seja

ambientais. Este ano a corrida reverte a favor da Comunidade Vida e Paz e está “ainda mais

amiga” do ambiente.

A7.ª Corrida Montepio tem data

marcada para 27 de Outubro e as

inscrições abrem brevemente.

Desportivamente, o evento volta a

incluir uma corrida de 10 km, uma

caminhada de 5 km e a Corrida Pelicas, com

partida e chegada ao Rossio. No entanto, foram

introduzidas importantes medidas destinadas a

tornar este evento mais sustentável.

Superar as edições anteriores pode, por vezes,

ser um desafio, principalmente quando se atinge

o patamar da Corrida Montepio, mas inovar não

é um problema para a Associação Mutualista

Montepio (AMM), particularmente quando o

evento, que organiza há sete anos consecutivos,

começa a assumir outras preocupações como “a

sustentabilidade, a preservação do ambiente e

a compensação da pegada de carbono”, adianta

Rita Pinho Branco, directora de Comunicação e

Marketing da AMM. Assim, a proposta para este

ano é que todos estejam “Juntos pelo ambiente”,

sendo que a organização garante “t-shirts e

dorsais oferecidos sem invólucros plásticos,

mas também sacos reutilizáveis, gym bags em

tecido e casas-de-banho químicas, permitindo

uma utilização mais ecológica e económica”,

concretiza a responsável.

Um evento sempre solidário

Como não poderia deixar de ser, participar na

Corrida Montepio é contribuir para apoiar uma causa

solidária. Afinal, foi com este cariz que o evento foi

pensado. Este ano, a totalidade do valor angariado

pelas inscrições reverterá a favor da Comunidade

Vida e Paz. De acordo com Rita Pinho Branco,

a entidade escolhida tem “um vasto currículo

solidário, para a qual a dignidade da pessoa

humana é o foco central, e destina-se a apoiar

pessoas socialmente excluídas ou vulneráveis,

desenvolvendo uma actividade muito relevante no

domínio da sensibilização da comunidade, apostada

em construir uma sociedade mais inclusiva”.

Desde a sua primeira edição, a Corrida Montepio

angariou mais de 260 mil euros a favor de

instituições de solidariedade social nacionais como

a Cruz Vermelha Portugal, a Cáritas Portuguesa,

a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Associação

Dignitude, a Associação dos Deficientes das Forças

Armadas e, no ano passado, a Associação dos

Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO).

TOME NOTA

7ª Corrida Montepio

“CORREMOS UNS

PELOS OUTROS”

Quando:

27 de Outubro, às 10h00

Onde: Rossio (Lisboa)

Partida e chegada

Três percursos:

Corrida de 10 km;

Caminhada de 5 km;

Corrida Pelicas

Inscrições:

www.montepio.org


20 recomenda

Circuito Shark Race

Correr na areia é

para toda a família

That Frame

O Verão é tempo de férias, mas também de Circuito Shark Race. Com a organização da Werun, o

evento que promete tornar o descanso em família ainda mais divertido e saudável está de volta

às praias, com percursos de 8 e de 4 km e muitas novidades.

As férias são para descansar, mas não é

por isso que tem de “pendurar as

sapatilhas”. A proposta da Werun para

este Verão é aproveitar as provas do

Circuito Shark Race em família. O

conceito é simples, mas muito divertido. “Estão

definidos percursos de 8 km de corrida e de 4 km

de caminhada, em várias praias, que serão

iluminadas propositadamente para o evento”,

adianta a organização.

Mas não se pense que é só de corrida que é feito

este circuito. Haverá massagens, petiscos saudáveis

e música ao vivo para todos os participantes. “O

objectivo é proporcionar um momento de corrida,

mas principalmente de diversão em família, num

ambiente descontraído e que promova um estilo de

vida saudável”, resume a Werun.

Apesar da descontracção haverá prémios para

os primeiros três classificados da geral masculina

e feminina na distância de oito quilómetros. Já

a caminhada não será cronometrada e é aberta

a toda a família, incluindo os amigos de quatro

patas. A inscrição, além do dorsal, inclui o Kit de

Participante e lá dentro estará uma t-shirt e um

shaker. No final há medalha de finisher para todos

os que terminarem a prova, sendo que os 100

primeiros inscritos recebem ainda uma sweatshirt.

Só falta mesmo apresentar as datas e os locais.

Preparados? A festa da corrida na praia começa

já a 27 de Julho, na Costa da Caparica; segue

depois para Lagos, a 3 de Agosto; no dia 10 de

Agosto chega a Portimão; a 17 de Agosto ruma a

Sesimbra; e a 24 de Agosto irá para Norte, mas a

localização será surpresa.

Não percam mais tempo e inscrevam-se já em

www.werun.pt, porque o evento é limitado a

1000 participantes e as praias vão estar lotadas

este Verão!


22 metas

Corrida Volkswagen

Volkswagen Autoeuropa

Há oito edições

“a rolar” na

Autoeuropa

CarlaLaureano

Foi a 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que a

Autoeuropa abriu mais uma vez as portas para a Corrida Volkswagen, que contou com a

participação de dois mil atletas.

Criada em 2011, a Corrida Volkswagen

surgiu, como explica João Delgado,

director de comunicação e relações

governamentais da Volkswagen

Autoeuropa, como forma de mostrar

o compromisso da companhia “Para com as boas

práticas sociais e de uma vontade em abrir a

fábrica à população”. A promoção da prática

desportiva e dos hábitos saudáveis começa logo

pelos escalões mais jovens, com perto de 60

atletas a competirem, dos Bambis aos Juvenis,

rodeados pelas famílias que os foram

incentivando.

“Adoro ver crianças a correr. Faz-me lembrar

muito quando comecei, com nove anos”,

recorda a campeã olímpica Fernanda Ribeiro,

que foi madrinha desta edição da Corrida

Volkswagen. “Acho que as crianças o devem

fazer por prazer e não por obrigação de ganhar.

É importante incentivar estas provas porque é

daqui que vão aparecer os grandes campeões”,

reforça a atleta portuguesa mais medalhada,

que tem um projecto onde trabalha de perto com

os mais jovens, a Academia Fernanda Ribeiro.

“O atletismo não é só corrida e, por isso, as

minhas crianças aprendem tudo: corrida, saltos,

lançamentos”. Quanto à Corrida Volkswagen,

garante que tem de “participar um dia. Nunca

tinha visto uma corrida dentro de uma fábrica, é

excelente, fresquinho!”.

Correr e conhecer

Ter a possibilidade de passar pelo interior das

instalações da fábrica automóvel de onde saem

diariamente os modelos T-Roc, Sharan e Seat

Alhambra é, certamente, o factor diferenciador

desta prova. A linha de montagem fez parte

mais uma vez do percurso da caminhada (4 km)

e da prova principal (10 km), sendo que os

participantes nesta última passaram ainda pela

zona de prensas, carroçarias e pintura.

Se há entre os participantes uns que já

conhecem bem as instalações, porque fazem

parte da “casa”, outros há que vão pela

curiosidade de ver de perto estas zonas, com

João Delgado a adiantar que “onde há mais


23

Volkswagen Autoeuropa

Aposta

na inovação

A Corrida Volkswagen

foi a primeira prova

nacional a ter num posto

de abastecimento as

bolhas de água Ooho,

uma inovação que foi

utilizada na Maratona de

Londres. As bolhas Ooho

são criadas a partir de

água filtrada e embaladas

numa membrana à base

de algas e plantas, com um

período de biodegradação

de seis semanas, caso não

seja consumida. A aposta

nesta nova forma de

hidratação é, como explica

João Delgado, “uma forma

de contribuirmos para

a redução de plástico e

promover alternativas

mais sustentáveis”.

automação acaba por ser mais interessante para

as pessoas”.

Na corrida de 10 km estiveram 13 elementos

da Talentos Team, de Setúbal, que participam há

quatro anos. Entre eles encontrámos Elisabete

Azougado, que trabalha na Autoeuropa e

garante que “é sempre bom ter um convívio fora

do trabalho, com colegas e amigos que também

gostam de correr”. Uma dessas amigas é Dora

Reis, que confessa que participa na prova

“porque é diferente, pelo facto de ser dentro do

recinto da fábrica, onde podemos ver o local

onde os carros são construídos. Depois há toda

esta festa no final, com várias lembranças e

dança. É muito pelo convívio e por gostarmos

de praticar desporto”.

Com oito edições já decorridas, o director

de comunicação e relações governamentais

da Volkswagen Autoeuropa adianta que “o

número de participantes tem-se mantido

estável”. Quanto às provas em si, já tiveram

várias modalidades: “Tivemos uma corrida de

12 km que partiu de Palmela e um challenge

que consistiu em 12,5 km de trail e 12,5 km de

estrada, para celebrar os 25 anos da Volkswagen

Autoeuropa”. João Delgado termina garantindo

que a Corrida Volkswagen “é uma aposta

ganha” e que já estão a pensar no que vão fazer

na próxima edição.

Nélson Cruz continua

legado e Sara Carvalho

estreia-se nas vitórias

Ainda antes das provas terem arrancado,

assim que Nélson Cruz chegou ao

recinto, os speakers abordaram-no para

saber como se sentia antes de correr

os 10 km. Isto porque o atleta do Clube

de Atletismo Pedro Pessoa é já bem

conhecido de todos, vencendo a prova

desde a 2.ª edição. Este ano não foi

excepção, subindo ao 1.º lugar do pódio

pela 7.ª vez consecutiva. “Todos os anos

venho com o objectivo de tentar ganhar

e ver se alguém me tira do primeiro

lugar. Ainda não foi este ano, veremos

se será no próximo”, brinca Nélson Cruz.

O atleta completou os 10 km em 31m20s, salientando que “a prova não é fácil porque tem

muitas quebras de ritmo, muitas curvas apertadas”. Agora no escalão de Veteranos, Nélson

Cruz adianta que tem “competido mais a nível nacional, sempre em representação do Clube

de Atletismo Pedro Pessoa, tentando ajudar a nível colectivo e também individual”.

Quanto a Sara Carvalho esta foi a sua 3.ª participação na Corrida Volkswagen, tendo

garantido a vitória, com um tempo de 37m00s. “É uma prova única, na qual passamos dentro

da linha de produção e a organização é sempre de excelência”. A atleta, que está a fazer a

primeira época no Grecas, considera esta uma prova “competitiva, com atletas de qualidade e

com um percurso rápido, com muitas curvas”. A recuperar de uma lesão, Sara Carvalho adianta

que “esta tem sido uma época complicada”. E concretiza: “Ainda não consegui encontrar bem

o meu ritmo. Por isso estou a tentar reencontrar-me para que, na próxima época, os objectivos

sejam os campeonatos nacionais e tentar bater os meus recordes pessoais.”

No sector masculino subiram ainda ao pódio José Gaspar (2.º), da Odimarq, e Plácido

Jesus (3.º), do Clube de Praças da Armada. Já na competição feminina terminou em 2.º

lugar Catarina Guerreiro, a correr como individual, com Raquel Trabuco, do Clube Elvense

de Natação, a fechar o top 3.


De regresso aonde

se foi feliz

PVP: 120€

Salomon Speedcross 5

A Salomon recriou as icónicas

Speedcross, um modelo que

saltou dos trilhos para o

dia-a-dia, com mais de um

milhão de unidades vendidas

a cada ano. A RUNning pô-las

à prova nos pés do Miguel

Judas e do Dinis Cartas.

Ao longo dos

44 km o conforto

e a estabilidade

continuaram,

bem como a boa

aderência em

terrenos muito

técnicos e em

zonas com lama

e água

Dinis Cartas

T

odos sabemos que as provas se

preparam muito tempo antes,

dos treinos às sapatilhas. Desta

vez não. Recebi umas sapatilhas

Speedcross 5 desenhadas para

terrenos lamacentos, que nesta altura seriam pouco

prováveis de encontrar, pelo menos em Portugal, e decidi

fazer os Trilhos dos Abutres, de 44 km e 2200 metros de

desnível, com eles.

A experiência não poderia ter sido… Melhor! Quando

as calcei senti conforto e estabilidade. Sabendo que ia

sofrer por o terreno estar muito seco e por as sapatilhas

não serem as mais indicadas para estas condições, uma

vez que o amortecimento é mais reforçado atrás do que

35 anos |Bombeiro Profissional|Corre desde 2011 | Treina 6 vezes por semana

à frente, arrisquei.

Ao longo dos 44 km o conforto e a estabilidade

continuaram, sendo que não posso deixar de realçar a boa

aderência em terrenos muito técnicos onde havia pedra

solta descidas íngremes e mudanças de pisos, bem como

zonas com lama e água (já que choveu nos dias anteriores

à prova) nos quais tiveram um óptimo desempenho, no

que diz respeito à tracção e à secagem muito rápida.

Já tinha utilizado as Speedcross 3 e ao longo dos

quilómetros começava a sentir um desconforto no pé

devido ao grip. Mais uma vez fiquei surpreendido com este

novo modelo Speedcross 5, pois não

aconteceu nada disso. As sapatilhas

nota final

tiveram um comportamento exemplar.

Conforto,

aderência,

estabilidade,

tudo aquilo que

é publicitado

pela marca

comprovou-se no

terreno

CARACTERÍSTICAS

Peso: 320 gramas

Drop: 10 mm

Tipo de

passada: neutra

Miguel Judas

Em 2012, a convite de um amigo,

disputei pela primeira vez uma

prova de trail. Já corria há alguns

anos, participava regularmente em

provas de estrada e, sem o saber,

até já praticava trail, pois sempre gostei de me perder, a

correr, pelos trilhos. Não imaginava era que existia uma

modalidade assim, como descobri nessa manhã de

Setembro, na Serra de Arga.

Esta pequena introdução serve para esclarecer

que a crítica aos Speedcross 5 da Salomon que se

segue é também um regresso a esses tempos, pois foi

exactamente com uma versão anterior deste modelo, a

segunda, que me iniciei neste “admirável mundo” novo

da corrida em trilhos. Esses primeiros sapatos, de cor

amarela, ainda ali estão, no armário, com a sola quase

gasta, mas praticamente intactos. Simplesmente não sou

capaz de os deitar fora e, de vez em quando, ainda são

usados, em jeito de homenagem aos tantos quilómetros

que percorremos juntos. Quando se reformaram, ainda

usei durante algum tempo a versão 3 dos Speedcross, que

já não me entusiasmou tanto e, com o passar do tempo

e o aumento das provas, em número e em extensão de

quilómetros, comecei a optar por outros modelos.

Foi, portanto, com bastante entusiasmo que aceitei

o desafio de testar os novos Speedcross 5. O primeiro

teste foi nos 26 km do Estrela Grande Trail, num terreno

46 anos | Jornalista | Corre desde 2000 | Treina 3 a 5 vezes por semana

seco e pedregoso que não seria, à partida, o ideal

para os Speedcross, que são mais indicados para um

solo mais suave e lamacento, mas que mesmo assim

foi ultrapassado com distinção. Conforto, aderência,

estabilidade, tudo aquilo que é publicitado pela marca

comprovou-se no terreno, mas o mais importante foi

mesmo a sensação de ter voltado a correr com os bons

velhos Speedcross de que tão bem me lembrava.

A segunda avaliação aconteceu no Faial, na prova de

65 km do Azores Trail Run, num teste agora mais a sério,

não só pela extensão como pela variedade do percurso.

Mais uma vez, tudo correu pelo melhor, em especial e

como seria de esperar, nos terrenos mais enlameados. O

derradeiro exame aconteceria duas semanas depois, nos

Trilhos dos Abutres, em Miranda do Corvo, numa Serra

da Lousã quase sem lama, mas com os trilhos bastante

macios e corríveis e, por isso, à partida ideais para este

modelo. Mais uma vez tudo estava a correr pelo melhor,

até ao momento em que, após atravessar um curso de

água, a palmilha começa a enrolar, obrigando-me a parar

algumas vezes durante a prova, para a voltar a colocar

no lugar. O defeito estaria na palmilha e não nos sapatos

e foi exactamente por esta razão que deixei de usar a

versão 3 dos Speedcross. De qualquer forma, desta vez,

não vou desistir tão facilmente, já

estando encomendadas umas novas

nota final

palmilhas.


Um ultra-relógio

A marca finlandesa prometeu um

relógio que responde às necessidades

dos mais exigentes ultra-runners – e

até algumas que não sabem que têm

– e a RUNning quis tirar as prova dos

nove. Até acabar a bateria!

PVP (desde): 399€

Suunto 9

Dinis Cartas

O

Suunto 9 é um relógio

GPS multi-desportivo,

o que significa que suporta

diferentes actividades, com a

corrida, a natação, o ciclismo,

as caminhadas, etc. O relógio suporta GPS, monitor

de frequência cardíaca (no pulso) e muitos recursos

úteis ao ar livre, como navegação, bússola, altímetro

etc. Inclui ainda um contador de passos e acompanha

as calorias queimadas. De acordo com a Suunto, a

principal vantagem deste modelo é a duração da

bateria, que, devo admitir, é realmente boa.

Este modelo também possui um ecrã sensível

ao toque. Quanto a este ponto, estava um pouco

desconfiado sobre a funcionalidade do ecrã.

Obviamente não consegui utilizá-lo em modo touch

enquanto usava luvas ou com os dedos transpirados.

No entanto, aprendi que não precisamos realmente

desse modo, porque podemos aceder a particamente

todos os recursos com os três botões na lateral.

Já quanto à interface do utilizador, esta é bastante

intuitiva. Depois de “brincar” com o relógio cerca

de dez minutos facilmente consegui aceder aos

recursos, como exercícios, navegação, temporizador

configurações. É ainda possível aceder à frequências

cardíaca, às calorias, ao treino e activar o monitor do

sono.

No modo de frequência cardíaca, o relógio mostra

a frequência cardíaca actual, mas também é possível

activar o modo diário, disponibilizando um gráfico

de monitorização. Também é possível utilizar

com banda. Durante o exercício é apresentado no

35 anos |Bombeiro Profissional|Corre desde 2011 | Treina 6 vezes por semana

mostrador a cores a barra de esforço, que vai do

verde até ao vermelho, o que é bastante útil para

quem quer treinar ou competir monitorizando a zona

de esforço.

O Suunto 9 está equipado com uma bateria

recarregável de iões de lítio. Neste teste, a bateria

durou cerca de duas semanas sem carregar, com uma

média diária de treinos de duas horas, sempre com a

precisão do GPS activada no “melhor” modo e com o

monitor de frequência cardíaca activo.

Na corrida em que foi testado – os Trilhos dos Abutres

– esteve activo durante seis horas, com a precisão do

GPS definida como “melhor” e com todos os alarmes

activos (a cada quilómetro, o cardio-frequêncimetro,

mensagens, etc.). Gastou apenas 13% da bateria.

Esta autonomia é explicada pela marca através da

utilização da tecnologia FusedTrack, que combina

GPS e dados do sensor de movimento (bússola,

etc.) para melhorar a precisão dos caminhos e da

distância. Isso significa que posso definir a precisão

do GPS como “boa” ou “ok” e ainda assim obter

informações relativamente precisas sobre o exercício.

Quanto menor a precisão do GPS, menos bateria será

consumida.

No mundo da corrida muitos de nós somos distraídos,

esquecemo-nos de carregar os nossos relógios antes

dos treinos ou de uma prova, mas o Suunto 9 tem outra

novidade no “pulso”, sendo autónomo na poupança

de energia a partir dos 90% consumidos. Nesta fase, o

símbolo da bateria fica vermelho e

mostra no visor o número de horas

nota final

de autonomia.

a bateria durou

cerca de duas

semanas, com uma

média diária de

treinos de duas

horas, sempre

com a precisão

do GPS activada

no ‘melhor’ modo

e com o monitor

de frequência

cardíaca activo


28 trabalhodeequipa

Running Espinho

Uma grande família

Francisco Azevedo Focal Point

anafilipe

A RUNning foi conhecer um dos maiores grupos de corrida livre do país, que já bateu recordes

de participação em provas com a equipa mais numerosa. No seu 4.º aniversário, a 27 de Julho,

o Running Espinho organiza a Corrida Milionária e alarga “a família” a todos os que quiserem

correr com vista para o mar.

Mais informações

e inscrições em

corridamilionaria.pt

É

terça-feira e falta pouco para as

21h00. Em frente à Câmara

Municipal de Espinho, dezenas de

atletas começam a reunir-se. Entre

cumprimentos, últimos alongamentos

e enquanto alguns ainda conferem se os

atacadores estão bem apertados, aos poucos o

grupo vai sendo dividido. Onze monitores do

Running Espinho (RE) vão formando sete

sub-grupos, junto à fonte. Há atletas de diversas

idades, condições físicas e objectivos distintos.

É preciso que sejam “direccionados” para as

distâncias e ritmos adequados.

Sem necessidade de inscrição para os treinos,

em apenas quatro anos, o RE tornou-se num dos

maiores grupos de corrida do país. “Passámos de

75 participantes no primeiro treino, a 27 de Julho

de 2015, para 250 em Setembro!” recorda Bruno

Dias, um dos organizadores do grupo. “Desde

então que essa média se tem mantido, sendo

que em ocasiões especiais (como foi o caso do

recente treino número 200) ultrapassámos os 450

participantes”, comenta orgulhoso.

Apesar de ser um grupo já bem consolidado,

o RE tem tentado atrair novos participantes.

Para tal, “temos mais de vinte percursos

diferentes e alternamos semanalmente entre

opções com subidas e outras por caminhos

mais planos, para que o atleta se desafie e

não se aborreça com a paisagem”, explica o

organizador.

Interrogados sobre quais os “requisitos”

para se juntar ao RE, Silvie Couto, também

organizadora do grupo, quase que respondia que

bastava ter um par de sapatilhas, “mas como

temos um atleta que corre descalço, então o

único requisito é que tenha vontade de correr ou

caminhar!”, comenta bem-humorada.


29

A atleta Ana Oliveira encontrou

no RE motivação para se superar

Treino com Jorge Gabriel, Sónia Araújo, Aurora Cunha e outras figuras de relevo

nacional em diferentes áreas. Ao centro, Silvie Couto e Bruno Dias, da organização

Hugo Viegas Hugo Viegas

Na fila da frente, Nuno Matias

(o primeiro da esquerda), atleta

que perdeu 44 kg em apenas

dez meses; a saltar: Isabel Silva,

madrinha da Corrida Milionária.

“O Running mudou a minha vida”

Conhecidos como os “laranjinhas”, devido à cor

das camisolas, a maioria dos atletas (51% homens e

48% mulheres) têm entre os 25 e 45 anos, embora

seja frequente encontrar pessoas mais jovens ou

mais velhas, havendo também um grupo com

cerca de 50 crianças (RE Kids). “O público-alvo é

todo aquele que decida que está na hora de aderir

a um estilo de vida mais activo, mais saudável e,

naturalmente, mais feliz”, explica Silvie. E não

faltam exemplos. Nuno Matias (44 anos) estava

a tentar perder peso quando aceitou o convite

de um amigo para experimentar um treino. Em

dez meses emagreceu 44 kg. “O RE basicamente

mudou tudo na minha vida, ajudou-me a atingir

os meus objectivos de emagrecimento e, neste

momento, ajuda-me a manter o equilíbrio de peso

e a boa forma física”, reconhece. Correr à terçafeira

passou a ser, para Nuno, “um ritual, como ir à

missa ao domingo, ou ao café com os amigos”.

Em conversa com alguns dos elementos do

RE, a palavra “família” é por diversas vezes

utilizada, e há mesmo casos em que famílias

inteiras se juntam a este grupo. Carlos (41 anos)

e Alice Henriques (40) e os filhos, Daniel (15)

e Miguel (13), nunca tinham feito corrida, mas

Hugo Viegas

a “necessidade de praticar algum desporto ao ar

livre, fora das ‘paredes’ de um ginásio” levouos

a experimentar e “foi amor à primeira vista”.

Desde aí, “passámos de uma família sedentária

a corredores de meia maratona. Um sonho

impossível que, apenas em seis meses, se tornou

realidade. E acreditem, se nós conseguimos,

qualquer pessoa consegue. A energia contagiante

deste grupo tem o poder de transformar as nossas

vidas!”, atestam.

Por falar em transformar vidas, que o diga

Ana Oliveira (55 anos), doente oncológica, que

encontrou no RE a força anímica que lhe faltava.

“Depois de ter passado por uma doença grave,

em que pensei que tudo tinha acabado para mim,

a corrida, mais propriamente este grupo, fez-me

acreditar que nunca é tarde para fazermos algo que

não imaginávamos conseguir. Sinto-me com saúde

e mais jovem. Encontrei nas corridas uma vontade

enorme de viver”, relata emocionada.

Ainda que seja um grupo muito eclético, reina

no RE a união e o bom-humor. Há uma energia

positiva que se sente ao ouvir cada história e

que se vê em cada sorriso. “Existe uma grande

proximidade entre a organização e os atletas e, ao

mesmo tempo, um forte sentimento de liberdade,

honestidade e respeito de parte a parte, antes,

durante e após os treinos, mas com regras”,

descreve Silvie Couto. E concretiza: “Temo que

ninguém tenha lido os nossos termos e condições,

mas as pessoas percebem que eles existem, o que

significa que temos uma equipa feliz e funcional,

graças ao profissionalismo que a organização

transmite. Os objectivos e sonhos de cada um

variam muito, mas para nós são todos importantes.

A nossa maior realização é assistirmos à

participação massiva de vários ‘laranjinhas’

em provas por todo o país, sobretudo porque

conhecemos a história de cada um e valorizamos

ainda mais aqueles sorrisos ao cortar a meta, pois

sabemos que representam esforço e superação!”

Se não acredita, e/ou precisa “de ver para

crer”, na próxima terça-feira o treino é às 21h00,

como sempre, em frente à Câmara Municipal de

Espinho!

curiosidades

Em Janeiro de

2018 o RE recebeu o

Prémio Prestígio e

Reconhecimento António

Leitão 2018, atribuído

pela Câmara Municipal de

Espinho e pelo atletas.net;

Na 4.ª S. Silvestre de

Espinho, a 6 de Janeiro

de 2018, o RE estabeleceu

um novo recorde nacional

de maior equipa numa

só prova ao inscrever 310

atletas;

O RE organiza

conferências, com

temas tão diversos

como a alimentação e os

conselhos sobre treinos,

até à sensibilização contra

a violência doméstica;

A equipa realiza treinos

extra de preparação para

provas com distâncias

maiores como a meia

maratona e a maratona

do Porto, e ainda treinos

temáticos como o Passeio

do Dia da Mãe e outros de

cariz solidário;

Mensalmente o RE

convida um grupo de

corrida para participar

no treino como forma de

divulgação e promoção da

modalidade;

A 27 de Julho, o RE

comemora o seu 4.º

aniversário com a

realização da Corrida

Milionária, com um

percurso de 10 km e um

de 5 km (caminhada), com

prémios que ultrapassam

os 50 mil euros, a distribuir

por todos os participantes.

A atleta olímpica Sara

Moreira e a apresentadora

da TVI Isabel Silva são as

madrinhas do evento.


30 wellness

Energia a

circular: eis o

antídoto para

o edema

rutebarbedo

Inflamações e traumatismos podem ser o “prato do dia” na vida de um atleta e derivar para

aquele inchaço incómodo – o edema – que em nada melhora sob temperaturas elevadas. Agora

que chega o Verão, há que saber como prevenir e tratar.

Diferentes líquidos começam a confluir

para uma parte do corpo, acumulando-se

no espaço intersticial. No lugar do

tornozelo fino ou das mãos em que

conseguíamos destrinçar a forma dos

ossos, a pele estica, fica avermelhada, por baixo

surge o inchaço e, por fim, a dor. Eis o edema, um

fenómeno rápido – frequente nos atletas – que

pode ocorrer em diferentes partes do corpo e ter

como causa factores como a actividade

inflamatória e/ou um traumatismo, mas também a

hipertensão arterial, a insuficiência renal ou

situações posturais incorrectas.

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC),

especificamente, o edema relaciona-se com “os

fenómenos de estagnação de líquidos orgânicos

caracterizados por uma infiltração em diversos

tecidos, nomeadamente, o tecido conjuntivo, o

revestimento cutâneo ou o mucoso. Tem como

causa principal um desequilíbrio da energia

do pulmão, do baço e do rim, influenciando

assim a energia do triplo aquecedor [um ‘órgão’

sem paralelo na medicina ocidental, que não

corresponde a uma estrutura física, funcionando

antes como um sistema energético e metabólico

localizado entre o diafragma e a parte inferior

ao umbigo] e da bexiga nas suas acções de

evacuação”, resumem Filipa Teles e Marlene

Caseiro, especialistas em MTC na clínica Essence

Prime Care.

No cenário oposto, portanto, o edema não

consegue florescer. Quando “a energia circula

livremente nos seus meridianos e as estruturas

fisiológicas são nutridas”, ou seja, quando não

há estagnação de energia, sangue ou líquidos

orgânicos, “não é possível gerar-se dor nem

retenção de líquidos”, afirmam as profissionais.

Mais calor, mais edemas

Nos desportistas, o edema é mais frequente dada


31

Como prevenir e remediar?

Há diferentes técnicas da Medicina Tradicional Chinesa que ajudam a reduzir o

impacto dos sintomas associados ao edema. Eis alguns exemplos:

Dan Gold

Dietética: Combinada com muita ingestão de líquidos, uma alimentação saudável é essencial

a qualquer desportista. Conjugar “frutas, legumes, verduras e boas fontes de proteínas e de

hidratos de carbono é uma excelente maneira de fazer o corpo voltar à homeostase”. Mas

também há “ingredientes” a evitar ou reduzir, como o sódio, já que, juntamente com a água,

é retido pelos rins, o que contribui para a formação do edema. Por outro lado, “alimentos

ricos em farináceos, açúcares processados e lacticínios não são aconselhados” pela Medicina

Chinesa, pois “depositam humidade no organismo e estagnam a energia e os líquidos

orgânicos”. À necessidade de reposição dos níveis de açúcar pode responder-se com frutos

secos como tâmaras, ameixas ou alperces, aconselham Filipa Teles e Marlene Caseiro.

Xlsergval

Ligaduras de quinésio: As ligaduras neuromusculares

podem ser aplicadas de forma a promover a

circulação sanguínea e linfática, diminuindo, assim,

as possibilidades de retenção de líquidos e de edema.

Recortadas no formato de uma mão, devem ser

colocadas na direcção dos gânglios linfáticos. Mas é

sempre aconselhável consultar um especialista para

a sua aplicação.

a constante sujeição a esforços físicos e situações

de alto impacto. Filipa Teles e Marlene Caseiro

explicam que, “se o exercício físico for bastante

exigente e intenso, irá criar um chamado trauma

muscular, por outras palavras, micro-rupturas nas

fibras musculares”, o que obriga o organismo a

reagir, sendo um dos mecanismos de defesa mais

comuns envolver o músculo em líquido.

Mas também há factores externos que

aumentam a probabilidade de formação do edema,

como o calor e a humidade, “duas energias

patogénicas que bloqueiam facilmente meridianos

correspondentes a algumas estruturas fisiológicas,

tais como os músculos, as articulações, os

ligamentos e o tecido conjuntivo”, explicam as

especialistas.

Por isso, e agora que chega o Verão, é

importante ter em atenção as temperaturas

elevadas, tentando contrariar ou minorar a sua

acção com muita ingestão de líquidos, mas

também com alongamentos antes e depois da

actividade física. Já em casos de traumatismo,

as terapeutas aconselham a aplicar gelo

imediatamente após a prática de exercício. Menos

calor, já se sabe, menor hipótese de edema.

DR

Acupunctura: Pode prevenir-se em

vez de remediar? Sim. Neste ponto,

a acupunctura contribui para um

estado de harmonia do organismo

em que é possível minorar o

aparecimento de edemas. Tal

acontece porque “a energia circula

livremente nos seus meridianos

e as estruturas fisiológicas são

nutridas”.

Aromaterapia: “Os óleos essenciais devem ser sempre

diluídos numa base de óleo vegetal (de coco, de

amêndoas doces, de grainha de uva, de sésamo, etc.)”,

afirmam Filipa Teles e Marlene Caseiro. Mas há alguns

com “um potente efeito na circulação linfática, como

é o caso do óleo essencial de cedro de atlas”. “Bastará

utilizar duas gotas deste óleo diluídas numa colher de

sopa de óleo vegetal à escolha e massajar nas áreas mais

afectadas (sempre em direcção aos gânglios linfáticos).”

Como “o cedro de atlas não possui furocumarinas, não

mancha a pele se estiver em contacto com o sol”. Ainda

assim, recomenda-se a sua aplicação na noite anterior

e no período posterior à corrida.

Off2riorob

DR

Luciano Reis

Moxibustão: Esta técnica

terapêutica promove o fluxo de

energia e do sangue no corpo.

Tem um efeito semelhante ao

da acupunctura, no entanto, a

sua estimulação tem por base

o calor.

Marina Pershina

Fitoterapia: Se depois de diferentes

técnicas terapêuticas o problema

persiste, “a solução poderá estar

num suplemento alimentar à base

de plantas”. A fitoterapia pode ajudar

a resolver a estase de líquidos e a

tonificar os meridianos bloqueados.


O exercício sob

o calor extremo

e a transição

do calor para

as águas frias,

que é frequente

no triatlo, pode

originar cãibras,

um dos maiores

pesadelos dos

atletas

O

Verão é tempo de calor, sol, praia e

férias. E férias significa relaxar, não

ter de acordar com o despertador, mas

o mais importante é ter tempo para

cuidar de si. Embora seja um período

para recarregar baterias e aproveitar para ter

menos preocupações, as férias são um bom

momento para cuidar da sua saúde e manter um

estilo de vida saudável. O Verão é também uma

das estações mais quentes do ano e por isso

alguns cuidados devem ser redobrados, como

manter-se hidratado, ter uma alimentação

equilibrada, utilizar protector solar e descansar

apropriadamente. O corpo e a mente agradecem!

Nesta época surgem vários eventos, corridas,

caminhadas, night runs e provas como o triatlo.

O triatlo está a crescer em todo o mundo e

Portugal não escapou a esta “febre”. Segundo

o feedback dos atletas, o desafio pessoal é a

razão número um pela qual participam num

triatlo. Como se sabe, o triatlo é um desporto

exigente composto por três modalidades –

natação, ciclismo e corrida – sendo necessário

ter disciplina, esforço, foco e muita força de

vontade.

Apresentamos um “Kit Desporto” que

pode ser bastante útil no dia-a-dia de um

desportista. É composto por três medicamentos

homeopáticos: um em gel e duas formulações

em grânulos (absorção sublingual), que actuam

sinergicamente. São eles: Arnigel ® ; Arnica

Kit Desporto

Boiron

para resultados

extraordinários

montana 9 CH; e Cuprum metallicum 9 CH.

A indicação dos medicamentos homeopáticos

tem em conta não só o conjunto de sintomas

apresentado, mas também a preponderância desses

sintomas.

Arnigel ® é um medicamento indicado em

traumatologia benigna (em ausência de feridas),

contusões e fadiga muscular. É composto por

Arnica montana 7%, que possui propriedades

anti-inflamatórias, analgésicas e anti-equimóticas.

Deve ser aplicada uma camada fina sobre a região

dolorosa, com uma ligeira massagem até à sua

completa absorção. Pode renovar a aplicação, uma

a duas vezes por dia.

Os medicamentos em grânulos são

complementares ao tratamento da recuperação

muscular e igualmente utilizados em prevenção.

Arnica montana 9 CH é indicada em todos

os excessos relacionados com os músculos,

como traumatismos, fadiga muscular e dores

musculares.

Cuprum metallicum 9 CH é indicado na

prevenção de cãibras. Ambos podem ser utilizados

tanto no tratamento como na prevenção. No caso

do tratamento, a posologia recomendada é de

cinco grânulos, três vezes por dia, juntamente com

o Arnigel ® . Como prevenção são aconselhados

cinco grânulos, uma vez por dia, uma semana

antes da prova. Assim, todo o sistema músculoesquelético

ficará preparado para o esforço que se

avizinha.

O exercício sob o calor extremo e a transição

do calor para as águas frias, que é frequente no

triatlo, pode originar cãibras, um dos maiores

pesadelos dos atletas. De forma a preveni-las,

evite a prática do esforço físico excessivo após as

refeições e alongue sempre depois da actividade

física. A Homeopatia pode ser uma boa aliada no

triatlo e noutros desportos.

Michael Phelps costuma dizer que “se quer

fazer coisas extraordinárias, terá de fazer

sacrifícios extraordinários”. Não desista.


DR

34 receita

Biscoitos 4G

Por Chef

Fábio Bernardino

Travel & Flavours

receita base

Ingredientes

Quantidade

receita Pré-exercício

Ingredientes

Quantidade

receita Pós-exercício

Ingredientes

Quantidade

Método de

confecção

Farinha

de espelta

Guaraná

fresco

Acerola fresca

Geleia real

Gengibre

fresco

Fermento

em pó

Sementes

de sésamo

brancas

Azeite

400 g

100 g

100 g

30 g

10 g

5 g

2 g

2 c. de

sopa

Farinha

de espelta

Guaraná

fresco

Acerola fresca

Geleia real

Gengibre

fresco

Fermento

em pó

Sementes

de sésamo

brancas

Azeite

400 g

120 g

120 g

30 g

10 g

5 g

2 g

2 c. de

sopa

Farinha

de espelta

400 g

Guaraná

fresco

80 g

Acerola fresca 80 g

Geleia real 30 g

Gengibre

fresco

10 g

Fermento

em pó

5 g

Sementes

de sésamo 2 g

brancas

Ovo inteiro 1

Azeite

2 c. de

sopa

1. Comece por

descascar e triturar

o guaraná e a acerola

com o gengibre.

2. Reserve.

3. À parte, junte

a farinha com o

fermento em pó.

4. Adicione o azeite

e o preparado

anterior.

5. Amasse bem.

6. Divida em pequenas

unidades para

formar os biscoitos.

7. Leve ao forno a

180 °C durante

cerca de 15 minutos.


36 shopping

CORRER SEM

ARRISCAR A PELE

minneapolisrunning.com

ana ritamoura

Para que correr seja saudável também para a sua pele, não basta usar protector solar. Há regras

dermatológicas que deve seguir à risca.

Características

a procurar no

protector solar

Índice não inferior a 30;

Anti-oxidantes tópicos

– vitaminas C e E,

resveratrol, extracto

de chá verde;

Enzimas reparadoras

do DNA – endonuclease

e fotoliase.

Os atletas precisam de seguir regras

dermatológicas rígidas para atenuar os

riscos que a exposição solar provoca.

Utilizar os equipamentos certos e aplicar

uma série de truques que minimizem os

estragos é o caminho que todos devem seguir. Já não é

novidade que existem horas específicas para praticar

actividades físicas ao ar livre, e que o horário a evitar é

entre as 12 e 16 horas, pois existe um maior índice de

radiação ultra-violeta, mas quando isto se torna

impossível os cuidados têm de ser redobrados.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de

Dermatologia e Venereologia (SPDV), recentemente

o desporto ao ar livre foi associado ao aumento da

incidência do cancro cutâneo. Os desportistas que

expõem a pele com frequência ao sol correm risco

acrescido de queimadura solar, aumento de rugas,

manchas, fragilidade cutânea e, eventualmente,

lesões pré-cancerosas (áreas rugosas da pele

induzidas pelo sol) e até cancros de pele.

Apesar da hidratação ser um dos cuidados

principais, os atletas também devem ponderar

adoptar outros, como utilizar roupa apropriada para

a prática desportiva. Devem usar chapéu, óculos

de sol, e, actualmente também existem têxteis

preparados para a protecção solar, com materiais

como o poliéster, que é a fibra que melhor absorve

a radiação UV, seguindo-se a poliamida. Quanto à

malha deve optar-se pela densa e dar preferência

às cores escuras, porque os tecidos de cor clara são

menos protectores, especialmente quando molhados

com água ou transpiração.

A roupa deve ser complementada com a utilização

de protector solar, com um índice de pelo menos 30,

a aplicar antes do início da actividade e a renovar

com regularidade. Deve ainda ter-se especial atenção

quando as provas são realizadas perto do mar/

/rio/montanha, porque a reflexão da radiação ultra-

-violeta pela água ou pela neve aumenta o risco de

queimadura solar.

Em eventos mais duros como, provas no deserto,

por exemplo, o risco de queimadura solar é extremo,

por isso, há que ter especial atenção à desidratação.

A reposição de água e sal é vital. As medidas de

protecção devem ser baseadas no que as populações

habitualmente usam no deserto, o vestuário deve

cobrir a maior parte da pele, e os protectores devem

ser aplicados com frequência em áreas não cobertas.

Após a exposição é importante o atleta

observar a pele e estar atento às modificações

de lesões na mesma. Feridas que não curam,

presenças de manchas, que têm tendência para

crescer gradualmente ou sangrar com pequenos

traumatismos, são sinais de alerta para um médico.

Avène

Fluido Sport SPF

50+ 100 ml

PVP 20,30 euros

ISDIN

Sport

Fusion Gel

SPF 50+ 100

PVP 25 euros

Shiseido

Sports invisible

protective mist

SPF50+ 150 ml

PVP 45,50 euros


publi-reportagem

Correr com

energia “plus”

Quando a sua corrida pede mais

energia, Sustenium Plus dá.

São mais de 5g de aminoácidos,

vitaminas e minerais numa só

carteira que pode ser tomada a

qualquer momento (basta juntar

água). E o melhor é que sabe

mesmo a sumo de laranja!

Quando se fala nos suplementos

alimentares mais adequados para

corredores, nomes como a arginina, a

beta-alanina, a creatina e, claro,

minerais como o ferro, o magnésio e o

zinco, e vitaminas, como a C e a B1, fazem

sempre parte dos mais aconselhados 1 . Portanto, ter

sabia que 1 ...

Arginina

Substância associada ao aumento do

fluxo sanguíneo e ao aporte de oxigénio

e nutrientes aos músculos esqueléticos.

Serve como substracto para a produção

de creatina e aumenta a secreção da

hormona de crescimento humano,

estimulando o crescimento muscular.

Beta-alanina

Está relacionada com o aumento da

síntese de carnosina, um dipeptídeo que

protege as alterações no pH muscular,

reduzindo a fadiga e a perda de produção

de força.

Creatina

Ajuda a fornecer energia aos músculos

para actividades de curta duração e

predominantemente anaeróbicas.

Ferro

Transporta o oxigénio dos pulmões

para os músculos, produz enzimas nas

células musculares e confere energia ao

corpo durante o exercício físico.

um aliado em todas as situações – dos treinos às

provas sem esquecer o dia-a-dia – que inclua estas

substâncias pode fazer toda a diferença, não só no

rendimento mas também no bem-estar geral. E se

esse aliado for facilmente transportável e tiver um

sabor agradável, torna-se ainda mais perfeito. É

assim que se apresenta Sustenium Plus.

Magnésio

O magnésio ajuda a transformar alimentos

em energia, além de desempenhar um

papel importante na saúde dos ossos.

É um óptimo aliado na prevenção das

famosas cãibras e auxilia na recuperação

muscular e na disponibilidade mental.

Vitamina C

Participa na produção de colágeno e

melhora a absorção de ferro, actuando

como antioxidante. Além disso, ajuda

na diminuição dos danos musculares

causados pelo exercício e diminui o risco

infecções respiratórias.

Vitamina B1

A tiamina, ou vitamina B1, estimula

as defesas do organismo e ajuda o

metabolismo a assimilar os hidratos de

carbono.

Zinco

Reforça o sistema imunitário e actua

na quebra enzimática dos hidratos de

carbono durante o processo de digestão.

Informação

nutricional

1. National Institutes of Health

Office of Dietary Supplements. Fact

Sheet for Health Professionals.

Junho de 2017. Disponível em

https://ods.od.nih.gov/factsheets/

ExerciseAndAthleticPerformance-

HealthProfessional/

Com verdadeiro

sumo de laranja

Não contém

substâncias

dopantes

Sem açúcar

Por

saqueta

% VRN*

Vitamina C 80 mg 100

Tiamina (Vit. B1) 2,0 mg 181,8

Magnésio 200 mg 53,3

Ferro 7,0 mg 50

Zinco 6,0 mg 60

Creatina 3000 mg -

L-Arginina 2000 mg -

Beta-alanina 400 mg -

* VRN = Valor de referência do nutriente de vitaminas

e sais minerais (Reg. CE 1169/2011)

Os suplementos alimentares não são substitutos de um regime

alimentar variado e equilibrado e de um estilo de vida saudável. A.

Menarini Portugal – Farmacêutica, S.A. (NIPC 501 572 570) Quinta

da Fonte – Edifício D. Manuel I – Piso 2-A, Rua dos Malhões nº 1,

2770-071 Paço de Arcos (Portugal). Tel.: +351.210935500 | Fax.:

+351.210935501 | E-mail: lubefar@menarini.pt


38

O topo do mundo no

Centro de Portugal

Miranda do Corvo foi o palco dos 44 km com 2200 metros de desnível positivo que

ditaram os campeões do mundo de trail. Foi também este o percurso que levou um país ao

rubro a apoiar as selecções e os amadores, num evento com uma assistência nunca antes

sentida por terras lusas. A RUNning esteve na linha da frente do Abutres 2019 Trail World

Championships e recorda os melhores momentos de um evento épico.

CarlaLaureano e VanessaPais

Matias Novo

Foi em Portugal, em 2016, no Gerês, que Luís Alberto

Hernando iniciou um ciclo de três títulos de campeão

do mundo de trail, que haveria de terminar novamente

no nosso país, a 8 de Junho, em Miranda do Corvo, onde

alcançou o 11.º lugar, atrás do atleta português Hélio

Fumo, o melhor classificado com as cores nacionais de

sempre nesta competição, agora o 10.º melhor do mundo.

Cedo se percebeu a dificuldade do espanhol em acompanhar a

frente da prova, que começou com o suíço Christian Mathys a tentar

impor um ritmo forte. Acabou por cortar a meta em terceiro lugar, atrás

do francês Julien Rancon e do novo campeão do mundo de trail, o

britânico Jonathan Albon, que “saltou” para a frente da prova antes de

chegar ao último posto de abastecimento localizado na aldeia de xisto

de Gondramaz, e não perdeu tempo até cortar a meta em 3h33m34s.

À RUNning, o atleta entre os

participantes neste mundial com

o melhor desempenho no ranking

da International Trail Running

Association (ITRA), entidade que

organiza o Campeonato do Mundo de

Trail, juntamente com a International

Association of Ultrarunners

(IAU); campeão em título de ultra

skyrunning; de spartan e de Obstacle

Course Racing; que já venceu a Ultra

SkyMarathon Madeira em 2017 e

2018, disse que adorou o percurso

“com o sobe e desce, os trilhos

técnicos, mas bastante ‘corríveis’”.

“Esperava encontrar trilhos com

pedra, mas eram tão ‘macios’, com

rios e árvores, o que os tornou muito

interessantes”, acrescentou.


39

Do lado feminino, a francesa

Blandine Lhirondel (ao centro)

destronou a campeã em título – a

holandesa Ragna Debats – também

ela a defender a vitória em Espanha

no ano passado, mas que acabou por

desistir a dois postos de controlo da

meta. Estes ficaram destinados para a

neo-zelandesa Ruth Croft (à esquerda),

a atleta com melhor classificação no

ranking da ITRA entre as participantes

neste mundial, que venceu no ano

passado o OCC e a Marathón du Mont-

-Blanc; e para a espanhola Sheila

Aviles. Quanto à vencedora, foi a

primeira vez que alinhou pela equipa

francesa e garantiu à RUNning que

não estava à espera deste resultado:

“Se terminasse no top 10 para mim já

seria incrível, mas durante o percurso

tive pessoas a encorajar-me e isso

deu-me asas e continuei. O percurso

era técnico, principalmente na última

parte junto ao rio, e quando fizemos o

reconhecimento com a equipa, tinha

ficado com a sensação de que não era

para mim, mas hoje adorei-o. Depois a

coesão da equipa motivou-me muito

e ao saber que tinha vantagem sobre

a segunda classificada pensei que

enquanto tivesse pernas teria de ser

mais rápida pela equipa. Assim foi”.

A selecção francesa acabou

mesmo por arrecadar o título

de campeã do mundo absoluto

por equipas. Do lado masculino

foi seguida pelas selecções

britânica e espanhola; e, entre

as mulheres, pelas selecções

espanhola e romena.

Emoções

épicas

As primeiras três classificadas

portuguesas – Mary Vieira (1.ª),

Lucinda Sousa (3.ª) e Inês Marques

(2.ª) – não esconderam que o

resultado das suas prestações foi

o culminar de muitos meses de

esforço e dedicação.


40

Hélio Fumo

conquista resultado

histórico para Portugal

Hélio Fumo foi a figura nacional desta competição, obtendo

um resultado histórico para a selecção ao fechar o top 10,

em 3h37m44s. No final ainda teve fôlego para levar o público

ao rubro e cantar a plenos pulmões. “Foi por causa disto que

consegui fazer o resultado que fiz, tivemos esta gente toda a

gritar ao longo de todo o percurso”, disse. O atleta destacou

ainda a prestação dos colegas de equipa – Tiago Romão, que foi

o segundo melhor português; Romeu Gouveia, que conseguiu,

aos 21 anos, ser o terceiro melhor atleta nacional na sua

estreia na selecção; e Dário Moitoso, o faialense que também

conseguiu na sua estreia o quarto melhor tempo nacional. “O

Romeu e o Dário são o futuro do nosso trail e estão de parabéns

por na sua estreia não se terem deixado intimidar, fazendo

uma prova ‘dos diabos’”, fez questão de sublinhar Hélio Fumo.

“Mostrámos ao mundo que conseguimos organizar e que

estamos presentes em todo o percurso”, rematou. O quinto

atleta nacional a cortar a meta foi Bruno Silva. Seguiram-se

Tiago Aires, Luís Semedo e Bruno Sousa. André Rodrigues, a

“cara” deste mundial e incansável na preparação do mesmo,

acabaria por desistir por lesão.

Miguel Reis e Silva, atleta e médico da Selecção Nacional, foi um dos

primeiros a parabenizar Hélio Fumo pelo seu resultado na competição.

Luis Alberto Hernando – na foto com os colegas de equipa Antonio

Martinez (8.º) e Andreu Simon (9.º) – mostrou-se desgastado e desiludido

no final da prova, mas nunca perdeu a simpatia.


41

Do lado feminino, Mary Vieira e Inês Marques inverteram os lugares face ao ano

passado terminando, respectivamente, na primeira e na segunda posições. No

seu regresso à selecção Lucinda Sousa não deixou fugir o último lugar disponível

no pódio nacional. Mariana Machado, na sua estreia na selecção, alcançou a

quarta posição, seguida por Paula Soares e Cristina Couceiro. Sofia Roquete, Sara

Brito e Paula Barbosa completaram a formação feminina nacional na chegada à

meta. À RUNning a atleta nacional melhor classificada, que também tem dado

cartas nas competições militares, disse estar “muito feliz” embora lembre que

o colectivo “trabalhou para isso”. “Tivemos a vantagem de poder fazer antes

o percurso, por isso foi uma questão de gerir bem a primeira parte para evitar

chegar aos 18 km sem forças para fazer o restante percurso”, revelou Mary Vieira

sobre a estratégia seguida. A atleta destacou ainda “o apoio do público ao longo

de todo o percurso, que incentivava a correr também nas subidas”. A selecção

nacional feminina alcançou a 10.ª posição.

Em terras lusas melhor do que o quinto lugar para Portugal hoje seria

impossível, nas palavras do seleccionador nacional José Carlos Santos, já que

a quarta equipa ficou cerca de oito minutos à frente da das quinas. “Igualámos

a nossa classificação colectiva feminina, num contexto de 53 equipas por

oposição a 37 que tivemos no Gerês, e fizemos o nosso melhor resultado

a nível individual com o 10.º lugar da geral do Hélio Fumo”, sumarizou o

seleccionador nacional em declarações à RUNning.

Em termos organizativos, José Carlos Santos, que, além de seleccionador

nacional é também vice-presidente da ITRA, destacou o trabalho realizado

em Portugal que “elevou ainda mais a fasquia face ao ano passado em

Penyagolosa, Espanha, sendo esta uma opinião unânime de todos os

elementos da ITRA e da IAU”. Este sucesso sublinhado pelo vice-presidente

da ITRA “não foi só em termos organizativos, mas de participação do público

também”.

O novo campeão do mundo Jonathan Albon recebeu o vice-campeão

do mundo Julien Rancon, num abraço emocionado, mostrando que no

trail não há fronteiras nem bandeiras.

Não foi só a nova campeã do mundo, a francesa Blandine Lhirondel,

que chegou à meta em lágrimas. Os familiares também não contiveram

as emoções.


42

Portugal

ao rubro por

profissionais

e amadores

Neste campeonato o nosso país

mostrou que, quando quer, não

há melhor anfitrião. Atletas,

seleccionadores e organizadores não

esconderam a emoção despoletada

por um público ao rubro a cada

subida, a cada descida, a cada curva

e escadaria. Foram palmas, gritos de

incentivo, bandeiras, apitos e até as

velhinhas vuvuzelas saíram para os

trilhos para fazer a festa do trail.

As selecções, particularmente a

portuguesa, souberam agradecer

o apoio e retribuir-lo logo no dia

seguinte. A cada subida, a cada

descida, a cada curva e escadaria os

atletas que a 9 de Junho quiseram

sentir nas pernas o peso dos 44 km

que definiram os campeões do

mundo, encontraram um público ao

rubro e, entre ele, “a nossa querida

selecção”.

Pedro Ribeiro, do Victória FC Trail

Running, e Susana Echeverría, do

Coimbra Trail Running, inscreveram

os seus nomes na história de uma

edição tão especial do Ultra Trilhos

dos Abutres, cortando a meta em

primeiro lugar em 4h18m e 5h04m,

respectivamente. Juntaram-se a eles

no pódio Sérgio Sá, da equipa Águia

de Alvelos, e João Lopes, também

do Vitrória FC Trail Running, do

lado masculino; e Nádia Casteleiro

e Alexandra Fernandes, ambas da

Oralklass/Amigos do Trail, do lado

feminino.

Com milhares de pessoas nas ruas

e nos trilhos por onde quer que o

programa do evento passasse, é caso

para dizer que se os Trilhos dos Abutres

já eram épicos, no Campeonato do

Mundo de Trail tornaram-se numa

referência internacional.

Matias Novo

Miro Cerqueira

O nepalês a residir em Portugal Aite Tamang não escondeu a alegria de

representar o seu país na terra que o acolheu.

Também os atletas quiseram registar este momento para a posteridade.

Hélio Fumo não deixou escapar nada da cerimónia de abertura.


publi-reportagem

cream.pt by Paulo Nunes

Com uma equipa multidisciplinar ramificada pelas áreas de multimédia, comunicação, design,

gestão de imagem e marketing, a CREAM assume-se como uma contadora de histórias de

emoções fortes, sendo a mais recente o Abutres 2019 Trail World Championships.

A

CREAM Creative Team é uma

agência de marketing desportivo que

não se limita a fazer, mas também a

partilhar aventuras e a viver desafios. A

importância do marketing desportivo no

panorama actual elevou os níveis dos padrões de

exigência, o que justifica, sem dúvida, uma agência

especializada. A CREAM vem colmatar uma

lacuna de mercado, marcando a diferença pela

especialização na área de actuação.

No decorrer do trabalho que a CREAM

tem vindo a realizar ao longo dos últimos cinco

anos com a Associação Abútrica, a Agência

foi um parceiro preponderante no processo de

candidatura ao Campeonato do Mundo de Trail,

no qual foi elaborado um plano de marketing,

um levantamento do impacto das edições

anteriores e de muitas outras métricas que foram

exigidas à organização. Com a vitória, vieram 18

exigentes meses de trabalho, durante os quais foi

levado a cabo todo o desenvolvimento criativo,

como a imagem gráfica do evento, na qual se

privilegiou uma linguagem simples, de modo a

dar protagonismo aos elementos principais “a

montanha e o atleta”, campanhas de activação

em Portugal e no estrangeiro e, por fim, a

comunicação com os media nacionais e os (muitos)

internacionais que estiveram presentes na cobertura

do evento. O slogan que rodou na boca de todos,

foi “beber” inspiração ao reconhecido slogan da

prova “an epic trail”, mas evoluindo, passando

o foco para os atletas, para as selecções, para a

organização, e, principalmente, para o público.

“You make it epic” foi rapidamente assimilado por

todos, tornando-se num slogan viral!

Brevemente a CREAM vai colaborar no

lançamento de mais uma prova de trail, o Louzan

Sky Race, organizada pelo Montanha Clube,

entidade para quem a CREAM, no início deste

ano, já tinha trabalhado ao nível criativo, com o

LouzanTrail, evento que trouxe até Portugal o

prestigiado Golden Trail Series, que acolheu alguns

dos melhores atletas da modalidade.

Além de entidades e eventos ligados ao desporto

outdoor, como a Corrida dos Reis, a Associação

de Trail Running de Portugal e as Barras Olimpo,

a CREAM também desenvolve projectos com

entidades de turismo activo como o Centro de

Montanha, em Manteigas, e um Centro de Escalada

em Paredes.

Nas palavras de Sérgio Duarte, director criativo

da agência, na CREAM “pretendemos potenciar

os eventos desportivos, atletas ou marcas,

levando-os a cortar a meta em primeiro lugar”.

pretendemos

potenciar

os eventos

desportivos,

atletas ou marcas,

levando-os a

cortar a meta em

primeiro lugar

Sérgio Duarte

Mais informações em

www.cream.pt


44 trail metas

Azores Trail Run

Dias santos na ilha

migueljudas

vanessapais

Pelo sexto ano consecutivo, o Azores Trail Run

lotou a ilha do Faial com mais de 700 atletas – e

respectivos acompanhantes – que participaram nas

cinco distâncias em prova.

A “aventura”

que vai unir as

Flores e o Corvo

O principal objectivo

das provas organizadas

pelo Azores Trail Run é

“dar a conhecer as ilhas,

despertando nos atletas

a vontade de voltar”,

sustenta Mário Leal.

Nesse sentido e depois

de já ter chegado a Santa

Maria, onde se realiza

o Columbus Trail, e às

vizinhas ilhas do Pico e

de São Jorge, que em

Outubro recebem, com

o Faial, o Azores Trail

Run - Triangle Adventure,

o ATR vai também este

ano alargar-se ao Corvo

e à Graciosa, esta última

a receber a final da Taça

de Portugal de Trail

em Novembro. À prova

Extreme West Atlantic

Trail, nas Flores, junta-se

o conceito “Adventure” e

com ele uma etapa na ilha

do Corvo, num total de

“cerca de 60 km”, entre os

dias 13 e 15 de Setembro.

Mais informações em

www.azorestrailrun.com/

extreme-west-atlantic-trail

É

um ritual que se repete desde 2014.

Mal chega ao Faial, a maioria dos

participantes no Azores Trail Run

(ATR) começa quase sempre por visitar

o Peter Café Sport, onde, por entre o

tradicional gin tónico com vista para o Pico, se

reencontram amigos e impressionam os estreantes

com as histórias de anos anteriores. O histórico

estabelecimento, aberto há mais de 100 anos

mesmo em frente à Baía da Horta, é assim um dos

primeiros locais onde o movimento provocado

pelo ATR, sempre no último fim-de-semana de

Maio, começa a ser notado. “Este ano começaram

a chegar mais cedo, já desde terça-feira que

estamos a servir pessoas do trail”, confirma à

RUNning Mariana Lopes, uma das empregadas

mais antigas do Peter’s, que reconhece de

imediato estes clientes sazonais pelas “roupas

mais desportivas”.

Na edição deste ano, foram mais de 700 os

atletas inscritos nas cinco provas do ATR, entre

eles cerca de 200 estrangeiros, o que, refere

o director da prova, Mário Leal, à RUNning,

“representa o dobro do ano anterior”. Um deles

foi o americano Matthew Swoveland, 34 anos,

repetente no ATR desde 2015, que desta vez

chegou de Boston na segunda-feira anterior

à prova com um grupo de sete amigos que

convenceu a vir conhecer os Açores. Nos dias que

antecederam a prova fizeram de tudo um pouco:

observaram cetáceos, subiram ao Pico (onde

pernoitaram numa tenda), foram à praia, provaram

os pratos mais típicos e no final ainda tiveram

energia para fazer uma longa prova de trail, alguns

deles pela primeira vez. O grupo ficou hospedado

na residencial São Francisco, no centro da Horta,

que “praticamente lotou” as 65 camas disponíveis

“só com hóspedes vindos para o ATR”, adianta o

proprietário da unidade, António Sousa, 39 anos,

também ele participante na prova, na de maior

distância, a The Whaler’s Great Route, de 118 km.

Bruno Branquinho, 38 anos, já há algum

tempo que pensava participar. Só faltava decidir

a distância. Mas ficou convencido enquanto

participava no Extreme West Atlantic Trail, em

Novembro, a prova aberta da final da Taça de

Portugal de Trail de 2018 disputada na ilha das

Flores. “Foi um participante com quem fiz a parte

final do percurso que me falou do ambiente que

se vive no ATR e disse-me que ia fazer os 65 km.

Decidi fazê-los com ele”, recorda o atleta, que

convenceu o amigo Tiago a acompanhá-lo – este

para participar nos 42 km. Chegaram na quinta de

manhã para só partirem na segunda à tarde. “Cinco

dias completos que deram para fazer turismo e

correr a ilha toda”, com destaque para “o vulcão

dos Capelinhos, a praia de Almoxarife, a baía de

Porto Pim, as piscinas do Varadouro e, claro, a

Caldeira”, que teve a sorte de ver “completamente

descoberta”, quando lá passou durante a prova.

O programa do ATR é de sexta a domingo,

mas “a maioria dos participantes chega antes e só

parte depois e muitos trazem a família ou outros

acompanhantes”, o que só por si, salienta Mário

Leal, “atesta bem a importância deste evento”

para a economia local. “Este ano aconteceu até

uma coisa engraçada, com um senhor, proprietário

de uma pequena mercearia, que veio ter comigo

para dizer que queria apoiar as edições futuras

da prova, apenas porque sentiu um considerável

aumento das vendas nestes dias”, conta.


partidas trail

45

STE - Montepio Sintra Trail X’Treme

Sintra ao

extremo

Cátiamogo

Cortesia da organização

Após ter sido o palco do Campeonato Nacional de Trail, em 2018, a terceira edição do STE -

Montepio Sintra Trail X’Treme chega a 7 de Julho com novidades e promete levar os participantes

ao limite, numa prova por trilhos de rara beleza e um grau de dificuldade (ainda) mais elevado.

É

uma oportunidade única para ver Sintra

com outros olhos e para passar por

algumas zonas habitualmente vedadas

ao público. Aos percursos de 31 e de 10

km junta-se este ano a prova intermédia

de 21 km, em três traçados “desenhados de forma

muito equilibrada”, de acordo com o organizador

José Carlos Santos. O responsável pela empresa

Declive Sublime e vice-presidente da International

Trail Running Association (ITRA) explica que a

prova maior, de 31 km, – Montepio Sintra Trail

X’Treme – “é bastante exigente e indicada para

atletas mais experientes, a de 21 km [Montepio

Sintra Trail X’Plore] para atletas que pretendam

fazer a distância da meia maratona em trilhos e a

de 10 km [Montepio Sintra Trail X’Perience] para

quem está a começar a correr em trilhos, mas

ainda assim desafiante”.

Atenta às opiniões dos participantes das

edições anteriores, a organização decidiu alterar

a localização da partida e da meta para o Largo

D. Fernando II, conhecido como Largo da Feira,

mesmo no coração de São Pedro de Sintra, por

ser uma “zona mais dinâmica e com melhores

apoios para os atletas e respectivas famílias”.

O responsável adiantou ainda à RUNning que o

facto de o Sintra Trail X’Treme ter recebido o

Campeonato Nacional de Trail em 2018 “trouxe

bastante visibilidade e reconhecimento, dando a

conhecer o evento a equipas e atletas que no ano

anterior não estiveram presentes”.

Segundo José Carlos Santos, “o conceito

X´treme deve-se ao grau de dificuldade da prova

de 31 km, não só em termos de percurso, contando

com exigentes subidas e com descidas bastante

técnicas, como em termos de tempo limite de

prova (5h30)”. Este ano as provas maiores passam

de novo pelos terrenos da Quinta Vale Flor,

“propriedade privada de rara beleza, sendo uma

oportunidade única para correr num local vedado

ao público. Ambos os percursos passam por alguns

trilhos míticos da Serra de Sintra”, sublinha.

Quem corre as duas provas maiores disputa pontos

para o conceituado Ultra Trail du Mont-Blanc (dois

pontos ITRA para os que terminarem a prova de

31 km e um ponto ITRA para os que finalizem

os 21 km) e quem compete na corrida mais longa

pode pontuar para o Circuito Nacional de Trail

da Associação de Trail Running de Portugal

(ATRP).

Está prevista a participação de cerca de 700

atletas nesta competição.

AMIGOS DO

AMBIENTE

Depois de, na edição

passada, a organização

ter implementado uma

política de marcação

de barras e géis com o

número do dorsal, que

se revelou um verdadeiro

sucesso no controlo do

lixo no percurso da prova,

este ano, a competição

será ainda mais amiga

do ambiente, proibindo

copos de plástico em

todos os abastecimentos.

Altimetria

31 km - 1710D+

21 km - 1090D+

10 km - 414D+


46 trail partidas

Mais

frescos,

mas não

mais fáceis

Cortesia da organização (2017)

ana Ritamoura

Calor extremo e “subida da morte” são termos que já associamos imediatamente ao trail mais

quente do ano – o Ultra Trilhos da Rocha da Pena. À sexta edição, com partida marcada para 10

de Agosto, a temperatura promete baixar, numa edição especial by Night, mas só quem nunca

por lá passou é que pode pensar que será mais fácil.

As inscrições estão

abertas e mais

baratas até ao dia

15 de Julho. Mais

informações em:

www.utrp.pt

Está quase a chegar ao interior do concelho

de Loulé a 6.ª edição do Ultra Trilhos da

Rocha da Pena (UTRP), que este ano se

apresenta by night. A 10 de Agosto, às

18h00, começa a festa, com o cunho

organizativo da Algarve Trail Running (ATR), que

promete iniciar com um pôr-do-sol de tirar o fôlego e

para o ar que restar há, mais à frente, “a subida da

morte”. Mas antes disso vai poder apreciar o céu

estrelado na Serra do Caldeirão, que se transforma na

chuva de estrelas conhecida por “Perseidas”.

A beleza e exigência do percurso podem ser

apreciadas em três distâncias, dos 16 aos 55 km,

passando pelos intermédios 24 km, sendo que as

distâncias maiores integram os circuitos nacionais

de trail e ultra trail da Associação Trail Running

Portugal (ATRP), respectivamente. A prova-rainha

qualifica ainda para o Ultra Trail du Mont-Blanc.

Trilhos verdes, verdinhos

O UTRP também é parceiro do ambiente

e recentemente angariou duas importantes

certificações. Na prática, o que vai acontecer é a

implementação de mais medidas que promovam a

sustentabilidade e a redução da pegada ecológica,

algumas das quais financiadas pelo programa

“Sê-lo Verde”, do Fundo Ambiental, e certificadas

pela Algar como Ecoevento, o que significa que

haverá uma fiscalização da implementação das

mesmas. Assim, exemplifica Germano Magalhães,

da organização, no âmbito da certificação da Algar:

“Será feita a separação e deposição selectiva dos

resíduos de embalagem produzidos durante o evento,

bem como acções de sensibilização dos agentes

envolvidos. Para que se possa fazer a separação

dos resíduos recicláveis serão disponibilizados

contentores e sacos coloridos. Além disso, a entrega

à Algar dos resíduos recicláveis produzidos no

evento permitirá à ATR receber uma contrapartida

financeira que poderá reverter para os projectos de

melhoria das condições da associação desportiva.”

Já no âmbito do programa “Sê-lo Verde”, a medida

financiada será a colocação de kits de produção de

energia fotovoltaica nos postos de abastecimento

nocturnos. “Este é um investimento com um custo de

8800 euros, que será financiado em 60%”, explica o

responsável da ATR. Mas além desta medida serão

implementadas outras não-financiadas: “Iremos optar

por material não-plástico nas fitas para marcação

do percurso, nos recipientes para alimentação e

hidratação e os troféus que iremos atribuir serão de

material reciclável ou natural.”


47

Trail da Lagoa de Óbidos

Os trilhos da Lagoa reinventados

carlalaureano

Vitor Oliveira (Wikimedia)

Depois de uma década de Trail Nocturno, a Lagoa de Óbidos recebe agora a competição num

novo formato, mas com a mesma paisagem como pano de fundo e com a praia a continuar a

fazer parte do programa.

Certamente que o Trail Nocturno da

Lagoa de Óbidos era já uma prova

que fazia parte do calendário de

muitos dos atletas nacionais e, depois

de no ano passado ter sido anunciado

que a 10.ª edição seria a última, não há razões

para desanimar, porque a competição regressa,

mas noutro formato.

Organizado agora pela Ganhar Destak, com o

apoio da Câmara Municipal de Óbidos e da Junta

de Freguesia do Vau, o Trail da Lagoa de Óbidos

realiza-se 21 de Julho, com partida e chegada

na Praia do Bom Sucesso. Mudou “o mês, a

hora, a imagem e as distâncias” da competição,

que terão “um percurso misto em asfalto no

início, de seguida os atletas entram na praia,

correndo na areia junto ao mar, seguindo-se dois

terços do percurso em terra batida ao longo da

Lagoa de Óbidos”, explica Carlos Lourenço, da

organização.

Do programa fazem agora parte duas distâncias:

um Trail Longo, de 26 km (601 metros de

desnível acumulado, 300 metros de desnível

positivo e 301 metros de desnível negativo)

e um Trail Curto, de 12 km (355 metros de

desnível acumulado, 177 metros de desnível

positivo e 178 metros de desnível negativo).

Este último pode ser feito a correr ou a

caminhar. Ambas as provas têm início marcado

para as 9h30, sendo que na de 26 km o tempo-

-limite será de quatro horas.

Considerado um dos locais mais bonitos da

costa Ocidental de Portugal, Carlos Lourenço

enumera aqueles que considera serem os

destaques desta edição: “a paisagem junto à

falésia, o mar e a Lagoa de Óbidos”.

Apresentando um formato diferente daquele

a que os atletas estavam habituados neste

local, “as expectativas são muitas”, garante o

responsável da Ganhar Destak, acrescentando

que “o objectivo é tornar esta prova numa

referência nacional” e, pensando mais à frente

“internacionalizá-la no próximo ano”. Para já, na

edição de estreia deste renovado Trail da Lagoa

de Óbidos, a prova tem como padrinhos os atletas

Filipa Elvas e Paulo Morais.

O objectivo é

tornar esta prova

numa referência

nacional

Carlos Lourenço


48 trail lá fora

Ultra Trail Atlas Toubkal

Enfrentar

o gigante

Richard Couret

Carlalaureano

As montanhas do Atlas, em Marrocos, voltam a receber centenas de atletas para a 11.ª edição

do Ultra Trail Atlas Toubkal, que se realiza entre 3 e 7 de Outubro. A prova já conquistou o seu

lugar não só pela competição, mas também pela forte vertente cultural.

inscrições abertas

até 15 de Setembro

atlas-trail.com

Quando se pensa no Ultra Trail Atlas

Toubkal (UTAT) o que nos vem

imediatamente ao pensamento é a

dureza da prova, mas também as

montanhas e as paisagens de cortar

a respiração, as aldeias berberes que se

atravessam e as diferentes condições

climatéricas que se enfrentam.

Esta é uma aventura onde embarcam todos

os anos centenas de atletas e que, nesta 11.ª

edição, é composta por cinco desafios: 105 km

e 8000 metros de desnível positivo (D+); 42

km e 2600 metros D+; 26 km e 1400 metros

D+; 42 km + 26 km em dois dias; 12 km e 500

metros D+.

A prova que percorre a parte marroquina da

cordilheira do Atlas tem partida agendada para

5 de Outubro, em Oukaimeden, uma aldeia a

2700 metros de altitude na qual se encontra a

base logística de todo o evento. Pelo percurso

da prova, os atletas irão encontrar cerca de

50 quilómetros só de trilhos utilizados pelas

populações berberes que habitam as aldeias e

que os usam para se deslocarem no dia-a-dia.

Assim, os encontros com os habitantes locais

são inevitáveis, enriquecendo, certamente, a

experiência dos participantes.

Portugueses embarcam na aventura

Paulo Pires fez a prova pela primeira vez em

2012 e a experiência foi tão enriquecedora

que convenceu vários dos seus amigos a

aventurarem-se pelo Atlas. Desde 2015 que é o

embaixador em Portugal do UTAT, dando apoio

aos portugueses que viajam até Marrocos para

esta competição, atletas ou acompanhantes,


49

Ultra-Trail Harricana

Quebec, Canadá 6 a 8 de Setembro harricana.info

Guillem Casanova

“Deixe o seu lobo interior correr e liberte o seu lado selvagem”. É

este o mote para o Ultra-Trail Harricana do Canadá (UTHC), prova

patrocinada pela The North Face. Desde 2012 que em Setembro cerca

de 1500 atletas se reúnem para competir e explorar a floresta boreal,

a fauna e o lado selvagem de Charlevoix. Quanto às distâncias são de

5 km, 10 km, 28 km, 42 km, 65 km, 80 km, sendo a grande estrela a de

125 km, com 4000 metros de desnível positivo. O UTHC é uma prova

qualificativa para os Western States 100 e o Ultra-Trail de Mont-Blanc

(UTMB), além de fazer parte do circuito Ultra-Trail World Tour.

Festival des Templiers

Millau, França 17 a 20 de Outubro festivaldestempliers.com

Guillem Casanova

Cortesia da organização

mantendo a comitiva informada através do

blogue corremais.paulopires.net.

A grande novidade deste ano é a subida

ao Jbel Toubkal, o ponto mais alto do Norte

de África, com 4167 metros de altitude. O

acesso ao cume, que será feito por trilhos que,

dependendo do tempo, poderão estar cobertos

de neve, será realizado antes ou depois do

UTAT. O objectivo é formar dois grupos de

diferentes nacionalidades e proporcionar

momentos únicos de partilha e de convívio.

Para além da subida ao Jbel Toubkal

há várias actividades organizadas para os

acompanhantes, desde visitas-guiadas a

gravuras rupestres e a algumas das aldeias

berberes, bem como, caso haja interesse, uma

visita por Marraquexe.

Entre os atletas que já viajaram com a

comitiva portuguesa encontram-se nomes

bem conhecidos como Armando Teixeira e

Natércia Silvestre que, em 2017, conseguiram

um segundo lugar no UTAT, na geral, e em

femininos, respectivamente; ou Tiago Aires, que

também subiu ao segundo lugar do pódio, mas do

Challenge (42 km + 26 km), no mesmo ano.

O Festival des Templiers é uma das competições de trail mais

antigas em França (1995), que reúne cerca de 10 000 corredores a

cada ano. No total estão programadas 16 corridas, que vão desde

1,5 km a 108 km, no coração de Causses. Mesmo não sendo a mais

longa, a prova que atrai as atenções é o Grand Trail des Templiers

(78 km e 3650 metros de desnível positivo). O Endurance Trail

apresenta o percurso mais longo, com 108 km e 4800 metros de

desnível positivo, passando por três planaltos (Causse Noir, Causse

Méjean e Larzac) e três vales (Dourbie, Jonte e Tarn). Algumas das

provas são certificadas pela International Trail Running Association

e são qualificativas para o UTMB.

Annapurna Trail Marathon

Annapurna, Nepal 26 de Outubro annapurna100.com

A Annapurna Trail Marathon é a nova distância criada na Annapurna

100, que será também palco da final do Golden Trail World Series

2019, com os atletas a terem de enfrentar 42 km com 3560 metros de

desnível positivo. Os participantes do circuito terão de competir em

três das seis etapas qualificativas (Zegama-Aizkorri, Mont-Blanc

Marathon, Dolomyths Run, Sierre-Zinal, Pikes Peak Marathon e Ring

of Steall) e alcançar o top 10 para ter a oportunidade de competir na

prova nepalesa. Depois da última etapa os dez melhores atletas

masculinos e femininos serão convidados a disputar a grande final.

Entre eles poderá estar o ultra-runner da Salomon, Killian Jornet,

que este ano apostou no circuito Golden Trail World Series.


50 agenda

estrada

Dia Corrida Distância (km) Onde Dia Corrida Distância (km) Onde

julho

5 Corrida Brilhante 8/12

Vilamoura,

Quarteira

5 Marginal do Rio Azul 10 Seixal

6 5.ª Grande Premio Santa Maria Lamas 8,7/3

6 4.ª Corrida S.Pedro by night 14

Santa Maria de

Lamas

Porto de Mós,

Leiria

6 8.ª Légua Noturna 5 Odivelas

7 XIII Memorial Francisco Lázaro 10 Lisboa

7 Corrida Portucale 15/5 Porto

13 Pinhal Novo Run 8 Pinhal Novo

13 Sunset Sun Ribeirinha 10

13 Corrida da Lagoa de Santo André 4/5/10

Baixa da

Banheira, Setúbal

Lagoa de Santo

André

13 Corrida Popular da Costa Nova 10/500 metros Ílhavo

13 Aquae Flaviae Night Run 13/7 Chaves

20

I Corrida das Tasquinhas de S. Tiago

de Sivalde

8 Espinnho, Aveiro

20 4.ª Corrida Noturna da Caparica 10 Costa da Caparica

21 3.ª Corrida "Festas de Loures" 10

Parque Adão

Barata, Loures

21 Corrida Aniversário do MTBA 10 Magoito, Sintra

22

7.ª Légua Nudista Internacional da

Praia do Meco

5 Praia do Meco

27 Corrida Milionária 10/5 Espinho

27 Shark Race 8/4 Costa da Caparica

27 Corrida do Parque À Noite 8 Porto

agosto

3 Shark Race 8/4 Lagos

10

15 km de Barrelas e Caminhada Solidária

da Liga Portuguesa Contra o Cancro

15

Vila Nova de

Paiva, Viseu

10 Corrida Solidária de São Romão - Carvalhal 15/11 Carvalhal, Grândola

10 Shark Race 8/4 Portimão

17 Montalegre Night Running 10/5 Montalegre

17 Shark Race 8/4 Sesimbra

24 Shark Race 8/4 (a designar)

trail

Dia Corrida Distância (km) Onde Dia Corrida Distância (km) Onde

julho

7 Alfusqueiro Trail 17/32 Águeda

7 Montepio Sintra Trail X'treme 31/20/10 Sintra

7 III Trail do Argo 16

Goiós - Marinhas,

Esposende

7 Trail Kalorias Auchan 10/15 Torres Vedras

7 5º Trail Moinhos Saloios 25

7 II Trail Trilhos do Arroz Doce 16

Venda do

Pinheiro, Santo

Estêvão das Galés

Formoselha,

Montemor-o-Velho

7 Ultra Trail Douro e Paiva 68/40/25/16 Cinfães

13 Trail Penedo da Moura 18/10

Mogege, Vila Nova

de Famalicão

14 Caldas Ultra Trail 46/25/15 Caldas da Rainha

14

3ª Meia Maratona Trail Areias do

Caetano

21/10/8

14 Trail da Lomba 12/25

São Caetano,

Cantanhede

Lomba,

Gondomar

20 Bravos@Bravitas Run 10 Caldas de São Jorge

20 Arada Night Race 33/23/15 São Pedro do Sul

20 Trail e Caminhada da Coruja 13/25/10 Coruche

20 VI Trilho de S.Tomé'19 12/17/25

Ferreira-a-Nova,

Figueira da Foz

20 Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos 42/21/10 Óbidos

21 Kayak Trail do Tejo 6/ 10/16 Constância

21 The Amazing Espite Trail 25/15 Espite, Ourém

27 III Trail Noturno Monte Santo Antão 21/12 Vila Praia de Âncora

27 Bonito By Night 20/10 Entroncamento

28 Trail Nossa Senhora do Pranto 6/10/21 Sabugosa, Viseu

28 Trail Caminhos do Caima 10/13/24

agosto

3 Ultra Trail Run Santa Cruz 22/42

4 Ultra Maratona Atlântica Melides - Tróia 15/43

Branca,

Albergaria-a-Velha

Santa Cruz, Torres

Vedras

Praia de Melides e

Praia da Comporta

10 Ultra Trilhos Rocha da Pena 55/24/16 Salir, Faro

11 III Trail Lama Solta 19/12 Louriçal, Pombal

11 III Trail Rota dos Espigueiros 38/21/12

Caparrosinha,

Tondela, Viseu

18 Zoelae Trail 30/20/10 Bragança

31 Torres Novas Night Trail 25/15/10 Torres Novas

(ORIGINAL) Richard Couret

More magazines by this user
Similar magazines