Revista Apólice #245

revistaapolice

Ano 24 - nº 245

Julho 2019

>>

ESPECIAL SAÚDE

Atenção Primária à

saúde é o caminho

para melhorar o

atendimento ao

consumidor

Telemedicina: um

conceito que já está

em prática

Portabilidade em

planos empresariais

com novas regras

Odontologia: a

tecnologia como

parceira para novos

negócios

SEGURALTA

Investimento e

conhecimento

aplicados à inovação

Corretora optou por espalhar seu modelo de negócios através de franquias sem

abandonar o perfil inovador, que trás ao mercado um seguro auto sob demanda

Reinaldo e Luiz Gustavo


editorial

Ano 24 - nº 245

Julho 2019

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necessariamente, a opinião desta

revista.

Atenção à saúde

Durante muito tempo, o mercado debateu a questão do aumento

dos gastos com saúde, fosse em forma de inflação médica ou de uso

indiscriminado. Também era conhecida a prática dos prestadores de

‘exagerar’ nos valores dos atendimentos. O setor combatia o aumento dos

custos com a diminuição dos serviços. Era comum observar que alguns

planos de saúde iam definhando em termos de atendimento, baixando

a qualidade da rede credenciada. A ANS – Agência Nacional de Saúde

Suplementar – sempre fez vistas grossas para esta prática.

Se por um lado havia exageros dos pacientes, por outro existia a

dificuldade em encontrar um médico clínico geral que pudesse passar

recomendações em casos de doenças simples, mas cujos sintomas são

extremamente desagradáveis. Nem todos os usuários procuram o Pronto

Atendimento antes de tentar marcar uma consulta com um clínico geral.

Muitas vezes, o usuário consegue uma consulta depois de muitos dias do

auge da sua doença.

Agora, em um tempo em que a sustentabilidade é a palavra da moda,

as operadoras finalmente investem em um modelo de negócios que seja

bom para ambas as partes. A volta do médico de família é uma notícia que

aquece o coração daqueles que conhecem o funcionamento do sistema.

Com esta figura, o usuário – teoricamente – não precisará correr para prontos

socorros e especialistas: o acompanhamento do paciente, bem como um

primeiro atendimento, passa por uma equipe multidisciplinar.

O APS, assim como a telemedicina, são ações que podem melhorar a

saúde dos usuários de forma geral, porque investem na prevenção e cuidado

da saúde, não na doença. Se a população estiver mais saudável, os custos

caem para todos. Resta saber se, em caso de redução de valores, a baixa

chegará à ponta da cadeia.

Boa leitura!

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Revista Apólice

Diretora de Redação

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entrevista

Tuca Ramos, sócio-fundador da TEM. fala sobre a empresa que já

comercializou mais de três milhões de cartões

painel

gente

capa

A Seguralta lança o seu produto de seguro de automóvel sob demanda,

que será distribuído pelos 1200 franqueados da corretora de seguros.

Produto é voltado para público que roda menos com o veículo

especial saúde

aps

O Atendimento Primário à Saúde cuida do indivíduo de forma integral,

com uma equipe multidisciplinar. Seu objetivo é a promoção da saúde e

a prevenção de doenças

odontologia

Com o objetivo de conquistar mais beneficiários, operadoras investem em

tecnologia para aumentar a satisfação de prestadores de serviços e clientes

portabilidade

ANS atualiza a regulamentação e beneficiários de produtos corporativos

também podem migrar de uma operadora para outra

telemedicina

O atendimento proporciona um primeiro contato com o paciente que

percebe algum contratempo de saúde, de forma rápida e conveniente

produto

Care Plus lança o Mental Health, com objetivo de colocar doenças mentais

e físicas no mesmo nível de importância

prestadora

Nova unidade do Grupo Hospitalar Vida´s atenderá a demanda de vários

bairros da região metropolitana de São Paulo

consumidores

Bradesco Auto/RE personaliza seguro para correntistas e projeta crescimento

nessa base de clientes.

ciab

O setor consolida sua presença, pelo quinto ano seguido, no maior

congresso brasileiro de tecnologia bancária

tecnologia

Insurtech & Inovação mostra novas fronteiras para as empresas brasileiras

que atuam em um mercado que está próximo de seu ponto de maturação

comunicação

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entrevista | tuca ramos

Novo modelo propõe solução

de saúde com preços populares

Sócio-fundador diz que empresa, que já emitiu mais de 3

milhões de cartões e possui quase 1 milhão de usuários ativos,

foi criada para atender a fatia de mais de 160 milhões de

brasileiros sem acesso aos planos de saúde

Kelly Lubiato

serviço de saúde exatamente no preço

pré-acordado, de forma segura e que,

por consequência, cria uma base de conhecimento

sobre o comportamento do

nosso usuário. Isso, de fato, gera muito

mais valor do que simplesmente “dar

acesso”. Esse novo posicionamento, e a

possibilidade de agregar serviços que ele

nos oferece, coloca a TEM. muitos passos

à frente da nossa concorrência. É assim

que olhamos para o mercado, pensando

no longo prazo.

Apólice: Como nasceu a TEM.?

Em 2014, mapeamos que 75% da população

não tinha nenhum tipo de acesso

aos planos de saúde e que os serviços particulares

eram muito caros. Entendemos

que havia uma enorme fatia do mercado

em potencial, sem precisar competir com

as operadoras e seguradoras de saúde.

Compramos o risco de sermos pioneiros

em um mercado que praticamente

inexiste, oferecendo serviços particulares

com preços populares e, ainda, propondo

uma operação inovadora, diferente de

tudo que outros poucos concorrentes

haviam tentado.

falta de acesso é a principal dor. O ponto

principal é que durante esses cinco anos

de atuação com a TEM. nós descobrimos

na prática que “dar acesso” não resolve

completamente o problema de “falta de

acesso”. Estamos trabalhando muitos

outros aspectos em nosso negócio.

Apólice: O que é o Cartão TEM.?

A TEM. é muito mais do que um

programa de benefícios ou um cartão

de desconto em saúde, como as pessoas

imaginam. Ela é uma Fintech que

propõe um modelo 100% transacional,

que garante a entrega da prestação do

Apólice: O produto serve para

consultas, exames e medicamentos?

Sim, mas também serve para muitas

outras coisas. É possível utilizar o produto

para realizar tratamentos odontológicos,

além de oferecer serviços de psicologia,

fisioterapia, fonoaudiologia e outras

categorias de medicina complementar. O

produto também pode ter outros serviços

agregados. Hoje nós incluímos seguros

e assistências nos pacotes de serviços e

entregamos ao mercado ofertas personalizadas

para cada parceiro.

Apólice: Como funciona o Cartão

TEM.?

Para os usuários são três etapas

simples: agendar, recarregar e usar. Os

agendamentos podem ser solicitados pelo

app, site ou telefone. Todas as solicitações

são enviadas ao nosso time de Concierge,

que orienta o usuário em todas as etapas.

Apólice: Qual “dor” do consumidor

a TEM. veio curar?

Bem, em um país onde 160 milhões

de pessoas não possuem plano de saúde

e, muitas vezes, não conseguem ser atendidos

pelo sistema público, sem dúvidas,

“Iniciar nossa operação distribuindo através de canais

que conversam em massa com o público-alvo foi a

grande aposta que fizemos”

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“O empregador que hoje não oferece

benefício de saúde também precisa de

uma solução que proporcione benefício

real para seu colaborar, com previsibilidade

de despesas”

Apólice: Quais foram os passos

para colocar o produto no mercado?

Antes de começar, nós olhamos o

mercado internacional, fizemos benchmark

e fazemos até hoje. A pergunta

é: que problemas queremos resolver?

Tomamos decisões importantes sobre

investimentos que dariam confiabilidade

ao negócio. Um bom exemplo é a rede

credenciada, na qual decidimos investir

para construir uma rede nacional antes

do lançamento do produto.

Apólice: Para quem é comercializado

o Cartão TEM.?

Como público-alvo, qualquer pessoa

que não tenha acesso aos planos

de saúde é um cliente em potencial. O

brasileiro de baixa renda está acostumado

a acessar saúde através do plano de

saúde oferecido pelo empregador ou dos

serviços públicos. Acho que, nesse caso,

iniciar nossa operação distribuindo através

de canais que conversam em massa

com esse público-alvo foi a grande

aposta que fizemos. Hoje, a maior parte

das nossas operações levam o nome de

seus canais.

Operamos os Programas de Saúde

de empresas, como o Natura Saúde da

Natura, +Saúde do Banco BMG, Sidney

Oliveira Saúde da Ultrafarma, Vida

Protegida e Premiada da Mapfre para

as Casas Bahia, Protege Saúde da TIM,

Saúde Up da OI e muitos outros.

Apólice: Qual é o papel da tecnologia

no negócio da TEM.?

Seguramente, tecnologia representa

80% do negócio. O que vendemos como

nosso principal diferencial, que é ter

uma operação transacional, só é possível

porque nós temos tecnologia financeira

embarcada nessa operação. Além disso,

oferecer serviços à população sem

acesso à saúde passa por

questões sobre como ter

uma operação escalável

e garantir uma boa experiência

a um usuário com

baixo nível de digitalização. Nós equalizamos

essas questões com tecnologia,

mesmo quando isso fica transparente

para o usuário.

Apólice: Você acredita que a

TEM. abriu um novo campo de atuação

em saúde?

Eu tenho certeza. Há cinco anos,

quando mapeamos as empresas com

modelos de negócio similares, o mercado

possuía três players importantes. Hoje,

todo dia vemos um novo entrante. As

clínicas populares também se multiplicaram

e foram importantes para que o

consumidor entendesse que era possível

ter atendimento com preço popular. Mas

a maior prova disso foi a edição da Resolução

2.226/2019 do CFM, publicada

em abril, que revogou o caráter antiético

da participação dos médicos em redes

referenciadas de programas de desconto.

Em sua carta de exposição dos motivos,

o CFM claramente diz que a mudança de

posicionamento ocorreu devido à absoluta

alteração na realidade econômica dos

médicos e ainda afirma que vinha sendo

questionado tanto pela classe médica

quanto pela sociedade sobre a proibição.

Isso só ocorre em mercados que conseguiram

formar massa crítica. Só a TEM

já emitiu mais de 3 milhões de cartões.

É muita demanda.

Apólice: Como você imagina o

futuro do setor de saúde suplementar?

Nós sabemos que o mercado de saúde

está sofrendo muita pressão. Milhões

de pessoas perderam seus planos de

saúde nos últimos anos, abrindo espaço

para modelos de negócio como o da

TEM. Os Estados Unidos e vários países

da Europa já praticam modelos que eu

acredito que também façam sentido para

o Brasil e todos os players estão atentos.

As operadoras estão endereçando seus

problemas e estão atentas, tanto aos movimentos

regulatórios como aos novos

modelos de negócio.

Hoje, por exemplo, temos conversas

abertas com redes hospitalares para

entregarmos pacotes de pequenos procedimentos

e cirurgias eletivas a preços

viáveis; com seguradoras, para incluir no

produto cobertura para grandes riscos; e

com instituições financeiras, que possam

financiar o usuário no uso de serviços

com preços mais elevados. Isso só é possível

porque nosso modelo não concorre

com o plano, na verdade, ele pode ser

extremamente complementar e atender a

uma fatia de mercado descoberta.

Além disso, estamos olhando com

muita seriedade e investindo no desenvolvimento

de produtos empresariais. O

empregador que hoje não oferece benefício

de saúde ou que vai deixar de oferecer

porque não consegue mais pagar, também

precisa de uma solução que proporcione

benefício real para seu colaborador, com

previsibilidade de despesas.

Nós identificamos esse espaço no

mercado. Temos um modelo para propor

e vamos fazer isso com força agora no

segundo semestre. Teremos o produto

empresarial disponível para distribuição

através de corretores, porque acreditamos

na capilaridade desse canal e sabemos

que são eles quem tem melhor entrada

nos RHs.

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painel

• nproduto

Frota Fácil nasce para atender de

3 a 20 veículos

Para atender as demandas

dos corretores e

do mercado empresarial,

a Liberty Seguros lança o

seguro Frota Fácil, focado

em agilizar as cotações e

negociações de coberturas

para frotas de 3 a 20

veículos, facilitando o processo e alavancando vendas.

O novo produto oferece cotação e emissão de apólices

online e pode ser personalizado de acordo com o perfil de cada

empresa, além de contar com coberturas e serviços completos,

como: colisão, incêndio, roubo ou furto e danos morais e

corporais causados a terceiros por veículos segurados. Além

disso, outros recursos podem ser incluídos, como assistência

24 horas (reboque, auto socorro, chaveiro, pane seca, entre

outros) e rastreador para veículos de alta exposição.

“Com o Frota Fácil apresentamos ao mercado um produto

simplificado e alinhado às necessidades dos corretores e seus

clientes. Oferecemos um seguro personalizável com cotação

ágil e digital para acelerar os negócios dos nossos parceiros”,

afirma Marcos Siqueira, diretor de seguros corporativos da

seguradora.

• nproduto 2

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• nagenda

Rio terá primeiro produto regional de saúde

A SulAmérica apresentou uma alternativa para tornar os

planos de saúde mais acessíveis a uma base maior de consumidores.

O SulAmérica Direto Rio é um produto regional,

com redes médicas regionais, serviços exclusivos e custo mais

acessível. A parceria para o lançamento do produto foi feita

com a Rede D’Or.

A capital carioca e a região metropolitana do Rio são as

primeiras a ter acesso ao novo produto, que prevê a coordenação

do cuidado assistencial, conectando diferentes níveis de

atendimento e inserindo o indivíduo no centro da atenção em

saúde. O “SulAmérica Direto Rio” inclui hospitais, clínicas,

laboratórios e especialistas reconhecidos na região, compondo

uma rede qualificada, e oferece um canal telefônico exclusivo

para agendamento de consultas e exames.

O preço inicial do produto é de R$ 132,00 por vida e ele

será comercializado para empresas a partir de 30 vidas. Este

valor inclui instrumentos para controle de custos, como co-

-participação. De acordo com Raquel Giglio, vice-presidente de

Saúde e Odonto da seguradora, este produto pôde ser viabilizado

a partir de medidas estruturantes para controle dos custos

que foram elaboradas ao longo dos últimos anos. “Nós fizemos

Paulo Guedes confirma presença

no 21º Congresso de Corretores

A Comissão Organizadora do 21º Congresso Brasileiro

dos Corretores de Seguros, que a Fenacor realizará na Costa

do Sauípe, Bahia, nos dias 10, 11 e 12 de outubro, tem uma

novidade para os congressistas: o ministro da Economia, Paulo

Guedes, confirmou presença no evento e fará a palestra magna,

na abertura do congresso.

Além do ministro, já estão confirmadas também as presenças

da superintendente da Susep, Solange Vieira, e dos presidentes

das principais seguradoras do Brasil, como Vinicius

Almeida Albernaz (Bradesco); Gabriel Portella (SulAmérica);

Roberto Santos (Porto Seguro); José Adalberto Ferrara (Tokio

Marine); Francisco Vidigal Filho (Sompo); Edson Franco (Zurich);

Murilo Setti Riedel (HDI); e Luis Gutíerrez (Mapfre).

Além do tema central do Congresso - “Os Desafios Para

a Retomada do Crescimento” - serão debatidas as seguintes

questões: “O Corretor de Seguros

do Futuro”; “Seguros de Pessoas e

Benefícios”; “Desafios Gerados pela

Inovação e Pelas Insurtechs”; “Possíveis

impactos da Reforma da Previdência

Sobre o Mercado de Seguros”;

“Perspectivas do Seguro Saúde”; e

“Combate ao Mercado Marginal”.

Creative commons attribution

acordos com os prestadores de serviços, por exemplo, para a

mudança da forma de remuneração, deixando de pagar por

atendimento e passando para um pagamento global acordado”.

A SulAmérica planeja uma expansão gradual dos novos

produtos para outras cidades do Brasil, em parceria com prestadores

médicos nas diversas regiões.


• nanálise

Como encontrar a apólice ideal de seguro residencial

Os seguros residenciais oferecem coberturas para uma

gama de eventos distintos. A cobertura básica é a de incêndio,

raio e explosão (IRE), e entre as adicionais estão as de

danos elétricos e responsabilidade civil familiar (RCF).

Para ajudar os consumidores a escolher uma opção

compatível com suas necessidades, a Proteste avaliou

124 apólices de seguro residencial de dez seguradoras

diferentes, levando em consideração seis cenários com

três perfis distintos em cada um deles e produtos.

Para cada necessidade, é recomendado um tipo de

seguro diferente. O seguro pode ser contratado pelo

proprietário que reside no imóvel, pelo proprietário que

aluga para terceiros ou por inquilinos. A modalidade de

contratação vai depender do perfil de cada um.

Como não são todas as seguradoras que fazem a

cobertura de somente conteúdo ou somente prédio,

estes consumidores devem solicitar ao corretor a

cotação das seguradoras que o fazem. Para fazer a

pesquisa de preço no mercado, é importante contatar

um corretor, assim será possível avaliar um maior número

de cotações. É importante também verificar, no site da

Susep, se a situação do profissional é regular.

Foto: Divulgação - Proteste


painel

• ninscrição

Prêmio Longevidade traz novidades em sua nona edição

Desde 2011, o Grupo Bradesco Seguros promove os

Prêmios Longevidade Bradesco Seguros, consolidados

como uma das mais relevantes iniciativas voltadas à reflexão,

difusão e discussão do tema em âmbito nacional. Em

2019, o Prêmio chega à sua nona edição com duas grandes

novidades que pretendem ampliar o espectro de visibilidade

e engajar uma quantidade cada vez maior e mais

diversa de participantes. As inscrições já estão abertas e

podem ser feitas até 6/9/2019 pelo portal.

Este ano, o Prêmio Jornalismo aumenta para cinco as

duas categorias anteriores – Impresso e Eletrônico –, que

foram desdobradas em Jornal Impresso, Revista Impressa,

TV, Rádio e Web. Já o Prêmio Histórias de Vida aposta na

força da imagem e acrescenta, à categoria Texto, a Fotografia,

dirigida a todos os públicos. Voltado à comunidade

acadêmica, o Prêmio Pesquisa em Longevidade mantém

as categorias Geriatria e Gerontologia.

"A evolução da discussão sobre o tema nos motivou

a realizar mudanças para estimular, de maneira ainda

mais consistente, a produção de trabalhos que reflitam a

importância e os impactos da longevidade nas diferentes

esferas da vida", destaca Alexandre

Nogueira, diretor do Grupo

Bradesco Seguros.

Desde a primeira edição, os

Prêmios Longevidade Bradesco

Seguros contam com a consultoria

do médico e pesquisador em saúde

pública Alexandre Kalache, ex-diretor do

Departamento de Envelhecimento e Saúde da Organização

Mundial da Saúde (OMS) e uma das maiores autoridades

internacionais em gerontologia.

Os dois primeiros colocados em cada uma das categorias

dos três Prêmios Longevidade receberão a premiação, além

de troféus e certificados. A cerimônia de entrega ocorrerá

durante o XIV Fórum da Longevidade Bradesco Seguros, que

reunirá especialistas e convidados nacionais e internacionais

em 12 de novembro de 2019, na cidade de São Paulo.

Os Prêmios fazem parte de um conjunto de ações mais

abrangentes desenvolvidas pelo Grupo Bradesco Seguros

desde 2006, com o intuito de difundir a importância de

conquistar um envelhecimento ativo e saudável.

• nfusão

Austral e Terra Brasis anunciam

fusão

A Austral Re e a Terra

Brasis Re anunciaram

ao mercado a assinatura

de um acordo de investimento

para fusão de

suas atividades. Da união,

resultará a segunda maior

resseguradora nacional em prêmios de resseguros emitidos (R$

672 milhões em prêmios emitidos bruto combinados em 2018)

e a quarta maior resseguradora local em patrimônio líquido

(R$ 387 milhões em patrimônio líquido combinado em 2018).

O bloco de controle da operação caberá à Vinci Partners,

tendo como sócios o grupo Brasil Plural e o International Finance

Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial,

que já detém participação nas duas companhias.

Bruno Freire será o CEO da nova companhia e Rodrigo

Botti será o CFO. A resseguradora manterá sua estratégia focada

no atendimento à indústria de seguros em todas as linhas

de negócio com soluções inovadoras, atendimento qualificado,

responsabilidade na gestão de riscos e os mais altos padrões

de governança corporativa.

• nmercado

Marketplace de API´s

Chegou ao mercado em junho o primeiro marketplace de

API´s do mercado de seguros, a GR1D. É possível escolher

qualquer serviço, produto, novidade entre centenas de API´s disponíveis,

que podem ser oferecidos aos clientes com baixo custo.

“De forma simples, você consegue adotar um serviço

que alguém está provendo em qualquer parte do mundo (insurtech,

seguradora, prestadora de serviço). Basta acessar o

site, escolher o API, integrar a solução e começar a usar para

o seu cliente”, explica

Renato Terzi, CEO

da GR1D.

Esta é apenas

uma das vantagens

do mundo do “Open

Insurance” que oferece

várias oportunidades

a custos menores.

Agora, caberá

às empresas entender

os seus clientes para

criar produtos mais

adequados, com melhor

experiência.

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• nregulamentação

Susep divulga regime de sandbox regulatório para seguros

A Superintendência de Seguros Privados,

junto com a Secretaria Especial de

Fazenda do Ministério da Economia, o

Banco Central do Brasil e a Comissão de

Valores Mobiliários, divulgaram a intenção

de implantar um modelo de sandbox regulatório

no Brasil.

De acordo com o comunicado publicado

no site da autarquia, “a iniciativa surge como resposta à

transformação que vem acontecendo nos segmentos financeiro,

de capitais e securitário. O uso de tecnologias inovadoras, como

distributed ledger technology – DLT, blockchain, roboadvisors

e inteligência artificial, permitem o surgimento de novos modelos

de negócio, com reflexos na oferta de produtos e serviços

de maior qualidade e alcance.

Esse cenário impõe aos reguladores o desafio de atuar

com a flexibilidade necessária, dentro dos limites permitidos

pela legislação, para adaptar suas regulamentações às mudanças

tecnológicas e constantes inovações, de forma que as

atividades reguladas mantenham conformidade

com as regras de cada segmento,

independentemente da forma como os

serviços e produtos sejam fornecidos,

principalmente sob as perspectivas da

segurança jurídica, da proteção ao cliente

e investidor e da segurança, higidez e

eficiência dos mercados.

Os reguladores coordenarão suas atividades institucionais

para disciplinar o funcionamento de elementos

essenciais do sandbox em suas correspondentes esferas de

competência, contemplando elementos comuns aos modelos

observados em outras jurisdições, a exemplo da concessão de

autorizações temporárias e a dispensa, excepcional e justificada,

do cumprimento de regras para atividades reguladas

específicas, observando critérios, limites e períodos previamente

estabelecidos. Os reguladores, ademais, buscarão atuar

conjuntamente sempre que as atividades perpassem mais de

um mercado regulado.


GENTE

Colombiano assume

seguradora

A Prudential do Brasil Seguros de Vida anunciou a

nomeação de David Legher para liderar a companhia,

assumindo a posição de Presidente e Chief Executive

Officer, assim que aprovado pelo órgão regulador.

Em sua função, o executivo terá responsabilidade direta por

todas as áreas da seguradora e se reportará a James Weakley,

vice-presidente da Prudential Internacional e Presidente Regional

da Divisão de Negócios Internacionais da companhia.

“O Brasil é um mercado-chave para a Prudential Financial”,

disse Weakley. “A Prudential teve um crescimento substancial

nos últimos anos, atendendo às necessidades de seguro de

vida de indivíduos e de empresas no Brasil. A nomeação de

David nos ajudará a fortalecer e apoiar esse crescimento. Ele

nos traz ampla e extensa experiência em seguros e marcas

de consumo, aplicando um pensamento inovador e uma nova

perspectiva para o negócio”.

Novidades na equipe

A Argo Seguros reforça sua equipe no Brasil. Este mês,

dois novos colaboradores passaram a fazer parte do time em

áreas estratégicas.

Com 20 anos de experiência e passagens por diversas

companhias do setor, Tatiana Bianco é a nova coordenadora

de Resseguros. Ela terá a responsabilidade de coordenar os

contratos de resseguro e os processos

operacionais da área.

Outro que se junta à equipe é

Tiago Grapea Camillo. Com mais

de 15 anos de experiência no setor,

ele será o coordenador de Gerenciamento

de Riscos e terá como

missão monitorar a sinistralidade

das contas de Cargo & Marine.

Mais inclusão

A MetLife anunciou a

vice-presidente Cindy Pace

como sua nova diretora global

de Diversidade e Inclusão. Com

essa iniciativa, a empresa continua

posicionando a diversidade

e a inclusão como fatores para

o sucesso, crescimento e inovação

da companhia.

“Estou animada com tudo

o que podemos realizar por meio do nosso compromisso

contínuo com a diversidade e a inclusão”, diz Susan Podlogar,

vice-presidente executiva e chefe de Recursos Humanos da

empresa. “Acredito que esses esforços ficarão ainda mais

fortes sob a liderança de Cindy”, ressalta.

Mudanças no Brasil

Eduardo Viegas assume como CEO da Berkley

Brasil. Com experiência de mais de 20 anos no mercado

financeiro e segurador, Viegas está na Berkley desde 2016,

onde ocupava a posição de vice-presidente técnico operacional.

“Estou

muito entusiasmado

e

honrado com

mais este desafio.

Em um

momento único

de grandes

mudanças no

setor, devemos

de forma consistente

intensificar a nossa busca por inovação, sempre

tendo como foco a qualidade e o cuidado na relação

com nossos corretores e parceiros. A especialização em

produtos e o interesse continuo em “escutar” as necessidades

do mercado devem seguir sendo o DNA da mesma

Berkley que iniciou sua operação no Brasil há mais de 12

anos”, diz Viegas.

O executivo José Marcelino Risden, que liderou a

seguradora desde o início da operação, passa à posição

de Chairman do conselho da Berkley. “Esta nova

estrutura é resultado da evolução da companhia e do

reconhecimento ao trabalho do Eduardo Viegas. Agora

como parte do conselho, tenho como principal missão

dar continuidade ao trabalho de relacionamento com as

entidades do setor e com o mercado de corretores que

sempre foi minha principal vocação, da qual não poderia

me afastar“, diz Risden.

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Subscrição e sinistros

A AXA Seguros tem nova liderança na área de subscrição.

Igor Di Beo, que já era responsável por sinistros,

é o novo diretor de Subscrição e Sinistros da companhia

reportando-se para Delphine

Maisonneuve, CEO da

seguradora no Brasil. Fazem

parte da equipe as estruturas

lideradas por Carla Almeida,

diretora de P&C; Clóvis

Silva, superintendente de

Massificados; Arthur Mitke,

superintendente de Sinistros;

e Vivian Kautz, gerente

atuarial.

“Espero poder contribuir de maneira significativa

com o time para aprimorar nossas soluções de acordo

com as necessidades de mercado. A experiência que

trago das áreas de Riscos e Operações vão contribuir

para dar ainda mais agilidade ao processo de cotações

e fechamento de negócios”, afirma Di Beo.

Ela tem a força

Com ampla experiência

na prática de seguros e resseguros,

a sócia do Mattos

Filho, Camila Calais, foi a

vencedora do Americas Women

in Business Law Awards,

na categoria insurance &

reinsurance.

Na disputa com outras

cinco advogadas, a executiva

foi a única brasileira a concorrer ao prêmio nesta área. “Reconhecimentos

como esse são cada vez mais relevantes para

promover o crescimento de mulheres dentro de mercado

jurídico, permitindo a valorização de talentos e incentivando

um ambiente diverso e aberto ao debate. Que cada vez mais

mulheres se sintam inspiradas em seguir a carreira de advocacia

e possam ganhar destaque por sua atuação profissional”,

destaca Camila.

O Americas Women in Business Law Awards é oferecido

pela Euromoney, que possui diversas publicações relevantes

para o mercado jurídico.

Foto: Divulgação


capa | seguralta

O primeiro produto sob

Guiada pelos irmãos

Luiz Gustavo e

Reinaldo, Seguralta

investe em novos

negócios e desenvolve

o primeiro produto

de seguro automóvel

pago de acordo

com o uso de cada

consumidor

Kelly Lubiato

Inovação é a palavra de ordem do

momento. Entretanto, colocá-la em

prática requer muito investimento

de tempo, conhecimento e perfil. É

possível reconhecê-lo a partir de pequenas

atitudes ao longo do tempo. Assim,

aos poucos, a Seguralta nasceu e cresceu

pelas mãos de duas gerações, ambas com

perfil inovador.

Após verificar a mudança no perfil

dos clientes, os irmãos Luiz Gustavo

e Reinaldo Zanon decidiram investir

em formas de atender os consumidores

como eles preferissem, fosse no meio

digital, no analógico ou no híbrido. Com

cerca de 1200 franqueados distribuindo

seus produtos, a demanda por serviços

é muito grande. Assim, nasceu o primeiro

robô desenvolvido internamente

para fazer circular as informações entre

consumidores, corretores e seguradoras.

Atualmente, já são mais de 20 robôs

rodando as informações sobre endossos,

sinistros, parcelas vencidas etc, que não

mais precisam passar pelas mãos de

colaboradores.

A preocupação evoluiu para a utilização

desta Inteligência Artificial para

trazer mais benefícios ao consumidor,

através de produtos customizados de

acordo com a necessidade de cada um.

“O consumidor paga caro pelo seguro

quando o carro fica parado e ele não

14


demanda do mercado

Luiz Gustavo Zanon e Reinaldo Zanon

usa”, resume Gustavo. Esta inquietação

o levou a pesquisar um dispositivo que

já estava disponível fora do País, o

OBD2, capaz de captar as informações

de telemetria do veículo e transmiti-las

via aplicativo. Porém, ainda faltava um

elo desta corrente: a seguradora. A Usebens

foi a parceira ideal para colocar no

mercado um produto novo.

Assim nasce o primeiro seguro sob

demanda brasileiro, que estará disponível

para os consumidores da Seguralta a partir

de outubro deste ano. Os programas

piloto já estão rodando com os franqueados

da empresa. Após este primeiro

momento, eles indicarão outras pessoas

para receberem o dispositivo.

O seguro é muito simples e, principalmente,

justo: o cliente vai pagar

pela forma como ele dirige e quanto ele

dirige. Quem dirige bem tem desconto,

quem anda pouco também recebe

desconto.

Gustavo explica que, inicialmente, é

solicitado o perfil do cliente. “Ao longo

do tempo, com as informações do veículo,

eu passo a ajustar o que é risco e o que

é perfil. Com a análise é possível saber o

horário que o carro é utilizado, por onde

ele circula, como a pessoa dirige, se pega

o celular. A partir daí eu posso cruzar as

informações”, ensina.

Reinaldo ressalta que a seguradora

Usebens já estava pronta para utilizar

esta nova tecnologia. “A Usebens está

preparada para precificar em tempo

real, utilizando informações dos hábitos

dos motoristas e quanto isso impacta no

valor do seguro”. Além disso, o segurado

terá à sua disposição outras informações

sobre a manutenção do veículo, como

momento certo de trocar o óleo, fluídos

ou pneu. Mas, o equipamento não faz

o rastreio do veículo em movimento,

apenas em caso de roubo ou furto do

veículo. Entretanto, ela possui mecanismos

capazes de emitir alertas para a

seguradora em caso de forte impacto. No

caso de um impacto em alta velocidade,

a ferramenta pode acionar automaticamente

o serviço de assistência.

15


seguralta

“O mais legal da tecnologia é que

a gente tem mais contato com o cliente.

Durante todo a ano estou dando dicas,

descontos para abastecer em um posto,

enfim, é um customer experience”, comemora

Gustavo, acrescentando que a

tendência de um produto como este é de

que o seguro fique mais justo.

Reinaldo pontua também que mesmo

que o preço do seguro fique igual ao

produto tradicional, “o cliente fica mais

satisfeito só de saber que está pagando

o que é justo e que tem a tecnologia em

suas mãos, com todos os seus benefícios”.

Até o mês de outubro, o produto deve

estar disponível para todo o estado de São

Paulo. O foco do produto serão carros

com até cinco anos de uso.

Franquia existe para manter o

padrão de atendimento

Fundada em 1968 por Reinaldo

Zanon Filho, em São José do Rio Preto,

interior de São Paulo, a corretora manteve

seu foco em produtos de varejo, como

automóvel, residencial, vida e previdência

e produtos para pequenas e médias

empresas. Porém, apesar do alto faturamento,

a empresa chegou a um ponto em

que encontrava dificuldades para crescer

sem expandir sua rede de distribuição.

Ao assumirem a administração da

empresa, os irmãos Luiz Gustavo Zanon

e Reinaldo Zanon decidiram dar um

novo rumo para a expansão, apostando

na criação de uma rede de franquias. A

ideia era antiga e fazia parte dos planos

da mãe dos dois. Eles, desde muito cedo,

já tinham trilhado o caminho profissional

na empresa da família. Gustavo aos 14

anos começou a trabalhar com o pai,

mas foi aos 18 anos que verdadeiramente

fincou suas raízes no setor de seguros.

Reinaldo não se identificou com o

mercado de imediato. Apesar de atuar na

corretora desde os 16 anos, aos 22 mudou

o rumo da sua vida e se juntou a uma

multinacional norte-americana dedicada

a suplementos alimentares. “Comecei

a trabalhar com marketing de rede e

aprendi que era necessário formar a sua

própria para ampliar as vendas”, comenta

o executivo. “Eu cheguei a ter uma rede

com mais de 500 pessoas nesta empresa

e pensei: já que estava fazendo crescer

o negócio dos outros, por

que não investir na família?

Este já era um sonho antigo

da minha mãe, porque em

1994 ela fez um curso em

Atlanta sobre franquias,

mas ninguém acreditava no

modelo para corretores de

seguros”.

Há onze anos, os irmãos

optaram por desengavetar

o sonho, para fazer

crescer uma empresa que

já era grande, com produção

de R$ 2,5 milhões por

mês em prêmios. Era uma

fase de muitas mudanças

na economia, que, além

da crise norte-americana,

atravessava um período de

várias fusões e aquisições,

tanto de seguradoras quanto

de corretoras de seguros.

Aproveitando os seus

conhecimentos de expansão

de rede de distribuição,

Reinaldo liderou o processo

de criação da rede de franquias.

“Contratamos uma

empresa de consultoria do

segmento para formatar

nosso modelo. O mercado achava estranha

nossa movimentação, mas, mesmo

assim, levamos adiante a ideia e nosso

modelo de franquia”, lembra Reinaldo.

O primeiro modelo desenvolvido

pela empresa foi baseado na loja de

seguros que mantinham em São José do

Rio Preto. “Mas o Reinaldo recomendou

a venda porta-a-porta. Evoluímos até

chegar aos moldes do corretor Home

Office”, explica Gustavo.

A microfranquia como negócio

ainda não existia em qualquer setor. O

termo franquia Home Office foi lançado

pela Seguralta, em um momento em que

as franquias, de forma geral, sofriam uma

desaceleração, por conta dos altos custos

das grandes marcas. Enquanto estas franquias

tinham custos entre R$ 300 mil e

R$ 400 mil, a proposta da microfranquia

chegava com valores entre R$ 20 mil e

R$ 30 mil.

Mesmo com algumas condições favoráveis,

o início não foi simples, porque

o foco da Seguralta eram os corretores

de seguros tradicionais. A primeira barreira

foi o fato destes profissionais não

se sentirem atraídos por atuar com uma

Em 10 anos a Seguralta saiu de nenhum

franqueado para 1200 unidades vendidas.

A empresa hoje é a 11ª maior rede de franquias

da Associação Brasileira de Franchising, que

possui mais de mil marcas registradas

16


marca já consolidada. Desta forma, no

primeiro ano, apenas oito unidades foram

comercializadas. “Mudamos o foco

e passamos a buscar empreendedores,

pessoas que queriam fazer negócios.

Assim, tudo começou a acontecer. No

segundo ano fechamos com 50 franquias

comercializadas e, no terceiro, mais de

100 unidades”, pontua Reinaldo.

Fazendo desta uma longa história

curta, em 10 anos a Seguralta saiu de

nenhum franqueado para 1200 unidades

vendidas. A empresa hoje é a 11ª maior

rede de franquias da Associação Brasileira

de Franchising, que possui mais

de mil marcas registradas. A holding já

possui outras marcas, como a SegCRedi

e outra de restaurantes mexicanos, além

de uma marca específica de consultoria e

expansão de franquias, a Expand Zanon.

Para dar suporte às microfranquias,

Gustavo conta que, a partir da observação

de que as franqueadas paravam de

crescer a partir do terceiro ano, foi criada

uma estrutura administrativa

para dar suporte aos

empreendedores. “Nós

estruturamos um departamento

administrativo

único dentro de São José

do Rio Preto para fazer

toda a parte burocrática

e de sinistro para atender

a quem estivesse na ponta”,

esclarece. Assim, as

vendas voltaram a crescer.

Além disso, há o suporte

de capacitação profissional,

para garantir a atualização

dos profissionais.

Gustavo acrescenta que a

holding possui uma universidade

corporativa com

mais de 300 vídeos disponíveis,

com aulas sobre o

beabá do seguro e vendas

técnicas de seguros, e também

de gestão, marketing,

vendas, tudo voltado para

as especificidades do setor.

Ao se juntar à franquia,

o empreendedor tem

doze meses para conseguir

a certificação de corretor

de seguros profissional.

“Uma das exigências para participar

do treinamento oficial é a matrícula no

curso de capacitação da Escola Nacional

de Seguros.

Padronização é o segredo e é assim

no mundo inteiro. Se você entra em

um McDonalds em qualquer lugar do

mundo, sabe o que esperar dele. Este

mesmo conceito foi aplicado para a

criação de um modelo voltado para a

comercialização de produtos de seguro.

A empresa, que vende de 15 a 18 mil

apólices de seguros por mês, possui um

volume insano de parcelas, solicitações

de sinistros, endossos etc. Identificando

esta dor, os sócios começaram a procurar

formas de otimizar todo o trabalho

burocrático.

Um fato que preocupa os irmãos

é que os corretores de seguros, tanto

franqueados quanto tradicionais, ainda

não enxergam as mudanças que ocorrem

no dia-a-dia do mercado e o quanto elas

podem influenciar o seu resultado. “Trabalhamos

hoje com um mix de carteira

de 75% de seguro automóvel e 25% de

outros produtos, como vida, previdência,

residencial e produtos para PME´s”,

enumera Reinaldo. Para se ter uma ideia

do volume desta produção, pelo segundo

ano consecutivo a Seguralta foi a corretora

que mais vendeu seguro de vida e

previdência para a Porto Seguro.

Vender para quem?

Para ajudar o franqueado a vencer o

desafio de montar e renovar sua carteira,

a Seguralta desenvolveu uma central de

geração de leads online. “As empresas

que têm comercialização 100% online

ainda não conseguem ter bons resultados.

Nossa taxa de conversão pode chegar a

até 15% em algumas praças”, enfatiza

Gustavo.

Isso acontece porque a empresa

direciona as pessoas que os procuram

online para franqueados mais próximos

espacialmente, localizados pelo CEP. O

cliente é direcionado para um franqueado

que, por sua vez, fará o atendimento da

forma que for mais conveniente para o

segurado, seja por Whatsapp, telefone

ou presencialmente. “Acreditamos que

as pessoas sentem-se mais confortáveis

em serem atendidas por um corretor que

esteja fisicamente mais próximo”, revela

Gustavo.

“Temos um departamento de marketing

à disposição do franqueado, para

contribuir com ele em campanhas,

ajudá-lo a divulgar seu negócio e angariar

novos clientes. Nós queremos profissionalizar

o franqueado no negócio que ele

escolheu. Ensinamos a parte de gestão

do negócio e administração dos recursos.

Não basta ser um bom vendedor”,

completa Gustavo, mostrando também

que cada franqueado tem um gerente da

Seguralta para acompanhá-lo.

“Nós investimos no desenvolvimento

pessoal dos franqueados. Possuímos

uma empresa de treinamento, na qual

eu desenvolvi o curso “65 passos para o

sucesso”, para capacitação e desenvolvimento

pessoal, para franqueados ou

não. Trabalhamos muito o fator humano,

porque acreditamos que quanto mais

a pessoa se desenvolver, mais êxito ela

terá”, reflete Reinaldo.

17


especial saúde | aps

Cuidar da saúde para não

precisar tratar da doença

18


O atendimento

primário, que cuida

do indivíduo de forma

integral e busca a

promoção da saúde

e prevenção de

doenças, é tendência

no mundo e cresce

também no Brasil

Thaís Ruco

Com o aumento constante nos

custos assistenciais e um crescimento,

em 2018, de 17,3%

na inflação médico-hospitalar,

segundo o IESS (Instituto de Estudos de

Saúde Suplementar), muitas operadoras

de saúde encontram dificuldades na manutenção

dos contratos empresariais ou

venda de planos para novos clientes. Esse

cenário coloca a sustentabilidade do setor

em risco, fazendo com que as empresas

repensem a forma como entregam assistência

aos clientes.

O mercado de saúde suplementar

tem como desafio a busca pelo equilíbrio

econômico do setor com uma gestão

mais sustentável, evitando desperdícios

e ampliando a qualidade. O modelo de

Atenção Primária à Saúde (APS) permite

uma melhor gestão do beneficiário, de

forma integrada, com resultados robustos

na prevenção de doenças e na orientação

adequada para tratamentos.

A literatura médica defende que a

atenção primária tem potencial de resolver

até 85% das demandas de saúde.

Além disso, dados do Ministério da

Saúde apontam que 73% das mortes no

Brasil são decorrentes de doenças crônicas

não-transmissíveis, como diabetes e

hipertensão. Dessa forma, a ANS (Agência

Nacional de Saúde) busca reestruturar

o sistema induzindo a reorganização do

modelo de atenção à saúde centrado na

assistência multiprofissional, integral,

com o acompanhamento do paciente ao

longo da vida.

Diversas operadoras do setor de planos

de saúde já oferecem um atendimento

amparado em Atenção Primária à Saúde

a seus beneficiários. Para reforçar esse

entendimento, a ANS está orientando as

operadoras a se mobilizarem verdadeiramente

para uma mudança na forma como

oferecem os cuidados.

“A Certificação de Boas Práticas em

Atenção Primária à Saúde, programa

instituído pela ANS por meio da Resolução

Normativa nº 440/2018, tem o

objetivo de atender às necessidades de

saúde dos beneficiários de planos de saúde

por meio de cuidados abrangentes de

promoção, proteção, prevenção, cura, reabilitação

e paliativos ao longo da vida,

priorizando estrategicamente os serviços

de saúde fundamentais destinados

aos indivíduos e famílias, por meio da

atenção primária integrada aos demais

níveis de atenção à saúde; incentivar a

abordagem sistemática pelas operadoras

dos determinantes de saúde de seus beneficiários,

incluindo características e

comportamentos individuais, de modo

a implementar ações baseadas em evidências

em toda sua rede de atenção à

saúde; e capacitar os beneficiários e suas

famílias a otimizar a proteção à saúde e

o bem-estar, por ações de autocuidado

apoiado por profissional de saúde”, afirma

Rodrigo Aguiar, diretor da autarquia.

O Programa de APS da ANS propõe

um modelo inovador na saúde suplementar,

para reorganização da porta

de entrada do sistema com base em

cuidados primários. “Há preocupação

por conta do aumento expressivo das

doenças crônicas não transmissíveis,

a emergência de novas doenças (HIV/

AIDS, hepatite C, infecções pelos vírus

Chikungunya e Zika), a reemergência de

doenças previamente controladas (dengue,

febre amarela); o envelhecimento

da população; as mudanças de estilo de

vida, levando à obesidade, ao consumo

excessivo de carboidratos simples,

gorduras e alimentos ultraprocessados;

a uma acentuada redução no consumo

de fibras e carboidratos complexos e ao

sedentarismo”, revela Aguiar. “O modelo

de atenção vigente é desarticulado e

centrado no cuidado aos eventos agudos.

Já recebemos informações de operadoras

que estão se estruturando para se

submeterem ao processo de avaliação

❙❙Rodrigo Aguiar, da ANS

a fim de obter a Certificação em APS,

principalmente aquelas que já vinham

introduzindo o modelo”, diz.

Medicina preventiva

O objetivo principal da Atenção

Primária à Saúde é colocar o indivíduo,

não a doença, no centro do cuidado assistencial.

“Uso consciente do plano de

saúde não é usar menos, mas usar melhor.

Acreditamos que essa coordenação da

jornada, com engajamento do paciente

no autocuidado, tornará a utilização

mais eficiente e assertiva. Com isso, desperdícios

podem ser evitados e serviços

de saúde caros, como prontos-socorros

emergenciais, devem ser acessados de

forma mais adequada”, garante Tereza

Veloso, diretora Técnica Médica e de

Relacionamento com Prestadores da

SulAmérica.

“Quando cuidamos da saúde, prevenimos

doenças e otimizamos a utilização

e seus custos, porque, muitas vezes,

consegue-se evitar que o paciente chegue

❙❙Tereza Veloso, da SulAmérica

19


aps

❙❙Ariovaldo Bracco, da Unisaúde Master

20

❙❙Luís Fernando R. Sampaio, da Unimed

❙❙Reinaldo Scheibe, da Abramge

ao estágio mais grave, ficando no básico

da assistência. Assim, quando falamos

em médico de família, ou em coparticipação,

é para educar o consumidor para

um formato de negócio que é baseado

no mutualismo e enfrenta a cultura do

brasileiro de querer usar tudo o que tem

direito. O que tem direito é usar o mínimo

dentro da sua efetiva necessidade, porque

a conta é coletiva”, completa Ariovaldo

Bracco, diretor da Unisaúde Master e

coordenador da Comissão de Saúde do

Sincor-SP (Sindicato dos Corretores de

Seguros de São Paulo).

Para Bracco, a intensificação das

práticas de Atenção Primária à Saúde

acontece porque chegou o “momento da

disruptura”. “O mercado atua em ‘rouba

monte’, pois em função da crise não há

crescimento, mas perda. A tecnologia

vem para que a utilização do plano de

saúde aconteça de forma correta. Mais

de 30% dos exames solicitados são jogados

fora, pois o paciente vai em um

especialista e depois em outro que pede

os mesmos exames. Em breve, teremos

um cadastro único para todos os dados.

Vemos fraude nas próteses, excesso de

cobrança dos hospitais para as operadoras,

tudo isso reflete nos custos. É hora

de todos pararem para pensar no futuro

e no crescimento deste mercado, pois

nós ainda temos menos de um quarto

da população brasileira com acesso a

seguro médico, e metade desse montante

com plano odontológico, afinal o plano

de saúde só é completo se tiver os dois,

pois saúde começa pela boca”.

Os programas de promoção à saúde

e prevenção de doenças incluem o monitoramento

e detecção precoce de riscos

ao paciente, ações educativas, o estímulo

à mudança do estilo de vida (como

abandono do tabagismo e sedentarismo)

e capacitação de indivíduos para realizar

seu autogerenciamento de saúde. “Com

estas iniciativas, é possível, por exemplo,

identificar e prevenir riscos, agravos e

doenças, comprimir taxas de morbidade e

aumentar a efetividade no cuidado a moléstias

evitáveis, garantindo a qualidade

de vida dos clientes de planos de saúde”,

declara Reinaldo Scheibe, presidente

da Abramge (Associação Brasileira de

Planos de Saúde).

Geraldo Almeida Lima, presidente

do Sinog (Sindicato Nacional das

Empresas de Odontologia em Grupo),

ressalta que a ausência de políticas e

estratégias públicas em relação aos

cuidados básicos com a saúde dificulta

o acesso da população aos cuidados

primários, tanto na área médica quanto

na odontológica. “A prevenção deve ser

entendida como o primeiro nível de

atenção dos sistemas assistenciais voltada

à promoção da saúde, diagnóstico,

tratamento, reabilitação e manutenção.

Ela tem ganhado cada vez mais importância

para os planos odontológicos,

sendo fundamental compreender que

isso ocorre quando há conscientização,

tornando-se um instrumento de transformação

social”.

Algumas operadoras implantaram

planos de saúde específicos, tendo a

atenção primária como porta de entrada,

estratégia destinada para a atração de

novos clientes ou migração de determinadas

carteiras que poderiam se beneficiar

deste modelo assistencial. Outras

operadoras e seguradoras oferecem os

serviços de atenção primária como um

benefício aos seus clientes. “A Seguros

Unimed oferece esse serviço a todos os

clientes, para contemplá-los com um

cuidado mais próximo e personalizado,

fornecendo acesso à saúde em tempo

oportuno e acompanhamento médico

contínuo, de modo que passem a adotar

a equipe da atenção primária como a sua

principal referência para o acompanhamento

da sua condição de saúde”, afirma

Luís Fernando Rolim Sampaio, superintendente

de Provimento da seguradora.

A estruturação de diferentes níveis

de atendimento em saúde, com fortalecimento

da atenção primária, é uma

tendência em diversos países. “Médicos

de família, enfermeiros e técnicos de

enfermagem fazem parte de uma equipe

dedicada, que constrói um plano de

cuidado personalizado, com base em

informações clínicas integradas, e conhece

o paciente de perto. Inicialmente,

o atendimento com base na prática de

Atenção Primária à Saúde está sendo

oferecido pela SulAmérica na capital

paulista e estamos expandindo para diversas

regiões do Brasil durante 2019”,

diz Tereza Veloso.

Na Amil, essa estruturação começou

em 2016, com a inauguração das

primeiras unidades de atendimento

multidisciplinar baseadas em atenção

primária. “Temos credenciado clínicas

que possuem a mesma proposta de valor

da operadora: ampliar os pontos de acesso

às consultas com médicos de família,

fortalecendo a atenção primária. Hoje,


❙❙Nulvio Lermen Junior, da Amil

já estão credenciadas à Amil cerca de

11 clínicas que atendem nesse modelo,

nos estados de SP, PR, MG, BA e CE”,

revela Nulvio Lermen Junior, diretor do

Programa Amil de Atenção Primária.

Já na Bradesco Saúde e Mediservice,

os beneficiários contam com uma rede de

médicos, com foco na atenção primária

eficaz e resolutiva. “Desta forma, a relação

médico e paciente se torna, cada vez

mais, direta e colaborativa, com diagnósticos

mais assertivos. Com melhor

gerenciamento dos fatores de riscos, o

médico de família direciona para outros

profissionais e a programas assistenciais

específicos que atendam às necessidades

do beneficiário”, afirma Thaís Jorge,

diretora da Bradesco Saúde. “Outro

grande avanço é o uso do prontuário

eletrônico, um sistema integrado entre

todas as unidades de atendimento e os

médicos da rede credenciada dedicada,

que possui todo o histórico do paciente,

facilitando o próximo atendimento e

contribuindo para um diagnóstico mais

eficaz. Todas as informações do paciente

ficam armazenadas para futuras consultas,

oferecendo praticidade aos nossos

beneficiários e informações relevantes

ao nosso corpo médico”.

Realidade e desafios para a

APS no Brasil

Há uma cultura no país voltada à

utilização de especialistas para atender

a maior parte da demanda ambulatorial,

além da centralidade na atenção hospitalar

mesmo em situações de baixo risco e

complexidade. Estes fatos são agravados

por um sistema de saúde baseado no

22

atendimento à demanda espontânea, com

múltiplas portas de entrada, que conduzem

à focalização na atenção aos eventos

agudos. Além de delegar ao beneficiário

a organização de seu cuidado, este arranjo

organizacional está se mostrando

inadequado, por criar ineficiências, como

a utilização excessiva de exames e procedimentos,

que conduzem a custos muito

elevados e expõem os pacientes a riscos.

Este cenário, agravado pelo envelhecimento

populacional e o aumento da

prevalência das condições crônicas, foi

o que motivou o lançamento do Projeto

APS, pela ANS. O foco em ações de promoção

de hábitos de vida saudáveis, bem

como na detecção de fatores de risco e

diagnóstico precoce de doenças crônicas,

possível em um sistema baseado na atenção

primária, são estratégias que podem

contribuir para a melhora da condição

de saúde da população brasileira. Desde

2004, a ANS estimula as operadoras a

investirem em ações de Promoção da

Saúde e Prevenção de Riscos e Doenças.

Atualmente, existem mais de 1.800

programas com esse foco cadastrados na

ANS (um crescimento superior a 400%

em sete anos), contemplando cerca de

2,25 milhões de beneficiários de planos

de saúde.

O primeiro desafio é reorganizar o

sistema para que opere de forma mais

eficiente e equilibrada. “Frequentemente,

utiliza-se o hospital para atendimentos

rotineiros e de baixa complexidade, o

que, aliado à falta de integração e coordenação

dos cuidados, eleva os custos

em saúde. Ressalto a necessidade de formação

de mais profissionais de atenção

primária. O Brasil tem hoje 5.486 especialistas

em medicina de família e comunidade

– ocupa a 16ª posição no ranking

de especialidades com maior número de

títulos no Brasil -, número insuficiente

para uma nação com as dimensões da

nossa”, afirma o diretor da Amil.

O desafio está atrelado à questão

cultural e a consequente estruturação dos

serviços assistenciais onde atualmente,

não raro, o paciente procura o serviço

de atendimento médico apenas quando

os sintomas da doença já são aparentes.

“Neste modelo de assistência, geralmente,

os beneficiários recorrem a centros

❙❙Thaís Jorge, da Bradesco Saúde

hospitalares, como os prontos-socorros,

para demandas básicas de saúde. Trata-se,

muitas vezes, de um atendimento ineficaz

para a baixa complexidade, realizado

por um profissional vque não conhece o

histórico clínico do paciente e que não

acompanhará a evolução do tratamento”,

afirma Thaís, da Bradesco.

As ações de prevenção são muito importantes

na medida em que promovem

um cuidado mais efetivo do paciente,

controlando as doenças crônicas, antecipando

o diagnóstico de alguma doença

na fase assintomática, ou mesmo proporcionando

mudança no estilo de vida

e diminuição dos fatores de risco. “Essas

ações podem trazer bons resultados, mas

é muito importante que elas estejam

associadas aos modelos assistenciais

integrados e baseados na atenção primária.

Um dos maiores desafios no controle

de riscos e a na promoção da saúde é o

engajamento dos pacientes. Nem sempre

saber dos riscos muda comportamentos.

Por isso, o trabalho contínuo das equipes

e a parceria dos clientes corporativos é

essencial”, pondera Sampaio, da Seguros

Unimed.

Além da melhoria do cuidado, a

implementação de estratégias de atenção

primária contribui diretamente para a

sustentabilidade do setor. “O acompanhamento

da saúde do beneficiário evita internações

e tratamentos desnecessários,

por meio de atendimento e acompanhamento

adequados”, afirma o presidente da

Abramge. “Por isso, a atenção primária é

imprescindível para a resolução de problemas

do paciente sem a necessidade de

atendimentos complementares”.


especial saúde | odontologia

Mercado de planos odontológicos

utiliza tecnologia como parceira

Com o objetivo de conquistar mais beneficiários,

operadoras investem em tecnologia para aumentar

a satisfação de prestadores de serviços e clientes

Nicole Fraga

A

boca desempenha importantes

funções para a saúde

de todo o organismo. Além

de exercer papel relevante

na fala, mastigação e respiração, ela é

a maior cavidade do corpo a ter contato

direto com o meio ambiente, tornando-

-se uma das principais portas de entrada

para bactérias e outros microrganismos

prejudiciais à saúde.

Uma boa higiene bucal diminui o

risco de desenvolvimento de problemas

bucais e dentários. É importante ressaltar

que doenças da boca têm relação direta

com o fumo, consumo de álcool, má

alimentação e também com o envelhecimento.

Estudos também comprovam

que a saúde bucal tem íntima relação

com a saúde geral, pois a boca interage

com todas as estruturas do corpo. As

más condições de higiene bucal podem

causar doenças que, por sua vez, podem

levar a enfermidades (ou agravá-las),

principalmente doenças cardiovasculares

e diabetes.

O problema é que mesmo os procedimentos

mais simples e baratos, quando

executados com regularidade, podem

acabar pesando no bolso. A melhor saída

para quem está procurando evitar problemas

dentários é, sem sombra de dúvidas,

a adesão a um plano odontológico.

Para ensinar o consumidor a tomar

a melhor decisão ao contratar um plano

odontológico, é necessário entender

como esse universo funciona. É preciso

estar atento às mesmas informações que

fazem parte de um plano de saúde como,

por exemplo, carência para consultas,

rede credenciada etc.

O mercado de planos odontológicos

atingiu a marca de 24,3 milhões de be-

❙❙Geraldo Almeida Lima, do Sinog

neficiários em 2018, representando um

aumento de 7,65% em comparação ao

ano de 2017. De acordo com o departamento

de Economia do Sinog, este é o

maior crescimento registrado dos últimos

cinco anos. Entre os meses de dezembro

de 2017 e de 2018, as operadoras de

odontologia de grupo e de medicina de

grupo com plano odontológico foram

as que mais trouxeram beneficiários à

odontologia suplementar, com um total

de 963 mil novos usuários.

Segundo Geraldo Almeida Lima,

presidente da entidade, “este momento

positivo da odontologia suplementar

reflete a atuação da entidade, que está

continuamente buscando melhorias para

o segmento junto aos órgãos competentes

e à divulgação que enfatiza a importância

da atenção primária na saúde bucal”.

Como em todos os mercados, a tecnologia

e inovação têm sido responsáveis

por grandes alterações.

No caso da OdontoPrev, uma das evidências

deste tipo de iniciativa tecnológica

é o registro de patentes de tecnologias

desenvolvidas na companhia, que são três

no total. A mais recente é aplicativo da

Rede Unna, que permite que os dentistas

enviem fotos dos atendimentos diretamente

para a operadora, o que diminui

em 90% o número de documentos enviados

de forma física. Além disso, com

a parceria com o hospital AC Camargo,

é possível que o profissional envie imagens

com suspeitas de câncer de boca

diretamente ao especialista, obtendo um

diagnóstico preciso rapidamente.

Mais recentemente, a empresa organizou

uma área voltada para inovação

na qual busca novas tecnologias e a

digitalização de processos, sempre com

a finalidade de aumentar a satisfação de

seus beneficiários e stakeholders.

De acordo com Karla Regina Longo,

gerente de Estratégia Digital e Marketing

da operadora, a empresa utiliza

tecnologia de ponta para melhorar o relacionamento

com todos os seus públicos

de contato. “Os dentistas, os principais

interlocutores desta cadeia, são os que

mais vêem os avanços”, afirma.

Segundo a executiva, as operadoras

estão procurando startups para formar

parcerias, assim como está acontecendo

no setor de seguros. “A OdontoPrev tem

se aproximado do ecossistema de inovação

de forma geral, em busca de parcerias

estratégicas com startups que possam

auxiliar na criação de soluções que gerem

um aumento no número de beneficiários,

maior eficiência operacional ou até mesmo

na redução de custos”, ressalta.

Também seguindo o caminho da

inovação tecnológica, a Dentalpar está

firmando a relação com clientes e prestadores

através de novas tecnologias,

como sistemas de interação e de aplicativos

desenvolvidos especificamente

para o mercado odontológico. Segundo

24


❙❙Karla Regina Longo, da OdontoPrev

Armando Rodrigues Filho, proprietário

e diretor Comercial da empresa, “todo

o esforço é construído para melhorar a

experiência no relacionamento com o

consumidor final”.

Investindo em tecnologia, o objetivo

da companhia é agilizar os processos

de atendimento. Desde 2010, a empresa

desenvolve alguns sistemas de gestão

para o aprimoramento dos seus serviços

e esse desenvolvimento ocorre através

de parcerias com startups e desenvolvedores

de software.

“Essas parcerias têm se mostrado

muito eficientes, nos dando sustentação

para cumprir os objetivos macros da

empresa. A relação com nossos parceiros

comerciais, através de e-commerce, tem

se mostrado um caminho sem volta. Hoje,

ele representa 80% da comercialização

de nossos produtos”, ressalta o diretor da

companhia.

Já no cenário corporativo, o plano

odontológico acaba despertando o interesse

das empresas que optam por uma

alternativa mais tangível e que ofereça ao

trabalhador uma assistência à saúde bucal.

“O plano odontológico pode contribuir

para a retenção de talentos nas empresas,

diminuindo o índice de faltas e colaborando

até para o aumento da produtividade.

Com acesso a um plano, o colaborador

pode visitar periodicamente o cirurgiãodentista,

sem atrapalhar o desempenho

profissional”, afirma o presidente do Sinog.

❙❙Armando R. Filho, da Dentalpar

Portanto, as mudanças fundamentais

para a melhoria do mercado de planos

odontológicos virão do esforço conjunto

e da certeza de que o diálogo entre os

atores do setor – agência reguladora,

operadoras, prestadores, entidades representativas

e consumidores – é um caminho

promissor para a construção de um

futuro comprometido com a promoção

e a conscientização da saúde bucal da

população brasileira e mundial.


especial saúde | portabilidade

O

serviço de portabilidade

para os planos de saúde

permite mudar de produto

e operadora sem precisar

cumprir uma nova carência. Desde junho

de 2019 a regra, que só era permitida para

planos individuais/familiares e coletivos

por adesão, começou a valer também para

os beneficiários de planos empresariais.

O consumidor passa a cumprir carência

apenas para as coberturas não contratadas

no plano de origem em caso de upgrade.

Existem algumas exigências da

Agência Nacional de Saúde (ANS) para as

novas regras de portabilidade. É preciso

que o contrato do plano tenha sido firmado

depois de 1º de janeiro de 1999 e que

o usuário já tenha cumprido o prazo de

carência do seu plano vigente. Quem faz

26

Produtos corporativos

também podem migrar de

uma operadora para outra e

necessitam de cumprimento

de carência quando houver

upgrade de coberturas

Thaís Ruco

O que muda com

as novas regras

dos planos de

saúde?

a portabilidade pela primeira vez precisa

que o plano já tenha no mínimo dois anos.

Nas vezes seguintes, basta ficar com o

plano por um ano. No entanto, se o plano

atual se enquadrar em Cobertura Parcial

Temporária (CPT), com doença preexistente,

é necessário que tenha ficado ao

menos por três anos ao invés de dois.

Antes de junho, a portabilidade

deveria ser solicitada até 120 dias após

o aniversário do contrato. Passado este

prazo, o usuário precisava esperar até o

ano seguinte. Com as novas regras instituídas

pela ANS, o beneficiário pode

fazer isso a qualquer momento.

“Com as novas regras, a portabilidade

passa a ser permitida a todos os

clientes de planos de saúde, respeitado o

tempo mínimo de permanência. Todas

as carências serão aproveitadas na portabilidade

realizada para plano da mesma

categoria. O consumidor somente deverá

cumprir carência relativamente àquelas

coberturas não existentes no plano inicial,

ou seja, quando passar para plano

com categoria superior com novas coberturas,

explica o advogado especialista em

seguros, Claudio Moreira do Nascimento.

Vantagens e desvantagens

A grande vantagem é a possibilidade

de o consumidor usar o tempo de

carência já cumprido no plano anterior

para não ter carência na troca de plano

de saúde. “Isso antes só estava disponível

em casos excepcionais. Quando o plano

de saúde do paciente quebrava, a ANS

permitia a portabilidade especial ou


❙❙

Claudio M. do Nascimento, advogado

extraordinária, ou então como um benefício

aos clientes, dependendo da política

de cada plano de saúde. Agora não, tal

como quando trocamos de operadora de

telefonia levando o número de telefone

junto, também é possível trocar de operadora

levando consigo todas as carências”,

afirma o advogado especialista em seguro

saúde, Elton Fernandes.

“Com as novas regras, o cliente

poderá adequar o plano às suas reais

condições econômicas, sendo que muitas

vezes as coberturas podem não estar

sujeitas a qualquer modificação, considerando

que há diversas modalidades de

planos e valores diferenciados”, completa

Nascimento. Porém, ele ressalta que

nem sempre a portabilidade garantirá as

mesmas coberturas, de modo que poderá

haver redução de categoria.

Tem sido comentado entre corretores

de seguros que, com a portabilidade, eles

terão um trabalho administrativo de fazer

a troca de seus clientes sem uma remuneração

– seria uma venda administrativa

e não comercial. A corretora especialista

em planos de saúde, presidente da

Acoplan (Associação dos Corretores de

Planos de Saúde), Rosa Antunes, explica

que “não é possível fazer portabilidade

e venda ao mesmo tempo”. “O corretor

deverá pedir a inclusão e anexar o documento

de compatibilidade da ANS e a

declaração de permanência da operadora

anterior. Por isso alguns corretores estão

dizendo que é sem comissão, pois não

ganhamos para fazer esses processos”.

Segundo Rosa, a operadora que recebe

o cliente pode cobrar pela mensalidade

na portabilidade com acréscimo de até

30% no preço comparado a um cliente

sem portabilidade.

Nas palavras de Fernandes, a portabilidade

traz evidente prejuízo para a

categoria dos corretores de seguros. “A

portabilidade não depende da participação

obrigatória do corretor e ele pode ser

acionado a ajudar clientes que não querem

uma nova contratação, mas simplesmente

a portabilidade. De outro lado é justo que

o corretor, ao ser acionado para realizar

a portabilidade que o consumidor pode

fazer sozinho, cobre à parte por este trabalho

como uma espécie de consultoria

ou prestação de serviços”. Em sua visão,

“o conhecimento que o corretor detém

sobre o funcionamento dos planos de

saúde, quais empresas são mais saudáveis

e quais dão menos problemas continuará

sendo essencial, mesmo na portabilidade

e, portanto, qualquer cobrança pelo corretor

é justa, pois nada mais é do que uma

prestação de serviços”.

Para Nascimento, no entanto, o cliente

deve dirigir seu pedido diretamente

à operadora. “A portabilidade deve ser

requerida diretamente pelo consumidor

à operadora, sem necessidade de participação

do corretor de seguros. Caso

o corretor de seguros decida auxiliar o

consumidor, tal fato não ensejará remuneração

por parte da operadora, e será

uma mera liberalidade do corretor”.

Luiz Celso Dias Lopes, diretor Técnico

Corporativo do Grupo NotreDame

Intermédica, declara que o GNDI, assim

como outras operadoras do mercado,

já praticava o aproveitamento do cumprimento

de carências como estratégia

comercial, observadas regras de preservação

do risco e de mitigação de comportamentos

que comprometam toda a

cadeia. “Concordamos com medidas que

❙❙Rosa Antunes, da Acoplan

❙❙

Elton Fernandes, advogado

aumentem a competitividade do setor,

ampliando o poder de escolha dos consumidores

e que incentive maior qualidade

na prestação dos serviços”, afirma.

“Entendemos, no entanto, que a nova

regra da ANS, da forma como está, pode

incentivar comportamentos que podem

prejudicar o equilíbrio e a sustentabilidade

dos contratos, como, por exemplo,

a possibilidade de mudança de padrão de

planos, de diferentes faixas de preços e

rede, na mesma ou em outra operadora,

sem o cumprimento de novas carências”,

alerta o diretor do GNDI.

De forma geral, a maior facilidade

em os consumidores trocarem de planos

de saúde é uma evolução. “É um

novo marco para o setor, pois acirra a

concorrência entre os planos de saúde,

o que do ponto de vista do consumidor

é sempre interessante”, analisa Fernandes.

“Grande ganho para o consumidor,

carência é um processo complicado

quando o cliente tem necessidade de um

atendimento e ainda está em período do

cumprimento”, defende a corretora Rosa

Antunes.

“É uma evolução, na medida em

que autoriza a portabilidade em qualquer

período do contrato, sem a janela

de quatro meses após o aniversário do

plano, conforme era anteriormente,

assim como permite a mudança para

um plano com cobertura mais ampla”,

analisa Nascimento. “Por outro lado, a

portabilidade não ser intermediada por

um corretor, que é o canal de vendas de

todas as operadoras, deixa de ser uma

opção de oferta por esses profissionais,

que acabam não tendo estímulo para

oferecer ao cliente uma alternativa para

adequar seu plano”.

27


especial saúde | telemedicina

Avanços para

operadoras e

usuários

O atendimento

proporciona um

primeiro contato

com o paciente

que percebe algum

contratempo de

saúde, de forma

rápida e conveniente,

sem expô-lo ao

ambiente hospitalar e

reduzindo custos para

todos

Thaís Ruco

28


O

futuro caminha para as

consultas online. Mesmo

que ainda não disponibilizem

este serviço, algumas

operadoras brasileiras já trabalham com

a orientação a distância, o que traz uma

série de benefícios a todos.

A Omint, por exemplo, ainda não

realiza consultas online mas, desde

2018, oferece um serviço de triagem e

orientação pediátrica por meio de uma

plataforma segura de teleconferência,

o Dr. Omint Digital. “O objetivo é proporcionar

a orientação pediátrica por

teleconferência como ferramenta de

logística: os pais podem se aconselhar

com o médico por videoconferência

em tempo real e, desta forma, o médico

orienta quanto às medidas a serem tomadas

diante da situação – desde a administração

de medicamento sintomático,

que não precisa de receita médica (para

febre ou náusea, por exemplo), ou então

encaminhar um pediatra ao domicílio

para um atendimento, ou até ao pronto

atendimento quando a situação não

consegue ser resolvida em casa”, afirma

Marcos Loreto, diretor Médico Técnico

da operadora.

A healthtech americana Sharecare

chegou ao Brasil oferecendo soluções

em gestão de saúde e estabeleceu

parceria com a SulAmérica. “Ambos

os parceiros estão gerando valor significativo

para seus negócios e, mais

importante, os clientes corporativos

da seguradora obtém o benefício de

melhorar a saúde de seus funcionários

através dos programas e soluções, com

impacto financeiro positivo”, diz o sócio

fundador da healthtech, Jeff Arnold.

“Com base no sucesso da parceria que

realizamos, ampliamos nosso relacionamento

com outras seguradoras líderes

no mercado brasileiro”, adianta. Cerca

de 70 milhões de membros têm acesso

à Sharecare mundialmente, sendo 3

milhões no Brasil.

Maior empresa global especializada

em serviços médicos à distância, a

companhia americana Teladoc Health

viu sua operação no Brasil crescer

81% desde quando chegou ao país, em

junho do ano passado. Saltou de 350

mil para 700 mil vidas em carteira no

❙❙Marcos Loreto, da Omint

período e projeta alcançar 1 milhão

de usuários em 2020. Oferece seus

serviços para operadoras como Porto

Seguro e hospitais como Sírio Libanês

e Oswaldo Cruz. “As empresas clientes

da Teladoc estimulam a utilização. O

objetivo é a melhora na qualidade do

acesso ao plano de saúde e a economia

gerada que pode ficar entre 8% e 27%,

dependendo dos modelos de utilização

do serviço”, afirma Jean Marc Nieto,

diretor Geral da empresa. Segundo

ele, de cada 10 pessoas propensas a

irem a um pronto socorro, seis acabam

optando por um tipo de atendimento

mais efetivo e barato ao receberem as

orientações. “Hoje, recebemos mais de

30 mil ligações mensais. No ano passado

não passavam de 10 mil. Além do

crescimento de usuários, há também um

aumento progressivo nos indicadores de

utilização dos serviços”.

Realidade no Brasil

A Resolução do Conselho Federal

de Medicina nº 2.227/2018, publicada

dia 03/02/2019, havia regulamentado o

❙❙Jeff Arnold, da Sharecare

29


telemedicina

❙❙Jean Marc Nieto, da Teladoc

atendimento online, assim como telecirurgias

e telediagnósticos. No entanto,

a resolução 2.227/2018 foi revogada já

no dia 22/02/2019, permitindo assim

apenas serviços já regulamentados pela

lei no 1.643 de 2002, como a orientação

médica via videoconferência.

De acordo com André Gamonal,

gerente Comercial da Ampla Consultoria,

corretora especialista em planos de

saúde, as consultas médicas a distância

já são realidade no país há anos. “Em

algumas especialidades, com mais volume

e escala, porém ainda sem efetiva

regulamentação”, frisa. Ele destaca que

existem regras sobre este tipo de consulta:

“A primeira consulta deve ser, de

preferência, presencial, com exceções

para casos de difícil acesso. O paciente

precisa estar acompanhado de um profissional

da área de saúde (médico do

trabalho, enfermeiro, técnico em enfermagem).

O especialista será responsável

pela segurança e sigilo da informação”.

A tendência da orientação médica

por videoconferência é poder colaborar

para democratizar o acesso a

atendimentos de baixa complexidade

e estimular atitudes preventivas. “Na

cidade de São Paulo, por exemplo, os

moradores têm acesso, em média, a

quatro médicos para cada mil habitantes.

Já a população do Nordeste tem

acesso à metade desse número. Em

alguns Estados do Norte, esse número

cai até para menos de um médico por

mil habitantes. Há várias situações em

que a simples orientação clínica feita

por um profissional da saúde pode evitar

quadros complicados”, pontua Dr.

Marcos Loreto, da Omint.

30

O gerente Comercial da Plena Saúde,

Valmir Gomes, ressalta que esse tipo de

atendimento não se volta a segmentos

específicos da população. “Atualmente,

o acesso à internet em celulares e computadores

é praticamente universalizado,

dependendo muito mais da adesão do

paciente às novas tecnologias”.

Para Jean Marc Nieto, o atendimento

tem que ser acessível. “Somente terá

impacto se isso for massificado, se ficar

limitado a uma parcela da população, não

alcançaremos a economia almejada”. Na

visão de André Gamonal, “apesar de não

ser voltado para um segmento específico,

provavelmente os serviços serão difundidos

entre jovens ou pessoas mais adeptas

e abertas às novidades e tecnologia”.

Pontos sensíveis

Apesar da evidente vantagem de

evitar a consulta presencial quando possível,

economizando tempo e dinheiro

de ambas as partes, existem também as

polêmicas quanto aos pontos sensíveis

da telemedicina.

“Um projeto de telemedicina precisa

ser robusto e, acima de tudo alicerçado

em uma plataforma que garanta o sigilo

da informação, compliance e ética”,

afirma Marcos Loreto. “Achar que a

telemedicina é simplesmente uma teleconferência

entre médico e paciente é

colocar em risco todos os princípios de

uma telemedicina ética e responsável”.

Outros fatores de dificuldade são

inerentes à população brasileira. “Ainda

há desconfiança por parte de alguns

pacientes, acesso restrito à internet de

qualidade e, principalmente, a mudança

de cultura para os protagonistas deste

❙❙Valmir Gomes, da Plena Saúde

❙❙André Gamonal, da Ampla Consultoria

novo cenário, inevitável ao futuro próximo

e já solidificado em outros países”,

argumenta André Gamonal.

“Sem dúvida, existe um preconceito,

tanto entre os pacientes como

entre os próprios médicos, uma vez

que a medicina baseia-se no contato

direto e no exame físico”, analisa Valmir

Gomes. “Os brasileiros estão acostumados

a telefonar e trocar mensagens

com seus médicos, por isso a consulta

através de plataformas seria o passo seguinte.

Além disso, discute-se também

cirurgias remotas através da tecnologia

robótica, o que é um avanço no sentido

de permitir que um médico altamente

especializado possa operar um paciente

a distância”, relata.

“Qualquer nova tecnologia encontra

resistência. O que tem que ser feito é

educar tanto a classe médica, sobre a utilização,

como os pacientes”, argumenta

Jean Marc Nieto. “Vemos casos de alguns

países, como Estados Unidos, que tinham

uma pequena utilização e, de repente,

houve um efeito de manada, estourou, e

hoje 70% da população utiliza a telemedicina”,

conta. “Vamos fazer o aculturamento

mostrando os benefícios, assim

conseguimos reduzir esses obstáculos”.

Para Jeff Arnold, da Sharecare, este é

um momento empolgante para as empresas

de saúde no Brasil, já que o mercado

de saúde está se tornando mais dinâmico

a cada dia, com maiores investimentos

e desejo de promover mudanças. “As

empresas healthtechs desempenharão um

papel significativo para ajudar o mercado

a ser mais eficiente e eficaz em alta escala,

para causar impacto em dezenas de

milhões de pessoas no Brasil”.


especial saúde | produto

Care Plus lança Mental Health,

o primeiro programa focado

em saúde mental

Com objetivo de colocar doenças

mentais e físicas no mesmo

nível de importância e garantir

coberturas e tratamentos de

acordo com a necessidade de

cada paciente, o Mental Health

inclui de sensibilização e

treinamento de gestores a

suporte 24 horas com psicólogos

Quantas vezes o profissional de

RH ou gestor esteve diante

de casos de afastamento de

colaboradores por questões

de ansiedade, depressão e outras doenças

mentais no último ano? Segundo

dados da Organização Mundial de Saúde

(OMS), o Brasil é o país mais deprimido

e ansioso da América Latina. O mais recente

relatório da organização, divulgado

no fim de 2018, mostra que, nos últimos

dez anos, o número de pessoas com

depressão no mundo aumentou 18,4%.

Esse dado corresponde a 322 milhões de

indivíduos, ou 4,4% da população global.

O crescimento do número de casos

de depressão, ansiedade e burnout é

um desafio para as áreas de Recursos

Humanos das corporações. Por mais

que as empresas ofereçam ambientes

e soluções para tornar o dia a dia do

colaborador melhor e mais saudável, a

depressão é a doença do século e, com

frequência, é preciso lidar com pessoas

que receberam esse tipo de diagnóstico.

Nas empresas, isso gera dúvidas e

muitas equipes esbarram na falta de conhecimento

especializado e de suporte

profissional.

“Mente e corpo estão intimamente

ligados e o nosso objetivo é dar a mesma

atenção a doenças físicas e mentais,

afinal, sabemos que qualquer um desses

dois tipos de patologias pode limitar

parcial ou completamente o dia a dia e a

vida profissional de uma pessoa”, explica

o diretor médico da Care Plus, Ricardo

Salem Ribeiro.

Nesse cenário tão desafiador e impactante,

a Care Plus desenvolveu um

novo modelo de atendimento pensando

exclusivamente no equilíbrio emocional

de seus beneficiários. A ideia veio

da experiência diária de lidar com a

regulação em relação a esse tipo de

transtorno. A operadora percebeu que

precisava ir além do rol para dar aos seus

beneficiários um tratamento eficiente.

Partindo desse ponto, profissionais de

diversas áreas mergulharam no tema.

Foram horas de estudos e workshops

com especialistas em design thinking

a fim de se aprofundar na jornada dos

pacientes e de seus familiares.

Esse serviço tem o beneficiário como

centro de todo o processo. Ele inclui,

também, a sensibilização de gestores e

a entrega de um serviço de concierge

ao paciente para facilitar e integrar o

atendimento que deve ser humanizado

e acolhedor. Vale destacar que as famílias

também poderão ser envolvidas no

tratamento, já que é comprovado que o

apoio de um ente querido é extremamente

importante e um grande facilitador

no tratamento, principalmente porque

uma pessoa com equilíbrio emocional

conturbado impacta diretamente no seu

convívio familiar.

31


especial saúde | prestadora

Grupo Hospitalar Vida´s inaugura

unidade avançada no Campo Limpo

Nova unidade atenderá

a demanda de vários

bairros da região

metropolitana de São

Paulo, como Capão

Redondo, Jardim

Ângela, Itapecerica da

Serra e toda a região

de Taboão da Serra

Equipe Comercial da Ameplan prestigiou o evento de inauguração da nova Unidade

Dr. Ali Taha, presidente e Muntaha Taha,

diretora executiva do Grupo Hospitalar

Vida’s e Shaima Moussa, Coordenadora

da Unidade de Pronto Atendimento

Campo Limpo

No dia 14 de junho, o Grupo

Hospitalar Vida’s inaugurou

uma Unidade Avançada de

Pronto Atendimento Adulto

e Infantil no bairro do Campo Limpo.

A nova unidade é um facilitador dos

hospitais do Grupo e agiliza o acesso do

paciente que necessita de atendimento

mais perto de sua casa.

Capacitada para realizar cerca de

até 3.000 atendimentos mensais, entre

pronto atendimento e consultas ambulatoriais

para pacientes de convênios

variados e particulares, a unidade receberá

pessoas de todos os bairros dos

arredores, dentre os quais Campo Limpo,

Capão Redondo, Jardim Ângela, Itapecerica

da Serra, toda a região de Taboão

da Serra. Trata-se de uma expansão do

32

Hospital Infantil e Maternidade Vida´s,

no bairro do Campo Grande/Interlagos.

Dr. Ali Hussein Ibrahin Taha, presidente

do Grupo, conta que o paciente

será atendido rapidamente pois, além

de pronto atendimento e consultas ambulatoriais,

a unidade oferece exames

laboratoriais e de imagem, como ultrassonografia,

Raios- X, eletrocardiograma,

entre outros.

A Unidade Avançada Campo Limpo

é parte da Rede Referenciada da Ameplan.

Laureci Zeviani, diretor comercial

da operadora, ressalta que a nova unidade

será de grande importância para os beneficiários

da Ameplan, pois corrobora

com a filosofia da instituição de estar

sempre próxima de seus clientes, levando

tratamentos de saúde com conforto e qualidade.

“Este é um exemplo da gestão de

custos assistenciais, dentro do movimento

de verticalização que se consolidou no

mercado”, pontua Zeviani.

O Grupo Hospitalar Vida’s inaugurou,

no início deste ano, uma unidade

similar no bairro do Tatuapé e tem outras

projeções de UPA´s para atender a periferia

de São Paulo. A próxima meta é

na região oeste, além do hospital de alta

complexidade que está em obras finais e

de acabamento na zona norte da cidade.

Segundo o presidente, o Grupo

Hospitalar Vida’s já está verticalizado,

com hospitais, maternidade, centros de

diagnóstico, ambulatórios médicos e

agora as UPA’s. Todos os investimentos

são feitos com recursos próprios.

A Unidade Avançada do Campo

Limpo vai oferecer pronto atendimento

adulto e infantil de segunda a sexta-feira,

das 8 às 22h, e aos sábados das 8 às 15h,

além de consultas com hora marcada em

diversas especialidades, inclusive ortopedia

de segunda a sexta-feira das 8 às 18h,

e aos sábados das 8 às 13h, e exames de

imagem e laboratoriais.

Ala de espera de Pediatria no Pronto

Atendimento Infantil da nova Unidade

A Unidade Avançada de Pronto

Atendimento Vida’s fica na Estrada de

Itapecerica, 2687, no bairro do Campo

Limpo, São Paulo


publieditorial | consumidores

Bradesco Auto/RE personaliza

seguro para correntistas e projeta

crescimento nessa base de clientes

No mês de lançamento do produto, o desempenho da

seguradora atingiu o maior percentual dos últimos meses

Para manter a carteira

com números positivos

em um cenário

economicamente instável,

muitas seguradoras estão

diversificando a estratégia de

mercado, focando em clientes

“da casa”, ou seja, que já possuam

outras experiências com a

holding a qual pertencem. Com

este intuito, a Bradesco Auto/

RE, empresa do Grupo Bradesco

Seguros, desenvolveu o produto

❙ Auto Correntista, focado no ❙ Saint’Clair

cliente pessoa física do Banco Bradesco,

uma das maiores instituições bancárias

da América Latina, com mais de 23

milhões de correntistas. Com essa base

de clientes expressiva e aproveitando a

segmentação já estabelecida pelo banco,

a companhia alcançou bons resultados

em pouco tempo. Na entrevista a seguir,

o Diretor Técnico da Bradesco Auto/RE,

Saint’Clair Lima, destaca os principais

pontos da estratégia e conta como o novo

produto deve auxiliar o Grupo a duplicar

a carteira nos próximos anos.

O produto foi lançado em maio e,

mesmo assim, já teve muita procura por

todo o país. Quais são as principais vantagens?

Havia uma demanda reprimida

de clientes do banco?

Os benefícios vão desde descontos e

parcelamentos ampliados na contratação

até guinchos para terceiros e franquias

com valores reduzidos, para serviços

realizados nas oficinas indicadas pelo

Bradesco Auto Center, rede de centros

automotivos da seguradora, distribuída

em 18 estados do país. A segmentação

existente no banco foi primordial para

oferecer um produto adequado à realidade

de cada cliente, focando no que mais

Lima

lhe atende e com preços e condições

apropriadas para cada perfil. Temos

um país com dimensões continentais e,

consequentemente, muito diverso econômica

e culturalmente. Acreditamos

que, ao oferecermos exatamente o que o

cliente precisa, crescemos junto com ele

e o fidelizamos em mais uma empresa

do Grupo.

A resposta dos clientes foi praticamente

imediata. Existe uma projeção a

longo prazo? Quanto esperam crescer

ainda em 2019?

A abordagem a este público

foi feita de forma diferenciada

e, somente no mês de lançamento,

que aconteceu em maio

deste ano, o desempenho da

Bradesco Auto/RE atingiu um

crescimento no segmento de

18%. O resultado foi rápido e o

Grupo estima dobrar a carteira

nos próximos anos.

Existe algum diferencial

para o público de alta renda?

Sim, no Prime/Private o

cliente conta com serviços exclusivos,

como carro reserva para um período de

15 dias e o programa Repare Fácil, um

pacote de benefícios que oferece o conserto

de pequenos e médios amassados

e funilaria rápida na lataria ou parachoque.

A contratação está disponível

em todo o Brasil. Por meio do Repare

Fácil, por exemplo, é possível reparar até

100% do dano evitando a perda do valor

de mercado do veículo.

Conheça as vantagens que já são

oferecidas para cada segmentação de

clientes do banco:

VANTAGENS CLASSIC EXCLUSIVE PRIME/PRIVATE

Desconto no prêmio 5% 7% 10%

Cobertura para veículo 0km 6 meses 9 meses 12 meses

Carro reserva plus - 15 dias T X T X R

Programa repare fácil T X T X R

KM ilimitado T X T X R

Título de capitalização T X

R$100 mil R$200 mil

Mais 50% na cobertura de RCF - DC T X T X R

Guincho para terceiros R R R

Desconto na franquia 25% 27% 30%

Pagamento sem juros 10%

*título de capitalização: valor bruto

33


eventos | ciab

Meia década de trilha

Curt Zimmermann, diretor de TI e Operações da Bradesco Seguros;

Luis Freitas, gerente de Tecnologia da Informação da CNseg;

Venugopal Shivram, consultor sênior Estratégico de Analytics e

Big Data da Tata Consultancy Services (TCS)

Em meio aos desafios que

o mercado de seguros

enfrenta para virar a chave

para o mundo digital, o setor

consolida sua presença,

pelo quinto ano seguido,

no maior congresso de

tecnologia bancária. Os

painéis trataram de temas

que foram da inovação à

contabilidade no Brasil e

no exterior. Faltou espaço.

Sobrou interesse

Elis Lopes

Sala lotada. Pessoas em pé.

Esse foi o cenário base dos

dois dias da Trilha de Seguros

durante a 29ª edição do

CIAB, tradicional feira de tecnologia

bancária, promovida pela Federação

Brasileira de Bancos (Febraban) e que

contou com a Confederação Nacional

das Seguradoras (CNseg) como parceira

estratégica. O interesse tem como pano

de fundo o potencial que a tecnologia e

a inovação representam para o mercado

de seguros brasileiro crescer e galgar

mais espaço no Produto Interno Bruto

(PIB) brasileiro.

O digital ainda representa um mar

aberto a ser explorado pelas seguradoras

e corretores de seguros no Brasil. De

quebra, ainda permite um atendimento

mais confortável aos segurados. “A

digitização amplia as oportunidades da

contratação de seguros pelo mobile. O

canal se torna mais amigável. Afinal, não

é nada agradável ficar fazendo cotação

de automóvel no celular digitando chassi

e renavan”, avaliou o diretor setorial

de tecnologia e automação bancária da

Febraban, Gustavo Fosse, em entrevista

à Apólice, durante o CIAB.

34

Segundo o especialista, a partir do

momento em que se automatiza e melhora

a usabilidade do consumidor nos

canais digitais, é possível intensificar a

interação com o segurado. Ele chama

atenção ainda para os benefícios que a

inteligência artificial, similar à de um

ser humano, mas feita por mecanismos,

pode trazer para o mercado de seguros,

ajudando no desafio do setor de atuar

como um consultor dos segurados. “Você

não vende mais somente seguro de carro

e sim a segurança de um carro. É um

passo além, é focar no serviço e não no

produto”, atentou Fosse.

Não é à toa que um dos momentos

mais disputados da Trilha de Seguros

durante o congresso foi o painel “As

redes sociais e o comportamento dos

consumidores”. “Não tinha mais espaço

na sala. Apesar de o tamanho da Trilha

de Seguros ter sido o mesmo dos últimos

anos, o interesse no tema cresceu muito”,

comemorou o diretor Técnico e de Estudos

da CNseg, Alexandre Leal, que atuou

como moderador dos painéis.

A cereja do bolo foi a participação

do diretor de Marketing Science do

Facebook na América Latina, Daniel

Arantes, que trouxe números atualizados

das redes sociais do grupo. De acordo

com ele, enquanto o Instagram conta com

mais de um bilhão de usuários mensais, o

Facebook já possui cerca de 2,2 bilhões

de membros. O fato de quase um terço

da população mundial ter perfis seja no

Facebook ou na rede de fotos Instagram,

conforme Arantes, mostra que o consumidor

está “superconectado”. Mais do

que isso. Ele já atua em multicanais e não

busca ofertas únicas, ou seja, apenas de

uma empresa, premissa básica na venda

de seguros. No entanto, as redes sociais

podem ser aproveitadas, na visão do

especialista, não apenas para conhecer

melhor o cliente mas também vender

produtos e serviços.

Para o responsável por tecnologia

da informação da Porto Seguro, Marcos

Sirelli, o canal é o caminho para conectar

as seguradoras com outras redes e, com

isso, aprimorar a oferta de produtos e

serviços do setor de seguros. “Ainda

temos muito a explorar para chegar a um

produto personalizado. Mas, certamente,

a rede social será o caminho. Ela é muito

poderosa”, disse, acrescentando sobre

a necessidade de a interação com os


segurados nas redes sociais não invadir

a barreira da privacidade.

Enquanto de um lado o setor testa

maneiras de se relacionar melhor com

os clientes, do outro investe em tecnologias

digitais que viabilizem não só essa

aproximação bem como melhore esse

contato, o que no fim do dia permitirá

aumentar as vendas. Durante painel

sobre o tema, o indiano Venugopal Shivram,

consultor sênior Estratégico de

Analytics e Big Data da Tata Consultancy

Services (TCS), trouxe vários exemplos

de iniciativas bem-sucedidas no setor ao

redor do mundo como, por exemplo, uma

seguradora de vida nos Estados Unidos

que se utiliza de uma “selfie” para fazer

a cotação de uma apólice. Segundo

ele, o mercado de seguros tem investido

pesado na adoção de tecnologias

como a inteligência artificial, machine

learning (aprendizado da máquina) e

automação cognitiva. Essas ferramentas,

todas utilizadas na melhoria da análise

de dados, são, conforme o especialista,

essenciais para que o mercado de seguros

evolua para uma análise de risco personalizada

para cada segurado no futuro, uma

forte mudança para as atuais práticas do

setor que vigoram até então.

“Também acredito que o mercado

caminha para a personalização das

ofertas, mas temos de aprender como

precificá-las. Muitas vezes vemos que o

preço não faz sentido para muitas pessoas

dentro de um grupo. Temos muito a

aprender”, admitiu o diretor da Bradesco

Seguros, Curt Zimmermann.

“O disruptivo não manda

sinais. Quando ele vem, já

estamos absortos”

Alexandre Leal

Diretor Técnico e de Estudos da CNseg

Disruptivo

As novatas do mercado de seguros

– as chamadas insurtechs – começam a

se multiplicar no Brasil, mas falta ainda

capital para decolar novas ideias no mercado

local. A conclusão é da consultoria

everis, que mapeou os investimentos globais

em startups e os apresentou durante

o painel “Insurtechs Outlook – Inovação

em Seguros”, no CIAB. A maior parte

dos recursos é abocanhada pela América

do Norte com 60%, seguida da Europa,

24%, Ásia-Pacífico, 8%, e Israel, com

3%. Outras regiões ficam com os mesmos

3%, enquanto a América Latina recebe

apenas 2% do capital que gira nas novatas.

No Brasil, o número de insurtechs é

estimado em mais de 80, de acordo com a

consultoria, ou seja, a inovação já chegou

por aqui. “Falta fluxo de capital para as

empresas brasileiras, pois não temos fundos

de investimento gigantes atuando no

País”, destacou o sócio-responsável pela

prática de Seguros na região Américas,

Roberto Ciccone.

Além do baixo investimento em

regiões como a América Latina, a pesquisa

identificou ainda a influência de

pesos pesados do mundo da tecnologia

na distribuição de seguros como a

Amazon e o Google. Para o diretor de

seguros do Santander Brasil e presidente

da Comissão de Inteligência de Mercado

da CNseg, Alex Körner, o que preocupa

não é a presença desses gigantes, mas

a capacidade que esses players têm de

traduzir a compra de seguros de uma

forma mais fácil que o próprio segmento.

“Se não mudarmos, vamos ficar para

trás”, atentou.

De acordo com Leal, da CNseg, o

fato de as insurtechs e as inovações serem

incrementais ao mercado de seguros, em

um primeiro momento, gera um certo

alívio porque ajuda a agregar valor ao

negócio. Mas é preciso ir além e investir

para colocar definitivamente o mercado

de seguros em uma trilha tecnológica que

atenda aos anseios do consumidor de uma

forma mais fácil e ágil. “O disruptivo

não manda sinais. Quando ele vem, já

estamos absortos”, alertou Leal.

O ambiente de inovação e tecnologia

da Trilha de Seguros durante o CIAB

também abriu espaço para temas mais

complexos como, por exemplo, o impacto

da nova norma contábil internacional,

o IFRS 17, que trata dos contratos de

seguros. Definida pela International

Accounting Standards Board (IASB),

organização responsável por estabelecer

normas contábeis para empresas ao

redor do mundo, a mudança tem de ser

implementada até 2022. Na prática, a

nova regra vai substituir o IFRS 4, primeira

norma contábil para os contratos

de seguros, uniformizando os processos

utilizados até então. O tema é foco de

um grupo de trabalho na CNseg desde

meados de 2017, quando a mesma foi

publicada. Até o momento, já foram

produzidos, conforme a superintendente

de Acompanhamento Técnico da CNseg,

Karini Madeira, 13 memorandos técnicos

e, no ano passado, foi iniciada uma

discussão junto à Superintendência de

Seguros Privados (Susep). De acordo com

a especialista, as seguradoras têm desenvolvido

estudos internos para entender os

reflexos e as áreas que serão impactadas,

mas o grau de complexidade difere para

cada seguradora. Varia, segundo ela,

conforme o segmento de atuação, os

produtos oferecidos, exposição ao risco,

grau de maturidade e o envolvimento

com a convergência das normas.

Para a superintendente de práticas

contábeis de seguros da SulAmérica,

Flávia Vieira, a norma faz sentido para

a operação de seguros, mas sua implementação

é difícil e vai depender de

cada carteira.

Por fim, a Trilha de Seguros foi palco

de uma apresentação do case “Data

Center a serviço do negócio”, da Tokio

Marine, implantado pela Dell. Com o

investimento, a seguradora japonesa aumentou

a capacidade de processamento

em três vezes e viu seu custo se reduzir

em 64%. “Isso permitiu que dobrássemos

de tamanho em três anos”, avaliou

o CIO da Tokio Marine, Wilson Leal,

lembrando que não é só a tecnologia

que faz parte do processo. “Agora é o

negócio. Precisamos mudar o processo

para que em dois cliques o cliente se

resolva”, concluiu.

35


evento | tecnologia

Samy Hazam, Andre Lauzana, Renato Pedroso, José Luiz Ferreira e Leonardo Freitas

Insurtech & Inovação:

novas fronteiras para

as empresas brasileiras

É provável que o mercado brasileiro de

seguros já esteja em seu ponto de maturação

para colocar em prática as mudanças que o

consumidor deseja

Kelly Lubiato

A

tecnologia está ficando mais

acessível, tanto para empresas

quanto para os consumidores.

Sejam negócios B2B

ou B2C, muito rapidamente. Em 2018,

foram investidos mais de US$ 3 bilhões

em insurtechs, o que estimula a entrada

de novas startups neste setor.

Segundo Jonathan Kalman, fundador

da EOS Venture Capital, centenas

de empresas estão sendo financiadas e

existem ainda os conglomerados gigantes

que olham o mercado, como Amazon,

Tesla, AliBaba entre outros. O fluxo de

financiamento segue com valores de US$

1,2 milhões investidos apenas na América

Latina. “O SoftBank lançou um fundo

de inovação que promete US$ 2 bilhões

apenas para a AL”, justificou Kalman,

que aproveitou para questionar: você vai

surfar nesta onda ou vai se afogar?

Um dos grandes méritos da tecnologia

é encontrar soluções para fazer de

forma diferente as tarefas do cotidiano.

Quando o seu custo cai, ela passa a ser

adotada por um número maior de corporações

e empresas. “Com a curva de

custo decrescente, há uma deflação, o

que possibilita as mudanças. O setor de

seguros precisa ser transformado para

que seja integrado à vida das pessoas sem

esforços”, salientou Kalman.

O executivo, que atua como investidor,

apresentou alguns exemplos de

como a tecnologia pode mudar a vida

das pessoas. “Como setor, em saúde,

devemos passar da fase de cobertura

para a de prevenção. O sequenciamento

do genoma será uma forma de poder

prever o que virá pela frente. O custo do

sequenciamento cai exponencialmente e

isso deve transformar os seguros de vida

e saúde. Em 2025, este custo deve ser

menor que US$ 1”. Entretanto, o pulo do

gato será oferecer esta tecnologia gratuitamente

para as pessoas para melhorar a

distribuição, abrindo a possibilidade de

coleta de dados.

“O objetivo é a simetria das informações,

pois, assim, as pessoas de fora

entendem que podem coletar dados para

criar novos canais de negócios. O seguro

36


precisa mudar e o custo da tecnologia em

queda é fundamental para que a indústria

se reinvente”, sentenciou Kalman.

Citando outra tendência, Kalman

mostrou que como o API é uma forma

do cliente se conectar diretamente com a

seguradora, o corretor terá que se tornar

uma forma de intermediação inteligente.

“O seguro deve fazer parte de nossas vidas

de forma automática, principalmente nos

seguros on demand”, previu, acrescentando

que os corretores serão mais eficientes

e rentáveis, o problema é que o mundo não

vai precisar de tantos corretores.

Várias destas tendências apresentadas

pelo palestrante já puderam ser

observadas na feira do evento. Na

oportunidade, foi lançado o primeiro

marketplace de API´s para o mercado de

seguros, a GR1D. Também foi anunciado

o lançamento de um produto personalizado

de seguro auto, pela Seguralta (leia

na página 18).

Gustavo Doria, CEO do CQCS e do

evento, disse na abertura que estamos

vivendo o momento de transformação

em que as pessoas têm visões diferentes

sobre um mesmo tema. “É a informação

trabalhada para atender objetivos. Que

eles sejam do bem”, pontuou.

O mercado deve estar atento ao que

vai mudar, principalmente quando se

trata de proteção. “Onde nós, do seguro,

nos encaixamos? Qual é o futuro da

proteção?”. A longevidade é um desafio

e precisamos saber de onde virá o Uber

do seguro.

O grande problema do seguro é

mudar o mindset, porque o que o setor

vende é tranquilidade. “Temos que estar

conscientes de que a tecnologia que

impede as pessoas de fazerem trabalhos

chatos, também contribui para convencer

a sociedade de que seguro é bom, de que

ele é livre”, conscientizou Doria.

Mesmo com tantas novidades, o corretor

de seguros ainda ocupa uma posição

de destaque na distribuição dos produtos.

André Lauzana, vice-presidente Comercial

da SulAmérica, ressaltou o quanto o

perfil da sociedade mudou, deixando de

lado a importância de possuir as coisas

e valorizando as experiências e o que as

pessoas e marcas representam. “Assistimos

à mudança de comportamento. As

empresas que entenderem este novo perfil

irão se preocupar em agregar valor ao

produto que comercializam”, sentenciou.

A precificação não deve ser baseada

apenas nos dados atuariais. As empresas

antenadas com a nova realidade devem

precificar de acordo com o comportamento

do consumidor, da forma mais

personalizada possível. “Juntos, seguradoras,

corretoras e insurtechs devem

construir um setor sólido. A conversa

agora é trazer para o mercado o consumidor

que nunca adquiriu um produto de

seguro”, acrescentou Lauzana.

O diretor Comercial da Bradesco

Seguros, Leonardo Freitas, também

apontou que o perfil do consumidor mudou

e que ele, agora, é conectado, bem

informado e busca conteúdo relevante.

“É um público que já nasceu na era tecnológica”.

Ainda falando sobre o perfil

do novo consumidor, Freitas lembrou que

ele não é fiel e confia em comentários

e recomendações de empresas. É um

público que compartilha.

O desafio, segundo Freitas, é entender

o que influencia o consumidor

na compra do seguro. “É onde entra a

consultoria do corretor de seguros, que

pode influenciar a decisão do consumidor.

O corretor, aliado à tecnologia,

pode ocupar um novo mercado, pois a

tecnologia veio para potencializar o seu

negócio”, pontuou.

O presidente da Previsul Seguradora,

Renato Pedroso, explicou que pode ser

que, no futuro, as profissões executórias

não mais existam, como frentistas ou

caixas de supermercado. Entretanto,

advogados ou corretores de seguros,

por exemplo, profissões consultivas que

agregam valor, devem sofrer com as

novas tecnologias, mas serão selecionados

pelo mercado de acordo com a sua

relevância”, previu.

Pedroso demonstrou que para as empresas

é mais acessível investir no corretor

de seguros do que na reversão de leads da

internet, pelo menos, por enquanto.

Apesar de várias mudanças ao

longo dos tempos, com as ameaças da

atuação dos bancos ou da venda direta

possibilitada pela internet, o número de

corretores de seguros só aumentou. Isso

foi demonstrado por José Luiz Ferreira,

❙❙

Gustavo Doria, do CQCS

diretor comercial da Tokio Marine: “o

inimigo não existe na proporção que

estamos vendo”.

Ferreira mostrou que nos maiores

mercados do mundo, mesmo naqueles

em que a venda direta é regulamentada

a proporção de corretores não diminuiu.

Nos Estados Unidos a comercialização

por este meio não passa de 21%, segundo

dados do Insurance Information Institute.

No Japão, 90% das vendas acontecem por

corretores de seguros e agentes. No Reino

Unido, a participação do corretor é de

54%. Alemanha teve aumento da venda

direta por um acerto de acordo com os outros

países. No Brasil, as vendas são 92%

via corretores e 8% de bancassurance.

“Percebemos uma mudança no

comportamento de uso de serviços assistenciais

para o consumidor. Tem gente

que vai caminhar para a tecnologia. O

corretor precisa saber o que tem disponível

para atender o consumidor, seja no

papiro ou no app”, finalizou.

Tem mais

Este evento é a versão brasileira do

ITC – Insurtech Connect – que acontece

em Las Vegas no mês de outubro. Em 2019,

a comitiva brasileira deve passar de 200

pessoas. Os organizadores ainda recebem

inscrições pelo site: cqcsexperience.com.br

O ITC é um dos maiores eventos de

Insurtech mundiais. Em 2018, mais de seis

mil pessoas participaram das palestras e

rodas de negócios. É uma oportunidade

ímpar de se atualizar sobre as tendências

para o setor.

37


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Uma estratégia de mãe...

“Estratégia. 1. Arte militar de planejar e executar movimentos

e operações de tropas, navios e/ou aviões, visando

a alcançar ou manter posições relativas e potenciais bélicos

favoráveis a futuras ações táticas sobre determinados objetivos.

(...) 3. P. ext. Arte de aplicar os meios disponíveis com vista

à consecução de objetivos específicos.” (Novo Dicionário

Aurélio da Língua Portuguesa.”

É impressionante o que uma mulher pode fazer por

amor! Quando ama, nada se torna obstáculo intransponível

para ela. De sua fragilidade, emergem forças físicas, morais e

espirituais inimagináveis! De modo especial, a mulher-mãe!

Ao dizer isso, vem-me à mente a figura de minha própria

mãe. Media apenas um metro e cinquenta centímetros (eu

lhe dizia que tinha a estatura exata de uma fita métrica).

Era, além disso, bem magra, pesando não muito mais que

50 quilos. Entretanto, foi gigante em toda sua vida. Aos 17

anos de idade, casou-se com meu pai e, ao longo de 58 anos

– até ele falecer – acompanhou-o em todas as suas muitas e

pesadas lutas. Ele foi um dos desbravadores do então sertão

do extremo oeste de São Paulo, onde hoje se localiza uma

metrópole chamada Presidente Prudente, que conta com cerca

de 210.000 habitantes, e é o polo econômico e sociocultural

da Alta Sorocabana! Entretanto, tudo era sertão quando ali

chegaram. Tanto isso é certo, que a primeira emissora de

rádio instalada no município – a PRI-5 – tinha por slogan

“A voz do sertão”!

Fui o nono de seus dez filhos. E todos recebemos sua

orientação, seu cuidado e sua rigorosa disciplina! Ninguém

falava, aliás, sequer imaginava, um palavrão... Foi com ela que

aprendi a ler a Bíblia, hábito salutar que mantenho até hoje!

Mas não é à minha mãezinha, já há anos “no andar de

cima”, que se refere esta crônica, mas sim a alguém que viveu

muitos séculos antes dela. Chamava-se Joquebede, nome hebraico

que significa “Jeová é glória” (Yoháved). Era esposa de

um homem da tribo de Levi, chamado Anrão. À época desta

história, os hebreus estavam no Egito. Haviam ido para lá 400

anos antes, levados por José, que era o governador daquele

país, a que chegara como escravo! Entretanto, tornara-se o

homem mais forte do Egito, onde o recebeu a denominação

de “Zafenate Paneá”: o salvador do mundo.

Contudo, com o passar de muitas gerações, a situação

dos hebreus mudou. Os privilégios e estima de que gozavam

no início, converteram-se em cruel e pesada escravidão. Isso

porque haviam-se tornado mais numerosos do que os egípcios,

e faraó passou a temer que, em caso de guerra externa, eles

se aliassem aos inimigos. Para conter seu crescimento, faraó

determinou que todos os recém-nascidos de sexo masculino

fossem mortos!

Então, no lar de Joquebede, nasce Moisés! Apesar da

ordem do poderoso governante do Egito, ela o oculta por três

meses, após o que isso se torna difícil e arriscado para toda

a família!

É quando seus coração e mente de mãe engendram um

plano original: faz um cesto de vime, impermeabiliza-o com

betume, deposita nele o bebê, e o coloca no rio, no ponto em

que a filha de faraó se banhava com suas aias...

É claro que – sendo mulher – ao ver a inusitada peça, a

princesa sentiu curiosidade em saber o que havia ali! Vê, então,

chorando, um bebê dos hebreus, muito bonito. Nessa hora,

complementando o plano, Miriam – irmã de Moisés – que

estava estrategicamente posicionada, aparece e diz: “queres

que eu chame uma ama das hebreias para que crie este menino

para ti?”. Com a concordância da princesa, ela traz sua mãe, e

de Moisés, a quem a princesa diz: “Leva este menino, e cria-o

para mim; e eu te darei teu salário.”

Pronto! A estratégia funcionou perfeita e abençoadamente:

Joquebede salva seu filho, cria-o a seu modo, e ainda recebe

salário por isso.

E é esse menino Moisés – o “salvo das águas” – que vai

se tornar o libertador e o maior líder de seu povo!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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