primeira mao julho 2019

ruth.reis

Revista laboratório do Curso de comunicação da Ufes

MULHER

AO VOLANTE

EM

PERIGO CONSTANTE

elas optam por profissões tradicionalmente masculinas,

mas sofrem com preconceito e assédio

Maria Clara Stecca

Os carros de aplicativo

chegaram

há poucos anos, e

vieram tomando

gradativamente

o lugar dos táxis.

Os dois serviços

de transporte

oferecem basicamente o mesmo serviço, a diferença

é que os primeiros têm um preço bem mais

baixo.

A semelhança não é apenas no tipo de serviço

oferecido. Como nos táxis, os motoristas dos carros

de aplicativo também são majoritariamente do sexo

masculino. Por muitos anos, a profissão de motorista

foi considerada uma atividade apenas para homens,

e qualquer mulher que decidisse se aventurar nesta

área acabava sofrendo muito preconceito.

De fato, não vemos com frequência mulheres

exercendo essa profissão, mas essa realidade

vem sendo mudada aos poucos. Com a chegada

dos carros de aplicativo, se tornou mais comum

vermos mulheres motoristas. O preconceito também

vem diminuindo, mas ainda está bem longe

de acabar. Além disso, existe também um outro

fantasma que cerca a mulher em quase todas as

esferas da sua vida: o assédio sexual.

Por mais que a profissão de motorista ofereça

uma certa liberdade e flexibilidade, além de reforçar o

empoderamento feminino, a mulher é obrigada a lidar

com essa triste realidade de preconceito, assédio e violência.

A motorista de aplicativo Andressa Borges

conta que já sofreu com comentários preconceituosos

e de cunho sexual: “Já me perguntaram

se o meu marido permite que eu seja motorista.

Uma vez um cara que chamou pelo aplicativo me

chamou de gostosa, ele disse que quando eu viu

a foto no aplicativo nao imaginou que seria uma

mulher tão gostosa. Fiquei muito assustada, sem

reação, mas terminei a corrida”.

Andressa conta que nunca foi assaltada, ao

contrário de “Janaina”, nome pelo qual a motorista

de aplicativo prefere ser chamada. Ela já foi

rendida por dois homens que solicitaram o serviço

pelo aplicativo, e teve seu carro roubado. “Eles

foram muito agressivos, pensei que eu fosse morrer,

mas graças a deus ficou tudo bem, eles levaram o

meu celular e o pouco dinheiro que estava comigo”.

Como alternativa para driblar estes problemas,

foram desenvolvidos aplicativos de

transporte, similares ao Uber e 99 Pop, em que

todas as motoristas e usuárias são mulheres,

mas esses serviços não funcionam em algumas

cidades do país, que é o caso da região da Grande

Vitória. Apesar da disponibilidade, os aplicativos

de transporte apenas para mulheres não

ganharam muita força em solo capixaba. Pela

demanda dos aplicativos de transporte mais

usados (Uber e 99 POP), as motoristas acabam

optando por dirigir para estas empresas.

30 julho 2019

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