Revista da Sociedade AGOSTO baixa

revistaordem

REVISTA

DA SOCIEDADE

GESTÃO 2019/2020

DESDE 1967 | AGOSTO | 2019

ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS, ARQUITETOS

E AGRÔNOMOS DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

PRIMEIRO CARRO

À ÁLCOOL FAZ

40 ANOS

TECNOLOGIA

Biomimética: A ciência

inspirada na natureza

ENTREVISTA

César Vessani,

presidente da AEAASJRP


02 Revista da Sociedade


Palavra da Diretoria

SOBRE SER ENGENHEIRO

Ser engenheiro é um processo em três

tempos: escolha, formação e prática.

Optar por ser engenheiro é algo muito

pessoal e as motivações são múltiplas. Já formar-se

engenheiro é outra coisa. É preparar-se

para ser agente transformador da natureza em

favor do homem.

Ao final de pelo menos cinco anos de árduos

estudos, chegamos ao nosso diploma e à

carteira de habilitação profissional. Tornamo-

-nos profissionais de engenharia, destinados a

explorar nossa capacidade criativa.

Assim é que devemos aplicar o melhor de

nossos conhecimentos, seja para construir uma

grande barragem, seja para construir uma pequena

casa. Seja para fabricar um liquidificador,

ou um sofisticado aparelho de tomografia. Todos

devem igualmente funcionar, serem seguros

e durar.

Este é o paradigma do engenheiro. Nós

concebemos, projetamos, construímos e conservamos

para que nossa obra seja funcional, segura

e durável.

Ser engenheiro significa dotar uma sociedade

de infraestrutura para que ela possa se

desenvolver. Significa dar à sociedade os meios

para que os seres que a compõem possam viver

melhor.

Ser engenheiro é ser agente de um processo

de desenvolvimento, de construção de uma

nação. Ser um engenheiro é ter a dimensão social

do exercício da engenharia.

Ser engenheiro significa trabalhar para o

desenvolvimento de todos, sem exceções.

Cesar Antônio Vessani, engenheiro civil e presidente

da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e

Agrônomos de São José do Rio Preto

Revista da Sociedade 03


ÍNDICE

3 - Palavra da Diretoria

Sobre ser engenheiro

6 - Esporte

Corrida de rua: benefícios e dicas

8 - Motor

Primeiro carro à álcool faz 40 anos

12 - Entrevista

César Vessani, presidente da AEAASJRP

GESTÃO 2019/2020

Engenheiro Civil

Paulo Henrique da Silva

1º Vice-Presidente

REVISTA

DA SOCIEDADE

ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS, ARQUITETOS

E AGRÔNOMOS DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

Composição nova diretoria biênio

janeiro 2019 - dezembro 2020

Diretoria

Engenheiro Civil

Cesar Antônio Vessani

Presidente

Engenheiro Agrônomo

Maurício Tucci Marconi

2º Vice-Presidente

16 - Tecnologia

Ciência inspirada na natureza

20 - Engenharias

Engenharia civil

Engenheiro Civil

Lucas Tamelini

1º Secretário

Engenheiro Agrônomo

Carlos Henrique Ravacci Pires

1º Tesoureiro

Arquiteto

Marco Antônio Miceli

Diretor de Sede

Arquiteto

Antônio Sérgio Agustini

Diretor Cultural

Engenheiro Eletricista

Fábio Henrique dos Reis

2º Secretário

Eng. Metalurgista e de Segurança

Ricardo Scandiuzzi Neto

2º Tesoureiro

Engenheiro Civil

Rogério C. Azevedo Souza

Diretor de Esportes

Engenheiro Civil

Renato Luis Grollla

Diretor Social

Expediente

Diretor de Produção

Vergílio Dalla Pria Jr.

Produção Gráfica

Thiago Dantas

Jornalismo

Marcelo Ferri | Mtb: 39.205/SP

Michelle Monte Mor | Mtb: 31.925/SP

Fotografia

Editora

Impressão

Gráfica São Sebastião

Tiragem

15.000 exemplares

Publicação mensal

A Revista da Sociedade é uma publicação mensal

da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e

Agrônomos de São José do Rio Preto (AEAASJRP).

Rua Raul Silva, 1417, Nova Redentora

CEP 15090-260

São José do Rio Preto/SP

www.sociedadedosengenheiros.com.br

Fone: (17) 3227-7000

04 Revista da Sociedade


RESOLUÇÃO Nº 1.118, DE 26 DE JULHO DE 2019

Institui o programa de recuperação de créditos no âmbito do Sistema

Confea/Crea para o exercício de 2020, destinado à regularização

dos débitos das Pessoas Físicas e Jurídicas registradas e dá

outras providências.

O CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA

– CONFEA, no uso das atribuições que lhe confere a alínea “f” do

art. 27 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, e Considerando

o disposto no parágrafo 2º do artigo 6º da Lei nº 12.514, de

28 de outubro de 2011, que expressamente autoriza os Conselhos

Federais de Profissões Regulamentadas a estabelecerem regras de

recuperação de créditos;

Considerando o disposto no art. 24 da Lei nº 5.194, de 1966, que

define que o Confea e os Creas são organizados de forma a assegurarem

unidade de ação;

Considerando o disposto nos arts. 28 e 35 da Lei nº 5.194, de

1966, que definem a renda do Confea e dos Conselhos Regionais

de Engenharia e Agronomia - Creas;

Considerando o disposto nos arts. 63, 64, 65 e 66 da Lei n° 5.194,

de 1966, que tratam da obrigatoriedade de pagamento de anuidade

aos Creas de pessoas físicas e jurídicas pertencentes ao Sistema

Confea/Crea;

Considerando o disposto no art. 73, alíneas “a”, “b”, “c”, “d” e

“e”, da Lei nº 5.194, de 1966, e no art. 3º da Lei nº 6.496, de 7 de

dezembro de 1977, que estipulam as multas a serem cobradas de

pessoas físicas e jurídicas autuadas pelos Creas;

Considerando a necessidade de instituir um Programa de Recuperação

de Créditos no âmbito do Sistema Confea/Crea para que

os Conselhos Regionais possam adotar medidas administrativas e

judiciais com o objetivo de reverter o quadro de inadimplência tanto

em acordos administrativos como em audiências de conciliação,

nos termos da Lei nº 12.514, de 2011;

Considerando a orientação do Conselho Nacional de Justiça e do

Fórum dos Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas, juntamente

com os Tribunais Regionais Federais, no sentido de promover

política sistematizada de conciliação relacionada aos débitos

existentes nos respectivos Conselhos;

Considerando as solicitações encaminhadas ao Confea pelos Conselhos

Regionais de Engenharia e Agronomia requerendo a instituição

de Programa de Recuperação de Créditos,

RESOLVE:

Art. 1º Instituir o programa de recuperação de créditos no âmbito

do Sistema Confea/Crea para o exercício de 2020, autorizando

os Creas a promover conciliações administrativas e judiciais nas

condições estipuladas nesta Resolução.

§ 1º Poderão aderir ao programa de recuperação de créditos as

pessoas físicas e jurídicas, de direito público ou privado, inclusive

aquelas que se encontrarem com o registro suspenso ou que tenham

tido o registro cancelado.

§ 2º O programa de recuperação de créditos abrange todos os

débitos de natureza tributária e não tributária dos Creas, vencidos

até 31 de dezembro de 2018, constituídos ou não, com exigibilidade

suspensa ou não, inscritos ou não em dívida ativa, mesmo

em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive aqueles objeto

de parcelamentos anteriores ativos ou não integralmente quitados,

ainda que cancelados por falta de pagamento, em discussão administrativa

ou judicial.

§ 3º A adesão ao programa de recuperação de créditos ocorrerá

por meio da celebração de Termo de Confissão de Dívida, mediante

requerimento do interessado ao Crea, a ser efetuado até o dia

31 de julho de 2020.

CAPÍTULO I

DOS PARCELAMENTOS

Art. 2º A adesão ao programa de recuperação de créditos implicará:

I - a confissão irrevogável e irretratável dos débitos existentes em

nome da pessoa física ou jurídica;

II - a aceitação plena e irretratável pela pessoa física ou jurídica de

todas as condições estabelecidas;

III - o dever de pagar regularmente as parcelas dos débitos consolidados

no programa de recuperação de créditos; e

IV - o dever de manter atualizado o cadastro junto ao Crea, infor-

mando qualquer alteração nos endereços residencial e comercial,

inclusive eletrônicos, e nos telefones de contato.

Art. 3º A pessoa física ou jurídica que aderir ao programa de recuperação

de créditos poderá liquidar os débitos de que trata o

art. 1º desta Resolução mediante a opção por uma das seguintes

modalidades:

I - liquidado integralmente, em parcela única, com redução de até

90% (noventa por cento) dos juros de mora;

II - parcelado em até 06 (seis) parcelas mensais e sucessivas, com

redução de até 60% (sessenta por cento) dos juros de mora;

III - parcelado em até 12 (doze) parcelas mensais e sucessivas, com

redução de até 40% (quarenta por cento) dos juros de mora; e

IV - parcelado em até 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas,

com redução de até 30% (trinta por cento) dos juros de

mora.

§ 1º A dívida objeto do parcelamento abrangerá todos os débitos

da pessoa física ou jurídica perante o Crea vencidos até 31 de

dezembro de 2018, consolidados na data do requerimento de adesão

ao programa de recuperação de créditos e será dividida pelo

número de prestações indicadas.

§ 2º Os valores das parcelas de que trata este artigo não serão inferiores

a R$ 100,00 (cem reais) para pessoas físicas e R$ 150,00

(cento e cinquenta reais) para pessoas jurídicas.

§ 3º O Crea emitirá o(s) boleto(s) bancário(s) em nome da pessoa

física ou jurídica que aderir ao programa de recuperação de créditos

para pagamento da(s) parcela(s) de que trata este artigo.

Art. 4º A falta de pagamento de qualquer parcela acarretará a

imediata rescisão do parcelamento e a exclusão da pessoa física

ou jurídica do programa de recuperação de créditos, implicando a

exigibilidade imediata da totalidade do débito confessado e ainda

não pago, restabelecendo-se, em relação ao saldo remanescente

da dívida, a integralidade dos acréscimos legais devidos.

Art. 5º O Crea poderá emitir certidão positiva com efeito de negativa

de débitos, durante a vigência do parcelamento de que trata

o artigo 3º, a pedido da pessoa física ou jurídica interessada, com

prazo de validade não superior a 30 (trinta) dias.

CAPÍTULO II

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 6º Para instituir o programa de recuperação de créditos no

âmbito de sua circunscrição, o Crea deverá elaborar a estimativa

do impacto orçamentário-financeiro nos exercícios 2020, 2021

e 2022, com a demonstração de que a renúncia foi considerada

na estimativa de receita da proposta orçamentária e de que não

afetará as metas de resultados fiscais previstas, nos termos da Lei

Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 - Lei de Responsabilidade

Fiscal.

§ 1º A estimativa de receita de que trata o caput observará as

normas técnicas e legais, considerará os efeitos das alterações na

legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico

ou de qualquer outro fator relevante e será acompanhada de

demonstrativo de sua evolução nos últimos três anos, da projeção

para os dois seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia

de cálculo e premissas utilizadas.

§ 2º A instituição do programa de recuperação de créditos deverá

ser aprovada no Plenário do Crea, na forma de seu Regimento.

§ 3º A proposta orçamentária do Crea para exercício 2020, a ser

apresentada ao Confea até 15 de outubro de 2019, nos termos da

Resolução nº 1.037, de 21 de dezembro de 2011, deverá contemplar

os requisitos exigidos no presente artigo, se for o caso.

Art. 7º Os Creas deverão dar ampla publicidade ao programa de

recuperação de créditos em seus sítios eletrônicos e em todos os

seus meios de comunicação institucionais, inclusive mídias sociais,

bem como, se possível, em jornais de grande circulação local, rádio,

televisão, e por quaisquer outros meios de comunicação.

Art. 8º Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação,

com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2020.

Art. 9º Revogam-se a Resolução nº 479, de 29 de agosto de 2003,

e os §§ 4º e 5º do art. 3º e os §§ 4º e 5º do art. 10, todos da

Resolução nº 1.066, de 25 de setembro de 2015.

Brasília, 1º de agosto de 2019

Eng. Civ. Joel Krüger

Presidente

Publicada no DOU de 2 de agosto de 2019, Seção 1 – página 76

Revista da Sociedade 05


Esporte

CORRIDA

DE RUA:

BENEFÍCIOS

E DICAS

Conheça os benefícios da prática e

algumas dicas e fique preparado para a 1ª

Corrida da Sociedade dos Engenheiros

06 Revista da Sociedade


Esporte

Correr aumenta a longevidade. Estudo

publicado pelo Journal of the American

Medical Association, feito com mais de

200 mil pessoas durante seis anos, mostrou

que quando o atleta se propõe a correr de

forma moderada, diminui em 44% a chance de

morte e aumenta expectativa de vida dos homens

em seis anos e das mulheres em cinco.

A corrida melhora as funções cardíacas,

respiratórias, a absorção de oxigênio e reduz a

pressão arterial. Além disso, especialistas em fisiologia

do exercício afirmam que a prática traz

também benefícios psicológicos. Correr ajuda a

tratar da depressão, melhora a autoestima e até o

nível de concentração.

É de olho nesses benefícios que a Associação

dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos

de São José do Rio Preto – SP promove a 1ª Corrida

da Sociedade dos Engenheiros.

Enquanto aguarda mais informações sobre

o evento esportivo, a Revista Sociedade traz uma

série de dicas para você que estava esperando a

oportunidade de dar início à pratica.

Tecnologia dos tênis

O aumento do número de corredores de

rua tem demandado inúmeros produtos voltados

à prática, em especial os tênis. Sistemas de poliuretano,

elastômeros termoplásticos de poliuretano

e termoplásticos de engenharia são alguns

nomes técnicos de soluções que têm contribuído

para trazer aos calçados esportivos maior conforto,

performance e durabilidade.

Com essas tecnologias, a indústria calçadista

consegue atender aos anseios dos esportistas,

melhorar sua produção, a produtividade e ter

maior liberdade de design.

Até robótica e desenho 3D integram esses

avanços, como no projeto colaborativo Liquid

Factory, parceria entre BASF e Rebook. A empresa

química criou um líquido à base de uretano,

que tem rápida solidificação e permite produzir

peças sem moldes, como se fossem desenhadas

com tinta relevo.

Outra tecnologia inovadora é a entressola

DNA AMP, essa fruto da parceria da BASF

com a marca Brooks Running. Feita a partir de

um poliuretano modificado em nível molecular,

o Elastopan Sports Light, a entressola oferece

maior conforto e durabilidade aos corredores,

possibilitando o retorno de 72% de energia para

cada quilograma-metro de força.

Inovador também é o primeiro sistema de

poliuretano termoplástico expandido do mundo

(E-TPU), que combina as propriedades elásticas

do TPU com a leveza da espuma e equipam alguns

tênis de corrida da Adidas.

Essa tecnologia resolveu um antigo dilema

dos corredores, que tinham de escolher entre

usar calçados de competição duros e elásticos ou

de treinamento muito macios.

Essas soluções atendem a duas tendências

no mercado de calçados esportivos. Uma é a demanda

dos consumidores por tênis leves, confortáveis

e duradouros. Outra é o maior foco da

indústria calçadista na automação do processo de

produção.

Qual tênis usar

O tênis desenvolvido para corrida tem basicamente

duas funções: proteger os pés do esforço

das passadas e permitir que o corredor desenvolva

o máximo do seu potencial.

Esse tipo de calçado é projetado para dispersar

o impacto que o atleta recebe constantemente

quando os pés tocam o solo durante a

atividade. A força do impacto gerada por esses

choques da batida do pé contra o piso chegam a

até três vezes o peso do corredor.

É muito importante não errar na escolha

do tênis de corrida e diante de tantas opções, seguem

algumas dicas que possam ajudar na escolha

do calçado ideal.

- Antes de escolher o tênis, experimente

vários modelos e tamanhos.

- A ponta do dedo nunca deve encostar na

ponta do tênis de corrida. O ideal é uma distância

entre 1 e 1,4 cm.

- As costuras do tênis não devem apertar

ou ficar em cima de zonas que sofram muito atrito

durante as passadas.

- A parte de trás do tênis deve ser macia e

sem costuras que possam causar bolhas.

- Na parte do calcanhar, o solado deve ter

no mínimo 2 cm para evitar calos.

- Prefira os tênis mais leves. Os pesados ou

duros demais podem prejudicar os músculos e as

articulações.

- O tênis mais caro nem sempre é o melhor

para você.

- Existem tênis de treino e de competições.

Os de competições são geralmente muito leves,

o que sacrifica o amortecimento. Se você é um

corredor alto e pesado, é desaconselhável que os

utilize. Já se você é leve e visa melhorar o tempo,

vá em frente.

- Compre o calçado no fim da tarde, pois à

noite os pés tendem a ficar mais inchados.

- Depois de uma corrida, o amortecimento

do tênis fica comprimido e deformado. Para

voltar ao normal, é necessário 24 horas sem uso.

Quem corre todo dia, portanto, deve considerar

a compra de um segundo par.

Fonte: www.ativo.com

Revista da Sociedade 07


Motor

PRIMEIRO CARRO

À ÁLCOOL FAZ

40 ANOS

Há 40 anos Fiat do Brasil dava início à

produção em série do primeiro automóvel

do mundo movido a etanol, o Fiat 147.

08 Revista da Sociedade


Motor

Em 5 de julho de 1979 o Brasil entrava para a história

da indústria automotiva com o lançamento do

primeiro carro movido a etanol, produzido em série

no mundo.

Apelidado de “Cachacinha” devido ao odor característico

exalado pelo escapamento, o Fiat 147 a etanol simboliza

um marco importante para a engenharia automotiva

brasileira, que dava o primeiro grande passo em busca de

desenvolver tecnologias que permitissem veículos mais eficientes

e menos poluentes.

O desenvolvimento

A história do Fiat 147 a etanol remonta a 1976, quando

as pesquisas de desenvolvimento do motor movido ao

derivado da cana-de-açúcar começaram. No mesmo ano a

Fiat deu início à fabricação de seu primeiro carro no Brasil,

o Fiat 147 a gasolina.

Ainda em 1976, em sua primeira participação no Salão

do Automóvel de São Paulo, a marca expôs um protótipo

do 147 a etanol com dezenas de milhares de quilômetros

rodados.

Nessa época o país começava a viver a era do Pró-Álcool,

programa nacional que buscava criar combustíveis alternativos

ao petróleo, que vivia no momento uma de suas

crises.

O ano seguinte foi dedicado ao aperfeiçoamento técnico

do produto, além da produção de novas unidades que

foram sendo submetidas a diversos testes.

Em 1978, a Fiat desenvolveu o motor 1.3 de 62 cv

de potência e 11,5 kgfm de torque que, durante os testes,

acabou se mostrando mais adequado para o uso do etanol

do que o propulsor a gasolina de 1.050 cm3, até então utilizado

no 147.

No início daquele ano, três Fiat 147 a etanol foram

entregues ao DNER (Departamento Nacional de Estradas

de Rodagem) para serem experimentados no policiamento

da Ponte Rio-Niterói.

Em setembro de 1978, um Fiat 147 100% a etanol

realizou o que viria a ser o teste definitivo para criação do

primeiro motor brasileiro do gênero: uma viagem de 12

dias e 6.800 quilômetros de extensão pelo país, percorrendo

uma média superior a 500 km diários, três mil quilômetros

por vias de terra e variações climáticas de mais de 30

graus.

Desafios de uma nova tecnologia

Por ser o pioneiro entre os carros a etanol, o Fiat 147

foi também o primeiro a encarar problemas provocados por

algumas características do combustível, como o baixo po-

Revista da Sociedade 09


Motor

der calorífico em relação à gasolina. Na prática,

isso significava maior dificuldade para dar a partida

no motor em dias frios.

“Para resolver o problema, a engenharia

instalou o reservatório de partida a frio. Um

bombeador igual ao do lavador do para-brisa,

acionado por meio de um botão no painel, que

injeta no coletor de admissão uma quantidade de

gasolina suficiente para dar a partida em baixas

temperaturas”, detalha Robson Cotta, gerente de

Engenharia Experimental da FCA (Fiat Chrysler

Automóveis).

Ronaldo Ávila, supervisor de Engenharia

de Produto da FCA, que na década de 1980

trabalhava no laboratório químico da fabricante,

acompanhou de perto os constantes aperfeiçoamentos

do 147 a etanol. “Minha equipe analisava

as peças dos motores o desafio era muito grande.

No início havia oxidação. Para funcionar com o

etanol, o sistema de alimentação todo, tanque de

combustível, bomba, tubulações, carburador, etc.,

precisou ser mais robusto para suportar um combustível

extremamente corrosivo”, conta.

Após muitos testes, a engenharia da Fiat

encontrou a solução para proteger as peças do

motor: o uso de níquel químico. “Esse metal cria

uma camada de proteção nos componentes, inibindo

as ações do etanol”, explica Ávila.

Outra providência tomada para combater o

efeito corrosivo do etanol foi a instalação de um

conjunto de escapamento aluminizado.

Os diferenciais do modelo

Entre os diferenciais estava a taxa de compressão

do motor 1.3, que foi bastante elevada.

De 7,5:1 da versão a gasolina, passou para 11,2:1.

Outro diferencial estava na carburação, que

passou a trabalhar com mistura ar-combustível

mais rica em combustível. Aliás, essa era a razão

de seu consumo ser 30% mais alto comparado ao

propulsor a gasolina.

O motor ficou com potência pouco maior

que a do similar a gasolina, devido à necessidade

de conter o consumo: 62 cv brutos contra 61.

Por outro lado, a taxa de compressão mais alta

favorecia o torque e, portanto, as retomadas e

acelerações em baixa ou média rotação. “Mas o

número que realmente importava era o custo por

quilômetro rodado, menos da metade da versão

a gasolina, com os preços dos combustíveis na

10 Revista da Sociedade


Motor

época”, destaca Robson Cotta.

O interesse do consumidor pelo Fiat 147

movido a etanol rendeu entre 1979 e 1987, período

em que foi vendido no Brasil, a comercialização

de 120.516 unidades.

O legado do Fiat 147 a etanol

Na época em que teve de enfrentar a questão

do poder corrosivo do etanol, ao mesmo tempo

em que passou a adotar materiais que protegessem

os componentes, a Fiat começou a buscar

atingir um outro nível tecnológico. “Esse processo

passou pelo carburador duplo até chegar à injeção

eletrônica”, lembra o supervisor da área de

engenharia da Fiat, Ronaldo Ávila.

Foi justamente a tecnologia do carburador

duplo que, no início dos anos 1990 trouxe mais

um feito histórico para a marca: o carro 1.0 mais

rápido e veloz do mundo, o Uno Mille Brio. A

evolução do sistema de injeção melhorou a mistura

de ar e combustível nos motores. Com isso,

houve ganhos significativos de desempenho e, ao

mesmo tempo, redução de consumo.

O Fiat Toro e o Jeep Renegade, por exemplo,

dispensam o tanquinho de partida a frio graças

ao sistema de pré-aquecimento dos bicos injetores.

O futuro

Diretor de Assuntos Regulatórios e Compliance

da FCA, João Irineu confirma a elevada

importância do etanol para os futuros lançamentos

do grupo. “Começamos há 40 anos com um

sistema de carburador e hoje trabalhamos no

desenvolvimento de sistema turbo, injeção direta

e uma série de outras alternativas que serão

incorporadas ao motor a etanol para melhorar o

desempenho em relação ao motor a gasolina”.

Melhor do rali

No universo do automobilismo, o Fiat 147

a etanol viveu um de seus grandes feitos conduzido

por mulheres no Rallye Internacional do

Brasil, disputado em 1979.

Naquele considerado o primeiro grande

rali internacional realizado no país, o Fiat 147

Rallye #73, da dupla Anna Cambiaghi (Itália) e

Dulce Nilda Doege (Brasil), terminou em quarto

lugar na classificação geral. Foi o carro brasileiro

de melhor classificação na prova que teve percurso

de 2.200 km.

Revista da Sociedade 11


Entrevista

‘APOSTO QUE 2020 VAI

SER UM ANO MUITO BOM’

Revista Sociedade conversou com César

Vessani, presidente da Associação dos

Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos

César Antônio Vessani tem 47 anos.

Terminou a faculdade de engenharia

civil no fim de 1994, em São José

do Rio Preto, ano do tetracampeonato

mundial de futebol masculino e também da

eleição de Mário Covas para governador de São

Paulo.

Com o diploma recém-conquistado, encontrou

o setor da construção civil vivendo

momento de crise. Após estagiar em uma firma

responsável por obras públicas em São Sebastião,

no litoral norte paulista, no ano anterior,

não teve chance de ser efetivado. O recém-empossado

governador decidiu por congelar todos

os investimentos em todas as áreas, o que

provocou o fechamento de inúmeras vagas de

trabalho.

Mas a crise não abateu César, que logo

depois bateu na porta do escritório da empresa

contratada para erguer uma unidade das Lojas

Americanas no Riopreto Shopping. As coisas

deram certo e o engenheiro civil passou três

anos atuando em obras da Matec em várias cidades

paulistas.

Casado com a professora de educação física

Alessandra, com quem namora desde os

17 anos e tem dois filhos, César, que atualmente

toca sua própria construtora, deu início em

2019 ao seu mandato de presidente da Associação

dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos

de São José do Rio Preto.

Nesta entrevista, César fala sobre sua expectativa

para o setor e sobre as metas a serem

alcançadas por sua administração, que termina

no final de 2020, com direito a concorrer a uma

reeleição. Confira.

Quando optou pela engenharia civil?

Foi ainda na época de escola, entre o 1º

e o 2º colegial. Mas a ideia, na época, era a engenharia

mecânica. Queria ser mecânico industrial.

12 Revista da Sociedade


Entrevista

Por que engenharia mecânica?

Quando moleque tinha muita vontade de

mexer com carro. Sempre gostei disso e de matemática

também. Tentei passar em vestibulares

para cursos de engenharia mecânica e não

consegui. Acabei passando em engenharia civil.

Tentou engenharia mecânica por

quanto tempo?

Foi só no primeiro ano de vestibular.

Tentei seis faculdades de mecânica e tentei engenharia

civil em São José do Rio Preto. Passei

na faculdade Dom Pedro em 1990. Tinha 17

para 18 anos na época. Aliás, está para fazer 30

anos dessa tomada de decisão.

Carrega alguma frustração por isso?

Sem frustração alguma. Passei em engenharia

civil, comecei a cursar e acabei


me adaptando.

Fui gostando cada vez

mais. Fui me envolvendo cada

vez mais.

Hoje sou engenheiro civil

com extensão em engenharia sanitária

pela Ufscar (Universidade

Federal de São Carlos). Aliás,

as aulas eram na então Sociedade

dos Engenheiros, hoje Associação

dos Engenheiros, Arquitetos

e Agrônomos de São José

do Rio Preto.

Tem outro engenheiro

na família?

Sou o único. Meu pai foi bancário, minha

mãe foi professora e tenho dois irmãos que

fizeram farmácia. O sonho da minha mãe era

que eu fizesse medicina, depois odontologia.

Mas nunca me vi médico, nem dentista.

É natural de onde?

Sou nascido em Jales. Vim para São José

do Rio Preto em 1982. Meu pai havia sido

transferido. Ele trabalhava no Banco do Brasil.

A família toda veio para cá.

Cheguei aqui com 11 anos. Meu círculo

de amizades é daqui. Conheço muita gente

aqui. Faz tempo que me sinto rio-pretense.

Como começou a empreender na área

da engenharia civil?

Fui tentando. Montei uma construtora

com um sócio. Ficamos uns seis, sete anos juntos.

Depois comprei parte de uma outra construtora.

Éramos em três sócios e ficamos uns

11, 12 anos juntos. Faz 3 anos que estou empreendendo

sozinho.

Desde que se formou, qual foi o momento

mais interessante para construção

civil no Brasil?

Foram muitas transições e adaptações

que atrapalharam o setor no período de crescimento.

Acho que agora é que vai começar a

andar de um jeito legal. Pelo menos para mim,

o agora está muito bom.

Trabalho praticamente só com obra pública.

Atuo em Rio Preto, Barretos, Palestina,

Cedral, tudo aqui na região e pelo que tenho

visto a coisa está começando a andar.

Mesmo diante dos indicadores de recessão,

de retração do PIB?

Sim. Vai melhorar.

Tenho

visto sair

licitação

para muita

obra.

Esse otimismo é fé

ou informação?

Tenho visto sair licitação

para muita obra. Nas

lojas de materiais de construção

percebe-se que o

movimento está melhorando.

Lógico que o dinheiro

não está circulando ainda.

Tem quem ergueu prédio

e ainda tem imóvel para

vender, mas que já está começando

a negociar essas


unidades.

Pessoal que aluga equipamento como betoneira,

essas coisas é outro termômetro. Quando

começa a alugar muito é que a coisa está girando.

O construtor primeiro aluga para depois

comprar.

Vejo esse movimento mostra um tendência

de crescimento. São coisas que muitas vezes

as pessoas não enxergam.

Você diz que está começando a melhorar.

Quando é que vai melhorar de vez?

Acho que 2020 vai ser um ano muito bom.

Por exemplo, o João Dória está pensando em

ser candidato à presidência. O Bolsonaro estará

buscando a reeleição. Com esse cenário, eles vão

ter de gastar dinheiro e vão gastar. Vão soltar

obras. Vão fazer a coisa crescer. Isso é bom para

o Estado de São Paulo e para o resto do Brasil

também.

Na sua opinião, a corrida presidencial

Revista da Sociedade 13


Entrevista

vai alavancar a engenharia?

Vai ajudar. Afinal, tudo começa com a engenharia.

Não se vive sem a engenharia. Em um

hospital, por exemplo, não é o médico apenas

que opera. Hoje tem todo um equipamento que

depende de engenheiros.

Seu envolvimento com a então Sociedade,

atualmente Associação dos Engenheiros,

Arquitetos e Agrônomos começa quando

e como?

Fiquei sócio em 1999. Não fiquei antes

por causa do tempo que passei fora. Quando

voltei para a cidade, comecei a frequentar e logo

depois me associei.

Agora, meu envolvimento com a entidade

começa mesmo em 2003, quando fui convidado

pelo Jorge Abdanur para compor a diretoria. Na

gestão seguinte fui candidato a vice.


Como surgiu a oportunidade

de presidir a associação?

Foi algo que aconteceu duas

vezes antes de se consumar. Em

2013 houve a possibilidade, mas

eu tinha objetivos claros traçados

e me achava muito novo para o

cargo. Em 2015 posso falar que

era para eu ter sido o presidente,

mas minha empresa passava por

situação conturbada, muita coisa

acontecendo, muita obra.

Foi quando concorri a vice-presidente.

Depois de dois

anos como vice, não entrei em chapa alguma.

Estava muito atarefado. Os associados queriam

que eu fosse o presidente e na última eleição falei:

agora vai.

Como foi a eleição?

A aceitação foi grande ao ponto de não

ter adversário. Até tentaram montar uma chapa

para concorrer, mas não conseguiram.

O que mudou desde sua chegada à sociedade,

hoje associação?

A sociedade tinha papel mais associativo.

Profissionais se reuniam mais, discutiam e debatiam

mais a profissão. Durante um período o

afastamento das pessoas foi grande. Resolver

essa questão, inclusive, é uma das minhas metas.

A gente precisa trazer gente nova. Não

é só trazer, mas como trazer. A ideia é promover

palestras, cursos de aperfeiçoamento. Acho

que a associação perdeu um pouco o foco nisso.

Agora as atenções estão voltadas para isso.

Tanto que a meta de renovação do quadro de

associados não é só buscada pela associação,

mas pelo CREA também.

Quais desafios precisam ser vencidos

para atingir essa meta?

O principal é unir e reunir a classe, conquistar

novos associados e fazer com que os já

existentes fiquem mais tempo dentro da associação.

A nossa

ideia é

promover

palestras,

cursos

O que foi feito até agora já surtiu algum

efeito?

Aos poucos vem surtindo. O pessoal de

prefeitura, por exemplo, que não participava

mais de nada, agora está começando a frequentar

de novo.

A mais eficaz forma de atração, tanto de

novos, quanto dos atuais

associados, é investir em

palestras e cursos. São minhas

metas principais.

A nossa associação

tem uma clube e muita

gente pensa no funcionamento

do clube. Penso que

tenho de pensar e priorizar

o profissional. Com o profissional

vindo participar

de cursos e palestras, o clube

naturalmente vai andar

bem.


Ter um clube é problema

ou atrativo na hora de conquistar novos

associados?

É um atrativo. Mas hoje em dia não tem

o mesmo apelo de antes. As pessoas moram

em condomínios com piscinas, ou são sócios de

outros clubes, ou têm chácara. É uma questão

complexa, mas a missão é que o clube e a associação

sejam geridos como empresa.

Quando você diz querer a associação

funcionando como uma empresa, como seria?

É ter o controle do que está sendo feito.

É estabelecer um padrão. Não culpo diretorias

passadas. Acho que todas enfrentaram dificuldades.

Mas hoje eu estou apostando na melhora

do setor da engenharia. Não vou falar de Bolsonaro,

mas acho que a tendência é melhorar. Eu

aposto nisso. Estou otimista.

Falta muito para a associação ser geri-

14 Revista da Sociedade


Entrevista

da como empresa?

Tem muito a ser feito. Para ter ideia, dias

atrás que fomos disponibilizar pagamento do

boleto de mensalidade pela internet. Não sei se

é motivo para comemorar. Afinal, é uma coisa

que está disponível há muito tempo e que só

agora chegou à associação.

As coisas estão indo devagarzinho, mas

antes não estavam acontecendo.

São quantos engenheiros na região de

abrangência da associação e quantos são associados?

No último levantamento, a nossa região

agregava por volta de 3 mil profissionais de

engenharia. Temos uns 300 associados e quero

pelo menos dobrar esse número até o final de

2020. O primordial para isso é a realização de

cursos e palestras. Tem atraído gente que não

estava mais vindo e muita gente ainda não associada.

A associação cobra pelos cursos e palestras?

Na maioria das vezes não. Hoje conto com

outras maneiras de arrecadar, por isso o foco é

investir no profissional.

O associado paga um valor diferenciado

quando o curso tem algum custo, além de ter

prioridade de inscrição em qualquer atividade

da associação.

Algum atrativo a mais para associados?

A gente vem trabalhando algumas parcerias

com esse objetivo de aumentar o número de

associados. Já temos uma com a Unimed e estamos

tentando outra, para atender à demanda

por certificações digitais, que vai ser grande em

breve. Então a gente está prestes a fechar convênio

para que o associado consiga fazer isso de

forma mais barata.

Consegue estabelecer prazo para isso?

Até o final deste ano quero estar com todas

as ideias já implantadas.

Apesar de toda tecnologia empregada

na engenharia civil, as obras no Brasil ainda

são lentas. Por que? Onde está o enrosco?

É uma questão cultural. A tecnologia

existe e está aí. Hoje tem obra em que a pessoa

faz uma forma de alumínio e monta a casa em

um dia.

E com essas forma ela consegue fazer 200

casas. Se a construtora tem 5 formas, consegue

erguer 5 casas em um dia. Essa tecnologia nós

temos. Só que nossa cultura dificulta. As financiadoras

não aceitam. Falta entendimento.

Revista da Sociedade 15


Tecnologia

CIÊNCIA

INSPIRADA

NA NATUREZA

A biomimética, campo da ciência que

busca entender e copiar a natureza, é

fundamental para o avanço tecnológico

16 Revista da Sociedade


Tecnologia

Inspirar-se na natureza para desenvolver novos conceitos

tecnológicos não é algo recente na história da humanidade.

Leonardo Da Vinci, por exemplo, no século

15 tentou criar máquinas voadoras a partir da observação

do voo e da anatomia das aves.

Tal atividade ganhou nome: biomimética, ou bioinpiração,

e transformou-se em um campo da ciência fundamental

dentro dos laboratórios de pesquisas.

Muitas invenções da humanidade só foram possíveis

graças à existência de animais, plantas, entre outros agentes

naturais do planeta, e também graças à capacidade de

entendimento e de interpretação dos cientistas.

Avanços

Entre os avanços trazidos pela biomimética, destaque

para o trem-bala japonês, inspirado no martim-pescador.

Outro exemplo é o velcro, inspirado em plantas do gênero

Arctium, também conhecidas como carrapichos.

No Zimbábue (África), o edifício Eastgate Centre

conta com sistema de refrigeração natural, capaz de autorregular

a temperatura, inspirado em um cupinzeiro.

No Brasil

Pesquisadores da UFSCar (Universidade Federal de

São Carlos) desenvolveram um material cerâmico inspirado

na madrepérola, resistente substância calcária que recobre

a concha de vários moluscos.

O artigo reportando os resultados foi divulgado em

2018 no Journal of the European Ceramic Society, principal

publicação da área de materiais cerâmicos e vítreos do

mundo, e no mês de junho deste ano, foi reconhecido como

a mais importante descoberta científica do setor no biênio

2017-2018.

Madrepérola

Também conhecida como nácar, a madrepérola conta

com propriedades naturais classificadas como fantásticas,

considerando a simplicidade de sua composição (95% de

carbonato de cálcio e 5% de proteína).

Com energia de fratura jamais alcançada pelos materiais

mais avançados produzidos pelo ser humano, há alguns

anos a madrepérola é fonte de inspiração de pesquisadores,

que tentam desvendar seus segredos e aplicá-los ao

desenvolvimento de novos materiais.

Novo material

A partir de placas de alumina, nanopartículas de sílica

e de ferro e aditivos contendo boro, itens comercialmente

disponíveis e comuns, foi criado um material cerâmico

Revista da Sociedade 17


Tecnologia

avançado, capaz de manter as propriedades de

resistência mecânica em temperaturas da ordem

de 1.400°C.

Para se ter ideia da relevância do resultado,

o máximo a que se tinha chegado até então

estava na faixa dos 600ºC.

Sua microestrutura é bioinspirada na madrepérola

e seu processamento é mais simples

que o de soluções anteriores, o que resulta em

um produto de menor custo e desempenho próximo

aos compósitos cerâmicos complexos usados

na indústria aeroespacial.

“A madrepérola é um modelo áureo de

engenharia de microestrutura. Com materiais

muito comuns, mas estruturados de modo bastante

específico, alcança propriedades que o ser

humano raramente obtém. Para se ter ideia, sua

energia de fratura é superior ao sistema de frenagem

de um A380, que é o maior avião comercial

disponível e utiliza materiais que são fruto

de tecnologia avançada”, explica Victor Carlos

Pandolfelli, docente do Departamento de Engenharia

de Materiais (DEMa) da UFSCar, e coordenador

da pesquisa premiada.

Premiação

Pandolfelli acredita que, além da qualidade

do conhecimento científico e tecnológico

produzido, também foi levada em consideração

a colaboração estabelecida entre as instituições.

Os experimentos foram conduzidos na Ufscar,

na ETH Zürich (Suíça), e no Imperial College

London (Inglaterra).

“A ideia original partiu do grupo de pesquisadores

brasileiros. Então estabeleceu-se

uma cooperação de fato, um trabalho em equipe

no qual pudemos usufruir, por exemplo, de

equipamentos não disponíveis no nosso laboratório”,

afirma o docente.

Para o coordenador da pesquisa premiada

o modelo seguido é muito frutífero e se torna

ainda mais relevante diante da situação de cortes

de recursos para a pesquisa nas universidades.

Ecotone

Uma forma orgânica esparramada sobre

um terreno em Arcueil, comuna a 1,5 km ao sul

de Paris (França) é outro destaque brasileiro recente

no universo da biomimética.

O projeto Ecotone, prédio de uso misto

assinado pelo escritório brasileiro Triptyque

Architecture em parceria com outros três estúdios

internacionais, foi vencedor do concurso

Inventons la Métropole du Grand Paris.

Previsto para ficar pronto em 2023, o

projeto de 81 mil metros quadrados segue preceitos

sustentáveis, adotando conceitos da biomimética.

Promete ser o maior edifício de madeira

da Europa, apostando ainda em terraços e pátios

pensados para iluminar as áreas internas.

Para se proteger do ruído e da poluição

das estradas que margeiam o lote, a construção

será dotada de uma pele de vidro duplo com painéis

fotovoltaicos. Além disso, caixas suspensas

e cordas tensionadas receberão uma densa vegetação.

18 Revista da Sociedade


(17) 99775-3383

Revista da Sociedade 19


Engenharias

ENGENHARIA

CIVIL

Revista Sociedade inaugura série que

vai explorar a cada edição uma das 39

engenharias existentes atualmente

20 Revista da Sociedade


Engenharias

Engenharia é a aplicação do conhecimento científico,

econômico, social e prático, com o intuito de inventar,

desenhar, construir, manter e melhorar estruturas,

máquinas, aparelhos, sistemas, materiais

e processos.

É profissão que conjuga os vários conhecimentos

especializados no sentido de viabilizar as utilidades, tendo

em conta a sociedade, a técnica, a economia e o meio

ambiente.

Trata-se de uma área abrangente, que engloba uma

série de ramos mais especializados. Cada qual com ênfase

em determinados campos de aplicação e em determinados

tipos de tecnologia.

Atualmente são 39 os tipos de engenharias e a cada

edição você vai ter a oportunidade de conhecer um pouco

mais sobre cada uma delas.

A série tem início com um ramo da engenharia que

engloba concepção, projeto, construção e manutenção de

todos os tipos de infraestrutura necessários ao desenvolvimento

e ao bem estar da sociedade: a engenharia civil.

Breve história

Desde o início da existência humana, conhecimentos

e habilidades de engenharia tem sido necessários para evolução

do padrão de vida.

A partir do momento em que as tribos deixaram de

ser nômades, surgiram assentamentos que necessitavam de

estrutura para abrigo e proteção.

Essas estruturas, ao longo do tempo, cresceram em

complexidade. Ao decorrer dos séculos, a grande demanda

por estruturas cada vez maiores e mais eficientes impulsionava

o surgimento de novas técnicas e a formação de

profissionais habilitados para assumir tal responsabilidade.

Apesar de estar presente na vida da humanidade há

milênios, a profissão de engenheiro civil só foi reconhecida

oficialmente a partir da Revolução Industrial, em 1760.

Formação e designação

A formação de um engenheiro civil é fortemente ligada

às ciências exatas. Contudo, o bom profissional carrega

muitos outros atributos. Habilidades em comunicação e

de análise racional dos fatos são fundamentais, assim como

seguir um código de ética. Afinal, suas obras influenciam

significativamente todos os segmentos da sociedade.

A designação “engenharia civil” surgiu para classificar

toda a engenharia que não era militar. Com o passar do

tempo a maioria dos países adotou o termo para o ramo da

construção.

Mas em alguns países como Bélgica, Dinamarca,

Revista da Sociedade 21


Engenharias

Fonte: Alex Pelicer/Gazeta de Rio Preto

Sérgio Issas, secretário de Obras de Rio Preto

França, Noruega e Suécia, os engenheiros não

militares ainda são genericamente chamados de

“engenheiros civis”, independentemente da sua

especialidade.

Profissional

Quem fala um pouco mais sobre a profissão

é Sérgio Astolfo Issas, 60 anos, engenheiro civil

especializado em segurança do trabalho e em gerência

de cidades, funcionário público desde 1991

e atualmente secretário de Obras de São José do

Rio Preto – SP.

Por que optou pela engenharia civil?

Pela sua dinâmica, inovação e principalmente

pela busca por melhorar a qualidade de

vida das pessoas.

Possui alguma graduação além do ensino

superior?

Após concluir o curso de engenharia civil,

fiz especialização em engenharia de segurança do

trabalho e de gerente de cidade na Faap.

Trabalha na área há quanto tempo?

Desde o meu início na profissão já se passaram

34 anos.

Iniciei logo após concluir o curso. Meu primeiro

trabalho como engenheiro residente foi na

Hopase Engenharia, em São José do Rio Preto,

onde permaneci por cinco anos e meio.

Neste ínterim prestei o concurso para engenheiro

civil da Prefeitura de São José do Rio

Preto. Passei e iniciei as atividades no setor público

em 6 de junho de 1991, onde permaneço até

a presente data.

Qual foi sua primeira obra atuando na

área?

A reforma geral no Senac de São José do

Rio Preto.

O que é engenharia civil e qual seu grau

de importância na sociedade?

Não é só uma profissão. É crucial para o

desenvolvimento de uma cidade, de um estado,

de um pais. Seu grau de importância é trabalhar

para proporcionar melhor qualidade de vida. O

engenheiro civil é preparado para promover a

estruturação de tudo que envolve a criação de

uma cidade, como moradia, saneamento básico e

transporte, por exemplo.

Em quais campos pode atuar um engenheiro

civil?

O engenheiro civil pode atuar em atividades

ligadas a projetos para construção, ou manutenção

de obras em geral, ligadas a edificações,

viadutos, aeroportos, rodovias, pontes, entre outros.

Qual o nível da engenharia civil praticada

no Brasil comparado ao resto do mundo?

O nível da engenharia civil no Brasil mudou

muito em relação ao passado. Hoje somos

o país que menos forma engenheiros no mundo.

Sem contar que vários graduados não estão

prontos para se adaptar a um mercado moderno

e tecnológico.

Recomendaria a alguém fazer faculdade

de engenharia civil? Por que?

Apesar da economia estagnada, acredito

que o setor imobiliário volte a crescer em breve.

Assim o mercado necessitará de novos profissionais

com mais capacitação e prontos para atuar.

Então, sim, eu recomendo um interessado a cursar

engenharia civil.

22 Revista da Sociedade


Fonte: Alex Pelicer/Gazeta de Rio Preto

Revista da Sociedade 23

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