edição de 2 de setembro de 2019

referencia

editorial

Armando Ferrentini

aferrentini@editorareferencia.com.br

Quebrando os ovos

S

.Exa., o presidente da República Jair Bolsonaro, demonstra acreditar

no velho adágio, que lembra ser impossível se fazer uma omelete sem

quebrar os ovos.

A questão que todavia se coloca é que já estamos adentrando no nono mês

do seu mandato e até agora o navio chamado Brasil não parou de soçobrar.

Esse balanço constante tem quebrado milhões de ovos, sem que as omeletes

sejam produzidas.

Já está mais do que na hora de se tomar um rumo, para que o país pare de

sofrer e reinicie a retomada do seu desenvolvimento.

Ficamos, sem dúvida, contentes com o anúncio feito pelo IBGE de que o

PIB brasileiro cresceu 0,4% no primeiro semestre deste ano, já iniciado o

novo governo.

Mas, o que estamos vendo no mercado publicitário, para o qual se volta e do

qual trata esta publicação de 54 anos de existência, não confere com a alegria

sentida no Planalto diante do anúncio do IBGE.

Ao ser eleito e empossado, o presidente Jair Bolsonaro sabia que o país ia

mal e até por isso, acreditamos, foi eleito para o mais alto cargo do Executivo

da República.

De lá para cá, passamos a viver uma era de incertezas, sem saber ao certo o

que nos reservam os 40 meses restantes desse governo.

As promessas de campanha, aliadas a uma enorme repulsa que tomou conta

de toda a nação em relação aos desmandos dos governos imediatamente anteriores,

levaram Jair Bolsonaro à vitória, que não foi larga, mas serviu para

ser empossado em Brasília.

Pois bem; de lá para cá, mesmo para os olhos dos seus eleitores, o que se tem

visto é uma pessoa raivosa, não só procurando briga a todo momento, como

a todo momento tentando localizar algum adversário, ou mesmo amigos próximos,

para um bate-boca na maioria das vezes sem sentido, ou, quando muito,

que deveria durar minutos e não horas e por vezes dias inteiros.

Voltando ao mercado publicitário, que novamente repetimos ser o objetivo

editorial desta publicação, parece-nos ter sido um dos mais prejudicados pelas

decisões de S.Exa., levando-nos a pensar que não aprecia o culto à publicidade

que os países mais adiantados devotam.

Ao querer provavelmente replicar ao seu modo, aos seus muitos críticos

existentes na mídia em geral, além da existência de algumas empresas do

setor que desde há muito se declararam contra ele, S.Exa. adota medidas

ostensivas para abater economicamente o setor, ou parte dele, como a que

desobrigou os órgãos federais a veicular sua publicidade legal periódica nos

impressos dos jornais, a maioria destes vivendo às turras para sobreviverem.

Como nos parece que S.Exa. possui um dos pendores raros nos seres humanos,

que é o de gostar de críticas, mais recentemente (ainda na semana passada),

determinou que as grandes empresas estatais não mais precisam divulgar

seus balanços e anexos, além igualmente de toda a publicidade legal, em

jornais de grande circulação, bastando que saiam na internet.

A medida poderá ser estendida a todas as empresas e empreendimentos particulares

do país, restringindo dessa forma o alcance de dar publicidade aos

seus atos, prática tradicional e obrigatória no mundo dos negócios.

Afinal, qual o plano de governo de Jair Bolsonaro? Fazemos questão de deixar

claro aqui, o seu maior handicap: dede janeiro até o fechamento desta

edição, não se tem conhecimento, nem sequer alarme falso, de qualquer ato

espúrio por ele praticado, abusando do poder que concentra.

Esse realmente é o grande mérito do atual presidente da República, que em

nosso país deveria ser apenas obrigação, mas que, diante de tantos e sucessivos

fatos escabrosos envolvendo ex-presidentes no exercício do poder, além

de outras categorias de políticos no cumprimento dos seus mandatos, torna-

-se um fator altamente positivo na apreciação do seu desempenho.

Porém, apenas isso não basta, até porque deveria ser apenas obrigação de

quem exerce um cargo público (e também privado, nos termos da lei), maximé

um presidente da República.

Por necessidade, como todo brasileiro, além dos estrangeiros que aqui residem,

fazemos votos para que S.Exa. se empenhe verdadeira e profundamente

nas grandes incertezas brasileiras, tentando resolvê-las para o bem do país.

E que jamais se esqueça de que foi eleito exatamente para fazer o que os seus

antecessores mais recentes não fizeram: produzir um país mais justo para todos,

diminuindo as desigualdades e devolvendo a cada um de nós a esperança

de que o seu governo será como o roteiro ao contrário de muitos romances

famosos: encrencas e desentendimentos no início, não ultrapassando porém

a metade da história. Daí em diante, muita união, aprendizado, realizações,

família satisfeita e admirada até pelos franceses e um futuro brilhante pela

frente, graças aos alicerces que foram finalmente sedimentados, com base no

reconhecimento de que os semelhantes necessitam exatamente se assemelhar

nas suas virtudes, abandonando velhas diferenças que nada resolveram,

a não ser criar mais cizânia entre todos.

***

Como costumavam dizer os cronistas sociais de antigamente, foi realizado

em grande estilo o 10º Fórum de Marketing Empresarial promovido pelo Grupo

Doria, em parceria com o PROPMARK, a Criatix, a Y&R e outros parceiros

apoiadores, além de inúmeros colaboradores independentes, como o impagável

Marcos Quintela e o ex-ministro Luiz Fernando Furlan.

O evento foi realizado no Sofitel Guarujá e a presente edição do PROPMARK

traz cobertura completa sobre o mesmo, no qual destacamos o brilho da presença

em grande número de diretores da CNN, além do seu presidente para o

Brasil, Douglas Tavolaro, com o seu vice-presidente comercial Marcus Chisco

apresentando ao grande público presente ao evento o desenho do projeto

CNN Brasil, que em breve estará no ar.

Destaque especial para essa apresentação, que além de muitos apoios técnicos

brilhou pela aula que Chisco deu a todos sobre o projeto.

Não poderíamos encerrar este tópico sobre o 10º Fórum, sem falar na

grandiosa figura de Celia Pompeia, hoje ocupando a vice-presidência executiva

do Grupo Doria, com uma desenvoltura admirável em todos os setores

do evento.

***

Imperdível nesta edição do PROPMARK, dentre outras, a matéria de capa

com agências e Ministério Público do Trabalho selando um pacto para a contratação

de negros, participando do exemplar projeto as agências Artplan,

BETC, DPZ&T, F/Nazca, FCB, JWT, Leo Burnett Tailor Made, Mutato, Ogilvy,

Publicis, SunsetDDB, Talent Marcel, Tribal, WMcCann e Y&R.

Igualmente imperdíveis, a entrevista com Eduardo Simon, CEO da DPZ&T, na

série De Frente com o Presidente; a matéria sobre a ida da conta da Skol para a

GUT de Anselmo Ramos, além de outra sobre a nova unidade de negócios da

Grey, a Grey Consulting.

Para encerrar, o assunto que vem dominando a mídia no país e no mundo: a

polêmica sobre os incêndios na região amazônica, com depoimentos, entre

outros, de Marcello Serpa e Washington Olivetto.

4 2 de setembro de 2019 - jornal propmark

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